sábado, 4 de junho de 2016

PETISCOS DA MUSICARIA

DI MELO IMORRÍVEL, UM NOME QUE RENASCE FORTE MPB – I

O novo disco de Di Melo, lançado 40 anos depois do primeiro, de 1975


Saí de casa com o pé atrás. O cara é uma endemia, está virando epidemia e nada indica que, com mais um tempinho, não venha a se tornar uma pandemia.

Embora já tivesse sapeado o cd antecipadamente, estava com muita curiosidade para o lançamento do novo disco do “Di Melo Imorrível”, em show ao vivo, no último dia 27 de fevereiro último, quarenta anos depois da produção de seu primeiro trabalho, em 1975.

A expectativa da crítica especializada e do fã clube “dimelista” era enorme, mas continuava uma dúvida danada: será capaz de repetir o excelente disco da EMI, comemorando seu centenário, que reproduziu o primeiro trabalho?

Eu vinha acompanhando, como frila, a nova cena musical paulistana, com olhar especial para a turma que vem de Pernambuco, aparentemente uma fonte inesgotável de talentos e de grandes sopros de qualidade na nem sempre fértil atual música brasileira.

Pois bem, o álbum de 12 faixas (uma delas bônus) tem participações especiais de B. Negão, Larissa Luz e Olmir Stocker, além de uma antiga parceria com Geraldo Vandré, “Canta Maltina/Chacacalaiô”.

Participaram do show, em noite única, a cantora Larissa Luz, o cantor e compositor pernambucano Otto e o DJ Dexter. Larissa tinha compromisso marcado no mesmo Sesc-Belezinho para breve.

Gravado e produzido com jovens músicos conterrâneos da cena do Recife, o álbum é dançante, de alto astral e reflexivo, na mesma onda do momento original – quando se tornou referência para alguns dos grandes nomes do funk e do soul internacional – que revelou o artista nos anos 70/80.




Novo Disco “Ele Voltou, O Imorrível”


“Imorrível” reflete um encontro de gerações, tanto entre os músicos – a equipe que acompanha Di Melo é da geração “pós-manguebeat” – quanto nos arranjos, com variações baseadas na mesma instrumentação de décadas atrás, aliada a novas ambientações e suingues..

O álbum foi finalizado em minucioso trabalho de mixagem de Gustavo Lenza, que já fez trabalhos com Zeca Baleiro, Céu e Curumim. A direção artística e os arranjos de sopro tiveram a chancela de Pedro Diniz, que lança seu primeiro trabalho como produtor musical ao lado de Ricardo Fraga e Diogo Nicoloff. A produção do LP tem parceria da ‘Ócio Cultura Brasil’.


O Show

Antes de falar do espetáculo, digno de nota é o magnífico equipamento de primeiro mundo, o Sesc-Belenzinho, uma obra-prima de arquitetura, design, divisão de espaços, singeleza, acessibilidade, conforto e tudo o mais que o sistema S (SESC, SENAC, SESI. SENAI etc) oferece. Ah, se o Brasil tivesse o padrão S de qualidade!

Di Melo Imorrível é, além de ótimo cantor e showman, uma figura sensível e com bom humor permanente, fruto de sua língua aguçada, raciocínio rápido e uma bagagem que o faz um mestre do palco. Conversa o tempo todo com a plateia, conta das músicas, suas histórias, como surgiram e não se furta, mesmo em seu dialeto “dimelístico”, a comentar com franqueza e destemor o momento político carrancudo de nossos dias.

O show – como sempre acontece em relação a discos – tem a energia e o fervor do espetáculo ao vivo. A faixa 1, que apresenta o título do disco “Ele Voltou, o Imorrível” é uma ótima abertura.

A música “Basta Bem Pensar” é, para mim, um dos pontos altos. Nesta faixa, especial é a participação de Henrique Albino, numa linda introdução com sax tenor. Coro, balanço e suingue marcam a melodia. “Distando como estava”, a minha preferida.

Claro que não se deve passar em branco a que Di Melo fez com Geraldo Vandré, “Canta Maltina”, até pela improvável parceria. Ah! agucem suas oitivas para a faixa 10, a surpreendente “Multicheiro”.

Nesta, o cantor e compositor deita e rola no seu “dimelês”, com frases e invencionices como “lhe cangotiei”, “linguentrelacei”, “voar, revoir”. Siga até o contemporâneo neologismo “Disquerer” – outra linda canção-, a 12ª faixa.

No lançamento, contou com a participação de Otto, Dexter e de Larissa Luiz. Estes artistas, confesso, – conhecidos de outros shows solo – não trouxeram grande contribuição à apresentação.

Talvez o tenham ajudado, e muito, em segurar a sua voz e mesmo mantê-lo aceso. É que, como informou sua mulher e produtora, Jô Abade, Di Melo passou aquela semana com uma virose e no dia do show se entupiu de chás e medicamentos para poder comparecer ao seu lançamento.

Evitaria clichês, se isso não facilitasse imensamente a minha vida para os mais curiosos que se prendem exclusivamente às peculiaridades e mensagens cifradas do nome de Di Melo e não optam por saber direito o que esperar do autor. Para delinear o rol de sons e influências do autor me valho dos estereótipos de Jorge Ben Jor, com quem de fato Di Melo teve contato musical, Tim Maia, Sérgio Mendes e, ouso dizer, sincrônica e espiritualmente, dizer: também com o som de Chico Scince e o manguebeat.

3 comentários:

Eva disse...

Este Di Mello é demais!!!!!!!!
Conheci seu trabalho há pouco tempo, e me tornei fã de carteirinha!
Adorei o petisco, mestre Quincas!

eva disse...

Este Di Mello é demais.
Conheci seu trabalho há pouco tempo, e me tornei fã de carteirinha!
Belo texto,Quincas!

Eva Podolski disse...

Este Di Mello é incrível!
Conheci seu trabalho há pouco tempo, e me tornei fã de carteirinha!
Belo petisco, Quincas!

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