PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

GARGALHADAS SONORAS

Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passadisco, se preferir)

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"Nossa, uma loja retrô.
Nossa, tem LP... Mas voltou à moda, não foi amor?"

E Ivoneide Mendes assistindo a tudo... Doida pra rir!

TRISTEZA ESTÁ BOMBANDO NAS PLATAFORMAS DE STREAMING

Hit melancólico de Renato Russo e sucesso oitentista da banda The Police ganham destaque no Spotify

Por Pedro Galvão



Muita coisa mudou desde março, com o avanço da pandemia da COVID-19. A necessidade de isolamento social trouxe novos modelos de comportamento, impactando fortemente a indústria cultural. No cinema, lançamentos foram adiados e o público teve que se voltar para outras alternativas nas plataformas digitais.

Mas e na música? O período de poucas novidades e muitas lives trouxe alguma transformação significativa para o mercado fonográfico? Rankings dos principais aplicativos de streaming e paradas de sucesso ajudam a responder a essa questão.

No fim de junho, levantamento do Datafolha que analisou as 200 músicas mais acessadas no Spotify durante a quarentena em 34 países mostrou que o público brasileiro foi o que mais ouviu canções tristes nesse período. O critério usado foi a média da valência das composições, que identifica nas melodias características entendidas como tristeza.

A pesquisa apontou que ritmos mais acelerados e festivos, como o funk, perderam um pouco de força no Brasil, embora ainda sejam muito ouvidos. Exemplo disso foi o hit do verão Tudo OK, de Thiaguinho MT, Mila e JS O Mão de Ouro, que desapareceu do top 200 do Spotify à medida que “brotar no bailão”, como diz a letra, deixou de ser uma opção socialmente responsável enquanto o coronavírus desestimulava festas e aglomerações.



LEGIÃO

Por outro lado, hits do passado recuperaram espaço. Tempo perdido, lançada em 1986 pela banda Legião Urbana, por exemplo, apareceu na parada de sucessos ao longo da quarentena, com sua letra melancólica. O sucesso Every breath you take, do The Police, que já embalou muitos corações machucados nos anos 1980, também estava entre as mais ouvidas no país, ocupando a posição nº 200 no ranking nacional em 27 de julho.

Mais recente, Shallow, de Lady Gaga, tema do filme Nasce uma estrela, de 2018, é outro destaque da lista nacional na última semana, que segue dominada pelo sertanejo.

Nesta era de isolamento com inclinação para o repertório mais melódico, os ritmos mais populares seguem em destaque. Na última semana antes do início do confinamento, a música mais ouvida no Brasil era Liberdade provisória, da dupla sertaneja Henrique e Juliano. Quatro meses depois, ela ocupa o nono lugar.

Em março, entre as 10 primeiras posições estavam canções do mesmo estilo: A gente fez amor, de Gusttavo Lima, Litrão, de Matheus e Kauan, S de saudade, de Luíza e Maurílio, e Graveto, de Marília Mendonça. Essa última permaneceu no top 10 na última semana de julho. As outras perderam posições, mas seguem entre as 20 mais.

A canção mais ouvida no Brasil desde o fim de junho é Desce pro play (PA PA PA), parceria de Anitta com MC Zaac e o rapper norte-americano Tyga, lançada na quarentena, com estreia já na liderança. Ou seja, nem mesmo a pandemia tirou a cantora carioca do alto patamar de audiência mantido por ela nos últimos anos.


POESIA

Porém, a terceira canção mais ouvida no país neste momento, via Spotify, é um exemplo da tendência identificada pelo Datafolha relativa à preferência do público por gravações com perfil mais intimista. Melhor forma, lançada em 10 de julho na nona edição do projeto Poesia Acústica, que reúne destaques da cena contemporânea do rap nacional, traz Djonga, Chris, Filipe Ret, Xamã, Lennon, Lourena e César MC. Ela vem se mantendo nas primeiras posições desde então, com melodia mais cadenciada e os rappers se revezando nas rimas.

No exterior, alguns dos grandes lançamentos do momento dominaram a preferência do público. Metade das 10 canções mais ouvidas na segunda-feira (27), via Spotify, pertence ao álbum Folklore, lançado por Taylor Swift na última sexta-feira (24). A liderança é da faixa Cardigan, balada romântica que reflete bem o tom do disco, com a estrela acompanhada por um piano, arranjos mais suaves e letras emocionais e intimistas.

“Em isolamento, minha imaginação correu solta e esse álbum é o resultado. Contei essas histórias da melhor maneira possível com todo o amor, admiração e capricho que elas merecem”, afirmou Taylor Swift nas redes sociais. A fórmula deu certo. Além de vender 1,3 milhões de cópias em 24 horas, somou mais mais 80 milhões de execuções no Spotify.

Taylor bateu um recorde na plataforma, superando outro superlançamento da quarentena: Legend never die. O álbum póstumo do rapper norte-americano Juice WRLD, morto em dezembro de 2019, chegou a público em 10 de julho, rendendo 73 milhões de plays só no primeiro dia.

Além do atual primeiro lugar no ranking de artistas mais ouvidos da Billboard, o álbum do cantor, que faleceu aos 21 anos em decorrência de uma overdose acidental, emplacou quatro faixas entre as 10 músicas mais ouvidas no Spotify na última semana.

O bombástico “disco de quarentena” de Swift também veio desbancar outro hit: Rockstar, do rapper DaBaby. Era líder da Billboard Hot 100 há sete semanas e líder semanal de audições no Spotify desde maio, quando superou Blinding lights, do rapper canadense The Weeknd. Lançado em 2019, o single liderava a parada do serviço de streaming quando a pandemia surgiu.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*



Tristeza

O samba "Tristeza", de Niltinho e Haroldo Lobo, é um ótimo exemplo de como este sentimento é matéria sensível e orgânica para a canção. "Tristeza" tem mais de 500 regravações, de Jair Rodrigues a Julio Iglesias, de Maysa a Wilson Simonal. Além das versões para outros países, como Croácia e Eslovênia.
A canção é tão forte no imaginário cultural da nossa música que o compositor Niltinho (autor também do samba-enredo "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz") passou a ser conhecido como Niltinho Tristeza.
A canção canta o desejo implícito de todo cantor: "cantando eu mando a tristeza embora", como diz o sujeito de "Desde que o samba é samba", de Caetano Veloso. Quiçá, "Tristeza" é hino que congrega e consagra um desejo humano de felicidade.
O gesto de cantar é tomado aqui como sinônimo de alegria. Cantar é viver, o contrário do silêncio. Porém, se "não haveria som se não houvesse o silêncio", tudo indica que não haveria alegria se não houvesse a tristeza. Tudo leva a crer que uma coisa é referendada e valorizada pela outra: pólos que se tocam em um abstracionismo infotografável.
A versão de Elis Regina - no compacto duplo Elis Regina em Paris (1968), disco que traz ainda a enigmática "Noite dos Mascarados" - reforça o poder de disseminação de uma mensagem universal, que contagiou vários cantores, e de diferentes frentes sonoras, da canção popular.


