PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

FERNANDA CUNHA - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Um dos mais produtivos compositores da música brasileira ainda em atividade, Bráulio de Castro não pára de produzir nos mais variados gêneros da música popular brasileira, em especial a pernambucana.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

DOM, INSPIRAÇÃO E SUOR NA DOSE CERTA

Com uma extensa carreira musical e projetos executados no Brasil e no Exterior, Markus Britto busca não se delimitar naquilo que faz a partir dos distintos projetos .

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 31 de janeiro de 2016

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


Antônio Maria (Mar/1921 – Out/1964)

Hoje trarei mais algumas curiosidades sobre o nosso cancioneiro. Ao longo do último mês, tive a oportunidade de aqui, no Musicaria Brasil, contar algumas passagens interessantes na vida do poetinha Vinícius de Moraes, que na ocasião estava completando um século de existência. E abordar o nome do “branco mais preto do Brasil” (como o próprio Vinícius se auto intitulava) me fez lembrar de outra figura do nosso cancioneiro que por muitos anos acompanhou o poeta carioca em sua vida noturna assim como também em algumas situações inusitadas como veremos a seguir.

Quem conhece a biografia do Vinícius não desassocia-o da figura do poeta, cronista, comentarista esportivo e compositor pernambucano Antônio Maria. Parceiro de pena e de copo, Antônio era tão notívago quanto o poetinha, e isso os aproximaram-se de modo bastante intenso e essa aproximação além de uma grande amizade gerou uma parceria musical que rendeu canções como “Quando tu passas por mim”, “Dobrado de amor a São Paulo” e “Bate, coração”. Vale salientar que Antônio Maria foi autor de clássicos do nosso cancioneiro como as canções “Manhã de carnaval”, “Ninguém me ama”, “Frevo Nº 3 do Recife” entre outras.

Começou sua carreira como locutor da Rádio Clube de Pernambuco aos 17 anos. Dois anos depois resolve mudar-se para o Rio de Janeiro e arrisca a carreira de locutor esportivo na Rádio Ipanema. No Rio foi morar no Edifício Souza, na Cinelândia, no apartamento 1005. Este prédio tornou-se famoso por ter entre seus moradores nomes como Dorival Caymmi, Fernando Lobo e Abelardo Barbosa, que então ainda não era o famoso Chacrinha (o poeta e compositor descreve em sua coluna Pernoite, publicada na revista Manchete, um pouco dessa época em que morou no Souza). No entanto, por não ter alavancado a sua carreira passou apenas dez meses na então capital federal e resolveu voltar para o Recife onde acabou casando.

Como funcionário dos Diários Associados muda-se para duas cidades nordestinas: Fortaleza e Salvador. Na primeira vai trabalhar na Rádio Clube do Ceará, já na capital baiana trabalha como diretor. Por volta de 1947 volta ao Rio de Janeiro para trabalhar como diretor artístico na Rádio Tupi. Sendo em seguida convidado pelo próprio Assis Chateaubriand a ser o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada em 20 de janeiro de 1951. No ano seguinte a então maior concorrente da Rádio Tupi, a Rádio Mayrink Veiga, contrata Antônio Maria por 50 mil cruzeiros, o salário mais alto do rádio brasileiro de então.

Vem dessa segunda estadia no Rio a sua aproximação ao então poeta, compositor e ainda diplomata Vinícius de Moraes. Dessa época uma passagem interessante na biografia do pernambucano, que ocorreu quando Maria precisou fazer uma viagem até São Paulo e como morria de medo de aviões passou a noite junto a Vinícius de Moraes que tentava o tranquilizar entre uma dose e outra. Todas as tentativas foram em vão. Vinícius o acompanhou até o aeroporto ainda na esperança de deixar o amigo mais tranquilo. No entanto, Antônio Maria manteve-se apreensivo até o momento do embarque.

Já dentro do avião, Maria senta-se ao lado de uma lindíssima loira que abriu a bolsa e retirou um dos livros do poetinha. Antônio, que sabia a obra de cor e salteado, não perdeu a oportunidade e citou um dos poemas existentes no livro em voz alta chamando atenção da mulher que estava ao seu lado. Ao perceber que a loira havia “caído em sua armadilha”, disse o nome do poema, a página onde ele encontrava-se e apresentou-se como sendo Vinícius de Moraes.

A partir daí o medo de avião esvaiu-se e a investida foi tão bem sucedida que “Vinícius de Moraes” conseguiu marcar um jantar a noite com a loira. A noite rendeu boas conversas e um convite do falsário (prontamente aceito pela loira) de passarem a noite juntos. Na volta ao Rio, Vinícius de Moraes foi recepcionar o amigo e saber como tinha sido a viagem. Encontrou um Antônio bem diferente daquele que havia saído do Rio e o questionou:

– O que lhe fez ficar assim tão animado?

Antônio respondeu:

– Tenho uma notícia boa e outra ruim, qual você quer primeiro Vinícius?

