PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

GUTO GOFFI E UM BANDO PRA LÁ DE MUSICAL

Baterista do Barão Vermelho apresenta álbum que traz inédita de Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

BELEZA, VOZ, VIOLÕES E TALENTO

Em seu primeiro disco, a cantora e instrumentista carioca Alice Passos apresenta uma verdadeira antologia ao violão brasileiro.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 20 de julho de 2010

100 ANOS DE HAROLDO LOBO

Haroldo Lobo, nasceu no Rio de Janeiro em uma família de músicos. O pai, Quirino Lobo, tocava flauta e violão, e seu irmão Osvaldo Lobo (Badu) era compositor e baterista.

Iniciou seus estudos musicais (teoria e solfejo) na escola da América Fabril. Desde os 13 anos de idade, compunha sambas para o Bloco do Urso. Trabalhou como guarda na polícia de vigilância, empregando-se posteriormente na América Fabril. Freqüentador de cafés, era conhecido no meio pelo apelido de Clarineta por cantar em uma tessitura semelhante à do instrumento. Considerado, ao lado de Braguinha e Lamartine Babo, um dos três mais expressivos autores do repertório carnavalesco no Brasil.

Em 1934, teve sua primeira música gravada, "Metralhadora", cujo texto fazia alusão à revolução constitucionalista, feita em parceria com Donga e Luís Meneses, lançada por Aurora Miranda. Neste mesmo ano, lançou o samba "De madrugada", com Vicente Paiva, também gravado por Aurora Miranda. Compôs vários sambas em parceria com Milton de Oliveira, um dos quais "Juro" obteve prêmio da prefeitura do antigo Distrito Federal no carnaval de 1938, tendo sido lançado com sucesso por J. B. de Carvalho. Para os carnavais de 1940-1941, lançou "O passarinho do relógio" e "O passo do canguru", as duas em parceria com Milton de Oliveira, trazendo em ambas uma temática que se tornou característica de sua produção, letras envolvendo animais. As duas músicas foram gravadas por Aracy de Almeida, sendo que a segunda chegou a ser gravada nos Estados Unidos com o título de "Brazilian Willy", lançada também por Carmen Miranda em 1942. Em 1941, destacou-se com o lançamento de "Alá-lá-ô", uma parceria com Nássara, gravada por Carlos Galhardo. A história da música começou de fato em 1940, quando um bloco do bairro da Gávea cantou nas ruas a marcha "Caravana", de autoria de seu patrono Haroldo Lobo. Meses depois, preparando o repertório para o carnaval de 1941, Haroldo pediu a Nássara para completar a composição, que fez então a segunda parte da música. Destaca-se ainda nesta gravação a atuação de Pixinguinha, que fez às pressas um arranjo primoroso para o qual criou a introdução e partes instrumentais executadas ao longo da música. Ainda em 1941, lançou "O bonde do horário já passou", com Milton de Oliveira e, "Essa vida não é sopa", com Wilson Batista, ambas gravadas por Patrício Teixeira.

Em 1942, lançou "Emília", parceria com Wilson Batista, gravada por Vassourinha e, "A mulher do leiteiro", com Milton de Oliveira, gravada por Aracy de Almeida. Utilizava em muitas de suas composições temas do cotidiano da cidade e mesmo do país, como, por exemplo, a marcha "Oito em pé", que comentava a autorização pública para que oito passageiros viajassem em pé nos coletivos por racionamento de gasolina. Um outro exemplo, também, a marcha "Tem galinha no bonde", cuja letra mencionava a regulamentação do transporte de galinhas no bonde. Ambas foram gravadas por Aracy de Almeida.

Nos anos de 1943-1944, também na linha de comentário social, lançou "Que passo é esse, Adolfo?", com Roberto Roberti e, "As ruas do Japão", com Cristóvão de Alencar, em cujas letras satirizava práticas peculiares ao eixo beligerante, Alemanha e Japão respectivamente. Em 1945, obteve o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval, promovido pela prefeitura do Distrito Federal, com a marcha "Verão do Havaí", com Benedito Lacerda, gravada por Francisco Alves e Dalva de Oliveira. Ainda neste ano, fez sucesso com o samba "Rosalina", em parceria com Wilson Batista, gravado por Jorge Veiga.

Em 1946, venceu mais uma vez o concurso de músicas carnavalescas com a marcha "Espanhola", uma parceria com Benedito Lacerda, lançada por Nélson Gonçalves. Haroldo Lobo era folião dos mais animados e preparava suas músicas de carnaval com muito cuidado e grande antecedência. Sua dedicação resultava sempre em um grande sucesso popular para cada ano de folia. Dentre estes, destacam-se "O passo da girafa", com Milton de Oliveira, lançado em 1949 por Aracy de Almeida.

Em 1951, o êxito veio com "O retrato do velho", cuja letra comentava a prática instituída pelo Estado Novo (e sustentada pelos governos posteriores), que recomendava a colocação de retratos do presidente nas paredes das repartições públicas. Feita em parceria com Marino Pinto, compositor que sempre teve admiração pelo presidente Getúlio Vargas, esta marcha, na qual a volta do líder ao poder foi simbolizada no retorno do retrato à parede, foi gravada com enorme sucesso por Francisco Alves. A marcha só não foi apreciada pelo próprio Getúlio, que detestava ser considerado velho. Em 1955, obteve sucesso no carnaval com a marcha "Tira essa mulher da minha frente", parceria com Milton de Oliveira e gravada na Copacabana por Jorge Veiga, e que foi escolhida por um júri reunido no Teatro João Caetano como um das dez mais populares marchas do carnaval daquele ano

Em 1961, mais um grande sucesso com "Índio quer apito", com Milton de Oliveira, uma das composições que mais renderam direitos autorais. Seu último grande sucesso foi "Tristeza", feito em parceria com Niltinho, lançado em 1965 por Jair Rodrigues e que acabou sendo executada, a partir de 1967 em todo o mundo, transformando-se em sua única música internacionalmente reconhecida.

Um dos méritos do Haroldo Lobo é que sem dúvida alguma ele foi um dos reis do carnaval do Brasil. Vale dizer, um monarca que sabia que sua coroa não tinha o valor do vil metal. O valor era outro: a alegria. Ele foi um dos maiores vencedores do carnaval carioca, criador de dezenas e dezenas de marchinhas inspiradas.

Haroldo Lobo cantou na festa de Momo o que observava nas ruas, o que lia dos jornais e o que se passava na nossa vida doméstica e política.

A homenagem Haroldo Lobo no centenário de seu nascimento, mostra um capítulo importante da história do carnaval brasileiro. Afinal de contas, o compositor nascido no Rio de Janeiro no dia 22 de julho de 1910, listou, em vida, 453 músicas gravadas! Desse total, 338 foram feitas especialmente para os quatro dias de folia.

Algumas de suas mais conhecidas marchinhas são: “O passarinho do relógio”, “Alá-lá-ô”, “Índio quer apito”, “Pra seu governo” e “Retrato do velho”. Também existem ainda gravações raras, como o encontro de Toquinho, Vinicius e Cyro Monteiro no estúdio da RGE em 1974, quando os três interpretam o samba “Que martírio”, letra que pouca gente conhecia.

Tem ainda registros de várias épocas de Jorge Veiga, Aracy de Almeida, Dircinha Batista, Marlene, Francisco Alves e Ary Cordovil, o primeiro a gravar seu último sucesso, “Tristeza”. Aliás, Haroldo Lobo não conheceu o sucesso da música. Faleceu antes dela ser gravada por Ary Cordovil, no dia 20 de julho de 1965, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O PRIMEIRO CD DO DJAVAN COMO INTÉRPRETE

Compositor de forte personalidade, Djavan ignora seu repertório autoral no CD que vai lançar em agosto de 2010. Primeiro disco de intérprete do artista alagoano, Ária marca o início da parceria do selo de Djavan, Luanda Records, com a gravadora Biscoito Fino. Formado por temas que povoam a memória afetiva do cantor, o repertório de Ária inclui Brigas Nunca Mais (Vinicius de Moraes e Tom Jobim), Fly me to the Moon (Bart Howard), Sabes Mentir (Othon Russo) - faixa já em rotação na trilha sonora nacional da novela Passione - e Disfarça e Chora (Cartola e Dalmo Castello)

Repertório:
Disfarça e Chora - Angenor de Oliveira/Dalmo Martins Castello
Oração ao Tempo - Caetano Veloso
Sabes Mentir - Othon Fortes Russo
Apoteose ao Samba - Silas Oliveira de Assumpção
Luz e Mistério - Beto Guedes/Caetano Veloso
La Noche - Enrique Heredia Carbonell/Juan Jose Suarez Escobar
Treze de Dezembro - Luiz Gonzaga/Zé Dantas/Gilberto Gil
Valsa Brasileira - Edu Lobo/Chico Buarque
Brigas Nunca Mais - Antonio Carlos Jobim/Vinícius de Moraes
Fly Me To The Moon - Bart Howard
Nada A Nos Separar (West of the Wall) - Romeu Nunes/Wayne Shanklin
Palco - Gilberto Gil

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PAULO MOURA EM UM BOM SAMBA DE LATADA!

