PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino



Ciranda do aborto

O horror fisiológico de um filho abortado tem muito em comum com o risco de viver, de "experimentar o experimental" (Oiticica), a vida. Seja a vida urbana, ou a do interior de nossa sociedade feia e desencantada. Parto dessa afirmação radical para pensar o plano interditado, a esperança morta, a violência de estar vivo e ser obrigado a se defender sorrindo de nossas frustradas revoluções individuais e coletivas presentes em imanência no disco Encarnado(2014), de Juçara Marçal. 

Encarnar é tirar sarro, é avermelhar (sangrar - vermelho de Matisse), é ter um corpo, é ser no mundo. Dos primeiros versos - "Não diga que estamos morrendo / Hoje não / Pois tenho essa chaga comendo a razão" - até os derradeiros - "E o que era belo / Agora espanta / E nome dele hoje é João Carranca", a performance vocal de Juçara Marçal me confirma que Encarnado é um disco fundador, que rompe com o conforto dominical, que diz ao ouvinte que este não tem mais o direito de ser ingênuo num mundo violado e violento.

A tudo isso, uma cama sonora composta de rock sujo, ruídos, zumbidos de um mundo interno dilacerado conjuga conteúdo de verdade. Não é à toa que "Ciranda do aborto" (Kiko Dinucci) aparece plugada sonoramente à anterior "Odoya" (Juçara Marçal). A tópica do materno conecta as duas canções. Se nesta o sujeito da canção pede a bença à "mãe cujos filhos são peixes", naquela temos a mãe cobrindo o amor na mortalha. O sujeito cancional passa de filho à mãe. "A ferida se abriu / Nunca mais estancou / Pra vc se espalhar / Laceado", canta ninando o agouro da morte.

Após "Ciranda do aborto" temos "Canção pra ninar Oxum" (Douglas Germano), afinal, depois da tragédia narrada, só resta ao sujeito cancional criado por Juçara cantar: "Chora não, Oxum / De que chorar? / Sonha viu, Oxum / Sem lágrima". Este percurso - de filha à mãe, de mãe à cantora da mãe - é singularmente percebido nas gestualidades vocais - sangue, água e sal - encarnadas e deslocadas por Juçara. Ou seja, cada sujeito-personagem tem alma própria, almas vindas de uma mesma voz urdida na experiência de quem tem uma carreira de mais de vinte anos, desde o grupo Vésper até o Metá Metá, passando pelo grupo A BARCA. Em todos, desenvolvendo trabalhos de pesquisa e experimentação no campo vocal, investigando formas de interditar a violência via arte.

A performance vocal de Juçara restitui certa fealdade arcaica. Recriam-se as máscaras mítico-canibalísticas que foram despotencializadas no despertar do sujeito romântico. O sujeito cancional em Juçara canta aquilo que Adorno chamou de "excedente grosseiro da materialidade", ao defender que o belo vem do feio. No feio encarnado no belo, Juçara denuncia o mundo. É também Adorno que escreve que "a dialética do feio absorve também a categoria do belo em si". Essa contradição é posta sem filtros na canção "Ciranda do aborto". O belo guarda e expõe o feio. Cabe ao ouvinte desembaraçar a memória historiográfica individual e coletiva para fruir e entender a cantada, girar na ciranda.

Poderíamos ouvir "Ciranda do aborto" como uma "Canção desnaturada n.º 2". Aquilo que na canção de Chico Buarque aparece como recusa - "Tornar azeite o leite do peito que mirraste / No chão que engatinhaste, salpicar mil cacos de vidro" -, na canção de Dinucci cantada por Juçara aparece como afirmação: "Vem despedaçado / Vem, meu bem querer / Vem aqui pra fora / Vem me conhecer". Nas duas canções identificamos a renuncia ao conhecimento racional e um elogio ao canto da dor. E a ênfase na objetividade das emoções psicológicas do instante abortivo confere a "Ciranda do aborto" uma outra zona sociologicamente crítica: o compadecimento do ouvinte. Não mais a mãe tirana, e sim a mãe saudosa daquilo que ainda não veio.

"Ciranda do aborto" gera um sentimento não excitado. Pelo contrário. E vem daí a sua beleza: espantamo-nos diante daquilo que até então intuíamos como sendo belo. A aparição plasmada do abortado que conhece a não-mãe promove uma ciranda de sensações (todas) torturantes. "Assim / saudades sim / simples / como um brinco tupiniquim / um coco de roda / cirandas voltas de tu em mim", como aparece no poema "Saudades", de Amador Ribeiro Neto. No caso do sujeito cancional criado por Juçara, saudades de um não-filho: "O agouro da morte / A se revelar / A vida sem endereço / E sem lugar pra ficar".


