PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

GUTO GOFFI E UM BANDO PRA LÁ DE MUSICAL

Baterista do Barão Vermelho apresenta álbum que traz inédita de Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

BELEZA, VOZ, VIOLÕES E TALENTO

Em seu primeiro disco, a cantora e instrumentista carioca Alice Passos apresenta uma verdadeira antologia ao violão brasileiro.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

LUTO...

É com muito pesar que, eu particularmente, venho trazer essa notícia para todos os que, assiduamente ou não, frequentam o Musicaria Brasil. Trago uma daquelas notícias que as vezes nós preferimos não dar e nem ao menos saber. Venho aqui falar de um cidadão paraíbano (pois ele era natural de São Memede, município que está inserido geograficamente na depressão sertaneja, que representa a paisagem típica do semi-árido nordestino) ; mas que adotou Pernambuco para fazer uma carreira ímpar na música instrumental brasileira.

O seu nome de batismo era Severino Ramos de Lucena, mas poucos conheciam; ele era na verdade popularmente conhecido por Anquito (ou Quito como acostumei a chamá-lo desde criança) e hoje venho aqui me despedir desse grande músico e acima de tudo grande homem.
Aos 87 anos, Anquito sempre se orgulhou de ter acompanhado cantores como Roberto Carlos, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elizeth Cardoso, Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Orlando Silva e Sílvio Caldas, só para citar alguns.

Outra grande honra que Anquito tinha era ter a carteira de músico assinada por Waldemar de Almeida, pai do maestro Cussy de Almeida e colecionar letras e partituras, embora saiba decorado canções de grandes compositores, como Capiba, Nelson Ferreira, Tom Jobim, Chico Buarque e Vinícius de Moraes.


Meu estimado "Quito", estava com 87 anos e fazia tratamento para combater um câncer no estômago. Estava internado no hospital Otávio de Freitas desde o último dia 02 de novembro. Ele era casado e pai de seis filhos. O corpo do músico e amigo foi sepultado no fim da tarde no hoje no cemitério São José, em Paulista, na Região Metropolitana.

Que as lágrimas que encerram essa postagem reguem as lembranças que tenho desse grande homem. Peço licença a vocês leitores para reconhecer toda a gratidão que tenho por tudo o que ele fez por mim e por meus familiares em uma das horas que mais chegamos a precisar do apoio de alguém aquém do contexto familiar.

Vai com Deus! Assim como fostes um ser iluminado aqui nessa passagem pela terra, tenho certeza que essa tua passagem servirá para que você continue a iluminar aqueles que te admiram e te querem bem que ficaram do lado de cá... morre o homem, mas ficou a obra referência na música pernambucana e nacional que você sempre será. Até um dia, "Quito"!

domingo, 14 de novembro de 2010

EU ACREDITO EM ANJOS

Por Bruno Negromonte



A definição da palavra "Anjo" vem do grego Angelos, pelo latim Angelu, que tem por significado "mensageiro". Segundo algumas outras definições, os anjos também podem ser definidos como espíritos que são puros, criados por Deus antes da humanidade para transmitir a sua vontade, anunciar acontecimentos e serem instrumentos de sua justiça e misericórdia, e que, além disso, são espíritos que distraem as festas dos Deuses. As primeiras descrições sobre anjos apareceram no Antigo Testamento. A menção mais antiga de um anjo aparece em Ur, cidade do Oriente Médio, há mais de 4.000 D.C.. Na arte cristã eles apareceram em 312 D.C., introduzidos pelo Imperador romano Constantino, que sendo pagão, converteu-se ao cristianismo quando viu uma cruz no céu, antes de uma batalha importante. No entanto, só em 325 D.C., no Concílio de Nicéia, a crença nos anjos foi considerada dogma da Igreja. E neste pequeno retrospecto não sei em que ano foi associada a imagem dos anjos a harpa, instrumento que cronologicamente dizem ter nascido no Egito , ou, ao menos, é de lá que vem os primeiros registros. 

Todo esse contexto histórico se dá para explicar que foi a partir de uma Igreja, mais especificamente a de N. Sr.ª das Graças, onde também funciona o seminário de Olinda, que atestei a existência dos mesmos. Inebriado pelo toque de uma harpa comecei não só acreditei como testemunhei a velha história de que os anjos tocam harpa. E mais: esta que vi tem uma voz de fato angelical. O som celestial que hipnotizava a todos que estavam ali presentes ia além dos dogmas religiosos. Foi também neste dia que, a partir desta experiência angelical, entre os já notórios nomes de anjos existentes, chegou ao meu conhecimento mais um: Cristina Braga (que por ironia do destino Cristina tem dentre os seus significados, ungida pelo senhor).

Isso tudo evidencia-se para que haja a possibilidade de trazer ao conhecimento do público do Musicaria Brasil um pouco da biografia e do novo álbum de uma harpista brasileira respeitada e bem conceituada no mundo inteiro. Maior responsável pela difusão da harpa em nosso país, Cristina Braga tem ganho espaços significativos nas grandes salas de concerto existentes no Brasil e no exterior a partir de uma fórmula imbatível: a junção de um repertório de primeira grandeza à beleza deste instrumento que apesar de exótico tem uma das mais belas sonoridades existentes. Sem dúvida pode-se afirmar que a responsabilidade de difundir, encantar e fazer com que as pessoas acompanhem espetáculos populares e eruditos com um instrumento pouco conhecido só pode ser missão para alguém lá do céu, talvez seja por isso que cada concerto apresentado por ela paire no ar uma energia pra lá de positiva e todo o espetáculo torna-se divinamente maravilhoso.

O repertório da artista consiste, além das músicas clássicas tocadas nas grandes orquestras, adaptações feitas por Cristina a este belíssimo som celestial de outros segmentos musicais como, por exemplo, o samba, o choro e a bossa, dentre outros ritmos populares. Essa perfeita equação entre o erudito e o popular existe desde a época em que a instrumentista integrava o Opus 5, quando Cristina teve a oportunidade de gravar um álbum totalmente dedicado a obra de Noel e Cartola (Vale ressaltar que esse álbum é um dos quais há pela primeira vez a harpa como base harmônica do samba). Vale destacar um fato curioso: tanto é o virtuosismo da Cristina que mesmo passeando pelos mais diversos gêneros musicais, a sua desenvoltura continua estática. Seja um repertório erudito ou popular, ela não se abala e mostra-se desenvolta e à vontade seja como solista ou acompanhada dos excelentes músicos que geralmente a acompanham.


Cristina de Paula Fernandes Braga desde criança fez a opção por tocar harpa, mas como além de exótico o instrumento também exigia o mínimo de estatura para poder alcançar os pedais, preferiram que a menina Cristina protelasse a escolha. Mas não houve jeito, quando a menina Cristina estava um pouco maior a família convenceu-se de que o encontro entre a criança e a harpa era inevitável e com a força das tias Cristininha e Rosinha a harpa passou a fazer parte da vida da garota Cristina


Hoje, formada em música pela UFRJ (foi aluna de Acácia Brazil) leciona também nesta mesma instituição de ensino. Em sua carreira já conquistou alguns feitos, dentre os quais alcançou o prêmio de distinção máxima “Medalha de Ouro” de Susann MacDonald nos EUA e se tornou a primeira harpista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sem contar que é também uma das diretoras do congresso mundial de harpas, curadora do Centro Municipal de Referência da Música Carioca, consultora do Festival Vale do Café que idealizou e dirigiu por 4 anos entre outros feitos nestas mais de duas décadas de carreira fonográfica, pois seu primeiro disco foi lançado em 1989.



Em sua carreira já teve a oportunidade de gravar e tocar com vários nomes de destaque dentro da MPB, dentre os quais LenineTitãsNara LeãoPeri RibeiroAna CarolinaZizi PossiZeca Baleiro,Zélia DuncanTaiguaraMarisa MonteGal CostaAngela Maria entre outros, fazendo-a ganhar o merecido destaque no cenário musical nacional somando-se a isso toda a experiência adquirida nos mais diversos projetos fonográficos aos quais se envolveu até então.

Como um peixe”, seu álbum mais recente, é o segundo registro fonográfico da harpista lançado pela gravadora Biscoito Fino (o primeiro chama-se “Paisagem” onde ela gravou com Eugene Freisen, músicas compostas por artistas consagrados tais quais Tom JobimEdu LoboGeraldo Vandré entre outros). Este primeiro projeto ela dá vazão a um lado até então pouco explorado da artista: o da interpretação.

Neste mais recente álbum, “Feito um peixe”, Cristina vem acompanhada mais uma vez de todo virtuosismo de sua harpa; da delicadeza, suavidade e sensibilidade ímpar que são inerentes à sua voz, e das participações especiais de nomes como Marco Suzano (percussão), o legionário Dado Villa-Lobos (vocal e guitarras), David Kuckherman (percussão) e João Carlos Coutinho (piano e acordeom). Se em um primeiro momento ela deu vazão ao seu lado intérprete, aqui ela procura mostrar o seu lado compositora, pois ela assina 07 das 12 faixas existentes o álbum.