Esse disco foi lançado originalmente, de modo independente, em 2006. Posteriormente, foi re-lançado pela Rob Digital em 2007.

Segue abaixo um texto do José Teles, que fala sobre esse álbum na época de seu lançamento:

“O forró é a mais injustiçada e discriminada das músicas que se fazem no Brasil. Por exemplo, a caudalosa discografia do forró, que teve seu auge nos anos 60 e parte dos 70, continua quase inteiramente fora de catálogo. Esta falta de cultura musical, levou as mais recentes gerações de forrozeiros a fazer e gravar basicamente xote, com letras que pouco diferem do que cantam as duplas sertanejas.

O forró é um manto sob o qual se abriga uma grande variedade de ritmos, estilos, gêneros, inclusive o samba. Aliás, antigamente, no Nordeste, forró e samba tinham o mesmo significado. O forró e o samba eram a festa, onde se tocava do baião ao chorinho. Depois que o samba carioca foi alçado à música da nacionalidade, foi que o samba passou a designar um gênero musical.

No Nordeste ele foi adaptado para a sanfona, o triângulo, a zabumba, mais violões, banjo, instrumentos de sopro. Era chamado “samba de matuto”, ou “samba de latada”. A latada, no caso, era uma extensão da casa, ou “puxada”, coberta por folhas de flandres, onde aconteciam os forrós, ou sambas. O samba de latada teve como um dos maiores intérpretes o sanfoneiro Abdias, seguido pelo paraense Osvaldo Oliveira.

40 anos depois, Josildo Sá traz de volta ao disco esta nuance esquecida do samba. E vem na companhia de um dos maiores músicos do mundo, Paulo Moura. Não poderia tal contubérnio dar noutra. Um disco que nos leva àqueles sambas de latada dos anos 60. Daqueles que rescendiam a suor, perfume barato, com os casais grudados que nem carrapato.

“Quixabinha” (Josildo Sá / Anchieta Dali) é um desses sambas com sotaque nordestino, irresistível. O “Forró de Mané Vito” (Zé Dantas / Luiz Gonzaga), virou um samba de latada ao qual Paulo Moura deu um delicioso tempero de gafieira. Josildo Sá nunca cantou tão bem, com uma voz sertaneja, o fraseado certeiro. Ele dá um banho em “Eu gosto de você”, composição de Caçote do Rojão, um samba do jeito que Abdias gostava.

Paulo Moura, por sua vez, incorporou o espírito da coisa, e caiu no samba de matuto. Está endiabrado em “Pro Paulo”. Dá para os das antigas lembrarem Jair Pimentel, um músico que gravava pela Rozenblit e pintava os canecos com um clarinete. Este disco inclusive resgata (com perdão do termo tão desgastado) o bom-humor no forró, que hoje anda muito formal, parecendo um requerimento com firma reconhecida. Paulo Moura toca neste disco como se estivesse animando um samba numa latada, numa noite enluarada num sítio no meio do mato.

A seleção do repertório não poderia ser melhor. Tem desde “Fraguei” (Osvaldo Oliveira / Dilson Dória) lançada por Abdias. Conterrâneo de Josildo Sá, nascido em Tacaratu, Anchieta Dali fez sambas que se encaixam como uma luva no projeto do amigo Josildo, que descolou uns compositores pouco conhecidos, mas talentosos, Apolônio da Quixabinha (Quixabinha, é um sítio na terra de Josildo), ou citado Caçote do Rojão. E músicos como Gennaro, cuja sanfona vai costurando as melodias, enquanto Paulo Moura vai acrescentando-lhes cores variadas. Não cheguei a perguntar aos dois como foi engendrada esta parceria, mas seja lá como for, com certeza jogaram a fórmula fora. Pense, num disco da porra!!” (José Teles – Jornalista do Jornal do Commércio Recife – PE, escritor, pesquisador e crítico musical)

Samba de latada – Josildo Sá e Paulo Moura (2006)

Faixas:
01 - Quixabinha (Josildo Sá – Anchieta Dali)
02 - Forró de Mané Vito (Luis Gonzaga – Zé Dantas)
03 - Eu Gosto de Você (Caçote do Rojão)
04 - Pra Virar Lobisomem (Chico Chagas)
05 - Pro Paulo (Chico Chagas)
06 - Nega Buliçosa (Tiago Duarte)
07 - Fulosinha (Anchieta Dali)
08 - Fraguei (Osvaldo Oliveira – Dilson Dória)
09 - Carimbó do Moura (Paulo Moura)
10 - Beijú (Anchieta Dali)
11 - Cumpade Zé de Bina (Apolônio da Quixabinha)
12 - Baile no Sertão (Paulo Moura – Gennaro)
13 - Na Água do Bebedouro (Josildo Sá)

terça-feira, 13 de julho de 2010

MORRE AOS 77 ANOS PAULO MOURA

Morreu no fim da noite desta segunda-feira o saxofonista e trompetista Paulo Moura, de 77 anos. O músico estava internado na Clínica São Vicente, no Rio, desde o dia 4 de julho com um linfona (câncer do sistema linfático). Compositor e arranjador de choro, samba e jazz, Paulo Moura é um dos maiores nomes da música instrumental brasileira, tendo tocado com Ary Barroso, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Milton Nascimento e Sérgio Mendes.

Para Paulo Moura não existiam fronteiras. Com seus clarinete e saxofone, o músico - nascido em 17 de fevereiro de 1933, São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e radicado no Rio desde o fim da adolescência - passeou com talento por muitos gêneros e formações. Tocou tanto em orquestras sinfônicas quanto de gafieira ou grupos de regional, rodando o Brasil e o mundo com sua arte.

De uma família de músicos, ainda em sua cidade natal, incentivado pelo pai, Pedro Moura, carpinteiro de profissão e clarinetista nas festas e nos fins de semana, Moura começou a estudar piano aos 9 anos, passando quatro anos depois para o clarinete. Ele tinha 17 anos quando a família se mudou para o Rio, radicando-se na Tijuca. Paulo Moura ingressou na Escola Nacional de Música estudando teoria, harmonia, contraponto, fuga e composição, enquanto, por pedido do pai, também aprendeu o ofício de alfaiate. A música falou mais alto e, em meio aos estudos - incluindo mestres como Guerra Peixe, Moacir Santos, Paulo Silva e Maestro Cipó -, começou a atuar em bailes e gafieiras. Junto a amigos da Tijuca como João Donato, Bebeto Castilho, Pedro Paulo, Everardo Magalhães Castro também formou um grupo de jazz influenciado pelo som da West Coast dos Estados Unidos.

Ainda nos anos 1950, começou a viajar o mundo, participando do grupo de Ary Barroso e de Zacarias e sua Orquestra. Nos estúdios, estreou num disco da cantora Dalva de Oliveira. E, em 1957, fez seu primeiro trabalho solo, "Paulo Moura e sua Orquestra para Bailes". Ainda este ano, fez uma gravação de "Moto perpétuo", de Paganini, que virou um clássico instantâneo. Dois anos depois, gravou "Paulo Moura interpreta Radamés", com alguns temas escritos por Radamés Gnatalli especialmente para esse disco.