O poetinha responde que queria primeiro a notícia boa, aí então Maria começou a contar:

– Conheci uma baita loira no vôo e ela estava lendo um livro seu. Confesso que me apresentei como você e ela encantou-se por mim…

Vinícius por curiosidade nem deixou Antônio Maria terminar de contar a história e perguntou logo pela notícia ruim que foi respondida da seguinte forma:

– Meu amigo, após o aterrizagem marcamos um jantar e entre uma taça e outra a convidei para irmos até o local onde eu estava hospedado e não é que Vinícius de Moraes falhou…


Fica aqui duas belíssimas canções da lavra de Antônio Maria. A primeira trata-se de "Frevo Nº3", aqui na interpretação do cantor Geraldo Maia:




A segunda canção é outro belíssimo frevo na voz da consagradíssima Maria Bethânia e vem a ser o "Frevo Nº1":

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

HISTÓRIAS DE CARNAVAL - RENATO VIVACQUA (PARTE 01)

sábado, 30 de janeiro de 2016

PETISCOS DA MUSICARIA: AMÉLIA BRANDÃO NERY – OU ‘OS QUASE ANÔNIMOS GRANDES NOMES DA MÚSICA BRASILEIRA - PARTE 01

Por Joaquim Macedo Júnior



Amélia Brandão Nery (“Tia Amélia”) compositora, pianista, uma das referências de nossa música popular

Da crônica A Bênção, Ti’Amélia: “uma ressurreição de Chiquinha Gonzaga, com bossas novas”. – Vinícius de Moraes – 1953

“Assim, quando se ouve o som atual de Tia Amélia, pode-se dizer que é toda a história do piano popular brasileiro que soa em sua interpretação”. – José Ramos Tinhorão – 1980

Não costumo abrir textos com epígrafes. Dão a impressão de que estou carimbando, chancelando antecipadamente, uma tese, por conta da fama destes autores de apotegmas. Sim, parece uma sentença prévia para que o artigo não seja avaliado, posto que, diante das frases concisas e laudatórias a determinado personagem, torna-se o texto, por assim dizer, inquestionável.

Com as epígrafes, o articulista jogaria ou, ao menos dividiria a responsabilidade de discordâncias ou críticas com os frasistas escolhidos à minudência para a ocasião.

Não é este o caso, embora já tenha recorrido à prática em outras crônicas. Agora é para usar duas figuras conhecidas para facilitar ou pescar o interesse do leitor de primeiras linhas a vir comigo nessa empreitada: conhecer Amélia Brandão Nery, “tia Amélia”, pianista, compositora e música da maior expressão nacional, sendo, no entanto, praticamente uma desconhecida entre os não iniciados. Falo rapidamente dos dois nomes que assinam as epígrafes para dizer que não são unanimidade – perdoem-me a jocosidade – nem para mim mesmo.

De Vinícius de Moraes é redundante falar. Grande poeta, que popularizou-se ao dividir parceiras em canções com inúmeros compositores, deixando-nos obras como Garota de Ipanema, Chega de Saudade e Samba da Bênção, entre centenas. Gosto mais do letrista que do poeta.

Quanto ao vetusto José Ramos Tinhorão, esta figura de difícil trato, esculhamba quase tudo que vê e ouve. Aos 87 anos, no entanto, não raro fundamentou suas teses com arrazoados convincentes e por mais que tenha ferido artistas com a crueza de suas palavras e definições – atritos e implicâncias com Tom Jobim, Paulinho da Viola, Cartola – é reconhecidamente um dos maiores pesquisadores e críticos da Música Popular Brasileira.

Com isso, penso, me distancio da fama dos autores da abertura, evitando a alforria prévia, continuando porém a usar suas referências.

Casa onde residiu Amélia Brandão, na Rua Duque de Caxias, em frente a Pça Santos Dumont, próximo aos Correios de Jaboatão Centro





















Amélia Brandão ficou conhecida do grande público por breve tempo, por meio da canção “Minha Tia”, de Roberto e Erasmo Carlos, gravada em 1976. De acordo com a letra, a pianista teria influenciado muito o cantor Roberto Carlos, em seu início de carreira.

Mas, vamos começar a falar diretamente da vida e obra de Amélia Brandão Nery. Seu nome surgiu por brincadeira. Estávamos eu e meu irmão, Zeca Macedo, relacionando grandes músicos instrumentistas de Pernambuco, cada um em sua área. Era quase um ‘quiz’: surgiram Novelli, Robertinho do Recife, Paulo Rafael, Dominguinhos, Camarão, Naná Vasconcelos, Antonio Nóbrega, Spock, Jacaré, Heraldo do Monte, Antonio Meneses, Luperce Miranda, João Pernambuco e por aí foi até chegarmos ao piano. O primeiro a ser lembrado foi o premiadíssimo maestro Marlos Nobre, depois Cussy de Almeida (que os potiguares nos emprestaram), professor de nossa mãe, Dagô, no Conservatório Pernambucano de Música e, por fim, o garoto Victor Araújo, também com vários prêmios internacionais na bagagem.

Quando íamos dando por encerrado a divertida enquete, Zeca surge com “tia Amélia”, de quem, juro, nunca tinha ouvido falar. Ao buscar as primeiras informações, senti-me envergonhado. Como jornalista, no entanto, mantive a linha e disse: “pois bem, conheço não. Quem seria?”. Antes de ouvir a frase infame: “VOCÊ não conhece fulana?” Uma das vantagens da minha profissão é poder perguntar pela simples prática do ofício, sem constrangimentos.

Pois bem, estou há 10 dias lendo e ouvindo tudo o que tenho à disposição referente a tia Amélia.

Nascida em Jaboatão-PE (hoje, Jaboatão dos Guararapes), em 25 de maio de 1897, morreu em Goiânia-GO, no dia 18 de outubro de 1983.

Pianista e compositora, começou a carreira como pianista erudita, mas passou a dedicar-se sobretudo à música brasileira, particularmente ao choro, sendo muitas vezes comparada à sua predecessora Chiquinha Gonzaga (Rio, 1847-1935), de quem chegou a ser contemporânea.

