PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




34 - México

Em 1965, recebi o convite para participar de um show que marcaria minha carreira, o Gemini 5, ao lado de Leny Andrade e do Bossa Três (no piano Luís Carlos Vinhas, no baixo Otávio Bailly Jr. e na bateria Ronie Mesquita). Sob a direção da dupla de ouro, Luís Carlos Mièle e Ronaldo Bôscoli, ficamos mais de um ano em cartaz na Boate Porão 73 e no Teatro Princesa Isabel. Com um estrondoso sucesso de público, o show virou disco ao vivo pela Odeon e recebeu da crítica especializada o título de melhor pocket-show do cenário carioca. Na esteira do sucesso, em 1966 fomos convidados para trabalhar no México por três meses. Outro sucesso. Renovamos por mais três meses. Depois, o grupo se desfez, e continuei sozinho por mais um ano, até receber, em 1967, o convite do Sérgio Mendes (estouradíssimo com o grupo Sérgio Mendes 66) para montar com Gracinha Leporace (que anos depois se tornaria sua mulher) o grupo Bossa Rio nos Estados Unidos. Na Cidade do México, nos apresentávamos no mais importante nightclub, o El Señorial, uma casa muito chique com três espaços para shows. Quando renovamos o contrato, o Natal se aproximava e resolvi convidar minha mãe para passá-lo comigo e também conhecer o México, país com o qual sempre sonhou. Por uma linda coincidência, no dia seguinte à sua chegada, minha mãe viu encantada a neve cair na cidade, o que não acontecia havia mais de quinze anos. Ela foi tomada de uma emoção infantil; me abraçava, beijava, brincava com a neve e dizia que aquilo era coisa divina, um presente que estava recebendo de Deus. Nessa época, eu morava porta a porta com Luís Carlos Vinhas. Sua mulher, Sílvia, também havia acabado de chegar do Brasil. Minha mãe adorava cozinhar e os convidávamos sempre para curtir seu tempero. A Silvinha conta que saía sempre com ela pela cidade. Faziam compras, supermercado, passeavam ou faziam companhia uma à outra quando Vinhas e eu saíamos para trabalhar. Recuperado hoje e totalmente abstêmio, Vinhas conta que ele e minha mãe tinham um truque para enganar a mim e a Sílvia. Quando ela ia para a cozinha fazer uma comidinha qualquer, batia na porta deles pedindo um pouco de conhaque para o tem - pero. Era a “deixa”. Aí Vinhas chamava a mulher, dizia que Dalva estava precisando de alguma coisa, como cebola ou cheiro-verde, e pedia a ela para descer e comprar. Enquanto Sílvia estava na rua, ele e minha mãe colocavam um pouco de conhaque na comida e bebiam o resto escondido de nós, porque nem eu nem a mulher dele queríamos ver os dois bebendo. Imaginem só: México, inverno, o frio, tudo era uma boa desculpa para um drinque. Só que eles não sabiam ficar em poucos drinques. Quando percebíamos, estavam já enrolando a língua. Era um porre a cada jantar. Nessa altura de sua vida, minha mãe estava bebendo muito e entrara num pro-cesso impressionante de autodestruição. No México, desfrutávamos da vida noturna da capital — restaurantes, shows, passeios pela cidade, casa dos amigos. No El Señorial, ela ficou toda orgulhosa de meu trabalho e do sucesso que fazíamos. Mas, com o tempo, foi se tornando impossível levá-la comigo: tinha controle sobre ela somente enquanto estávamos juntos. Quando eu subia no palco para cantar, ela se embriagava. No estágio de alcoolismo em que se encontrava, bastavam alguns drinques para isso acontecer. Várias vezes a levei para casa completamente bêbada. Deixei de levá-la comigo. Se eu não podia controlar minha mãe, também não podia expô-la e a mim nos lugares em que trabalhava. Era muito triste. Podem imaginar como me sentia vendo-a naquele processo terrível, se destruindo, sem que eu pudesse fazer nada, a não ser tentar ficar a seu lado, conversando e curando os seus porres. Foi um período em que conversávamos muito quando ela estava sóbria. Era uma pessoa muito doce, carinhosa e imensamente frágil. Mas eu sentia que dentro dela alguma coisa terminava. Um romper com os sonhos. Um desligamento da vida. A doença no fígado e a contínua insistência na bebida já haviam tomado conta de sua profunda solidão. Para Silvinha, minha mãe não se abriu muito, mas falava da solidão que sentia em sua vida, principalmente na carreira. Silvinha sentia que o interesse inicial dela pelo México já não era tão forte. Forte era a vontade de ficar ao meu lado. Falava para to-dos do prazer de estar comigo. E, principal-mente, estava orgulhosa porque mandei para ela a passagem e proporcionei o prazer de conhecer um país com o qual tanto sonhou. Dalva passou a sair comigo somente quando eu não tinha de subir no palco. Procurava distraí-la durante as folgas, levando-a para a casa de amigos, aos shows e passeios pela bela capital mexicana. Quando fomos a Acapulco, andamos por todos os lugares e ela ficou maravilhada. Estava na cidade que conhecia dos filmes e recordava seus ídolos — Agustin Lara, Maria Félix, Pedro Vargas. Fizemos um passeio a La Quebrada, local turístico conhecido no mundo inteiro, onde as pessoas mergulham de um penhasco altíssimo no mar azul. Quando voltei lá com meu pai, em 1974, minha mãe já havia falecido. Lembrei, emocionado, a sua alegria quase infantil naquele dia. Ela estava feliz. E ao mesmo tempo triste. Muito triste. Sentia falta de cantar, mas as circunstâncias não a favoreciam. Ainda tentei com um amigo, o Cardini, dono de um restaurante finíssimo, que ela se apresentasse na casa. Uma noite, ele nos convidou para jantar, e minha mãe resolveu dar uma canja. Foi uma ideia infeliz. Já estava alta e não conseguiu fazer a voz obedecer. Seu rosto era só aflição. Suas mãos se apertavam nos agudos, não conseguia se equilibrar direito. Tirei-a rápido do palco, nos abraçamos e choramos juntos. Choramos muito. Não me importou que ninguém estivesse entendendo nada. Eu sabia o que es-tava terminando ali: a vida de minha mãe. Depois disso, ela recebeu um telefonema do Chacrinha pedindo que voltasse, porque a marcha “Máscara negra”, que havia gravado para o Carnaval antes de ir ao México, estava estourando nas rádios. Com essa notícia, o rosto de minha mãe se iluminou. Ainda tentei segurá-la um pouco, para que se valorizasse mais, mas não houve jeito. O Chacrinha ligava insistentemente. Como filho, queria cuidar dela e insistia para que não voltasse ao Brasil. Mas, como artista, eu a entendia. O sucesso e a evidência acenavam para ela como um milagre, numa ressurreição maravilhosa.



* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

DESCOBRINDO A MÚSICA ATRAVÉS DAS COLEÇÕES

Por Carlos Mauro



Certa vez, recebi para jantar em minha casa um casal de amigos. Eles ficaram impressionados com a quantidade de discos que possuo e foram fazendo pedidos para que eu colocasse para tocar gêneros musicais específicos, todos eles relacionados com a música pop internacional. A noite foi passando e fomos descambando para universos musicais mais específicos como o blues e a música cubana. A tantas horas da noite, o marido disse que tinha ficado com uma enorme vontade de ter uma coleção de CDs como a minha. Só que não queria ter o trabalho ou despender tempo em selecionar o que comprar. Preferiria que alguém como eu, "de sua confiança", reunisse uma quantidade de bons discos com uma variedade, qualidade e representatividade tais que o satisfizesse e surpreendesse, uma coleção feita sob encomenda para ele e que seria comprada com seu dinheiro com muito gosto.

Na hora em que meu amigo disse isto, estranhei muito. Afinal de contas, até então eu achava que toda a graça de colecionar discos estava na nossa escolha pessoal na hora de comprá-los. Considerava como estapafúrdia a ideia de alguém desejar adquirir de supetão algo que, para mim, representava o resultado de um processo de envolvimento intenso, de uma relação próxima com a música. 

Com o passar dos anos, fui compreendendo a necessidade manifestada por meu amigo naquela noite. Nem todos que amamos a música temos disponibilidade para dedicação a esta arte tão exigente de nós, necessitada de porções consideráveis de nosso tempo e nossa atenção para ser desfrutada. Temos que nos dedicar às nossas profissões e aos nossos outros interesses. E o dia só tem 24 horas; e, a cada dia, as horas parecem mais curtas. Mesmo eu, que me envolvi intensamente com a música e com ela despendi bastante tempo de minha vida, não escolhi, de fato, todos os discos que possuo.

Descontando aqueles que ganhei de presente e os que gravei como artista ou produtor, boa parte dos meus discos foram adquiridos de uma forma muito semelhante àquela desejada pelo meu amigo. Não foram, em verdade, escolhidos por mim mas comprados como parte de coleções. E, ao contrário do que possa parecer, este modo de aquisição de CDs não dispensou meu envolvimento com a música. Muito pelo contrário, todo um universo cultural se abria para mim a cada coleção e a minha curiosidade natural alimentada pela dinâmica da oferta de novas informações através das coleções fez com que eu ficasse cada vez mais envolvido com a música.

As gravadoras ocasionalmente lançam no mercado coleções de discos. Algumas reúnem obras de um mesmo autor ou intérprete, outras traçam panoramas de gêneros e estilos musicais ou versam sobre música de épocas determinadas. Podem ter seus itens oferecidos à venda em separado ou em conjunto sob a forma de boxes. No entanto, muito mais surpreendentes são as coleções colocadas à venda nas bancas de jornais. Representam, quase sempre, uma porta de acesso para fonogramas esquecidos e informações diversas que nos revelam universos musicais surpreendentes e enriquecedores. Sim, isto acontece porque grande parte daquilo que adquirimos numa coleção é constituída de coisas que ainda não conhecíamos – em muitos casos, sequer tínhamos notícia de sua existência. 