***

Tristeza
(Niltinho / Haroldo Lobo)

Tristeza, por favor vá embora
Minha alma que chora
está vendo o meu fim

Fez do meu coração a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar àquela vida de alegria
Quero de novo cantar
Lái, á, lái, á




* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

CHICO BUARQUE E GILBERTO GIL LANÇAM NOVA VERSÃO DO CLÁSSICO 'COPO VAZIO'

Foi lançado também um clipe da canção, com imagens inéditas do dueto de Chico e Gil, filmadas pela Conspiração Filmes no estúdio de Gil, no Rio



A música Copo Vazio, composta por Gilberto Gil e gravada por Chico Buarque originalmente em seu disco Sinal Fechado, de 1974, ganha nova versão que chega nesta sexta-feira, 24, às plataformas digitais. Foi lançado também um clipe da canção, com imagens inéditas do dueto de Chico e Gil, filmadas pela Conspiração Filmes no estúdio de Gil, no Rio.

A regravação foi realizada em 2014, a pedido de Andrucha Waddington, que, na época, rodava Rio, Eu Te Amo e estava em busca de uma trilha sonora para a personagem vivida por Fernanda Montenegro, Dona Fulana.

O álbum Sinal Fechado foi gravado por Chico Buarque só com composições de outros autores, como o já citado Gil, Caetano Veloso, Toquinho e Vinicius de Moraes, Noel Rosa, Walter Franco e Paulinho da Viola (cuja composição deu título ao disco). Na época, sob ditadura, a obra do cantor e compositor sofria forte censura. Chico estava "privado de sua liberdade artística plena!", afirmou Gil.

Na ocasião, Chico pediu música para Gil. "Um copo de vinho. Um copo vazio na mesa. Vazio como, se está cheio de ar? E veio a inspiração da canção que versa sobre a privação da liberdade em tempos de ditadura", escreveu Gil em suas redes sociais.

A letra da música:
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar
É sempre bom lembrar
Guardar de cor
Que o ar vazio de um rosto sombrio
Está cheio de dor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor
Que a dor ocupa a metade da verdade
A verdadeira natureza interior
Uma metade cheia, uma metade vazia
Uma metade tristeza, uma metade alegria
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar


Veja o clipe:


Fonte: Estadão Conteúdo

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

MPB COM TUDO DENTRO

Por Rodrigo Faour



A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL

As 25 músicas mais tocadas nos rádios do Brasil no ano de 1965, há exatos 55 anos, foram:

01 - Trem das Onze - Dem onios da Garoa
02 - O Calhambeque - Roberto Carlos
03 - Sentimental Demais - Altemar Dutra
04 - O Trovador - Altemar Dutra
05 - O Neguinho e a Senhorita - Noite Ilustrada
06 - Arrastão - Elis Regina
07 - Sabor A Mi - Eydie Gormé & Trio Los Panchos
08 - Festa do Bolinha - Trio Esperança
09 - Nunca Mais Brigarei Contigo - Roberto Muller
10 - Não Quero Ver Você Triste - Roberto Carlos
11 - Querida - Jerry Adriani
12 - Mamãe Eu Te Darei Algo - Manuela
13 - Carcará - Maria Bethânia
14 - Professor Apaixonado - Nilton Cesar
15 - Se Mi Vuoi Lasciare - Michele
16 - Preste Atenção - Wanderley Cardoso
17 - Perfidia - Trini Lopez
18 - Pau de Arara - Ary Toledo
19 - Menina Linda - Renato & Seus Blue Caps
20 - Na Onda do Berimbau - Ed Lincoln
21 - Feche os Olhos - Renato & Seus Blue Caps
22 - Falhaste Coração - Angela Maria
23 - A Casa do Sol Nascente - Agnaldo Timóteo
24 - A Garota do Baile - Roberto Carlos
25 - Joga a Chave - Jorge Goulart

domingo, 20 de setembro de 2020

SR. BRASIL

BAÚ DO MUSICARIA



A exatamente cinco anos, esta era uma das matérias que estava sendo publicada em mês como este em nosso espaço:


Link para relembrar a matéria:

sábado, 19 de setembro de 2020

ALMANAQUE DO SAMBA (ANDRÉ DINIZ)*

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Nos anos 1960 e 1970, estava em voga dizer que só através da arte poderíamos transformar o mundo. A frase tinha um quê de exagero, mas, ao menos no âmbito da música popular brasileira, serviu de inspiração para milhares de jovens que participaram dos festivais pelo país.
Com os ânimos acirrados após a implantação do Ato Institucional no 5 (aquele que deu total poder aos militares, suprimindo todos os direitos democráticos dos cidadãos), uma parcela significativa da sociedade, formada por setores da classe média, estudantes, artistas e intelectuais, passou a contestar os desmandos da ditadura militar.
Para grande parte dos universitários, a ideia mais tarde cristalizada no slogan dos militares, “Brasil: ame-o ou deixe-o”, deveria ser combatida nas ruas, como na Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em 1968. E seria também combatida nos festivais, fosse pela rebeldia e o engajamento político dos artistas, fosse pela possibilidade de o público defender, muitas vezes de forma enérgica e pouco amistosa, suas preferências musicais (que não raro diferiam bastante das escolhas do júri oficial). Realmente, “amar” o país da maneira que queriam os militares, sem liberdade, democracia e cidadania, não fazia parte dos interesses do público dos festivais.
Dois movimentos musicais tiveram destaque nesses eventos. O primeiro foi o da música de protesto, ou de resistência/engajamento, que buscava uma “autenticidade” nas composições, um mergulho nas raízes da cultura musical brasileira. Já o segundo, o tropicalismo, bagunçou os cenários estéticos de nossa cultura, a partir de 1967. Em comum, os dois movimentos tinham a preocupação de contestar o status quo da época.
No aspecto histórico, a música de protesto pode ser vista como resposta à repressão psicológica ou física que o quadro político impunha. O Brasil não foi o único caso desse tipo de produção artística. Nos Estados Unidos, por exemplo, havia uma grande repulsa social em 1969 contra a Guerra do Vietnã. Esse sentimento acabou por gerar um período fértil de letras e melodias que cantavam a paz: músicas de Bob Dylan, como “Blowin’in the Wind”, são um belo exemplo. No Chile, no ano de 1973, durante a ditadura de Pinochet, o cantor Victor Jara homenageava o povo vietnamita em “El derecho de vivir en paz”.
No Brasil, destacaram-se o compositor Geraldo Vandré, autor de “Pra não dizer que não falei das flores”, e o cineasta e compositor Sérgio Ricardo, autor de “Zelão”, nomes que sintetizaram o movimento. “Vem, vamos embora que esperar não é saber/ quem sabe faz a hora não espera acontecer...” era o refrão da música de Vandré, que conclamava o povo a defender seus direitos sociais e políticos e tornou-se um hino da oposição ao regime militar. A canção, mais conhecida como “Caminhando”, era tão popular à época que, em 1968, no III
Festival Internacional da Rede Globo, quando ficou em segundo lugar – perdendo para a magnífica “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque –, o público presente no Maracanãzinho cantou-a em uníssono, rejeitando a indicação da primeira colocada.