Amélia nasceu em família de músicos. O pai era violonista, clarinetista e regente da banda da cidade, enquanto a mãe tocava piano. Aos 4 anos, Amélia já tocava piano de ouvido; aos 6, iniciou aulas de música; e, aos 12 anos, compôs a valsa “Gratidão”.

Enquanto lemos sua biografia, podemos começar a entender melhor “tia Amélia”, com o maxixe ‘Bordões ao Luar’, de 1959:

Seu desejo era ser artista, mas o pai e, depois o marido, tentaram impedir que seguisse carreira. Mesmo assim, Amélia fazia pesquisas sobre o folclore brasileiro, que serviriam, mais tarde, de tema para suas composições.

Casou-se aos 17 anos com um rico fazendeiro, escolhido pelo pai. Deixou o engenho Jardim, em Moreno, município pernambucano vizinho a Jaboatão, onde foi morar, na fazenda do sogro, que morreu dois anos depois do casamento do filho.

Atolado em dívidas, o engenho teve de ser vendido, bem como a fazenda. Após a perda dos bens, o marido de Amélia não resistiu e morreu, vítima de colapso, deixando-a viúva aos 25 anos, com quatro filhos para criar. Chegou a vender o próprio piano para auxiliar nas despesas da família.

Amélia Brandão, em 1938
Certa vez, ao se apresentar em recital de caridade deixou entusiasmado, com sua interpretação, o governador do estado, que lhe concedeu apoio para empreender uma turnê, durante a qual pode ser realizar com pianista internacional.

Em 1929, foi ao Rio de Janeiro para esclarecer uma questão de direitos autorais (ah! os velhos direitos autorais, encrenca desde sempre!), relacionados com gravação de uma composição sua, sem autorização na Odeon (Isso me lembra Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco; Irmãos Valença e Lamartine Babo e assim por diante).

Na capital federal, contratada para se apresentar em um concerto no antigo Teatro Lírico, obteve enorme sucesso. Trabalhou em diversas emissoras de rádio e tocou piano com Ernesto Nazareth.

Na Odeon, além de ter recebido seus direitos autorais, foi convidada para a gravação de um disco.

Marcha pernambucana, de Amélia Brandão Nery, de 1932, cantada por sua filha, Silene Brandão Nery (Silene de Andrade), na época com 17 anos. Arte de capa: Heitor dos Prazeres:



Em 1933, a convite do Itamaraty, Amélia fez uma excursão pelas Américas, com sua filha, a cantora Silene de Andrade. Em Washington, EUA, chegou a jantar com presidente Franklin Roosevelt e esteve com celebridades como Greta Garbo e Shirley Temple. Representava o Brasil, a pedido de Getúlio Vargas.


Sua carreira seguiu com grande sucesso de público e de crítica. Fez sua última gravação em 1980, aos 83 anos, pelo selo Marcus Pereira. Faleceu em Goiânia-GO, aos 86 anos de idade.

Semana que vem tem mais música e obra de “tia Amélia”.


Fontes:
Site ‘Famosos que Partiram’ – Tia Amélia;
2. DE MORAES, Vinícius. Samba Falado (crônicas musicais). Miguel Jost, Sérgio Cohn e Simone Campos (Org.). Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008;
3. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira;
4.Amélia Brandão por Semira Adler Vainsencher; 5. Portal Luiz Nassif

PERCUSSIONISTA JERIMUM LANÇA O SEU PRIMEIRO ÁLBUM

Um dos percussionistas mais representativos da atual cena musical pernambucana, Jerimum acaba de lançar entre amigos, um álbum que como o próprio título sugere trata-se de uma grande celebração

Por Bruno Negromonte




Jerimum de Olinda desde criança escutava música com o pai e era costume ser colocado pra dormir ouvindo Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Essas experiências sonoras suscitaram no pequeno Jerimum o desejo de seguir, de algum modo, as veredas musicais já tão arraigadas em si, o que acabou o levando as mais distintas experimentações sonoras ainda na infância. Hoje, mais de vinte anos após este início, o artista é considerado uma referência na contemporânea cena música instrumental pernambucana. Ao longo de todos estes anos, Jerimum vem construindo uma coerente carreira, condição esta que o colocou no panteão dos percussionistas do seu estado, ao lado de nomes como, por exemplo, o do mestre soberano Nana Vasconcelos. Esta condição o credenciou a estar no palco ao lado de grandes nomes da música popular brasileira tal qual Geraldo Azevedo, artista de renome nacional que sempre recorre ao talento do artista olindense. Essa parceria pode ser conferida no DVD "Uma geral do Azevedo", primeiro registro áudio visual do artista petrolinense gravado no Circo Voador (RJ) e lançado em 2009. Vale registrar também, dentre os artistas da cena musical local, a parceria do percussionista à nomes como Sérgio Ferraz, César Michiles, Beto Hortiz em trabalhos que expõem toda a riqueza sonora existente na região e do país a partir da abordagem da obra de relevantes compositores nordestinos assim como também nacionais.

