PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

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ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

VERSOS E MELODIAS INCRUSTADAS ENTRE O PLANALTO E O SERTÃO

Embevecido da cultura popular nordestina, Túlio Borges a faz de esteio para os versos e melodias que sustentam a trilogia a que se propõe.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 19 de novembro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

Resultado de imagem para ALZIRINHA CAMARGO

Vamos nós firmes e fortes em busca de preservar viva a memória musical do nosso país a partir de mais um nome que em dado momento de nossa história cultural deu a sua parcela de contribuição de maneira bastante significativa. Hoje, dentre tantos nomes que se encaixam nesse perfil, escolhi rememorar o nome de Alzirinha Camargo, cantora que apesar de ter tido uma carreira relativamente não muito curta, fez poucos registros fonográficos ao longo das décadas de 1930 e 1960 (período em que se manteve em atividade). Paulista do bairro do Brás, começou a cantar amadoristicamente, apresentando-se na Rádio Record, de São Paulo, tendo depois assinado contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul e trabalhado na Rádio Difusora. Ainda no início de sua carreira teve a oportunidade de atuar no filme "Coisas nossas", considerado o primeiro musical brasileiro, filmado no começo dos anos de 1930 por Wallace Downey. Inspirado em produções de Hollywood, o filme apresenta aspectos do Brasil dos anos 20 e início dos anos 30. Bem sucedido, este primeiro  filme sonoro brasileiro tem como enredo dois amigos, que após uma discussão, decidem fazer juntos uma serenata para uma namorada em comum, mas acabam trocando tapas durante os preparativos, depois de um trapacear o outro. No elenco, além de Alzirinha, expressivos nomes musicais da época, tais quais Alvarenga, Francisco Alves entre outros. Ao lado desses grandes nomes teve a primeira oportunidade de difundir o seu nome de um modo mais abrangente  através da película. No entanto o seu primeiro registro fonográfico só viria a acontecer anos depois, quando resolveu ir tentar a sorte e fixar moradia no Rio de Janeiro. Foi na então capital federal que em 1935 a convite de tia Chiquinha tudo começou de fato. 

Já no Rio de Janeiro foi contratada pela Rádio Tupi, onde começou a ficar conhecida por seu estilo, semelhante ao de Carmen Miranda. Em 1936, gravou o primeiro disco pela Victor, com a marchinha "Cinquenta por cento", de Lamartine Babo, e o samba "Você vai se arrepender", de Kid Pepe, Germano Augusto e Alberto Fadel. Nesta época surgem dois convites: um do empresário Alberto Quatrini Bianchi, dono de uma cadeia de cassinos espalhados por todo o país, para apresentar-se em seus estabelecimentos; e outro para participar do filme de Ademar Gonzaga, "Alô, alô, Carnaval", ao lado de Carmen Miranda, Aurora Miranda, Heloísa Helena, Dircinha Batista, Luís Barbosa e outros. Há rumores que nesta época a cantora se desentendeu com Carmen Miranda (situação esta que prolongou-se por toda o resto da carreira de Carmen, que infelizmente faleceu precocemente em 1955). Reza a lenda que o mal entendido entre as duas ocorreu devido a canção "Querido Adão" (de autoria de Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago). Próxima ao músico Benedito Lacerda chegou a fazer turnês internacionais juntos e gravou pela Odeon duas músicas feitas para ela por Benedito Lacerda: a marcha "Buenos Aires amigo" e o samba "Ritmo do coração" (parceria com Herivelto Martins). Em 1940 viajou para os EUA a convite do maestro Ciro Rimac, com contrato assinado por 6 meses, mas acabou permanecendo nos Estados Unidos até 1949. Dentre outras atividades profissionais, em 1953 foi contratada pela Rádio Nacional, trabalhou também em televisão entre vários registros fonográficos como "O Culpado Foi Você" (Carvalhinho / Osvaldinho), "Miserê" (Salomão José / Pimentel), "Papai E Mamãe" (Herivelto Martins / Benedito Lacerda), "Pau Que Nasce Torto" (José Maria de Abreu / Carlos Rêgo Barros de Souza), entre outras gravações.

'NOSSA MÚSICA CONSTRÓI PONTES', DIZ MILTON NASCIMENTO EM ENTREVISTA

Cantor falou ao Estado de Minas, para edição comemorativa dos 50 anos do clássico Travessia


Por Ana Clara Brant


(foto: Instituto Antonio Carlos Jobim/Acervo Milton Nascimento/ Clovis )


Quando você escuta a palavra Travessia, o que vem à cabeça?

