PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A MÚSICA E O FUTEBOL SEMPRE DE MÃOS DADAS – V



Árbitro e jogador: bronca no apitador

Carlinhos Vergueiro nasceu em São Paulo em 1952 e iniciou sua carreira artística em 1973, gravando dois compactos, quando ainda trabalhava na Bolsa de Valores da capital paulista.

Em 1974, lançou ‘Brecha”, seu primeiro LP, quando passou a viver exclusivamente de música.

Já se apresentou na Itália, recebendo o Prêmio Tenco, em 1983, em San Remo (ITA), na França e em Cuba. Carlinhos Vergueiro produziu discos do grande compositor paulista Geraldo Filme (1980), o último disco de Nelson Cavaquinho – “As Flores da Vida” (1985), o disco “A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque para o filme de Ruy Guerra (1985) e Candeia (1986), com sambas inéditos do compositor.


Carlinhos Vergueiro

Na época da Copa do Mundo 2010, lançou “Contra-Ataque – Samba e Futebol”, pela Biscoito Fino, com 3 músicas a mais em relação ao CD original, de 1999, independente. Nele, está a famosa Camisa Molhada – clássico feito em parceria com o corintiano Toquinho (tricolor em SP e no RJ).

Inspira-se nas peladas nos campos de terra, presente nessa aula de samba e futebol. “Fique de olho no apito”… Quem ouvia as transmissões da equipe de Osmar Santos na rádio Globo SP no final dos 70 e 80 deve se lembrar da vinhetinha que anunciava o trio de arbitragem. Contra-Ataque, CD que tinha também Nação Corinthians, muito bonita (costuma ser usada em programas de TV), e músicas sobre Raí e Zico, agora tem ainda Romário, Linhas de Prazer e um samba inédito, Irresistível (parceria de Carlinhos com a filha, Dora Vergueiro, e Afonso Machado).

Em Linhas de Prazer, o tricolor Vergueiro escala “linhas plenas de magia” de timaços que marcaram época: a do Botafogo de Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo; a do São Paulo de 1957 – Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho, Canhoteiro; a do Brasil de 70: Jairzinho, Gérson, Pelé, Tostão, Rivellino.

Camisa Molhada – “Fique de olho no apito” – Carlinhos Vergueiro, em parceria com Toquinho (1976)



Fique de olho no apito,
Que o jogo é na raça
E uma luta se ganha no grito.
E se o juiz apelar,
Não deixe barato,
Ele é igual a você e não pode roubar.
O domingo é de guerra, o campo é de terra,
O boteco é do lado.
Na hora marcada, a meia rasgada,
O joelho ralado.
É debaixo de chuva, é debaixo de sol,
É no meio da lama.
A vontade é de graça, a vitória é a taça
Do fim de semana.
É o chute no canto, é o Espirito Santo,
É a chance perdida.
É a falta de sorte, é a vida, é a morte,
É a contrapartida.
É a fome, é a sede, é a bola na rede,
A torcida a favor.
A camisa molhada, no corpo abraçada,
É seu único amor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

UMA HOMENAGEM QUE ACABOU RENDENDO UMA SIMÉTRICA PARCERIA

Longe de esteriótipos a cantora pernambucana sela duo com Roberto Menescal e revisita o repertório de um dos fundadores do movimento mais expressivos da música brasileira no exterior: a bossa nova

Por Bruno Negromonte



Aquilo que a princípio seria apenas uma merecida homenagem acabou rendendo uma inusitada e interessante parceria entre um veterano nome da música brasileira e uma artista em ascensão. De um lado, o capixaba Roberto Menescal, artista com mais de cinco décadas de carreira e um dos precursores de um movimento musical que revolucionou a estética e o conceito da música brasileira a partir de então: a Bossa Nova. Menescal, exímio instrumentista, acabou tornando-se um dos mais expressivos e conceituados nomes do gênero e hoje é reverenciado por músicos de todo o planeta a partir de suas composições. Do outro lado uma artista em franca ascensão que vem galgando espaços cada vez mais significativos ao longo dos últimos anos. Com quinze anos de estrada, Andrea Amorim nasceu no município de Garanhuns (Pernambuco) e já conta em sua discografia com cinco projetos independentes e diversas vitórias nos mais distintos festivais musicais existentes no país, dentre os quais o Festival de Música e Arte de Garanhuns, um dos mais relevantes festivais musicais existentes no Brasil. Nômade, Andrea segue a sua intuição sonora sempre que a mesma atina para algo que venha a saciar os seus anseios sonoros. Desse modo seguiu para o Sudeste, passando por São Paulo e hoje reside no Rio de Janeiro, onde desenvolve os mais distintos projetos musicais. Dentre estes projetos encontra-se um álbum autoral feito a partir da gravadora carioca Albatroz. Gravado em em inglês, japonês e espanhol, Amorim pela primeira vez atua em seus discos como intérprete gravando uma música de Marcos Valle ("Eu preciso aprender a ser só"), onde divide vocais com Lenine dando início a sua exitosa carreira internacional. No exterior recebeu prêmios como o Rising Star, conferido aos novos talentos brasileiros, teve a oportunidade de dividir o palco com Valle, no evento Press Award e esteve no Japão em duas oportunidades: a primeira apresentando-se nos eventos Brazilian Day e Press Award e, em uma segunda oportunidade, fez uma turnê de 21 apresentações por todo o país, durante cerca de 30 dias.



Em suas incursões pela terra do sol nascente Andrea percebeu e vivenciou de perto o amor que os japoneses têm pela música brasileira, em especial pela Bossa Nova e por todos os nomes que ajudaram a popularizar o gênero ao redor do mundo e, por sugestão de um produtor japonês, Andrea resolveu homenagear Menescal, que estava completando 75 anos de vida, gravando um projeto baseado na extensa obra do artista capixaba. O projeto, batizado de "Bossa de Alma Nova", acabou ganhando a adesão do homenageado ao longo das catorze faixas presentes no disco. Grandes clássicos da lavra deste artista que é considerado um dos ícones da Bossa Nova estão presentes no disco como é o caso de suas parcerias com o saudoso Ronaldo Bôscoli, o parceiro mais relevante em sua carreira como compositor. Da dupla há faixas como a densa "A morte de um Deus de sal" (que permite-se enternecer-se através da voz da cantora), "Vagamente", a sempre emocionante "Você" (em duo com o homenageado), "O barquinho" (faixa detentora de inúmeras versões e que aqui ganha mais um antológico registro), "Copacabana de sempre"; Ainda da dupla Bôscoli-Menescal há as faixas "Rio" (que aqui ganha através da artista pernambucana esfuziante interpretação endossada por um arranjo idem) e "Nós e o mar(que aqui recebe garboso tratamento através de belíssimo arranjo new age), ambas presentes no LP "A Bossa Nova De Roberto Menescal E Seu Conjunto", primeiro da carreira de Menescal (antes do artista havia gravado um compacto simples). O disco ainda conta com outros relevantes parceiros de Menescal como é o caso de Chico Buarque, que assina "Bye Bye Brasil", canção composta para o longa-metragem homônimo lançado em 1979 e dirigido por Cacá Diegues; o multifacetado Oswaldo Montenegro (que assina "Eu canto meu blues"); Rosália de Souza (que assina "Agarradinhos"); Lula Freire (com "Vai de vez") e Wanda Sá (que assina a "Ninguém", faixa mais intimista do disco). O disco ainda conta com a faixa "Solidão nunca mais",  parceria entre o homenageado e a homenageante e "P'ru Zé" (faixa instrumental composta e executada exclusivamente por Menescal).

