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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sábado, 29 de abril de 2017

ODETE AMARAL, 100 ANOS


Filha caçula do lavrador Alfredo Amaral e de Albertina Ferreira do Amaral, Odete nasceu em Niterói, mas com um ano sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o pai se tornou chofer de caminhão. Aos seis anos de idade entrou para o Colégio Uruguai, onde fez todo o curso primário. Em 1929, empregou-se na América Fabril como bordadeira. Por sua bonita voz, era sempre convidada a cantar no teatro da escola, além de festas de aniversário. Sua irmã, que muito a admirava, levou-a à Rádio Guanabara em 1935, na época dirigida por Alberto Manes, para que fizesse um teste. Fez a prova acompanhada pelo pianista Felisberto Martins, cantando "Minha embaixada chegou", de Assis Valente. Com o sucesso do teste, a cantora foi logo escalada para participar do programa "Suburbano", onde também se apresentavam Sílvio Caldas, Marília Batista, Noel Rosa, Almirante, Aurora e Carmen Miranda, entre outros. Levada por Almirante, passou a cantar também na Rádio Clube. No mesmo ano, participou da inauguração do Cassino Atlântico e pouco depois, apresentava-se na Rádio Ipanema. Atuou ainda em várias emissoras, dentre as quais a Sociedade, a Philips e a Cruzeiro do Sul. Por essa época atuou no teatro cantando "Ganhou mas não leva", de Milton Amaral, em uma revista levada no João Caetano. Em 1936 gravou seu primeiro disco, na Odeon, interpretando os sambas "Palhaço", de Milton Amaral e Roberto Cunha e "Dengoso", de Milton Amaral. Em seguida, foi levada por Ary Barroso para a RCA Victor, onde estreou com a batucada "Foi de madrugada" e a marcha "Colibri", ambas de Ary Barroso. Paralelamente, cantava em coro, atuando em muitos discos de colegas como Francisco Alves, Mário Reis e Almirante. No mesmo ano, assinou o primeiro contrato de sua carreira, na Rádio Mayrink Veiga. Por essa época , recebeu de César Ladeira o slogan de "A Voz Tropical". Em 1937, participou da inauguração da Rádio Nacional, onde permaneceu por dois anos. No mesmo ano gravou o samba "Sorrindo", de Ciro Monteiro e L. Pimentel, a rumba "Terra de amores", de Gadé e Valfrido Silva, o samba-canção "Só você", de Haníbal Cruz, além da marchinha "Não pago o bonde", (J. Cascata- Leonel Azevedo), sucesso no carnaval. Em 1938, casou-se com o cantor Ciro Monteiro, com quem teve um filho. Ainda em 1938 gravou de Ataulfo Alves e Alcebíades Barcelos, os sambas "Ironia" e "Não mando em mim" e de João da Baiana, o samba "É melhor confessar do que mentir". Em 1939 se mudou para São Paulo SP, contratada pela Rádio Cultura, onde atuou durante uma ano e meio, percorrendo vários estados do Brasil nos intervalos dos programas, acompanhada de Ciro Monteiro. Participou do filme da Cinédia "O samba da vida", de Luís de Barros.



Ainda em 1939 gravou com Ciro Monteiro os sambas "Sinhá, sinhô" e "Bem querer", ambos de Aloísio Silva Araújo. Em 1940 gravou a marcha "O gato e o rato", de Wilson Batista, Arnô Canegal e Augusto Garcez, a batucada "Eu já mandei", de J. Cascata e Leonel Azevedo e o samba "Quando dei adeus", de Ataulfo Alves e Wilson Batista. Em 1941 retornou para a Rádio Mayrink Veiga, no Rio, e lá ficou por seis anos. No mesmo ano gravou a marcha "Serenata", de Felisberto Martins e Sá Róris, o samba "Pode chorar se quiser", de Roberto Cunha e o frevo canção "Não sei o que fazer", de Capiba. No mesmo período passou a gravar na Odeon, onde estreou com a valsa "Minha primavera", de Gadé e Almanir Grego e a fantasia "Minha voz", de Eratóstenes Frazão. Em seguida, gravou "Não quero dizer adeus", samba-choro de Laurindo de Almeida. Em 1942 gravou os sambas "Quem não chora não mama", de Laurindo de Almeida e Ubirajara Nesdem, "Caminhar sem destino", de Felisberto Martins e Henrique Mesquita e "Por causa de alguém", de Ismael Silva. Em 1943 registrou o fox canção "Primavera em flor", com música de Georges Moran sobre versos do poeta J. G. de Araújo Jorge, e os sambas "Favela morena", de Estanislau Silva e João Peres e "Resignação", de Geraldo Pereira e Arnô Provenzano. Em 1944 gravou de Geraldo Pereira e Ari Monteiro, o samba "Carta fatal", com o Quarteto de Bronze, a valsa "Toureador", de Georges Moran e Osvaldo Santiago, e o choro "Murmurando", de Fon-Fon e Mário Rossi, seu maior sucesso que tornou-se um verdadeira clássico da MPB. Em seguida lançou de Haroldo Lobo e Eratóstenes Frazão a marcha "Quem tem mágoa bebe água". Passou um período em que realizou poucas gravações, fazendo alguns registros no pequeno selo Star, entre eles, a marcha "A moleza do faquir", de Dênis Brean e Osvaldo Guilherme e o samba "Por que mentir?", de Luiz Antônio e Ari Monteiro. Atuou na Rádio Mundial de 1947 a 1951, ano em que, contratada pela Rádio Tupi, se apresentou no programa matutino O Rio se Diverte e, à noite, no Rádio Seqüência G-3. Em 1949 chegou ao fim seu casamento com Ciro Monteiro. Em 1951 retornou para a Odeon com os choros "Bichinho que rói", de Dênis Brean e "Mais uma vez", de Cachimbinho e Delore. No mesmo ano, assinou contrato com a Rádio Tupi.


