PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL

As 10 músicas mais tocadas nos rádios do Brasil no ano de 1925, há exatos 95 anos, foram:

01 - A Casinha (A Casinha da Colina) - Aracy C ortes
02 - Nosso Ranchinho - Fernando
03 - Petropolitana - Aracy C ortes
04 - Saudade do Sertão - Vicente Celestino
05 - Lua de Fulgores - R. Ricciardi
06 - Marcha Triunfal Brasileira - Canhoto
07 - Não Me Passo Por Você - Francisco Alves
08 - Fubá - Fernando
09 - O Cigano - Vicente Celestino
10 - Serenata de Toselli - Aracy C ortes

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




Alegria, alegria

Foi com "Alegria, alegria" (guardada no disco Caetano Veloso, 1967) que Caetano Veloso começou a enfrentar os riscos de questionar os preconceitos do público dos Festivais da canção.

Caetano (no livro Verdade Tropical) escreve que o uso de “coca-cola” na canção foi “inaugural” e “marca histórica”, porém, o historiador Paulo Cesar de Araújo (no livro Eu não sou cachorro não) argumenta que já em 1961 Baby Santiago compôs o rock “Adivinhão”, com os versos: “À noite ela falta à aula / pra ficar comigo e tomar Coca-cola”.
De todo modo, "Alegria, alegria" inaugura possibilidades e abre perspectivas impenssáveis até então.
"Alegria, alegria", para além da citação direta do existencialismo de Jean-Paul Sartre (quando este diz, no livro As palavras
, que o que ele (Sartre) ama em sua loucura é que ela sempre o protegeu contra as seduções da elite: “nunca me julguei feliz proprietário de um talento: minha única preocupação era salvar-me – nada nas mãos, nada nos bolsos – pelo trabalho e pela fé”); e da retomada paródica do samba "Alegria" (1938), de Assis Valente e Durval Maia, imprime uma alegria consciente e um gosto pelo gostar que persevera, afirmativamente, diante da vida fazendo o sujeito “seguir vivendo amor”.

Com o verbo "ir" sempre incultando ação e movimento, contra o vento, o sujeito da canção se opõe, por exemplo, à canção "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, quando esta diz: "Caminhando e cantando / E seguindo a canção".
Ao contrário, o sujeito de "Alegria, alegria" não segue a canção, "vai": complexifica e reverte o sistema - cria um canto para si, compõe sua história efetiva, singular. E estilhaça a competência receptiva do ouvinte "bem comportado", gerando o desconforto que impulssiona o outro a "ir junto".
Ao invés de "amores na mente", o sujeito "tem o peito cheio de amores vãos". Por que não? Caminhar ao abstrato é ser universal: desejo íntimo do sujeito, que narra seu caminhar, sua relação ilícita com o mundo.
Assim, ele, consolado pela canção que compõe para si, e que pensa em cantar na televisão, ou seja, dar de presente às massas, fica mais distante da morte, a cada nova imagem anexada ao canto; a cada nova especulação do perigo: afirmação do risco, de viver.

***
Alegria, alegria (Caetano Veloso)

Caminhando contra o vento
Sem lenço sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes pernas bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou

Por que não? Por que não?

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço sem documento
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo amor
Eu vou

Por que não? Por que não?




* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

ELI JOORY E MARIA TERESA MADEIRA LANÇAM O DISCO 'COM A CORDA TODA'

Voltado para a música de câmara, álbum aposta no diálogo entre temas eruditos e populares. Carlos Malta, o spalla Ricardo Amado e as sopranos Doriana Mendes e Veruschka Mainhard participam do projeto

Por Ana Clara Brant 



Eli Joory e Maria Teresa Madeira exploram o diálogo da música de câmara com ritmos populares (foto: Bruno Veiga/divulgação)O músico Eli Joory é um carioca de alma mineira. Durante vários anos, ele se dividiu entre o Rio de Janeiro e Tiradentes por gostar de Minas e para fugir do calor da Cidade Maravilhosa. “O clima da região de Tiradentes é muito aprazível. Comecei a morar nos dois lugares. Chegava a ficar dois, três meses em Minas tocando e compondo”, revela.