Surge o conceito de MPB

É justamente durante a avassaladora ascensão dos festivais, com suas novas discussões sobre os limites e fronteiras da música brasileira, que passa a ser construído o conceito de MPB. Diferente da música folclórica – resultado da criação coletiva e transmitida pela oralidade – ou da música erudita – elaborada por músicos de escola –, a música popular nasce concomitantemente ao crescimento das cidades, sendo caracterizada pela simplicidade de suas composições transpostas para o registro impresso, fonográfico, radiofônico ou televisivo. Na prática, essas classificações não são tão rígidas, podendo a música popular sofrer inúmeras influências. Por exemplo, como classificar de simples as composições de Chico Buarque, Caetano Veloso e Paulo César Pinheiro? Villa-Lobos era um músico erudito que sofria as influências, fundamentais em sua obra, do folclore e da música
popular urbana; o sambista Cartola, homem de formação educacional simplória, elaborava letras e melodias de fino trato. Na prática, também a classificação da música popular como circunscrita à área urbana busca enfocar um objeto que é por demais complexo. Não se pretende aqui desclassificar nossas manifestações musicais anteriores à consolidação das cidades, mas apenas contextualizar a popularização, também no sentido mercantil, do termo MPB. No presente trabalho, esse termo é utilizado para toda a música popular, incluindo samba, choro e outros ritmos produzidos no século passado.


No caso de “Zelão”, do compositor Sérgio Ricardo, o protesto estava no retrato do dia-a-dia difícil da população do morro (“No fogo de um barracão/ só se cozinha ilusão/ restos que a feira deixou/ e ainda é pouco só”), que apesar dos sofrimentos não deixa a solidariedade de lado, “Mas assim mesmo Zelão/ dizia sempre a sorrir/ que um pobre ajuda outro pobre até melhorar”. Esse sucesso de Sérgio Ricardo, como outras tantas músicas da época, era um mergulho na vida ordinária do brasileiro, fonte riquíssima de inspiração para os compositores de protesto.
Se a música de protesto procurava conscientizar e politizar o processo de criação privilegiando a cultura das camadas simples, o tropicalismo sintonizava, digamos, em outras ondas. O aspecto político do movimento estava atrelado a uma vasta proposta cultural e estética (com interlocução nas artes plásticas, no cinema e no teatro) fundamentada em uma atitude acima de tudo inovadora e irreverente. Misturando ritmos e aliando elementos aparentemente contrastantes – o arcaico e o moderno, a elite e o popular e, sobretudo, o local e o universal –, o movimento resgatava mas ao mesmo tempo transformava a cultura brasileira, incorporando tendências internacionais (a introdução da guitarra elétrica é um bom exemplo) e contrapondo-se, portanto, às correntes nacionalistas extremadas.
Fica clara a influência da estética antropofágica de Oswald de Andrade. 
Os cantores e compositores Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa, o grupo Mutantes, os poetas Torquato Neto e Capinam, o artista plástico Rogério Duarte e os maestros Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Júlio Medaglia foram as principais referências do movimento.


Oswald de Andrade e a antropofagia

Polêmico, irônico e gozador, o paulista Oswald de Andrade foi uma das principais figuras da cultura brasileira na primeira metade do século XX. Oswald viveu na arte o retrato de sua vida, escrevendo manifestos modernistas, participando da política e amando diversas mulheres, com destaque para a pintora Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão, a Pagu. Em sua
obra, busca as origens nacionalistas sem perder a visão crítica da realidade social brasileira. O Manifesto Antropofágico, liderado por ele e assinado por outros inúmeros intelectuais, foi lançado em 1928, enfatizando a necessidade de se criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade européia. Propunha-se “devorar”
influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura.
“Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente.
Filosoficamente.... Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o carnaval.... Antropófagos. Tupy or not tupy, that is the question”, dizia o manifesto. É esse espírito de devorador do movimento antropofágico que o tropicalismo recupera em sua proposta estética.

Apesar da riqueza em inovações e das marcas que deixou na cultura brasileira, o tropicalismo como movimento durou pouco. Iniciou-se em outubro de 1967, quando, no III Festival da Record, Gil apresentou “Domingo no parque” e Caetano, “Alegria, alegria”, e terminou no Natal de 1968, com a prisão de Caetano e Gil, logo após o AI-5.
Tanto a música de protesto quanto o tropicalismo resvalaram substancialmente nas hastes do samba. Veremos que o núcleo dos tropicalistas debruçou-se sobre o gênero, uns cantando, outros compondo, mas quase todos compreendendo sua importância na cultura musical brasileira. Se não bastasse isso, o gosto por instrumentos ligados ao samba – como cavaquinho, bandolim, violão e pandeiro –, difundido por grupos de influência tropicalista (caso dos Novos Baianos), ajudou em sua popularização entre os jovens músicos.

