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Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

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QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

20 ANOS SEM O MALUCO E A BELEZA DE SUAS CANÇÕES

Agora em agosto mais uma vez a imagem do Maulo Beleza se vê cultuada por fãs e admiradores de sua obra. São 20 de ausência desde a data de 21 de agosto de 1989, quando foi noticiada a morte de Raulzito aos 44 anos. O último disco lançado em vida foi feito em parceria com Marcelo Nova, intitulado A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil um dia após sua morte. Raul Seixas faleceu no dia 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Seu corpo foi encontrado às oito horas da manhã, pela sua empregada, Dalva. Foi vítima de parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo ao Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova (parceiro de Raul, com quem gravou o LP), tornando-se assim um dos discos de maior sucesso do eterno Maluco Beleza.

Biografia
Filho do casal Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas, Raul cresceu na cidade de Salvador um tanto estagnada, alheia aos progressos de uma modernidade que passava ao largo da capital baiana. Tinha um irmão, quatro anos mais novo, Plínio Seixas.
Em casa obtém uma cultura que o faz adiantar-se àquilo que era ensinado nas escolas, mergulhando nos livros que tinha à disposição, na biblioteca do pai. Até o final de sua vida, sempre foi avançado para sua época, o que é comprovado pelas músicas por ele compostas e que até hoje são executadas.

Primórdios
Seu gosto musical foi se moldando: primeiro, no rádio, acompanha o sucesso de Luiz Gonzaga, e nas viagens, onde acompanha o pai (inspetor de ferrovia), ouve os matutos desfiarem repentes - e esta "raiz" nordestina nunca o abandonara. Raul Seixas era um garoto muito tímido na infância e na adolescência, e só vivia trancado no quarto lendo e compondo. Seu sonho no inicio era ser um escritor, até o Rock n Roll aparecer em sua vida. Nesse momento, nas telas dos cinemas, encanta-se com o talento de Elvis Presley, de quem torna-se fã - e aponta-lhe o rumo musical: o Rock'n Roll. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.
Juntamente com alguns amigos de Salvador, monta um conjunto, "Os Relâmpagos do Rock", mais tarde "The Panters", e por último conhecido como "Raulzito e os Panteras". Fazem shows no estado, e, a convite do amigo Jerry Adriani, vai para o Rio de Janeiro gravar um disco pela gravadora Odeon, em 1967 - que foi um total fracasso.

Após algum tempo, volta ao Rio, em 1970-71, contratado por outra gravadora - a CBS (atual Sony BMG). Ali participa da produção de diversos artistas da Jovem Guarda, como Jerry Adriani, Leno e Lilian e mais tarde Sérgio Sampaio, Diana, entre outros. Também compõe mais de 80 músicas para a Jovem Guarda, algumas de muito sucesso, como: Doce, Doce, Doce Amor, Sha-la-la-la, Tudo que é bom dura pouco, Ainda queima a esperança, Sha-la-la, e outras.
Mas nos anos 70 Raul acaba se rebelando. Aproveitando a ausência do presidente da empresa, Evandro Ribeiro, grava seu segundo LP (intitulado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10), em que faz parceria com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O disco, todavia, foi retirado do mercado sob o argumento de não se enquadrar à linha de atuação da gravadora.
Em 1972 participou do VII FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela Rede Globo, e conseguiu a classificação de duas músicas, "Let me sing" (um misto de baião e rockabilly) e "Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo", o que lhe deu projeção nacional.

Sucesso e dor
No ano de 1973, Raul conseguiu um grande e estrondoso sucesso com a música "Ouro de Tolo", uma música com letra quase autobiográfica, mas também um deboche com a Ditadura e o Milagre econômico.
No mesmo ano foi contratado pela Philips (atual Universal Music), onde gravou o LP Krig-Ha, Bandolo, com o qual Raul finalmente alcançou o sucesso, estabelecendo a parceria com o hoje escritor Paulo Coelho e lançando músicas que viraram grandes HITS e clássicos, como: Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa, Ouro de Tolo, Al Capone, e etc. O Krig Ha Bandolo seria desde então uma grande referência da Obra de Raul.

Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor. Porém logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.
No ano de 1974, por divulgar a Sociedade Alternativa, com Paulo Coelho nas suas apresentações, acabou sendo preso e torturado pelo DOPS, exilando-se nos Estados Unidos. No entanto, o sucesso do seu LP Gitã e da música Gita, que lhe rendeu um disco de ouro, após vender 600.000 cópias, fazem-no retornar ao Brasil. Neste ano separa-se de sua primeira mulher, Edith Wisner, com quem teve uma filha chamada Simone.
Em 1975, casa-se com Gloria Vaquer, e grava o LP "Novo Aeon", onde Raul compôs, uma de suas músicas mais conhecidas, Tente Outra Vez.
Em 1976, grava o disco "Há Dez Mil Anos Atrás", que também é um LP recheado de clássicas composições, e tem sua segunda filha, Scarlet.
Raul Seixas lançou mais outros três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), a partir de 1977, que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica (O Dia Em Que A Terra Parou, Mata Virgem e Por Quem Os Sinos Dobram). Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto, com quem Raul comporia várias de suas canções mais conhecidas, como "Maluco Beleza", "O Dia em que a Terra Parou", "Rock das Aranhas", "Aluga-se" etc.
partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas. Separa-se de Glória, que vai embora para os EUA levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver.
o ano de 1979, separa-se de Tania. Começa então a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo,. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira.

Ocaso
No ano de 1980, assinando novamente contrato com a CBS, lançou apenas mais um álbum (Abre-te Sésamo) e rescindiu o contrato.
Em 1981 nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.
Seus dois discos seguintes (Raul Seixas - 1983 e Metrô linha 743 - 1984) e o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor fizeram sucesso, mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação.
Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show, em 1 de dezembro deste ano, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova.
Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi grande sucesso entre os fãs, (UAH-BAP-LU-BAP-LA-BEIN-BUM - 1987) estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no LP "Duplo Sentido", da banda Camisa de Vênus).
Um ano mais tarde, 1988, já sozinho, faz seu último álbum solo (A Pedra do Gênesis). A convite de Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco.
No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando mais de 50 apresentações pelo Brasil.

O livro Raul Seixas - Metamorfose Ambulante, escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, com coordenação de Sylvio Passos, presidente do fã-clube que conviveu nove anos com o músico. A publicação é uma das homenagens aos 20 anos da morte do cantor e compositor, e será lançada até o final do mês.
Conforme o material de divulgação (ainda não li o livro), Raul Seixas - Metamorfose Ambulante aborda o fascínio do baiano por filosofia e comenta as várias inspirações para suas músicas. De acordo com Passos, Raul conseguiu “passar’ conceitos de filósofos como Platão e Sartre e tinha obsessão por Schopenhauer e Crowley.
Além disso, o livro enfoca a relação de Raul com seus parceiros musicais (como Paulo Coelho e Marcelo Motta), os assuntos polêmicos que moveram a imprensa (discos voadores, drogas, Jerry Lee, John Lennon, etc), a ligação com a família e até com o Capeta...
O livro terá como brinde o CD Alquimia, com 14 músicas da cantora portuguesa Carina Freitas, um psiquiatra de adolescentes que se apaixonou pelas letras e pelo som de Raul. Ela gravou Canção para minha morte e escreveu Alquimia, segredo guardado em homenagem a Raulzito.
livro sairá pela editora B&A, terá 260 páginas e também será vendido em bancas de jornal por RS 29,90.