Das canções de sua lavra há diversas parcerias, dentre os quais com o sem adjetivos Arthur Verocai (que assina com ela “Mandinga”), com o poeta, compositor e músico Jorge Mautner (“Vendaval”); com Maria Teresa Moreira (“Bem e mal”); com o sambista, músico e compositor Moacyr Luz (“Restos”); com Pedro Braga (No silêncio, na Chuva); e por fim com o companheiro, baixista e violonista Ricardo Medeiros (que é parceiro em “Cem anos”, “Vendaval”, “Bem e Mal”, “Me avisa”; além da canção que abre o disco: “No silêncio, na Chuva”).

As demais faixas são composições de autores diversos, merecendo destaque, por exemplo, a primeira gravação em CD da “Ária de Emíliauma composição do poeta Bernardo Vilhena e do maestro e compositor Sílvio Barbado que estava a bordo do Airbus da Air France, que desapareceu no Oceano Atlântico em 2009; e “Peixe”, uma canção do poeta, compositor e cantor Luís Capucho que se destaca por mais lembrar o título do álbum. Assim como no álbum anterior, Tom Jobim não ficou de fora, e desta vez Cristina traz “Insensatez”. Outros compositores presentes no álbum são o argentino Fito Paez (“Detrás del muro de los lamentos”) e Waldir Azevedo, que ganha mais um registro de um dos maiores clássicos da música instrumental brasileira, que é “Brasileirinho”.

Vale aqui registrar que o disco vem recebendo os mais diversos elogios tanto pelo público quanto pela imprensa especializada por onde tem sido apresentado, e o porquê disto é perceptível já na primeira audição das faixas existentes no álbum desse anjo contemporâneo chamado Cristina Braga e o seu instrumento composto por 47 cordas e 7 pedais e que até os dias atuais é pouco difundido em nossa cultura. Por falar em anjos, aproveito a oportunidade para finalizar a matéria deixando aqui registrado as palavras escritas pela Olívia Hime sobre a Cristina: "Harpas e anjos costumam andar juntos. Cristina, de anjos trás a harpa e a transparência de alma. De resto é fogo só: de talento, de empenho, e de dedicação a tudo o que faz".

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DICAS DA MUSICARIA

Beto Guedes Ao Vivo, foi gravado no Anfiteatro do Morro da Urca em três dias do mês Agosto no ano de 1987, produzido por Ronaldo Bastos e com participação de Caetano Veloso.


Faixas:
01 – Overture (Instrumental)
Canção do Novo Mundo (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
Cruzada (Tavinho Moura e Marcio Borges)
02 – Balada Dos 400 Golpes (Luiz Guedes, Thomas Roth e Marcio Borges)
03 – Tudo Em Você (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
04 – Luz e Mistério (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
05 – Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
06 – Quando Te Vi (Versão: Ronaldo Bastos)
07 – Gabriel (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
08 – Lumiar (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
09 – Canção do Novo Mundo (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
10 – Roupa Nova (Milton Nascimento e Fernando Brant)
11 – Sol de Primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
12 – O Sal da Terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

GILBERTO GIL É O GRANDE DESTAQUE DO GRAMMY LATINO 2010

Mesmo com poucos troféus ganhos, o Brasil foi destaque no Grammy Latino 2010, que aconteceu em Las Vegas, nos Estados Unidos, na noite de quinta-feira (11). Poucos artistas brasileiros estiveram por lá, mas Claudia Leitte e Hebe Camargo representaram o Brasil no palco do evento musical.Quem também foi destaque na categoria Brasileira – em que somente artistas brasileiros concorriam entre si em sete subcategorias – foi Gilberto Gil. O músico levou o título de melhor álbum de música popular brasileira, com “Banda Dois”, e melhor álbum de música de raízes brasileiras – regional nativa, com “Fé na Festa”.

A homenageada do evento musical este ano foi a brasileiríssima Hebe Camargo. A apresentadora levou o Prêmio Excelência Musical 2010. Hebe recebeu a condecoração na Cerimônia Prévia do Latin Grammy, que contou também com um show de Maria Gadú. A loira e Claudia Leitte apresentaram algumas premiações no palco do Grammy.

Aliás, Maria Gadú não concorreu com brasileiros, mas sim com estrangeiros na categoria Geral – Revelação, com o seu primeiro álbum, “Maria Gadú”. Porém, a jovem não levou o título este ano, e perdeu para Alex Cuba. E não era mesmo dia de Gadú: ela também “fracassou” na categoria Cantor/Compositor, na qual perdeu para Rubén Blades.

No gênero Brasileiro, os artistas nacionais concorriam em sete categorias: melhor álbum de pop contemporâneo, melhor álbum de rock, melhor álbum de samba/pagode, melhor álbum de música popular brasileira, melhor álbum de música sertaneja, melhor álbum de música de raízes brasileiras – regional nativa e, por fim, de melhor canção.

Os vencedores nacionais foram Sérgio Mendes, Charlie Brown Jr., Diogo Nogueira, Gilberto Gil, Zezé Di Camargo & Luciano e Maria Bethânia.

Claudia Leitte era uma das mais cotadas para levar o prêmio de melhor álbum pop contemporâneo, por seu CD “As Máscaras”, mas perdeu para Sérgio Mendes, com “Bom Tempo".

Charlie Brown Jr. concorreu a melhor álbum de rock e levou o troféu por “Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva”. Vale destacar que a banda comandada por Chorão disputava o título este ano com Capital Inicial, Andreas Kisser, Nasi e NX Zero.

Mesmo sem assistir à premiação, Preta Gil parabenizou seu pai, Gilberto Gil, pelos dois prêmios que levou. “Soube que meu pai ganhou dois prêmios. Parabéns, pai. Você merece demais! Gênio! Te amo!”, comentou ela peloTwitter.

Zezé Di Camargo e Luciano também ficaram muito felizes e agradeceram ao prêmio de Melhor álbum de música sertaneja, pelo CD “Double Face”, pelo microblog. “Quero agradecer a todos que torceram para ganharmos este prêmio. Obrigado a todos que estão mandando parabéns, beijos e abraços. Estamos vibrando de alegria. Obrigado!”, disse Luciano.

Porém, os artistas brasileiros não levaram a melhor quando dominaram uma categoria, como foi o caso da Instrumental. Três brasileiros estavam na disputa: Yamandu Costa & Hamilton de Holanda, Arthur Maia e Paulo Moura e Armandinho. Mas quem levou o troféu foi o cubano Arturo Sandoval.

Veja abaixo abaixo quem ganhou o que em cada categoria:

Melhor álbum pop contemporâneo (Brasil):
Céu - "Vagarosa"
Sandra de Sá - "Africanatividade - Cheiro de Brasil"
Claudia Leitte - "As Máscaras"
Sérgio Mendes - "Bom Tempo"
Michael Sullivan - "Ao Vivo: Na Linha do Tempo - Vol. 1"


Melhor álbum de rock (Brasil):
Charlie Brown Jr - "Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva"
Capital Inicial - "Das Kapital"
Andreas Kisser - "Hubris 1 & 2"
Nasi - "Vivo na Cena"
NX Zero - "Sete Chaves"


Melhor álbum de samba/pagode (Brasil):
Alcione - "Acesa"
Martinho da Vila - "Poeta da Cidade: Martinho Canta Noel"
Grupo Revelação - "Ao Vivo no Morro"
Monobloco - "Monobloco"
Diogo Nogueira - "Tô Fazenda a Minha Parte"
Zeca Pagodinho - "MTV Especial Zeca Pagodinho - Uma Prova de Amor Ao Vivo"


Melhor álbum de música popular brasileira:
João Bosco - "Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo No Chão"
Dori Caymmi - "Inner World"
Gilberto Gil - "Banda Dois"
Toninho Horta - "Toninho Horta - Harmonia e Vozes"
Joyce - "Slow Music"
Jorge Vercillo - "D.N.A."


Melhor álbum de música sertaneja (Brasil):
João Bosco & Vinícius - "Coração Apaixonou - Ao Vivo"
Chitãozinho e Xororó - "Se For Pra Ser Feliz"
Zezé Di Camargo & Luciano - "Double Face"
Leonardo - "Esse Álguém Sou Eu"
César Menotti e Fabiano - "Retrato: Ao Vivo No Estúdio"
Luan Santana - "Ao Vivo"
Victor & Leo - "Ao Vivo e Em Cores em São Paulo"


Melhor álbum de música de raízes brasileiras - regional nativa:
Frank Aguiar - "Danquele Jeito"
Banda Calypso - "10 Anos - CD 2"
Gaúcho da Fronteira - "Gaúcho Doble Chapa"
Eva - "Lugar da Alegria"
Gilberto Gil - "Fé na Festa"

Melhor canção (Brasil):
Jorge Vercillo - "Há de Ser"
Sérgio Santos - "Litoral e Interior"
Dori Caymmi - "Quebra-mar"
Edu Lobo - "Tantas Marés"
Maria Bethânia - "Tua"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

EITA "CABRAL" DA PESTE!! VIVA A PASSA DISCO!!

Com nome de aristocrata, Fábio Cabral de Melo é uma das pessoas mais carismáticas e simples que o cenário musical pernambucano acolheu nesses últimos anos. Fábio vem matando um leão a cada dia, nessa constante maneira como vem se adequando a música nos dias do século XXI e comemora hoje 07 anos da Passa Disco.

