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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 2 de março de 2008

DANÇANDO CONFORME A MÚSICA...

O ano de 2007 deve passar para a história da indústria fonográfica brasileira como o momento em que as gravadoras, finalmente, caíram na real. A movimentação nas cúpulas dirigentes dos selos multinacionais (que vem sendo acompanhada de perto pela imprensa nas últimas semanas) é apenas a ponta de um iceberg que ainda prevê ajustes ainda mais profundos e mudanças radicais nas estratégias de negócios. Tudo para tentar recuperar o tempo perdido na luta contra os predadores (pirataria, downloads ilegais de música, preços altos) do mercado – um mercado que movimentava R$ 1 bilhão e 200 milhões em 1995 e em 2006, bateu no fundo do poço, chegando a R$ 250 milhões, um retração de quase 80% em uma década. Substituições de executivos em postos-chave, cortes de elenco e de investimentos estão na pauta do dia das gravadoras, que já colocam a venda de música pela internet como prioridade imediata.

Na verdade, a dança das cadeiras nas filiais brasileiras das multinacionais do disco começou ainda no ano passado, com o afastamento de Marcos Maynard da direção da EMI. A própria sede inglesa da gravadora revelou, em outubro último, que a filial brasileira manipulava seus balanços – contabilizando CDs e DVDs passados às lojas como títulos realmente vendidos ao público, ignorando os discos devolvidos ao estoque. A fraude afetou as avaliações do mercado brasileiro em 2005 e teve reflexos nos números de 2006. “Essa brincadeira da EMI deu uma estragada boa no mercado”, confirma o diretor de um importante selo independente, que já passou por várias gravadoras grandes antes de se firmar por conta própria.

Maynard, substituído por Marcelo Castello Branco, foi apenas o primeiro eliminado. A Universal demitiu seu diretor artístico, Max Pierre, no começo do mês, resultado de uma auditoria promovida pela matriz da companhia na filial local. Cláudio Condé, presidente da Warner brasileira, perdeu para Sérgio Affonso o cargo, em meados de março. Apenas a Sony & BMG não mexeu em sua cúpula – em time que está ganhando, não se mexe. Segundo o principal executivo da companhia, Alexandre Schiavo, pelo segundo ano consecutivo a gravadora manteve a posição de primeiro lugar no ranking nacional. “Nosso market share passou de 25,05%, em 2005, para 26,14%. Depois de dez anos seguidos de dominação da Universal, consolidamos nossa posição”, adianta Schiavo, com a confiança de quem está por cima – números como esses são usualmente mantidos a sete chaves pelas gravadoras, especialmente em hora de crise e de troca de comando. A manutenção da Sony & BMG no primeiro lugar do mercado já era prevista desde a divulgação, em março, da lista dos lançamentos mais vendidos em 2006. Oito títulos da gravadora de Schiavo (incluindo o campeão, Minha benção, do Padre Marcelo Rossi) integram a lista dos 20 CDs mais vendidos do ano. A estimativa é que não haja mudanças no ranking em relação a 2005, com a Sony & BMG em primeiro, Universal em segundo, EMI em terceiro e Warner em quarto lugar.

Os números oficiais do mercado no ano passado ainda não foram divulgados pela ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco). Tradicionalmente, a associação (que congrega as cinco maiores gravadoras do país: as multinacionais Sony & BMG, Warner, Universal e EMI e a brasileira Som Livre) segue o calendário da IFPI (International Federation of the Phonograph Industry) para anunciar seu balanço anual. Sabe-se, entretanto, que 2006 representou mais um degrau – para baixo – no agravamento da crise da indústria. “Nosso último ano bom foi mesmo em 2004. A indústria está de ressaca”, analisa Paulo Rosa, diretor geral da ABPD. Ele fala, sem citar números, em “uma redução bastante significativa” no tamanho do mercado em 2006. “Em 2004 não houve queda nas vendas de produtos de áudio. Já em 2005 tivemos uma redução de cerca de 13% em relação a 2004. E em 2006 a queda foi ainda maior”.

Rosa diz que o momento difícil do negócio do disco é mundial. Mas no Brasil a coisa é pior por fatores já bastante conhecidos. “Pirataria existe em qualquer lugar. Mas aqui o negócio é muito acima do tolerável. Houve avanços no combate aos piratas, o índice de mercado dominado pelos piratas vem caindo – de 52% em 2003 para cerca 40% em 2005. Só que esse efeito ainda não foi sentido pela indústria”. O diretor da ABPD também aponta que o número de downloads ilegais de MP3 (via programas de compartilhamento de arquivos como Kazaa e Soulseek) está aumentando, por conta da crescente inclusão digital no país, mas que este potencial mercado para venda legalizada de música ainda não desabrochou. “No exterior a venda de música online já começa a compensar as perdas com a pirataria e o peer-to-peer, o que não acontece no Brasil”.

Para além das conjunturas do mercado, Rosa não deixa de creditar às próprias gravadoras uma boa parcela da culpa pela crise. “No ano passado, tivemos poucos lançamentos importantes, poucos sucessos e poucas novidades. É sintomático: por anos seguidos, as gravadoras só vêm cortando, reduzindo investimentos, funcionários e seus elencos de artistas. Tenho sentido a falta de produtos fortes, que possam resgatar os grandes sucessos de outrora”. Sem citar nomes, o representante da ABPD diz que 2006 foi um ano de balanços “atípicos” por conta do alto número de devoluções de CDs às gravadoras – referência indireta ao escândalo que derrubou Marcos Maynard.

Schiavo classifica 2006 como um ano “complicado e deprimido” para o mercado, mas ressalta que sua gravadora foi “na direção contrária da crise”. “Tivemos um ano excelente, com o primeiro registro de lucro operacional depois de cinco anos no vermelho”, narra o diretor da Sony & BMG. O resultado é fruto de um plano de reestruturação em curso há quatro anos, durante os quais, segundo Schiavo, a companhia tratou de “enxergar a realidade no tamanho certo”. Ainda assim, toda essa antecipação não blindou completamente a gravadora, que detém o passe de grandes vendedores como Roberto Carlos, Ana Carolina, Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone. “Estamos quase no limite do achatamento de nossa margem de lucro; nos últimos anos, reduzimos o preço do CD em quase 16%. E não temos tido apoio do governo na luta contra a pirataria”, afirma Schiavo.

No meio desse tiroteio, os selos independentes seriam tropas de guerrilha, em comparação à artilharia pesada das multinacionais. Pequenos e sem muitos recursos, compensariam com a agilidade que falta às poderosas multis. Paulo Rosa acha que a crise não escolhe vítimas, grandes ou pequenas: “O mercado é um só. Os independentes têm uma mentalidade diferente, mas acabam enfrentando as mesmas dificuldades”. O presidente da ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), Carlos de Andrade, tem uma visão diferente. “Aumentamos nossa participação no mercado em 2006 e ocupamos mais espaço, principalmente nos nichos onde as grandes gravadoras não entram”, diz Carlos, ele mesmo dono de um selo independente (a Visom). Ele cita casos vitoriosos em que os selos pequenos correram por fora e destronaram as grandes: “O Nordeste, por exemplo, é quase todo independente. A cena musical do Pará também. O caso da Banda Calypso é só um exemplo. No Rio Grande do Sul temos gravadoras gigantes, como a Orbeat ou a Acit”.

O termo “gigantes”, entretanto, deve ser contextualizado no caso das indies. As multinacionais ainda dominam mais de 90% do mercado. “Sabemos que nunca vamos ver a Ivete Sangalo em uma gravadora independente. Mas mais e mais grandes nomes estão saindo dos grandes selos. Com o encolhimento do mercado, gente como Alceu Valença, Chico Buarque, Djavan – ou seja, artistas já preparados para a indústria, que vendem bem e são reconhecidos – foram para a independência”. Quem se destaca no meio das independentes – em particular a Indie Records e a Deckdisc – está tentando o pulo do gato: serem reconhecidas como selos pequenos, mas capazes de abocanhar público das grandes. “A vantagem das independentes é saber que tipo de disco estão fazendo e para quem vão vender, uma noção que as multinacionais às vezes não têm”, diz, reconhecendo que, volta e meia, selos pequenos emplacam grandes sucessos. “A Deck é a major das independentes”, afirma Andrade sobre o selo carioca, que ainda cita como selos representativos a Biscoito Fino, Trama, Atração, MZA, Azul Music, Rob Digital e Dubas, dentro de um universo que abriga mais de 500 selos (cerca de 100 desses associados à ABMI).

A citada Deckdisc merece realmente o crédito do presidente da ABMI. Dominando 3,28% do mercado (números de 2005), o selo carioca tem um catálogo vasto, que vai do pop-rock ao sertanejo, e já emplacou legítimos sucessos populares como os grupos Falamansa (dois milhões de CDs vendidos) e Revelação (cerca de um milhão e meio de CDs). Foi a gravadora que mais cresceu nos últimos dez anos. Ainda assim, o presidente da companhia, João Augusto, adota um discurso cauteloso ao avaliar sua posição atual. “Tivemos um ano muito difícil, talvez o pior de nossa história”, afirma. “Nossa queda foi ainda maior que a da média do mercado, porque ativamos um plano de contingência para baixar os custos e garantir o negócio”. Ao mesmo tempo que enquadra na devida perspectiva a ascensão das independentes (“Hoje em dia não há vencedores, todos perderam alguma coisa, grandes e pequenos”), João não deixa de fazer suas apostas. “Não deixaremos de trazer novos artistas e projetos para o mercado. Temos pelo menos um sentimento de vitória por termos passado pelas tormentas sem mexer na estrutura e sem cancelar projetos”, diz.

Passado o primeiro trimestre, o ano de 2007 configura-se sombrio. “Houve uma queda de 50% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado”, testemunha Alexandre Schiavo. “Para a venda de CDs, 2007 deverá ser mesmo um ano difícil”, confirma Paulo Rosa. O único consenso a que os figurões do mercado conseguem chegar é que a sobrevivência passa pela internet. “É ilusão achar que a música digital vai repor as perdas que já tivemos. Mas o segmento é importantíssimo”, resume o presidente da Sony & BMG. Em 2006, houve a chegada de duas novas megastores virtuais de música, o UOL Música e o Sonora (do portal Terra), juntando-se à pioneira iMúsica. Em 2007 entrou no ar o BaixaHits (mantido pelo grupo Jovem Pan) e o provedor de internet IG também prepara sua loja de música. Gravadoras independentes como a Deckdisc e a Rob Digital e multinacionais como a Warner também já vendem seu catálogo por meio do download pago.

Neste contexto, seria de se esperar que os principais players de venda de música online estejam animados com a expansão, certo? Mais ou menos. O download pago representa apenas 2% das receitas das gravadoras brasileiras (enquanto nos EUA, Europa e Japão chega a 10% do total). O iMúsica teve em 2006 uma média de 30 mil faixas comercializadas por mês, número irrisório diante do mais de um bilhão de canções que os internautas brasileiros baixaram sem pagar no ano passado (segundo a ABPD). “Nossa perspectiva para 2007 é positiva por um único motivo: nosso mercado ainda não existe, na prática. Então, só podemos olhar para cima”, afirma Felipe Llerena, um dos fundadores do iMúsica, primeiro site a vender (já em 2000) música pela internet no Brasil. No entanto, diferente do resto da indústria, Llerena tem motivos para comemorar pelo ano que passou. “Passamos finalmente, com a adesão da Sony & BMG e da Universal, a oferecer músicas das quatro gravadoras multinacionais. Hoje temos o maior banco digital de música brasileira à venda na internet, o que é interessantíssimo para o mercado exterior”. A animação é ainda maior quando se fala em download para telefones celulares. “Já em 2007 passaremos a vender canções full-track (músicas inteiras, em MP3 estéreo) de várias gravadoras, para todas as operadores de telefonia. Temos 100 milhões de celulares no Brasil, é um mercado que cresce a cada dia e o que é melhor – sem pirataria”, afirma Llerena.

