PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

PAUTA MUSICAL: O SAMBA CARIOCA DE WILSON BATISTA

Por Laura Macedo 


O Samba Carioca de Wilson Baptista é composto de dois discos.


No primeiro desfila um super time de intérpretes, por ordem alfabética, Céu, Cristina Buarque, Elza Soares, Marcos Sacramento, Mart’nália, Nina Becker, Roberto Silva, Rosa Passos, Samba de Fato, Tantinho da Mangueira, Teresa Cristina, Wilson das Neves e Zélia Duncan. Esse time interpreta 29 composições de Wilson, 7 delas inéditas em disco e 19 nunca antes regravadas. 

O segundo contém a trilha sonora do musical “O samba carioca de Wilson Baptista” (vencedor do Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura do Rio de Janeiro em 2010), um “cabaré-documentário” em que os atores/cantores Claudia Ventura e Rodrigo Alzuguir interpretam passagens da vida do compositor, personagens criados por ele e todos aqueles sucessos que não podem faltar. 

O encarte do CD é primoroso. Vale a pena adquirir. Enquanto isso não acontece, curtam algumas faixas. 



DISCO 1 - 20 faixas

“Não sei dar adeus” (Wilson Baptista / Ataulfo Alves) # Marcos Sacramento.

É inexplicável essa beleza de Wilson e Ataulfo não ter tido nenhuma regravação desde seu lançamento em disco, por Déo, há 72 anos. Mas nunca é tarde!

“Nelson Cavaquinho” (Wilson Baptista / Manoel Pereira de Andrade) # Teresa Cristina 

Wilson Baptista adorava encontrar o colega Nelson Cavaquinho nas madrugadas boêmias do centro do Rio. Manoel Cartaz, alfaiate e grande amigo de Wilson, “também toma parte nos salgadinhos” dessa marcha-rancho inédita, composta na década de 1960, que Teresa lança agora em disco.

“Vedete” (Wilson Baptista / Jorge de Castro) / “Felicíssimo (Wilson Baptista / Alberto Jesus) / “Vagabundo” (Wilson Baptista / Jorge de Castro) # Roberto Silva. 

Em seus mais de 70 anos de carreira, Roberto (Napoleão) Silva, o Príncipe do Samba, lançou vários sucessos de Wilson. Aqui ele dá lição de vida, regravando, aos 90 anos de idade, três raridades lançadas por ele em disco nos anos de 1955, 52 e 57 (pela ordem acima). Viva o Príncipe!


Sobre o DISCO 2 – 24 faixas

A obra de Wilson Baptista é peculiar em muitos aspectos, mas dois deles me fizeram sonhar em levá-la para o palco. 

1- Wilson compôs sobre o que viveu. Vida e obra em irmandade absoluta. Podemos biografá-lo através de sua música, num “audiorretrato” sob medida para seus dramas, aventuras e sucessos. 

2- Sua obra é uma coleção deliciosa de personagens, crônicas e situações. Músicas como “Acertei no milhar”, “Oh, seu Oscar!”, “Papai não vai” e “Diagnóstico”, para citar apenas uma ou outra, são cenas completas, quase minioperetas, com diálogos e tipos prontos para ganhar a ribalta. Daí os depois viés do roteiro: o perfil biográfico de Wilson Baptista e as cenas ficcionais. 

Alinhavar um espetáculo musical a partir dessa matéria prima foi uma honra e uma escola para mim. E ter Caudinha (talento, alta voltagem e coração) Ventura como colaboradora e parceira, não menos. 


No estúdio da Biscoito Fino, buscamos preservar o calor e a demonstração que Sidnei Cruz extraiu de todos no palco. O roteiro musical (com arranjo de Roberto Gnattali e Nando Duarte) foi gravado na íntegra, com os cortes, apenas de texto, que se fizeram necessários. 

Destaque para as inéditas “Transplante do coração” (em duas versões, uma cantada pelo próprio Wilson) e “La Balzacienne”. Os textos sobre Campos e Café Nice foram baseados em escritos do compositor. (Rodrigo Alzuguir). 

“Café Nice” (Wilson Baptista / Jorge de Castro / 1965) # Cláudia Ventura / Rodrigo Alzuguir.

“Transplante de coração” (Wilson Baptista – inédita) # Wilson Baptista. 

Foi com o trágico “Transplante de coração” que Wilson Baptista tentou participar da 1ª Bienal do Samba, 1968. A gravação enviada para o concurso (inutilmente, pois o prazo de inscrição havia terminado) está na faixa 23 do Disco 2. 

É o próprio Wilson cantando, semanas antes de sua morte. Um transplante de coração seria a única solução para o compositor, que sofria de problemas cardíacos e faleceu em julho do mesmo ano.

“Meu mundo é hoje” (Wilson Baptista / José Baptista / 1966) / “Mundo de zinco” (Wilson Baptista / Antônio Nássara / 1952) # Cláudia Ventura / Rodrigo Alzuguir.




E aí, gostaram do aperitivo? No site da Biscoito Fino o CD Duplo “O Samba Carioca de Wilson Baptista", com 44 faixas e mais de 80 músicas, está esgotado. Outras fornadas sairão, com certeza. 