A regra número um do colecionador é não perder nenhum item da coleção. Quando começamos a colecionar discos vendidos em bancas de jornais, nossa motivação é poder pagar um bom preço por uma seleção contextualizada de fonogramas reunidos em torno de um artista, gênero, estilo ou movimento musical que já apreciamos. Esta contextualização é garantida graças a uma outra característica fundamental deste tipo de coleção. A legislação que regula os produtos distribuídos para venda em bancas de jornais proíbe a comercialização de produtos fonográficos avulsos mas permite que CDs e DVDs venham encartados em fascículos, revistas ou libretos impressos – considerados como produtos editoriais. Este jeitinho de driblar a lei faz com que seja produzido farto e interessante material histórico, crítico e analítico sobre os fonogramas, de modo a fazer com que se revelem para nós outros aspectos sobre os artistas e composições que já conhecíamos. E o mais importante: esse material contextualizador faz com que recebamos com tapete vermelho autores e intérpretes até então desconhecidos por nós, cuja música talvez não despertasse, por si só, nossa atenção se não fosse um item da coleção.

Toda coleção musical de boa qualidade tem como característica o trabalho de um curador. É ele quem seleciona os fonogramas ou álbuns integrais atendendo aos critérios de qualidade, representatividade e diversidade com o objetivo de garantir que cada item contribua decisivamente para o sucesso da coleção. Em grande parte dos casos, o curador também é responsável pela redação ou pela organização dos textos e de todo o material de referência dos fascículos que vem junto com os discos. E quando falo de sucesso da coleção, não me refiro apenas ao fenômeno comercial. Estou me referindo ao efeito que vai causar na vida de seus colecionadores. 

Algumas coleções que comprei em bancas de jornais marcaram, sem dúvida, a minha carreira musical, primeiramente como público e depois como artista e produtor. A mais importante delas foi “Os Grandes Sambas da História”( acesse aqui ), que teve a curadoria de Arley Pereira e o projeto editorial de Elifas Andreato. Através desta coleção, conheci algumas obras e gravações que me inspiraram, juntamente com a excelente biografia de Noel Rosaescrita por Carlos Didier e João Máximo, a idealizar uma “orquestra típica de samba” que resultaria no surgimento do Tio Samba

Em tempos virtuais e também de crise econômica, as novas gerações buscam tudo o que querem ouvir na internet com acesso gratuito. Isto é ótimo! É o tipo de acesso democrático sonhado desde sempre por todos nós! Mas as coleções musicais organizadas por curadores com conhecimento, experiência e sensibilidade, comercializadas em bancas de jornais, lojas virtuais ou produzidas com apoio de fundações e organizações não governamentais, são insubstituíveis na iniciação à arte de ouvir música.

domingo, 24 de setembro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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Na primeira abordagem a respeito da biografia de Francisco Alves falei acerca do início de sua carreira e a década de 1920. Encerrei afirmando categoricamente que qualquer associação ao nome do artista Francisco Alves no final dos anos de 1920 e início de 1930 era sinônimo de sucesso absoluto. Atentos a este quesito, a gravadora resolveu unir no mesmo disco Francisco e outro nome que vinha em franca ascendência: Mário Reis. Ao lado do ascendente cantor gravou uma série de doze 78 RPM's. O compositor Antônio Almeida diz que o período em que fez dupla com Mário Reis lhe foi extremamente benéfico. Em 1931 gravou dois sambas de sua polêmica parceria com os sambistas do Estácio, Ismael Silva e Nilton Bastos, os sambas "Nem é bom falar" e "olê-leô". Esta parceria levou a comentários, nem sempre justos e verdadeiros, a respeito da compra de sambas por parte do cantor. Tal fato era verdadeiro em alguns casos, mas não em todos, e, ofuscou um pouco seu talento como compositor. Dessa parceria vocal com Mário Reis surgiu o sucesso "Se você jurar", parceria com Ismael Silva e Nilton Bastos. Ao longo da década de 1930 lançou canções como os antológicos sambas "Para me livrar do mal" (Noel Rosa e Ismael Silva), "A razão dá-se a quem tem" (de sua parceria com Ismael Silva e Noel Rosa); os sambas de Noel Rosa "Estamos esperando", "Tudo que você diz" e o clássico "Fita amarela", entre outras. Nessa época, além de excursionar por Buenos Aires e Port Alegre (onde teve como um dos músicos de apoio Noel Rosa ao violão), fechou com a Rádio Mayrink Veiga e gravou com Castro Barbosa o samba "Feitio de oração", de Noel Rosa e Vadico, que se tornou um clássico da MPB. em dessa época a sua primeira incursão no cinema a partird  do filme, "Alô, alô, Brasil", da Waldow-Cinédia, dirigido pelo americano Wallace Downey.

