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domingo, 29 de novembro de 2020

10 NOVELAS COM TRILHAS SONORAS INESQUECÍVEIS

Por Tito Guedes 



Entre os anos 1960 e 1970, com a ascensão da televisão como um objeto de consumo cada vez mais acessível e popular, não demorou para que os brasileiros escolhessem suas atrações preferidas. De longe, ganharam as telenovelas. 

Herança do rádio e das fotonovelas das revistas, elas conquistaram o coração do povo e se consolidaram como um dos principais produtos da indústria cultural brasileira. Até hoje não existe nenhum país com um amor tão grande pelos folhetins televisionados.

Muitas dessas novelas ganharam trilhas sonoras antológicas, que se tornaram símbolos de uma época ou ajudaram a popularizar determinadas canções. Muitos clássicos da MPB foram criados especialmente para algum personagem ou tema de abertura. Por isso, reunimos aqui 10 novelas que ganharam trilhas sonoras inesquecíveis. Confira logo abaixo a seleção! 


1. Véu de Noiva (1969)

Escrita por Janete Clair, “Véu de Noiva” foi a primeira novela a ganhar uma trilha sonora original, produzida por Nelson Motta. Muitas das canções se tornaram conhecidas até hoje, como “Teletema” (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar), “Irene” (Caetano Veloso), “Azimuth” (Marcos Valle e Novelli), dentre muitas outras.




2. Gabriela (1975)

Baseada no romance “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado, a adaptação televisiva de George Durst possui uma das trilhas sonoras mais antológicas da teledramaturgia brasileira.

São dez temas originais, compostos especialmente para a trama. Muitos se tornaram clássicos da música brasileira, como “Coração ateu” (de Sueli Costa, interpretada por Maria Bethânia), “Filho da Bahia” (de Walter Queiroz, interpretada por Fafá de Belém), “Caravana” (de Alceu Valença e Geraldo Azevedo) e “Alegre menina” (de Dori Caymmi e Jorge Amado, interpretada por Djavan). 

Isso sem contar, é claro, com “Modinha para Gabriela”, composição de Dorival Caymmi que se tornou um dos maiores clássicos da carreira de Gal Costa, que gravou a canção. Gal se apropriou tanto dos versos (“Eu nasci assim/ Eu cresci assim/ E sou mesmo assim/ Vou ser sempre assim/ Gabriela!”) que Jorge Amado afirmou, anos depois, que todas as suas personagens “têm a voz de Gal”.



3. Pecado Capital (1975)

“Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval…”. Os versos iniciais de “Pecado Capital”, samba de Paulinho da Viola, ecoavam todas as noites na abertura da novela homônima de Janete Clair. A música-tema composta por Paulinho casava com uma trama eletrizante que tratava dos dilemas morais que envolviam a sede pela ascensão econômica.

A trilha contava ainda com outras canções conhecidas, como "Moça" (Wando), "Você Não Passa de uma Mulher" (Martinho da Vila), "Juventude Transviada" (Luiz Melodia) e "Meu Perdão" (Beth Carvalho).




4. Saramandaia (1976)

Inspirada pelo movimento do “realismo mágico”, então muito em voga na literatura latino-americana, “Saramandaia” foi escrita por Dias Gomes e se utilizava de situações inusitadas (como um homem que botava insetos pelo nariz ou um rapaz que possuía asas) para tecer críticas veladas à ditadura militar. 

Além de uma história sensível que emocionou muita gente, a trama contava com uma trilha sonora impecável que marcou a memória musical brasileira. “Pavão Mysteriozo”, com Ednardo, que tocava na abertura, é a que ficou mais associada à novela e ao seu protagonista, o sonhador João Gibão, interpretado por Juca de Oliveira. A atração contava ainda com “Capim novo” (Luiz Gonzaga), “Pra não morrer de tristeza” (de João Silva e K-Boclinho, interpretada por Ney Matogrosso) e “Chamego” (de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, interpretada por Fafá de Belém).



5. Dancin` Days (1978)

Impossível falar de música e teledramaturgia e não lembrar de “Dancin` Days”. A novela de Gilberto Braga foi um estouro de popularidade ao retratar o fenômeno da música disco que assolava as rádios e pistas de dança da época. O nome, inclusive, era o mesmo da lendária boate fundada por Nelson Motta em 1976, que revelou as Frenéticas e introduziu no Brasil a febre das discotecas. 