Por Bruno Negromonte

A pirataria física, a facilidade dos downloads (feitos até mesmo de celulares,) a distribuição de música concedidas muitas vezes até pelo próprio artistas não vem sendo impecílio para que a Passa Disco se solidificasse no cenário musical pernambucano nesses últimos anos. Pelo contrário, nessa vontade de "remar contra a maré", Fábio (proprietário da loja) transformou a Passa (como muitos carinhosamente a chamam) em um lugar cultuado por admiradores da boa música (seja ela nacional ou não) tanto no estado de Pernambuco como em outros também.

Quem adentra no mítico espaço sente logo a boa vibração (que acredito emanar de cada rabisco deixado nas paredes da loja por todos os poetas, artistas e quem de uma forma ou de outra contribui para a cultura em nosso país). É isso mesmo! a Passa Disco além de se diferenciar de outras lojas a partir de um acervo seleto de álbuns comercializados trás outro fator que a diferencia desses prosaicos espaços de comercialização da música: as relevantes assinaturas nas paredes do espaço. Você ao entrar e olhar para as paredes pode se deparar com assinaturas por exemplo de artistas como Dominguinhos, Fausto Nilo, Elba Ramalho e muitos outros todos desejando coisas positivas ao proprietário e a todos que adentram ao espaço

Esse sagrado espaço da música pernambucana completa hoje 07 anos de existência e como uma singela homenagem trago essas mal traçadas linhas em forma de artigo para que o público do Musicaria Brasil conheça esse recôndido, porém acolhedor espaço da música aqui em Pernambuco. Tudo o que posso desejar é que a Passa Disco consiga se adequar a todas essas mudanças impostas pelas constantes evoluções temporais e que, dentro dessas transformações dos tempos modernos, que se faça valer a profecia do Lula Queiroga quando disse: "haverá apenas duas ou 3 lojas de CDs... Uma delas a Passadisco que fica num lugar remoto chamado Estrada do Encanamento, terá se tornado a maior do NE com escadas rolantes, 300 funcionários e recebendo gente do mundo inteiro para fazer recarga dos seus aparelhinhos tocadores. Cd, mesmo, só na vitrine e o dono tem o maior ciume de suas relíquias."

Eita Cabral da peste! Fica aqui então os meus sinceros votos de vida longa a Passa Disco e que ela se adapte as constantes evoluções que a música vem tendo ao longo dos últimos anos de maneira natural tornando-se cada vez mais um espaço reverenciado e cultuados por aqueles que aprenderam a ver o que não se ver e a fazer do que é abstrato na música o alimento vital de cada dia para a alma.


Passa Disco
Shopping Sítio da Trindade
Estrada do Encanamento, nº 480 loja 07 Parnamirim - Recife-PE.
Fone: (81)3268.0888
contato@passadisco.com.br
www.passadisco.com.br

RECIFE JAZZ 2010

Sétima edição ocorre de amanhã até terça com competição, apresentações internacionais, palestras e shows-aulas

Por Marcos Toledo

Se não for o lugar, o Recife é certamente uma das cidades do País onde há mais apresentações de música instrumental. Dentro de um universo largo dedicado a esse estilo durante todo o ano, um dos eventos mais consolidados é o Recife Jazz Festival, que teve sua primeira edição realizada em 2003 e chega agora a seu sétimo ano muito melhor estruturado, com atrações internacionais mais fortes, espaço para artistas em ascensão mostrarem seus talentos de forma competitiva e programação paralela interessante. Para seu organizador, o saxofonista e produtor Alex Corezzi, no entanto, ainda há muito o que melhorar, o que, ainda segundo ele, já ocorrerá a partir de 2011.

Este ano o Recife Jazz Festival ganha um palco de luxo, o centenário Teatro de Santa Isabel (cujos 160 anos são homenageados pelo evento junto com os 80 anos do Conservatório Pernambucano de Música), onde ocorrem os concertos internacionais, com bilheteria, no sábado e no domingo. O Pátio de São Pedro, onde tudo começou, abriga amanhã a final do Tremplin, evento pré-festival realizado dentro da programação do Pátio Sonoro, promovido pela Prefeitura do Recife com entrada franca. Além disso, a agenda prevê a realização de palestras gratuitas, amanhã, no Instituto Cervantes, no Derby, e de shows-aulas, segunda e terça-feira, também com bilheteria, no Teatro Barreto Júnior, no Pina (confira no quadro acima a programação completa em detalhes).

O formato atual, que vem sendo talhado nos últimos anos com participação efetiva de atrações da Europa e de outros países da América Latina, vem sendo perseguido pela produção e concretizado com o apoio de organizações internacionais. Este ano, além do Cervantes, conta com patrocínio da Région Centre e do Cultures France, além dos consulados da França e da Espanha. O apoio destas instituições possibilitou a vinda de atrações como os grupos franceses Paris Jazz Underground e X’tet Bruno Regnier, o pianista cubano Alejandro Vargas, e o saxofonista argentino Ricardo Cavalli, que tocam este fim de semana (os dois últimos também ministram shows-aulas na próxima semana.

O festival, porém, teve início no último dia 22, com o Tremplin Recife Jazz/Pátio Sonoro. Durante três sextas-feiras oito artistas nordestinos selecionados entre cerca de 20 inscritos participaram de seletivas no Pátio de São Pedro. Três deles disputam a final, amanhã: o maranhense Cazumbá, o paraibano Oxent Groove e o pernambucano Ska Maria Pastora. O vencedor gravará um álbum – que será finalizado na Argentino e prensado em SMD com mil cópias – e terá presença garantida na edição 2011 do festival. A noite de amanhã encerra com uma apresentação especial do X’tet Bruno Regnier.

As palestras, no sábado, contam com a participação de Javier Fainzaing e Jorge Sadi, do site Farol Latino (www.farolatino.com) e de Fabiola Antonni, da organização Musicos en Nombre del Chile.

Corezzi lamenta apenas o adiamento de concertos nacionais que, segundo ele, devem ocorrer em janeiro, no Parque Dona Lindu. “Ainda não é a estrutura ideal”, lamenta o produtor acrescentando que os artistas que participaram do Tremplin, por exemplo, vieram ao Recife com despesas pagas pelos governos de suas cidades.

.... E A GENTE SONHANDO COM BITUCA...

Por Mauro Ferreira e José Teles

No início dos anos 60, Milton Nascimento trabalhava num escritório de contabilidade em Belo Horizonte. Ele não viera à capital mineira para se perder em números. Já era músico em Três Pontas e continuava na profissão, tocando na noite. Foi naquele escritório que ele fez suas duas primeiras composições. Uma delas tornou-se um clássico instantâneo da MPB, Canção do sal, que seria lançada pela gaúcha Elis Regina. A segunda, E a gente sonhando, é uma das mais obscuras de sua obra. Foi gravada em 1965 pelo Tempo Trio (Helvius Vilela, Pascoal Meirelles e Paulo Horta). Em 1972, Alaíde Costa a gravou. Ela teve outras gravações ainda menos populares.

Agora a canção esquecida é, literalmente, resgatada do limbo e dá nome ao novo disco de Milton Nascimento, um de seus trabalhos mais peculiares. Uma espécie de Clube da Esquina, só que da esquina de Três Pontas, cidade onde ele passou a infância e adolescência, e na qual vivem ainda seus parentes: “O disco nasceu de um livro encomendado a dois caras, um deles americano. Os dois viajaram pelo Brasil conhecendo a música que se fazia nas principais cidades. Mandaram o livro para mim, e estava assim. Amazonas, capital Manaus, e tal música que se fazia lá. Quando olhei Minas, tinha capital, Belo Horizonte, Três Pontas, e a música que se faz lá”, explica Milton Nascimento, em entrevista por telefone. O livro intitula-se The Brazilian sound: Samba, bossa nova and the popular music of Brazil, assinado por Chris McGowan e Ricardo Pessanha, publicado por uma universidade dos EUA.

Milton Nascimento conta que ficou matutando sobre aquela história da música de Três Pontas divulgada no exterior: “Eu vou sempre por lá, visitar os amigos, parentes, mas não sabia que tipo de música se fazia na cidade. E Três Pontas tem disso, é sempre visitada por japoneses e europeus. Os japoneses descem em são Paulo e vão direto para Três Pontas, visitar os lugares que têm a ver comigo. Com o livro, mais gente certamente iria visitar a cidade. Fui para Três Pontas, chamei um amigo, Marco Elizeo, que divide a produção do disco comigo, e ele reuniu músicos da cidade”. Reuniu três dezenas deles.

Milton diz que ficou impressionado com a qualidade do que ouviu: “São muito bons, no instrumental, nos vocais. Botei na cabeça que iria colocar aquele pessoal numa faixa do meu próximo CD, mas depois achei que deveria fazer um álbum inteiro. Passei a conversar com este pessoal, ficamos muito amigos. Mas o disco não saiu logo”, comenta o cantor. Ele realizou dois projeto antes, o álbum Novas bossas, com o Trio Jobim e o Milton & Belmondo, feito com os irmãos franceses Lionel e Stéphane Belmondo (2009).