Apaixonado pela mineira Márcia, com quem se casou, Eli se mudou definitivamente para o estado e é pai de Ramari, de 8. “Uns cinco anos antes de ela nascer, minha mulher sonhou que teria uma filha com esse nome. A gente não sabe o que significa, mas no sonho era como se fosse uma espécie de estrela”, conta Eli, que atualmente mora em Belo Horizonte.

O “filho caçula” do carioca acaba de nascer. Com a corda toda, quarto disco de carreira, é totalmente dedicado ao repertório de câmara. Para interpretar as nove composições autorais, Eli reuniu nomes respeitados da cena erudita e instrumental: Ricardo Amado, spalla da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o saxofonista Carlos Malta e as sopranos Doriana Mendes e Veruschka Mainhard, além da pianista Maria Teresa Madeira, concertista de carreira internacional.


Paixão 

O álbum marca a segunda parceria de Eli e Maria Teresa. “A gente se conhece há uns 12 anos. Na verdade, a admiração por ela começou por causa da minha paixão pelo piano. Além de grande intérprete, Maria Teresa conhece muito a música brasileira de raiz. Tem a ginga do Brasil, mas com o toque erudito. Fizemos um outro disco, o Tomara que chova, que ficou muito interessante”, comenta Eli.

Com formação erudita e popular, sempre focado nos ritmos brasileiros, o compositor e instrumentista reuniu em seu novo álbum temas criados para pequenas formações. O repertório traz peças para piano solo, além de outras para duos de piano com acréscimo de um ou dois instrumentos solistas. O projeto contempla também todas as partituras completas em PDF.

A faixa-título Com a corda toda é a releitura de um tema criado há vários anos. “Composição muito antiga, ela tinha um outro estilo, era mais rock and roll. Depois que a refiz, mistura não só o rock, mas baião e trechos líricos. Achei que o título tem muito a ver, porque realmente estou com a corda toda”, brinca Eli. “Não me canso nunca de compor. É uma rotina quase militar. Por mais que seja algo que me dê dinheiro, é missão de vida, espiritual. Sempre tenho muito gás para criar. Aliás, já estou com outro CD praticamente pronto e vou lançá-lo em breve”, avisa.

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Resultado de imagem para Sentinela milton nascimento

Sentinela é um álbum gravado em 1980 por Milton Nascimento, pela gravadora Ariola, produzido por Marco Mazzola. O disco marcou a estreia da gravadora alemã no país, junto de outros discos, como "A Arca de Noé" um projeto infantil com poemas de Vinicius de Moraes, "Coração Bobo" do pernambucano Alceu Valença, "Olhos Felizes" da cantora Marina, o álbum homônimo de estreia da dupla Kleiton & Kledir e também "Bazar Brasileiro" de Moraes Moreira. O disco traz participações especiais neste disco, como a do conjunto Boca Livre nos vocais de "Canção da América", o parceiro Tavinho Moura em "Peixinhos do Mar", a argentina Mercedes Sosa na interpretação da música "Sueño con serpientes" composta pelo cubano Silvio Rodríguez, a cantora Nana Caymmi em "Sentinela", regravação de uma faixa originalmente lançada no álbum de 1969 e também o conjunto Uakti, fazendo percussões em faixas como "Sueño con serpientes".

Faixas:

01 - O velho
02 - Peixinhos do mar (Cantiga de marujada)
03 - Tudo
04 - Canção da América (Unencounter)
05 - Sueño Con Serpientes
06 - Roupa nova
07 - Povo da raça Brasil
08 - Sentinela
09 - Cantiga (Caicó)
10 - Bicho homem 
11 - Itamarandiba
12 - Um cafuné na cabeça malandro, eu quero até de macaco
13 - Peixinhos do mar. 


Músicos:

Milton Nascimento: voz, violão
Robertinho Silva: bateria e percussão
Wagner Tiso: órgão, teclados, flauta sintetizada, piano, arranjos, orquestração e regência
Tavinho Moura: violão
Luiz Alves: baixo
Paulinho Carvalho: baixo elétrico
Hélio Delmiro: guitarra
Toninho Horta: guitarra e violão
Luiz Avellar: piano
Ricardo Silveira: viola e guitarra