As Frenéticas, inclusive, ganharam o maior sucesso da carreira por causa dessa novela. A música da abertura foi composta por Nelson Motta e Ruban e é até hoje um clássico do pop nacional: “Abra suas asas/ Solte suas feras/ Caia na gandaia/ Entre nessa festa!”. 

A trilha contava ainda com outras músicas nesse estilo, como “Agora é moda” (Rita Lee) e “Kitche Zona Sul” (Ronaldo Resedá), além de clássicos da MPB como “Copacabana” (com Dick Farney) e “João e Maria” (Chico Buarque). 


6. Vale Tudo (1988)

Muito lembrada pela lendária vilã-mor da teledramaturgia brasileira, Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, “Vale Tudo” também marcou a música brasileira. A trama escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères tecia uma crítica contundente ao Brasil pós-redemocratização. Nesse sentido, não poderia haver tema melhor para a abertura do que a então recém lançada “Brasil”, de Cazuza, que ganhou versão na voz de Gal Costa: “Brasil, mostra a tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar assim”.



7. Tieta (1989)

Baseada no livro “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, a trama escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn contava a história de uma mulher libertária que chega a uma ilha paradisíaca, porém conservadora na Bahia no final dos anos 1980.

A música-tema, interpretada por Luiz Caldas, se tornou mania nacional e prenunciou o sucesso do então emergente axé music, representado também por “Meia lua inteira”, música de Carlinhos Brown interpretada por Caetano Veloso. A trilha contava ainda com “Coração do agreste” (de Moacyr Luz e Aldir Blanc, interpretada por Fafá de Belém), e sucessos do sertanejo, gênero que dominava as paradas da época. 


8. Rainha da Sucata (1990)

Assim como “Dancin` Days” levou para as telas o fenômeno da disco music, “Rainha da Sucata”, obra-prima de Silvio de Abreu, retratou a febre da lambada. A abertura mostrava diversos casais dançando ao som de “Me chama que eu vou”, hit de Sidney Magal. 

A novela inspirou muita gente e encheu as academias de dança que ofereciam cursos de lambada.



9. Por Amor (1998)

Não tem como falar de músicas de novela sem citar Manoel Carlos. Uma das marcas do autor é a escolha cuidadosa de uma trilha sonora repleta de clássicos da Bossa Nova e da MPB, além de baladas românticas norte-americanas. 

“Por Amor” possui uma das trilhas mais marcantes de sua produção, com “Palpite” (Vanessa Rangel), “Mudança dos ventos” (Ivan Lins e Vitor Martins, cantada por Nana Caymmi), “Só você” (de Vinicius Cantuária, com Fábio Júnior) e “Per amore”, canção italiana que fez sucesso à época com a versão de Zizi Possi. Além, é claro, da abertura com a clássica “Falando de amor” (Tom Jobim) na versão do Quarteto em Cy com o MPB-4.



10. Avenida Brasil (2012)

Escrita por João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil” foi um dos maiores fenômenos da história recente da teledramaturgia. Com uma trama centrada nos tipos populares e na Zona Norte carioca, a trilha sonora reuniu diversas canções populares que explodiram à época, como “Amiga da minha mulher” (Seu Jorge), “Humilde residência” (Michel Teló), “Assim você mata o papai” (Sorriso Maroto), “Meu lugar” (Arlindo Cruz), “Correndo atrás de mim” (Aviões do Forró), dentre outras.


Lembrou de mais alguma novela com uma trilha sonora inesquecível? Conta pra gente nos comentários! E aproveite para ouvir a playlist especial que preparamos com essas e muitas outras canções que marcaram nossa teledramaturgia.

SR. BRASIL

sábado, 28 de novembro de 2020

ALMANAQUE DO SAMBA (ANDRÉ DINIZ)*

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Entretanto, o sucesso de grupos como Raça Negra, Negritude Jr., Só pra Contrariar, Razão Brasileira e Sem Compromisso, para citar alguns poucos, foi enorme. Até hoje o público vem consumindo avidamente os frutos dessa “nova onda do pagode” que tem como espontâneos divulgadores alguns dos maiores ídolos dos brasileiros: os jogadores de futebol. Durante a conquista brasileira do pentacampeonato da Copa do Mundo, em 2002, uma cena recorrente nos telejornais era o time cantando pagode no ônibus, no avião, nos quartos de hotel (quem não se lembra de Ronaldinho Gaúcho entoando um samba de primeira cantado pelo grande Zeca Pagodinho, “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”?). No aspecto sociocultural, o “pagode comercial” é tão relevante quanto o reconhecido – por poucos, diga-se de passagem – como “de raiz”. E aqui cabe a pergunta: será que sem o sucesso do primeiro haveria hoje tanto espaço para o segundo? Ao que parece, o imaginário coletivo não faz essa distinção. (Exploraremos melhor esse assunto no último capítulo.)