Atualmente, por vias independentes, Jerimum vem divulgando o seu primeiro álbum autoral, cujo título "Entre amigos", não poderia ser mais adequado à condição visivelmente presente no álbum. Neste seu primeiro registro fonográfico solo, Jerimum nãos só imprime uma marca própria que vem corroborando para o  engrandecimento do seu nome, mas também mostra toda a diversidade que constitui sua música a partir de distintas parcerias, agora eternizadas neste projeto. Trata-se de um projeto onde todas as matrizes da música brasileira encontram-se de modo uníssono. Tal característica acaba por fazer do projeto algo prazeroso de ouvir, pois nessa miscelânea sonora o artista não se perde, mantendo uma coerência musical singular a partir de faixas como a ciranda intitulada “Lia”, uma bela homenagem à sua irmã e que no disco ganha os requintados adornos vocais do cantor, compositor e intrumentista Geraldo Azevedo; já no samba “Luciana”, de Jerimum presta uma bela homenagem à sua esposa. O disco segue com “Baiãozinho pra Sivuca”, composição do violonista também pernambucano Claudio Almeida, que traz a participação de Beto Hortis, na sanfona; entre outros ritmos e gêneros presentes no disco pode-se destacar o coco “Coco Moderno” que junta flauta transversal de César Michiles à batida da pedaleira em loop e o frevo “Esse é o tom”,  composto por César, que no disco se transformou em um belíssimo duelo de flauta e pandeiros. Sem contar a música que dá título ao disco, “Entre Amigos”, de Charles Brown, que é a mostra mais exponencial do potencial sonoro do músico, uma vez que junta ciranda, maracatu, samba e jazz numa só faixa. Vale registrar que a ficha técnica do disco ainda conta com as participações de nomes como Fabiano Menezes, Henrique Albino, João Ribeiro, Waléria Wanda,  Charles Brown e Sérgio Ferraz. O disco pode ser adquirido através da página do próprio artista aqui no Facebook.


Eis as faixas presentes no álbum:
01- Biam dhifá

02- Em sete
03- Lia (part. de Geraldo Azevedo)
04- Luciana
05- Rabeca tabla jam
06- Entre amigos
07- Baiãozinho pra Sivuca
08- Esse é o tom
09- Coco moderno

ESTUDANDO A MPB: REFLEXÕES SOBRE A MPB, NOVA MPB E O QUE O PÚBLICO ENTENDE POR ISSO - PARTE 08

Por Rafael Machado Saldanha 


RESUMO: Este trabalho pretende discutir a evolução do uso da sigla MPB (Música Popular Brasileira), desde sua popularização, nos anos 60, até os dias de hoje, dando ênfase para sua ramificação recente conhecida como “Nova MPB”. Também se buscou compreender como se dá a recepção por parte do público brasileiro, procurando contrastar as informações obtidas nas pesquisas bibliográficas com a opinião de ouvintes de MPB reunidos através de um fórum da Internet. Palavras-Chave: Música Brasileira – Estudos da Recepção – MPB – Nova MPB 


O fim?


Este não é o fim dessa história. Não é o fim da discussão. Embora muitas das questões levantadas tenham sido respondidas ao longo dos últimos capítulos, muitas novas foram surgindo, o que nos mostra que ainda há muito para se dizer sobre a MPB. A complexidade do tema faz com que este se torne um tanto caleidoscópico: de cada ângulo que se olha, se tem uma visão nova.

A própria conceituação do que a sigla representa não é um ponto pacífico. Ao longo de sua história, MPB significou várias coisas diferentes. Serviu para nomear a música engajada do início dos anos 60, aceitou os experimentalismos do tropicalismo, herdando seus artistas após o fim do movimento. Se ampliou indefinidamente para aceitar os roqueiros-poetas dos anos 80 até ser tomado cada vez mais como um estilo musical definido, que herda a brasilidade das tradições musicais antigas, a sofisticação da Bossa Nova, o flerte com o popular e o pop principiado no tropicalismo... Para cada contexto, há uma resposta, de modo que algumas vezes parece ser quase impossível dizer com certeza se determinado artista é MPB. Mais fácil dizer que ele está MPB. É possível dizer isso porque parece que os diversos significados que a sigla teve ao longo das décadas continuam vigentes, ocupando e confundindo o imaginário musical brasileiro.

Carlos Sandroni trabalhou recentemente com os gêneros oitocentistas e a dificuldade de se defini-los. À época, o uso de expressões como “Tango” era diferente do que temos hoje. O autor chega a dizer:

O que é curioso, no entanto, é que não era apenas a habanera a sofrer desse problema.
No Brasil, há numerosos exemplos de casos semelhantes: gêneros populares como o lundu,
o fado, o maxixe e o samba foram todos em um momento ou outro
chamados de “tango”. (Sandroni, 2005: 180)

Hoje, o tango é um gênero musical reconhecido, facilmente distinguível. Sandroni salienta que este uso não é fruto de erro:

A recorrência da situação mostra que não se tratava de “erros” ou de “confusões”,
mas do simples fato do que na segunda metade do século XIX, e até um pouco mais tarde,
a habanera e os outros gêneros mencionados podiam mesmo ser chamados de tangos,
com plena consciência, e até mesmo a despeito das intenções do autor (...).
Tango, de acordo com os testemunhos da época que pude consultar, era um nome
genérico para canção e dança considerados de influência negra ou mestiça,
no quadro do mundo ibero-americano. (Sandroni, 2005: 181)

Assim, pode ser que a dificuldade em se definir MPB aconteça por este mesmo motivo: assim como o Tango, a expressão está deixando de significar uma coisa mais ampla – 61 a totalidade da música popular produzida no Brasil – para se tornar algo mais específico – um gênero musical.

