terça-feira, 24 de maio de 2016

DICRÓ, 70 ANOS



Em abril de 2012, o samba brasileiro perdeu uma de suas maiores estrelas. O compositor e cantor Dicró, faleceu aos 66 anos, após sofrer um infarto. Autor de clássicos de humor no samba, como “A vaca da minha sogra”, “Botei minha nega no seguro”, “Funeral do Ricardão”, “Olha a rima” e “Chatuba”, o músico preparava a sua autobiografia, que pretendia lançar este ano, “Dicró e salteado”.



Famoso no subúrbio carioca, o sambista nasceu em Mesquita, e cresceu na favela de Jacutinga. Nascido Carlos Roberto de Oliveira, o apelido surgiu de uma abreviação de seu nome. Os sambas de sua autoria eram impressos com as iniciais: C.R.O. Com o tempo, “De C.R.O.” acabou se tornando Dicró.


O gosto pelo samba foi adquirido em rodas de samba que aconteciam nos terreiros, pois sua mãe era uma famosa mãe de santo na região. O primeiro disco, “Barra pesada”, foi lançado em 1978 após algumas participações em álbuns de músicos como Dedé da Portela e Cartolinha.

O disco chamou a atenção da crítica por retratar tipos do cotidiano carioca, como sogra, ex-mulher, políticos e madames da Zona Sul. A Praia de Ramos, os morros e o subúrbio sempre estiveram presentes em suas letras, tanto que em 2002, o músico foi considerado “Prefeito do Piscinão de Ramos”, título que ganhou do então governador, Anthony Garotinho.

No Piscinão, há até um quiosque que ganhou o nome do cantor, e que hoje, é point de novos talentos e rodas de samba.

Autor de frases como: “Mas, malandro mesmo é o Mário, que tira moedas até do tijolo…”, “Menino quando morre vira anjo; mulher vira uma flor no céu; malandro quando morre vira samba”, “Enterra-se a sogra em épocas de secas, para não ter o problema de brotar” e “No lugar onde moro até ladrão tem medo de ir”, Dicró deixará o mundo do samba mais triste com sua ausência.

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