Pagode do Trem

A primeira versão do Pagode do Trem foi em 1991. Organizado pelo compositor Marquinho de Oswaldo Cruz, o evento retornou em 1996 com força total. Atualmente acontece no Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, e recupera o espírito da comunidade de Oswaldo Cruz dos tempos de Paulo da Portela, que cantava sambas nos trens para fugir da repressão policial. Hoje, tirando o carnaval, é o maior evento de samba do país: cinco trens saem da estação Central do Brasil, com grupos de músicos em todos os vagões, em direção a Oswaldo Cruz, bairro que aglutina mais de 30 rodas de samba com um público estimado de 80 mil pessoas. O próprio Marquinho, idealizador dessa festa e autor das composições “O que os olhos não podem ver” e “Geografia popular”, canta nos versos da música “16a estação” o hino do Pagode do Trem: “...o trem parou, rapaziada/ chegou a hora de tomar uma gelada...”
De qualquer forma, e como superior à polêmica, o pagode continua por aí, em qualquer festa do samba, nos subúrbios, na Zona Sul do Rio, em São Paulo e em outros cantos do país. É só escolher o pé-sujo ou o fundo de quintal mais amistoso, reunir os amigos, pedir um tira-gosto e uma gelada para cantar samba num ritual que remonta aos primeiros anos da República.


Arlindo Cruz e Sombrinha

“Só pra contrariar
eu não fui mais na favela
Só pra contrariar
não desfilei na Portela (meu bem)
Só pra contrariar
pus a cara na janela
Só pra contrariar
eu não fiz amor com ela...”
ARLINDO CRUZ, SOMBRINHA e ALMIR GUINETO, “Só pra contrariar”


Criado em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, Arlindo Cruz começou sua carreira cedo, participando em 1975 de um LP de Candeia, Roda de samba. No início da década de 1980, o Pagode do Arlindinho fez muito sucesso em Cascadura, assim como o Terreirão da Tia Doca, em Oswaldo Cruz, e o Clube do Samba, no Méier. No Cacique de Ramos, conheceu Beto Sem Braço, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Montgomery Ferreira Nunis, mais conhecido como
Sombrinha.
Cantor, instrumentista e compositor, nascido em São Vicente (no estado de São Paulo), Sombrinha aprendeu a tocar violão aos nove anos. Começou a carreira nas casas noturnas de sua cidade natal, indo logo depois para a capital paulista. Mas foi no final da década de 1970, quando se mudou para o Rio de Janeiro, que sua carreira deslanchou.
No Cacique de Ramos, fundou com amigos, entre eles Arlindo Cruz, o grupo Fundo de Quintal, com o qual ganhou cinco prêmios Sharp de melhor conjunto e gravou 13 discos, todos de muito sucesso. 
No início dos anos 1990, Sombrinha e Arlindo decidiram lançar-se em carreira solo. Arlindo gravou seu primeiro CD em 1991, e em 1993 foi a vez de Sombrinha, que acabou ganhando o Prêmio Sharp como revelação masculina do ano.
Em 1996 os dois se juntaram novamente e, dessa vez em dupla, lançaram o disco Da música pela gravadora Velas. No ano seguinte saiu o segundo trabalho, O samba é a nossa cara. E o último CD da dupla, Arlindo Cruz e Sombrinha – Ao vivo, saiu em 2000.
A dupla foi desfeita em novembro de 2002, mas os dois continuam suas carreiras individualmente.