A Nova MPB, que parecia ser mais fácil de ser definida, se mostrou igualmente profunda. Os aspectos que deveriam diferenciá-la da “Velha MPB” são justamente os que mais as aproximam. A tentativa de se verificar se o flerte com a pós-modernidade seria uma novidade, revelou-se que a MPB desde o início tem em sua estrutura um “quê” de pósmoderno, que ficaria mais evidente em algumas horas e menos em outras. A mistura do velho com o novo – outro aspecto que é apontado como definidor da Nova MPB – parece até mesmo preceder sua versão antiga. Afinal, não teria a Bossa Nova sido influenciada fortemente pelos antigos sambas e músicas eruditas aliados a então novidade do cool jazz? Assim, muitos acusam a expressão de ser utilizada como mera etiqueta mercadológica, como uma tentativa de se agrupar e rotular alguns artistas para facilitar a sua entrada no mundo da indústria cultural e maximizar suas vendas, numa “produtificação” daquilo que deveria ser arte e cultura. Mas, no entanto, todos conseguem identificar sem muita dificuldade quem se encontra coberto por sua sombra: sinal de que ou esse processo tautológico foi realmente eficaz, ou verdadeiramente existe algum elemento distintivo ainda a ser descoberto.

 As pesquisas com a recepção foram fundamentais para se compreender o sistema da música no Brasil de maneira completa. Saber como os diversos pontos teóricos repercutem junto ao público ajuda a ampliar nossa percepção da importância que determinados fatos na construção da imagem e do pensamento sobre a música brasileira, e em específico a MPB, tem para aqueles que a consomem hoje.

Outro ponto importante da pesquisa foi esboçar um perfil do ouvinte típico da MPB. Notando quem respondeu ao convite de participar da pesquisa, podemos perceber semelhanças entre eles: geralmente são pessoas bem educadas, que sabem se expressar bem e respeitam as opiniões dos outros debatedores – ao menos quando estão entre “iguais”. A grande maioria apresenta um bom conhecimento sobre o assunto, se interessando pela história dos movimentos e pela biografia dos artistas. No entanto, em pouco tempo percebe-se em alguns um certo tom de elitismo, um sentimento de superioridade, uma sensação de não pertencimento àquela massa a qual eles tantas vezes se referem.

Neste aspecto, a pesquisa com a recepção serviu para confirmar o que já se desconfiava desde o primeiro capítulo: a MPB ocupou o espaço de “alta cultura dentro da cultura de massa”, como havia previsto Morin(1997a). Como já havia dito Marcos Napolitano(1999), a MPB se tornou sinônimo de bom gosto, e isso faz com que seus fãs se julguem acima daqueles que não compartilham seu “gosto musical superior”.

Pudemos constatar que embora o discurso consciente se mostre inclusivo, talvez devido a pressões do que se considera politicamente correto, para estes ouvintes da MPB ela continua precisando do “outro” para se definir. Se o papel desse “outro” foi interpretado pela Jovem Guarda nos anos 60, hoje ele parece caber àquilo que comumente é chamado de “música mais ‘popular’”. Sob este rótulo se encontram o funk carioca, o pop rock, a axé music, o pagode romântico, o forró universitário e todas aquelas expressões que não são imediatamente associadas ao cânone da MPB, mas ocupam lugar de destaque nas listas de mais vendidos das gravadoras e mais executadas nas estações de rádio e canais de televisão. Assim, não por acaso, os fãs de MPB elegeram a mídia como principal inimiga. Mesmo havendo várias rádios dedicadas exclusivamente a ela, na opinião de muitos, a MPB não estaria tendo o devido espaço nos meios de comunicação massivos. A mídia, contaminada pelo jabá, estaria impedindo que mais pessoas tivessem acesso àquela música de bom gosto que eles já possuem.

Ignoram, no entanto, um princípio básico da comunicação que diz que nenhuma recepção é completamente passiva. Embora o processo de repetição influencie, ele sozinho não é determinante para se garantir a massificação – se assim fosse, as gravadoras não precisariam investir em diversidade. É o que diz o modelo teórico de Lazarsfeld:

Suas premissas de base estabeleciam ser característica de todo ser humano a
capacidade de “fazer escolhas”. Nega, portanto, que um público tido por “massivo” somente “reaja”.
(...) Lazarsfeld não titubeou em afirmar que cada indivíduo é capaz de procurar
e encontrar um meio de comunicação cujo conteúdo mostre compatibilidade
às suas convicções e modos de ver. (Polistchuk; Trinta, 2003: 90-91)

García-Canclini (1996) corrobora com essa tese e acredita que o consumo se dá de maneira consciente, vendo neste uma poderosa ferramenta de construção de identidade. Porém, é dessa forma que essa parcela elitista dos ouvintes da MPB justifica o afastamento de seus ídolos das camadas mais populares do gosto, o que lhes é conveniente, por manter “imaculado” o Olimpo onde se encontram seus ídolos – e de uma certa maneira, eles próprios.

Como podemos ver, cada vez que se encerra uma questão, outra parece se abrir. Por isso, seria injusto dizer que este é o final dessa jornada. Este foi somente um primeiro passo.