Participações especiais:
Boca Livre: vocais em "Canção da América"
Mercedes Sosa: voz em "Sueño con serpientes"
Uakti: percussão nas faixas "O velho", "Peixinhos do mar", "Sueño con serpientes" e "Um Cafuné na Cabeça, Malandro, Eu Quero Até de Macaco"
Nana Caymmi: voz em "Sentinela"
Tavinho Moura: violão e arranjos em "Peixinhos do mar"

Coro de beneditinos na faixa "Sentinela"
Dom João Evangelista
Dom Gerardo Wanderley
Irmão Alfredo
Irmão Beda
Irmão Eduardo
Irmão Tomás
Irmão Justino
Irmão Paulo Sérgio
Frei Paulo Cezar



Ficha Técnica
Produzido por Mazzola
Idealização e direção: Milton Nascimento
Técnicos de gravação: Vitor Farias, Rafael Azulay e Mazzola
Auxiliar de gravação: Magro (o poeta)
Estúdio de gravação: Transamérica (24 canais)
Engenheiros de mixagem: Humberto Gatica e Mazola
Auxiliares: Jeff Devlan e Milton Nascimento
Coord.Gráfica: J.C.Mello, Hildebrando de Castro e Beto Martins
Capa - Criação e Fotografia: Márcio Luiz Ferreira
Arte: Eduardo Maia do Vale (Pardal)
Colaboradores: Assunção, Bituca, Dú, Fernando, Hildebrando, Murilo e Paulo Cezar

Canto Gregoriano na faixa Sentinela: gravação realizada no dia 09/07/80 na capela do Colégio Notre Dame
Engenheiro de gravação: Mazola
Auxiliares: Wilson Medeiros, Otávio Castro e Dudu Mendonça
Supervisão técnica: Edeltrudes Marques (Dudu)
Engenheiros de mixagem: Humberto Gatica e Mazola
Auxiliares: Jeff Devlan, Oscar Castro Neves e Milton Nascimento

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

PAUTA MUSICAL: PARA RECORDAR VALZINHO - PARTE 01

Quatro décadas após sua morte, Valzinho é lembrado por sua obra e importância dentro da MPB

Por Laura Macedo



Valzinho (Norival Carlos Teixeira)

Compositor / Violonista / Cavaquinista


* 26/12/1914 – Rio de Janeiro (RJ)
+ 25/01/1980 – Rio de Janeiro (RJ)



Confesso que a primeira vez que ouvi falar sobre o compositor e músico – Valzinho (Norival Carlos Teixeira) -, foi através do multifacetado Hermínio Bello de Carvalho. Seu verbete no Dicionário Cravo Albin, apesar de pequeno, revela sua grande importância na história da Música Popular Brasileira.


O nome de Valzinho está associado a grandes ícones do universo musical brasileiro, como Pixinguinha, Garoto, Dante Santoro, Zé Menezes, Radamés Gnattali e, mais recentemente, Paulinho da Viola, Jards Macalé e a jovem violonista Antonia Adnet.


UMA FAMÍLIA MUSICAL

O patriarca da família – Edgard Carlos Teixeira – era violonista e exercia a profissão de ferroviário; já a matriarca – Nisa Chaves Teixeira tocava piano. Resultado: uma bela família musical.


Da direita para esquerda: Newton Teixeira (flauta) / Nilva Teixeira (bandolim) / Norival “Valzinho” Teixeira (violão) / Neuwaldo Teixeira (cavaquinho).


Neuwaldo (flauta) / Valzinho (cavaquinho) / Edgard Carlos Teixeira (violão) [pai dos três] e Newton (violão).


Newton, Nilva e Valzinho


Um pouco da trajetória Pessoal e Profissional de Valzinho

Aos 13 anos já tinha a ocupação de ajudante de alfaiate visando colaborar na renda familiar. Seu primeiro emprego foi na Casa da Moeda (gravador artístico) onde se aposentou muito tempo depois. Dedicou-se também a escultura, desenho e gravura, se aprimorando no Museu de Belas Artes.

Valzinho e Pereira Silva


Valzinho iniciou a carreira de músico aos 19 anos (1933), na Rádio Guanabara tocando no conjunto de Pereira Filho. Trabalhou também com Pixinguinha. Entre 1936 e 1938 atuou na Rádio Mayrink Veiga integrando o Regional de Luperce Miranda. Foi nesta época que os dois feras compuseram “Não sei porque” gravada, posteriormente, por Gilberto Alves, em 1944.

