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Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

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Baterista do Barão Vermelho apresenta álbum que traz inédita de Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara.

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BELEZA, VOZ, VIOLÕES E TALENTO

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HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

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Publius

segunda-feira, 26 de junho de 2017

PAUTA MUSICAL: A FANTÁSTICA HISTÓRIA DOS ÍNDIOS TABAJARAS

Por Laura Macedo



Para quem não conhece a fantástica história dos Índios Tabajaras ela poderá, à primeira vista, parecer inverídica. Principalmente considerando-se de onde vieram -, são índios brasileiros autênticos, da raça tupi-tabajara, nascidos na remota e agreste serra de Ibiapaba, dentro do então isolado município cearense de Tianguá, na divisa com o Piauí -, e tendo alcançando, no chamado mundo civilizado, o que alcançaram.


Na língua tupi, receberam os nomes de Muçaperê e Erundi, que significam O Terceiro e O Quarto, pois estavam nessa ordem de nascimento dos filhos do cacique Ubajara, ou Senhor das Águas, ao todo trinta e quatro irmãos.

Em 1933, a família migrou a pé rumo ao Rio de Janeiro. A caminhada durou cerca de três anos nos quais a dupla entrou em contato com cantadores e violeiros das regiões pelas quais passaram.

Chegando ao Rio de Janeiro, por interferência do tenente Hildebrando Moreira Lima, registram-se com novos nomes, Antenor e Natalício. Em torno de 1945, fizeram uma primeira apresentação na Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro utilizando o nome de Índios Tabajaras.

Em 1953, gravaram pela Continental um disco com o baião "Tambor índio" e o galope "Acara Cary", ambas de Muçaperê. Em 1954, gravaram, também pela Continental, a polca "Pássaro Campana", motivo popular com arranjo de Muçaperê e a toada chilena "Fiesta Linda", de Luiz Bahamondes. Gravaram ainda no mesmo ano, os boleros "Maran Criun" e "Nueva Ilusion" ambos de Muçaperê. Por essa época, excursionaram pela Argentina, Venezuela e México, realizando estudos de música. Em seguida rumaram para os Estados Unidos onde ficaram se apresentando durante três anos.

Em suas apresentações varia o repertório do clássico ao popular. Para o clássico, apresentavam-se de smoking e interpretavam músicas eruditas, principalmente de Villa-Lobos, Tchaikovsky, Sibelius, Tárrega, Chopin ou então de Natalício, que compusera uma série para violão. Para o repertório popular apresentavam sambas e motivos folclóricos.

Em 1960, retornaram ao Brasil e suspenderam as atividades artísticas por três anos. Após esse tempo retornaram para os Estados Unidos. Em seguida, apresentaram-se no Japão, Europa, China e outros países asiáticos. Em 1968, retornaram ao Brasil e gravaram um disco cantando músicas havaianas.

Instalaram-se então nos Estados Unidos. No início dos anos 1970, gravaram um LP com músicas japonesas com destaque para "Sakura-Sakura". O maior sucesso da dupla foi "Maria Helena", fox que vendeu mais de 1 milhão de cópias. (Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, na internet).

"Maria Helena": Composição de Lorenzo Barcelata e versão de Haroldo Barbosa.

  


Essa música transpira o cheiro da minha infância... Minha mãe também gostava de ouvi-la no rádio...

MARIA HELENA

Maria Helena, és tu a minha inspiração
Maria Helena, vem ouvir meu coração
Na minha melodia, eu ouço tua voz
A mesma lua cheia há de brilhar por nós

Maria Helena, lembra do tempo que passou
Maria Helena, o meu amor não se acabou
Das flores que eu guardei uma secou
Maria Helena, és a verbena que murchou

Maria Helena, és tu a minha inspiração...


Da dupla apenas Natalício Moreira Lima – o genial Nato Lima (foto ao lado) – está vivo e reside em Nova Iorque, mas vem muito ao Brasil.

Li no site “Uma capital entre o Rio e Manaus” que ele está atualmente no Brasil, mas precisamente na cidade do Rio de Janeiro, onde almoçaria dia 1º de abril de 2009 , no Largo do Machado com Pablo Lima de quem é tio-avó.

“Falar de Nato Lima e dos Índios Tabajaras é sempre gratificante para mim: primeiro pelo contato direto que tenho com informações sobre eles, vindas de meu avô, Assis Lima, que possivelmente integrou a primeira formação do que viria a ser posteriormente a dupla "Os Índios Tabajaras", formada por dois de seus irmãos, Nato Lima e Tenor Lima. Depois surgem as imagens que crio em meus devaneios, ao imaginar toda uma série de situações pelos quais eles passaram, desde a infância no interior do Ceará, ao estrelato nas principais capitais das cidades do mundo. Os relatos que ouço desde criança formam um inventário de situações por mim recebidas que vivem a me emocionar e cada vez mais admirar as belas apresentações musicais que o duo de violões criou".



Vejam esse pequeno Documentário sobre os Índios Tabajaras.



Confiram suas performances executando algumas músicas, entre elas a belíssima "Valsa em Dó Sustenido Menor "- Opus 64, nº2 de Chopin.




**********

A história dos Índios Tabajaras como falei no início parece inverídica, mas é a vida real e fantástica de dois índios, de uma aldeia esquecida numa serra brasileira, que um dia iniciaram sua jornada, rumo ao sucesso, nacional e internacional, viajando a pé.


É FANTÁSTICA OU NÃO É, ESSA HISTÓRIA?

MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




22 - O casamento com Tito

Minha mãe conheceu o segundo marido quando ele veio ao Brasil se apresentar ao lado de Gôgo Andrews, com quem formava a dupla de comediantes Tito e Gôgo. Juntos, lotavam os teatros e levavam o público argentino ao delírio. Além de comediante, Tito Clemente era músico, excelente dançarino e coreógrafo (era conhecido como o Fred Astaire argentino) e diretor de programas na TV. Tito se apaixonou por minha mãe. Ela, romântica e carente, começou a curtir o clima do assédio com que ele a cercava. Jantares finos depois do show. Presentes. Convites para ir a Buenos Aires. Friozinho, vinho tinto, lareira. Ele era um homem re-finado, com educação europeia, oriundo de um tipo de família que minha mãe, até então, não havia conhecido. Uma família também de artistas. Seu pai era um conhecido tenor espanhol. A mãe, francesa, abandonou os mais finos colégios parisienses para se entregar à paixão pelo teatro. Elegância e finesse. Tudo isso contribuiu para que Dalva entrasse de cabeça em um novo relaciona-mento. Para uma mulher que veio do interior de São Paulo, pobre e tão maltratada pelo ex-marido, era algo novo, um conto de fadas, longe do cenário de tantas mágoas. Algum tempo depois que se conheceram, em meados de 1950, surgiu o convite para minha mãe gravar em Londres. Tito a acompanhou na viagem à Europa. Levou-a a museus, restaurantes, lojas finas. Demonstrando seu feeling comercial, foi o responsável pela excursão realizada por Dalva a outras cidades da Europa, conseguindo ótimos cachês para ela. Aproveitando o clima de lua de mel, casaram em Paris, na Igreja de Montmartre. No ano seguinte, 1951, oficializaram a união (por procuração) no Chile. Minha mãe começou a demorar cada vez mais em Buenos Aires. O sucesso de seus discos na Argentina facilitava esse vaivém . Tito também começou a vir ao Brasil, para a casa de Jacarepaguá. Que-ria estar perto dela. Ele nos tratava bem, mas não era carinhoso. A gente sentia que ele queria privacidade e que não gostava muito de dividi-la com os filhos. Numa das idas de minha mãe à Argentina, Tito a convenceu a viverem por lá. Ele havia acabado de receber um convite para dirigir uma emissora de TV de Buenos Aires. Combinaram que ela viria ao Brasil cumprir temporadas. Chegaram a montar uma casa, que não conhecemos — nosso pai não permitiu que vivêssemos com ela, longe dele. Era bem o que Tito queria: Dalva só para ele. Nossa única ida à Argentina foi antes de terem a casa. Ganhamos um enxoval novo para a viagem: terninhos, casacos pesados para o frio. Ficamos hospedados na casa da mãe dele, uma autêntica dama de rígida educação europeia. Era uma casa finamente decorada, com regras muito formais. Para nós, tudo parecia cenário de filme estrangeiro. A casa deles, que conhecemos apenas por fotografias, era realmente racée: decorada com móveis de estilo francês, objetos de arte, coleção de peças de marfim, tapetes caros. Um luxo só. Penso que, naqueles primeiros tempos, minha mãe se sentiu mesmo uma princesa vivendo um conto de fadas. No Brasil, uma cantora novata, Ângela Maria, começava a medir forças com Dalva. Principalmente depois de os jornais e revistas anunciarem que minha mãe, já casada com Tito e com casa em Buenos Aires, re-solvera viver na Argentina. Não era bem isso. Mas o fato de estar num país vizinho ao nosso, ser amada pelo povo argentino, fazendo sucesso com suas gravações com ídolos como Francisco Canaro, convivendo com outra família num clima tão diferente, contribuiu para ela se sentir bem e resolver que ficaria um pouco por lá. Longe dos dramas da sua vida. Aparentemente, estava feliz. Mas não sei até que ponto sentia falta do convívio com sua gente, das irmãs, de sua mãe e, principalmente, dos filhos. Estávamos definitiva-mente presos aqui, pois meu pai jamais permitiria que deixássemos o Brasil. Ela acabou voltando para o Rio. Junto veio Tito, que, numa declaração de amor mais do que explícita, deixou de lado uma carreira consagrada em seu país para acompanhá-la. Ele era uma pessoa finíssima e se empenhou em transformar a vida de minha mãe. Veio também com o intuito de gerenciar a carreira dela. Queria criar um cenário perfeito para que a grande dama da canção brasileira florescesse. Fazia tudo para que ela interpretasse sua vida como um papel dramático. Tito pretendia cuidar da imagem de Dalva. Queria que as revistas tivessem fotos dela, nos palcos ou em casa, sempre bem produzida. Queria dar dignidade a cada gesto de minha mãe. Se meu pai havia lapidado o diamante bruto, transformando-a de moça do interior em moça da capital, Tito terminou a metamorfose ao lhe dar um grande poli-mento, revelando toda a sua capacidade de brilhar. De moça da capital, meio brega, ele a transformou em mulher chique, elegante, com alguns requintes até. Na excursão à Europa, logo que se conheceram, ele lhe mostrou, de uma só vez, o mundo e o que havia de melhor nele. Apresentou-a aos grandes figurinistas, orientou-a com o cabelo rebelde, convenceu-a a deixar de usar biju-terias espalhafatosas e ensinou a importância das joias verdadeiras. Tito procurava afastar minha mãe das companhias que só se acercassem dela para beber ou tirar proveito e vantagens financeiras. Por causa desse afastamento, certas pessoas tinham ódio dele, diziam que era um cafetão de Dalva. Mas, na verdade, se alguém tentou oferecer uma conduta mais refinada à minha mãe, essa pessoa foi Tito. Ele dizia que a forma como ela vivia não era digna de uma estrela. Ela bem que tentou atendê-lo. Naquele momento, ele era o seu homem e, como tal, passou a ser mentor e organizador da grande festa que cercava Dalva no Brasil. Mas era muito difícil para ela. Não conseguia acompanhar a “cartilha” de Tito. Em sua espontaneidade, Dalva era um ser muito real — sentimento e verdade habitavam seu interior. Não se pode dizer que ela tivesse algum problema de disciplina. Ao contrário, fora treinada na intensa disciplina por Herivelto. A grande diferença é que meu pai criou para Dalva uma imagem no palco, à qual ela se empenhou em assimilar, mas nunca pretendeu moldá-la fora dos palcos. Ele não tolhia sua personalidade, deixava-a ser o que era. Tito, não. Na maioria das vezes, exigia que ela fosse uma lady, se comportasse como rainha e atuasse — esta é a palavra — o tempo inteiro. Até mesmo em casa, com a família e com os filhos. Ele queria trazer para nossa casa o clima de vida formal em que fora criado: horários rígidos, mesa muito bem -posta, roupas mais formais, mesmo em casa. Nada de penhoares ou pijamas circulando fora dos quartos. Não funcionou. Minha mãe era uma pessoa vibrante, alegre, descontraída, moleca até. Adorava uma brincadeira. E, por mais que gostasse do marido e quisesse acertar no casamento, aquele esquema fugia completamente de sua maneira de ser e de sua formação simplória de vida. Para piorar o choque cultural que pintou entre eles, a família de minha mãe, de pessoas muito simples, não suportava Tito e não conseguia absorver nada de sua nova proposta de vida para Dalva. Minha avó e meu avô foram os primeiros a gritar contra Tito, mesmo porque, ao ad-ministrar as finanças, ele não permitia que minha mãe fosse tão “aliviada” por eles dois. E assim veio o desgaste das brigas. A bem da verdade, as brigas de minha mãe com Tito, porque ele não era de encrenca. Não revidava, apenas saía para outro aposento ou para a rua. No início, devido a sua discrição, acontecia na intimidade do quarto. Mas minha mãe, muito irreverente, acabou trazendo essas discussões para a sala. Tito resistia sempre: “Dalvita, no hagas esto delante de la gente!”. Apesar dessas diferenças, minha mãe queria realmente fazer o casamento dar certo, a ponto de resolver com Tito adotar uma criança, já que ela não podia mais ter filhos. Desejosa de uma filha, eles adotaram uma linda menina, recém -nascida e moreninha, a quem passamos a amar como nossa irmã. A adoção de Gigi, batizada de Dalva Lúcia, em 1954, não trouxe nem para minha mãe nem para Tito a paz que eles esperavam . O mundo deles era muito diferente e os conflitos se sucediam . Ele tentava impor limites à minha mãe, controlar sua bebida, afastar as irmãs que a acompanhavam no conhaque e evitar que enchesse a casa de fãs, perdendo sua intimidade e a grande magia de estrela. O fantasma do ciúme também rondava o casamento — os dois morriam de ciúme um do outro. Tito tentou desenvolver algumas atividades no Brasil independentemente de Dalva. Chegou a fazer shows cômicos, mas o seu “portunhol” não o ajudava com o público. Maurício Sherman contou-me que minha mãe lhe pedira para aproveitar a experiência do marido nas suas produções, pois ele se sentia muito mal de ficar sem atuar e, pior ainda, por causa dela. Na época, Sherman era diretor da TV Tupi e o convidou para dirigir um programa infantil. De acordo com Sherman, Tito mostrou ser um profissional talentoso e se saiu muito bem no trabalho. Gigi recebeu uma atenção especial deles em sua educação, e foi se tornando uma espécie de menina-prodígio. Tocava piano e dançava balé. Minha mãe vivia exibindo-a na imprensa e levando-a aonde fosse sempre que possível. Quando conversei com Gigi sobre sua infância, ela lembrou que sofria muito com os pileques de Dalva. Ainda criança, não entendia como uma pessoa podia ser tão maravilhosa e depois ficar tão horrível. Recordamos como nossa mãe conseguia ser doce, mas também muito enérgica; como era organizada e histérica com a limpeza da casa e com a nossa higiene — ficávamos com as orelhas queimando quando resolvia limpá-las! Gigi lembrou uma coisa muito importante: quando Dalva sofreu uma operação para extirpar um tumor na área feminina, por volta de 1962, o médico a assustou muito afirmando que, se quisesse continuar a viver, teria de ficar longe até dos rótulos das bebidas. Dalva ficou aterrorizada; mesmo sendo espiritualista, morria de medo de morrer. Levou a sério as palavras por um bom tempo. Tito, aproveitando a trégua, tratou de colocá-la em tratamento médico para com - pensar os estragos da bebida. Emocionada, Gigi diz que esses dois anos, 1962 e 1963, em que ela se manteve afastada da bebida, foram os mais felizes de sua infância. Infelizmente, durou pouco e nossa mãe voltou a se descontrolar, a afogar as carências num copo, em vez de buscar dentro do ser humano que era o seu próprio alimento. Com o passar do tempo, quatorze anos juntos, Tito foi se cansando. Não conseguira mudar a trajetória da vida de Dalva e o relacionamento deles estava muito desgastado. É interessante observar que a vida amorosa de minha mãe acontecia em ciclos de quatorze anos ou, como podem preferir os estudiosos da cabala, em dois ciclos de sete anos… Convidado a dirigir um importante pro-grama de TV em Buenos Aires, Tito entregou os pontos e resolveu deixar minha mãe. Retornou à Argentina em março de 1965. Para complicar ainda mais, resolveu levar Gigi para viver com ele e sua mãe. Dalva, já chocada com a separação, aí sim ficou total-mente aturdida. Gigi, com quase onze anos, havia conquistado todos nós, principalmente minha mãe. Eram duas grandes perdas, num mesmo momento. Num gesto de desespero, minha mãe convenceu Tito a perguntar a Gigi com quem gostaria de ficar, na esperança de ser escolhida, creio eu. Para nossa surpresa e grande decepção de Dalva, ela declarou querer ir com o “papito” para a Argentina. Não gosto de recordar como minha mãe ficou transtornada — tentou de todas as formas dissuadi-lo. Propôs até uma reconciliação, mesmo sabendo que a situação entre os dois havia se tornado impossível. Ele não cedeu, e este foi mais um triste capítulo em sua vida. Minha mãe sofreu muito e o conhaque se tornou seu companheiro mais e mais frequente. Ela ligava para Buenos Aires, mas Tito não respondia. Notícias de Gigi, então, nem se fala. Ele realmente havia tomado uma decisão radical: cortar todos os vínculos com Dalva. Eu percebia que, devagarzinho, o sentimento de derrota tomava conta dela. Por mais que fizesse sucesso, não era o bastante. Ela havia jogado muitas fichas em Tito e no que ele representava — o sonho de um casamento feliz. Era insuportável assistir ao que se passava no coração de minha mãe. Mesmo procurando não dar o braço a torcer, ela se abatera muito. Não era fácil encarar o fim de um segundo casamento. E a perda do carinho de Gigi. Minha mãe ainda escreveu cartas para a filha adotiva durante muito tempo. As cartas eram rasgadas pela mãe de Tito, que não queria ligação nenhuma com Dalva. Gigi conta que a avó tinha ódio mortal de Dalva, pois considerava que ela havia destruído a importante carreira do seu filho na Argentina. Tito, infelizmente, com seu tempera-mento mais frio, permitiu esse tipo de desenlace para a relação deles. Durante o casamento, eu via que, apesar de tantas críticas da família, Tito estava real-mente empenhado em dar um novo sentido à vida de minha mãe. Lutou muito para livrá-la da bebida. Trabalhou com dedicação para dar-lhe grandeza, tanto pessoal como artística. Não foi entendido por quase ninguém . Era muito conveniente para todos — família, amigos e gravadora — considerá-lo um intruso. Sua tentativa de elevar o uni-verso de Dalva incomodava a todos, pois as-sim evitava que ela fosse tão facilmente manipulada. Passados esses anos, vejo que ele representou para mim um grande aprendizado. Os detalhes de sua elegância masculina me marcaram: ternos bem cortados, sapatos de qualidade, roupas muito bem passadas, colarinhos impecáveis, gravatas de bom gosto, vinhos finos. E suas maneiras aristocráticas me trouxeram referências muito diferentes das que conhecia: postura à mesa, discrição e delicadeza no trato com as pessoas. Embora sem perceber na época, posso dizer hoje que Tito foi meu professor de boas maneiras, cavalheirismo e civilidade.



* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

ESCANDEIO (CRISTIANE QUINTAS)

domingo, 25 de junho de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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Falar da música pernambucana sem abordar nomes como o do querido Geraldo Azevedo e do Alceu Valença, é omitir dois dos mais representativos artistas da segunda metade do século XX não apenas da música pernambucana, mas acima de tudo do cancioneiro nacional. Alceu Valença tem a sua obra muto atrelada à sonoridade existente em seu estado a partir de uma simbiose interessante que mescla a tradição da música nordestina a elementos rítmicos que fazem de sua música arraigada de uma brasilidade que vai do cais ao sertão, do frevo ao forró, de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro à Caymmi. Apesar de ter seu nome intrinsecamente ligado à Olinda, Alceu Paiva Valença nasceu na verdade no município de São Bento do Una, localizado no Agreste pernambucano e originado do que foi uma fazenda chamada Santa Cruz, pertencente a Antônio Alves Soares. Foi em São Bento do Una que teve os seus primeiros contatos com a sonoridade que viria endossar sua música anos mais tarde a partir de maracatus, cocos e repentes de viola; sem contar os cantadores de feira da região e nomes como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês. Em sua residência, a sua inspiração dava-se a partir do seu avô, Orestes Alves Valença, que era poeta e violeiro. Toda essa vivência interiorana seria crucial para a sua formação musical como se poderá se observar tempos depois a partir de algumas de suas composições e alguns álbuns temáticos como os discos "Forró Lunar" e "Forró de todos os tempos", dedicados a este gênero tipicamente nordestino. No entanto essa influência interiorana ainda iria passar por uma fusão com os elementos e gêneros que viria chegar aos ouvidos daquele garoto que em pouco tempo estaria residindo na capital do seu estado para dar seguimento aos estudos.

