PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

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QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 25 de novembro de 2012

A PROFÍCUA E SIMPLÓRIA SONORIDADE DA DINDA

O grupo carioca formado pelos núsicos João Bernardo (voz), Beto Callado (guitarra), Marcelo Cardoso (guitarra), Rodrigo Jardim (baixo) e Matias Zibecchi (bateria), a Banda Dinda apresenta seu primeiro álbum e colhe os frutos do sucesso cibernético.

Por Bruno Negromonte


A partir da década de 30, a referência para o sucesso de um cantor ou banda era medido através das ondas sonoras das rádios com os seus programas de auditório e por artistas que geralmente interpretava as canções de outros artistas, como era o caso de cantores como Orlando Silva, Francisco Alves e a pequena notável Carmem Miranda. Esse parâmetro perdurou até a chegada e popularização da televisão no Brasil a partir da década de 50 através da iniciativa do paraibano Assis Chateaubriand que trouxe como consequência os festivais musicais que acarretaram o lançamento de tantos nomes nas décadas de 60 (Chico Buarque, Caetano Veloso, Mutantes, Tom Zé, Geraldo Vandré, Elis Regina e tantos outros), 70 (Carlinhos Vergueiros, Djavan, Walter Franco, Jards Macalé e mais alguns) e, em uma menor proporção, os anos 80 com nomes como por exemplo Leila Pinheiro, que brilhantemente defendeu a canção "Verde" (Eduardo Gudin e José Carlos Costa Netto) no festival dos festivais em 1985.

A partir dos anos 90 com a popularização da internet as coisas ganharam outra conotação. A popularidade hoje se dá a partir das redes sociais e exibições em sites diversos, principalmente se nos referirmos a artistas e grupos em início de carreira tal qual a banda que aqui me refiro, prova disto são as mais de 200 mil exibições no youtube e os milhares compartilhamentos no facebook com o clipe "Queria me enjoar de você", vídeo gravado de modo despretensioso no aniversário de um dos integrantes do grupo, João Bernardo, e jogado na internet pouco tempo depois ganhando rapidamente o gosto popular como se atestou pelos números citados anteriormente. O material consiste na exibição das pessoas presentes na confraternização entoando quase todos a canção que dá título ao vídeo de modo bastante informal à base de caipirinhas e sorrisos ao longo dos cerca de 6 minutos. Dentro desses novos parâmetros de medição, pode-se considerar a banda Dinda (nome dado ao grupo em homenagem a madrinha do vocalista João Bernardo) como dona de um sucesso  relevante no atual contexto cibernético musical brasileiro. 



A banda surgiu da decisão do cantor e compositor João Bernardo sentir a necessidade de estar junto com outros músicos fazendo algo mais coletivo (desde as composições até os arranjos), do desejo cantor e compositor incorporar uma rotina diferente para a sua carreira artística adotando um espírito de banda, diferente daquilo que estava acostumado: músicas e arranjos próprios e músicos para acompanhá-lo sem nenhuma intervenção nas letras e melodias. Daí surgiu a oportunidade de juntar-se a outros nomes como Beto Callado (guitarra e compositor, além de ter o projeto paralelo intitulado Cubo Branco)Matias Zibecchi (baterista e também integrante dos grupos Bondesom e Orquestra de Conga), Marcelo Cardoso (guitarrista e renomado professor de música, que lecionou para toda uma geração de músicos cariocas),  além do baixista Rodrigo Jardim e do Pedro Mangia (baixo e teclados) que chegaram a passar banda em outra oportunidade formando assim a banda Dinda desde meados de 2009.

A cerca de um ano a banda lançou o primeiro álbum com o nome "Ano que vem eu vou ser na avenida o palhaço que eu fui na sua vida", título extraído da marchinha "O amor vem de longe",  composição do João Bernardo que de modo análogo aborda o carnaval com o final de um relacionamento mal sucedido. 

A balada "Queria me enjoar de você" (João Bernardo), que virou o principal "hit" da banda, acabou no álbum ganhando o reforço de sopros, bateria, teclados e outros instrumentos, criando uma sonoridade diferente da presente no videoclipe, onde a canção é apresentada apenas com voz e violão; além do que dos 6:38 minutos presentes no registro videográfico a canção agora é apresentada em pouco mais que 4 minutos. O disco continua com faixas que retratam o amor com uma leveza peculiar tal qual "Dinda" (parceria entre João e Piero Grandi que retrata o amor de modo pueril e cativante), "Cobra com asa" (parceria de Bernardo com a cantora e compositora carioca Ana Clara Horta), "Um túnel no fim da luz" (faixa norteada pelo tradicional funk americano e que deixa como mensagem que "Ninguém mata a sede bebendo mágoa...". Esta canção faz parte da lavra de composições solo do João). Outras canções assinadas apenas por João Bernardo são "Sereia movediça", "Demorou mas foi rápido" e "Amor amora", esta última conta com a participação da pequena Maria MirandaO disco ainda traz mais três faixas do mentor do projeto com Betto Callado, são ela "Vem de Minas", "Carrossele "Flor da noite"



Em síntese, pode-se afirmar que a banda traz consigo uma despretensiosa diversidade musical que acaba fazendo de sua abrangente sonoridade algo muito peculiar, demostrando que a leveza  e simplicidade podem nortear diversos estilos sem que estes percam a qualidade nessa obra que foge da complexidade sonora sem perder a excelência. Vale salientar que o idealizador do projeto vem de dois álbuns solo (Mergulho e Vende peixe-se)  e chega neste projeto assinando (em parceira ou de modo individual) todas as onze canções presentes no disco como vocês observaram, mostrando, ao seu modo, uma grande diversidade de ritmos e letras despretensiosamente agradáveis. E esse agradável passeio contou com Philippe Leon (projeto gráfico), Rogério Von Krüger (fotos e vocal), Luiz Tornaghi (masterização) e Lc Varella (produção, efeitos, mixagem e gravação), além da sonoridade dos integrantes do projeto em parceria com nomes como Ricardo Rito (teclados), Yuri Villar (sax tenor e flauta), Bruno Dilullo e Luisa Corrêa (nos vocais).

Então é isso. Com este novo parâmetro de medição para o sucesso com o advento da internet, a Dinda mostra-se não só inserida de modo exitoso nisto tudo, mas também traz consigo uma profícua sonoridade neste caldeirão de ritmos que eles souberam condensar como poucos e hoje classificam o som que fazem como pop. Vale destacar que o mais interessante é que nesta constituição há imbuído um proveitoso paradoxo: a extrema simplicidade das letras e melodias, sem deixar se perder uma qualidade inerente aos grandes trabalhos fonográficos, e é claro que isso acaba destacando a banda dentro do cenário musical como um todo, principalmente no contexto musical indie carioca. Isso mostra que eles são possuidores de relevantes adjetivos, mostrando que não vem à toa toda essa notoriedade, eles são merecedores deste destaque. Vida longa à candura sonora da Dinda!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MIRIAM BEZERRA - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Caiçara do litoral santista, a cantora e compositora Miriam Bezerra mostra em seu álbum de estreia intitulado "... E que a tristeza seja chuva" toda a versatilidade que já a fez vencer importantes prêmios teatrais em sua carreira.

Por Bruno Negromonte


Impregnada de brasilidade, Miriam Bezerra faz suas melodias permearem de modo sutil pela rica sonoridade existente neste nosso país-continente e traz principalmente o amor como regente de suas letras, composições estas que apresentam-se com uma característica bastante peculiar: um lirismo exacerbado. Diferenciando-se de muitas do gênero, Miriam apresenta de modo pleno tanto em suas letras consistentes quanto nas delgadas melodias, característica inerente a algumas das grandes artistas de nossa música popular brasileira como vocês puderam conferir a apresentação da artista em nosso espaço na matéria intitulada "QUANDO OS SENTIMENTOS SE LIQUEFAZEM EM UM MAR DE TÊNUES MELODIAS". Nesta conversa Miriam revela-nos um pouco sobre as influências que a música nordestina exerce em sua obra e sobre o momento que percebeu que era preciso dar um basta em sua timidez para realmente seguir a carreira que hoje abraçou. Além das agruras em fazer música independente no Brasil como vocês podem conferir no bate-papo exclusivo a seguir. Boa leitura!


Você que vem de uma família numerosa e aparentemente propensa à música, deve ter diversas “lembranças sonoras” de sua infância. De todos os irmãos só você seguiu a carreira artística? Quais as reminiscências musicais mais claras existentes em sua memória? 


Miriam Bezerra - Realmente, minha família é muito numerosa. Gostos e vontades diversas. A constatação inicial é que todos nós, de certa forma, éramos “cantores”. Nossa infância foi muito marcada pela música. Todos nós realizávamos nossas tarefas domésticas, cantando! Eu achava isso muito natural e imaginava que a casa de todo mundo “funcionava” dessa maneira! Quando adulta descobri que nem toda família era assim. A música estava sempre presente em nossa casa, e isso era muito particular, ela estava lá, apesar das “botas”, “fardas” e “armas” de meu pai. Minha mãe gostava de cantar canções de roda de sua infância. Meu pai, maestro da banda militar, gostava de ouvir frevos e boleros. Certo dia, nos surpreendeu, com um gravador e uma fita cassete de “Santo Morales e Seus Boleros”! Nosso grande prazer era ouvir aquela fita milhões de vezes... toda noite... até o sono chegar. Eu passei a amar boleros. Numa outra vez, nos deu a cada uma, um rádio portátil. Foi aí, que eu enlouqueci com a música. O rádio desempenhou um papel importantíssimo na minha descoberta da música e sua amplitude. Essa é a minha principal lembrança... o prazer de estar embaixo das cobertas... no escuro... ouvindo toda a música que quisesse! 

Só eu segui a carreira da música, mas, tenho outros irmãos artistas. Um é artista plástico, o outro, já falecido, era um grande carnavalesco. Vários outros, esporadicamente, em algum momento, se envolveram com teatro e música. 


Culturalmente falando o Nordeste sempre teve uma grande relevância no cenário cultural do nosso país. De certo modo você bebeu da fonte da cultura desta região através de seus pais, que como nordestinos trouxeram consigo um pouco dos ritmos e peculiaridades particularmente de Pernambuco e da Paraíba. O que hoje você destaca em sua sonoridade que tenha sido contribuição dessa “osmose” cultural? Principalmente na sonoridade de "E que a tristeza seja chuva". 

MB -  Meu pai me fez conhecer e amar Luiz Gonzaga, Sivuca, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. Eles, para mim, são o Nordeste. Minha mãe trouxe as cantigas de roda, com forte influência portuguesa, além dos costumes, dos bordados e das bruxinhas de pano que confeccionava. Meu irmão, artista plástico, era também jornalista e ativista político. Através dele mergulhei na literatura e cultura do mundo. Ele, inicialmente, trabalhava na editora “Abril Cultural” e isso trouxe a relação apaixonada com os livros e discos. Ele tinha, além de milhões de livros, uma grande coleção de discos, fascículos, que contavam a história da musica popular brasileira. Isso foi muito marcante pra mim. Era bem pequena e me deliciava, ouvindo e lendo a vida dos compositores brasileiros. E foi através dele, também, que conheci Elomar, o príncipe da caatinga, como já disse Vinícius. Essa grande mistura, essa “osmose” cultural, como você diz, foi marcante no sentido de me despertar o gosto pela música do Brasil. Eu costumo dizer, com muito orgulho, que fiz um disco de “música brasileira”. A delicadeza, a inocência da infância, suas imagens, o singelo... a roça, as festas, o sertão, a vida dos meus pais... está tudo ali em letra e melodia. 