À esquerda: Valzinho e Luperce Miranda com seus instrumentos / À direita: Apresentação do regional de Luperce, na Rádio Nacional. Valzinho está de costa com o violão, Luperce com seu bandolim e Carlos Galhardo cantando.


“Não sei porque” (Valzinho/Luperce Miranda) # Gilberto Alves. Disco Odeon (12448-A), 1944.

Abaixo ouviremos – “Não sei porque” – na voz de Gilberto Alves. Essa é uma das várias músicas que percebemos, muitos antes do movimento bossanovista, o quanto Valzinho já fazia harmonizações inovadores.


A partir de 1939, Valzinho, iniciou seu trabalho na Rádio Nacional, onde permaneceu até se aposentar trinta anos depois, integrando o regional de Dante Santoro, ao lado dos violões de Rubens Bergman, Norival Guimarães e Carlos Lentine e do cavaquinho de Waldemar Pereira de Melo.

RECIFE ABRE CICLO MOMESCO COM MAIS DE 50 ATRAÇÕES, CONCURSOS E ENSAIOS ABERTOS PARA POPULAÇÃO E TURISTAS



Tradições serão garantidas através de desfiles de agremiações e muitos ensaios, além de Terças Negras especiais de Carnaval. Porto Musical e Palco Frei Caneca prometem agitar o Bairro do Recife com pegada contemporânea (Foto: Bruno Campos/ArquivoPCR Imagem)


A partir da próxima terça-feira (21), a capital do maior Carnaval de Rua do Brasil decreta abertos oficialmente os festejos momescos com dezenas de prévias completamente gratuitas e abertas ao público. Até o dia 21 de fevereiro, a cidade promoverá 53 ensaios de Maracatus, acertos de marcha, concursos de Rei e Rainha do Carnaval, Passistas e porta-estandartes, entre outros eventos carnavalescos que antecedem os dias oficiais dos festejos.

A primeira prévia acontecerá na Mangabeira na terça-feira (21), com o primeiro ensaio aberto do Tumaraca. O primeiro dos ensaios acontecerá na Mangabeira e será conduzido pelo Maracatu de Baque Virado Encanto da Alegria, que se prepara para o carnaval de 2020 com o tema ‘É do Ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda o meu corpo’. O evento, aberto ao público, está previsto para as 18h.

O ensaio aberto ao público acontece em companhia do grupo Voz Nagô e será o primeiro dos 18 encontros abertos que irão acontecer para a grande apoteose do Tumaraca, espetáculo que irá reunir 13 Nações de Maracatu de Baque Virado no Marco Zero, no dia 21 de fevereiro, quinta-feira da semana pré-Carnavalesca e grande Abre-Alas do Carnaval do Recife 2020. Até lá, acontecerão 13 ensaios nas comunidades, quatro ensaios conjuntos na Rua da Moeda, além de um encontro de Mestres no Pátio de São Pedro (vide serviço).

Já a partir do dia 23 de janeiro, o Pátio de São Pedro vira o grande Quartel General do Frevo e irá sediar seis encontros de Acertos de Marchas de Blocos. O Pátio de São Pedro ainda será palco das Terças Negras Especiais de Carnaval, do Encontro de Baques de Caboclinhos e Tribos de Índio, dos concursos para Passistas, Porta-estandartes, Flabelistas, Rei e Rainha do Carnaval, Mestre sala e Porta Bandeira.

Em fevereiro, os destaques ficam por conta do Baile Municipal, mais tradicional prévia que chega à sua 56ª edição e desembarca no Classic Hall no sábado que antecede o Carnaval (15). No dia seguinte, a contemporaneidade e irreverência tomam conta da Praça do Arsenal, onde o Palco Frei Caneca mostra o melhor de sua programação de música local e nacional. Entre os dias 13 e 15, o bairro também será tomado pela intensa programação do Porto Musical.