Por volta dos 10 anos de idade, Alceu segue para o Recife onde sofre o impacto (positivamente falando) da cultura urbana de uma grande cidade. É no Recife que nomes como Orlando Silva e Dalva de Oliveira começa a ocupar espaço entre as predileções do jovem, somando-se a estes, outros nomes como Little Richard e Ray Charles. Esse contato com o rock and roll mostra-se também impactante na sonoridade do artista anos depois como se pode observar em suas mais distintas composições. Tendo por objetivo na capital pernambucana dar continuidade aos estudos, forma-se em Direito no Recife, em 1969, mas já envolto com a música acaba por desistir da carreira jurídica assim como também da carreira de jornalista (para quem não sabe, Alceu trabalhou como correspondente do Jornal do Brasil). Pode-se dizer que a sua carreira artística teve início em 1968  apresentando-se no show "Erosão: a cor e o som", com a banda Underground Tamarineira Village, que depois transformou-se na Ave Sangria. Foi a partir daí que participou de festivais como o III Festival Universitário de Música Popular Brasileira (onde concorreu com a canção "Manhã de clorofila" e que tirou o segundo lugar). Inconformado com a decisão do júri, devolveu o troféu. Assim como Geraldo Azevedo anos antes, Alceu decide seguir para o Sudeste o afim de dar continuidade a carreira artística e buscar alcançar o merecido reconhecimento. Em 1971, vai para o Rio de Janeiro estimulado por Geraldinho e por lá começa a participar de outros festivais universitários, como o da TV Tupi por exemplo. Outras participações se deram a partir do V Festival Internacional da Canção com as músicas "Fiat Luz baby", "Erosão" e "Desafio Linda"; o IV Festival Universitário da Música Brasileira, no Rio, onde participou com as composições "Água clara", "78 rotações" e "Planetário", todas em parceria com Geraldo Azevedo e que faria parte do primeiro projeto fonográfico da dupla.

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

PROGRAME-SE


sábado, 24 de junho de 2017

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior



MOACIR SANTOS II – NOSSO GENIAL MAESTRO

Busto do compositor Moacir Santos, inaugurado em março de 2011, erguido em praça à margem do Rio Pajeú, em Flores, sertão de Pernambuco. A obra apresenta falta de manutenção, e vem se deteriorando.



Nascido em 26 de julho de 1926, em Flores, cidade lindeira ao rio Pajeú, em Pernambuco, Moacir José dos Santos ficou órfão de mãe, Julita, aos 3 anos. Morreu em 2006, aos 80 anos, na Califórnia.
Perder a mãe, ainda tão cedo, só agravou a sobrevivência dos quatro irmãos – três meninas e um menino. O pai de Moacir, José, abandonou o seio familiar para aderir a uma Força Volante que empreendia caçada ostensiva a Lampião.

Entregues à própria sorte, os irmãos foram adotados por famílias de Flores. A guarda de Moacir ficou sob a responsabilidade de sua madrinha Corina. Depois, foi tutelado pelas famílias Lúcio, aos cuidados da filha Ana, moça solteira que o colocou na escola e permitiu sua proximidade com a banda musical da cidade.

Autodidata, nos intervalos dos ensaios, Moacir aprendeu a tocar vários dos instrumentos usados pelos músicos. Aos 10 anos já lidava com trompa, saxofone, percussão, clarineta, violão, banjo e bandolim.

Aos 14 anos, sentindo-se uma espécie de escravo da família Lúcio, embora Ana Lúcio tenha lhe assegurado boa formação, Moacir já gozando de prestígio local em apresentações musicais como “Neguinho de Flores”, tomou a decisão de fugir de casa e peregrinar pelo sertão nordestino, em mais de uma dezena de cidades.

Coisa nº 5 – (Nanã), Moacir Santos e Mario Telles, canta Céu, 2007

Depois de um roteiro de incertezas e privações – ele chegou a passar fome e dormir na rua – resolveu ir para o Rio de Janeiro, no início de 1948, com a mulher Cleonice. Ali cessaram suas piores privações.

Este artigo conta com a imprescindível boa parte dos dados da biografia “Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro” (editora Folha Seca), da flautista e pesquisadora Andrea Ernest Dias.

O trabalho em que apoio esta coluna persegue a trajetória internacional de Moacir, mas também retrocede às suas décadas de formação, entre os anos 1930 e 1940. Mostra uma história de altivez e superação que beira o inverossímil, tamanhas as agruras enfrentadas pelo adolescente Moacir, dos 14 aos 18 anos.

Seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, em 1992, ajudou bastante a refazer sua caminhada.


Sou Eu (Luanne), de Moacir Santos/Nei Lopes, canta Moacir Santos.
No trombone Frank Rosolino

Moacir consagrou-se como um dos maiores compositores e arranjadores populares da música instrumental mundial. Seus quatro álbuns americanos – três pela Blue Note (The Maestro, de 1972; Saudade, de 1974 e Carnival of Spirits, de 1976) e um pela Discovery Records (Opus 3, nº 1, de 1979), não deixam dúvidas do do legado grandiloquente deixado pelo maestro nascido em berço humilde em pequena cidade do interior de Pernambuco.

Semana que vem mais coisas para nós…

10 CANÇÕES PARA A SUA AUTOESTIMA

Por Bruno Negromonte

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"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu! como diria o autor de clássicos da MPB. Para estes dias faz-se necessário um plus a mais em nossa rotina, e nada como uma boa música para isso. Segue abaixo uma lista com dez canções que nos ajuda a olhar a enfrentar dias difíceis. A sua não está abaixo? Mande-nos! Sempre é bom uma reserva de felicidade.




01 - Andar com fé (Gilberto Gil) - Lançada em 1982 no álbum "Um banda um", esta canção ganhou o gosto popular e faz-se imprescindível em muitas das apresentações do compositor baiano desde o seu lançamento. Com diversas regravações, "Andar com fé" é a primeira canção a suscitar que precisamos acreditar que as coisas hão de melhorar.




02Você é (Djavan) - Gravada pelo cantor e compositor alagoano em 1998, "Você é" traz um Djavan revigorado após a superação de problemas de cunho pessoal. Com versos marcantes como "Já que nasceu vai fundo e tudo bem..." fazendo jus ao título do álbum: "Bicho solto".




Felicidade (Marcelo Jeneci - Chico César) - Esta canção composta por Marcelo Jeneci e o paraibano Chico César, e que teve seu clipe gravado em Sairé (PE), foi apresentada no álbum de estreia do músico paulista lançado em 2010. Regravada por nomes como Amelinha, "Felicidade" chega como a terceira canção para um dia dia melhor, afinal, como diz a própria letra: "(...) há um lugar em que o sol brilha pra você".




04 - Levo minha vida assim (Monique Kessous) - Alertando-nos para nos afastarmos daqueles que "não vêem nada além de si", esta canção encontra-se no segundo álbum da cantora e compositora desta carioca que é uma das gratas surpresas dentro da MPB na última década. Aqui, o registro apresentado, foi extraído do de sua página oficial no Youtube.




05 - O que é, o que é (Gonzaguinha) - Filho do nome mais expressivo da música nordestina de todos os tempos, Gonzaguinha também seguiu na música onde só parou de produzir quando precocemente faleceu, vítima de um acidente de automóvel, em 1991. título de samba-enredo no carnaval carioca, o "moleque" do Morro de São Carlos em pouco mais de duas décadas de carreira foi responsável por inúmeros clássicos do nosso cancioneiro, dentre os quais este aqui apresentado e gravado pela primeira vez pelo autor no disco "Caminhos do coração", em 1982.




06 - Vida (Roger Kedyh - Maria Jucá) - Gravada também por Gilberto Gil no álbum "Soy loco por ti, América", esta canção celebra a vida em toda a sua plenitude. O registro aqui apresentado está presente no primeiro álbum da banda Obina Shock, banda brasiliense que teve curta duração. Nesta gravação o grupo conta com a participação especial da cantora Gal Costa e de Gilberto Gil.




