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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 19 de janeiro de 2020

BONDE ALEGRIA - ÍRIS BRUZZI

sábado, 18 de janeiro de 2020

ALMANAQUE DO SAMBA (ANDRÉ DINIZ)*

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• INTRODUÇÃO •
EU SOU O SAMBA



Eu sou o samba a voz do morro sou eu mesmo sim senhor... sou eu que levo a
alegria para milhões de corações brasileiros.
ZÉ KÉTI, “A voz do morro”



A música popular brasileira tornou-se, como disse o crítico cultural Antônio Cândido, o “pão nosso cotidiano da cultura nacional”.1 E o samba foi o recheio, por vezes inspiração, de quase todos os movimentos musicais desta terra carnavalesca. Isso aconteceu até mesmo naqueles momentos em que “modernos” músicos tachavam-no de arcaico, ultrapassado.
Apesar de ser um gênero resultante das estruturas musicais europeias e africanas, foi com os símbolos da cultura negra que o samba se alastrou pelo território nacional. No passado, os viajantes denominavam batuque qualquer manifestação que reunisse dança, canto e uso de instrumentos dos negros. Esse era então um termo genérico para designar festejos. O sentido amplo permaneceu na literatura colonial até o início do século XX, quando a palavra
samba passou a ocupar seu espaço.
A primeira menção ao termo samba conhecida foi feita em 3 de fevereiro de 1838 no jornal satírico pernambucano O Carapuceiro. Mas samba significava tudo menos o ritmo que conhecemos hoje. No Rio de Janeiro, por exemplo, a palavra só passou a ser conhecida ao final do século XIX, quando era ligada aos festejos rurais, ao universo do negro e ao “norte” do país (ou seja, a Bahia).
Nos primórdios do século XX, a literatura carioca já registrava com freqüência o termo samba. Cada vez mais distante de sua inspiração folclórica, as situações em que aparecia diziam respeito ao ambiente urbano e já mestiçado da cidade. O samba era comparado com o maxixe e o tango, palavras que musicalmente representavam, muitas vezes, a mesma coisa.
Aos poucos estava sendo pavimentado o terreno, ou melhor, o terreiro em que o samba iria se consolidar. Urbano, mestiço, carioca e já dispondo dos instrumentos percussivos das escolas, ele foi gradualmente eleito pela população o principal ritmo musical do Rio de Janeiro. Era o coroamento de séculos de interação etno-cultural, muitas vezes conflituosa, mas sempre com poros comunicativos bem abertos.
O Estado implantado no Brasil após a Revolução de 1930 soube aproveitar a “pegada” popular do samba e, com incentivos ao carnaval das escolas e a utilização da recém-inaugurada radiodifusão, ajudou a expandir o gênero nacionalmente. Na década de 1940, samba passa a ser sinônimo de brasileiro e ganha fama internacional, de forma que hoje o mundo inteiro vê o Brasil como berço do carnaval e do samba (sem falar no futebol, claro!).
Ainda que guardasse o sentido de festa na palavra – “Eu vou ao samba/porque longe dele não posso viver...”, diz Paulinho da Viola –, o termo samba criou tão sólidas raízes que seria impossível enumerar os significados de todas as suas ramificações etimológicas: samba-choro, samba-canção, samba de terreiro, samba de exaltação, samba-enredo, samba de breque, sambalanço, samba de gafieira, bossa nova, samba-jazz, samba de partido-alto, samba de morro, samba de quadra e samba-rocksão algumas delas.
Não sendo o leitor “ruim da cabeça ou doente do pé”, já percebeu que a riqueza desse “batuque” contemporâneo só vai acabar na hora em que o dia clarear. Por isso, vamos em frente que a noite está só começando.



• CAPÍTULO1 •
BATUQUE NA COZINHA

Não tem nada disso. Depois é que o samba foi para o morro. Aliás, foi para todo

lugar. Onde houvesse festa nós íamos.1
Resposta de DONGA à pergunta sobre se o samba veio do morro, em entrevista
realizada no Museu da Imagem e do Som, em 1969.




Tendo herdado o status de capital desde o período colonial, ou, mais precisamente, desde 1763, o Rio de Janeiro presenciou um crescimento vertiginoso de seus índices demográficos no último quartel do século XIX. No início da década de 1890, havia mais de meio milhão de habitantes, dos quais apenas a metade era natural da cidade; os demais vinham de outras províncias, como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. O Rio consolidava-se como o epicentro político, social e cultural do país, atraindo milhares de pessoas.

A busca desenfreada por melhores oportunidades de trabalho acabou por transformar a futura Cidade Maravilhosa em espaço urbano síntese de confluência e conflito de etnias, classes e projetos socioculturais.

Essa população passou a conviver, no governo do presidente Rodrigues Alves, com as transformações “modernizantes” planejadas e realizadas em escala federal e municipal no Centro da cidade. Era preciso “civilizar” a capital federal, deixar no passado as feições coloniais materializadas nas pequenas ruelas, no saneamento precário, nos “batuques” africanos pelas ruas, nas doenças contagiosas, nos cortiços e, claro, na sujeira generalizada que relegava à coadjuvação a bela tríade da natureza tropical: mar-floresta-montanha. Assim pensava grande parte da elite da época, sempre tomando como paradigma a civilização europeia.

Mesmo reconhecendo a premência de reformas urbanísticas e higiênicas, visto que a falta de moradia decente para a população e a exposição a toda sorte de lixo nas ruas causavam a morte de milhares de pessoas, é preciso separar o joio do trigo. A tentativa de “civilizar” a capital da República – abrindo grandes avenidas, como a Central (atual Rio Branco), destruindo os cortiços, extirpando a febre amarela e a varíola – expôs aos olhos de todos uma política governamental extremamente elitista. Modernizar, para a elite dos primeiros anos do século XX, era retirar do Centro da cidade todos os traços de africanidade e de pobreza, empurrando a população mais humilde para as favelas e subúrbios. A modernização do Rio caminhava de mãos dadas com a construção moderna da exclusão social. Começava aí a história da cidade partida.




Quem quer comprar um rato?

O encarregado pelo prefeito Pereira Passos de erradicar as doenças que proliferavam entre os cariocas foi o sanitarista Oswaldo Cruz. A destruição dos cortiços e a limpeza da cidade facilitavam a ação higienista, mas a presença dos ratos era freqüente nas casas, lojas e ruas, transmitindo toda sorte de doenças. Oswaldo Cruz determinou então uma radical desratização.

Para tanto, organizou uma brigada de exterminadores, dando a cada um dos seus integrantes a tarefa de apresentar cinco ratos mortos por dia. Os que excediam esse número eram gratificados com a razão de 300 réis por cabeça.