Em 1952 re gravou o clássico samba canção "Ai Ioiô", de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto. No ano seguinte gravou "Carneirinho de São João", marcha de Luiz Vieira. Em 1954 gravou os sambas "Nasceu pra sofrer", de Arnô Provenzano, Isaias Ferreira e Oldemar Magalhães e "Vem amor", de Enésio Silva, Isaias Ferreira e Jorge de Castro. Ainda nesse ano lançou o samba-canção "Quando eu falo com você" (Mário Rossi e Gadé), o choro "Girassol" (Mário Rossi), o ritmo afro "Pai Benedito e Iemanjá" (Henrique Gonçalves), o samba-canção "Divina visão" (Vargas Júnior) e "Cruz para dois" (Chocolate e Jorge de Castro), além da regravação do samba-canção "Carteiro" (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins). Em 1957 assinou contrato com a gravadora Todamérica, na qual estreou com os sambas "Dedo de Deus", de Raul Marques e Ari Monteiro e "Tô chegando agora", de Monsueto Menezes e José Batista. No mesmo ano lançou seu primeiro LP, com arranjos do maestro Guio de Moraes, "Tudo me lembra você". Em 1959 lançou o samba "Enquanto houver Mangueira", de Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr. Em 1962, assinou contrato com a Copacabana. Um de seus trabalhos mais interessantes foi o LP "Do outro lado da vida - Os que perderam a liberdade contam assim sua história", gravado com Cyro Monteiro Jr., no qual interpretou composições de presidiários do então estado da Guanabara e de São Paulo, entre as quais, "Luar de Vila Sônia", valsa de Paulo Miranda, "Nos braços de alguém", samba canção de Quintiliano de Melo e "Silêncio! É madrugada", samba canção de Wilson Silva. Lançou também, com Silvio Viana e seu conjunto, o LP "Sua majestade Odete Amaral - A rainha dos disc jockeys". Em 1968 lançou com sucesso dois sambas clássicos da MPB, "Alvorada no morro" (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho) e "Sei lá, Mangueira" (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho), além de "Tempos idos" (Cartola e Carlos Cachaça), que ela gravou ao lado de Cartola, todas gravadas no mesmo disco, o histórico "Fala Mangueira", ao lado de Cartola, Clementina de Jesus, Nélson Cavaquinho e Carlos Cachaça. Em 1975, participou da série "MPB 100 ao vivo" irradiada pelo projeto Minerva, Rádio MEC, em cadeia nacional de emissoras. Ao lado de Paulo Marques, cantava os grandes sucessos dos anos 1930. A série de 30 programas deu origem a oito LPs criados por seu produtor Ricardo Cravo Albin. Dois anos mais tarde, participou do show "Café Nice", ao lado de Paulo Marques e Altamiro Carrilho, com direção e narração de Ricardo Cravo Albin. Uma das cantoras populares brasileiras de voz mais pessoal e afinada, nunca chegou a atingir o estrelato de cantoras como Carmen Miranda, Aracy de Almeida ou as irmãs Linda e Dircinha Batista, mas é ainda hoje considerada uma melhores intérpretes brasileiras da década de 30 e de todos os tempos.