Foi numa visita à cidade de sua adolescência que Milton Nascimento resolveu reviver, com os músicos de hoje, a época do Clube da Esquina

Quando o projeto “Três Pontas” foi retomado, Milton Nascimento achou que estava mais complicado de ser posto em prática do que ele imaginava: “O tempo passou e, quando voltei, o pessoal havia se espalhado, estava tocando em outros lugares. Mas conseguimos reunir os músicos. Levei duas vezes um estúdio móvel de gravação para a cidade. Outra parte foi gravada no meu estúdio, em casa, e outra em um estúdio no Rio”, conta o artista, mostrando-se um pouco aborrecido porque os shows com os pessoal de Três Pontas já começaram, mas o disco E a gente sonhando não chegou ainda às lojas. Está prometido para a semana que vem. Por enquanto, a EMI disponibilizou um hotsite (com as músicas, fotos, release, entrevista, etc). Todos os músicos só participaram da estreia em sua cidade: “Selecionei alguns para viajar comigo, já que é impossível viajar com todos os 30”, diz Milton Nascimento.
E aí, voltando à canção composta num escritório contábil e que dá nome ao álbum, como ela foi tirada do fundo do baú e por que? E onde entra o Clube da Esquina na história? Milton Nascimento relembra. “Fui para Três Pontas e me prestaram uma homenagem, em praça pública. Lá se apresentaram todas as bandas da cidade. Tenho um afilhado lá, Pedrinho, um garoto de 16 anos, que também está tocando numa banda, que foi a última a se apresentar. De repente subiu um rapaz para cantar com eles. Ele cantava tão bem, que me deixou totalmente impressionado. Aí lembrei daquela música feita há tanto tempo. Ele deveria ter mais ou menos a mesma idade que eu quando fiz. Achei que ele cantando aquela música era como se estivesse chamando os outros jovens para o sonho de todos, cantar, gravar, viajar. Chamei-o para a casa de minha irmã para a gente conversar. O nome é Bruno Cabral, quando falei que queria que ele gravasse comigo, ele demorou a acreditar. Achei que E a gente sonhando seria a primeira música do disco, aí resolvi que seria também o nome do CD. Senti ali o mesmo espírito que deu origem ao Clube da Esquina”, continua Milton. Por coincidência, Lô Borges tinha a mesma idade do afilhado Pedrinho quando começou a fazer Clube da Esquina, a canção, com o irmão Márcio Borges.

DISCO

E a gente sonhando é ao mesmo tempo um disco de inéditas e de intérprete, além de ser um projeto especial, primeira parceria entre o selo Nascimento Música e a EMI. Dos músicos de Três Pontas, Milton Nascimento gravou três canções: Olhos do mundo (Marco Elizeo/Heitor Branquinho), Eu pescador (Clayton Prosperi/Haroldo Jr.), Do samba, do jazz, do menino e do bueiro (Ismael Tiso/Miller Rabelo de Britto). Na trinca sente-se a influência que Milton exerceu sobre os garotos de Três Pontas. São canções de harmonias sofisticadas. Ele completa o repertório com uma inédita apenas dele Sorriso, outra feita com Pedrinho do Cavaco, Gota de primavera, e Amor do céu, amor do mar, uma bela e singela canção, com citação a eterna amiga, Elis Regina, parceria com o mineiro Flávio Henrique.

Ainda que seu repertório seja pontuado por regravações de temas próprios e alheios, ... E a Gente Sonhando pode ser considerado o primeiro álbum de inéditas de Milton Nascimento desde Pietá (2002), último título de vigor em discografia que teve seu ápice nos anos 70. Criado com espírito gregário que remete a um dos clássicos da obra fonográfica deste artista carioca de alma mineira, o álbum duplo Clube da Esquina (1972), ...E a Gente Sonhando flagra Milton nostálgico da modernidade de sua juventude. Ao se rodear de cerca de 25 jovens músicos, cantores e compositores de Três Pontas (MG), a cidade que o viu crescer, Milton funda de certo modo um clube que lhe empresta o espírito juvenil perseguido ao longo das 16 faixas do álbum produzido pelo próprio Milton ao lado do violonista Marco Elizeo Aquino. Ao unir forças e vozes em coro que dá vida a temas como Estrela, Estrela (Vítor Ramil) e O Sol (Antônio Júlio Anastácia), destaques entre as incursões de Milton por searas alheias, a turma trespontana cria de certa forma uma camada protetora em torno do anfitrião que atenua e disfarça a progressiva anemia criativa do compositor e a perda de viço e volume da voz outrora classificada como divina por Elis Regina (1945 - 1982), a intérprete-paixão citada nominalmente por Bituca na letra de Amor do Céu, Amor do Mar, parceria de Milton com Flávio Henrique. Repleto de versos que falam de sonhos, cores e flores, o repertório de ...E a Gente Sonhando revisita duas bonitas parcerias de Milton com Fernando Brant que passaram quase despercebidas nas vozes de Simone e Gal Costa. Me Faz Bem - apresentada em tons sensuais por Gal em gravação de 1987 - ganha suingue que dilui a sensualidade do tema. Música lançada pela Cigarra em 1989, no ápice de seu flerte com o brega, a bela Espelho de Nós é convite à união que reitera o espírito fraterno que norteia o disco. A faixa é cantada por Milton com Bruno Cabral, uma das vozes masculinas a que dá projeção em ...E a Gente Sonhando, cuja música-título, também gravada com Cabral, vem dos anos 60, tendo sido a primeira música de Milton a ser gravada, em registro instrumental de 1965, pelo Tempo Trio. Também solista, Ismael Tiso Jr. (parente de Wagner Tiso, co-autor dos arranjos e pianista de 11 das 16 faixas) divide com Milton os vocais de uma parceria sua com Miller Sol, Resposta ao Tempo, tema que cai mais para o samba do que para o jazz. Terceiro cantor do clube, Paulo Francisco, o Tutuca, é o convidado da supra-citada Amor do Céu, Amor do Mar. Nesse confronto com o passado, a pálida regravação do bolero Resposta ao Tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), lançado por Nana Caymmi em 1998, entra em sintonia com o espírito do disco. Em tom mais expansivo, Adivinha o quê? (Lulu Santos) funciona como lembrança dos tempos juvenis em que Milton atuava como crooner nas boates, bares e salões de Belo Horizonte (MG), evocados através dos metais orquestrados por Vittor Santos. Reminiscências dos tempos escolares (Otema composto por Milton e Brant para peça inspirada no livro homônimo do escritor Raul Pompéia) e de alegrias do passado (Sorriso, música apenas de Milton) reiteram a nostalgia de álbum em que desabrocha com certa classe a Flor de Ingazeira (João Bosco e Francisco Bosco, 2000) e que adquire tom quase interiorano quando Milton toca sua sanfona em Gota de Primavera, boa parceria do compositor com o jovem Pedrinho do Cavaco. "As janelas estão abertas pra rua / Quem é capaz de fechar os olhos do mundo?", questiona Milton em versos de Olhos do Mundo (Marco Elizeo e Heitor Branquinho). Ao fim, a belíssima Eu Pescador (Cleyton Prósperi e Haroldo Jr.) faz ...E a Gente Sonhando mergulhar num mar de lirismo e poesia, mostrando que os olhos trespontanos do menino Milton ainda continuam abertos para o mundo, na esperança de sonhar com sua turma sonhos que nunca envelhecem.

JANE DUBOC, 60 ANOS

Por Pedro Paulo Brandi

Jane Duboc Vaquer, que é paraense de Belém e está acostumada a cantar desde criança faz 60 anos durante esse mês de novembro de 2010. Com treze anos de idade Jane Duboc já fazia apresentações filantrópicas no colégio onde estudou, na televisão e em festivais. Em Belém, Jane Duboc formou o conjunto "Ilusão" e quando morou em Natal ela formou o "Quarteto das Tri", cujo nome se deve ao fato de todas as integrantes terem sido tri-campeãs nos esportes (era um conjunto que imitava o "Quarteto em Cy"). Jane Duboc atuou muito como esportista, ganhando muitas medalhas em competições estaduais de natação, voleibol, tênis e tênis de mesa. Por suas qualidades esportivas, a Assembléia Legislativa de Belém criou o prêmio "Jane Duboc Vaquer" para incentivar todos os esportistas paraenses. Aos dezessete anos de idade Jane Duboc foi morar e estudar nos Estados Unidos (Columbus-Georgia), graças à uma bolsa de estudos que ganhou. Ficou por lá cerca de seis anos. Casou com o músico Jay Anthony Vaquer com quem tem um filho que se chama Jay Vaquer. Atualmente seu filho Jay está investindo na carreira de cantor com três discos lançados. Nos Estados Unidos, além de atuar como cantora, compositora e instrumentista (cantava em bares, boates, clubes e igrejas), Jane Duboc trabalhou com publicidade sendo premiada e aparecendo na TV com seu comercial. Na universidade, estudou orquestração, canto lírico, flauta e arte dramática, onde também chegou a lecionar História da Música. Retornou ao Brasil na década de 70. Formou o "Grupo Fein" , que se apresentava cantando somente em inglês. Gravou o compacto "Pollution", na época produzido por Raul Seixas. A letra da música composta por Jane foi vetada pela censura (considerada subversiva para a época) e ela gravou tudo em "scat". Trabalhou com Raul Seixas e participou de seus discos. Foi integrante da "Banda Veneno" do maestro Erlon Chaves. Também integrou o coral da Rede Globo gravando várias aberturas de programas e participou de um disco de Chico Anysio ("Linguinha"). Com o ex-marido americano Jay Anthony Vaquer, gravou um LP para a RCA: "Morning The Musicians" com a participação de Luiz Eça, Paulo Moura, Noveli e Bil French.