“Estamos, como sempre, otimistas. Esperamos que as gravadoras consigam reagir em 2007”, resume, em nome da ABPD, Paulo Rosa. Multinacionais e independentes preparam suas armas, em movimentos baseados na cautela. A líder do mercado vai batalhar por mais apoio do governo. “Queremos discutir a sério a questão da isenção de impostos para CDs e DVDs, a exemplo do que ocorre com os livros. Isso possibilitaria baixar muito os preços para o consumidor”, diz Alexandre Schiavo, da Sony & BMG, ressaltando que as conversas com o governo nesse sentido ainda não deram em “nada de concreto”. Schiavo também cita a execução, em 2007, de um “plano estratégico” que, segundo ele “vai garantir o futuro da companhia” e que inclui revisão minuciosa de contratos de alto a baixo – e também a dispensa de artistas, que já abateu nomes (outrora) bons de venda como Gabriel o Pensador e o grupo Cidade Negra. João Araújo segue apostando em variados segmentos musicais (punk rock, música eletrônica, MPB instrumental), mas seguirá escorando-se no sucesso de seus nomes mais populares. “Projetávamos um crescimento para 2007. Mas vendo como o ano começou, já considero que se conseguirmos empatar nossos custos ao fim do ano, terá sido uma vitória”, diz o dono da Deckdisc. Representante do futuro do comercio musical, Felipe Llerena joga uma metáfora no debate: “Para a música digital, 2007 será um bom ano. Estamos ainda na infância: jogando bola na rua, levando topada, caindo mas sempre sorrindo, dispostos. As gravadoras tradicionais são como velhinhos que acordam cansados, com artrite, dores nas costas. Mas ainda estão aí, firmes, e ainda estarão por um bom tempo”.

sábado, 1 de março de 2008

GRANDE RIACHÃO!

Clementino Rodrigues, seu nome de batismo. "Riachão", seu nome nome de samba e de guerra. Maior sambista vivo da Bahia e um dos maiores vivos do Brasil, ao lado de Nelson Sargento, Ivone Lara e mais alguns outros da velha guarda, o tempo já o consagrou parte da história da música nordestina, em sua essência negra da Bahia. Pela sua verve pitoresca na forma de compor, retratando fatos e ocorridos nas ruas de sua cidade natal, se consagrou como conista musical da antiga Salvador.

Nasceu na Língua de Vaca, no bairro do Gracia, em Salvador, a 14 de novembro de 1921 e até hoje mora no mesmo bairro. De lá sai a troça carnavalesca "Mudança do Garcia", a agremiação carnavalesca mais sarcástica da cidade com letras de conteúdo social e político. Cunharam até um termo para definir a bajulação dos tropicalistas ao governo do estado: "tropicarlismo". Neste ambiente, de rodas de samba e capoeira foi criado o autor de pérolas como a "Ousado é Mosquito" .O apelido de "Riachão", ele disse ao extinto Jornal Diário de Notícias que o ganhou na infância. "Quando menino eu gostava muito de brincar.

Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegava os mais velhos para desapartar epregando aquelo velho ditado popular: - Você é algum riachão que não se possa atravessar?", disse. Hoje, casado com Maria Eulália, há 44 anos, tem 10 filhos vive uma vida tranquila. Sambista atrevido desde a juventude; Nascido e criado no Garcia, Riachão desde os 9 anos já cantava nas serentas, nos aniversários ou nas batucadas com os amigos do bairro.

Batucava em latas de água onde tamborilava seus sambas. A primeira composição veio aos 12 anos, um samba sem título que dizia: "Eu sei que sou moleque, eu sei, conheço o meu proceder/ Deixe o dia raiar que a minha turma, ela é boa para batucar". Em 44, consegue entrar para a Rádio Sociedade onde cantou como trio vocal no programa de auditório da emissora de rádio Sociedade AM, "Show Pindorama", um programa do radialista Motta Neto. Ele e seu trio interpretavam até algumas musicas sertanejas, como Valsa Sertaneja, Canta Passarinho e Beijo Molhado. Depois, o radialista que descobriu o sambista Batatinha, Antônio Maria, o lança com a música Vida da Semana. Começa a ganhar razoavelmente para os padrões da época. A princípio, Riachão cantava em trio, depois passa a cantar em dupla e, finalmente, canta sozinho. Aí decide de vez só se dedicar ao samba sob inspiração de Dorival Caymmi. Após Caymmi, foi o primeiro compositor baiano a gravar no Rio de Janeiro ainda na década de 50.



As músicas foram Meu patrão, Saia e Judas Traidor, gravadas por Jackson do Pandeiro. Riachão vivia num ambiente muito rico culturalmente em Salvador, convivendo com sambistas como Zé Pretinho e Batatinha. Riachão segue o caminho artístico do sambista irreverente, compondo sambas como Retrato da Bahia, Bochechuda e Papuda, ganhando o "Troféu Gonzaga" com essas músicas. Mais tarde, o cantor Eraldo Oliveira gravou A nega que não quer nada e a cantora Maria Inês interpretou Terra Santa. Outras músicas de Riachão foram gravados por outros nomes do samba e da música popular brasileira , como Vamos pular, gente e Vá mamar em outro lugar.O "Umbigão da Baleia"Irreverente, Riachão possue uma maneira peculiar de apresentar as notícias através do samba, pois todo fato relevante da cidade. Riachão transformou em crônicas ao ritmo do genuíno samba baiano numa linguagem direta e de alcance popular. Entre 48 e 59, ele compôs músicas como A morte do motorista na Praça da Sé, A Tartaruga, A Onça Peteleca, Chegou Pinguim, Visita da Rainha Elisabeth e Incêdio do Mercado Modelo.

Um dos fatos mais inusitados aconteceu no início da década de 60 quando uma baleia morta chamada de "Moby Dick" veio ser exposta para visitação pública na Praça da Sé. Daí ele, em fez o samba Umbigada da Baleia.Outra sacada do cronista urbano Riachão foi A Tartaruga que relata o caso chegada de uma enorme tartaruga que nadou da América do Norte e veio boiar nas águias das praias de Salvador. O senso quase jornalístico com tom poético bem humorado de Riachão, também, pode ser encontrado no samba A morte do alfaiate. Década de 70 e os registros fonográficos. Apesar do reconhecimento da crítica e de artistas da MPB, Riachão não consegue se inserir nnuma sequência significativa de shows e de registros fonográficos (única exceção foi o compacto em 78 rpm de O Umbigão da Baleia gravado nos anos sessenta). Por iniciativa de Paulo Lima e da gravadora Philipis, através do selo Fontana Special, em 75, é gravado o álbum reunindo a nata do samba da Bahia. "O Samba da Bahia" traz Riachão, Batatinha e Panela em grandes momentos. Riachão participa nas faixas Vou chegando, Fufú, Terra Hospitaleira, Pitada de Tabaco, Ousado é Mosquito e Até amanhã.

A força dada por Caetano e Gil depois da Tropicália que ao surgir no final dos anos 60 valorizou a música antiga brasileira, em especial a música nordestina de raiz como o samba baiano. Em 72, na volta do exílio em Londres, Caetano Veloso e Gilberto Gil vieram a Salvador para escolher música de compositores baianos para marcar sua volta ao mercado fonográfico nacional. A música escolhida foi "Cada macaco no seu galho" que foi sucesso em todo o país. Nos shows de divulgação do CD "Tropicália 2" de Caetano e Gil lançado em 93 estava lá o velho sucesso de autoria de Riachão. Ainda nos anos 70, Riachão tem um samba proibido pela Censura. A música se chama Barriga Vazia cuja letra fala sobre a miséria: "Eu de fome vou morrer primeiro/ você, de barriga, também, vai morrer um dia". A notícia da censura corre a cidade e num show no ICBA, em 76, a platéia universitária exige que Riachão a cante. O público pede tanto que os músicos começam a executá-la e Riachão se vê obrigando a cair na verdadeira celebração que se formou. Foi uma das poucos "furos" à Censura realizado em shows nos anos 70 por um artista.

Riachão – Humanenochum (2000)
Faixas:
01 - É Vai, Riachão!
02 - Camisa Molhada
03 - Cantina da Lua
04 - Retrato da Bahia
05 - Vá Morar com o Diabo
06 - Cartinha
07 - Baleia da Sé - Tartaruga 7
08 - Bochecha Grande
09 - Vida da Semana
10 - Choro No1
11 - Quem é o Dono Dessa Mulher
12 - Humanenochum
13 - Somente Ela
14 - Camisinha
15 - Pitada de Tabaco
16 - Pot-Pourri São Joanino - Bochechuda - Papuda - Vamos Pular, Gente!
17 - Cada Macaco no seu Galho
18 - Não Fale Comigo Agora
19 - Até Amanhã

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

ZÉ DANTAS

Numa data como hoje a exatamente 87 anos atrás (27/02/1927), nascia no município de Carnaíba de Flores, hoje Carnaíba, no sertão pernambucano o médico e compositor, José de Sousa Dantas Filho. Mais conhecido como Zé Dantas, foi fundamental para a fixação do baião como gênero de sucesso. Isso se deu graças às suas parcerias com Luiz Gonzaga a partir de 1950, quando este se separou do parceiro inicial, Humberto Teixeira. Mas em 1938 Zé já compunha suas primeiras músicas e escrevia crônicas sobre folclore para uma revista pernambucana.

Estudou o curso secundário no Recife (colégios Nóbrega, Marista e Americano Batista) e formou-se em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco.

Conheceu Luiz Gonzaga no Recife, quando ainda era estudante, em 1947, ocasião em que entregou ao Rei do Baião algumas canções, pedindo que, caso Luiz Gonzaga as gravasse, não colocasse o nome dele (Zé Dantas) porque seu pai poderia cortar-lhe a mesada. Já formado, em 1950 fixou residência no Rio de Janeiro e iníciou com o rei do baião uma profícua série de sucessos imortais assinados a quatro mãos, como "Vem Morena", "A Dança da Moda", "Riacho do Navio", "Vozes da Seca", "A Volta da Asa Branca", "Imbalança", "ABC do Sertão", "Algodão", "Cintura Fina" e "Forró de Mané Vito". O grupo vocal Quatro Ases e Um Coringa também obteve grande sucesso com "Derramaro o Gai", depois também imortalizada pelo Rei do Baião.

Em 1951, compuseram mais um clássico, o baião "Sabiá", e no ano seguinte foram às paradas com a marcha junina "São João na Roça" e com a triste "Acauã" (esta assinada apenas por Zé). Atuou ainda ao lado de Paulo Roberto no programa No Mundo do Baião, na Rádio Nacional (RJ) em 1953, ano em que estouraram o "Xote das Meninas" e "Farinhada" (esta também apenas de Zé), na voz de Ivon Curi. Outro ícone do baião, Jackson do Pandeiro, também fez sucesso com uma canção de Zé Dantas, "Forró em Caruaru". Quando foi diretor folclórico da Rádio Mayrink Veiga, do Rio, o compositor chegou a regravar suas canções mais emblemáticas em disco. Mesmo depois de sua morte, todas as músicas da dupla continuaram a ser relidas pelos maiores nomes da MPB – até os dias de hoje – como Gal Costa, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Fagner, Marisa Monte e muitos grupos de Oxente Music e até da geração da música eletrônica. Também ainda na década de 50 trabalhou no Hospital dos Servidores do Estado; foi, também, diretor do programa O Rei do Baião (Rádio Nacional) e diretor do Departamento Folclórico da Rádio Mayrink Veiga.