Outra característica que consta em sua biografia é que devido a timidez você sempre procurou esquivar-se do palco. Qual foi o momento que você percebeu que era preciso dar um basta nessa situação e ir de encontro ao seu desejo? 

MB -  Primeiramente, subi no palco através do teatro. O que foi difícil, mas é muito mais fácil que cantar. No teatro você tem o apoio de um personagem construído, que lhe dá base e segurança. Na música, você está desnudo, sem nada que lhe proteja. Cantar é estar exposto em seus sentimentos mais íntimos. Sempre costumo dizer que cantar, dói. Dói muito... dói fundo. Mas, passada essa dor, vem uma sensação tão grande de prazer, que é indescritível. Ainda que eu sofra, todas as vezes que tenha que subir num palco, eu volto, sempre, à procura desse prazer, desse contentamento. O desejo de cantar subverteu minha timidez, quando percebi que precisava dar um salto e voar mais alto. De certa forma, foi uma cobrança minha. Sendo tímida sempre me cobrei demais. Num determinado momento, uma situação me exigiu, amigos me “forçaram”, a vida mostrou o caminho e a oportunidade. Era agarrar e seguir, ou, deixar passar e me afundar em tristezas. Com certeza, escolhi a melhor opção. 


Fazer música de qualidade no Brasil não é fácil. Os grandes canais midiáticos priorizam aquilo que os propicia um retorno de audiência (e consequentemente financeiro) imediato deixando a qualidade à margem do público. Você como artista que se encaixa neste perfil independente deve vir passando por diversas adversidades neste processo de divulgação e afirmação enquanto cantora e compositora. Quais as maiores dificuldades encontradas até agora? 

MB -  Olha... as dificuldades são enormes e desanimadoras. Eu diria que até agora, só conheci as dificuldades. Fazer música de qualidade no Brasil, hoje, é mergulhar num processo de profunda solidão. Isso, é claro, quando não se tem dinheiro, ou, apoios, como no meu caso. Fiz meu disco inteiro, juntando economias e lutando para cumprir todas as etapas, da melhor forma possível. As pessoas não têm noção do quanto é trabalhoso gravar um disco. Pagar e cuidar de ensaios, estúdio, músicos, mixagem, masterização, capa, fotos, prensagem, além de “fazer” as canções, é extremamente custoso e desgastante. E quando você se vê com caixas e mais caixas de Cd's a sua frente, vc entra em desespero pensando... e agora? O que é que eu vou fazer? Você tem que cuidar de tudo e isso, às vezes, faz enlouquecer, faz querer desistir. Vc já tem o seu Cd pronto e ainda tem que lutar. Agora, pra conseguir um espaço e mostrar o seu trabalho. Tudo envolve dinheiro e posição. No meu caso, sou uma ilustre desconhecida. É difícil conseguir uma data em um teatro e ter que arcar com despesas de músicos e técnicos. E se você pretende um show mais elaborado, com cenário e figurino, um bom roteiro... a coisa se complica mais ainda. 


Em um país onde tradicionalmente a grande maioria das cantoras são intérpretes, você se destaca também como compositora. Como se dá seu processo de composição? 

MB -  Em verdade, sou uma compositora, antes de tudo, intuitiva. Sinto a música, ela se faz dentro de mim, dentro da minha cabeça e da minha emoção. É como se ela já existisse, estivesse lá... pronta... só esperando o momento de ser revelada. Não foi feita por mim...eu só a transformei em palavras e sons. Faço letra e melodia juntas... sempre apoiada por um fiel gravador. Às vezes uma conversa, uma palavra, uma cena, um poema, uma lembrança...e lá vem o encadeamento, a ideia, a canção. Registro e depois ouço. Daí vou lapidando, trabalhando, melhorando. Amo as palavras, procuro sempre valorizá-las. Melodia e letra têm que se casar com grandeza. Toda letra é poesia. Toda melodia é encanto. 


É inegável que você tem uma forte ligação com o teatro, particularmente na composição da trilha sonora de alguns espetáculos com as quais você ganhou prêmios relevantes como o "Prêmio Pagu" e o "Prêmio Estadual Plínio Marcos. Fale-nos um pouco sobre essa relação com as artes cênicas e como ela contribui (ou inspira) o seu universo musical. 

MB -  Na verdade, a base de tudo é a literatura. Sou alguém que leu muito, desde menina. A leitura nos dá a amplitude e grandeza suficientes para pensar e refletir o mundo e a vida. A literatura me deu o gosto pela palavra, me fez ser alguém politizada, questionadora. As palavras me deram sensibilidade e me fizeram ser amante das artes. Amo escrever, amo cinema, teatro, música, pintura. Quando criança era modelo vivo, pro meu irmão. Ficava horas e hora imóvel, sentada, pra que ele pintasse “suas ideias”. A arte e a vontade dela, sempre foi o centro de tudo. Fazer teatro foi uma conseqüência. Através dele acabei me encantando e fazendo faculdade de Artes Cênicas. Quando comecei a cantar, foi inevitável juntar tudo. Em alguns espetáculos me pediam para cantar. Às vezes, meu personagem cantava em cena, outras vezes, gravava as canções dos personagens em estúdio. Daí, uma vez, recebi um convite para compor as músicas de um espetáculo infantil. Foi o primeiro passo, comecei a gostar e segui fazendo isso por muito tempo. O teatro e a vida caminham juntos. Vejo a vida como uma grande encenação, uma seleção de cenas. Algumas alegres, outras tristes, aquelas que não gostaríamos de ter vivenciado. Mas tudo é experimento e experiência. A música desse grande espetáculo fazemos todos os dias. 


Você acha que este êxito e reconhecimento nas artes cênicas é algo que contribui de algum modo para o sucesso dessa estreia no universo fonográfico ou sua responsabilidade acaba tornando-se maior devido à bem sucedida carreira de compositora de trilhas sonoras? 

MB -  Vejo aí uma dualidade. De certa forma, a experiência teatral ajuda, mas, ao mesmo tempo, faz a cobrança ser maior. Na verdade, são realidades diferentes. As experiências são complementares, mas os caminhos são independentes e exigem, cada qual ao seu modo, uma intenção e uma dedicação diferente. Fazer uma trilha sonora é participar de um projeto, fazer parte de uma engrenagem que já está pronta. Fazer um disco, fazer canções, é passar por um processo mais individualizado e, também, solitário. Minhas trilhas foram muito elogiadas, muito bem recebidas. Abrilhantaram e enriqueceram os espetáculos de outros profissionais. Meu Cd, até aqui, tem sido muito elogiado. As pessoas me abordam dizendo que amam determinadas canções, se identificam com aquele sentimento exposto, se emocionam. Em ambas as experiências, me sinto uma privilegiada, pois toquei o coração de alguém. 


Quais as contribuições que você poderia destacar como relevante depois de sua passagem por alguns grupos, dentre os quais os “Trovadores Urbanos”, que refletem-se em sua carreira solo? 

MB -  Os Trovadores Urbanos desenvolvem um projeto maravilhoso. Quando fui convidada a trabalhar com eles, inicialmente, não me senti capaz. O diferencial é que, além de “atuar” e cantar, na cena da serenata, e você ainda tem que entrar em uma casa e cantar diretamente para alguém. Você não sabe a emoção que vai encontrar ali. Não imagina como vai ser recebido. Parece simples, mas é algo poderoso demais. Você se vê diante de todo tipo de pessoa, todo tipo de situações. Isso me fez crescer muito. Você canta na festa, rodeada por emoção e alegria, mas também canta num leito de hospital, cercada de dor e lágrimas. É muito emocionante e, ao mesmo tempo, você tem que conseguir dosar essa emoção. Essa experiência me fez mais forte, mais segura. Me deu a noção exata da grandeza e do poder da música. A música transforma. 


O álbum "E que a tristeza seja chuva", tem por característica a sutil abordagem a diversidade sonora existente em nosso país e letras que prezam pelo requinte e lirismo como podem observar aqueles que tiveram a oportunidade de ouvi-lo. Como se deu a seleção do repertório? 

MB -  A seleção se deu de maneira bem natural. Tinha várias composições que queria gravar, mas nem todas poderiam entrar o mesmo Cd. Fui gravando uma a uma e tentando compor um universo, uma estória. Automaticamente, muita coisa ficou de fora, guardada, para um próximo trabalho. 


Como tem sido a receptividade do público nos locais por onde você tem levado "E que a tristeza seja chuva"? 

MB -  A melhor possível. E isso tem me feito muito feliz! Até aqui só recebi elogios. As canções despertam os sentimentos mais puros. Eu falo de amor, falo da delicadeza, do que é simples, do que é verdadeiro. Acredito que, hoje, diante da realidade tão dura que vivemos, as pessoas estão carentes disso. Tendo de corresponder a modelos sociais e expectativas, acerca do que venha a ser o indivíduo “bem sucedido”, as pessoas estão se perdendo de seu lado humano, infantil, amoroso. A minha música procura mostrar a necessidade de deixar que esses sentimentos primeiros, da criança, do sonho, da descoberta, do amor... falem mais alto e nos resgatem da escuridão. E que a tristeza seja chuva... lavando nossa alma e levando embora nossas dores. 


Maiores Informações:


O álbum pode ser adquirido através dos seguintes endereços: 
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

PAULINHO DA VIOLA, 70 ANOS

Hoje, 12 de novembro, é aniversário de um dos maiores nomes do samba brasileiro, artista este que entra para o time dos "setentões" em 2012 tal qual Caetano, Gil e Benjor.



Filho de violonista, Paulinho da Viola cresceu num ambiente musical. Sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio de Janeiro - onde nasceu em 12 de novembro de 1942 - foi regada por muita música e histórias. 



Naquela época, não havia muitas opções de brinquedos industriais para as crianças de classe média baixa, Paulinho e seus amigos tinham que usar a imaginação para se divertir. O jogo de botão era feito de coco, a bola de futebol era feita de meia e quando a rádio-patrulha não estava por perto a garotada jogava no meio da rua Pinheiro Guimarães improvisando um campo, prática impensável nos dias de hoje devido ao grande movimento de automóveis. 

Na casa onde morava, nessa mesma rua, viviam seus pais, suas avós, seu irmão e sua madrinha. Uma casa pequena e simples, até hoje de pé, situada numa vila como tantas outras do bairro. 