DISCOGRAFIA

1968 - Rauzito E Os Panteras
Faixas:
01 - Brincadeira
02 - Por que pra que
03 - Um minuto mais
04 - Vera verinha
05 - Você ainda pode sonhar
06 - Menina de amaralina
07 - Triste Mundo
08 - Dê-me tua mao
09 - Alice Maria
10 - Me deixe em paz
11 - Trem 103
12- O dorminhoco


1971 - Sessão das Dez
Faixas:
01 - Êta vida
02 - Sessão das dez
03 - Eu vou botar pra ferver
04 - Eu acho graça
05 - Chorinho inconsequente
06 - Quero ir
07 - Soul tabarôa
08 - Todo mundo esta feliz
09 - Aos trancos e barrancos
10 - Eu nao quero dizer nada
11 - Dr.Pacheco
12 - Finale


1973 - Krig-ha Bandolo
Faixas:
01 - Intro Good rockin’ tonight
02 - Mosca na sopa
03 - Metamorfose ambulante
04 - Dentadura postiça
05 - As minas do rei salomao
06 - A hora do trem passar
07 - Al capone
08 - How could o know


1973 - O Rebu (Trilha Sonora Da Novela Composta Por Raul Seixas E Paulo Coelho)
Faixas:
01 - Como Vovó Já Dizia (Raul Seixas)
02 - Porque – 2:02 (Interpretação: Sônia Santos)
03 - Planos de Papel (Raul Seixas)
04 - Catherine (Paulo Coelho)
05 - Murungando (Raul Seixas)
06 - O Rebu (Interpretação: Orquestra Som Livre)
07 - Salve a Mocidade (Luiz Reis)
08 - Um Som Para Laio (Raul Seixas)
09 - Se o Rádio Não Toca (Fábio)
10 - Água Viva (Raul Seixas)
11 - Tema Dançante (Roberto Menescal)
12 - Vida a Prestação (Trama)
13 - Senha (Paulo Coelho)
14 - Trambique (Adilson Manhães, João Roberto Kelly)


1973 - Os 24 Maiores Sucessos Da Era Do Rock
Faixas:
01 - Abertura
02 - Rock around the clock-blue sued shoes-tut
03 - Rua algusta, o bom
04 - poor little fool-bernadine
05 - Estupido cupido-banho de lua lacinho
06 - The great pretender
07 - Diana-Little Darling-ho carol-runaway
08 - Marcianita é proibido fumar-pega ladrao
09 - Jambalaya=Shake rattle ra
10 - Only you
11 - Vem quente que eu estou fervendo


1974 - Gita
Faixas:
01 - Super Heróis
02 - Medo da chuva
03 - As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
04 - Água viva
05 - Moleque maravilhoso
06 - Sessão das dez
07 - Sociedade alternativa
08 - O trem das 7
09 - S.O.S
10 - Prelúdio
11 - Loteria da babilonia
12 - Gita


1975 - Novo Aeon
Faixas:
01 - Tente outra vez
02 - Rock do diabo
03 - A maçã
04 - Eu sou egoista
05 - Caminhos
06 - Tú es o MDC da minha vida
07 - A verdade sobre a nostalgia
08 - Para nóia
09 - Peixuxa (O amiguinho dos peixes)
10 - É o fim do mês
11 - Sunseed
12 - Caminho II
13 - Novo aeon


1976 - Há 10 Mil Anos Atrás
Faixas:
01 - Canto para minha morte
02 - Meu amigo pedro
03 - Ave maria da rua
04 - Quando você crescer
05 - O dia da saudade
06 - Eu tambem vou reclamar
07 - As minas do rei salomao
08 - O homen
09 - Os numeros
10 - Cantiga de ninar
11 - Eu nasci há dez mil anos atras

D

1977 - Raul Rock Seixas
Faixas:
01 - My way-trouble
02 - The diary
03 - My baby left me-thirty days-rip it up
04 - All I have to do si dream-put your head is
05 - Do you know What it means to kiss new orle
06 - lucilli corrine corrina
07 - Read Teddy-hard headid
08 - Just because
09 - Bye bye love be bop a lula
10 - Blue moon of kentucky-asa branca


1978 - O Dia Em Que A Terra Parou
Faixas:
01 - Tapanacara
02 - Maluco Beleza
03 - O dia em que a terra parou
04 - No fundo do quintal da escola
05 - Eu quero mesmo
06 - Sapato 36
07 - Você
08 - Sim
09 - Que Luz é essa
10 - De cabeça para baixo


1979 - Mata Virgem
Faixas:
01 - Judas
02 - As profecias
03 - Tá na hora
04 - Planos de papel
05 - Conserve seu medo
06 - Negocio é
07 - Mata Virgem
08 - Pagando Brabo
09 - Magia de amor
10 - Todo mundo explica


1979 - Por Quem Os Sinos Dobram
Faixas:
01 - Ide a min Dadá
02 - Diamante de mendigo
03 - A ilha da fantasia
04 - Na rodoviaria
05 - Por quem os sinos dobram
06 - O segredo do universo
07 - Dá-lhe que dá
08 - Movido a Alcool
09 - Réquiem para uma flor


1980 - Abre-te Sésamo
Faixas:
01 - Abra-te Sezamo
02 - Aluga-se
03 - Anos 80
04 - Angela
05 - Conversa pra boi durmir
06 - Minha viola
07 - Rock das Aranhas
08 - O conto so sabio chinês
09 - Só pra variar
10 - Baby
11 - É meu Pai
12 - A beira do pantanal


1983 - Raul Seixas
Faixas:
01 - D.D.I. - (Discagem Direta Interestelar) (Raul Seixas / Kika Seixas)
02 - Coisas do Coração - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
03 - Coração Noturno - (Raul Seixas / Kika Seixas / Raul Varella Seixas)
04 - Não Fosse O Cabral - (Penniman / Bocage / Collins / Smith) versão para Slippin' and Slidin' de: Raul Seixas.
05 - Quero Mais - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
06 - Lua Cheia - (Raul Seixas)
07 Carimbador Maluco - (Raul Seixas)
08 - Segredo da Luz - (Raul Seixas / Kika Seixas)
09 - Aquela Coisa - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
10 - Eu Sou Eu, Nicurí É O Diabo - (Raul Seixas)
11 - Capim Guiné - (Raul Seixas / Wilson Aragão)
12 - Babilina - (Vicent / Davis) versão de: Raul Seixas)
13 - So Glad You're Mine - (Arthur Big Boy Crudup)


1983 - Ao Vivo Único E Exclusivo
Faixas:
01 - My Baby Left Me
02 - Ain’t She Sweet
03 - So Glad You’re Mine
04 - Do You Know What It Means To Miss New Orleans
05 - Barefoot Ballad
06 - Blue Moon of Kentucky
07 - Asa Branca
08 - Roll Over Beethoven
09 - Blue Suede Shoes
10 - Be Bop A Lula


1983 - Raul Vivo
Faixas:
01 - Rock do diabo (Paulo Coelho - Raul Seixas)
02 - So glad you’re mine (Arthur Crudup)
03 - My baby left me (Arthur Crudup)
04 - Ain’t she sweet(Yellen - Ager)
05 - Do you know what it means to miss New Orleans (Loius Alter)
06 - Barefoot ballad (Lee Morris - Dolores Fuller)
07 - Blue moon of Kentucky (Monroe)
08 - Asa branca (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira)
09 - Roll over Beethoven (Chucky Berry)
10 - Blue suede shoes (Carl Perkins)
11 - Be-bop-a-lula (Vincent - Davis)
12 - Rock das aranhas (Cláudio Roberto - Raul Seixas)
13 - Maluco beleza (Cláudio Roberto - Raul Seixas)
14 - Sociedade alternativa (Paulo Coelho - Raul Seixas)



