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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

CARNAVAL DO RECIFE 2014 - MARATONA DE ESPETÁCULOS COMEÇAM HOJE E VÃO ATÉ DOMINGO

Com o tradicional cortejo de nações de maracatu liderado por Naná Vasconcelos e homenagem a Antônio Nóbrega tem início o carnaval da cidade do Recife

Por Fábio Nunes


Os dias que antecedem o carnaval na capital pernambucana são repletos de mudanças no cotidiano do povo recifense. O trânsito muda substancialmente para dar vez e passagem a alguns dos tradicionais personagens que fazem a festa ter a magia que a torna conhecida em todo o planeta. Um exemplo é o famoso Galo da Madrugada que tem a sua estrutura armada sobre a ponte Duarte Coelho, no centro do Recife. Além disso os inúmeros blocos que saem todos os dias acabam por gerar a interdição de ruas e trechos diversos. Mas apesar de todo o caos nada é maior que a ansiedade de esperar pelo dia em que há a abertura oficial do carnaval da cidade. Há pessoas que ficam na expectativa durante boa parte do ano para que haja a possibilidade de estar presente nesta data e aproveitar desde os primeiros momentos da festa. Os espetáculos realizados no bairro do Recife (Recife antigo) são considerados, por muitos, como refúgio para recuperar-se de um dia inteiro de folia e ladeiras em Olinda, por exemplo.

Eis a programação oficial da primeira noite de espetáculos na capital pernambucana: 



Programação Oficial - 28/02/2014
Polos Centralizados 
Marco Zero

Abertura do carnaval 2014 - Rua da Moeda

A partir das 16 h - Concentração do cortejo - Naná Vasconcelos, Batuqueiros e Cortes das 12 Nações Maracatu de Baque Viradoh Aurora Africana/Encanto do Pina/Leão da Campina/Maracatu Sol Nascente / Raízes de Pai Adão/Estrela Brilhante/Porto Rico/Cambinada Estrela/Estrela Dalva/Encanto da 
Alegria/Nação Tigre.

A Partir das 17h  - Clarinada a cada 15 minutos no Marco Zero (Clarins de momo de Pernambuco)

A Partir das 18h - Palco 02 (Marco Zero) - Coral Edgard Moraes e Orquestra sob Regência do Maestro Marco César 

A Partir das 18h - Palco 02 (Rua da Moeda) Naná Vasconcelos, Batuqueiros e Cortes das 12 Nações Maracatu de Baque Viradoh Aurora Africana/Encanto do Pina/Leão da Campina/Maracatu Sol Nascente / Raízes de Pai Adão/Estrela Brilhante/Porto Rico/Cambinada Estrela/Estrela Dalva/Encanto da 
Alegria/Nação Tigre. (Roteiro - Rua da Moeda/Rua Mariz e Barros /Av Marquês de Olinda/Marco Zero)


 Palco 01 (Rampa do Palco Marco Zero) 
 Ínicio da 1ª Parte do espetáculo 

18h30 - Chegada do cortejo com Naná; Organização da primeira convenção.
18h45 - Cerimonial oficial de abertura do carnaval - Show pirotécnico com rufar de tambores
19h - APRESENTAÇÃO DE NANÁ +BATUQUEIROS +VOZ NAGÔ + 
CONVIDADOS - MARCELO D2 E ZÉ BROWN
19h45 - Saída de Naná e os batuqueiros - Retirada dos Gradis - Saída do voz Nagô e as Yás 
19h55 - Prefeito e secretária de cultura + Homenageado Antônio Nóbrega


Palco 02 (Marco Zero) 
Início da 2ª parte do espetáculo 

20h - ORQUESTRA DE FREVO RECIFE NO CORAÇÃO - NÓBREGA (SOLISTA), MARCO CÉSAR E SPOK;
20h - ORQUESTRA DE FREVO RECIFE NO CORAÇÃO- LUCIANO MAGNO E MAESTRO FORRÓ 
20h10 - CLAUDIONOR GERMANO 
20h15 - CLAUDIONOR E EXPEDITO BARACHO 
20h18 - EXPEDITO BARACHO E NONÔ GERMANO 
20h22 - NONÔ E ANDRÉ RIO 
20h26 - ÁNDRE RIO E CHINA 
20h30 - CHINA E FABIO TRUMMER 
20h34 - FÁBIO TRUMMER, NENA QUEIROGA E ZÉ BROWN 
20h38 - NENA QUEIROGA E ELBA RAMALHO
20h42 - ELBA RAMALHO - HOMENAGEM A CARLOS FERNANDO 
20h46 - ELBA RAMALHO E LENINE 
20h50 - LENINE 
20h54 - LENINE E CORAL EDGARD MORAES 
20h59 - CORAL EDGARD MORAES E GETÚLIO CAVALCANTI 
21h03 - CORAL EDGARD MORAES E ANTÚLIO MADUREIRA 
21h07 - CORAL EDGARD MORAES E DALVA TORRES 
21h11 - CORAL EDGAR MORAES E GUSTAVO TRAVASSOS - HOMENAGEM
 A JOSÉ MENEZES 
21h15 - GUSTAVO TRAVASSOS E MARRON BRASILEIRO 
21h19 - MARRON BRASILEIRO E ALMIR ROUCHE 
21h23 - ALMIR ROUCHE E ED CARLOS 
21h27 - ED CARLOS E SILVÉRIO PESSOA 
21h31 - SILVÉRIO PESSOA E GERALDO AZEVEDO 
21h35 - GERALDO AZEVEDO 
21h39 - ANTÔNIO NÓBREGA 
21h43 - TODOS JUNTOS 
22h30 - QUINTETO VIOLADO (COM O SHOW "EU DISSE FREEEVO!") 
23h30 - SILVÉRIO PESSOA E SIR ROSSI (HOMENAGEM A REGINALDO 
ROSSI) 

CARNAVAL DO RECIFE 2014 - ABERTURA OFICIAL DO CARNAVAL DO RECIFE

Reverenciando o frevo e o multiartista Antônio Carlos Nóbrega a cidade do Recife celebra mais um carnaval pautado na participação popular


Por Bruno Negromonte (via Prefeitura do Recife)



Após três anos longe dos palcos do carnaval da cidade do Recife Antônio Carlos Nóbrega volta este ano como grande homenageado ao lado do frevo, patrimônio cultural imaterial da humanidade. A abertura que acontece hoje,  28 de fevereiro, na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, contará com três espetáculos: primeiro ocorrerá o tradicional cortejo dos Maracatus comandado pelo percussionista Naná Vasconcelos, em seguida uma homenagem ao frevo com Antônio Nóbrega, Spok e convidados e por fim um tributo a Reginaldo Rossi com Silvério Pessoa. Este ano a Prefeitura anunciou a reorganização de alguns polos e apresentou a criação do Polo do Samba, no Pátio do Livramento, e os novos percursos para os desfiles do Concurso de Agremiações, que serão realizados em corredores específicos na Avenida Dantas Barreto, na Estrada do Bongi e na Avenida do Forte. Ao todo serão 63 polos, sendo 14 novos, contando com os comunitários, os descentralizados, os espaços infantis, os centralizados, os  corredores da folia entre outros procurando "desafogar" o bairro do Recife Antigo. 

Ao longo dos cindo dias de festa estima-se que haja mais de duas mil apresentações totalmente gratuitas atestando o porquê o carnaval da cidade é considerado como um dos mais expressivos do país. Com 98% da grade composta por artistas locais, o evento ainda traz para seus mais diversos polos nomes como Martinho da Vila, Sandra de Sá, Jorge Aragão, Monobloco, Gilberto Gil, Zeca Baleiro entre outros em um investimento total de R$ 33 milhões. 


Novos polos


Em consenso com os artistas e comunidades a cidade este ano descentraliza a folia estendendo a programação para novos polos espalhados na cidade. O centro ganha mais dois: o Pátio do Livramento e a Avenida Dantas Barreto), onde acontecerá o concurso de agremiações do grupo especial; o bairro de Campo Grande, o do Cordeiro e a Lagoa do Araçá também foram contempladas com espaços para a folia; além disso há cinco polos comunitários ( Ipsep, Vila dos Comerciários, Dois Unidos, Sítio Grande e San Martin) e três polos infantis (Parque da Jaqueira, Parque Dona Lindu e Parque do Santana).



