PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

GUTO GOFFI E UM BANDO PRA LÁ DE MUSICAL

Baterista do Barão Vermelho apresenta álbum que traz inédita de Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

BELEZA, VOZ, VIOLÕES E TALENTO

Em seu primeiro disco, a cantora e instrumentista carioca Alice Passos apresenta uma verdadeira antologia ao violão brasileiro.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

OS CICLOS DA VIDA A PARTIR DO SUAVE CANTO DE CLARISSA MOMBELLI

Trazendo uma sonoridade de forte levada folk para as canções que apresenta, a cantora gaúcha Clarissa Mombelli apresenta seu álbum de estreia intitulado "Volta no tempo", um trabalho que vem ganhando destaque em países como Espanha e Inglaterra.

Por Bruno Negromonte


O rock ao longo dos anos foi agregando os mais variados estigmas, onde muito deles acabaram fincando profundas raízes no imaginário popular de forma depreciativa. De início, nos anos 50, muito se dizia que o recém gênero musical, além de ser um atentado à moral e aos bons costumes também era (considerado por muitos) um ritmo estranho. Vale trazer à tona o fato de que ao longo dos anos o rock foi ganhando algumas variações interessantes, talvez por ter sido criado a partir de uma conjuntura abrangente o suficiente para ter sofrido influência da música das mais diversas fontes americanas. Quando em 1956 no filme "Rock, Rock, Rock", Alan Freed interpreta a si mesmo e diz ao público que "Rock and roll é um rio musical que tem absorvido muitos riachos: rhythm and blues, jazz, ragtime, canções de cowboy, canções country e música folk. Todos contribuíram para o big beat." não deixa de ser verdade. O fato que se faz inegável e é plenamente perceptível é que esse ritmo de fato se faz contagiante o suficiente que inebria aqueles que se deixam envolver com seus som. E é envolta por tudo o que foi aprimorado ao longo de todos esses anos que passaram-se (até desaguar no rock atual) que a cantora e compositora gaúcha Clarissa Mombelli chega nos presenteando com um álbum que traz um pouco daquilo que a estruturou musicalmente a partir de uma junção equilibradamente perfeita entre o rock, o folk, a mpb e o pop que ela se deixou arroubar em medidas equilibradamente corretas para resultar em "Volta no tempo", trabalho que se debruça sobre todas essas influências a partir das composições de Clarissa e alguns parceiros.


Natural de Tapera, cidade que fica a 278km da capital Porto Alegre, esta gaúcha (que deixa a sua beleza física extrapolar-se e transparecer-se a partir de seu canto) desde a infância demostrava as suas habilidades artísticas a partir de apresentações para os que faziam parte de seu contexto familiar. Muitas foram as vezes em que a pequena Clarissa apresentou para os pais o repertório aprendido através das ondas do rádio. Esse início foi o pontapé necessário para que a cantora (que toca violão desde os 10 anos) continuasse com o desejo, mesmo que inerte, de envolver-se com o mundo musical. A mudança para a capital por volta dos 17 anos (tendo por objetivo primordial dar continuidade aos estudos) acabou dando-lhe uma chance que ela não poderia deixar passar; e de maneira oportuna, desenvolveu um contexto bem mais abrangente a sua carreira artística a partir de novos horizonte e pessoas que começaram a fazer parte do seu ciclo de amizade na capital gaúcha.

Seu início musical em Porto Alegre se deu em consonância com os estudos, talvez em uma proporção quase que semelhante, vertendo-se um pouco mais para a música com o passar dos anos. E dando ênfase ao rock, iniciou sua carreira artística a partir do momento em que resolveu transformar-se em intérprete nas noites gaúchas. Porém, o seu interesse pela música se transfundia plenamente em corpo, alma e coração; e isso fazia com que a carreira de intérprete a limitasse naquilo que tanto almejava: compor suas próprias melodias e versos.

É bom ressaltar que a escrita é algo que faz parte da vida da jovem gaúcha, e como força do hábito de estar sempre escrevendo (provavelmente por influência do pai, que é poeta) Clarissa talvez trouxesse essa necessidade vital em realizar esse desejo de entregar-se ao mundo da música de maneira plena em consonância com versos e notas musicais. Assim sendo, Mombelli deu início a elaboração de suas primeiras letras e canções; e ao longo deste processo "tirano"(como disse Gilberto Gil certa vez) procurou maturar algumas ideias a partir de suas referências artísticas e também de suas experiências vividas (como a banda Mutânticos); o resultado disto tudo acabou eclodindo nas músicas que compõem esse primeiro registro fonográfico da artista.

"Volta no tempo" é composto por nove canções autorais e que traz em sua essência letras sobre as indagações, pensamentos e tudo aquilo que compõe e norteia o comportamento e o cotidiano humano. O ciclo vital ao qual todo ser humano está inserido também está presente neste trabalho (que talvez de forma intencional nos apresenta um linha cronológica interessante a partir de suas letras e canções). A primeira faixa do álbum nos remete a essa afirmação anterior, a canção intitulada "hoje" (composição da própria Clarissa) nos suscita a reflexão de maneira sintética e análoga as fases existentes em nossas vidas e ao mesmo tempo nos traz à consciência de que ao término de vida não somos nada. No primeiro momento Mombelli nos mostra a onipotência quando se diz ouro, em um momento posterior já caminhando para a conscientização de que todos nós naturalmente seremos decrépitos se acha prata e por fim, consciente de sua condição e dos ciclos da vida se vê que "não passa de uma simples mortal que nem sequer é metal", como diz a letra.



A segunda canção é a faixa que batiza o álbum e que vem sendo trabalhada a partir da execução nas rádios e programas de tv a partir do video clipe sob direção e edição do Amigo Lagarto , figurino da Casa de Tolerância, produção de moda e make da Vandressa Pretto, assistente de produção de Eduardo Dolzan, direção de fotografia da Luise Bresolin e contando com a participação especial da Julia Rosa. "Volta no tempo" é uma balada comercialmente perfeita e com um diferencial: sua letra tem conteúdo e tal cerne aborda de maneira inteligente um tempo em que a fase adulta parece distante em chegar, mas que chega trazendo consigo a maturidade inerente as responsabilidades de uma nova fase da vida.

O álbum segue com "Mesmo Lugar" (canção composta por Mombelli e que retrata a morte de maneira singela e de uma subjetividade interessante), "Diga alguma coisa" (composição em parceria com o saudoso Roberto Borowski que tem como tema todas as incertezas, angustias e afins existentes nas relações amorosas), "Porque eu não sei mais dizer que não" (parceria com Eduardo Dolzan e que traz como cerne de sua letra a necessidade da constante renovação nos vários aspectos de nossa vida) e “Recomeço” (mais uma composição da lavra da artista), canção que nos remete saudosamente a infância procurando trazer também a evidência de que na vida há a possibilidade de recomeçar de uma forma diferente e bem melhor determinados momentos, como é possível perceber-se a partir de trechos como: "Mas se nessa vida eu pouco me dei, lamento e retorno....".

Na trinca de canções que encerram o álbum temos três canções compostas por Clarissa, são elas: "Nada mais importa", "Seus olhos" e "Nascer de novo". A primeira traz a saudade como tema norteador em uma uma crônica singela; em seguida vem "Seus Olhos" que recorre as relações afetivas novamente a partir de lembranças, a letra retrata os inesquecíveis olhos do amado como porto seguro, refúgio. De certo, um olhar que mesmo tendo a reciprocidade da amada não o corresponde mais. E por fim a canção "Nascer de novo", que retrata a morte de maneira irreligiosa, julgando-a como o renascimento da espécie humana como se pode observar em um dos trechos da canção: "mas se a morte é mudança, eu não tenho medo de nascer de novo...". A produção do álbum ficou a cargo de Eduardo Dolzan (que também toca bateria e baixo). Os demais músicos que dão a sonoridade do trabalho são Diogo Gomes (percussão), Luciano Leães (piano e escaleta) e Maurício Chaise (violão e guitarra), além das participações dos baixistas Márcio André e Cauê Reali.