***

Ciranda do aborto
(Kiko Dinucci)


Passa na carne a navalha
Se banha de sangue
Sorri ao chorar
Cobre o amor na mortalha
Pra ele não acordar
Sente no fel deste beijo
O agouro da morte
A se revelar
A vida sem endereço
E sem lugar pra ficar

Vem despedaçado
Vem, meu bem querer
Vem aqui pra fora
Vem me conhecer

A ferida se abriu
Nunca mais estancou
Pra vc se espalhar
Laceado
Mas o chão te engoliu
Toda a lida findou
Pra vc descansar no meu braço
No meu braço
Aos pedaços

MÚSICO LANÇA RELEITURAS DE NAÇÃO ZUMBI FEITAS COM SINTETIZADOR CONSIDERADO 'PAI' DA MÚSICA ELETRÔNICA

Carlos Trilha, tecladista do Los Sebozos Postizos, usou um sintetizador analógico dos anos 1970 para dar vida ao projeto Moogbeat
Por: Emannuel Bento 

O minimoog, versão compacta do moog, foi lançado em 1970. 

Não é preciso ter vivido os anos 1980 para ouvir sucessos de bandas como Depeche Mode, Eurythmics e New Order e ser transportado diretamente para os clubes noturnos daquela época. Por trás dessas sonoridades misteriosas e envolventes, havia um importante artefato para a cultura pop: o minimoog - sintetizador analógico considerado "pai" da música eletrônica como conhecemos hoje. 

O tecladista Carlos Trilha sempre foi fascinado pelo instrumento. Tornou-se tão íntimo das batidas retrôs que resolveu lançar um álbum recriando faixas da Nação Zumbi com o sintetizador. Trilha, por sinal, é integrante da banda Los Sebozos Postizos, projeto paralelo da Nação, com música de Jorge Ben Jor.

Moogbeat: Nação Zumbi para Minimoog, disponível nas plataformas digitais, apresenta nove faixas do grupo pernambucano, incluindo clássicos como Meu maracatu pesa uma tonelada, Quando a maré encher, Blunt of Judah e Futura.Nos dedos fluídos do catarinense, que já trabalhou com Legião Urbana, Marisa Monte e Erasmo Carlos, os clássicos do manguebeat ganharam uma roupagem inédita e nostálgica, soando como sucessos dos primórdios da música eletrônica ou até mesmo trilhas sonoras de filmes de ficção científica dos anos 1970-1980.


“No universo da música, o grande trunfo do minimoog foi poder criar sons que são impossíveis de serem realizados acusticamente. É um instrumento com possibilidades infinitas, mas com a limitação de fazer apenas um único som de cada vez”, explica Carlos Trilha, em entrevista ao Viver. “Todo tecladista ligado em síntese sonha possuir um, porém é muito difícil de encontrá-lo à venda e ainda funcionando".

O projeto com as canções da Nação Zumbi nasceu a partir da amizade que o tecladista construiu com os membros do grupo. O pontapé foi a música Meu maracatu pesa uma tonelada. “Fui totalmente fisgado pelo som e pensei: 'Esses graves no moog seriam um terremoto'.”

Para realizar a "tradução eletromagnética", Carlos teve que identificar cada elemento dentro do turbilhão sonoro do manguebeat, reproduzindo-os manualmente no minimoog. Um verdadeiro desafio: só para finalizar Meu maracatu, foram dois meses. “Fiz tudo em segredo. Quando terminei, percebi que havia surgido algo novo e artisticamente interessante. Uma decodificação em síntese analógica do maracatu, do peso das alfaias”, avalia.


O resultado também agradou Pupillo, baterista que foi o primeiro integrante da Nação a ouvir o trabalho. "Ele me chamou de ‘doido’ e sugeriu que eu desenvolvesse um álbum inteiro neste formato", relembra Carlos. As outras faixas foram escolhidas de forma um tanto aleatória, de acordo com temas, sonoridades ou simplesmente pelo desafio, como no caso de Quando a maré encher.

Para Pupillo, o projeto de Carlos soa como um álbum lançado por Walter Carlos entre o final dos anos 1960 e os anos 1980: "Ele remonta esse quebra-cabeça com maestria e a sensibilidade de quem enxerga o possível e eficaz diálogo entre a raiz africana da Nação Zumbi e esse instrumento, com sonoridade atemporal e possibilidades infinitas", elogia.

Para divulgar o Moogbeat, Trilha prepara um show batizado de Concerto para sintetizadores. Armado com um "cockpit" de sintetizadores, sequencers e drummachines, irá apresentar releituras da Nação Zumbi e versões retrô-futuristas de Vangelis, Heitor Villa-Lobos, Jean Michel Jarre, Carlos Gomes e Kraftwerk.


