PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

VERSOS E MELODIAS INCRUSTADAS ENTRE O PLANALTO E O SERTÃO

Embevecido da cultura popular nordestina, Túlio Borges a faz de esteio para os versos e melodias que sustentam a trilogia a que se propõe.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 28 de julho de 2009

CURIOSIDADES DA MPB

Quando os advogados da Philips mandaram aquela música para a aprovação da Censura Federal não tinham a menor expectativa de liberação. Mas o censor cochilou, ou era muito burro, ou não notou que a música era de Chico Buarque. E “Apesar de você” foi liberada e gravada imediatamente. Assim que as rádios começaram a tocar, tornou-se um sucesso instantâneo, o disco começou a vender como A banda. Ninguém acreditava no que ouvia: um samba extrovertido, guerreiro, alegre, dizendo o que tanta gente queria dizer e ouvir: era um recado à ditadura, corajoso, abusado, contundente, num grande samba que lavou a nossa alma: “Apesar de você amanhã há de ser outro dia e eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia, como vai proibir quando o galo insistir em cantar...
... você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar.” Em poucos dias o Brasil inteiro estava cantando “Apesar de você”, como um hino da resistência, como um desafio e uma esperança, a primeira que experimentávamos desde 1969. Mas a alegria durou pouco: os militares não eram burros como o censor e logo perceberam o tamanho da encrenca e tomaram providências: a música foi sumariamente interditada e os discos
confiscados.
Mas já era tarde: mais de 100 mil discos já tinham sido vendidos e mesmo que a música não tocasse mais no rádio todo mundo já tinha aprendido e cantava, cada vez mais, com mais força, em qualquer lugar, a qualquer pretexto.
Pela segunda vez André Midani viu a fábrica de discos da Philips, no Alto da Boa Vista, cercada por tropas do Exército. A primeira tinha sido quando “Je t’aime moi non plus”, um dueto erótico de Serge Gainsburg e Jane Birkin, foi proibida pela censura e André, recém-chegado ao Brasil, achou que podia empurrar com a barriga e ir enrolando enquanto o disco vendia.
Os discos foram recolhidos, ele levou uma descompostura de um coronel furibundo e quase foi preso. Com “Apesar de você” não foi muito diferente: com a habitual truculência, a fábrica foi invadida e todos os discos com a música de Chico foram apreendidos e destruídos. Menos a matriz...
“Apesar de você” era a proibição mais pública do Brasil, o que a fazia ainda mais popular.
Chico, mais uma vez, foi chamado a dar explicações e, cínica e deslavadamente, disse a seu interrogador que o samba era para uma mulher muito mandona e muito autoritária. E era impossível provar que não fosse. Gol de placa da guerrilha cultural.

O DINHEIRO DE CAETANO VELOSO

Se Caetano quiser ter apoio da Lei Rouanet, que apresente um plano de shows públicos ou de aulas a estudantes de música.

Por Gilberto Dimenstein


Para assistir nesse final de semana ao show "Zii e Zie", de Caetano Veloso, paguei R$ 290 por dois ingressos - as duas horas de espetáculo terão custado mais da metade um salário mínimo ganho por muitos trabalhadores depois de um mês de trabalho. Apesar de as cadeiras, espremidas em torno de uma mesa, ficarem longe do palco e não apreciar gente bebendo ou comendo enquanto ouço música, não reclamo: o show vale o preço. Até me dispus a pagar um pouco mais se encontrasse um lugar melhor. Não tinha.
O que me incomodou foi saber que Caetano Veloso tem a chance de receber dinheiro da Lei Rouanet (R$ 2 milhões) para a turnê nacional desse espetáculo, com a interferência direta do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Aparentemente, não há nenhuma ilegalidade no patrocínio -aliás, concedido, mais uma vez com a intervenção do ministro, a Maria Bethânia.
Nem Caetano nem Maria Bethânia estão fazendo nada de errado; estão seguindo o que a lei permite. Mas esse tipo de fato acaba estimulando o debate, cada vez mais efervescente, sobre a lei de incentivos fiscais para a cultura.

É óbvio que Caetano e Maria Bethânia não precisam de dinheiro público para fazer seus shows -assim como também não fez sentido, por exemplo, a verba incentivada para o Cirque de Soleil, cujo ingresso pode chegar até a R$ 490 e a pipoca (e aqui não vai nenhum exagero) custa mais do que o "PF" de um operário.
Supostamente, a reforma da lei de incentivo à cultura veio para corrigir essas e outras distorções e desperdícios. Isso não significa que se deva confiar na capacidade gerencial das burocracias públicas.
Se todo o dinheiro arrecadado até agora com o incentivo fiscal se transformasse em imposto e ficasse nas mãos só do governo, acabaria, em boa parte, sustentando salários de funcionários -isso se não ficasse preso por alguma restrição orçamentária ou fosse desviado para protegidos políticos. Desapareceram os bilhões de um fundo (Fust) para informatizar as escolas.
Se, na cidade de São Paulo, ir a museus virou programa de pobre, como mostra pesquisa do Datafolha, é por causa da lei de incentivos fiscais. Não haveria, por exemplo, um Museu da Língua Portuguesa -nem concertos de música erudita a preço popular.

A melhor contrapartida a esse do benefício fiscal é quando ele se converte em educação pública. É sabido que estímulos culturais como a dança, a música, o teatro, as artes plásticas e o cinema são uma extraordinária isca para o aprendizado -e uma alavanca para desenvolver na criança e no jovem a capacidade de interpretar a realidade. Não deveria, aliás, existir nenhuma separação entre educação e cultura. Não existe pessoa educada sem repertório cultural -e não existe repertório cultural sem educação.
Por isso, foi um avanço o acerto entre o governo federal e representantes de empresários para maior aproximação entre as escolas públicas e o chamado "Sistema S", como Sesi ou Sesc. Se está sendo implementado, é algo a ser observado -a minha impressão é de que, por enquanto, a ideia está mais no papel.

Na semana passada, relatório do Unicef mostrou, mais uma vez, a debandada de jovens do ensino médio. Se as escolas tivessem mais conexões culturais, seria menos difícil conter essa evasão.
Os incentivos seriam muito bem usados se a contrapartida se traduzisse não apenas em ingressos gratuitos mas também em programas para o envolvimento das escolas, com direito à formação de professor. Se o Caetano Veloso e todas as celebridades artísticas quiserem cobrar até R$ 500 por uma cadeira num de seus shows, sem problema.
Mas se quiser ter apoio da Lei Rouanet, ele que apresente um plano de shows públicos ou aulas-espetáculo para estudantes de música. As escolas poderiam transformar esses espetáculos em momentos inesquecíveis na vida dos jovens -e fontes de aprendizado.

Um pouco desse espírito transgressor aprendi a apreciar ouvindo Caetano Veloso. Pelo menos quando ele e tantos baianos se mostravam novos e caminhavam contra o vento sem lenço e sem documento.

PS - Por falar em educação e cultura, estou lendo um livro delicioso, intitulado "O Clube do Filme". David Gilmour, crítico de cinema canadense, tem um filho (Jesse) que não queria ir para a escola, onde não aprendia nada e não lia nenhum livro. Relutante, concordou que o garoto não precisaria mais estudar e poderia acordar quando quisesse, mas com uma condição: deveria ver e debater com ele todos os dias pelo menos um filme. As obras permitiram que Jesse não apenas sofisticasse sua visão do mundo mas também se interessasse em aprender. Perguntei a Gilmour, na semana passada, como estava seu filho: "Está feliz.
Voltou a estudar e, além de chef de cozinha, escreve roteiros para cinema". Pela repercussão do livro em várias países, Gilmour percebeu que a dificuldade de alunos brilhantes com suas escolas é um problema mundial. Coloquei em meu site (www.dimenstein.com.br) trechos do livro. É o melhor livro para introdução ao cinema que já li -e um notável plano de aula sobre como se usa a arte para enriquecer o aprendizado.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

DICAS DA MUSICARIA

CÁSSIA ELLER - VENENO ANTIMONOTONIA (1997)
Veneno antimonotonia, traz somente composições de Cazuza. Cásssia Impôs-se por seu estilo enérgico de interpretação, principalmente em razão de seu timbre vocal de contralto - uma das mais marcantes vozes da nova MPB.