O compositor baiano Tom Zé, um dos artistas que participaram do LP-manifesto do tropicalismo, Tropicália ou panis et circenses, lançou em 1974 um trabalho pela gravadora Continental intitulado Estudando samba. Cheio de experimentos e inovações, o disco acabou ganhando o mercado internacional anos depois. O compositor Elton Medeiros, sambista de primeira hora, fez o texto de apresentação do LP: “Por isso, sem perda de tempo, pensou e realizou este disco, onde procurou reunir uma variedade de tipos e de formas rurais e urbanos do samba, dando a cada música a vestimenta que achou mais adequada. E por aí vai indo o Tom Zé: certo do seu trabalho certo, mas não muito certo de sua aceitação...” Elton Medeiros, Tom Zé e tropicalismo – quer melhor ligação do samba com o movimento?
Com relação à música de protesto, um dos maiores nomes dos festivais e da música brasileira, Chico Buarque de Hollanda, não deixa dúvida quanto ao papel do samba na formação dos compositores da época. “Vai passar” está entre tantas letras de Chico que, em ritmo de samba, faziam crítica ao momento político de arbitrariedade: “Vai passar/ nessa avenida um samba popular/ cada paralelepípedo/ da velha cidade/ essa noite vai/ se arrepiar...” E Chico, que sonhava com um país mais justo, digno e livre, pontuava o seu tempo “desbotado da história”: “Dormia a nossa pátria-mãe tão distraída/ sem perceber que era subtraída/ em tenebrosas transações/ seus filhos erravam cegos pelo continente/ levavam pedras feito penitentes/ erguendo estranhas catedrais...”
No entanto, o samba teve espaços próprios de apresentação na televisão. Foi na efêmera Bienal do Samba, organizada pela TV Record, que o ritmo tomou conta da telinha. Com os concorrentes participando como convidados, sem eliminatórias seletivas, a Bienal do Samba aconteceu em 1968. E, para que o leitor tenha uma idéia da qualidade das composições e participantes da Bienal, basta dizer que Cartola ficou em quinto lugar com o samba “Tive sim”, cantado por Ciro Monteiro. O primeiro lugar ficou com Baden Powell e Paulo César Pinheiro, pela genial “Lapinha”, interpretada pelo “furacão musical” Elis Regina, deixando para trás nomes como Chico Buarque, Billy Blanco e Elton Medeiros. 
Fato curioso foi que “Coisas do mundo, minha nega”, composição de Paulinho da Viola – uma obra-prima do poeta portelense –, ficou em 6o lugar. Quando o júri voltou a ouvir as fitas de inscrições, reparou o erro e deu menção honrosa para a composição.
Outro acontecimento significativo foi o “renascimento” da música instrumental na década de 1970. Já havia um lastro histórico de valorização sonora sem a participação da voz – vimos isso quando falamos do choro e podemos indicar ainda a existência dos trios (piano, baixo e bateria) que, na bossa nova, alternavam acompanhamento de canários (cantores) com apresentações instrumentais, como Tamba Trio, Zimbo Trio, Jongo Trio e outros. Mas a década que caçava a palavra cantada encontrou nas magníficas obras de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e nos grupos Cama de Gato, Pau Brasil, Som Imaginário, Premeditando o Breque e Rumo um somatório de experimentos e um cruzamento de linguagens musicais especialmente ricos. Não será exagero dizer que esses músicos se opuseram à ditadura com a arma mais poderosa de que a cultura brasileira dispõe: a música.





* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

SEU JORGE GRAVA DISCO COM MÉTODO EM QUE É PROIBIDO ERRAR

Night dreamer Direct-to-disc, álbum com sete canções inéditas que o cantor carioca divide com Rogê, foi feito em vinil, na Holanda, e está nas plataformas digitais

Por Mariana Peixoto 



Amigos há décadas, Rogê e Seu Jorge gravaram o disco na Holanda e pretendiam fazer turnê para lançá-lo (foto: Elaine GroenesteinDivulgação)

A popular máxima “quem sabe faz ao vivo” cai como uma luva para o álbum Night dreamer Direct-to-disc, de Seu Jorge e Rogê. O direto para o disco a que o título se refere é literal.

Os cantores e compositores cariocas, amigos há quase três décadas, se reuniram em agosto do ano passado na cidade holandesa de Haarlem, mais conhecida por ser um polo de produção de tulipas.

Os dois tinham poucos dias para gravar um álbum juntos. Era tudo inédito para eles, não apenas as canções, como também o modelo de feitura do disco. Night dreamer, lançamento da gravadora homônima, recupera o clássico modo de gravação de álbuns. 

Na parte de cima de um mesmo prédio encontra-se o Artone Studio; na parte de baixo, a fábrica de vinis. No estúdio, os músicos fazem as gravações diretamente em disco. Cada um dos lados tem que ser gravado sem nenhuma interrupção. No processo, a música é cortada em acetato de uma só vez, sem interferência. Terminada esta fase, a gravação vai direto para a fábrica, para que o vinil seja prensado. 

“Não é coisa para menino, é um negócio de verdade, pois não dá para maquiar nada. O disco é como uma fotografia daquele momento”, afirma Rogê. O disco, na verdade, está pronto desde então. Por aqui, está disponível somente nas plataformas digitais. 

Os músicos fizeram três shows nos Estados Unidos, em janeiro passado – em Nova York, Washington e Berkeley, na Califórnia. A ideia inicial era estar agora numa turnê que percorreria EUA e Europa, antes de chegar ao Brasil. 


PANDEMIA 

Impedidos de viajar em decorrência da pandemia do novo coronavírus – Rogê está em casa, em Los Angeles, para onde se mudou com a família, há um ano e meio; e Seu Jorge está em São Paulo – os cantores deixaram os planos de show para quando for possível. 

Em breve, lançam o clipe do primeiro single, Pra você, amigo (Rogê), gravado à distância durante o período de isolamento social.

Night dreamer reúne sete faixas. Rogê, que chegou alguns dias an tes do início das gravações, levou um monte de músicas. “O Jorge chegou um dia antes. Viramos uma noite mexendo nas músicas, ele botando na direção, nas letras”, conta. Ficaram uma semana em estúdio, primeiramente ensaiando e depois gravando. No processo, Rogê acredita que cinco ou seis takes tiveram que ser jogados fora.

Seu Jorge divide com Rogê quatro das canções: Vem me salvar, Meu Brasil, A força e Caminhão. Junto a eles no estúdio estavam Peu Meurray (violões) e Pretinho da Serrinha. O contraponto entre os registros vocais – entre o grave de Seu Jorge e o mais agudo de Rogê, sempre complementares – junto a ritmos que se dividem entre o samba e o soul, muito crus, constitui a graça do álbum. É um disco que canta um Brasil saudoso do Brasil, principalmente para quem está longe – Seu Jorge passa boa parte de cada ano no exterior. 

“O projeto foi todo feito no susto. No primeiro dia estávamos focados, tensos, pois foi a primeira vez que todos nós gravamos assim. É toda uma pressão que fica impressa no disco, que acabou sendo um trabalho vivo”, diz Rogê. 

Para Seu Jorge, o entrosamento que ele e Rogê têm permitiu que o disco fosse composto e gravado tão rapidamente. “Aqui não tem lugar para formalidade, o grau de intimidade facilitou bastante. O mais legal de tudo foi a possibilidade do encontro. Ao mesmo tempo, dá um frio na barriga (gravar sem interrupção), pois você não tem controle de nada e não há o que possa fazer depois. Mas é nisto que está a beleza do projeto.” 