Fonte: Cantoras do Brasil

sexta-feira, 28 de abril de 2017

CANÇÕES DE XICO


SONHO MATUTO


– Ah, essa menina da pele cor de canela: se eu fosse 10 anos mais novo que tu ou tu 10 anos mais veia que eu, eu te tomava dos teus sete namorado, fazia tu se amuntá na garupa de meu cavalinho Reitrop e te carregava mode tu ser rainha no meu reino encantando da Guaratiba, na serra vizinha dos anjo, encostadinha no céu. Lá onde a lua fica bem pertim do chão, onde a gente agarra as nuve, basta levantar as mão. E aí, de tardezinha, a noite já se anunciando e o sol se espriguiçando atrás dos morro, eu ia te dá tanta estrela de presente que um home inteligente não ia sabê contá. Nenhuma delas ia briá mais que meus ói quando encontra os teu. Depois, mode te alegrá, cantava uma moda bem bonita só pra te fazê feliz. Mas 10 anos é muito ano pra gente se impariá e eu sei que é impussive, que o tempo nem volta nem se adianta, tem sua velocidade própria. Por isso, mas só por isso, de hoje pra frente eu vou namorá mais tu em todo sonho que eu sonhá.

BANDA BLITZ VOLTA AO ROCK IN RIO PARA REVIVER OS ANOS 80

Grupo comandado por Evandro Mesquita vai se apresentar em 16 de setembro ao lado de Alice Caymmi e Davi Moraes



Evandro Mesquita (centro) com a nova formação da Blitz 


A banda Blitz, que tocou na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, vai se apresentar no dia 16 de setembro no Palco Sunset. Em um encontro com Alice Caymmi e Davi Moraes, a banda lança o novo trabalho Aventuras II, de inéditas do grupo.

O convite para que a cantora esteja na apresentação foi feito por Evandro Mesquita, líder da Blitz, que em conversa com o diretor artístico do palco Zé Ricardo, relatou ter convidado a artista. "Alice gravou com a gente o novo álbum e ficou imensamente feliz. Na mesma hora ela me disse: faça de mim o que você quiser’", lembra Evandro.

Para Zé Ricardo, a entrada de Alice Caymmi neste encontro está conectada ao novo repertório da Blitz e da cantora, que traz uma nova roupagem e invade o mundo das batidas do funk. "Será um momento sensacional onde os hits cariocas não deixarão ninguém parado e a guitarra de Davi Moraes trará um 'molho' ainda não visto pelo público", afirma.

Já está programada a entrada de um carro no palco e toda a performance teatral que a Blitz ensinou muita gente a seguir. O público vai relembrar e cantar os maiores sucessos como Betty Frígida, Weekend, Egotrip, Mais uma de amor (Geme Geme), A dois passos do paraíso, Biquíni de bolinha amarelinha, entre outros.


Fonte: Agência Estado

ANTONIO MARCOS, 25 ANOS DE SAUDADES




O Último Romântico


Antônio Marcos levou multidões à loucura com sua bela voz e porte de galã. Cantor e compositor de clássicos populares dos anos 70, fez Roberto Carlos vender milhares de discos com a música “Como Vai Você”. Ex-marido da cantora Vanusa e da atriz Débora Duarte, deixou muitas mulheres apaixonadas. Mas foi tragado pelo alcoolismo.

São Paulo, verão de 1975, o casal Vanusa e Antônio Marcos toma o café da manhã ao lado das pequenas filhas, Amanda e Aretha. De repente, a mais velha diz que não quer mais ir para a escola: “As crianças, durante o recreio, gritam que meu pai é bêbado”. A cantora gela e pede à babá que leve as meninas para o jardim. Há tempos que ela adiava aquele momento. “Está vendo, Toninho, o que você está causando à suas filhas?” O cantor nada responde. Vanusa continua: “Chegou a hora de você escolher: ou a nossa vida ou o seu scotch.” Antônio Marcos ergue a garrafa de uísque, dá um gole e diz, sem encará-la: “Nunca vou parar de beber”. Sem nada mais dizer, ele levanta-se e vai embora. Vanusa debruça sobre a mesa e desaba a chorar. A xícara vira e o café escorre pela toalha. Terminou assim o casamento que durante seis anos fora o mais badalado da música popular dos anos 70.


A Ascensão

Antônio Marcos Pensamento da Silva nasceu no dia 8 de novembro de 1945, em São Miguel Paulista, distrito da zona leste de São Paulo. É o segundo dos oito filhos do alfaiate e vendedor de livros Vicente e de dona Eunice — hoje com 91 anos –, costureira, poetisa e compositora. Como era fraquinho, o aluno do grupo escolar Vila Sinhá costumava contar que chegou a tomar injeção de sangue de cavalo na infância, seguindo as instruções de uma benzedeira. Começou a trabalhar cedo, para ajudar a família de baixa renda. Torcedor aficionado pelo time do São Paulo, foi office-boy do banco Ítalo-Brasileiro e balconista de uma loja de sapatos. E, desde pequeno, cantava nas formaturas da escola. Sabia de cor as canções de Bob Nelson, cantor country pioneiro no Brasil. Mas, aos 12 anos, já dava os primeiros goles nos botecos de São Miguel. Matava aulas para ir ao cinema, compor poesias e tocar violão na casa dos amigos. Por isso, só conseguiu concluir o segundo grau com muito esforço.