Sempre trafegando entre a música clássica, o jazz e a música popular, o clarinetista e saxofonista também foi um assíduo frequentador do Beco das Garrafas, o reduto em Copacabana que concentrava os principais bares e clubes noturnos da bossa nova e do samba-jazz, no início dos anos 1960. Como instrumentista e arranjador, trabalhou com artistas como Elis Regina, Milton Nascimento e Sérgio Mendes (com este, no grupo Bossa Rio, participou em 1964 do clássico álbum "Você ainda não ouviu nada", um marco do instrumental brasileiro). A partir de fim dos anos 1960, liderou seus próprios grupos, gravando discos como "Fibra", "Mistura e manda", "Confusão urbana, suburbana e rural", que também fizeram escola no instrumental brasileiro, fundindo elementos do jazz com o choro e o samba.

Incansável, apaixonado pela música, nos anos 1980 dirigiu por dois anos o Museu de Imagem e do Som (MIS), no Rio.

As duas últimas décadas foram de muito trabalho, excursionando pelo mundo e gravando discos como, entre outros, "Dois irmãos" (em 1992, ao lado do violonista Raphael Rabello), "Instrumental no CCBB" (em 1993, com o saxofonista e flautista Nivaldo Ornelas), "Brasil musical" (em 1996, com o pianista Wagner Tiso), "Pixinguinha: Paulo Moura & Os Batutas" (de 1998), "Mood ingênuo" (em 1999, com o pianista americano Cliff Korman), "Paulo Moura visita Gershwin & Jobim" (em 2000), "El negro del blanco" (em 2004, com o violonista Yamandú Costa), "Dois panos para Manga" (em 2006, belo reencontro musical com um amigo de juventude, o pianista João Donato) e "AfroBossaNova" (em 2009, em dupla com o guitarrista e bandolinista Armandinho Macedo).

Em junho de 2006, durante as entrevistas de lançamento do disco com Donato, Paulo Moura sintetizou numa frase um dos segredos para o estilo de ambos:

- Nós começamos a tocar profissionalmente em gafieiras. E essa ligação com a dança nunca acaba mais. Art Blakey dizia que, quando a música é boa, as pessoas acompanham com os pés.

Em outra entrevista ao GLOBO, em 1999, para o músico Mario Adnet, Paulo Moura explicou como via a relação entre o jazz e o choro:

- Uma coisa que, hoje, não tenho mais nenhum pudor em apresentar é a aproximação do choro com o jazz, que na verdade existe desde os anos 40 e tem em K-Ximbinho seu maior expoente. As orquestras do Zacharias e do Fonfon, que foram dos nossos maiores bandleaders e que pouca gente ouviu falar, também faziam essa mistura. Tenho certeza de que tudo isso ainda virá à tona novamente para que se revele aos estudiosos da música brasileira a existência de uma tradição e uma continuidade, apesar da interferência de mercado, nesse choro orquestral que tem muito a ver com os recursos de improvisação emprestados do jazz. Esse gênero foi muito executado no tempo dos cassinos e dos dancings que possuíam as melhores orquestras da época. Tudo isso entrou em decadência com a mudança de capital para Brasília. Grande parte dos políticos da área federal que moravam no Rio era freqüentadora assídua desses lugares, principalmente dos dancings, que além das taxi-girls tinham os melhores músicos.

Paulo Moura era casado com a psicalinista Halina Grynberg, também sua empresária e produtora musical.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

10 ANOS SEM WILSON SIMONAL

Por Bruno Negromonte

Após vários anos de ostracismo impostos por circunstâncias até hoje polêmicas por dividir opiniões diversas, o carioca Wilson Simonal de Castro ou simplesmente Wilson Simonal foi colocado no limbo no período de maior notoriedade de seu nome. Não havia outro nome capaz de reger um Maracanãzinho como Simonal conseguiu no final da década de 60 (nem mesmo Sérgio Mendes que era o maior nome da música brasileira no exterior naquela época), não havia outro nome mais popular naquele período no Brasil que Wilson Simonal no final daqueles anos 60 (Simonal chegou a "desbancar" nomes como Roberto Carlos em termos de popularidade e vendagem de LP'S) e também não havia outro nome com mais suíngue e domínio de palco que Wilson Simonal. Simonal podia ser considerado um verdadeiro showman . Ele era absoluto. Só quem faz ideia da importância de Wilson Simonal é quem sabe de sua relevância e contribuição para a música brasileira.

Pois bem, Simonal morreu há exatamente 10 anos atrás. Morreu amargurado e dissoluto, porém não entregue e nem rendido a adversidade que o acompanhou durante toda essa fase obscura que foi imposta à sua carreira devido a difamação, calúnia e injúria de seu nome. Fase essa que o acompanhou durante muitos anos, pra ser mais exato até a sua morte.


Simonal foi do céu ao inferno sem escala e sem anistia... o Pasquim soube como ninguém fazer de Simonal o "carrasco" dos artistas apontando-o como delator da classe. Pois foi a partir de uma matéria vinculada ao Pasquim, que Simonal se tornou o "dedo-duro" mais notório do Brasil que somado a outros fatores o fez ojerizado por muita gente da classe artística ou não.

Atirado a essa espécie de limbo, ou antesala do inferno, sob essa tão batida acusação de colaborador e "dedo-duro" do regime militar, Wilsom Simonal acabou execrado pelos diversos canais existentes da mídia, odiado por muitos de seus colegas de profissão, e talvez o pior venha agora: desconhecido da nova geração(que perde de conhecer o talento incomensurável que ele tinha)e, permaneceu nos últimos anos quase totalmente, esquecido de seu outrora gigantesco público.

Vítima maior - e única - da inveja, do preconceito, do rancor e da hipocrisia que habitam os porões da mídia institucionalizada e do meio artístico, esse artista único morreu, ou "viajou fora do combinado" (conforme costuma dizer Rolando Boldrim), em 25 de junho de 2000.

Mas fica aqui a lembrança do grande artista que foi Simonal pela passagem desses 10 anos em que ele nos deixou.

Vale ressaltar que durante esse mês está chegando as lojas (pela primeira vez editado em CD) um álbum que até então só havia sido lançado no México durante a copa do mundo na década de 70. O álbum ficou de fora da box Simonal na Odeon (1961 - 1971) e chega agora para ser mais um dos poucos discos do Simonal que ainda encontra-se em catálogo (vale ressaltar que apenas a gravadora EMI, através da iniciativa de seu presidente Marcelo Castelo Branco e da S de samba através das figuras de Simoninha e Max de Castro é que tornaram possível a permanência dos álbuns em catálogo). Aconselho tratarem de adquirir logo esse relançamento em CD para a discoteca de vocês!!

Segue abaixo as faixas presentes no LP Simonal México 70, lançado durante a vitoriosa campanha do Brasil na copa de 1970 no México:


01 - Aqui É o Pais do Futebol (Milton Nascimento / Fernando Brant)
02 - Raindrops Keep Fallin' On My Head (Burt Bacharach / H. David)
03 - Kiki (Nonato Buzar / Wilson Simonal)
04 - Ave Maria no Morro (Herivelto Martins)
05 - I'll Never Fall In Love Again (Burt Bacharach / H. David)
06 - Crioula (Jorge Ben "Jorge Benjor")
07 - Que Pena (Jorge Ben "Jorge Benjor")
08 - Aquarius / Let The Sunshine In (J. Rado / G. Ragni / G. MacDermot)
09 - Garota de Ipanema (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
10 - Ecce Il Tipo Che Io Cercava (Sergio Endrigo)
11 - As Menininhas do Leblon (S. C.)
12 - Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda (Lamartine Babo / Francisco Matoso)

domingo, 11 de julho de 2010

MÚSICA PERNAMBUCANA NA EUROPA NESTE VERÃO

Grupo abre turnê com apresentação em Viena e, no dia da final da Copa do Mundo, se apresenta para os holandeses

