PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 27 de abril de 2008

JORGE VERCILLO

Aqui fica um pequeno resumo da carreira deste grande músico carioca:
Jorge começou na música por incentivo de sua tia Lêda Barbosa aos 17 anos, depois de "desviado" dos treinos de futebol no Flamengo, por uma fita cassete contendo músicas de Djavan
Iniciou sua carreira artística aos quinze anos de idade, tocando em bares e em 1989 no Festival Internacional de Trovadores (INTROVESTCUR), em Curaçau, alcançou o primeiro lugar com a canção "Alegre", de sua autoria, recebendo também o prêmio de melhor intérprete.
Em 1993, gravou seu primeiro CD, "Encontro das águas", lançado em 1994 pela gravadora Continental, e em 1996, lançou o CD "Em tudo que é belo".
Em 1997, foi indicado para o Prêmio Sharp na categoria Melhor Cantor Pop.
Em 2000 lançou o CD "Leve" e em 2002, lançou "Elo", cuja vendagem, alavancada pelo sucesso de "Que nem maré", de sua autoria, atingiu o montante de 250.000 cópias vendidas. Em 2003, lança o CD "Livre", que teve como grande hit do ano "Monalisa", que ocupou foi a 17ª música mais tocada do ano no Brasil, de acordo com o site hot100brasil. Ainda no ano de 2003, participou da gravação do álbum de Jorge Aragão, "Jorge Aragão Convida - Ao Vivo", cantando junto do poeta do samba sua composição "Encontro das Águas".
Em 2004, Jorge participou da gravação do hino "Fome Zero", ao lado de outros grandes nomes da música popular brasileira. Participou também dos DVDs ao vivo de Ivan Lins e Pepeu Gomes.
Em 2005, lança, no auge da carreira, "Signo de Ar", que apesar de não ter sido muito tocada nas rádios, foi bastante promovida por meio de vários shows no [Brasil], em especial no Rio de Janeiro.
Em 2006 recebeu o Prêmio Tim de Melhor Cantor, na categoria Voto Popular. No mesmo ano lançou seu primeiro DVD ao vivo, "Jorge Vercilo AO VIVO", com uma coletânea de seus grandes sucessos e diversos parceiros na música.
Recebe em 2007, novamente, o Prêmio TIM na categoria Voto Popular de Melhor Cantor.

Realizou o show "Coisa de Jorge" em 23 de abril na praia de Copacabana, que reuniu os Jorges da música brasileira (Vercilo, Benjor, Mautner e Aragão) em homenagem a São Jorge. O CD/DVD "Coisa de Jorge" conta com canções inéditas e outros sucessos dos quatro artistas. Em novembro desse mesmo ano, lançou seu mais recente álbum: “Todos Nós Somos Um”, apostando nos ritmos brasileiros e com uma novidade: Mais um “L” acrescentado ao seu sobrenome, voltando ao original de batismo.
Em uma outra oportunidade aprofunadarei mais na obra deste grande poeta e músico! Abraço a todos!

ADEUS, CANHOTO!

ORAÇÃO POR CHICO SOARES, CANHOTO DA PARAÍBA

Por Urariano Mota

(Fecho os olhos, para melhor falar. Abro e ergo os olhos para um céu deserto de tudo, até da esperança. E por isso mesmo, por mais sem razão e sem nexo, o peito que desejaria gritar, fala e balbucia baixinho, ainda que seja inútil o afã de encontrar uma razão para o que vejo.)

Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mostrai que sois verdadeiramente mãe de todos artistas caídos em desgraça na terra.

Existe um homem que é grande no tocar, existe um sereno e augusto artista que é largo e alto de coração, existe um violonista de nome Francisco Soares de Araújo, que a simplificação da gente achou por bem chamar de Canhoto da Paraíba.

Minha Nossa Senhora, esta súplica seria inútil se tivésseis a graça de ouvi-lo, um só minuto. Então saberíeis como ele transporta o céu para a brutalidade e para a angústia de todos animais que somos. Então sorriríeis com ele, e como ele, porque irradiante e empática e comungante sempre foi a sua ventura no tocar. Esta prece poderia ser tão-só e somente um insulto à dignidade de Francisco Soares de Araújo, se Canhoto da Paraíba não se encontrasse no estado e no ânimo em que se encontra. Sabei, erguida e nobre Senhora dos sonhos dos desesperados, sabei que Canhoto se acha numa cadeira de rodas, com a voz falha, e todo lado esquerdo do corpo, e toda a mão esquerda, cruel e certeira maldição, paralisada. (É assim que a Providência castiga os bons da alma? Se um homem canta pela mão esquerda, será ela a ferida? Se um artista se expande pela voz, será na garganta o seu câncer?) Sabei, Senhora, que Canhoto mal falando, a tropeçar nas sílabas, como uma grande criança que cresceu para ser coroada por uma cadeira de rodas, sabei, Senhora, que Canhoto ainda assim sorri. Com quase o mesmo sorriso com que o vi um dia, à luz do dia, ao meio-dia na Avenida Guararapes. Com este assim:

O guitarrista Pedro Soler, aquele mesmo guitarrista flamenco a quem Miguel Angel Astúrias declarou, “os teus dedos, Soler, são os cinco sentidos da guitarra”, este Pedro um dia esteve no Recife, em 1975. E disse, “Canhoto da Paraíba é um dos três grandes guitarristas do mundo”. E por ser lembrado desta referência, ao ser encontrado na Guararapes, Canhoto assim respondeu, com o mesmo sorriso de menino bom, que agora insiste na paralisia em que se encontra, com o peito bom de menino que recebe pedras e se alarga, para abraçar as pedras como abraça facas e elogios:

- Num foi? Eu disse a ele, “Tu é doido, Soler?”

E como eu lhe repetisse o elogio de vexame, e para não ficar com a cara gorda e limpa exposta à luz, como uma criança que se descobre nua em rua de adultos, Canhoto assim respondeu à consagração:

- Tu quer um confeitinho? Toma um de menta. É bom, rapaz.

E desta maneira a receber caramelos, a vez de se encabular foi minha. Agora sinto, agora percebo que na pessoa de Canhoto aura nenhuma poderia ser posta, porque o seu maior elogio era a sua própria pessoa: Canhoto, a sorrir, a tocar. E digo isto, Senhora, quase que em estado de raiva e convulsão, por entre estremeços. Porque o vejo agora e me vem num assalto: Não é assim que se trata um homem. Não é assim que se destrói um artista. Não é assim que se faz reduzir e insultar a memória da gente. Este a quem encontro em Maranguape I, periferia do Recife, para lá de Olinda, é o mesmo homem que era convidado como estrela máxima de saraus, shows e banquetes? Este, na obscuridade de sua sala, olhando um disco na parede, como um mamute, como um gordo pacífico sem fala, é o mesmo genial violonista de Pisando em Brasa? Algo procuro, busco uma razão, e para não ser tão cru e cruel como a Providência, que assim pune os nossos grandes, prefiro balbuciar essas desrazões:

Imaculada Virgem e Mãe minha, Maria Santíssima, a vós que sois a Mãe de meu Salvador, Rainha do Céu, Advogada, esperança e refúgio dos pecadores, recorro:

Canhoto da Paraíba tem a perna, as articulações sacrificadas, porque não dispõe de recursos para fazer uma... terapia. Não essa terapia que ora faço, da súplica do milagre, da clemência aos céus, mas a mais elementar, humana, elementar, uma fisioterapia. Por isto, por falta desta, já reclama, reclama, não, que ele sequer se queixa, por isto já se refere a dormência nas pernas, porque passa o dia entre a cadeira e a cama. Mas disto ele não se queixa – está em repouso, não é? Sabei, Senhora, que Canhoto é homem de grande resignação. Minto. Menti para ficar dentro da forma beatífica do requerimento a Seus poderes. O que toda a gente toma por resignação (digo-o baixinho, bem baixinho, como um chorinho solado, murmurando) o que toda gente toma por resignação é uma imensa generosidade. Canhoto sempre foi um deus de fertilidade, tocava e distribuía seus dons com louca e desmedida prodigalidade, como se os seus recursos, porque lhe chegavam, fossem inesgotáveis. Depois do derrame, do AVC, esses recursos subitamente se esgotaram. Mas disso ele não se deu conta. É um Buda que vive e se alimenta dos restos e da sombra do seu nirvana. Daí que não se queixa, daí que de nada reclama. Canhoto espera que de uma hora para outra seus dedos esquerdos voltem a se articular como antes, e aí, que bom que será! Todas as portas voltar-se-ão para ele, todas as graças, todos os violões, até mesmo a Santa, que acorrerá para ouvi-lo sem necessidade de invocação.

Nós, que não somos Canhoto, é que percebemos que o Rei perdeu o seu cetro, seu poder, seu trono. Nós, que o vemos transparente pela bonomia de sua fala de criança, é que sabemos: à causa “natural” da isquemia, da idade dos seus 76 anos, soma-se a natural organização do mundo. Canhoto vive de uma modesta aposentadoria que não lhe dá margem para um tratamento de luxo, e o luxo, Imaculada, é uma fisioterapia. Sabei, Santa sobre as santas, que ele recebe aposentadoria por suas atividades de burocrata, de funcionário do SESI, por ser Francisco Soares de Araújo. Da sua razão de ser - da sua razão de viver, da sua razão de morrer – do gênio de ser Canhoto da Paraíba ... nada, nada, nada. Assim não são os bens espirituais? Nada, nada, nada. Dos políticos, dos deputados, senadores, governador do estado, prefeitos, nada, nada, e minto. Minto, minha Santa: destes tem recebido uma segura e intransponível distância. Ou melhor, nesta altura, fui injusto. Agora em junho deste ano, o nosso violonista foi a Brasília, para inaugurar, com chave de ouro, o Projeto Pixinguinha. Ali, Canhoto recebeu um aperto de mão do Presidente.