Desde sempre chamava a atenção por seu belo porte e carisma: fazia pontas em programas da TV Tupi. Sua voz garantiu-lhe uma vaga no coral Golden Gate, dirigido por Georges Henry e uma participação no programa de rádio de Albertino Nobre, onde foi nomeado “A Voz de Ouro de São Miguel”. Em 1962, esteve na Ginkana- Kibon, apresentada por Vivente Leporace e Clarice Amaral, na TV Record. Lá, cantou “Only You”, sucesso de Elvis Presley, de quem ele colecionava os discos. Dois anos depois, é destaque ao cantar, tocar violão e imitar cantores no programa de Estevam Sangirardi, na rádio Bandeirantes.




O rapagão também era talentoso nos tablados e logo foi fisgado pelo Teatro de Arena. Tornou-se ator principal das peças Pé Coxinho e Samba Contra 00 Dolar. Em 1965, junta-se a mais três rapazes e montam o quarteto Os Iguais. Estouram com a música “A Partida”, mas Antônio Marcos nasceu para brilhar sozinho e, dois anos depois, lança seu primeiro compacto com duas músicas: “A Estória de Quem Amou Uma Flor” e “Perdi Você”. O disco não fez muito sucesso, mas aquela voz sobressaiu. O cantor logo conseguiu gravar seu segundo compacto e estourar nas paradas com a música “Tenho Um Amor Melhor Que o Seu”, de autoria de Roberto Carlos. A música toca em todas as rádios e Antônio Marcos torna-se coqueluche nacional: o homem ideal das mocinhas românticas da época, com 1,82 m, cabelos lisos, robusto e dono de uma voz de ouro.

Os tempos de vacas magras vão ficando para trás. Na estante de casa, já acumula prêmios – como o Roquete Pinto e o Chico Viola, de 1969 — e compra seu primeiro carro, um Corcel Luxo. E embala um romance com uma das estrelas da Jovem Guarda, o Queijinho de Minas Martinha: “Antônio Marcos foi o grande amor da minha vida. Ficamos dois anos juntos como num conto de fadas. Na minha casa, tinha uma parede, como se fosse uma cortina, com seus poemas. Só que ele queria ‘juntar’ e eu queria casar”, lembra a cantora e compositora, que teve sua música “Sou Eu” gravada no primeiro disco do cantor.

Em 1969, com 21 anos, Antônio Marcos dá uma guinada durante o IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, quando ganha o prêmio de melhor intérprete. Ele nem liga para as vaias, canta lindo, com os cabelos longos e uma camisa de renda preta aberta até o umbigo, exibindo o tórax cabeludo. Ao ver Vanusa — que levou o terceiro lugar do festival cantando “Comunicação” –, se encanta e dá a ela uma flor: ao vivo e em preto e branco, como era a televisão na época.

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Os dois já haviam se encontrado meses antes rapidamente no escritório da gravadora RCA Victor: “Nos vimos e o ar parou. Ele me deu um disco e, em casa, quando ouvi aquela tremenda voz, eu me apaixonei na hora’’, lembra a cantora, que naquele dia, terminou o namoro com o cantor Fábio. E, após o festival da Record, alguns cantores foram comemorar na casa de Antônio Marcos, no Brooklin, bairro da capital paulista. Providencialmente, Edith, na época assessora de Roberto Carlos, deu um jeito de Vanusa pegar uma carona no Sinca Chambord lilás do cantor. Na casa dele, pura festa: todos cantando e bebendo em volta da piscina. Até que Vanusa descola um maiô emprestado, dá um mergulho e braçadas a la Esther Willians que deixa todos os convidados surpresos: “Saí tremendo de frio e fui para o um quarto, na edícula. Tirei o maiô, fiquei nua e entrei embaixo da coberta. De repente, sinto alguém entrando. Sabia que era ele. Fizemos amor na cama da empregada”, confessa.

Na tarde seguinte, já tomavam sorvete juntos. E, daquela casa, Vanusa não saiu mais. Os dois passaram a morar juntos, mas não eram casados, como exigia os padrões rígidos da época. Isso porque os artistas naquele tempo não podiam se casar para alimentar os sonhos dos fãs. Então, Vanusa ficou grávida e passou a ser xingada nas ruas pelas tietes de Antônio Marcos. Em uma apresentação do cantor em Quem Tem Medo da Verdade, o casal foi tão massacrado que Vanusa — assistindo ao programa sozinha em casa – passou mal e acabou perdendo o bebê aos cinco meses de gravidez. Com o sofrimento da cantora, as fãs se sensibilizaram e a imprensa passou a chamá-los de “Casal 20”.