Abertura do Carnaval

Oficialmente a abertura ocorre às 18h, quando a partir da Rua da Moeda sai o cortejo em direção ao palco principal com 500 batuqueiros de 12 nações de maracatu do Recife. O encontro será comandado por Naná Vasconcelos que receberá como convidados os cantores Marcelo D2 e o pernambucano Zé Brown. Os artistas pretendem misturar o batuque nagô com o rap.

Logo em seguida os maestros Spok e Marco César se unem ao multiartista Antônio Nóbrega, o grande homenageado, para celebrar o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade concedido ao frevo pela Unesco, em 2012 com um super espetáculo sob direção de Marcondes Lima e Carlos Carvalho e que contará com alguns dos maiores nomes da música brasileira. Nos telões de led serão projetadas animações de obras do artista Gilvan Samico, que morreu em novembro, aos 85 anos. É o trabalho de Samico que deu toda a base ao figurino e a cenografia do show.

Ao final da noite, Silvério Pessoa sobe ao palco do Marco Zero com a banda Sir Rossi para prestar uma homenagem ao cantor e compositor Reginaldo Rossi, morto em dezembro de 2013.



Homenageados

Antônio Nóbrega, 61 anos. Sua inventividade e capacidade de improviso criaram um modelo de resistência e evolução, renovação e preservação do ritmo. Nascido no Recife, iniciou-se como violonista ainda criança e, nos anos 1960, já tocava em orquestras.

Em 1970, foi convidado por Ariano Suassuna a integrar o Quinteto Armorial, grupo percursor na criação da música de câmara brasileira de raízes populares. Foi a partir desse convite que ele começou a se dedicar aos cantos, toques instrumentais, danças e modos de representar dos brincantes e folgazões.

Antônio Nóbrega transpareceu a gratidão pela lembrança e aproveitou o discurso para chamar atenção sobre os "rolezinhos", como ficaram conhecidos os encontros marcados pela internet por adolescentes. "É um retorno [ao Recife] em dose dupla: com a homenagem em si e ainda a compartilhada com o frevo. Vamos pegar essa energia do frevo e fazer um grande rolezão no país e, assim, transformar esse patrimônio imaterial em material", disse.

Já o outro homenageado, o frevo, é um ritmo pernambucano derivado da marcha e do maxixe. Surgido em Recife no final do Século XIX, o frevo se caracteriza pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevos, capoeiras saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte. Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do frevo.A dança do frevo pode ser de duas formas, quando a multidão dança, ou quando passistas realizam os passos mais difíceis, de forma acrobática. O frevo tem cerca de 100 passos.




Decoração

O projeto cenográfico, assinado por Carlos Agusto de Lira, vai exaltar o folião recifense, através de uma leitura popular das suas fantasias e máscaras, além de celebrar Antônio Nóbrega e o frevo. A Prefeitura também vai utilizar recursos de animação e projeção de imagens através de videomapping. Outro destaque será o projeto luminotécnico, com a colaboração da arquiteta Márcia Chamixaes.



Turismo

O secretário de Turismo e Lazer do Recife, Felipe Carreras, informou que a cidade deve receber este ano 800 mil turistas - quase 100 mil a mais que em 2013. A expectativa é que os visitantes movimentem cerca de R$ 600 milhões nos dias de festa. "A ocupação hoteleira deve chegar a 90%. A manutenção do Polo de Animação em Boa Viagem, com manifestações da nossa cultura, foi um pedido da rede hoteleira. Também vamos montar receptivos no Aeroporto e no TIP [Terminal Integrado de Passageiros]", explicou.


Nova Central do Carnaval



Este ano, a Central do Carnaval, espaço que oferece ao folião serviços durante os festejos de Momo, estará dividida em dois polos, sendo no Cais do Armazém 12, às margens da Praça do Marco Zero, e o outro na Rua do Observatório, próximo à Torre Malakoff. O primeiro será ocupado pela arena gastronômica, caixas eletrônicos, fraldários, banheiros, pontos de informações ao turista e estande de achados e perdidos, além da sala de imprensa.

O segundo terá cabeleireiro e maquiagem, espaço de customização de roupas para crianças, fotos digitais impressas na hora e, ainda, comprar CDs e DVDs de musicas e artistas pernambucanos. Os espaços irão funcionar do dia 23 de fevereiro até 4 de março de 2014. Na semana pré-carnavalesca, os horários serão das 16h às 22h, e durante o Carnaval, das 16h as 0h.

Veja a programação oficial para este primeiro dia de folia, data que antecede o Galo da Madrugada:


Maiores informações:

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O ILUSTRE FILHO DE NAZARÉ DA MATA

Terceiro compositor mais gravado do país, o maestro Zé Menezes atuou no carnaval de Pernambuco por mais de seis décadas

Por Bruno Negromonte



Nazaré da Mata, cidade localizada a cerca de 65 quilômetros da capital pernambucana, tem muito mais riqueza que a Arena Pernambuco, como muito tem sido difundido ao longo dos últimos meses devido a construção deste faraônico estádio voltado para atender aos "padrões fifa" de qualidade na ânsia de receber os jogos de competições como a copa da confederações e o mundial de futebol  a ser realizado ao longo deste ano. Apesar da cidade ter tornado-se conhecida como a terra do maracatu, vem de Nazaré um dos mais relevantes nomes do frevo de todos os tempos: o maestro Zé Menezes. O município em seu carnaval de 2013 teve tempo de dá-lhe flores em vida, homenageando-lhe e dedicando-lhe a festividade.


Filho mais velho de Teófilo Alves de Menezes e Nicolina Xavier de Menezes, o pequeno Zé conviveu com a música desde muito cedo a partir das figuras do pai e do avô. Um era regente da banda de Nazaré o outro tocava trombone, o que acabou influenciando-o a tocar trompa na Sociedade Musical 5 de Novembro (Banda Revoltosa), que este ano conseguiu a proeza de tornar-se patrimônio vivo de Pernambuco e em 2015 completa um século de existência.

Por volta dos 19 anos muda-se para a capital indo trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco, onde chegou a integrar a Jazz Band Acadêmica, comandada pelo maestro Pádua Valfrido. Nessa época também aprimora a sua teoria musical matriculando-se no Conservatório Pernambucano de Música. A década de 1950 conta na biografia do musicista como aquela que mudaria em definitivo a sua vida como compositor, pois em 1951 a orquestra do maestro carioca Zacarias registrar, pela RCA, o frevo "Freio a Óleo", a primeira (e mais popular) de uma série de canções do maestro que seriam gravadas a partir dali. No levantamento de sua obra, feito pelo pesquisador José Batista Alves, foram registradas 118 gravações, no período compreendido entre 1951 e 1997, entre frevos de rua, canção e de bloco. Esse número de registros de sua obra acabou tornando-o terceiro compositor de frevos gravados do estado, só perdendo para Nelson Ferreira e Capiba. Além de "Freio a óleo" o maestro é autor de frevos como "Baba de Moça" e "Boneca" (1953); "Continental" (1956), "Terceiro dia" (1960), "Tá Faltando Alguém" (1961), "Arrasta Tudo" (1976), "Regresso do Galo" (1984), "Bico doce" (campeão do VIII Recifrevo, em 1996), o samba "Aeromoça" (em parceria com Geraldo Costa), entre outros.


Ao longo dos anos de 1960 surgiu a famosa Orquestra do Maestro José Menezes, que surgiu com o propósito de animar o Reveillon do Clube Internacional do Recife a partir da ideia dos amigos Torquato Bertrão e Hercílio Canto, que eram da diretoria do clube. De baile em baile, José Menezes foi o responsável pelos carnavais do Clube Internacional por mais de uma década, passando para o Clube Português em 1974 (onde permaneceu tocando até 92, ano do último carnaval da entidade). Dois anos depois Zé Menezes lança pela Rozemblitz o primeiro disco da orquestra. O titulo "O Frevo Vivo de Levino", foi uma homenagem ao compositor e amigo Levino Ferreira, pessoa com a qual Zé Menezes chegou a trabalhar na época em que atuava na Rádio Clube de Pernambuco. A orquestra ainda chegou a lançar mais dois lp's: um em 1977 pela gravadora Philips, cujo nome é Antologia do Frevo (um projeto que registra 36 composições de diversos autores) e o segundo, lançado pela Bandeirantes, batizado de Baile da Saudade, foi lançado em 1980, reunindo antigos frevos.