Por isto, minha Santa, por isto, Imaculada, já que sois tão poderosa diante de Deus, fulminai para sempre e eternamente com vossos raios a insensibilidade humana. Porque existe um homem, que um dia foi Canhoto da Paraíba, que jaz numa cadeira de rodas, em Maranguape I, Paulista. Sem se queixar e a sorrir, e por assim estar, a machucar o coração da gente.


Urariano Mota é natural do Recife. Mora atuamente em Olinda.
Livros: Os Corações Futuristas, romance sobre jovens perseguidos em Pernambuco durante a ditadura militar, Japaranduba, 49 , novela sobre a busca de um amor da infância por um velho louco, O Caso Dom Vital, novela satíricopolicial educativa sobre o nosso apodrecido sistema de ensino.Inédito, este último livro.

A novela, Japaranduba, 49, está disponível no site www.livrorapido.com.br
Fonte: http://urarianoms.blog.uol.com.br/

sexta-feira, 25 de abril de 2008

AGOSTINHO DOS SANTOS

Se estivesse vivo, hoje augustinho estaria completando 76 anos de idade. Seu maior sucesso foi cantando músicas da peça e depois no cinema.Natural de São Paulo,Nascido na capital paulista e criado no bairro do Bexiga. Foi crooner de orquestra, trabalhou nas rádios América e Nacional.
Iniciou sua carreira no início dos anos 1950, como crooner da orquestra de Osmar Milani, na capital paulista. Nessa época, chegou a participar de alguns programas de calouros. Em 1951, por indicação do trompetista José Luís, foi contratado pela Rádio América de São Paulo. Anos depois, seria contratado pela Rádio Nacional paulista. Gravou o primeiro disco em 1953 pelo selo Star com o samba "Rasga teu verso", de Sereno e Manoel Ferreira.

Em 1955, atuou na Rádio América de São Paulo e depois foi ao Rio de Janeiro para cantar com Ângela Maria, Sílvia Telles e a Orquestra Tabajara, na Rádio Mairynk Veiga. No mesmo ano, assinou contrato com a gravadora Polydor e lançou a toada "O vendedor de laranjas", de Albertinho e Heitor Carilo e o fox "A última vez que vi Paris", de J. Kern com versão de Haroldo Barbosa. Em 1956, gravou seu primeiro sucesso: a valsa "Meu benzinho", de Hawe, Gussin e Caubi de Brito. Por conta dessa música, recebeu os troféus Roquette Pinto e Disco de Ouro. Também no mesmo ano, gravou a primeira composição de sua autoria, o samba "Vai sofrendo", parceria com Vicente Lobo e Osvaldo Morige. Nesse mesmo ano, recebeu seu primeiro Disco de Ouro.
Em 1957, gravou com acompanhamento da orquestra de Valdomiro Lemke os sambas canção "Chove lá fora", de Tito Madi e "Maria dos meus pecados", de Jair Amorim e Valdemar de Abreu. No mesmo ano, gravou a marcha "Maria Shangay", do jornalista e colunista social Ibrahim Sued, Alcyr Pires Vermelho e Mário Jardim. Também em 1957, lançou pela Polydor o LP "Uma voz e seus sucessos", trazendo entre outras, "Desolação", de Othon Russo, "O amor não tem juízo", de Fernando César e "Esquecimento", de Fernando César e Nazareno de Brito. Nesse ano, recebeu seu segundo Disco de Ouro.
No mesmo ano, transferiu-se para a RGE e lançou a valsa "Meu castigo", de Onildo Almeida e o samba canção "Doi muito mais a dor", de Vadico e Edson Borges com acompanhamento da orquestra RGE dirigida por Enrico Simonetti. Também no mesmo ano, gravou os sambas canção "Chega de saudade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e "Balada triste", de Dalton Vogeler e Esdras Silva, com os quais fez grande sucesso. Lançou também no mesmo período o LP "Agostinho espetacular", com obras como: "Um olhar, um sorriso", de Guerra Peixe, "Tu és a dona de tudo", de Nazareno de Brito e Alcyr Pires vermelho e "Forças ocultas", de sua parceria com Antônio Bruno. Também em 1958, lançou o LP "Antônio Carlos Jobim e Fernando César na voz de Agostinho dos Santos", no qual interpretou, entre outras, "Eu não existo sem você", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e "Foi a noite", de Tom Jobim e Newton Mendonça e "Graças a Deus" e "Segredo", de Fernando César. Por causa desse elepê, recebeu o convite de Tom Jobim e Vinícius de Morais para ser o intérprete da trilha de ambos para o filme "Orfeu do carnaval", de Marcel Camus, que lhe rendeu dois grandes sucessos: "Manhã de carnaval", de Luiz. Bonfá e Vinicius de Moraes e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Em 1959, gravou os sambas canção "Canção de amor" e "Manhã de carnaval", de Luiz Bonfá e Antonio Maria e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, todos com grande sucesso. Gravou também a "Balada do homem sem Deus", de sua autoria e Fernando César com acompanhamento da orquestra RGE regida por Enrico Simonetti. No mesmo ano, gravou o LP "O inimitável Agostinho", também pela RGE, disco que incluía sucessos como "Hino ao sol", de Tom Jobim e Billy Blanco, "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, "Fim de caso", de Dolores Duran e "Feitio de oração", de Noel rosa e Vadico. Nesse ainda, recebeu seu quarto Disco de Ouro consecutivo.
Em 1960, gravou os sambas canção "Cantiga de quem está só", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, "Leva-me contigo", de Dolores Dura e os sambas "Saudade querida", de Tito Madi e "Chuva para molhar o sol", de sua autoria e Edson Borges. No mesmo ano, lançou o LP "Agostinho, sempre agostinho", com "Amor em paz", de Tom jobim e Vinicius de Moraes, "Dindi", de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira e "Na solidão da noite", de Tom Jobim.
No ano seguinte, gravou o samba canção "Nossos momentos", de Haroldo Barbosa e Luiz Reis e o samba "Distância é saudade", de sua autoria. Nesse mesmo ano, a RGE lançou o LP "Agostinho canta sucessos", que trazia sucessos da época como "Mulher de trinta", de Luiz Antônio, "Por quem sonha Ana Maria", de Juca Chaves, "Serenata suburbana", de Capiba e "Negue", de Enzo de Almeida Passos e Adelino Moreira.
Em 1962, gravou o cha cha cha "Eu e tu", da dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia, o fox "Suave é a noite", de Webster e Fain, com versão de Nazareno de Brito e o bolero "Aqueles olhos verdes", de Menendez e Utrera, com versão de Braguinha. No mesmo ano, participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (EUA), como cantor, acompanhado pelo conjunto de Oscar Castro Neves. Também no mesmo ano, saiu o LP "Presença de Agostinho", com "Nossos momentos", de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, "Mãos calmas", de Luiz Bonfá e Ronaldo Bôscoli e "canção para acrodar você", de Tito Madi.
Em 1963, gravou em dueto com a cantora Rosana o "Samba em prelúdio", de Vinicius de Moraes e Baden Powell. No mesmo ano, lançou o LP "Vanguarda", no qual interpretou várias composições da dupla Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, tais como "Além da imaginação", "Amor a 120", "Tefefone" e "Negro".
Fez várias excursões ao exterior, tendo se apresentado no Chile, Argentina, México, Itália, Portugal e nos Estados Unidos, onde cantou ao lado de Johnny Mathis. Na Itália atuou ao lado da cantora Caterina Valente, grande sucesso na época. Em 1966, lançou pelo selo Elenco o LP "Agostinho dos Santos", com destaque para "O canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinicius de Moraes, "Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, "Favelado", de Zé Kéti e "Preciso aprender a ser só", de Paulo Sergio Valle e Marcos Valle.
Em 1967, gravou o elepê "Música nossa", pelo selo Ritmos/Codil no qual interpretou "Travessia", de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que ele havia indicado, juntamente com "Maria minha fé" e "Morro Velho", ambas também de Milton Nascimento ao diretor artístico do II FIC, do Rio de Janeiro, o maestro Elmir Deodato, o que transformaria no primeiro padrinho artístico do futuro astro da MPB. Este disco incluía ainda "Ponteio", de Capinan e Edu Lobo, "Carolina", de Chico Buarque e "Oferenda", de Lenita e Luiz Eça e "Sim pelo não", de Alcivando Luz e Carlos Coquejo, com a participação especial da então iniciante Beth Carvalho. Ainda naquele ano, alavancou a participação de Milton Nascimento no II FIC, prestigiando o então desconhecido cantor e compositor em inúmeras entrevistas em que o considerava a "grande revelação da nova MPB". Participou, em 1968, do III FIC, da TV Globo (RJ), ocasião em que interpretou a música "Visão", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar.
Em 1970, gravou pelo selo London/Odeon o LP "Agostinho dos Santos", no qual interpretou "O diamante cor de rosa", de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, "Pra dizer adeus", de Edu lobo e Torquato neto e "Felicia", de José Jorge e Ruy Maurity.
Teve rápida passagem pelo rock'n'roll nos anos 1950, gravando "Até logo, jacaré", versão de Júlio Nagib para "See you later, alligator", de Bill Halley & His Comets. Gravou 25 discos em 78 rpm, pela Star e RGE. Curiosamente, uma de suas últimas gravações foi "Avião", de Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Hélio Mateus. Em 1973, a Continental lançou LP que levou seu nome e que trazia entre outras, "O amor está no ar", de sua parceria com Joab Teixeira, além de antigos sucessos.
Nos anos 50 e 60 ganhou prêmios e atuou como compositor, além de cantor. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (1962) com o conjunto de Oscar Castro Neves. Teve uma rápida passagem pelo rock'n'roll nos anos 50, gravando "Até Logo, Jacaré", versão de Julio Nagib para "See You Later, Alligator", de Bill Halley & His Comets. Excursionou pela Europa e morreu em uma dessas excursões. Faleceu, em 1973, em trágico desastre aéreo nas imediações do Aeroporto de Orly em Paris.