Dentre as diversas façanhas, vale registrar que foi Francisco Alves o responsável pelo lançamento dentro da música popular brasileira de nomes como Aurora Miranda, irmã de Carmem Miranda (foi com ela que gravou a marcha "Cai, cai, balão", de Assis Valente e o samba "Toque de amor", de Floriano Ribeiro de Pinto). Além disso é de sua responsabilidade também o início da carreira de Orlando Silva, aquele que viria a se tornar um dos mais expressivos nomes da música popular brasileira. Esse acontecimento se deu em 1935 quando em seu programa na Rádio Cajuti o pretenso cantor Orlando Silva se apresentou. No mesmo ano, fez sucesso com a valsa "Boa noite amor", de José Maria de Abreu e Francisco Matoso, composição que marcaria sua presença no rádio, sendo executada como prefixo e sufixo de suas apresentações. A valsa foi por ele regravada ainda mais duas vezes. A década de 1930 foi um período bastante feliz artisticamente falando. Em 1938 gravou o frevo canção "Júlia". Em 1939, estreou na Columbia lançando com Dalva de Oliveira os sambas "Brasil!", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral e "Acorda Estela", de Benedito Lacerda e Herivelto Martins e no mesmo ano, foi responsável pela primeira gravação de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, com arranjo antológico de Radames Gnatalli. Foi uma década de vários acontecimentos profissionais na carreira do artista carioca e que acabou por reforçar a sua importância artística para o Brasil a partir de diversos fatos. Falar da importância de um artista como Francisco Alves em poucas linhas é impossível e por esta razão confesso que não consegui... Já estamos na segunda semana de abordagem e ainda me encontro na década de 1930. sendo assim resta-me voltar depois...

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

PROGRAME-SE


sábado, 23 de setembro de 2017

O YOUTUBE DESCLASSIFICOU MEU VÍDEO MUSICAL PARA MONETIZAÇÃO, O QUE FAÇO?



Por David Dines 




Depois de dez anos permitindo a monetização de canais de todos os portes, o YouTube modificou recentemente sua política de anunciantes, o que pode impactar pequenos canais e determinados vídeos de artistas independentes. Entenda o que mudou e quais são as novas regras:

Nos últimos meses, o YouTube foi alvo de um boicote de várias empresas de grande porte, por disponibilizar anúncios vinculados a seus produtos e serviços em vídeos de conteúdo extremista e ofensivo na Europa. Após essas companhias congelarem temporariamente suas campanhas de publicidade no Google — que é dono do YouTube –, a plataforma decidiu restringir suas políticas de anunciante.

De acordo com as novas regras, apenas canais que tenham mais de 10 mil visualizações desde sua abertura poderão monetizar diretamente no YouTube e diversos vídeos identificados como “not advertiser-friendly” (não recomendados para anunciantes) estão tendo sua monetização retirada.

Entre as características que determinam vídeos não recomendados para anunciantes estão: 
- conteúdos sexualmente sugestivos (incluindo nudez parcial e humor ligado ao assunto); 
- violência (incluindo imagens de ferimentos e conteúdos ligados a ações violentas extremistas); 
- linguagem inapropriada (incluindo assédio e palavrões); 
- promoção de drogas e substâncias de uso controlado; 
- outros conteúdos considerados sensíveis ou controversos (incluindo guerra, conflitos políticos, desastres naturais e tragédias, mesmo que não incluam imagens explícitas). 


O que fazer?

A Tratore pode ajudar na monetização de vídeos que contenham seus fonogramas originais por meio da ferramenta Content ID, independente do número de visualizações do seu canal. Saiba mais aqui.

Se o YouTube marcou o seu vídeo como “not advertiser-friendly”, você pode identificá-lo acessando a função Video Manager do seu canal. Lá você notará o ícone de monetização ($) em amarelo. Clique no ícone e lá você poderá solicitar uma revisão manual junto ao YouTube. O tempo de resposta poderá depender do número de assinantes e visualizações do seu canal e o histórico dos seus vídeos monetizados. Se esse vídeo contém um fonograma distribuído pela Tratore nas plataformas digitais, também podemos intervir — basta nos comunicar pelo contato@tratore.com.br.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CANÇÕES DE XICO


HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS

Meu Parceiro Bráulio Medeiros é funcionário público, trabalha na Chesf e é melodista de marca maior, além de gente muito boa. Maior que suas qualidades, apenas sua modéstia. Juntos fizemos cerca de 15 canções sobre os mais variados temas. Sentia falta de uma que falasse da natureza, que, de certa forma, homenageasse a ecologia. Daí surgiu o pedido de Joana Angélica de uma música para compor seu novo CD. Foi só recorrer a Bráulio e o xote ficou pronto. Canta Joana Angélica com a participação de Santanna.

A ROSA, O PEIXE E A CHUVA
Bráulio Medeiros e Xico Bizerra 

deixe que a estrada me ensine, me mostre as pedras do caminho 
deixe que um passarinho cante pra mim, faça um acalanto 
deixe o campo se enfeitar de flor feito cabelo da menina 
deixe o sedento declarar o amor, olhos nos olhos da cacimba 
deixe na mão do mundo seu lápis de cor, deixe tudo do ‘jeitim’ que deus criou 
um rosto pra cantar, a boca pra querer, os olhos pra sorrir e o coração pro amor 
nunca vi o mar com sede nem o sol sentir calor 
nunca vi faltar o mel no bico do beija-flor 
nunca vi u’a borboleta sem querer voar
não existe homem que não queira amar 
deixe a rosa espinhar, deixe o peixe nadar contra a correnteza 
deixe a chuva ajudar a encher o mar, é da natureza

A MATURIDADE AUTORAL DE JOÃO SUPLICY

Por Tárik de Souza




Irmão musicalmente mais talentoso da família do senador Eduardo Suplicy (de sofríveis interpretações avulsas de “Blowin’ the Wind”) e o irmão Supla (Tokyo), com quem formou por oito anos a dupla Brothers of Brazil, João Suplicy revela sua pegada de autor eclético no novo CD, co-produzido com Edgar Guidetti e Luis Carlos Maluly.