PILARES

Embora o trabalho do músico desperte curiosidade por criatividade e ousadia, a música eletrônica já era um dos pilares do manguebeat difundido por Chico Science e Fred 04, juntamente com o maracatu, o rock e o hip hop. O álbum de Carlos reacende como a versatilidade do sintetizador foi (e ainda é) importante para esse movimento - e tantos outros gêneros ao redor do mundo. Confirma que o cosmopolitismo musical não tem barreiras geográficas ou temporais.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

PAUTA MUSICAL: ABEL FERREIRA E ADEMILDE FONSECA

Por Laura Macedo


Ademilde Fonseca e Abel Ferreira no palco do Teatro Dulcina, na abertura da turnê dos dois pelo Projeto Pixinguinha, em 1977.


Na temporada do Projeto Pixinguinha de 1977, dupla de grandes chorões – Abel Ferreira nos sopros, Ademilde Fonseca na voz – apresentaram clássicos de Pixinguinha, Waldir Azevedo, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, entre outros. Das treze duplas de 1977, só aquela – formada pelo grande clarinetista mineiro e pela intérprete potiguar de canto ligeiro – era inteiramente dedicada ao gênero que consagrou o patrono do projeto. Post completo, aqui.


Confiram algumas das mais de vinte músicas apresentadas no show.

“Saxofone por que choras?” (Ratinho - [Severino Rangel de Carvalho]) # Abel Ferreira.

“Choro chorão” (Martinho da Vila) # Ademilde Fonseca.

CHICO BUARQUE (1967)

domingo, 16 de setembro de 2018

O ESCRITOR BRÁULIO DE CASTRO

Além da composição, Bráulio de Castro dedica-se também ao universo literário a partir da narração de contextos que o remete também a todo o universo que influencia a sua obra

Por Bruno Negromonte


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Se existe uma área do conhecimento humano que possui natureza transcendental, esta é a da música e da literatura. No entanto dominar a arte de nos fazer viajar tanto na música quanto nos livros de maneira rica,  interessante e proveitosa é um domínio para poucos como é o caso de nomes como o do Vinicius de Moraes (poeta de marca maior que eternizou-se por sua marcante incursão em ambos contextos), Chico Buarque (que alterna o lançamento de seus álbuns com os seus livros já há algum tempo), Paulo César Pinheiro (autor de mais de 1000 canções e responsável pela publicação de livros como "Pontal do Pilar" (2009), "Matinta, o bruxo" (2011) entre outros), Aldir Blanc (compositor de clássicos imortalizados nas vozes de alguns dos maiores intérpretes de nossa música e autor de diversos livros em mais de duas décadas dedicadas à literatura) entre outros. Como se pode ver, imergir no universo literário a partir da música requer alguns pré-requisitos fundamentais, dentre eles, a intrínseca relação com as palavras e um apuro estético para além do comum. Por isso muitos se aventuram nesse adverso universo (uma vez que o brasileiro lê, em média, apenas quatro livros por ano, 44% dos brasileiros não tem o hábito de ler, e 30% nunca compraram um livro segundo a última pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, encomendada pelo Instituto Pró-Livro e divulgada em 2016), mas poucos são os que se firmam ou passam da primeira experiência literária no mercado editorial mesmo havendo uma linha tênue que muitas vezes parece deixar de existir entre as duas artes. E é nesse contexto que mais uma vez se faz presente o nomes desse autor ao se aventurar para além da canção, buscando mostrar peculiaridades e suas experiências a partir também de uma produção literária que já conta com três  títulos e outros em mente. 

Não se vê outro caso de amor entre um filho e o seu torrão dentro do contexto cultural nacional. Como é possível perceber, para Bráulio não basta atender a expectativa daqueles que acompanham a sua carreira enquanto compositor e valorizador das peculiaridades existentes em sua terra. Se de um lado o autor de canções e melodias busca atende aos anseios poéticos e sonoros daqueles que atentam-se aos versos e melodias de uma canção, do outro o compositor não esqueceu de desdobra-se para atender também a um público mais específico, composto por aqueles que não abrem mão de um bom livro e por seguinte uma boa leitura. Na literatura faz-se também bastante evidente a sua paixão por Bom Jardim, suas características e personagens; mas ele não esquece da capital pernambucana, cidade a qual foi adotado ainda na adolescência para dar continuidade aos seus estudos. Até agora são três títulos lançados por intermédio da Editora Bagaço: "No tempo da pândega e do deboche", "Arrancaram os olhinhos do cavalo e outras estórias "eplopéticas"" e "Vamos lá dentro! (No tempo da bacia d'água)".