AGOSTINHO DOS SANTOS - AGOSTINHO ESPETACULAR (1958)

Faixas:
01 - Blada triste
02 - Até o nme e Maria
03 - Horoscopo
04 - Umolhar, um sorriso
05 - Flamingo
06 - Meu castigo
07 - Forças ocultas
08 - Tu és dona de tudo
09 - Sede de amor
10 - Nem sol, nem paz, nem você
11 - Espera
12 - Doi muito mais a dor

quarta-feira, 23 de abril de 2008

TEM FÉ! QUE JORGE É DE AJUDAR A TODO BRASILEIRO GUERREIRO...

Hoje 23 de abril é o dia de um santo qué vez por outra é citado em letras de nossa MPB. O próprio título da postagem revela isso, é da letra de uma das faixas de um disco que foi gravado em uma data como a de hoje por quatro Jorges: Mautner, Vercillo, Aragão e Benjor.
Juntos eles gravaram um álbum intitulado: COISA DE JORGE, que também saiu em DVD pela EMI Music.
Além desse álbum que trás canções que citam o santo guerreiro que tem em sua homenagem o dia de hoje (Lua de São Jorge, Jorge de capatócia; há outros cantores que tem em seu repertório citações ao santo, um exemplo é Djavan, que trás em seu álbum COISA DE ACENDER (postado aqui no blog para download em uma data anterior) a canção Se...
Deixo pra vocês agora um pouco da história desse santo tão reverenciado por nossa MPB:
São Jorge é o santo patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia e da cidade de Moscou, além de ser padroeiro dos escoteiros e do S.C Corinthians Paulista. No dia 23 de Abril comemora-se seu martírio. Ele também é lembrado no dia 3de novembro, quando, por toda parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele, em Lida (Israel), onde se encontram suas relíquias, erguida a mando do imperador romano Constantino I. Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo. A devoção a São Jorge pode ter também suas origens na mitologia nórdica, pela figura de Sigurd, o caçador de dragões(ver sincretismo religioso).
De acordo com a lenda, Jorge teria nascido na antiga Capadócia, região da atual Turquia. Ainda criança, mudou-se para a Palestina com sua mãe após seu pai morrer em batalha. Sua mãe, ela própria originária da Palestina, possuía muitos bens e o educou com esmero. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade - qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo a função de Tribuno Militar.
Neste tempo sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte nas riquezas que lhe ficaram, foi-se para a corte do Imperador. Vendo, Jorge, que urdia tanta crueldade contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres.
O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.
Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O que é a Verdade?". Jorge respondeu-lhe: "A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade."
Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, segundo a tradição católica, em Nicomédia (Ásia Menor).
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado, e mais tarde o imperador cristão Constantino, mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.
Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, em Bizâncio, no Estreito de Bósforo na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da Igreja Católica.


Para comemorar o dia de São Jorge, 23 de abril, como eu havia falado, Jorge Aragão, Jorge Vercilo, Jorge Ben Jor e Jorge Mautner e "Jorge Gilberto Gil" reuniram-se para um mega espetáculo na praia de Copacabana para homenagear o Santo Guerreiro.

Faixas:
01 - Jorge da Capadócia
02 - Deus Manda
03 - Lua de São Jorge
04 - Pot-pourri: Por Causa de Você, Menina/ Chove Chuva/ Mas Que Nada
05 - Coisa de Pele
06 - Que Nem Maré
07 - Maracatu Atômico
08 - Malandro
09 - Fênix
10 - Cowboy Jorge
11 - São Jorges
12 - Pot-pourri: Não sou mais disso/ Do fundo do nosso quintal
13 - Monalisa
14 - Líder dos Templários
15 - Pot-pourri: Taj Mahal/ A Banda do Zé Pretinho

BANDA MANTIQUEIRA - PARTE 1

“Uma alegre reunião de talento e competência”

Formada em 1991, por iniciativa do clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador – Nailor Azevedo, o Proveta – e integrada por outros músicos que sempre estiveram muito próximos a ele, a BANDA MANTIQUEIRA percorre um caminho muito difícil no nosso cenário musical. No Brasil, sabe-se que o espaço para a música instrumental é ínfimo. Mas, mesmo assim, graças ao talento e a competência desses músicos, conseguiu sobreviver ao longo desses 13 anos ganhando, cada vez mais, o reconhecimento e o respeito do público e da crítica, nacional e internacional.
Para formá-la, Proveta buscou por músicos que também ansiavam por uma linguagem que expressasse a brasilidade na forma de interpretar nossa música.
Do universo dos compositores de música popular brasileira, selecionou peças de alguns dos mais notáveis – Pixinguinha, Tom Jobim, Jacob do Bandolim, Cartola, Nelson Cavaquinho, Ernesto Nazareth, João Bosco, Guinga, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Joyce, entre outros . Juntou a esse repertório composições suas e de Edson Alves e, brilhantemente, arranjou-as para a formação de big-band . Embora conte com excelentes solistas, valorizou mais o conjunto do que a individualidade.
A BANDA MANTIQUEIRA começou tocando em bares. Primeiro, em temporada de alguns meses, no saudoso Sanja, templo musical por onde passou a nata dos instrumentistas de São Paulo. Depois, lotou por quatro anos, todas as segundas-feiras, o Vou Vivendo, também um local de boa música. Desde março de 1997, apresenta-se no Supremo Musical, todas as terças-feiras, sempre com casa lotada.
Registra, ainda, apresentações em diversas unidades do Sesc-São Paulo; no Kaiser Bock Winter Festival, em 1997, tendo como convidados a cantora Gal Costa e os cantores Guinga e Sergio Santos; em Lisboa – Portugal, na Expo-98 e na Cidade do Porto, no Palácio do Jardim de Cristal; no Free Jazz Festival – Edição 1998, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A convite do Maestro John Neschling, fez quatro concertos com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, na Sala São Paulo, em dezembro de 2000.
Em turnê nos Estados Unidos, em outubro de 2002, apresentou-se com a OSESP em Costa Mesa, na Califórnia e em Ann Arbor, em Michigan. Na mesma turnê, isoladamente, tocou no Festival de Jazz de San Francisco, Califórnia e na Northwestern University, em Evanston, Illinois, e fez por merecer elogiosas críticas publicadas no The Los Angeles Times e no Chicago Tribune.
Como convidada do Maestro Yeruhan Scharovsky, apresentou-se, em junho de 2003, em concerto com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Gravou 3 CDs: Aldeia (1996) e Bixiga (2000) ambos pelo selo Pau Brasil e com a Osesp o concerto apresentado na Sala São Paulo, em dezembro de 2000.
O CD Aldeia foi nominado ao Grammy, em 1998.
Em um momento posterior falarei sobre cada um dos integrantes da Mantiqueira e sua discografia. Abraço a todos!!

terça-feira, 22 de abril de 2008

DICAS DA MUSICARIA

Mariana Aydar (São Paulo, SP, 1980) é uma cantora paulista de MPB.
Aydar é filha de Mario Manga, integrante do grupo Premê, e de Bia Aydar, produtora de diversos artistas brasileiros, entre os quais Lulu Santos e Luiz Gonzaga. Nesse ambiente, ficava atrás dos palcos, dormia nos camarins e ia junto com os cantores para o estúdio, aprendendo muita coisa só observando.
Sua trajetória musical teve início em 2000. Em 2004, após anos de estudo no Brasil e na Berklee School of Music, em Boston, morou em Paris por um ano. Lá conheceu Seu Jorge, que a convidou para abrir seus shows na turnê européia. De volta ao Brasil em 2005, passou a investir em seu disco de estréia, Kavita 1, lançado em setembro de 2006.
Mariana, que estudou cello, violão e canto, já esteve no palco com Seu Jorge, Elba Ramalho, Dominguinhos, Arnaldo Antunes, Toni Garrido, Samuel Rosa, Daniela Mercury , Céu, João Donato, entre outros.
É considerada como integrante de uma safra de cantoras no cenário da nova MPB.
Em Abril de 2007, a música "Deixa o Verão" foi convocada para entrar na trilha sonora do seriado adolescente Malhação 2007, da Rede Globo.
Em Agosto para Setembro de 2007, Mariana Aydar foi indicada a Revelação no VMB (Video Music Brasil), realizado pela MTV
Em Janeiro de 2008, realizou seu primeiro show em Salvador, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho, para um público superior a 1.000 pessoas totalmente envolvido e conhecedor das ´músicas do repertório da cantora. O show foi uma parceria entre o Projeto Pelourinho Cultural, do IPAC - SECULT, com o produtor baiano Chicco Assis e o Movimento ChA Com Cultura.
Kavita 1 é o primeiro CD solo da cantora paulista Mariana Aydar, lançado em 2006. O nome significa poeta em sânscrito.