Intitulado apenas “João” desvela também sua porção multinstrumentista: além do característico violão de nylon distorcido, ele também vai de guitarra, baixo, teclado e vocais. No cardápio, de doo-wop (“Santa e louca”) ao rockabilly aliciador (“Solteiro e vagabundo”), bluesão (“Deixa o tempo trabalhar”), passando pelo baioque linha Raul Seixas (“Magia e sedução”) e desaguando numa anárquica marchinha carnavalesca com cuíca e repique (“Tsunami do amor”).

Em “Liga a cabeça” (“desliga o telefone, rádio da cozinha/ i-phone, celular/ computador, motor/ iPad, som, luz e televisão”) e “Um abraço e um olhar” (“as máquinas fariam tudo por você/ trabalhando dia e noite sem parar um segundo/ você desfrutaria do seu lazer/ mas algo no caminho se perdeu/ enquanto o contrário aconteceu”), esta com participação de Zeca Baleiro, João acicata a febre tecnológica.

Marina de La Riva divide com ele os vocais do gingado “Dicionário do amor”, que faz parte da trilha da novela “Carinha de anjo”, do SBT. E no rockão “Sede que dá”, dispara contra o caos contemporâneo: “Religiões se matam em nome da paz e do amor/ o homem busca um novo planeta enquanto acaba com esse/ inventa uma doença pra depois vender saúde ou crença/ bandidos estão indignados com a roubalheira”.

A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL

As dez canções mais populares no Brasil em 1977 (há exatos 40 anos) eram as seguintes:

01 - Amigo – Roberto Carlos
02 - Sonhos – Peninha
03 - You Light Up My Life – Debbie Boone
04 - Flor de Lis – Djavan
05 - I Just Want To Be Your Everything – Andy Gibb
06 - Best Of My Love – Emotions
07 - When I Need You – Leo Sayer
08 - Menina dos Cabelos Longos – Agepê
09 - Arrombou a Festa – Rita Lee
10 - Romaria – Elis Regina

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*


"Gravação de 12 de agosto de 1956, lançada um mês antes da folia de 57, em janeiro, matriz TA-969. Só que os autores, na verdade, são Estanislau Silva e Raul Marques. Alberto Ribeiro assina o lado A, "Toureiro de araque"" (Samuel Machado Filho)



Canção: O Mata Mosquito

Composição: Alberto Ribeiro

Intérprete - Ankito

Ano - 1957

78RPM - Todamérica TA-5.665-B - 01.1957



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

COMO RESPONDER CRÍTICAS NA WEB: LIÇÕES DO NOVO DISCO DE CHICO BUARQUE

Com fineza e ironia, Chico Buarque responde em faixa de Caravanas, seu novo álbum, críticas das redes sociais

Por Renan Damasceno


O Estado de Minas simulou trechos da nova música de Chico em posts nas redes sociais.


Chico Buarque não é de levar desaforo para casa. E foi com um bolero, irônico e provocador, que o compositor respondeu, em seu novo disco, Caravanas, as fortes críticas que tem recebido nas redes sociais, nos últimos anos, sobretudo por seu engajamento político. O álbum foi lançado no último dia 25.

Desaforos é a sétima faixa do disco – o primeiro de inéditas de cantor, de 73 anos, em seis anos. A música é, em tese, uma resposta a uma mulher que anda falando mal pelas costas de um homem, mesmo que os dois não tenham assim tanta intimidade: “Fico admirado por incomodar-te assim/Jamais pensei que pensasses em mim”, escreve, antes de completar: “Nunca bebemos do mesmo regalo/Sou apenas um mulato que toca boleros/custo a crer que meros lero-leros de um cantor possam te dar tal dissabor.”

O Estado de Minas simulou trechos da nova música de Chico em posts nas redes sociais. (foto: Artes: Fred Bottrel)


No texto que acompanha o lançamento do disco, revelado à imprensa nesta terça-feira, o jornalista Hugo Sukman suscita a discussão. "Escrito aparentemente para uma mulher que anda falando mal do cara por aí, o samba pode muito bem servir de reposta às pessoas que atacam e xingam as outras em redes sociais, nas ruas, nos restaurantes, em qualquer lugar e por meras diferenças ideológicas", escreve.

Nos seis anos de intervalo desde o último disco, Chico esteve no centro de discussões e não fugiu da briga. Engajou-se na campanha de Dilma Rousseff, em 2014, e foi fiel escudeiro da presidente indo, inclusive, ao Senado durante o discurso de Dilma no processo de impeachment. Chico também é acusado de receber recursos da Lei Rouanet, o que ele nega enfaticamente, mas o tem deixado ainda mais na mira de críticos na internet.

O Estado de Minas simulou trechos da nova música de Chico em posts nas redes sociais. 