O primeiro ("No tempo da pândega e do deboche"), publicado em 2011 apresenta cerca de 30 canções em homenagem a cidade de Bom Jardim cerca de 350 histórias protagonizada por boa parte dos antigos moradores dessa cidade cantada em verso e prosa por este apaixonado bonjardinense. Com uma memória invejável, Bráulio conta em riqueza de detalhes alguns "causos" ora vivenciado por ele, ora relatado por amigos com nomes  pra lá de inusitados como são os casos de Biu do boi, Café cheiroso, Zé Castigo, Maria Paca, Zé Gaião, Zé Pitota, Ximbute, Treme treme, Ponche, Zé fugido entre outros protagonizam algumas das mais excêntricas histórias tão comuns em uma época onde as pessoas tinham restritos meios de diversão. Um livro que traz subentendido através de cada personagem ou história um fragmento de saudade de um tempo que não volta mais (mesmo as histórias sendo hilárias) e traz consigo uma relevância para além de literária para o município. A título de importância, "No tempo da pândega e do debochesem sombra de dúvidas vem a ser não simplesmente um despretensioso apanhado de histórias de moradores de uma cidade interiorana, mas um registro historiográfico que sob o prisma do humor eterniza a cidade de Bom Jardim também no universo literário reendossando a importância do autor quando se é destacado aqueles artistas que costumam registrar o seu amor por seu torrão a partir da arte seja ela de que modo for.

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Já "Arrancaram os olhinhos do cavalo e outras estórias "eplopéticas", de 2013, segue a linha do primeiro relembrando "causos" diversos ocorridos em Bom Jardim. Nele os pitorescos personagens do torrão natal do autor voltam a ganhar destaque em cerca de 190 pequenas histórias pitorescas que vão desde a narrativa de que um dos conterrâneos do autor viajou para Miami e sem ter domínio da língua chegou ao setor de imigração e ouviu a frase: "I need your passport" (eu preciso do seu passaporte) e com medo de ser mandado de volta ao Brasil e sem saber o que responder disse: "Ah! conheço muito o seu Mané pote, mas infelizmente ele faleceu!" até a explicação dos nomes de alguns pontos mais frequentados pela Mobile (formada por músicos e bôemios da cidade) a exemplo do Espera tapa. É um livro que dá continuidade as histórias rememoradas por esse magistral autor que não restringe o amor pelo seu berço em apenas de canções e melodias, mas estende esse rico mosaico e provinciano ao campo da literatura para desse modo ratificar ainda mais a importância de uma obra que tem por um dos seus principais alicerces esse descomunal (e desvalorizado por muitos) amor por seu torrão.

Em "Vamos lá dentro! (No tempo da bacia d'água)", lançado em 2015, o autor retrata um Recife que existe apenas na memória dos saudosos boêmios que tiveram a oportunidade de viver esse tempo. Um cenário onde a promiscuidade existente à época não passava de um detalhe, pois as histórias e personagens valiam muito mais. O livro relembra estórias e histórias diversas a partir de figuras cujo nomes não poderiam ser mais pitorescos e porque não engraçados. Com uma linguagem pra lá de coloquial o autor faz uma saudosa retrospectiva de um tempo onde o lirismo e a boemia não davam vez a exacerbada violência existente nos dias de hoje. Um tempo onde era possível encontrar em meio aos habitués da vida noturna do baixo meretrício do Recife figuras que marcaram a história da cidade como Ivo Alves da Silva, o Lolita, uma das maiores lendas urbanas do país, sem contar os grandes personagens da música popular brasileira como era o caso de nomes como Silvio CaldasExpedido Baracho, Jackson do Pandeiro e Inaldo Vilarin. Trata-se de um verdadeiro e  original enredo a ser explorado, por exemplo, pelos diretores teatrais, uma vez que quase todas as passagens são intercaladas com composições contextualizadas com o tema. O livro acompanha um CD composto por doze faixas que dentre as estórias presentes estão lá suas letras e um emocionante depoimento do autor ao final do livro. Bráulio em pleno século XXI consegue viajar no tempo e rever em cada detalhe presente no Recife de hoje aquilo que vivenciou outrora de modo saudosista e poético, relembrando os grandes potassa época como Carlos Penna Filho encerrando um livro que traz por narrativa um contexto tão prosaico, de uma maneira emocionalmente lírica.

Ciente que há também bastante dificuldade nesse campo (uma vez que é cada mais perceptível que o hábito de ler tem perdido espaço para TV e diversões on-line), Bráulio não se detém as dificuldades existentes e mergulha no campo literário com a mesma competência que bem conhecemos na música, e de modo despretensioso mostra-se capaz de destacar-se também como um cronista perspicaz, que tem a capacidade de nos remeter enquanto leitor, a uma época (seja em Bom Jardim ou nas ruas do Recife) que não volta mais. Sem contar que os personagens existentes em seus relatos tornam-se próximos a nós, leitores (quem não acaba se afeiçoando a nomes como o de Zé Gomim?), e os cenários por ele descrito acaba nos parecendo tão familiar quanto os cômodos de nossa casa. Trata-se de registros literários carregados de peculiaridades capazes de tornar qualquer uma das obras em riquíssimas esquetes. Enfim... Bráulio de Castro acaba por endossar que é válida a discutida conquista do Nobel de literatura pelo cantor e compositor Bob Dylan, pois a música e a literatura estão intrinsecamente interligadas nessa sociedade contemporânea em que todos os gêneros tornam-se híbridos prevalecendo as mais distintas características. 