Zé Menezes chegou a cursar direito, atividade esta que  lhe deu o título de bacharel e não interferiu na paixão que carregaria por toda a vida: a música.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CARNAVAL DO RECIFE 2014 - PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO RECIFE



Os homenageados do Carnaval desse ano são o pernambucano Antônio Nóbrega e o Frevo. As principais atrações do Carnaval 2014 em Recife são: Mundo Livre S/A, Zeca Baleiro, Lenine, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Nação Zumbi, André Rio, Alceu Valença e Sandra de Sá. Ao contrário do que foi informado por algumas pessoas, a banda Los Hermanos não irá participar do Carnaval de Recife em 2014.

Outras atrações que animam os 5 dias do Carnaval são Gustavo Travassos, Marrom Brasileiro, Eddie, Erasmo Vasconcelos, China, Nena Queiroga, Jorge Aragão, Martinho da Vila e Fafá de Belém.


Abertura do Carnaval do Recife em 2014 será no dia 28 de fevereiro (sexta-Feira):

A Abertura do Carnaval de Recife começa com concentração na Rua da Moeda a partir das 16h. De lá seguem às 18h batuqueiros e cortes das 12 nações de Maracatu, sob o comando de Naná Vasconcelos, em direção ao Marco Zero. Por volta das 18:30 com a chegada do cortejo ao Palco do Marco Zero, começa a cerimônia oficial de Abertura do Carnaval com um show de fogos de artifício e rufar de tambores.

Às 19h acontece a primeira participação dos convidados no Palco. Junto com Naná, os batuqueiros e Voz Nagô irão se apresentar Marcelo D2 e Zé Brow.

A partir das 20h haverá apresentações de diversos artistas: Maestro Forró,Spok, Claudionor Germano, Expedito Baracho, Nonô Germano, André Rio, China, Fabio Trummer, Nena Queiroga, Elba Ramalho, Lenine, Coral Edgard Moraes, Getúlio Cavalcanti, Antúlio Madureira, Dalva Torres, Gustavo Travassos, Marron Brasileiro, Almir Rouche, Ed Carlos, Silvério Pessoa, Geraldo Azevedo e o homenageado do ano: Antônio Nóbrega. Haverá um momento, por volta das 21:45, que todos os artistas vão se apresentar em conjunto.

Antes do fim da festa no Marco Zero, ainda se apresentam: Quinteto Violado (22h30), além de Silvério Pessoa e a Banda Sir Rossi que fazem homenagem à Reginaldo Rossi às 23h30.


Este ano haverá 63 Polos ou Focos de Carnaval em Recife:

Oito Centralizados – Marco Zero, Praça do Arsenal, Cais da Alfândega, Pátio de São Pedro, Pátio do Terço, Pátio do Livramento (novo), Rua da Moeda e Avenida Dantas Barreto (novo), onde acontece o Concurso de Agremiações do Grupo Especial.

13 Descentralizados – Brasília Teimosa, Campo Grande (novo), Chão de Estrelas, Várzea, Cordeiro (novo), Bomba do Hemetério, Alto José do Pinho, Casa Amarela, Jardim São Paulo, Ibura UR-1, Nova Descoberta, Lagoa do Araçá (novo) e Praça de Boa Viagem.

Dois para o Concurso de Agremiações – Estrada do Bongi (novo) e Avenida do Forte.

29 Comunitários – Joana Bezerra, Santo Amaro, Linha do Tiro, Bola na Rede, Córrego do Eucalipto, Córrego do Inácio, Guabiraba, Sítio dos Pintos, Vasco da Gama, Iputinga, Roda de Fogo, Torre, UR-7 Várzea, Afogados, Areias, Barro, Bongi, Coqueiral, Jiquiá, Mustardinha, Passarinho, IPSEP (novo), Jordão Alto, Vila dos Comerciários (novo), Dois Unidos (novo), UR-5 Ibura, Sítio Grande (novo), San Martin (novo) e Vila Tamandaré.

Três Infantis (novos) – Parque da Jaqueira, Parque Dona Lindu e Parque do Santana

Oito Corredores da folia – Coelhos, Alto Santa Terezinha, Alto do Mandú, Buracão, Morro da Conceição, Buriti, UR-02 Ibura, Três Carneiros

Confira toda a programação oficial clicando AQUI.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FREVO NO AUTO DO REINO DE ARIANO É TEMA DO GALO 2014

Escritor de clássicos como a Pedra do Reino e O Auto da Compadecida será homenageado pelo maior bloco carnavalesco do mundo, que comemora 36 anos de sua fundação


O Clube de Máscaras O Galo da Madrugada mistura frevo com literatura e presta homenagem a um dos maiores expoentes da cultura nordestina: Ariano Suassuna. O escritor, dramaturgo, professor, romancista e ocupante da cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras será o personagem tema da agremiação em seu 37º desfile, realizado dia 1º de março, no sábado de Zé Pereira. O público fiel, que acompanha o Galo por mais de 10h de música, contará com os tradicionais caboclinhos, maracatus, cirandas, em um enredo que mesclará temáticas de cordel, novela, folguedos e, claro, muito frevo. Serão cerca de 30 bandas divididas em 30 trios elétricos e muitos artistas convidados, animando os mais de dois milhões de foliões apaixonados pelo maior bloco carnavalesco do mundo.


De acordo com o presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Meneses, desde o ano passado pensava-se na possibilidade de homenagear o escritor. A ideia foi discutida entre os diretores do bloco, que chegaram à conclusão de colocar em prática a ideia no Carnaval 2014. "Muitos esperavam que iríamos direcionar o tema à Copa do Mundo, como já fizemos em outros anos. Desta vez, no entanto, preferimos partir para uma temática mais regional, mais nordestina, inclusive pela grandeza da obra de Ariano Suassuna e de sua própria pessoa, seu estilo regional que faz questão de manter e sua inteligência digna dessa homenagem que não é a primeira nem, certamente, será a última", explica o presidente.

Para o desfile deste ano, o Galo da Madrugada já está trabalhando na fabricação dos carros alegóricos que tem criação e assinatura do cenógrafo Ary Nóbrega. Esses carros trarão elementos dos romances de Ariano para as ruas do Recife. O abre-alas, que remete à temática do circo - caracterização comum às obras do escritor, seguido pela Pedra do Reino, Carro da Cavalgada e por fim o Auto da Compadecida. Todas as alegorias darão destaques aos principais pontos de cada obra, com cenários referentes ao sertão nordestino, o sertanejo, a literatura de cordel, além de figuras exóticas e misteriosas.

O figurino também engrandece a beleza do desfile. De acordo com Cid Cavalcante, figurinista do Galo da Madrugada há 22 anos, trabalhar Ariano na estética do bloco será como mergulhar no próprio tesouro cultural do Nordeste. "Ariano é riqueza em todos os sentidos, pela obra literária, que, por si só, já nos proporciona realizar grande viagens no segmento do desenho e da imaginação por meio de tantos personagens por ele criados. É uma estética que tem muito a se explorar", ressalta.

Elementos das obras de Ariano também estão presentes na Camisa Oficial do desfile que terá influências armoriais e estampas de figuras que remetem aos clássicos do escritor como A Pedra do Reino, O Auto da Compadecida, adaptados para a televisão e o cinema, além de histórias renomadas comoO Santo e a Porca, Uma Mulher Vestida de Sol.

A homenagem segue ainda no CD de frevo do Galo - Frevo no Auto do Reino de Ariano. Lançado no início deste ano, o material contêm músicas de mais de 20 compositores e cantores, inspiradas na vida e obra do homenageado. Entre os artistas, Nono Germano, Rogério Rangel, Quinteto Violado, Josildo Sá, Dudu do Acordeon, Adriana B e Ed Carlos. “Nos anos anteriores, realizávamos um concurso para escolher a canção tema do desfile. Neste ano, resolvemos convidar alguns artistas para gravar e investimos na divulgação das músicas”, afirmou Rômulo Meneses. 

Aniversário - Da união de um grupo de amigos e famílias do Bairro de São José, comandados pelo baluarte Enéas Freire, surgia, no dia 23 de Janeiro de 1978, o Clube de Máscaras Galo da Madrugada. Sem grandes pretensões, aquele que viria a se tornar um fenômeno mundial foi criado com um único e simples propósito: fazer renascer o tradicional, espontâneo e criativo Carnaval de rua do Recife.