No mesmo ano, Antônio Marcos emplacou nas rádios a música “Menina de Tranças” e, na televisão, como galã do folhetim Toninho On the Rocks, feito para ele estrelar no horário nobre da TV Tupi e que também tinha Raul Cortez e Marilu Martinelli no elenco. A mocinha da trama? Débora Duarte. Em uma tarde, um silêncio constrangedor tomou conta dos estúdios da Tupi, no Sumaré, onde gravavam a novela. Vanusa passou por lá para fazer uma surpresa para Antônio Marcos e flagrou-o, na cama do cenário, dando um beijo em Débora. Ele justificou que era o ensaio de uma cena, mas a desculpa não colou. A cantora, novamente grávida, disse-lhe que estava tudo acabado e sumiu pelos corredores da emissora. Foi para a casa da mãe. Inconformado, Antônio Marcos ligava para ela de hora em hora, mandou flores, presenteou-a com um anel de brilhante. Até que a cantora o aceitou de volta.


O Auge

Sucesso na TV, Antônio Marcos estreia no cinema com o longa-metragem Pais Quadrados, Filhos Avançados, dirigido por J. B. Tanko. “Ele chegou atrasado à pré-estreia, no antigo Cine Regina [no centro de São Paulo]. Depois do filme, nem falou nem subiu no palco. Estava indisposto”, conta hoje Mauricio Kus, um grande divulgador de filmes nacionais dos anos 70. A indisposição era em decorrência de umas doses a mais. “Ele bebia muito e não comia. Seu café da manhã era uísque”, confirma Vanusa. O cantor chegou a bater o carro várias vezes por dirigir alcoolizado. Certa vez, teve perda total de uma Ferrari: no problem, como estava no auge da carreira, em 15 dias já tinha outra garagem.

Apesar do pileque constante, ele era muito vaidoso. Tinha um closet cheio, com diversos tipos de botas e ternos de muitos tons e com brilho. Em uma loja, se gostasse do modelo de uma camisa, levava de todas as cores. E lançou moda: foi um dos primeiros homens a usar macacão no Brasil. Afinal, Antônio Marcos, ao lado de Wanderley Cardoso e Paulo Sérgio, era ídolo do programa Os Galãs Cantam e Dançam, de Silvio Santos. Também fazia sucesso nas fotonovelas: em uma delas, aparece dando um beijaço em Vera Fischer, na época estrela da pornochanchada A Super Fêmea. No cinema, em Som, Amor e Curtição, contracenou com as belas Betty Faria e Rosemary. E, no mesmo ano, em 1972, Antônio Marcos oficializou o casamento com Vanusa, depois que Amanda, a primeira filha do casal, nasceu. O casal ainda teve mais uma filha, Aretha, e, com a ajuda de Silvio Santos, que sempre gostou muito do cantor, compraram uma casa na rua Joaquim Nabuco, em São Paulo.

Ele também era respeitado como compositor. Foi em um jantar na casa de Nice e Roberto Carlos, no Morumbi, que ele apresentou “Como Vai Você”, que rendeu ao ícone da Jovem Guarda mais de 700 mil discos vendidos.



Antônio Marcos ganhava malas de dinheiro com seus shows. Mas também gastava muito. Chegou a dar seu carro para um taxista bêbado que lamuriava em um bar. Aliás, não era raro o cantor fazer essas “doações”: costumava comprar comida em restaurantes nobres para dar a mendigos e dividia o que tinha na carteira se um amigo estivesse “duro”. Atitudes de um homem generoso, lamentavelmente consumido pelo alcoolismo. “Eu perguntava por que ele bebia tanto e ele respondia: ‘Não sou deste planeta, o mundo é muito cruel e desigual’”, ressalta Vanusa.

Saía sem avisar seu paradeiro e chegava a virar noites. Certa vez, chegou a sumir por quatro dias. A atriz Elsa de Castro sabe bem: “Eu era louca por ele. Jantávamos na churrascaria Eduardo´s, no centro. Ele bebia muito, mas era gentil e não parava de falar na Vanusa. Aí, eu o levava para casa”, conta. Devido aos sumiços, sua mulher chegou a ter de substituí-lo em dois shows. “Nunca fui tão vaiada, foi tão traumático quanto o vídeo do Hino Nacional no YouTube [refere-se a uma interpretação polêmica que a cantora fez em março de 2009 e virou hit na internet]”, compara Vanusa, que acabou se separando do cantor no começo de 1975.