NOTÍCIAS MUSICAIS

sábado, 15 de setembro de 2018

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior


OS CLÁSSICOS E ERUDITOS DE NOSSA REGIÃO – INALDO MOREIRA
Inaldo Moreira


Falecido em 2017, aos 79 anos, o artista estava internado devido a um acidente doméstico, e faleceu após um quadro de infecção.

Inaldo iniciou sua formação musical aos 12 anos, estudando clarinete.

Com doutorado na França, foi professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas nunca abandou o gosto pela música.

Após a aposentadoria, na década de 1990, ele passou a compor com muita frequência, criando mais de 400 obras, entre frevos, choros, valsas e arranjos sinfônicos.


Helielton Nascismento – Inaldo Moreira – Iris e su Tromba Chorona


O flautista Lucas Tiné, que conheceu o compositor nos corredores do Conservatório Pernambucano de Música, instituição que frequentava, embora não fosse professor de lá, lamentou o falecimento. “Ele era uma pessoa incrível, sempre animado, apresentando os discos que ele produzia sem patrocínio. Tenho certeza que só levarei lembranças boas dele”, declara o músico.

Com mais de 15 discos lançados de forma independente, Inaldo teve composições gravadas por nomes como Maestro Spok, Fernando Müller e Coral Edgard Moraes, além de vários blocos carnavalescos. No terraço de sua casa, no bairro do Cordeiro, ele criou a Praça do Choro.


No espaço, recebia diversos representantes do gênero musical em saraus esporádicos. Inaldo deixou três filhos: o jornalista Iúri Moreira e as musicistas Maíra e Moema Macêdo, que são irmãs gêmeas e fazem doutorado em Música em Portugal.

CURIOSIDADES DA MPB

Um dos fundadores da escola de samba Mangueira, a ligação de Cartola com o Carnaval pode ter vindo antes do berço, já na gestação. Passados os festejos daquele ano, sua mãe Aída Gomes de Oliveira descobriu que estava grávida. Ainda garoto, Angenor frequentava com o avô os ranchos, espécie de blocos carnavalescos do começo do século 20.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CANÇÕES DE XICO


HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS

Música integrante do FORROBOXOTE 9 – CANDEEIROS E NEONS, com a sempre competente interpretação de Irah Caldeira. É uma parceria com Maria Dapaz, minha parceira mais freqüente. O início da música nos remete ao passado, ao reproduzir mensagem ‘radiofônica’ com a chiadeira típica das antigas amplificadoras (difusoras) do interior. Assim foi por ser a faixa 1 do disco que, em seu contexto geral, procura estabelecer um paralelo musical entre o antigo e o moderno, como seu próprio título sugere.


CORES DA ALEGRIA
Xico Bizerra e Maria Dapaz

eu bem que tentei derramar sobre mim as tintas da alegria,
colorir o meu dia com u’a cor bonita que já não se faz
se fazia outrora, em outros verões, gigantes-anões ofereciam telas
festival de dedos vadios a pintar todas as aquarelas

e os pincéis, que já mortos não servem,
não conseguem e nem podem entender o preto e branco desse entardecer
que é da luz? já se foi, já não é
e o escuro assumiu seu lugar
só me resta dormir e sonhar lindos sonhos de cor

dê-me lápis, tintas e pincéis, tenho as mãos, só se foram os anéis
minha vida, eu sei, hei de colorir
os papéis, as telas, as paredes terão cor
a matar-me a sede e a fome de liberdade que insiste existir

PROGRAME-SE

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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*



"Samba do carnaval de 1951, matriz S-60. Lembrando sempre que a Capitol era uma gravadora norte-americana então representada pela Sinter, lançadora desse disco." (Samuel Machado Filho)



Canção: Vida vazia

Composição: Paulo Marques - Arlindo Borges

Intérprete - Heleninha Costa

Ano - Dezembro de 1950.