Assim nascia o Galo da Madrugada, nas ruas estreitas do Bairro de São José, berço dos primeiros clubes e blocos carnavalescos do Recife. Naquele mesmo ano, no dia 04 de fevereiro de 1978, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: cerca de 75 “almas penadas” - primeira fantasia do Clube – percorreram as ruas do bairro, acompanhadas por uma orquestra de frevo.


SERVIÇO

Camisa e CD Galo da Madrugada 2014

Preços: Camisa R$ 23 e CD R$ 5, A compra dos dois sai por R$ 25.

Vendas: Sede do Galo da Madrugada - Rua da Concórdia, 984, 1º Andar, bairro de São José, Recife 


Desfile Galo da Madrugada

Data: 1º de Março (sábado)

Concentração: Forte das Cinco Pontas, bairro de São José, Recife – PE

Com saída às 9h da manhã


Fonte: Site Oficial do Galo da Madrugada

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

NATURA OFERECE PARA DOWNLOAD LEGAL E GRATUITO PRIMEIRO SINGLE DO NOVO ÁLBUM DA NAÇÃO ZUMBI

Crédito da foto: Vitor Salerno

“Cicatriz”, música que abre o novo disco do grupo a ser lançado em abril, estará disponível no site www.naturamusical.com.br a partir de 25 de fevereiro

No próximo dia 25 de fevereiro (terça-feira), chega às rádios de todo o país “Cicatriz”, primeiro single do novo e esperado disco da Nação Zumbi, que será lançado em abril. A música estará disponível para download legal e gratuito no site www.naturamusical.com.br.

Selecionado pelo edital 2013 do Programa Natura Musical, o disco “Nação Zumbi” (Slap/Natura Musical), foi produzido por Berna Ceppas e Kassin, gravado, mixado e masterizado por Daniel Carvalho no estúdio Monoaural (RJ) e é o primeiro CD de inéditas da banda em sete anos, desde “Fome de Tudo” (2007).

“Selecionamos esse trabalho da Nação Zumbi no nosso edital nacional porque, além de ser uma das bandas mais importantes e influentes dos últimos 20 anos da música brasileira, ela celebra a nossa raiz musical de um modo contemporâneo. É um disco que vai reafirmar a força da Nação e está sendo muito esperado pelo público", explica Fernanda Paiva, gerente de apoios e patrocínios da Natura.

A Nação Zumbi é formada por Jorge Du Peixe (voz), Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo), Pupillo (bateria), Toca Ogan (percussão) e Gilmar Bola 8 (tambor).



CICATRIZ (Jorge Du Peixe/Dengue/Lúcio Maia/Pupillo)
Participação: Kassin (sinthy)

QUANDO FICA A CICATRIZ
FICA DIFÍCIL DE ESQUECER

VISÍVEL MARCA DE UM RISCADO INESPERADO
PRA LEMBRAR O QUE LHE ACONTECEU
RISÍVEL MARCA DE UM RISCADO DESESPERADO
PRA LEMBRAR E NUNCA MAIS ESQUECER

FICA BEM DESENHADO SÓ PRA SER BEM LEMBRADO

RISCO DO ERRO MAL-VISTO E MAL-OLHADO
QUEM VÊ VIRA LOGO A VISTA PARA O OUTRO LADO

(NÃO É SÓ UM SINAL DE QUEM PASSOU POR MAUS BOCADOS)
MAS ESSA DAQUI, ME TRAZ UMA BOA LEMBRANÇA
NÃO PRECISO ESCONDER
MAS ESSA DAQUI, ME TRAZ UMA BOA LEMBRANÇA
NÃO VOU MAIS ESQUECER
SEJA COMO FOR, EU ME LEMBRAREI
SEJA ONDE FOR, NAO ESQUECEREI

CICATRIZ
QUEM VÊ NEM DIZ
QUE FIZESSE TUDO ISSO POR UM TRIZ
CICATRIZ
NEM TODO CUIDADO DO MUNDO



SOBRE O PROGRAMA NATURA MUSICAL

É o programa da Natura de apoio à música brasileira, que atua por meio de diferentes frentes, como os Editais Públicos, que visam selecionar projetos de diferentes formatos e estágios da produção cultural por meio das Leis Rouanet e do Audiovisual em todo o Brasil, e da Lei do ICMS em Minas Gerais, Bahia e no Pará; a Seleção Direta, que contempla propostas adequadas ao conceito do programa e de grande relevância e inovação, sem a obrigatoriedade das leis de incentivo; e os Festivais. Lançado em 2005, o Programa beneficiou projetos de diferentes estágios e processos da música brasileira patrocinando mais de 220 projetos em todas as edições de edital público e seleção direta. Ao todo, 18 estados das cinco regiões do Brasil foram contemplados e mais de 1 milhão de pessoas beneficiadas. Saiba mais no portal www.naturamusical.com.br


SOBRE A NATURA

Fundada em 1969, a Natura é a maior fabricante brasileira de cosméticos e produtos de higiene e beleza e líder no setor de venda direta no Brasil, com receita líquida anual superior a R$ 6,3 bilhões. A empresa conta com quase 7 mil colaboradores, que atuam nas operações do Brasil, Argentina, Chile, México, Peru, Colômbia e França. A paixão pelas relações fez a companhia adotar a venda direta como modelo de negócios e atualmente reúne mais de 1,5 milhão de consultoras, que disseminam a proposta de valor da empresa aos consumidores.

A Natura acredita na inovação como um dos pilares para o alcance de um modelo de desenvolvimento sustentável. Em 2012, destinou R$ 154 milhões em inovação e lançou 104 itens. Esse investimento fez com que a empresa atingisse um índice de inovação, percentual da receita proveniente de produtos lançados entre 2011 e 2012, de 67,2%.

MÚSICA, ÍDOLOS E PODER (DO VINIL AO DOWNLOAD) - PARTE 35



CAPÍTULO 35 

Depois de oito anos, em 1976, eu voltava a trabalhar com a indústria fonográfica norte-americana, que vivia um crescimento sem paralelo, invadindo o mundo inteiro com seu fantástico rock’n’roll. E parecia que nem o céu era o limite. Nessa atmosfera, a Warner Music conseguiu rapidamente ultrapassar a CBS, a RCA e a Capitol, e tornar-se a primeira no ranking, com uma participação esmagadora de 25% no mercado norte-americano. A música era ouvida em todos os lugares: nas salas, nos corredores, nos elevadores. Só se falava de música nos almoços e nos jantares, num contraste dramático com o ambiente que reinava nos escritórios dos meus patrões anteriores, os severos holandeses, calvinistas e conservadores da PolyGram. 

Não existiam os gigantescos manuais de conduta, os chamados “livros brancos” de centenas de as quais a matriz impunha aos executivos regras de comportamento gerencial e pessoal para enfrentar uma infinidade de situações hipotéticas que raramente sucediam na vida real. Os irmãos Ertegun, Mo Ostin, Jac Holzman e David Geffen eram brilhantes e entusiastas, e seus colaboradores tinham toda a liberdade para tomar decisões sem necessitar de burocracia. O contato com os artistas era constante… Eu me sentia em casa na empresa: a música era o que importava. A personalidade de Steve Ross, o chairman, difundia essa atmosfera de felicidade, entusiasmo e criatividade. Sua compreensão da personalidade dos artistas em geral, tanto da música como do cinema, era impressionante. E ainda tinha enorme capacidade de atrair excelentes executivos, além de tomar decisões de maneira rápida e dinâmica. 

A origem da Warner Communications não era nada convencional. Em 1954, um estudante chamado Steve Ross, recém-formado em direito, tomou a direção de uma pequena empresa funerária familiar, nos subúrbios de NovaYork, e a transformou, em menos de 26 anos, no maior conglomerado de entretenimento do mundo. Eu soube da história por acaso, a partir de um telefonema do Steve, que após me perguntar como iam meus negócios, me disse: 

— André, um casal de velhos amigos muito queridos vai passar uns dias no Rio e eu agradeceria se você cuidasse deles com carinho... É a primeira vez que viajam para a América do Sul e talvez se sintam um pouco desnorteados. 