Em sua ficha técnica, "Bossa de alma nova" tem sua capa e fotografias assinadas por Sávio Figueiredo. Na tessitura sonora o disco conta com as presenças do próprio homenageado na direção de produção, arranjos, violão, guitarra e voz; o baixo de Marcio Menescal, a percussão de Reginaldo Vargas, a bateria de Raymundo Bittencourt e a voz de Andrea Amorim que mostra-se bastante segura neste tributo em que o rock deságua no mar da bossa nova e deixa-se emergir por belas letras e melodias através da voz de uma artista que foge do convencional a começar por suas inúmeras tatuagens ao longo de todo o corpo. Ao apresentar suas afinadas e delicadas interpretações, a artista permite-se destoar de sua aparente agressividade estética através dos mais distintos adjetivos neste projeto que trata-se não apenas de uma homenagem de  roqueira pernambucana a um dos mais relevantes nomes da Bossa Nova ainda vivo pela passagem dos  seus 75 anos de vida, mas também um dos mais relevantes álbuns do gênero que chegou as lojas nos últimos anos, a julgar pelo registrado no livro “A verdadeira história da Bossa Nova”, do japonês Willie Whopper, que o classifica entre os cem melhores discos de Música Brasileira já lançados no Japão.

De modo bastante harmonioso, o banquinho e o violão de Roberto Menescal ganha novos ares na voz dessa jovem e promissora cantora e compositora. Andrea Amorim ao dar vazão ao seu lado intérprete apresenta também uma nova e delicada faceta do ofício que abraçou. Bem situada no universo do rock a artista mostra que é capaz de superar desafios não apenas ao interpretar composições da lavra de um dos maiores nomes da música popular brasileira, mas principalmente ao apresentar suaves interpretações de um gênero musical brasileiro tão bem conceituado mundo afora. Seu canto mostra uma nova maneira de regozijar a tão notória e celebrada bossa abrindo as mais distintas portas para esta artista que coincidentemente nasceu no mesmo município de Dominguinhos, um dos mais expressivos artistas brasileiro falecido em julho de 2013. O banquinho e o violão tão difundido por Menescal ao longo de toda a sua carreira agora ganha a adesão de uma artista de alma e aparência roqueira e que foge dos estereótipos das convencionais cantoras bossanovistas. A cantora e compositora mostra de modo pleno que foi capaz de deixar-se renovar, refletindo em seu canto agreste um lindo litoral repleto de sol, mar e poesia somente possível através deste gênero de profícua beleza. Quando questionada sobre o assunto costuma dizer: “Roberto Menescal me lapidou e a bossa nova me ensinou a cantar.

sábado, 26 de julho de 2014

40 ANOS SEM ANDRÉ FILHO

Este mês completa-se quatro décadas que partiu André Filho, autor de "Cidade maravilhosa", hino oficial da cidade do Rio de Janeiro



Compositor, arranjador, multiinstrumentista (piano, violão, bandolim, violino, banjo, percussão), radialista e cantor. Eis André Filho, artista que ficou órfão muito cedo, sendo criado pela avó. Começou a estudar música erudita aos oito anos com Pascoale Gambardella e estudou, anos depois, vários instrumentos (violão, violino, piano, bandolim), dedicando-se, então, à música popular. Formou-se em Ciências e Letras no Colégio Salesiano de Niterói, RJ, onde foi colega de Almirante. Na década de 1940, esteve internado com problemas psíquicos, que, somados a alguns outros, acabaram por fazê-lo abandonar a vida artística. É autor de muitos sucessos, entre os quais a marcha "Cidade Maravilhosa" que se tornou o hino da cidade do Rio de Janeiro. 

É figura histórica do Rio de Janeiro, já que é o autor de "Cidade maravilhosa", hino oficial da cidade, além de ser o parceiro de Noel Rosa no samba "Filosofia". É reconhecido como o autor da marchinha mais famosa dos cariocas, já que esta faz parte da tradição dos bailes carnavalescos. Quando os foliões escutam os primeiros acordes de sua introdução, é porque o baile está chegando ao fim. Começou a carreira artística cantando na Rádio Educadora. Foi arranjador, compositor de "jingles", locutor de várias emissoras como a Tupi, Mayrink Veiga, Phillips e Guanabara. Sua primeira composição a ser gravada foi "Velho solar", em 1929, pela Parlophon, interpretada por Henrique de Melo Morais (o tio de Vinícius). No mesmo ano, Ascendino Lisboa lançou o samba "Dou tudo". Em 1930, Carmen Miranda lançou duas músicas suas pela RCA Victor, o samba "O meu amor" e a marcha "Eu quero casar com você". No mesmo ano, Sílvio Caldas gravou também pela RCA Victor o seu samba "Nem queiras saber", em parceria com Felácio da Silva. Em 1931, Carmen Miranda gravou os sambas "Bamboleô" e "Quero só você", Jaime Vogeler a canção "Meu benzinho foi-se embora" e Francisco Alves a valsa "Manoelina". No mesmo ano, gravou seu primeiro disco, na Parlophon, interpretando os sambas "Estou mal", parceria com Heitor dos Prazeres e "Mangueira", de Saul de Carvalho. Também no mesmo ano, lançou com J. B. de Carvalho, a macumba "Anduê, anduá", de Maximiniano F. da Costa e o samba "É minha sina", de sua autoria. Em 1932 teve diversas composições gravadas por diferentes intérpretes, Carmen Miranda registrou os sambas "Mulato de qualidade", "Quando me lembro" e "Por causa de você"; Sílvio Caldas o samba "Jurei me vingar", parceria com Valfrido Silva e o Grupo da Guarda Velha e Trio TBT, o samba "Como te amei". Em 1933, gravou os sambas "Vou navegar"e "Nosso amor vai morrendo" e teve gravados por Carmen Miranda, os sambas "Fala meu bem" e "Lua amiga" e por Elisa Coelho os sambas "O samba é a saudade" e "A lua vem surgindo". No mesmo ano, Mário Reis foi convidado por Noel Rosa para gravar "Filosofia", pela Columbia. Em 1934, Carmen Miranda lançou, junto com Mário Reis, o samba "Alô...alô...", um grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda em 1934, gravou seu grande sucesso, a marcha "Cidade maravilhosa", em dupla formada com a então "novata" Aurora Miranda, de apenas 19 anos. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, a escolha de Aurora "refletia de certo modo a tendência de romper com uma constante da época: a hegemonia masculina na gravação do repertório carnavalesco". De qualquer modo, o certo é que a entrada de Aurora em cena deve-se mesmo ao fato de ser irmã de Carmen, já então no auge da popularidade, inclusive nos carnavais. O lançamento de "Cidade maravilhosa", se deu no entanto, sem grande sucesso na "Festa da mocidade", em outubro daquele ano. A marchinha foi inscrita, no ano seguinte, no Concurso de Carnaval da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, obtendo, para indignação do autor, a 2ª colocação. Também em 1935, gravou de sua autoria e Valfrido Silva a marcha "Guarde um lugarzinho para mim" e o samba "Jura outra vez", de Alcebíades Barcelos e Valfrido Silva e com Aurora Miranda, gravou de sua autoria, a marcha "Ciganinha do meu coração"e o samba "O que você me fez". No ano seguinte, lançou as marchas "Teu cabelo vou pintar" e "Cadê a minha colombina", de sua autoria. No mesmo ano, Aurora Miranda gravou de sua autoria, o samba "Quero ver você sambar" e a marcha "Bacharéis do amor" e Carmen Miranda a marcha "Beijo bamba" e o samba "Pelo amor daquela ingrata". Em 1937 teve mais duas marchas gravadas por Aurora Miranda, "Se a moda pega..." e "Quero ver você chorando". No ano seguinte, Aurora Miranda gravou a marcha "Na sua casa tem...", parceria com Heitor dos Prazeres e o samba "Chorei por teu amor". Em 1939 lançou a marcha "Linda Rosa" e o samba "Quem mandou?". Em 1941, gravou a marcha "Carnaval na China", de sua parceria com Durval Melo e o samba "Estrela do nosso amor", de sua autoria. No mesmo ano, Vicente Celestino gravou pela RCA Victor a valsa "Cinzas no coração", obtendo grande sucesso e a canção "Cancioneiro do amor". Em 1960, um decreto oficializou "Cidade maravilhosa" como hino da cidade. No final da década de 1960, convidado e entrevistado por R. C. Albin, então diretor do MIS, gravou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som, tendo sido seu estado mental considerado bastante razoável pelo entrevistador. Em 1974, Chico Buarque resgatou "Filosofia", regravando o samba em seu álbum "Sinal fechado", dedicado a outros autores por causa da censura imposta à sua produção. O samba foi, na época, grande sucesso e uma maneira inteligente de dar um recado ao regime militar. O samba voltaria a ser ouvido na voz de Mário Reis, na década de 1970 e, posteriormente, incluído no filme "Brás Cubas", adaptação do cineasta Júlio Bressane para o clássico de Machado de Assis "Memórias Póstumas de Brás Cubas". No filme, "Filosofia" é o tema do personagem Quincas Borba. 