Disco - Capitol 00-00.026-B



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

NOVO FILME SOBRA WILSON SIMONAL (TRAILER)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

PROGRAME-SE

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MARIA BETHÂNIA E ZECA PAGODINHO VOLTAM A BRASÍLIA EM NOVEMBRO

Os intérpretes retornam ao palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães após sucesso da última passagem pela cidade, em maio deste ano



Realizada em maio deste ano, a bem-sucedida turnê De Santo Amaro à Xerém, de Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, volta a rodar o país. Brasília irá receber novamente o espetáculo em 24 de novembro, às 21h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Depois da estreia na capital federal, a tour seguirá para Porto Alegre (28/11), Rio de Janeiro (30/11 e 1/12), São Paulo 8/12) e Salvador (26/1).

Na primeira apresentação, os ingressos esgotaram em tempo recorde. Desta vez, os fãs terão a oportunidade de garantir convite antecipado com 50% de desconto na pré-venda exclusiva on-line, a partir desta sexta (17/8) até segunda (20/8) – mediante código informado no site www.ohartes.com.br. A partir da próxima terça-feira (21/8), as entradas poderão ser adquiridas também na loja da Eventim, localizada no Brasilia Shopping (Asa Norte).


O repertório é assinado pelos dois artistas conta com clássicos do cancioneiro popular, como Negue (Adelino Moreira), Reconvexo (Caetaneo Veloso), Maneiras (Sylvio da Silva) e Verdade (Nelson Rufino/Carlinhos Santana).
Maria Bethânia e Zeca Pagodinho – De Santo Amaro à Xerém
Dia 24 de novembro, às 21h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Os ingressos variam entre R$ 150 (poltrona superior) e R$ 400 (front gold). Valores referentes à meia-entrada e sujeitos a alterações sem aviso prévio. À venda pelo site www.eventim.com.br. Informações: (61) 4003-6860. Não recomendado para menores de 14 anos


Fonte: metropoles

terça-feira, 11 de setembro de 2018

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*



Barulho feio

Os versos "Por seres tão inventivo / E pareceres contínuo", de Caetano Veloso soam para mim como síntese da audição do disco Barulho feio(2014), de Rômulo Fróes. Mas penso também no conto “Ideais do canário”, de Machado de Assis. Primeiro porque a certa altura Rômulo faz uma referência direta a uma "gaiola de ouro, canário sem choro (...) Vida sem gosto, não te quero mais / Mas os animais, lambem meu rosto". Segundo porque nesse conto temos tanto o discurso do narrador, que só aparece diretamente em contato com o leitor no primeiro parágrafo, já que ele empresta a voz da narrativa, numa consciente falsa tentativa de capturar o real, ao seu protagonista; quanto a narrativa em si, o relato de Macedo a cerca dos acontecimentos que lhe fizeram se tornar “todo canário”. Algo muito próximo do gesto do sujeito-flaneur criado por Rômulo.
Os dois planos se entrecruzam para a textura do texto. Assim também acontece nas canções desse disco. O fio narrativo da "vida real" - o som direto capturado nas ruas de São Paulo - é significado qual colar de pérolas que as canções são. A "vida real" permite a Rômulo a criação de uma narrativa complexa, fragmentada, mas melódica, tanto pela entrada e saída de foco das vozes das ruas, quanto pelo encadeamento das canções-adornos.
A semelhança com o discurso do canário de Machado é pertinente, ou seja, a arte e os acontecimentos cotidianos surgem como uma perspectivação da realidade. O canário lembra à personagem Macedo, e ao leitor, que o mundo é uma criação do homem, assim como os sujeitos das canções lembram ao ouvinte que os acontecimentos são invenções, ficções. “Fora daí (da loja do belchior, da canção, da ficção), tudo é ilusão e mentira”, escreveria Machado. "Mente pra mim, mas não mente pra mim / Me diz a verdade, fica à vontade", canta Rômulo. Cantando, o cancionista rearranja o real.
Ao longo de “Ideias de canário” o narrador cria a ilusão de que quem está narrando é Macedo: “disse ele”, pontua no segundo parágrafo. Porém, o conto é, de fato um “resumo da narração” de Macedo, como está destacado já no primeiro parágrafo. Ora, não é outro o gesto de Rômulo Fróes ao sugerir que quem está cantando é a rua e suas personagens "anônimas". O sujeito-flaneur criado por Rômulo é metonímia do próprio ouvinte contemporâneo de canção, que tem suas audições em aparelhos móveis interferidas pelos diversos sons da cidade ao redor.
O sujeito-flaneur ouve as ruas porque sabe que o acaso mostra novas trilhas. E a rua, por sua vez, participa das canções reivindicando para si a origem da palavra cantada. Desse plano, os referentes devem ser buscados dentro da própria textura do disco. Destaco aqui a canção que dá nome ao trabalho: "Barulho feio", de Rômulo Fróes e Nuno Ramos.
A canção demora a entrar, está engasgada, há um "barulho feio" interferindo. Um ruído que parece ser o som de um microfone roçando um tecido. Entra o violão e em seguida a voz. Montando a base cancional. Mas aos poucos entram em cena também outros sons: o baixo acústico de Marcelo Cabral e a guitarra de Guilherme Held. E o barulho não desaparece por completo, apenas está fora do foco, ou foi incorporado, ou tornou-se naturalizado dentro da canção.
Esse jogo de protagonismo e coadjuvância entre a canção assobiável e o barulho atravessa o disco. É o motor da obra. Sons que se acumulam e se dispersam, como as vozes de uma metrópole. Essas vozes ocupam os espaços deixados pela ausência da voz do cantor. E vice versa. “Mas atenção, escuta o rádio / Minha canção vai acender teu silêncio como um raio”, diz o sujeito de "Como um raio", outra canção de Romulo Fróes e Nuno Ramos presente no disco. Desse modo, podemos dizer que não há diferenciação nítida das instâncias rua e canção. Uma está e é na outra.
Essa busca de beleza, ou de harmonia na dissonância é o estímulo dos sujeitos cancionais. Ao final, a canção devolve o protagonismo às ruas. Ouvimos o que parece ser uma manifestação, restos de um depoimento exaltado - "Eu já tô de saco cheio" - como a referendar e ratificar aquilo que o sujeito da canção acabou de dizer: "Ninguém cantará, ninguém vai chorar / Por mim". Antes disso, o sujeito canta apontando de onde vem a canção: "Taí meu gogó, é só pra você / Me pega aqui dentro, você vem no vento / Não quero você, invento você / Tô cheia de ódio, quebrei o agogô / Criei a serpente, furei o meu bumbo / Porém lá no fundo, ouvi de repente / Toda essa gente".
Ouvir gente é exercício de quem canta. Para capturar nos modos da palavra falada os elementos de formação e invenção da palavra cantada. O som das ruas também é manipulado a serviço do estético. "Quero você, invento você", canta o sujeito. Artista inventivo, Rômulo Fróes trabalha forçando os limites da canção. Seu trabalho como cancionista vai se caracterizando pela diversidade de técnicas e procedimentos. Mas é sobretudo nas combinações intrigantes e acumulativas de materiais sonoros que reside a ética de sua obra.Canário e urubu.
Barulho feio é um disco que equilibra invenção e tradição, afirmando, como fez Gal Costa ao cantar que "o autotune não basta pra fazer o canto andar pelos caminhos que levam à grande beleza", que "barulho feio tem gente no meio". O resultado parece sempre ser um ensaio geral do gesto em direção à potência-ó.