O insólito ato mostrou-se eficaz, e lá saíam pelas ruas os exterminadores, carregando grandes latas e apregoando a compra de ratos: “Rato! Rato!” Cena tão inusitada não poderia passar despercebida pelos compositores da cidade. O melodista Casemiro Rocha, pistonista da Banda do Corpo de Bombeiros, e o letrista Claudino Costa lançaram a bem-sucedida “Rato rato”, polca que diz assim:

Rato, rato, rato
Por que motivo tu roeste meu baú?
Rato, rato, rato
Audacioso e malfazejo gabiru
Rato, rato, rato
Eu hei de ver ainda o teu dia final
A ratoeira te persiga e consiga
Satisfazer meu ideal



Por outro lado, como resultado do crescimento urbano, surgiram à época diversos espaços de entretenimento. As reformas no Centro reorganizaram o lazer do carioca, oferecendo novos teatros, salas de cinema (cines) e bares com música (cafés-cantantes), tudo isso tendo como um dos principais endereços a primeira via urbana a merecer o nome de avenida, logo batizada de Central. 

As descobertas tecnológicas também foram mudando a vida dos habitantes.

Novidades industriais, como o gramofone, permitiram às pessoas ouvir música em casa sem a até então indispensável presença de músicos. O telefone, o bonde elétrico e o automóvel encurtaram as distâncias e redimensionaram o olhar dos indivíduos sobre a cidade.


Quando a radiodifusão surge, nos anos 1920, todas as experiências musicais acumuladas na cidade do Rio de Janeiro vão, de uma forma ou de outra, se fazer presentes. A musicalidade dos migrantes e imigrantes, com seus ritmos regionais, a modinha e o lundu dos violeiros, o choro dos funcionários públicos, o maxixe da Cidade Nova e o samba dos morros recém-ocupados vão ser “exportados” para todo o país como exemplos da força do primeiro veículo de comunicação de massa.

Após as décadas de 1930 e 1940, os milhões de ouvintes das rádios ficaram definitivamente dependentes de um padrão de cultura formulado a partir de interesses da capital federal. Não é à toa que o samba, já devidamente registrado na cidade do Rio de Janeiro, passa a ser o gênero musical identificador da sociedade brasileira.

Antes de mostrar o samba no pé, vamos esquentar os tamborins mergulhando um pouco na cultura musical do Rio de Janeiro. É a partir desse legado, trazido, fomentado ou criado na cidade, que enfocaremos uma das páginas mais ricas de nossa memória musical. A ela.

Nasce a música urbana A música popular urbana brasileira é resultado da confluência cultural de três etnias: o índio, o branco e o negro, dos quais herdamos todo o instrumental, o sistema harmônico, os cantos e as danças. Como manifestação cultural expressiva, essa música urbana surgiu no início do século XIX, nos principais centros da colônia, notadamente Rio de Janeiro e Bahia, entoada por pessoas que cantavam modinhas e lundus ao violão, ao piano ou acompanhadas por grupos instrumentais.

De origem africana, mais precisamente da região de Angola e do Congo, o lundu foi trazido para o Brasil pelos escravos no fim do século XVIII. Caracteriza-se pelo canto e pela dança em que o alteamento dos braços, com o estalar dos dedos, e a umbigada – encontro dos umbigos dos homens e das mulheres – são acompanhados por palmas.

Em terras brasileiras a dança do lundu foi cultivada por negros, mestiços e brancos. No século XIX o lundu vira lundu-canção, sendo apreciado nos circos, nas casas de chope e nos salões do Império. Acabou por tornar-se o primeiro gênero musical a ser gravado no Brasil (“Isto é bom”, de Xisto Bahia, gravado na voz de Bahiano em 1902 pela Casa Edison).

A modinha, contemporânea do lundu e a ele muito associada em seu gênero canção, também é um fenômeno musical do século XIX, como apontou o pesquisador Carlos Sandroni. A moda, que era toda canção da época, virou modinha quando se popularizou pelo país.

O mulato Caldas Barbosa foi o principal compositor da modinha e do lundu-canção à época de seu surgimento. Esse filho de português com escrava negra teve sua obra reconhecida na corte portuguesa, onde se notabilizou pelas trovas improvisadas ao som das cordas de sua viola.

Os dois principais gêneros musicais urbanos nos tempos do Império e do início da República, o lundu e a modinha, eram apreciados nos saraus literário-musicais da elite da época e também nas ruas, tabernas e lares mais simples. À noite, instrumentistas ao violão, sozinhos ou em grupo, saíam pelas ruas e residências entoando músicas românticas e cristalizando, ao final do século XIX, a brasileiríssima tradição da seresta.

Muitos poetas românticos e modernistas, como Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, inspirados na tradição da modinha, tiveram seus versos musicados por melodistas. A modinha foi, de fato, um elemento de integração nacional, cantada nos quatro cantos do Brasil. 

Sua relevância permanece em nossa cultura, na obra de compositores do porte de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, entre tantos outros.




* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

MAESTRO EDSON RODRIGUES E BLOCO DAS FLORES SÃO OS HOMENAGEADOS DO CARNAVAL DO RECIFE 2020

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Na tarde da última terça-feira (14), o prefeito Geraldo Julio anunciou os dois homenageados do Carnaval 2020, que carregam em suas tradições o compromisso com a cultura popular e com o frevo, o mais recifense de todos os ritmos do nosso Carnaval. São eles o maestro e compositor Edson Rodrigues e o Bloco das Flores. O prefeito Geraldo Julio recebeu os homenageados em seu gabinete e fez o convite em nome do folião recifense.

Para o prefeito, os escolhidos representam a força da diversidade cultural do Recife. “Estamos começando o nosso carnaval 2020, que vai ser o maior da história, com o anúncio dos homenageados: o maestro Edson Rodrigues e o Bloco das Flores. Estou muito feliz, eles mostram muito da nossa história, da nossa cultura, da força que o Recife tem nessa diversidade. Uma homenagem bonita que dá início ao Carnaval do Recife 2020”, afirmou.

Dono de uma história de mais de 60 anos dedicada aos carnavais e ao frevo, o maestro Edson Rodrigues destacou a emoção de receber a homenagem do povo do Recife. “É sempre bom quando as coisas acontecem sem que a gente espere. Eu sempre trabalhei no Carnaval. Este ano eu comemoro 63 anos de música e folia. A música e o Carnaval me deram grandes alegrias, por causa deles eu conheci o mundo, tocando o Frevo, mostrando a nossa cultura. É uma emoção muito legal, temos que estar prontos para as coisas boas da vida, e essa é uma das coisas legais que aconteceram ainda vivo”, ressaltou o maestro.

Representando o folião e seus corações, pernas e vozes nas ruas do Recife, o Bloco das Flores recebe também uma justa homenagem. Zenaide Araújo, 78 anos, presidente da agremiação falou sobre a emoção de ser homenageado no ano em que o bloco completa 100 anos. “Não é todo dia que se faz 100 anos. Nada paga a emoção de hoje, o que vamos passar ainda no Carnaval, o trabalho que nós estamos tendo, nossa fantasia, que está muito bonita. É uma sensação inexplicável. Gostaria de agradecer e dizer que é muito gratificante esse reconhecimento”, afirmou a presidente. 