Faixas:
01 - Minha Missão
02 - Na Gangorra
03 - Prainha
04 - Zé do Caroço
05 - Menino das Laranjas
06 - Vento no Canavial (Sugar Cane Breeze)
07 - Deixa o Verão
08 - Festança
09 - Candomblé
10 - Onde Está Você
11 - Maior é Deus

segunda-feira, 21 de abril de 2008

OS BEATLES GRAVARAM ASA BRANCA?

Em 1968 surgiu uma história de que os Beatles gravariam Asa Branca, composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em que pese as várias teorias sobre a criação desse boato, a verdade é que vários jornais, revistas e rádios daquela época o afirmavam.
A primeira edição da revista Veja, de 11 de Setembro de 1968, trazia um artigo intitulado “Gonzaga, A Volta do Baião” onde afirmava: Luís Gonzaga deu uma gargalhada quando soube que os Beatles iam gravar "Asa Branca", baião feito por êle e Humberto Teixeira em 1948. "Agora é que eu quero ver se os Beatles vendem mesmo", comentou. "Minha gravação vendeu mais de 2 milhões de discos".
Já a revista “InTerValo”, uma das mais apreciadas pelos jovens dos anos 60 trazia o artigo “Luiz Gonzaga: Não sei se Asa Branca é minha” e começava dizendo: Luiz Gonzaga vai ganhar 50 mil dólares, no mínimo. Isto porque os Beatles decidiram gravar o baião "Asa Branca". Mas ficar milionário deixou Luiz com um drama de consciência: não lembra com certeza de que a música é mesmo de sua autoria.
Segundo o site Beatles Brasil a possível explicação para essa confusão seria uma música, recém-lançada na época, chamada “The Inner Light”, composição de George Harrison, que tem uma seqüência melódica muito parecida com a de Asa Branca.
Mas em 1982, numa entrevista dada em Recife, Seu Luiz afirma que “Não houve verdade não, houve uma grande mentira. Essa mentira quem pregou foi Carlos Imperial. Ele tinha um programa que denunciava muita coisa e, inclusive, que o Iê-Iê-Iê num passava de um xotezinho de Luiz Gonzaga. Houve aquele protesto todo e depois ele chegou com um disco lá e disse: ‘E agora, quem vai dizer que o Iê-Iê-Iê num é de Luiz Gonzaga? Olha aqui, Asa Branca acaba de ser gravada pelos Beatles!’. Houve aquela correria danada, todo mundo queria saber a verdade e eu acabei foi ganhando dinheiro com isso, mas não passou de uma grande mentira”.


Matéria Completa da Revista InTerValo:

LUIZ GONZAGA: NÃO SEI SE ASA BRANCA É MINHA

Luiz Gonzaga vai ganhar 50 mil dólares, no mínimo. Isto porque os Beatles decidiram gravar o baião "Asa Branca". Mas ficar milionário deixou Luiz com um drama de consciência: não lembra com certeza de que a música é mesmo de sua autoria.
- Desde que me conheço por gente - conta ele - Já cantava "Asa Branca". Naquele tempo, lá no Nordeste, ninguém se preocupava em saber quem tinha feito uma música, nem sabia o que era folclore. Eu cantava músicas dos outros e os outros cantavam minhas músicas, sem preocupações com direitos autorais. Deve haver por ai muita música que inventei, passei adiante e que agora faça parte do folclore nordestino.
Quando Gonzaga tinha 08 anos. já era convidado para tocar sanfona nos "sambas". Todo mundo gostava de ver o menino tocar "Asa Branca". Sua mãe, Dona Santana, deixava ele ir, com a condição de que o trouxessem para dormir logo que o sanfoneiro "oficial" chegasse ao baile. Para Luiz Gonzaga, "Asa Branca" sempre foi uma música sua, embora ele não consiga lembrar-se de quando a criou. Agora, esta música será gravada pêlos Beatles. É um baião simples, feito com apenas cinco notas. Gonzaga não tem medo de que os rapazes estraguem a puieza da melodia: "Eles são muito inteligentes, conhecem música muito bem. Na verdade, sempre senti nas "toadas" deles um pedacinho das nossas. Se analisarmos com atenção a música nordestina, vamos ver que ela tem um quê de música russa, flamenga e mesmo judaica e síria. 0 sertão conheceu muito os sírios e judeus, que andavam com seus jegues carregados de coisas paia vender. Eles influenciaram bastante a música e os hábitos dos nordestinos. Até hoje os sertanejos usam a estrela de Davi nos seus chapéus de couro. Sabe, eu gostaria muito que os Beatles usassem a gaita escocesa no arranjo. Ah. vai ficar uma beleza!".


CURIOSIDADES DA MPB

"Tonico & Tinoco Com Suas Modas Sertanejas", foi o primeiro LP em 33 Rotações de Música (realmente) Sertaneja lançado no Brasil – pela Continental em 31 de janeiro de 1957.

sábado, 19 de abril de 2008

E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

Proféticas foram às palavras do Nelson Gonçalves quando ele falou a citação postada ontem por mim:

"Este país não tem memória.Alguém sabe quando morreu Chico Alves?É por isso que quero ser cremado:pra ninguém fazer xixi na minha campa" (Nelson Gonçalves)

Esperei até hoje para poder comentar o total descaso pela partida há 10 anos de um dos maiores nomes de nossa música popular brasileira. Nelson foi sem dúvida alguma, um dos maiores intérpretes de sua geração. Juntamente com Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Gilberto Alves fazia da música brasileira da primeira metade do século XX um tipo de música que tinha por características principais grandes cantores, de voz possante, e que por muitos anos foram a alegria do povo brasileiro. Queria ir até mais longe e dizer que talvez Nelson faça parte de uma geração musical que dificilmente irá se repetir em nosso país até por conta das circunstâncias das quais ela surgiu. Em uma época em que o que valia na verdade era o potencial vocal, Nelson em minha modesta opinião, poderia ser enquadrado entre as maiores vozes musicais de todos os tempos de nossa música e quiçá até mundial. Frank Sinatra, considerado por muitos como um dos maiores nomes da música mundial, considerava Nelson como um dos maiores cantores que ele já ouvira atuar.
Não posso deixar de citar o trabalho do cineasta Elizeu Ewald que em 2001 levou aos cinemas de todo país um história (muito embora superficial) do Nelson.
Fica aqui registrada a minha indignação quanto ao total esquecimento no aniversário de morte do Nelson. Talvez se fosse um dos integrantes do BBB houvesse uma atenção maior da mídia. E assim caminha a futilidade, ou melhor; a humanidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

10 SEM NELSON GONÇALVES

"Este país não tem memória.
Alguém sabe quando morreu Chico Alves?
É por isso que quero ser cremado:pra ninguém fazer xixi na minha campa"
(Nelson Gonçalves)

Antônio Gonçalves Sobral, mais conhecido como Nélson Gonçalves, (Santana do Livramento, 21 de junho de 1919 — Rio de Janeiro, 18 de abril de 1998) foi um cantor brasileiro. Segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, com 65 milhões de unidades, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com oitenta milhões. Seu maior sucesso foi a canção A volta do boêmio.
Nascido no Rio Grande do Sul, mudou-se com os seus pais portugueses São Paulo, no Brás. Quando criança, era levado, para praças e feiras pelo seu pai, que fazendo-se de cego, tocava violino, enquanto ele cantava.
Foi jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Foi também lutador de boxe na categoria peso-médio, recebendo aos dezesseis anos o título de campeão paulista.
Mesmo com o apelido de "Metralha", por causa da gagueira, decidiu ser cantor. Em uma de suas primeiras bandas, teve como baterista Joaquim Silva Torres. Foi reprovado duas vezes no programa de calouros de Aurélio Campos. Finalmente foi admitido na rádio PRA-5, mas dispensado logo depois.
Nesta época, casou-se com Elvira Molla e com ela teve dois filhos. Sem emprego, trabalhou como garçom, no bar do seu irmão, na avenida São João.
Seguiu para o Rio de Janeiro em 1939, onde trilhou mais uma vez o caminho dos programas de calouros. Foi reprovado novamente na maioria deles, inclusive no de Ary Barroso, que o aconselhou a desistir. Finalmente, em 1941, conseguiu gravar um disco de 78 rotações, que foi bem recebido pelo público. Passou a crooner do Cassino Copacabana (do Hotel Copacabana Palace) e assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50, da escola dos grandes, discípulo de Orlando Silva e Francisco Alves.
Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram Maria Bethânia (Capiba), Normalista (Bene
dito Lacerda / Davi Nasser), Caminhemos (Herivelto Martins), Renúncia (Roberto Martins / Mário Rossi) e muitos outros. Maiores ainda foram os êxitos na década de 50, que incluem Última Seresta (Adelino Moreira / Sebastião Santana), Meu Vício É Você e a emblemática A Volta do Boêmio (ambas de Adelino Moreira).
Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, chegou a se apresentar em paises como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.
Em 1952, casou-se com Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. O casamento durou até 1959.
Em 1965, casa-se de novo, COM Maria Luiza da Silva Ramos, com quem teve dois filhos, Ricardo da Silva Ramos Gonçalves e Maria das Graças da Silva Ramos Gonçalves. A caçula tem seu apelido no refrão da música Até 2001. (É no gogo gugu).
No entanto, o seu envolvimento com a cocaína, em 1958, tendo, inclusive, sido preso em flagrante em 1965 e passado um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais. Superada a crise, lançou o disco A Volta do Boêmio nº1, um grande sucesso.
Após abandonar o vício com o apoio de sua mulher, retomou uma carreira bem sucedida.
Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90, reafirmado a posição entre os recordistas nacionais de vendas de discos. Além dos eternos antigos sucessos, Nelson Gonçalves sempre se manteve atento a novos compositores, e chegou a gravar canções de Ângela Rô Rô (Simples Carinho), Kid Abelha (Nada por Mim), Legião Urbana (Ainda É Cedo) e Lulu Santos (Como uma Onda).
Ganhador de um prêmio Nipper da RCA, dado aos que permanecem muito tempo na gravadora, sendo somente Elvis Presley outro agraciado. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 78 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.[1]
Morreu de parada cardíaca no apartamento de sua filha Margareth, no Rio de Janeiro.