***

Barulho feio
(Romulo Fróes / Nuno Ramos)

Barulho feio, tem gente no meio
De ponta cabeça, a minha cabeça
Bicho sem dono, sofro sem sono
Cadê todo mundo? Será que no fundo?
Gaiola de ouro, canário sem choro
Dentro do quarto, pássaro preto
Vida sem gosto, não te quero mais 
Mas os animais, lambem meu rosto
Mente pra mim, mas não mente pra mim
Me diz a verdade, fica à vontade 
Pele de cobra, coxa de atriz
Fui infeliz, sou eu quem te diz
Ninguém cantará, ninguém sofrerá
Ninguém pintará, nem publicará
Ninguém filmará, ressuscitará
Ninguém sambará, ninguém lembrará
De mim
Láialáialáialáia...

Tomo o metrô, tô no shopping sem dó
Taí meu gogó, é só pra você
Me pega aqui dentro, você vem no vento
Não quero você, invento você
Tô cheia de ódio, quebrei o agogô
Criei a serpente, furei o meu bumbo
Porém lá no fundo, ouvi de repente
Toda essa gente, laialalaiá
Um cara de sorte, quem é que me morde
Pessoa esquisita, frase esquisita
Amor sem futuro, por isso ele é puro
Tô dentro dum corpo, procuro outro corpo
Meu corpo é jardim, um sol só pra mim
Na veia da noite, no umbigo da noite
Carícia total, um cara legal
Ninguém cantará, ninguém vai chorar
Por mim
Láialáialáialáia...


* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

ONDE ESTÁ VOCÊ, JOÃO GILBERTO?

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

PAUTA MUSICAL: RECADO EM PROSA

Por Laura Macedo


Ruy Castro


Se estivesse vivo - e, nesse caso, estaria com 85 anos-, Tom Jobim teria sido recebido com clarins nos salões do Riocentro, na abertura da conferência Rio+20. Não por ser o autor de "Corcovado", "Chovendo na Roseira", "Águas de Março", "Borzeguim", "O Boto" e muitos outros sambas que celebram a conservação da natureza. Ou não apenas por isso. Mas por ser um porta-voz da ecologia, desde a época em que, no Brasil, essa palavra tinha de ser procurada no dicionário.