MAESTRO EDSON RODRIGUES - Maestro, arranjador, saxofonista e compositor, Edson Rodrigues escreveu de próprio punho uma parte importante da história recente do frevo. Um dos sete corações reunidos no filme homônimo de Dea Ferraz, que fazem a mais recifense das músicas pulsar, viva e bulindo, nas ruas e entre as mais importantes tradições culturais da cidade e da humanidade, Rodrigues pertence à chamada segunda geração do frevo, a quem coube a gloriosa missão de continuar o que compositores como Capiba e Nelson Ferreira fizeram pela cultura pernambucana.

Devotado à música desde muito moço, estreou no Carnaval com a Orquestra Itapoã, de João Santiago, nos idos de 1957. Além do frevo, muitos outros ritmos embalaram a sua carreira. Rodrigues foi pioneiro na introdução do jazz em Recife, além de ter fundado a Banda Municipal de Recife, da qual foi regente entre 1979 e 1983. Mas não aprendeu tudo que sabe nos palcos. Estudou muito e ensinou ainda mais. Graduou-se em jornalismo, geografia e música na universidade. Depois se tornou professor do Conservatório Pernambucano de Música por muitos anos e nunca mais parou de compartilhar saberes e prazeres musicais

BLOCO DAS FLORES - Primeiro Bloco Carnavalesco Misto criado no Recife, o Bloco das Flores surgiu em 1920, a partir da reunião de um grupo de intelectuais, amigos e foliões, entre eles jornalistas, artistas e compositores de carnavais saudosos, como Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon e Raul Morais, nomes imortalizados no coro das ruas suadas e coloridas da festa pernambucana. O Bloco das Flores, no seu primeiro desfile, veio com 100 componentes que participavam de pastoris do Bairro de São José e sua orquestra de Pau e Corda com 50 músicos.

O bloco chegou a encerrar suas atividades por alguns anos, em virtude do falecimento do seu benfeitor Pedro Salgado e também de Raul Moraes, compositor e regente da orquestra. No ano de 2000, outros amantes da brincadeira de rua, também intelectuais e artistas, resolveram resgatar o bloco lírico. Desde então, o Bloco das Flores se apresenta anualmente, arrastando multidões atrás da orquestra e da história que seu estandarte carrega, evoca e perpetua pelas ruas da folia.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

CESTA DE CRÔNICAS E OUTRAS ESSÊNCIAS

Por Xico Bizerra






UM SOLITÁRIO E SORRIDENTE HOMEM


De todos os homens, aquele que semeia versos, ora borboleta, ora pássaro, é o mesmo que também sabe colher luzes e reunir perdidos sons, acolhendo todos os tons em seu tímpano feliz. Sempre com um sorriso a enfeitar seus lábios. Ninguém a ajudá-lo, tantos a lhe atrapalhar. Nas horas vagas, solitariamente, devora brisas e transforma em luz as hostis imagens. E nos trilhos de sua espera, em meio a tintas e aquarelas, a estação é sempre a do chegar, nunca a de partir. Ele desconhece a palavra adeus. A primavera é mais flor quando aquele homem, sorriso estampado no rosto, bondade guardada nas mãos, canta, voa e zune os poemas mais ternos nos outonos e invernos, tecendo sonhos nos verões cheios de sol. Quem é aquele homem que vive a sorrir? E se todos os homens aprendessem a sorrir, como sorri aquele homem, espalhando alegria no meio do mundo?

CURIOSIDADES DA MPB

O programa "Calouros em Desfile" guarda momentos históricos. Como no dia em que Elza Soares foi lá se apresentar. Ary perguntou, vendo a moça magrinha e com um vestido emprestado maior que ela: "Mas de que planeta você veio?", a futura cantora respondeu: "Do planeta fome, seu Ary". Saiu de lá aplaudida e elogiada pelo apresentador.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*





Canção: Papai Curumiassu

Composição: Adaptação de Aloysio de Alencar Pinto e Marcus Vinícius

Intérprete - José Tobias

Disco - Acalantos Brasileiros - Discos Marcus Pereira.



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Abre-te Sésamo é o décimo álbum de estúdio solo do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas lançado em 1980. Este ano o álbum completa quatro décadas de existência.




Após os fracassos comerciais dos discos Mata Virgem e Por Quem os Sinos Dobram, Raul Seixas deixa a gravadora WEA e, em 1980, assina contrato com a CBS, onde já havia trabalhado como produtor. Lá, Raul grava Abre-te Sésamo, com a parceria do velho amigo Cláudio Roberto.

O disco fez algum sucesso na época, com as músicas "Aluga-se" e "Rock das 'Aranha'", e vendeu razoavelmente bem. Contudo, ambas as músicas foram censuradas. "Aluga-se" era uma forte crítica sobre a relação do governo brasileiro com outros países, principalmente os EUA. Já "Rock das 'Aranha'" foi censurada devido à sua letra sexualmente explícita. Raul chegou a declarar anos mais tarde que a canção é um plágio de "Killer Diller" do cantor Jimmy Breedlove. A música "Angela" foi feita em homenagem à companheira de Raul, Kika Seixas.[carece de fontes] O disco também inclui uma música de seu pai, Raul Varella Seixas, "Minha Viola".

Porém, em 1981, Raul Seixas rescinde o contrato com a CBS, por pedirem que gravasse um LP em homenagem a Lady Diana. Raul ficaria 3 anos sem gravadora e apenas voltaria com um novo disco de músicas inéditas em 1983, no álbum Raul Seixas, da gravadora Eldorado.


Faixas

Todas músicas compostas por Raul Seixas e Cláudio Roberto Andrade de Azevedo, exceto onde especificado.


Lado A 
01 -  "Abre-te Sésamo" 
02 - "Aluga-se" 
03 -  "Anos 80" (Raul Seixas - Dedé Caiano)
04 - "Angela" 
05 - "Conversa pra Boi Dormir" (Raul Seixas)
06 - "Minha Viola" (Raul Seixas)

Lado B 
01 -  "Rock das 'Aranha'"
02 -  "O Conto do Sábio Chinês" (Raul Seixas)
03 -  "Só pra Variar" (Raul Seixas - Cláudio Roberto - Kika Seixas)
04 -  "Baby" 
05 - "É Meu Pai" 
06 -  "À Beira do Pantanal" 



Músicos:
Guitarra elétrica: Celso Blues Boy e Rick Ferreira
Lap Steel guitar: Rick Ferreira
Violão de doze cordas: Rick Ferreira
Baixo: Paulo César Barros e Luizão Maia
Bateria: Mamão
Piano: Miguel Cidras

Ficha técnica:
Direção artística: Mauro Motta e Adalberto Ribeiro
Produção: Mauro Motta e Raul Seixas
Arranjos de orquestra: Miguel Cidras
Arranjos de base: Raul Seixas e Celso Blues Boy
Técnicos de som: Eugênio de Carvalho, Manoel Magalhães, Ney e Élio Gomes
Mixagem: Eugênio de Carvalho e Manoel Magalhães
Montagem: Alencar
Direção de arte: Géu
Fotos: Frederico Mendes

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

GARGALHADAS SONORAS

Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passadisco, se preferir)

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Hoje vi nas redes sociais as orquídeas de Lenine e me bateu uma saudade de quando eu era criança na Usina Pumaty e todas as manhãs ia até o quintal com o meu pai ver suas orquídeas num belo orquidário que ele tinha... Além das orquídeas ele tinha também uma coleção de antúrios (que ele chamava de "Grande Flora").