A gravadora Biscoito Fino acaba de lançar nova fornada do CD "O Samba Carioca de Wilson Baptista". Agradeço ao amigo Luiz Eduardo Brandão pela informação, logo no dia do aniversário do Wilson Baptista. Um duplo presente :))

EM HONRA DE SUA MAJESTADE D. IVONE LARA


Para o programa MPBambas que eu apresentava no Canal Brasil, fiz questão que a edição com D. Ivone Lara fosse gravada na quadra do Império Serrano, em Madureira, já que a escola foi gerada praticamente em sua casa. E ela foi uma de suas maiores glórias, além da primeira mulher a assinar um samba enredo (“Cinco Bailes na História do Rio”, com Silas de Oliveira e Bacalhau), em 1965. Mas sua majestade D. Ivone Lara da Costa, que nos deixou esta semana, aos 96 anos, foi muito mais. Ciente dos percalços da carreira precária de sambista trabalhou na saúde pública, com a revolucionária psiquiatra Dra. Nise da Silveira. Só aposentada, pode dedicar-se por inteiro ao samba que aprendeu, intuitiva, aos 12 anos (“Tiê, tiê” foi a primeira composição, um partido alto) e lapidou com a cantora erudita Zaíra de Oliveira (esposa do compositor do primeiro samba, Donga) e Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Heitor. Com esse alentado suporte educacional, seu talento ganhou densidade e a compositora – e melodiosa cantora – deixa um legado de calar a boca dos que confundem música popular com populismo marquetado. É hora de reouvir sua obra extraordinária, erigida só e com diversos parceiros, uma verdadeira apoteose ao samba. Alguns títulos mais notáveis: “Acreditar”, “Sonho meu”, “Alguém me avisou”, “Enredo do meu samba”, “Mas quem disse que eu te esqueço”, “Sorriso de criança”, “Agradeço a Deus”, “Samba de roda pra Salvador (Não chora meu bem)”, “Minha verdade”, “Sereia Guiomar”, “Alvorecer”, “Andei para curimá’, “Não chora neném”, “Resignação”, “Samba, minha raiz”, “Nasci para cantar e sonhar”, “Liberdade”, ‘Candeeiro da vovó”, “Axé de Ianga (Pai maior)”, “Força da imaginação”, “Tendência”.

Em tempo: quem quiser assistir à entrevista que fiz com Dona Ivone no “MPBambas”, ela será reprisada no Canal Brasil, no próximo dia 21, às 13:50. Na íntegra, ela pode ser lida no volume 1 do meu livro “MPBambas – Histórias e memórias da canção Brasileira” (Editora Kuarup, 2016). Dona Ivone vive!


SERVIÇO - MPBambas (2009) 
Direção: Darcy Bürger
Apresentador: Tárik de Souza
Sinopse: Cantora, compositora e sambista, Dona Ivone Lara pertence à nobreza da MPB. Primeira mulher a compor um samba-enredo, ela conta a Tárik a história da escola Império Serrano e de sua família de músicos.
Classificação: Livre
Gênero: Entrevista

domingo, 22 de abril de 2018

VAMOS FALAR DE DISCOS?

LEI INSTITUI DIA MUNICIPAL DA MÚSICA BREGA EM 14 DE FEVEREIRO NO RECIFE

Data foi escolhida em homenagem a Reginaldo Rossi, o eterno Rei do Brega, que nasceu nesse dia.

Por Thamires Oliveira


O Dia Municipal da Música Brega foi instituído em 14 de fevereiro, o dia do nascimento de Reginaldo Rossi (Foto: Divulgação)


Foi sancionada pelo prefeito Geraldo Julio, nesta quinta-feira (19), a lei nº 18.474/2018, que institui, no calendário oficial de eventos do município do Recife, o Dia Municipal da Música Brega, sendo comemorado no dia 14 de fevereiro. A data foi escolhida em homenagem ao cantor Reginaldo Rossi, aclamado Rei do Brega pelo público, que nasceu neste dia.

Para o vereador Wanderson Florêncio (PSC), que criou o projeto de lei, essa é mais uma vitória da valorização da cultura local. "O brega é uma música essencialmente recifense. A partir do Recife, ela se espalhou, tomou conta do Brasil e ganhou até outras vertentes, como o tecnobrega do Pará", afirma.

Além disso, o vereador acredita também que a criação dessa data estimula as próximas gerações a buscar conhecer sobre as raízes da música recifense, ajudando também a combater o preconceito contra o ritmo.

Uma das cantoras consagradas no ritmo, a cantora Michelle Melo é considerada a Madonna do brega (Foto: Divulgação)


"Apesar do preconceito ainda existente, o brega romântico é uma música que toca o coração de todas as pessoas, desde o mais pobre até o mais alto juiz. O brega não pode ficar renegado. Temos que valorizar as nossas raízes", pontua.

Para a cantora de brega Michelle Melo, a medida é uma vitória a ser comemorada e foi conquistada com muita luta. "O brega não é só um ritmo, é um movimento. Qualquer reconhecimento é mais do que merecido. Mesmo sem o apoio de gravadoras e do estado, o brega sempre se manteve vivo e está cada vez mais presente em todas as classes sociais. Faz parte da nossa cultura e temos que reconhecer e valorizar isso", pontua a rainha do brega.

"O brega sempre se manteve vivo e está cada vez mais presente em todas as classes sociais", afirma Michelle Melo

A cantora destaca ainda a importância social do movimento para o estado. "Na cena de entretenimento musical é o que mais gera renda e emprego em Pernambuco, direta e inderatamente. É um movimento que não para. Funciona de segunda a segunda", afirma.

Potiguar adotado pelo brega pernambucano, o cantor Kelvis Duran, carinhosamente intitulado o "Príncipe do Brega", celebrou a conquista para a classe artística e para os consumidores do gênero musical.

"Para mim e toda a nação bregueira, é muito importante, porque é uma música que nasceu na periferia e atravessa fronteiras, que hoje, a massa curte. É uma música forte, com um significado muito bacana. O brega é uma cultura, um sentimento, é onde você expressa da melhor forma a linguagem do nordestino", disse Kelvis.

A escolha pela data de nascimento de Reginaldo Rossi, que morreu em dezembro de 2013, é uma forma de reconhecer o pioneirismo do cantor, aponta Florêncio.