É impossível pensar em Travessia sem a presença do meu amigo. Cada vez que me deparo com Travessia, estou, na verdade, diante do próprio Fernando.


Passados 50 anos, qual é a importância de Travessia para a sua carreira e a de Fernando Brant?

Travessia significou muita coisa pra gente. Através dela, Fernando e eu abrimos um punhado de portas que acabaram definindo nossas vidas. O Wayne Shorter (saxofonista e compositor norte-americano), por exemplo, costuma dizer que a nossa música constrói pontes, pontes de amizade, paz e união por onde ela passa.


Com surgiu o nome da canção? É verdade que ela se chamaria Vendedor de sonhos?

A história de Travessia é das mais emocionantes pra mim e tem um capítulo bastante longo. Como já contei isso milhões de vezes nesses últimos 50 anos, às vezes nem sei por onde começar... Mas me lembro de que quando Fernando estava com a folha de papel com Travessia pronta, naquela mesa de bar em BH, tinha alguma coisa indicando que o nome era Vendedor de sonhos, uma frase ou algo assim. Mas aconteceu de Fernando pegar um livro de Guimarães Rosa e ver a palavra lá, travessia, no Grande sertão: veredas. Daí foi inevitável; tinha que ser Travessia. Fernando e eu voltamos ao tema em 1987, escrevemos uma música e colocamos o nome de Vendedor de sonhos, que foi gravada no disco Yauaretê, com a participação de Paul Simon e do Herbie Hancock.


O que ocorreu nos bastidores do Festival Internacional da Canção (FIC) em 1967? Alguma coisa ali te marcou?

Tem uma história que talvez pouca gente conheça. Poucos dias antes do festival no Maracanãzinho, eu estava num hotel quando chegou Fernando. Ele estava bem preocupado, porque Travessia tinha chamado tanta atenção que os jornalistas não paravam de lhe perguntar sobre as outras músicas de Fernando Brant. Então, ele me sugeriu que fizéssemos outra canção, pelo menos pra fazer número (risos). Foi assim que surgiu Outubro; nasceu praticamente nos bastidores do festival de 67.


Qual foi a importância de Agostinho dos Santos nessa história?

Se não fosse pelo Agostinho dos Santos, não teria tido festival nenhum. Ele já tinha me falado pra fazer a inscrição no festival em 1967, mas nem dei chance de continuar o papo. Depois de 1966, prometi não participar de mais nenhum festival. Aquele clima de competição não me agradava em nada. Um mês depois, o Agostinho apareceu, falando que tinha arrumado produtor para gravar um disco dele. E que minhas músicas iam entrar no repertório, mas pra isso eu teria que gravar as guias num estúdio do amigo dele. E fui lá pensando assim: “Pô, vou gravar três músicas e os caras vão acabar escolhendo só uma no final”. Até que, uma semana depois, encontrei a Elis (Regina) na porta da Record: “Eu sabia! Você classificou três músicas no festival!” Quase morri quando ela disse isso, ainda mais com a hipótese de existir outro Milton Nascimento. Foi então que escutei a gargalhada do Agostinho, bem atrás de mim. Daí entendi tudo. Ele tinha inscrito três músicas minhas no FIC 67, e as três tinham entrado.


Você ficou frustrado por não vencer o FIC em 1967?

Olha, ganhei tanta coisa nesse festival, que nunca pensei nisso.


Muitos especialistas afirmam que ninguém supera a sua interpretação de Travessia. Nem mesmo você (risos)...

Acho que sou a pior pessoa pra falar disso, ainda mais sobre minha própria música.


Travessia é um marco na música mineira e brasileira...

Taí outra coisa que prefiro que os fãs, críticos e especialistas opinem. Falar da gente assim é muito difícil.

sábado, 18 de novembro de 2017

FAMÍLIA BRANT LEMBRA 'CARAVANA MINEIRA' PARA ACOMPANHAR O FESTIVAL NO MARACANÃZINHO

"A emoção foi enorme, inesquecível. Todo mundo cantando, comemorando como se fosse o primeiro lugar", lembra Maria Célia

Por Ana Clara Brant



Ela, o irmão Ronaldo e amigos, como o jornalista Paulo Vilara, colunista do Estado de Minas, viajaram de trem para o Rio com o propósito de acompanhar a fase classificatória do FIC. "Sem parentes lá, descobrimos que uma vizinha tinha apartamento em Copacabana. Alugamos. Quando chegamos ao Maracanãzinho, ficamos assustados ao ver aquela multidão de jovens. De repente, Milton aparece, toca e é um sucesso, todo mundo aplaudindo. Foi uma loucura. Travessia estava classificada para a final", relembra Lucy.