Ainda nos anos 70 excursionou com Egberto Gismonti nos shows "Água e Vinho I e II", participando do seu CD "Árvore" fazendo vocais e tocando percussão. Participou do VI FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO (FIC), defendendo com Sérgio Sampaio a música "No ano 83". Gravou a trilha sonora para o filme "Janaina" (com Marlene França) e da peça "Encontro no Bar" (com Camila Amado e Otávio Augusto). Para o selo Marcus Pereira, gravou o LP "Acalantos Brasileiros" e participou da série "Música Popular do Norte" cantando músicas folclóricas regionais. Desta série também participaram Elis Regina (Sudeste) e Nara Leão (Nordeste). Compôs e gravou com Guto Graça Melo a trilha sonora do filme "Amor Bandido" de Bruno Barreto. Jane Duboc foi integrante da "Zurama Jingles" gravando comerciais para a companhia de Ivan Lins, Eduardo Souto Neto, Tavito e Paulo Sergio Valle (cantou no comercial da "Soletur Turismo" que foi veiculado em rede nacional de TV). Também foi integrante da "Rio Jazz Orquestra" de Marcus Spillman, cantando temas de Duke Ellington e outros nomes do Jazz. Participou das gravações de discos dos grupos "Os Motokas" e "Os Skates" cantando com Claudinha Telles e o Grupo Roupa Nova (na época: "Os Fanks"). Juntos faziam covers e imitavam artistas como Alcione. Nos anos 80, Jane Duboc também fez muita coisa. Participou do festival "MPB 80" promovido pela Rede Globo de Televisão com a música "Saudade". Assinou contrato com a Som Livre e gravou um compacto com a música "Cheiro de Amor" (sucesso na voz de Maria Bethânia). Na Som Livre foi integrante do grupo vocal "Cantamor" e gravou dois discos. Participou de vários especiais da Rede Globo (Roberto Carlos, Fábio Jr., Pirlimpimpim, Arca de Noé-2, Verde Que Te Quero Ver e muitos outros). Em 1982 participou do "MPB-Shell" e classificou a música "Tentação" (Tunai e Sérgio Natureza). Seus fãs mais ardorosos e o fã-clube "Minas em Mim" já conseguiram catalogar mais de cem discos com a participação de Jane Duboc. Discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Roberto Sion, Sarah Vaughan, além de discos infantis e curso de inglês.

Ainda na década de 80, Jane Duboc percorreu o Brasil fazendo shows com Filó, Hélio Delmiro, Tunai, Aécio Flavio, Peri Ribeiro, Márcio Montarroyos, Toninho Horta e Miucha. Com Toquinho excursionou pelo Brasil com o show "Doce Vida" (recebeu elogios de Elis Regina) e viajou com ele pela Itália, gravando um disco em Milano (Milão). Gravou com o Grupo Bacamarte de Rock Progressivo o CD "Depois do Fim" com quem também fez alguns shows. O sucesso e o reconhecimento nacional vieram com a sua fase romântica quando em 1987 gravou as músicas "Chama da Paixão" e "Sonhos" com grande execução nas emissoras de rádio e apresentações em vários programas de televisão. Tal sucesso abriu caminho para a sua participação em quatro trilhas de novelas, dentre elas a "Vale Tudo" com a música "Besame" (Flávio Venturini e Murilo Antunes).

Um outro lado pouco conhecido de Jane Duboc é o de escritora. Ela é autora dos livros: "Através de Paredes" (poemas), "Jeguelhinho" e "Bia e Buze" (infantis). Os livros infantis também são peças musicais. Os livros foram lançados pelo editora paraense CEJUPE.

Com o grande respaldo de sua formação nos Estados Unidos, Jane Duboc assinou contrato com José Maurício Machline para fazer o espetáculo "Movie Melodies", todo cantado em inglês e abordando temas de trilhas sonoras de filmes que marcaram época. O show teve tamanha receptividade que a gravadora "Movie Play" transformou-o em um CD. Seguramente um dos mais belos discos da carreira fonográfica de Jane Duboc. O show foi um verdadeiro cult e Jane Duboc já pensa em uma nova versão para ele. MINAS GERAIS: a identidade de Jane Duboc com Minas é antiga. Ela gravou em 1980 no seu primeiro disco solo "Languidez" a música "Manuel, O Audaz" dos compositores mineiros Toninho Horta e Fernando Brant, fazendo-a lembrar do seu jipe que ela e a mãe dirigiam em Natal quando Jane fazia shows por lá.

Em 1988 como prova de amor e grande carinho pelos compositores e público mineiros, Jane Duboc compôs e gravou "Minas em Mim" em um LP onde a maioria das composições são de Minas Gerais e que acabou se transformando em um especial de televisão, transmitido pela TV Bandeirantes. Em 1995 Minas Gerais recebeu uma nova homenagem de Jane Duboc: o CD "Partituras", um verdadeiro songbook de Flávio Venturini, mostrando para o mundo que ninguém sabe cantar Minas Gerais como ela. Outro destaque em sua carreira foi a gravação do CD "Brasiliano" onde Jane Duboc canta em italiano sucessos da Itália, mas tudo com um ritmo de bossa. O CD só foi lançado na Itália pela Globo Records. Outro grande momento na carreira de Jane Duboc foi ter gravado o CD "Paraíso" com o já falecido saxofonista Gerry Mulligan, um dos mais respeitados nomes do Jazz mundial. Como diz Jane, um namoro musical que começou desde o tempo em que Jane excursionava com Toquinho pela Itália e que se transformou em um belíssimo disco lançado inclusive no Japão. E foi a convite da prefeitura de Gifu no Japão que Jane Duboc e Roberto Sion fizeram juntos o CD "From Brazil To Japan", cidade onde também eles se apresentaram. A voz de Jane Duboc fez muito sucesso no Japão quando a música "Canção do Sal" de Milton Nascimento, gravada por Jane Duboc em participação especial no CD de Marco Bosco foi muito executada nas rádios, fazendo os japoneses cantarem em português. Nos últimos anos Jane Duboc também investiu sua bonita voz em publicidade, gravando comerciais que foram veiculados em rede nacional: Lojas Riachuelo, Carrefour, Soletur Turismo, Desodorante Impulse, Vódica Eristof, Cerveja Bhrama, Banco do Brasil, Biscoitos Nabisco, Chocolates Sufflair e muitos outros. Durante seis anos, Jane Duboc foi empresária. Sócia de Paulo Amorim , Jane Duboc abriu uma gravadora na Barra da Tijuca-RJ. A gravadora se chamou JAM Music e por lá passaram artistas como Angela Ro Ro, Célia, Zé Luiz , Tunai, Beth Carvalho, Alaíde Costa, Oswaldo Montenegro, além de nomes novos nos quais Jane Duboc apostou tudo! Em 2002 Jane Duboc recebeu um convite do Maestro Nelson Ayres para, junto com Edu Lobo, cantar com a Orquestra Sinfônica de Israel (do maestro Zubin Mehta), uma das cinco melhores orquestras sinfônicas do mundo. O show aconteceu em Israel. Ainda em 2002 Jane Duboc comemorou seus 30 anos de carreira e lançou através de sua gravadora o CD "Sweet Lady Jane" gravado em Nova York com produção de Ivan Lins. O CD recebeu elogios da crítica e é um dos melhores discos que Jane Duboc já fez. Para lançar este CD Jane Duboc fez shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília acompanhada por uma orquestra com 30 músicos e solistas convidados especiais, como o grande maestro Nelson Ayres. Jane Duboc também fez um VCD de aproximadamente 15 minutos com fotos de sua carreira, desde a infância até "Sweet Lady Jane". Em 2003 Jane Duboc em comemoração aos seus 30 anos de carreira, realizou um grande sonho seu: relançou em CD através de sua gravadora JAM Music, seu primeiro LP solo: "Languidez" (1980) que reúne um grande número de músicos importantes da MPB como: Djvan, Toninho Horta, Oswaldo Montenegro, Márcio Montarroyos, Hélio Delmiro, Luiz Avelar, Sivuca e canções como "Que Outro Dia Amanheça", "Manuel, O Audaz" e "Saudade". Em outubro de 2003, Jane Duboc recebeu um convite especial do premiado maestro Marcelo Ramos, regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, para realizar um espetáculo sinfônico em homenagem ao compositor mineiro Ary Barroso que completaria 100 anos de vida. Foi a primeira vez que uma
orquestra sinfônica do Brasil prestou esta homenagem. O show foi gravado e transformado em um especial de TV. Também em 2003 a gravadora "EMI Music South East Asia" incluiu Jane Duboc como cantora brasileira para fazer parte do CD "PINK - CHAMPAGNE", uma coletânea onde se destacam grandes cantoras mundiais como Ella Fitzgerald, Billie Holliday, Sarah Vaughan, Liza Minnelli, Edith Piaf, Nina Simone, Judy Garland e outras. Em 2004 a gravadora "Universal Music Polska" lançou na Bulgária o CD "Rendez-Vous On The Jazz Boulevard" - Vol. 2, um CD coletânea que inclui Jane Duboc além de outros grandes nomes da boa música
mundial como Norah Jones, Diana Krall, Natalie Cole, Josefine Cronholm, Patricia Kass, Roberta Flack, Laura Fygi, Julie London, dentre outras.A Rede Globo de Televisão, através do programa "Ação" entregou à Jane