“Ele é o percussor e o grande símbolo do ritmo. Ele foi o primeiro que assumiu as características bregas. E fez isso com orgulho. Por todo o histórico dele, tudo o que ele fez pela música brega e o que ele representa, não poderíamos escolher outra data. Mas também é uma homenagem à todos os artistas que dedicam e dedicara à vida ao brega”, ressalta o vereador.

sábado, 21 de abril de 2018

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior


GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – BODOCONGÓ


Bodocongó, Campina Grande-PB


O açude de Bodocongó é um reservatório criado na cidade de Campina Grande-PB, para dar conta da escassez de água na região, vez que os açudes Novo e Velho já não supriam as necessidade da população.

Além disso, Bodoncongó fica muito distante dos antidos açudes, podendo abastecer gente que morava longe do centro da cidade.

O início de suas instalações se deu no antigo sítio Ramada. Em 1915 foi iniciada sua construção, que terminou em janeiro de 1917, sendo entregue à população.

Em seu entorno foram surgindo industrias de transformação e, por fim o bairro que recebeu esse nome, por causa do riacho.

Na década de 1950, existia um clube aquático no Açude de Bodocongó, porém ele faliu nos anos 1960.

Popularmente, o bairro foi ocupando toda a área do bairro Universitário.

Assim, Bodocongó é conhecido por ter as duas universidades públicas da cidade, bem como a Escola Técnica Redentorista.

Além do mais, há ali pelo menos 4 escolas estaduais e 2 municipais, 2 unidades básicas de saúde da família e um tradicional mercado público, a feirinha do Conjunto Severino Cabral.

O bairro possui níveis de qualidade de vida extremamente variados, sendo a parte centro-leste do bairro mais rica e próspera que o sul, norte e oeste do bairro.

Bodocongó, de Humberto Teixeira e Cícero Nunes (1966) – com Jackson do Pandeiro



Agora, na voz de Elba Ramalho, com participação de Dominguinhos.

Semana que vem, tem mais…

HAMILTON DE HOLANDA RELEMBRA O LEGADO DE JACOB DO BANDOLIM

Bandolinista vai homenagear o mestre na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza



"É preciso ter um olhar 360 graus para o choro.", declara Hamilton de Holanda, bandolinista e compositor (foto: Gustavo Marra/divulgação)A Semana Nacional do Choro chega ao fim no domingo (22). O projeto presta tributo a Jacob do Bandolim (1918-1969), o inovador compositor e instrumentista carioca que completaria 100 anos em 2018.

O bandolinista Hamilton de Holanda vai homenagear o mestre na Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, durante show com entrada franca. “Jacob inventou uma forma definitiva de tocar o instrumento. Todos os bandolinistas, antigos e atuais, bebem da fonte dele. Até fora do Brasil ele é visto como referência no universo do bandolim”, afirma.

Nesta sexta-feira (20), Hamilton vai lançar o primeiro de quatro álbuns com composições do pioneiro. Jacob 10zz traz, já no título, referência ao bandolim de 10 cordas do carioca radicado em Brasília, de 42 anos, um dos instrumentistas mais talentosos do país, além da junção de choro com jazz presente em seu trabalho.

Com esse projeto, gravado em parceria com Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e Thiago da Serrinha (percussão), Hamilton presta tributo ao músico, que admira desde a infância. “Ele é um dos artistas fundamentais na minha formação, assim como Pixinguinha. Jacob ainda mais, pois desde pequeno meu instrumento é o bandolim”, conta. Jacob 10zz chega hoje às plataformas digitais e às lojas físicas.

Hamilton de Holanda destaca a importância do legado de Jacob do Bandolim. “Precisamos ter o compromisso de lembrar e exaltar o nosso passado positivo. O reconhecimento já existe, mas a gente quer sempre mais. E estou fazendo a minha parte”, afirma.

Jacob “abrasileirou” a forma de tocar bandolim. Tornou-se um dos nomes mais importantes do choro, gênero que, segundo Hamilton de Holanda, não deve ficar relegado a homenagens saudosistas e a antigas gerações.


Jovens 

“É preciso ter um olhar 360 graus para o choro. Não é música só para pessoas mais velhas, mas para toda a família. Carinhoso (Pixinguinha-João de Barro) é cantada por jovens e crianças”, ressalta o bandolinista. “O choro adquiriu perfil de música clássica, mesmo tendo, em sua essência, o toque popular.”

Quem for ao evento de domingo, na Praça Duque de Caxias, assistirá ao show de artistas de diversos estados – como o conjunto Choro das 3, formado por irmãs paulistanas. Hamilton de Holanda subirá ao palco com o Clube do Choro de BH.

“Pretendo dar destaque às faixas de meu novo disco, mas o repertório será amplo, composto também por músicas de outros artistas”, adianta. “Pixinguinha não pode faltar, até por ser uma homenagem ao Jacob. Para Jacob, era Deus no céu e Pixinguinha na Terra”, conclui.


SEMANA NACIONAL DO CHORO

Sábado (21)
Às 15h. Com Clube do Choro de BH, Ian Coury e Izaias Almeida. Praça Diogo de Vasconcelos, Savassi

Domingo (22)
Às 9h. Minas ao luar especial. Com Hamilton de Holanda, Clube do Choro de BH, Choro das 3, Izaias Almeida, Ian Coury e Balbino. Praça Duque de Caxias, Santa Tereza
l Toda a programação tem entrada franca

sexta-feira, 20 de abril de 2018

CANÇÕES DE XICO



HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS



No nosso disco MULHERES CANTADEIRAS DE UMA NAÇÃO CHAMADA NORDESTE vi-me diante de um problema que me persegue a cada disco. Com tantos bons intérpretes é impossível contemplá-los em meus trabalhos ante a limitação física de faixas que cada CD comporta. Sempre fica de fora alguém que eu gostaria que não ficasse. No caso em destaque convidei duas grandes cantoras para interpretar a mesma música: Rosaura Muniz e Sevy Nascimento e o resultado foi muito bom, na minha opinião. Além da versão ora apresentada, a música foi também gravada pelo Trio Zabelê, de São Paulo.