Faleceu no dia 11 de março de 1962, aos 41 anos de idade deixando como legado para a música brasileira uma infinidade de canções que retratam o nordeste de maneira poética e bela.
Zé Dantas é avô da cantora Marina Elali.

No início da década de 60 foi lançado um álbum onde se encontrava alguns dos maiores sucessos de Zé em parceria com Luiz Gonzaga até então. O álbum chama-se:

LUIZ GONZAGA CANTA SEUS SUCESSOS COM ZÉ DANTAS (1959)
Faixas:
01 - Sabiá (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
02 - O xote das meninas (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
03 - Vem morena (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
04 - A volta da asa branca (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
05 - A letra I (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
06 - O forró de Mané Vito (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
07 - A dança da moda (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
08 - Riacho do Navio (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
09 - Vozes da seca (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
10 - Cintura fina (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
11 - Algodão (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
12 - Paulo Afonso (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)

CURIOSIDADES DA MPB

Não sei se existe contexto político. A Bossa Nova não foi um movimento com preocupações políticas claras (a sua percursora, Tropicália, fez esse trabalho).
No livro de Ruy Castro, "Chega de Saudade" podemos ler sobre a criação dessa música por Jobim e Mendonça: "A idéia que levava Tom e Newton às gargalhadas era cruelmente inspirada em cantores como Lélio Gonçalves: iriam escrever um samba que parecesse uma defesa dos desafinados, mas tão complicado e cheio de alçapões dissonantes que, ao ser cantado por um deles, iria deixá-lo em apuros. Talvez este samba nunca passasse de uma inside joke, que ninguém iria entender e nem se interessaria em gravar. Mas seria engraçado de fazer, no que os dois encheram os copos e arregaçaram as mangas. (...) O produto saiu muito melhor do que a encomenda. Não era apenas uma inside joke mas poderia ser também um samba de humor, com algumas possibilidades comerciais. Depende de para quem dessem a música. "Desafinado" era uma galhofa só, música e letra, principalmente o verso que mais lhes arrancou risos, quando Tom o propôs: "Fotografei você na minha Rolley-flex", numa referência à fabulosa câmera alemã 6x6, com visor indireto - o máximo para a época. Para acrescentar uma pitada de provocação referiram-se à expressão da moda entre os meninos de Ronaldo Bôscoli e escreveram: "Isto é Bossa Nova, isto é muito natural".Era uma música para ser cantada por alguém que não se levasse muito a sério. Blá blá blá, Tom e Newton pensaram que a canção ia com a cara de muitos cantores da época, e todos recusaram ou acharam que a música não ia muito com o jeito deles, até que Ruy Castro relata este episódio:«Dias depois, na casa de Tom, três outros cantores ouviram "Desafinado", na mesma reunião. Dois deles quiseram gravá-la: Lúcio Alves e Luís Cláudio. O terceiro a gravou em novembro daquele ano: João Gilberto, que os atropelou gritando, "É minha!", e ficou com ela.

Fonte(s):
Ruy Castro, "Chega de Saudade", Companhia das Letras, São Paulo, 1990, pág. 205/206

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

WILSON SIMONAL

Wilson Simonal de Castro, (Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1939 - 25 de junho de 2000) foi um cantor brasileiro de muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970.

Começou a carreira cantando em bailes do 8º grupo de Artilharia da Costa, cantando em inglês, rock e calipsos. Em 1961 foi crooner do conjunto de calipso Dry Boys, fez parte do conjunto Os guaranis. Se apresentou no programa Os brotos comandam, sendo apresentador do programa Carlos Imperial. Cantou nas casa noturnas Drink e Top Club. Foi levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli para o Beco das Garrafas, que era o reduto da bossa nova.Em 1964 viajou pelas América do Sul e América Central, junto com o conjunto Bossa Três, do pianista Luís Carlos Vinhas.

De 1966 a 1967 apresentou o programa de TV, Show em Si ...monal, pela TV Record - canal 7, de São Paulo. Seu diretor era Carlos Imperial. Se revelando um show man, fez grande sucesso com as músicas País tropical (Jorge Ben), Mamãe passou açúcar em mim, Meu limão, meu limoeiro, Sá Marina (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar), num swing criado por César Camargo Mariano, que fazia parte do Som Três, junto com Sabá e Toninho, que foi chamado de pilantragem.

Em 1970 acompanhou a seleção brasileira de futebol à Copa do Mundo, realizada no México. Ficando amigos dos jogadores de futebol Carlos Alberto, Jairzinho e do maestro Erlon Chaves. Houve um desfalque na empresa em que Simonal tinha. Seu contador foi acusado, supostamente, de ter praticado o roubo. Durante os interrogatórios, Simonal foi acusado de ser informante do Dops. Foi condenado em 1972.

Simonal ficou desmoralizado no meio artístico-intelectual e cultural da época e sua carreira começou a declinar. O jornal O Pasquim acusou-o de dedo duro . A repressão imposta pela ditadura militar brasileira, levaram os jornalistas da época a acreditar que Simonal fosse informante do SNI. A imprensa o condenou sem provas.

Ele negou veementemente todas as acusações. Em 2002, após sua morte, a família do cantor requisitou abertura de processo para verificar a acusação de informante do regime. Foram reunidos depoimentos de diversos artistas, além de um documento datado de 1999 em que o então secretário de Direitos Humanos, José Gregori, atestava que não havia evidências - fosse nos arquivos do Serviço Nacional de Informações (SNI) ou no Centro de Inteligência do Exército - de que Simonal houvesse agido como delator. Como resultado, o nome do músico foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2003.

Independente de qualquer acusação política, porém, o nome de Wilson Simonal vem ganhando cada vez mais reconhecimento pela contribuição musical no cenário brasileiro, sendo considerado um dos grandes cantores da Música Popular Brasileira. É pai dos também músicos Wilson Simoninha e Max de Castro.

Em 1995, Mário Prata escreveu uma crônica a respeito do Simonal:


ESQUECEMOS DE ANISTIAR O WILSON SIMONAL
o Estado de S. Paulo
16/01/95

O brasileiro adora esquecer e/ou perdoar. O Collor, por exemplo, fez o que fez e acho que já foi perdoado. Eleições futuras, em Alagoas e no Brasil, irão comprovar isso. O próprio PC já está sendo visto com certa simpatia pelos coleguinhas da imprensa. Os Sete Anões, vocês se lembram deles? Não deu em nada. E nem vai dar.
O Jânio que, com a sua renúncia, em 61, levou o Brasil a mais de trinta anos de incertezas e atrasos, foi depois perdoado e os paulistanos o colocaram na cadeira de prefeito que deveria ter sido de FHC. O Paiacã, que fez aquela sacanagem toda, já foi perdoado e esquecido. O Zico, que perdeu aquele pênalti contra a França na Copa de 86 já foi perdoado. Até mesmo o Joaquim Silvério dos Reis, hoje em dia é apenas mero tema para vestibulandos.
O que há de comum entre o Collor, o PC, os Sete Anões, o Jânio, o Paiacã, o Zico e o Joaquim Silvério? São todos brancos. Uns, bandidos. Outros, como o Zico, brasileiros da maior dignidade. Mas todos, brasileiros brancos.
Toda essa introdução acima é para falar do Wilson Simonal. Você sabe quem foi (ou quem é) Wilson Simonal? Um dos mais queridos e requisitados cantores dos anos sessenta. Bonachão, cheio de swing, uma voz afinadíssima, com uma inteligência rápida e rara no programa Essa Noite se Improvisa, brilhava ao lado de Chico, Caetano, Carlos Imperial, Gil, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Ellis. Um dia ele fez o Maracanãzinho cantar com ele, durante mais de meia hora, o Meu Limão, Meu Limoeiro. Quem não se lembra dele cantando Sá Marina? Naquele tempo o Brasil, na voz do Simona era mesmo Um País Tropical.
Pois um dia o falecido jornal O Pasquim (onde tive a honra de trabalhar em 72 e 73), há já distantes vinte e cinco anos, disse, em letras garrafais, na primeira página, que o Simonal era dedo-duro. Que ele teria entregue um ex-funcionário para "os homens". Pudera: um crioulinho daquele, com um dos maiores contratos publicitários da época - com a Shell, multinacional do imperialismo! - andando pra cima e pra baixo numa Mercedes branca com estofamento vermelho, boa coisa não podia ser. A esquerda caiu de pau, chicotes e archotes em cima do "malandro". Nunca ficou clara a acusação. Nem pretendo discutir isso aqui. O Simonal sumiu. Sumiu o homem e a carreira, a voz e a alegria do "champinhon". Soube, através do filho dele, o também músico Simoninha (de quem tenho o prazer de ser amigo) que ele quase morreu no ano passado. Não há fígado que resista a uma acusação de 25 anos. Todos os fígados do Brasil já foram anistiados. Menos o do Simonal.
Semana passada vi o Simonal num memorável programa da deliciosa Hebe Camargo. Está magro, abatido, mas a voz é firme, gostosa como sempre. De vez em quando, a imprensa entrevista o Simonal. Mas sempre, sempre, sempre, da primeira à última pergunta, o tema é o mesmo, e ele, quase desesperado, diz que aquilo já passou. Não passou não, Simonal. Você foi marcado para sofrer, por todos nós da esquerda, daquela e naquela época. Acho que o buraco é mais embaixo.
E foi pensando no Simonal que eu me lembrei do Barbosa, goleiro da seleção de 50. Barbosa, tão preto quanto o Simonal, levou um gol do Gighia no segundo tempo e o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai. De quem foi a culpa? Daquele crioulo safado. Desde então (e lá se vão 45 anos) nunca outro negro foi goleiro da seleção canarinha. Pelo contrário, são sempre jovens bonitos, que não falam nem menas nem qüestã, altos, alguns até loiros: Ado (mais bonito do que goleiro), Leão (que sempre pintou o cabelo), Carlos (o elegante), Waldir Perez (o careca sensual), Taffarel (o ariano puro), Zetti (o bom menino), Felix (baixo, mas branco), Castilho (um lord), Gilmar (a elegância em pessoa). Barbosa (negro) jamais foi perdoado. A culpa foi dele, já que deveria ser de alguém.
Simonal é o nosso Barbosa, levando petardos de todos os gighias brasileiros. Uma bola (ou uma bala) perdida passou por baixo dele e atingiu a sua alma negra. Um pai que tem um filho como o Simoninha, não pode ser ou ter sido tão perigoso e fdp assim. Num momento que o Brasil oferece exemplo de democracia e dignidade interna e externamente, é hora de se anistiar o Simonal. Que ele volte com sua voz gostosa e seu jeito de malandro aos palcos do Brasil. Deixemos que ele entre novamente em nossas casas, pela porta da frente. Ou pela gaveta de um CD.
Vamos anistiar o homem enquanto ele está vivo. Ele e nós.