Nas últimas semanas, o nome de Chico voltou a circular nas redes sociais, criticado por machismo, por versos de Tua Cantiga, primeira faixa do disco, divulgada há alguns dias. Em seu recém-criado Instagram, o cantor respondeu "Será que é machismo um homem largar a família para ficar com a amante? Pelo contrário. Machismo é ficar com a família e a amante", escreveu, atribuindo a frase a um diálogo ouvido em uma fila de supermercado. Veja na íntegra: Perfil de Chico Buarque ironiza críticas à música do cantor.


INDIRETAS

O Estado de Minas simulou trechos da nova música de Chico em posts nas redes sociais. 

Desaforo volta a levantar teses de possíveis indiretas de Chico Buarque velada sob a fineza da ironia de suas letras. Em dois momentos de intensa discussão política, letras do cantor foram interpretadas como respostas. Sob o codinome de Julinho da Adelaide, na década de 1970, Chico compôs Jorge Maravilha, que foi entendida como uma crítica ao general Ernesto Geisel, de quem a filha era grande fã de Chico.

Anos mais tarde, Chico revelou que o verso "você não gosta de mim, mas uma filha gosta" era sobre um agente do DOPS, que pediu um autógrafo a Chico para sua filha, enquanto levava o cantor para prestar depoimento. Em 1998, Injuriado, do disco As Cidades, também foi entendida como uma mensagem ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista, Chico afastou a hipótese ao dizer que jamais chamaria FHC de "meu bem".

Em 2011, no documentário Dia Voa, Chico já havia comentado sobre sua reação diante de críticas no Internet.




























DESAFOROS
Chico Buarque

Alguém me disse
Que tu não me queres
E que até proferes desaforos pro meu lado
Fico admirado por incomodar-te assim
Jamais pensei
Que pensasses em mim

Nunca bebemos
Do mesmo regato
Sou apenas um mulato que toca boleros
Custo a crer que meros lero-leros de um cantor
Possam te dar
Tal dissabor

Vejo-te a flanar pela avenida
Como dama
Florescida num viveiro
E em salões que nunca vi
Serei o primeiro a duvidar
Que em horas vagas
Os teus lábios delicados
Roguem pragas por aí

Ouço dizer, mas
Deve ser mentira
Nem a tua ira eu acredito que mereça
Ou que vires a cabeça pra exergar no breu
Um vagabundo como eu



    CURIOSIDADES DA MPB

    Muito elegante, Ataulfo Alves usava sempre um lenço branco para reger seu conjunto. Em 1965, já não muito bem de saúde, passou a seu filho Ataulfo Alves de Souza Júnior o lenço para que o mesmo desse continuidade ao seu trabalho.

    quarta-feira, 20 de setembro de 2017

    GARGALHADAS SONORAS

    Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passadisco, se preferir)
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    Um rapaz entra... começa a olhar os CDs e liga pra uma amiga e diz bem baixinho:

    - Acho que não tem não amiga... Só tô vendo porcaria aqui.

    Pergunto se ele quer alguma ajuda... E ele diz que quer o CD de MC Ludmilla...

    Respondo que aqui só tem porcaria! que ele deve procurar o CD dela nas Lojas Americanas.

    PROGRAME-SE


    BANDA AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA LANÇA CD NAS PLATAFORMAS DE STREAMING

    Disco "BIXA" estabelece um diálogo com o "Bicho", lançado por Caetano Veloso há 40 anos



    O novo CD da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, liderada pelas vocalistas trans Assucena Assucena e Raquel Virgínia e o guitarrista Rafael Acerbi, chega a todas as plataformas de streaming nesta sexta-feira (01/09). Com o título BIXA, o álbum estabelece um diálogo com o disco Bicho, lançado por Caetano Velosohá 40 anos, afirma a banda. Enquanto o trabalho de Caetano explorou a cosmogonia em que seres humanos e animais comungam uma só energia, o trabalho de As Bahias e a Cozinha Mineira enfoca a humanização e a animalização, "para mostrar o que há de animalesco no humano", explicam as artistas. As canções buscam uma linguagem pop ao mesmo tempo em que reverencia a herança da música brasileira.