No dia combinado, mandei um carro apanhá-los no Galeão e os convidei para jantar no Antiquarius. O casal devia beirar os setenta anos, parecendo avós inteiramente dedicados aos netos, um pouco tímidos e de pouca conversa. Enfim, cidadãos perfeitamente deslocados neste nosso ambiente tropical. A conversa andava devagar e convencional. No entanto, à medida que a garrafa de vinho se esvaziava, a atmosfera ia se tornando mais relaxada e, ao final do jantar, acabei sabendo que o velho, advogado, agora aposentado, trabalhara muitos anos para a família da mulher do Steve Ross, donos de uma funerária. O casal me convidou para jantar no dia seguinte e, com um conhaque na mão, meu anfitrião estava bem mais feliz e disposto a me dar algumas pistas da sua vida pessoal. Os pais dele haviam emigrado da Ucrânia para os Estados Unidos. Ele descreveu sua infância de pobre menino judeu no Brooklyn, trabalhando durante o dia, estudando à noite e pouco a pouco se envolvendo com as máfias italiana e judia, sendo gradualmente promovido naquele mundo. Na véspera de irem para Buenos Aires, tivemos um último jantar, durante o qual, de repente, o velho disse: 

— André, tenho certeza de que a verdadeira história da companhia na qual você trabalha vai lhe interessar... 

E contou uma incrível história, que vou tentar descrever da melhor maneira possível, complementando com algumas informações colhidas no livro Master of the Game, de Connie Bruck — Steve Ross , que eu não conhecia na época, casou com a filha de um íntimo amigo meu, dono de uma funerária no Brooklyn. Ele tinha umas dez limusines para levar os defuntos para o cemitério. 

Como essas limusines ficavam a maior parte do tempo na garagem, o Steve teve a idéia de usá-las à noite para levar os vivos para passear em Manhattan, continuando a levar mortos de dia. Os carros passaram a ficar ocupados praticamente dias e noites. A frota aumentou e se tornou imperativo encontrar um estacionamento próprio em Manhattan. 

“Steve foi conversar com a Kinney, empresa cujo sócio mais conhecido era Lucky Luciano, importante chefão de uma famiglia da máfia do Bronx. A famiglia estava ligada ao recolhimento do lixo em Downtown Manhattan e à limpeza de edifícios; e tinha uma duvidosa reputação por suposto envolvimento em chantagens, jogos clandestinos etc. Também era dona de estacionamentos em Manhattan. Steve lhes ofereceu uma participação na funerária, incluindo as limusines, em troca do acesso grátis a seus estacionamentos em Manhattan. 

“Um ano depois, Steve ampliou os negócios com eles, montando uma companhia de aluguel de carros para atender exclusivamente à clientela chique de NovaYork, com 50%-50% de capital com a Kinney. A intenção era superar a Avis e a Hertz na cidade, e, para isso, a nova locadora não cobrava dos clientes a permanência nos estacionamentos da Kinney. O sucesso foi tamanho — tanto no negócio das limusines quanto no da locadora — que os estacionamentos tiveram que multiplicar seus espaços para mais de sessenta, só em Manhattan. O negócio seguinte da dupla Steve Ross e Kinney foi conseguir os direitos exclusivos de recolhimento do precioso lixo de Wall Street. A fortuna estava nas famosas cartelas de cartolina da IBM, de excelente qualidade e utilizadas em computadores. Eram recicladas e transformadas em ótima matéria-prima para imprimir jornais, que depois era vendida no mercado negro, na América Latina, a editoras de periódicos, cuja quota de papel era controlada — às vezes racionada — por governos ditatoriais, como os da Argentina ou do México. Nessa altura, Steve convenceu os parceiros da Kinney a preparar a empresa para entrar em Wall Street num futuro próximo, ou seja, entrar na Bolsa, com os estacionamentos, o lixo e a locadora — coisas que não inspiravam muita confiança à sisuda entidade chamada intimamente ‘The Street’, apesar de ser um negócio bem-sucedido. 

“Portanto, uma certa quantidade de maquiagens tinha que ser executada antes do pedido de inscrição. Como se mostrou infrutífera uma investigação do FBI, a entidade deu luz verde para a Kinney continuar com os planos de ingressar em Wall Street, com o seguinte comentário: ‘Muitos rumores têm circulado, segundo os quais a Kinney estaria ligada à máfia. Porém, não encontramos a menor evidência para confirmar tais rumores, apesar da presença na empresa do sr. Kimmel, vice-presidente e um dos maiores acionistas. (Kimmel tivera muitos problemas com o FBI, porém nunca foi condenado.) A entrada da Kinney em Wall Street foi um sucesso. Mas Steve Ross não tinha intenção de se transformar no Rei das Funerárias e dos Estacionamentos..." Apaixonado pelas indústrias cinematográfica e musical, ele decidiu se aventurar no que achava ser o negócio do futuro: a indústria do entretenimento. Steve comprou uma editora que publicava a revista Mad, uma companhia de administração de artistas, a Ashley Famous, e começou a investigar a situação de algumas companhias de cinema, como a MGM e a ABC. Depois de olhar a contabilidade das empresas, decidiu que a Warner Seven Arts, do lendário Jack Warner, seria seu primeiro objetivo. No entanto, o velho Jack Warner, quase falido, tinha vendido a maioria das ações para uma gente envolvida em corridas de cavalos, jogos etc. Sobretudo para o Sinatra, que deu uma incrível reviravolta na carreira depois do affair com Ava Gardner, surpreendendo ao sair da Capitol Records — onde tivera o que muitos consideravam sua melhor época de intérprete — e fundar a própria gravadora, a Reprise, em sociedade com Sammy Davis Jr. e Dean Martin, com aparente financiamento pela caixa da máfia. “Steve foi primeiro negociar a compra das ações que estavam nas mãos da máfia e no bolso do Jack Warner, pagando, na época, em torno de US$40 milhões. Feito isso, era preciso sentar com Sinatra para comprar o resto das ações. Steve manteve longas e penosas negociações com o advogado de Sinatra. Finalmente chegaram a um acordo — embora o advogado do Sinatra tenha advertido que o cantor, imprevisível, poderia acabar recusando a transação. 

Um jantar foi marcado na casa da mãe do Sinatra, e os dois se apaixonaram um pelo outro... Fechado o negócio, iniciou-se uma longa e íntima relação entre os dois. “Steve, agora, tinha uma companhia cinematográfica e duas companhias de discos: Reprise Records e Warner Records. Comprou, em seguida, a Atlantic Records, do Ahmet Ertegun, a Elektra Records, do Jac Holzman, e finalmente a Asylum Records, do David Geffen, para completar o grupo fonográfico conhecido por WEA Records. 

Ele consolidou o cinema, o disco, a editora e a administradora de talentos sob o ‘guarda-chuva’ de Warner Communications. Nesuhi e Ahmet o convenceram a lançar o futebol profissional nos Estados Unidos e, assim, nasceu o Cosmos, com Pelé e Beckenbauer. Como não havia outras equipes profissionais com as quais competir, ainda financiou Mick Jagger e Elton John para criar uma liga profissional com bons jogadores europeus e sul-americanos. Em seguida, foram lançados a MTV e um canal de TV a cabo cobrindo Manhattan. E, finalmente, Steve comprou a Atari, a companhia precursora dos videogames atuais, que foi um sucesso meteórico e logo depois um fracasso financeiro inédito nos Estados Unidos até hoje.” O velho, que estava me contando em parte essa história, tinha sido um dos poucos advogados que haviam trabalhado para Steve durante aqueles anos todos, desde a época da funerária. Ele acendeu mais um cigarro, bebeu mais um conhaque, agradeceu pela hospitalidade e viajou para Buenos Aires com a mulher. Nunca mais eu soube dele.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

HERVÊ CORDOVIL, 100 ANOS

Autor de marchas, sambas, baiões e até rock, Hervê Cordovil teve suas canções gravadas em diversos idiomas ao redor do mundo

Por Bruno Negromonte


Mineiro de Viçosa, Hervê Cordovil se vivo estivesse estaria completando um século de existência ao longo de 2014. O músico e compositor foi responsável por inúmeros sucessos dentro de nossa MPB, tendo a "ousadia" de escrever canções para os mais diversos gêneros com a mesma eficácia, enumerando grandes hits em ritmos como o baião e o rock e tendo ao longo de sua carreira parcerias com alguns dos nomes mais expressivos da música popular brasileira como Luiz Gonzaga, Noel Rosa  entre outros.