MIL COLIBRIS
Xico Bizerra

quando dei fé o coração já tava amarrado
o meu juízo, prá lá de enfeitiçado
pelo teu sorris, pelo teu amor
quando dei fé o nó já tava mais que arrochado
peito cheinho, quase abarrotado
de tanto carinho, vazio de dor

quando dei fé aí vi que o caminho era sem volta
me convenci que quando a gente solta
a voz no meio do mundo é por que tá feliz
quando dei fé recolhia no infinito estrelas de prata
tava na sua janela fazendo u’a serenata
lado a lado com o coro de mil colibris

FESTIVAL GRATUITO DE JAZZ NO RECIFE REVERENCIA MÚSICA INSTRUMENTAL PERNAMBUCANA

Panela do Jazz - Festival de Música Instrumental do Poço da Panela ocorre na Zona Norte da capital no sábado (21).



Spok Quinteto encerra a programação do evento (Foto: Edson Acioli/Divulgação)



O Recife recebe, no sábado (21), a primeira edição do Panela do Jazz - Festival de Música Instrumental do Poço da Panela, que reúne atrações para reverenciar a música instrumental pernambucana. Com entrada gratuita, o evento ocorre no largo da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, na Zona Norte da capital.

O festival, que começa às 11h, conta com estantes de cervejas artesanais pernambucanas, a Feira Livre do Poço e uma praça de alimentação. O primeiro show começa às 15h30, com a Contrabanda, que recebe a participação de Wallace Seixas. Em seguida, às 17h, a Freveribe sobe ao palco.

Amaro Freitas é uma das atrações do festival (Foto: Rafael Medeiros/Divulgação)


O Panela do Jazz tem curadoria artística de Dom Angelo, que se apresenta com participação de Alex Corezzi às 18h30. O Amaro Freitas Trio toca com Henrique Albino às 20h. A apresentação do Spok Quinteto encerra o evento, a partir das 21h30.


Serviço
Panela do Jazz - Festival de Música Instrumental do Poço da Panela
Sábado (21), a partir das 11h

Programação dos shows:
15h30 - Contrabanda, com participação de Wallace Seixas
17h - Freveribe
18h30 - Dom Angelo Jazz Combo, com participação de Alex Corezzi
20h - Amaro Freitas Trio, com participação de Henrique Albino
21h30 - Spok Quinteto

Entrada gratuita


Fonte: G1 PE

quinta-feira, 19 de abril de 2018

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*



"Quarto e antepenúltimo dos seis discos que Vassourinha (Mário Ramos de Oliveira) gravou na Columbia, número 55309, lançado em dezembro de 1941 com vistas ao carnaval de 42, matrizes 476 ("Olga") e 477 ("Tá gostoso"). Vassourinha, talento precoce revelado pela Rádio Record de São Paulo, morreria cedo, aos 19 anos, de osteomielite." (Samuel Machado Filho)



Canções: Olga / Tá Gostoso

Composição: Alberto Ribeiro e Raimundo Sátiro de Mel Alberto Ribeiro e Antonio Almeida

Intérprete - Vassourinha (Mário Ramos de Oliveira)

Ano - 1941

Disco - Columbia, número 55309



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

COISINHA ESTÚPIDA (KASSIN & CLARICE FALCÃO)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A DECADÊNCIA DA MPB E A DESVALORIZAÇÃO HISTÓRICA

Por Ingrid Rabêlo 


Este artigo descreve um período que a Música Popular Brasileira – MPB, tornou-se esquecida pela introdução de novas músicas e ritmos. A MPB chegou a decadência por desvalorização econômica e por meios de autoridades que introduziam o estrangeirismo musical ao Brasil. Devido a essa situação alguns profissionais do meio artístico musical procuraram outros recursos para se manterem e deixando a música por algum tempo e outros por definitivo. Com o passar dos anos, surgiram novos nomes para dar continuidade a MPB, onde houve um declínio de desvio da sua originalidade histórica. Atualmente, a desvalorização da história brasileira vem chamando a atenção diante das músicas produzidas por novos rits, difamando a mulher em sua totalidade, e estimulando a criminalidade na sociedade. A música tem um grande papel social e um grande poder perante o povo e a favor da sociedade. Por isso, o perigo de se alimentar a esses fatos existentes. A raiz deve ser mantida e a história continuada, dentre o respeito e a fiscalização.


INTRODUÇÃO

Em meio aos anos 60 a 90, as músicas eram o espelho da alma artística, movidas por grandes reflexões, protestos, questões ambientais, romantismo, ciclo familiar, situações do dia-a-dia. As composições transmitiam emoções, mensagens, sentimentos. Era algo enriquecedor, alegre, bom para os ouvintes. Muitos músicos sofreram pela censura de suas letras musicais, pela cor de sua pele, pelo modo de se expressar, pelo estilo das vestimentas e por ser músico.

A discriminação e o racismo continuam presentes no meio artístico, a maneira que olham para os músicos, ainda não enxergam como profissionais e sim como uma pessoa que não tem se quer um futuro promissor. Porém, hoje, a sociedade enxerga estes profissionais diferenciando-os entre os mesmos, famosos e não famosos. A desvalorização da profissão artística, derrubou diversos talentos, e levantou outros, entre estes, houve a ridicularização artística. Os músicos de qualidades, perderam o espaço de escolha musical, estilos e composições, itens qualitativos que predominam uma boa sonoridade.