    terça-feira, 19 de setembro de 2017

    LENDO A CANÇÃO

    Por Leonardo Davino*


    Desencantamento tóxico

    Pelo menos desde Platão, somos educados a reconhecer um tipo aceitável de audição. A música nova desestabiliza a lei e precisa ser evitada. Resistir ao novo tornou-se tarefa para os protetores e conservadores (responsáveis pela educação do guardião-cão) da cidade ideal, ordenada, organizada, justa. Platão reconhece o poder e a nocividade da arte. A música de muitos acordes provoca desejos inapropriados ao guardião. O risco está no homem ser demasiadamente humano.
    Tomando a justiça por uma modelagem que ajusta o cidadão à cidade, Platão determina que o modo de expressão e a palavra dependem do caráter da alma, submetendo a música (a arte das Musas) à palavra. Logo, o teatro ao diálogo. Platão exalta o belo e define as virtudes: sapiência, coragem, sensatez, justiça. Ora, o mais belo é o mais desejável. Cabe ao feio, ao desmedido, à inconstância, à physis serem expulsos da cidade ideal.
    Isso atravessa o nosso "gosto" artístico ainda hoje. Aliás, como se gosto e arte tivessem algo em comum. Aparece em nossos modos de resistência a tudo que nubla o "bom gosto", a harmonia até então supostamente estabelecida pelos padrões do "homem do bem" (representante do bem). A música polifônica e as vanguardas sonoras, por exemplo, desestabilizam certezas sobre aquilo que aprendemos ser música, quando não, pior: "a boa música". Se o sujeito está no desejo particular, e não foi possível expulsar (continuamos tentamos) os artistas de nosso convívio, cabe às forças de proteção e conservação estabelecerem regras rígidas para essa convivência. A ideia de refinamento, de qualidade coopta os saberes e desejos particulares: tipifica, retira o rosto do ouvinte.
    Ouço o disco Ilhas de calor de Negro Leo como uma exaltação ao contrário de tudo isso. A voz indomável, os acordes dissonantes, os sujeitos loucos, as estruturas sociais tiranas denunciadas são um elogio à physis, à natureza humana. A cólera que Platão reconhece apenas como atributo dos deuses é incorporada nos sujeitos cancionais criados por Negro Leo - sujeitos que são "o próprio vício-pessoa", como diria Álvaro de Campos.
    O disco é uma rede complexa de fragmentos, versos-denúncias, versos-acusações, versos-líricos, temas circulares. Listas aleatórias de sensações e de impressões marcam as estruturas formais das letras e interferem na enunciação vocal. Assumo aqui o risco de extrair uma canção do todo artístico: "Desencantamento tóxico", de Thomas Harres, Felipe Zenícola, Eduardo Manso e Negro Leo.
    O sujeito que berra, grita e canta nessa canção experimenta sensações e se vicia na existência: "Tóxico de todo santo dia". Na contramão do guardião platônico, mais do que querer conviver na cidade, ele traz os dilemas da cidade na voz, nos gestos vocoperformáticos. Ou seja, o sujeito cancional de "Desencantamento tóxico" é o duplo, o outro do guardião imaginado por Platão. É o duplo porque assume o poder ficcionalizante da razão - ao denunciar, por exemplo, "Nelson Mandela morreu / Monotonia das celebridades" - e nega a beleza de raciocínio, já que trabalha com gestos cancionais caóticos.
    As imagens criadas estão sempre em choque entre si. Do mesmo modo que estão em crise os acompanhamentos instrumentais: a bateria de Thomas Harres, o baixo de Felipe Zenícola, a guitarra de Eduardo Manso e a voz de Negro Leo. O resultado presentifica a falência de nossos modelos de cidade, de vida urbana: "Meninos / Pretos / Protestantes / No contra-luz do carro alegórico / Polícia no meio-dia". E não seria o Brasil o arquipélago dessas ilhas de calor?
    A destemperança vocal de Negro Leo anuncia que a justiça está corrompida por quereres individualistas e não se ajusta mais igualmente a todos. Os ritmos variados e as harmonias perturbadoras são a tradução da doença do corpo e da alma do sujeito cancional aqui anunciado. A música aqui não acaba no amor do belo. O sujeito imita a cidade e o horror que ela produz ao exigir a ordenação, a capacidade discursiva. Em reposta, no lugar da cidade ele ergue e instaura os desejos - sexo, fome, festa, grito, máscara - multiplicando-se, para se sentir, para sentir tudo, extravasando. 

    ***

    Desencantamento Tóxico 
    (Thomas Harres / Felipe Zenícola / Eduardo Manso / Negro Leo)

    Terror adventício em escorpião
    Morte em marte
    Vida extrínseca
    Cólera da crença

    Baratas na viação
    Porra! Flagelo de padres

    Nelson Mandela morreu
    Monotonia das celebridades
    Prece da aceleração
    Meninos
    Pretos
    Protestantes
    No contra-luz do carro alegórico
    Polícia no meio-dia
    Tóxico de todo santo dia





    * Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

    VIDA DE ALCEU VALENÇA SERÁ TEMA DE DOCUMENTÁRIO NA TV

    Dirigida por Paola Vieira, a produção vai mostrar a importância do artista para a música nacional


    Ainda sem data de estreia, o documentário será dirigido por Paola Vieira.


    A história do pernambucano Alceu Valença vai ser tema de um documentário produzido pela TV Zero, ainda sem título definido. Mesclando materiais de arquivos acumulados durante os 40 anos de carreira do artista, o filme será dirigido e roteirizado por Paola Vieira, amiga pessoal do cantor. Ainda sem data de estreia definida, o resultado da produção será exibido pelo canal Curta!, disponível na TV assinada.

    O intérprete de canções como Tropicana, Anunciação e Coração bobo é natural do município Sertão Bento do Una, localizado no Agreste do Estado. Além de mostrar sua trajetória, o documentário pretende contextualizar a importância de Alceu para a música nacional. Seu primeiro disco foi Quadrafônico (1972), em parceria com Geraldo Azevedo. Durante as décadas seguintes, ele lançou diversos bests sellers, a exemplo de Vivo! (1976), Cavalo de pau (1982) e Estação da luz (1985).

    Para realizar a produção, a equipe conta com os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Atualmente, Alceu Valença dedica-se ao projeto Grande encontro: 20 anos, juntamente com Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, além da turnê Anjo de fogo, marcada para começar no dia 29 de setembro, em João Pessoa (PB). Em 2017, ele venceu a categoria de Melhor Cantor Regional pelo seu trabalho mais recente, o disco Vivo! Revivo! (2016).