Um belo dia ele percebeu que a sementeira de antúrios estava parcialmente destruída, pois o jardineiro ("Seu" Joaquim) havia confundido as mudas de antúrios com uma erva daninha. Ele me ensinou a diferenciar as mudas das ervas (que eram bastante parecidas) e disse que a partir daquele dia eu seria o responsável pela sementeira... Isso me encheu de orgulho, pois sempre quis ser igual a ele. Eu tinha aproximadamente seis anos; e hoje, cinquenta anos depois continuo essa paixão herdada do meu pai e diariamente cuido das minha orquídeas e outras plantinhas que teimo em cuidar no quintal do prédio em que moro; tentando, quem sabe um dia, ser igual ao meu pai.

LAUDIR DE OLIVEIRA, 80 ANOS

Se vivo, o percussionista estaria completando 80 anos.

Laudir durante show, com instrumentos de percussão.

Ainda pequeno, Laudir viveu próximo às casas de Pixinguinha e de Moacir Santos, na zona norte do Rio de Janeiro. Ali também frequentavam outros grandes expoentes da música brasileira da época, como João da Baiana e Donga.

Jovem de criação católica, teve por acaso o primeiro contato com o candomblé e quis voltar depois. Como ele mesmo disse, o candomblé foi uma “escola” para sua formação como artista, pelos instrumentos e pelas danças.

“Toda a minha criação, toda a minha influência são os toques de candomblé. São 16 deuses, e cada deus tem três ritmos, então é uma riqueza impressionante de ritmos. É uma base que me serviu pra vida toda, eu nunca estudei música”

Começou tocando atabaque, acompanhando Mercedes Batista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio e que, além do balé, também estudou danças de matriz africana. Não demorou para Laudir, que já gostava de dança, receber um convite para deixar os instrumentos de lado.

Antes de se reconhecer como músico, foi dançarino. Com a companhia de dança Brasiliana, se apresentou em diversos países, tendo os ritmos e danças brasileiras como eixo. Passou mais de três anos viajando pelo mundo, até ir aos Estados Unidos e largar o grupo. Laudir havia recebido um convite de Moacir Santos, que já morava no país, para ficar por lá como músico.


Rumo aos Estados Unidos

Nos EUA, entrou na banda de Sérgio Mendes, a Brasil 66. Vivendo e trabalhando no maior mercado de música do mundo, em pouco tempo começaram a surgir muitas oportunidades profissionais para Laudir, que se tornou um percussionista requisitado.

Tocou com diversos astros da música internacional, entre eles Nina Simone, Jackson Five, Wayne Shorter, Santana, Joe Cocker e Herbie Hancock. Entre os brasileiros, trabalhou com Milton Nascimento, Hermeto Pascoal, Gal Costa e João Bosco, entre outros.

Em 1969, de passagem rápida pelo Brasil, foi um dos fundadores do grupo Som Imaginário, mas deixou a banda no ano seguinte, sendo substituído pelo também renomado percussionista Naná Vasconcelos.

Por oito anos, a partir de 1973, Laudir fez parte da banda Chicago, um dos grandes sucessos na época, inclusive ganhando em 1976 um Grammy, maior prêmio da indústria americana da música.

“Meu ídolo [o músico cubano] Armando Peraza encontrou comigo e disse: ‘Laudir, como é que tu conseguiu, todo mundo querendo esse trabalho [na banda Chicago], você chegou e eles convidaram’. Eles gostaram lá. É que eu gravei com eles esse disco, e eu sou diferente, nunca tive escola nenhuma. Antes, nos Estados Unidos, rock’n’roll e jazz eram os cubanos que dominavam, qualquer coisa era cubano. Então eu cheguei, eu fiz uns desenhos que eu mesmo que criava, que eles [cubanos] não sabiam fazer”

Em 2010, voltou a se apresentar com o grupo durante uma passagem do Chicago pelo Brasil. A banda entrou para o Hall da Fama do Rock em 2016, e Laudir tocou mais uma vez ao lado do grupo, dessa vez em Nova York.


De volta ao Brasil

Depois de morar quase duas décadas no exterior, Laudir voltou ao Brasil no fim dos anos 1980, à sua cidade natal, o Rio de Janeiro.

Continuou atuando na música pelo resto da vida, em diferentes ofícios. Foi produtor musical, tocou em shows, gravou faixas ou discos com outros músicos, atuou na direção musical de espetáculos, deu aulas de música.

Laudir costumava expressar a vontade de juntar nomes de peso, como Sérgio Mendes e Santana, para um álbum que levasse o seu nome e marcasse a sua carreira de sucesso. Mas ele nunca chegou a gravar um disco solo.



Fonte: https://www.nexojornal.com.br

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*


Não vou ficar

O poder de um rei escolhido pela massa é inegável. Seja impulsionado pela força mediática por trás do mito, seja pela voz para onde convergiam vários estilos, seja pelos preferidos temas passionais, Roberto Carlos é luz e som.
Bem antes de só cantar "o bem e o bem", Roberto, que começou cantando (como ainda canta lindamente) Bossa Nova, fez parte de um dos momentos decisivos da linha evolutiva da canção popular brasileira, ao fazer uso dos instrumentos elétricos e ao incorporar os modos norte americanos de fazer música com o corpo todo: imprimindo modas e gostos irredutíveis nos jovens de então.
Gravar "Não vou ficar", de Tim Maia, no disco Roberto Carlos (1969), aponta para um cantor antenado com as novas perspectivas da canção no Brasil: os elementos da chamada soul music. Na verdade, como Nelson Motta conta no livro Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, Roberto conhecia Tim desde os tempos pré fama, na Tijuca. Muito embora, como sabemos, tenham tomado caminhos diversos rumo ao sucesso.
Voltando à canção, "Não vou ficar", na voz de Roberto, teve uma recepção calorosa e merecida: é, sem dúvida, uma gravação exemplar. Os arranjos de sopro, a melodia pesada e os gritos de Roberto são o tom correto para dar voz a um sujeito "irado" e cansado da relação (amorosa?).
Roberto dá o grave, o agudo, o eco, o retorno, tudo que a canção pede. Tim Maia compôs uma canção cuja mensagem precisa ser transmitida como se ela estivesse sendo elaborada no momento da enunciação. Metacanção (canção que fala do processo de compor: do viver calado ao resolver falar), "Não vou ficar" exige um frescor do instante. Talvez daí, aliada à sinceridade do sujeito, venha a sensação de canção sempre nova.