Faixas:
01 - Brasil
02 - Blues Da Piedade
03 - Obrigado
04 - Menina Mimada
05 - Todo Amor Que Houver Nessa Vida
06 - Billy Negão
07 - Bete Balanço
08 - A Orelha De Eurídice
09 - Só As Mães São Felizes
10 - Ponto Fraco
11 - Por Que A Gente É Assim
12 - Preciso Dizer Que Te Amo
13 - Mal Nenhum
14 - Pro Dia Nascer Feliz

CURIOSIDADES DA MPB

Quando os advogados da Philips mandaram aquela música para a aprovação da Censura Federal não tinham a menor expectativa de liberação. Mas o censor cochilou, ou era muito burro, ou não notou que a música era de Chico Buarque. E “Apesar de você” foi liberada e gravada imediatamente. Assim que as rádios começaram a tocar, tornou-se um sucesso instantâneo, o disco começou a vender como A banda. Ninguém acreditava no que ouvia: um samba extrovertido, guerreiro, alegre, dizendo o que tanta gente queria dizer e ouvir: era um recado à ditadura, corajoso, abusado, contundente, num grande samba que lavou a nossa alma: “Apesar de você amanhã há de ser outro dia e eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia, como vai proibir quando o galo insistir em cantar...
... você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar.” Em poucos dias o Brasil inteiro estava cantando “Apesar de você”, como um hino da resistência, como um desafio e uma esperança, a primeira que experimentávamos desde 1969. Mas a alegria durou pouco: os militares não eram burros como o censor e logo perceberam o tamanho da encrenca e tomaram providências: a música foi sumariamente interditada e os discos
confiscados.
Mas já era tarde: mais de 100 mil discos já tinham sido vendidos e mesmo que a música não tocasse mais no rádio todo mundo já tinha aprendido e cantava, cada vez mais, com mais força, em qualquer lugar, a qualquer pretexto.
Pela segunda vez André Midani viu a fábrica de discos da Philips, no Alto da Boa Vista, cercada por tropas do Exército. A primeira tinha sido quando “Je t’aime moi non plus”, um dueto erótico de Serge Gainsburg e Jane Birkin, foi proibida pela censura e André, recém-chegado ao Brasil, achou que podia empurrar com a barriga e ir enrolando enquanto o disco vendia.
Os discos foram recolhidos, ele levou uma descompostura de um coronel furibundo e quase foi preso. Com “Apesar de você” não foi muito diferente: com a habitual truculência, a fábrica foi invadida e todos os discos com a música de Chico foram apreendidos e destruídos. Menos a matriz...
“Apesar de você” era a proibição mais pública do Brasil, o que a fazia ainda mais popular.
Chico, mais uma vez, foi chamado a dar explicações e, cínica e deslavadamente, disse a seu interrogador que o samba era para uma mulher muito mandona e muito autoritária. E era impossível provar que não fosse. Gol de placa da guerrilha cultural.

O LADO HUMANO DE WILSON SIMONAL

O Cruzeiro - 15 de setembro de 1970.

As reportagens sôbre artistas quase sempre focalizam dois aspectos: a sua vida amorosa e privada, e a sua riqueza, real ou pressuposta.
No primeiro caso, as publicações escandalosas se fartam no devassar de intimidades, dando dimensões extraordinárias a fatos que seriam corriqueiros na vida do homem, comum, que dessas vicissitudes ninguém se livra.
As publicações regulares, em suas colunas especializadas, se fazem mensageiras da cegonha que vai chegar, cupidos de amôres nem sempre verdadeiros, arautos da elegância e do bem-vestir, e também profetas agourentos de desquites e separações.
No segundo caso, a prosperidade do artista, quando levada a público através de qualquer meio de comunicação, traz sempre objetivo oculto. Raramente essa prosperidade, muitas vêzes vista através de poderosas lupas, é exposta e alardeada com a alegria dos que se sentem bem sabendo alguém vitorioso. Pelo contrário, nas entrelinhas há um travo de despeito, de inveja, de amargor.
Partindo dêsse princípio, o artista que se tornou um vitorioso, se compra um automóvel ou um apartamento, se procura garantir o futuro, a velhice, e arruma o chamado pé-de-meia, ao público logo se informa a marca do automóvel, o preço, a área do apartamento em todos os seus detalhes e respectivo custo, o número de letras de câmbio que foram compradas.
Dir-se-á que o artista famoso pertence mais ao público que a si mesmo, e que, por isso, ao público devem ser dadas certas informações. Em têrmos. Porque a insistência em tôrno dos muitos milhares ganhos, dos cachês fabulosos, dos contratos astronômicos - na maioria irreais e fermentados, também, pela máquina publicitária - deixa a impressão de que os seus veiculadores são, na realidade, refinados dedos-duros da fiscalização tributária.]

O OUTRO LADO
Se o açodamento publicitário em tôrno da vida privada do artista e de sua prosperidade não tem limites, em contraposição o silêncio sôbre os seus atos de bondade e de desprendimento, também
é uma constante. Certo que determinados artistas seguem o preceito de fazer o bem sem saber a quem, escondem quanto podem as suas benemerências, não desejam sôbre elas qualquer tipo de publicidade. Mas, se êsses gestos magnânimos, se essas atitudes raramente encontradas até em indivíduos que já nasceram sob as bênçãos da fortuna, são conhecidas do público, lamentàvelmente ninguém bate palmas, ninguém abre a roda, ninguém grita ôba!

WILSON SIMONAL
Simonal foi um menino pobre. Deu duro, foi tudo na vida, até cobrador fantasiado de vermelho pelas ruas. Hoje, Wilson Simonal é artista famoso e o seu nome lota estádios. Simonal é um artista caro. Quem o contrata sabe que vai ganhar dinheiro, muito dinheiro. Êle paga o seu conjunto musical, os Simonautas, constituído de excelentes músicos. Mas, quando se publica que o cachê de Simonal é de 30.000 cruzeiros, há o espanto!
O que não se diz, o que não causa espanto, é que Simonal, sendo um artista caro, é também uma excelente figura humana, apresentando-se sem ganhar um centavo, quando se trata de cantar para os que precisam. E queremos aqui dar o nosso testemunho, de público.
Procuramos Simonal para fazer um número - um só número - no Programa Flávio Cavalcanti. Simonal impôs condições:- Só se fôr um show de quarenta e cinco minutos, sem interrupção produzido pela minha própria agência, a Simonal Produções. Sairá um espetáculo da pesada...- Tá bem, Simona, mas quanto vai custar isso tudo?- Precinho camarada, de amigo: 30.000 cruzeiros...
A equipe de produção estremeceu. Não havia essa verba. Estava estourada. Mas aí entrou a Shell. Deu o dinheiro a Flávio Cavalcanti para pagar ao Simonal. Simonal recebeu o dinheiro e devolveu a Flávio Cavalcanti: para a Casa dos Meninos de Petrópolis.
Oitenta crianças desvalidas foram beneficiadas por Wilson Simonal. Os artistas que ganham muito, que ganham bem, que ganham o que realmente merecem, também têm dessas coisas. Mas o silêncio é profundo. Mas Deus acaba sabendo de tudo.


Esse texto é a reprodução fiel do texto original publicado no ano de 1970, respeitando as normas ortográficas da época.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MAURO CELSO - 20 ANOS DE SAUDADES

Mauro Celso contagiou o país com sua irreverência.

Este post é uma homenagem ao grande e inesquecível Mauro Celso, autor gabaritado que conseguiu plantar na memória do povo brasileiro dois grandes sucessos, Farofa-fá e Bilu-tetéia, quem nao lembra? O período ainda era negro devido a ditadura militar que mostrava sua garras perversas, mas em pleno ano de 1975 Mauro Celso levantou a platéia do Festival Abertura da TV Globo e fez daquele momento a fase mais alegre da segunda eliminatório do festival. Os jurados não gostaram da letra de Mauro, preferiram Carlinhos Vergueiro, com “Como Um Ladrão” e a música “Muito Tudo”, de Walter Franco. As manchetes dos jornais e revistas da semana seguinte a do festival, relembravam a noite como “A Noite do Ladrão Com Farofa”. A diferença entre a música de Mauro Celso e as dos demais participantes, é que o público passou a cantar sua música na rua e em todos os lugares. “Eu tinha certeza de uma boa colocação, estava com medo de ser mal sucedido com o público. Mas felizmente deu-se o contrário, e para maior sorte ainda a RCA me contratou, lançando o disco logo em seguida”. Declarou o cantor em abril de 75 à revista Amiga. A partir de então, o ator amador se entregava sem reservas ao mundo do disco.