O Chico Anísio também escreveu algo sobre o Simonal:


WILSON SIMONAL

E, para felicidade particular do “humorista”Jaguar, o Wilson Simonal morreu. Ora, Senhor! Uma pessoa humana como o Jaguar, um homem de bom caráter, cheio de muitos amigos, incapaz de uma briga, de causar um mal estar, merecia ser recompensado pelo prazer de ver a morte do Simonal há mais tempo.
Eu sei, Senhor, o poder da oração e, como o Jaguar tem todo o aspecto de uma pessoa muito religiosa, acredito na força das suas preces para que o Simonal demorasse a morrer e mais sofresse nesta vida que ele, Jaguar, preparou para ele. Morrer, na opinião do “cartunista”, significava uma felicidade para um escroque do tamanho do Simonal, com participação efetiva na revolução, na prisão da turma do “Pasquim”, na criação AI-5 e outras coisas inesquecivelmente nojentas, promovidas ou provocadas pelo tal cantorzinho.
A morte de Wilson Simonal deve ter trazido, afinal, um grande alívio para a cabeça deste verme que tem nome de fera, pois na citada “cabeça” estava a certeza que ele se dava de que o cantor era um homem de direita, safado, informante do SNI .
Wilson Simonal, homem de música e de show, maestro que regia o público ao seu bel-prazer, além da infelicidade de não ter nascido americano, australiano, inglês, canadense ou de qualquer nacionalidade de palavras inglesas, podia imaginar qualquer coisa, menos vir a ser considerado um “homem de direita”. Simonal, alienadamente músico, alucinadamente cantor, eslouquecidamente show-man, desbragadamente um homem do palco, nem sabia o significado das letras S, N e I, quanto mais ser um informante deste orgão da chamada “revolução”.
Mas… como no discurso que Sheakespeare escreveu… Jaguar queria e Jaguar é um homem bom; Simonal nunca se meteria em política, mas Jaguar dizia que sim e Jaguar é um homem honesto; Simonal vivia para sua arte e sua família, mas Jaguar é incapaz de uma mentira e Jaguar garantia sua participação efetiva na política.
Agora, pesando 28 quilos, após ser proibido por quase 30 anos de se apresentar em público, de gravar, de ter suas músicas tocadas em todas as emissoras do pais; depois de ver sua família passar necessidades até os meninos poderem trabalhar, afinal Wilson Simonal morre. Meus pêsames à música popular brasileira e minhas congratulações ao Jaguar, neste momento em que, pela última vez na minha vida, falo ou escrevo seu nome, para não sujar minha boca ou produzir um defeito no meu computador.
Chico Anysio

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

10 ANOS SEM LUIZ BANDEIRA...

Luiz Bandeira nasceu a 25 de dezembro de 1923.
Estreou na carreira artística em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, que o contratou em seguida. Foi violonista, radio-ator e cantor de orquestra. Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como crooner no Copacabana Palace e na Rádio Nacional. Nessa década sua atuação como compositor se destaca. Teve outros sucessos nos anos 50, entre os quais sua composição mais conhecida, "Na Cadência do Samba", utilizada como tema do cinejornal Canal 100, sobre futebol. Também conhecida como "Que Bonito É", um dos versos, a música tornou-se sinônimo de futebol, apesar de não ter sido composta com essa intenção. Bandeira compôs jingles comerciais, foi produtor e compositor de frevos e baiões, além de sambas e marchas. Entre suas composições mais conhecidas estão "O Apito no Samba" (com Luiz Antônio), "Cafundó", "Onde Tu Tá, Neném", "Torei o Pau", "Volta" e "Voltei, Recife". Gravou alguns discos durante a carreira e ganhou prêmios de composição por seus frevos.
Considerado um dos maiores compositores de frevo, autor, entre outros, dos frevos-canções "Voltei, Recife" e "É de Fazer Chorar" (mais conhecida como "Quarta-Feira Ingrata").
Além de músicas carnavalescas, também é autor de sucessos gravados por Luiz Gonzaga ("Onde Tu Tá, Nenem"), Clara Nunes ("Viola de penedo") e outros grandes nomes da música popular brasileira. Sua música "Na Cadência do Samba" (também conhecida como "Que Bonito É") por muitos anos foi tema dos jogos de futebol exibidos pelo jornal do cinema.
Do Recife, seguiu, em 1950, para o Rio de Janeiro, onde animou noitadas no Copacabana Palace; trabalhou na Rádio Nacional, onde se projetaria como compositor. Em 1977, participou, no Japão, do Festival Internacional da Canção, com a música "Bia".
Em 1984, retornou ao Recife, onde morreria, a 22 de fevereiro de 1998, um domingo de carnaval.


Algumas de suas obras:
A canção dos meus amores (c/ Nicolino Cápia) • Açucena • Amor verdadeiro • Baião sacudido (c/ Humberto Teixeira) • Bom danado (c/ Ernâni Sève) • Cafundó • Carabina, frevo de rua • Carapeba (c/ Julinho) • Carioca mon ami (c/ Renato Araújo e Jean Broussolli) • Carnaval de Recife • Voltei Recife• Na cadência do samba• É de fazer chorar(...)

No cd frevo do mundo (2008), o grupo Eddie gravou essa antológica canção que faz parte do cancioneiro pernambucano e de uma festa de tradições tão arraigadas em nosso povo. A composição de Luiz Bandeira (É de fazer chorar), é a primeira faixa do cd.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ZÉ RICARDO

Filho de uma grande fã da Motown e de um assíduo freqüentador de rodas de samba e choro do Rio de Janeiro o cantor, compositor e produtor musical Zé Ricardo, começou a chamar atenção com sua música, no início dos anos 90. Ele junta um violão rítmico na melhor tradição de João Bosco, Gilberto Gil e Djavan; refrões certeiros que grudam na cabeça; dicção limpa, música cantada em português; ao requinte de seu tempero samba-soul-jazz. Uma alma sonora que mescla o pop negro ..Made in USA.. à estética brasileira de ritmos, harmonias e melodias. O seu cd solo de estréia ..Zé Ricardo.. (1998 pela WEA), recebeu importantes aplausos da crítica que o considerou um expoente da nova geração da MPB!

Em 2002, lançou o segundo cd, o também muito elogiado, ..Tempero.. e em 2005 lançou no Brasil e em Portugal o seu terceiro cd, junto com o DVD ..Zé Ricardo ao Vivo.., um projeto ambicioso da Nega Produções em parceria com as produtoras AM2, Cinerama e a Link Digital com direção de Adriana Milagres. Nesse projeto ele contou com a participação de ídolos da música brasileira como Djavan, Sandra de Sá, Ed Motta, Toni Garrido e também do americano Victor Brooks. A carreira lançada também no exterior resultou na montagem do seu novo show ..Gravidade Groove.. apresentado no maior festival de música do Mundo, Rock in Rio Lisboa em junho de 2006. Nesse show Zé Ricardo traz o elemento eletrônico para sua sonoridade black. Samba, Soul, Hip Hop e certa dose de Rock´n Roll, compõem o repertório que ressalta a boa brasilidade em diferentes estilos. Agora ele esta na fase de pré-produção de seu novo cd que será lançado ainda esse ano (2008).

Zé Ricardo é fera, é bicho solto, como diria o ídolo e maior influenciador Djavan. Em seu 3° CD e 1° DVD, o cantor, compositor e guitarrista chama para si a responsabilidade de ser um dos representantes da nova “Música Preta Brasileira” (nome do grupo que forma com Sandra de Sá e Toni Garrido, que relê a obra dos mestres da black music). No disco, Zé lembra canções dos álbuns anteriores, “Você Me Ama e Não Sabe” e “Tempero” (o samba “Sexta-Feira”, a suingada “É Tão Bom”, a djavaneada “Azul Que Vale a Pena”, com incremento de scratches), presta tributos nada óbvios (“Ela Partiu” e “Bom Senso”, músicas menos conhecidas de Tim Maia; “Mas Que Nada”, de Jorge Ben Jor, com citação de “Água de Beber”, de Tom e Vinicius; “Never Can Say Goodbye”, famosa com Gloria Gaynor, em releitura funkeada) e atrai um timaço de convidados. Destaque para as baladas de acento soul, com os vocais de Djavan (“Eu Não Te Amo Mais”), Ed Motta (“Beijo do Olhar”) e Sandra de Sá (“Gostava de Ir”), além do encontro com os parceiros Sandra e Toni em “Bom Senso”. O som de Zé Ricardo é samba, funk, rap, soul, groove é traz um pouco de cada um desses convidados, de Tim Maia, Cassiano e dos melhores “gringos”.



Discografia:

Zé Ricardo

Faixas:
01 - Você chegou
02 - Me sinto livre
03 - Gosta de chuva
04 - Perfume
05 - Já
06 - Queda
07 - O show não pode parar
08 - Nossas tardes
09 - Loucura do tempo
10 - Sonho anunciado
11 - Movimento (vinheta)
12 - Acorde lindo
13 - Você me ama e não sabe



Tempero

Faixas:
01 - Intro
02 - Tempero
03 - Azul que vale a pena
04 - Sexta-feira
05 - Samba no funk
06 - É tão bom
07 - Beijo no olhar
08 - Vai pegar
09 - Deixa chover
10 - Só de amor
11 - Sabe tudo, sabe nada
12 - A beleza é você menina
13 - Gostava de ir
14 - Dançando com a vida



Zé Ricardo e Convidados Ao Vivo

Faixas:
01 - Dançando com a Vida (Zé Ricardo e Sandra de Sá)
02 - Sexta-Feira (Zé Ricardo, Sandra de Sá e Renata Arruda)
03 - Eu Não Te Amo Mais - Participação especial: Djavan (Zé Ricardo)
04 - Com Ela (Zé Ricardo e Jorge Salomão)
05 - Where Do We Go (Tudo Parou) - Participação especial: Victor Brooks
(Victor Brooks) - (Versão: Zé Ricardo)
06 - Mas Que Nada (Jorge Ben Jor)
07 - Beijo do Olhar - Participação especial: Ed Motta (Zé Ricardo e Thalma
de Freitas)
08 - É Tão Bom (Zé Ricardo e Paula Lima)
09 - Gostava de Ir - Participação especial: Sandra de Sá (Zé Ricardo, Sandra
de Sá e Renata Arruda)
10 - Azul Que Vale a Pena (Zé Ricardo)
11 - Samba no Funk - Participação especial: Ivo Meirelles (Zé Ricardo)
12 - Você Chegou (Zé Ricardo e Régis Faria)
13 - Never Can Say Gooodbye - Participação especial: Victor Brooks
(Clifton Davis)
14 - Ela Partiu (Tim Maia)
15 - Bom Senso (Participações especiais: Toni Garrido e Sandra de Sá)
(Tim Maia)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

17/02/2008 - 22 ANOS SEM NELSON CAVAQUINHO

Carioca, adotou o apelido Nelson Cavaquinho desde jovem, quando tocava o instrumento nas rodas de samba promovidas pelos operários da fábrica em que trabalhava. Alegando que o instrumento era muito pequeno, passou para o violão. Na década de 30 aproximou-se de sambistas da Mangueira, como Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, para quem passou a mostrar seus sambas simples e fundamentais. Por essa época, vendia-os por pouco dinheiro. Começou a fazer algum sucesso como compositor nos anos 40, quando Cyro Monteiro gravou algumas de suas músicas. Em meados da década de 50 conheceu o parceiro Guilherme de Brito, com quem compôs sambas como "A Flor e o Espinho" (com Alcides Caminha), "Folhas Secas", Quando Eu Me Chamar Saudade" e "Pranto de Poeta". Foi uma das atrações do bar Zicartola, mantido por Cartola e a esposa Zica, onde foi descoberto, em meados dos anos 60, pelos intelectuais. Nos anos 60 teve músicas gravadas por Elizeth Cardoso, e em 1966 a CBS lançou um disco só com composições suas, com a cantora Telma Costa, produzido por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, em que aparece também como intérprete em algumas faixas. Com sua voz rouca, deixou gravados outros discos, em que interpreta, além das já citadas, "O Bem e o Mal" (com G. de Brito), "Juízo Final" (com Elcio Soares), "Pode Sorrir" (com G. de Brito), "Eu e as Flores" (com Jair do Cavaquinho), "Rugas" (com Ary Monteiro/ Garcez), "Rei Vadio" (com Joaquim), "Vou Partir" (com Jair Costa), "Minha Festa" (com G. de Brito), "Degraus da Vida" (com Cesar Brasil/ Antônio Braga), "Luto" (com Sebastião Neves/ G. de Brito), "Notícia" (com Alcides Bahia/ Alcides Caminha), "Palhaço" (com Oswaldo Martins/ Washington). Consagrado como um dos maiores sambistas do Brasil, foi gravado por diversos cantores, desde Chico Buarque e Paulinho da Viola até Arnaldo Antunes, que fez uma recriação para "Juízo Final" em seus disco "O Silêncio".