Almir Guineto

“E gamação danada, é triste ver você
fazendo morada dentro do meu peito
deixando imperfeito o meu viver...”
ALMIR GUINETO e NEGUINHO DA BEIJA-FLOR, “Gamação danada”


Cantor, compositor e instrumentista, Almir de Souza Serra pertence a uma tradicional família do morro do Salgueiro. Foi diretor de bateria da escola Acadêmicos do Salgueiro. Freqüentador do bloco Cacique de Ramos, formou o grupo Fundo de Quintal, em 1980, com Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha, Bira Presidente, Ubirani, Arlindo Cruz e Valter 7 Cordas.


Dançado caxambu

“Caxambu” tornou-se um dos maiores sucessos de Almir Guineto: “Olha vamos na dança do caxambu/ Saravá, jongo, saravá/ engoma, meu filho que eu quero ver/ você rodar até o amanhecer/ engoma, meu filho que eu quero ver/ você rodar até o amanhecer/ o tambor tá batendo é pra valer/ é na palma da mão que eu quero ver...”
Caxambu é uma dança sobre a qual há poucos registros. Um solista canta parte da letra e a roda responde, numa relação que progressivamente chega a sua forma definitiva. Sua poética musical parece ligar-se ao samba rural de São Paulo e ao jongo. Mas caxambu é também o atabaque de origem africana que acompanha essa dança e parece ter dado nome ao movimento.
Já em seu primeiro ano de existência, o grupo lançou o LP Samba é no fundo do quintal. No ano anterior, Beth Carvalho havia gravado uma composição de Almir, Luís Carlos e Jorge Aragão, “Coisinha do pai”, que fez enorme sucesso nas rádios do país e foi incluída no repertório eletrônico da sonda espacial Pathfinder, que pousou em Marte, tornando-se o primeiro samba a fazer sucesso não apenas no planeta Terra, mas também no espaço sideral.
Almir foi o responsável por uma das muitas inovações rítmicas que fariam sucesso nos pagodes: reintroduziu o banjo norte-americano (dessa vez com braço de cavaquinho) nos instrumentos dos grupos de samba. Para Mauro Diniz, o banjo foi uma ótima reinvenção do pagode, porque soa mais alto que o cavaquinho – que constantemente tinha as cordas arrebentadas – e assim consegue se destacar da percussão – vale lembrar que as rodas de pagode não usam microfones.
Almir Guineto saiu do Fundo de Quintal em 1981, gravando nesse mesmo ano seu primeiro disco solo, O suburbano. Em 1986, lançou o LP Almir Guineto, que contém parcerias com Zeca Pagodinho, Beto Sem Braço e Luverci Ernesto, este último um de seus parceiros mais constantes. Desse disco, fez muito sucesso a música “Caxambu” (de Bidu do Tuiuti, Jorge Neguinho, Zé Lobo e Élcio do Pagode).


Pagode e comida

Como já foi dito, as baianas da Cidade Nova, chamadas de “tias”, eram referência do novo estilo de samba amaxixado que se consolidava no pedaço na década de 1920. Suas casas eram reduto de festas, de pagodes, de sambas. E de muita comida e bebida! Essa tradição se manteve no universo do samba até os dias de hoje. Tia Surica, uma das pastoras que é referência da Velha Guarda da Portela, faz aos domingos em sua casa um samba regado a comida e bebida; Zeca Pagodinho não deixa por menos, organizando em Xérem antológicos pagodes etílicos e gastronômicos. Pedindo licença ao autor do saboroso livro Batuque na cozinha, Alexandre Medeiros, vou botar na roda uma receita de primeira da Tia Doca, uma daquelas “feiticeiras do fogão” que ainda mantêm na memória a mistura cultural de bom copo, garfo, pandeiro, cavaquinho, voz e alegria. Bon apetit!

Rabada com polenta e agrião
ingredientes
3kg de rabada
3 limões
1,5kg de tomates
2 folhas de louro
1 molho de cheiro-verde 2 cebolas
1 cabeça de alho
8 molhos de agrião
1kg de fubá de milho sal e pimenta-do-reino
Como fazer (para 12 pessoas)

“A rabada deve ser temperada na véspera. Retire o sebo e o excesso de gordura, lave-a com água e sumo de limão. Depois, coloque-a em uma vasilha com meia cabeça de alho socado, meia cebola picada, uma folha de louro, caldo de um limão, sal e pimenta-do-reino.
No dia seguinte, coloque em uma panela grande um pouco de óleo, uma cabeça de alho socado, cebola, louro e cheiro-verde. Deixe dourar e ponha a rabada para cozinhar até que a carne comece a ficar tostada por fora.