Devido a várias crises pessoais, inclusive o fim prematuro de (mal sucedido) casamento com a esposa Zilda, o que lhe teria provocado graves crises psíquico-nervosas, afastou-se completa e prematuramente da vida artística, passando a orar com a mãe que o abrigou, cercando-o de carinho e cuidados. O que obscureceu a avaliação de sua obra, fazendo com seu trabalho fosse lembrado basicamente apenas pela marcha "Cidade maravilhosa". Em 2006, seu acervo passou a pertencer ao Instituto Moreira Sales que o homenageou por ocasião do centenário de seu nascimento com uma exposição de partituras, documentos e fotografias. 


Principais obras: 
Alô... Alô?, André Filho, 1933 
Baiana do tabuleiro, André Filho, 1937 
Bamboleô, André Filho, 1932 
Cidade Maravilhosa, André Filho, 1934 
Cinzas no coração, André Filho, 1941 
Eu quero casar com você, André Filho, 1930 
Filosofia - André Filho e Noel Rosa, 1933 
Mamãezinha está dormindo, André filho, 1930 
Mulato de qualidade, André Filho, 1932 
Nem queiras saber, André Filho e Felácio Silva 
O meu amor tem, André Filho, 1930 
Primavera da vida, André Filho e Almanyr Grego, 1937 
Quando a noite desce, André Filho e Roberto Borges, 1930 
S.O.S., André Filho, 1935 



Fonte: Dicionário da MPB

CAYMMI, 100 ANOS: QUINTETO VIOLADO CONHECEU O BUDA NAGÔ NA ÁFRICA

Grupo não chegou a tocar com o baiano, mas a viagem rendeu bons papos


Por Fernanda Guerra e Luiza Maia




O grupo pernambucano Quinteto Violado tinha dez anos de carreira quando foi convidado por Ruy Guerra e Chico Buarque na caravana do projeto Kalunda, com mais de 30 artistas, como Elba Ramalho, Clara Nunes, Djavan, Martinho da Vila e Edu Lobo, para Angola, na África. “Estávamos juntos o tempo todo. Ele falava muito da vida dele, de como conseguiu se definir quando foi morar no Rio, dos contatos que teve com as pessoas que faziam música brasileira”, recorda Marcelo Melo, sobre as amenidades da viagem.

Eles não chegaram a tocar juntos, pois Caymmi subia ao palco com Dori. “Ele comentou também os encontros com Luiz Gonzaga. Dizia que achava muito bonita a originalidade de Gonzaga e a identidade cultural nordestina impregnada na música dele”.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

ANDRÉ RIO FAZ NOVO GIRO PELA EUROPA

O cantor pernambucano realiza turnês no verão da Europa desde 1998. Na agenda, sete shows. Ele vai apresenta na Alemanha, Portugal, Áustria e Holanda


Por Marcelo Pereira




Levando na bagagem o frevo, o forró, a ciranda, o maracatu, o caboclinho e o samba, André Rio está de malas prontas para mais um giro no verão da Europa. Será a 16ª turnê em 21 anos de carreira. Na agenda, sete apresentações em duas semanas, pelo projeto Viva Pernambuco.

Ele estreia na próxima sexta, na abertura do 23° Internacional Samba Festival, na cidade Coburg, Alemanha. Depois segue para a Áustria, onde se apresenta no Ost Club de Viena (sábado e domingo). A turnê passa por Portugal, com show na Casa Santiago Alquimista, em Lisboa (dia 18); e Holanda, no Viva Brasil Festival Amsterdã (dia 19). De lá, volta a Portugal para mais duas datas: em Lisboa, na Festa da Copa (dia 23), e no Porto, no Tribeca Club (dia 25). 

O cantor está acostumado a agendas apertadas. Com seu nome associado ao desfile do Galo da Madrugada e ao Carnaval de Pernambuco, André Rio chega a fazer 30 shows por todo o Estado no período. E no São João o corre-corre continua. 

A primeira vez que ele fez turnê pela Europa foi em 1998. “Fui a convite de um produtor cultural português que me assistiu no Carnaval do Recife. Foi uma turnê muito significativa, pois foi o marco zero do nosso trabalho na Europa. De certa forma, acabei abrindo espaço para outros parceiros pernambucanos. Levei o Maestro Spok, Luciano Magno, Tostão Queiroga, entre outros artistas”, recorda. “A recepção sempre foi maravilhosa. Nos abraçaram naquela época e sinto que por definitivo”, comenta André Rio, que se tornou um embaixador informal da música pernambucana. “O público estrangeiro se encanta com os ritmos pernambucanos. Ao final dos shows, vem falar conosco querendo saber mais sobre a nossa arte.” 

Em seus shows pela Europa e Estados Unidos, André Rio mescla músicas de autores que admira e composições próprias. “Não pode faltar Gilberto Gil, Caetano, Jorge Ben Jor, Moraes Moreira, Caymmi e Ary Barroso. Dos compositores da nossa terra levo as canções de J. Michiles, Getúlio Cavalcanti, Antônio Maria, meu pai (o compositor Alírio Moraes), Capiba e meus parceiros Carlos Fernando, Nena Queiroga, Xico Bizerra e Luciano Magno. Nunca pode faltar Dominguinhos e Gonzagão, aos quais fiz uma homenagem e registrei no CD gravado ao vivo na Europa, em 2012. É um show com toda a diversidade de ritmos da nossa cultura”. 

Nesta turnê, André não leva bailarinos, como ocorreu no Brazilian Day de Nova Iorque, em 2013. Vai com uma banda enxuta, formada pelos músicos Luciano Magno, na guitarra; Pita Cavalcanti, na percussão; Thiago Piu-Piu, na bateria; Mongol Vieira, no baixo; e Thiago Albuquerque, teclados. 

Na plateia, ele espera encontrar um público diversificado. “Temos sempre o público local misturado a brasileiros. Mas já cantei para plateias que formadas somente por locais”, afirma André Rio. Uma coisa que ele não admite é fazer concessões. “A MPB é riquíssima e esse é o grande trunfo do Brasil. Não faço estilização da nossa música. Levo para o mundo o que há de melhor em nossa cultura e da maneira que foi composta. Lógico que os arranjos tem o meu perfil e minha inspiração. O resultado disso sempre é surpreendente”, diz. 