Estes fatos, ocorrem por algumas circunstâncias econômicas, estrangeirismo, predominação social, autoridades governamentais e etc. A realidade que vivemos é triste. A liberdade de expressão tornou-se um fator vergonhoso, onde o objetivo das músicas elaboradas, vem desmoralizando a mulher, reforçando o vandalismo, a criminalidade e desfazendo de uma sociedade e de um país rico culturalmente, musicalmente e artisticamente. Sabe-se que a música tem um poder de mover a grande massa, pessoas de diversas classes sociais e diferentes culturas ou situações, isso tudo, através dos ritmos, compassos, letras e estilos musicais.

A MPB está em total decadência. O consumismo vem prevalecendo no meio artístico, tornando o capital, o principal motivo de uma apresentação ou evento, e não mais a paixão pelo o que se faz. Assim, os profissionais passaram a investir em estudos e trabalhos fora do ramo musical por um tempo, e outros para sempre. Por que deixar o mundo preto e branco se temos diversas cores? Estes artistas, que tanto lutam por uma posição digna, são as pessoas que mexem no mundo de modo a colorir e espalhar alegria por onde tocam e cantam.

Posterior a esta crise no meio artístico, houve uma transformação, a passagem de jovens talentos, novos ritmos e investimentos. Hoje vem alcançando a sociedade através das músicas sertaneja, arrocha e funk. Este nosso ciclo tem trazido músicas compostas de letras baseadas em traições, sofrimentos, infidelidade, ostentações, pornofônias e utilizando a figura feminina como símbolo sexual e objeto de prazer, além das letras que transmite aos ouvintes ofensas, agressões e gestos pornograficos desvalorizando a mulher brasileira.

A proporção que a MPB não evolui da raiz existencial, nos faz pensar: são estas, as músicas que tenho para escutar, são estas palavras desrespeitosas que tenho para ouvir? As mulheres trabalhadoras, donas de casa, alicerce de sua família, que lutaram e lutam pela igualdade, liberdade e contra o preconceito, são estes, o retorno de suas conquistas e batalhas que devemos escutar nas rádios, internets, televisões e celulares?

Contudo apresentado, é vergonhoso o comparativo da censura sob as músicas que tanto agregavam a sociedade e a evolução cultural artística de antigamente, diante da liberdade de expressão vista nos últimos tempos, onde não há repúdio e nem legitimidade para a retirada destas canções que constrangem o povo, a conduta, a moral, a ética, as lutas, a história e a cultura brasileira, nordestina e da Bahia.

O samba, o baião, o forró, o pagode alegre saudável, a MPB, fazem parte de uma história, de vários marcos sociais, de períodos da evolução do Brasil. E por isso, devem ser mantidas por gerações, respeitadas e engrandecidas, e não esquecidas ou substituídas por novos rits populares que desmerecem o povo e sua culturalidade por difamações e negligências verbas e dançantes. A cultura brasileira por vez, precisa ser continuada a rigor da sua evolução histórica e enriquecida de conhecimentos. É importante lembrar que ao exterminar a MPB, estarão extinguindo a história de um povo e a cultura de um país chamado Brasil.


REFERÊNCIAS

CARNEVALI Guia, Flores Dissertação: “A Mineira Ruidosa” Cultura Popular e Brasilidade na Obra de Alexina de Magalhães Pinto (1870-1921). São Paulo 2009. file:///C:/Users/ingrid/Downloads/FLAVIA_GUIA_CARNEVALI.pdf.

ESQUENOZI, Rose. Professora e crítica da Rádio EBC. Com humor, rádio e música, criticavam a influência estrangeira em nossa língua. 2015. http://radios.ebc.com.br/todas-vozes/edicao/2015-03/o-radio-faz-historia-fala-sobre-o-estrangeirismo-na-musica-popular.

FLORES SABOLSWKI, Lucas Artigo 165233.html: A Desvalorização da Música Brasileira. Universidade de Caxias do Sul. Centro de Ciências da Comunicação. www.trabalhofeitos.com.

KOBYLINSKI, Diego. A Influência da Música na Sociedade. Edição Impressa. 2011. Jornal Inverta. https://inverta.org/jornal/edicao-impressa/445/cultura/a-influencia-da-musica-na-sociedade.

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

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Criolo

terça-feira, 17 de abril de 2018

AOS 97 ANOS, DONA IVONE LARA MORRE NO RIO

Por Roberta Pennafort




RIO - Uma das pedras fundamentais do samba carioca, autora de clássicos como Sonho meu e Alguém me avisou, a compositora Dona Ivone Lara morreu na segunda-feira, 16. Ela tinha completado 97 anos no último dia 13. Dona Ivone estava internada na Coordenação de Emergência Regional, anexa ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, e morreu em decorrência de insuficiência respiratória.

Apesar da idade avançada, Dona Ivone, venerada por sambistas de diferentes gerações e chamada de “Rainha do samba” e “Primeira-dama do samba”, fez shows há até pouco tempo atrás. Em 2016, celebrou os 95 anos numa apresentação que contou com outros artistas e seu neto André Lara, uma companhia constante. Em 2010, fora homenageada pelo Prêmio da Música Brasileira.

Dona Ivone se deslocava de cadeira de rodas e era amparada por familiares. Em suas aparições públicas, estava sempre sorridente e alinhada. Onde chegava era ovacionada.

O maior parceiro foi Délcio Carvalho, com quem criou, entre muitos sambas, Sonho meu, Acreditar, Minha verdade e Em cada canto uma esperança. Ele era 18 anos mais jovem e morreu em 2013.

A sambista foi gravada por Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Marisa Monte e outros nomes da MPB. Em rodas de samba cariocas, composições como Tiê e Mas quem disse que eu te esqueço, esta com Hermínio Bello de Carvalho, sempre são lembradas.

Primeira mulher a ganhar uma disputa de samba-enredo numa escola de samba no Rio, em 1965 – Os cinco bailes da história do Rio (com Silas de Oliveira e Bacalhau) –, ela era filha de músicos e ligados ao carnaval. Era prima de Mestre Fuleiro, um dos fundadores do Império Serrano, sua escola.