Acrescente os tomates cortados em oito pedaços, sem as peles e as sementes. Acrescente água quente e deixe cozinhar em fogo brando. Vá renovando a água durante o cozimento. A panela deve ficar com bastante caldo. Ajuste os temperos, sobretudo o sal e a pimenta-do-reino, e espete o garfo na carne para testar o cozimento. Quando estiver pronta, a rabada deve se soltar do osso com facilidade. Retire algumas conchas do caldo para fazer o angu. Adicione os molhos de agrião, já lavados e cortados. O agrião deve cobrir a rabada, abafando-a. Tampe a panela e deixe o agrião cozinhar. Misture o fubá de milho em uma panela com água fria e mexa sem deixar que embole.
Em outra panela, deixe dourar alho com um pouco de óleo e sal. Retire algumas conchas de caldo fervente da rabada e misture bem no refogado. Coloque o fubá e acrescente um pouco de água. Deixe cozinhar até que o angu se solte da panela. Sirva a rabada com angu e arroz branco.” Quem quiser mais delícias das “tias”, é só procurar no livro do Alexandre Medeiros.
Entre os inúmeros sucessos de sua carreira, podemos destacar “Lama nas ruas”, com Zeca Pagodinho; “Pedi ao céu”, gravada por Beth Carvalho; “Boca sem dentes”, gravada pelo Fundo de Quintal, e “Gamação danada”, parceria com Neguinho da Beija-Flor.






* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

SÉRGIO PERERÊ - MEU JARDIM (COM MAYÍ)


Meu jardim (Sérgio Pererê) Cê acha que eu tô me escondendo Tô não Só tô procurando um cantinho nesse jardim Onde uma rosa me conte um segredo Que me livre do medo de voar e de viver Cê acha que eu tô desistindo Tô não Só tô procurando a verdade dentro de mim Longe do barulho da sua cidade E da necessidade de provar não sei o quê Cê não sabe, mas eu já andei Tantas vezes por este jardim Cê não sabe, mas eu já fiquei Tanto tempo cá dentro de mim Cê acha que eu tô me perdendo Tô não Só tô construindo um espaço dentro de mim Onde os meus sonhos são realidade Sem a necessidade de ganhar ou de perder Cê acha que eu tô te esquecendo Tô não Só tô encontrando um tempinho também pra mim Longe do seu mito e sua vaidade Pra plantar liberdade, amor próprio e bem querer Daniel Guedes: pandeirola e vassourinha Rogério Delayon: violão aço, cavaquinho, baixo, dobro e pad Sérgio Pererê:  voz e vocais Mayí - Voz CLIPE Gravado em outubro de 2019, em Viamão e Souza, povoados de Rio Manso-MG Concepção e produção: Napele Produções Artísticas Imagens e edição: Pablo Bernardo Figurino: Alexandre Tavera Assistente de produção e transporte: Colibri Fotos: Patrick Arley Agradecimentos: Clarissa Valadares, Kenny Mendes, Airton Manso, David Peterson e comunidade de Souza e de Viamão. DISCO CANÇÕES DE BOLSO Composições: Sérgio Pererê Produção musical e arranjos: Rogério Delayon Gravação e edição: Rogério Delayon (Estúdio Toca do Leão) Mixagem e masterização: André Cabelo (Estúdio Engenho) Produção executiva: Elias Gibran e Karu Torres (Napele Produções Artísticas) __ www.sergioperere.com.br Participe da nossa lista de transmissão no WathsApp: https://bit.ly/Perere-Zap

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

UM CAFÉ LÁ EM CASA

Por Nelson Faria


LINN DA QUEBRADA - A LENDA (ÁUDIO-VÍDEO OFICIAL)

 