A história musical de Paulinho começa com seu pai – Benedicto Cesar Ramos de Faria – violonista integrante desde a primeira formação do lendário grupo de choro Época de Ouro, considerado o maior grupo de choro da história, ainda em atividade. Cesar tocava no grupo mais por vocação e prazer do que por necessidade. Para manter a família, trabalhava como funcionário da Justiça Federal. Músicos como Cesar, mais do que nunca, estavam liberados de modismos e exigências do mercado, faziam música por prazer e vocação. 

O jovem Paulinho não perdia as oportunidades de acompanhar o pai e desse modo presenciou importantes reuniões musicais, algumas em sua própria casa. Nesses encontros, viu tocar músicos como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Tia Amélia, Canhoto da Paraíba e muitos outros. Em pouco tempo já tentava os primeiros acordes no violão do pai. 

Ainda jovem, por diversas vezes, foi por conta própria às reuniões promovidas por Jacob do Bandolim, o maior virtuose do instrumento no país, lá ficava atento aos encontros musicais e as histórias do grande mestre. Mesmo com toda essa experiência, a profissão de músico era algo que Paulinho não imaginava estar no seu caminho, já que até grandes ícones da música brasileira como o próprio Jacob não viviam exclusivamente de sua arte. 

Além de manter contato com o mundo do choro, na sua juventude Paulinho freqüentava a casa de sua tia Trindade no bairro de Vila Valqueire, no subúrbio da cidade. Lá, brincou diversos carnavais, uma experiência marcante para sua formação como sambista. 

As escolas e os blocos carnavalescos representavam geograficamente cada região da cidade. Paulinho criou junto com seus amigos o bloco Foliões da Rua Anália Franco, para representar a rua onde morava sua tia. A escola de samba União de Jacarepaguá, localizada perto dali, estava crescendo e convidou os jovens foliões para integrar o seu conjunto. Foi o primeiro contato de Paulinho com uma escola de samba. Logo na quadra desta escola, Paulinho apresentou um de seus primeiros sambas, chamado “Pode ser Ilusão”. Ilusão não era, começava sua história como sambista. 

Logo após completar 19 anos, Paulinho consegue seu primeiro emprego numa agência bancária, no centro do Rio. Lá viveria um encontro que o levaria a um outro universo e mudaria sua vida.



Sentado à sua mesa de trabalho, no início do ano de 1964, Paulinho vê alguém ser atendido por outro funcionário e nota que já o conhece de algum lugar. Num impulso incomum para um jovem tão tímido, aproxima-se e puxa assunto. Acabaram concordando que já se conheciam da casa de Jacob, numa daquelas reuniões de choro. O poeta Hermínio Bello de Carvalho, então reconhecido, convida Paulinho para visitá-lo em seu apartamento no Catete. Na casa de Hermínio, Paulinho tem a oportunidade de ouvir, pela primeira vez, através de gravações, sambas de compositores como Zé Ketti, Elton Medeiros, Anescar do Salgueiro, Carlos Cachaça, Cartola e Nelson Cavaquinho. Depois arriscou mostrar alguns dos seus. Logo surgiram as primeiras parcerias do jovem compositor com o jovem poeta - mais precisamente duas: Duvide-o-dó, gravada por Isaurinha Garcia anos depois e regravada recentemente no disco Sinal Aberto, com Toquinho; a outra, uma valsa chamada Valsa da Solidão, gravada por Elizete Cardoso em um disco produzido por Hermínio não comercializado.

Dessa amizade com Hermínio nasce uma longa parceria e também o convite para conhecer o Zicartola, um restaurante do sambista Cartola e sua mulher, dona Zica, localizado na tradicional rua da Carioca, onde artistas, jornalistas, intelectuais e outras pessoas se reuniam para ouvir Cartola, Zé Ketti, Elton Medeiros entre outros. Neste restaurante, Paulinho começou a se apresentar tocando composições suas e de outros autores. Um dia, Cartola se aproxima dele e diz: “Paulo, você está vindo aqui, usando seu tempo para tocar e não esta ganhando nada. Tome aqui um dinheiro pra “passagem”. Era um pagamento, sutilmente colocado por Cartola. Foi o primeiro pagamento que Paulinho recebeu por sua música, justo das mãos de Cartola. Pode-se dizer então, que Cartola o profissionalizou. 

Incentivado por Zé Ketti, Paulinho começou a compor mais e a pensar em mostrar seus sambas para possíveis intérpretes. Junto com Oscar Bigode, o próprio Zé Ketti, Anescar do Salgueiro, Nelson Sargento, Elton Medeiros e Jair do Cavaquinho, Paulinho deixou alguns sambas registrados numa gravadora da época, a Musidisc, com a esperança de que algum intérprete pudesse gravá-los. Não demorou muito e por sugestão de Luís Bittencourt, diretor musical da casa, eles formaram o grupo A Voz do Morro, gravando seus sambas no primeiro disco do grupo, Roda de samba de 1965. Durante a gravação deste disco, um funcionário da gravadora perguntou a cada um dos integrantes do grupo pelos seus nomes, na sua vez Paulinho responde: “Paulo César”. E o tal funcionário: “Isto não é nome de sambista”. Posteriormente, Zé Ketti leva o fato para Sérgio Cabral que transforma a história em nota publicada num jornal com a solução do problema. Nascia Paulinho da Viola. 

O sucesso do conjunto A voz do Morro rendeu mais dois discos. O segundo, Roda de Samba volume 2, foi lançado no mesmo ano de 1965 e o terceiro, Conjunto A Voz do Morro – Os Sambistas, foi lançado no ano seguinte. 



Ainda no ano de 1965, Elizete Cardoso, uma das maiores cantoras do país, gravou “Minhas Madrugadas”, de Paulinho e Candeia, no disco Elizete Sobe o Morro. Paulinho acompanhou a gravação com o seu jeito típico de tocar violão e Elton Medeiros se encarregou de usar sua famosa caixa-de-fósforos. O jeito de Paulinho tocar naquela gravação é característico de um momento do jovem sambista. Influenciado pelo jeito de seu pai tocar nos regionais e também pelo ritmo empregado por sambistas como Nelson Cavaquinho, surge uma “batida” única que ele mesmo não usa mais. 

No final do ano de 1964, Paulinho ainda freqüentava a União de Jacarepaguá. Oscar Bigode, diretor de bateria da Portela a quem Paulinho considerava como primo, faz uma visita à escola. Acompanhado por outros integrantes da Portela, Oscar então convida Paulinho para conhecer a famosa agremiação de Oswaldo Cruz. No domingo seguinte, lá estava Paulinho na ala dos compositores da Portela, apresentando a primeira parte de um samba. Sob os olhos de Monarco, Candeia, Casquinha, Ventura e muitos outros, Paulinho canta sua composição. Casquinha, logo em seguida, acrescenta uma segunda parte e nasce o samba “Recado”, o primeiro de Paulinho na Portela, gravado pela primeira vez pelo conjunto A voz do Morro em seu segundo disco. 

Paulinho foi logo incorporado à ala dos compositores da Portela. Em 1965, desfilou pela escola e em 1966 apresentou na quadra, para o carnaval, o samba “Memórias de Um Sargento de Milícias”. A música foi escolhida para ser o samba enredo da Portela naquele ano. A escola foi campeã do carnaval e o samba de Paulinho recebeu dos jurados a nota máxima. Foi gravado por Martinho da Vila no ano de 1971. 

Paulinho já estava integrado à sua escola. Até hoje é reconhecido como um dos grandes nomes da história da Portela. 

Hermínio Bello de Carvalho escreveu e Kleber Santos dirigiu e produziu o musical Rosa de Ouro no ano de 1965. O espetáculo revelou Clementina de Jesus, com 63 anos, e trouxe de volta ao palco a figura lendária de Aracy Cortes, as duas acompanhadas por Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro e o próprio Paulinho. O Rosa de Ouro rendeu dois discos. O primeiro, Rosa de Ouro, lançado pela Odeon no mesmo ano e o segundo, Rosa de Ouro número 2, em 1967. O musical fez grande sucesso em diversas cidades no país e no exterior. 

As parceiras de Paulinho continuaram, e em 1966 é chamado para gravar ao lado de Elton Medeiros o disco Na Madrugada. Lançado pela gravadora RGE, Na Madrugada traz sucessos como: 14 Anos, Minhas Madrugadas, Recado, Jurar com Lágrimas, Rosa de Ouro e O Sol Nascerá, esta última de Elton Medeiros e Cartola. Ainda em 1966, Paulinho participa do festival de música brasileira da TV Record com Canção para Maria, em parceira com Capinam, e fica em terceiro lugar. 

Em 1968, Hermínio Bello de Carvalho resolveu fazer uma surpresa a Paulinho e inscreveu a música “Sei Lá Mangueira” na terceira edição do histórico festival de música da TV Record. A letra de Hermínio, musicada por Paulinho, exaltava a Mangueira, escola de samba rival à Portela. O fato causou preocupação em Paulinho que não queria projetar a música temendo uma reação negativa dos portelenses, mas isso é um caso diferente. O samba foi interpretado por Elza Soares e Paulinho passou a ser olhado com certa desconfiança na Portela, mas o compositor diz que nunca foi questionado por isso. A experiência do festival deixou uma dívida para Paulinho que buscava inspiração para compor uma música em homenagem à sua escola.



O primeiro disco solo aconteceu em 1968. Paulinho já tinha alguma projeção devido a sua participação no espetáculo e no disco Rosa de Ouro, no disco Na Madrugada, por suas músicas gravadas por Elizete Cardoso e Elza Soares, e também pelo festival de música de 1966. A intenção do diretor musical da Odeon, Milton Miranda, era contratar Paulinho para ser cantor, e não necessariamente compositor, por isso que em seu primeiro disco solo, que leva o seu nome, Paulinho canta poucas músicas suas. O período em que gravou na Odeon foi um dos mais férteis de sua carreira. Teve início em 1968 e terminou em 1980. Foram gravados nesta fase 11 discos. 

Ainda em 1968, Paulinho inscreve “Coisas do Mundo, Minha Nega” na I Bienal do Samba da TV Record. A música, que ficou em sexto lugar e foi defendida por Jair Rodrigues, é seu samba preferido. 

No ano de 1969, Paulinho venceu o último festival da TV Record com “Sinal Fechado”. Tirou também, no mês de maio, o primeiro lugar na Feira Mensal de MPB da TV Tupi com o samba “Nada de Novo” ao lado de “Que Maravilha” de Toquinho e Jorge Bem. Meses depois, nessa mesma feira, lança o seu maior sucesso até hoje, “Foi um Rio Que Passou em Minha Vida”, logo gravado num compacto com mais três músicas suas: Sinal Fechado, Ruas que sonhei e Nada de Novo. 

“Foi um Rio que Passou em minha vida” tornou-se o maior sucesso do ano de 1970. Estourou em todo o país e projetou Paulinho nacionalmente. Finalmente foi a resposta que a Portela esperava pelo samba “Sei Lá Mangueira”, lançado anos antes. A resposta de Paulinho veio em forma de sucesso nacional e tornou-se um hino de exaltação á sua escola de coração. Esta é a música mais lembrada de toda a carreira do compositor e no ano de 2000 foi considerada uma das 30 mais importantes músicas brasileiras da história pela maior rede de televisão do país, a Rede Globo.