Ivone, formada enfermeira e auxiliar da pioneira psiquiatra Nise da Silveira, nasceu bem antes da agremiação – era de 1921; o Império, de 1947. Ela compôs sambas ainda para o Prazer de Serrinha, escola do qual o Império viria a ser uma dissidência. A Verde-e-branco do bairro de Madureira, na zona norte do Rio, lhe fez um desfile-tributo em 2012.

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




Azul vazio


"Bactérias num meio é cultura". O verso de Arnaldo Antunes ("Cultura", 1993) joga com a ideia da micro cultura assistida de bactérias como promotora da compreensão científica desses organismos, a fim de apontar através de desvios semânticos a nossa própria macro cultura: essa sistematização do conhecimento. 

Os elementos ordinários pinçados e problematizados pelo sujeito da canção questionam a aparência cultural das coisas - "o escuro é a metade da zebra / as raízes são as veias da seiva / o camelo é um cavalo sem sede / tartaruga por dentro é parede" - e ao fazer isso engendra a aparição destas coisas (notadamente) ordinárias.

A distinção entre aparência e aparição é radical e importante. Vide Adorno. Como uma obra de arte fala "apenas" que ela (obra) existe, e não do que existe fora dela, no meio (na cultura) onde existimos, o sujeito criado por Arnaldo destrava nosso olhar científico e adestrado sobre a aparência das coisas e, consequentemente, sobre nós mesmos, sugerindo uma experiência de mundo na arte, em que os objetos surgem como aparições para logo em seguinte desaparecerem. 

É deste modo que "a cegonha é a girafa do ganso / o cachorro é um lobo mais manso". Essas informações, ou melhor, este saber não é científico, mas nos permite des-conhecer coisas cientificamente já catalogadas, e, melhor, gera pensamento. Dito de outro modo, a arte restaura o desconhecimento do mundo desencantado pela ciência. Ou seja, o sujeito da canção de Arnaldo Antunes re-encanta o mundo, restaurando o desconhecimento de mundo, via objetos selecionados. Todos os objetos aparecem aqui para serem estranhados, desconhecidos e só deste modo podemos re-des-aprender a olhá-los.

Escrevo isso para comentar a canção "Azul vazio" (Disco, 2013), de Arnaldo Antunes e Marcia Xavier, cujos versos "serpete serpenteia o rio / percorre corre em minha veia / a correnteza o coração bombeia / o rio navega e lava / o pensamento leva / o corpo todo / como um navio" parecem se aproximar da busca pelo ordinário presente em "Cultura".
Antes, preciso dizer que interpreto a capa de Disco de Arnaldo Antunes como um "negativo" da obra Disco (1978) de Waltercio Caldas (ver livro Manual de ciência popular). E vice-versa. Ambos como proposições artísticas da dúvida em relação àquilo que ainda chamamos disco, no caso do primeiro, e daquilo que o barbante branco-feito-raio amarrado ao vinil instaura como dissonância no preto, no caso do segundo.

No Disco de Waltercio, o buraco-núcleo, por onde o objeto se encaixa na vitrola para tocar, foi ocupado pela passagem de um barbante-cordão-de-pão que se laça formando um raio. O Disco perde o seu miolo, ou seja, torna-se impossível saber aquilo que o disco guarda nas suas faixas, nos sulcos que uma agulha, interditada pelo raio-barbante, libertaria.
Se a princípio um disco é um conjunto-aparelho de guarda e reprodução de canções/músicas, nos casos mencionados vemos instaurada uma renúncia a tal percepção. Tanto Waltercio quanto Arnaldo singularizam o objeto para melhor apresentá-lo no mundo. Isso é um disco? Mas o que é um disco? É um disco disco? Esta "desorientação didática" está na base da arte. 

Por um breve instante, antes que eles desapareçam no cotidiano, ao olharmos os dois discos esquecemos aquilo que sabemos ser um disco. Afinal eles tem a aparência de um disco. No entanto, algo está deslocado, o sentido daquilo que define um disco se rebelou e percebemos isso, pois os discos não se submetem às nossas expectativas cientificamente construídas. Eis a aparição. "se a vida não faz sentido / porque é que morrer / haveria de fazer? ("Sentido", Arnaldo Antunes e Nando Reis), canta Arnaldo.

No Disco transparente-branco-de-miolo-preto de Arnaldo temos o encontro de estilos variados, canções de vários períodos. O disco acolhe canções, não é cofre, apenas guarda. Sua frente-vinil-branca indicia essa aglutinação de várias matizes sonoras - "Só eu fico dentro do meu branco pra quando Oxalá chegar". Já o verso do estojo imita o verso de um cd pirata, destes sem encartes que encontramos oferecidos por ambulantes/camelôs em várias partes da cidade.

O conjunto irregular, não linear das canções que constituem Disco reflete também a recusa em relação à obrigação de escolha. Arnaldo prefere não escolher, junta, monta, constrói: da bossa ao tecnobrega. "Página vazia, melodia / onde é que a palavra vai cair? / onde vai cair? / acho que ela vai aterrissar em território perigoso" ("Sou volúvel", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho), canta adiante. Além de: "tem muito pouca dúvida e muita razão / tem muito pouca ideia e muita opinião / muita pornografia e muito pouco tesão / muita cerimônia e muito pouca educação ("Muito muito pouco", Arnaldo Antunes).

O engenho do gesto de empreender o conjunto de objetos sonoros avulsos tão aparentemente díspares é a tônica do disco de Arnaldo. "A modernidade agora vai durar pra sempre, dizem / toda a tecnologia / só pra criar fantasia // deuses e ciência / vão se unir na consciência, dizem / vivermos em harmonia / não será só utopia" ("Dizem (Quem me dera)", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho).