Por José Teles

No dia em que termina o Mundial da África do Sul, a Spokfrevo Orquestra apresenta-se no North Sea Jazz Festival, em Roterdã, na Holanda, um dos possíveis finalistas do campeonato. Esta é a sexta turnê da orquestra pela Europa e, cada vez mais, a SFO ocupa os palcos principais de festivais importantes como o do Jazz à Vienne, no qual estão escalados nomes feito os de Diana Krall, Elvis Costello, Bobby McFerrin ou o nigeriano Tony Allen (arranjador e baterista de Fela Kuti. Em Marciac, na França, as atrações da noite de 3 de agosto serão brasileiras: Spokfrevo Orquestra e Gilberto Gil. Vale a pena lembrar que o frevo, mesmo no auge, nos anos 60, quando era amplamente divulgado pela extinta gravadora Rozenblit, nunca ensaiou voos muito altos. Com a Spokfrevo Orquestra já chegou até o Extremo Oriente.
Obviamente não é um sucesso popular lá fora, mas pelas críticas em jornais e revistas especializadas tampouco é visto como um exotismo de Terceiro Mundo. No site do mais famoso clube de jazz londrino, o Ronnie Scott’s, onde a Spokfrevo Orquestra apresenta-se dias 20 e 21, lê-se: “A orquestra se propõe a dar ao frevo um tratamento diferente com arranjos modernos e harmonias refinadas. os músicos exploram a liberdade de expressão em improvisações com clara influência do jazz...O frevo é fora do Brasil um dos menos conhecidos de seus ritmos dançantes. É também, provavelmente, o mais contagiante”, o autor do texto compara o frevo a uma “polca turbinada”.“A aceitação do frevo em outros países se dá pela universalidade da música. O frevo tem tantas influências em sua formação que leva o europeu a se identificar com ele. Muita gente que nunca viu ou ouviu uma orquestra de frevo se encanta logo nos primeiros acordes. Ele tem a mesma força, a mesma sedução, de outros ritmos como o rock”, comenta Wellington Lima, empresário da orquestra.
O experiente músico e produtor Zé da Flauta, diretor artístico da SFO, analisa o que foi fundamental para a orquestra ter demarcado seu espaço em alguns dos principais festivais do verão europeu: “Se a gente fosse um time de futebol, estaria na primeira divisão. Na França, eles veem a Spokfrevo Orquestra como uma novidade do jazz. Claro que não é jazz. É a liberdade de expressão dos músicos, o improviso, que leva a esta comparação. além do mais, tem toda a sofisticação do frevo, a única música popular que não se faz de ouvido. Falo do frevo instrumental. O compositor tem que entender de harmonia, orquestração. Outra grande diferença da orquestra é que ele toca em um palco, para uma plateia que assiste ao show calada, sentada. Como não temos que fazer Carnaval, então não temos nem passistas”, diz Zé da Flauta, para quem a solidificação do prestígio da SFO é resultado de um processo que culminou com a apresentação na última Womex, acontecida na Dinamarca.Inaldo Cavalcanti, o maestro Spok, assim como quase todos os músicos da orquestra, vêm da periferia da Região Metropolitana. Quando criaram a Orquestra Pernambucana, em 2003 (o atual nome foi sugerido pelo empresário Wellington Lima), ele diz que não imaginavam até onde chegariam: “Quando vi aquele filme sobre a orquestra de Glenn Miller, meu sonho era um dia ter um filme da nossa orquestra (The Glenn Miller story, no Brasil, Música e lágrimas, de 1953). Vamos primeiro começar com um livro. E pensar que com a música que a gente tocava para o povão na rua estaremos no mesmo palco onde tocarão Stevie Wonder, Wynton Marsalis, Chick Corea”.
Com esta turnê a Spokfrevo Orquestra fecha o ciclo do CD Passo de anjo e abre o ciclo do ainda não lançado Ninho de vespa”. Neste segundo disco de estúdio, a Spokfrevo Orquestra inova com um repertório de frevos de autores não pernambucanos.

sábado, 10 de julho de 2010

JULIANA CAYMMI, TERCEIRA GERAÇÃO

Primeira neta de Dorival Caymmi a lançar um disco, ela encanta ao escapar do nepotismo.

Ela nunca ouviu ninguém falar mal do avô, morto em 2008. Ele foi seu padrinho, contava-lhe histórias infindas, cantou o mar como ninguém e deixou um legado incontestavelmente genial. O pai acompanhava Tom Jobim na fase da afinadíssima Banda Nova. O tio é respeitado pelas soluções harmônicas de seu violão e também tem um baú vasto de composições. Já a tia ainda dá provas de ser uma das maiores cantoras do País, rasgando o peito com interpretações emotivas.

Aos 34 anos, Juliana Caymmi lança seu primeiro disco carregando um sobrenome de muito peso. Neta de Dorival, filha de Danilo e sobrinha de Dori e Nana, com personalidade, ela avisa não querer uma carreira guiada por apadrinhamentos.

Quando tinha 13 anos ela decidiu estudar canto popular na ULM (Universidade Livre de Música Tom Jobim). Passou na prova sem ninguém saber de sua ligação com os verdadeiros Caymmi. Ainda hoje, o máximo de empurrões que a cantora recebe da família são elogios. "Meu violão é sofrível. Para compor, tenho a felicidade de me desprender do instrumento, uso para tocar apenas uns três acordes para depois vir algum santo harmonizar para mim. Quando fiz Moço, titio Dori ouviu e achou de uma espontaneidade tremenda. Nem dava muita bola pra música, mas depois de um elogio desses, passei a botar fé nela", diz Juliana.

Outra ajuda que ela recebe dos parentes são composições. No tema que abre o disco, ela já havia decidido gravar Vento Noroeste, do pouco incensado, porém genial Elpídio dos Santos. Na mesma faixa, Juliana decidiu gravar Flecha de Prata, composta por seu pai Danilo em homenagem à avó Stella Maris, que faleceu 11 dias antes do avô Dorival. Do tio Dori, além de elogios, ela pôde contar com Desenredo (parceria com Paulo César Pinheiro). Tarefa complicada já que a música já havia ganhado registros respeitáveis, como o da tia Nana, do Boca Livre e do próprio Dori. "Decidi gravá-la de última hora, no estúdio, com o Ricardo Matsuda. Fiquei reticente, sabia que só deveria gravar se fosse pra fazer algo diferente do que já tinha sido feito", diz a cantora.

Mas por que Juliana, desde pequena convivendo com o meio musical, decidiu lançar um disco só agora? Sem nunca ter contado com pedidos da família para que lhe abrissem portas em gravadoras – naturalmente não queria isso –, ela casou cedo, aos 17 anos, teve uma filha aos 19. Sabedora das dificuldades de se viver de música no Brasil e incerta em relação a seguir uma carreira, começou a estudar Direito. Chegou a gravar um álbum em parceria com o marido, mas a separação acabou engavetando o CD.

Agora, finalmente lançando o primeiro disco, Para Dança a Vida (escutado em primeira mão pelo Estado, já que o álbum só chega às lojas em setembro, pelo selo Kalamata), Juliana mostra-se segura para trilhar longa estrada. E ela sabe que ainda tem muito a amadurecer. Talvez pela entrega excessiva em algumas faixas, a voz da cantora oscila um pouco, embora, no geral, ela seja extremamente afinada. Quem pegar o disco pensando em ouvir uma nova Nana vai se desapontar. Tudo porque a representante da terceira geração dos Caymmi não quer ser sombra do passado, muito menos imitar ninguém. Tem personalidade própria e, contando com a ajuda do arranjador, produtor e violonista Ricardo Matsuda, conseguiu fazer um disco muito diversificado, mas com unidade.