E é desta forma, passeando entre acordes de guitarra, violões e pianos em ritmos como folk, pop, música brasileira, rock e outros gêneros que foram integrando-se ao contexto musical ao qual a artista está inserida (além de letras claras e objetivas) que Clarissa Mombelli vem se destacando no cenário musical gaúcho e aos poucos vem ganhando notoriedade e projeção em alguns dos principais espaços midiáticos do Brasil, onde esse destaque nada mais é do que o reconhecimento de um trabalho que com certeza atende a singela proposta almejada por ela quando compôs as faixas e lançou "Volta no tempo": trazer ao público ouvinte a mesma sensação de calma e otimismo que a compositora consegue para si quando compõe.

Nos resta apenas sorver essa preciosidade!


Maiores informações:

Contato para shows: (51) 30137914 / (51) 96381200

O cd pode ser encontrado na livraria cultura:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5097262&sid=8759113341310199509519667

SEM LERO-LERO, LUÍSA MAITA MOSTRA PARA O QUE VEM

Artista revelação do ano no 22° Prêmio da Música Brasileira, Luísa faz-se excelente cronista em seu álbum de estreia a partir de letras e canções que retratam um universo suburbano e personagens peculiares ao qual tais faixas nos remetem a uma miscelânea de ritmos.

Por Bruno Negromonte


Nascido em 1948, o multifacetado Amado Maita partiu precocemente um junho de 2005 deixando como legado um único registro fonográfico (título que leva seu nome e que hoje é um álbum reverenciado por todos os que admiram a icônica e boa música brasileira feita nos idos anos 70) e uma carta na manga que conheceríamos com projeção nacional (musicalmente falando) só depois de alguns anos após a sua prematura partida. Filha de Amado com Myriam Taubkin (que além de produtora cultural também é irmã do pianista Benjamin e Daniel Taubkin que além de tios são referências para a artista), a cantora e compositora Luísa Maita cresceu entre bairros de diferentes realidades sociais em um perene contexto musical de qualidade que envolvia tanto o samba jazz ouvido pelo pai como também artistas como Moacir Santos, Naná Vasconcelos, Paulinho da Viola, Sizão Machado entre outros. Esse panorama proporcionado pela música, somado as influências árabes trazidas pela descendência do pai (e por que não a influência também do padrinho Falcão) trouxe à artista respaldo mais que suficiente para abordar o cotidiano dos diversos personagens presentes em sua música. Geralmente são tipos suburbanos inspirados e subtraídos de sua vivência principalmente na periferia paulistana retratados em uma ótica musical bastante peculiar. Isso a fez ser gravada por nomes como Virgínia Rosa e Mariana Ayda (que teve a interpretação de uma das composições de Luísa eleita uma das melhores músicas de 2009 pela revista Rolling Stone Brasil).

Luísa Maita é assim. É na espontaneidade em lhe dar com a canção e com o cotidiano suburbano que a faz uma compositora inovadora, alcançando aquilo aquilo que busca, "o máximo de expressão com um mínimo de afetação", como costuma dizer. O seu som é de uma contemporaneidade bastante interessante, fazendo com que sua música passe por longe de qualquer rótulo. Busca nessa sonoridade um megacosmopolitismo musical diferente, onde consegue em uma miscelânea única abranger os diversos segmentos sonoros que exerceram influências em seu som sem necessariamente prender-se a nenhum. E nesse caldeirão cultural traz ao público ouvinte uma forma distinta de avaliar a música feita pela nova geração da MPB. É um retalho de ritmos formado a partir da sensibilidade extremamente aguçada de Luísa Maita, que soube muito bem discernir aquilo que se fazia necessário para a sua música a partir de uma tenuidade peculiar entre os diversos ritmos brasileiros.



Já as suas letras são verdadeiras crônicas que descrevem, a partir de uma ótica bastante particular, personagens e lugares que talvez extrapolem o simples "insight" criativo e sejam cenário de sua própria biografia, onde toda poesia e musicalidade absorvidas de Higienópolis à Bexiga (e em outros ambientes tão contrastante quanto estes) agora são externadas a partir de sua arte.

De forma incólume, a qualidade preenche todo este trabalho de estreia apresentado pela artista que passeia segura entre às raízes musicais brasileira e a modernidade sonora em uma miscelânea de influências, que vai desde os grandes nomes da música pop mundial a artistas menos expressivos. Talvez por isso "Lero-lero" seja motivo de tantos elogios e Luísa seja hoje vista como uma das grandes revelações musicais nacionais; tanto que participou da gravação dos clipes apresentados em Copenhague pela delegação brasileira para a Olimpíada de 2016 com as canções "Cidade Maravilhosa" e "Aquele Abraço".

No álbum a artista extravasa criatividade em tipos comuns, como é o caso de faixas como "Fulaninha" e "Aí vem ele..." (composições da própria Luísa), que são duas canções de conotação romântica, a primeira retrata os nuances de um esperançoso amor suburbano, onde a coragem se faz presente dando sentido ao enredo da canção. Já a segunda aborda o amor a partir de características como ansiedade e insegurança (algo comum se analisarmos alguns flertes).

O álbum segue com "Desencabulada" (Luis Felipe Gama e Rodrigo Campos), que retrata uma típica garota suburbana de corpo escultural e que adora ir dançar no baile funk com trajes tipicamente sensuais e "Maria e Moleque" (Rodrigo Campos) que me remeteu ao saudoso Sérgio Porto e as crônicas de seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. Rodrigo apresenta nesta canção uma crônica digna de qualquer folhetim quando aborda a história de dois personagens aparentemente distintos (a distinta senhora do asfalto e um traficante do morro) que se cruzam e acabam vivendo uma relação de amor, medo e sexo em um opala de vidro fumê. A história é repleta de minuciosos detalhes descritos na letra da canção.



"Mire e veja" é outra canção da lavra de Rodrigo Campos em parceria com um dos antigos parceiros da Urbanda, o compositor violonista e produtor Morris Picciotto. Há ainda canções como a faixa título "Lero-lero" (Luísa Maita), samba que chega a nos remeter ao magnífico legado fonográfico deixado por seu pai. Quem escuta esta composição percebe entre as batidas eletrônicas que entornam o álbum remanescências daquilo de melhor que Amado lançou em 1972. Dentre as outras faixas há "Anunciou" (Luísa Maita), que vestida de uma sonoridade moderna traz para o gostoso e cadenciado ritmo da capoeira uma nova roupagem e "Um vento bom" (Luísa Maita), que traz a boa nova do amor em uma leve brisa para mostrar que sempre é possível começar uma nova vida.

A trinca de canções que faltam ser apresentadas são de autoria da própria cantora. A primeira é "Alento", que retrata o cotidiano de alguém que desde o início do dia já procura mostrar o vigor que a vida exige em todos os âmbitos. É como diz o um trecho do refrão: "É, eu tô na vida é pra virar, que a felicidade vem, eu tô sonhando mais além". Uma canção extremamente motivacional.
"Alívio" traz como tema questionamentos vividos por quase todo mundo. Quem nunca viveu ou sentiu sensações indescritíveis e viveu situações inesquecíveis na vida, coisas do tipo "sentir um samba de Candeia" ou "sonhar ao ver um céu cheio de estrela" são algumas desses momentos descritos por Maita; e pra encerrar vem a bossa "Amor e Paz", mais uma canção que trata das relações amorosas. Nessa interpretação Luísa quase que sussurra a letra de uma maneira tendenciosamente sensual e dolente.