Na maioria das entrevistas que concedeu, Tom sempre denunciou a destruição da mata e da fauna, a contaminação dos rios, lagoas e baías, o envenenamento do ar e a descaracterização das cidades pelo automóvel e pela política de terra arrasada da especulação imobiliária. Era quase uma ideia fixa, mais até do que a música - sobre a qual, aliás, pouco falava para jornalistas.

De repente, entre duas frases, Tom desfiava os nomes das diversas espécies de urubu. Ou se queixava:

"Outro dia fui ao mato piar um inhambu, e o que saiu de trás da moita foi um Volkswagen". Ou, como num passeio que fiz com ele pelo Central Park, em Nova York, em 1989 - parecia saber identificar pelo nome cada passarinho americano. Mas a paixão pelo Brasil é que era sua seiva criativa: "Toda a minha obra é inspirada na mata atlântica".

Conto isso para contrastar com a brutalidade com que Tom era visto nas redações em que trabalhei, no Rio e em SP, durante os anos 70 e boa parte dos 80. Era visto como um chato. "Ih, lá vem de novo o Tom Jobim com aquela mania de ecologia." Ou, diante de minhas repetidas sugestões de uma entrevista com ele, para uma revista que se orgulhava de suas entrevistas: "Não! Tom Jobim é a coisa mais rançosa que existe!".

Ainda não percebíamos que ele estava dando em prosa o mesmo recado que dava nas canções.

GRAMMY LATINO HOMENAGEIA ERASMO CARLOS

Cantor brasileiro recebe o Prêmio à Excelência Musical na 19ª Entrega Anual do Grammy Latino, em novembro




O cantor brasileiro Erasmo Carlos está entre os selecionados pela Academia Latina da Gravação para receber o Prêmio à Excelência Musical. A trajetória do músico será homenageada ao lado de outros nomes latinos, como o dominicano Wilfrido Vargas, o cubano Chucho Valdés, o espanhol Dyango, o porto-riquenho Andy Montañez e a mexicana Yuri. A premiação do Grammy Latino e a entrega dos prêmios será em 13 de novembro, em Las Vegas.

"O grupo que estamos homenageando em 2018 prestou importantes contribuições à música ibero-americana, trazendo inovação e suas visões únicas para os amantes da música", explica Gabriel Abaroa Jr., Presidente da Academia Latina da Gravação, em nota oficial.

O prêmio é entregue aos artistas que contribuem com as obras de grande significância à música latina. Já o Prêmio da Junta Diretiva, que premiará Horacio Malvicino e Tomás Muñóz, é dado por meio de votação dos membros do Conselho de Diretores da Academia Latina da Gravação.


Fonte: Correio Braziliense 

domingo, 9 de setembro de 2018

10 ANOS SEM CAYMMI

A AVANÇADÍSSIMA CANTORA E COMPOSITORA DOLORES DURAN POR SEU BIÓGRAFO, RODRIGO FAOUR






No vídeo de hoje, Rodrigo Faour mostra seu lado como escritor (biógrafo) através de seu livro “Dolores Duran - A noite e as canções de uma mulher fascinante" (Ed. Record). Como o nome do livro já diz, a obra fala sobre a vida da grande cantora e compositora brasileira Dolores Duran, a rainha da noite.

Decupando a vida da cantora, que veio a se tornar a uma das compositoras mais importantes da música brasileira, assim como Chiquinha Gonzaga, Faour descreve desde a infância de Duran, quando decidiu parar de estudar para se dedicar ao teatro, até seu interesse em aprender diversas línguas, principalmente o Inglês e o Francês, tornando-se assim, uma figura importante na interpretação de canções internacionais, o que era escasso e raro na época. 

Duran foi uma mulher a frente do seu tempo, vivia nas boates e na vida noturna, namorava sem se deixar enraizar – porém florescia em diversos corações –, cantava e compunha canções em uma época em que o meio era totalmente dominado pela caligrafia masculina. 

Infelizmente, Adiléia Silva da Rocha permaneceu em um curto espaço de tempo entre nós, aos 29 anos um enfarto fulminante a levou. A consagrada artista é uma das compositoras mais gravadas atualmente, suas letras marcantes foram um estouro, como “Castigo” e, além de compor brilhantemente sozinha, também deixou clássicos com mais de 100 músicas em parceria com Tom Jobim e com o grande pianista Ribamar.

“Se é Por Falta de Adeus”, Rodrigo Faour traz a “Canção da Volta” na voz de Dolores Duran. Somente “Por Causa de Você”, ele mostra em seu vídeo, um pouco do DVD produzido e editado por ele com ilustrações musicais de grandes nomes da MPB presentes no show “Duas Noites para Dolores Duran”. Rememore os grandes momentos dos anos 50 no vídeo abaixo!!



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