Nessas turnês, André aproveita para fazer intercâmbio com outros artistas. “Sempre tive encontros maravilhosos. Entre eles posso citar a fadista portuguesa Mariza. Também tenho encontros com artistas brasileiros como o Olodum, com quem cantei na Itália. Já dividi o palco com Jorge Benjor, Djavan, Gal Costa, Elba, Naná Vasconcellos, Alceu Valença, entre outros. Dessa vez, vou entregar o palco para Daniela Mercury no Viva Brasil Festival Amsterdã. Ela foi minha convidada no Carnaval de 1995, no Recife. Penso que será um belo reencontro”. 

E a cada volta para casa, ele traz suas recordações das turnês. “O maior de todos os momentos foi tocar na Sala Stravinski, principal palco do Festival de Montreux, onde tocou todos os grandes nomes do jazz e da música brasileira. Mostrar nossos ritmos com uma orquestra completa, no maior palco do maior festival de musica do mundo foi um dos grandes momentos da minha carreira musical”, relembra o cantor. 

Foi também numa turnê que viveu um dos momentos mais duros da sua carreira. “O mais difícil foi cumprir a agenda de shows quando da morte da meu pai. Foi difícil, muito difícil. Fiz os shows em sua homenagem. Cantando suas músicas. Mas o show sempre tem que continuar”, diz André Rio.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A MÚSICA E O FUTEBOL SEMPRE DE MÃOS DADAS – IV


Imaginem, se o Sport não joga futebol! Cartunista tricolor ou timbu…

Luiz Bandeira é autor de alguns dos maiores clássicos brasileiros, em variados ritmos, mas não se tem um registro em CD do velho mestre. Vez em quando, pergunto ao Fabio, da Passadisco, se chegou alguma coisa de Bandeira, ouvindo sempre a mesma coisa: ‘nada’. Nós dois com a mesma sensação de órfãos.

Nesta conversa, não vou detalhar o extenso, maravilhoso e exitoso repertório de Luiz Bandeira.

Ficarei apenas no foco de nossa série “A música e o Futebol”. Neste segmento fez uma música, que não fala de futebol, mas sua melodia nos leva à cadência do jogo, da bola, do jogador levando a bola, do movimento. É uma música cinética e perfeita para a trilha do futebol. Não fosse assim, não seria desde o antigo Canal 100 a grande banda sonora dos jornais, registros, fundos para vídeo, para publicidades e outros fins sempre relacionados ao futebol.

Existem versões, paródias. Desconfio que, – estou mandando uma carta para o ECAD para esclarecer este assunto -, é uma das músicas incidentais mais tocadas no Brasil em toda a história da indústria fonográfica.

Na Cadência do Samba (Que Bonito É) de Luiz Bandeira

Samba
Representa uma nação
Samba
Orgulho da raça
Retrato de um povo
Que tem alma e coração
Que bonito é
Ver o samba no terreiro
Assistir um batuqueiro numa roda improvisar
Que bonito é
A mulata requebrando, os tambores repicando
Uma escola a desfilar
Que bonito é
Pela noite enluarada, numa trova apaixonada
Um cantor desabafar
Que bonito é
Gafieira, salão nobre
Seja rico seja pobre
Toda gente a sambar
O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria
Bate que vai batendo a cadencia boa que o samba tem
Bate que repicando o pandeiro vai tamborim também

Mas, tem mais. Luiz Bandeira era mesmo bom de samba (também). Apesar de ter gravado baiões, frevos e outros ritmos nordestinos, teve alguns grandes sambas como sucessos nacionais, entre os quais “O apito no samba“, que acabou por ser o tema de futebol nos cine jornais de Carlos Niemeyer.

“Apito no Samba”, de Luiz Bandeira, com orquestra de Radamés Gnattali. Depois, recebeu letra de Luiz Antonio e foi um dos maiores sucessos da recém-falecida Marlene:


* * *

Perfil de Luiz Bandeira

Nasceu no Recife, mas foi criado em Maceió, cidade onde teve contato com os ritmos do coco e do pagode alagoano, assistindo à apresentação de cantadores cegos nas feiras.

Começou a carreira profissional no Recife. Em 1939, apresentando-se no programa “Valores Desconhecidos”, de Abílio de Castro, na Rádio Clube de Pernambuco. Seguiu na mesma rádio nos anos 40, com o apoio de Nelson Ferreira e Capiba, tendo obtido bastante sucesso atuando como violonista e rádio-ator.

Foi violonista na orquestra da rádio e fez parte do conjunto “Garotos da Lua”, inspirado no grupo “Bando da Lua” que acompanhava Carmen Miranda, nos Estados Unidos. Em 1942, passou a atuar como cantor na orquestra de Nelson Ferreira, apresentando-se em clubes sociais e durante o carnaval. Em 1948, passou para a Rádio do Comércio, onde atuou como rádio-ator. Em 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Na então capital federal, apresentou-se no Copacabana Palace, como cantor do conjunto de Moacir Silva. Posteriormente, foi contratado para o programa semanal “Ritmos da Panair”, na Rádio Nacional. Em 1951, Manezinho Araújo gravou a composição “Torei o pau“, grande sucesso no carnaval. No mesmo ano compôs com Humberto Teixeira “Baião sacudido“, que tornou-se grande sucesso. Em 1954, gravou “A um passo da eternidade“, do filme de mesmo nome, de R. Werlls e F. Karger, com versão de Lourival Faissal, e “Diana” de L. Pollac e E. Rapee, com versão de Alberto Lopes.

Ainda em 1954, Carmélia Alves gravou “Cafundó” e Virgínia Lane “Marcha da pipoca” que, pela letra satírica, acabou proibida. Em 1956, gravou um de seus maiores sucessos, “Na cadência do samba“, que acabaria nacionalmente consagrado como tema do jornal cinematográfico de futebol “Canal 100″, de Carlos Niemeyer. Na época, gravou o baião “Forró em cafundó“, composição em parceria com João do Vale, e o samba “Amor em Paris“, de Ibraim Sued e Mário Jardim.

Em 1957, Carmélia Alves voltou a gravar uma composição de sua autoria, o frevo-canção “É de fazer chorar“. Em 1960, fez parte da Terceira Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, conforme lei do então deputado Humberto Teixeira, visando divulgar a música brasileira no exterior. Apresentou-se com o sexteto de Radamés Gnattali nas Universidades de Coimbra, em Portugal, Oxford, na Inglaterra e Sorbonne, na França. Fez também uma apresentação na sede da Unesco. Em 1962, retornou ao Brasil. No ano seguinte, gravou o samba “Maravilha morena“, em parceria com José Batista. Apesar de ter gravado baiões, frevos e outros ritmos nordestinos, seus maiores sucessos foram sambas, entre os quais “O apito no samba“, que acabou por ser o tema de futebol nos cine jornais de Carlos Niemeyer. Em 1964, passou a atuar como diretor artístico da boate Sky Terrace, no Rio de Janeiro. Mais tarde, começou a trabalhar como empresário.

Em 1975, gravou pelo selo Equipe um LP reunindo antigos sucessos e músicas inéditas. Em 1976, participou da produção de um disco de Luiz Gonzaga. O “Rei do baião” gravou diversas composições suas, entre as quais “Fulô da maravilha“, em 1976, “Onde tu tá neném“, em 1977, e “Viola de Penedo” em 1978. Em 1979, venceu o concurso musical promovido no primeiro Encontro Nacional do Frevo, o Frevança, com o frevo-canção “Linha de frente” , gravado por Claudionor Germano. No mesmo ano, suas composições “Linha de frente” e “Recife meu amor” foram incluídas no disco “O bom do carnaval”, da gravadora CID. Em 1985, participou de show no Teatro Valdemar de Oliveira, juntamente com o maestro Edson Rodrigues, dentro do projeto “Encontro às segundas”, no qual apresentou o conjunto de sua obra. Ainda em 1985, no VII Frevança, teve sua composição, “Dina“, escolhida como o melhor frevo-canção.