1984 - Metrô Linha 743
Faixas:
01 - Metrô Linha 743 (Raul Seixas)
02 - Um Messias Indeciso (Raul Seixas / Kika Seixas)
03 - Meu Piano (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
04 - Quero Ser O Homem Que Sou (Dizendo a verdade)
05 - Canção do Vento (Raul Seixas / Kika Seixas)
06 - Mamãe Eu Não Queria (Raul Seixas)
07 - Mas I Love You (Prá Ser Feliz) (Rick Ferreira / Raul Seixas)
08 - Eu Sou Egoísta (Raul Seixas / Marcelo Motta)
09 - O Trem das Sete (Raul Seixas)
10 - A Geração da Luz (Raul Seixas / Kika Seixas)



1985 - Let Me Sing My Rock N Roll

Faixas:
01 - Let Me Sing, Let Me Sing (Nadine Wisner/Raul Seixas)
02 - Teddy Boy, Rock e Brilhantina (Raul Seixas)
03 - Eterno Carnaval (Raul Seixas)
04 - Caroço de Manga ( Raul Seixas/ Paulo Coelho)
05 - Loteria da Babilônia (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
06 - Não Pare Na Pista (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
07 - Como Vovo Já Dizia (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
08 - Um Som Para Laio (Raul Seixas)
09 - Rua Augusta (Hervé Cordovil)
10 - O Bom (Carlos Imperial)
11 - Canto Para A Minha Morte (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
12 - Love Is Magick (Raul Seixas / Spacey Glow)
13 - Blue Moon Of Kentucky (Bill Monroe)
14 - Asa Branca (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira)


1986 - Raul Rock Seixas 2
Faixas:
01 - As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
02 - Não Pare na Pista
03 - Tu És o MDC da Minha Vida
04 - A Verdade Sobre a Nostalgia
05 - Teddy Boy, Rock e Brilhantina
06 - Loteria da Babilônia
07 - Como Vovó Já Dizia
08 - Al Capone
09 - Ave Maria da Rua
10 - Um Som para Laio
11 - Rockixe
12 - S.O.S.


1987 - Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Be n-Bum
Faixas:
01 - Abertura quando acabar…
02 - Cow Boy fora da lei
03 - Paranoia II (Baby Baby Baby)
04 - I’am Gita
05 - Cambalache
06 - Loba
07 - Canceriano sem lar
08 - Gente
09 - Cantar


1988 - A Pedra Do Gênesis
Faixas:
01 - Abre-te Sésamo
02 - Carimbador Maluco
03 - D.D.I. (Discagem Direta Interestelar)
04 - Mamãe, Eu Não Queria
05 - Quando Acabar O Maluco Sou Eu
06 - Cowboy Fora Da Lei
07 - Não Quero Mais Andar Na Contra Mão (No No Song)
08 - A Lei
09 - A Pedra Do Genesis
10 - Fazendo O Que O Diabo Gosta
11 - Você Ainda Pode Sonhar (Lucy In The Sky With D.)
12 - Menina De Amaralina - Raulzito E Os Panteras
13 - Rock ´N´ Roll - Raul Seixas & Marcelo Nova


1989 - A Panela Do Diabo
Faixas:
01 - Be Pop A Lula (Vincent / Davis)
02 - Rock’N Roll (Marcelo Nova / Raul Seixas)
03 - Carpinteiro Do Universo (Raul Seixas / Marcelo Nova)
04 - Quando Eu Morri (Marcelo Nova)
05 - Banquete De Lixo (Marcelo Nova / Raul Seixas)
06 - Pastor João e a Igreja Invisível (Raul Seixas / Marcelo Nova)
07 - Século XXI (Marcelo Nova / Raul Seixas)
08 - Nuit (Raul Seixas / Kika Seixas)
09 - Best Seller (Marcelo Nova / Raul Seixas)
10 - Você Roubou Meu Videocassete (Raul Seixas / Marcelo Nova)
11 - Cãimbra No Pé (Raul Seixas / Marcelo Nova)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FIM DE SEMANA CULTURALMENTE AGITADO NA CAPITAL PERNAMBUCANA


Vanessa começa turnê por Recife
Por Eugênia Bezerra

Desde seu primeiro CD, que trazia o sucesso Não me deixe só, a cantora e compositora Vanessa da Mata vem colecionando hits e fãs calorosos – destes que sabem cantar cada verso das músicas e vibram quando a artista dança no palco. Ao menos foi isso que se viu na noite do último sábado, no Teatro Guararapes, onde Vanessa fez a primeira apresentação da turnê do seu novo trabalho, Perfumes de sim.

Este show marca o lançamento do primeiro DVD de Vanessa, o Multishow ao vivo, gravado na cidade de Parati (RJ) em novembro de 2008. O espetáculo é dirigido por ela mesma, com assistência de Chico Accioly e direção musical de Kassin.

Em Pernambuco, a estreia aconteceu em um teatro lotado e bastou as luzes se apagarem para que os fãs colocassem suas câmeras digitais a postos. Quando a silhueta de Vanessa surgiu atrás da cortina transparente que cobria o (bonito) cenário florido, muitos flashes e gritos receberam a cantora. Eles ficaram ainda mais intensos enquanto ela dançava pelo palco agitando o longo vestido amarelo ao som da primeira música da noite, Baú.

O repertório seguiu com Vermelho, Quando um homem tem uma mangueira no quintal, Pirraça e o carimbó Sinhá Pureza – com Vanessa sempre cantando acompanhada pelas vozes da plateia. “Que delícia isso aqui. Recife é uma cidade muito especial para mim e para a minha carreira. Por isso comecei a turnê aqui”, afirmou a cantora, que disse estar emocionada naquela ocasião e aproveitou a pequena pausa para apresentar a banda formada por Donatinho (teclados), Stephane San Juan (bateria), Alberto Continentino (baixo) e Gustavo Ruiz (guitarras).

Além dos sucessos da carreira de Vanessa, a seleção de Perfumes de sim traz músicas inéditas de autoria da cantora, como Era você, feita para o disco do guitarrista Lenny Gordin. Ela também apresentou parcerias e composições de outros artistas como A lua e eu (de Cassiano) e Último romance (de Rodrigo Amarante). Em Boa sorte/Good luck, contou com o tecladista Donatinho para cantar os versos que são interpretados pelo músico Ben Harper no original. Este trecho do show ainda contou com Amado, Novela das oito e Joãozinho, que ela compôs para a sua tia, Rita, e Ilegais/You dont’ love me.

Ao final da apresentação, mais sucessos. Após Não me deixe só, Vanessa exclamou: “Hoje estou com vontade de ouvir vocês. É uma coisa estranha, nem dá vontade de cantar, vocês estão cantando tão bonito”. Mesmo assim, a cantora voltou para o bis e as pessoas se levantaram para dançar e cantar junto com ela na música Acode. Vanessa arriscou uns passos com a sombrinha de frevo que alguém segurava na platéia e se despediu da cidade com outro hit, Ai, ai, ai. De Pernambuco, a turnê de Perfumes de sim segue para João Pessoa, São Paulo, Salvador, Goiânia, Brasília e Rio de Janeiro.



Melodia e Naná em noite inspirada

O Teatro da UFPE foi o palco do belo encontro entre a musicalidade de Luiz Melodia e Naná Vasconcelos na noite da última sexta-feira. Melodia recebeu o amigo percussionista no show acústico Estação Melodia – em formato inédito e exclusivo para o público pernambucano. A apresentação também contou com a participação do violonista Renato Piau e faz parte da turnê do primeiro DVD do carioca, Luiz Melodia ao vivo convida (2003), no qual ele canta ao lado de artistas como Gal Costa, Elza Soares, Zeca Pagodinho e do filho, o rapper Mahal Reis.