O cantor faz falta com sua músicas e letras criativas
Mauro Celso foi lançado pela RCA no mercado fonográfico, cantando duas músicas de sua autoria em compacto simples. De um lado do disco Farofa-fá, acompanhada por Coceira do lado B, ambas com arranjos do maestro Daniel Salinas. Mauro Celso tornou-se famoso nacionalmente da noite para o dia, com uma letra que ele mesmo considerava simples e portanto popular. “Inspirei-me na lata de farofa de um colega quando voltava de uma viagem a Minas”. As poucas pessoas que não gostaram de Farofa-fá, se renderam ao sucesso contagiante de Bilu-Tetéia, dançando alegremente nos bailes de carnavais. Bilu-Tetéia foi lançada no segundo compacto (duplo) de Mauro Celso. O compacto trazia ainda, além de Bilu-Tetéia, as músicas Coisa Com Coisa (Mauro Celso e João Barata), Fumaçá e Coceira. A música Coceira havia sido gravada anteriormente, constava no disco como uma segunda tentativa do autor, de fazer sucesso com a música, mas foi rejeitada pelo público por se parecer tanto com a original Farofa-fá. Mauro Celso morreu em abril de 1989 amassado dentro dos destroços do carro que lhe conduzia ao encontro da família, na época o filho René de apenas 9 anos o aguardava em casa. Na companhia de um amigo, ele dirigia seu carro quando perdeu a direção na velha rodovia de Iguape. O carro de Mauro Celso capotou diversas vezes e ele teve morte instantânea. Assim, aos 38 anos de idade, morria o cantor e autor de hit’s hilariantes como Farofa-fá e Bilu-tetéia, músicas que ganharam as paradas do sucesso e estão cristalizadas na memória do povo brasileiro. Mauro Celso nasceu em 1951, na cidade de São José do Rio Pardo, em São Paulo. Mauro Celso viajou o país fazendo shows puxado pelo sucesso de suas músicas. Não se cansava de trabalhar e principalmente proporcionar momentos alegres aos amigos. Irradiava alegria e amava a vida. Na semana em que morreu, os amigos foram unânimes em afirmarem o caráter integro do cantor e sua fidelidade às amizades e à família. A música lhe proporcionou fama e dinheiro, mas não alterou a personalidade do artista alegre que sempre foi. No momento em que foi consagrado pelo público do festival Abertura, interrompeu os aplausos da platéia para prestar contas com quem tanto havia lhe ajudado: “Agradeço de coração à prefeitura de Osasco, que me apoiou nos momentos mais difíceis, e jamais esquecerei essa cidade que tirou dinheiro dos cofres municipais para me ajudar a acontecer como cantor”. Declarou, no ano em que morreu.


MAURO CELSO - PARA CRIANÇAS ATÉ 80 ANOS



Faixas:
01 - Coro-coco
02 - Mikitila
03 - Vou pedir a Deus
04 - Bilu Teteia
05 - Piruliru
06 - Jeguinho
07 - Olhar de jacaro
08 - Cirambo
09 - É o tal negócio
10 - Principio do fim
11 - Sarapate
12 - Nó do mundo

domingo, 12 de julho de 2009

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Nelson Cavaquinho

A POESIA MODERNA E MPB

Segundo o crítico Affonso Romano de Sant’Anna, “à altura de 1968, depois do Tropicalismo, as vanguardas pareciam já Ter exaurido suas propostas fundamentais. A musica popular brasileira, que desde 1965 vinha interessando mais amplamente à juventude, mostra uma forca insólita através de dezenas de festivais de canções e de programas especiais de TV. A musica capitaliza a perplexidade do povo brasileiro ante o momento político (pos-64) e passa a cumprir um papel que a poesia literária jamais poderia realizar. Os poetas passam a investir na música popular através de ensaios, poemas, participação em júris de festivais e por meio de catequeses teóricas. As escolas e universidades descobrem o texto da música popular como um produto ser esteticamente analisado”.
Percebe-se também que a poesia e a música reúnem várias influências da contracultura: a poesia de protesto, de denuncia social, de esmagamento do indivíduo na sociedade capitalista industrial, na era da conquista espacial; o psicodelismo.
Dessa forma, o trabalho com a literatura nesse período ate os dias de hoje se enriquece através do estudo da MPB, proporcionando um aprofundamento no contexto histórico, ao mesmo tempo que oferece a possibilidade de conhece-la e apreecia-la. Alem disso, e possível verificar o sentido social que muitas musicas e poesias assumem em nossa cultura.
Uma canção que exemplifica a referida proposta e Roda – Viva do compositor Chico Buarque, criado em 1967, que apresenta um chão histórico especifico, ou seja, os obscuros anos da ditadura:

“Tem dias que a gente se sente
como quem partiu morreu
a gente estancou de repente
ou foi um mundo então que cresceu
a gente quer Ter voz ativa
no nosso destino mandar
mas eis que chega roda-viva
e carrega o destino pra lá (...) “

Nestas e outras canções , um meio muito utilizado na época ( e, de modo geral, em períodos não democráticos, no Brasil e em outros países) para driblar a censura foi a metáfora, a linguagem figurada. Alguns escritores e jornalistas falavam aparentemente de flores e rouxinóis, quando estavam se referindo a situação político social brasileiro.
O compositor Geraldo Vandre que viveu em meio ao turbilhão da instauração da ditadura militar no Brasil, que representava para a cultura o fim da liberdade de expressão definiu a arte como expressão livre da vida:
“O artista precisa Ter a vivência e experiência. O profissional faz da sua arte uma expressão de vida e não uma imitação da vida. Se para ser artista, fosse necessário e bastante viver, então arte seria imitação da vida. Arte e uma expressão livre da vida, que incorpora a emoção a partir da visão do mundo.”

sábado, 11 de julho de 2009

DOM SALVADOR

Dom Salvador, nome artístico de Salvador da Silva Filho nasceu em São Paulo em 12 de setembro de 1938. Sua carreira musical teve início aos 12 anos de idade, como pianista em uma orquestra.

Em 1961, tornou-se conhecido no meio artístico por suas apresentações na boate Lancaster (SP), ponto de encontro de músicos de jazz. Mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite de Dom Um Romão, onde passou a fazer parte do grupo Copa Trio. Atuou com o grupo no Beco das Garrafas. Acompanhou Elis Regina, Jorge Ben (hoje Jorge Benjor) e o Quarteto em Cy.

Em 1965, formou, com Edson Lobo (baixo) e Victor Manga (bateria), o Salvador Trio, com quem o qual gravou disco homônimo para o selo Mocambo. Em seguida, formou, com Edison Machado (bateria) e Sérgio Barrozo (contrabaixo), o Rio 65 Trio, com o qual se apresentou em shows e gravou o LP "Rio 65 Trio", lançado nesse mesmo ano.

Em 1966, o trio viajou para a Europa, juntamente com Edu Lobo, Sylvia Telles, Rubens Bassini e Rosinha de Valença, apresentando-se em nove países. Devido ao sucesso, o grupo gravou um LP na Alemanha que teve incluída no repertório a música de sua autoria "Meu fraco é café forte". Ainda nesse ano, foi para os Estados Unidos com Chico Batera, Copinha e Sérgio Barroso, apresentando-se em Nova York, Minneapolis e Texas. Algum tempo depois, voltou a Nova York com Elza Soares para um show no Waldorf Astoria Hotel. Nessa ocasião, fez amizade com vários músicos de jazz, como Bill Evans, Thelonious Monk, Sonny Rollyns, Elvin Jones, Hamad Jamal e Charles Lloyd, entre outros.


De volta ao Brasil, afastou-se do palco, atuando, no entanto, em diversas gravações. Viajou por vários países, trabalhando como pesquisador de música.

Em 1970, tocando piano e acordeom, formou o grupo Abolição, com Darci (trompete), Oberdan (sax-tenor e flauta), Serginho (trombone), Lulu (bateria e vocal), Rubão Sabino (contrabaixo), Nelsinho (tumbadora) e a cantora Mariá. Com o conjunto, embrião do movimento Black Rio, classificou-se, nesse mesmo ano, em 5º lugar no V Festival Internacional da Canção, com sua música "Abolição 1860-1960" (c/ Arnoldo Medeiros).

No ano seguinte, gravou com o conjunto gravou o LP "Sangue, suor e raça". Ainda em 1971, mudou-se para os Estados Unidos.

Em 2003, apresentou-se no Chivas Jazz Festival (RJ), acompanhado por Duduka da Fonseca (bateria), Rogério Butter Maio (baixo) e Dick Oats (sopros).

Atualmente, Dom Salvador vive em Nova York, onde toca piano em um restaurante. Os discos gravados por ele entre os anos 60 e 70 são, hoje, raridades vendidas a preços altos, quando encontradas.