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A PÉROLA NEGRA DE LUIZ MELODIA

No início dos anos 70, já passados o impacto "pra dentro" da Bossa Nova e recém assimilando o impacto "pra fora" da Tropicália, a música brasileira se torna cidadã do mundo, incorporando elementos os mais diversos para compor algo com nossa cara... Tim Maia acrescenta elementos de brasilidade ao soul e mais tarde ao funk a la Montown.. Jorge Ben, Trio Mocotó e Black Rio aos poucos davam forma a um tipo bem brasileiro de Black music, o próprio samba ia ganhando novas conotações (por exemplo, com a dupla João Bosco e Aldir Blanc), enquanto elementos de um rock mais sombrio -inspirados no fusion - tomavam conta dos trabalhos de Milton Nascimento e Elis Regina.. No meio dessa zona surge um disco que ao mesmo tempo era uma espécie de simbolo complexo dessa pluralidade, e e um elemento novo que destoava completamente do que estava sendo feito.

Luis Melodia, carioca do morro do estácio, tinha tudo pra ser um sambista dos bons - e compos realmente sambas fantásticos - mas decidiu deixar-se levar pelo momento histórico privilegiado e misturar múltiplas influências. Criou um disco que é único, sem gênero ou em qualquer outra espécie de classificação. Não gerou linhagem, não criou escola nem seguidores, pois o que fez é de uma espécie de esperimentalismo diferente do que o país estava (está) acostumado, menos espalhafatoso que tropicalismo e afins, menos sóbrio e pop que os mineiros do clube, com muito mais arestas que o samba rock de Jorge Ben... O próprio disco já era um samba do criolo doido. Tem gêneros tradicionas - o samba canção de Estácio, eu e você, gêneros tradicionas mas com elementos de desconstrução - os gritos insanos no forró de janeiro, musicas que misturam diversos gêneros - estas caminham para um anticlimax, tanto pela resolução musical quanto pelo nom-sense da letra - gêneros que são tradicionais, mas não no Brasil, como no pop swing de Objeto h, etc... Quando a música segue um sentido mais tradicional (embora quase sempre com um ou outro sutil efeito inusitado), a letra caminha para o nom-sense (O sol, não adivinha/ Baby, é magrelinha/ No coração do Brasil).

Arranjos sutis (Pérola Negra só tem piano, baixo e naipe de metais) precisos e conscientes, mistura de ritmos sem nacionalismo gatuíto, muitas vezes chocando varios gêneros dos países centrais para resignificá-los, sem apelar para coloridos tupiniquins. Outras vezes a resignificação se dá pela letra, cujo sentido fica em suspenso (e sem ter uma prioridade ritmica tão marcada como em Jorge Ben). Estilo de interpretação fantástico - o cara canta muito. Caso o disco não fosse tão bom, integraria a lista dos mais fundamentais do Brasil pelo que mantém de inusitado, sendo um caso único e peculiar...

Pérola Negra - 1973 - POLYGRAM

Direção de Produção: Guilherme Araújo
Direção Musical: Perinho Albuquerque
Direção de Estúdio: Sérgio M. de Carvalho
Técnicos de Gravação: Luigi, Luiz Paulo, Yeddo
Estúdio: Phonogram - Somil
Arranjos: Perinho Albuquerque, Arthur Verocai (Prá Aquietar)
Corte: Joaquim Figueira
Fotos e Capa: Rubens Maia
Arte do CD: Vanessa Stephanenko

Faixas:
01 - Estácio, Eu E Você (Luiz Melodia)
Com o Regional de Canhoto

02 - Vale Quanto Pesa (Luiz Melodia)
Violão e Viola: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula
Percussão: Robertinho e Luis Paraguai

03 - Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia)
Violão: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Robertinho
Gaita de Boca: Rildo Hora

04 - Prá Aquietar (Luiz Melodia)
Piano: Hugo Bellard
Baixo: Fernando Leporace
Guitarra: Hyldom
Bateria: Pascoal
Arranjo e Regência: Arthur Verocai

05 - Abundantemente Morte (Luiz Melodia)
Violão e Guitarra: Perinho Albuquerque

06 - Pérola Negra (Luiz Melodia)
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino

07 - Magrelinha (Luiz Melodia)
Guitarra: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino

08 - Farrapo Humano (Luiz Melodia)
Guitarra: Piau
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula
Percussão: Robertinho e Luis Paraguai

09 - Objeto H (Luiz Melodia)
Violão e Guitarra: Perinho Albuquerque
Piano: Antonio Perna
Baixo: Rubão Sabino
Bateria: Lula

10 - Forró De Janeiro (Luiz Melodia)
Violão e Viola: Perinho Albuquerque
Acordeão: Dominguinhos
Baixo: Luis Alves
Percussão: Robertinho, Lula e Luis Paraguai
Part. Esp.: Damião Experiença

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

DICAS DA MUSICARIA

Em 1972 "Clube da Esquina" seria lançado como disco de carreira de Milton Nascimento, mas o garoto Lô que já participava de discos do Milton, arrasou nesse. O álbum acabou saindo como Milton / Lô. Na verdade temos o time completo aqui, o disco deveria ser assinado por uma banda, chamada Clube da Esquina. Tocando e cantando nesse disco temos Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Rubinho, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Tavito, Robertinho Silva, Luiz Alves, Nelson Angelo, Paulo Moura, Paulinho Braga, Luiz Gonzaga Jr, Eumir Deodato e Alaíde Costa. O disco é uma verdadeira obra prima, necessário em qualquer acervo. "Tudo que Você Podia Ser", música de Lô e Márcio, abre o disco na voz de Milton Nascimento. "O Trem Azul" é a 3º faixa, uns dos maiores clássicos de Lô, tendo sido posteriormente gravado pela Elis Regina e pelo Tom Jobim, motivando um grande orgulho para o Lô. Outro destaque de Lô é "Nuvem Cigana", uma das muitas parcerias maravilhosas com Ronaldo Bastos. Depois temos o grande clássico "Um Girassol Da Cor de Seu Cabelo", onde Lô mostra grande talento apesar da pouca idade, tocando com uma orquestra fantástica regida por Eumir Deodato. "Clube da Esquina nº 2" na versão instrumental é uma pérola do disco, que nessa época ainda não tinha letra, completada anos depois por Marcinho, Lô e Bituca em três cidades, BH, Três Pontas e Rio. Lô toca piano em "Paisagem Da Janela". "Trem de Doido" é outra grande música de Lô no álbum. Foi remasterizado em Abbey Road e lançado em CD em 1994. Em vinil é duplo, e foi lançado em um CD simples, com um ótimo encarte. Pode ser encontrado facilmente nas lojas. Em 2007 em comemoração aos 35 anos de lançamento foi relançado em uma edição especial comemorativa.

Faixas:
01 - Tudo que você podia ser (Lô Borges / Márco Borges)
02 - Cais (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
03 - O trem azul (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
04 - Saídas e bandeiras nº 1 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
05 - Nuvem cigana (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
06 - Cravo e canela (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
07 - Dos cruces (Carmelo Larrea)
08 - Um girassol da cor de seu cabelo (Lô Borges / Márcio Borges)
09 - San Vicente (Milton Nascimento / Fernando Brant)
10 - Estrelas (Lô Borges / Márcio Borges)
11 - Clube da esquina nº 2 (instrumental) (Milton Nascimento / Lô Borges / Márcio Borges)
12 - Paisagem da janela (Lô Borges / Fernando Brant)
13 - Me deixa em paz (Monsueto C. Menezes / Ayrton Amorim)
14 - Os povos (Milton Nascimento / Márcio Borges)
15 - Saídas e bandeiras nº 2 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
16 - Um gosto de sol (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
17 - Pelo amor de Deus (Milton Nascimento / Fernando Brant)
18 - Lilia (Milton Nascimento)
19 - Trem de doido (Lô Borges / Márcio Borges)
20 - Nada será como antes (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
21 - Ao que vai nascer (Milton Nascimento / Fernando Brant)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

CURIOSIDADES DA MPB

O cantor e compositor Gonzaguinha não escondia uma certa admiração pelo cantor Agnaldo Timóteo, uma pessoa que, segundo Gonzaguinha, "sabe segurar a barra de viver o permitido e o não permitido". Na década de 70 os dois eram contratados da mesma gravadora (EMI) e acabaram tornando-se amigos.
Uma certa madrugada, no fim dos anos 70, Gonzaguinha ouviu o amigo Timóteo queixar-se de seus desencontros do relacionamento com Paulo Cesar Souza, o Paulinho (para quem Agnaldo Timóteo compôs A bolsa do posto três, sucesso de timóteo na decada de 70). O resultado da conversa foi a composição Grito de alerta, título sugerido pelo próprio Agnaldo Timóteo: "Primeiro você me alucina/ me entorta a cabeça/ e me bota na boca/ um gosto amargo de fel..." Gonzaguinha, entretanto, não deu exclusividade da gravação para o amigo, e Grito de alerta foi entregue também a cantora Maria Bethânia - fato que provocou o ciúme de Timóteo: "Eu fiquei pau da vida com o gonzaguinha porque aquela história era minha, eu deveria ter sido até parceiro dele na música. Eu falei: Puta que pariu, Gonzaguinha, então eu te conto uma história de minha cama e você dá a música para a Bethânia gravar!?"