***

Não vou ficar
(Tim Maia)

Há muito tempo eu vivi calado
Mas agora resolvi falar
Chegou a hora, tem que ser agora
E com você não posso mais ficar
Não vou ficar, não
Não posso mais ficar, não

Toda verdade deve ser falada
E não vale nada se enganar
Não tem mais jeito, tudo está desfeito
E com você não posso mais ficar
Não vou ficar, não
Não posso mais ficar, não

Pensando bem
Não vale a pena
Ficar tentando em vão
O nosso amor não tem mais condição, não

Por isso resolvi agora
Lhe deixar de fora do meu coração
Com você não dá mais certo e ficar sozinho
É minha solução, é solução sim
Não tem mais solução, não




* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

BELCHIOR ETERNO

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

MPB COM TUDO DENTRO (RODRIGO FAOUR)

QUERIDINHO DA JUVENTUDE, VINIL SE CONSOLIDA NO MERCADO; ENTENDA POR QUE ELE VOLTOU PRA FICAR

As vendas aumentam, fábricas são reabertas e produtores garantem que não se trata de mero modismo

Por Ana Clara Brant 


Em setembro, o Bossacucanova – formado pelo baixista Marcio Menescal, o tecladista Alex Moreira e o DJ Marcelinho da Lua – lançou Bossa got the blues em CD, streaming e vinil. Desde o primeiro álbum da banda, de 1998, o trio apostou no LP – na época, raridade; hoje, em alta no mercado. “Pela nossa trajetória e formação, já que nós três somos engenheiros de som e ainda há um DJ no grupo, o vinil sempre esteve presente no nosso trabalho. A qualidade sonora, ainda mais dos LPs de hoje, é excepcional. Melhor até que o digital”, defende Alex Moreira.

Vários artistas têm lançado projetos inéditos em LP. É o caso de Chico Buarque (Caravanas, 2017), Gal Costa (A pele do futuro, 2018), Gilberto Gil (OK OK OK, 2018), Maria Bethânia (Oásis de Bethânia, 2012), Os Cariocas (Estamos aí, 2013) e, mais recentemente, Zeca Baleiro (O amor no caos – Volumes 1 e 2).

“Lançar vinil é muito pessoal, tem a ver com minha história com o disco, a memória afetiva e coisa e tal. Nem é bom negócio, porque é muito caro fazer LP hoje. Mas acho charmoso, é algo que aproxima os fãs de um certo perfil, tem caráter agregador. Continuarei fazendo porque sou apaixonado pelo formato”, diz Zeca Baleiro.

Na opinião do cantor e compositor, o bolachão voltou por várias razões – nostalgia, saturação de alguns formatos digitais e até pela própria dinâmica da indústria. “Inclusive, temos vários modelos de toca-discos disponíveis no mercado. Tudo isso cria uma onda. E é bom pra quem faz música”, observa Zeca.

Produtores e empresários do setor garantem: a onda não é passageira. E nem modismo. O músico, pesquisador e DJ Michel Nath acredita que a retomada do LP vem da demanda real e também de uma necessidade cultural e até comercial. “O fluxo é crescente. A retomada não ocorre só no Brasil, é planetária”, frisa.

Há cinco anos, Nath reformou o maquinário encontrado num ferro-velho e abriu a Vinil Brasil, que funciona em São Paulo. “Naquela época, tínhamos cerca de 60 fábricas do segmento no mundo. Hoje, são aproximadamente 120 justamente pelo aumento na procura. Não acredito em moda, mas uma volta pra ficar. O LP não voltará a ser produto de massa, até por questões de custo, mas a curva ascendente já tem cerca de 12 anos”, destaca.

Uma das impulsionadoras do boom é a gigante americana Amazon, complexo transnacional de comércio eletrônico. Desde agosto, sua filial brasileira disponibiliza catálogo de LPs com cerca de 10 mil opções – a maioria importada. Mario Meirelles, líder da área de mídia da Amazon Brasil, diz que as vendas de LPs no Brasil são um sucesso, superando os CDs. “A maior parte dos discos vendidos são clássicos estrangeiros – The dark side of the moon (Pink Floyd), Nevermind (Nirvana) e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Beatles), por exemplo –, mas há procura por álbuns de Raul Seixas, Novos Baianos, Belchior e Sandy & Junior. Também há demanda por aparelhos de vinil. São infinitos modelos”, afirma.

Apesar de não divulgar números, Mario diz que as expectativas da empresa foram superadas. Dezembro nem acabou, mas a meta de venda de LPs já foi atingida. A ideia é continuar investindo em 2020. “Tem a questão do colecionismo, mas também a procura pela obra de arte, algo com o som puro. Nossa intenção é aumentar o catálogo brasileiro”, afirma.

A Amazon aposta na parceria com a carioca Polysom, que durante muito tempo foi a única fábrica de LPs da América Latina. Desativada por vários anos, em 2009, ela foi comprada por João Augusto, presidente da gravadora Deck. Investe tanto em bolachões inéditos quanto no relançamento de clássicos como Realce, de Gilberto Gil, O filho de José e Maria, de Odair José, e Matança do porco, da banda Som Imaginário. Recentemente, João passou a investir nas lendárias fitas cassete.

“Os artistas vão sempre querer ter trabalhos publicados e difundidos nos formatos disponíveis. O vinil e agora o cassete têm charme especial pela qualidade do áudio, o tamanho das artes e o ritual de audição”, diz João Augusto. De acordo com ele, o mercado é amplo e há espaço para todos. “Até para um formato antigo como o vinil se tornar estrela do consumo de música. O público comprador quer, fundamentalmente, alguma alternativa diferente para ouvir música. Isso impulsiona o processo”, observa. De acordo com ele, é difícil definir com precisão o público consumidor de vinil. “A diversificação é muito grande, por diferentes motivos. Por isso, o vinil cresce tanto”, comenta, observando que colecionadores, sozinhos, não sustentam o boom.


Ritual

Um dos aspectos mais sedutores do vinil é o ritual que ele envolve. Alex Moreira, do Bossacucanova, diz que o streaming é marcado pela pulverização, enquanto o LP é experiência física. “Curiosamente, esse movimento não se limita a quem viveu a era do vinil. A juventude descobriu como é bacana o ritual de tirar o disco da capa, colocar na vitrola, ouvir o lado A e o lado B. É uma sensação única.”

Músico, produtor e masterizador, Arthur Joly garante que o vinil vai perdurar por conta de suas particularidades. “Você não consegue dar um link de presente para alguém, segurar um streaming ou sentir o cheiro dele. De todas as mídias, o vinil é o mais romântico, sem contar que as fábricas têm aperfeiçoado a tecnologia desse produto. Não só a qualidade, mas também o formato, o visual. Temos artistas lançando até vinil holográfico, o que é muito interessante. Eu mesmo fiz um”, revela.

Criador da Discoteca Pública – que funciona desde 2005 e tem sede no Bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, com acervo de 17 mil CDs e Lps –, Edu Pampani destaca que o mercado de vinil se expande, ao contrário do CD. “Carros e computadores mais novos não têm tocador de CD. Praticamente ninguém compra mais. O vinil fascina porque a gente vive nesta era digital, meio fria. O revival está ligado à busca de autenticidade”, acredita.