Fica a título de registro os cinco primeiros álbuns de Dom:

Salvador Trio (1965)
Disco de Dom Salvador com Edson Lobo no contrabaixo e Victor Manga na bateria. Faixas que misturam algumas versões que destaco, como Arrastão, numa versão muito bonita, com o Edson Lobo criando climas marítimos com seu arco no contrabaixo e Das rosas, de Dorival Caymmi, numa linda versão, com a dose exata de lirismo no piano e influências do jazz na levada da bateria e no contrabaixo. Outros temas também interessantes, como Tematrio, Tema pro Gaguinho, Pro Batera. Infelizmente, não encontrei os créditos das músicas, fico devendo isso. Escutem, vale a pena!

Faixas:
01 - Tema pro Gaguinho
02 - Das rosas
03 - Miscelania
04 - Maria
05 - Santarém
06 - Pro Batera
07 - Tematrio
08 - Arrastão
09 - Rio sempre Rio
10 - Promessa
11 - Dedicação
12 - Chegou o carnaval


Rio 65 Trio (1965)
composto por Dom Salvador no piano, Edison Machado na bateria e Sérgio Barroso no contrabaixo. Nessa época fervilhavam trios instrumentais que tocavam uma mistura explosiva do ritmo do samba e com os improvisos do jazz. Estes conjuntos se apresentavam em boates, como no famoso Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, berço deste trio que gravou dois LPs, o primeiro deles este que apresento. Dom Salvador traz o som do seu sempre melodioso e rítmico piano unido com o ótimo e marcante contrabaixo acústico de Sérgio Barroso e a bateria forte e personalíssima de Edison Machado, de quem é possível escutar incentivos aos companheiros, trazendo mais energia ao som.

Faixas:
01 - Meu fraco é café forte - Dom Salvador
02 - Aruanda – Carlos Lyra e Geraldo Vandré
03 - Preciso aprender a ser só - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle
04 - Farjuto - Dom Salvador
05 - Desafinado - Newton Mendonça e Tom Jobim
06 - Sonnymoon for two (blues em samba) - Sonny Rollins
07 - Espera de você - José Luiz de Oliveira e Dom Salvador
08 - Mau, mau - Art Farmer
09 - Tem dó - Baden Powell e Vinicius de Moraes
10 - Azul contente - Walter Santos e Tereza Souza
11 - Manhã de carnaval - Luiz Bonfá e Antônio Maria
12 - Minha namorada - Carlos Lyra e Vinicius de Moraes

Músicos:
Piano - Dom Salvador
bateria - Edison Machado
Contrabaixo acústico - Sergio Barroso

Dom Salvador Trio - Tristeza (1966)
Mais um ótimo disco do Dom Salvador, que na época ainda não era chamado de Dom, como pode se notar na capa. Neste trio temos o grande Edison Machado na bateria e Sérgio Barroso no contrabaixo acústico. A bateria pega firme, com um toque mais pesado, como era sua característica, que muito influenciou outros bateristas brasileiros e do mundo todo. Música instrumental brasileira de qualidade, com o piano suingante e com improvisos jazzísticos de Dom Salvador.

Faixas:
01 - Tristeza
02 - Índio perdido
03 - Eu compro essa mulher
04 - Vou dizer-te adeus
05 - Um sonho azul
06 - Samborio
07 - Balanço do Mar - Onda quebrando
08 - Fred's ahead
09 - Iluminando o vazio
10 - A canção do amor que nasceu
11 - Sonho de um carnaval


Dom Salvador (1969)
Faixas:
01 - Tio Macrô (Arnoldo Medeiros - Dom Salvador)
02 - Asa branca (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
03 - Moeda, reza e cor (Marco Versiani - Dom Salvador)
04 - Cantinflas (Arnoldo Medeiros - Dom Salvador)
05 - Barumbá (Bebeto - Luiz Eça)
06 - Folia de reis (Paulo Silva - Jorge Canseira)
07 - Sambaloo (Arnoldo Medeiros - Dom Salvador)
08 - O tempo será tua paz (Mariá - Dom Salvador)
09 - O rio (Arnoldo Medeiros - Dom Salvador)
10 - País tropical (Jorge Ben)
11 - Be by my side (Eugene Record - Barbara Acklin)
12 - Cantiga por Luciana (Edmundo Rosa Souto - Paulinho Tapajós)


Som, sangue e raça (1971)
Faixas:
01 - Uma Vida (Dom Salvador / Arnoldo Medeiros)
02 - Guanabara (Dom Salvador / Arnoldo Medeiros)
03 - Hei Você (Nelsinho / Getúlio Cortes)
04 - Som, Sangue e Raça (Dom Salvador / Marcos Versiani)
05 - Tema Pro Gaguinho (Dom Salvador)
06 - O Rio (Dom Salvador / Arnoldo Medeiros)
07 - Evo (Dom Salvador / Pedro Santos)
08 - Number One (Dom Salvador)
09 - Folia de Reis (Jorge Canseira / Paulo Silva)
10 - Moeda Reza e Cor (Dom Salvador / Marcos Versiani)
11 - Samba do Malandrinho (Dom Salvador)
12 - Tio Macrô(Dom Salvador / Arnoldo Medeiros)

CLARA NUNES - GUERREIRA DA UTOPIA

Orfã de pai e mãe desde os seis anos de idade, caçula da prole de seis filhos de Manoel Pereira de Araújo e Amélia Gonçalves Nunes, Clara Francisca Gonçalves foi criada pelos irmãos mais velhos, José Pereira Gonçalves e Maria Pereira Gonçalves, mais conhecidos na pequena Caetanópolis como Zé Chilau e Mariquita. Na noite de 3 de setembro de 1957, em defesa da honra da irmã, ele assassinou a facadas o menor Adilson Alvarez da Costa, cujo pecado mortal foi expor a amigos supostas intimidades que havia tido com a bela menina Clara. Delatado pela vítima antes de desfalecer, não restou outra alternativa a Zé Chilau a não ser fugir. Na ausência do verdadeiro culpado, Clara assumiu a condição de ré perante o julgamento moral infligido pela população de Caetanópolis. O verdito? Foi condenada sem direito a apelação, excluída de toda e qualquer atividade social, e se viu obrigada a partir para Belo Horizonte. Se os primeiros tempos na capital foram de dificuldades e privações - trabalhava o dia inteiro em uma tecelagem e morava de favor em um barraco de três cômodos dividido com parentes distantes -, a tragédia que se abateu sobre a sua vida, e que ainda a acompanharia por alguns anos, foi decisiva para que ela viesse a ter a oportunidade de tentar a sorte como artista.

O primeiro do capítulo do livro do jornalista Vagner Fernandes emprega artifícios literários para colocar o leitor no centro do furacão que tomou de assalto a vida da menina Clara, então com 15 anos recém completados. Evento que, por vias tortas, foi definitivo para que ela se tornasse Clara Nunes, a cantora brasileira mais popular de sua época.

Clara Nunes - Guerreira da Utopia narra os primeiros anos da vida da cantora com riqueza de detalhes. O autor reporta os fatos como se tivesse acompanhado a gênese da família Pereira Gonçalves e a juventude de Clara. Em um segundo momento, a partir da mudança para Belo Horizonte, a narrativa abandona eventuais pretensões literárias e assume a objetividade jornalística que vai pautá-la até o fim. Vagner Fernandes dá voz a testemunhas fundamentais do ingresso da jovem no ambiente musical capital mineira, aos avalistas de seus primeiros contratos radiofônicos e àqueles que apostaram em sua consagração regional definitiva no concurso "A Voz de Ouro ABC". Os depoimentos de Aurino Araujo, primeiro namorado sério de Clara e que seria o responsável por facilitar sua mudança para o Rio de Janeiro, revelam a insegurança e os dilemas vividos pela cantora em sua chegada à antiga capital federal. Foi na casa que ele mantinha no Rio de Janeiro que Clara conviveu com Carlos Imperial, que, embora não acreditasse no potencial daquela "caipira", como ele costumava se referir a ela em conversas com o amigo, foi o autor de seu primeiro sucesso: "Você passa, eu acho graça". A essa altura, Clara já tinha contrato assinado com a Odeon, gravadora que lançou seu primeiro LP - A Voz Adorável de Clara Nunes -, cujas vendas foram um fracasso absoluto.