No domingo, 22 de outubro, dia da finalíssima, a turma estava tomando café, quando de repente ouviu-se uma buzina diante do prédio em Copacabana. Era o restante dos Brant chegando de BH. "Tirando os irmãos mais novos, muito pequenos, todo mundo veio, incluindo meus pais. Quando souberam que Travessia estava na final, não resistiram. Deram um jeito de participar daquele momento", conta Lucy.

Nessa turma estava Maria Célia, a primogênita dos Brant. Antes de Fernando e Milton Nascimento seguirem para o Rio, ela fez uma espécie de previsão. Na véspera da viagem, os parceiros estavam na casa da família, em BH. Milton Nascimento pediu um violão emprestado a Maria Célia, pois os dois queriam ensaiar para o festival.

"Eles foram para um canto escondido lá de casa. Quando ouvi aquela música, achei tão linda a letra e a melodia que disse: 'Esta música vai ganhar o festival e vocês vão ficar famosos'. Pedi: 'Bituca, assina aqui o meu violão, coloca a data porque ele vai valer muito dinheiro algum dia", relembra Maria Célia. Não deu outra. Travessia não venceu – o primeiro lugar foi para Margarida, do baiano Gutemberg Guarabira –, mas se tornou um clássico.

"A emoção foi enorme, inesquecível. Todo mundo cantando, comemorando como se fosse o primeiro lugar. Já tem 50 anos, mas aquele dia ficou na memória como se fosse hoje. A alegria dos dois, a repercussão, a guinada na vida deles... Fomos a um bar em Copacabana, que, por coincidência, chamava-se Mineirão para comemorar. E ali estava cheio de artistas que a gente admirava, uma festa", conta a irmã de Fernando Brant. A festa tinha motivo: além de Travessia ficar em segundo lugar no 2º FIC, Milton Nascimento levou o troféu Galo de Ouro como o melhor intérprete do festival.



Timidez

Fernando sempre foi muito organizado. Guardou boa parte de suas letras em arquivos. "Ele escrevia no papel e depois datilografava. Tenho várias agendas que ele usava como rascunho. Foi assim com Travessia também. Fernando escreveu a letra em um papel durante os intervalos do trabalho como escriturário no Juizado de Menores. Depois, passou para a máquina de escrever. Como era a sua primeira música, estava super envergonhado, não queria mostrar pra ninguém. Nem avisou que estava fazendo uma canção. Por isso, nem sabemos onde está a letra original", diz Leise Brant, viúva do compositor.

Na casa do casal, no Bairro Cachoeirinha, em BH, Leise guarda uma relíquia: o certificado da conquista. O diploma traz o símbolo do FIC, um galo, e as seguintes palavras: "Fernando Rocha Brant participou do II Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro, tendo contribuído para o alto mérito da música de sua pátria. Outubro de 1967"."O diploma está bem desbotado, já tem 50 anos. Porém, meu sogro colocou no quadro para preservá-lo, porque é um documento histórico", afirma Leise Brant.

PROGRAME-SE


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CANÇÕES DE XICO


HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS

Maria Dapaz é uma das minhas mais frequentes parceiras. Fazer parceria com Dapaz é muito gostoso pela oportunidade de dividir suas melodias, sempre muito bonitas, nas quais coloco letra. O sistema de trabalho é simples: como moramos longe um do outro nossa conversa é virtual. Encaminho-lhe as letras e, logo depois, ela me devolve a melodia já com a letra colocada. Espinho e Flor é uma de nossas primeiras canções e fala do sertanejo, do matuto. Nesta versão cantada por Ângela Luz, possuidora de belíssima voz. A música está contida no FORROBOXOTE 3 – MULHERES CANTADEIRAS DE UMA NAÇÃO CHAMADA NORDESTE e possui mais 3 outras gravações