    Fonte: Diario de Pernambuco

    PROGRAME-SE


    segunda-feira, 18 de setembro de 2017

    PREMIADO PERCUSSIONISTA LAUDIR OLIVEIRA MORRE DURANTE SHOW

    Músico gravou com Michael Jackson e acumulava trabalhos com Chick Corea, Nina Simone e Gilberto Gil


    Laudir participava de show em homenagem ao saxofonista Paulo Moura quando teve um mau súbito no palco. 


    O músico carioca Laudir de Oliveira faleceu, na tarde deste domingo (17), aos 77 anos, durante show na Zona Norte do Rio de Janeiro. Percussionista consagrado, vencedor do Grammy e com trabalhos com nomes como Jackson Five, Sergio Mendes, Gilberto Gil, Bethânia e Milton Nascimento, ele sofreu um infarto do miocárdio, enquanto se apresentava no Reduto Pixinguinha.

    O instrumentista participava do tributo A Paulo Moura com carinho, em homenagem ao famoso saxofonista e clarinetista, ao lado dos músicos Zé da Velha, Jovi Joviniano e Daniela Spielmann quando teve um mal súbito. Laudir deixa a esposa, Odete Abrahão, e três filhos, que residem atualmente nos Estados Unidos. Ainda não foram divulgadas informações sobre o sepultamento.

    Com mais de 50 anos de carreira, Laudir de Oliveira tocou com ícones da música internacional e nacional, como Hermeto Pascoal, Nina Simone, Gal Costa, Chick Corea, Michael Jackson e Joe Cocker. Conhecido por levar os tambores e ritmos afrobrasileiros para a música norte-americana, foi integrante da banda Chicago, com a qual recebeu o Grammy em 1976, e chegou a se apresentar ao lado do guitarrista Santana, na segunda edição do Rock in Rio, em 1991.

    Assista a vídeo de show da Chicago com Laudir de Oliveira:



    Fonte: Diário de Pernambuco

    PAUTA MUSICAL: CASÉ - SOPRO LÍRICO RESSUSCITADO

    Por Laura Macedo


    Clarinetista e Saxofonista Casé


    Fico pensando como ainda estamos engatinhando no tocante a preservação/resgate da nossa história musical.

    Você conhece o instrumentista José Ferreira Godinho Filho, o Casé?
    Até poucos dias atrás, caso você precisasse pesquisar sobre ele, encontraria algumas poucas informações, como por exemplo, no Dicionário Cravo Albin.

    Agora o recém lançado livro “Casé – como toca este rapaz”, do músico e jornalista Fernando Lichti Barros (foto ao lado), vem suprir mais uma lacuna de tantas que ainda faltam. Sua pesquisa resgata – em palavras e sons – a epopéia do maior saxofonista de jazz brasileiro dos vibrantes anos 1950.

    O autor reuniu também mais de uma hora de música no que batizou de Rádio Casé – um tributo genial à arte do saxofonista, que pode ser acessado (com os capítulos do livro) pelo site O Saxofonista Casé.

    “A pesquisa sobre o saxofonista Casé resulta de um trabalho independente, iniciado em 2004. Depois de quatro anos, cerca de setenta entrevistas, viagens e muitas visitas à famíla Godinho, a salões de baile, a discotecas e arquivos, recompôs-se a movimentada vida do músico”.



    Este livro conquistou o Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música (2010), e “recupera a quase esquecida trajetória do saxofonista, que teve entre seus admiradores os críticos Walter Silva, Zuza Homem de Mello, Tárik de Souza, Roberto Muggiati e João Marcos Coelho.

    Entre os músicos, Casé foi referência, entre outros, para João Donato, Paulo Moura, Sadao Watanabe, D*** Farney, Major Holley, Elis Regina, Claudete Soares, Tim Maia, Raul de Souza, Julio Medaglia, Theo de Barros, Zimbo Trio e Proveta, líder da Banda Mantiqueira”.


    Começou a carreira num circo, tornou-se aos 13 anos o primeiro sax alto da orquestra da Rádio Tupi e aos 20 foi tocar sem contrato no Iraque.

    Apresentou-se tanto nas melhores orquestras e nos teatros mais luxuosos como nas bibocas mais remotas, deixou poucas gravações, que se tornaram antológicas, e foi encontrado morto aos 46 anos.

    Há 50 anos, num dos seus raros registros, lançou “Samba Irresistível – Casé e seu Conjunto”. O LP trazia uma inovação: sobre a base rítmica ‘quadrada’, improvisos arrebatadores de saxofone, prática até então incomum na fonografia nacional.


    Ensaio de Bossa”, de Casé.



    Feitio de Oração”, de Noel Rosa e Vadico.




    Se Acaso Você Chegasse”, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.






    Voto de louvor ao músico e jornalista Fernando Lichti Barros pela “ressurreição” do sopro lírico do saxofonista Casé.


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    Fontes:
    - Jornal o Estado de São Paulo (18/10/2010).
    - Programa Metrópolis TV Cultura.
    - Blog: Casé: o saxofonista Casé
    - Loronix

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