De família musical, Hervê desde a infância se viu em meio a instrumentos e canções junto aos pais e os irmãos. Tocava de tudo um pouco sem prender-se a instrumento algum, até seguir para o Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde entrou aos 10 anos de idade e lá teve a oportunidade de desenvolver aquilo que antes restringia-se apenas a prática. Foi no colégio que Cordovil teve a oportunidade de desenvolver o conhecimento teórico através de professores o desenvolveu através da banda do Colégio Militar tocando piston, sax, baixo tuba entre outros. Posteriormente chegou a formar, junto aos colegas de instituição, uma jazz band onde tocava saxofone até o dia em que um dos integrantes foi visitar sua terra natal e não mais voltou. Este colega, chamado Moreno, era natural do Mato Grosso e tocava piano e ao não mais voltar deixou essa lacuna na jazz band. Hervê assumiu o piano e a partir daí não mais deixou de executá-lo, dando início a sua consagrada carreira em 1931. Não seguiu a carreira militar e consequentemente não veio a tornar-se um militar de alta patente, mas ao final transformou-se além de pianista, regente e um dos mais conceituados compositores do século XX.


Sobre o compositor centenário há algumas histórias curiosas principalmente referentes as suas composições e parceiros. É de autoria de Hervê, por exemplo, a primeira gravação fonográfica do Carlos Galhardo, ocorrida em dezembro de 1933 com a marcha "Carolina", parceria de Cordovil com Bonfiglio de Oliveira. Vale salientar que apesar desta canção ser o primeiro registro de Galhardo ele só veio a ser lançado posteriormente a canção "Boas Festas", de autoria de Assis Valente, e lançada na voz do cantor no mesmo período. Com Lamartine Babo (que o chamava de Hervê cor de ervilha) compôs diversas canções, dentre as quais "Morena Sweepstake", "Menina Oxigené", "Seu abóbora" e "Allô, allô carnaval", canção escrita para uma peça e um filme do mesmo nomeOutro parceiro foi Noel Rosa, com quem compôs dezenas de canções para teatros e sucessos como "Não resta a menor dúvida" (registrada pelo Bando da Lua) e "Triste cuíca" (gravada por Aracy de Almeida). Moravam muito próximos e muitas vezes voltavam juntos das intermináveis noites. Chegaram a compor muitas dessas canções quando retornavam dessas noitadas nos bancos do bondes e trens do Rio de Janeiro. Certa vez  o apresentador Rolando Boldrin revelou que Hervé lhe contara que certo dia estava passando por um centro espírita e sentiu uma imensa vontade de entrar. Durante a reunião, um médium anunciou que o cantor e compositor Noel Rosa estava lhe dizendo que havia um amigo dele ali presente. Solicitaram que ele então se apresentasse. Hervé ficou quieto, achou que não era com ele. Numa segunda vez, passando pelo local, sentindo-se novamente atraído, entrou no centro e escutou a mesma história. O maestro não resistiu e, enfim, se apresentou, inseguro, como parceiro de Noel em algumas canções, quando este ainda estava encarnado. A canção fez muito sucesso na época de sua gravação, em 1964, na voz da cantora Vera Maria. Eis a letra:


Minha “Vila” agora é outra
Muito longe da “Isabel”
Meu papel agora é doutra
Qualidade do papel
Que representei na Terra,
Andando de deu em deu,
Alma voltada pro samba,
Nada voltado pro céu!...

Se eu fizesse agora, um samba
Ia ter mais harmonia
Não teria gente bamba,
Não teria valentia,
Pois valente, nesta vila,
É aquele que perdoa,
Que padece e não estrila,
Não é rei nem quer coroa...

Se eu fizesse agora um hino...
Ah! Se um hino eu compusesse...
Começaria com sino,
Terminaria com prece,
Prece serena, tranquila...
E teria este pedaço:
“ Faça, Senhor, lá da Vila

A Vila Isabel do Espaço!”


Entre os anos de 1940 e 1960 compôs canções como "Cabeça inchada" (composição que ganhou versões em diversos idiomas, dentre eles turco e japonês); "Sabiá lá na gaiola"; "Vida de viajante" e "Xaxado"(ambas em parceira com Luiz Gonzaga)  contribuindo de modo decisivo para fazer de Carmélia Alves a rainha do baião e para a afirmação do Baião como expressivo gênero durante os anos de 1950. Além disso foi responsável por canções como  "Meu pé de manacá" (em parceria com sua prima Mariza Pinto Coelho),  o samba-canção "Uma loura"que foi gravada brilhantemente por Dick Farney em 1951 e o rock "Rua Augusta", deixando sua contribuição para a Jovem Guarda. Lançada por seu filho, Ronnie Cord, a música teve versos censurados pela ditadura, mas mesmo assim alcançou amplo sucesso.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

WESLEY NÓOG - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Artista socialmente engajado, o músico faz de sua arte um eficiente mecanismo de propagação não só da poesia que produz, mas também de algumas ideologias que acredita

Por Bruno Negromonte


Wesley Nóog procura unir sua arte com aquilo que acredita. A junção desses dois fatores faz do seu trabalho algo prazeroso não apenas para o artista, mas principalmente para aqueles que vem acompanhando seu trabalho nos últimos anos. Prestes a completar catorze anos de estrada, o cantor e compositor vem apresentando o álbum "Soul Assim", projeto autoral que ressalta toda a sonoridade que  o influenciou e hoje o constitui artisticamente como foi possível tomar conhecimento a partir da matéria "NINGUÉM PASSA INCÓLUME AO SEU SOM". Neste bate-papo exclusivo gentilmente concedido por Nóog, ele conta-nos sobre seus planos para este ano, as vivências ligadas à Teologia da Libertação, suas iniciativas sociais e as agruras existentes na vida do artista independente. Vale a pena conferir! Boa leitura!


O fato de ter um envolvimento com a música desde muito jovem a partir de sua própria família foi fator determinante para que você enveredasse para a música ou você veio atinar para isso mais tarde após outras experiências?

Wesley Nóog - Meu desejo de cantar e virar um artista surgiu logo na infância. Fui influenciado pelos meus pais que cantavam no coral da Igreja Metodista. Como era tradição na minha família tocar um instrumento, comecei aos sete anos a frequentar aulas de trombone numa instituição religiosa da comunidade em São Miguel Paulista, onde morava, em São Paulo. Mas abandonei, pois não foi agradável. Depois, com oito anos, consegui meu primeiro violão e aprendi a tocar sozinho. Cresci embalado pelo ventos dos anos 80, quando a cultura brasileira passou a ocupar mais espaço na televisão e no rádio, demonstrando-se extremamente fértil e cheia de criatividade. Ouvia Roberto e Erasmo Carlos, Benito de Paula, Itamar Assumpção, Tim Maia, Cassiano, Hyldon, sempre presentes no programa Globo de Ouro da TV Globo. Todas essas estrelas inundaram minha alma e me fizeram sonhar, ao ponto de desejar estar cantando em um daqueles programas. Mas, mais perto de mim, ao lado da minha casa, havia uma família de músicos profissionais que faziam shows à noite. Como eles ensaivam na garagem, duas vezes por semana, sempre que possível, eu encostava para apreciar o repertório, pois a qualidade do som era muito boa e bem variada, com rock, samba, bolero, baião, reggae, entre outros. Aquilo chamava muito a minha atenção e tinha uma semelhança com os artistas da TV. Eu me realizava ali. 


Como era este seu contato com a música em casa? O fato de ser de uma família religiosa o permitia ter a oportunidade e também ouvir música ditas como secular ou não?

WN - Meus pais cantavam no coral da paróquia, e, em casa, viviam treinando as notas melódicas, harmônicas e as letras para apresentarem nos cultos. Também tinham hábito de ouvir rádio e vitrola, onde tocavam Altemar Dutra, Lupicínio Rodrigues, Ângela Maria, Rosa Passos, entre outros. A comunidade evangélica era aberta a outras vertentes musicais e também era possível ouvir clássicos do rock, como Led Zeppelin, Black Sabbath, Elvis Presley, entre outros, assim como os mestres da Black Music, como Marvin Gaye, Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown. Os vizinhos me emprestavam os LPs e eu ou os ouvia na minha casa ou na deles. Todas essas influências permitiram descobrir a música sem fronteira e classificação. O que importava era a qualidade e proposta da obra. 


Ao entrar no seminário você tinha pretensões em seguir de fato a carreira eclesiástica ou você já nutria o desejo de seguir carreira artística?