Duboc e Celso Viáfora o prêmio "Ação 5 Anos" por seu trabalho realizado no Barracão dos Sonhos da comunidade carente de Paraisópolis-SP. Em março de 2005 Jane Duboc recebeu um convite de Ricardo Queiroz para, junto com Wagner Tiso e Victor Biglione, cantar no Festival de Música Latina que acontece anualmente em Vantaa na Finlândia. O show acabou sendo mostrado também no Brasil e foi muito aplaudido. Em agosto de 2005 Jane Duboc lançou no Japão sob encomenda da Gravadora ARGUS, o CD "Glow" com seis músicas inéditas e de sua autoria, todas em inglês com grande destaque para a maravilhosa canção "Spend The Night". Também fez uma letra em inglês para a música "Chama da Paixão", grande sucesso nacional e agora lançada no Japão. O CD "Glow" foi lançado no Brasil em 2006. O CD coletânea "Uma Voz, Uma Paixão" foi indicado ao Grammy Latino 2006 de música. Em 2007 e 2008 Jane Duboc lançou dois discos pela gravadora Biscoito Fino: "Uma Porção de Marias" e "Canção da Espera". Os dois discos foram elogiados pela crítica por causa da qualidade de produção. "Canção da Espera" é um disco em homenagem ao músico e amigo Egberto Gismonti. Em 2009 Jane Duboc realizou um grande sonho: homenagear sua mestra e diva da canção negra Ella Fitzgerald lançando um CD tributo pela gravadora Rob Digital. A imprensa de todo o Brasil teceu elogios de norte a sul pela belíssima produção de arranjos que Jane Duboc e os músicos convidados fizeram para o disco. Este disco lhe rendeu em 2010 o prêmio de melhor disco brasileiro em língua estrangeira patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce. Também em 2010 Jane Duboc participou do Festival de Jazz em Portugal que aconteceu na Ilha da Madeira. Agora ela está gravando um CD em inglês com músicas de seu filho Jay Vaquer.

É muito legal ver que uma artista como a Jane tem tanta competência, humildade, carinho e amor no coração.

Discografia:
Acalantos (1977)
Música popular do Norte (1977)
Languidez (1980)
Jane Duboc (1982)
Depois do Fim' (1983) (participação especial neste LP da banda Bacamarte)
Ponto de partida (1985)
Jane Duboc (1987)
Feliz (1988)
Além do prazer (1991)
Brasiliano (1992)
Movie melodies(1992)
Jane Duboc (1993)
Paraíso - Gerry Mulligan e Jane Duboc (1994)
Chama da paixão (1994) (Coletânea)
Partituras (1995)
From Brazil to Japan (1996)
Todos os caminhos (1998)
Da minha terra - Jane Duboc e Sebastião Tapajós (1998)
Clássicas - Zezé Gonzaga e Jane Duboc(1999)
Sweet Lady Jane (2002)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JOÃO NOGUEIRA - 10 ANOS DE SAUDADE

Carioca, aprendeu a tocar violão com o pai, o advogado e músico João Batista Nogueira. Na adolescência começou a compor sambas para os blocos carnavalescos do bairro do Méier, onde morava, até que em 1968 sua composição "Espera, ó Nega" foi gravada por um grupo de sambistas. Sua estréia profissional foi em 1970, quando Elizeth Cardoso gravou sua música "Corrente de Aço", inserindo João Nogueira definitivamente no meio musical. Como compositor, teve músicas gravadas por diversos intérpretes como Elis Regina, Clara Nunes, Emílio Santiago, Beth Carvalho, Alcione e outros. Em 1971 ingressou na ala dos compositores da Portela (com o samba "Sonho de Bamba") e foi fundador da escola de samba Tradição. Lançou em 1974 o LP "E Lá Vou Eu", um de seus grandes sucessos, seguido por "Vem que Tem", "Espelho" e vários outros discos. Entre os sucessos desses lançamentos, "Mineira" (com P.C. Pinheiro), "Chorando pelos Dedos" (com Claudio Jorge) e "O Passado da Portela" (Monarco). Foi fundador, ao lado de outros sambistas, do Clube do Samba, para preservar e divulgar o samba carioca. O LP "Clube do Samba" foi lançado pela Polygram em 1980, incluindo "Súplica" (com P.C. Pinheiro) e "Enganadora" (Monarco/ A. Lopes). Outros sambas interpretados por João Nogueira que se tornaram populares são "Se Segura, Segurança" (com Edil Pacheco/ Dalmo Castelo), "É Disso que o Povo Gosta" (Carlinhos Vergueiro), "Cachaça de Rolha" (com P.C. Pinheiro).

Filho do advogado e músico João Batista Nogueira e irmão da também compositora, Gisa Nogueira, cedo tomou contato com o mundo musical. Logo aprendeu a tocar violão e a compor em parceria com a irmã.

Com apenas 17 anos, já era diretor de um bloco carnavalesco no bairro carioca do Méier. Nesta época, a gravadora Copacabana gravou sua composição Espera, ó nega, que João cantou acompanhado pelo conjunto depois chamado Nosso Samba. Em 1970, Elizeth Cardoso ouviu a gravação de sua composição Corrente de aço e resolveu regravá-la.

Em 1971, teve obras suas gravadas por Clara Nunes (Meu lema) e Eliana Pittman (Das duzentas pra lá). Como esta música defendia a ampliação do mar territorial do Brasil para 200 milhas, medida adotada pelo regime militar, João sofreu patrulha ideológica.

Ainda em 1971, João passou a integrar a ala de compositores da Portela, sua escola de coração, onde venceu um concurso interno com o samba Sonho de Bamba. Mais tarde fez parte do grupo dissidente que saíu da Portela para fundar a Tradição. Fundou também o bloco "Clube do Samba", que ajudou a revitalizar o carnaval de rua carioca.

Em mais de quatro décadas de atividade, João gravou 18 discos. Teve vários parceiros, mas o mais importante foi certamente Paulo César Pinheiro.

Quando morreu, vitimado por um enfarte, em 2000, João organizava um espetáculo numa grande casa noturna de São Paulo, e que resultaria no lançamento de uma gravação ao vivo.

Com sua morte, vários colegas se juntaram para apresentar, nas mesmas datas e no mesmo local, um espetáculo em sua homenagem. Participaram Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Sombrinha, Emílio Santiago, Carlinhos Vergueiro e a família de João: o sobrinho Didu, o filho Diogo e a irmã e parceira Gisa. O show foi gravado para o disco João Nogueira, Através do Espelho.



Nascido e criado na Rua Magalhães Couto, no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Frequentador de tradicionais botequins cariocas como o antigo "Pé na Poça", situado no bairro onde cresceu.
Sempre homenageou, em seus sambas, "as coisas simples das gentes".
Filho de músico profissional, nunca deixou de estar em contato com o samba e o choro devido às presenças de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Donga e João da Baiana, amigos de seu pai e frequentadores de sua casa.
O pai chegou a tocar com Noel Rosa, segundo o livro "Noel, uma biografia", de João Máximo.
Aprendeu a tocar violão acompanhando o próprio pai, que morreu quando ele tinha 10 anos. "Seu" João Nogueira era violonista e chegou a tocar com o Conjunto Regional, de Rogério Guimarães, e com Jacob do Bandolim. Com a sua morte, a família passou por uma fase difícil. Assim, foi obrigado a trabalhar como vitrinista e vendedor.
Trabalhou, também, como funcionário da Caixa Econômica.
Aos 15 anos, começou a fazer música junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.
Em 1958, passou a freqüentar o Bloco Carnavalesco Labareda do Méier, do qual, mais tarde, veio a ser diretor.



Foi na sua própria casa do Méier que nasceu o Clube do Samba, que funcionou durante anos a fio com noitadas animadas pelo "Pagodinho de Fundo de Quintal". O Clube mudou-se para o bairro do Flamengo, em seguida para a Associação dos Servidores Civis do Brasil - inaugurado por Clara Nunes - e para o Clube Municipal, antes de chegar à sede definitiva, na Barra da Tijuca. O local, onde funcionava um depósito de bebidas, foi totalmente reformado e decorado por João Nogueira - o fundador e presidente do Clube (1979). Além do salão, com capacidade para mais de 1000 pessoas, funcionava no Clube uma galeria de arte - Guilherme de Brito - e o jardim batizado com o nome de Clara Nunes. Neste, há uma escultura de um sabiá com a seguinte inscrição: "Voa meu sabiá/ Canta meu sabiá/ Adeus, meu sabiá/ Até um dia...", estribilho de um samba do compositor (parceria com Paulo César Pinheiro), gravado por Alcione.
Participou, como ator, do filme Quilombo, de Cacá Diegues, no qual fez o papel de Rufino.
O Bloco Carnavalesco Clube do Samba desfila todos os anos pela Avenida Rio Branco e traz entre seus integrantes: Alcione, Beth Carvalho, Dalmo Castello, Dona Ivone Lara, Gisa Nogueira, Martinho da Vila, Paulinho Tapajós e Paulo César Pinheiro.
Faleceu na madrugada do dia 6 de junho de 2000, vítima de enfarte, quando ainda se recuperava de um AVC que o deixara com algumas sequelas.