Em toda a década de 70, Paulinho gravou em quase todos os anos. Em dois momentos, chegou a lançar dois discos num mesmo ano. Nesse período, criou espetáculos como Sarau, Vela no Breu e Zumbido. Todos com grande sucesso de público e crítica. 

Em 1981, já como músico consagrado, Paulinho lança seu primeiro disco na gravadora Warner, um ano depois lança A Toda Hora Rola uma História e em 1983 o seu último disco nesta gravadora, Prisma Luminoso, um dos preferidos do autor. 

Depois do lançamento deste disco, Paulinho não se sentiu mais motivado para acompanhar as projeções das gravadoras e se “ajustar” as novas tendências. Era impossível fazer samba através de modismos, assim como seu pai nunca havia feito música para atender ao mercado. As gravadoras passaram a investir pesado no chamado Rock Brasileiro, que ganhava força. Mesmo assim em 1984, por força do público, surge uma nova geração de sambistas, fazendo um samba que ficou conhecido como pagode. Aparecem artistas como Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Almir Guineto entre outros. 

Paulinho não parou, apenas reduziu o ritmo e passou a fazer discos ainda mais apurados. Em 1989, lança Eu Canto Samba, um disco que nasceu clássico e teve excelente aceitação de público e crítica. Paulinho recebeu pelo disco quatro troféus do prêmio Sharp daquele ano. 

Nos anos 90, ocorreu um fenômeno interessante: Paulinho passou a ser considerado tão sofisticado que apesar de fazer o mais puro samba era visto como um músico muito especial para a grande massa. Afastou-se, desse modo, um pouco de seu público original, não por vontade própria, mas devido a uma imagem difundida na mídia. Em 1996, volta aos estúdios e grava aquele que foi considerado um dos mais importantes discos de sua carreira, Bebadosamba. Este disco foi recordista do prêmio Sharp de 1997, o maior evento do gênero na música brasileira nos anos 90. Paulinho é um dos recordistas do prêmio com nove troféus tendo participado com apenas dois discos. 



Em 1997, Paulinho montou, com enorme sucesso, o espetáculo Bebadosamba, e lançou mais dois discos gravados ao vivo: Bebadachama de 1997, e Sinal Aberto de 1999, em parceria com Toquinho. Uma de suas mais recentes apresentações internacionais foi em Paris, num festival em homenagem aos 500 anos do Brasil, onde se estimou que o seu dia foi a maior lotação do espaço La Villete até então no ano de 2000 (4.700 pagantes). 

A qualquer momento este artista de quase 40 anos de carreira pode aparecer com um novo trabalho, reafirmando sua importância na música e na história da cultura brasileira. Há sempre a necessidade de fazer mais. Muitos críticos definem a obra de Paulinho da Viola como uma ponte entre a tradição e a modernidade. Como ele mesmo diz: “Não vivo no passado, o passado vive em mim”, e com ele recria sua música sem olhar pra trás. 


Discografia Oficial

Rosa de Ouro (1965)

Sendo a maior contribuição da nossa música popular para o teatro, e vice-versa, “Rosa de Ouro” aponta também o caminho para que se consagre o casamento definitivo entre os dois: o caminho da simplicidade e da vontade de procurar o que há de melhor neste canteiro de arte popular bela e pura que é Rio de Janeiro. De “Rosa de Ouro”, o magnífico espetáculo que o poeta Hermínio Bello de Carvalho idealizou e dirigiu e que Kleber Santos produziu para o Teatro Jovem, há muita coisa que se dizer: revelou, aos 63 anos, uma das mais autênticas e talentosas cantoras brasileiras, Clementina de Jesus, possibilitou o reencontro com o público de maior estrela de revista de nossos palcos, Aracy Côrtes; e lançou o mais representativo conjunto vocal dos morros cariocas (é formado por compositores das escolas de samba Estação Primeira, Portela, Acadêmicos do Salgueiro e Aprendizes de Lucas). Muita coisa a mais seria para dizer sobre “Rosa de Ouro”, mas a Odeon se encarregou de exprimir-se melhor, dando uma bela síntese do espetáculo neste disco, e a imprensa carioca já usou todos os adjetivo possíveis para demonstrar o seu valor. 

OBS: No espetáculo, servindo de elementos de ligação entre os números musicais, foram transmitidos depoimentos nas vozes de Almirante, Cartola, Carlos Cachaça, Donga, Ismael Silva, Pixinguinha, Sérgio Porto, Mário Cabral, Sérgio Cabral, Lúcio Rangel e Jota Efegê. 

Sérgio Cabral – Texto da época na contra-capa do disco. 

Faixas:
01 - Rosa De Ouro / Quatro Crioulos / Dona Carola / Pam Pam Pam – Conjunto Rosa De Ouro (Hermínio Bello de Carvalho, Elton Medeiros, Paulinho Da Viola, Joacyr Santana, Nelson Cavaquinho, Norival Bahia, Walto Feitosa e Paulo Da Portela)
02 - Senhora Rainha – Conjunto Rosa De Ouro (Villa-Lobos e Hermínio Bello de Carvalho)
03 - Ai, Yoyô (Linda Flor) – Aracy Côrtes – (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto & Marques Porto)
04 - Os Rouxinóis – Aracy Côrtes (Lamartine Babo)
05 - Jura – Aracy Côrtes (Sinhô)
06 - Escurinho / Se Eu Pudesse / Nem É Bom Falar – Conjunto Rosa De Ouro (Geraldo Pereira, Zé da Zilda, Ismael Silva, Francisco Alves & Nilton Bastos)
07 - Sobrado Dourado / Clementina Cadê Você / Benguelê / Boi Não Berra / Maria Rebôlo / Maparaêma – Conjunto Rosa De Ouro e Clementina de Jesus (Domínio Público e Elton Medeiros)
08 - Nasceste De Uma Semente – Clementina De Jesus (José Barros)
09 - Bate Canela – Clementina De Jesus (Domínio Público)
10 - Semente Do Samba – Clementina De Jesus (Hélio Cabral)
11 - Rosa De Ouro – Aracy Côrtes (Hermínio Bello de Carvalho, Elton Medeiros & Paulinho Da Viola)



Conjunto A Voz do Morro - Roda de Samba (1965)
Faixas:
01 – Pecadora (Joãozinho) - Jair do Cavaquinho
02 – Intriga (Anescar do Salgueiro) - Anescar do Salgueiro
03 – Mascarada (Zé Keti / Élton Medeiros) - Élton Medeiros
04 – Coração Vulgar (Paulinho da Viola) - Paulinho da Viola
05 – Conversa de Malandro (Paulinho da Viola) - Zé da Cruz
06 – Peço Licença (Zé Keti) - Paulinho da Viola
07 – Vai Saudade (Anescar do Salgueiro) - Anescar do Salgueiro
08 – Jurar Com Lágrimas (Paulinho da Viola) - Paulinho da Viola
09 – Maria (Zé Keti) - Jair do Cavaquinho
10 – Coração de Ouro (Élton Medeiros / Joacyr Santana) - Élton Medeiros
11 – Não Sou Feliz (Zé Keti) - Paulinho da Viola
12 – Injúria (Cartola / Élton Medeiros) - Élton Medeiros
13 – Sonho Triste (Jair do Cavaquinho) - Jair do Cavaquinho
14 – Meu Viver (Élton Medeiros / Jair do Cavaquinho / Kleber Santos) - Élton Medeiros




Conjunto A Voz do Morro - Roda de Samba 2 (1966)


Faixas:
01 - Recado (Casquinha e Paulinho da Viola)
02 - Conselho (Élton Medeiros e Kléber Santos)
03 - Quem vem lá (Jair do Cavaquinho)
04 - Linguajar do morro (José da Cruz e Noca da Portela)
05 - A canoa virou (Élton Medeiros)
06 - Papel reclame (Nelson Sargento)
07 - Olhos de Maria (Anescar do Salgueiro)
08 - Samba samba (Anescar do Salgueiro)
09 - Sorri (Élton Medeiros e Zé Ketti)
10 - Espetáculo deslumbrante (Jair do Cavaquinho, Mundinho e Zózimo)
11 - Samba da coroa (Zé Ketti)
12 - Responsabilidade (Paulinho da Viola)
13 - Pranto ardente (Nelson Sargento e Oscar Bigode)
14 - Olinda (Alcides Malandro Histórico e Jair do Cavaquinho)



Rosa de Ouro Volume 2 (1967)



Faixas:
01 - Pot-pourri:
E a rosa voltou (Jair Costa)
Rosa de ouro (Hermínio Bello de Carvalho - Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
Quatro crioulos (Élton Medeiros - Joacyr Santana)
Cântico à natureza (Nelson Mattos - Jamelão)
02 - Isso é que é viver (Hermínio Bello de Carvalho - Pixinguinha)
03 - Flor do lodo (Ary Mesquita)
04 - A harmonia das flores (Hermínio Bello de Carvalho - Pixinguinha)
05 - Francesa no morro (Assis Valente)
06 - Pot-pourri :
Palmares (Noel Rosa de Oliveira - Anescar - Walter Moreira)
Psiquiatra (Élton Medeiros - Zé Keti)
07 - Pot -pourri:
Degraus da vida (Nelson Cavaquinho - César Brasil - Antônio Braga)
Mulher fingida (Bide - Cartola)
O que será de mim? (Ismael Silva - Nilton Bastos)
Que samba bom (Geraldo Pereira - Arnaldo Passos)
Só pra chatear (Príncipe Pretinho)
08 - Pot- pourri:
Dona Maria, devagar (Folclore)
Clementina, cadê você? (Élton Medeiros)
Santa Bárbara (Folclore)
09 - Mulato calado (Benjamin Batista Coelho - Marina Batista)
10 - Minha vontade (Chatinho)
11 - Quem sabe um dia? (Paulinho da Viola)
Rosa de Ouro (Hermínio Bello de Carvalho - Élton Medeiros - Paulinho da Viola)


Os sambistas - Conjunto A Voz do Morro (1968)
Seu disco de estreia na gravadora, em 1968, com o bastante nome de Paulinho da Viola não deixava dúvidas quanto à abertura de uma linha de trabalho que persiste até hoje, voltada para a qualidade artística e técnica, sem concessões para o fácil, para o apelo comercial. Respaldado pela direção de produção de Milton Miranda, a musical de Lírio Panicalli e do soberbo arranjador que foi o maestro Lindolfo Gaya, Paulinho foi para o estúdio com a segurança emprestada pela assistência de produção do seu parceiro, o poeta Hermínio Bello de Carvalho, e do maestro Nelsinho, cujo solene trombone não resistia e entrava vibrante no clima, como fica claro em Coisas do Mundo, Minha Nega. E lá já estava o Paulinho que sabia da qualidade de Nelson Cavaquinho (ainda que assinando Nelson Silva) em Não Te Dói a Consciência; apresentava a genialidade de Valzinho em Doce Veneno, viajava pelos clássicos com Cartola e Candeia, trazia para o disco seu primeiro parceiro da Portela, o imenso Casquinha. Seus próprios sambas, mais parceiras com Elton e Hermínio e começava a história de Paulinho da Viola na década mais importante da sua carreira no disco. (Arley Pereira)