ESPINHO E FLOR
Maria Dapaz e Xico Bizerra

sou rio seco esperando o inverno 
eu quis ser terno mas a vida não deixou 
sou poeira, sou esse chão de lajeiro 
sou um pé de umbuzeiro que ainda não safrejou 
sou o sol quente que queima esse chão 
calo na mão, sou enxada, sim senhor 
sou ribançã que já voou 
sou terra em brasa, arco-íris sem cor

mas também flor, não só espinho 
sou o luar do sertão 
eu sou um poço de carinho 
no meio desse verão 
basta que chova um pouquinho 
pr’aguar meu coração

A TRAVESSIA DE MILTON NASCIMENTO CONTRA O RACISMO DE UM CLUBE EM TRÊS PONTAS

Em 1967, Bituca recebeu homenagem no Clube Trespontano, onde era proibido de entrar

Por Ângela Faria



(foto: Instituto Antonio Carlos Jobim/Acervo Milton Nascimento/ Clovis )


Logo depois de conquistar o Brasil com Travessia, em outubro de 1967, Milton Nascimento ganhou homenagens em Três Pontas, cidade onde foi criado. Fizeram até um baile para ele no Clube Trespontano. Milton foi, mas só para atender ao pedido da mãe, dona Lilia. 

Tinha 25 anos, completados quatro dias depois de deslumbrar os brasileiros no 2º Festival Internacional da Canção. Aos 14, era proibido de frequentar aquele clube onde jovens como ele se divertiam. Motivo: racismo.


(foto: Instituto Antonio Carlos Jobim/Acervo Milton Nascimento/ Clovis )


Bituca ficava lá embaixo, enquanto o pré-adolescente Wagner Tiso entrava e saia, narrando para o amigo tudo o que ocorria lá dentro – sobretudo o que a orquestra tocava. Recentemente, Bituca relembrou o episódio.

Contou que o pai, Josino, chegou a empunhar um revólver para defendê-lo de racistas em Três Pontas. As imagens que ilustram este texto, do acervo do compositor, abrigadas no site do Instituto Antônio Carlos Jobim, mostram o carioca Milton na sua cidade de coração.

(foto: Instituto Antonio Carlos Jobim/Acervo Milton Nascimento/ Clovis )


Naquele novembro de 1967, ele cantou para o Trespontano ouvir: "Já não sonho/ Hoje faço/ Com meu braço/ O meu viver".




PROGRAME-SE


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*

"Samba gravado em 12 de novembro de 1957 e lançado em janeiro de 58, sendo o lado B do 78, matriz 12135 (no lado A vinha o bolero "Abismo", outro hit de Anísio). As duas faixas entraram depois no primeiro LP do cantor baiano, 'Sonhando contigo", e ainda seriam relançadas em compacto simples de 45 rpm, com o número BZA-1007." (Samuel Machado Filho)



Canção: Não Me Diga Adeus

Composição: Anísio Silva e Fausto Guimarães

Intérprete - Anísio Silva

Ano - 1958

78RPM - Odeon 14.290-B


* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

TRAVESSIA FOI O PRENÚNCIO DO CLUBE DA ESQUINA, QUE RENOVOU A MPB NA DÉCADA DE 1970

O clássico de Milton Nascimento e Fernando Brant muda a história dos mineiros

Por Ana Clara Brant 




A música, de 1967, foi a primeira parceria de Bituca e Brant. Em quase meio século, escreveram cerca de 150 músicas juntos (foto: Arquivo EM)"Quando escrevi Travessia, minha primeira parceria com Bituca, nunca tinha pensado em ser compositor, embora gostasse muito de cinema, música, teatro e poesia. Fiz a letra para um amigo, sem qualquer pretensão. Sem que soubéssemos, ela acabou inscrita num festival e mudou completamente nossos destinos". A declaração de Fernando Brant (1946-2015) a Liana Fortes, autora do livro sobre ele publicado pela Coleção Gente (2005), resume um pouco da história do clássico da MPB.

Fernando contou a Liana que houve alvoroço da imprensa a respeito da canção. Jornalistas o questionavam sobre o significado da letra. "Achavam que ela era difícil, diferente. Vê se pode! E eu respondi: Quis dizer isso – 'quando você foi embora, fez-se noite em meu viver.' Era tão claro pra mim, mas as pessoas não estavam acostumadas a nada que fosse diferente do habitual, do que ouviam no rádio", observou o compositor.

Travessia foi um momento decisivo na carreira de Fernando Brant, Milton Nascimento e nomes da música mineira. Toninho Horta, que também participou do 2º Festival Internacional da Canção (FIC), observa que a partir dali a obra de Bituca passou a ser valorizada.