O trabalho foi gravado nos Estúdios Outra Imagem e Wah- Wah por Paulo Lepetit (que assina também a produção). Como co-produtores vêm Rodrigo Campos e a própria Luísa (com exceção de "Amor e paz", produzida por Swami Jr.). O projeto gráfico é assinado por Teresa Maita e dentre os músicos presentes no álbum há nomes como Swami Jr. (violão), Kuki Storlarski (bateria), Paulo Lepetit (baixo e beats eletrônicos), Rodrigo Campos (violão, cavaquinho, repique de mão, surdo e tamborim), Théo da Cuíca (cuíca), Siba (rabeca),Sérdio Reze (bateria e tamborim), Jorge Neguinho (cuíca) e Fabio Tagliaferri (viola) que dão essa sonoridade eletroacústica ao resultado final (percebe-se as influências ora pop e eletrônica contemporânea, ora as raízes de nossa mpb em uma sincronia perfeita).



E assim, sem lero-lero, consistentemente Luísa Maita vem alçando vôos cada mais seguros e distantes dentro da atual conjuntura musical mundial. De futuro promissor e destaque dentro do nosso cenário artístico (prova disto está no burburinho que seu nome causa na imprensa especializada) a cantora lançou esse caleidoscópio rítmico chamado "Lero-Lero" não só no Brasil pelo selo Oi Música, mas também em todo o mundo pela Cumbancha/Putumayo. Vale salientar que em uma de suas passagens pelos EUA, além das críticas positivas de jornais como The New York Times, The Washington Post e Boston Globe; programas de TV também destacaram o seu trabalho, dentre os quais o “All Things Considered” da NPR que disse que Luísa é a "Nova Voz do Brasil" e afirmou que "se continuar fazendo discos como este, pode muito bem estar no caminho para o estrelato internacional". Só nos resta acreditar e colocar bastante fé nesta premissa norte-americana.



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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

RONEY GIAH - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Formado pelo Musicians Institute of Technology, em Los Angeles (EUA) e também em engenharia de som pelo IAV de São Paulo, o músico vem em uma constante busca por um domínio completo de suas produções fonográficas. E esse domínio total em suas obras o tem dado resultados bastante significativos no mercado internacional.

Por Bruno Negromonte



Por ter estudado e sorvido diversos ensinamentos de grandes instrumentistas norte-americanos, Giah iniciou sua carreira fonográfica no Brasil a partir de uma base essencialmente instrumental. Em um segundo momento de sua carreira musical resolve abranger o canto em seus trabalhos, assina contrato com uma gravadora inglesa e sente a necessidade de ter um domínio maior sobre a sua obra, e para isso forma-se em engenharia de som.
Essas e outras histórias de sua biografia foram publicadas em nosso espaço recentemente na matéria RONEY GIAH E PERSEPTOM BANDA VOCAL VÊM COM CO'AS GOELA E TUDO! (http://musicariabrasil.blogspot.com/2011/09/roney-giah-e-perseptom-banda-vocal-vem.html).

Hoje com uma vasta quantidade de prêmios internacionais em seu curriculum, sucesso absoluto nas "college radios" norte-americanas e na estrada com a divulgação do álbum solo "Queimando a moleira" (trabalho que teve Menção Honrosa do Billboard World Song Contest) e do álbum feito à capella com o grupo vocal Perseptom Banda Vocal intitulado "Co’as goela e tudo" Roney (mesmo em período de gravação do novo trabalho) atenciosamente Giah nos concedeu essa pequena entrevista exclusiva para o público do Musicaria Brasil onde fala, dentre outras coisas, sobre os trabalhos que estão por vir em breve e o sucesso internacional de sua carreira como vocês podem conferir abaixo!


Segundo informações, sua família sempre foi fascinada por música e você cresceu nesse contexto musical. O que você costumava ouvir quando criança?

Roney Giah - Escutar música fazia parte do cotidiano da minha família – mais do que assistir tevê ou qualquer outra coisa. Havia um momento destinado a isso. Uma pausa para sentar no sofá e escutar os discos. Ouvia Pixinguinha, Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso, Michael Jackson, Beatles, Cat Stevens, Gilberto Gil, Clara Nunes, Ray Charles, Rod Stewart, Tom Jobim, Elvis Presley, Elton John, Mozart, B.B. King, Villa Lobos, Vinícius de Moraes, MPB4 e muitos outros. Os meus pais têm, de fato, um gosto musical muito apurado.


O que você traz de válido hoje em seu trabalho de sua experiência com as bandas “Moscou Capitalista” e a “Quelidon”?

RG -
Moscou Capitalista foi a terceira banda na minha vida e, no entanto, foi a primeira na qual o sonho da música era forte em todos os integrantes. Ali aprendi que a música que tem em si o propósito de transformar e inspirar; não acontece sem amor, sem uma amizade incrível e sem a habilidade de conviver e compreender. As amizades do Moscou e do Quelidon eu trago comigo até hoje e isso é um privilégio enorme.



Você acha que ter passado pela Musicians Institute of Technology, em Los Angeles (EUA), o ajudou a ter o reconhecimento e as portas abertas para a sua música no exterior como é hoje em dia?

RG - Sou muito grato ao Musicians Institute of Technology e a tudo o que aprendi por lá. Todo aquele aprendizado contribuiu para me tornar o músico que sou hoje. Porém, acredito que o reconhecimento real venha por meio de trabalho e de dedicação constantes durante muitos anos. Quando, ao longo dos anos, a sua reputação abrange – além das qualidades musicais – a pontualidade, a dedicação à banda ou artista que você está tocando, o convívio fácil com as pessoas e o desempenho sob pressão, nessa hora as portas começam a se abrir. O mercado abre as portas quando sente segurança tanto na musicalidade como na personalidade do artista.


Você também é formado em Engenharia de Som e produziu seu primeiro álbum “Semente” antes do curso; depois do término do mesmo, continuou produzindo seus trabalhos posteriores. A aquisição deste conhecimento foi algo objetivando um domínio maior de seu próprio trabalho?

RG - Sim. Sofri muito na produção do “Semente”. A falta de conhecimento em Engenharia de Som fazia com que eu demorasse para alcançar o resultado que tinha em mente. A negociação com o técnico de mixagem e de captação também era difícil. Percebi, então, que o conhecimento em Engenharia de Som era tão importante quanto o meu conhecimento em arranjo, em composição ou no meu instrumento. Aquilo me permitiria alcançar uma liberdade ainda maior no meu trabalho.


Mesmo com todo o reconhecimento internacional que o cerca, você esperava conquistar no ano passado a Menção Honrosa do Billboard World Song Contest (2010), prêmio este concedido por uma das maiores (se não a maior) revista especializadas em música do mundo?

RG - Não esperava. Prêmio a gente não espera, acontece e é muito bom. Traz aquela sensação que a nossa intuição estava certa; que aquele trabalho tem algum significado maior, além do pessoal.



Você vem de uma formação essencialmente instrumental nos primeiros anos de carreira e de repente se viu em um trabalho totalmente autoral à capella. Era um desejo antigo o projeto “Co'as Goela e Tudo”?

RG - Eu não tinha esse desejo. Adorava bandas como o Take 6 e MBP4, mas nunca cogitei gravar nenhum trabalho do gênero.
Foi espontâneo – conheci a Perspetom Banda Vocal e eles pediram uma música minha para fazerem um arranjo vocal. Mandei e um ano depois eles enviaram uma gravação com o arranjo. Adorei e sugeri que fizéssemos um CD inteiro assim. Achei que seria divertido e irônico; que teria um tom provocador gravar um CD a capella, uma vez que comecei a carreira com um trabalho instrumental.


Festivais como “Festival de Música Instrumental de Olinda” (MIMO) que aconteceu recentemente com um público estimado em cerca de 120 mil pessoas tem mostrado que a música instrumental (apesar de ser cerceado nos grandes espaços midiáticos), tem um público relevante. Como você essa “desvalorização” da música instrumental no Brasil?

RG - É natural que isso aconteça no Brasil. Somos em 134 milhões de analfabetos – usando a medida real de interpretação de texto e não a farsa chamada de analfabeto funcional – e a minoria alfabetizada não sabe música, pois não temos música como cadeira obrigatória nas escolas. É um problema político-cultural que vai demorar para ser resolvido. No entanto, somos um povo naturalmente musical que mesmo com essas dificuldades consegue preservar redutos de maravilhas culturais. No dia que percebermos a riqueza que teríamos caso sanássemos esse problema, a coisa vai andar. Poderíamos nos igualar a indústria musical norte-americana, que hoje gira em torno de US$ 3 bilhões por ano.