Referências bibliográficas:
ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre a origem e a expansão do nacionalismo. Lisboa, Edições 70, 1991.
ANDRADE, Oswald de. Obras completas VI: Do Pau-Brasil à Antropofagia e às Utopias – Manifestos, teses de Concursos e ensaios. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970. 
AUTRAN, Margarida. “O Estado e o músico popular: de marginal a instrumento”. IN: NOVAES, Adauto. Anos 70: ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Aeroplano: Ed. Senac Rio, 2005.
BAHIANA, Ana Maria. “A ‘linha evolutiva’ prossegue: a música dos universitários”. IN: NOVAES, Adauto. Anos 70: ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Aeroplano: Ed. Senac Rio, 2005.
----------. “Importação e assimilação: rock, soul, discotheque”. IN: NOVAES, Adauto. Anos 70: ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Aeroplano: Ed. Senac Rio, 2005.
----------. “Música instrumental – O caminho do improviso à brasileira” IN: NOVAES, Adauto. Anos 70: ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Aeroplano: Ed. Senac Rio, 2005. ----------. Almanaque anos 70. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
----------. Nada será como antes: MPB anos 70 – 30 anos depois. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2006.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2004.
BARROS E SILVA, Fernando de. Chico Buarque. São Paulo: Publifolha, 2004.
BORGES, Márcio. Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina. São Paulo: Geração Editorial, 1996.
BOURDIEU, Pierre. As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
----------. O poder simbólico, Rio de Janeiro, Difel/Bertrand Brasil, 1989.
CABRAL, Sérgio. “A figura de Nara Leão”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
CALADO, Carlos. Tropicália: A história de uma revolução musical. São Paulo: Ed. 34, 1997.
CASTRO, Ruy. Chega de saudade – A história e as histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
CAVALCANTI, Maria Laura. Entendendo o folclore e a cultura popular. Capítulo 9 do Informe Brasil, do MinC. Rio de Janeiro, inédito (cópia da autora).
CÍCERO, Antonio. “O Tropicalismo e a MPB” IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
CHUVA, Márcia. Fundando a nação: a representação de um Brasil barroco, moderno e civilizado. In: Topoi, UFRJ, v.4, n.7, jul-dez, 2003, p. 313-333.
CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru, Edusc, 2002.
DAPIEVE, Arthur. BRock: O rock brasileiro dos anos 80. São Paulo: Editora 34, 1995.
FAVARETTO, Celso. “Tropicália: Política e cultura”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
FREIRE FILHO, João. “Música, identidade e política na sociedade do espetáculo”. In Interseções — Revista de Estudos Interdisciplinares. Dossiê Antropologia e Comunicação de Massa. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais — UERJ, 2003, ano 5, no 2, pp. 303- 327.
FRIEDLANDER, Paul. Rock and Roll: uma história social. Rio de Janeiro: Record, 2002.
GARCÍA CANCLINI, Nestor. Consumidores e cidadãos : conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996. GIRON, Luís Antônio. Minoridade crítica. São Paulo: Ediouro, 2004.
GRAMSCI, Antonio. Los intelectuales y la organizacion de la cultura. Buenos Aires: Ed. Lautaro, 1960.
GUIBERNAU I BERDUN, M. Montserrat. Nacionalismos: o estado nacional e o nacionalismo no século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. 
HOBSBAWM, Eric J. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito e realidade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990.
----------. Era dos extremos : o breve seculo XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
HOBSBAWM, Eric J., RANGER, Terence. O.. A Invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.
HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Impressões de viagem : CPC, vanguarda e desbunde : 1960/1970. São Paulo: Brasiliense, 1981.
JANOTTI JR., Jeder. Gêneros Musicais, Performance, Afeto e Ritmo : uma proposta de análise midiática da música popular massiva. Apresentado no IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom. Porto Alegre: 2004.
JAMESON, Frederic. “Pós-modernidade e sociedade de consumo”. IN: Novos Estudos. São Paulo: CEBRAP. 1985. LYRA, Carlos. “O CPC e a Canção de Protesto”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
MACIEL, Luiz Carlos. Nova Consciência: jornalismo contracultural – 1970/72. Rio de Janeiro: Editora Eldorado, 1973.
MARTINS, Gustavo B. No rastro do dendê: Influências no jornalismo cultural, pela visão dos jornalistas. In: http://www.tognolli.com/html/mid_gum.htm. Visitado em 19/04/2006.
MÁXIMO, João. Discoteca brasileira do século XX – 1900 - 1949. Rio de Janeiro: Infoglobo Comunicações S.A., 2007a.
----------. Discoteca brasileira do século XX – Anos 50. Rio de Janeiro: Infoglobo Comunicações S.A., 2007b.
MELLO, Zuza Homem de. SEVERIANO, Jairo. A canção no tempo – 85 anos de músicas brasileiras – Vol. 1: 1901 –1958. São Paulo: Ed. 34, 1997.
----------. A canção no tempo – 85 anos de músicas brasileiras – Vol. 2: 1958 –1985. São Paulo: Ed. 34, 1998.
MENESCAL, Roberto. “A Renovação estética da Bossa Nova”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
MORICONI, Ítalo, “Tropicalismo, música popular e poesia” IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: Neurose. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997a.
----------. Cultura de massas no século XX: Necrose. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997b.
MOTTA, Nélson. Noites tropicais – Solos, improvisos e memórias musicais. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
NAPOLITANO, M. “O conceito de ‘MPB’ nos anos 60”. IN: História: questões & debates. Ano 16- nº31, julho/dezembro 1999. Curitiba: Editora UFPR, 1999;
----------. Seguindo a canção: indústria cultural e engajamento político na MPB (1959/1969). São Paulo: Anna Blume / FAPESP, 2001
----------. A música popular brasileira (MPB) dos anos 70: resistência política e consumo cultural. Trabalho apresentado do IV Congresso de la Rama latinoamericano del IASPM. Cidade do México, Abril de 2002.
 ----------. “A canção engajada nos anos 60”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
NAVES, Santuza Cambraia; VELHO, Gilberto; MUSEU NACIONAL (BRASIL). Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Objeto não identificado: a trajetória de Caetano Veloso. 1988.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social NAVES, Santuza Cambraia. “Da Bossa Nova à tropicália: contensão e excesso na música popular” IN: Revista Brasileira de Ciências Sociais. Volume 15, número 43, junho de 2000. São Paulo, 2000.
 ----------. Da bossa nova à tropicália. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2001. ----------. “A canção crítica” IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
NUNES, Benedito. Oswald Canibal. São Paulo, Perspectiva, 1979. OLIVEIRA, Lúcia Lippi. Patrimônio: de histórico e artístico a cultural. Capítulo 7 do Informe Brasil, do MinC. Rio de Janeiro, inédito (cópia da autora).
OLIVEN, Ruben. “Mitologias da nação”. In: FÉLIX, Loiva Otero e ELMIR, Cláudio P. (Org.). Mitos e heróis. Construção de imaginários. Porto Alegre, UFRGS, 1998. pp.23-39
ORTIZ, Renato. A moderna tradição brasileira. São Paulo, Brasiliense, 1988. ----------.Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Brasiliense, 1994.
POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluísio Ramos. Teorias da comunicação: o pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
RIDENTI, Marcelo. “Revolução brasileira na canção popular”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
ROSTOLDO, Jadir Peçanha. “Expressões culturais e sociedade: O caso do Brasil nos anos 1980. IN: HAOL - História actual Online, Núm. 10. 2006.
SANDRONI, Carlos. “Adeus à MPB”. IN: CAVALCANTE, Berenice, STARLING, Heloísa M. M., EISENBERG, José (Org.). Decantando a República: inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. V.1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.
----------. “Rediscutindo gêneros no Brasil oitocentista – Tangos e Habaneras”. IN: ULHÔA, Martha, OCHOA, Ana Maria (Org.). Música Popular na América Latina – Pontos de escuta. Porto Alegre: Editora da URGS, 2005.
SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós-Moderno. São Paulo: Brasiliense, 2006.
SODRÉ, Muniz. Samba, o dono do corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998. SONTAG, Susan. Notes on ‘Camp’. 1964. Disponível em: http://interglacial.com/~sburke/pub/prose/Susan_Sontag_-_Notes_on_Camp.html 
SOVIK, Liv. “Tropicália rex – marco histórico e prisma contemporâneo”. IN: DUARTE, Paulo Sergio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2003.
TELES, José. Do frevo ao manguebeat. São Paulo: Editora 34, 2000. 
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo: Ed. 34, 1998.
TOM ZÉ. Com defeito de fabricação (encarte do CD). Luaka Bop/ WEA. 1998. 68 
TRAVASSOS, Elizabeth. Modernismo e Música Brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 2000. VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 
VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: J. Zahar: Ed. UFRJ, 1995. 
WISNIK, José Miguel. “O minuto e o milênio ou Por favor, professor, uma década de cada vez”. IN: NOVAES, Adauto. Anos 70: ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Aeroplano: Ed. Senac Rio, 2005.
WOODWARD, Kathryn. “Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual”. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000.
ZAN, José Roberto. Música Popular Brasileira, Indústria Cultural e Identidade. in EccoS Revista Científica. Ano 1, volume 3. São Paulo: UNINOVE, 2001. pp. 105-122 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CANÇÕES DE XICO



HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 05


PASSARIM JOÃO

No FORROBOXOTE 3, MULHERES CANTADEIRAS DE UMA NAÇÃO CHAMADA NORDESTE, fiz a música PASSARIM JOÃO para homenagear o caçula, João Paulo, nascido em 84. Usei como tema a passarinhada, de canto alegre e que tantas alegrias traz a quem por perto dela está. De comparações com vários passarinhos surgiu a música, confiada a Bia Marinho a interpretação, no que, devo confessar, fui muito competente. Bia é uma das vozes mais bonitas dessas bandas do Brasil. A partir daí, João não poderia mais reclamar que apenas Mariana tivesse uma música em sua homenagem. A música está nos CDs FORROBOXOTE 3 e A CONVITE, de Bia Marinho.


PASSARIM JOÃO
Xico Bizerra

‘passarim’ joão,
meu menino, companheiro
‘garradim’ no travesseiro dorme solto, ‘tá feliz
quais os sonhos de joão?
doce anjo, néo-rapaz
que sejam sonhos de paz dos que sempre tê-los quis

do moleque sinto o cheiro,
meu menino, rouxinol
és meu doce arrebol, me encanta o teu sorrir
é um amor tão verdadeiro nessa alma inda pequena
que a vida lhe seja plena, joão menino, bem-te-vi

dorme, nenen, o teu sono de esperança
eu volto a ser criança quando pego em tua mão
dorme, nenen, joão-de-barro pequenino
‘tô feliz, joão menino,
‘tá em paz meu coração

...NEM PÁSSAROS, NEM FLORES; APENAS CORES! ESSE É O MUNDO CARMESIM DA DANI....



Entre outros significados, o carmesim é um tom de vermelho forte, brilhante e profundo, combinado com algum azul, do qual resulta um certo grau de púrpura. Para Dani, uma cantora e compositora pernambucana, esse significado caiu em cheio para exemplificar o seu som. Ela é tão intensa quanto às cores que compõem em suas letras e quando percebemos seu mundo particular, somos tomados por suas provocações e por seus delírios e rapidamente tomamos parte em suas canções cheia de cores, toques e sabores vibrantes. Embalados por sua voz que nos tinge a alma com o mais intenso carmesim, nos tornamos ainda mais transitórios e um pouco menos infelizes.

Em sua infância, desde que tomou pra si a beleza da música, sempre dizia que queria ser artista, mas sem nenhuma noção de que enveredaria para o mundo da música, embora, a brincadeira preferida fosse cantar, dublar cantores famosos e fazer suas próprias letras. Sempre gostou muito de escrever e, a princípio, achava que escrevia meros pensamentos "flutuantes" ou mesmo poesias, mas, foi aos 14 anos que teve certeza de que eram letras de músicas, então, decidiu comprar aquelas revistas de violão e aprender sozinha a tocar. Foi aí que a história engrenou de verdade porque com o que aprendeu começou a dar melodia, ritmo e cifras às suas letras. Desde então não parou mais e hoje, já tem mais de 300 músicas de estilos e temas variados. 