No total, a cidade terá eventos que incluem ainda o Baile Municipal da Pessoa Idosa e o Carnaval Inclusivo, além do Concurso de Fantasias, que reverencia a criatividade e o luxo de uma arte que eleva a indumentária carnavalesca ao estado de arte. Confira a programação:


DATA
PRÉVIA
LOCAL
HORÁRIO
JANEIRO



21
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Encanto da Alegria
Rua Coremas, nº 40, Mangabeira
18h
22
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Leão da Campina
Rua  empresário Ricardo Brennand n° 65, Ibura – COHAB
18h
23
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Estrela Dalva
Rua Pinheiro, n° 02 Bairro de São José/Joana Bezerra (Próximo à Delegacia)
18h
23
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
24
Tumaraca - Ensaio coletivo - Encanto da Alegria, Estrela Dalva e Leão da Campina
Rua da Moeda
18h
24
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
24
I Eliminatória do Concurso de Rei Momo e Rainha do Carnaval
Teatro Barreto Júnior
10h
25
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Encanto do Pina
Rua São Benetido, nº88, Pina.(Segunda a esquerda após o Clube Banhista do Pina)
18h
28
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro
19h
28
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Estrela Brilhante
R. Severino Bernardino Pereira (em frente ao Caldinho do Biu) Alto José do Pinho

29
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Linda Flor
Ibura de Baixo
18h
30
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
31
Tumaraca - Encanto do Pina, Estrela Brilhante, Linda Flor e Xangô Alafim
Rua da Moeda
18h
31
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
31
II Eliminatória do Concurso de Rei e Rainha do Carnaval 2020
Teatro Barreto Júnior
18h
FEVEREIRO



1
Tumaraca - Ensaio Maracatu Nação Tupinambá
Rua Araripe Junior, nº 39 – Córrego do Jenipapo

3
Concurso de Porta Estandarte (Porta Flabelo, Mestre Sala e Porta Bandeira)
Pátio de São Pedro
18h
4
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro
19h
5
Concurso de Porta Estandarte (Porta Flabelo, Mestre Sala e Porta Bandeira)
Pátio de São Pedro
18h
5
Tumaraca- Ensaio Maracatu Nação Porto Rico
Rua Eurico Vitrúvio, nº 483 Pina
18h
6
Tumaraca -Ensaio Almirante do Forte
Estrada do Bongi, 1319  - Torrões

6
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
7
Final do Concurso de Rei e Rainha do Carnaval
Pátio de São Pedro
18h
7
Tumaraca - Tubinambá, Porto Rico e Almirante do Forte
Rua da Moeda
18h
8
Tumaraca - Ensaio Maracatu Nação Raízes de Pai Adão
Rua Estrada Velha de Água Fria  n° 1644

8
Carnaval Praia sem Barreiras
Posto 7 - Bruno Veloso
9h às 12h
8
Concurso de Passistas
Pátio de São Pedro
16h
9
Dia do Frevo
Praça do Arsenal
16h
9
Aurora dos Carnavais
Rua da Aurora
16h
9
Concurso de Passistas
Pátio de São Pedro
16h
11
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro
19h
12
Concurso de Fantasias
Sport Club do Recife
19h
12
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Nação Cambinda Estrela
Campina do Barreto
18h
12
Encontro de Baques de Caboclinhos e Índios
Pátio de São Pedro
16h
13
Encontro de Baques de Caboclinhos e Índios
Pátio de São Pedro
16h
13
Porto Musical
Praça do Arsenal
18h
14
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro
18h
14
Tumaraca -Ensaio do Raízes de Pai Adão, Cambinda Estrela e Aurora Africana
Rua da Moeda
18h
14
Porto Musical
Praça do Arsenal
18h
15
Baile Municipal do Recife
Classic Hall
21h
15
Porto Musical
Praça do Arsenal
18h
16
Palco Frei Caneca
Praça do Arsenal
18h
18
Baile Municipal da Pessoa Idosa
Classic Hall
15h
18
Encontro de Mestres de Nações de Maracatus
Pátio de São Pedro
17h
18
Tumaraca - Ensaio Geral
Marco Zero
18h
18
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro
19h
18
Desfile de Agremiações Carnavalescas
Bairro do Recife
18h
19
Desfile de Agremiações Carnavalescas
Bairro do Recife
18h
19
Encontro de Caboclinhos e Índios
Praça do Arsenal
17h
20
Ubuntu - Encontro de Afoxés
Rio Branco - Marco Zero
16h
20
Tumaraca - Encontro de Nações
Rua da Moeda - Marco Zero
18h
20
Ensaio Geral da Abertura do Carnaval
Marco Zero

domingo, 19 de janeiro de 2020

FERNANDO JAPIASSÚ LANÇA O PRIMOROSO ÁLBUM CONFRARIA DA TOCA

Visualização da imagem

O disco estará disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 10 de janeiro. O trabalho é resultado de cinco anos de produção no estúdio Toca do Japi e traz instrumentalismo de músicos consagrados, além de interpretações de cantores como Almério, Isabela Moraes, Silvério Pessoa, Maciel Melo e Josildo Sá.