Nélson Gonçalves bem que poderia ter nascido no Velho Oeste. Ele fazia o estilo sujeito 'durão'. Pode levar no duplo sentido mesmo! Baixo-cantante, como gostava de ressaltar, não é que o gaúcho criado em São Paulo sacou a cartucheira depois de bater um longo papo diante da fotógrafa e deste humilde repórter. Já tinha escutado de coleguinhas que o cantor de A Volta do Boêmio tinha o hábito de se vangloriar do tamanho de sua 'pistola' e não raro mostrava a... prótese peniana. Embecado, de terno azul-marinho e cabelo gomalinado, Nélson não só fez a lenda se tornar realidade como deu a medida exata do que ele definiu como Cartucheira 44.
Era outubro de 1997. Nélson concedia o que seria a sua última coletiva em um bar chique de São Conrado, no Rio. Ele faleceu meses depois. Os jornalistas entravam de dois em dois para conversar com Nélson e fiz a entrevista com o xará Rodrigo Faour (que depois lançou a biografia de Cauby Peixoto). Com a voz enfraquecida devido a uma isquemia no miocárdio, o cantor lançava o derradeiro Nélson Gonçalves ? Ainda é Cedo. O CD é composto por músicas de roqueiros da década de 80. Cazuza, Renato Russo, Herbert Vianna, Lulu Santos...
A entrevista foi divertida. Durou 30min e foi regada a água e café. O neto de Nélson permaneceu ao seu lado durante quase todo o tempo. O final da entrevista foi surpreendente, com ele declamando duas poesias, que tenho até hoje no acervo de fitas cassetes com dezenas de entrevistas gravadas e que serão transcritas nesta série No Fundo do Baú. Foi engraçado quando Nélson ouviu o nome de João Gilberto. Ficou agitado, parecia realmente nervoso e chamou o ídolo do Caetano de "Diminuto" e "Fim de noite". Inesquecível.

O ÚLTIMO DOS MOICANOS

Entrevista Nélson Gonçalves
Por Rodrigo Teixeira

RODRIGO TEIXEIRA ? QUAL FOI O CRITÉRIO DE SELEÇÃO DAS MÚSICAS DO CD? NÉLSON GONÇALVES ? Já conhecia as músicas. E achei bom gravar estas músicas com a minha divisão musical. Valorizo muito as tônicas. Não dou as notas dissonantes. Vou pelo lado natural. Achei que podia fazer bonito com estas canções. Porque muitas músicas que eles fazem, estes rocks e tal, a gente não entende a letra. As palavras escapam. Você não entende. Então quis fazer uma alteração leviana, minha, com os instrumentos em segundo plano e o coro só pontuando as notas. Gravei só com um terço da minha voz. Tudo bem ficou suave. Lindo de morrer.

RT ? VOCÊ GRAVA DE PRIMA?
NG ? Gravei todas as músicas de prima. Não dá para repetir não. Ouviu uma, grava na outra.

RT ? DURANTE A DÉCADA DE 70 E 80, VOCÊ REGRAVOU MUITOS SUCESSOS SEUS. POR QUE SÓ AGORA RESOLVEU FAZER UM DISCO TOTALMENTE DIFERENTE DO QUE TINHA FEITO?
NG ? Porque tem o seguinte. Havia grandes cantores no Brasil. Chico Alves, Orlando Silva, Carlos Garlhado, Vicente Celestino, Silvio Caldas, mas eles morreram. E parece que só restei eu. Aquela época de ouro dos cantores. Então, com esta invasão, vamos dizer assim, no bom sentido, do rock, do pop, desta coisa toda, do reggae, que todo mundo canta, as moças cantam, eu, pra não ficar fora desta coisa, embora o Brasil hoje não seja um país só de jovem, tá quase dividida a população, achei bom misturar isto daí e juntar as duas gerações, terceira idade e jovem. Então escolhi as músicas com o Robertinho do Recife. As tônicas estão todas certinhas. Não diz saudadi, diz saudade. Não diz rosá, diz rosa. Não diz casá, diz casa. Foi a primeira vez que trabalhei com ele. É um bom produtor. Novo. Ele me ouviu muito. Nos reunimos antes. Disse para ele que queria um som como se fosse dentro de uma igreja vazia. Fica um som no ar. Não é um som sentado.

RT ? QUAL A SUA PREFERIDA DO CD?
NG ? Não posso falar, senão vou machucar os outros (hehe).

RT ? ANO PASSADO FIZERAM UMA PEÇA EM SUA HOMENAGEM. O QUE ACHOU DAQUILO?
NG ? Achei boa. Faltam alguns detalhes importantes, mas...

RT ? POR EXEMPLO?
NG ? Não vou dizer para não machucar o rapaz (hehehehehehe).

RT ? TEM ALGUMA CENA QUE VOCÊ SE VIU, QUE TE TOCOU?
NG ? Não, sabe por que? Na peça que ele passa para mim, solo e tal, e eu sou um pouco irreverente. Não mal criado, irreverente. Digo não, sim. Deram uma lapidada na pedra bruta. Mas ficou bom.

RT ? EM 60 ANOS DE CARREIRA, QUAL OS MOMENTOS QUE MAIS TE MARCARAM?
NG ? Comecei a cantar em 1937. Minha emoção maior foi o meu primeiro disco. Quando ouvi meu primeiro disco, com Sinto-me Bem, de Ataulfo Alves, fiquei pensando: "Eu canto bem". Havia aquelas vitrolas que você colocava as moedas para tocar as músicas, voltava para casa sem um níquel porque colocava na vitrola para tocar. Quando acabei de ouvir o disco, foi uma emoção. Muito bonito. Foi aí que lancei um ritmo novo: o samba sincopado (demonstra tocando). Nasceu comigo. A divisão é difícil de fazer. E depois foi em 73 e 74, quando recebi o prêmio Nipper (aquele do cachorrinho beagle do gramofone), da RCA, que só tem dois no mundo. Um o Elvis Presley e o outro eu. Veio ao Rio o presidente da RCA americana, especialmente para entregar o prêmio. Pelo tanto de anos e de vendagem de disco.

RT ? QUAL A SUA MARCA?
NG ? Já vendi 78 milhões de discos. Gravei 127 LPs, 26 CDs, com este 27, 200 compactos duplos, 200 compactos simples, 200 fitas cassete, e 103 discos 78 rotações, como era antigamente.

RT ? DEPOIS DE TUDO ISSO TEM ALGUM PROJETO QUE VOCÊ AINDA QUEIRA FAZER?
NG ? Vou gravar um CD com rock, pop, reggae, samba. O próximo. Vamos misturar a música tradicional minha com a dos jovens novamente.

RT ? GRAVAR ATUALMENTE É MOLE PERTO DO INÍCIO DE SUA CARREIRA...
NG ? Antes a gente gravava com dois canais e o veículo era o rádio. Em algumas rádios tinha um cara que via o meu disco e riscava. Boicote. Um compositor chamado Nilton de Oliveira.

RT ? COMO VOCÊ ANALISA ESTES COMPOSITORES ATUAIS? NÃO EXISTE MAIS DA ESTIRPE DE UM ATAULFO ALVES, LUPICINIO RODRIGUES. ATUALMENTE FALTAM COMPOSITORES NESTA LINHA DO BOLERO...
NG ? Hoje ficou muito mais fácil. Antigamente você queria pegar uma mulher para transar você tinha que namorar, levar para dançar. Hoje em dia não. Você pode ficar com três, quatro na mesma noite. Então está fácil demais. E é por isso que está assim. Qualquer um compõe.

RT ? VOCÊ NÃO GOSTA DA MÚSICA ATUAL?
NG ? Ta aí a dança do tchan. A dança da bundinha. Daqui a pouco vão fazer a dança da bocetinha, vocês vão ver...

RT ? DE TODOS OS COMPOSITORES, QUAL CAIA COMO UMA LUVA PARA A SUA VOZ?
NG ?Lupicínio Rodrigues.

RT ? VOCÊ APONTARIA UM HERDEIRO MUSICAL DESTA SUA ESCOLA, QUE REALMENTE CANTE DE VERDADE?
NG ? Sou o último dos moicanos. Gostaria que tivesse, mas é muito difícil, porque sou baixo cantante, pego três oitavas. É muito raro...

RT ? VOCÊ CHEGOU A ESTUDAR MÚSICA. VOCÊ LÊ PARTITURA?
NG ? Sim, leio. Estudei voz com o Zebolati e música com Moacir Santos.