Faixas:
01 - Cuidado (Marreta - Nelson Sargento)
02 - A voz do morro (Zé Keti)
03 - Tiradentes (Décio Carlos - Arnaldo Ferraz - Estanislau Silva)
04 - 400 anos de favela (Zé Keti)
05 - Exaltação à Mangueira (Eneias Silva - A. A. da Costa)
06 - Tanta tristeza (Élton Medeiros - Kleber Santos)
07 - Meu barracão de zinco (Jair Costa - Jamelão)
08 - Sinhá não disse (Paulinho da Viola)
09 - Carnaval que passou (Anescar)
10 - Exaltação à Madureira (Poliba - Noca - Oscar Bigode)
11 - Aventureira (Poliba - Noca - José Cruz)
12 - Só eu sei (Marreta - Nelson Sargento)
13 - Tarde demais (Jair Costa - Alcides Lopes)
14 - Noite linda (Jair Costa)
15 - Meus dias são de sol (Anescar)


Paulinho da Viola e Elton Medeiros - Samba na madrugada (1968)




Minhas Madrugadas
Paulinho da Viola e Elton Medeiros

Chamando Hermínio Bello de Carvalho para produzir o disco, a RGE sabia que a escolha era perfeita, pois além de descobrir Paulinho da Viola e praticamente lançar Elton Medeiros profissionalmente, já tinha dirigido a dupla em seu espetáculo musical Rosa de Ouro e conhecia profundamente a obra realizada e a em potencial de ambos. 
Sabendo das coisas, que a principal virtude do samba e do sambista é a simplicidade, Hermínio tratou de amar o repertório e acompanhamento de acordo com o clima que um disco chamado Na Madrugada e ambientado no samba exigia. Chamou o poderoso violão de sete-cordas do Horondino Silva, o Dino, para trazer parceria com o pé-de-boi do venerável Meira (embora algumas vezes o ainda principiante violão de Paulinho se auto-acompanhe) e somou a eles o perfeito cavaco de centro do Canhoto. Nos sopros dois instrumentistas de antologia na MPB: o flautista Copinha (que já diz na abertura solando a melodia introdutória criada por Paulinho) e um trombone que orgulharia qualquer gafieira, assinado por Raul de Barros, tudo isso tendo ao fundo a mais perfeita “cozinha” que qualquer sambista veterano poderia sonhar (imagine-se dois estreantes!): Gilberto, Luna, e Jorge revezando-se na percussão, garantindo o ritmo sensacional que a remasterização sublinha de forma impossível ao tradicional bolachão de vinil. O corro feminino, recrutado no bloco carnavalesco Foliões de Botafogo, intervém nos momentos exatos e é mais que necessário chamar a atenção para a performance de Elton Medeiros, quando empunha a caixa de fósforos já no inicio do CD, o belíssimo samba Arvoredo, “conversando” com o violão de Paulinho da Viola, mostrando sem mais delongas o que será o disco que Sérgio Porto – o inefável Stanislaw Ponte Preta – não se cansava de classificar como seu “disco de cabeceira”. 

Arley Pereira

Faixas:
01 - Arvoredo (Paulinho Da Viola)
02 - Maioria Sem Nenhum (Elton Medeiros e Mauro Duarte)
03 - 14 Anos (Paulinho Da Viola)
04 - Sofreguidão (Elton Medeiros e Cartola)
05 - Momento de Fraqueza (Paulinho Da Viola)
06 - Minha Confissão (Elton Medeiros)
07 - Perfeito Amor (Hermínio Bello de Carvalho e Elton Medeiros)
08 - Mascarada / Minhas Madrugadas / Injúria / Recado / O Sol Nascerá / Jurar Com Lágrimas / Rosa de Ouro (Elton Medeiros, Zé Keti, Paulinho Da Viola, Candeia, Cartola, Casquinha e Hermínio Bello de Carvalho)
09 - Depois de Tanto Amor (Paulinho Da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)
10 - Samba Original (Elton Medeiros & Zé Keti)
11 - Alô Alô / Sol da Manhã (Paulinho Da Viola e Elton Medeiros)



Paulinho da Viola (1968)


Faixas:
01 - Vai, amigo (Cartola)
02 - Encontro (Paulinho da Viola)
03 - Doce veneno (Carlos Lentine - Goulart - Valsinho)
04 - Sem ela eu não vou (Paulinho da Viola)
05 - Não te dói a consciência (A. Garcez - A. Monteiro - Nelson Silva)
06 - Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola)
07 - Batuqueiro (Candeia)
08 - Amor proibido (Cartola)
09 - A gente esquece (Paulinho da Viola)
10 - Meu carnaval (Cacaso - Élton Medeiros)
11 - Samba do amor (Élton Medeiros - Hermínio Bello de Carvalho - Paulinho da Viola)
12 - Maria Sambamba (Casquinha)



Foi um rio que passou em minha vida (1970)

Dois anos depois veio o Foi um Rio Que Passou em Minha Vida e aí os caminhos já estavam se definindo claramente, tanto para o compositor como para o músico. Mesmo enfrentando alguma oposição, Paulinho percebe que seu estilo vocal dispensa as grandes orquestras, as orquestrações chegadas às big-bands e já neste disco seu som minimalista aqui e ali abrem caminho para a definição de uma assinatura sonora que define Paulinho hoje já nos primeiros acordes. Mesmo assim as presenças dos maestros Gaya e Nelsinho são de vital importância, destacando-se que apenas Zé Kéti (companheiro da Portela) e Mauro Duarte (o compadre Bolacha, compositor de Botafogo) incluem composições que não sejam do próprio Paulinho. Como curiosidade, o portelense Jorge, integrante do coro, que responde o famoso refrão “Ai, porém...” ficou para sempre conhecido Jorge Porém. E como informação, destacar que as faixas finais Sinal Fechado e Ruas Que Sonhei não constam no LP original, incluídas aqui como bônus, extraídos de um compacto duplo realizado quando da vitória de Sinal Fechado no festival da TV Record, em São Paulo. 



Arley Pereira 


Faixas:
01 - Para não contrariar você (Paulinho da Viola)
02 - O meu pecado (Zé Keti)
03 - Estou marcado (Paulinho da Viola)
04 - Lamentação (Mauro Duarte)
05 - Mesmo sem alegria (Paulinho da Viola)
06 - Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
07 - Tudo se transformou (Paulinho da Viola)
08 - Nada de nôvo (Paulinho da Viola)
09 - Jurar com lágrimas (Paulinho da Viola)
10 - Papo furado (Paulinho da Viola)
11 - Não quero você assim (Paulinho da Viola)
12 - Sinal fechado (Paulinho da Viola)
13 - Ruas que sonhei (Paulinho da Viola)




Paulinho da Viola (1971)


O disco de 1971 já distribui Paulinho da Viola entre vários compositores que de alguma maneira tiveram influência na sua formação como artista, quer por conveniência, por parceria ou admiração pessoal. Um deles, com certeza o mais chegado, Elton Medeiros, comparece não como compositor, mas como um dos maiores ritmistas que o samba registra. Seu acompanhamento feito com caixa de fósforos na faixa Para Ver as Meninas merece um estudo completo à parte. Outro integrante original dos Cinco Crioulos, o mangueirense Nelson Sargento também é destaque com seus versos típicos em Minha Vez de Sorrir. E Candeia volta com sua obrigatória Filosofia do Samba. Registro especial para homenagem prestada por Paulinho a um dos maiores instrumentistas brasileiros, seu amigo Canhoto da Paraíba, em Abraçando Chico Soares. 


Arley Pereira

Faixas:
01 - Num samba curto (Paulinho da Viola)
02 - Pressentimento (Paulinho da Viola)
03 - Para ver as meninas (Paulinho da Viola)
04 - Nas ondas da noite (Paulinho da Viola)
05 - Filosofia do samba (Candeia)
06 - Consumir é viver (Marcus Vinicius)
07 - Lapa em três tempos (Rubens - Ary do Cavaco)
08 - Coração (Alberto Ribeiro)
09 - Minha vez de sorrir (Batista - Nelson Sargento)
10 - Reclamação (Paulinho da Viola - Mauro Duarte)
11 - Abraçando Chico Soares (Paulinho da Viola)
12 - Vinhos finos... cristais (Capinan - Paulinho da Viola)



Paulinho da Viola (1971)


Ainda em 1971 – o único ano no qual Paulinho gravou dois LPs – novo disco aparece com trabalho voltado a trazer para o conhecimento do grande público compositores da melhores extrações, cujo talento, porém, sempre ficou mais restrito ao próprio grupo ou àqueles mais interessados. É o caso dos botafoguenses – Paulinho nasceu em Botafogo – Mauro “Bolacha” Duarte e Walter “Alfaiate” Nunes, autores do belíssimo Cuidado, Teu Orgulho Te Mata e dos portelenses Monarco e Chico Santana, no Clássico de Madureira, o Lenço. Atenção para uma declaração de amor a uma velha amiga quase mãe de Paulinho, a pernambucana Dedé Aureliano em Para um amor no Recife. No mais, Um Certo Dia Para 21 é uma lição de samba e o Brasil inteiro pisou firme no terreiro com Paulinho e Elton no partido-alto Moema Morenou e tomou conhecimento da parceira perfeita de Orestes Barbosa e Valzinho no romântico Óculos Escuros.

Arley Pereira 

Faixas:
01 - Perder e ganhar (Paulinho da Viola)
02 - Sol e pedra (Paulinho da Viola)
03 - Dona Santina e Seu Antenor (Paulinho da Viola)
04 - Para um amor no Recife (Paulinho da Viola)
05 - Mal de amor (Benil Santos - Raul Sampaio)
06 - Depois da vida (Paulo Gesta - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho)
07 - Moemá morenou (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
08 - Óculos escuros (Valzinho - Orestes Barbosa)
09 - Cuidado, teu orgulho te mata (Walter Nunes - Mauro Duarte)
10 - Lenço (Francisco Santana - Monarco)
11 - O acaso não tem pressa (Capinan - Paulinho da Viola)
12 - Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola)
13 - Simplesmente Maria (Paulinho da Viola)
14 - Fotos e fatos (Otávio de Morais - Élton Medeiros)


A dança da solidão (1972)

Perfeito o repertório de Dança da Solidão, gravado em 1972. Desde Guardei Minha Viola, sucesso nacional que abriu o disco, até a reverência de Monarco à Portela em Passado de Glória, a produção é irrepreensível. Wilson Batista sai da velha Lapa com seu Meu Mundo É Hoje (popularizado como Eu Sou Assim) e Geraldo das Neves desce da Mangueira com Papelão. Três deuses do Olimpo da Mangueira – Cartola, Nelson Cavaquinho e Nelson Sargento – dizem presente e a parceira de Paulinho com Capinam é responsável pelas faixas 9 e 10. Um dos melhores discos da carreira de Paulinho da Viola, que fornece – 30 anos depois – repertório para regravações de novas gerações que encontram nele a matéria-prima sempre perfeita para ouvidos de bom gosto. 