Em abril do ano seguinte, uma manchete chega às bancas de todo Brasil: “Bomba/Confirmado, Romance de Débora Duarte e Antonio Marcos”. A atriz, segundo o cantor dizia para os amigos, apresentara a ele um novo mundo, que se refletiu em seu novo visual: cortou o cabelo, passou a usar franja e bigode. Meses depois, o casal mostrou sua residência, no Morumbi, na capa de um especial da revista Amiga: “Os ídolos da TV e suas casas fabulosas”. A mansão tinha piscina, campo de futebol society, veludo nos sofás e um bar de aço escovado. E, em julho de 1977, tiveram a primeira filha, Paloma Duarte.

Débora e Antônio Marcos apresentaram juntos o programa Rosa e Azul, na TV Bandeirantes, que tinha, em 1979, atrações musicais como Miss Lane, Djavan, Lady Zu e Sidney Magal. Na mesma emissora, estrelaram a novela Cara a Cara, de Vicente Sesso, que também tinha no elenco Fernanda Montenegro, David Cardoso e Luiz Gustavo. O casou até gravou um compacto com as músicas da novela. Mas, no início dos anos 80, se separou e Antônio Marcos “entrou em parafuso”, como o próprio declarou. Pensou em largar tudo para ser garçom em Amsterdã. “Se tenho de ir ao fundo do posso, eu vou. Sou mais ou menos insuportável”, reconheceu. Dois anos depois, eles tentaram uma reconciliação, que não durou muito.


A Decadência

Aos 39 anos, Antônio Marcos conheceu sua terceira mulher, no aeroporto de Natal. A modelo Rose, quase 20 anos mais nova que ele, teve um menino, Antônio Pablo, que levou este nome em homenagem ao poeta Pablo Neruda, um dos favoritos do cantor. Pai novamente, o cantor se viu em um mau momento. Sua carreira já não era a mesma, ele não era mais convidado para fazer novelas e não estourava hits nas rádios. Até que uma nova parceria, com o compositor e produtor Antônio Luiz, deu-lhe novo ânimo. Antônio Marcos se aproximou do autor de “Tic Tic Nervoso” — um hit dos anos 80 – nos bastidores do programa do Bolinha. “As pessoas davam drogas para ele, mas não davam mantimento. Cheguei a fazer ligações anônimas ameaçando mandar a polícia atrás delas’’, conta Antonio Luiz, que, em 1985, compôs com Antonio Marcos 12 músicas para a peça Zé Criança, onde Paloma Duarte, com apenas 8 anos, atuou com o pai no teatro Nelson Rodrigues, em Guarulhos. E, em 1987, Luiz foi parceiro em quatro canções de O Anjo de Cada Um, o último disco de músicas inéditas que o cantor lançou.

Internações em clínicas de desintoxicação passaram a fazer parte da rotina de Antônio Marcos depois que ele resolveu, enfim, travar uma luta contra o álcool e as drogas. “Nesse período, percebi como a bebida transforma a gente. Você bebe, cheira tóxico e pensa que seu poder de criação está mais aguçado. Tudo palhaçada”, reconheceu em entrevista a revista Contigo.


Mas o declínio era evidente. Ele não conseguiu largar a bebida e acabou tendo que se mudar para Mairiporã, segundo Luiz, com dificuldades financeiras até mesmo para comer. Para socorrer o ex-marido, Vanusa, que já sido casada com o diretor Augusto César Vanucci — na época poderoso na TV Bandeirantes –, pediu ao ex-marido para promover um show na emissora para arrecadar dinheiro para Antônio Marcos. Mas com uma condição: que o cantor se internasse para ficar sóbrio. Três meses depois, em junho de 1987, ele saiu da clínica para o teatro Záccaro, onde aconteceria o especial. Mas, no caminho, deu um jeito de tomar um porre e chegou bêbado aos bastidores. Vanusa trancou o cantor no camarim até a hora dele entrar em cena. Antônio Marcos implorava por um copo e ela deu-lhe um dedo de uísque. O show acabou sendo um sucesso, mas o cantor não apareceu ao jantar com os convidados, que incluiu Alcione, Chitaõzinho e Xororó, Fagner, Ronnie Von, Sandra de Sá e Antônio Luiz.



No início dos anos 90, o cantor deixou Rose para se unir a Ana Paula Braga, enteada de Roberto Carlos. Em 1991, depois de uma série de internações por problemas no fígado, ele ainda fez uma temporada de shows na extinta casa noturna paulistana Inverno e Verão. Até que, na manhã do dia 5 de abril de 1992, foi a uma padaria em Alphaville, pediu uma dose de uísque e, ao sair, bateu sua caminhonete em um poste, machucando o tórax violentamente contra o guidão. Ana Paula o internou no hospital Oswaldo Cruz, e, por volta das 21h, Antônio Marcos faleceu. O cantor foi enterrado no cemitério Parque dos Girassóis com a presença de dezenas de fãs, que acenavam com lenços brancos.