No início de Onda carioca (Rogê e Gabriel Moura), por exemplo, Seu Jorge pergunta para o parceiro o nome da música. É uma conversa que não entraria em um disco gravado de maneira convencional, mas que, no formato direto deste trabalho, faz todo o sentido. 

Seu Jorge diz que, neste momento, é complicado pensar em levar o projeto para o palco. “O Brasil está muito distante dessa volta aos palcos. Na minha modesta opinião, sem vacina é complicado juntar as pessoas para um show. Uma pena que o Brasil não esteja alinhado com outros países (nas medidas de combate ao novo coronavírus). Estamos distantes do resto do mundo e vamos sofrer um impacto maior.”

NIGHT DREAMER DIRECT-TO-DISC

Álbum de Seu Jorge e Rogê. Night Dreamer Records, sete faixas, disponível nas plataformas digitais. 


LONGAS NA GAVETA

Seu Jorge e Wagner Moura conversam durante as filmagens do longa Marighella (2019), que permanece inédito nos cinemas (foto: Aline Bueno/Divulgação)


A pandemia em curso também adiou o lançamento de dois filmes que têm Seu Jorge no elenco. Previsto para maio, Marighella, estreia na direção de Wagner Moura, que tem o cantor e ator como personagem-título, continua com o futuro incerto nos cinemas. 

Medida provisória, também a estreia de outro ator (Lázaro Ramos) na direção de longas, segue inédito inclusive no circuito de festivais (sua première seria em março passado, no Festival SXSW, em Austin, Texas, que foi cancelado).

Lançado em fevereiro de 2019 no Festival de Berlim, Marighella participou de alguns festivais internacionais. No planejamento inicial, o filme chegaria ao circuito comercial brasileiro em 20 de novembro. Dois meses antes, sua produtora, a O2 Filmes, adiou a estreia. A justificativa foi que trâmites exigidos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) não puderam ser feitos dentro do prazo exigido.

Wagner Moura chegou a afirmar que o fato de o filme não estrear em seu próprio país era um exemplo de “perseguição política”. A cinebiografia é centrada nos últimos cinco anos (1964-1969) do escritor, político e guerrilheiro comunista, morto de forma violenta, após uma emboscada.

Para Seu Jorge, o filme foi alvo de polêmica antes mesmo de ter sido visto. “No meu entendimento, Marighella é um filme sobre um brasileiro, chefe de família preocupado com seu país e com o futuro de seu filho. Acho que as polêmicas levantadas foram porque estamos em um momento muito sensível. Fizeram um auê sem nem dar oportunidade ao filme.”

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

UM CAFÉ LÁ EM CASA

Por Nelson Faria


MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Em década que reinou absoluto como um dos maiores cantores do país, Silvinho deu início aos anos de 1960 com este projeto emblemático em sua trajetória. Em 2020 o disco completa 60 anos

Por Luiz Américo Lisboa Junior


Miltinho - Um novo astro (1960)

A safra de cantores que se notabilizaram na década de 50 e início dos anos 60 foi muito grande, eles formaram um time de primeira na música popular brasileira e construíram um patrimônio musical para o nosso país dos mais notáveis. Os mais jovens por certo não conhecem esses artistas, ou quando muito ouviram falar seja por seus país ou avós ou por outras pessoas de mais idade, talvez até em raros momentos em que puderam assistir algo de mais útil nas televisões abertas quando elas se prestam a realmente divulgar a nossa cultura, hoje em dia cada vez mais difícil de ser veiculada, ou então em canais específicos de difusão cultural, mas que sabemos tem um público restrito.

O certo é que não há mídia para nossos astros de ontem, mesmo aqueles que ainda de certo modo procuram manter uma certa atividade apesar da idade já avançada. Essa triste realidade de um país cuja população esta a procura de algo que satisfaça de imediato seus anseios de consumo e são estimulados a isso todo dia e toda hora realmente tende a desconhecer seu passado, mesmo aquele considerado recente, e o que é pior, verifica-se então um profundo desconhecimento da verdadeira história do país, ou seja, uma população alienada e alheia a sua própria definição de identidade, é muito triste se constatar tais fatos, mas não adianta mascarar a realidade, ela existe e esta aí sendo comprovada a cada dia.

Ocorre que não se pode também viver lamentando, é preciso fazer algo, muitos já o fazem e com competência, mas é imperioso que se faça ainda mais em prol da divulgação da cultura brasileira em todos os seus níveis, e no nosso caso específico pela música popular que sempre foi a porta voz dos anseios de nossa gente, e mais do que tudo, nosso maior orgulho, principalmente quando verificávamos que outros povos aplaudiam, admiravam e respeitavam nossos artistas. Infelizmente essa admiração diminuiu muito, mas o mundo também mudou e reviu seus conceitos, para isso basta ouvirmos planetariamente a canção dos dias atuais e a que era feita a 25 ou 30 anos atrás, apenas para não ir muito além do tempo e constataremos uma diminuição qualitativa impressionante.

Esta introdução não busca se ater a conceitos meramente cristalizados ou opiniões já por mim amplamente divulgadas, afinal quem lê os artigos que escrevo sabe de sobra o que penso da música atual, com ressalvas é claro, e do mercado fonográfico capitaneado pelas multinacionais e dos meios de comunicação principalmente o rádio e a TV os mais nocivos elementos da banalização cultural que se opera no Brasil. Portanto não vou me alongar e irei direto ao ponto principal, nevrálgico, que para mim é e sempre será uma luta incessante pela preservação e divulgação da boa música popular brasileira mesmo considerando que há aqueles que me chamam de conservador, não me importo, afinal, prefiro ser um conservador autêntico do que um moderno que não sabe nem ao menos distinguir concepções musicais, que eu resumo de duas formas muito simples e tenho certeza outros hão de concordar comigo, ou seja, que só existem dois tipos de música, a boa e ruim, eu prefiro ficar com a primeira.

E por falar em música boa nada melhor do que relembrarmos um artista que se enquadra perfeitamente neste perfil, o carioca Milton dos Santos Almeida, ou simplesmente Miltinho, nascido em 31 de janeiro de 1928. Começou sua carreira ainda nos idos dos anos 40 integrando o conjunto vocal Cancioneiros do Luar, de curta duração, passando depois a fazer parte de outros grupos vocais que naquele tempo faziam sucesso, seja como cantor e pandeirista ou substituindo algum outro integrante em função das modificações em que passavam esses grupos em suas estruturas.