A platéia não chegou a lotar o Teatro da UFPE, mas era formada por um número considerável de pessoas, se levarmos em conta a quantidade de shows que aconteceram entre as cidades de Recife e Olinda no fim de semana passado. Para prestigiar Melodia, havia gente de várias idades, desde os que podem ter acompanhado o lançamento de Pérola negra (1973) até os que estavam mais para 14 quilates (1997).

O atraso de cerca de meia hora causou uma certa ansiedade, e umas quatro séries de aplausos, até que a cortina se abriu e Renato Piau começou a tocar seu violão. Luiz Melodia surgiu cantando Fadas e afirmou que esperava voltar para tocar mais vezes em Recife: “É um lugar onde sou bem tratado, como bem”, brincou, mesmo trocando o nome da cidade por Natal logo em seguida. Mas o artista logo fez a correção e relacionou o ato à sua relação afetuosa com esses lugares, antes de seguir com Maura e Constrastes. Nesta última, modificou a letra, fazendo uma referência ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP): “Quanto mais longe do circo/ Sarney/Mais eu encontro um palhaço”.

O show continuou com um clima intimista e simpático. Melodia brincou com o tamanho do banco destinado a ele no palco antes de cantar Estácio, eu e você – “Não cabe nem a minha bunda. É banco de criança”, dançou e interagiu bastante com o público durante a noite. Depois deste momento convidou Naná, a quem descreveu como um convidado especialíssimo, para o palco e contou a história de um dinheiro que teria emprestado ao percussionista e que ele nunca pagou.

Juntos, tocaram músicas como Congênito, Diz que fui por aí e Dama ideal. Ficou claro o entrosamento dos três, com participações que se somavam em camadas nas composições. Naná e Piau também tocaram em dupla Fé cega, faca amolada e, em um momento em que Melodia demorou a voltar ao palco, o violonista emendou com uma composição sua, Blues do Piauí, pedindo para a plateia perder a timidez e cantar com eles.

Com Farrapo humano, Melodia entrou em cena e seguiu com sucessos como Pérola negra e Cara a cara – sem falar em um trecho de Último regresso, de Getúlio Cavalcanti. Após despedir-se, voltou pedindo para que iluminassem a plateia que cantava com eles Estácio, holly Estácio, Codinome beija-flor e Mulher rendeira e que aplaudiu bastante o trio ao final do show.



Seu Jorge dá carinho e lição de moral à plateia

Em um fim de semana repleto de shows no Grande Recife, a noite de sábado esteve bem movimentada nas ruas. Nos espaços destinados aos espetáculos, como no Cabanga Iate Clube, não foi diferente. A área descoberta do clube, onde foi montado um grande palco para as apresentações de Seu Jorge, Casuarina e Sambão do Preto Velho, ficou simplesmente intransitável devido às milhares de pessoas atraídas para o evento.
A festa, uma aposta arriscada por ser a céu aberto – afinal, tecnicamente ainda estamos no inverno – valeu-se de uma noite quente e deu certo. A atração principal, Seu Jorge, subiu ao palco à 1h25 e se apresentou por duas horas com sua big band de música popular brasileira. A plateia queria se divertir, e o cantor sabe muito bem dar o que que o público gosta.

O repertório obviamente contemplou os sucessos da carreira do músico carioca, como Carolina, Chega no suingue, Mangueira, O samba taí e Hagua, do álbum Samba esporte fino, América do Norte, Trabalhador, Burguesinha, Mina do condomínio e Samba rock, do CD América Brasil, além de São Gonça (de Cru), Zé do Caroço (de Ana & Jorge), a nova Pessoal particular, e uma versão para Mas que nada (Jorge Ben Jor).

No palco, porém, Seu Jorge é o cara. Faz carinho, mas também bate e assopra, no melhor estilo vocês vão ter que me engolir. Dá espaço para seus instrumentistas (percussão, sopros e cordas) mostrar o talento de cada um em solos completos. Em clima de pura diversão, parte do público ligada apenas na vibe da azaração até consegue se concentrar no momento mais engajado do artista, quando ele recita Nego drama. Outra parte da plateia, contudo, aproveita para circular, alguns contestando a “morgação”.

E a atitude do cantor não se resume a sua obra. Sempre antenado, faz reverência à cultura pernambucana citando grupos como Cascabulho, Mombojó e Coral Edgard Moraes. “As coisas daqui têm muito valor”, ensina Seu Jorge, que é malandro, mas não é mané.



Fim de semana com alta sintonia
Sexta e sábado, o Teatro do Parque recebeu quatro representantes da cena musical recifense com apresentações diversificadas e impecáveis

Por Marcos Toledo


O teatro, definitivamente, é o lugar do artista. Músico, ator, dançarino, é no palco dessa casa de apresentações onde podemos observá-lo em sua melhor performance nos mínimos detalhes. Foi o que aconteceu nas noites de sexta-feira e de sábado passados, no Teatro do Parque, onde ocorreram os shows do Sintonizando Recife. China, 3namassa, Maquinado e Mombojó fizeram na cidade o primeiro show desde o lançamento, em São Paulo, do projeto da MTV em uma experiência modelo para a cena musical local que para muita gente funcionou como uma versão modernizada de eventos ocorridos no passado, como o Pixinguinha e o Seis e Meia.

A casa, com capacidade para quase mil pessoas, contou com um bom público, especialmente na primeira noite, quando não lotou, mas ficou bem cheia. Os dois dias foram marcados pela exibição de maturidade dessa nova antiga (ou antiga nova) geração da música pernambucana em sintonia com o que há de mais atual em termos de conceito e interpretação da música pop no Brasil e no mundo, e que mostrou ainda repertórios consolidados e já fase de renovação e evolução.

A grande expectativa ficou por conta do 3namassa – atração da sexta-feira –, projeto do baterista Pupillo e do baixista Alexandre Dengue (Nação Zumbi) e do tecladista/MC Rica Amabis (Instituto) no qual eles convidam cantoras e atrizes para interpretar suas canções. Um trabalho interessante e de formato ímpar, no qual os compositores interagem e dividem os holofotes com as intérpretes (em contraponto ao modelo tradicional em que se compõe uma canção que é entregue ao cantor). No palco, ocorre uma química muito boa de explosão de sensualidade das cantoras com o instrumental supracriativo dos demais músicos, que contaram ainda com a participação do guitarrista cearense Júnior Boca. Um clima descolado e pra cima só comparado à vibe do filme filme Pulp fiction, de Quentin Tarantino.

O show contou com a participação de três das 13 musas do álbum Na confraria das sedutoras – Karin
e Carvalho, Nina Becker e Lurdes da Luz –, além de Marina de la Riva, uma escolha bem apropriada, por sua voz potente e pela exigência de dramatização do espetáculo. O quarteto se revezou em dez temas do disco e os três restantes (com as atrizes Leandra Leal, Simone Spoladore e Alice Braga) rolaram no telão. Cada qual em seu estilo, mas mostrando uma unidade muito boa. O terço final do repertório contemplou um repertório de standards com temas de Olivia Newton-John (Loving you), The Greenhornes (There is an end), Roberto Carlos (Quero ter você perto de mim), Tom Waits (Jockey full of bourbon) e Madonna (Deeper and deeper) em arranjos peculiares ao som do grupo. Deixou gosto de quero mais.