ARAÚJO, Paulo Cesar de. Eu não sou cachorro não - 5 edição - Rio de janeiro: Record,2005 (Pág. 207)

sábado, 26 de janeiro de 2008

PRÉ CARNAVAL NA MARIM DOS CAETÉS

O Carnaval de Olinda deste ano traz uma novidade que vai deixar os foliões ainda mais animados: a Prefeitura, em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, anunciou uma semana a mais de festas. Isso mesmo, quem espera até o Sábado de Zé Pereira para cair no passo vai antecipar as comemorações do período de Momo. A 1ª Capital Brasileira da Cultura terá pela primeira vez uma semana pré recheada de atrações locais e nacionais. Do dia 25 de janeiro (sexta) até o dia 31 (quinta), o palco montado no Pólo do Fortim vai ferver ao som da Nação Zumbi, Jorge Aragão, Mundo Livre S/A, Beth Carvalho e outros. Além dos shows, haverá ainda cortejos de grupos de cultura popular partindo do Largo do Mosteiro de São Bento desfilando pelas ruas da Cidade Alta. A Prefeitura de Olinda, junto com a Fundarpe, também irá apresentar, na abertura da semana pré (dia 25, às 16h), um espetáculo inédito em homenagem ao povo brasileiro. Na ocasião, negros, índios e brancos subirão ao palco juntos na peça Sagração das Etnias.Confira as atrações:

Semana pré carnavalesca:
Dia 25 - Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Claudionor Germano e Nação Zumbi.
Dia 26 - Orquestra Pernambucana de Choro, Escola de Samba Deixa Falar e Jorge Aragão.
Dia 27 - Orquestra do Maestro Duda e Sanfônica de Oito Baixos, Dona Ivone Lara e Nelson Sargento.
Dia 28 - Lançamento do disco Frevo do Mundo, Edu Lobo, Mônica Feijó e Orquestra Contemporânea de Olinda.
Dia 29 - Beth Carvalho, DJ Dolores e Aparelhagem e Geraldo Maia.
Dia30 - Orquestra Jaguar do maestro Ademir Araújo com convidados especiais e Samba de Latada.
Dia 31 - Antúlio Madureira, Eddie e Martinho da Vila.


Aproveitem o carnaval com responsabilidade!!!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O POETA DA VILA ISABEL

Primeiro filho de seu Manoel e dona Marta de Medeiros Rosa, Noel veio ao mundo em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, RJ, em parto difícil - para não perderem mãe e filho, os médicos usaram o fórceps para ajudar, o que acabou causando-lhe a lesão no queixo, que o acompanhou por toda a vida.

Franzino, Noel aprendeu a tocar bandolim com sua mãe - era quando se sentia mais importante, lá no Colégio São Bento. Sentava-se para tocar, e todos os meninos e meninas paravam para ouvi-lo extasiados. Com o tempo, adotou o instrumento que seu pai tocava, o violão.
Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931, onde vendeu 15000 discos!
Foi para a faculdade de medicina - alegria na família - mas a única coisa que isso lhe rendeu foi o samba "Coração" - ainda assim com erros anatômicos. O Rio perdeu um médico, o Brasil ganhou um dos maiores sambistas de todos os tempos.

Genial, tirava até de brigas motivo de inspiração. Wilson Batista, outro grande sambista da época, havia composto um samba chamado "Lenço no Pescoço", um ode à malandragem, muito comum nos sambas da época. Noel, que nunca perdia a chance de brincar com um bom tema, escreveu em resposta "Rapaz Folgado" (Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália / Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha) . Wilson, irritado, compôs "O Mocinho da Vila, criticando o compositor e seu bairro. Noel respondeu novamente, com a fantástica "Feitiço da Vila". A briga já era um sucesso, todo mundo acompanhando. Wilson retorna com "Conversa Fiada" (É conversa fiada / Dizerem que os sambas / Na Vila têm feitiço) . Foi a deixa para Noel compor um dos seus mais famosos e cantados sambas, "Palpite Infeliz" . Wilson Batista, ao invés de reconhecer a derrota, fez o triste papel de compor "Frankstein da Vila" , sobre o defeito físico de Noel. Noel não respondeu. Wilson insistiu compondo "Terra de Cego". Noel encerra a polêmica usando a mesma melodia de Wilson nessa última música, compondo "Deixa de Ser Convencido"Noel era tímido e recatado, tinha vergonha da marca que trazia no rosto, evitava comer em público por causa do defeito e só relaxava bebendo ou compondo. Sem dinheiro, vivia às custas de poucos trocados que recebia de suas composições e do auxílio de sua mãe. Mas tudo que ganhava era gasto com a boemia, com as mulheres e com a bebida. Isso acelerou um processo crônico pulmonar que acabou em tuberculose.

Este 2008 marca a entrada de grande parte da obra do poeta da Vila, Noel Rosa, em domínio público.Apenas ficam liberadas para regravações, remixes (socorro!) e afins canções compostas apenas por Noel ou em parceria com quem morreu antes dele - a lei do direito autoral estabelece que o prazo de 70 anos é contado após a morte do último dos co-autores (Feitio de Oração, citada acima, ainda não está liberada, já que foi composta com Vadico, que morreu em 1962).


Abaixo segue a lista das canções liberadas. Vamos ver o que vem por aí.

01 - Agora
02 - Alô Beleza
03 - Amor de Parceria
04 - Arranjei um fraseado
05 - Ate amanha
06 - Baianinha
07 - Brincadeira de roda
08 - Canção do galo capão
09 - Cansei de implorar
10 - Cansei de pedir
11 - Capricho de rapaz solteiro
12 - Choro
13 - Chuva de vento
14 - Cidade mulher
15 - Coisas do sertão
16 - Condeno o teu nervoso
17 - Com que roupa?
18 - Contraste
19 - Cor de cinza
20 - Coração
21 - Cordiais saudações
22 - Cumprindo a promessa
23 - Dama do cabaré
24 - Disse-me-disse
25 - Dona Aracy
26 - Dono do meu nariz
27 - É difícil saber fingir
28 - É preciso discutir
29 - Envio essas mal traçadas
30 - Espera mais um ano
31 - Estamos esperando
32 - Eu não preciso mais do seu amor
33 - Eu sei sofrer
34 - Eu vou pra vila
35 - Faz três semanas
36 - Festa no céu
37 - Fita amarela
38 - Fita de cinema
39 - Foi ele
40 - Gago apaixonado
41 - A Genoveva não sabe o que diz
42 - João-ninguém
43 - Juju
44 - Lira abandonada
45 - Madame honesta
46 - O maior castigo que eu te dou
47 - Malandro medroso
48 - Marcha da primavera
49 - Mardade de cabocla
50 - Maria-fumaça
51 - Mentir
52 - Mentiras de mulher
53 - Meu barracão
54 - Meu bem
55 - Minha viola
56 - Muito riso, pouco siso
57 - Mulata fuzarqueira
58 - Mulato bamba
59 - Mulher indigesta
60 - Não brinca não
61 - Não me deixam comer
62 - Não morre tão cedo
63 - Não tem tradução
64 - Negocio de turco
65 - No baile da flor-de-lis
66 - Nos três dias de folia
67 - Numa noite à beira-mar
68 - Nunca... jamais
69 - Nuvem que passou
70 - Onde está a honestidade
71 - Paga-me esta noite
72 - Palpite infeliz
73 - Para atender a pedido
74 - Pela décima vez
75 - Pesado 13
76 - Picilone
77 - Por causa da hora
78 - Por esta vez passa
79 - Por você sou capaz
80 - Pra esquecer
81 - Pra lá da cidade
82 - Precaução inutil
83 - Proezas de seu fulano
84 - O pulo da hora
85 - Quando o samba acabou
86 - Quando pelas aulas ando
87 - Que a terra se abra
88 - Quem dá mais?
89 - Quem não dança
90 - Quem parte não parte sorrindo
91 - Quem ri melhor
92 - Rapaz folgado
93 - Remorso
94 - Riso de criança
95 - Roubou, mas não leva
96 - Saí da tua alcova
97 - Saí do presídio
98 - São coisas nossas
99 - Século do progresso
100 - Seja breve
101 - Seu jacinto
102 - Seu José
103 - Silêncio de um minuto
104 - Só você
105 - Tipo zero
106 - Três apitos
107 - Tudo que você diz
108 - Ultimo desejo
109 - Vagolino de cassino
110 - Vaidosa
111 - Verdade duvidosa
112 - Vingança de malandro
113 - Você é um colosso
114 - Você vai se quiser
115 - Voltaste (pro subúrbio)
116 - Vou te ripar I
117 - Vou te ripar II
118 - O x do problema
119 - Yolanda
120 - Samba anatômico

domingo, 20 de janeiro de 2008

JORGE VERCILLO VS DJAVAN

Oi gente! Faz algum tempo que ando sumido dos posts aqui do Musicaria por absoluta falta de tempo; mas hoje achei um texto aqui na internet e resolvi vir até aqui externar a minha indignação em relação a tal matéria.

Logo abaixo eu o colocarei na íntegra. O texto, em minha modesta opinião, tem um propósito até cômico, mas até para se produzir humor tem que haver bom censo.
Achei que o texto reverencia o Djavan a um ponto que sabemos que ele é merecedor pelo tempo de serviço a música popular brasileira; porém discordo ao afirmarem que Jorge é uma cópia do alagoano. Por declarações do próprio Jorge sabemos que o Djavan exerceu forte influência em seu trabalho, porém a tempos que o Vercillo vem trilhando o seu próprio caminho. Acho até que Jorge e seu lirismo poético andam cada vez mais próximos de poetas como o Vinícius de Moraes do que do propriamente de músicos que influenciaram a sua geração como Caetano, Gilberto Gil, a turma do clube da esquina de Minas Gerais (Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes entre outros). Uma prova mais que concreta é esse novo trabalho do Jorge (Todos nós somos um), que fica mais do que provada a sua versatilidade (ou será vercillotilidade?? Rsrsrs...).
Deixo aqui minha indignação em relação a tal material e espero que o trabalho do Vercillo seja cada vez mais desmistificado para que possa ser realmente içado ao seu patamar real. Não quero desmerecer o trabalho de um monstro sagrado da música brasileira e diria até mundial como é o caso do Djavan; mas queria que essa comparação (que vem de longas datas) passe. Até porque quem geralmente faz esse tipo de comentário não teve a oportunidade de conhecer a trajetória de sedimentação que o trabalho do Jorge vem apresentando principalmente nos últimos anos. Abraços a todos!!