Estes são fatos mais ou menos notórios. As revelações mais interessantes que o autor faz a respeito deste período dizem respeito ao flerte indeciso que Clara travou com a Jovem Guarda - mais uma escolha infeliz haja visto que a febre musical do momento era a Tropicália, capitaneada por Gil e Caetano, cujas propostas estéticas e intelectuais ousadas empurraram para o limbo midiático os roquinhos de Roberto, Erasmo e sua turma -, às suas participações sem destaque nos diversos festivais da época, ao rolo com a ditadura por ter gravado "Apesar de Você" - em contrapartida teve que gravar o Hino da Olímpiado do Exército -, e à descoberta da umbanda, evento que de alguma forma seria um primeiro passo inconsciente rumo à consolidação da identidade artística e espiritual da cantora, até então kardecista.

A partir do momento em que Paulo César Pinheiro entra na vida da cantora, o autor afasta a narrativa do núcleo íntimo de Clara para recorrer muito mais à memória coletiva da época, à pesquisa bibliográfica e a pessoas não tão próximas, do que àqueles que conviveram diretamente com ela. Um pouco disso está explicado nas entrelinhas: depois do casamento com Paulo César, muito em respeito ao novo companheiro, Clara torna-se mais reclusa. O autor faz questão de sublinhar que não foi Paulo César, sozinho, o responsável por esta mudança de atitude. Provavelmente não foi mesmo. Sempre muito expansiva, frequentadora da quadra da Portela, das rodas de samba, dos terreiros de candomblé, da casa de amigos, Clara queria ter filhos, constituir uma família e havia encontrado em Paulo César o parceiro ideal.

Mesmo agora, muitos anos depois, ele parece negar-se a uma maior exposição da época em que foram casados. Pouco se fica sabendo deste período pelas palavras do ex-marido. Este escudo em nome de uma privacidade póstuma, mantém algumas lacunas a respeito da atividade musical da cantora a partir do momento em que Paulo César assume a produção de seus discos e, juntos, os dois amplificam a pesquisa de gêneros e estilos musicais brasileiros que Clara já vinha desenvolvendo.

Clara manteve ao redor de si ao longo da carreira um círculo de compositores fiéis como alguns bambas da Velha Guarda da Portela, Nelson Cavaquinho, a dupla Romildo e Toninho, Mauro Duarte, João Nogueira, assim como sempre foi acompanhada em suas apresentações ao vivo pelos músicos do Conjunto Nosso Samba, desde sua adesão ao gênero até os últimos shows. De sua relação com eles pouco se fica sabendo através do livro. É verdade que, por outro lado, o convívio com Chico Buarque ganha bastante espaço em suas páginas, assim como é esclarecedor o depoimento de Paulinho da Viola sobre uma amizade que na verdade se resumiu a encontros ocasionais e a apenas duas músicas dele gravadas pela cantora: "Na linha do mar" e "Coração Leviano".

Não soa verossímil também a idealização da personagem operada pelo autor em afirmações recorrentes subtraindo todo e qualquer defeito ou incongruência que Clara pode ter demonstrado em um ou outro momento de sua vida. Não é algo comum ao ser humano, quanto mais no meio artístico, e a rivalidade com Beth Carvalho, assunto que injustamente é o que tem rendido mais espaço na mídia a propósito do lançamento da obra, mesmo sendo o único contraponto a uma conduta sempre irrepreensível, serve como prova em contrário. Com isso não se pode dizer que Beth tenha razão em suas críticas, pois sempre foi e sempre será uma sambista de menor estatura diante da multiplicidade musical de Clara, independentemente de qual das duas tenha sido a primeira a gravar um samba ou se vestido de branco para cantar. Pelo contrário, soam ainda mais levianas quando se leva em consideração que Clara não está mais aqui para dar a sua versão da história. Beth recorre a fuxicos como esse para não ser esquecida em vida, pois há tempos sua música sobrevive de regravações moribundas. Postas lado a lado, as obras de uma e de outra falam por si. A História com H maiúsculo Clara Nunes escreveu cantando. Historinhas menores como a de Beth existem muitas por aí.

Nos próximos dias, aproveitando o lançamento deste belo documento à memória de Clara Nunes, o Blog do Pindzim prestará a sua homenagem revivendo alguns momentos musicais e curiosidades biográficas daquela que foi em sua época a mais popular entre todas as cantoras e, hoje, sem dúvida, ainda que não seja totalmente reconhecida por isso, é a maior influência, consciente, inconsciente ou, talvez, sobrenatural, sobre a nova geração de mulheres que vai buscar no samba e nos ritmos regionais brasileiros a inspiração para os seus cantos. Guerreira, todas devem reverência a você. E todos nós à sua música.

Oxalá, Clara Nunes.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

ETERNA PROMESSA, PEDRO MARIANO VOLTA COM UM NOVO (E VELHO) DISCO

Por Antônio Carlos Miguel

Sexto disco na carreira de Pedro Mariano, "Incondicional" era para ser seu quinto trabalho. Mas, num imbróglio que diz muito sobre a crise de identidade que a indústria da música atravessa, só agora chega ao mercado, cinco anos após ter sido finalizado. E, para finalmente vir a público, o cantor paulistano teve que criar o seu próprio selo, Nau, e negociar a liberação da fita com a EMI, gravadora que inicialmente bancara o CD e, em seguida, após uma mudança na sua diretoria, rejeitou-o.

O curioso nessa história é que, artisticamente, o novo (e velho) disco do filho de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano pouco ousa, reafirmando o pop com apelo radiofônico que vem marcando sua carreira desde a estreia, em 1997, na Sony, com "Pedro Camargo Mariano" (como ele então assinava). Ou seja, traz o tipo de repertório e de embalagem instrumental que diretores artísticos das grandes gravadoras costumam gostar. Predominam baladas, entre o pop e o soul, assinadas por um elenco de compositores que passa por Frejat, George Israel & Mauro Santa Cecília ("Três moedas"), Jorge Vercillo ("Quase amor"), Lulu Santos & Marcos Valle ("Próxima atração"), Jair Oliveira ("Memória falha" e "Colorida e bela"), Moska ("O jardim do silêncio") e Samuel Rosa & Chico Amaral ("Simplesmente").

Melhor fase foi na gravadora Trama
Entre a sua estreia na Sony, em 1997, e a criação do atual selo próprio, Nau, Pedro Mariano passou também pela Trama - a gravadora independente dirigida por seu meio-irmão, João Marcello Bôscoli, na qual gravou seus três melhores discos, "Voz no ouvido" (2000), "Intuição" (2002) e, este em duo com o pianista Cesar Camargo Mariano, "Piano e voz" (2003) - e pela Universal, onde comemorou, em 2005, dez anos de carreira no CD "Ao vivo". Esse projeto foi uma tentativa de recuperar terreno após a traumática experiência na EMI, em 2004.

Na época, contratado pelo então diretor artístico Jorge Davidson, Mariano teve liberdade artística total: selecionou o repertório, coproduziu (ao lado do também arranjador e músico Otávio Moraes) as gravações, em março daquele ano, que foram masterizadas nos EUA. Também já tinha feito as sessões para as fotos de capa e encarte (que, coerentemente, agora foram usadas em "Incondicional") e preparava-se para rodar o clipe, quando, em junho de 2004, foi avisado de que a cúpula da EMI tinha sido trocada. O novo presidente, Marcos Maynard, recusou o CD, ou, como contou na época o cantor, quis botar a mão, mexendo no repertório - pretendia trocar pelo menos seis músicas. Mariano bateu o pé, não aceitando qualquer intromissão e rescindiu seu contrato. No entanto, perdeu o direito ao trabalho a que tanto se dedicara.

Nova diretoria da EMI negociou com o cantor
Ele perdeu o disco mas manteve o prestígio, tanto que, no fim daquele ano, assinou com outra gigante do setor, a Universal. A primeira ideia era levar o CD recusado para a nova casa, mas o alto preço pedido pela EMI inviabilizou essa opção. Daí o tal "Ao vivo", que, chovendo no molhado, foi lançado em 2005 e passou em branco.

Mas, como o mundo do disco dá muitas voltas, ainda mais nessa última década de turbulências, em 2007, uma nova diretoria, com Marcelo Castello Branco à frente, assumiu a EMI, e Pedro Mariano, já desligado da Universal, finalmente pôde negociar e trazer de volta à vida seu disco abortado.