Ainda na sexta – dia repleto de artistas na plateia, como músicos e cineasta – China e sua bem
lapidada H.Stern Band mostou um show redondinho todo em cima de seu segundo CD, Simulacro, com arranjos sutilmente modificados. Além de tocar 80% das canções do disco, o cantor incluiu novos temas, como o já conhecido Espinhos (gravado por Zé Cafofinho em Um pé na meia, outro de fora), mais Overlock e Distante amigo, dedicada ao músico O Rafa (Mombojó), falecido há dois anos. O baixista Hugo Gila, que gravou em Simulacro, fez uma participação em Jardim de inverno.

Foi No sábado, o guitarrista Lúcio Maia (Nação Zumbi) desconstruiu todo o repertório de seu projeto paralelo Maquinado. O músico, que entrou no palco usando uma máscara cirúrgica das que se tem usado para se proteger da gripe A(H1N1), lembrou as provocações do velhos tempos de mangueboy. Depois, tocou os hits Sem concerto, O som e Vendi a alma, do CD Homem binário, mostrou músicas novas, como Super-homem plus e Exter the dragon (homenagem a Bruce Lee), e destilou sua releitura para temas de Jimi Hendrix (Are you experienced?), Jorge Ben Jor (África Brasil) e até Tom Jobim (Wave) e Nelson Cavaquinho (Juízo final).

Os dois dias de tertútlia encerraram com um show preciso do Mombojó. Um espetáculo bem-arrumado para seus fãs, cada vez mais jovens e numerosos. Uma plateia peculiar, naturalmente desinibida, que canta todas as músicas, dança, pula e sobe ao palco para fazer coreografias.

o concerto mais longo do Sintonizando Recife, com uma hora e 20 minutos de duração. O repertório contemplou em sua maioria canções do disco de estreia, Nadadenovo, algumas do segundo, Homem-espuma, e outras novas, como Amigo do tempo, Triste demais, Justamente e Antimonotonia. Mesmo assim, não deu para quem quis. O que ficou de fora era incessantemente pedido para o público.

O DJ Tchêras, que compareceu nos dois dias, elogiou o formato do projeto, a escolha das bandas e o clima proporcionado por um evento em um teatro no Centro da Cidade. “O bom é que dá para prestar atenção, com penetração melhor, respeito e silêncio”, analisou. “Tanto é que deu certo. Deu muita gente.”

domingo, 16 de agosto de 2009

ONDE ANDARÁ O MEIO-IRMÃO DO CHICO BUARQUE?

Caso esteja vivo, o filho de Sérgio Buarque de Hollanda com uma alemã de Munique teria perto de 80 anos, embora é possível que tenha morrido durante a Segunda Guerra. Ana de Hollanda comentou o fato à Deutsche Welle.


Nem mesmo a internet permitiu desvendar um curioso mistério que perdura há décadas na família Buarque de Hollanda: o paradeiro de Sérgio Georg Ernst, nascido em Berlim por volta de 1930, filho de Anne Margerithe Ernst com Sérgio Buarque de Hollanda. Quase 80 anos depois, o destino de um dos descendentes do autor de Raízes do Brasil (1936) permanece incógnito.

A probabilidade de o alemão Sérgio Georg ter morrido durante a Segunda Guerra Mundial ou em decorrência dela é ainda a hipótese mais forte que se cogita. Berlim e Munique – cidade de origem de Anne Margerithe, para a qual mãe e filho podem ter voltado – estavam no olho do furacão desde a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933.

Correspondente na Alemanha

Em 1929, Sérgio Buarque de Hollanda chegou à Alemanha, incumbido de realizar reportagens para O Jornal, publicação de Assis Chateaubriand. Desembarcando em Hamburgo e seguindo logo para Berlim, o brasileiro tinha planos de passar também pela Polônia e pela Rússia, mas a visita à então União Soviética acabou não acontecendo por questões burocráticas.

A estadia em Berlim, que durou até o Natal de 1930, foi um período central na formação do historiador e sociólogo, no qual teve oportunidade de entrevistar, entre outros, o escritor Thomas Mann, além de travar contato com intelectuais europeus de várias áreas, frequentar aulas de História e Ciências Sociais na Universidade de Berlim e ainda colaborar com revistas teuto-brasileiras.

O pensador paulistano acabou até trabalhando para a produtora cinematográfica UFA (Universum Film), fazendo versões em português para diversos filmes alemães, entre eles o clássico Anjo Azul, de Josef von Sternberg, estrelado por Marlene Dietrich. Isso tudo, claro, sem abrir mão do direito à boemia.

"Papai ficou muito triste quando veio a guerra, porque tinha lembranças de um tempo muito feliz na Alemanha", afirma a cantora e compositora Ana de Hollanda, um dos sete filhos de Sérgio Buarque com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim.

A revelação do poeta


A primeira vez que um dos filhos de Sérgio e Maria Amélia ouviu falar da existência de um irmão na Alemanha foi durante um encontro que Chico Buarque teve na casa do poeta pernambucano Manuel Bandeira. Acompanhado de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que era grande amigo de seu pai, Chico ouviu Bandeira tocar piano, mas o que mais o impressionou foi a revelação feita pelo poeta de que Sérgio Buarque tinha um filho na Alemanha.

"Eu fiquei muito chocado e, quando pude ir a São Paulo [cidade em que o historiador vivia], perguntei ao meu pai sobre isso. No começo, ele não quis falar, mas depois abriu o jogo", contou Chico à Folha de S.Paulo em janeiro de 1994.

Ana, irmã de Chico, revela mais detalhes: "Meu pai conheceu Anne Margerithe e viveu com ela em Berlim. Acho que ele soube aqui no Brasil que ela tinha engravidado e colocado o nome de Sérgio Georg Ernst no filho. Papai se casou com minha mãe em 1936 e, quando veio a guerra e a perseguição aos judeus, Anne Margerithe pediu a meu pai que enviasse documentos que comprovassem que ele não tinha ascendência judaica."

Segundo Ana, sua mãe chegou até a oferecer que Anne mandasse o menino ao Brasil enquanto aquela situação perdurasse. "Minha mãe encarou essa e papai escreveu para a mãe do menino, dizendo que estava casado e que ele e minha mãe poderiam cuidar da criança", conta Ana.

"A gente sabe muito pouco sobre ele. Vi duas fotos dele pequeno e sabia que a mãe era de Munique", continua. "Papai conseguiu o atestado de batismo dele e o mandou. Perguntou se Anne não queria enviar o menino, mas ela não respondeu. Acho que não estava querendo muita conversa com meu pai. E nunca mais se teve notícias. Com a guerra, as pessoas se mudaram, e pode até ser que, aos 14 anos, Sérgio Georg tenha sido convocado."

Procura em vão

Ana de Hollanda se lembra perfeitamente da época em que a história do irmão veio à tona. "Essas coisas de família são sempre meio complicadas. Naquele tempo, tudo era meio secreto, apesar de não haver problema algum, já que papai não era casado nem nada".

Em entrevista à revista Realidade, em 1974, Sérgio Buarque de Hollanda foi categórico ao descrever a relação que mantinha com a família: "Eu, Maria Amélia e nossos filhos sempre nos tratamos com igualdade, sem relações formais. E, principalmente, não conhecemos a mentira".

De lá pra cá, os Buarque de Hollanda nunca abandonaram por completo a hipótese de conhecer Sérgio Georg. Chico Buarque, o integrante mais famoso da família, contou diversas vezes à imprensa – inclusive à estrangeira – sobre a existência de um irmão na Alemanha, mas nenhuma novidade apareceu a respeito.

O próprio Sérgio Buarque chegou a procurá-lo. “Papai voltou à Alemanha, se eu não me engano, em 1977 e procurou pelo filho, principalmente na região de Munique, para ver se o encontrava. Eu e Chico também o procuramos na Alemanha, mas não encontramos pistas. Ele também nunca nos procurou. Nunca houve nenhuma manifestação dele em busca de nossa família”, revelou Ana de Hollanda à Deutsche Welle.