O tempo traz mistérios. Cura, refaz, movimenta. Em cinco anos, de 2013 a 2018, parte da obra de Fernando Japiassú, paraibano radicado no Recife, teve dias imersos no estúdio Toca do Japi para a produção de arranjos, texturas e canções que fizeram gerar o Confraria da Toca, primeiro álbum do compositor. Persona ativa na vida cultural pernambucana desde os anos 1980, participando de bandas e produções musicais, Japiassú escolheu deixar o relógio correr solto e apostar na leveza de se fazer arte, sem preocupações comerciais, permitindo-se surpreender com o que o processo de feitura de um disco reservava, como em tempos antigos e menos apressados. A cada faixa, coincidências, magias, participações improváveis ou não, ou qualquer acontecimento misterioso, que faz de Confraria da Toca um álbum de celebração, gravado vagarosamente e que sugere uma audição igualmente atenta. “O esforço e o saber, de nós e de algo além de nós, se unem pelo prazer de ser o dom, o som e voz”, diz letra da música de abertura, que traz o mesmo título do disco e que saúda Olorum (considerado nas religiões de descendência afro como o senhor supremo do destino), pedindo bênçãos, abrindo caminhos para que, a partir dali, só entre quem de bem é, ressaltando um trabalho poliafetivo, vestido por parcerias e boas amizades.

Por isso, não é difícil perceber, que Confraria da Toca é um trabalho de um compositor que derrama generosidade ao redor, convida instrumentistas e intérpretes para entrar na roda e reforça o poder da produção coletiva. Assim, consegue trazer para a obra uma cena musical Pernambucana produtiva, que transpassa movimentos e gêneros, de forma diversa e empolgante. Desta forma, ouve-se interpretações potentes de Riá, Almério, Isabela Moraes, Edilza, Zé Brown, Josildo Sá, Ska Maria Pastora, Zé Cafofinho, Maciel Melo, Mazo Melo e Silvério Pessoa. Na instrumentação, além da banda base, “o tripé que sustenta a Confraria”, estão os amigos-músicos que se reúnem há mais de cindo anos com Japiassú todas as segundas-feiras (Augusto Silva, bateria; Fernando Azula, baixo, Gilberto Bala, percussão), o disco conta ainda com as participações de instrumentistas respeitados como Lucas dos Prazeres, Reppolho, Maestro Spok, Pepê da Silva, Raminho da Zabumba, Danilo Mariano, Henrique Albino, Cláudia Beija, Nívea Amorim, Rodrigo Barros, Deco do Trombone. “De repente, quando vi todo esse pessoal junto, percebi que na verdade a gente tinha conseguido fazer um registro da atual cena musical pernambucana, guardadas devidas proporções como aconteceu quando Carlos Fernando fazia o Asas da América, registrando muita gente que fazia música entre 1970 e 1980 aqui”, reflete.

Incomum ao mercado, o artista Fernando Japiassú, que assina o disco, é guitarrista, invertendo o formato mais comum do cantor. Apesar de não colocar a própria voz em nenhuma das faixas, Japiassú é autor por completo, por participar ativamente de todos os momentos e processos. Ao convidar o amigo e baterista Augusto Silva para assinar a produção musical do trabalho – onde a ideia inicial era um songbook - decidiram produzir cada música intuitivamente, convidando outros artistas que sentiam encaixar perfeitamente nas canções. “Íamos escutando as músicas e imaginando quem poderia cantar ou tocar determinado instrumento. Era uma espécie de namoro. Enviávamos a música, definíamos o tom e, de acordo com as agendas, íamos marcando as gravações das vozes e instrumentos”, conta, dando a entender o processo minucioso e nada apressado da produção, que teve ainda a participação luxuosa de Antoine Midani e André Dias na mixagem e masterização, respectivamente, dando o toque final na qualidade do disco.