07 - Boas vindas (Caetano Veloso) - Em canção composta em homenagem ao nascimento do seu segundo filho, Caetano Veloso apresenta o lado bom da vida ao pequeno Zeca dando-lhe boas vindas buscando apresentar a vida a partir do sol, da lua, da rosa, da noite, da poesia, da prosa e tantos outros elementos que nos fazem observar que nos faz ter a certeza que a dádiva que nos foi concedida é algo a ser celebrado desde o primeiro momento.




08 -  O Sol (Antonio Julio) - Gravada originalmente pela banda mineira Jota Quest, esta canção em 2011 ganhou uma versão de Milton Nascimento no álbum "E a gente sonhando...", no disco o cantor e compositor reafirma o otimismo que devemos sempre manter em nosso cotidiano, buscando superar as adversidades surgidas com a esperança de que mais a frente as coisas hão de melhorar se buscarmos soluções práticas e luz para os nossos caminhos: "E se quiser saber pra onde eu vou.. pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou...".




09 - Simples Desejo (Jair Oliveira e Daniel Carlomagno) - Música que virou sucesso na voz da cantora Luciana Mello, "Simples desejo" traz um refrão marcante em uma letra imbuída de verdades. Atentem-se, afinal a lição está em cada gesto.




10 - Envelhecer (Arnaldo Antunes / Ortinho / Marcelo Jeneci- A última canção desta primeira "seleção autoestima" é de autoria de três dois paulistas e um pernambucano e que ganhou a versão de um dos autores na última edição do "Acústico MTV" produzido no Brasil depois de exitosos projetos no mercado fonográfico brasileiro. Na letra Arnaldo Antunes diz que nada é mais demodé do que ser eternamente adolescente. Precisamos nos conscientizar que a boa idade é uma dádiva que não é concedida a todos. Por isso, ao alcançá-la, precisamos usufruí-la do melhor e mais agradável modo. Lembrem-se disso... ou melhor, ouçam esse conselho nas entrelinhas da canção. Boa audição!

MOSTEIRO, SÍTIO E CASAS DE FAMÍLIA: VISITE LUGARES ONDE BELCHIOR MOROU EM SANTA CRUZ DO SUL - PARTE 04

Por Juliana Bublitz


O sonho de construir uma torre de livros

Marina Trindade, filha de casal que abrigou Belchior, e uma das lembranças guardadas pela família: o chapéu do cantor Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS


Com o tempo, Dogival teve de procurar outros lugares para abrigar Belchior, porque a relação do radialista com Edna se desgastava. Antes de passar pelo santuário das monjas beneditinas, o músico e a companheira foram acolhidos pelo professor de Filosofia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) Ubiratan Trindade, 56 anos, e pela dona da Casa das Cucas Waechter, Ingrid Trindade, 52. Por devoção ao ídolo, ambos aceitaram a missão.

Quando a filha do casal, Marina, 22, veio de Porto Alegre, Bira e Ingrid tiveram de contar o segredo. Ela foi recebida por Belchior com um longo abraço.

— Marina, que bom que finalmente vou te conhecer. Vamos conversar? — disse o astro para a estudante boquiaberta.



Foram três meses de convivência, sendo que parte do período transcorreu no sítio da família em Murta, no interior de Passa Sete, a cerca de cem quilômetros de Santa Cruz. Lá, em dezembro de 2013, a família se reuniu com os convidados e mais um casal, o professor de Sociologia da Unisc Caco Baptista, 58, e a professora de Educação Infantil Marisa Oliveira, 50. À noite, na sala, depois de comer salmão ao molho de maracujá, o grupo botou para tocar o vinil Alucinação. "Belchior, tu tens noção do que significa esse momento para nós, que somos teus fãs?", perguntou Marisa, que horas antes tinha visto o ídolo colher cebolas roxas na horta.

— Lembro que ele riu e bebeu um gole de vinho. Foi muito marcante — emociona-se a professora.

No outro dia, durante uma caminhada, Belchior apontou para o gramado e disse:

— Meu sonho é construir uma torre de livros aqui e ficar para sempre.

Ali, anônimo, ele circulava na área externa, algo que nunca fazia em Santa Cruz. Imitava o som dos passarinhos, colhia verduras, ouvia um radinho de pilha e até cogitava gravar um clipe. Nem mesmo o agricultor Francisco Cremonese, o Chico, 59 anos, vizinho que volta e meia aparecia para ver se estava tudo bem, sabia quem era.

— Um dia entreguei uma carpa capim para os dois. Se soubesse, tinha pedido autógrafo — brinca.

Segundo os anfitriões, os visitantes nunca pagaram por nada e viviam com pouco. Ganharam roupas do irmão de Bira, comerciante em Sobradinho. De Ingrid, recebiam marmita todos os dias. Belchior, que adorava cuca de uva, não fazia qualquer exigência.

— Era muito simples, gentil e extremamente inteligente. Parece que abriu mão das coisas materiais. Nunca vamos esquecer dele — diz Bira.

A família guarda com carinho algumas lembranças, como um de seus pijamas, autógrafos em LPs, um bilhete para Marina. A universitária chorou muito com a morte do músico. Foi por influência dele que ingressou no curso de História da Arte, na UFRGS:

— Ele sugeriu que eu fizesse meu trabalho de conclusão sobre cantores que pintam e disse que aceitaria participar. Infelizmente, não foi possível.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

CANÇÕES DE XICO


SAUDADE AZUL


Estava branco de saudade até que uma borboleta multi-colorida pousou sobre sua tristeza. E trouxe-lhe notícias daquela que lhe provocava tamanha dor, agora tão distante dali. A partir daquele instante, cabeça, tronco, membros e alma se azularam de um azul tão celestial que foi como se ela estivesse voltando, já chegando, dali a pouco. Clareou-se o céu, as nuvens pararam de se movimentar e de formar bichinhos esquisitos no céu e toda a sua atenção concentrou-se na estação do voltar, para a chegada de seu bem querer. No delírio, mil beijos, mil bocas, mil palavras. Em pouco tempo, escurecido o tempo, foi-se a borboleta, foram-se os sonhos. E os mil beijos que poderiam ter o mesmo sabor bom da mesma boca beijada mil vezes converteram-se em mil silêncios, em milhares de escuros no peso daquela alma tão saudosa.

ARTISTAS PEDEM AJUDA PARA LANÇAR DISCO COM CHOROS DE DOMINGUINHOS

Projeto para viabilizar lançamento do 'Choro do Sertão' quer explorar lado menos conhecido do cantor pernambucano


Músicos Henrique Araújo e integrantes do grupo Regional Imperial, cujos integrantes são João Camareiro, Junior Pita, Lucas Arantes e Rafael Toledo. (foto: Projeto Choro do Sertão/Divulgação e Ricardo Fernandes/DP)


Um projeto de financiamento coletivo levanta fundos para viabilizar o lançamento de um álbum dedicado às composições de choro de Dominguinhos. A iniciativa é encabeçada pelo bandolinista Henrique Araújo, que pretende explorar a face menos conhecida do músico pernambucano, morto em 2013.