WN - Desde criança já sabia que seria artista. O seminário protestante, em Coronel Fabriciano (MG), foi uma oportunidade para eu ter uma formação mais sólida, uma vez que a ciência teológica abrange vários ramos do conhecimento como a História, Sociologia, Filosofia, Música, Grego, Hebraico, Latim, Psicologia, Hermenêutica, exegese, oratória, entre outras. Funcionava num regime de internato. Os estudos eram muito puxados, com uma jornada de oito horas diárias: quatro pela manhã e quatro à noite. Dediquei-me com afinco, por ter consciência do investimento de meus pais na minha formação. Durante os 12 anos no seminário, além de estudar a teoria musical, havia aulas práticas que envolviam vários instrumentos, como bateria, baixo, guitarra, cavaquinho e piano. Nos fins de semana, a escola desenvolvia um projeto que circulava pelas praças da cidade, onde fiz minhas primeiras apresentações em grupo. Quando saí do seminário, cheguei a dar aula particular de Português e Música por quase dois anos, mas logo em seguida passei a me dedicar e a sobreviver só de música, com meus shows. 


Ao longo destes anos reclusos você teve a oportunidade de vivenciar de perto alguns dos preceitos da Teologia da Libertação a partir de experiências que antecederam a sua carreira artística. Hoje algumas dessas ideias refletem-se em sua arte e ações. Você procurou trazer esses conceitos para aquilo que você faz ou foi algo que acabou surgindo de modo natural? 

WN - As vivências ligadas à Teologia da Libertação eram embaladas por profundas reflexões a respeito de nós mesmos e da realidade cultural, socioeconômica deste mundo que se tornou globalizado e neoliberal. Acredito que a vivência sem reflexão é o mesmo que a plantação sem chuva e sol. Murcha, seca e morre. 
Entendo nesse processo que para mudar o mundo seria necessário mudar nós mesmos, pois o que nos cerca é reflexo do que pensamos. O corpo segue a mente como uma sombra. Prova disso, são os projetos que ajudamos a criar, como a Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia em São Paulo), a Teoria e a Prática Musical para Adolecentes e Jovens em Medida Socioeducativa na Fundação Casa, os saraus, Poesia no Ar, Chuva de livros, Corredor Cultural Mameluco Afro Brasileiro, entre outros.


São cinco álbuns lançados e 14 anos (a serem completados em abril) de estrada caracterizados a partir de uma grande autonomia artística e industrial. Não estar vinculado as grandes indústrias fonográficas, fazendo uma carreira de modo independente com certeza tem seus altos e baixos. Que balanço você faria de sua carreira? O que você destacaria como relevante nesse período?

WN - É uma luta diária, um desafio permanente e também uma grande paixão e um imenso prazer construir e seguir por essa estrada com cinco álbuns autônomos. Dois deles com um trabalho solo: "Mameluco Afro Brasileiro" (2010) e "Soul Assim" (2013). Não estar vinculado às grandes indústrias fonográficas é uma decisão pessoal. Isso não significa que tenha algo contra ou não queira o diálogo. A questão passa pela plataforma das propostas do mercado. Se houver propostas interessantes, estou aberto a conversar. Não quero me fechar, pois seria um contrassenso. Nossa música tem que chegar ao maior número de pessoas possível. Os altos e baixos da carreira estão presentes na vida de todo artista verdadeiro, aquele que tem compromisso e está a serviço de sua arte. Obviamente em graus diferentes, dependendo do tempo de carreira e experiência. Mesmo com inúmeros recursos tecnológicos hoje, como as redes sociais, entre outros, ainda é preciso pensar na carreira artística como quem planeja a construção de uma casa, iniciando pelo alicerce até chegar ao telhado, senão não dá caldo, fica sem consistência, não se sustenta. Não me importo com o tempo, pois entendo que ele é rei e para tudo existe um tempo em baixo sol; nada acontece fora do tempo.
Fico feliz pela história escrita até aqui na música brasileira independente, amplamente exposta no Google. Foi escrita com a nossa própria mão, com muito orgulho e plena consciência de que, vivemos o presente criando futuro. 
Mas o que mais nos surpreendeu até aqui foi o resultado de downloads do quarto disco, Mameluco Afro Brasileiro, que chegou à casa de mais de um milhão de acessos, uma verdadeira façanha no atual cenário da música independente. Ao ponto de surgir um colecionador e arrematar os últimos exemplares da obra, que passou a ser vendida por R$ 50,00 cada no Mercado Livre. Esse álbum também me permitiu fazer uma longa viagem pela Europa, com vários shows e resultados extremamente positivos. 


Os seus trabalhos são caracterizados por apresentarem uma marca bastante pessoal, em “Soul assim” não é diferente, pois você assina a maioria das faixas presentes perpassando pelos mais diversos ritmos e gêneros. Como se dá esse seu processo criativo?

WN - Aprendi com o tempo que não sou eu que tenho a música e sim ela que me tem. E a partir daí tudo muda... a gente já não é mais dono de si mesmo, apenas seu servo. As letras, os poemas, as melodias, as harmonias, os ritmos e gênero nascem naturalmente de dentro de mim, como se fossem pássaros que pousam em nosso quintal, atraídos por algum tipo de alimento ou até mesmo sem um motivo muito claro. É preciso sensibilidade e intuição para entender o que a deusa música, rainha das artes, quer da gente. Sei que música não é viagem, mas compromisso com a gente mesmo e os outros. A realidade onde estamos, as leituras, os estudos, as vivências e histórias do dia a dia são o que me movimenta e inspira a criar. Sou muito observador e curioso e quero que a minha música sirva para despertar a alegria e amenizar a dor das pessoas. 


A efervescência do soul nacional se deu em especial ao final da década de 1960 e ao longo dos anos de 1970 quando vieram nomes como Cassiano, Hyldon e Tim Maia que acabaram tornando-se referência do gênero no país. Você vem de uma geração que bebeu da fonte desses nomes e hoje os representa de modo bastante substancial. Em sua opinião qual a maior dificuldade para o soul nacional voltar a ter a projeção de anos atrás?

WN - Realmente o Soul está cravado na minha origem e é a principal fonte onde fui buscar inspiração para o meu trabalho. É também filosofia e estilo de vida. A música, dentro da vertente do Samba Soul, é o nosso dia a dia, nossa vida, nosso amor e nossa paz. 
Para o gênero voltar a ter projeção à semelhança de anos atrás, considero um pouco complicado. O período do auge do Soul estava muito ligado às condições históricas vividas pelo Brasil naquela época, como o estágio de industrialização e o desenvolvimento do país, o que permitiu altos investimentos em entretenimento e diversão para a população. As novas tecnologias estavam engatinhando, mas a televisão e o rádio foram as ferramentas fundamentais para o alcance da massa trabalhadora, de certa forma, com custos baixos e pouco investimento. 
Atualmente as coisas são totalmente diferentes. O surgimento da internet e da cultura digital mudou tudo. Hoje é possível fazer um disco inteiro em casa, em um home estúdio, obviamente não se discute qualidade. As redes sociais são extremamente fortes na expansão da comunicação e o mundo parece que ficou pequeno. O Facebook, por exemplo, tem muita influência, mas é necessário pagar pelo serviço de expansão da informação nessa rede. Fora isso, há os famosos jabás, verba destinada à veiculação em rádios e tvs das músicas, e outros meios se proliferam alimentados pelo capital. Mesmo assim, entendo que o gênero pode ainda ganhar destaque e ocupar os grandes veículos de comunicação, partindo do pressuposto do investimento e da vontade política das elites. Mesmo que haja todas possibilidades aparentes, ainda é necessário muito trabalho de convencimento e negociação com o mercado. Isso não quer dizer que não seja possível construir esse novo momento, tanto que estou trabalhando firmemente para que isto ocorra. . .


Você faz um trabalho bastante relevante através do Corredor Cultural Mameluco Afro Brasileiro, mostrando que a arte é uma grande aliada às causas sociais. Você poderia contar um pouco como funciona este projeto? 

WN - Não conseguimos imaginar um artista que não seja cidadão, que consiga compactuar com a mediocridade e não olhe à sua volta com uma visão holística, integral e profundo amor ao próximo.
O Corredor Mameluco Afro Brasileiro é uma iniciativa social catalizadora das linguagens da arte, abrangendo o cinema, a música, o teatro, o grafite, as artes plásticas, a literatura, a poesia, o áudio visual, a dança. O papel desse projeto é promover a articulação, mobilizar e realizar ações que permitam as manifestações expressivas de cada tipo de arte na periferia e no centro, por seus próprios protagonistas. Trata-se de um evento com uma programação, que estende-se das 10hs às 22hs, com horários prefixados e destinados a cada linguagem, que tem seu espaço de manifestação reservado. O encerramento dessa agenda de atividades consiste num grande show, com nomes da música brasileira conhecidos ou não e participações especias de variados artistas.