A Confraria da Toca

Estar com Fernando Japiassú, Fernando Azula, Augusto Silva e Gilberto Bala reunidos é a certeza de muitas histórias contadas. Todo o processo de criação do álbum passa pelas segundas-feiras nas quais, até hoje, o quarteto se reúne quase que religiosamente no estúdio Toca do Japi, em Aldeia, Camaragibe. Com um quinto elemento quase sempre presente, Renato Bandeira, a banda tem base afetiva familiar. Dizem sem pestanejar que se amam. E nem precisa dizer, basta observar como se olham, como tocam juntos e como a afetividade sustenta o trabalho musical. Mas todos, sem exceção, exprimem admiração pelos mistérios que traz Gilberto Bala. O percussionista, ogã feito no Candomblé, é livre para seguir intuições e sugerir levadas, mesmo que a princípio pareçam absurdas. “Certa vez, do nada, Bala chegou no estúdio e me pediu uma bacia de alumínio. Disse a ele que não tinha. Mas ele, com insistência quase infantil, continuou me pedindo. Frisei mais uma vez que não tinha, mas me lembrei que há poucos dias havia ganho uma bacia de bronze antiga, na qual minha avó dava banho nos netos. Entreguei a ele e dali começou a fazer um som. Prontamente, Azula ligou os microfones e captamos tudo. Dias depois, num churrasco, mostramos a Renato Bandeira que imediatamente pediu um violão e gravou por cima. Um resultado incrível, e que faz parte do mistério que cultivamos e que acreditamos ser o jeito mais prazeroso de se fazer música”, conta.

Faixa a faixa por Fernando Japiassú

1) Confraria da Toca (part. especiais: Riá e Pepê da Silva)
Gilberto Bala é ogã e ele sabe colocar paisagens na música de forma marcante. Sempre nos chega com coisas curiosas, como a história da bacia, que dá a paisagem dessa música. Até a forma como Renatinho (Bandeira) gravou o violão foi misteriosa, porque após gravar, mesmo no ar-condicionado, suava como se estivesse com uma entidade. Depois disso, passou mal e comeu arroz com as mãos... bem estranho e apenas observamos. No dia seguinte, peguei a música e coloquei a letra. Sinto que foi uma música psicografada desde o começo.

2) Logoff (part. especial: Almério)
Fiz esta música anos atrás. É sobre aquela história em que você está na internet e aparece no chat uma pessoa que sumiu da sua vida há tempos, puxando uma conversa como se tivesse te visto ontem. Tem uma pegada interessante, porque é um tipo de “baião disfarçado”. Tivemos muita dificuldade de gravar a zabumba, porque não é uma zabumba qualquer. Até que alguém disse: só tem uma pessoa no mundo que pode fazer essa zabumba da melhor maneira, Raminho da Zabumba. Dito e feito, sem dificuldade alguma. E aí a gente percebe como o instrumentista é desvalorizado no Brasil, se comparando, por exemplo, aos bluzeiros nos Estados Unidos.

3) Balada do Amado Ausente (part. especiais: Almério e Renato Bandeira)
Na edição do disco “Confraria da Toca” havia muita coisa que cortamos, mas que eu gostava muito. Entre elas, a viola de Renato e o aboio de Almério. Fiquei com pena daquilo não entrar no disco e comecei a mexer com o sampler. Depois, chamei Bala para fazer as percussões nesta base que eu tinha sampleado, com a direção de Augusto Silva. Quando mostrei a Almério, pedindo permissão para colocar a voz no disco, ele disse que não lembrava que tinha gravado aquilo (risos). Balada do Amado Ausente é uma introdução para a música seguinte, Vagão.

4) Vagão (part. especiais: Maciel Melo e Julio César Mendes)
Vagão era o nome de um bar que tinha no bairro do Espinheiro. Paulo Valença escreveu a letra em um guardanapo para entregar a uma moça que estava sentada em outra mesa. Como ele não entregou a poesia, guardei o guardanapo e tudo acabou em um baião-rock, interpretado com primor por Maciel Melo.

5) Só Um Beijo (part. especiais: Maestro Spok e Zé Cafofinho)
Fiz essa música para um espírito como o de Zé Cafofinho, num clima de brincadeira, com uma pegada mais popular (não gosto do termo “brega”). Como Cafofinho mesmo disse, uma música de bêbo, de farra. Tem também o sax de Spok, que dá uma verve gafieira. E ainda a participação do cavaquinho de Pepê, o que completa a festa.