Foi também escolhido como melhor intérprete. Como produtor, no mesmo ano, resgatando sua obra, editou o disco “Voltei Recife”, pela Polydisc. Em 1991, editou “Como sempre fui – 50 anos de vida artística”, pela ‘Intuição’.

Nas décadas de 1980 e 90 teve diversas de suas composições gravadas por diferentes intérpretes da MPB, entre os quais Clara Nunes, com “Viola de Penedo“, Maria Bethânia, que gravou “O que os olhos não vêem“, e Alceu Valença, com “Voltei, Recife“, além de Elba Ramalho, com “Onde tu tá, Neném“.

Em 1998, recebeu homenagem no Sesi, Serviço Social da Indústria, com o lançamento do CD “Luís Bandeira: sua música e seus amigos”, com direção e arranjos de Edson Rodrigues. Em 2001 teve a música “Fulô da maravilha” relançada no CD “Duetos com Mestre Lua – Gonzagão e convidados”, interpretada pelo grupo de forró Rastapé em dueto póstumo com Luiz Gonzaga.

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Gilberto Gil (Universal) (1969)


Gilberto Gil, também conhecido com o sobrenome de "Cérebro Eletrônico", é o nome do terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil, lançado em 1969, pela Philips3 . O álbum traz, como seu antecessor, o rock psicodélico - forte característica do movimento tropicálico . Apesar da boa recepção do álbum, este só teve um single, considerado o primeiro grande sucesso de Gil, "Aquele Abraço", enquanto trazia um repertório de nove faixas, onde além da canção já citada, apenas "Cérebro Eletrônico" ganhou mais algum destaque, anos depois, com a regravação de Marisa Monte, em 1996. O b-side de "Aquele Abraço", "Omã Iaô", foi lançada como faixa bônus nos relançamentos, ao lado de canção compostas pelo próprio Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Ben - esses dois últimos participam de "Queremos Guerra", de Jorge Ben.

Faixas:
01 - Cérebro eletrônico (Gilberto Gil) 
02 - Volks Volkswagem Blue (Gilberto Gil)
03 - Aquele abraço (Gilberto Gil)
04 - 17 léguas e meia (Carlos Barroso - Humberto Teixeira)
05 - A voz do vivo (Caetano Veloso)
06 - Vitrines (Gilberto Gil)
07 - 2001 (Tom Zé - Rita Lee)
08 - Futurível (Gilberto Gil)
09 - Objeto semi-identificado (Rogério Duarte - Gilberto Gil - Rogério Duprat)
10 - Omã Iaô
(Gilberto Gil) 
11 - Aquele abraço (Versão integral) (Gilberto Gil)
12 - Com medo, com Pedro (Versão demo) (Gilberto Gil)
13 - Cultura e civilização (Versão demo) (Gilberto Gil)
14 - Gueremos guerra (Jorge Ben)

LP Original
Produzido por Manoel Barenbein
Arranjos e direção musical Rogério Duprat
Gravado em 4 canais nos estúdios J.S (Salvador-Bahia),
Scatena (São Paulo) e Philips (Rio) entre abril e maio de 1969
Técnicos: Ary Carvalhães, Célio Marins, João Kibelskis, Stélio Carlini, Paulo Frazão e João dos Santos

CD / edição especial
Projeto gráfico Manifesto / Adriana Lins e Guto Lins
Assistente Carolina Ferman
Coordenação gráfica Gê Alves Pinto e Geysa Adnet

Faixas Bônus
Remixadas em estéreo por Carlos Savalla (PolyGram, setembro 1998)
Produção executiva e seleção de repertório Marcelo Fróes


Ficha Técnica Original:
Produção - Manoel Barenbein (Produtor musical)
Arranjos e regência: Rogério Duprat E Chiquinho de Moraes

Instrumentos:
Gilberto Gil (Violão)
Lanny Gordin (Guitarra)
Sérgio Barroso (Baixo)
Wilson das Neves (Bateria)
Chiquinho de Moraes (Piano)

Re-lançamento:
Produção: Marcelo Fróes (Produtor executivo)
Adriana Lins (Projeto gráfico)
Guto Lins (Projeto gráfico)
Carolina Ferman (Assistente)
Gê Alves Pinto (Coordenador gráfico)
Geysa Adnet (Coordenadora gráfica)
Carlos Savalla (Remixado em estéreo, em setembro de 1998)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

PROGRAME-SE


MÚSICOS PROTESTAM POR PAGAMENTO DE SHOWS NO CARNAVAL

Eles alegam que estão a cinco meses tentando receber o dinheiro



Músicos e produtores culturais estão realizando um ato em frente a Prefeitura do Recife para reivindicar os pagamentos referentes as apresentações durante o Carnaval. Cerca de nove pessoas estão com faixas pedindo para que a prefeitura realize o pagamento.

Eles alegam que a prefeitura pagou antecipadamente as atrações nacionais e que já fazem cinco meses que eles tentam receber o pagamento mas a prefeitura diz que ainda não tem os recursos. Eles realizam um ato pacífico e não estão bloqueando a via.

A Fundação de Cultura Cidade do Recife disse em nota que os pagamentos ainda pendentes são referentes a 5% dos músicos contratados, e que os motivos para o não recebimento dos valores, são problemas na prestação de contas ou, ainda, pendência na documentação necessária para o pagamento. A fundação orienta aos profissionais que se dirijam à sede da fundação, no 15º andar, do prédio sede da Prefeitura do Recife, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h, para que haja a análise de cada caso ou ligar para o telefone (81)3355.8196.

Fonte: JC Online

terça-feira, 22 de julho de 2014

EM ANO DE ELEIÇÃO, DEPUTADOS PRIORIZAM SHOWS PAGOS COM DINHEIRO PÚBLICO

Mimo para as bases: parlamentares utilizaram 35% das suas emendas para pagar 488 shows em Pernambuco

Por Jumariana Oliveira



No ano em que a maioria dos deputados estaduais disputa a reeleição, a destinação de emendas parlamentares para bancar shows em várias regiões do Pernambuco ocupou 35% do orçamento do Estado reservado para as indicações feitas pelos legisladores. De janeiro a julho, 427 emendas foram repassadas para apresentações de bandas de brega, forró, axé, samba, pagode e sertanejo. Foram R$ 19,3 milhões de verba pública para este tipo de gasto. O dinheiro é retirado das emendas disponibilizadas pelo poder Executivo aos 49 deputados. 

Cada parlamentar pode indicar gastos de até R$ 1,3 milhão por ano, o que representa R$ 63,7 milhões do orçamento estadual. A verba poderia ser usada para reformas de escolas, postos de saúde ou até calçamentos de ruas. No entanto, o uso do dinheiro para bancar shows nas bases eleitorais dos deputados está cada vez mais constante, principalmente em período de festas tradicionais, como São João e Carnaval. O JC fez um levantamento com base no Diário Oficial do Executivo e constantou que somente do mês de julho (até o dia 16) foram 102 emendas destinadas para pagamentos de festas durante o período junino. 

O campeão de emendas voltadas para shows foi o deputado Isaltino Nascimento, do PSB. Ele destinou todo recurso a que tem direito, R$ 1,3 milhão, para o pagamento de bandas como Chiclete com Banana - que se apresentou no dia 22 de junho em São José do Egito - e Calypso, que realizou shows durante o desfile do Galo da Madrugada e em Belém de São Francisco no Carnaval ao custo de R$ 250 mil. Somente essas duas atrações demandaram R$ 420 mil do erário público. O sertanejo Luan Santana se apresentou em Itaquitinga no dia 26 de junho e seu show custou R$ 200 mil aos cofres estaduais. A indicação também foi feita por Isaltino. 