"As pessoas começaram a conhecer toda a turma dele: o próprio Fernando; o Márcio Borges, que já compunha com o Milton; e posteriormente o Ronaldo Bastos, que é do Rio, mas virou meio mineiro. Essas pessoas e outras figuras próximas, como eu, Lô Borges e O Beto Guedes, acabaram formando o chamado Clube da Esquina, em 1972. Cinco anos antes, com Travessia, o Milton já tinha mostrado toda a sua grandeza, a sua voz de Deus, o talento. O Clube vingou e o Bituca se tornou o maquinista desse trem", analisa Toninho Horta.

"Senti-me soterrado de emoção ao ouvir Travessia pela primeira vez", relembra o produtor cultural, poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho. De acordo com ele, essa canção é tão divisora de águas quanto outras músicas compostas naquele período por Milton e "seus inovadores parceiros".


Jornada

"Depois da bossa nova, que tinha contexto mais praieiro, mais do litoral, Travessia finalmente chegou no centro do Brasil. Foi, sem dúvida, um marco na música mineira e brasileira", ressalta o compositor. Em 2002, a Dubas, gravadora de Ronaldo, relançou o primeiro disco de Milton Nascimento, que trazia a faixa Travessia. Totalmente remasterizado, o álbum tem Bituca acompanhado pelo Tamba Trio e canções com arranjos de Luiz Eça.

"Já estava começando a crise do disco físico, mas foi muito bom termos relançado. O álbum é um dos grandes da MPB, representa o começo do Clube da Esquina, toda aquela explosão do Maracanãzinho, a chegada dos mineiros. Em 1967, Bituca lançou o álbum por uma gravadora pouco conhecida, e ele não teve tanta repercussão. O relançamento pela Dubas – um selo pequeno, mas com muito prestígio – foi a oportunidade de dar visibilidade a essa obra-prima", conclui Bastos.

A REVELAÇÃO DO SAMBA, RODRIGO CARVALHO

Por Tárik de Souza




Para quem reclama de renovação no samba, a recomendação é o disco de estréia que levou o nome de Rodrigo Carvalho (Independente). Carioca, apelidado Biro, freqüentou rodas de samba da Lapa a Madureira. Fundador e ex-vocalista do grupo Galocantô, foi corista de gravações e shows de Beth Carvalho, interpretou sambas enredo no Império Serrano, onde tornou-se campeão com Arlindo Cruz e na Vila Isabel, com Moacyr Luz.

O CD “Rodrigo Carvalho” vem assinado por duas grifes do ramo, o violonista João de Aquino (direção musical, arranjos) e Túlio Feliciano (direção artística) e escala referências como Dirceu Leite (sopros), Carlinhos 7 Cordas no violão, Marcos Esguleba e Zé Trambique (percussões), além dos talentos da nova geração, Gabriel de Aquino (violão de 6 cordas), Daniel Aranha (cavaquinho e bandolim) e Fabiano Segalote (trombone).

O repertório é de alto refino, entre o lirismo de Nelson Rufino (“Jandira”), a parceria do solista com Fred Camacho (“Menina luz”) e o humor satírico de Zé Luiz do Império, que participa de “Papo de amador”, parceria com Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo: “já resolvi não vou sair / mais na sexta feira/ os bares estão lotados/ o chope quente/ baldeado/ e os garçons de mau humor”. Calçado por atabaque, timbau e caxixi, “Não cospe” (Juliano Juba/ Augusto Bapt/ Rodrigo Braga) dá voz ao morador de rua e “Chega de promessa" (Jotap/Luiz Fernando/ Altair Barbosa) ironiza atuais tempos estranhos: “eu quero ver terceirizar/ o estatuto da criança/ e ela se educar/ pra melhorar/ tem que rezar”.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

BAÚ DO MUSICARIA



A exatamente cinco anos, esta é uma das matérias que estava sendo publicada em mês como este:




Link para relembrar a matéria:

AVESSO A FESTIVAIS, MILTON NASCIMENTO NÃO SABIA DA INSCRIÇÃO DE TRAVESSIA ANTES DA CLASSIFICAÇÃO

Bituca foi o único a ter três músicas entre as finalistas, superando compositores consagrados como Chico Buarque e Vinícius de Moraes

Por Renan Damasceno 



Embora já ocupasse as frequências dos rádios e palcos desde o ano anterior, quando Elis Regina gravou pela primeira vez Canção do Sal, foi há 50 anos que a música mineira entrou definitivamente no mapa da Música Popular Brasileira. Entre 19 e 22 de outubro de 1967, Travessia, primeira parceria entre Milton Nascimento e o compositor Fernando Brant, ficava em segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, no Rio, atrás de Margarida, de Guarabyra, e à frente de compositores já consagrados como Chico Buarque e Vinícius de Moraes.