Acertadas as contas com o passado recente, já é mais do que hora de Pedro Mariano, aos 34 anos, cumprir a promessa acenada em sua estreia profissional, em 1995, num tributo a Elis. Na época, também foi um dos "Artistas Reunidos" (ao lado de, entre outros, Jair Oliveira, Luciana Mello, João Marcelo Bôscoli e Daniel Carlomagno) da geração Trama. Ele confirmava o ótimo "pedigree", com belo timbre vocal, afinação perfeita, senso rítmico e demais fundamentos obrigatórios para um grande cantor. Talento que, no entanto, vem sendo desperdiçado em discos irregulares, como esse "Incondicional", de gestação tão conturbada. Teremos que aguardar seu novo disco.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

45 ANOS DO DISCO JORGE BEN – SACUDIN BEN SAMBA (1964)

45 anos se passaram do lançamento deste álbum até os dias atuais. Muita água rolou na música brasileira e na carreira do grande Jorge Ben, até seu nome mudou.
Em 63 Jorge Ben foi para os EUA e dentre as composições fez "Nena Naná", que entrou nas paradas de sucesso, na voz de intérpretes como Sérgio Mendes, Herb Alpert, José Feliciano e Trini Lopez. Na volta ao Brasil, Benjor (na época Ben) entrou em estúdio para gravar Sacundin Ben Samba, que é o segundo álbum de sua carreira e o primeiro a ser feito no fértil ano de 1964. Talvez o menos conhecido dos trabalhos da primeira fase de Benjor, o álbum amplia a mistura de samba com bossa nova e jazz presentes em Samba Esquema Novo, feito no ano anterior. Da batida especial de violão criada por Jorge surgem canções eternamente modernas como "A Princesa e o Plebeu" (regravada eletricamente no África Brasil, 1976), "Capoeira", "Nena Nanã", "Pula Baú" e "Não Desanima João". Destaque para as enormes contribuições do arranjadores Luiz Carlos Vinhas e J. T. Meirelles. Salve a música popular brasileira!

Faixas:
01 - Anjo Azul
02 - Nene Naná
03 - Vamos Embora "Uáu"
04 - Capoeira
05 - Gimbo
06 - Carnaval Triste
07 - A Princesa E O Plebeu
08 - Menina Do Vestido Coral
09 - Pula Baú
10 - Jeitão De Preto Velho
11 - Espero Por Você
12- Não Desanima, João

ENTREVISTA COM A CANTORA E COMPOSITORA CLÁUDIA CUNHA

Você saiu do Pará e aportou na Bahia. Conte como foi essa mudança, o que significou na sua vida e na sua música?
Cláudia Cunha: Eu cresci numa cidade pequena do estado do Pará onde as festas religiosas e populares constituíam uma referência muito forte na vida dos moradores. Logo, desde cedo eu estava metida naquelas manifestações e acontecimentos, cantando – quando era momento de cantar – e dançando – quando era o momento de dançar. Às vezes, as duas coisas juntas. Vem desse período minha aproximação e encantamento com as tradições musicais do interior e que permanece ainda hoje no meu trabalho.
Nessa cidade havia também um festival de música que acontece já há quase 30 anos e que gerava uma movimentação muito grande de compositores, cantores, etc. Foi nesse festival que comecei a cantar e a ganhar meus primeiros tostões e reconhecimento com a música, por volta dos meus 15 anos, o que acabou me levando a me mudar para Belém em seguida. Já em Belém comecei a fazer o percurso natural pro cantor popular, que é o da noite, cantando em bares, bandas de baile, etc., e, freqüentemente, “defendendo” (expressão engraçada, né?) as composições de amigos em festivais espalhados pelo país. Em 1995 vim fazer uma apresentação aqui em Salvador a convite de uma amiga baiana e arranjei um namorado (Risos). Embora minha história em Belém me trouxesse já um certo conforto enquanto cantora com um trabalho já reconhecido, decidi me mudar pra cá em 1996 e (re)começar uma nova história aqui, o que incluiu entrar pro curso de música da UFBA. Essa mudança não foi fácil no início. Eu já tinha passado pelas etapas da noite, do esquema mais amador e não estava animada a passar por isso aqui, então fiquei voltada pro estudo, pra pesquisa na área de música popular e tradicional e fiquei um tempo sem cantar, alternados com algumas apresentações esporádicas em projetos pequenos (Elas Cantam no T. XVIII; Pelourinho Meio-Dia; Festival de Inverno da Chapada em Igatu; Circuito Cultural UESB e outros.). Entretanto, esse tempo na EMUS (Escola de Música da UFBA) foi importantíssimo, pois me pôs em contato com músicos e compositores talentosos, que se tornaram amigos e parceiros desde então, no fazer e pensar a música.

Quais os aspectos semelhantes e diferentes destes dois universos musicais, o Pará e a Bahia? Quais as suas principais referências na música paraense e na música baiana?
Cláudia Cunha: Sabe que eu não vejo muito as diferenças? Vejo mais coisas em comum, como a forte relação com a dança, com a festa. Se aqui tem o axé, lá tem o tecno-brega. Aqui tem o samba-de-roda, lá tem o carimbó. Já no âmbito da música popular (ô termo complicado!) e da poética dessas músicas, há referências e construções que são muito próprias ao contexto amazônico e que são muito bem trabalhadas, no Pará, pelo Walter Freitas, o Nilson Chaves, o Vital Lima, o Joãozinho Gomes. Sem falar de uma geração de compositores novos que têm feito um trabalho muito bonito lá que são o Floriano, o Leandro Dias, o Felipe Cordeiro, o Ziza Padilha e outros. Dos compositores daqui da Bahia, nossa! tem um caminhão: o Gil, Caetano, Caymmi, Elomar, Assis Valente... dos mais novos, o Luciano Aguiar e Borega (Matita Perê), a Manuela Rodrigues (também grande cantora), o Tiago Rocha, o Rafael Dumont, o Luciano Salvador Bahia e muitos outros. De cantoras, nem se fale! Tanto no Pará como aqui na Bahia, há cantoras maravilhosas! E aqui em Salvador, especificamente, tenho grandes amigas intérpretes, e tem havido entre nós, uma aproximação e troca muito freqüentes e frutífera. Vou citar mas espero que não role ciúmes (risos): Manuela Rodrigues, Márcia Castro, Marilda Santanna (tem alguma transação numerológica aí com a letra M), Ana Paula Albuquerque...


Em Salvador você teceu estreitas relações com o Choro e o Samba, participando do grupo “Mandaia” e se apresentando como convidada do grupo “Os Ingênuos”, e participando de projetos como o “Coletivo Circo dá Samba”. Como ocorreu essa aproximação com o Choro? E como tem sido participar de projetos de valorização do samba em Salvador?
Cláudia Cunha: O samba é uma escola (olha o clichê!). Minha experiência cantando com o grupo Mandaia por dois anos, todas as semanas, quase sem férias, foi fundamental pro meu crescimento como intérprete. E aí nem importa se no meu CD eu decidi não gravar samba e choro – que era o que muita gente esperava e que, no final das contas, seria mais confortável pra mim. Essa vivência com os chorões, com um repertório imenso e maravilhoso, e com um público fiel e conhecedor que não se deixa enganar, foi um dos mais ricos nesse meu percurso. E depois de um tempo convivendo com esses músicos incríveis e se você é aceita e aprovada entre eles, ah! que delícia. Seu nome cai na roda! Porque a oralidade é um elemento fundamental nesse universo e é de uma força gigante.