Mas não foi apenas o socialista quem deu prioridade ao festejos tradicionais. Com base no Agreste do Estado, o deputado Henrique Queiroz (PR) separou R$ 1,1 milhão das suas emendas para o pagamento de shows, todos realizados onde já possui votação expressiva, como Vitória de Santo Antão, Chã Grande, Brejo da Madre de Deus e Camutandga. Ele foi o recordista em número de apresentações. Foram 43 programações custeadas com o dinheiro do Estado, mas que estava na cota do parlamentar. 

Os festejos de padroeiros dos municípios também entram na lista. O parlamentar normalmente envia o recurso para locais onde possuem votação. Serra Talhada, por exemplo, recebeu emendas de Sebastião Oliveira (PR) e Augusto César (PTB), dois representantes da região. 

Os cachês que foram pagos este ano variam de R$ 5 mil a R$ 220 mil. A apresentação mais cara ficou por conta da dupla Bruno e Marrone, que se apresentou no município de Cachoeirinha, no Agreste, no dia 29 de junho, data em que é comemorada o dia de São Pedro. A indicação foi feita pelo deputado estadual Sílvio Costa Filho (PTB). 

No total, 488 shows foram financiados por 39 dos 49 deputados estaduais. Isso porque o legislador pode solicitar mais de uma apresentação por emenda. Parlamentares evangélicos, a exemplo do Pastor Cleiton Collins (PP) e Bispo Ossésio (PRB), também utilizaram a verba para pagamento de cachês. O primeiro priorizou artistas evangélicos. Já Ossésio, que é suplente e já não exerce mais mandato na Assembleia, reservou sua cota para financiar Patusco, André Rio e Almir Rouche no Carnaval de Paulista. Juntos, os shows custaram R$ 116 mil ao erário público. Vale destacar que a maior parte das emendas são destinadas a artistas que têm grande aprovação popular. Apenas Teresa Leitão (PT) e Daniel Coelho (PSDB) enviaram para agremiações carnavalescas locais.

PROGRAME-SE


segunda-feira, 21 de julho de 2014

ENTRE O NINHO E A ESTRADA

Após lançar dois álbuns e um single com excelente acolhida do público e da crítica, a curitibana Thaís Gulin concentra agora energias na criação de canções de seu terceiro trabalho e vive um processo bastante particular de silêncio e recolhimento


Por Adriana Paiva





Ao descobrir-se mais introvertida do que acreditava, Thaís Gulin não sente culpa por se isolar. E diz entender que essa não é uma necessidade nova, mas que se insinuava desde a época em que lançou seus dois primeiros álbuns, embora tenha se acentuado bastante de um ano para cá. “No primeiro disco foi assim também, embora tenha sido o processo menos calado. Mas, no terceiro, isso está ainda mais forte que no segundo”, diz. “Quase não saio e acho que vou ficar cada vez mais quieta.”

Foi em meio a essas reflexões que a artista concluiu que não fazia mais sentido voltar esforços à produção do DVD que reuniria os trabalhos lançados até aqui, algo que ainda estava em seus planos no ano passado. O hiato entre o disco de estreia Thaís Gulin, de 2007, e ôÔÔôôÔôÔ, de 2011, deu margem a uma urgência criativa e também a um reajuste de curso. “Normalmente, o DVD é lançado logo em seguida ao CD. Acho que não sabia disso antes”, justifica. “Estou aprendendo tudo na prática: o tempo das coisas, o tempo do mercado.”

Até o dia em que Thaís concedeu esta entrevista, em seu apartamento, na Gávea, eram cinco as canções prontas. Todas com letra e música de sua autoria. O que não significa que, para esse futuro álbum, ela descarte a possibilidade de parcerias. Alguns convites já foram feitos e a ideia é, inclusive, repetir colaborações experimentadas nos trabalhos anteriores, como a com o carioca Rodrigo Bittencourt. Outra parceria já divulgada é com o músico pernambucano China. “Eles mandaram músicas lindas. Mas aí entrei nesse processo de ficar muito, muito quieta, sabe?”


NO RIO E PELO MUNDO

Thaís é capaz de discorrer com igual fluência tanto sobre as maravilhas quanto sobre as mazelas do Rio de Janeiro, cidade homenageada em seu segundo disco. Mas ela, que já morou na França, na Bélgica e na Inglaterra, diz não se conceber mais vivendo em outro lugar que não aqui. O sotaque de sua Curitiba natal e a pele muito alva desfazem, no entanto, qualquer possibilidade de a artista ter assumido a imagem típica da garota carioca ao longo dos 11 anos na cidade. No Rio, a cantora continua não sendo dada a frequentar praias. E já não era na época em que morava no Leblon, a poucos metros do mar. “Eu era mais bronzeada quando morava em Curitiba”, diz, sorrindo. E essa, ela assegura, não foi uma mudança que tenha ocorrido em função do assédio dos paparazzi. Observado, sobretudo, após o namoro com Chico Buarque, iniciado em 2009. Desse assunto, aliás, Thaís continua se esquivando com a mesma veemência de sempre. Mas não sem alguma dose de humor. Tendo sido fotografada ao lado do cantor em diversas ocasiões, é às gargalhadas que ela diz não saber se algum paparazzo também chegou a fotografá-la em uma de suas raras incursões pelas praias do Rio.

Na cidade, a cantora estabeleceu uma rotina cujo foco principal está em compor para o próximo disco. E uma das atividades que lhe têm sido fundamentais nesse processo é a meditação transcendental. “Já faço há seis anos. Acordo, medito, tomo um café e começo a trabalhar”, conta. “Isso abre um canal e você fica muito em contato consigo mesma. É maravilhoso!” Outro hábito diligentemente cultivado é o da leitura. No momento, Thaís mergulha em sugestões bibliográficas do músico Jorge Mautner, a quem ela recebeu como convidado na série de shows que realizou, em maio passado, na Caixa Cultural Rio (participação que volta a se repetir na Caixa Cultural Brasília, nos dias 24 e 25 deste mês). Interlocutor frequente da artista há algum tempo, Mautner indicou-lhe a leitura de China tropical, reunião de artigos de Gilberto Freyre sobre a influência do Oriente na cultura brasileira, e os três volumes de História das crenças e das ideias religiosas, do romeno Mircea Eliade.

Na esteira de um intercâmbio tão profícuo, é bastante provável que o próximo disco também venha a ter algo da lavra do amigo. “O Mautner é incrível. Ele é sabido, mas também é solto e muito livre; um poeta”, elogia, entregando em seguida: “Combinamos de fazer uma música juntos”.


HÁBITOS E CRENÇAS

Embora religiões frequentem o universo de interesses da cantora, ela diz não professar nenhuma doutrina em especial. Ainda antes de completar 20 anos e concluir a graduação em Administração de Empresas, na PUC-PR, Thaís chegou a pensar em cursar Teologia. Mas como seu interesse era, sobretudo, conhecer outros costumes e crenças, alguém na universidade sugeriu-lhe que talvez fosse mais apropriado estudar Sociologia. Desde então, certa busca por sentido, nos pequenos e grandes fatos da vida, a tem movido. “Quando viajei para a Tailândia, dois anos atrás, estive em vários templos. Acho tudo muito bonito e a energia é diferente. Como é lindo ter esse convento aqui perto [de casa] ou o Candomblé, que já fui ver algumas vezes. Mas não que eu tenha um credo específico.”