Se hoje, Travessia goza de tal unanimidade, por muito pouco a composição não ficou de fora do festival. Milton não era afeito ao clima de competição dos festivais, tanto que coube a Agostinho dos Santos inscrevê-la junto com outras duas: Maria, minha fé, interpretada pelo próprio Agostinho, e Morro Velho, defendida por Milton, que havia escrito a música na mesma tarde que compôs a melodia de Travessia – a música era para se chamar Vendedor de Sonhos, mas depois de ganhar letra de Brant, foi eternizada com a última palavra do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

“O Bituca sempre fez questão de agradecer ao meu avô por tudo, por tê-lo inscrito no Festival sem o conhecimento dele”, lembra o músico Tiago dos Santos, neto de Agostinho (1932-1973).


MOMENTO POLÍTICO

O Brasil estava em ebulição naquele outubro de 1967, um ano antes do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), que ficaria marcado pela perseguição a artistas. No mesmo fim de semana, o III Festival de Música Brasileira, promovido pela TV Record, em São Paulo, era marcado por polêmicas e músicas de protesto contra o regime. Edu Lobo venceu com Ponteio. 
Diploma concedido a Milton e Brant pelo segundo lugar no FIC (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)

No Rio, o II FIC, promovido pela TV Globo, recebia músicos estrangeiros e atraia estrelas internacionais, como a atriz Kim Novak.
Único a classificar três músicas entre as 20 finalistas, Milton defendeu Travessia com maestria. A apresentação, com Milton engomado em terno alugado, ao lado de Fernando, com o blazer emprestado por Toninho Horta, foi um divisor de águas para os mineiros, abrindo as portas para a geração do Clube da Esquina ao passo que o mundo era apresentado à voz sublime de Bituca.

CARTÃO POSTAL (GAL COSTA)

Gal Costa - "Cartão Postal" - Vídeo Oficial (Estratosférica Ao Vivo)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*


O que é canção? Márcio Bulk
Márcio Bulk



- O que é canção para você?
Um depoimento, um diálogo em que o discurso, se apropriando da escrita, a transcende e a complexifica ao adicionar elementos melódicos, rítmicos e harmônicos. A forma mais potente e fecunda de relato. A minha ferramenta mais cara para perceber e lidar com o mundo.

- De onde vem a canção?
Dos meus pais, dos meus avós, dos meus bisavós, dos meus tataravós, do afeto. 

- Para que cantar?
Para transcender, para dar sentido às coisas, para tornar mais tolerável essa vida de Jó.

- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Juro que fiz de tudo para não ser óbvio, porém: Chico Buarque, Ella Fitzgerald e Portishead. Faltam diversos e importantes nomes nessa lista (escritores, compositores, cantores e etc.), mas como você me pediu apenas três...
Como letrista, Chico Buarque é a minha pedra filosofal. Sempre que fico inseguro quanto ao meu trabalho, eu o ouço/leio. Mais do que me inspirar, essa ação me traz um enorme alento. É como se fosse um afago, um "relaxa que tudo vai dar certo, moço".
Costumo dizer que Ella Fitzgerald é Deus com voz de pudim de leite e colo de vó. Para mim, a maior voz de todos os tempos, sempre.
Portishead foi a banda que me deu o norte artístico. Quando ouvi "Sour Times" pela primeira vez fiquei besta: o arranjo era lindo, havia elementos de música eletrônica, Beth Gibbons possuía uma voz claramente influenciada pelas cantoras de jazz e, por fim, cantava “...nobody loves me, its true / Not like you do”! Ou seja, impossível não pensar em Nora Ney cantando “Ninguém me ama, ninguém me quer / Ninguém me chama de meu amor”. Ali, tudo se costurou e, décadas depois, me permitiu desenvolver o conceito do EP “Banquete”.





* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

50 ANOS DE TRAVESSIA: COMO NASCEU E CRESCEU O DIVISOR DE ÁGUAS DA MÚSICA MINEIRA

Em 1967, Travessia ganhava o Brasil e o mundo era apresentado à voz de Milton Nascimento


Por Ana Clara Brant , Fred Bottrel Renan Damasceno 



Há 50 anos, primeira parceria entre Milton Nascimento e o compositor Fernando Brant ficava em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, entre 19 e 22 de outubro, no Maracanãzinho, no Rio. Travessia abriria as portas para a geração do Clube da Esquina e o mundo era apresentado à voz sublime de Bituca.


A convite do Estado de Minas, Toninho Horta e Bárbara Barcellos interpretaram a música, no palco do Teatro Alterosa:



PROGRAME-SE


PAULINHO DA VIOLA E MARISA MONTE
RIO DE JANEIRO, RJ
sexta,17/11/2017, às 22h00


INFORMAÇÕES

Km de Vantagens Hall - RJ
Av. Ayrton Senna, 3000 - Barra da Tijuca. Tel.: 0300-7896846
Ingressos: Tickets for Fun
R$ 150 a R$ 480
Classificação 15 anos

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

PAUTA MUSICAL: CALABAR - O ELOGIO DA TRAIÇÃO

Por Laura Macedo


Resultado de imagem para CALABAR CHICO BUARQUE

Calabar: O Elogio da Traição é o título da peça de teatro escrita em 1973 por Chico Buarque / Ruy Guerra, dirigida e produzida por Fernando Peixoto / Fernado Torres, respectivamente, e editada em livro pela editora Civilização Brasileira.

A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa.

A censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final.

Foram três meses de expectativa e, em 20 de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e proibiu que a proibição fosse divulgada.

Seis anos mais tarde, precisamente no dia 24 de janeiro de 1980 (há 36 anos) uma nova montagem estrearia. Confira algumas músicas da dupla Chico Buarque e Ruy Guerra.





MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




41 - O sonho de Shangri-lá

De volta do México, nos primeiros tempos, fiquei em Jacarepaguá. Depois, acostumado a ter minha própria casa, aluguei um aparta-mento ao lado do Hotel Sheraton. Era um dúplex minúsculo, onde minha mãe gostava de ir. Sentava-se em frente da janela e permanecia alheia admirando o mar. De vez em quando, ficava comigo por uns dois dias e gostava de cozinhar seu famoso macarrão só para nós dois. Nos fins de semana, a gente inventava as maiores reuniões em sua casa. Era churrasco, era macarrão, era tudo o que pudesse acontecer para deixá-la um pouco mais contente. E como ela ficava feliz de nos ver e aos nossos amigos em volta da piscina, que construíra para nos agradar! Eram re-uniões muito gostosas. Ela estava com Nuno e eu sentia que aquele rapaz, quase da minha idade, tomava conta dela de uma forma tão carinhosa quanto um filho. Era um rapaz simples, de mais ou menos 28 anos, de família de portugueses, que um dia se encantou com minha mãe, já com quase 50 anos. Conheceram-se quando ele foi trabalhar para ela como motorista e secretário. No início, ela ainda relutou em aceitar o assédio, mas a solidão e total carência, após a separação de Tito, a fizeram aceitar o carinho de Nuno, que realmente se apaixonou por ela. Depois que minha mãe faleceu, não soube mais nada dele. Só recentemente tive a triste notícia de que havia sofrido um desastre de automóvel e morrido com mulher e filho. Não consegui mais detalhes, mas parece que as circunstâncias em que Nuno e sua família vieram a falecer foram muito parecidas com o desastre que Dalva e ele sofreram. A vida de minha mãe em Jacarepaguá, na casa que passava por mais uma reforma, foi ficando muito triste. Ela estava aumentando a casa, dizia, porque queria um quarto para cada irmã e um quarto para cada filho. Sonhava em ter todos nós morando com ela de novo. Uma característica forte de minha mãe era o sentido de proteção que nutria em re-lação às irmãs. Procurava de todas as maneiras ter Margarida, Lila e Nair a seu lado o máximo de tempo possível e ajudá-las e protegê-las. Queria que fossem morar com ela. Teriam seus quartos privativos e toda a assistência. Mas com uma condição: que não levassem seus maridos. Ela considerava to-das malcasadas e pretendia apoiá-las para que se separassem. A casa foi se tornando um elefante branco, enorme, e um sorvedouro de dinheiro, que andava cada vez mais escasso. Dalva tinha de dormir num quartinho improvisado, cheio de poeira. A re-forma tirou totalmente seu conforto. Ao lado dela, Nuno aguentou esse momento com muita dignidade. Acho que, em sua simplicidade, sentia que ela precisava ter um elo com alguma coisa, para não deixar apagar a sua chama de vida. Precisava ter algo para lutar. Então, ele a incentivava, trabalhando na obra, dizendo que ela era uma estrela e tinha de ter uma casa como as grandes estrelas norte-americanas tinham. As atuações nessa fase, mesmo esparsas, ainda seriam suficientes para mantê-la relativamente bem, mas essas sucessivas re-formas desequilibravam completamente sua vida financeira. Nessa confusão de reforma, a presença dos amigos já não era tão frequente. Minha avó e meu avô não moravam mais lá. Já ia longe o tempo em que ela chegava em casa de madrugada, vinda de um show numa boate de lona qualquer (os circos), cansada e com o cachê que havia ganho num lenço amarrado. Os circos pagavam em dinheiro re-colhido dos ingressos e é fácil imaginar os trocadinhos que era obrigada a trazer num lenço de cabeça. Naquela época, minha mãe chegava, colocava tudo em cima da mesa e minha avó começava: “Preciso de tanto pra mercearia, de tanto pro açougue, preciso de tanto pra tinturaria…”. Muitas vezes, perdia-se o controle do dinheiro totalmente. E, quando minha mãe dava pela coisa, só sobrava o lenço. As discussões muitas vezes eram fortes: “Mas, mãezinha, eu já dei todo o dinheiro que você pediu no outro dia, todas as contas deveriam estar pagas. E, no entanto, você vem me pedir mais agora? ”. Isso era motivo de muita tristeza para ela, porque jamais procurou controlar o dinheiro que deixava com minha avó — afinal era sua mãe. Mas era deixar o dinheiro com ela, e desaparecia. Vale lembrar que meu avô, que gostava muito de sapatos, só calçava DNB, famosa marca masculina, de legítimo cromo alemão. A vida inteira minha mãe procurou amparar sua família, principalmente mãe e pai. Nessa nova reforma, construiu um aparta-mento completo e independente no fundo da casa para eles. Quando falou com minha avó Alice para ver com o marido (era seu segundo marido, o avô José, considerado como pai por minha mãe) se queriam morar definitivamente com ela, nesse apartamento, meu avô mandou dizer que só aceitaria se tivessem a escritura do apartamento. Caso contrário, não iria. Minha mãe ficou arrasada com a resposta. Ela se sentia sugada pela família. Sentia que abusavam de sua generosidade. Em meio a tanta decepção, Nuno era seu amparo, permanecendo a seu lado como fiel escudeiro da grande estrela.



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'OLHA PRO CÉU', O DÉCIMO SOLO DO PIANISTA TOMÁS IMPROTA

Por Tárik de Souza




Pianista, arranjador e compositor, Tomás Improta, 69 anos, 47 de carreira, chega ao décimo disco solo, após ter tocado por mais de dez anos com os Doces Bárbaros, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Gilberto Gil, e ainda Luiz Melodia, Djavan, Baden Powell, Lucio Alves, Zezé Motta, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Nara Leão, Elba Ramalho - e muitos mais.

Centrado no piano solo, “Olha pro céu” (Sonora) tem apenas sete faixas, duas delas autorais. A reflexiva “Karen B” e a paisagística “Silvestre: Nascente do rio Carioca”, uma das duas que contam com outro instrumentista, no caso o baixista Tony Botelho, responsável pela pontuação rítmica leve e grave. Já consagrado como violonista, o filho do solista, Gabriel Improta, é a outra participação especial, no único standard da seleção, “I concentrate on you”, do compositor americano Cole Porter, em levada suavemente bossa nova.

Gravado “com muita tranqüilidade”, entre outubro de 2015 e abril de 2016, no estúdio da Biscoito Fino, no Rio, o CD tem ainda uma releitura repleta de modulações do clássico samba canção de Ary Barroso, “Risque”, a densa “Pra dizer adeus” de Edu Lobo e Torquato Neto, e a faixa título, pérola pouco conhecida de Tom Jobim. Filho do pianista e crítico de música clássica Eurico Nogueira França e da pianista erudita Ivy Improta, Tomás também revisita o “Poema singelo” de Heitor Villa Lobos, o maestro responsável pela vinda de sua mãe, de Bauru, SP, para o Rio.

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