Arley Pereira 

Faixas:
01 - Guardei Minha Viola (Paulinho Da Viola)
02 - Meu Mundo é Hoje (Eu Sou Assim) (Wilson Batista e José Batista)
03 - Papelão (Geraldo Das Neves)
04 - Duas Horas da Manhã (Nelson Cavaquinho e Ary Monteiro)
05 - Ironia (Paulinho Da Viola)
06 - No Pagode do Vavá (Paulinho Da Viola)
07 - Dança da Solidão (Paulinho Da Viola)
08 - Acontece (Cartola)
09 - Coração Imprudente (Paulinho Da Viola e Capinan)
10 - Orgulho (Paulinho Da Viola & Capinan)
11 - Falso Moralista (Nelson Sargento)
12 - Passado de Glória (Monarco)



Nervos de Aço (1973)


É na Velha Guarda da Portela que Paulinho vai beber novamente, na faixa de abertura de seu disco de 1973. Sentimentos, do velho compositor Mijinha, viria a se tornar sucesso em sua voz e na regravação de outros cantores. Grava Chico Buarque de Hollanda pela primeira vez e também pela primeira vez se mostra integralmente “chorão”, revelando suas influências de infância quando ouvia em casa o conjunto Época de Ouro, de Jacob do Bandolim, do qual seu pai César era um dos violões. É na sua composição Choro Negro, que fecha o disco com perfeição. Mas antes disso tem a regravação de Nervos de Aço que se tornou clássica, originando o show do mesmo nome que foi um divisor de águas, trazendo de volta o mesmo Época de Ouro, após a morte de Jacob e provocando o aparecimento de um sem número de grupos de choro jovens, revelando talentos do porte de um Rafael Rabello , por exemplo.

Arley Pereira 

Faixas:
01- Sentimentos (Miginha)
02 - Comprimido (Paulinho Da Viola)
03 - Náo Leve A Mal (Paulinho Da Viola)
04 - Nervos De Aço (Lupicinio Rodrigues)
05 - Roendo As Unhas (Paulinho Da Viola)
06 - Não Quero Mais Amar A Ninguém (Zé da Zilda - Cartola e Carlos Cachaça)
07 - Nega Luzia (Wilson Batista e Jorge De Castro)
08 - Cidade Submersa (Paulinho Da Viola)
09 - Sonho De Um Carnaval (Chico Buarque)
10 - Choro Negro (Paulinho Da Viola e Fernando Costa)



Paulinho da Viola (1975)

1975 foi o ano onde alguma polêmica aconteceu. Gravando Argumento no LP Amor à Natureza, onde pedia respeito ao samba, alertando para a falta de um cavaquinho, um pandeiro e um tamborim, Paulinho viu gente enfiando a carapuça, embora a letra não tivesse endereço. E os antiecologistas torceram o nariz para seu excelente samba-enredo Amor à Natureza, um grito de socorro em favor do Rio de Janeiro que começava a ser poluído intensamente naquele ano. Presenças preciosas de compositores como Elton Medeiros, Zé Kéti, Zorba “Devagar”, Padeirinho e Sidney Miller enriquecem sobremaneira o disco, que ganha uma faixa bônus, a de número 12 Pecado Capital, primeira experiência de Paulinho em trilha sonora para telenovela. 

Arley Pereira

Faixas:
01 - E a vida continua (Madeira - Zorba Devagar)
02 - Argumento (Paulinho da Viola)
03 - Vida (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
04 - Nova alegria (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
05 - Amor à natureza (Paulinho da Viola)
06 - Jaqueira da Portela (Zé Keti)
07 - Mensagem de adeus (Paulinho da Viola)
08 - Cavaco emprestado (Padeirinho)
09 - Chuva (Paulinho da Viola)
10 - Nada se perdeu (Paulinho da Viola)
11 - Deixa rolar (Sidney Miller)

12 - Pecado Capital (Paulinho da Viola)

Memórias Chorando (1976) 


Um precioso disco duplo na concepção – comercialmente ele foi para as prateleiras separado – marcou o ano de 1976 para Paulinho da Viola e para a música popular brasileira. Os álbuns Memórias 1 - Cantando e Memórias 2 – Chorando são obrigatórias em qualquer discoteca básica de MPB. No Cantando Paulinho vai buscar nas lembranças musicais da infância, nas reuniões em casa de seu pai ou nas de amigos, todos ligados à música muito mais carioca que brasileira de modo geral, a matéria-prima para a produção de um disco sensível, onde a influência de velhos compositores fica patente na sua formação artística, quer na maneira de criar como na de escolher o que regrava, o que reapresentar a gerações privadas da informação de sua própria cultura musical. Pedro Caetano e Claudionor Cruz em Nova Ilusão e Noel Rosa e Vadico com Pra Que Mentir (em primorosa interpretação de Paulinho) são exemplos que se somam a composições do próprio Paulinho, algumas vezes à maneira de Sinhô e Mário Reis, como ele mesmo gosta de dizer. O Chorando era um velho sonho do compositor, que leva para o disco este seu lado – voltado para o choro – que ele garante ser mais importante que o de intérprete. Conhecido como excelente violonista – não fora o apelido! -, mostra aqui seu domínio do cavaquinho, instrumento dificílimo para o trabalho de “centro” e muito mais ainda para o de solo. Além de choros seus, Paulinho vai aos grandes mestres, não se limitando aos clássicos Pixinguinha e Benedito Lacerda, mas apresentando a face desconhecida para muitos de Ary Barroso “chorão”, ao regravar o seu Chorando, uma obra praticamente inédita. 

Dois destaques obrigatórios na audição destes álbuns: Na faixa 5 de Cantando, no partido-alto Perdoa, depois do segundo verso cantado pelo Elton Medeiros, o ritmista Jorginho faz soar seu pandeiro repenicando com as pontas dos dedos à maneira do incomparável João da Baiana; e em Rosinha, Essa Menina homenagem de Paulinho à excelente violonista Rosinha de Valença, a maneira nordestina de compor choro, adotada aqui propositadamente.

Capítulo à parte os músicos que acompanham Paulinho nos dois álbuns, a maioria deles desde o início da carreira do compositor, cada uma à sua maneira contribuindo para o som característico de suas apresentações. À exceção do bandolinista Chiquinho, irmão mais novo de Paulinho e que apesar da excelência com que executa o instrumento nunca quis ser profissional, os demais estão, praticamente todos, até hoje na estrada ao lado dele. Cristóvão Bastos é um dos maiores pianistas populares do Brasil, exímio arranjador. César Faria, pai de Paulinho, incomparável acompanhador, perfeito nas harmonizações e na obrigatória “baixaria”. Dininho é também segunda geração, filho do histórico Dino Sete Cordas e responsável pelo segundo baixo elétrico. Jorginho, excepcional pandeirista, irmão do Dino e tio do Dininho, já diz geneticamente de sua qualidade musical. A bateria, que soa com personalidade própria é de Hércules Pereira e Chaplin faz a percussão. Menção especial, obrigatória e honrosa para a presença do maestro Nicolino Cópia, o Copinha, músico a quem a discografia e a música popular brasileira devem o maior respeito. Seu sax e flauta dirão aqui aos seus ouvidos o porquê. 

Arley Pereira 

Faixas:
01 - Cinco Companheiros (Pixinguinha)
02 - Chorando (Ary Barroso)
03 - Cuidado Colega (Benedicto Lacerda e Pixinguinha)
04 - Romanceando (Paulinho Da Viola)
05 - Cochichando (Pixinguinha - Alberto Ribeiro - João De Barro)
06 - Rosinha, Essa Menina (Paulinho Da Viola)
07 - Oração De Outono (Paulinho Da Viola)
08 - Beliscando (Paulinho Da Viola)
09 - Segura Ele (Pixinguinha e Benedicto Lacerda)
10 - Choro De Memórias (Paulinho Da Viola)
11 - Inesquecível (Paulinho Da Viola)



Memórias Cantando (1976) 


Um precioso disco duplo na concepção – comercialmente ele foi para as prateleiras separado – marcou o ano de 1976 para Paulinho da Viola e para a música popular brasileira. Os álbuns Memórias 1 - Cantando e Memórias 2 – Chorando são obrigatórias em qualquer discoteca básica de MPB. No Cantando Paulinho vai buscar nas lembranças musicais da infância, nas reuniões em casa de seu pai ou nas de amigos, todos ligados à música muito mais carioca que brasileira de modo geral, a matéria-prima para a produção de um disco sensível, onde a influência de velhos compositores fica patente na sua formação artística, quer na maneira de criar como na de escolher o que regrava, o que reapresentar a gerações privadas da informação de sua própria cultura musical. Pedro Caetano e Claudionor Cruz em Nova Ilusão e Noel Rosa e Vadico com Pra Que Mentir (em primorosa interpretação de Paulinho) são exemplos que se somam a composições do próprio Paulinho, algumas vezes à maneira de Sinhô e Mário Reis, como ele mesmo gosta de dizer. O Chorando era um velho sonho do compositor, que leva para o disco este seu lado – voltado para o choro – que ele garante ser mais importante que o de intérprete. Conhecido como excelente violonista – não fora o apelido! -, mostra aqui seu domínio do cavaquinho, instrumento dificílimo para o trabalho de “centro” e muito mais ainda para o de solo. Além de choros seus, Paulinho vai aos grandes mestres, não se limitando aos clássicos Pixinguinha e Benedito Lacerda, mas apresentando a face desconhecida para muitos de Ary Barroso “chorão”, ao regravar o seu Chorando, uma obra praticamente inédita. 


Dois destaques obrigatórios na audição destes álbuns: Na faixa 5 de Cantando, no partido-alto Perdoa, depois do segundo verso cantado pelo Elton Medeiros, o ritmista Jorginho faz soar seu pandeiro repenicando com as pontas dos dedos à maneira do incomparável João da Baiana; e em Rosinha, Essa Menina homenagem de Paulinho à excelente violonista Rosinha de Valença, a maneira nordestina de compor choro, adotada aqui propositadamente.

Capítulo à parte os músicos que acompanham Paulinho nos dois álbuns, a maioria deles desde o início da carreira do compositor, cada uma à sua maneira contribuindo para o som característico de suas apresentações. À exceção do bandolinista Chiquinho, irmão mais novo de Paulinho e que apesar da excelência com que executa o instrumento nunca quis ser profissional, os demais estão, praticamente todos, até hoje na estrada ao lado dele. Cristóvão Bastos é um dos maiores pianistas populares do Brasil, exímio arranjador. César Faria, pai de Paulinho, incomparável acompanhador, perfeito nas harmonizações e na obrigatória “baixaria”. Dininho é também segunda geração, filho do histórico Dino Sete Cordas e responsável pelo segundo baixo elétrico. Jorginho, excepcional pandeirista, irmão do Dino e tio do Dininho, já diz geneticamente de sua qualidade musical. A bateria, que soa com personalidade própria é de Hércules Pereira e Chaplin faz a percussão. Menção especial, obrigatória e honrosa para a presença do maestro Nicolino Cópia, o Copinha, músico a quem a discografia e a música popular brasileira devem o maior respeito. Seu sax e flauta dirão aqui aos seus ouvidos o porquê. 