Prova disso são as etéreas Vento Noroeste e Flecha de Prata, a bossa moderna Guanabara (Fred Martins), Coco Praieiro (Eudes Fraga e Paulo César Pinheiro), a pop Não Só Pela Chuva (Fred Martins e Marcelo Diniz) e o samba Porque Sou Carioca (da própria Juliana em parceria com sua mãe, Ana Terra). "Não vou dizer que consegui em todas as faixas passar o máximo de emoção, tenho noção disso. Sem contar que não é um disco de amor rasgado, é bem variado."

sexta-feira, 9 de julho de 2010

BETHÂNIA LIDERA O 21º PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA

Com sete nomeações por conta dos álbuns Encanteria e Tua, de 2009, Maria Bethânia - em foto de Murilo Meirelles - é a líder de indicações à 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Anunciada nesta segunda-feira, 5 de julho de 2010, a lista de indicados totaliza 105 nomes, selecionados a partir dos 695 CDs e 103 DVDs inscritos e distribuídos em 16 categorias. Atrás somente de Maria Bethânia, Ney Matogrosso é o segundo nome com mais indicações, concorrendo quatro vezes pelo CD Beijo Bandido. Eis os indicados ao prêmio, cujos vencedores serão conhecidos em 11 de agosto, em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) que vai prestar uma homenagem a Dona Ivone Lara:

CATEGORIA ARRANJADOR
Arranjador
Mario Adnet por Afro Samba Jazz- A Música de Baden Powell - Mario Adnet e Philippe Baden Powell
Maurício Carrilho por Brasileiro Saxofone - Nailor Proveta
Philippe Baden Powell por Afro Samba Jazz - A Música de Baden Powell - Mario Adnet e Philippe Baden Powell

CATEGORIA CANÇÃO
Melhor Canção
Encanteria (Paulo César Pinheiro) - CD Encanteria, de Maria Bethânia
Feita na Bahia (Roque Ferreira) - CD Encanteria, de Maria Bethânia
Saudade (Chico César e Paulinho Moska) - CD Tua, de Maria Bethânia

CATEGORIA PROJETO VISUAL
Manacá, disco Manacá - Retina 78
Maria Bethânia, disco Encanteria - Gringo Cardia
Ney Matogrosso, disco Beijo Bandido - Ocimar Versolato

CATEGORIA REVELAÇÃO
Alexandre Gismonti Trio
Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz
Maria Gadú

CATEGORIA CANÇÃO POPULAR Melhor Disco
Autorretrato, de Kleiton e Kledir
Tecnomacumba a Tempo e ao Vivo, de Rita Ribeiro
O Coração Do Homem-Bomba ao Vivo Mesmo, de Zeca Baleiro

Melhor Dupla
Edson & Hudson (Despedida)
Victor & Leo (Ao Vivo e em Cores em São Paulo)
Zezé Di Camargo & Luciano (Duas Horas de Sucesso ao Vivo)

Melhor Grupo
DNA (Pode Acreditar)

San Marino (Simples, mas Autêntico)
Trilogia (Jogatina)

Melhor Cantor
Cauby Peixoto (Cauby Interpreta Roberto)
Fagner (Uma Canção no Rádio)
Zeca Baleiro (O Coração do Homem-Bomba ao Vivo Mesmo)

Melhor Cantora
Patrícia Mellodi (Pacote Mais que Completo)
Paula Fernandes (Pássaro de Fogo)
Rita Ribeiro (Tecnomacumba a Tempo e ao Vivo)

CATEGORIA INSTRUMENTAL Melhor Disco
Saudade do Cordão, de Guinga e Paulo Sérgio Santos
Afro Samba Jazz - A Música de Baden Powell, de Mario Adnet e Philippe Baden Powell
Luz Da Aurora, de Yamandú Costa e Hamilton de Holanda

Melhor Solista
Altamiro Carrilho (Primeira Noite em Niterói/Segunda Noite em Niterói)
Hamilton de Holanda (Luz da Aurora)
Yamandú Costa (Luz da Aurora)

Melhor Grupo
João Donato Trio (Sambolero)
Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz (LetieresLeite e OrkestraRumpilezz)
Rabo De Lagartixa (O Papagaio do Moleque)

CATEGORIA MPB Melhor Disco
Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo No Chão, de João Bosco
Encanteria, de Maria Bethânia
Beijo Bandido, de Ney Matogrosso

Melhor Grupo
4 Cabeças (4 Cabeça)
Escambo (Flúor)
Fausto Prado e Caetano Silveira (Cidade Baixa)

Melhor Cantor
João Bosco (Não Vou Pro Céu mas Já Não Vivo no Chão)
Ney Matogrosso (Beijo Bandido)
Zé Renato (Zé Renato ao Vivo)

Melhor Cantora
Maria Bethânia (Encanteria)
Nana Caymmi (Sem Poupar Coração)
Roberta Sá (Pra se Ter Alegria)

CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/ HIPHOP/FUNK Melhor Disco
Zii e Zie, de Caetano Veloso
Rock'n'Roll, de Erasmo Carlos
Pelo Sabor do Gesto, de Zélia Duncan

Melhor Grupo
Móveis Coloniais de Acaju (C_Mpl_Te)
Mundo Livre S/A (Combat Samba)
Paralamas do Sucesso (Brasil Afora)

Melhor Cantor
Caetano Veloso (Zii e Zie)
Ed Motta (Piquenique)
Lulu Santos (Singular)

Melhor Cantora
Céu (Vagarosa)
Danela Mercury (Canibália)
Zélia Duncan (Pelo Sabor do Gesto)

CATEGORIA REGIONAL Melhor Disco
Alma Cabocla, de Ana Salvagni
Viva Elpídio, de Oswaldinho e Marisa Viana
Violas de Bonze, de Siba e Roberto Corrêa

Melhor Dupla
Chitãozinho e Xororó (Se For pra Ser Feliz)
Gino e Geno (Pode Chamar Nóis)
Rodrigo Sater e Yassír Chediak (Tiago e Juvenal - Os Violeiros da novela Paraíso)

Melhor Grupo
Frevo Diabo (Frevo Diabo)
Luciano Maia e Quarteto Rio Gandense (Encomenda)
Trio Virgulino (Isso Aqui Tá Bom Demais)

Melhor Cantor
Gaúcho da Fronteira (Gaúcho Doble Chapa)
Juraides da Cruz (Roda Gigante)
Targino Gondim (Canções de Luiz)

Melhor Cantora
Claudia Cunha (Responde à Roda)

Elba Ramalho (Balaio de Amor)
Patrícia Bastos (Eu Sou Caboca)

CATEGORIA SAMBA Melhor Disco
Chutando o balde, de Nei Lopes
Tantinho Canta Padeirinho da Mangueira, de Tantinho
Preceito, de Toninho Geraes

Melhor Grupo
Casuarina (MTV Apresenta Casuarina)
Galocantô (Lirismo do Rio)
Sandália de Prata (Samba Pesado)

Melhor Cantor
Moyseis Marques (Fases do Coração)
Tantinho (Tantinho Canta Padeirinho da Mangueira)
Zeca Pagodinho (Uma Prova de Amor ao Vivo - Especial MTV)

Melhor Cantora
Alcione (Acesa)
Aline Calixto (Aline Calixto)
Luiza Dionizio (Devoção)

FINALISTAS - ESPECIAIS DVD
Luz Negra - Fernanda Takai
BandaDois - Gilberto Gil
Multishow ao Vivo - Vanessa da Mata

Disco Língua Estrangeira
Beatles 69 Vol. 01, 02 e 03 - Vários artistas
Songs 4 U - Daniel Boaventura
Tributo a EllaFitzgerald - Jane Duboc e Vitor Biglione

Disco Erudito
Debussy - Nelson Freire
Shumann Sinfonia nº 2 Sinfonia nº 4 - Osesp
Villa-Lobos - Um Clássico Popular - Quinteto Villa-Lobos

Disco Infantil
Partimpim Dois - Adriana Partimpim
Pequeno Cidadão - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Antonio Pinto e Taciana Barros
Projeto Guri Convida - Projeto Guri – Vários artistas

Disco Projeto Especial
Entre Amigos - Dolores Duran
O Baile do Simonal - Vários artistas
Ataulfo Alves - 100 Anos - Vários artistas

Disco Eletrônico
Essa moça tá diferente - DJ Zé Pedro
Organismo eletrônico - Pedra Branca
Ultrasom - Siri

VOTO POPULAR
Cantor
Caetano Veloso
Cauby Peixoto
Ed Motta
Fagner
Gaúcho da Fronteira
João Bosco
Juraildes da Cruz
Lulu Santos
Moyseis Marques
Ney Matogrosso
Tantinho
Targino Gondim
Zé Renato
Zeca Baleiro
Zeca Pagodinho

Cantora
Alcione
Aline Calixto
Céu
Claudia Cunha
Daniela Mercury
Elba Ramalho
Luiza Dionizio
Maria Bethânia
Nana Caymmi
Patricia Bastos
Patricia Mellodi
Paula Fernandes
Rita Ribeiro
Roberta Sá
Zélia Duncan

quarta-feira, 7 de julho de 2010

20 ANOS SEM CAZUZA

Há 20 anos, em 7 de julho de 1990, Cazuza (1958 - 1990) saiu de cena e entrou para a História da música brasileira pela poesia crua que radiografou com precisão sua geração sem ideologia.