Homem que sabia djavanês

"Eu tinha chegado fazia pouco ao Rio de Janeiro e estava literalmente na miséria. Vivia fugindo de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro. Até que um dia, lendo "O Globo", deparei com este anúncio: "Precisa-se de um professor de djavanês". A audição das músicas de DJ Avan sempre provocou em mim puro mal- estar físico. Mas, enfim, precisava de grana e decidi fazer o possível para vencê-lo. Naquela semana, fui a todos os barezinhos com música ao vivo da idade. Perdi a conta de quantas vezes escutei "e o meu jardim da vida ressecou, morreu" ou "amar é um deserto e seus temores". Foram sete dias de tortura; contudo, saí deles com o djavanês na ponta da língua. Em vez de mandar meu currículo, achei que conviria visitar o endereço indicado no anúncio. Era um tríplex de cobertura, decorado com muito dinheiro e mau gosto ainda maior, num dos bairros mais caros do Rio. Apresentei-me comoprofessor de djavanês e, após ser submetido a inquérito pelos empregados, fui levado à presença do patrão, o doutor Albernaz. Ele me recebeu com um sorriso visivelmente irônico. "Então o senhor é professor de djavanês, hein?" "Sim, sou. Formado em djavanês e com mestrado em beregüê. Tive dez com louvor na minha tese sobre a influência de Carlinhos Brown na obra de James Joyce." A tese, obviamente, não existia, mas o doutor Albernaz pareceu acreditar na conversa. "Então, só o senhor pode me ajudar. Ouça isto, por favor" - e pôs nas minhas mãos uma coletânea do DJ Avan em CD. Ao notar minha cara de ponto de interrogação, ele contou sua história. "Pouco antes de morrer, meu pai me entregou esse CD e disse: 'Filho, tenho certeza de que DJ Avan canta coisas muito profundas, mas ouvi suas músicas durante anos e nunca consegui entender porra nenhuma. Só podem ser segredos iniciáticos transmitidos da maneira mais hermética possível. Descubra o significado e você obterá a chave da felicidade'." O doutor Albernaz abriu o encarte do CD e me mostrou uma das letras: "'Obi, obi, obá. Que nem zen, czar. Shalom Jerusalém, z'oiseau'. O que é isso?". Eu estava tenso com a pergunta do doutor Albernaz. Tantas músicas do DJ Avan e o velho tinha de querer saber o que significava a letra de "Obi"? Desgraçado. Se ainda fosse aquela do "o amor que é azulzinho", mas era tarde. Ele tinha os olhos fixos em mim: queria respostas. Todo o sucesso da minha empreitada dependia de uma explicação convincente e imediata. De repente, uma idéia. Começo: "Veja bem. 'Obi' é certamente uma referência a Obi-Wan Kenobi, o sábio de 'Guerra nas Estrelas' interpretado por sir Alec Guinness. 'Obá', por sua vez, remete a 'Djobi Djobá', sucesso dos Gipsy Kings. DJ Avan buscou contrastar o lado luminoso e britânico da força com os mistérios nômades da alma cigana. A mesma tensão dialética pode ser verificada no verso subseqüente, 'que nem zen, czar': a contemplação espiritual dos monges budistas e o poder absoluto dos czares. Perceba como tese e antítese se resolvem lindamente na síntese do verso seguinte: 'shalom Jerusalém' é a paz do espírito na divina cidade. É ela que faz a alma se elevar aos céus, como um pássaro ('z'oiseau')". Os olhos do doutor Albernaz se arregalaram enquanto eu falava. Dois segundos depois de eu terminar, ele gritou: "Que maravilha! Sabia que havia algo de muito profundo nessa letra! O senhor é um gênio da hermenêutica, um mestre do djavanês!". Passei a tarde inventando explicações para todas as outras letras do CD - Açaí guardiã..., Kremlin-Berlim-pra-não-dizer-Tel-Aviv..., índio cara-pálida cara de índio... Citei Joyce, Pound, Oswald, Glauber, Zé Celso, Hélio Oiticica e Odair Cabeça de Poeta: name-dropping é comigo mesmo. Daí por diante, minha ascensão social estava garantida. Eu era o único intelectual do país capaz de traduzir a transcendência da inguagem de DJ Avan. Tinha prestígio acadêmico e subsídio do Ministério da Cultura; gostosíssimas estudantes de lingüística rasgavam as roupas e se atiravam aos meus pés. Mas troquei tudo por um violão, sandálias de couro cru e um penteado novo. Mudei até meu nome graças ao djavanês. Hoje me chamo Jorge Vercillo e sei que "nada vai me fazer desistir do amor"...

ALGUNS ÁLBUNS:

Djavan - Coisa de acender (1992)
Considerado pelo próprio Djavan como o seu melhor trabalho, esse álbum vem recheado de "hits" como Se..., Boa noite, Linha do equador (uma das poucas parcerias do Djavan com o Caetano Veloso) e Outono. Além de duas gravações antológicas: A rota do indivíduo (ferrugem) e Violeiros.

FAIXAS:
01 - A rota do indivíduo (ferrugem) (Djavan e Orlando Moraes)
02 - Boa noite (Djavan)
03 - Se... (Djavan)
04 - Linha do Equador (Djavan e Caetano Veloso)
05 - Violeiros (Djavan)
06 - Andaluz (Djavan e Flávia Virgínia)
07 - Outono (Djavan)
08 - Alívio (Djavan e Arthur Maia)
09 - Baile (Djavan)


Jorge Vercillo - Todos nós somos um (2007)
Considerado pela crítica musical o álbum mais versátil do Jorge Vercillo esse nono álbum (o sétimo de estúdio) vem com uma musica do Jorge e do Jota Maranhão estourada já mesmo antes do lançamento oficial do álbum. A canção "Ela une todas as coisas" fez parte da trilha de uma novela da rede Globo (Duas caras). Esse trabalho; segundo o Vercillo, foi melhor elaborado por conta do tempo que ele teve para compor todas as canções juntamente com seus parceiros, por isso ele tem essa diversificação de ritmos. Nesse álbum pela primeira vez há participações em seus discos de duas pessoas dividindo os vocais com ele: Marcos Valle e Guinga. Vale a pena conferir!

FAIXAS:
01 - Cartilha (Jorge Vercillo e Fátima Guedes)
02 - Camafeu guerreiro (Jorge Vercillo e Paulo Cesar Feital)
03 - Numa corrente de verão (Jorge Vercillo e Marcos Valle)
04 - Ela une todas as coisas (Jorge Vercillo e Jota Maranhão)
05 - Toda espera (Jorge Vercillo)
06 - Xote do polytheama (Jorge Vercillo)
07 - Devaneio (Jorge Vercillo)
08 - Todos nós somos um (Dudu Falcão e Jorge Vercillo)
09 - Vôo cego (Jorge Vercillo)
10 - Luar de sol (Jorge Vercillo)
11 - Tudo o que eu tenho (Jorge Vercillo)
12 - Deve ser (Jorge Vercillo e Dudu Falcão)


Texto extraído do site samba e choro:
http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0411/0350.html

domingo, 6 de janeiro de 2008

A MÚSICA POR DRUMMOND

"A música popular entra no paraíso Deus - Quem é este baixinho que vem aí, ao som do violão, de copo cheio na mão? São Pedro - Senhor, pelos indícios, só pode ser o vosso servo Vinícius, Menestrel da Gávea e dos amores inumeráveis. Deus - Será que ele vem fazer alaúza no céu, perturbando o coro dos meus anjos-cantores, diplomados pela Schola Cantorum do mestre São Jorge, o Grande? São Pedro (hesitante) - Bem... Eu acho, com a devida licença, que ele traz um som novo, mais terrestre, menos beatífico, é certo, mas com uma suavidade brasileira inspirada nos seresteiros seus avós, os quais já têm assentos cativos junto ao vosso trono, Senhor. Coisa mui digna de vossa especial atenção. Deus - Hum, hum... São Pedro - Posso continuar, Senhor? Deus - Vá dizendo, Pedro. É sabido que você tem um fraco por essa gente que canta de noite, esteja ou não pescando, principalmente não estando. São Pedro - Pois eu digo, Senhor, que esse baixinho aí, todo simpatia e delicadeza, é um de vossos bons servidores na Terra, pois combateu a maldade pela ternura, a injustiça pela fraternidade, e compôs os cânticos profanos que, elevando o coração dos ouvintes, fazem o mesmo que os cânticos sagrados. Deus (surpreso) - O mesmo? São Pedro - O mesmo, Senhor, porque vós permitistes ao homem trilhar a vida direta ou a vida indireta, conforme o gosto dele. Este poetinha escolheu a segunda, por inclinação natural, e manifestou à sua maneira própria o amor à humanidade, distribuindo-o de preferência, na medida do possível, a umas quantas eleitas. Deus - Não terá sido antes dispersão do que concentração? São Pedro - As duas coisas, mas unidas tão sutilmente! E essa unidade paradoxal, mas espontânea, produziu os hinos do amor carnal, nos quais foi glorificado o corpo que concedestes às criaturas, e por essa forma glorificou-se a vossa divina Criação. Deus - Menos mal, se assim foi. Então Passe... como lhe chamas? São Pedro - Vinícius, não o patrício romano, que o amor conduziu do paganismo à fé cristã, mas o de Melo Moraes, filho de pais que curtiam o Quo Vadis. Este nasceu diretamente para o amor, e não precisou meter-se nas embrulhadas do paganismo de Nero para achar o rumo de sua alma. Ele já estava traçado pelas estrelas de outubro, vossas mensageiras. Vinícius nasceu com a célula poética, e esta desabrochou em cânticos variados, na voz de seus lábios e na dos instrumentos. Com estes cânticos ele encantou o seu povo. E era um povo necessitado de canto, um canto tão necessitado mesmo! Deus - Ele deu alegria ao meu povo? São Pedro (exultante) - Se deu, Senhor! E para isso não precisava sempre compor canções alegres. Ia até o fundo das canções tristes, mas dava-lhes uma tal doçura e meiguice que as pessoas, ouvindo-as, não sabiam se choravam ou se viam consoladas velhas mágoas. Era um coração se desfazendo em música, Senhor. Deu tanta alegria ao povo, que até a última hora de sua vida (esta não chegou a ser longa, mas se alongou em canção) trabalhou com seu fiel parceiro Toquinho para levar às crianças um tipo musical de felicidade. Morreu pois a vosso serviço, Senhor. Deus (disfarçando a emoção) - Mande entrar, mande entrar logo esse rapaz. Vinícius entra rodeado de anjos, crianças, virgens e matronas que entoam mansamente: Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver! Uma canção pelo ar,uma mulher a cantar,uma cidade a cantar,a sorrir, a cantar, a pedira beleza de amar,como o sol, como a flor, como a luz,amar sem mentir nem sofrer. Existiria a verdade,verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você! De vários pontos, vêm-se aproximando Sinhô, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Ciro Monteiro, Noel Rosa, Dolores Duran, Orfeu, Eurídice, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Portinari, Murilo Mendes, Mayza, Lúcio Rangel, Tia Ciata, Santa Cecília, Antônio Maria, Bach, Ernesto Nazaré, Jaime Ovalle, Chiquinha Gonzaga e outros e outros e outros que não caberiam neste relato mas cabem na imensidão do céu e som, e unem-se ao coral: Teu caminho é de paz e de amor. Abre os teus braços e canta a última esperança, a esperança divina de amar em paz!"

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 5 de janeiro de 2008

AINDA NO CENTENÁRIO DO FREVO...

O Frevo é um ritmo pernambucano derivado da marcha e do maxixe. Surgido no Recife no final do Século XIX, o frevo se caracteriza pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevos, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte. Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do frevo. Até as sombrinhas coloridas seriam uma estilização das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas.A dança do frevo pode ser de duas formas, quando a multidão dança, ou quando passistas realizam os passos mais difíceis, de forma acrobática. O frevo possui mais de 120 passos catalogados.
A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval.

TIPOS DE FREVO:

Frevo de rua - São frevos tocados por orquestras instrumentais, sem adição de nenhuma voz cancionando, somente instrumental.
Nos anos 30, com a popularização do ritmo pelas gravações em disco e sua transmissão pelos programas do rádio, convencionou-se a dividir o frevo em "frevo de rua" - quando puramente instrumental. E ainda há subdivisões a partir do frevo de rua: o "frevo de abafo", em que predominam as notas longas tocadas pelos metais, com a finalidade de abafar o som da orquestra rival; " frevo-coqueiro", uma variante do primeiro, formado por notas curtas e andamento rápido; o "frevo-ventania", de uma linha melódica bem movimentada; e o chamado " frevo-de-salão", um misto dos três outros tipos que, como o nome já diz, é próprio para o ambiente dos salões.

Frevo canção - É derivado da ária (composição musical escrita para um cantor solista), tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua. É seqüenciado por uma introdução forte de frevo, seguida de uma canção, concluindo novamente com frevo.

Frevo de bloco - É um frevo executado por orquestra de pau e cordas. É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha-de-bloco". É característico dos "Blocos Carnavalescos Mistos" do Recife.