RT ? VOCÊ GRAVOU COM MUITA GENTE QUE SERIAM SEUS FILHOS MUSICAIS. VOCÊ SE SURPREENDEU COM ELES QUANDO VOCÊ FOI GRAVAR?
NG ? Tive surpresas sim, mas não foram agradáveis. Eles pensavam uma coisa: vamos cantar com o velho, chegaram lá e a coisa foi diferente. Teve um cantor que disse assim: ?vê o tom do velho aí que eu canto?. Eu falei pro maestro vê o tom dele que canto igual. Começamos a cantar e ele não conseguiu acabar a música... Parece que estava com diarréia. Um famoso cantor de boné... O meu horário de trabalho é nove horas da manhã. Acordo gravo e, no outro dia, está pronto o LP. Tem gente que grava uma música por um dia, repetindo, repetindo... Gravei este disco doente, de cama. Tive uma isquemia no miocárdio. Mas foi fácil gravar.

RT ? QUAL A QUE VC MAIS GOSTOU?
NG ? Para mim todas foram boas. Os cantores que foram ouvir lá choraram. Tá passando mal? Não, Nélson, é emoção. É a música que eu fiz, que coisa. Lágrimas. Que é isso? (kkkkk)

RT ? LOGO QUE SURGIU A BOSSA NOVA, VOCÊ FEZ AQUELE DISCO, "NÓS E A SERESTA", QUE TINHA UMA MÚSICA CHAMADA: "SERESTA MODERNA", QUE VOCË BRINCAVA COM O PESSOAL DA BOSSA NOVA. DEZ ANOS DEPOIS, VOCÊ GRAVOU TOM JOBIM. COM O TEMPO O SENHOR DEU MAIS VALOR AO PESSOAL DA BOSSA NOVA?
NG ? Daquela época, me aponta um que ficou...

RT ? JOÃO GILBERTO.
NG ? Ele canta alguma coisa? Não canta nada. Tom Jobim foi um compositor excelente. Vinícius de Moraes excelente. Mas cantando, tchuntchuntchun...

RT ? NA BOSSA NOVA INAUGUROU-SE UM NOVO JEITO DE CANTAR, BAIXINHO...
NG ? Sabe como era o apelido do João Gilberto? Fim de Noite. Era ele com o violão!

RT ? DEPOIS DA BOSSA NOVA QUALQUER UM COMEÇOU A CANTAR?
NG ? O culpado disso é o João Gilberto. O Diminuto. Cantar sem voz. (Imita João Gilberto... kkkkk) ?Saudade que vc não tem... Passa comigo que vc vai ver... hum, hum, hum?... amplia, bota som... Puta que pariu!!! Imagina ele na cama com uma mulher. (Imita de novooo!!!) ?Meu amor, ai que gostoso?... Ah, vai para o raio que te parta! Eu não sou assim não. Eu sou agressivo, sem bater. Amorosamente. ?Vem cá, me dá aqui!!!?

RT ? QUAIS OS LUGARES QUE VOCÊ FREQUENTAVA NO RIO DE JANEIRO NOS ANOS 50...
NG ? Os piores. A Zona, na Sapucaí, na Lapa... Não se via assalto. O submundo era bem menos barra pesada.

RT ? VOCÊ SAIU DO SUL COM QUANTO TEMPO?
NG ? Com dois anos. Fui para São Paulo, onde morei no Brás. Mas o Adoniran começou comigo a vender anúncio para a Rádio Record. Eu ralei um bocado.

RT ? QUAL O CONSELHO QUE VOCÊ DARIA PARA UM JOVEM QUE ESTÁ COMEÇANDO UMA CARREIRA?
NG ? Tem que receber o não como sim. E vá em frente. Tive no Rio e fiz teste, sendo cantor profissional em São Paulo. Cantei na Marink Veiga, na Rádio Nacional, no Celso Guimarães, Ipanema... Só ouvi ?não gostei?. O Ary Barroso me mandou jogar boxe que ?eu não cantava nada?. Se for um qualquer, desiste. Mas fui à luta! E depois que fiz sucesso, ele veio falar que ?estava brincando?. Aqui para você!!!
RT ? AS LETRAS DOS SAMBAS-CANÇÕES TINHAM MUITO AQUELA COISA DE VOCÊ MUDOU DE DONO... COMO AVALIA AS LETRAS DE HOJE?
NG ? Eles falam da mulher indiretamente. Dizia ainda é cedo. Uma menina me falou. Não falam o nome da mulher, mas falam da mulher. Indiretamente e branda. A minha maneira é mais: ?Vamos lá?... Eles falam, ?você é linda? e eu, ?você é gostosa!? Acho que as coisas mudaram para melhor, embora haja um avanço meio inoportuno para a atual infância. A criança está ficando adulta muito cedo. Dança da bundinha para lá e para cá... Cresce como? P-U-T-A. Isso que é o mau. Mas vai ter uma virada. Uma suavizada.

RT ? VOCÊ AINDA COMPÕE?
NG ? Sim. Tem até um verso, que chamo de "Esquerdo do Amor". Tem o lado direito do amor, que é o cara casado, direito, correto, trabalha, chega em casa tem a mulher, não tem amante na rua... E tem o lado esquerdo, que é aquele cara que prevarica na rua, dorme na rua... É o Esquerdo do Amor: "MENTI, E COMO CONSEQUÊNCIA PERDI, TEU AMOR E TUA INOCÊNCIA. SOU AGORA UMA SAUDADE ESQUECIDA, UMA LEMBRANÇA PERDIDA, EU SOU O VAZIO QUE FICA DEPOIS DO AMOR, EU SOU O TÉDIO, O ÓDIO E O DESPEITO, SOU TUDO O QUE NÁO É DIREITO, EU SOU O ESQUERDO DO AMOR".RT ? ALGUMA VEZ VOCÊ FOI O ESQUERDO DO AMOR?NG ? Fui. Olha esta aqui. "SERÁ QUE VOCÊ MENTIA, NO TEMPO QUE ME DIZIA, EU NÃO VIVO SEM VOCÊ, OU É AGORA QUE MENTE, QUANDO PASSA INDIFERENTE, FINGINDO QUE NÃO ME VÊ". Olha, eu tenho segundo grau!

RT ? QUANDO É QUE VOCÊ COMEÇOU A SOSSEGAR ESTE LADO ESQUERDO DO AMOR?
NG ? Sossegar? Fui casado quatro vezes. Tenho 78 anos de idade, mas 25 anos de... Eu tenho 22cm de pau... Tenho um tesão filha da puta. Canto com um tesão do caralho. Não posso ir a piscina. Por causa do volume. Parece uma cartucheira 45.

Últimas faixas gravadas por Nelson:
01 - Como Uma Onda (Nelson Motta? - Lulu Santos)
02 - Faz Parte do Meu Show (Renato Ladeira - Cazuza)
03 - De Mais Ninguém (Marisa Monte - Arnaldo Antunes)
04 - Meu Erro (Herbert Vianna)
05 - Ainda é Cedo (Ouro Preto - Renato Russo - Dado Villa-Lobos - Marcelo Bonfá)
06 - Você é Linda (Caetano Veloso)
07 - Bem Que Se Quis (Pino Danielle - versão: Nelson Motta)
08 - Caso Sério (Rita Lee - Roberto Carvalho)
09 - Nada por Mim (Herbert Vianna - Paula Toller)
10 - Simples Carinho (João Donato - Abel Silva)
11 - Estácio, Holly Estácio (Luis Melodia)
12 - Me Chama (Lobão)

CURIOSIDADES DA MPB

No início da década de 80, um grupo de músicos brasileiros foram a Cuba para apresentações diversas. Dentre esses artistas estavam Gonzaguinha, Djavan, Simone, entre outros.
Na hora da apresentação do Chico Buarque, o apresentador do evento anuncia:
- Y ahora con ustedes Chico Buarque de Itália.
Um produtor cubano desesperadamente tenta corrigir o lapso do locutor sussurrando aflito:
- Italia no,
Italia no! de Hollanda! de Hollanda
!
Uma terceira pessoa, ao ouvir tudo aquilo comenta:
- Pero Chico Buarque no nacidos en el Brasil?

SIR SINHÔ

Hoje vou falar um pouco sobre o mais popular compositor de samba das primeiras décadas do século XX: José Barbosa da Silva, Sinhô, compositor, violonista e pianista, que nasceu no Rio de Janeiro em 8 de setembro de 1888 e morreu aos 42 anos incompletos de tuberculose na mesma cidade em 4 de agosto de 1930. Foi o mais reconhecido compositor carioca de 1920 (quando explodiram no carnaval carioca o samba Fala meu Louro e a marcha O Pé de Anjo )
Ainda menino, estimulado pelo pai, estudou flauta, mas logo passou para o bandolim, violão e o piano. Inicialmente tocava tudo de ouvido. Mais tarde aprenderia a ler e escrever pautas.
Junto com outros artistas, em 1903, participou da serenata histórica organizada por Eduardo das Neves em homenagem ao regresso de Santos Dumont ao Brasil.
Alto e magro, aos 17 anos, casou-se coma lisboeta Henriqueta Ferreira e com ela teve três filhos. Aos 26 anos tornou-se viúvo.
Com dificuldades financeiras começou a tocar piano em sociedades dançantes e clubes carnavalescos, dentre eles o Kananga do Japão.
Compôs trilhas sonoras para diversas revistas musicais.
Em 1927, na Noite Luso-Brasileira, realizada no Teatro República foi coroado como “Rei do samba”, título que, a partir daí, sempre o acompanhou.
Polêmico, foi acusado diversas vezes de apropriar-se de canções alheias (“Samba é como passarinho, é de quem pegar”).
Em 1928 foi professor de violão do cantor Mário Reis, que veio a ser o seu maior intérprete.
Publicou cerca de 150 músicas das quais mais de 100 foram gravadas.
Vítima de uma hemoptise fulminante morreu dentro de uma barca que fazia o percurso da ilha do Governador à cidade do Rio de Janeiro.
José Ramos Tinhorão garantia que Sinhô havia inventado a batida da Bossa Nova com quase 30 anos de antecedência - para substituir o baixo do violão em voga na época, ele usava as cordas maiores para fazer um acompanhamento à base de contratempos rítmicos.
Controvertido, mulherengo, vaidoso, maldizente, Sinhô era, na verdade, um dos mais bem-humorados compositores brasileiros do início do século.