Preço

Um dos poréns do vinil é o preço. Michel Nath diz que a matéria-prima é importada e sofre o impacto da cotação do dólar, hoje nas alturas. “O disco sai da fábrica custando R$ 30, em média, mas oscila entre R$ 80 e R$ 140 quando chega ao consumidor. É caro, assim como tudo no Brasil, água, gasolina, moradia. As condições econômicas, sociais e os impostos, tudo isso complica”, alega Michel.

“Mesmo neste momento de recessão aqui e no mundo todo, o interesse pelo vinil só cresce. Mais e mais artistas querem lançar nesse formato, pessoas querem comprar e ouvir. É uma questão de preservação da memória cultural. Sem dúvida, o vinil voltou a ter o seu lugar na história”, conclui Michel.

domingo, 12 de janeiro de 2020

LPS AGUARDAM PARA SEREM LANÇADOS NO FORMATO DIGITAL


Por motivos diversos, alguns discos de vinil nunca alcançaram o formato de CD, frustrando alguns e virando objetos de desejo de colecionadores


Por Mariana Mesquita 


LPs se tornam objetos raros, disputados por colecionadores, por não serem relançados pelas gravadorasFoto: Lidiane Mota/Folha de Pernambuco


Dentre os milhões de discos de vinil (LPs) produzidos ao longo dos anos no Brasil, o destino de vários tem sido cair em um total esquecimento ou servir como base para artesanato, como relógios de parede - uma triste reciclagem que faz parte da vida. Outros enfrentam o tempo, demonstram sua importância e até ganham força com o passar das décadas, tornando-se verdadeiros clássicos. 
Mas, mesmo sendo apreciados pelo público, muitos destes álbuns jamais foram relançados no formato de compact disc (CD), frustrando os fãs e se tornando objetos raros disputados por colecionadores. É o caso do primeiro disco da cantora paraibana Cátia de França, "20 palavras ao redor do Sol", de 1979. "Tem uma loja em São Paulo que está vendendo esse meu LP por mais de mil reais", se espanta ela.

Cátia de França pretende relançar seus primeiros discos em breve - Crédito: Eric Gomes/Divulgação


Os motivos para os discos não terem sido relançados são diversos, indo do mero desinteresse da gravadora ou da falta de vontade por parte do artista, chegando até a pendengas judiciais. Por exemplo: o cantor Geraldo Azevedo relançou todas as suas obras no formato CD, menos uma. "Eterno Presente", de 1988, ficou 'empacado' porque o fotógrafo Cafi, autor da capa, considerou que teria direitos extras. "Ele já tinha sido pago para fazer o LP, mas queria mais dinheiro por conta do CD. A BMG-Ariola não entrou em acordo com ele, e o disco nunca saiu por causa disso", relembra o artista.

"Eu também quis respeitar a capa linda que Cafi fez. Deu muito trabalho, estendemos um painel enorme para formar o fundo lá no campo de futebol de Chico Buarque. Tenho muito amor por aquela capa e queria que o disco saísse com ela. Agora nem sei como vai ser feito, porque Cafi morreu nesse meio tempo", lamenta. "Eterno presente" foi disponibilizado nas plataformas digitais e tem canções marcantes que até hoje são executadas, como "Sétimo Céu", regravada no disco "Grande Encontro", e "Tanto Querer", que foi incluída no novo DVD de Geraldo Azevedo.

Em outras vezes, há total interesse do artista ou da família, mas, por conta das vendas e fusões de gravadoras, há dificuldade até de detectar a quem pertence o acervo. "Diabólica Trindade", de Accioly Neto, foi lançado pela RGE após o cantor ser finalista do festival MPB 81.

"O disco teve certa repercussão e meu pai chegou a ganhar o prêmio de revelação como intérprete masculino, enquanto Zizi Possi foi o feminino", relembra Talitha Accioly, filha do artista. Mas, até o momento, ninguém demonstrou interesse em relançar o disco, motivo pelo qual a família está regravando várias das faixas em um CD tributo que será lançado em novembro. "Nossa vontade é que um dia o original seja relançado, até porque é um disco muito procurado até hoje", diz ela.


"No caso de Luiz Gonzaga, de Ângela Maria e de Nelson Gonçalves, eu penso que é desinteresse. São artistas que têm uma produção muito vasta, e então selecionaram parte dela e deixaram muita coisa de lado", opina Fábio Cabral de Mello, proprietário da loja de CDs Passadisco (www.passadisco.com.br) e pesquisador amador, nas duas acepções do termo, sobre a música popular brasileira. Fábio elaborou uma lista com 33 artistas que têm discos esperando para ser lançados em CD, e que contém nomes de destaque como Roberto Carlos, Milton Nascimento, Moraes Moreira, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro e Naná Vasconcelos.

Muitos desses LPs acabam sendo 'relançados' no exterior, de forma oficial ou não. "Já acessei um site que vendia discos meus, em moeda estrangeira. Na minha conta não entra um tostão dessas vendas", reclama Cátia de França, que vive um momento especialmente produtivo de sua carreira, após enfrentar um período de relativo ostracismo. No início do ano, ela disponibilizou toda a sua discografia nas plataformas digitais e, diante da boa resposta, está entrando em acordo com a gravadora para relançar esse material em CD. "Atualmente quando eu me apresento é lindo, a nova geração vem afiada cantado comigo. São os filhos, netos e bisnetos dos fãs que compraram meu primeiro disco em 1979", diz Cátia, emocionada.

Discos raros como "20 palavras ao redor do Sol" e "Eterno presente" alimentam um mercado paralelo, que vai de LPs sendo vendidos por valores altíssimos até a produção de discos piratas. "Um amigo comprou no Mercado Livre o CD 'A Festa', de Luiz Gonzaga, que nunca saiu nesse formato. Eu olhei e provei por A mais B que ele é falsificado", lamenta Fábio Cabral de Mello. A falsificação também alcança o mercado de LPs, que vêm sendo prensados no exterior, 'maquiados' para parecerem discos antigos e vendidos a preços astronômicos aos desavisados.


Um selo para relançar discos antigos

Segundo o empresário carioca Marcelo Fróes, do fim de 2017 até o momento, cerca de 200 LPs foram transformados em CD pelo selo Discobertas (www.discobertas.com.br). Criado por ele em 2004, o projeto vem se dedicando a fazer reedições de discos raros, caixas de discografias e outros mimos que fazem a alegria dos aficionados pela música. "Temos feito muitas parcerias com gravadoras. Primeiramente, com a Som Livre", conta Marcelo, que relança mensalmente uma média de dez álbuns.