Discografia

João Nogueira (1972)

Faixas:
01 - Morrendo verso em verso (João Nogueira)
02 - Maria Sambamba (Casquinha)
03 - Beto Navalha (João Nogueira)
04 - Mãe solteira (Wilson Batista - Jorge de Castro)
05 - Alô Madureira (João Nogueira)
06 - 7º Dia (Garça)
07 - Heróis da Liberdade (Silas de Oliveira - Mano Décio da Viola - M. Ferreira)
08 - Mariana da Gente (João Nogueira)
09 - Prum samba (Egberto Gismonti)
10 - Meu caminho (João Nogueira)
11 - Das 200 para lá (João Nogueira)
12 - Blá Blá Blá (João Nogueira) participação: Gisa Nogueira


E Lá Vou Eu (1974)
Faixas:
01 - E lá vou eu (Mensageiro) (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
02 - Batendo a porta (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
03 - Sonho de bamba (João Nogueira)
04 - Meu canto sem paz (João Nogueira - Gisa Nogueira)
05 - De rosas e coisas amigas (Ivor Lancellotti) participação: Ivor Lancellotti
06 - Eu hein, Rosa (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
07 - Do jeito que o rei mandou (João Nogueira - Zé Catimba)
08 - Partido Rico (João Nogueira - Paulo César Pinheiro) participação: Paulo César Pinheiro
09 - Tempo a bessa (João Nogueira)
10 - Braço de boneca (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
11 - Gago apaixonado (Noel Rosa)
12 - Eu sei Portela (João Nogueira - Gisa Nogueira)


Vem Quem Tem (1975)
Faixas:
01 - Nó na madeira (João Nogueira - Eugênio Monteiro)
02 - Mineira (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
03 - Não tem tradução (Noel Rosa - Francisco Alves - Ismael Silva)
04 - Amor de malandro (Monarco - Alcides Dias Lopes)
05 - Convênio com cupido (João Nogueira)
06 - O Homem de um braço só (João Nogueira)
07 - Samba da bandola (João Nogueira - Cláudio Jorge)
08 - Vem quem tem, vem quem não tem (João Nogueira)
09 - Chorando pelos dedos (João Nogueira - Cláudio Jorge)
10 - Pra fugir nunca mais (João Nogueira - Cláudio Jorge)
11 - Seu caminho se abre (Ivor Lancellotti)
12 - Albatrozes (João Nogueira)



Espelho (1977)
Faixas:
01 - Pimenta no vatapá
02 - Espelho
03 - Malandro JB
04 - Espere! oh nega
05 - Dora das sete portas
06 - O passado da portela
07 - Apoteose do samba
08 - Wilson, Geraldo e Noel
09 - Batucajé
10 - Samba de amor
11 - Quem sabe é deus
12 - Desengano



Vida Boêmia (1978)
Faixas:
01 - Bares da cidade (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
02 - Moda da barriga (João Nogueira)
03 - Baile no Elite (João Nogueira - Nei Lopes)
04 - Bate-boca (Mauro Duarte - Walter Nunes)
05 - Recado ao poeta (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
06 - As forças da natureza (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
07 - Maria Rita (Luis Grande)
08 - Bela cigana (Ivor Lancellotti - João Nogueira) participação: Clara Nunes
09 - Amor de fato (João Nogueira - Cláudio Jorge)
10 - Sem medo (João Nogueira)
11 - A cor da esperança (Cartola - Roberto Nascimento)
12 - Ao meu amigo Edgard (Noel Rosa - João Nogueira)



Clube do Samba (1979)
Faixas:
01 - Súplica (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
02 - Arquibundo (Maurício Tapajós - João Nogueira)
03 - Dama da noite (Maurício Tapajós - João Nogueira)
04 - Nicanor Belas Artes (Chico Anísio - João Nogueira)
05 - Canto do trabalhador (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
06 - Esse meu cantar (João Nogueira)
07 - Amor de dois anos (Luiz Grande)
08 - Dia de azar (Paulo Valdez - João Nogueira)
09 - Enganadora (Alcides Dias Lopes - Monarco)
10 - Terno branco (Gisa Nogueira)
11 - Iô iô (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
12 - Samba rubro-negro (Jorge de Castro - Wilson Batista)


Boca do Povo (1980)
Faixas:
01 - Poder da criação (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
02 - "Seu" dono da gente (Wilson Moreira - Nei Lopes)
03 - Lá de Angola (Geraldo Vespar - João Nogueira)
04 - Quedas e curvas (Ivor Lancellotti - João Nogueira)
05 - Saudade de solteiro (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
06 - Mulher valente é minha mãe (João Nogueira)
07 - Trabalhadores do Brasil (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
08 - A força do samba (Luiz Grande)
09 - Serei teu ioiô (Monarco - Paulo da Portela)
10 - Linguagem do morro (Padeirinho - Ferreira dos Santos)
11 - Cavaleiros santos (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
12 - Bons ventos (Ivor Lancellotti - João Nogueira)


Wilson, Geraldo, Noel (1981)
Faixas:
01 - Louco (Ela é seu mundo) (Henrique de Almeida - Wilson Batista)
02 - De babado (João Mina - Noel Rosa)
03 - Bolinha de papel (Geraldo Pereira)
04 - Você vai se quiser (Noel Rosa)
05 - Você está sumindo (Jorge de Castro - Noel Rosa)
06 - O maior castigo que eu te dou (Noel Rosa)
07 - Samba no Meyer (Dunga - Wilson Batista)
08 - Positivismo (Noel Rosa - Orestes Barbosa)
09 - Pedro do Pedregulho (Geraldo Pereira)
10 - Esta noite eu tive um sonho (Wilson Batista - Moreira da Silva)
11 - Largo da Lapa (Marino Pinto - Wilson Batista)
12 - Feitio de oração (Vadico - Noel Rosa)


O Homem dos Quarenta (1982)
Faixas:
01 - O Homem dos Quarenta (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
02 - Meu dengo (Luiz Grande)
03 - Besouro da Bahia (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
04 - Pimpolho moderno (Nelson Cavaquinho - Gerson Filho)
05 - Transformação (Jurandir)
06 - Minha missão (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
07 - Dinheiro nenhum (João Nogueira - Ivor Lancellotti)
08 - Juramento falso (J - Cascata - Leonel Azevedo)
09 - Coisa ruim demais (João Nogueira - Ivor Lancellotti)
10 - Temores (João Nogueira - Toquinho)


Bem Transado (1983)
Faixas:
01 - Se segura, segurança (Dalmo Castello, Edil Pacheco, João Nogueira)
02 - Sapato de trecê (Nonato Buzar, João Nogueira)
03 - Retrato de saudade (Rafael Rabello, Paulo César Pinheiro)
04 - Outros tempos (Ivor Lancellotti, João Nogueira)
05 - Carica de coração (Nonato Buzar, Pitty Mello)
06 - Clube do samba (João Nogueira)
07 - Sonhos de uma noite de verão (Reginaldo Bessa, Nei Lopes)
08 - Dois dois (Mateus, Clóvis, Dadinho)
09 - Lua com limão (Cláudio Cartier, Paulo César Feital)
10 - Como será? (Ano 2000) (Padeirinho)


Pelas Terras do Pau-Brasil (1984)
Faixas:
01 - Xingu (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
02 - Na Boca do Mato (Luis Grande)
03 - Mel da Bahia (João Nogueira - Edil Pacheco)
04 - Nos teus olhos (João Nogueira - Nonato Buzar)
05 - Anunciando o Sol raiar (Jurandir da Mangueira - Cláudio)
06 - Vovô Sobral (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
07 - Chico Preto (João Nogueira - Paulo César Pinheiro)
08 - Dois de Dezembro - Dia do Samba (João Nogueira - Nonato Buzar - Paulo César Feital)
09 - Meu louco (João Nogueira - Paulo César Feital)
10 - Segredo (Herivelto Martins - Marino Pinto)


De Amor é Bom (1985)
Faixas:
01 - De Amor É Bom (Edil Pacheco / João Nogueira)
02 - Pimba Na Pitomba (Luis Grande)
03 - Jornal Cantado (João Nogueira / Paulo César Feital)
04 - Terra Gira (João Nogueira)
05 - Ben-hur dos Macacos (Aldir Blanc / Cláudio Cartier)
06 - Rei Senhor, Rei Zumbi, Rei Nagô (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
07 - Chavão (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
08 - É Disso Que O Povo Gosta (Carlinhos Vergueiro)
09 - Alô Rio (Ivor Lancellotti / João Nogueira)
10 - Chorando Pela Natureza (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)


João Nogueira (1986)
Faixas:
01 - Boteco Do Arlindo (Maria do Zeca / Nei Lopes)
02 - Eu Não Falo Gringo (João Nogueira / Nei Lopes)
03 - Figuraça (Cristóvão Bastos / Paulo César Pinheiro)
04 - Bahia Morena (Edil Pacheco / João Nogueira)
05 - Primeira Mão (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
06 - Sonhos de Natal (Samba Enredo da G R E S Tradição) (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
07 - Malandro 100 (João Nogueira / Luis Grande)
08 - Tô Pianinho (João Nogueira / Luis Carlos da Vila)
09 - Poeira da Idade (Luis Violão)
10 - Triste Regresso (Roque Ferreira)