Principais sucessos:
Amar a uma só mulher (1927)
Burucuntum (1930)
Cansei (1929)
Fala, meu louro (1020)
Gosto que me enrosco(1928)
Jura (1928)
O pé de anjo (1920)
Ora vejam só (1927)

terça-feira, 15 de abril de 2008

A MÚSICA NO BRASIL...

Sendo o Brasil um rico país quando tratado pelas suas referências musicais, o que se vê nas grandes rádios do país são programações radiofônicas não condizentes com a qualidade musical em que nós somos conhecidos lá fora. Lobão (2004) : “O patrimônio musical brasileiro, apesar de vasto, não é inesgotável. Sem que o povo tenha acesso aos seus melhores frutos, através do rádio e da televisão, mais cedo ou mais tarde ele acabará sofrendo uma atrofia de graves proporções”.
O que se vê hoje em dia na industria fonográfica brasileira é o escancaramento do interesse comercial em detrimento ao talento e a qualidade inquestionável de muitos artistas que não vendem tanto quanto alguns nomes da música baiana ou do funk carioca. O jornalista Sérgio Rubens, do jornal a folha de São Paulo, indignado relata:
“ O principal papel cumprido pelo jabá pago pelas multinacionais para que suas músicas toquem no rádio e na TV tem sido o de impedir que o público tenha acesso à maior parcela do que de melhor se produz em termos de música brasileira. Mais do que um meio imoral e ilegal de promover as vendas, o jabá converteu-se numa forma intolerável de censura.
De janeiro a junho de 2004, a Warner lançou sete CDs de música brasileira (incluindo pop/rock cantado em português): Kelly Key (Ao Vivo), Os Travessos (Ao Vivo), Catedral (O Sonho Não Acabou), Detonautas (Roque Marciano), O Rappa (OSilêncio que Precede o Esporro), Gino e Geno (Os Sucessos), Nana, Dori e Danilo (Para Caymmi). O faturamento anual da Warner Music Brasil é da ordem de R$ 170 milhões.
No mesmo período, a gravadora CPC-UMES, cujo faturamento anual é cerca de quatrocentas vezes menor, também lançou a mesma quantidade de CDs: Brazilian Trombone Ensemble (Um Pouquinho de Brasil), Céline Imbert e Marcelo Ghelfi (Vinícius, Sem Mais Saudade), Claudia Savaget (Caminhando), Gesta (A Chave de Ouro do Reino do Vai-Não-Volta), Vésper (Ser Tão Paulista), Estação Caixa-Prego (Brasileirando), Mário Eugênio (Sonoridade).
Não vamos falar de qualidade musical e consistência cultural. Com exceção da família Caymmi, os outros seis discos lançados pela primeira dificilmente passariam nos critérios de seleção da segunda. Os sete CDs da CPC-UMES apresentam o melhor grupode trombones do mundo, a maior diva do nosso canto lírico, a intérprete preferida de Cartola, um conjunto armorial apresentado por Ariano Suassuna, um vocal avalizado pela presença ao vivo e a cores de Chico Buarque numa das faixas, uma alegre incursão pelos ritmos nordestinos, um violão desuavidade comparável a do saudoso Paulinho Nogueira.
O fato mais significativo é que no plano quantitativo aprodução (de música brasileira) de uma pequena gravadora nacional tenha atingido o mesmo patamar de uma das cinco mega-corporações multinacionais que assolam o nosso mercado. Fixemo-nos então na Universal, a maior das cinco, tanto noBrasil quanto no mundo, empresa que inclusive apresenta-se como "um raro caso de vitalidade cultural na indústriafonográfica".
Consultando a relação de integrantes de seu cast, encontraremos pérolas de inquestionável raridade: BabadoNovo, É o Tchan, Carla Xibombom Cristina, as apresentadoras de televisão Babi e Gabi, Netinho, Paulo Ricardo, Kid Abelha, Nando Reis... Quanto à "vitalidade cultural", não há, portanto, diferença perceptível entre Universal e Warner. De janeiro a junho de 2004, a Universal lançou doze CDs de música brasileira. A Biscoito Fino, gravadora nacional, criada há poucos anos, lançou dezenove: Joyce, SérgioSantos, Paulo Moura, João Carlos Assis Brasil... e até Michel Legrand, interpretando Luis Eça, só para humilhar a oponente..
Vê-se que as gravadoras nacionais e artistas independentes alcançaram uma produção que, tomada em conjunto, é significativamente superior à das cinco multinacionais, em termos de qualidade e quantidade. No entanto, a situação se inverte quando comparamos as respectivas participações nos mercados de execução pública e venda de CDs. Warner,Universal, Sony, BMG e Emi monopolizam 85% de ambos. Sem a Som Livre, gravadoras nacionais e artistas independentes, somados, não passam de 3%. Trata-se de uma situação inteiramente absurda, insustentável, mantida de forma criminosa pelo jabá que as multinacionais pagam para que suas gravações sejam executadas até a exaustão nas emissoras de rádio e televisão. O uso e abuso dessa modalidade de suborno faz com que, cada vez mais, qualidade e diversidade, marcas registradas da música brasileira, sejam banidas dos meios de comunicação e, conseqüentemente, das prateleiras das lojas. Somando os casts atuais da Warner, Universal, Sony, BMG e Emi, não encontraremos mais que trinta e cinco artistas desse nível.
O caudal de criatividade e diversidade que nutre as gravadoras nacionais e a produção independente, e mantém viva a música brasileira, vem sendo posto cada vez mais longe da mídia e do público pela praga do jabá. Segundo informações fornecidas pelo sr. André Midani, alto executivo da indústria fonográfica por mais de 40 anos, a despesa anual das cinco maiores com jabá, no Brasil, fica entre R$ 71 milhões a R$ 95 milhões. Miopia ou sabotagem, o fato é que o principal papel cumprido pelo jabá tem sido o de impedir que o público tenha acesso à maior parcela do que de melhor se produz em termos de música brasileira. Mais do que um meio imoral e ilegal de promoveras vendas, o jabá converteu-se numa forma intolerável de censura. O Ministério da Cultura pode continuar fingindo que isso não é de sua conta. Talvez o ministro sinta-se até constrangido por ser um dos últimos sobreviventes do cast da Warner, condição que certamente não facilita a intervenção isenta do ministério na questão. Mas sem uma ação governamental firme, que obrigue as multinacionais a praticarem a concorrência, como determinam as leis vigentes, os prejuízos à cultura e à economia nacionais tornar-se-ão incalculáveis.

domingo, 13 de abril de 2008

CARLOS CACHAÇA

Carlos Cachaça, cujo nome original é Carlos Moreira de Castro nasceu no Rio de Janeiro a 3 de agosto de 1902 . Fundador da escola de samba da Mangueira que permaneceu vivo por mais tempo, Carlos Cachaça esteve em atividade até a morte, aos 97 anos. Criado nas redondezas da Mangueira, desde cedo começou a freqüentar blocos de carnaval e rodas de samba. Nos anos 20 travou amizade com Cartola, que se tornaria um de seus parceiros mais constantes. Em 1925 formou, junto com Cartola, Arturzinho, Zé Espinguela e outros bambas, o Bloco dos Arengueiros, de cujo núcleo saíram os fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mangueira. Carlos Cachaça foi pouco interpretado pelos cantores da era do rádio. "Não Quero Mais Amar a Ninguém" (com Cartola e Zé da Zilda) é uma exceção. Foi gravado por Aracy de Almeida em 1937 e regravado por Paulinho da Viola em 1973, época em que vários dos seus sambas passam a ser "redescobertos". Seu único disco solo é de 1976 e inclui pérolas como "Quem Me Vê Sorrindo" (com Cartola) e "Juramento Falso". Foi o primeiro a inserir elementos históricos nos sambas de enredo, o que é uma norma até hoje. Veio a falecer também no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1999.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ROBERTO SILVA

Roberto iniciou a carreira de cantor no rádio, na década de 30. Nos anos 40 realizou suas primeiras gravações, e foi do elenco das rádios Nacional e da Tupi. Nesta última ficou conhecido como "príncipe do samba", e suas interpretações são características pelo estilo sincopado e levemente dolente que encontrou para cantar samba, inspirado em dois ídolos anteriores, Cyro Monteiro e Orlando Silva.