“Queimando a moleira” é outro projeto que você vem divulgando e, segundo informações, em breve sairá o DVD do espetáculo gravado no MASP na época do lançamento do disco. Há previsão de quando sairá esse registro?

RG - Começamos 2011, mixando e editando este DVD gravado no Museu de Arte de São Paulo (MASP), mas a notícia de que o meu trabalho estava despontando nas college rádios, nos Estados Unidos, foi uma surpresa inesperada que acabou mudando um pouco a ordem dos planos. As rádios começaram a pedir novas canções e decidi antecipar o projeto – que originalmente seria gravado em 2012 – de um CD inteiro em inglês. Se tudo correr bem, o DVD fica para o fim do ano que vem, logo após esse trabalho em inglês.


Como tem sido a conciliação das agendas do projeto “Co´as Goela e Tudo” e do seu álbum solo “Queimando a moleira”?

RG - No quesito show tem sido desastrosa...rs
Tanto eu quanto a Perseptom temos agendas cheias. Fizemos SESC Vila Mariana, alguns meses atrás, e ainda estamos namorando novas datas, mas a dificuldade é grande em conciliar as agendas.


Como anda o seu próximo projeto referente ao álbum inteiramente em inglês?

RG - Ando me divertindo muito com ele. Criamos um formato diferente; o CD será dividido em 14 faixas que serão lançadas em sete volumes de duas faixas cada. Lançaremos um volume a cada dois meses e no final lançaremos a coletânea completa. Terminamos as duas primeiras faixas essa semana – semana que fazemos as fotos da capa. O lançamento será primeiro nos Estados Unidos, nas college radios que já tocam meu trabalho. O desafio de cada faixa é ter um potencial radiofônico; isso é um grande xadrez, mas estou feliz com o resultado. O melhor trabalho é de fato sempre o próximo.


RONEY GIAH . PRÊMIOS & CARREIRA INTERNACIONAL

Álbuns
 Semente (1998)
 Mais Dias na Terra (2006)
 Yesterday´s tomorrow (2008)
 Queimando a Moleira (2010)
 Co´as goela e tudo (2011)

DVD
 Uma tarde onde nasci (2006)

Premiações e indicações
 Disputou o Prêmio Sharp 1998
 Disputou o Prêmio Visa 1998 (edição instrumental)
 Segundo lugar no Festival Berklee/Souza Lima (São Paulo)
 Latin Grammy (pré-selecionado, edição 2006)
 Prêmio TIM (pré-selecionado, edição 2006)
 Indicado ao The Musicoz Award 2010 (categoria Best International Artist)
 Menção Honrosa do Mike Pinder´s Songwars (2010)
 Menção Honrosa do Billboard World Song Contest (2010)
 Menção Honrosa do The John Lennon Songwriting Contest (2008) – curadoria de Yoko Ono
 Segundo lugar Best World/Folk album of the year (CARAs 2011 - Contemporary A Cappella Recording Awards).
 ”CD do ano” – Prêmio Caiubí 2011

Especiais
 Trilha sonora do filme norte-americano No pain, no gain (2008)
 Gravadora inglesa ASTRANOVA Records lança o CD Yesterday´s tomorrow (2008)
 Música Argila é relançada no disco Pearl Brazilian Team 3 (1998)
 Integra o portfólio do Jingle Punks, e-business musical (2009)
 Entra na programação de 150 college rádios nos Estados Unidos e alcança o TOP 30 duas vezes (2011)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

NELSON CAVAQUINHO, 100 ANOS

Nelson Antonio da Silva, uma das maiores referências do samba brasileiro, se vivo completaria um século de existência ao longo deste mês de outubro.

Primeiros tempos



Nelson Cavaquinho nasceu Nelson Antonio da Silva, em 1911, na praça da Bandeira, no Rio de Janeiro. Sua mãe, Maria Paula, era paraguaia e índia. O pai, Brás Antonio, tocava tuba da banda da Polícia Militar; um tio adotivo era violinista. Ainda menino, Nelson construiu um brinquedo feito com uma caixa de charutos com barbantes esticados e amarrados em pregos, simulando um cavaquinho.

A família vivia se mudando, com dificuldades para pagar aluguel. Quando Nelson tinha oito anos, passaram a residir numa casa ao pé do morro de Santa Tereza, onde ficava o convento das irmãs carmelitas. A mãe arranjou um emprego de lavadeira no convento, e Nelson passou a frequentar, com gosto, as aulas de catecismo das freiras. A ideologia cristã iria influenciá-lo por toda a vida e em muitas canções, inclusive a sua preferida: "Caridade".

O futuro sambista só estudou até o terceiro ano primário. Teve então que começar a trabalhar como operário numa fábrica de tecidos. Não demorou nesse emprego, como em muitos outros que arranjou ao longo da vida.

Nelson se torna um chorão



Quando Nelson Cavaquinho fez dezoito anos, sua família se mudou para a Gávea, na zona Sul do Rio, naquela época um bairro habitado por operários e amantes da música. Nelson começou a se envolver com os grupos de choro, vindo logo a escolher o cavaquinho para tocar (foi quando ganhou o apelido que o acompanharia para sempre). Tomava o instrumento emprestado dos amigos, já que não tinha dinheiro para comprar um.

Aprendeu-o rápido. Com o tempo, passou a dar "quedas" nos velhos chorões. A "queda" se dava quando o solista modulava a melodia de um modo tal, que os acompanhantes se atrapalhavam ao tentar achar uma nova posição. Nesse período, Nelson compôs os choros "Queda" e "Gargalhada" (este, em homenagem ao mestre Juquinha, que ria a valer toda vez que lhe dava uma "queda"). E acabou ganhando seu primeiro cavaquinho, de um jardineiro português chamado Ventura, admirador de sua habilidade no instrumento.

Aos 21 anos, desempregado, além do cavaquinho Nelson só tinha uma namorada. Chamava-se Alice, e a família dela o pressionou a se casar. Mas a boemia já o arrebatara. Por conta de suas saídas sem hora para voltar – e do gênio da esposa –, o casamento, depois de muitas brigas, acabou após sete anos. Logo em seguida à separação, Alice morreu, e os filhos do casal – três – passaram a ser criados pelos avós maternos de Nelson.

Nelson descobre a Mangueira



Quando Nelson Cavaquinho se casou, seu pai lhe conseguiu um emprego na cavalaria da Polícia Militar, onde trabalhou por sete anos. Obrigado a dar patrulha nas madrugadas, ele acabou conhecendo o morro de Mangueira, vindo aí a conviver com sambistas como Cartola, Carlos Cachaça, Zé da Zilda e outros. Começou a compor sambas (começando por "Entre a Cruz e a Espada") e trocou o cavaquinho pelo violão.

O emprego na polícia, portanto, serviu-lhe de passaporte para a boemia. Em uma noite de farra, Nelson chegou a perder-se do seu próprio cavalo. Teve de voltar de bonde e, ao entrar disfarçadamente na guarnição, tomou um susto ao ver o cavalo comendo a ração tranquilamente. O animal havia voltado sozinho para o quartel. "E não é que o danado ’tava rindo de mim?", diria, anos mais tarde, o compositor...

"Samba, bebida, violão e Mangueira: eu só queria saber disso, mais nada", contaria também, sobre a vida que então levava. Nelson convivia com malandros e marginais. Em vez de frequentar o Café Nice, onde os profissionais da música popular brasileira nos anos quarenta travavam conhecimento e resolviam negócios, ele ficava no Cabaré dos Bandidos, botequim próximo ao Nice, assim chamado pelo tipo de gente que frequentava o lugar.