Dessa forma Miltinho em 1946 juntamente com Arnaldo Humberto de Medeiros e Francisco Guimarães Coimbra, ex-integrantes do Cancioneiros do Luar, participa da segunda formação do conjunto Namorados da Lua, que tinha entre seus componentes o também estreante cantor Lucio Alves. Em 1948 integra Os Anjos do Inferno apresentando-se nos Estados Unidos com Carmen Miranda e depois por dois anos no México. Em 1952 substitui Esdras Vieira no grupo Quatro Azes e 1 Coringa.

Atuou ainda como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo e do Conjunto Milionários do Ritmo de Djalma Ferreira, sendo ao lado deste o período em que se destacou como excelente intérprete gravando alguns discos e partindo depois para sua carreira solo. Em 1960 Miltinho grava seu primeiro LP individual na gravadora Sideral com o título de Um Novo Astro consagrando um de seus grandes sucessos, Mulher de trinta de Luis Antonio. Seu disco de estréia ainda traz as canções Eu e o Rio; Ri; Menina moça; Fica comigo e Volta, todas de Luis Antonio, este, aliás, um dos compositores prediletos de Miltinho e responsável pela grande maioria de seus sucessos, Murmúrio, de Djalma Ferreira e Luis Antonio; Ultimatum, de Waldemar Gomes e Alcebíades Nogueira; Idéias erradas, de Dolores Duran e Ribamar; Fechei a porta, de Sebastião Mota e Ferreira dos Santos; Triste fim, de Carlos Santana e Jaime Storino; Teimoso, de Luiz Bandeira e Ary Monteiro e Você só você, de Waldemar Gomes e Luis Bandeira. Apesar de ter sido lançado por uma pequena gravadora o disco fez um grande sucesso e cristalizou definitivamente a carreira de Miltinho, tornando-se emblemático em sua trajetória, merecendo sucessivas reedições, inclusive uma com o sugestivo título de Os grandes sucessos de Miltinho também lançada em CD.

Hoje aos 77 anos é um dos raros artistas brasileiros que conservam o talento e o carisma intactos. Uma jóia rara da música popular brasileira que merece de todos nós aplausos constantes.

Itabuna, 10 de novembro de 2005.


Músicas:
01) Ri (Luis Antonio)
02) Ideias erradas (Jose Ribamar/Dolores Duran)
03) Teimoso (Luis Bandeira/Ary Monteiro)
04) Menina moça (Luis Antonio)
05) Ultimatum (Waldemar Gomes/Alcebíades Nogueira)
06) Triste fim (Carlos Santana Lima/Jaime Storino)
07) Mulher de trinta (Luis Antonio)
08) Fechei a porta (Sebastião Mota/Ferreira dos Santos)
09) Você só você (Waldemar Gomes/Luis Bandeira)
10) Fica comigo (Luis Antonio)
11) Volta (Luis Antonio)
12) Eu e o Rio (Luis Antonio)

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*





Canção: Alguém interrompeu

Composição: Venâncio - Carlos Magno

Intérprete - Lenita Nunes

Ano - Março de 1963

Disco - Chantecler 78-0683-A

* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

EM DISCO, ALICE PASSOS REITERA A IMPORTÂNCIA DE ARY BARROSO PARA A MÚSICA BRASILEIRA

Em um país rotulado por sua falta de memória, trabalhos como o da cantora, instrumentista e compositora carioca são de extrema valia não apenas para manter viva a obra de compositores de outrora, mas também para apresentá-los para as novas gerações

Por Bruno Negromonte


Alice Passos honra Ary Barroso em álbum derivado de show | Blog do ...

Vivemos em um mundo onde as coisas estão a se tornar cada vez mais efêmeras. A facilidade e rapidez dos meios de comunicação (consequência não apenas do advento tecnológico, mas principalmente dos seus constantes avanços) vem oportunizando à todos o acesso a uma quantidade avassaladora de informações, o que por conseguinte acaba por corroborar em definitivo para a obrigação de consumir a informação de forma acrítica, sem um maior cuidado seletivo. Nesse contexto, as sociedades contemporâneas estão, aos poucos, permitindo-se perder uma das mais importantes funções da memória humana, que é a capacidade seletiva. E em nosso país esse tipo de situação é algo que podemos afirmar que não é nenhuma novidade, uma vez que o descaso o qual vem sendo submetida a cultura, ano após ano (onde cada vez menos recursos são destinados a preservação de nossa memória cultural), acaba por corroborar ainda mais para esse horrendo quadro que prevalece essa espécie de limbo. Diante de tal cenário é que surge o questionamento: “O que faríamos sem uma cultura?”. Dentre tantas respostas para um cenário hipoteticamente hostil como este talvez não tenhamos respostas convincentes, mas a certeza de que sem uma história, o homem não teria uma identidade, pois é a cultura que o define. Em nosso país o cenário é triste e desfavorável haja em vista os últimos trágicos acontecimentos culturais nacionais (nada pode ter sido considerado mais simbólico em relação a falência social e cultural na qual o Brasil está imerso do que as chamas que consumiram o Museu Nacional em 2018). Sorte a nossa que a resiliência e a esperança ainda nos constitui e estão presentes na arte muitos nomes caracterizados e imbuídos de uma vasta sensibilidade e que não permitem-se esmorecer sempre buscando fazer algo em pró de uma possível reversão desse nefasto cenário. Sorte a nossa que são essas ações que nos permitem atestar que sementes ainda conseguem vingar nesse hostil contexto urgindo em seus respectivos trabalhos que façamos algo que defenda e preserve o que de construímos culturalmente como sociedade como é o caso do trabalho hoje apresentado. 