A passagem de Sérgio Buarque de Hollanda pela Alemanha contribuiu substancialmente para que o historiador concluísse Raízes do Brasil. "Escrevi dois capítulos na Alemanha, quando lá morei", declarou Sérgio Buarque à imprensa brasileira em 1976. Mas o público alemão só teve acesso à obra em 1995, quando foi publicada pela editora Suhrkamp, de Frankfurt.

sábado, 15 de agosto de 2009

10 ANOS SEM CARLOS CACHAÇA

Ao longo do mês de agosto é visível pelo nosso calendário musical que a MPB de um modo geral perdeu muitas estrelas. Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Raul Seixas entre outros nomes. Durante esse mês a música brasileira perdeu também dentre esses grandes nomes uma figura relevante no mundo da música e do samba: Carlos Cachaça. Que amanhã, dia 16, completa-se 10 anos de seu falecimento aos 97 anos de idade.

Filho de funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, nasceu no morro da Mangueira, em uma das casas que a companhia alugava para seus funcionários. Seu pai, Carlos, abandonou a família. D. Inês, sua mãe, vendo-se em dificuldade para criar seus seis filhos menores, o entregou ao padrinho, o portuguêsTomás Martins, dono de vários barracos no morro da Mangueira. Logo, o menino passou a fazer cobranças, lidar com recibos e anotações dos aluguéis, substituindo o padrinho analfabeto.


Aos 16 anos, atuava como pandeirista no conjunto de Mano Elói (Elói Antero Dias).

O pseudônimo "Cachaça" surgiu em uma das reuniões na casa do tenente Couto (do Corpo de Bombeiro), na qual estavam presentes três Carlos. Para diferenciá-lo, o anfitrião sugeriu "Cachaça", bebida preferida do compositor, na época com 17 anos.

Aos 20 anos, compôs a sua primeira música "Não me deixaste ir ao samba em Mangueira", gravada mais tarde pelo próprio autor com o nome "Não me deixaste ir ao samba". Algumas fontes afirmam que seu primeiro samba foi "Ingratidão", composto em 1923 aos 21 anos.

Em 1922, conheceu Cartola, com quem mais tarde comporia diversos clássicos.

Fundou, em 1925, juntamente com Cartola, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Saturnino Gonçalves, o Bloco dos Arengueiros, que mais tarde deu origem à Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, da qual também foi um dos fundadores, participando de todas as reuniões preliminares sem, contudo, comparecer à reunião de fundação por estar de serviço.

No ano de 1926, entrou para Estrada de Ferro Central do Brasil, galgando vários cargos, permanecendo até o ano de 1965, quando se aposentou como oficial de administração. Com sua primeira mulher, Maria Aída da Silva, teve três filhos: Luco, José Carlos e Marinês.

Casou-se com Menininha (Clotilde da Silva, falecida em 1983), irmã de Dona Zica, com a qual viveu durante 45 anos.


Até 1929, a Mangueira não tinha samba definido para o desfile; eram cantados sambas de vários autores, geralmente só com a primeira parte, pois a segunda era improvisada pelos chamados "versadores".

Em 1929, a Escola desfilou com o samba "Chega de demanda", parceria de Carlos Cachaça e Cartola.

No ano de 1931, dois sambas de sua autoria fizeram parte da apresentação da escola: "Jardim da Mangueira" e "Na floresta", ambos em parceria com Cartola. No ano seguinte, a escola classificou-se em primeiro lugar no desfile da Praça Onze, no dia sete de fevereiro. Neste desfile, a primeira música, "Pudesse meu ideal", feita em parceria com Cartola , sagrou a escola campeã naquele ano. No ano seguinte, em 1933, a Mangueira desfilou com outro samba de sua autoria: "Homenagem", que se tornou o primeiro samba-enredo a mencionar personagens da História do Brasil. Consta também que para o desfile daquele ano a escola providenciou alguns quadros (estandartes) com os rostos dos poetas citados no samba (Gonçalves Dias, Castro Alves e Olavo Bilac), dando origem, assim, ao que mais tarde se chamaria de "alas". Além disso, a Mangueira foi uma das primeiras a unir samba ao enredo, originando o samba-enredo. Alguns pesquisadores afirmam que o samba-enredo deste ano foi "Uma segunda-feira no Bonfim da Ribeira", mas o próprio Carlos Cachaça afirmou à Marília T. Barboza, no livro "Alvorada - Um tributo a Carlos Moreira de Castro" a presença do seu samba "Homenagem".

Em 1936, Aracy de Almeida gravou "Não quero mais" (Carlos Cachaça, Cartola e Zé da Zilda). Na etiqueta do disco o nome de Cartola não aparece, constando somente os de José Gonçalves (Zé da Zilda) e Carlos Moreira da Silva (Carlos Cachaça). Anos depois, o samba viria a ser gravado por vários artistas da MPB com o nome "Não quero mais amar a ninguém". Dois anos depois, em 1938, foi o primeiro compositor a ganhar o Concurso da Feira de Amostra, com o samba "Pátria querida" (c/ Cartola).

Em 1940, o maestro Leopoldo Stokowski veio ao Brasil, em missão especial, para gravar "a autêntica música brasileira". Em contato prévio com o maestro Villa-Lobos, foram acertados os compositores e as músicas que seriam gravadas e destinadas ao Congresso Folclórico Pan-Americano. Villa-Lobos selecionou, entre outros, Pixinguinha, Donga, Luiz Americano, João da Baiana, David Nasser, Zé Espringuela, Jararaca e Ratinho, Cartola e Carlos Cachaça. Este, contudo, não pôde comparecer por estar de serviço na Central do Brasil. Mas sua composição "Quem me vê sorrindo", ou "Quem me vê sorrir" (c/ Cartola), foi interpretada por Cartola que, pela primeira vez, gravou sua voz em disco, acompanhado pelas pastoras da Mangueira. Neste mesmo ano, a escola desfilou com "Lacrimário" de sua autoria, ou, segundo outras fontes, "Prantos, pretos e poetas".

Em 1947, a Mangueira classificou-se em segundo lugar com o samba-enredo "Brasil, ciência e arte", em parceria com Cartola. No ano seguinte, foi a primeira escola a colocar som no desfile. Neste ano de 1948, a escola classificou-se em quarto lugar com o samba "Vale do São Francisco" (c/ Cartola).

Nuno Veloso gravou no ano de 1960 pela RCA Victor o samba "Brasil, ciência e arte" (c/ Cartola). No ano de 1968, juntamente com Clementina de Jesus, Odete Amaral, Cartola e Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça gravou pela Odeon o LP "Fala, Mangueira". Neste disco, foram incluídas de sua autoria: "Tempos idos" (c/ Cartola), "Alvorada" (c/ Cartola e Hermínio Bello de Carvalho), "Quem me vê sorrindo" (c/ Cartola), e "Lacrimário". No ano seguinte, Elizeth Cardoso gravou "Não quero mais amar a ninguém" no LP "A bossa eterna de Elizete e Ciro volume 2", de Elizete Cardoso e Cito Monteiro.

No ano de 1972, Clara Nunes interpretou "Alvorada" em LP pela Odeon e Claudette Soares, pela gravadora Philips, cantou "Vale do São Francisco". No ano seguinte, Os Pequenos Cantores da Guanabara gravaram "Não quero mais amar a ninguém", pelo selo Fontana.