A morte de Cazuza completa 20 anos nesta quarta (7). Um dos mais celebrados nomes da música brasileira da década de 80, o cantor carioca morreu vítima da AIDS aos 32 anos (numa bizarra coincidência, seu grande amigo, o jornalista e produtor Ezequiel Neves, morreu na tarde de hoje, exatamente no mesmo dia em que Cazuza também faleceu).

Além da música e das letras, tanto solo como com seu ex-grupo Barão Vermelho, Cazuza deixou um enorme legado de frases e pensamentos, temperados pela sua famosa falta de papas na língua.

Como homenagem a essa figura inesquecível da nossa música, coletamos algumas jóias que saíram da boca de Cazuza.

EU E EU
Sou muito egoísta, centrado em mim mesmo, para me incomodar com os outros.

PADRES ERRADOS
Fui criado por padres errados… Fiquei com trauma. Se vejo um padre saio correndo. Mas os valores do cristianismo eu acho legal.

PROFUNDO
Tem o certo. Tem o errado. E tem todo o resto.

COISA DE HOMEM
Homem que é homem volta atrás. mas não se arrepende de nada.

NA LATA
Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro.

ATTIUDE PUNK
Hoje sei que vendo meu bacalhau, mas meu lance mesmo é a poesia, que eu mastigo e vomito no público.

QUE PAÍS É ESSE
Sou meio ufanista, mas a miséria, a máfia e o FMI mataram o orgulho da gente.

VIDA BANDIDA
Ser marginal foi uma decisão poética.

ROCK COM AGÁ
O rock brasileiro é fazer gracinhas, é contar piada. O que a gente tem de forte no rock brasileiro é o "agá" que a gente leva.

OUTRO NÍVEL
Eu sou muito diferente do pessoal do Barão. Sou mais velho, mais louco, mais boêmio: eles são mais saudáveis, acordam cedo, não fazem loucuras.

ESPONTÂNEO
Meu trabalho é totalmente intuitivo. Nunca estudei canto, dança, nada... eu sou rouco: eu birito, não tenho nenhum cuidado com a voz. Não faço nenhum exercício. Meu exercício é no palco.

POSTURA
Em 1988 mudei minha maneira de encarar o trabalho. Antigamente, trabalho para mim era diversão. Eu queria me mostrar. Cantava para arranjar broto e para provar para o meu pai que eu era bom. Eu queria era comer todo mundo. E consegui.

ÍDOLOS
Meus heróis morreram de overdose.

LIBERAÇÃO DAS DROGAS
É o cúmulo prender um garoto inteligente, que faz faculdade, que é futuro do Brasil, só porque foi pego com um baseado. É um absurdo internar esse garoto num lugar onde vai ficar tomando remédio... Tem que haver leis mais liberalizantes para isso.

MAMÃE
Supermãe perde perto dela. A do Ziraldo é penico perto da minha.

EXAGERADO?
Meus pais foram muito compreensivos quando comecei a dizer em entrevistas que era bissexual. Só achavam que eu estava exagerando, me expondo, mas esse é o papel deles. Se há alguma coisa errada, é comigo. Procuro as respostas através da vida. Quando ficar velhinho e morrer, ninguém vai mais lembrar deste meu lado. Só a música vai ficar. É só isso que o público vai levar do Cazuza".

GUETO NÃO
Morei um ano na Califórnia e lá tem prefeito gay, clube gay, rua gay, bairro gay e eu achava um horror. Não faria parte de um gueto, nunca. Quero viver num mundo diferente, em que todo mundo conviva igual. Eu não gostaria de andar só com preto, só com judeu, só com viado. Eu gosto de viver é com todo mundo”

DOENTE
Não gosto que me perguntem se estou com aids. Me faz lembrar uma coisa que eu quero esquecer. Contei para muito pouca gente o que eu passei no hospital. Mas todo mundo sabe o que eu tenho.

BOLA DE CRISTAL
Gosto muito de fazer meu mapa astral, e outro dia disseram que meu melhor período da vida ia dos 28 aos 35 anos. Esse seria o tempo de grandes acontecimentos e tudo indica que vai ser bom mesmo. Por isso, adoro previsões. (Cazuza morreu aos 32 anos)

ETERNO
Espero que, no futuro, não esqueçam do poeta que sou. Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe. Existe o romance e a poesia. Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor aos pais.

EZEQUIEL NEVES MORRE NO RIO DE JANEIRO

Exatos 20 anos depois da morte de Cazuza, Ezequiel Neves - descobridor do Barão Vermelho, o grupo que projetou Cazuza na cena pop dos anos 80 - é quem sai de cena, aos 74 anos, vítima de complicações decorrentes de tumor no cérebro, enfisema e cirrose.

O jornalista, compositor e produtor musical Ezequiel Neves morreu nesta quarta-feira, no Rio. Ele estava internado havia seis meses na Clínica São Vicente.

Neves é um dos autores de "Codinome Beija-Flor" e "Exagerado", clássicos de Cazuza. Os dois eram amigos e parceiros.

Há exatos 20 anos, no dia 7 de julho de 1990, Cazuza morreu em decorrência da Aids. O filme "Cazuza - O Tempo Não Para" retratou a amizade entre os dois, Ezequiel foi interpretado pelo ator Emílio de Melo.


ezequiel neves e cazuza
O produtor Ezequiel Neves, que morreu hoje, e o cantor Cazuza, que morreu há 20 anos

Neves descobriu o Barão Vermelho e foi uma espécie de "mentor" da banda. Ele produziu discos e foi coautor de vários sucessos do grupo, entre eles, "Por que a Gente É Assim?".

A coincidência de datas é um dado curioso que fecha a trajetória de um produtor e agitador cultural tão Exagerado quanto seu pupilo.

Mas a vida e a obra de Ezequiel Neves - ou Zeca Jagger, como ele era conhecido no meio musical - não se limitam à relação profissional e pessoal travada com Cazuza com a intensidade que caracterizava a vida de ambos.

Dez anos antes de revelar Cazuza, de quem foi parceiro (com Leoni) no hit Exagerado, Zeca já militava na imprensa musical alternativa - mantida com heroísmo na década de 70, tempos ditatoriais que não contavam com as facilidades tecnológicas da era virtual - com artigos espirituosos que fugiam dos padrões formais do jornalismo pop nacional.

Mordaz, Ezequiel não fazia média - nem mesmo com a mídia. Não tinha papas na língua. Mas tinha faro. E foi esse faro que o levou a jogar todas suas fichas no som cru e stoneano do Barão Vermelho tão logo ouviu o grupo fundado por Frejat e Guto Goffi.

Há quem pense injustamente que o Barão Vermelho estreou em disco, em 1982, porque Cazuza era o filhinho do papai João Araújo, diretor da gravadora Som Livre. Mas não foi bem assim. Foi Ezequiel quem - com o auxílio do produtor Guto Graça Melo - convenceu Araújo de que o Barão merecia um contrato com a Som Livre. Vencida a resistência inicial do executivo, o grupo deslanchou - não de imediato, mas a partir de 1983, com os empurrãozinhos de Caetano Veloso e Ney Matogrosso - e Ezequiel passou a ser uma espécie de quinto Barão, zelando pela alma da banda ao produzir os discos da turma.

Como produtor, Zeca também entrelaçou nos anos 90 sua trajetória fonográfica com as de Ângela RoRo - ao pilotar o primeiro disco ao vivo da artista, gravado em 1993 - e de Cássia Eller (1962 - 2001), que abordou a obra de Cazuza em disco de peso, Veneno Antimonotonia (1997), que desafiou o padrão pop imposto à Cássia pela gravadora PolyGram (atual Universal Music). Enfim, Zeca Jagger - assim chamado por cultuar o rock básico dos Rolling Stones - tinha personalidade. Era expansivo - e sua sonora gargalhada era a perfeita tradução de seu jeito exagerado de viver - e ferino. Às vezes, até cruel. Mas fiel aos seu ideais e ao seu rock.