Ciente dessa condição e armipotente com a sua arte, Alice Passos soma à sua perseverança, talento e bom gosto os nomes de André Pinto Siqueira e Maurício Massunaga em tributo a um dos nomes mais relevantes da música brasileira ao longo do século XX: Ary BarrosoRespeitada como uma veterana no meio do samba e do choro nos principais redutos dos gêneros de sua cidade, Alice Passos, que é formada em arranjo musical pela UniRio e oriunda de uma família musical (ela é filha de um luthier e de uma compositora e instrumentista), cresceu envolta ao canto, o cavaquinho, a flauta e o violão. Dentre os instrumentos que permearam a sua infância abraçou em particular dois: a flauta e o violão, fazendo destes seus principais companheiros nos projetos os quais vem participando desde o início de uma carreira que teve seu pontapé inicial quando a artista tinha nove anos de idade e  integrou o coro infantil de um dos álbuns do Quarteto em Cy. Em seu currículo conta-se também 15 anos na Orquestra de sopro da Pro Arte, onde se apresentou no Brasil e no Exterior ao lado de grandes nomes da música popular brasileira (a exemplo de Hermeto Paschoal, Moacir Santos e Gilberto Gil) e a incursão pela Orquestra Corações Futuristas (projeto idealizado e regido por Egberto Gismonti)Como já escrito aqui mesmo no Musicaria Brasil estas experiências empíricas, práticas e experimentais alicerçaram o seu primeiro álbum intitulado "Voz e violões", disco que conta com treze faixas e a participação de um verdadeiro dream team do violão brasileiro e que é possível ouvir nos principais aplicativos de música; Já o violonista André Pinto Siqueira traz em sua bagagem musical prêmios como Chico Mário de violão e o Prêmio MIMO Instrumental e excursões no Brasil e em países como Suíça, Reino Unido, França, Portugal e Espanha. Sem contar que já dividiu palco e estúdio com nomes como Danilo Caymmi, Jenny Chi, Carlos Malta e Orquestra Sinfônica Brasileira para compor distintos temas e trilhas sonoras. E completando esse power trio vem o nome o multi-instrumentista Maurício Massunaga que já teve a oportunidade de atuar ao lado de nomes como Zélia Duncan, Casuarina, Mart'nália, Dudu Nobre entre outros. Multifacetado, além de arranjador e produtor, atualmente faz parte da banda cantora carioca Ana Costa e chegou a participar de alguns musicais para o teatro a exemplo de "Zeca Pagodinho, o musical", "É com esse que eu vou" e "Sassaricando" (sem contar a sua atuação no carnaval carioca em blocos como "Pérola da Guanabara" e do bloco "Simpatia é quase amor".

Alice Passos honra Ary Barroso em álbum derivado de show | Blog do Mauro  Ferreira | G1

Idealizado em 2017 a partir de papo da cantora com os violonistas no bar carioca Bip-Bip, pode-se dizer que o show (também intitulado Ary) foi o cerne de tudo. Ao longo de quase dois anos, o que seria a princípio apenas um espetáculo culminou neste registro fonográfico constituído por dez faixas e abraçado pela gravadora Fina Flor. Imbuído de viço e da atemporalidade que constitui a obra do homenageado, "Ary" vai além de um álbum e tributo. Trata-se de um disco marcado por  signos diversos em um país maculado por uma notória falta de memória. Primoroso, o álbum inicia com o Samba-canção "Na batucada da vida", parceria de Ary com Luís Peixoto e datada de 1934. Outra canção composta em parceria com o mesmo Luís Peixoto é o samba "Por causa dessa cabocla" que em 1935 foi interpretada por Silvio Caldas e fez parte da trilha sonora do filme Favela dos meus amores.
Em seguida vem uma série de canções que eternizaram-se nas vozes de grandes nomes e que foram assinadas unicamente por Ary a exemplo do samba "Na baixa do sapateiro", que composta em 1938 teve como primeira intérprete Carmen Miranda, os sambas "Camisa amarela" (1939), "Pra machucar meu coração" (1943), "Morena boca de ouro" (1942), "Inquietação" (1935), "Faixa de cetim" (1943), assim como também o choro "Chorando" (1951) e a valsa "Canção em tom maior" (1961).

Em síntese pode-se afirmar que mesmo não sendo novidade (visto que nomes como Gal Costa e Rosa Passos já prontificaram-se em prestar suas respectivas homenagens a este singular artista mineiro), Ary é um projeto fonográfico que foi muito bem maturado a partir das apresentações em shows que o antecedeu e que nasceu imbuído de fortes características. Em um formato aparentemente simplório (voz e violões), o disco substancia-se no entrosamento do trio e concede-nos a possibilidade de um substancial passeio pela obra deste nome de relevância ímpar para a música popular brasileira como faz-se passivo analisar nos sambas, sambas-canções, choros e valsas presentes no álbum que já se encontra disponível nas principais plataformas de música. Ao ouvir "Ary", é possível perceber que o mesmo perfaz-se em harmoniosa sincronia entre os três nomes que constitui o disco, sobrepujando a convencional formas de projetos fonográficos caracterizados por esse tipo de formato voz e violão. Se de um lado Alice Passos reitera em canto, técnica e visceralidade não apenas a  importância da obra do homenageado, mas também o caminho que vem buscando trilhar dentro do mercado fonográfico brasileiro, do outro os nomes de André Pinto Siqueira e Maurício Massunaga ganham relevante destaque ao proporcionar esse profícuo diálogo entre o trio como é possível perceber na coesa "Chorando", única faixa instrumental do disco. Em um ano que traz como marca dor, descaso e tristeza, trabalhos como estes reiteram que a delicadeza ainda constitui o cerne do ser humano e a cultura é, sem sombra de dúvidas, um dos alicerces mais firmes a favor do alento. Neste caso, através da lembrança e da obra de um dos maiores nomes da música popular brasileira através de uma das mais promissoras revelações da nova geração e que vem arregimentada por dois grandes talentos da música instrumental. "Ary" mostra-se para além da aquarela do homenageado, apresentando assim um artista que apesar de controverso e personalidade muitas vezes hostil, deixou uma obra singular e que agora, em parte, pode ser revisitada de um modo único.


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

BAÚ DO MUSICARIA




A exatamente dez anos, esta era uma das matérias que estava sendo publicada em mês como este em nosso espaço:



Link para relembrar a matéria:

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Resultado de imagem para MPB
Facção Caipira

terça-feira, 15 de setembro de 2020

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*



Alô! Alô?

Para Ramon Mello

As marchinhas, entre outras características, são crônicas sociais. Elas tratam de temas que estão na ordem do dia. São descartáveis, portanto. Só servem para aquele carnaval específico.
Mas se for assim, por que as marchinhas dos antigos carnavais continuam a nos embalar? A primeira resposta poderia ser porque os problemas sociais permanecem sem solução, ou porque voltam ciclicamente.
Há outra resposta possível: a força das interpretações torna as marchinhas em objetos atemporais. A presença de "Camisa listada", "Cai, cai", "Querido Adão", "Na baixa do sapateiro", "Tic-Tac do meu coração", "Mamãe, eu quero", entre muitas outras, todas do repertório de Carmen Miranda, parecem querer provar essa resposta especulativa.
O samba "Alô! Alô?", de André Filho, na luxuosa gravação de Carmen Miranda e Mário Reis, com Grupo do Canhôto, de 1933, aponta para o tempo em que uma simples ligação telefônica exigia muita paciência. Outros tempos da era da mobilidade.
O jogo de perguntas, sem respostas, da letra alcança brilho indefiníveis nas vozes dos dois intérpretes. Será que o outro não responde (se gosta mesmo de verdade) porque não quer, ou porque a qualidade da ligação impede um entendimento entre as partes? O outro, de fato, está ouvindo a pergunta do sujeito?
O importante, óbvio, não é a resposta, mas o dengo (do qual Carmen é rainha e diva) lançado pelo sujeito da canção. O importante é brincar com as dúvidas, afinal estamos no espaço lúdico e suspensivo do carnaval.
O sujeito da canção faz um feliz cordão de exclamações e interrogações, caminhando entre os mascarados e aproveitando a festa do desejo indiferente aos ais.