De acordo com ele, seu trabalho tem possibilitado a disponibilização de material nas plataformas digitais, porque os discos são restaurados e remasterizados. "A gente satisfaz ao colecionador, que procura o disco físico, ao oferecer um som limpo, muitas vezes em estéreo. Nos anos 1960, muitas vezes os álbuns eram gravados em estéreo e prensados no formato mono. Quando buscamos a matriz, temos a grata surpresa de encontrar um som estéreo, às vezes desconhecido até pelo próprio artista", comenta.
Por mais de 15 anos, Marcelo viveu de propor compilações e projetos de resgate junto às gravadoras, mas, a partir do começo dos anos 2000, o mercado se retraiu e ele passou a agir por conta própria. "Quando os compact discs surgiram no Brasil, houve uma onda de relançar discos e eles vendiam muito. Hoje, isso não é realidade. As reedições atuais não vendem quase nada. Nosso selo produz pequenas tiragens, e eu consigo fazer coisas que há dez, quinze anos não faria, em muitos casos porque o empresário do artista ou a gravadora achariam que aquilo venderia milhões. É engraçado, mas a crise está facilitando as coisas. Quando a gente procura uma gravadora ou um artista, eles sabem que estamos fazendo aquilo muito mais por conta de um resgate, de uma questão cultural quase lúdica", conta.

"Eu evito fazer contas, porque tenho medo de descobrir que não estou ganhando nada com esse trabalho. Mas tenho um grande prazer em fazê-lo. Sempre procuro fazer projetos com discos que eu adoraria comprar se alguém tivesse feito antes", confessa Marcelo, que entre os vários CDs produzidos incluiu obras de pernambucanos, como o cantor e compositor Luiz Bandeira.


Obras:
- Accioly Neto – “Diabólica Trindade”
- Amelinha – “Água e luz” (84) / “Caminho do Sol” (85)
- Asas da América – Todos os volumes, com exceção do vol. 06 que foi lançado simultaneamente em CD e LP
- Banda de Pau e Corda – “Assim, assim” / “Arruar” / “Pelas ruas do Recife”
- Cátia de França – “20 Palavras ao Redor do Sol” (1979) / “Estilhaços” (1980)
- Dominguinhos – “Cheinho de Molho” / “13 de Dezembro” / “Ô Xente”, entre outros
- Fagner – “Fagner” (86)
- Flaviola – “Flaviola e o Bando Alegre do Sol” (*)
- Geraldo Azevedo – “Eterno Presente”
- Gonzaguinha – “Corações Marginais” (1988)
- Ivinho – “Ao vivo em Montreux” (1978)
- Jackson do Pandeiro – “Um Nordestino Alegre” / “Alegria Minha Gente” / “Nossas Raízes”
- João do Vale – “O Poeta do Povo”
- Luiz Gonzaga – “O Canto Jovem de Luiz Gonzaga” / “Sertão 70” / “Aquilo bom”
- Lula Côrtes – “O Gosto novo da Vida”
- Lula Côrtes & Lailson “Satwa” (*)
- Lula Côrtes & Zé Ramalho – “Paebiru” (*)
- Marconi Notaro – “No Sub Reino dos Metazoários” (*)
- Marinês & Sua Gente - Tô chegando (1986) / Desabafo (1982) / Estaca Nova (1981).
- Moraes Moreira – “Bazar Brasileiro” (80) / “Moraes Moreira” (81) / “Coisa Acesa” (82) / “Pintando o Oito” (83)
- Naná Vasconcelos – “Amazonas”
- Nando Cordel – “Folha, rama, cheiro e flores” / “Estrela afoita”
- Quinteto Violado – “Berra Boi” / “A Feira” / "Pilogamia do Baião"
- Robertinho de Recife – “Robertinho no Passo” / “Satisfação”
- Roberto Carlos - "Louco por você" (disco de estreia)
- Terezinha de Jesus (Todos os álbuns)
- Tetê Espíndola e o Lírio Selvagem – “Tetê e o Lírio Selvagem” (1978)
- Trio Elétrico Dodô & Osmar – “Jubileu de Prata” / “É a massa” / “Bahia, Bahia, Bahia”
- Trio Nordestino – “Aqui mora o xaxado” / “Corte o bolo” / “É forró que vamos ter”
- Zé da Flaute & Paulo Rafael – “Caruá”
- Zé Geraldo – “Zé Geraldo” (1981)
- “1° Cantoria da Música Nordestina”
- “Ao Vivo em Montreux” – Elba Ramalho / Toquinho / Moraes Moreira
- “Ao Vivo em Montreux” – Alceu Valença / Milton Nascimento / Wagner Tiso

BONDE ALEGRIA - ÍRIS BRUZZI

sábado, 11 de janeiro de 2020

ALMANAQUE DO SAMBA (ANDRÉ DINIZ)*

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Prefácio à segunda edição


O papa do modernismo brasileiro, o escritor, pesquisador e musicólogo Mário de Andrade, dizia que colocamos um ponto final em um livro justamente para saber onde estão os possíveis erros. Esta nova edição do Almanaque do samba incorpora parte das críticas que o livro recebeu, extremamente procedentes.

Assim, dentre outras coisas, o capítulo “O samba das escolas” foi ampliado, dando maior espaço à história do Salgueiro e examinando em mais detalhes as escolas de samba paulistas. Com isso, as informações socioculturais sobre a cidade de São Paulo foram redimensionadas.

A cronologia e a bibliografia tiveram correções e inclusão de novos dados.

Organizei ainda comentários sobre os instrumentos do samba e fiz uma nova seção, “O que ver?”, com indicações de filmes, abrindo o universo da sétima arte para o leitor conhecer mais sobre o samba e a música popular.

Quanto à iconografia, acrescentei novas fotos, como as de Donga, Gonzaguinha, Grupo Fundo de Quintal, Almir Guineto, Zeca Pagodinho, e compositores da escola de samba Salgueiro. E, claro, incluí também os músicos da “terra da garoa” que agora estão aqui retratados, como Paulo Vanzolini, Germano Mathias e Toquinho.

Felizmente, com cerca de cinco meses de vida, este Almanaque do samba recebe a revisão para a segunda edição. A receptividade da imprensa e dos amantes do gênero possibilitou que o livro chegasse mesmo à lista dos mais vendidos no país; portanto, eu não poderia terminar este novo prefácio sem agradecer àqueles que contribuíram com críticas e observações para torná-lo mais completo. São eles: os jornalistas Luiz Fernando Vianna, Carlos Calado, André Luiz Mansur e Ailton Magioli; as pesquisadoras Leide Câmara, do Rio Grande do Norte, e Eulália Moreno; os leitores que contribuíram com observações pertinentes e, finalmente, mais uma vez, Diogo Cunha, vulgo Pagodinho, Rita Jobim e Juliana Lins, seis mãos que representam minha borracha e minha escrita. A todos, obrigado.


André Diniz




 • PREFÁCIO •
O SAMBA, A PRONTIDÃO E OUTRAS BOSSAS




Uma viagem ao mundo do samba, com direito a parar em todas as estações ligadas direta ou indiretamente ao gênero, é o que o leitor vai encontrar nesta importante obra de André Diniz. O Almanaque do samba navega do lundu ao pop-rock, passando pela canção de protesto, pelos festivais, pelo pagode paulistano e por outras tantas bossas. Ninguém escapou da profunda pesquisa que fez o autor.