Após a morte do cantor, um exame de DNA comprovou a paternidade de mais um menino, Manoel Marcos, que passou a ser o primogênito da prole. Assim, após a trajetória de um típico romântico, ele deixou cinco filhos, quatro ex-mulheres, 14 discos e centenas de músicas. Em São Miguel Paulista foi fundada a Casa de Cultura Antônio Marcos São Miguel e, em 2006, sua filha lançou o CD e DVD Aretha Marcos Ao Vivo – Homenagem aos 60 anos de Antônio Marcos. “Meu pai me ensinou que o importante na vida é ser feliz e falar sempre a verdade, mesmo que isso doa”, encerra Amanda, sua filha mais velha. Antônio Marcos também costumava dizer: “Nunca vou morrer. Vou ficar encantado.” Encantadas ficaram as milhares de fãs desse romântico incorrigível.


Fonte: UOL

quinta-feira, 27 de abril de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*




Canção: Favela do Pasmado

Composição: Edith Serra

Intérprete - Os Pequenos Cantores da Guanabara

Ano - 1965

LP - Os Pequenos Cantores da Guanabara - Gosto do Rio - Philips



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

COLETÂNEA CELEBRA OS 25 ANOS DO SKANK

'Dois Lados', do Scream & Yell, reúne 34 artistas interpretando hits das várias fases da banda mineira

Por Nathália Pereira



Entre julho e agosto de 1992, quatro garotos mineiros gravavam e produziam, por conta própria, o primeiro álbum de uma bem sucedida carreira. Vinte e cinco anos e 13 discos depois, o Skank ganha tributo, assinado por 34 artistas, entre os quais, dois pernambucanos. Batizada de Dois Lados, a coletânea reunirá 33 músicas, divididas em dois álbuns digitais, a serem disponibilizados para download gratuito no site Scream & Yell, em mais uma parceria com o produtor Pedro Ferreira.

Conterrâneo de Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferreti, Pedro fez do aniversário de 25 anos de carreira do grupo, completados em 2016, mote para saudar a contribuição do quarteto para a música nacional. A ideia é passear por todas as fases, dos reggaes às baladas pop, sem interferir nas escolhas das faixas, feitas pelos respectivos intérpretes. “Busquei artistas que tivessem influência ou carinho especial pela banda, no mesmo formato que foi com o Los Hermanos e o Milton (Nascimento)”, explica ele, citando as duas outras homenagens que produziu, Re–Tratos e Mil Tom, respectivamente.

Entre os escolhidos, figuram nomes que vão da MPB ao rap, prometendo interessantes releituras. Rico Dalasam, revelação nas rimas, canta Balada do Amor Inabalável. A banda Francisco, El Hombre, ficou responsável por Pacato Cidadão. É Proibido Fumar será gravada pelos Selvagens à Procura de Lei. Não a toa, os três estão entre os jovens convidados. “Além de fazer alusão à duas canções ícones da banda, Três Lados e Dois Rios, o nome tem o objetivo de perpetuar o legado importantíssimo dela pra música brasileira e direcionar a audição pra esse trabalho da nova geração, fenômeno no digital, tipo o Anavitória, que tem um público jovem, que talvez não conheça a obra do Skank e pode, então, ouvir”, conta Pedro.




PERNAMBUCANOS

Nascido na década de 1980, o cantor, compositor e pianista Zé Manoel conta que acompanhou a carreira da banda por muito tempo, este marcado pela faixa que interpretará, Tanto, versão para I Want You, de Bob Dylan. “Eu ouvia muito na época em que lançaram. Quando surgiu o convite de cantar Skank foi a primeira que me veio a mente, porque além de várias outras que gosto, tinha que pensar em algo que eu me visse cantando, que tivesse a ver com meu universo, e ela tem muito”. O registro dele ganhará, claro, a presença do piano, acompanhado por violoncelo.

A cantora Lulina será outra presença pernambucana em Dois Lados, com In(Dig)Nação, de 1993, composta para um trabalho do videoartista Eder Santos. Independente e sem fins lucrativos, o projeto nasce também da memória afetiva de Pedro Ferreira. “Quando faço uma homenagem preciso de uma motivação pessoal. Eu sou de Mariana, interior de Minas Gerais. Tem um DVD deles que foi gravado em Ouro Preto (MTV Ao Vivo (Skank), 2001) e, na época, eu não pude ir, porque era muito novo. Meus primos mais velhos foram e a partir daí passei a ouvir ainda mais por causa deles”, relembra.

Masterizada por Eduardo Kusdra no Estúdio Arte Master (Araras, SP), Dois Lados estará disponível para audição e download dias 5/6, o primeiro álbum, e 6/6, o segundo, em screamyell.com.br e no SoundCloud.

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

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Vander Lee

quarta-feira, 26 de abril de 2017

VÔTE, ESCUTA SÓ...