Se a meta de R$ 20.608 for atingida, o resultado será o disco Choro do Sertão, composto por 13 composições instrumentais, sendo duas delas inéditas. A produção contará com a participação do grupo Regional Imperial (cujos integrantes são João Camareiro, Junior Pita, Lucas Arantes e Rafael Toledo), do percussionista Alfredo Castro, e dos sanfoneiros Toninho Ferragutti e Mestrinho. 

De acordo com Henrique Araújo, o grande desafio é fazer a adaptação das canções, compostas para serem executadas no acordeom, para o bandolim e demais instrumentos de cordas, como violão, cavaquinho e violão de 7 Cordas. As gravações já começaram e o crowdfunding tem como objetivo proporcionar a finalização do projeto no prazo de sete dias restantes.

Ao todo, 115 pessoas já colaboraram como valor mínimo de R$ 15, constituindo 36% da meta geral - a quantia de R$ 13.113 ainda precisa ser arrecadada até o dia 30 de junho na plataforma Patio. Clique aqui para doar.

Quem apoiar o projeto de Choro do Sertão pode ganhar recompensas dependendo do valor da contribuição, como o agradecimento no encarte do disco, uma cópia autografada do CD, um e-book com todas as partituras das composições de Dominguinhos, uma camisa temática, um vinil do cantor de Garanhuns, aulas particulares de bandolim e cavaquinho online ou presenciais ou até um pequeno show particular.

Aos 31 anos, Henrique é diretor musical e regente do Cordão Carnavalesco Assim é que é e faz parte dos grupos Cadeira de Balanço, Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo, Alexandre Ribeiro Quarteto, Batuqueiros e sua Gente e Quarteto Aeromosca. 

Conhecido sobretudo pela contribuição ao forró com a sanfona, Dominguinhos teve influência de mestres como de Luiz Gonzaga e Orlando Silveira.


Fonte: Diário de Pernambuco 

LUIZ GONZAGA TEM 15 DISCOS LANÇADOS NAS PLATAFORMAS DIGITAIS

Gravados na Extinta RCA, Estes Discos Nunca Saíram em CD


Por José Teles


Luiz Gonzaga, o baião digital


Da caudalosa e preciosa obra gravada de Luiz Gonzaga, talvez não chegue a duas dezenas as canções que frequentam o repertório apresentado nos palcos dos arraiais juninos no Norte e Nordeste, com ênfase para Asa Branca (dele e Humberto Teixeira). A maioria do que se canta de Luiz Gonzaga é de clássicos dos anos 50, sobretudo os que levam a assinatura do advogado Humberto Teixeira e do médico Zé Dantas, os doutores do baião. Isto se deve, em boa parte, às rádios insistirem num repertório de obviedades e de quase toda discografia do Rei do Baião, a partir dos anos 70, não ter chegado ao CD. Talvez nem cheguem, já que esse suporte, salvo alguma reviravolta inesperada, está no fim da linha, substituído pelo formato digital.

E foi nesse formato que 15 álbuns, gravados entre 1970 e 1988, voltam a circular nas várias plataformas digitais, repostos pela Sony Music, que detém o riquíssimo acervo da RCA. Espera­se que o público cativo de Lua, os autodenominados gonzaguianos, acostumem­se a escutá­lo neste formato, já que boa parte ainda permanece arredio ao moribundo compact­disk. Luiz Gonzaga é o DNA do forró, este guarda­chuva imenso sob o qual se abriga os mais diversos ritmos da região, quase todos estilizados e arquitetados por ele e seus seminais parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas. Porém, paradoxalmente, ele não parou no tempo, sua música desenvolveu­se, acompanhando as transformações do país em geral, e do Nordeste em particular.

Escanteado pela bossa nova, em 1959, o baião saiu da vitrine no Sudeste. Porém o pior estaria para chegar. O estrondoso sucesso da Jovem Guarda, a partir de 1965, foi devastador para a música regional (não apenas nordestina). Forró, até mesmo no sertão, tornou­se cafona, coisa do atraso. Em 1968, Gonzagão dava uma entrevista à revista Veja, em sua casa, na Ilha do Governador, anunciando a aposentadoria. Dois anos depois, ele voltaria ao estúdio da RCA, para gravar Sertão 70. Um disco com músicas de, entre outros, Antonio Barros (A Noite É de São João), Onildo Almeida (Xote de Saiote), Dominguinhos e Anastácia (Já Vou Mãe). 
A música que dá nome ao disco é de José Clementino, autor de Xote dos Cabeludos, uma diatribe bem humorada contra os roqueiros da Jovem Guarda.

O disco não fez sucesso, assim como o LP seguinte, O Canto Jovem de Luiz Gonzaga, uma tentativa de se aproximar da geração dos festivais, parte dela fora do Brasil por causada ditadura militar. A sonoridade do álbum é diferente, tem outra instrumentação, e os seus habituais fornecedores não estão no repertório, comexceção de Humberto Teixeira (voltaram às boas em 1968). É de Teixeira, aliás, a faixa que fecha o disco, um quase manifesto, intitulado Bicho Eu Vou Voltar, ele faz uma intervenção no final, citando os novos, Edu, Caetano, Vandré, ressaltando a importância da obra que criou com Gonzaga.


VOLTA

Ele voltaria mesmo a partir de 1972, quando fez uma temporada antológica no Teatro Tereza Rachel, em Copacabana. Pela primeira vez Luiz Gonzaga alcançava um público classe A, universitário, e adotava a guitarra elétrica no seu grupo. O show Luiz Gonzaga Volta pra Curtir reconfigurou a carreira do velho Lua, revelou sua verdadeira dimensão para a nova geração de artistas da MPB, que agora também incluía roqueiros fazendo música para adultos. Lua não saiu atropelando a tradição, incorporando modernices. Seu disco de 1972, Aquilo Bom, é uma atualização do forró. Os temas agora são mais amenos, bem humorados, mais urbanos. O sucesso do disco foi Aquilo Bom (As Garotas do Leblon), parceria com Severino Ramos. Ele estava amassando o massapê do chão, na nova casa que levantara para o forró.

A casa ficou quase pronta no disco seguinte, São João Quente, um dos que mais trazem composições de Gonzagão sem parceiros (Fuga da África, De Juazeiro a Pirapora, Impertinente e uma regravação de Vira e Mexe). O disco também confirma o talento de um novo compositor, o pesqueirense Nelson Valença, de quem gravou três músicas (sem parceria).

Um desentendimento com a cúpula da RCA levou Gonzagão para a Odeon, onde gravou um único e ótimo LP, que teve cinco composições de Nelson Valença, inclusive a inovadora O Fole Roncou. Intitulado apenas Luiz Gonzaga (1973), este álbum é raridade em vinil. No ano seguinte, Lua estaria de volta a RCA, pela qual gravou quase toda sua obra. Daquele Jeito não fez tanto sucesso, mas tem um repertório de primeira qualidade, uma obra­prima de Jandhuy Finizola, Cavalo Criolo, e um grande sucesso, Daquele Jeito (com Luiz Ramalho).