Não deixava de compor, mas não se preocupava com a gravação e veiculação de suas músicas. Por isso mesmo, muitas delas esperariam muito tempo para serem gravadas: ele não se dispunha a batalhar para que os cantores as conhecessem e viessem a cantá-las. Enquanto isso, vivia de bicos e da venda de seus sambas.

A longa fase de marginalização



As primeiras gravações de composições de sua autoria ocorreram na década de quarenta, por Ciro Monteiro. O excepcional sambista foi o grande lançador de Nelson. Em 1943, gravou "Apresenta-me Aquela Mulher" (assinado com Augusto Garcez e G. Oliveira) e "Não Te Dói a Consciência" (com Garcez e Ary Monteiro). Em 1945, "Aquele Bilhetinho" (com Garcez e Arnô Carnegal). E em 1946, "Rugas" (com Garcez e Monteiro), o primeiro sucesso do compositor.
Um ano antes, Dalva de Oliveira já havia registrado "Palhaço" (com Oswaldo Martins e Washington Fernandes). Porém, nos anos seguintes – e até os anos sessenta –, Nelson seria apenas esparsamente gravado. Roberto Silva, por exemplo, lançou "Notícia" (com Alcides Caminha e Nourival Bahia) em 1954 e, e sete anos depois, "Degraus da Vida" (com César Brasil e Antônio Braga) – que seria relançada, em 1970, por Orlando Silva.

No início dos anos cinquenta, Nelson Cavaquinho conheceu Guilherme de Brito, que viria a se tornar o seu principal parceiro. Guilherme era compositor de verdade (e não um comprador de parcerias). Com ele Nelson criaria alguns de seus sambas que se transformaram em grandes clássicos da música brasileira.

O reconhecimento afinal




No início da década de sessenta, Nelson Cavaquinho frequentava o Zicartola, misto de restaurante e casa de shows, de Cartola e sua esposa, Dona Zica. O Zicartola funcionava como ponto de encontro entre os músicos da cidade – os bossa-novistas – e os do morro. Corria o período conhecido como segunda fase da bossa-nova, caracterizada pela revalorização do samba tradicional.

Nelson, Cartola, Zé Kéti e Élton Medeiros tiveram então suas músicas gravadas pela musa do movimento, Nara Leão, em seu primeiro disco, de 1964. De Nelson, o samba escolhido foi "Luz Negra" (com Amâncio Cardoso). No ano seguinte, Nara voltou a gravá-lo: "Pranto de Poeta" (com Guilherme de Brito).

Também em 1965, outra cantora de destaque na época, Elizeth Cardoso, registrou "A Flor e o Espinho" (com Guilherme) e "Luz Negra", no seu LP "Elizeth Sobe o Morro". As duas faixas apresentaram pela primeira vez os sons peculiaríssimos do violão (na primeira) e da voz (na segunda) de Nelson.

No mesmo ano, saiu um LP somente com músicas do compositor, lançado pela cantora baiana Telma Soares. Em "Telma Canta Nelson Cavaquinho", o homenageado cantou em três faixas.

Em 1968, Nelson participou do LP "Fala Mangueira", produzido por Hermínio Bello de Carvalho e dividido com Cartola, Clementina de Jesus, Carlos Cachaça e Odete Amaral. Em 1969, ele se transformou em tema de um curta-metragem do cineasta Leon Hirszman, "Nelson Cavaquinho".

Somente na década de setenta, o compositor começou a gravar seus próprios discos e a se apresentar em shows com frequência. Nelson lançou três LPs individuais, em 1970, 1972 e 1973. Neste ano, "Folhas Secas", dele e Guilherme, obteve ótima popularidade na voz de Elis Regina.

Em 1977, ele repartiu com Guilherme, Candeia e Élton Medeiros o disco "Os Quatro Grandes do Samba", em que cantou três músicas, uma das quais "Notícia". Dentre os espetáculos que fez, o que mais o destacou foi o realizado para o Projeto Pixinguinha, em 1978, ao lado de Beth Carvalho. A cantora, responsável pela gravação de sua "Quero Alegria" (com Guilherme), se tornara sua amiga e uma das maiores divulgadoras de seu trabalho.

Ao lado de Elis, Beth – que também pôs em disco "Folhas Secas" e "Miragem" (outra com Guilherme) – foi, nos anos setenta, um dos nomes da nova geração da música brasileira a descobrir e a gravar Nelson Cavaquinho. Além dela, Paulinho da Viola registrou "Depois da Vida" (com Guiolherme e Paulo Gesta) e "Duas Horas da Manhã" (com Ary Monteiro). Chico Buarque, "Cuidado com a Outra" (com Augusto Tomás Júnior). E Clara Nunes, "Minha Festa", "O Bem e o Mal" (ambas com Guilherme) e "Palhaço".

Esses acontecimentos na carreira de Nelson lhe trouxeram, além do reconhecimento como artista, uma vida mais tranquila. A situação econômica melhorou, propiciando-lhe comprar uma casa em Vila Esperança, na periferia do Rio. Para completar, ele se casou com Durvalina – que o levou a diminuir o consumo de bebidas e cigarros até a total abstinência. Durvalina foi a sua última mulher e, segundo o parceiro e amigo Guilherme, "deu um jeito na vida dele".

Em 1985, um ano antes de morrer, uma festa na quadra da Mangueira marcou o lançamento do disco "As Flores em Vida", feito em sua homenagem. Nele, cantaram suas músicas Chico Buarque, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco, Toquinho, Christina Buarque e Carlinhos Vergueiro, também produtor do álbum. Além do próprio Nelson, intérprete em quatro faixas.

"O rei de vagabundo"



Entre a primeira mulher e a última, Nelson Cavaquinho teve muitos amores. Cabe aqui uma menção a Lígia, grande paixão na vida do sambista. Era uma mulher pobre, sem teto, que dormia na praça Tiradentes, um dos locais prediletos de Nelson, aos pés da estátua de Pedro I.

Os dois bebiam até acabarem num banco de praça, de porre, dormindo. Segundo o parceiro Guilherme de Brito, "ele só se chegava a essa gente assim". O amor chegou a um ponto tal, que Nelson tatuou o nome de Lígia no seu ombro direito, motivo de sua canção "Tatuagem", que diz: "O meu único fracasso/ Está na tatuagem do meu braço".

Amigo dos aflitos, poeta sem lei, convivendo com prostitutas e mendigos, Nelson quase sempre foi o "rei vagabundo" como ele mesmo se autodenominou no samba homônimo. Manteve-se na ativa como boêmio na maior parte de sua existência. Passava às vezes três noites e três dias seguidos fora de casa, bebendo muito, sem nunca perder a pose, e comendo pouco.

Desse modo, tornou-se figura lendária no Rio de Janeiro, sobre quem se contam histórias tocantes e pitorescas. Como a da galinha morta, que, consta, ficou dias no estojo do violão sem que ele percebesse. Assim era Nelson Cavaquinho, totalmente desprendido das coisas materiais, o rei vadio, nosso sambista com espírito de roqueiro, underground avant la lettre.

A morte, musa de muitas canções, originou uma das mais conhecidas histórias do compositor, que ele próprio contaria. Numa madrugada, voltara para casa de pileque. "Eu sonhei que eu ia morrer às três horas da manhã, e o relógio despertou às duas e meia. Eu disse: ‘É hoje que o Nelson vai embora’. Aí o ponteiro subindo, subindo, e eu bolando tanta coisa. Tou pensando um troço aqui, vamos ver se dá certo. Quando o ponteiro marcou cinco para as três, eu atrasei o ponteiro para meia-noite e disse: ‘Eu não vou nessa de maneira nenhuma’."

Porém, não naquele dia, mas a 18 de fevereiro de 1986, Nelson Cavaquinho morreu de enfisema pulmonar em sua casa. Seu corpo foi velado em Mangueira, onde, segundo um samba dele e de Guilherme de Brito (o famoso "Pranto de Poeta"), "quando morre um poeta, todos choram". Todos choraram.