A Lenda

Letra: Linn da Quebrada Participação: Liniker Barros Produção: BadSista Estúdio YB Music, São Paulo, SP - Julho/2017 Áudio-Vídeo Imagem principal: Jup do Bairro e Linn da Quebrada Fotografia e Captação de Imagem: Nu Abe Edição: Bia Bem LETRA Vou te contar A lenda da bixa esquisita Não sei se você acredita Ela não é feia - nem bonita Ela sempre desejou ter uma vida tão promissora Desobedeceu seu pai Sua mãe O estado, a professora Ela jogou tudo pro alto Deu a cara pra bater Pois pra ser livre e feliz Tem que ralar o cu, se fuder De boba ela só tem a cara E o jeito de andar Mas sabe que pra ter sucesso Não basta apenas estudar Isto dá Isto dá Isto dá sem parar Tão esperta, sabichona Não basta apenas estudar Fraca de fisionomia Muito mais que abusada Essa Bixa é molotov Com o bonde das rejeitadas Eu tô bonita? Tá engraçada Eu não tô bunita? Tá engraçada Me arrumei tanto pra ser aplaudida mas até agora só deram risada Abandonada pelo pai Por sua tia foi criada Enquanto a mãe era empregada (alagoana arretada!) Faz das tripas coração Lava a roupa, louça e o chão Passa o dia cozinhando Pra dondoca e patrão Eu fui expulsa da igreja! (ela foi desassociada) Porque uma podre maçã deixa as outras contaminadas Eu tinha tudo pra dar certo E dei até o cu fazer bico Hoje meu corpo Minhas regras Meus roteiros, minhas pregas Sou eu mesma quem fabrico

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*





Canção: Amor de janela

Composição: Pernambuco - Antônio Maria

Intérprete - Hebe Camargo

Ano - 1960

Disco - 
Odeon 14.699 - 579



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

UM DISCO PARA OUVIR E LEMBRAR A SAGA DO INCAPTURÁVEL MONSTRO SONORO DE ARRIGO BARNABÉ

Por Juliana Wendpap Batista


Em 15 de novembro de 1980, no auditório da Faculdade de Arquitetura da USP, aconteceu o show de lançamento do LP "Clara Crocodilo", de Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno. Com ingressos esgotados, o show foi sucesso e obteve repercussão positiva na imprensa. Arrigo Barnabé (1951) era então um jovem músico, que estava em São Paulo há menos de uma década. Natural de Londrina, no Paraná, teria se mudado para a capital com o intuito de cursar a universidade. Na metrópole, encontrou motivações que o fizeram optar pela carreira de músico profissional. A projeção alcançada em 1980 foi fruto do trabalho iniciado em 1972, na cidade natal do compositor, quando, em companhia do amigo Mário Lúcio Cortes, ele compôs a primeira das oito canções que integram esse disco. Tal canção tornou-se a faixa-título e já trazia o personagem que ficou conhecido no Brasil e internacionalmente. A notoriedade da obra de Arrigo Barnabé iniciou-se quando ele ganhou o prêmio de melhor música, no Primeiro Festival Universitário da TV Cultura de São Paulo, em maio de 1979. A música vencedora foi "Diversões Eletrônicas", escrita em parceria com Lourdes Regina Porto. Gravada a primeira vez ao vivo durante o mesmo festival e lançada em disco pela Continental, essa canção foi regravada e consta entre as faixas do disco "Clara Crocodilo".

Com as músicas compostas em pleno vigor da ditadura civil-militar no Brasil, o lançamento do LP na fase inicial do processo de redemocratização foi marcante. O princípio do regime, na década de 1960, coincidiu com a era dos grandes festivais de música, que acabaram por instituir o que era, e quem fazia parte da MPB, em sigla com letras maiúsculas, conforme conhecemos hoje (Bastos, 2009). Nesse intermezzo, no meio de vozes como as de Chico Buarque e Elis Regina, surgiu o forte desejo de inovação estética dos tropicalistas, movimento musical liderado principalmente por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Herdeiro dessas tendências, Arrigo Barnabé almejou ir além do tropicalismo e chamou a atenção da crítica especializada da época com sua voz rouca, que cortava letras ácidas sobre a vida nas grandes cidades. Ficou conhecido como um personagem polêmico da pós-tropicália e foi parar nas páginas amarelas da revista Veja, no início da década de 1980 (Souza, 1982). O emblema de inovação se deve ao caráter dessa obra, um LP considerado importante e chocante pelas críticas realizadas nos dias que seguiram seu lançamento. Tal repercussão pode ser dimensionada por meio dos títulos de algumas das matérias veiculadas em jornais e revistas da grande imprensa. As críticas indicam a ousadia do músico em enunciados como: "Arrigo, o som novo com sabor de veneno" (Soares, 1980a), "O sabor de veneno do ousado Arrigo Barnabé" (Soares, 1980b) e "Arrigo, o desbravador" (Fiorillo, 1981).