Em 1974, Paulinho da Viola, no disco "Nervos de aço", interpretou "Não quero mais amar a ninguém" (c/ Cartola e Zé da Zilda). Neste ano, o selo Marcus Pereira lançou a série "História das Escolas de Samba: Mangueira". Neste disco, foram incluídas de sua autoria "Quem me vê sorrindo" e "Alvorada". Ainda neste disco, o próprio autor interpretou duas composições: "Vingança" e Homenagem". Ainda em 1974, seu parceiro Cartola interpretou "Vale do São Francisco", e "Alvorada" no LP lançado pelo selo Marcus Pereira.

Em 1976, participou como convidado especial do LP de Clementina de Jesus. Neste disco, pela gravadora Odeon, foram incluídas de sua autoria "Não quero mais amar a ninguém", "Itinerário" e "Lacrimário". Neste mesmo ano, lançou pela gravadora Continental seu primeiro disco individual: "Carlos Cachaça", no qual registrou de sua autoria: "Todo amor" e "Quem me vê sorrindo", ambas em parceria com Cartola, e ainda "Clotilde", valsa dedicada à esposa Menininha, "As flores e os espinhos", "Se algum dia", "Não me deixaste ir ao samba", "Juramento falso", "Cabrocha" e "Harmonia em Mangueira", entre outras.

Em 1978, Odete Amaral regravou "Quem me vê sorrindo", "Tempos idos" e "Alvorada no morro", em disco lançado pela Odeon. Emílio Santiago, em 1980, interpretou "Alvorada". No ano seguinte, Noite Ilustrada regravou a música.

Em 1982, Cartola, pela gravadora Eldorado, interpretou "Quem me vê sorrindo", parceria de ambos. No ano de 1988, Leny Andrade, no disco em homenagem a Cartola produzido pela Coca-Cola, interpretou "Não quero mais amar a ninguém" e "Alvorada". Neste mesmo ano, Cartola em disco lançado pela gravadora RCA, incluiu "Tempos idos" e "Ciência e arte", parceria de ambos.

Em 1989 o produtor japonês Katsunori Tanaka, pelo selo Office Sambinha, lançou no Japão o disco "Mangueira chegou - Velha-Guarda da Mangueira", no qual Carlos Cachaça, fazendo parte da Velha Guarda da Mangueira, interpretou "Ciência e arte" (c/ Cartola). No disco também foi incluída de sua autoria "Não quero mais amar a ninguém" (c/ Cartola e Zé da Zilda).

Em 1991, em outro disco de Cartola, desta vez pela RGE, foi incluída a música "Alvorada". Três anos depois, ao lado de Tom Jobim, Chico Buarque, Herivelto Martins, Maria Bethânia, Joyce, Gal Costa, Johnny Alf, Paulinho da Viola e Caetano Veloso, participou do CD "No Tom da Mangueira". Maria Bethânia, em 1995, no disco "Cantoria", de Hermínio Bello de Carvalho, interpretou "Alvorada". No ano seguinte, Cláudia Telles interpretou "Alvorada" e Fernando Rocha, no disco em homenagem a Cartola, incluiu "Alvorada" e "Não quero mais amar a ninguém".

Em 1997, pela gravadora Dubas, o grupo Arranco interpretou "Quem me vê sorrindo" e "Ciência e arte", ambas em parceria com Cartola. Neste mesmo ano, Cartola em CD da gravadora BMG interpretou "Tempos idos".


Foi presidente de honra da Mangueira e da Academia Brasileira da Cachaça, da qual constam apenas 40 membros acadêmicos.

Em 1998, antes de falecer, fez seu último desfile pela Mangueira. Já debilitado em uma cadeira de rodas, presenciou a escola sagrar-se campeã com o enredo "Chico Buarque da Mangueira", desfilando ao lado do homenageado, que o beijou repetidas vezes.

Ainda em participou do disco "Chico Buarque de Mangueira", pela gravadora BMG, Alcione, Leci Brandão e Chico Buarque interpretaram "Alvorada". No ano seguinte, o Arquivo-Geral da Cidade do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Cultura produziram o CD duplo "Mangueira - sambas de terreiro e outros sambas", com músicas resgatadas de uma fita gravada ainda na década de 1960 na casa de Carlos Cachaça. Neste disco, o anfitrião aparece em várias faixas, cantando ao fundo ou fazendo coro. Ainda neste álbum duplo, Carlos Cachaça aparece ao lado de Hermínio Bello de Carvalho e Nelson Sargento interpretando "Lacrimário" e "Pátria querida", e ainda "Não me deixaste ir ao samba", e a música "Meu amor já foi embora" (Cartola e Zé Com Fome), conta com Cartola na voz e ao violão. No mesmo disco, foram incluídas outras composições de sua autoria: "Vale do São Francisco", "Tempos idos", interpretadas por Cartola e "Se algum dia", esta última cantada por Carlos Cachaça, todas gravadas na década de 1960.

No carnaval do ano de 2002, o Bloco Carnavalesco MIS a MIS teve como tema "Carlos vai, Carlos vem e a poesia se dá bem", homenagem a Carlos Drummond de Andrade e a Carlos Cachaça. Ainda em 2002, Nelson Sargento e Carol Sabóia participaram do Projeto "O samba agradece", na Sala Funarte Sidney Miler, no Rio de Janeiro, no qual homenagearam Carlos Cachaça interpretando várias composições do mangueirense. Neste mesmo ano de 2002 a gravadora Nikita Music relançou o CD "Mangueira chegou" (originalmente produzido para o mercado japonês). No dia de seu aniversário houve queima de fogos na Mangueira e uma apresentação da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro e logo depois uma roda de samba com vários amigos: Monarco, Nélson Sargento, Délcio Carvalho e Luiz Carlos da Vila, entre outros. As comemorações continuaram durante toda a semana: Roda de samba no Café Cultural Sacrilégio, na Lapa, e show-homenagem no Teatro Carlos Gomes, organizado por sua filha Inês de Castro e com a participação de vários artistas: Jurandir da Mangueira, Élton Medeiros, Monarco, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, Carmem Costa e Nelson Sargento.

Sendo assim, muitos dizem que não há nenhuma explicação lógica para o mês de agosto ser considerado o mês do desgosto. Mas para a nossa MPB há muito no que se acreditar.


CARLOS CACHAÇA - MESTRES DA MPB (1976)
Faixas:
01- Todo amor (Carlos Cachaça - Cartola)
02 - Quem me vê sorrindo (Carlos Cachaça - Cartola)
03 - Amor de carnaval (Carlos Cachaça)
04 - Crueldade (Carlos Cachaça)
05 - Se algum dia (Carlos Cachaça)
06 - Não me deixaste ir ao samba (Carlos Cachaça)
07 - Harmonia em Mangueira (Carlos Cachaça)
08 - As flores e os espinhos (Carlos Cachaça)
09 - Cabrocha (Carlos Cachaça)
10 - Juramento falso (Carlos Cachaça)
11 - Clotilde (Carlos Cachaça)
12 - Alvorada (Carlos Cachaça - Cartola - Herminio Bello de Carvalho)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

FALA, MANGUEIRA (DOCUMENTÁRIO DE 1981)

1ª Parte:


2ª Parte:


3ª Parte:


4ª Parte:


5ª Parte:


6ª Parte:

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

CAETANO VELOSO FALA DE ZII E ZIE, SHOW QUE TRAZ AO RECIFE

Por José Teles

A começar pelo nome em italiano, o novo disco de Caetano Veloso instiga. O conteúdo, que ele chama de transrock, não deixa ninguém indiferente. O dileto filho de Santo Amaro da Purificação nunca foi unanimidade nacional, porque nunca praticou o bom mocismo estilístico. São constantes as guinadas em sua obra. O show Zii e zie é a continuidade da última guinada, iniciada com . Caetano aporta com a turnê de Zii e zie no Teatro Guararapes, domingo próximo, acompanhado pela Banda Cê (trio Marcelo Callado, bateria, Pedro Sá, guitarra, e Ricardo Dias Gomes, baixo e teclado). Por e-mail, ele concedeu esta entrevista, na qual comenta, entre outras coisas, Zii e zie, o comportamento do público diante de músicas que fogem ao padrão com que está acostumado ou bandas indies que tem escutado, como a Animal Collective e TV on the Radio.