Arley Pereira 


Faixas:
01 - Nova Ilusão (Claudionor Cruz e Pedro Caetano)
02 - Cantando (Paulinho Da Viola)
03 - Abre Os Teus Olhos (Paulinho Da Viola)
04 - Dívidas (Paulinho Da Viola e Elton Medeiros)
05 - Perdoa (Paulinho Da Viola)
06 - Mente Ao Meu Coração (F. Malfitano)
07 - Pra Que Mentir? (Noel Rosa & Vadico)
08 - O Velório Do Heitor (Paulinho Da Viola)
09 - O Carnaval Acabou (Paulinho Da Viola)
10 - Coisas Do Mundo, Minha Nega (Paulinho Da Viola)
11 - Vela No Breu (Paulinho Da Viola e Sergio Natureza)
12 - Meu Novo Sapato (Paulinho Da Viola)


Paulinho da Viola (1978)

Um samba de quadra, como devem ser feitos os sambas de quadra, lançado na Portela e aprovado com louvor no teste maior do bom gosto das pastoras da Escola, marcou o LP que Paulinho gravou em 1978. Sucesso imediato, Coração Leviano voltaria anos depois a chamar a atenção de outros grandes intérpretes como Clara Nunes, Neguinho da Beija-Flor e Djavan, que voltariam a gravá-lo com a mesma grande acolhida popular. Neste LP também está registrado por Paulinho um dos sambas preferidos pelas tribos das Escolas, o clássico Cenários, uma espécie de inventário musical das Escolas de Samba cariocas, pequenas ou grandes, citadas com alegria sempre que em alguma quadra o samba é cantado. O Paulinho instrumentista e compositor inspirado está em seu Sarau Para Radamés, seu olhar musical para o grande maestro gaúcho. E o francamente popular se apresenta na última faixa, Miudinho, motivo recolhido e adaptado por Bucy Moreira, Raul Marques e Monarco (Ave, mestre!). Quando ao vivo em shows – reproduz dançando o gênero -, Paulinho leva os mais diversos públicos – testemunhamos o Festival de Montreux no maior entusiasmo – ao delírio.

Arley Pereira


Faixas:
01 - Sentimento perdido (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
02 - Atravessou (Paulinho da Viola)
03 - Mudei de opinião (Bubu - Casquinha)
04 - Coração leviano (Paulinho da Viola)
05 - Sofrer (Capinan - Paulinho da Viola)
06 - Uma história diferente (Paulinho da Viola)
07 - Cenários (Jorge Mexeu - Catoni)
08 - Pelos vinte (Sergio Natureza - Paulinho da Viola)
09 - Apoteose ao samba (Mano Décio - Silas de Oliveira)
10 - Sarau para Radamés (Paulinho da Viola)
11 - Nos horizontes do mundo (Paulinho da Viola)
12 - Miudinho (Raul Marques - Folclore - Monarco)


Zumbido (1979)



O LP Zumbido não poderia ser melhor, para encerrar esta fase da carreira de Paulinho da Viola. Gravado em 1979 – a faixa-título em 80 – foi a célula-mater de um dos melhores, talvez o melhor, de seus shows. Dirigido pelo multimídia Elifas Andreato (autor de quase todas as capas dos discos do Paulinho), marcou época em quase todas as capitais brasileiras onde foi apresentado. Indo novamente a Botafogo, grava pela primeira vez Álvaro Cardoso e repete Mauro Duarte, Walter “Alfaiate” e Zorba “Devagar”. A regravação de Chico Brito de Wilson Batista é uma sutil alfinetada no estabelecido à época.

Recomeçar é uma obra-prima de Paulinho e Elton e Zumbido uma mais que digna despedida do artista à gravadora que registrou o seu ainda mais fértil período como autor.

Arley Pereira 

Faixas
01 - Chico Brito (Afonso Teixeira - Wilson Batista)
02 - Amor é de Lei (Sergio Natureza - Paulinho da Viola)
03 - Aquela Felicidade (Paulinho da Viola)
04 - Coração Oprimido (Walter Nunes - Zorba Devagar)
05 - Pode Guardar as Panelas (Paulinho da Viola)
06 - Não Posso Negar (Paulinho da Viola)
07 - Foi Demais (Paulinho da Viola - Mauro Duarte)
08 - Recomeçar (Elton Medeiros - Paulinho da Viola)
09 - Passei Por Ela (Álvaro Cardoso - Waldemiro de Oliveira)
10 - Deixa Pra Lá (Paulinho da Viola)
11 - Amor é Assim (Paulinho da Viola)
12 - Zumbido (Paulinho da Viola) 


Paulinho da Viola (1981)

O primeiro de três que seriam lançados na gravadora Warner. Neste disco, Paulinho apresenta sucessos como Onde a dor não tem razão e Pra jogar no oceano. Mantendo a banda que o acompanhou desde os discos da EMI, Paulinho acrescenta a participação de alguns músicos como o jovem Rafael Rabello, na época com 18 anos e tocando violão de sete cordas como acompanhante. Uma época de muitos sucessos para um mercado em transformação. A indústria fonográfica brasileira passou a apostar mais em outros estilos como o rock nacional que surgia. Mesmo assim o samba nunca deixou de estar no gosto popular e até reunia milhares de fãs por todo o país. 

Faixas:
01 - Onde a dor não tem razão (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
02 - Força de vontade (Mijinha - Monarco)
03 - Lua (Paulinho da Viola)
04 - Coração da gente (Paulinho da Viola)
05 - Feito passarinho (Salgado Maranhão - Paulinho da Viola)
06 - Para jogar no oceano (Paulinho da Viola)
07 - Último lance (Sergio Natureza - Paulinho da Viola)
08 - Não quero vingança (Paulinho da Viola)
09 - Ladeira do Chapelão (Paulinho da Viola)
10 - Flor esquecida (Paulinho da Viola)
11 - A.M.O.R. Amor (Walter Nunes - Mauro Duarte)
12 - Viver de amor (Capinan - Paulinho da Viola)



A toda hora rola uma estória (1982)

Logo em seguida Paulinho não abandona a fórmula e lança este álbum com outros grandes sucessos como a música que deu título ao disco. As parceiras de Paulinho aparecem em faixas como Feito passarinho com Salgado Maranhão e Último lance como Sérgio Natureza, que compôs outras letras para o Paulinho como Vela no breu, e Viver sem amor com Capinam, outro parceiro de longa data compositor da letra de Vinhos finos...cristais.

Faixas:
01 - Rumo dos ventos (Paulinho da Viola)
02 - Só o tempo (Paulinho da Viola)
03 - Não é assim (Paulinho da Viola)
04 - Pra fugir da saudade (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
05 - Amor ingrato (Jorge Mexeu)
06 - A maldade não tem fim (Armando Santos)
07 - Meu violão (Paulinho da Viola)
08 - Que trabalho é esse (Micau - Zorba Devagar)
09 - Nós os foliões (Sidney Miller)
10 - Brancas e pretas (Sergio Natureza - Paulinho da Viola)


Prisma Luminoso (1983) 

Um dos preferidos do autor em toda a sua carreira. O disco é aberto com uma batucada que já anuncia o que vem pela frente. Os últimos segundos da primeira faixa, O tempo não apagou, caracteriza uma batida única que não encontraremos mais em lugar nenhum, nem mesmo numa escola de samba. A experimentação deixou sua marca em sambas como Cadê a Razão onde o autor explora um novo ritmo, mais marcado, o que hoje poderíamos chamar quase de um samba-funk. Muitas de suas composições mais intimistas, uma marca não só de sua carreira, mas também de seus discos dos anos 80, aparecem em temas como Retiro. Paulinho volta a gravar também Hermínio Bello de Carvalho na música Mas que disse que eu te esqueço, em parceira como D. Ivone Lara. O parceiro Capinam está presente também em duas faixas, Prisma Luminoso que dá nome ao disco e Mais que a lei da gravidade.

Faixas:
01 - O tempo não apagou (Paulinho da Viola)
02 - Retiro (Paulinho da Viola)
03 - Cadê a razão (Paulinho da Viola)
04 - Mas quem disse que eu te esqueço (Ivone Lara - Hermínio Bello de Carvalho)
05 - Mais que a Lei da Gravidade (Capinan - Paulinho da Viola)
06 - Prisma luminoso (Capinan - Paulinho da Viola)
07 - Documento (Eduardo Gudim - Paulo César Pinheiro)
08 - Quem sabe (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
09 - Cisma (Paulinho da Viola)
10 - Não posso viver sem ela (Bide - Cartola)
11 - Só ilusão (Paulinho da Viola)
12 - Toada (Paulinho da Viola)


Eu Canto Samba (1989)

Nova gravadora, agora a BMG, novo momento para o samba. O verso da música de abertura traduz o sentimento dos sambistas que viram parte da indústria fonográfica subestimarem sua importância. O verso diz: “Há muito tempo eu escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou, só se foi quando o dia clareou”. E não foi diferente, novos sambista surgiram naquela década, entre eles Zeca Pagodinho. O samba não só estava na boca do povo como até hoje mantêm seus fieis admiradores. Paulinho gravou também uma belíssima música de seu grande amigo Alberto Lonato, chama-se Com lealdade. 

Faixas:
01 - Eu canto samba (Paulinho da Viola)
02 - Um caso perdido (Paulinho da Viola)
03 - O tímido e a manequim (Paulinho da Viola)
04 - Com lealdade (Alberto Lonato)
05 - Não tenho lágrimas (Milton de Oliveira - Max Bulhões)
06 - Estamos noutra (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
07 - Quando bate uma saudade (Paulinho da Viola)
08 - Cantoria (Hermínio Bello de Carvalho - Paulinho da Viola)
09 - Fulaninha (Paulinho da Viola)
10 - Pintou um bode (Paulinho da Viola)
11 - No carnaval da paixão (Paulinho da Viola)
12 - Eu canto samba (Paulinho da Viola)


Paulinho da Viola e Ensemble (1993)

Faixas:
01 - Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola - Élton Medeiros)
02 - Coração Leviano (Paulinho da Viola)
03 - Rumo dos Ventos (Paulinho da Viola)
04 - Recado (Paulinho da Viola - Casquinha)
Argumento (Paulinho da Viola)
Guardei minha viola (Paulinho da Viola)
05 - Roendo as unhas (Paulinho da Viola)
06 - Sinal fechado (Paulinho da Viola)
07 - Só o tempo (Paulinho da Viola)
08 - Sarau para Radamés (Paulinho da Viola)
09 - Choro Negro (Paulinho da Viola - Fernando Costa)
10 - Choro de Memórias (Paulinho da Viola)
11 - Coração imprudente (Paulinho da Viola - Capinan)
12 - Pra jogar no oceano (Paulinho da Viola)
13 - Não é assim (Paulinho da Viola)
Amor é assim (Paulinho da Viola)
Recomeçar (Paulinho da Viola - Élton Medeiros)


Bebadosamba (1996)

Após ficar seis anos sem gravar, Paulinho apresenta um de seus mais sofisticados trabalhos. Bebadosamba foi tão bem recebido por crítica e público que alguns o chamaram de disco da década. Exageros à parte, Bebadosamba conquistou cinco prêmios Sharp (o mais importante prêmio da música brasileira nos anos 90) e deu a Paulinho seu primeiro Disco de Ouro, certamente um de seus discos mais bem –sucedidos. A música Timoneiro, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, entrou da galeria de seus grandes sucessos.