6) Quem Sabe Como a Gente Mudou? (voz: Edilza Aires e Zé Brown)
Acho que o disco, até aqui tem uma pegada nordestina muito forte. E aí entra essa, que é mais soul, black music e fala sobre fim de relacionamento. Há muito tempo que essa música havia sido pensada para Edilza. Fizemos o contratempo com Brown, o que casou perfeitamente. Quem colocaria os sopros seria Leo Gandelman, contudo por conta de agenda, não foi possível. Mas é quando digo que o que não dá certo, dá certo! Convidamos Henrique Albino que fez o grande diferencial, trazendo uma sonoridade bem nordestina. Fiquei bem feliz, pois gosto de fazer música que não pareça com nada. Albino tirou a canção da prateleira da black music.

7) Todo Santo Dia (part. especial: Josildo Sá e Ska Maria Pastora)
O ska é um estilo de música bem difícil de se tocar, tanto que a gente decidiu gravar com uma banda de ska mesmo, para ter verdade, principalmente na junção da bateria com o baixo. Há mais de 10 anos que os caras tocam juntos. Josildo Sá topou na hora cantar e, apesar de ter sua carreira formada no Samba de Latada, gostou do desafio de sair da zona de conforto.

8) Canção em preto e branco (part. especiais Isabela Moraes e Lucas dos Prazeres)
Essa música surgiu a partir de um sonho que Azula teve, em que voava e via lavadeiras à beira-rio. Tem uma pegada mais política por conta da temática: as pessoas trabalhando para as outras, geralmente negros para brancos. Foi muito legal encontrar Isabela, uma força artística inigualável. Tínhamos mudado o tom da música para o que imaginávamos ser o dela, mas no final das contas, o tom era exatamente o mesmo do sonho. Fomos apresentar a música a ela numa casa que tinham cachorros e eles estavam super agitados. Mas, magicamente, quando apertamos o rec para registrar, os cachorros calaram. Na passagem, a gente faz uma homenagem à Iemanjá, por conta desse mistério sempre presente no disco todo, atrelado à religião de Bala. E é muito especial perceber como o canto conduz ao mar e leva a uma ciranda na faixa seguinte.

9) A Ciranda (part. especiais Mazo Melo e Reppolho)
Creio que A Ciranda foi umas das minhas três primeiras músicas da vida. A voz de Mazo tinha um timbre perfeito para o que pensávamos. Queríamos colocar um trompete, mas que fosse alguém que conseguisse desde uma embocadura meio frouxa, como cirandeiros da beira de praia, até a sofisticação da pegada de Ibrahim Maalouf. E só tinha um cara aqui para fazer: Fabinho Costa. Interessante que mostrei a música para algumas pessoas na França e me perguntaram se era Ibrahim tocando (risos).

10) Aos que Esperam (part. especiais: Silvério Pessoa e Renato Bandeira)
Junto com A Ciranda, é também uma das minhas três primeiras músicas. Foi uma das primeiras que a gente gravou para o disco e que já tinha a cara de Silvério, cogitada lá atrás a entrar em um dos discos dele. É uma música que também tem essa pegada de baião meio rock progressivo, parceria minha com Danilo Portela, parceiro antigo, do meu tempo de banda (A Banda).

11) Babel
Um bônus track, onde a letra não é inteligível. Tem várias letras, mas você não consegue entender nenhuma. “Deus castiga os homens fazendo com que não mais se compreendam pois a força dos homens está em sua comunicação”. A fiz pensando nesse momento atual: todo mundo tá falando e ninguém consegue escutar o que outro fala.


Ficha Técnica:
Gravado no estúdio Toca do Japi
Produção Musical: Augusto Silva
Técnicos de Gravação: Fernando Azula e Joel Lima
Mixagem: Antoine Midani
Masterização: André Dias (Post Modern Mastering)
Produção Executiva: Laura Proto
Projeto Gráfico: Vicente Simas
Arte da capa: Antoine Dumézy

Contato para imprensa:
Aline Feitosa | aline.tragoboanoticia@gmail.com | (81) 98131.0721

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