Obra

Único, inconfundível, original



A voz negra, rouca e suja. O toque rústico do violão. As cordas graves – a baixaria – conduzindo a harmonia. As melodias tristes de contornos incomuns. Os temas da morte e do sofrimento repetidos obssesivamente. As imagens e resoluções poéticas insólitas. Estas características se combinam na obra de Nelson Cavaquinho, formando um todo único, indissociável, e conferindo ao sambista um lugar especial entre os artistas mais originais da música popular brasileira de todos os tempos.

Nelson Cavaquinho foi contemporâneo dos principais nomes da chamada era de ouro da música popular brasileira, que durou dos anos trinta até o início da década de quarenta. Ao contrário daqueles, porém, ele permaneceu na condição de marginalizado durante a maior parte de sua carreira. O cantor e compositor não se preocupava com a comercialização de suas músicas, preferindo tocar e cantar, como um trovador urbano, nos bares, pelas madrugadas.

Por isso, muitos de seus sambas ficaram longo tempo no ineditismo, até serem gravados – casos de clássicos como "Luz Negra", "Rugas" e "Palhaço". Suas músicas foram apenas eventualmente registradas em disco até os anos sessenta. Foi quando ele começou a obter o devido reconhecimento, com a redescoberta dos sambistas de morro pelos bossa-novistas da segunda geração. Naquela década e na seguinte, Nelson viveu finalmente o ponto alto de sua carreira.

No início dos anos setenta, no auge desse processo, ele já era sexagenário.


Guilherme de Brito, o parceiro ideal



Na obra de Nelson Cavaquinho ressaltam, em quantidade e em qualidade, as músicas que ele fez com um de seus vários parceiros, o mais importante deles: Guilherme de Brito. Ao iniciarem seu trabalho, nos anos cinquenta, os dois fizeram um pacto de só comporem juntos, formando uma dupla que bem poderia ser chamada "o Lennon e McCartney do samba".

Enquanto Nelson era um boêmio de passar dias e noites seguidas nos bares, Guilherme, opostamente, trabalhou na Casa Edson (antiga fábrica de discos) durante trinta anos. Mas a afinidade estética superou as diferenças de comportamento, e eles produziram uma série de sambas antológicos – um deles, o famoso "A Flor e o Espinho", que possui um dos inícios mais fortes e surpreendentes dentre as canções já escritas em língua portuguesa: "Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor".

Da dupla nasceram ainda, entre outros: "Folhas Secas", "Pranto de Poeta", "O Bem e o Mal" e "Quando Eu Me Chamar Saudade". No trabalho da dupla, não havia rigidez na divisão de papéis. Ambos faziam letra e música e, segundo depoimento de Guilherme de Brito, "no final ele passou a fazer a melodia, e eu a letra". Em "A Flor e o Espinho", por exemplo, a primeira parte é de Guilherme, e a segunda, de Nelson.

Os outros parceiros de Nelson, anteriores a Guilherme, foram ocasionais, e muitos entraram na parceria em troca de favores, como era costume na época. Algumas exceções foram Jair do Cavaquinho, da escola de samba Portela, com quem ele compôs "Eu e as Flores", e Cartola, companheiro de boemia e de Mangueira, co-autor de "Devia Ser Condenada".

A parceria com Zé Kéti é curiosa: como pertenciam a sociedades arrecadadoras diferentes, não podiam assinar conjuntamente uma composição, segundo uma regra vigente na época. Por isso, a Nelson (e a dois outros, José Alcides e José Ribeiro de Souza) foi creditado o samba "Nome Sagrado", também de Zé; e a este, sozinho, "Meu Pecado" (gravado por Paulinho da Viola), composto pelos dois.

O tema da morte



A morte é obsessão na obra de Nelson Cavaquinho. Eis um dos maiores fatores de originalidade em sua arte: não se encontra, entre os compositores brasileiros, um outro que tenha feito desse – um assunto difícil por excelência – o tema principal de suas obras, sendo isso raro também na música popular de qualquer país.
Em Nelson, a angústia da morte e a efemeridade da vida incidem, às vezes inesperadamente, em canções falando de amor ou da escola de samba do compositor ("Folhas Secas", por exemplo). Mesmo um símbolo poético como a flor – comumente associado à feminilidade, à mulher, à delicadeza – pode se apresentar na sua conotação funérea. Como em "Eu e as Flores": "Quando eu passo perto das flores/ Quase elas dizem assim:/ ‘Vai, que amanhã enfeitaremos o seu fim’".

A que poeta ocorreria a inspiração – levada à ousadia – de fazer um samba revelando ter dado enfim o beijo há tanto tempo esperado em sua amada, agora que ela está morta, no caixão? Pois foi o que Nelson Cavaquinho – e Guilherme de Brito – fizeram, em "Depois da Vida" (gravada por Paulinho da Viola, em 1971).


O conflito básico presente nas letras dos seus sambas pode ser sintetizado no paradoxo final de "Rugas": "Feliz daquele que sabe sofrer". A consciência de que ser feliz consiste apenas em administrar o sofrimento e a tristeza leva à crença num cristianismo popular e pessimista, no qual a caridade é uma virtude. A todos só restaria levar a vida tendo compaixão uns dos outros; afinal existir é sofrer, e viver bem é sofrer sem demonstrar. A única saída, portanto, se torna o descanso final, a morte, paradoxalmente também fonte de sofrimento, pois implica perda.

Abordando a morte ou não, Nelson transforma o lugar-comum em incomum. O imprevisto caracteriza também várias outras imagens lançadas nas letras curtas e fortes, ao mesmo tempo simples e surpreendentes, de seus sambas: "A luz negra de um destino cruel/ Ilumina o teatro sem cor/ Onde estou desempenhando o papel/ De palhaço do amor", canta ele, em "Luz Negra". Letras despojadas na construção, mas ricas nas novas realidades que cria.


O significado de Mangueira

Nelson Cavaquinho começou sua história musical como um chorão – provavelmente vem do choro a imprevisibilidade de suas melodias. Nessa fase, seu instrumento era o cavaquinho: daí o apelido com que ficou conhecido.
Foi num segundo momento que ele conheceu o morro de Mangueira, devido a seu emprego como soldado da cavalaria da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O contato com Cartola, Carlos Cachaça e outros bambas mangueirenses o transformou definitivamente num sambista.

Só então seu instrumento passou a ser o violão. Nelson o tocava de uma maneira muito especial: beliscando as cordas com o indicador e o polegar, tirando assim um som único – uma das principais peculiaridades de seu personalíssimo trabalho.

Mesmo tendo residido em Mangueira por apenas um ano e meio, a ela o compositor dedicou vários sambas, entre eles "Sempre Mangueira", "Pranto de Poeta", "Folhas Secas" e "A Mangueira Me Chama". A Mangueira está para Nelson Cavaquinho assim como a Vila Isabel está para Noel Rosa, e a velha cidade de Salvador para Dorival Caymmi: trata-se de pátria utópica, motivo de canção e morada ideal do poeta.


Os principais intérpretes

Ciro Monteiro foi o primeiro grande intérprete da obra de Nelson Cavaquinho, responsável pelo seu primeiro sucesso como compositor, com a gravação de "Rugas", em 1946. Dentre os cantores da mesma geração, Dalva de Oliveira ("Palhaço") e Roberto Silva ("Notícia") também lançaram importantes composições do sambista.

Nos anos sessenta, Nara Leão ("Luz Negra" e "Pranto de Poeta") e, em seguida, Elizeth Cardoso ("A Flor e o Espinho" e "Luz Negra") deram início a uma onda de descoberta e gravação de seus sambas. Esse processo veio a se realizar de fato na década seguinte.

Um número crescente de cantores da MPB passou então a incorporá-lo a seus repertórios. Entre eles, tornaram-se grandes divulgadores de sua obra os sambistas Paulinho da Viola ("Depois da Vida", "Duas Horas da Manhã"), Clara Nunes ("Minha Festa", "O Bem e o Mal") e Beth Carvalho ("Folhas Secas", "Miragem"). Elis Regina fez de "Folhas Secas" um grande sucesso, e Chico Buarque lançou "Cuidado com a Outra".