Nessa fase de energias voltadas à criação e de sensibilidade especialmente aguçada, outro hábito que Thaís faz questão de manter é o de deitar com um caderninho ao lado da cama. Na verdade, o método, trazido da época em que trabalhou com o diretor Augusto Boal, passou por adaptações depois que ela teve seguidas noites de sono comprometidas. “Eu ficava sempre ligada e aquilo me deu muita insônia.” Mas a cantora encontrou alternativas para registrar as ideias que afluem enquanto ainda está na cama. “Tenho sonhado muito com música”, revela. “Às vezes, sonho com uma melodia, aí, levanto e gravo no celular. Dia desses, no aparelho em que fui gravar, a memória estava cheia. Precisava voltar a dormir, mas, antes, queria registrar aquela ideia. Aí, levantei e gravei no GarageBand [software da Apple]. Depois, descobri que não tinha gravado nada.”

Algo que se infere logo nos primeiros minutos de uma conversa com a cantora é o quanto tecnologia e internet estão presentes no seu dia a dia. Duas das redes sociais em que ela tem sido mais assídua, ultimamente, são o Facebook e o Instagram. Foi acessando este último, a propósito, que ela descobriu o mural grafitado que seria um dos cenários das fotografias que ilustram esta matéria – não tivesse a arte recebido, na véspera, uma imprevista camada de tinta branca.

Para ela, a rede, além de eliminar a necessidade de o artista estar em tantos lugares, tem funcionado como um eficiente canal para divulgação de seu trabalho, aqui e no exterior. Ela corrobora a impressão com o exemplo de show feito, em outubro passado, na Casa de América, em Madri. Assim que chegou ao teatro, Thaís, que não tem disco lançado na Espanha, diz ter ficado imediatamente apreensiva frente ao tamanho do lugar. “A gente vinha de shows em um país por dia e não tinha parada para descanso. Ia passando o som e pensando, exausta: putz, é grande, né?” Preocupação que, no final, se mostrou infundada, uma vez que, minutos antes de o espetáculo começar, a fila na bilheteria já dava volta no quarteirão e muita gente teve que voltar para casa. Da Espanha à Alemanha, o mesmo afluxo de público se repetiu em todas as casas onde a turnê aportou. E a cantora não hesita ao atribuir tamanho sucesso também à sua presença nas redes sociais.

Com shows agendados em algumas capitais brasileiras até setembro, a curitibana cogita voltar à Europa antes do final do ano, mas com objetivos diferentes dos habituais. Na Inglaterra, ela fará um novo curso de teatro e, em Paris, uma oficina de canção francesa. “Não para escrever música em francês, mas para me divertir um pouco, limpar a cabeça”, adianta. “Também vou usar esse tempo fora para terminar as músicas. Rendo muito mais quando estou viajando.”

PROGRAME-SE


domingo, 20 de julho de 2014

DJAVAN E DOMINGUINHOS - A ROTA DO INDIVÍDUO

A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL

1964 foi um ano de grandes mudanças no cenário político-social em nosso país e que perdurou pelos 20 anos posteriores. No entanto, foi nesta década que a música brasileira tomou uma projeção nunca antes alcançada com a bossa nova no Carnegie Hall e a garota de Ipanema ganhando o mundo através da voz de Frank Sinatra. Eis as cem canções mais executadas no ano de 1964:

001 - Datemi Un Martello (Rita Pavone)
002 - I Want To Hold Your Hand (Beatles)
003 - Rua Augusta (Ronnie Cord)
004 - O Ritmo da Chuva (Demetrius)
005 - Please Please Me (Beatles)
006 - She Loves You (Beatles)
007 - Dominique (Giane)
008 - Parei na Contramão (Roberto Carlos)
009 - Can't Buy Me Love (Beatles)
010 - Que Queres Tu de Mim (Altemar Dutra)
011 -
Doce Amargura (Moacyr Franco)
012 - Bigorrilho (Jorge Veiga) 
013 - Deixa Isso Pra Lá (Jair Rodrigues)
014 - Acorrentados (Agnaldo Rayol)
015 - Love Me Do (Beatles)
016 - É Proibido Fumar (Roberto Carlos)
017 - Hello, Dolly! (Louis Armstrong)
018 - Twist And Shout (Beatles)
019 - Una Lacrima Sul Viso (Bobby Solo)
020 - Love Me With All Your Heart (Ray Charles Singers)
021 - 
El Relicário (The Clevers)
022 - Everybody Loves Somebody (Dean Martin)
023 - Mulher Governanta (Silvinho)
024 - Tudo de Mim (Altemar Dutra)
025 - Escrivi Me (Rita Pavone)
026 - The Girl From Ipanema (Stan Getz e Astrud Gilberto)
027 - Do You Want To Know A Secret (Beatles)
028 - Sabe Deus (Carlos Alberto)
029 - Dominique ?(Souer Sourire)
030 - Pombinha Branca (Silvana)
031 - O Divórcio (Oslaim Galvão)
032 - Rancho da Praça XI (Dalva de Oliveira)
033 - Igual a Ti Não Há Ninguém (Rosemary)
034 - A Carta (Waldik Soriano)
035 - Beijo Gelado (José Augusto)
036 - Sul Cucuzzolo (Rita Pavone)
037 - O Menino das Laranjas (Elis Regina)
038 - America (Trini Lopez)
039 - Bicho do Mato (Jorge Ben)
040 - Olhando Para o Céu (Trio Esperança)
041 - De Joelhos (Carlos Alberto)
042 - Louie Louie (The Kingsmen)
043 - Cabeleira do Zezé (Jorge Goulart)
044 - Ai de Mim (Golden Boys)
045 - Leda (Adilson Ramos)
046 - Forget Him (Bobby Rydell)
047 - You Don't Own Me (Lesley Gore)
048 - If I Had A Hammer (Trini Lopez)
049 - Queria (Carlos José)
050 - La Bamba (Trini Lopez)
051 - Lado a Lado (Carlos Alberto)
052 - Canto o Fado (Olivinha Carvalho)
053 - Nanã (Wilson Simonal)
054 - Diz Que Fui Por Aí (Nara Leão)
055 - Andorinha (Hebe Camargo)
056 - Meu Bem (Agnaldo Rayol)
057 - O Calhambeque (Roberto Carlos)
058 - Inútil Paisagem (Tenório Jr.)
059 - Paz do Meu Amor (Hebe Camargo)
060 - Tristeza de Nós Dois (Claudette Soares)
061 - The Hully Gully (Chubby Checker)
062 - There! I've Said It Again (Bobby Vinton)
063 - Deep Purple (Nino Tempo e April Stevens)
064 - Luz Negra (Nara Leão)
065 - Deixa Pra Mim a Culpa (Agnaldo Rayol)
066 - Ó, Meu Senhor (Wilson Miranda)
067 - Esse Mundo é Meu - Sergio Ricardo
068 - Capela do Amor (Wanderléa)
069 - A Perereca da Vizinha (Dercy Gonçalves)
070 - Quero Me Casar Contigo (Roberto Carlos)
071 - O Sol Nascerá (Nara Leão)
072 - Bossa Nova Baby (Elvis Presley)
073 - Diz Que Fui Por Aí (Elizeth Cardoso)
074 - Serenata da Chuva (Altemar Dutra)
075 - Berimbau (Quarteto em Cy)
076 - Somente Uma Saudade (José Ricardo)
077 - Consolação (Wilson Simonal)
078 - Me Apeguei Com Meu Santinho (Wanderléa)
079 - O Passo do Elefantinho (Trio Esperança)
080 - Telefone (Os Cariocas)
081 - Exército do Surf (Wanderléa)
082 - O Relógio (El Reloj) (Adilson Ramos)
083 - Vou Morrer de Tanto Rir (Silvinho)
084 - Um Leão Está Solto nas Ruas (Roberto Carlos)
085 - Maria Elena (Los Indios Tabajaras)
086 - Canção da Serra (José Ricardo)
087 - Ansiedade (Carlos Alberto)
088 - Esta Noche Pago Yo (Lucho Gatica)
089 - My Boy Lollipop - Millie Small
090 - Uma Lágrima no Rosto (Tony Campello)
091 - Java (Al Hirt)
092 - Se Eu Morresse Amanhã (Waldick Soriano)
093 - Abraza-me (Bienvenido Granda)
094 - Juca do Brás (Leila Silva)
095 - Sugar Shack (Jimmy Gilmer e The Fireballs)
096 - If I Had A Hammer (Prini Lorenz)
097 - Meu Broto Só Pensa em Estudar (Albert Pavão)
098 - Mas Que Nada (Jorge Ben)
099 - Palavras, Só Palavras (Martha Mendonça)
100 - Obsessão (Sergio Odilon)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