PERDAS E DANOS

Por Bruno Negromonte

2010 vêm trazendo consigo algumas datas que o Musicaria Brasil vai relembrar ao longo das próximas postagens. Datas que para muitos passarão desapercebidas, mas para nós (isso falo de mim e de você que está me acompanhando na leitura deste texto) não.
Todos aqueles que amam o samba há de lembrar que a 10 anos atrás o samba brasileiro ficava extremamente mais pobre com a partida prematura do nosso grande sambista João Nogueira, com a ausência também do nosso Kid Morangueira, Moreira da Silva e 10 anos se passaram também desde que "a primeira dama do samba", Neuma Gonçalves da Silva, D. Neuma também partiu.
Não sendo genuínamente sambista, mas com um suíngue tão malandro e sincopado quanto os maiores sambistas, também perdemos o injustiçado Wilson Simonal há 10 anos atrás.
Indo um pouco mais longe, em 1990 o nosso Agenor de Miranda Araújo Neto, popularmente conhecido por Cazuza perdia a batalha contra o vírus da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Cazuza apesar de toda pinta de roqueiro tinha o maior orgulho do seu nome por ser o mesmo nome do grande Cartola.
O tempo tem nos deixados orfãos da boa música brasileira como é natural que aconteça, porém os idos anos de 2000 aprontou de maneira cruel com os amantes da boa música popular brasileira, nos levando significativos nomes de nosso "cast". Só nos resta não deixar se esvair da memória daqueles que tiveram o privilégio de ouvir esses nomes e sempre procurar trazer para a nova geração aquilo que deu toda a "sustentabilidade" para a música popular de hoje. É por isso que o Musicaria Brasil vez por outra procura resgatar esses nomes de nossa música para que possamos sempre que possível reverenciar nossas matrizes musicais e mostrar para as novas gerações que antes de tudo que o que há aí no cenário fonográfico, havia música de verdade.

P.S. - Hoje ao escrever esse texto li a notícia de que temos mais uma perda inestimável e um dano irreparável em nossa música popular brasileira. faleceu hoje, dia 07 de julho, o jornalista, compositor e produtor musical Ezequiel Neves, parceiro de Cazuza. E em uma data como a de hoje, há exatamente 20 anos atrás morria Cazuza

terça-feira, 6 de julho de 2010

DICAS DA MUSICARIA

Matizes é o 18º álbum da carreira do cantor e compositor alagoano Djavan, e traz 12 canções inéditas.
O cantor passeia com naturalidade por todos o ritmos de músicas, vai do samba interpretada em "Matizes", "Delírio dos Mortais" passando por um misto de bolero com e som cubano bem latino e dançante com "Louça Fina" e "Desandou". Um cd com canções que vai do samba ao blues, das baladas ao boleros, revelando a maturidade das músicas desse ícone brasileiro. Imperdível!

Vale salientar que esse cd foi editado por sua gravadora, a Luanda Records.

01 - Joaninha
02 - Azedo e Amargo
03 - Mea-Culpa
04 - Imposto
05 - Delírio dos Mortais
06 - Louça Fina
07 - Matizes
08 - Por uma Vida em Paz
09 - Desandou
10 - Adorava me Ver como Seu
11 - Pedra
12 - Fera

CURIOSIDADES DA MPB

A música Carolina do Chico Buarque, segundo o próprio autor, foi terminada literalmente nas coxas, num avião: ele não queria de jeito nenhum entrar no II Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo no Rio de Janeiro, mas tinha feito um acordo com Walter Clark para inscrever uma música em troca de rescindir seu contrato com a TV Globo como apresentador do musical “Show em Shell maior” ao lado de Norma Bengell. O primeiro programa foi um desastre, Chico sofreu como mestre-de-cerimônias, detestou tudo, e não apareceu para fazer o segundo. Como o festival precisava desesperadamente de grandes nomes entre os concorrentes, e Chico era o maior deles, a unanimidade nacional,Walter perdoou a multa e achou que fez um bom negócio.

NOVO ÁLBUM DA MART'NÁLIA

No final de 2006, Mart'nália lançou kit de DVD e CD, Mart'nália em Berlim ao Vivo, com o registro da passagem pela Alemanha do show inspirado no álbum Menino do Rio (2005). Quatro anos depois, a cantora recorre novamente ao formato e lança, neste mês de julho de 2010, o kit de DVD e CD Mart'nália em África ao Vivo, que perpetua o show baseado no álbum Madrugada (2008). Com direção de João Vainer, o show foi captado na Ilha de Luanda, em Angola. No roteiro assinado por Márcia Alvarez, diretora do show, Mart'nália inseriu dois temas africanos, Muxima e Muadiakime, agregados em pot-pourri interpretado pela artista em dueto com o cantor angolano Yuri da Cunha (o CD apresenta 16 dos 19 números do roteiro). Nos extras, o DVD exibe um documentário - no qual Mart'nália discorre sobre sua relação com a África - e uma roda de semba armada na sua casa, no Rio de Janeiro (RJ), com as adesões de Carlinhos Brown, Gilberto Gil, Mayra Andrade (a cantora cubana que se criou em Cabo Verde e se radicou em Paris), o pai Martinho da Vila e as irmãs Analimar e Maíra Freitas. Na roda de semba, a turma canta temas como Palco (Gilberto Gil), Tchápu na Bandera (Djoy Amado), Na Forma da Lua (Carlinhos Brown, Mart’nália e Marcelinho Moreira), Festa de Umbanda (Martinho da Vila), Semba dos Ancestrais (Martinho da Vila e Rosinha de Valença), A Volta da Fogueira (Manoel Rui e Martinho da Vila) e Odilê, Odilá (Martinho da Vila e João Bosco). Sai via Biscoito Fino.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

TALENTOS HERDADOS

Dora Vergueiro se lançou no mercado fonográfico em 1997 com CD calcado no marketing de contar com a participação de Chico Buarque na faixa Leve, uma parceria (então inédita) do compositor com Carlinhos Vergueiro, pai de Dora e amigo de Chico. Nada aconteceu, apesar do marketing. Em 2001, Dora lançou seu segundo CD, Pé na Estrada, no embalo do programa de aventuras que apresentava no canal SporTV. Nada aconteceu de novo. Nove anos depois, a artista volta ao disco com Samba Valente, correto trabalho em que se apresenta como competente letrista de onze sambas compostos com seu pai e com Afonso Machado. O disco está sendo lançado neste início de 2010 pela gravadora Biscoito Fino. Sem nunca ter brilhado efetivamente como cantora, Dora se escora na cadência do samba, cantado e arranjado com leveza no CD. Embora soe repetitivo ao longo de suas onze faixas, Samba Valente tem bons momentos como a faixa-título (adensada por coro), Fui (pontuada pelos sopros certeiros de Dirceu Leite), Túnel e Noites Frias (de tom meio seresteiro). Diretor musical do álbum, Afonso Machado assina arranjos que se ajustam ao sambas e até os valorizam. Mas é inevitável a sensação de que o material renderia mais na voz de cantora mais expressiva. Com voz tão afinada quanto apática, Dora Vergueiro não parece cantora talhada para cair nos sambas.