***

Alô! alô?
(André Filho)

CM- Alô, alô, responde
Se gostas mesmo de mim de verdade

MR- Alô, alô, responde
Responde com toda sinceridade

CM- Se não respondes
O meu coração é lágrima
Desesperado vai dizendo
Alô, alô
Ai se eu tivesse a certeza
Desse seu amor
A minha vida seria
Seria um rosário em flor
Responde então

MR- Alô, alô
Continuas a não responder
E o telefone
Cada vez chamando mais
É sempre assim
Não consigo ligação meu bem
Indiferente não se importa
Com os meus ais



* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

ELIZETH CARDOSO: NO CENTENÁRIO DA CANTORA, 26 ÁLBUNS CHEGAM ÀS PLATAFORMAS DIGITAIS

No dia de aniversário de 100 anos de Elizeth, Universal Music libera discografia da artista no streaming 

Por Adriana Izel 

Divulgação

Nome importante na música brasileira, a cantora Elizeth Cardoso, que morreu há 30 anos, completaria  cem anos em 2020. Como forma de celebrar a artista, a Universal Music divulga a partir desta data 26 álbuns da Divina, como era conhecida a artista, nas plataformas digitais.

Destes 26 álbuns, 17 são discos de carreira, um coletivo, um EP com quatro faixas raras e sete compilações, além de três playlists exclusivas. Esse novo material no streaming se junta a outros 14 álbuns de carreira e cinco coletâneas já disponibilizadas nos serviços digitais.

A reunião do material traz sucessos como Negro telefone, É luxo só, A flor e o espinho e Barracão para o formato digital, além das canções raras Trinta e um de dezembro, Chuvas de verão, Quarto vazio e Balão apagado.

Durante a carreira Elizeth Cardoso abriu portas para outras cantoras e também espaço para as mulheres negras. “Para mim, Elizeth, como bem fala Chico Buarque, é a mãe de todas as cantoras. Ela teve uma importância muito grande na vida das cantoras contemporâneas. Ela influenciou muita gente e foi muito importante, inclusive, porque apoiava novos compositores, ajudava os músicos. E estava sempre cantando o que havia de melhor da música brasileira de qualidade”, avaliou Rosa Passos, cantora baiana radicada em Brasília que, em 2011, gravou um disco muito bem recebido pela crítica em homenagem à Elizeth Cardoso, em entrevista recente ao Correio Braziliense.

A música sempre foi algo natural para Elizeth. Nascida em uma família de artistas, ainda na infância se encantou pela arte e lutou contra todas as barreiras para seguir no ofício que sonhou. “Desde que eu nasci, no Rio de Janeiro, em 1920, minha vida sempre foi cercada de música. Meu pai era seresteiro e minha mãe adorava cantar. Mas a vida não era só festa. Era dureza também. Falta de dinheiro. Comecei a trabalhar com 10 anos. Fiz de tudo um pouco, vendedora de cigarros, operária de fábrica de sabão, costureira de uma peleteria, cabeleireira”, afirmou em uma entrevista recuperada no projeto Heróis de Todo o Mundo, com narração de Zezé Motta.

 

Confira os álbuns de Elizeth Cardoso que chegam ao streaming:

Fim de Noite (1958)

Naturalmente (1958)

Magnífica (1959)

A Meiga Elizeth Nº2 (1962) 

A Meiga Elizeth Nº4 (1963)

A Meiga Elizeth Nº5 (1964) 

400 anos de Samba (1965)

Elizeth Sobe o Morro (1965)

A Bossa Eterna de Elizeth e Cyro (1966)

Muito Elizeth (1966) 

A Enluarada Elizeth (1967)

Viva o Samba – Elizeth Cardoso, Francineth, Cyro Monteiro, Roberto Silva (1967)

A Bossa Eterna de Elizeth e Cyro Nº2 (1969)

Falou e Disse (1970) 

Feito em Casa (1974)

Elizeth Cardoso (1976)

Live in Japan (1977)

A Cantadeira do Amor (1978)

Elizeth Cardoso (EP com 4 faixas raras)

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

PAUTA MUSICAL: O IMORTAL ANTONIO CICERO

Por Laura Macedo 



O Poeta, Escritor e Ensaísta Antonio Cicero foi eleito em 10 de agosto de 2017 para a Academia Brasileira de Letras. Joaquim Ferreira dos Santos (Rádio Batuta do IMS [Instituto Moreira Salles]) selecionou dez canções em que o letrista é Cicero, algumas em parceria com a irmã, Marina Lima.


“Água Perrier” (Adriana Calcanhotto/Antonio Cicero) # Adriana Calcanhotto [voz/arranjos], Christiaan Oyens [bateria], Marcelo Costa [percussão], Otávio Fialho [contrabaixo], Ricardo Rente [sax alto], Sacha Amback [teclados]. Gravadora CBS/Columbia (LP/CD: 1992).

“O último romântico” (Lulu Santos/Antonio Cicero/Sérgio Souza) # Caetano Veloso.

“Virgem” (Marina Lima/Antonio Cicero) # Marina Lima. LP ‘Virgem’, 1987.

“Onda” (Arthur Nogueira/Antonio Cicero) # Arthur Nogueira. Disco “Presente (Antonio Cicero 70)”, 2016.

“Maresia” (Paulo Machado/Antonio Cicero) # Zeca Baleiro. DVD ‘Calma aí, Coração’. Som Livre.

“Charme do mundo” (Marina Lima/Antonio Cicero) # Belchior. Disco ‘Vício Elegante’, 1996.

“Acontecimentos” (Marina Lima/Antonio Cicero) # Marina Lima. 1991.

“Inverno” (Adriana Calcanhotto/Antonio Cicero) # Adriana Calcanhotto.

“Bagatelas” (Frejat/Antonio Cicero) # Arthur Nogueira.

“Fullgás” (Marina LimaAntonio Cicero) # Marina Lima. Álbum ‘1984’.



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Fontes:
– Fotos: Internet.
– Instituto Moreira Salles / Rádio Batuta (AQUI).
– Site YouTube/Canais: “tehamdan”, “CaetanoVelosoVEVO”, “RobergeVideo”, “Arthur Nogueira”, “Zeca Baleiro”, “Peter Gast”, “Alex Abreu”, “acalcanhottoVEVO”, “Arthur Nogueira”, “George Kaplan”.

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