Os relançamentos deixam de fora o disco ao vivo com Carmélia Alves (1976) e Capim Novo (1976), saídos em CD. Este último um dos grandes álbuns de Luiz Gonzaga. Em 1978, ele lança outro álbum obrigatório, Chá Cutuba, um repertório linear na qualidade, com Humberto Teixeira (que morreria no ano seguinte) participando com dois clássicos instantâneos, Chá Cutuba e Menestrel do Sol. Gonzaga contribui sozinho com Karolina com K. Mesmo discos menos felizes deixam pelo menos uns dois clássicos como Dengo Maior, que abre com Alegria de Pé de Serra, marchinha junina de Dominguinhos e Anastácia. Como curiosidade, um baião de Capiba, Engenho Massangana. E mais um clássico de Luiz Bandeira, Viola de Penedo.


1980

Depois de Eu e Meu Pai (1979), vêm discos de regravações. Em Quadrilhas e Marchinhas Vol.2. um potpourri que toma o álbum inteiro. O Homem da Terra mescla antigos sucesso com inéditas (uma em homenagem a Humberto Teixeira). Em A Festa (1981), ele tem participações de Milton Nascimento, Zé Marcolino, Emilinha Borba e Gonzaguinha. Eterno Cantador marca os seus 70 anos de vida, um disco de inéditas e clássicos. 70 anos de Sanfona e Simpatia tem participação de Alceu Valença (em Plano Piloto), composições de Jurandy da Feira, Rildo Hora e João Silva, que daí em diante se tornaria seu principal fornecedor e parceiro. Fechando o disco, Tamborete de Forró (Artulio Reis), um xote que só estouraria paravaler anos depois, na voz de Santanna O Cantador.

Vem a fase derradeira de Gonzagão, que encerra a carreira emplacando sucesso atrás de sucesso, já assimilado por todas as classes sociais e faixas etárias. João Silva marca essa fase. Mesmo que um dos maiores sucessos de Lua na década foi Forró nº1 (Cecéu), em dueto com Gal Costa, mais um clássico. Forró de Cabo a Rabo (1986), De Fiá Pavi (1987), estouraram, respectivamente, Forró de Cabo a Rabo, Nem se Despediu de Mim.

Luiz Gonzaga não tinha mais o vigor vocal em 1988, quando lançou Aí tem Luiz Gonzaga (que tem participação de Geraldo Azevedo), com oito faixas assinadas por João Silva, e o derradeiro pela RCA. No mesmo ano ainda dividiria mais um disco com Fagner. Passaria gravar pela Copacabana que, forçando a barra, lançou quatro discos de Gonzagão em apenas um ano. Destes apenas um mantém o padrão de qualidade do artista, Vou te Matar de Cheiro.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*




Canção: Cassino

Composição: Moreira da Silva - Manoel Fernandes 

Intérprete - Moreira da Silva

Ano - 1938

LP - Columbia 8.363-A - matriz 3599



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

FUNDAMENTAL PARA A MÚSICA BRASILEIRA, PIXINGUINHA É DUPLAMENTE CELEBRADO EM 2017

Nascido há 120 anos, o instrumentista e compositor também é autor de Carinhoso, um de seus maiores sucessos, que completa um século neste ano


Por Alexandre de Paula 


(foto: PEDRO DE MORAES/DIVULGAÇÃO )

No universo da música brasileira, Pixinguinha foi mais que um gênio. O fervor por ele era tanto que o jornalista Fernando Faro, criador do icônico programa Ensaio, da TV Cultura, chegou a afirmar que o músico era um “santo”. Por isso, ele dizia que Pixinguinha morreu dentro de uma igreja em Ipanema durante um batizado, em 1973 – o que de fato ocorreu. Canonizado ou não, é quase unânime que o instrumentista e compositor é um dos nomes mais fundamentais para a música brasileira. Os 120 anos de seu nascimento foram comemorados ontem.

Além dessa data, 2017 registra os 100 anos de Carinhoso, um dos maiores sucessos do compositor. A música foi composta em 1917, mas só se tornou popular 20 anos depois, quando o cantor Orlando Silva gravou uma versão (com letra de João de Barro).

“Pixinguinha foi o primeiro continente da nossa música no século 20. Digo que a música brasileira tem excelentes países, mas apenas dois continentes: ele e Tom Jobim”, afirma o historiador e pesquisador musical André Diniz, autor de Pixinguinha — O gênio e o tempo, uma biografia do músico.

Segundo Diniz, Pixinguinha foi responsável por modernizar e sistematizar parte da música produzida no século 19. “Ele é um grande herdeiro da música do período. Tanto da que era tocada nas ruas do Rio de Janeiro, com forte influência africana, quanto da música de banda e até da música de escola, mais formal”, explica.

Coordenadora de música do Instituto Moreira Salles (que mantém o acervo do músico atualmente), Bia Paes Leme também aponta que Pixinguinha foi um herdeiro da produção do século 19. Bia lembra que, por ser de uma família de músicos, Pixinguinha teve contato em casa com o choro tradicional e com outros ritmos, como a polca. “Pixinguinha pega isso e carrega para o século 20 com a abertura que ele tinha para receber novas influências e para ele próprio experimentar e criar”, comenta.

Também flautista, Bia destaca que a carreira de Pixinguinha tinha três facetas: a de arranjador, a de compositor e a de instrumentista. “Ele tem essa coisa multifacetada e permite muitos cruzamentos com diversos personagens da música brasileira, muito especialmente no início do século 20”, afirma.

A coordenadora ressalta também que, no caso de Pixinguinha, o reconhecimento não foi tardio. Desde o começo, a genialidade dele como instrumentista, compositor e arranjador foi constatada. “Na pesquisa de periódicos da época, o que impressiona muito é a admiração com que os críticos falavam dele. Existe a ideia de que, em geral, o tempo tende a agigantar as pessoas e que, no futuro, fala-se melhor do que se falou na época, mas com ele não foi assim.”


CHORO

Apesar de ter influências do que era produzido no Brasil naquele período e até de ritmos estrangeiros, Pixinguinha foi capaz de produzir de uma maneira muito própria, acredita Bia. Isso foi fundamental para desenvolver o choro como o conhecemos hoje. “Nas harmonias, por exemplo, você estuda algumas delas e não sabe se são do jazz ou de onde elas vieram, porque são coisas que ele criou. Então, ele deu uma carta de alforria para o choro se atualizar, se desenvolver”, afirma.

André Diniz concorda que o compositor e instrumentista foi importantíssimo para que o choro se consolidasse como gênero. “O choro é tanto uma forma de interpretar quanto um gênero musical e Pixinguinha sedimenta isso. Não é que não houvesse antes, mas ele foi o primeiro a oferecer uma produção volumosa e de grande qualidade”, comenta.

Para Diniz, o fato de Pixinguinha ter uma formação musical sólida e saber ler e escrever partitura contribuiu para consolidar o choro. “Ele foi um dos primeiros a registrar em partituras aquilo que era tocado, também por isso foi um grande catalisador para o gênero”, completa.

Além do choro, Bia Paes Leme acredita que ele influenciou muito a música brasileira que veio depois. “Claro que há outros nomes, mas a música brasileira foi para um outro patamar com ele. Essa música elaborada (feita por artistas como Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Milton Nascimento) certamente bebeu dessa fonte. A inquietação de Pixinguinha ficou no DNA da nossa música”, garante.


IMS disponibiliza acervo na internet

Por meio de um site (ht tp://www.pixinguinha.com.br), o acervo do Instituto Moreira Salles sobre o músico será disponibilizado para o público. A versão final da publicação deve entrar no ar nos próximos dias, segundo a coordenadora Bia Paes Leme.