UMA EXALTAÇÃO A UM SALGUEIRO DE VEROSSÍMIL TALENTO

Em seu primeiro projeto solo a cantora e compositora carioca presta uma justa homenagem a dois expressivos nomes do universo do samba carioca

Por Bruno Negromonte



Antes de abordar a artista em questão é preciso trazer o nome de dois compositores que sem as suas respectivas existência o projeto a ser abordado não existiria: Waldemar Ressurreição e Djalma SabiáApesar de ter nascido na região do Cariri, no Ceará, Waldemar (que se vivo estaria completando cem anos no próximo mês de outubro) deu os seus primeiros passos no universo musical na cidade baiana de Ilhéus quando ganhou um cavaquinho. Logo após aprender os primeiros acordes começou a compor e levou consigo essa característica quando foi morar no Rio de Janeiro, cidade que chegou quando tinha 18 anos, em 1932. Nos anos de 1940 teve suas primeiras composições gravadas e formou parcerias com nomes como Herivelto Martins e Evaldo Rui, a partir daí teve canções de sua lavra registradas por nomes como Noite Ilustrada, Ary Lobo, Trio de Ouro, Quatro Ases e Um CoringaFrancisco Alves, Demônios da Garoa, BlecauteCarlos Nobre, Roberto SilvaMoreira da Silva entre outros, além de criar o grupo vocal Anjos do SolJá o carioca Djalma de Oliveira Costa (popularmente conhecido como Djalma Sabiá) tornou-se uma das emblemáticas figuras da história do carnaval carioca por ser um dos responsáveis pela fundação do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, tradicional escola de samba cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 5 de março de 1953. Pertencente a ala dos compositores da agremiação, Sabiá (que recebeu este apelido nos tempos em que jogava futebol nas peladas do morro do Salgueiro) foi responsável por diversos samba-enredos da escola que fundou. Dentre os mais conhecidos pode-se destacar "Navio Negreiro",de 1957; "Viagens pitorescas ao Brasil ou Exaltação a Debret", em parceria com Duduca do Salgueiro, de 1959; "Chico Rei", de 1964, de sua autoria em parceria com Geraldo BabãoBinha entre outros grandes hits da agremiação carioca. Hoje aos 88 anos Djalma é o único fundador da agremiação ainda vivo. Sua presença entre nós ressalta a sua importância não apenas por ser, de certo modo, a história viva não apenas do Salgueiro, mas de certo modo do carnaval carioca. 


Ciente da importância desses dois emblemáticos nomes para o universo do samba, Grassa Rangel presta essa singela homenagem dando as flores em vida a Djalma Sabiá m seu primeiro projeto solo, cujo o título é "Grassa Rangel Canta Salgueiro de Waldemar Ressurreição a Djalma Saibá". Neste projeto Grassa consegue apresentar ao longo das faixas presentes um pouco da história do autêntico samba produzido no Rio de Janeiro a partir dos nomes homenageados e outros existentes na ala de autores do Salgueiro ou Salgueirenses de coração. O álbum trata-se de um belíssimo e sonoro cartão-postal que edifica a cultura musical carioca em sua mais genuína essência em ritmo e melodia a partir de um apanhado de canções que foram rememoradas com o luxuoso auxílio do poeta e compositor Djalma SabiáSão catorze faixas, entre sambas enredo clássico e seus variantes, que representam alguns dos grandes momentos do Salgueiro enquanto Escola e comunidade. O disco abre com um pout-pourri de canções que ganharam a avenida nos anos de 1960: Chico Rei, “Dona Beja Feiticeira de Araxá” (1968) e "Chica da Silva” (1963). Da lavra de Waldemar Ressurreição o projeto conta com as canções A maior Maria” (parceria com Gerôncio Cardoso), Que rei sou eu” (com Herivelto Martins), Meu bairro canta” e Meu latim”; de modo solo Geraldo Babão assina o samba “União do Salgueiro”. Cantadas pelo povo da escola na quadra do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro Grassa Rangel teve a perspicácia de selecionar sambas como Eu Vou Me Ausentar do Samba”, “Água do Rio” e “Vem chegando à madrugada”, composições de  FuzarcaNoel RosaAnescar e Zuzuca, respectivamente. De outros consagrados compositores salgueirenses Grassa apresenta Muito obrigado”, de Cesar VenenoDeus Existe, de Tiãozinho do Salgueiroo partido “Eu não namoro mulher feia” (Fuzarca) e Sabiá do Salgueiro”, canção feita a partir de um poema de autoria de Mestre Ziza, o Zizinho, o maior ídolo do futebol brasileiro antes de PeléO disco ainda conta com O Moleque do Repique” (Marcílio do Salgueiro e Olímpio), Vai batalhar” (Oscarzinho e Zé Vicente) e “Entre a pernada e a rasteira” (Claudio Freire e Luiz Guima). Além de Djalma Sabiá que figura entre os compositores em parceria com Valdir Careca  assinando Tem Samba no Terreiro”.

Com a produção e direção geral de Adelzon Alves e co-produção do homenageado Djalma Sabiá, o disco conta em sua tecitura com a colaboração de nomes como Roberto Marques (trombone), Luis Barcelos (bandolim), Eduardo Tartarelli Neves (flauta e sax), Ubirany (repique de mão), Paulão 7 cordas (regência, produção musical e regência), Paulo Soares (cavaco), Jorge Gomes (bateria), Ramon Alexandre Paiva Araújo (violão 6 cordas), Rogério Caetano (violão 7 cordas), Pretinho da Serrinha (cuíca, caixa e percussão), Alexssandro (pandeiro e tantã), Allison (surdo e atabaque), Zé Luiz Maia (baixo). Além do coro de Zélia, Silvia Nara, Analimar, Stênio e Rixxa nos vocais.

Desse modo Grassa Rangel eterniza-se no universo do samba respaldada não apenas por seu carisma e talento, mas principalmente por um repertório constituído por pérolas do samba carioca através de compositores que eternizaram-se nas ruas, becos, quadra e vielas do Morro do Salgueiro sob a benção de Djalma Sabiá. Em um ambiente predominantemente masculino, a sambista sente-se à vontade com com as precisas interpretações de um repertório constituído por jóias pinceladas por  Adelzon Alves, conceituado jornalista que faz um trabalho de quase cinco décadas em pró da música popular brasileira e é responsável pelo lançamento de nomes como DjavanZeca PagodinhoBezerra da Silva entre tantos outros respeitados do cenário musical brasileiro atual. Agora é vez de Adelzon dar a benção a esta artista que atesta em definitivo que por trás dos estigmas atribuídos aos morros existe algo maior que pulsa em versos e compassos e que acaba por tornar estes lugares profícuos cenários para o desenvolvimento do samba. Ao apresentar este disco, Grassa Rangel constata isto de modo irrevogável prestando um serviço sem precedente não apenas à cultura carioca, mas ao samba brasileiro como um todo a partir deste álbum que em nada difere de um documento histórico-cultural.


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Arlequim: http://www.arlequim.com.br/detalhe/1558601/Canta+Salgueiro+de+Waldemar+Ressurreicao+e+Djalma+Sabia.html

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