Nos anos noventa, a jazzista Leny Andrade lhe dedicou um songbook, "Luz Negra – Nelson Cavaquinho por Leny Andrade". Em 2000, a musa das novas gerações Marisa Monte registrou um de seus sambas com Guilherme de Brito: "Gotas de Luar".

O próprio Nelson só passou a gravar discos individuais nos anos setenta. E, no entanto, é ele, acompanhado apenas do seu violão, "sempre colado ao peito tão amargurado", o melhor intérprete de si mesmo.

É impressionante a organicidade que se estabelece entre canto, acompanhamento, música e letra, quando ele interpreta seus sambas. O tema da morte e o tom de amargura que caracterizam os textos têm a sua correspondência no timbre da voz desafinada e na crueza do som do violão. Tudo – palavras e sons – parece falar a mesma coisa. Não é comum se observar isso com tanta densidade e intensidade.

Aqui, merecem lembrança os nomes de Dorival Caymmi, na música brasileira, e Robert Johnson, o grande criador do blues rural, na música norte-americana (ao qual, aliás, o poeta Augusto de Campos associou Nelson Cavaquinho). São dois outros exemplos dessa classe rara de compositores-cantores que interpretam suas criações com uma inteireza, uma integridade e uma expressividade tais, que ninguém mais – por melhor que seja o cantor – pode fazê-lo.


Antologia de versos

"Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor" ("A Flor e o Espinho", com Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

"A luz negra de um destino cruel
Ilumina o teatro sem cor
Onde estou desempenhando o papel
De palhaço do amor" ("Luz Negra", com Amâncio Cardoso)

"As rugas fizeram residência no meu rosto" ("Rugas", com Ary Monteiro e Augusto Garcez)


Discografia Nelson Cavaquinho
  • Depoimento do Poeta (Discos Castelinho) (1970)
  • Nelson Cavaquinho - série documento (RCA Victor) (1972)
  • Nelson Cavaquinho (Odeon) (1973)
  • As Flores em Vida (Gravadora Eldorado) (1985)

VIRADA MULTICULTURAL, DE SEXTA, 14, A DOMINGO, 16, EM VÁRIOS PONTOS DA CIDADE

Depois de São Paulo e do Rio de Janeiro, Recife também terá a sua virada cultural. Serão 48 horas de programação incluindo música, artes cênicas e visuais, cinema, moda, gastronomia, começando na sexta-feira, dia 14, e terminando no domingo, 16. A abertura será com um cortejo que saíra às 18h da sexta da Rua da Moeda e da Praça do Arsenal, ambos em direção ao Marco Zero. Artistas e público serão recepcionados por uma ciranda puxada por Lia de Itamaracá e Siba.

Nessa mesma noite, a partir das 19h30, haverá shows de Petrúcio Amorim, Maciel Melo e Josildo Sá; um encontro entre Karynna Spineli, Gerlane Lops, Geraldo Maia, Belo Xis, Paulo Perdigão e Mariene de Castro; Orquestra Contemporânea de Olinda com Expedito Baracho; e, já na madrugada, Nação Zumbi. No dia seguinte, a principal atração musical é o grupo cubano Buena Vista Social Club, que se apresenta pela segunda vez em Pernambuco, capitaneado por Barbarito Torres, um dos participantes da gravação do álbum que ganhou o Grammy e também de concertos antológicos, como o do Carnegie Hall, em Nova York.

A avaliação da Prefeitura do Recife é de que havia um hiato de grandes eventos entre os ciclos junino e natalino, mesmo que pelo menos três festivais aconteçam neste intervalo - o Spa das Artes, mês passado; o de dança, agora em outubro (a programação só deve ser divulgada depois da chamada Virada multicultural); e o de teatro em novembro. “São mais esforços para consolidar e ampliar a política cultural”, explicou o prefeito João da Costa. Além disso, para o prefeito, é a possibilidade de reunir várias linguagens, já que alguns desses eventos estariam mais restritos a grupos específicos.

Apesar dos números grandiosos - 400 atrações gratuitas, sendo, por exemplo, 62 de música e 83 de artes cênicas - a Virada multicultural reuniu algumas ações que já estavam previstas (até uma regata de remo da Federação Pernambucana de Remo está na programação!). É o caso do Festival de Circo do Brasil e do Coquetel Molotov, que vão acontecer no mesmo fim de semana. Para o festival de circo, a boa notícia é que todas as atrações serão gratuitas, inclusive o principal espetáculo - Murmures des Murs, com a neta de Chaplin, Aurélia Thierrée. As bilheterias dos teatros no festival de circo estarão abertas com duas horas de antecedência. Para o Coquetel Molotov, apesar de os ingressos para os principais shows, como Racionais, já estarem à venda, haverá uma cota para distribuição gratuita no dia do evento, no Memorial Chico Science e noutros lugares. Ainda não foi divulgado o percentual de ingressos gratuitos e nem o horário da distribuição.

Outra estratégia para compor a programação da Virada multicultural - Conexão Nordeste foi reunir numa mesma grade os espetáculos de teatro que já estavam acontecendo na cidade, como Pluft, o fantasminha (em cartaz no Barreto Júnior) e Divinas (que apesar de ter estreado semana passada, já apareceu no slide de divulgação para imprensa como um dos espetáculos consagrados do Nordeste).

A Virada vai custar R$ 3 milhões, que o prefeito garante que não sairão dos cofres públicos. “A meta é que 50% ou 60% desse valor venha de patrocínios”. Para os artistas, João da Costa deu a sua palavra: todos serão pagos até dezembro, inclusive aqueles que, por exemplo, participaram de outros ciclos e festivais e ainda não foram pagos.

Programação completa da Virada Cultural:



Fonte: Diário de pernambuco (http://www.pernambuco.com)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

DE MANEIRA CONCEITUAL WANDER PEIXOTO DESDOBRA O AMOR EM VERSOS E MELODIAS

Em seu mais recente álbum, Wander Peixoto traz o amor e seus nuances em uma sonoridade pop e contemporânea que se diversifica do habitual. Um trabalho que, além de surpreender, agora traz o nome deste artista nascido no litoral norte paulista para o cenário nacional.

Por Bruno Negromonte


Se avaliarmos pelo título, o novo álbum deste artista paulista que nasceu no município de São Sebastião nada sugere além do óbvio; mas certamente o primeiro diferencial está justamente neste equívoco. Muito se engana quem julga este trabalho de tal forma, pois deixa de levar em consideração um tipo de disco que mesmo utilizando de uma fórmula bastante recorrente (como são os temas românticos), tem como principal característica letras de tal verdor que daí já as diferenciam do comum, destacando o nome de Peixoto dentre aqueles que não tardam a ter seu reconhecimento nacional (coisa que já vem acontecendo aos poucos).

Quando gravou “Simples”, Wander já trazia em sua bagagem a experiência de cerca de 20 anos de estrada no mundo da música e alguma experiência fonográfica. E é importante salientar que nessas duas décadas o trabalho desse paulista andou imerso a uma qualidade musical que o destitui de qualquer gênero musical que o limite, um trabalho que apesar de ter incursionado por alguns gêneros musicais distintos não perdeu a coesão com a qualidade tanto das letras quanto das melodias de suas composições.

Após algumas tentativas de se firmar em sua cidade natal, resolveu viajar para São Paulo onde deu início a sua carreira de músico passando por inúmeras dificuldades (como por exemplo apresentar-se com um violão emprestado) e por cachês meramente simbólicos. Posteriormente Belo Horizonte também foi cenário das apresentações do músico paulista, onde a partir de muito esforço faz o seu primeiro registro fonográfico de forma não-oficial. O que Minas Gerais poderia oferecer a Wander não o satisfazia de maneira plena fazendo com que decidisse voltar para o seu estado natal. Muitas surpresas estavam reservadas nesta sua volta ao estado de São Paulo a partir de sua obstinação. Resolveu inscrever-se em um programa de televisão objetivando uma maior visibilidade e esperou por cerca de um ano até ser chamado para a primeira participação.