CLUBES CARNAVALESCOS MISTOS OU CLUBES DE FREVO:
:: Das Pás - fundado em 1888
:: Vassourinhas - fundado em 1889
:: Lenhadores - fundado em 1897
:: Amantes das Flores - fundado em 1919
:: Prato Misterioso - fundado em 1919
:: Toureiros de Santo Antônio - fundado em 1924
:: Transporte em Folia - fundado em 1936

Estes são alguns dos Clubes Carnavalescos ainda em atividade nos festejos do carnaval de Pernambuco.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O FREVO E OS SEUS REPRESENTANTES

CAPIBA
Lourenço da Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba. Capiba é filho de uma família de músicos, seu pai foi maestro da banda municipal de Surubim, aos 8 anos de idade já tocava trompa e ainda criança muda-se com a família para o estado da Paraíba. Aos 20 anos de idade gravou seu primeiro disco e com 26 anos de idade muda-se para o Recife e, aprovado em concurso, torna-se funcionário do Banco do Brasil. Em 1938 formou-se em direito, mas nunca seguiu carreira. Morreu em Recife no dia 31 de dezembro de 1997.
Capiba escreveu mais de 200 canções, em sua maioria de frevo, mas também de samba e música erudita. Várias são sempre lembradas nos carnavais de pernambuco. Uma de suas canções carnavalescas mais famosas é "É de Amargar". Ela foi vencedora de um festival de frevo em Pernambuco, em 1934. Entre outros prêmios, em 1967 conquistou o 5° lugar no Segundo Festival Internacional da Canção, com a música "São do Norte os que Vêm".
Algumas composições: Valsa Verde (1931) É de Tororó (1932) É de Amargar (1934) Quem Vai Pro Faról é o Bonde de Olinda (1937) Guerreiro de Cabinda (1938) Gosto de te Ver Cantando (1940) Linda Flor da Madrugada (1941) Quem Dera (1942) Maria Betânia (1944) Não Agüento Mais (1945) Que Bom Vai Ser (1945) E... Nada Mais (1947) É Luanda (1949) Olinda Cidade Eterna (1950) Madeira que Cupim Não Roi (1963).

CAPIBA ACERVO FUNARTE (1984)
Gravado em 1984, com produção artística de Hermínio Bello de Carvalho e do violonista Maurício Carrilho, o disco comemorou os 80 anos de Capiba. Entre os convidados estava a competente Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco com o frevo “Eu Quero é Ver” e o maracatu “É de Tororó”, além de celebrar a tradição chorística em “Cem Anos de Choro”. O vozeirão aveludado de Claudionor Germano, o maior intérprete de Capiba, entoa “Linda Flor da Madrugada”, a melancólica “Cais do Porto” e o hino carnavalesco “É de Amargar”.

Faixas:
01 - Eu Quero é Ver (Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco)
02 - A Mesma Rosa Amarela/linda Flor da Madrugada (Martha - Claudionor Germano)
03 - Maria Bethania (Expedito Baracho)
04 - A uma Dama Transitória (Expedito Baracho)
05 - Cem Anos de Choro (Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco)
06 - Cais do Porto (Claudionor Germano)
07 - É de Amargar (Claudionor Germano)
08 - Sem Lei Nem Rei (Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco)
09 - É de Tororó/nação Nagô/eh! Luanda/minha Ciranda/recife, Cidade Lendária (Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco - Expedito Baracho - Lia de Itamaracá - Guias Mirins de Olinda)


NELSON FERREIRA
Nelson Heráclito Alves Ferreira, nascido em dezembro de 1902, em Bonito no agreste pernambucano. Nelson Ferreira foi um dos mais importantes e prolíficos compositores e músicos da história da MPB. Sua vasta obra inicia-se na década de 20. Sua primeira composição gravada foi borboleta não é ave, lançada pela Odeon, em 1924. Nelson Ferreira pairou sobre a música de Pernambuco até a sua morte, em dezembro de 1976. Foi diretor musical de rádio e TV, mastro, arranjador. Sua marca está no catálogo da extinta Rozenblit, da qual foi, durante anos, diretor artístico. Sua obra está ainda por ser contabilizada (não há, inclusive, biografias do compositor), mas é riquíssimas, das valsas, aos frevos-canção. Notáveis foram sua série de evocações. A primeira delas, Evocação, em 1957, foi sucesso nacional, e a música mais tocada no carnaval carioca. Seguiram-se outras evocações, marchas-de-bloco homenageando foliões do passado, e personalidades da vida pernambucana e brasileira.

Claudionor Germano - O que eu fiz...e você gostou - Carnaval cantado de Nelson Ferreira

Faixas:
01 - Borboleta não é ave - Não puxa Maroca - Dedé - O dia vem raiando
02 - Óia a virada - Coração, ocupa teu posto - Pare, olhe, escute... e goste
03 - Arlequim - Que fim você levou - Chora palhaço
04 - Boca de forno - Minha fantasia - Juro - Vamos comer de novo?
05 - Peixe boi - O passo do caroá - Sorri pierrot - O coelho sai
06 - Bye, bye, my baby - Bem-te-vi - Pernambuco, você é meu - Evocação nº1



CLAUDIONOR GERMANO
Claudionor Germano da Hora (Recife, 10 de agosto de 1932) é um cantor brasileiro.Claudionor é irmão do artista plástico Abelardo da Hora e do médico escritor Bianor da Hora, e pai do também cantor de frevo Nonô Germano.
O seu trabalho sempre esteve relacionado a composição e interpretação do Frevo, sendo um dos principais intérpretes de Capiba e Nelson Ferreira.
Claudionor Germano iniciou sua carreira artística em 1947, na Rádio Clube de Pernambuco, compondo um conjunto musical denominado Ases do ritmo.
E no final do ano de 2007 gravou na praça do marco zero (Recife) o seu primeiro DVD em comemoração aos seus 60 anos de carreira.

Claudionor Germano - Ranchos e blocos no carnaval do Recife (2009)
Faixas:
01 - Estão voltando as flores
02 - A dor de uma saudade
03 - As pastorinhas
04 - Dia azul
05 - Estrela do mar
06 - Madeira que cupim não rói
07 - Malmequer
08 - Relembrando o passado
09 - A noite dos mascarados
10 - Flabelo de ilusões
11 - Até quarta-feira
12 - Em nome do amor
13 - Aurora de amor
14 - Bandeira branca
15 - Avenida iluminada

NOVA GERAÇÃO

SPOK FREVO ORQUESTRA - Formada por 18 jovens músicos pernambucanos, a orquestra surgiu em Recife, em janeiro de 2001, dando ao frevo um tratamento diferenciado, com arranjos modernos e harmonias que buscam a liberdade de expressão em improvisos, com clara influência do jazz. O líder da Spok Frevo Orquestra é o músico e compositor Spok, nascido em Recife e apontado por especialistas como o mais novo embaixador do frevo. O repertório da orquestra é composto de frevos-de- rua, puramente instrumentais, e frevos-canções, novos e já consagrados. Desde seu surgimento, o grupo conquistou a admiração do público, lotando a agenda de apresentações e levando o frevo a diversas apresentações no Brasil e no exterior. Em agosto de 2003 tocaram com sucesso no festival Les Rendez-vous de L´Erdre, em Nantes (França), no V Mercado Cultural de Salvador (BA), quando foram comparados a Luckman Jazz Orchestra de Los Angeles, pelo escritor e saxofonista Luís Fernando Veríssimo. Em 2004, participaram do Festival de Jazz de Cascavel (PR), do Festival Um Sopro de Brasil (SESC Pinheiros), em clubes de jazz de São Paulo e Rio de Janeiro, sempre com presença de considerável e animado público. No final de 2004, lançaram o CD "Passo de Anjo", que foi considerado um clássico do gênero pela crítica especializada, por trazer releituras de antigos sucessos e novas composições como "Ela me disse", de Luciano Oliveira, "Passo de Anjo", de Spok e João Lyra, entre outros. No repertório clássicos do CD está "Nino, o Pernambuquinho" de autoria do Maestro Duda. A música ganhou um clipe que foi exibido no programa Fantástico, da TV Globo, no domingo de carnaval de 2005.Spok, assim apelidado, em referência ao personagem Dr. Spock, do seriado Guerra na Estrelas, também é músico e arranjador da Banda Sinfônica do Recife.

Começou a tocar aos 12 anos, por influência do tio e do primo Gilberto Pontes, ambos saxofonistas. Sua formação se deu no Centro de Criatividade Musical do Recife. Tornou-se logo um dos artistas mais respeitados de Pernambuco, tendo participações especiais, desde os anos 1990 nas bandas de artistas brasileiros como Fagner, Alceu Valença, Antônio Carlos Nóbrega, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos e Sivuca, sozinho, ou com a SpokFrevo Orquestra. Artista oriundo das classes menos favorecidas, tem como meta legar suas obras e seu conhecimento para jovens, que sonham em exercer a profissão de músico, como ocorreu com ele. Para isto tem como objetivo prioritário a sistematização do ensino do frevo para jovens no Brasil e no exterior. Em 2005, a orquestra participou do CD "Na embolada do tempo", 26º disco-solo lançado por Alceu Valença. Em 2006, a Spok Frevo Orquestra apresentou-se em diversos eventos, entre eles, o Projeto Todos os cantos do mundo, realizado no Sesc Pompéia (SP), um festival, no MAM/RJ, o Tim Festival, no Ibirapuera (SP), o Projeto Seis e Meia, no Teatro do Parque, em Recife, entre outros, além de se apresentarem no Hall do Teatro Guararapes, em Recife e dar entrevista no Programa do Jô, na TV Globo. No mesmo ano, também fez turnê em Paris- França e teve indicação para o prêmio Tim de Música, na categoria Melhor Grupo Instrumental e o CD "Passo de Anjo" foi indicado na categoria Revelação- melhor disco instrumental. No carnaval de 2007, acompanhando o cantor Silvério Pessoa, a orquestra animou o pólo Todos os Frevos, no palco montado na avenida Guararapes, em Recife, até a chegada do bloco Galo da Madrugada. Ainda no mesmo carnaval, a Orquestra apresentou-se no palco do Citibank Hall, em São Paulo, acompanhando diversos artistas representativos da música nordestina, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Antônio Nóbrega e Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, num evento que marcou o lançamento do Carnaval do Recife em São Paulo. Também em fevereiro de 2007, a Orquestra participou, fazendo todo o intrumental do CD duplo "Cem anos de frevo", lançado pela Biscoito Fino e que reuniu vários artistas consagrados da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alceu Valença, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Silvério Pessoa, Geraldo Azevedo e Chico Buarque, entre outros. O álbum traz um repertório que vai do clássico a sucessos inquestionáveis do gênero.

Spock Orquestra Frevo - Passo de anjo (2004)
Faixas:
01 - Passo de Anjo (João Lyra / Spok)
02 - Ponta de Lança (Clóvis Pereira)
03 - Nino o Pernanbuquinho (Duda)
04 - Ela me Disse (Luciano Oliveira)
05 - Frevo da Luz (Luizinho Duarte / Carlinhos Ferreira)
06 - Mexe com Tudo (Levino Ferreira)
07 - Frevo Sanfonado (Sivuca / Glorinha Gadelha)
08 - Nas Quebradas (Hermeto Ferreira)
09 - Pontapé (Adelson Viana / João Lyra)
10 - Lágrima de Folião (Levino Ferreira)
11 - Frevo Aberto (Edson Rodrigues)

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