Se destaco "Azul vazio" é porque percebo na lírica de sua letra a condensação da busca pelo comum, pelo ordinário que mencionei anteriormente e que atravessa todas as canções. A imagem de um rio que só tem o olho d'água, que não tem beira, nem desagua no mar, que cresce sem se expandir é forte e rompe com a noção de perenidade que temos diante da duração das coisas. Tudo desagua no azul vazio. Vazio de que? Azul de Matisse?


***

Azul vazio
(Arnaldo Antunes / Marcia Xavier)

ouve só se ouve ouvir
o rio só se ouve quem
de longe lá de onde vem
o rio daqui se ouve bem
de dentro ecoa a água
que deságua no azul vazio

serpete serpenteia o rio
percorre corre em minha veia
a correnteza o coração bombeia
o rio navega e lava
o pensamento leva
o corpo todo
como um navio

um rio que não tem beira
por um fim abismo cachoeira
onde desaguar
se não tem mar
e não tem margem
só o olho d'água
brota espelho molha
o azul do céu





* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

À ESPREITA DE JOÃO GILBERTO

segunda-feira, 16 de abril de 2018

PAUTA MUSICAL: RAUL SAMPAIO, 90 ANOS, EM APRESENTAÇÃO EMOCIONANTE

Por Laura Macedo





Autor de mais de 250 canções. Integrante do Trio de Ouro, com Herivelto Martins e Lurdinha Bittencourt. Gravado por nomes como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Renato Russo, Maysa e Nelson Gonçalves. Esta é apenas uma reduzidíssima apresentação da trajetória musical do cachoeirense Raul Sampaio, nascido em 06 de julho de 1928. Brilhou no Trio de Ouro, na antiga Rádio Nacional, e construiu a carreira no Rio de Janeiro, onde morou durante mais de 60 anos. Fiquei emocionada ao vê-lo, dia 12 próximo passado, no programa Sr. Brasil (TV Cultura). Localizei os vídeos e compartilho, agora, a emoção com vocês.





IVETE SANGALO E GILBERTO GIL FAZEM SHOW INÉDITO EM SÃO PAULO

Dueto acontece para promover a inauguração do Allianz Parque Hall, no dia 1º de junho


Ivete Sangalo e Gilberto Gil farão um show único e inédito na inauguração do Allianz Parque Hall.


O estádio Allianz Parque reuniu dois ícones da música popular brasileira, Ivete Sangalo e Gilberto Gil, para subir ao palco juntos no dia 1º de junho, em São Paulo, e realizarem um show inédito para o lançamento oficial do Allianz Parque Hall, uma nova configuração para apresentações da arena multiuso.

O espetáculo único reunirá os dois artistas trazendo em seu repertório clássicos da música popular brasileira. Os ingressos para o show - que custam de R$ 60 a R$ 340 - estarão à venda a partir das 12h da próxima quinta-feira (12) no site Eventim e na bilheteria do local.


O ESPAÇO

Inovador e dinâmico espaço para apresentações na capital paulista, o Allianz Parq Hall comportará até 11.185 espectadores. O palco dos eventos será montado fora do gramado do estádio de forma rápida, sem comprometer a agenda dos jogos de futebol.


Fonte: JC Online

domingo, 15 de abril de 2018

VAMOS FALAR DE DISCOS?

FALÊNCIA DA GIBSON SERÁ O ATESTADO DE ÓBITO DA GUITARRA?

Uma das maiores e mais importantes fabricantes do instrumento atravessa severa crise financeira que instigou um debate sobre o protagonismo da guitarra elétrica na música atual


Por Paula Brasileiro


Músicos, produtores e profissionais da músicas estão em um forte debate sobre o destino da guitarra


Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, B.B King e Les Paul devem estar se revirando em seus caixões. Isso porque eles e outros deuses da guitarra, já falecidos ou não, estão no centro de uma discussão a respeito da relevância do instrumento que os alçou ao posto de grandes músicos da história mundial. O último, inclusive, deu nome a uma das mais cobiçadas linhas de guitarras da grife Gibson - marca que, desde o início do século 20, figura entre as maiores do ramo, mas que agora, em 2018, encontra-se afundada numa crise que pode resultar em sua falência.

Este é apenas um dos fatores que ligou o alerta acerca do protagonismo das guitarras elétricas na música atual, de modo que guitarristas, comerciantes, e simpatizantes, de todas as partes, observam e acompanham, atentamente, os caminhos pelos quais esta problemática ainda vai percorrer. 

A guitarra elétrica já foi objeto cobiçado de inúmeros entusiastas da música, sedentos por riffs estrondosos e solos virtuosos. Imortalizada como símbolo do rock, é deste instrumento a responsabilidade de transformar meros mortais em 'heróis' de calça jeans e camiseta preta. Porém, nesta segunda década dos anos 2000, o instrumento parece estar perdendo força e amarga algumas desilusões. Como a fase ruim da marca Gibson, prestes a abrir falência com uma dívida de US$ 375 milhões; e a baixa das importações no mercado brasileiro (segundo a Associação Nacional da Indústria da Música, houve uma queda de 78% de 2012 a 2017). Outros motivos, apontados por músicos e profissionais da área, seriam a falta de interesse dos mais jovens em aprender a tocar o instrumento, já que se trata de um processo que demanda tempo e dedicação, além de uma mudança na estética da música mundial que abusa dos sintetizadores e outras traquitanas eletrônicas para criar sonoridades.


