2013 completa-se 50 anos sem o saudoso Lalá, apelido dado ao compositor Lamartine Babo, autor dos principais hinos dos clubes de futebol do Rio de Janeiro e autor de diversas marchinhas carnavalescas.
Por Bruno Negromonte
Dos doze irmãos, foi um dos três únicos que chegaram a vida adulta e mesmo sem o menor conhecimento musical foi capaz de criar melodias maravilhosas ainda na adolescência como por exemplo a valsa “Torturas do Amor”, composta por ele aos 14 anos.
Sua primeira marchinha gravada, foi a divertida “Os Calças-Largas”, um deboche de Lamartine sobre rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a implementação da censura advinda com o Estado Novo de Getúlio Vargas, as sátira foram proibidas e a partir daí as marchinhas não foram mais as mesmas. Porém é válido lembrar que além das marchinhas carnavalescas, o versátil Lamartine, foi capaz da proeza de, em 1949, compor os hinos (não-oficiais) de todos os 11 participantes do campeonato carioca daquele ano. Patrocinado pelo programa radiofônico “Trem da alegria”, todos os hinos compostos acabaram sendo lançados em 78 rotações. Uma curiosidade sobre a composição desses hinos é que em apenas um dia “Lalá” compôs os famosos hinos dos considerados seis maiores e mais tradicionais times de futebol do Rio de Janeiro – sendo o primeiríssimo em seu coração o América F.C., além de Vasco da Gama, Fluminense, Flamengo, Botafogo e Bangu.
Algumas estórias engraçadas fazem parte da biografia do compositor mostrando o quanto Lamartine Babo era um cara despojado e irreverente. Uma dessas irreverentes estórias aconteceu no dia em que foi enviar um telegrama, e ao chegar ao no local o telegrafista bateu o lápis na mesa em morse para seu colega: “Magro, feio e de voz fina”. Lalá tirou o seu lápis e bateu: “Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista”.
Outra passagem interessante foi durante uma entrevista na década de 50 quando declarou: “Eu me achava um colosso. Mas, um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso”. Ainda sobre sua magreza costumava dizer: “Eu era tão magro que não dava fotografias às minhas fãs, dava radiografias” e todas as vezes que alguém o repreendia pela vida desregrada o mandando cair em si, ele costumava dizer: “Amigo, eu sou tão magro que se eu cair em si, eu ainda caio fora”.

Muitos dizem que Lalá especializou-se em copidescar canções mal feitas e mal arranjadas, transformando-as em grandes sucessos. Dizem que foi o caso de canções como “No Rancho Fundo” e “Uma Andorinha Não Faz Verão”. Outra composição polêmica é um dos seus maiores sucessos: “O Teu Cabelo Não Nega”. Dizem que escrita pelos irmãos pernambucanos João e Raul Valença, Lalá alterou a letra e alguns arranjos, além de criar a introdução instrumental da obra.
Sim! Não posso esquecer de lembrar também que Lalá foi tio de Oswaldo Sargentelli, o dono da casa de espetáculos “Sambão” em Copacabana. Sargentelli tornou-se conhecido nacionalmente quando teve a sua imagem associada as inúmeras mulatas que passaram em espetáculos organizados por ele.
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