João (1988)
Faixas:
01 - Fôia de Amor (Edil Pacheco / João Nogueira)
02 - Cachaça de Rolha (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
03 - Coração de Malandro (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
04 - Pelas Ruas de Recife (Marcos Valle / Novelli / paulo Sergio Valle)
05 - Sem Companhia (Ivor Lancellotti / Paulo César Pinheiro)
06 - Levanta Brasil (João Nogueira / Nonato Buzar)
07 - Maria do Socorro (Carlinhos Vergueiro / João Nogueira)
08 - Vai Coroa (João Nogueira / Nonato Buzar / Orlandinho)
09 - Tudo Acabou Em Samba (João Nogueira)


Além do Espelho (1992)
Faixas:
01 - Além do Espelho
02 - Mineira - Batendo a porta - Eu hein, Rosa
03 - Sereno
04 - Luz Maior
05 - Súplica
06 - Agora Drummond
07 - Beco Com Saída
08 - Espelho - Do Jeito que O Rei Mandou - Corrente de Aço
09 - Bicho Homen
10 - Nó Na Madeira; Maria Rita; Clube do Samba II
11 - Ecoloxé


Parceria - João Nogueira e Paulo César Pinheiro - Ao Vivo (1994)
Faixas:
01 - Espelho
02 - Eu Heim, Rosa
03 - E Lá Vou Eu
04 - Bafo De Boca
05 - Bares Da Cidade
06 - As Forças Da Natureza
07 - Batendo A Porta
08 - Chorando Pela Natureza
09 - Banho De Manjericão
10 - Súplica
11 - O Poder Da Criação
12 - Minha Missão
13 - Um Ser De Luz
14 - Chico Preto
15 - Rio Samba Amor E Tradição
16 - Primeira Mão
17 - Além Do Espelho


Chico Buarque, Letra & Música - João Nogueira e Marinho Boffa (1996)
Faixas:
01 - Feijoada Completa
02 - A Rita
03 - Samba E Amor
04 - Com Açúcar, Com Afeto
05 - Homenagem Ao Malandro
06 - O Meu Guri
07 - Olhos Nos Olhos
08 - Sem Fantasia
09 - Quem Te Viu, Quem Te Vê
10 - Sonho De Um Carnaval
11 - Gota D'Água
12 - Bastidores
13 - Deixe A Menina
14 - Olê, Olá


João de Todos os Sambas (1998)
Faixas:
01 - Haja coração (Luiz Carlos - Elias Muniz)
02 - Não há felicidade (Ando - Dedé Paraíso)
03 - Estrela da manhã (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
04 - Caminha Caymmi (Edil Pacheco - Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
05 - Chic radical (Jorge Semas - Marcos Paiva)
06 - Ai! Que calor (Jorge Cardoso - Beto Correa)
07 - Quando parei no sinal (Arlindo Cruz - Franco)
08 - Pro mundo morar (João Nogueira - Mário Lago)
09 - Carente de amor (Helinho do Salgueiro - Márcio Paiva - Mauro Jr.)
10 - Quem me quiser (Carlos Cola - Gilson)
11 - Apitaço (João Nogueira)
12 - Coração na voz (Nonato Buzar - Gerude - Nosli)
13 - Pra que ciúme (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
14 - Rocinha (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)

sábado, 6 de novembro de 2010

A INFLUÊNCIA DO PSICODELISMO NAS CAPAS DE DISCOS DA TROPICÁLIA - PARTE 01

Por Mariana ZAN e Simone LANDAL

Resumo
O objetivo dessa pesquisa foi investigar a influência do psicodelismo nas capas de discos da Tropicália. A partir da análise de peças que possuem a linguagem gráfica que a contracultura psicodélica utilizava estas, serão relacionadas, por critérios de semelhança visual, com as capas de discos produzidas no período do movimento tropicalista. A escolha por este período da história brasileira que se mostrou oponente às repressões impostas por um governo ditatorial se deu pela forte influência de aspectos históricos, culturais e sociais na produção do design gráfico da época.


Palavras-chave: Psicodelismo; Tropicália; capas de discos.


Introdução
A análise realizada neste artigo é um recorte de um capítulo integrante de um projeto de conclusão de curso, em desenvolvimento no curso de Design - Projeto Visual da Universidade Positivo. O objetivo desta análise é investigar a influência do psicodelismo, através de suas principais características, presentes na linguagem gráfica das capas de discos do movimento Tropicalista. Foi definido como objeto de estudo a capa de disco, por tratar-se de um importante veículo de comunicação e prática de design que obteve grande destaque no período da Tropicália, esta por sua vez, criou um novo cenário cultural no Brasil, mesmo inserido em um regime ditatorial.
O design, produzido neste contexto nacional, possuía uma identidade própria, porém, muitas de suas referências visuais estavam no que era produzido no exterior. Imagens fotográficas foram amplamente difundidas, assim como cartazes e a realização de completas identidades visuais que assumiam uma postura de criação coletiva do design, manifestando o sonho de uma sociedade igualitária existente na década de 60.
A metodologia utilizada para investigar as semelhanças na linguagem visual presente tanto nas peças do psicodelismo, quanto nas tropicalistas, será baseada nos critérios de análise de Martine Joly, apresentados no livro Introdução à Análise da Imagem (2005).
Serão identificados elementos como cores e formas (signos plásticos), motivos reconhecíveis (signos icônicos) e textos (signos linguísticos), ou seja, analisar seus elementos tipográficos, imagens, uso de cores, sobreposição e utilização de diferenteselementos gráficos, como estratégia visual utilizada nas capas de discos destes períodos.
Esta estratégia visual bem marcada justifica a seleção das capas de discos da Tropicália,sendo estas, Caetano Veloso (1968), Gal, de Gal Costa (1969); e do Psicodelismo, Disraeli Gears do Cream (1967) e Bee Gees’1st do Bee Gees (1967). A tendência pelo acúmulo de elementos, excesso de informação, percepção espacial distorcida e a intensidade presente em vários aspectos gráficos são características da linguagem utilizada em ambos os movimentos, alcançando o público a que se destinam e contrapondo-se ao modernismo, vanguarda de maior influência para o design na época.


Psicodelismo
Em um cenário mundial na década de 60, estudantes tornavam cada vez mais frequentes manifestações, greves, protestos e organizações políticas que lutavam pelo fim da guerra do Vietnã, contra o racismo, pela paz e pelos povos subdesenvolvidos. A esse conjunto de manifestações, deu-se o nome de contracultura. Uma busca por outro estilo de vida, underground, à margem do sistema oficial. (BOTTINO, 2006). Este movimento estudantil teve seu ápice em 1968 e foi caracterizado por cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música e drogas. Em vários países,contestavam a sociedade, seus sistemas de ensino e sua cultura em diversos aspectos, como a sexualidade, os costumes, a moral e a estética.
Para MELO (2006, p. 55) o psicodelismo traduz uma demanda por complexidade que emerge com grande força nos anos 60. Aderido especialmente pelos jovens, dentro do contexto da contracultura, os designers psicodélicos rejeitavam o modernismo como influência padrão da época, para a criação do design. Buscavam inspiração, não focando uma única tendência, mas baseando-se em tudo o que acontece ao seu redor e no mundo, na qual essa representação mental surgia muitas vezes por meio de alucinações motivadas por drogas alucinógenas (LSD).
A intenção da linguagem visual inspirada na droga era obter os efeitos das alucinações através de imagens e textos altamente coloridos e contrastantes. Estes elementos eram dispostos sem uma diferenciação de planos, proporcionando assim, uma equivalência entre elementos positivos e negativos, produzindo uma vibração óptica para o observador.


Tropicália
No Brasil, o Movimento Tropicalista foi o último grande arauto cultural e político, que emergindo em 1967, influenciou toda uma geração. Ele abriu novos caminhos para os cenários musical e estético, além de revitalizar a discussão do imaginário brasileiro.
(RODRIGUES, 2006). Caetano Veloso e Gilberto Gil foram os precursores de uma nova proposta musical apresentada no III Festival de Música Popular da TV Record. No teatro, representada pelas montagens de O Rei da Vela e Roda Viva. Glauber Rocha trouxe o tropicalismo para o Cinema Novo, com o lançamento de Terra em Transe.
Assim como as artes plásticas, nas quais as principais experimentações foram elaboradas por Hélio Oiticica.
Música, corpo, cores e imagens passaram a ser símbolos de manifesto neste movimento inserido em uma cultura de esquerda que vivia sob a condução de um governo ditatorial de direita. Celso Favaretto (1979, p. 30) considera que a Tropicália representou uma abertura cultural em um sentido amplo, trazendo uma resposta desconcertante à questão das relações entre arte e política.
Segundo Melo (2006. p. 45), tomando como exemplo a capa de Jânio de Freitas para o disco Opinião de Nara e da capa de Carlos Prósperi para O fino do fino de Elis Regina e Zimbo Trio, pode-se dizer que a MPB fez uma opção pela linguagem modernista, através do pouco uso de cores, da tipografia sem serifa e letras minúsculas, dos diagramas das composições e até uma referência bauhausiana; já o Tropicalismo apostou na vertente oposta, aderindo à vanguarda internacional e incorporando o psicodelismo e a arte pop.

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