Por tal motivo talvez a imagem de Wander Peixoto não pareça estranha para muitos que acompanham alguns programas e quadros televisivos referentes a música ao longo dos últimos anos. Seu nome figurou de maneira destacada em pelo menos dois canais distintos, como veremos ao longo desta pauta. A primeira aparição se deu na Rede Record quando participou do Programa Raul Gil por volta de 2005 e ficou entre os finalistas no concurso de novos talentos (quadro de grande sucesso do programa e onde Wander obteve um relevante destaque). Por volta de 5 meses cerca de 30 programas gravados, o músico fez releituras muitos pessoais de clássicos de artistas do quilate doJoão Bosco, Djavan, Guilherme Arantes entre outros. Por acabar tendo se tornado finalista do Programa Raul Gil, o seu cachê obteve uma relativa valorização, além de ter tido a oportunidade de cantar em alguns bares de destaque em São Paulo.

A oportunidade em um programa de calouros o propiciou abrir outras portas, fazendo com que ele chegasse a gravar o primeiro álbum de maneira oficial e que foi intitulado de "Canto Insistente". Neste trabalho o canto de Wander Peixoto veio a serviço de temas religiosos de uma forma bastante peculiar, apresentando letras consistentes e arranjos diferenciados.

Por volta de 2009 o nome de Wander aparece novamente no cenário televisivo nacional a partir de sua participação no programa Astros (SBT), programa de calouros baseado no antigo "Show de Calouros" e que tem como jurados o instrumentista e compositor Arnaldo Saccomani; o produtor musical Carlos Eduardo Miranda; a cantora, compositora e produtora Cynthia Zamorano (mais conhecida como "Cyz") e o cantor, publicitário, compositor e Thomas Roth.

Esta sua segunda participação em um programa de calouros o propiciou a chance de entregar em mãos o cd "Simples" (que ainda tratava-se de um demo com 05 faixas apenas) a cada um dos jurados presentes. Esta sua atitude fez com que um dos jurados o ouvisse, e depois de cerca de uma semana, Arnaldo Saccomani o liga dizendo que havia escolhido uma das canções presentes no demo para compor não só a trilha sonora da novela do SBT, mas também para o tema de abertura do folhetim ao qual estava encarregado da direção musical da novela "Vende-se um véu de noiva". Depois da escolha da "Um novo amor" haveria a necessidade da escolha do intérprete, ao qual chegaram ao consenso de um nome: Flávio Venturini. Nada mal para quem tinha por pretensão apenas se aventurar mais uma vez em um programa de calouros, não é?

Daí em diante Wander veio dando continuidade a complementação, produção, gravação e divulgação daquele demo entregue aos jurados do programa e que acabou propiciando diversas oportunidades ao artista. Com um repertório que traz o amor de maneira conceitual, o álbum incursiona por situações amorosas ora visceral, ora essencialmente superficial sem perder o lirismo chegando até a uma certa acepção por contextos e por uma linguagem mais atual.

Essas relações intrinsecamente amorosas estruturam o álbum e trazem neste seu cerne uma sonoridade contemporânea inspiradas em estruturas melódicas que fazem parte da formação musical do cantor e compositor, trazendo assim um equilíbrio melodicamente inebriante a começar já pela primeira faixa intitulada "Paradoxo patético", letra composta a partir das remanescências do autor a partir das brincadeiras de "Trava-língua", somado a isso o compositor usou de um jogo de palavras singular para formular a rítmica da canção e termos contemporâneos fazendo alusão as relações virtuais tão em voga nos dias atuais. Termos como deletar, bloquear, excluir, reinicar, reprogramar estão presentes no refrão da canção. Em um segundo momento Wander apresenta outra letra e canção de sua lavra intitulada "Bilhete", música esta que foi composta após o autor ter conhecido uma garota em um dos bares ao qual apresentava-se e que chamou a sua atenção. Após o breve momento de flerte ao longo da apresentação a garota deixa seus contatos, onde posteriormente eles acabaram tendo um breve relacionamento que deixou como herança esta canção.



O álbum segue com composições como "Virtual Love" (melodia inspirada a partir das influências sofridas pelo artista por bandas como Kid Abelha, Legião Urbana e principalmente Paralamas do Sucesso e a levada "Ska" tão utilizada pela banda). A letra recorre a um tipo de amor muito em voga nos dias atuais como o próprio título já sugere; Em "Lembrança Tamanha" a letra traz todas aquelas peculiaridades existente em muitos casais apaixonados, onde a imaturidade (referente à pequenas brincadeiras) prevalece em nome do amor e "Meu Próprio Estranho", uma faixa que traz a interessante junção do Jazz com nosso tão conhecido Chorinho. Vale salientar que todas as canções citadas anteriormente são de autoria do próprio Wander. Em um dos momentos mais intimistas do trabalho o artista nos apresenta "A canção que traz você pra mim"; a canção que retrata uma melancolia pungente que se torna mais enfática a partir do piano de Robleto Silva (integrante do Capital Inicial).

Ainda estão presentes no álbum (que pode ser adquirido clicando na imagem ao lado) as canções "Um novo amor" (canção gravada por Flávio Venturinni para a novela do SBT) e que retrata as relações afetivas de maneira metafórica e análoga com algumas figuras de linguagem inspiradas talvez pela convivência de Peixoto no litoral paulista por muitos anos; "Anseio" traz a singeleza arraigada tanto na melodia quanto na letra (atestando um pouco algumas das influências existentes no imaginário do cantor. Segundo o próprio cantor nomes como Rolando Boldrin, Renato Teixeira, Tonico e Tinoco foram fonte de inspiração para a estrutura dos versos e acordes desta composição). Ainda há no álbum "Até você voltar" (primeira composição do disco, a partir dela foi possível o artista observar a complexidade do simples como costuma falar) e "Indo" (que traz todo o ecletismo presente nas influências de Wander Peixoto a partir de um Rap que moldura muito bem o álbum e mostra que música não é passiva de rótulos).

Também estão presentes no álbum uma parceria de Wander com o Marcelo Farias intitulada "Intervalo Triblues", trata-se de um curto, porém primoroso jazz session repleto de vocalizes e a canção "Será que é amor?" (Wilson Teixeira/João Lúcio) vem como a única canção que em que não tem a assinatura do artista. Wander acabou se envolvendo com ela quando um dos autores o pediu para inserir voz e o cantor apaixonou-se e pediu para inserir na gravação do álbum

Para dar vigor as canções presentes no álbum há nomes como Robleto Silva (piano), Wilson Teixeira (violões), Nivaldo Lopes Rezende e Fernando Rosa (baixos), Everson Nunes (percussão e bateria), Renato Delírio (bateria), Luizinho Nascimento (trompete), Daniel Aguiar (bateria, efeitos e piano), Marcelo Farias (violão, mixagem e produção), Henrique Araújo (bandolim) entre outros. Os arranjos ficam a cargo do próprio Wander.



E é dentro desta simplicidade (que por vezes se faz complexa) que o cantor paulista apresenta os diferentes nuances do amor a partir de uma tessitura toda particular, onde a qualidade musical se faz de maneira singular e de forma incontestável em arranjos sofisticados e letras atuais. Nesse contexto o artista mostra as relações afetivas sem abusar de clichês tão corriqueiros, mostrando que o amor é algo que sempre estará em voga, porém é preciso vivenciá-lo de maneira estrutural, contínua e de forma quase fulminante para chegar a ter a familiaridade com que se é abordado neste trabalho. O diferencial talvez esteja justamente nesta intrínseca relação de Wander com as dicotomias sempre presentes nas relações afetivas. É um trabalho onde o amor e suas peculiaridades são expostos da maneira mais simples possível.


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