Notícias do Brasil


Mesmo andando há meses pelas estradas da vida, não deixo de receber notícias de pessoas queridas, velhos amigos e familiares. A internet é responsável nos dias de hoje pela continuidade destes contatos. 

Fiquei sabendo através de Otrope, e com riqueza detalhes, que Comadre Fifa, está muito bem de saúde apesar dos seus quase 90 anos, lúcida, e sem dificuldade para colocar uma linha no fundo de uma agulha. Seu companheiro de longas datas, poucos meses mais velho que ela, com o qual vive há mais de 50 anos, o sábio Hiakassi, imigrante japonês, chegado ao Brasil na década de cinquenta, com quem se casou em segundas núpcias continua firme ao seu lado. Hiakassi trouxe de um primeiro casamento três filhos. Na hora de registrar os meninos mal falando o português, o escrivão anotou os nomes de acordo com o que lhe dizia o pai. Os gêmeos receberam respectivamente os nomes de Pindaíba e Pindoba, o filho mais novo, dois anos a menos que os gêmeos foram batizados como Pitota, ficando assim todos na letra P como era o deseja do pai. 

Os velhos, portando, no dizer de Otrope, estão longe de desencarnar os ossos, e falam em reunir toda a família no ano que vem para comemorar em grande estilo, o aniversario da comadre. 


Hiakassi 

Otrope foi à contribuição de Comadre Fifa, mãe solteira, arrastava o menino na barra da saia quando conheceu Hiakassi, formando uma família interessante. Três meninos de olhos puxados e um com cara de bolacha e cabeça chata, este, muito sabido e astuto, viu na chegada do japonês, tido como homem trabalhador, sua chance de ter uma vida melhor. 

Tomei conhecimento por intermédio de Otrope que Pindaíba se tornou um empresário de sucesso no ramo de confecções em Santa Cruz de Capibaribe, ficou rico na feira da sulanca, vendendo toneladas de cuecas para o sudeste do país. Ficou rico, mora numa mansão com piscina, e não despreza uma Hilux do ano, daquela com caçamba, que ajuda no transporte de mercadorias para pequenas distâncias. 

Pindoba, que logo cedo, foi estudar no Recife, tendo sido morador da Casa de Estudante do Derby, exerce hoje a profissão de Cirurgião Dentista em Areias região do Brejo paraibano, onde também constituiu família. Casou com Odete que já lhe deu um casal de filhos. Ao menino deu o nome de Hiakassi Neto em homenagem ao padrasto que lhe proporcionou os estudos. 

Quem não teve muita sorte foi Pitota, baixinho, franzino chegou a fazer algum sucesso como jóquei no Rio de Janeiro, até que levou um coice de uma égua, campeã carioca, e quase campeã sul americana, perdeu por cabeça, como no tango argentino. Depois do ocorrido não teve mais condições de montar e leva a vida como tratador de cavalos, no mesmo local onde brilhou montando animais famosos. Sonha com o dia de poder voltar às pistas e recuperar o tempo perdido, mas a cada dia perde as esperanças com o avançar da idade. As desventuras da vida fizeram com que se afastasse um pouco da família, envergonhado por não ter tido o mesmo destino que os irmãos mais velhos. 

Eu quase que ia esquecendo de perguntar por Luluba, irmão mais novo de Comadre Fifa, cabra falante, despachado, contador de causos e poeta bissexto. Me disse Otrope que ele beirando os 80 anos, permanece morando no sítio da família, ainda enfrentando o cabo de uma enxada. Planta inhame e mandioca pra vender na feira Fazenda Nova. No início dos anos setenta, Luluba foi candidato a vereador em Taquaritinga do Norte. Perdeu a eleição e quase perde o sítio, mas teve que se desfazer de uma casa de quatro cômodos que possuía na rua principal da cidade, na leva também se foram uma meia dúzia de vacas leiteiras e todo rebanho de cabras só para pagar dívidas adquiridas na campanha para vereador. Dizia que se chegasse a Deputado Federal e quem sabe, se Deus permitisse, a Presidente da República resolveria todos os problemas do Brasil numa tacada só. Mandaria fechar a Rede Globo! Pronto, nem a mulher votou nele pensando em perder a novela das oito e deixar de ver o galã Tarcísio Meira de quem era fã ardorosa. Deste dia em diante nunca mais Luluba quis saber de política. 


Tarcísio Meira 

Otrope meu velho, e você como vai, perguntei. Ele desconversou, não quis falar muito sobre o assunto, disse apenas que estava morando em Portugal e fazia uns bicos como motorista de UBER. Estamos em vias de marcar um encontro para tomar uma bagaceira com pastel de bacalhau como tira gosto. 

Depois eu conto... 

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