Em 2007 você conquistou três importantes prêmios na cena independente da música baiana: O Troféu Caymmi de Melhor Cantora, o prêmio de Melhor Intérprete do V Festival da Educadora FM, e o Prêmio Braskem de Música. Este último revelou nos últimos anos os talentos de Mariene de Castro e de Márcia Castro, e assim como a essas duas, lhe possibilitou gravar seu primeiro CD. Como foi participar de cada um deles e o que eles significaram na continuidade da sua carreira?
Cláudia Cunha: Menino, esse ano de 2007 foi uma coisa, né? O que poderia parecer meio estranho essa concentração de prêmios num mesmo ano, nada mais foi que, esse era o meu ano! Lembrei da música do Chico, Sentimental: “este ano vai ser o seu ano ou senão/ o destino não quis/ ah eu hei de ser, serei feliz”. É claro que colocado assim fica parecendo que é algo que foge totalmente ao meu controle, e não é bem assim, já que eu venho atuando há algum tempo. Essa coisa de cantar e fazer música – e tudo o mais que envolve essa atividade, desde que eu passei a fazer isso profissionalmente – sempre teve a minha dedicação, seriedade e todo meu coração. Então um dia a resposta e o reconhecimento vêm, né? Essas premiações me deixaram muito feliz por tudo o que elas representam pra cena musical de Salvador. O show que eu concorri em 2005 ao Troféu Caymmi, o Mesa Farta, acho que foi o ponta-pé de tudo o que se seguiu depois. Foi um show muito bem amarrado, muito bonito, de uma riqueza rítmica! Ali eu comecei a encontrar a direção do repertório e do conceito que veio a resultar no CD. E foi com esse show que pisei pela primeira vez no palco principal do TCA, já que ele foi selecionado para o Circuito Cultural Banco do Brasil. Nós dividimos a noite com a Leila Pinheiro e foi muito lindo! O TCA inteiro, lotado, de pé, aplaudindo! Ah! Em janeiro de 2007 eu voltei a pisar no palco principal do TCA, dessa vez pelo MPB Petrobrás, abrindo o show do Ed Motta. E voltou a ser lindo e o show já se chamava Responde à Roda (música minha e de Manuela Rodrigues). Mas, acredite, depois disso, eu não fiz mais nada nesse ano em termos de show. Tava já me batendo um nervoso (risos) quando decidi gravar uma música minha:
No girar de Alice, que eu fiz pra minha filha; fui e inscrevi no Festival da Rádio Educadora. O impulso de realizar e de acreditar que aquele ano ainda ia me trazer alguma coisa boa me fez me lançar então com muita determinação na construção do meu projeto do CD pro Prêmio Braskem Cultura e Arte 2007. Agora perceba que até aqui eu só gastei, não ganhei nada! Hahaha. Então, em novembro sai o resultado! E aí, tipo duas semanas depois sai a premiação do Caymmi, e alguns dias depois veio junto a premiação da Rádio Educadora. Então, eu tô num momento muito especial da minha carreira e muito feliz com as possibilidades que estão se abrindo a partir desses prêmios. De certa forma ainda é recente, o CD acabou de sair, mas estou agora voltada pra realizar o show de lançamento aqui em Salvador, e a partir daí, levá-lo pra outros estados.

O CD já estava com o repertório e a pré-produção encaminhada quando você conquistou o Prêmio Braskem de Música, ou foi realmente o prêmio que viabilizou todas as fases de produção do CD “Reponde à Roda”? Como você chegou aos compositores (as) do disco e às participações especiais de Zé Renato e Roberto Mendes?
Cláudia Cunha: Foi o prêmio que possibilitou realizá-lo do jeito que foi, e isso ainda antes de vencê-lo. Vou explicar melhor. Ao inscrever meu projeto eu tinha que apresentar quatro gravações (aliás, das quatro, só uma acabou não entrando pro CD, embora tenham sido regravadas depois com novos arranjos ou com o tempo e o cuidado que não receberam antes). Com esse material pronto aproveitei e abri uma página no MySpace. E essa foi a melhor coisa que eu podia ter feito! Foi incrível a resposta das pessoas e os contatos que se desenrolaram a partir disso. Inclusive, com o Sérgio Santos, que é um violonista, compositor e arranjador maravilhoso, e que se tornou depois, junto comigo, o produtor musical do CD. Foi ele quem trouxe pro CD talentos admiráveis como o Zé Renato, o André Mehmari, o Nailor Proveta, o Ferragutti e outros, além de fazer comigo esse trabalho de buscar e selecionar repertório. Aliás, trabalhou muito bem, aquele moço de Minas (risos). Da minha parte e da Bahia vieram o Roberto Mendes, de quem sou grande fã e que me deu a honra da presença (porque esse caboclo lá de Santo Amaro é muito enjoado (risos); o Luciano Salvador Bahia, o Ivan Bastos, a Manuela Rodrigues, o Tom Zé, o Jurandir Santana, Ramiro Musotto e todos os músicos talentosos que tocaram no CD, muitos dos quais já me acompanham pelos palcos.



Considerando que o CD pode ser interpretado como “um extrato do show” o que esperar de um show de Cláudia Cunha? Quem você é no palco?
Cláudia Cunha: Ah, pode esperar um show lindo! (risos). O CD tem músicas e arranjos primorosos. O cenário e a direção artística são do Rino Carvalho. E tanto o CD quanto o show tem uma unidade e construção bem brasileira. Agora, eu não sei como responder quem sou eu no palco...O que eu posso talvez é me localizar dentro de uma linhagem de cantoras brasileiras. Pensando a partir desse viés, eu poderia dizer que meu canto e minha forma de me relacionar com a canção trazem desde a brejeirice de uma Carmem Miranda ao sentimento de uma Elizeth Cardoso, ambas ma-ra-vi-lho-sas e emblemáticas na forma de abordar a canção. No mais, é ver pra saber.

Gostaríamos de agradecer pela entrevista e desejar todo o sucesso. Sempre terminamos a entrevista com um último recado do(a) artista para os leitores (as) do Blog, fique à vontade.
Cláudia Cunha: Adorei a chance de falar para os leitores deste blog.
Ah, quero dizer que todos temos uma ou várias músicas que parecem ter saído de nós; vozes que são também as nossas vozes! E é apaixonante ouvir e descobrir músicas que se afinam – às vezes instantaneamente – com nossas sensibilidades. Mas pra isso acontecer, tem que se abrir pra ouvir!

CLÁUDIA CUNHA TRAZ A DIVERSIDADE BRASILEIRA

Primeiro CD apresenta cantora de timbre especial e sotaque próprio.

Por Beto Feitosa

Cantora paraense com os pés em solo baiano desde 1996, Claudia Cunha lança seu primeiro CD, o especialíssimo Responde à roda. Vencedora do prestigiado Prêmio Caymmi em 2007, Claudia estréia com um disco de sotaques diversos celebrando a diversidade musical brasileira. Sua voz, afinadíssima e extremamente agradável, passa doce por um repertório de samba, baião e até ecos de uma nova bossa. A cantora cativa de vez com sua musicalidade inteligente e particular.
Cláudia Cunha é dessas artistas especiais, sem seguir fórmulas ou tendências. Seu trabalho artístico faz paralelo a nomes raros como os de Ceumar e Déa Trancoso. Traço comum entre as três, Cláudia entende sua cultura local e parte dela para criar uma expressão própria. O título do disco já aponta essa dica: a roda de samba, de capoeira, da troca no olhar. Sem medo Cláudia responde, e nessa hora o som delicado de sua voz ganha força ao lado de uma sonoridade acústica, bem elaborada e carregada de raízes. O disco pulsa vivo, traz verdade e talento latentes; está carregado de sentimentos.
Na hora de registrar esse primeiro retrato, Cláudia foi buscar a parceria do violonista mineiro Sérgio Santos, co-produtor do álbum, que trouxe músicos especiais para azeitar a música da cantora. A lista de boa companhia segue para as participações de Roberto Mendes, que canta com ela Seu moço, composição dele com Hermínio Bello de Carvalho. Outra voz a dividir uma canção é Zé Renato, que canta com Cláudia a bossa Pra você gostar de mim, parceria dele com Joyce.
A música que abre o disco traz os elementos na letra: por Din Don, de Rodolfo Stroeter, passam instrumentos, ritmos, referências e muita felicidade. Caminho livre, aberto para a rica diversidade que vai desfilar. Cláudia está irresistível na brejeira Quando eu era sem ninguém, regionalíssima composição de Tom Zé. Logo depois ela vem sofisticada, acompanhada pelo piano de André Mehmari em Auto-retrato, música de Egberto Gismonti com letra de Geraldo Carneiro.
Ao longo do disco a artista também dá (poucas mas boas) pistas da compositora. Cláudia assina três músicas em sua estréia. A primeira a aparecer é Baião dividido, parceria com Rafael Dumont. A faixa que batiza o disco é assinada com Manuela Rodrigues, assim como Cláudia também grata surpresa da nova geração de artistas baianos. Sozinha, Cláudia traz a deliciosa No girar de Alice, com imagens belíssimas e envolventes do olhar maternal.
A música de Cláudia Cunha tem dança, com a felicidade dos ritmos da tradição popular. Tem cores paraenses e baianas nos ritmos, tem toques mineiros. Tem o regional que revela suas riquezas e acrescenta. A diversidade que interessa a um mundo globalizado. Cláudia Cunha traz esse calor local em sua música e serve essa riqueza em seu primeiro trabalho. Primeiro retrato de uma cantora talentosa e antenada que merece atenção e ouvidos que não se contentam em ouvir sempre o mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