Seis cordas

"Eu sempre me vi, como artista, com um instrumento nos braços e, partindo disso, eu não consigo ver um fim", afirma de maneira enfática, Neilton, guitarrista da banda Devotos, uma das mais importantes da cena punk nacional. O músico começou a tocar na década de 1980, e foi juntando embaixo do colchão o dinheiro que conseguia vendendo pulseiras e pintando camisas - e com uma forcinha do pai - que comprou seu primeiro instrumento: uma guitarra Sonic, da Giannini. "A pior série que a Giannini já lançou", relembra aos risos. Chegando em casa com seu 'troféu', o adolescente logo tratou de desmontá-lo: "Eu não queria nem aprender a tocar mais, quis aprender a montar e desmontar, só para saber como ela funcionava". Desde então, Neilton "tuna" suas guitarras e as transforma na "ferramenta" ideal para o seu trabalho.

E é exatamente por se tratar de uma ferramenta, que o músico vê com descrença a possibilidade da guitarra 'morrer': "Você vai se deparando com novas tecnologias, isso acontece em qualquer meio. O próprio Jim Morrison, vocalista do The Doors, meio que previu isso em 1969 ou 1970, ele via uma nova geração fazendo música com computador, hoje isso é uma realidade". O músico arrisca dizer que toda essa polêmica pode se tratar apenas de uma estratégia mercadológica: "O mercado está competitivo demais e os músicos têm a possibilidade de escolher outros instrumentos e abrir mão da grife. Pode ser de fato um mote de marketing da própria Gibson". Em tempo, uma das únicas guitarras que Neilton não transformou foi uma modelo Les Paul, da Gibson, comprada após a assinatura do primeiro contrato da Devotos com uma grande gravadora, em 1996."Foi a realização de um sonho".

Outro grande guitarrista brasileiro, Luciano Magno, não se surpreende pela crise da marca estrangeira e relembra que ela já lidou com problemas financeiros como este. Contudo, Magno vai além: "Existe uma crise na música mundial e isso se reflete nos instrumentos que já são consolidados. Essa nova tecnologia, esse processo de composição eletrônico, tudo isso diminui o interesse dos mais jovens". Maestro, cantor, compositor e guitarrista, Luciano faz questão de frisar que o uso das guitarras não se restringe ao rock, jazz e blues: "Existem outros caminhos, a guitarra está inserida em todos os gêneros, se a gente prestar atenção, qualquer formação musical contemporânea e popular, tem a guitarra como instrumento".


Dessa maneira, Magno acha "impossível" a total derrocada das guitarras e menciona o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, para ilustrar isso: "A sanfona teve um momento de muita aceitação até a chegada da bossa nova, quando o violão virou febre. Gonzaga passou por um momento de muito desprezo pelas gravadoras até que, anos depois, ele se reinventou, justamente com estes instrumentos elétricos, guitarra, baixo e bateria amplificada, com a formação de uma banda, nos anos 1980". E conclui: "Por onde eu ando, em qualquer metrópole, encontro um pub tocando jazz, blues e rock. E no Brasil, sobretudo, a guitarra está atrelada a todos os gêneros que compõem o organograma da música popular brasileira. Acho difícil falar em morte da guitarra".


Mil botões

Por outro lado, a turma que anda fazendo música com computadores - como ‘previsto’ pelo astro do rock, Jim Morrison -, não parece muito incomodada com a possibilidade de morte das guitarras. Rodrigo Duplicata mantém com o irmão, Thiago, o duo Eu e a Duplicata. Desde 2012 eles trabalham em um som feito por baixo, bateria, vocais e sintetizadores. "No nosso caso, foi muito por conta do mercado, da economia. Viajar com cinco pessoas, cada um com seu instrumento, ter que arrumar lugar para ensaiar, técnicos, roadies, tempo para compor, estudar, ficar em cima do instrumento, é uma estrutura mais cara", relata.

Mas, as custas para colocar o trabalho na rua não foram único estímulo para que os irmãos limassem as guitarras elétricas de sua música. O apelo estético e a necessidade de acompanhar as novas tendências também tomaram parte na escolha: "De tempos em tempos as sonoridades vão se renovando. Na década de 1980 já houve uma fase mais eletrônica, o Hip Hop também sempre teve essa economia. Mas, tudo coexiste ao mesmo tempo". Resumindo o tema, Rodrigo é sintético: "Fica mais fácil você fazer tudo pelo computador".

sábado, 14 de abril de 2018

PETISCOS DA MUSICARIA: GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – MARACANGALHA

Por Joaquim Macedo Junior


Maracangalha-BA

O primeiro esclarecimento é que Maracangalha existe mesmo. É um distrito do município de São Sebastião do Passe, na Bahia.

A localidade hoje é ponto turístico, tendo como umas das atrações a Praça Dorival Caymmi – em forma de violão, inaugurada em 1972. Há ainda a Capela de Nossa Senhora da Guia, de 1963, e a Usina Cinco Rios, de 1912, que já chegou a produzir 300 mil sacas de açúcar por ano.

A praça

A História – Caymmi tinha um amigo de infância, Zezinho, que costumava dizer a Dorival “Eu vou para Maracangalha…”.

O assunto surgiu porque Zezinho contou ao compositor baiano que tinha uma amante, Áurea, em Itapagipe, e, com ela, 4 filhos.

Zezinho era casado com Damiana e ‘tinha’ de arrumar um jeito para ver sua outra família.

Para isso, bolou um esquema para ter o motivo de saída de casa e a prova, na volta, de que havia sido sincero…

Usina Cinco Rios

Zezinho se abriu com o amigo compositor: explicou que ele enviava um telegrama a si mesmo, onde dizia que sua presença era necessária em Maracangalha, pois sua presença era necessária no vilarejo.

A partir daí, ele avisava em casa que precisava viajar e estava coberto pela própria lorota. Na volta, trazia um saco de açúcar, para provar que tinha ido a Maracangalha. A Usina Cinco Rios era uma das maiores fontes de movimentação econômica da regiao. O ‘álibi perfeito’…


Semana que vem tem mais…

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