As mais importantes figuras do samba foram objetivamente biografadas: compositores, intérpretes e personagens. Antológicas histórias, revelações e curiosas análises também serão encontradas nesta obra. E, claro, não há de faltar polêmica. Os puristas do gênero podem até chiar aqui e ali. Nada que um “samba bom”, um botequim e uma loura gelada não curem. Assim é o espírito do samba, objeto de muitas opiniões. E opinião é o que não falta a André Diniz.

Um autêntico pensador, contestador e militante do samba. Escreve com a propriedade de quem entende suas vísceras. Presença assídua em todas as rodas, vai a todos os pagodes da cidade. Há até quem diga tê-lo visto simultaneamente em várias rodas de samba. Fidelidade partidária de verdade! 

Mas o Almanaque do samba não pára por aí. Além de apresentar uma ampla abordagem do tema, contém uma belíssima bibliografia (com direito a comentários do autor), com indicação de dicionários, revistas, teses e ensaios, uma relação de lugares onde o samba acontece – não só no Rio de Janeiro, como também em várias cidades do Brasil –, e uma série de outras informações que farão do leitor um verdadeiro conhecedor do assunto. Trata-se de um estudo completo e bem cuidado, que inclui, ainda, uma apaixonada discografia, elaborada pelo colecionador e amante do samba Flavio Torres. É luxo só!

Pontuando o texto, o leitor encontrará “boxes” recheados com deliciosas curiosidades, pérolas do nosso cancioneiro, histórias, lendas e informações sobre contextos históricos e costumes de época. Tem até a receita original de rabada com agrião! O livro ainda inclui uma primorosa seleção de imagens que ajudam a completar a viagem.

Com todo esse material e com o amplo roteiro apresentado neste Almanaque do samba, ficará fácil encontrar, ouvir e desfrutar o melhor do universo do gênero. E com uma grande vantagem: sem precisar de muito dinheiro no bolso. 

O que explica a inclusão da palavra “prontidão” colocada no título deste prefácio.

Para quem não sabe, é uma antiga gíria carioca que significa estar sem dinheiro, estar na pindaíba. Noel Rosa tinha toda a razão quando afirmou que o samba, a prontidão e outras bossas são nossas coisas, são coisas nossas.

João Carlos Carino*
Rio de Janeiro, novembro de 2005

_____________
* João Carlos Carino é produtor musical e apresenta o programa Roda de Choro na Rádio MEC do Rio de Janeiro.





* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

CARMEN COSTA, 100 ANOS

A primeira diva negra da música brasileira, se estivesse viva estaria completando 100 anos.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

UM CAFÉ LÁ EM CASA

DIA VOA - DOCUMENTÁRIO CHICO BUARQUE

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*




Canção: Boi da cara preta

Composição: Adaptação de Aloysio de Alencar Pinto e Marcus Vinícius

Intérprete - José Tobias 

Disco - Acalantos Brasileiros - Discos Marcus Pereira


* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL

As 10 músicas mais tocadas nos rádios do Brasil no ano de 1920, há exatos 100 anos, foram:

01 - Fala Meu Louro - Francisco Alves
02 - Quem Vem Atrás Fecha a Porta - Bahiano & Izaltina
03 - Caboca Bunita - Mário Pinheiro
04 - Pois Não - Orquestra Eduardo Souto
05 - Juanita - Emilio DeGogorza
06 - Bê-A-Bá - Careca
07 - O Pé de Anjo - Francisco Alves
08 - Alivia Esses Olhos - vários intérpretes
09 - Fechei o Meu Jardim - Mário Pinheiro
10 - Já Te Digo - Grupo de Caxangá

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

BAÚ DO MUSICARIA




A exatamente cinco anos, esta era uma das matérias que estava sendo publicada em mês como este em nosso espaço:



Link para relembrar a matéria:

DAVID NASSER, 40 ANOS DE SAUDADES...

Por Antonio Neves


David Nasser ficou conhecidíssimo no Brasil como jornalista da revista O Cruzeiro. Foi também compositor e escritor. Em sua biografia a Wikipedia publica trechos interessantes a respeito dele, como este:

http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Nasser

“Em 1944 viajou para Pedro Leopoldo, junto com Jean Manzon, com o intuito de entrevistar Chico Xavier. À época, a viúva de Humberto de Campos movia uma ação contra a Federação Espírita Brasileira e Chico Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que se a obra psicografada Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho “era ou não do ‘Espírito’ de Humberto de Campos”, e que em caso afirmativo, que ela obtivesse tivesse os direitos autorais da obra. Como Nasser não conseguia ser atendido por Chico Xavier, ele e Manzon usaram nomes falsos e fingiram ser estrangeiros, o que também acharam que serviria para testar se de fato o médium se comunicava com espíritos.

David Nasser e Jean Manzon fizeram uma reportagem não muito simpática com o extremamente retraído médium Chico Xavier, a qual foi publicada em “O Cruzeiro“4 ; todavia, quando Nasser e Manzon chegaram em casa após a reportagem, tiveram uma surpresa, como relatou Nasser numa entrevista à TV Cultura em 1980: “De madrugada, o Manzon me telefonou e disse: ‘você já viu o livro que o Chico Xavier nos deu?’. Falei que não. ‘Então veja’, ele falou. Fui na minha biblioteca, peguei o livro e estava escrito exatamente isso: ‘ao meu irmão David Nasser, de Emmanuel’. Ao Manzon ele havia feito uma dedicatória semelhante. Por coisas assim é que eu tenho muito medo de me envolver em assuntos de Espiritismo”5 . “

Como escritor, publicou inúmeros livros. Uma pesquisa rápida na Estante Virtual (livros usados) mostra alguns de seus títulos, inclusive este, mencionado algumas vezes aqui no blog do Nassif:

http://www.estantevirtual.com.br/qau/david-nasser


David Nasser é autor de várias letras de músicas, inclusive desta:

http://letras.mus.br/planet-hemp/79168/

Nega do Cabelo Duro


Ondulado, permanente
Teu cabelo é de sereia
E a pergunta que sai da mente
Qual’é o pente que te penteia?…

Quando tu entra na roda
O teu corpo bamboleia
Minha Nêga meu amor
Qual’é o pente que te penteia?…

Teu cabelo a couve flor
Tem um “que” que me tonteia
Minha nega, meu amor
Qual’é o pente que te penteia?
Misamplia a ferro e fogo
Não desmancha nem na areia
Toma banho em Botafogo
Qual’é o pente que te penteia?…

Nêga do Cabelo Duro
(Oh minha Nêga!)
Qual’é o pente que te penteia?
(Qual’é o pente!)
Qual’é o pente que te penteia?
(Qual’é o pente!)
Qual’é o pente que te penteia?
Oh! Nega!…(2x)

…………………

Mais composições de autoria dele, em


http://everaldofarias.blogspot.com.br/2012/03/os-compositores-do-brasil-46.html

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