Você busca para suas letras e canções expressar um pouco daquilo o que é a periferia, realidade esta que está aquém daquilo que muitas vezes o que detém o capital determina como relevante. Você acredita que esse tipo de engajamento acaba por muitas vezes estigmatizando de modo depreciativo o tipo de arte que você faz também?

WN - Nosso trabalho é holístico, integral, está além da periferia e do centro. Na periferia ou no centro, as pessoas sentem angústia, dor, fome, sede, medo do futuro, tristeza e outros sentimentos e necessidades. Trabalhamos com o gênero humano da periferia ou do centro. Todos eles têm um coração que bate e busca a felicidade. Os termos centro e periferia estão muito deturpados pela atual visão sociológica, sobrecarregada de superficialidade e preconceitos. A palavra periferia virou termo vulgar para indicar a moradia de pobres, pretos, bandidos, assassinos, o marginal. Deixou de ser o perímetro da linguagem geográfica e ganhou o estigma da pobreza. Hoje a periferia virou centro e o centro virou periferia em grandes metrópoles. Em São Paulo, por exemplo, o centro fica extremamente vazio nos fins de semana. A periferia ferve com bailes, festas, eventos, tornando-se um grande chamariz. Para resgatar a origem da palavra periferia e carregá-la de um novo significado, dizemos que tudo que produzimos não está no centro, mas, sim, é o centro. Tudo que não produzimos não está na periferia e, sim, é a periferia.
Este tipo de 'engajamento' pode até se tornar estigmatizado dependendo do olhar do observador. Se o olhar só quer ver a ilusória aparência e não consegue ir além, certamente não terá como ter uma visão clara da realidade e, consequentemente, terá uma falsa impressão depreciativa.
A arte que desenvolvemos é a mesma que brota em qualquer lugar, desde que haja sensibilidade e percepção. Como o sol nasce e a chuva cai para todos, assim é a arte. A arte em si não sofre nenhum tipo depreciação. É imune aos nossos conceitos. A música, rainha das artes, tira o indivíduo do lugar-comum. Quem tem contato com ela, jamais será o mesmo.


O que podemos esperar de Wesley Nóog para este ano de 2014?

WN - Ao longo de 2014, temos muito trabalho pela frente na divulgação do nosso novo álbum SOUL ASSIM em shows, na Imprensa e na IV Semana do Meio Ambiente da USP em setembro. O Corredor Cultural Mameluco Afro Brasileiro também desenvolverá ações na capital paulista e vai cumprir uma agenda pelas cidades do interior do Estado. Enfim, serão muitas ações, que é o que gostamos de fazer.


Maiores Informações:

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Onde encontrar o álbum:

Taiyo Record (Tokio - Japan)

Hipermercado Baronesa (Pouso Alegre - MG) - Tel: 35 3449-1711

Ná Figueredo - Estação (PA - Belém) - Tel: 91 3225-0908

Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42138330


Álbum Online:

Itunes - https://itunes.apple.com/us/album/soul-assim/id688078224

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MAESTRO DUDA RECLAMA DA FALTA DE CONVITES PARA SE APRESENTAR

Por Camila Souza


Já faz tempo que o arranjador e compositor José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, abandonou o convívio diário com os instrumentos. “Já não dá mais vontade. São tantas as injustiças com a nossa cultura”, confessa. A maior delas, com o frevo, acredita o músico. “O formato do carnaval restringiu as grandes orquestras do gênero aos palcos. Saímos das ruas. Nos afastamos do público. E tocar durante o ano é ainda mais difícil. Depois de fevereiro, me apresentei uma única vez no Recife em 2013”, revela. Em 2014, ele fará apenas dois show durante o carnaval: no domingo, na Lagoa do Araçá, e na terça, no Ibura, além de reger uma música do orquestrão, no encerramento, no Marco Zero.

Na contramão da agenda, Duda conserva a mente criativa em ritmo frenético, ao lado da mulher, dona Mida, “a razão de tudo”. Há pouco, fez o arranjo de um frevo-canção inédito de Alceu Valença, Beija-flor apaixonado, gravado em dueto com Fafá de Belém. 
Desenhou a versão de Qui nem jiló, gravada por Zeca Pagodinho no CD Minha metade, de Maciel Melo. “Eu ainda tenho muito gás”, garante. Os 78 anos recém-completados em dezembro - deles, 70 foram dedicados à música - trazem na bagagem prêmios e incursões em gêneros variados. Compôs choros gravados por Severino Araújo e sambas cantados por Jamelão, além de musicar peças de teatros, como Um americano no Recife, dirigida por Graça Melo. 

O frevo veio como uma vocação. “Estava no meu sangue”, acredita. Ainda menino, em Goiana, Duda tomou gosto pela música. O pai, Lídio Pereira da Silva, era baterista da Banda Saboeira, uma das mais antigas em atividade no mundo. De tanto ouvi-lo, traçou passos parecidos. Aos oito anos, escolheu o sax horn para dominar. “Era o instrumento mais fácil. Eu queria tocar de qualquer jeito.” Aos 12, escreveu o primeiro frevo, Furacão. “Por incrível que pareça, não consigo lembrar dele. Já tentei encontrá-lo, mas nada. Só me recordo de tê-lo chamado assim porque era o nome de um filme em cartaz no Cine Polytheama na época”, conta. 

Três anos depois, já no Recife, o maestro ingressou na Jazz Band Acadêmica. A partir daí, foi uma escalada de sucessos. Tocou nas orquestras das rádios Tamandaré e Jornal do Commercio, até conseguir uma vaga na Sinfônica do Recife. Precisou aprender oboé e corne inglês durante aulas na Universidade Federal de Pernambuco. 

“Foi quando eu amadureci o dom. Até então, eu era um autodidata, curioso. Depois da OSR, passei a ver a música com outros olhos”, conta. Em pouco tempo, Duda se tornou arranjador da orquestra. E, mais tarde, um dos maiores de todos os tempos no que diz respeito ao frevo.

Há mais de 30 anos, o músico esteve envolvido, ao lado de Carlos Fernando, no projeto que revolucionou o gênero, o Asas da América. Muitas das músicas nascidas tinham seu dedo. “Nós mudamos a história do frevo. Demos uma outra roupagem. E é ela que está nas ruas até hoje. Não houve qualquer renovação. E não é por que não surgiram novas músicas. É porque não existe divulgação”. Ele recorda uma canção de Dudu do Acordeom, Baile celestial, cujo arranjo assina. “A faixa foi uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade (em 2013). No entanto, dificilmente, ‘você’ ouvirá. As rádios não tocam. Assim é impossível renovar”, arremata. 


Depoimentos

Considero Maestro Duda um gênio. É uma das pessoas responsáveis por manter viva a alma de um povo. Possivelmente, neste segundo semestre, lançaremos o filme Sete corações, com direção de Andrea Ferraz. E Duda é um desses corações. Para mim, ele tem o poder de fazer uma coisa bela, emocionante e simples. Ele tem esse poder. Sou fã incondicional. Sempre que possível, eu o plagio
- Spok

Maestro Duda é um dos maiores nomes do frevo. É extremamente competente. Desde que comecei a pesquisar e compor frevo, tomei nota de vários artistas. O nome dele é um dos primeiros. Ele é referência para todo mundo. Tive a sorte de tê-lo como arranjador da música Baile celestial, o que contribuiu para a música ser uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade
- Dudu do Acordeom 

É uma das referências vivas que ainda temos no nosso carnaval. Precisamos valorizá-lo não somente pelo que ele fez no passado, mas pelo que ele continua fazendo até hoje pelo frevo. Além de ser um megamaestro, é uma pessoa de coração generoso. Nunca fez a música pernambucana para si. Ele, acima de tudo, quis mostrar seus passos e sua arte. Só somou para a gente
- Almir Rouche 


Patrimônio vivo

Em 2010, o Maestro Duda foi agraciado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Desde então, recebe uma bolsa vitalícia no valor de R$ 1021,72. Como tem feito poucas apresentações, o auxílio governamental é a principal fonte de renda do músico, além de uma aposentadoria de R$ 724.

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