JC – No show Cê, que vi pela primeira vez no TIM Festival, para um público pequeno, e jovem em sua maioria, notei que as novas músicas foram muito bem-aceitas. Já no Teatro Guararapes, observei pessoas saindo antes do final, certamente pela roupagem roqueira do show. Será que até hoje a guitarra elétrica e o rock não foram assimilados por uma geração que curtiu o pop de Roberto Carlos e dos Beatles nos anos 60?
CAETANO VELOSO – Lembro de que o Guararapes estava meio vazio – coisa que não aconteceu no resto do Brasil. No TIM Festival, assim como no Circo Voador, o show Cê se encontrava com um público parecido com ele: gente jovem ou, de todo modo, gente mais livre – e muitas vezes ligada na música criativa que os jovens fazem hoje no mundo. Em ambientes mais convencionais, as plateias ficavam um pouco frustradas. Mas não notei a saída de espectadores no Guararapes. Isso me faz pensar na quantidade enorme de pessoas que deixavam o teatro, tanto no Rio quanto em São Paulo, quando, de volta de Londres, eu cantava, já perto do final do show, Quero que vá tudo pro inferno e repetia dezenas de vezes a frase final.


JC – Seria isto um ranço antiamericano da geração “abaixo o acordo Mec-Usaid”?
CAETANO – Não creio. É uma gente que pode gostar de baladas de Whitney Houston ou de Stevie Wonder – e que talvez tenha passado a gostar mais do Roberto baladeiro católico do que do infernal rei do iê-iê-iê. Não há motivação política nenhuma visível na cara dessas senhoras com silicone e botox que arrastam os maridos para shows aos sábados.


JC – A pergunta é pelos comentários que escutei de muitos fãs sobre seu A Foreign sound, o disco de standards da música americana.
CAETANO – Você está relacionando reações antiamericanas por parte de pessoas politizadas quando eu gravei A foreign sound? Eu me orgulho muito de tê-lo feito quando os EUA eram mais odiados. Mas essa gente não tem nada a ver com os simpáticos caretas que se assustavam com o repertório e o som de Cê.


JC – Eu vi Zii e zie como uma espécie de, com licença da expressão, “linha evolutiva” do tropicalismo, na medida que Alegria alegria é uma marchinha, e Zii e zie é um disco de sambas, com outra vestimenta, mas sambas. É isto?
CAETANO – Zii e zie é mais “linha evolutiva” do que Cê. Acho até que é um show muito mais palatável para os caretas (o que não faz dele um show careta). Cê era de ruptura, Zii e zie é de reflexão, aprofundamento de observações, ampliação do espectro temático. O samba entra, sim, em parte, como a marchinha em Alegria, alegria. Não é que o samba precise disso (como a marchinha não precisava). Gostei de dizer que é “transrock” porque é o rock que é tranformado pelos transambas que compus e tocamos.


JC – Antigamente as pessoas conseguiam assimilar mais novidades, como por exemplo, o samba de batida diferente no violão, criado por Gil a partir de Ladeira da Preguiça, depois seguido por João Bosco em Bala com bala?
CAETANO – O Brasil é um País que pôde assimilar a bossa nova, o experimento radical de João Gilberto, e fazer dela um sucesso popular – e ainda exportá-la. O samba de Gil, herdeiro do samba-jazz do Beco das Garrafas e irmão do Fino de Elis e Zimbo, influenciou Djavan e João Bosco (embora em outros aspectos eles fossem mais fundamente influenciados por Milton). Há muita riqueza e complexidade para o país metabolizar, não exijamos demais dele nesse item agora.


JC – Em algums críticas que li, tanto de Cê quanto de Zii e zie, assinadas, em grande parte por jornalistas jovens, tem-se uma impressão que eles acham que por você estar na casa dos 60 é um estranho no ninho das guitarras plugadas na pedaleira e no formato indie deste dois discos. Ao mesmo tempo este pessoal não poupa elogios, nem deixa passar esta idéia quando escrevem sobre Bob Dylan, com seus 60 e tantos anos. Vocês dois revolucionaram a música de seus países ao deixar de dar exclusividade ao violão, em seus discos e shows. Por que estes dois pesos e duas medidas? Ainda o velho colonialismo cultural?
CAETANO – Se acontece isso (eu não percebi assim tão claramente) é, sem nenhuma dúvida, atitude colonizada por parte desses críticos.


JC – O disco foi concebido enquanto você comentava sua feitura, apresentava as canções no blog Música em Progresso. O progresso das canções foram realmente interrompidos com o fim do blog, a gravação do CD, ou você sente que algumas canções merecem ainda algumas, digamos, progressões?
CAETANO – Claro que as canções, ao longo da turnê, vão ganhando jeitos novos. Nós vamos tocando e com isso vamos descobrindo potencialidades nelas e nos arranjos. Começamos tudo com shows semanais no Rio – o que foi logo seguido pelo acompanhamento na internet. Pronto o disco, fechamos o blog. Mas as canções continuam vivas e mudando.

JC – Lendo o blog, realmente impressiona a quantidade de novas bandas e artistas, brasileiros e gringos, que você escuta. Esta, vamos dizer, “fome” de conhecer o que está se passando sempre existiu em você? Até que ponto escutar tanta música influencia sua própria música?
CAETANO – Eu ouvia muito mais música quando era jovem. E guardava mais na memória. No blog aparecem apenas alguns dos artistas e bandas que tenho ouvido, meio acidentalmente, nos últimos tempos, e de quem temos falado – eu os caras da banda e amigos outros. Por exemplo: saí com dois amigos americanos em Nova Iorque, há uns dois anos, e vi uma banda chamada Animal Collective, tocando ao ar livre, debaixo de chuva fina, na beira do cais. Tinha uma plateia com pinta de antenada. Gostei. Comprei um CD. Ouvi em casa. Um dia li na Folhateen sobre TV on the Radio. A banda veio ao Rio e um dos caras quis falar comigo: conhecia minha música e dizia admirar. Acho que era o Tunde. Daí fui ouvir bem o disco deles. Gostei demais.

Faz mais de um mês, Hermano Vianna me mandou artigo de Sasha Frere Jones na New Yorker elogiando uma banda paulista chamada babe, terror (assim mesmo, em minúsculas e sem que a gente saiba se as palavras são inglesas ou portuguesas: o próprio cara – é banda de um homem só – escreveu texto para o Frere Jones explicando o que “terror” significa em português, como se em inglês não existisse a palavra). Fui ouvir no MySpace. Fascinante. Li no The Guardian que o som dele tem a ver com o do TV on the Radio e com o de Animal Collective. Eu próprio pensei até em Araçá azul, embora sinta que o paulista, esse, não pensasse nisso. Li depois que ele fala em Mutantes e Clube da Esquina. Contei tudo isso para você entender como é que chego às coisas acidentalmente e como elas entram em contexto na minha cabeça. Como essa histórias várias pintam. Mas não sento mais para ouvir discos por horas a fio. Finalmente, tudo influencia minha música. Mas não me sinto muito competente para ser influenciado por gente boa.

JC – E a banda Cê, até quando você continuam trabalhando juntos?
CAETANO – Quem sabe a gente completa uma trilogia?

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