Em 2004 resolveu montar uma banda com os amigos de bairro, chamada "Efeito Carmesim", de onde ganhou o nome. Depois disso ficou fazendo voz e violão em alguns bares e participou de algumas bandas até formar o seu atual projeto solo, contando com o apoio de Rafael Bandeira (guitarra), André Williams (baixo), Celso (bateria) e Fernando Soares (produção), músicos que a acompanham e completam perfeitamente sua voz marcante com referências “rockeiras” até mesmo nas mais suaves das baladas e que foram fundamentais para a produção e lançamento do seu primeiro EP, Devaneios (2011), do Tratamento de Choque [Desconstruindo a Imagem Ideal] (2012) e do seu primeiro CD, Das Tripas Coração (2015), recentemente lançado virtualmente. Trabalhos totalmente autorais e independentes que lhe renderam convites para tocar em eventos como o Escambo Coletivo, Festa da Emancipação Política da Cidade do Paulista, Paulista Mais Cultura, Recife Rocks Festival, Som do Recife, Som de Casa, Festival Vitrine, Arraial Tomazina, Recife Lo-Fi, Munguzá Sonoro (Triunfo/PE), Grito Rock João Pessoa, entre outros.

Em suas letras fortes e expressivas ela encontrou uma forma de poder se fazer ouvir por todos e mostrar que é através dos sentimentos que somos impulsionados a tomar atitudes que vão compondo nossa vida, nossa história e que também acaba por compor a vida e a história de outras pessoas próximas a nós. Portanto, se ninguém é feliz com o que tem, Dani Carmesim tem nos dado música, e se temos música, um pouco mais felizes somos. E assim tem sido. 



EP 2011 - Devaneios

O primeiro EP foi gravado e produzido por Fernando S. na Home Studio Área 51. Devaneios é um trabalho independente, autoral e marca o início da carreira solo da cantora.

Esse EP tem as letras mais doidas que eu já compus na vida porque todas são sonhos que viraram músicas. Muitas delas como Quimera e Devaneios, por exemplo, eu acordei do sonho no meio da noite pra escrevê-las, então, Devaneios na verdade é um diário de sonhos transformado em canções e eu acho que esse fato dá um toque especial nele além de marcar meu início a frente de um projeto levando o meu nome.” (Dani Carmesim)






EP 2012 - Tratamento de choque (Descontruindo a imagem ideal)

O EP foi gravado na Home Stúdio Área 51 com a produção de Fernando S. e contou com a participação fundamental do André Williams (baixo), André Oliveira (guitarra) e Celso (bateria), músicos que acompanham a cantora desde o lançamento do seu primeiro EP, Devaneios (2011). O novo EP também teve as participações mais que especiais dos músicos convidados: Gabriel Salam (percussão) e Balu (trompete e flugelhorne).

Nesse novo trabalho, mais amadurecido, as letras da compositora estão todas baseadas no conceito da Desconstrução de Ideais Perfeitos e do Choque, não no sentido de tortura, e sim com o intuito de dar uma sacudida e um despertar para a realidade. 

"Levei em consideração o sentimento de desconstrução, mas não quis levar muito pra um debate belo e feio, preferi trabalhar esse conceito pensando em personas, então tem dois perfis, um da desconstrução que mostra o lado sério da vida e da realidade cruel em que vivemos e que está expresso nas letras através de conselhos, recados e reflexões e outro mais doce, porém, com um travo de fel, que mostra nas MELODIAS a grandeza da simplicidade do cotidiano diante da velocidade do mundo moderno e que, associada a esse RITMO, une sentimentos, cores e sensações, construindo e desconstruindo através da HARMONIA, o equilíbrio entre o caos e beleza das coisas comuns”. (Dani Carmesim)


Das tripas coração (2015)

O novo CD que contém dez faixas autorais foi gravado de forma independente na Home Stúdio Área 51 com a produção de Fernando S., André Williams e da própria Dani Carmesim e contou com as participações mais que especiais dos músicos convidados: Walter Poeta (Gaita), Fabiano Carvalho - DJ Zero (Scratchs) e André Balbino (teclado). Todas as artes do novo álbum são assinadas pelo artista Ganjarts Pessoa.

Nesse novo trabalho, mais ousado e com um toque de experimentação de ritmos, a compositora traz em suas letras a realidade do seu dia a dia à tona.

Das Tripas Coração é o CD mais autobiográfico que já fiz, esse título resume todo o meu dia a dia, a minha luta diária para conseguir realizar desde um simples ensaio até o lançamento físico de um novo álbum, tudo isso de forma independente, contanto apenas com o apoio dos amigos e incentivadores e claro, a custa de muito suor próprio. O que eu tento mostrar mesmo com esse novo CD é que mesmo sem ter os melhores recursos, com orçamento curto, tirando tudo do próprio bolso e as vezes até deixando de sair ou de comprar alguma coisa pra investir no meu trabalho artístico, eu dou o meu sangue por isso com muito amor. Eu faço das tripas coração porque eu nasci pra música e a música já nasceu em mim.” Dani Carmesim


Contatos

Fone/WhatsApp: (81) 98617-3553 (Daniella) / 98869-9353 (André)


Redes Sociais:




Twitter: @danicarmesim

Instagram: @danicarmesim


Loja On-Line:


Download:

Das Tripas Coração (2015): 

Tratamento de Choque [Desconstruindo a Imagem Ideal] – 2012: 

LinkWithin