Dora Vergueiro - Samba Valente (2010)
Faixas:
01 - Fui (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
02 - Túnel (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
03 - Samba valente (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
04 - João mandou (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
05 - Daquele jeito (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
06 - Noites frias (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
07 - Sem refrão (Carlinhos Vergueiro/Dora Vergueiro)
08 - Pra que se despedir (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
10 - Porto seguro (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)
11 - Tô de saída (Carlinhos Vergueiro/Afonso Machado/Dora Vergueiro)

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Paulinho da Viola

domingo, 4 de julho de 2010

LEILA PINHEIRO E OS SEGREDOS MAIS SINCEROS DE RENATO RUSSO

Por Mauro Ferreira

Já à venda pela Biscoito Fino, o CD em que Leila Pinheiro canta 15 músicas compostas e/ou gravadas por Renato Russo (1960 - 1996), Meu Segredo Mais Sincero, conta com adesões de Herbert Vianna (guitarra na pouco ouvida Quando Você Voltar) e Dado Villa-Lobos, companheiro de Russo na jornada da banda Legião Urbana (1982 - 1996). Dado toca guitarra em Daniel na Cova dos Leões, de cuja letra foi extraído o sensível título Meu Segredo Mais Sincero. O álbum foi formatado por Cláudio Faria com intervenções de Alê Siqueira e Márcio Reis Werderits. Alê, a propósito, inseriu em Índios as vozes do Coro Infantil dos Índios Guarani. No disco, Leila se acompanha ao piano nato no seu segundo CD solo, Equilíbrio Distantebordar temas como Tempo Perdido (já gravado por ela em seu terceiro álbum, Alma, de 1988) e Hoje (sua parceria bissexta com Russo, lançada pela cantora em 2005 no álbum Nos Horizontes do Mundo). O disco - que fecha com a interpretação a capella de Perfeição, inserida como vinheta no repertório - inclui também dueto póstumo de Leila e Renato em La Solitudine, música italiana do repertório da cantora Laura Pausini gravada por Renato no seu segundo CD solo, Equilíbrio Distante (1995). Eis as 15 faixas de Meu Segredo Mais Sincero, que expõe na capa e encarte fotos de Leila com Renato (clicadas por Ana Regina Nogueira em 1988):

01 - Ainda É Cedo
02 - Índios
03 - Quando Você Voltar
04 - O Teatro dos Vampiros
05 - Angra dos Reis
06 - Daniel na Cova dos Leões
07 - Hoje
08 - Pais e Filhos
09 - Tempo Perdido
10 - Há Tempos
11 - Metal contra as Nuvens
12 - Eu Sei
13 - Andrea Dória
14 - La Solitudine - com Renato Russo (fonograma do CD Duetos)
15 - Perfeição (vinheta)

WILSON SIMONAL NA COPA DO MUNDO

Com a decepção causada por nossa seleção na copa da África do sul, o que nos resta é lembrar da época em que a hegemonia brasileira era absolutamente inconstestável com o chamado futebol-arte de nossos grandes nomes. Época em que havia Tostão, Gérson, Carlos Alberto, Rivelino E tendo em campo o maior jogador de futebol de todos os tempos: Pelé. Essa hegemonia também existia na música popular brasileira nessa época, Wilson Simonal era absoluto. Dava olés em nomes como o atual rei da música brasileira Roberto Carlos que na ocasião já podia se considerar um dos cantores mais populares do Brasil. Simonal era amigo de Pelé, Jairzinho e Carlos Alberto Torres e alegrava a equipe tricampeã mundial na concentração da copa do México em 1970.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CALENDÁRIO MUSICAL - JULHO

Dia 01 - Nasce a cantora paulista Maria Rita Costa Camargo Mariano (1977).
Nasce o cantor e compositor pernambucano Alceu Paiva Valença, o Alceu Valença (1946).
Nasce a cantora paulista Adriana Godoy (1976).

Dia 02 - Guglielmo Marconi patenteia o rádio (1897).
Nasce a cantora carioca Danni Carlos (1975).

Dia 03 - Nasce o compositor carioca Wilson Batista (1913).
A primeira transmissão de TV a cores é feita em Londres por J.L. Baird (1928).

Dia 04 - Morre o compositor paulista Marcelo Tupynambá, pseudônimo de Fernando Álvares Lobo (1992).

Dia 05 - Nasce no Recife (PE), o músico Manoel de Almeida Botelho (1721).
Nasce na Fazenda da Agulha, Trajano de Morais, (RJ), a cantora e compositora Carmelita Madriaga - Carmem Costa (1920).

Dia 06 - Nasce o cantor e compositor integrante dos Mutantes Arnaldo Baptista (1948).
Nasce o cantor, instrumentista e compositor paulista Antônio Pecci Filho, mais conhecido como Toquinho (1946).

Dia 07 - Morre o cantor e compositor carioca Cazuza (1990).

Dia 10 - Morre o cantor e compositor paraibano Jackson do Pandeiro (1982).

Dia 11 - Nasce em Campinas (SP), o compositor Antônio Carlos Gomes (1834).
Nasce o compositor paulista Raul Montes Torres (1906).

Dia 12 - Nasce no Rio de Janeiro o compositor Nilton Bastos (1899).
Nasce o cantor e compositor hauki Maddi, de nome artístico Tito Madi (1929).

Dia 13 - Nasce o cantor e compositor mineiro João Bosco (1946).
Morre o cantor e compositor Ciro Monteiro (1973).

Dia 14 - Nasce em Juiz de Fora (MG), Décio Antônio Carlos - Mano Décio da Viola, um dos maiores compositores de samba do Rio de Janeiro, autor de "Apoteose do Samba", "Heróis da Liberdade", "Exaltação a Tiradentes", entre outros sambas de sucesso (1909).
É Inaugurado na cidade do Rio de janeiro o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (1909).

Dia 15 - Nasce em São José do Rio Preto (SP) o maestro, compositor e instrumentista Paulo Gonçalves de Moura - Paulo Moura (1932).

Dia 16 - Morre o cantor e compositor mineiro Hervê Cordovil (1979).
Nasce a cantora carioca Elizeth Cardoso (1920).
Nasce o instrumentista carioca Arthur Moreira Lima (1940).

Dia 17 - Morre no Rio de Janeiro vítima de acidente vascular cerebral, aos 78 anos, "a primeira dama do samba", Neuma Gonçalves da Silva, D. Neuma (2000).

Dia 18 - Em 1980, A TV Tupi, primeira emissora Latino-Americana sai do ar definitivamente.
Nasce o cantor e compositor carioca João Batista Maranhão Filho, popularmente conhecido por Jota Maranhão.

Dia 19 - Morre aos 87 anos, na Casa de Saúde Bonsucesso (RJ), vítima de derrame cerebral, Clementina de Jesus - a "Mãe Quelé" (1987).

Dia 20 - Nasce em Campos (RJ) o cantor e compositor Dermeval Miranda Maciel - Roberto Ribeiro (1940).
Nasce no Morro do Salgueiro, o compositor Geraldo Soares de Carvalho - Geraldo Babão.
Nasce o compositor carioca Haroldo Lobo (1910).
Nasce o cantor e compositor carioca Dermeval Miranda Maciel, o Roberto Ribeiro (1940).
Nasce o instrumentista carioca Romero Magalhães Lubambo (1955).

Dia 21 - Nasce a cantora e atriz baiana Emanuelle Araújo (1976).

Dia 22 - Morre o autor, compositor e ator italiano Gianfrancesco Guarnieri (2006)
Nasce no Rio de Janeiro, o músico, cantor e compositor, ritmista, Administrador de Empresa e sambista, Elton Antônio Medeiros - Elton Medeiros, autor de "O Sol Nascerá", "Recomeçar", "Vida", "Onde a dor não tem razão" (Elton Medeiros e Paulinho da Viola) entre outros sucessos. (1930)

Dia 23 - Nasce o cantor, compositor e intérprete mineiro Flávio Venturinni (1949)
Nasce o instrumentista gaúcho Renato Borghetti (1963)

Dia 24 - Morre a cantora mineira Zezé Gonzaga, aos 81 anos (2008).

Dia 25 - Morre o cantor argentino que fez carreira no Brasil Carlos Galhardo (1985).
Nasce em Niterói (RJ), o compositor e instrumentista, Alcebíades Barcelos, o Bide (1902).
Nasce no Rio de Janeiro, o cantor, compositor e artista plástico, Nelson Matos - Nelson Sargento (1924).

Dia 26 - Nasce Marta Ferreira da Silva, Tia Marta do Império, mãe de santo conceituada do Morro da Serrinha, incentivadora do jongo, e integrante da Ala das Baianas do Império Serrano desde 1947.

Dia 28 - Nasce a cantora baiana Daniela Mercury (1965).
Morre o cantor e compositor mineiro Mário Sousa Marques Filho, mais conhecido por Noite Ilustrada (2005).
Nasce o cantor e compositor paulista Guilherme Arantes (1953).

Dia 29 - Nasce o cantor e compositor carioca Ed Wilson, nome artístico de Edson Vieira de Barros (1945).
Nasce na Bahia o cantor Anísio Silva (1920).

Dia 30 - Morre o compositor sergipano José Prudente de Carvalho, mais conhecido como Carvalhinho (1970).

Dia 31 - Nasce em Queluz (SP), Natalino José do Nascimento - Natal da Portela, um dos fundadores e da Escola de Samba Portela (1905).

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