O trabalho, conta Bia, está sendo desenvolvido desde 2009, e a intenção é que seja constantemente atualizado. “A ideia é que o site seja uma publicação em progresso, porque continuamos pesquisando e estamos também abertos a contribuições. Então, contamos com as pessoas que tenham algum material sobre ele, que vistam a camisa para ir complementando esse acervo”, explica.

O material inclui partituras, fotos, recortes de jornal, documentos, correspondências, gravações, discografia e registros de itens pessoais do músico. Bia acrescenta que a pesquisa revelou diversas composições inéditas de Pixinguinha. “Em negociação com a família – que é quem deve definir como isso será lançado –, também queremos disponibilizar essas composições posteriormente”, ressalta.


DUPLO ANIVERSÁRIO

Inicialmente, acreditava-se que a data de nascimento de Pixinguinha seria 23 de abril, por isso o Dia do Choro é comemorado nessa data. Mas o pesquisador Alexandre Dias encontrou o livro de registro de Pixinguinha em cartório, cuja data é 4 de maio.

FECHADO EM 2013, CENTRO DE CONVENÇÕES DA UFPE SOFRE COM ABANDONO

Espaço está fechado desde 2013, espaço espera verbas para início de reformas


Espaço está fechado desde 2013 e espera por verbas


O Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco, principalmente seu teatro, já sediou peças, shows, festivais e eventos voltados para diferentes segmentos culturais. Era parte da agenda cultural do Recife. Fechado desde 2013 para reforma, que deveria durar dois anos, o local estava cercado de (boas) prospecções: reparo dos dois auditórios, inauguração de um cinema e requalificação do teatro. Porém, o cenário, hoje, é outro: abandonado, o local é uma sombra dos seus dias de glória e representa um triste retrato da situação de vários espaços culturais do Recife e de Olinda.

Inicialmente, o Centro de Convenções da UFPE seria fechado para reforma em 2014, após a Copa do Mundo, mas problemas na estrutura do piso fizeram com que fosse antecipado. Os levantamentos orçamentários tiveram início em 2014, com a licitação iniciada em 2015, mas finalizada apenas em 2016, devido a problemas com a primeira vencedora do processo. Em março do ano passado, um vendaval deslocou parte do telhado e, para evitar maiores danos, a universidade recorreu a uma verba emergencial do Governo Federal, que possibilitou a troca de toda a cobertura.

Agora o projeto de reforma está nas mãos da empresa ATP Projetos, que segundo Ana Julia de Souza, diretora do local, já iniciou um novo levantamento para saber as necessidades reais do projeto. “O primeiro espaço a ser finalizado será o setor de eventos, previsto para final de julho. Os levantamentos realizados em 2014 levaram a um orçamento preliminar em torno de 48 milhões, mas só saberemos o valor atualizado após a conclusão do projeto pela ATP, o que deverá ocorrer por volta de agosto”, explicou Ana Julia.


MELHORIAS

Após a conclusão do projeto – que inclui reforma do teatro, da plateia ao palco, passando pela climatização e outros aspectos técnicos, dois auditórios (um com 300 e outro com 200 lugares), cinema com tecnologia digital e capacidade para cerca de 250 pessoas, e salas de trabalho, além de melhorias na concha acústica – será realizada uma nova licitação para execução das obras. De acordo com a gestora, a expectativa é que o Centro de Convenções seja reaberto em 2019.


Fonte: JC Online

PROGRAME-SE


quarta-feira, 21 de junho de 2017

GARGALHADAS SONORAS

Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passa disco, se preferir)




Resultado de imagem para pass adisco

Cliente chega procurando pen drive com músicas de forró... Digo que não tenho e que é ilegal comercialização do mesmo. Pois é preciso autorização dos proprietários dos fonogramas, cantores, compositores, etc, etc, etc.

Minutos depois ele começa a falar em impostos, encargos, preços de estacionamento... E é claro; em corrupção. E sai com a famosa frase:

- Nesse País só tem ladrão!

Olho pro meu amigo Nilson Araujo (que escutava calado o bate-papo) e dou apenas uma risadinha amarela.

Com a vontade de dizer:

- Pois é amigo, até o senhor quer roubar os artistas! E ferrar com os lojistas que insistem em comercializar mídias originais.

NARA LEÃO TEM DISCOS RELANÇADO EM PLATAFORMAS DIGITAIS

Por José Teles



Nara Leão completaria 75 anos em 19 de janeiro de 2017, pouco lembrada pelas novas gerações consumidoras de música. Numa época de cantoras de vozeirão, como Elis Regina, de performances dramáticas, feito Maria Bethânia, ou de flertes com a vanguarda, como a Gal Costa tropicalista. Com voz de pequena extensão, foi intérprete sutil, de extremo bom gosto na escolha do que cantava, de antenas ligadas para o novo. Não era de seguir tendências, mas de aponta-las.

Esteve discretamente presente no nascimento da bossa nova, porém ao começar a carreira preferiu a descoberta de autores iniciantes, e velhos sambistas. Alistou-se na trupe tropicalista, e quando a barra pesou, abrigou-se da ressaca dos anos 60, em Paris, quando enfim gravou a bossa nova que a geração udigrudi esnobava (o álbum Dez Anos Depois, 1971). Seus sucessos radiofônicos foram poucos para a qualidade da obra, cuja importância evidencia-se pelo relançamento em CD de quase todos seus discos.

Álbuns do final dos anos 70, e parte do que chegou às lojas nos anos 80, foram relançados, nas plataformas digitais, pela Universal Music. Os discos: Um Cantinho, Um Violão (com Roberto Menescal, 1985) Meus Sonhos Dourados (1987), Raridades II (2002), Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (1978), Abraços e Beijinhos e Carinhos Sem Ter Fim (1984), Meu Samba Encabulado (1983), Nasci Para Bailar (1982), Nara Canta em Castellano (1979), Romance Popular (1981), Com Açúcar, Com Afeto (1980).

Destes, tem a peculiaridade de Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, que poderia ter voltado com o título original, Que Tudo Vá pro Inferno e a faixa que batiza o álbum, dedicado à música de Roberto Carlos. O Rei, que recentemente tirou do index este que foi seu primeiro sucesso marcante (em 1965), exigiu que a canção fosse limada do disco. Sem a música o disco mudou de nome.

Com Açúcar e com Afeto é também dedicado a um compositor, Chico Buarque, que participa de três faixas, Vence na Vida Quem Diz Sim (com Ruy Guerra), Dueto, e Mambembe. São todos álbuns de ótimos repertórios, com o padrão de qualidade de Nara. Alguns se destacam, como é o caso de Meu Samba Encabulado, com uma seleção musical que vai de João Pernambuco (Brasileiro, com José Leal), e Leonel Azevedo e Meira, de Quando a Saudade Apertar.

Nara Canta em Castellano é o mesmo Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos, em espanhol, sem a faixa proscrita por Roberto Carlos. O Raridades II, compilada pelo produtor Marcelo Fróes (da Discobertas), reúne curiosidades em discos avulsos, e participações especiais de Nara Leão, canções como Cineangiocoronariografia (Pedro Caetano/Alcyr Pires Vermelho/Manuel Baña). A gravadora poderia aproveitar os 50 anos do tropicalismo para relançar os fundamentais Nara Leão (1968), e Coisas do Mundo Minha Nega (1969).

Confira Nara Leão em Como Será o Ano 2000?:

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