Faixas:
01 - Quando o Samba Chama (Paulinho da Viola)
02 - Timoneiro (Paulinho da Viola - Hermínio Bello de Carvalho)
03 - Ame (Paulinho da Viola - Élton Medeiros)
04 - Alento (Paulo César Pinheiro)
05 - É Difícil Viver Assim (Paulinho da Viola)
06 - O Ideal É Competir (Candeia - Casquinha)
07 - Novos Rumos (Rochinha - Orlando Porto)
08 - Memórias Conjugais (Paulinho da Viola)
09 - Reverso da Paixão (Paulinho da Viola)
10 - Dama de Espadas (Paulinho da Viola)
11 - Solução de Vida (Molejo Dialético) (Paulinho da Viola - Ferreira Gullar)
12 - Peregrino (Noca da Portela)
13 - Mar Grande (Paulinho da Viola - Sérgio Natureza)
14 - Bebadosamba (Paulinho da Viola)



Bebadachama - Ao vivo (1997)

Empolgado pelo sucesso do disco Bebadosamba, Paulinho criou e produziu com recursos próprios de sua produtora, a Artes da Viola, o show Bebadosamba que estreou no Canecão, no Rio de Janeiro. As duas semanas previstas fizeram tanto sucesso que o show teve que ser estendido a pedido do público. A gravação ao vivo deste show virou o disco Bebadachama, uma verdadeira aula de samba. Passou por grandes compositores das mais diversas épocas, teve a oportunidade de regravar músicas que estiveram presentes no seu início de carreira, como Coração Vulgar, e gravou também sucessos inéditos em sua voz como As rosas não Falam.
 
Faixas:
Cd 01
01 - Bebadosamba (Paulinho da Viola)
Coleção de passarinhos (Paulo Portela) 
O que será de mim (Ismael Silva-Nilton Bastos-Francisco Alves) 
Pam, pam, pam (Paulo da Portela) 
A fonte secou (Monsueto Menezes-Tufic Lauar-Marcelo) 
A primeira vez (Bide-Marçal) 
Que samba bom (Geraldo Pereira-Arnaldo Passos)
02 - Coração vulgar (Paulinho da Viola)
Momento de fraqueza (Paulinho da Viola) 
O velório do Heitor (Paulinho da Viola)
03 - Sentimentos (Mijinha)
04 - Onde a dor não tem razão (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
05 - Mulato calado (Marina Batista - Benjamim Batista)
Triste cuíca (Noel Rosa-Hervé Cordovil)
06 - Óculos escuros (Walzinho - Orestes Barbosa)
07 - Maria Rosa (Alcides Gonçalves - Lupicínio Rodrigues)
08 - Folhas caídas (César Brasil - Nelson Cavaquinho)
09 - As rosas não falam (Cartola)
10 - As moças do meu tempo (Zé Keti)
11 - 50 anos (Aldir Blanc - Cristóvão Bastos)
12 - Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
13 - Cochichando (Fernando Costa - Paulinho da Viola)
14 - Choro negro (Fernando Costa - Paulinho da Viola)
Num samba curto (Paulinho da Viola)
15 - Solução de vida (Molejo dialético) (Ferreira Gullar - Paulinho da Viola)

Cd 02
01 - Novos rumos (Rochinha)
02 - Alento (Paulo César Pinheiro)
03 - Mar grande (Sérgio Natureza - Paulinho da Viola)
04 - Memórias conjugais (Paulinho da Viola)
05 - Ame (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
06 - Peregrino (Toninho Nascimento - Noca da Portela)
07 - O ideal é competir (Casquinha - Candeia)
08 - Dança da solidão (Paulinho da Viola)
09 - Coração Leviano (Paulinho da Viola)
Argumento (Paulinho da Viola)
10 - O mar 
Pra jogar no oceano (Paulinho da Viola) 
Timoneiro (Paulinho da Viola-Hermínio Bello de Carvalho) 
Bebadosamba (Paulinho da Viola)
11 - Coisas do mundo, minha nêga (Paulinho da Viola)
12 - Timoneiro (trecho) (Hermínio Bello de Carvalho - Paulinho da Viola)



Toquinho e Paulinho da Viola -  Sinal Aberto (1999)

Um convite de seu amigo Toquinho para realizar um show em São Paulo foi suficiente para essa parceira render frutos. O disco Sinal Aberto, gravado ao vivo, traz no repertório uma parceria inédita de Paulinho e Toquinho, a música Caso encerrado. Há ainda as regravações de antigos sucessos, como Onde a dor não tem razão, e músicas de Paulinho desconhecidas pelo grande público, como Nada de Novo.

Faixas
Cd 01
01 - Nada de novo (Paulinho da Viola)
Que maravilha (Jorge Ben-Toquinho)
02 - Tempos idos (Carlos Cachaça - Cartola)
03 - Na cancela (Dorival Caymmi)
04 - Desencontro (Chico Buarque)
05 - Este seu olhar (Tom Jobim)
Corcovado (Tom Jobim)
Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim-Vinicius de Moraes)
06 - Dama de espadas (Paulinho da Viola)
07 - Duvide-o-dó (Hermínio Bello de Carvalho - Paulinho da Viola)
08 - Minha profissão (Toquinho)
Escravo da alegria (Toquinho-Mutinho)
09 - Onde a dor não tem razão (Élton Medeiros - Paulinho da Viola)
10 - Choro negro (Fernando Costa - Paulinho da Viola)
11 - Coração imprudente (Capinan - Paulinho da Viola)
12 - Tua imagem (Canhoto da Paraíba)
Cd 02
01 - Caso encerrado
(Toquinho - Paulinho da Viola)
02 - Cantando (Paulinho da Viola)
03 - O amor é assim (Paulinho da Viola)
Ame (Paulinho da Viola-Élton Medeiros)
04 - Se ela perguntar (Dilermando Reis)
Abismo de rosas (Canhoto)
Gente humilde (Garoto-Chico Buarque-Vinicius de Moraes)
05 - Berimbau (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
06 - Dança da solidão (Paulinho da Viola)
07 - O caderno (Mutinho - Toquinho)
Aquarela (Vinicius de Moraes-Toquinho)
08 - Lamento (Hermínio Bello de Carvalho - Pixinguinha)
09 - Sinal fechado (Paulinho da Viola)
10 - Tarde em Itapoã (Toquinho - Vinicius de Moraes)
11 - Regra três (Toquinho - Vinicius de Moraes)
12 - Turbilhão (Mutinho - Toquinho)
Argumento (Paulinho da Viola)
13 - Caso encerrado (Toquinho - Paulinho da Viola)



Paulinho da Viola e os 4 Crioulos - A Música Brasileira deste Século por seus Autores e Intérpretes (2001)

Faixas
01 - Quatro crioulos (Joacyr Santana - Elton Medeiros)
02 - Água do rio (Só resta saudade) (Anescarzinho)
03 - Meu drama (Senhora tentação) (J. Ilarindo, Silas de Oliveira)
04 - Um barracão de madeira (Antôni Fontes "Colher")
05 - O sol nascerá (Cartola - Elton Medeiros)
06 - Esta melodia (Bubu - Jamelão)
07 - No meu barraco de zinco (Jair do Cavaquinho - Jamelão)
08 - Agoniza mas não morre (Nelson Sargento)
09 - Cântico à natureza (A. Lourenço - Jamelão - Nelson Sargento)
10 - Só pra chatear (Príncipe Pretinho)
11 - Pam, pam, pam, pam (Paulo da Portela)
12 - Pecadora (Jair do Cavaquinho - Joãozinho da Pecadora)
13 - Arrasta a sandália (Aurélio Gomes - Osvaldo Vasques)
14 - Rosa de ouro (Elton Medeiros - Hermínio Bello de Carvalho - Paulinho da Viola)


Meu tempo é hoje (2003)

Faixas:
01 - Meu mundo é hoje (José Batista e Wilson Batista)
02 - Pot-pourri: Injúria / Recado / O Sol Nascerá / Jurar Com Lágrimas (Cartola e Élton Medeiros / Casquinha e Paulinho da Viola / Cartola e Élton Medeiros / Paulinho da Viola) / Participação: Élton Medeiros
03 - Quatorze Anos (Paulinho da Viola)
04 - Rosinha Essa Menina (Paulinho da Viola)
05 - Ruas Que Sonhei (Paulinho da Viola) / Participação: Amélia Rabelo
06 - Sinal Fechado (Paulinho da Viola)
07 - Chora Cavaquinho (Paulinho da Viola)
08 - Carinhoso ( Paulinho da Viola) / Participação: Marisa Monte
09 - Pra Fugir Da Saudade (Élton Medeiros e Paulinho da Viola) / Participação: Teresa Cristina
10 - Filosofia (Noel Rosa)
11 - Pot-pourri: De Paulo A Paulinho / Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida
(Chico Santana e Monarco / Paulinho da Viola) / Participação: Monarco e Velha Guarda da Portela
12 - Conflito (Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz) / Participação: Zeca Pagodinho
13 - Retiro (Paulinho da Viola)
14 - Coisas Do Mundo, Minha Nêga (Paulinho da Viola)
15 - Um Sarau Para Rafhael (Paulinho da Viola)
16 - Argumento (Trecho) (Paulinho da Viola)

Acústico Mtv (2007)

Faixas:
01 - Timoneiro
 (Paulinho da Viola - Hermínio Bello de Carvalho) 
02 - Coração Leviano
(Paulinho da Viola) 
03 - Amor é Assim 
(Paulinho da Viola) 
04 - Para um Amor no Recife
 (Paulinho da Viola) 
05 - Foi Demais
 (Paulinho da Viola - Mauro Duarte) 
06 - Coração Imprudente 
(Paulinho da Viola - Capinan) 
07 -
 Pecado Capital (Paulinho da Viola) 
08 - Tudo se Transformou
 (Paulinho da Viola) 
09 - Sinal Fechado
(Paulinho da Viola) 
10 - Ainda Mais
(Paulinho da Viola - Eduardo Gudin) 
11 - Bela Manhã (Paulinho da Viola)
12 - Talismã (Paulnho da Viola - Arnaldo Antunes - Marisa Monte)
13 - Vai Dizer ao Vento
 (Paulinho da Viola)
14 - Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues)
15 - Eu Canto Samba
 (Paulinho da Viola)

Fonte: www.paulinhodaviola.com.br

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