JOÃO BOSCO RETOMA PARCERIA COM ALDIR BLANC EM NOVO DISCO

Anunciado desde 2006, o álbum de inéditas de João Bosco vai, enfim, ser lançado pelo selo MP,B. Com um (entusiástico!) texto de apresentação escrito pelo poeta Eucanaã Ferraz, João Bosco vai lançar esta semana seu primeiro álbum de inéditas em sete anos. De tonalidade cool, Não Vou pro Céu, mas Já Não Vivo no Chão tem título extraído do penúltimo verso de Sonho de Caramujo, uma das quatro músicas compostas por Bosco com Aldir Blanc no disco que marca a retomada da céle
bre parceria iniciada nos anos 70, desativada na década de 80 e retomada em 2006. Navalha, Plural Singular e Mentiras de Verdade são as outras três parcerias de Bosco com Blanc que compõem o repertório do álbum, editado pelo selo MP,B com distribuição da Universal Music. registra os novos temas compostos com seu filho Francisco Bosco e apresenta suas primeiras parcerias com Nei Lopes (Jimbo no Jazz, entre outras) e Carlos Rennó. O disco tem 13 faixas. A única regravação é a de Ingenuidade, samba de Serafim Adriano que Caetano Veloso revive coincidentemente no CD Zii e Zie (nas lojas a partir de terça-feira, 14 de abril de 2009). O samba foi lançado por Clementina de Jesus (1901 - 1987) em 1976 e regravado por Roberto Ribeiro (1940 - 1996) em 1979 no álbum Coisas da Vida. Curiosamente, Quelé o lançou em LP - Clementina de Jesus Convidado Especial: Carlos Cachaça - no qual registrou também Incompatibilidad
e de Gênios, espirituoso samba de Bosco e Blanc que Caetano também recria em Zii e Zie.
Eis as 13 músicas do sucessor do forte Malabaristas do Sinal Vermelho (2002) e seus autores:
Faixas:
01 - Perfeição (João Bosco e Francisco Bosco)
02 - Navalha (João Bosco e Aldir Blanc)
03 - Pronto pra Próxima (João Bosco e Carlos Rennó)
04 - Tanto Faz (João Bosco e Francisco Bosco)
05 - Pintura (João Bosco e Carlos Rennó)
06 - Desnortes (João Bosco e Francisco Bosco)
07 - Tanajura (João Bosco e Francisco Bosco)
08 - Mentiras de Verdade (João Bosco e Aldir Blanc)
09 - Jimbo no Jazz (João Bosco e Nei Lopes)
10 - Plural Singular (João Bosco e Aldir Blanc)
11 - Ingenuidade (Serafim Adriano)
12 - Alma Barroca (João Bosco e Francisco Bosco)
13 - Sonho de Caramujo (João Bosco e Aldir Blanc)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

CURIOSIDADES DA MPB

Antes de ser cantor, Raul Seixas atuou como Produtor da CBS, produzia diversos artistas da Jovem Guarda, e compunha para eles também, entre artistas que gravaram suas canções destacam-se: Jerry Adriani, Diana, Leno e Lilian, entre outros.

MARIA RITA - TÁ PERDOADO

DICAS DA MUSICARIA

WILSON SIMONAL - DIMENSÃO 75 (1974)

Faixas:
01 - A pesquisa
02 - Azar
03 - Branco na paixão
04 - Dona Aninha
05 - Pot pourri de partido alto: Pagode do exorcista - Parece que bebe - Senta ai vovô06 - Cuidado com o bulldog
07 - Sabiá laranja
08 - Na subida do morro
09 - Serenata para dois
10 - Flamengo (Bahia de todos os deuses)

domingo, 5 de julho de 2009

CALENDÁRIO MUSICAL - JULHO

Dia 01:
Nasce a cantora paulista Maria Rita Costa Camargo Mariano (1977)
Nasce o cantor e compositor pernambucano Alceu Paiva Valença (1946)

Dia 03:
Nasce o compositor carioca Wilson Batista (1913)

Dia 06:
Nasce o cantor e compositor integrante dos Mutantes Arnaldo Baptista (1948)
Nasce o cantor, instrumentista e compositor paulista Antônio Pecci Filho, mais conhecido como Toquinho (1946)

Dia 07:
Morre o cantor e compositor carioca Cazuza (1990)

Dia 10:
Morre o cantor e compositor paraibano Jackson do Pandeiro (1982)

Dia 13:
Nasce o cantor e compositor mineiro João Bosco (1946)
Morre o cantor e compositor Ciro Monteiro (1973)

Dia 16:
Morre o cantor e compositor mineiro Hervê Cordovil (1979)
Nasce a cantora caiorca Elizeth Cardoso (1920)
Nasce o instrumentista carioca Arthur Moreira Lima (1940)

Dia 19:
Morre a cantora Clementina de Jesus (1987)

Dia 21:
Nasce a cantora e atriz baiana Emanuelle Araújo (1976)

Dia 22:
Morre o autor, compositor e ator italiano Gianfrancesco Guarnieri (2006)

Dia 23:
Nasce o cantor, compositor e intérprete mineiro Flávio Venturinni (1949)
Nasce o instrumentista gaúcho Renato Borghetti (1963)

Dia 24:
Morre a cantora mineira Zezé Gonzaga (2008)

Dia 25:
Morre o cantor argentino Carlos Galhardo (1985)

Dia 28:
Nasce a cantora baiana Daniela Mercury (1965)
Morre o cantor e compositor mineiro Mário Sousa Marques Filho, mais conhecido por Noite Ilustrada (2005)
Nasce o cantor e compositor paulista Guilherme Arantes (1953)

Dia 29:
29 Nasce o cantor e compositor carioca Ed Wilson, nome artístico de Edson Vieira de Barros (1945)

Dia 30:
30 Morre o compositor sergipano José Prudente de Carvalho, mais conhecido como Carvalhinho (1970)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

NOVIDADES NO MUSICARIA BRASIL

O MUSICARIA BRASIL chega a um ano e meio de existência superando todas as expectativas para esse ano de 2009. A quantidade de visitas ao nosso blog nesse primeiro semestre de 2009 já superou a número total de visitas de todo o ano de 2008 e isso talvez seja o reconhecimento transfigurado em números da proposta de difundir a música brasileira através de postagens diversas.

Sem muitas pretensões, o MUSICARIA se propõe a preservação da memória musical de maneira singela; cientes que muito ainda falta para termos o reconhecimento e a relevância que pretendemos alcançar. Esse serviço “prestado” a música brasileira se faz necessário e deve acontecer por todos aqueles que amam a música brasileira. Por tal motivo o MUSICARIA BRASIL existe. Por conta do amor que permeia essa nossa relação com a música e cultura brasileira.

Procurando expandir cada vez mais esse amor, o MUSICARIA trás a partir desse mês algumas novidades. Além de algumas já conhecidas colunas mensais como CURIOSIDADES DA MPB e DICAS DA MUSICARIA, o musicaria vem agora, a princípio, com duas novidades: o CALENDÁRIO MUSICAL e a nova coluna MPB - Música em Preto e Branco, coluna esta que retrata imagens de artistas nacionais em preto e branco.
Então é isso. O MUSICARIA orgulhosamente vem apresentar essas duas novas colunas para os assíduos (ou não) freqüentadores de blog. Fica agora então mais uma de uma das colunas mais lidas do blog:

CURIOSIDADES DA MPB:

MICHAEL JACKSON E A MÚSICA BRASILEIRA
Em 1986, Djavan recebeu um pedido do então produtor de Michael Jackson, Quincy Jones, para que fizesse uma música para o próximo álbum do cantor, que seria o álbum Bad (1987). Na época, Djavan e Jones estavam relacionados profissionalmente: o compositor tinha algumas de suas canções editadas pela empresa do produtor, nos Estados Unidos. O autor de Oceano mandou a melodia, que receberia letra do próprio Jackson, mas com atraso.
– O Jones havia me pedido com oito meses de antecedência, imaginando que faria a música em um mês, mas só enviei no fim da produção do disco. E era uma música pop, mas muito rebuscada, inadequada para ele – diz Djavan, que é fã de Thriller, clássico de Jackson, que considera um álbum revolucionário. – É imbatível. O Michael tem a noção de como fazer pop e não ser banal.
Apesar do contato profissional não ter rendido nada, Djavan pôde conhecer o cantor, quando precisou ir a Los Angeles encontrar Jones. Na época, ele mixava Bad no estúdio Sunset Sound.
– Ele estava num quarto do estúdio, vendo desenho animado num televisor pequeno, rindo bastante. E estava pintado de vermelho, como um apache – recorda, lembrando também um detalhe que chamou muito sua atenção: – Jackson lembra um passarinho assustado, que fica olhando nervosamente para os lados e, quando uma pessoa o encara, vira o olhar.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/08/29/e29087530.html

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