Seu primeiro sucesso, lançado pela Star, foi "Mandei Fazer um Patuá" (Raymundo Olavo/ N. Martins). Em 1958 veio o LP "Descendo o Morro", que teve continuações, nos volumes 2, 3 e 4. Entre seus muitos sucessos destacam-se "Maria Teresa" (Altamiro Carrilho), "O Baile Começa às Nove" (Haroldo Lobo/ Milton de Oliveira), "Juraci Me Deixou" (Raymundo Olavo/ Oldemar Magalhães), "Escurinho" (Geraldo Pereira) e "Crioulo Sambista" (Nelson Trigueiro/ Sinval Silva), entre outras.

No total, gravou 350 discos de 78 rotações e perto de 20 LPs. Afastado das gravações nos últimos anos, teve vários de seus discos relançados em CD e em 1997 saiu a coletânea "Roberto Silva Canta Orlando Silva", extraída de seus vários LP na Copacabana.

“Quando entro no palco não sei se tenho 26 ou a minha idade real”, declara o cantor Roberto Silva, com juventude para dar e vender, aos 87 anos. Tempo mais do que suficiente para acompanhar a evolução hi-tech do mercado fonográfico. Roberto começou em 1938 - mais precisamente em 2 de janeiro, ou seja, há quase exatos 70 anos - gravando aquelas bolachas de 78 rotações. Foram 350, ao todo. Depois imprimiu a voz potente em 38 long plays até chegar ao moderno formato de CD, em lançamentos individuais e coletivos, com destaque para a participação no show ‘O samba é minha nobreza’, que ficou em cartaz no Cine Odeon, entre abril e junho de 2002. O nome do cantor de rádio no letreiro imprimiu um charme a mais no espetáculo, que rendeu, ainda, um primoroso álbum duplo, feito em paralelo à gravação do CD solo Volta por cima, reunindo clássicos, como ‘Gosto que me enrosco’ (Ataulfo Alves e Sinhô), ‘A primeira vez’ (Bide e Marçal) e 'Normélia' (Raimundo Olavo e Norberto Martins), um de seus maiores sucessos.

Roberto adora ser convidado para trabalhar. Não pelo cachê, mas pela satisfação de pisar mais uma vez no palco e amealhar aplausos do público – majoritariamente feminino, observa a mulher Syone Costa, 63 anos. Ela jura que não é ciumenta e, para dizer a verdade, até se diverte quando lembra do assédio que o marido sofre. Engana-se quem pensa que só as senhoras esticam o olho para o cantor. “Há muitas moças também”. Ponto para o ego de Roberto Silva, que vem participando de um punhado de coletâneas nos últimos tempos – cantou ‘Escurinho’ com Fernanda Abreu e ‘Juracy’ com Caetano Veloso em álbuns da Casa de Samba. Também está na caixa Timoneiro, de Hermínio Bello de Carvalho, e nos discos Ganha-se pouco, mas é divertido, de Cristina Buarque, e Ninho de Cobras, ao lado de Paulo César Pinheiro, Dona Ivone Lara e Monarco.

Monarco da Portela, aliás, é um dos autores que sempre falam de Roberto Silva com gratidão. Numa época em que as gravadoras detinham a palavra final sobre o repertório dos artistas, que se contentavam em sugerir uma faixa ou outra, Roberto atendia a todos os compositores com a mesma gentileza. Talvez porque ele mesmo fosse co-autor de duas músicas, sob o pseudônimo de Rosilva - ‘Não posso mais’ e ‘Trouxa’, escritas com Geraldo Barbosa e Miriam Nascimento. “Foi uma brincadeira. Cada um fez um pedacinho”. Foi a partir de encontros informais na rádio que Roberto virou um dos principais intérpretes de sambas de Wilson Batista, sobretudo daqueles que também eram assinados por Jorge de Castro. Tudo começou com ‘Mãe solteira’, em 1954. Roberto lembra que achou a letra trágica e duvidou se cairia no gosto popular, mas resolveu gravá-la assim mesmo. Os três levaram um susto quando a música estourou. Da dupla, o botafoguense Roberto gravou muitas maravilhas, entre elas ‘Samba rubro-negro’ (1955), ‘Me dê seu boné’ e ‘Samba do tri-campeão’ (1956), ‘Levanta a moral’ e ‘Vagabundo’ (1957). Roberto vendeu 22 mil discos com a marchinha ‘Vagabundo’, um número considerável para a época.

Raimundo Olavo também integrava o primeiro time de compositores do intérprete. ‘Mandei fazer meu patuá’, de 1948, parceria de Olavo e Norberto Martins, fez um sucesso retumbante. No ano seguinte, gravou quatro músicas dele com outros parceiros: ‘Você diz que é baiana’, com Elpídio Viana, ‘Você foi fazer feitiço’ e ‘Velho ditado’, com J. Kleber e ‘Juracy me deixou’, com Oldemar Magalhães. Olavo fornecia sucessos, mas ficava bravo quando Roberto gravava outros autores num dos lados da bolacha de 78 rotações. “Ele era muito ciumento, mas sabia que as músicas apareciam logo e combinavam com a minha voz”. Os dois se conheceram por volta de 1946. O compositor potiguar era ouvinte do programa Seqüência G3, dirigido por Paulo Gracindo na Rádio Tupi, e resolveu tentar a sorte no Rio de Janeiro como alfaiate e compositor. “Quando ele me procurou, havia acabado de chegar do Rio Grande do Norte e trazia na bagagem umas músicas sincopadas, brejeiras. Perguntei o que ele tinha de melhor e ele me entregou ‘Normélia’. Gostei na hora e disse que gravaria. E gravei em 20 dias”, recorda o cantor.

Roberto Silva entra no túnel do tempo para traçar um paralelo entre a indústria de discos de ontem e a atual. “Apesar da quantidade de gravadoras, acho que lançar disco é mais difícil hoje em dia. Antigamente, elas tratavam de tudo para a gente. Mas escreve aí na matéria que se aparecer um convite para fazer show ou disco eu aceito”, avisa. Reverenciado pelos sambistas da atualidade - entre seus fãs confessos está o criterioso João Gilberto -, Roberto tem disposição de sobra para mostrar sua levada sincopada e dolente, aprendida na escola de Mário Reis, Vassourinha e Luís Barbosa, pelo Brasil afora. “Felizmente, ele teve muito juízo nos áureos tempos da carreira e soube guardar dinheiro. É por isso que não temos problemas financeiros”, diz Syone. “Quando o sujeito faz sucesso só não vive bem se não quiser”, acredita Roberto, que antes de virar astro da música deu expediente como lustrador de móveis, marmoreiro e até mecânico.

Elegantíssimo, Roberto ficou conhecido como ‘Príncipe do samba’ quando fazia parte do elenco da Rádio Tupi. “Foi o apresentador Carlos Frias quem cunhou este apelido, e não Carlos José, conforme achei outro dia na internet. Os dois foram meus amigos, mas é sempre bom esclarecer”, diz, emendando mais duas correções históricas: Roberto Napoleão (o sobrenome Silva é exclusivamente artístico e foi criado por Evaldo Rui, provavelmente em homenagem ao ídolo Orlando Silva) nasceu na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, e não no Cantagalo, como reza a lenda. “Meu pai construiu uma casa bem ali onde fica a saída do Metrô”, situa. Descendente de italianos, Gilisberto era chapeleiro e andava na maior linha. “Ele e mamãe gostavam muito dos sete filhos. Papai morreu com 44 anos e nem chegou a ver minha carreira decolar”, lamenta.

Da mãe, Dona Belarmina, restou muita saudade e um episódio triste. Ele conta que estava fazendo o primeiro disco da bem sucedida série Descendo o Morro, em 1958, e varou a noite nos estúdios da Copacabana. “Gravei um samba que mamãe gostava demais, ‘Agora é cinzas’, de Bide e Marçal. A escolha do repertório era bem democrática e este samba entrou por sugestão minha. Sei que cheguei em casa com o dia clareando e recebi logo a notícia de que ela havia falecido. Eu cantando e mamãe partindo, exatamente como diz a letra: ‘Você partiu de madrugada/ E não me disse nada/ Isso não se faz/ Me deixou cheio de saudades’. Até hoje, quando canto este samba, me vêm lágrimas nos olhos”, confessa.

Discos de carreira :

VOLTA POR CIMA (2002) • CD

A PERSONALIDADE DO SAMBA (1979) • Vinil

PROTESTO AO PROTESTO (1978) • Vinil

INTERPRETA HAROLDO LOBO, GERALDO PEREIRA E SEUS PARCEIROS (1976) • Vinil

SAMBA DE MORRO (1974) • Vinil

SAUDADE EM FORMA DE SAMBA (1973) • Vinil

RECEITA DE SAMBA (1969) • CD/Vinil

A HORA É A VOZ DO SAMBA (1968) • CD/Vinil

O PRÍNCIPE DO SAMBA (1965) • Vinil

EU... O LUAR E A SERENATA Nº 2 (1964) • Vinil

O SAMBA É ROBERTO SILVA Nº 2 (1963) • Vinil

O SAMBA É ROBERTO SILVA (1962) • Vinil

DESCENDO O MORRO Nº 4 (1961) • CD/Vinil

EU... O LUAR E A SERENATA (1960) • Vinil

DESCENDO O MORRO Nº 3 (1960) • CD/Vinil

DESCENDO O MORRO Nº 2 (1959) • CD/Vinil

DESCENDO O MORRO (1958) • CD/Vinil


Extras:

A MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES - ROBERTO SILVA (2000) • CD

WILSON BATISTA, O SAMBA FOI SUA GLÓRIA - JOYCE e ROBERTO SILVA (1985) • CD/Vinil

ROBERTO SILVA CANTA ORLANDO SILVA (1997) • CD

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