PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Ana Paula da Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Paula da Silva. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de maio de 2016

CANTORA JOINVILENSE ANA PAULA DA SILVA COMPLETA 20 ANOS DE CARREIRA

Compositora se sente uma operária de sua arte, incansável em sua jornada

Por Rubens Herbst



Para Ana, sobram talento, motivação e crença de que o suor vale a pena em nome da música


É fim de show e Ana Paula da Silva se despede da pequena plateia, não sem antes oferecer CDs seus cuidadosamente acomodados em uma cesta. Quando o último fã vai embora, ela ainda tem muito o que fazer – desplugar cabos, juntar partituras e suportes, guardar instrumentos nos cases, reunir equipamento de som e guardar tudo no porta-malas do carro. 

Sem roadie, assistente ou empresário, Ana está acostumada a cuidar de cada detalhe de seu trabalho artístico, o que inclui “pegar no pesado” após as apresentações. Glamour não há, mas sobram talento, motivação e crença de que o suor vale a pena em nome da música. É assim há 20 anos, e, mais do que nunca, a cantora e compositora de Joinville se sente uma operária de sua arte, incansável em sua jornada, presa apenas ao soar de notas, melodias e palavras.

Curiosamente, a primeira paixão de Ana foi a dança, que ocupou sua vida até a adolescência. Música, porém, sempre habitou a casa, nos sambas entoados pelo pai e pelos irmãos, autodidatas como ela, que aprendeu os primeiros acordes aos 12 anos, tendo só as velhas revistinhas de partituras à frente. Afora alguns cursos e oficinas, a sala de aula foi a estrada.

— A coisa teórica é importante, mas ela não define a personalidade da sua arte. A minha experiência veio de tocar à noite em bares, participar de festivais, conhecer as pessoas e viajar, sair do meu quintal — enumera Ana, que começou a tocar profissionalmente aos 16 anos.

Depois de quatro anos, ela deixou a parceria com Juninho Salves e passou a acompanhar a si própria no violão, o que a lançou também no mundo das composições autorais. Tendo a música popular brasileira como referência máxima e permanente, Ana foi fazendo de cada disco uma impressão do momento pelo qual estava passando.

Quando em 2006 lançou Canto Negro e Por Causa do Samba, ela já morava havia dois anos na Áustria, para onde foi a convite do músico Alegre Corrêa. A recepção foi tão boa que Ana volta regularmente ao país, normalmente amparada por shows em outras terras europeias.

O ano de 2006 também marcou uma virada radical na vida de Ana: o nascimento da filha, Clara. Além da óbvia mudança na rotina e nos horizontes, a menina levou a mãe para novos caminhos musicais, como os arranjos do disco/livro Contos em Cantos (2009), ao lado do ator e escritor Humberto Soares. 

Ainda em 2009, o Prêmio Pixinguinha permitiu a produção do disco Aos de Casa, um passaporte para o trabalho de Ana Paula ficar mais conhecido, algo convertido em turnês regulares.

Na Argentina, onde morou por um ano e fez mais de 40 shows, encantou-se pela independência e iniciativa dos colegas hermanos, o que a motivou a produzir o festivalAldeia de Todos os Cantos em Joinville, um intercâmbio entre músicos latinos que teve três edições entre 2013 e 2015.

— A arte independente possibilita ao público incentivar a música que ele gosta e ter um contato mais próximo com o artista — reflete Ana.

Liberdade criativa é, de fato, um tema caro à joinvilense. Ana nunca correu atrás de gravadora, por exemplo. Ela é seu próprio empresário, produtor e roadie. Da foto da capa do disco aos detalhes de cada turnê, tudo passa por seu crivo, e nada acontece sem que tenha total confiança naquilo que está fazendo.

— O meu canto é a minha própria asa — justifica, sem, no entanto, descartar a possibilidade de vir a contar com alguém que a ajude nas questões fora do âmbito puramente artístico.

— Tem muita seriedade no meu trabalho, tenho um respeito enorme pela música.

Tal deferência por sua arte chega a um ponto culminante com Raiz Forte, disco que sai agora, cinco anos após o Pé de Crioula e três após o songbook com suas composições organizado pela pianista Marisa Toledo, algo que lhe indicou a plenitude como autora.

É também o carimbo sonoro, à base de voz e violão, de um amadurecimento por estes 20 anos de carreira, sendo dez visitando regularmente a Europa, para onde voltará em maio.

segunda-feira, 18 de março de 2013

PROGRAME-SE


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

PROGRAME-SE


sábado, 11 de fevereiro de 2012

A EXCELÊNCIA EM PARCERIA

Dentre nossos parceiros musicais, quatro nomes já foram pré-selecionados para o maior prêmio da música brasileira.

Por Bruno Negromonte


Para quem conhece e acompanha o Musicaria Brasil já deve saber que o propósito maior de nosso espaço é difundir a boa música brasileira independente da região onde a encontramos. Devido a quantidade de visitas que mensalmente alcançamos (uma média bem acima daquilo que acreditaríamos chegar) e que vem de todos os lugares do mundo, temos ciência que o resultado que almejamos é alcançado. Isso é perceptível através dos e-mails e comentários que recebemos ao longo desse período em que estamos na ativa. Outro aspecto relevante de nosso espaço (e aquele que vamos dar ênfase a partir de então) é o feedback existente entre os artistas independentes que nos procuram ou que muitas vezes são indicados por nossos leitores para ilustrar as postagens de nosso espaço.

Prefiro atribuir a essas pautas o termo "feedback", por acreditar que realmente trata-se de uma troca. Não uma troca comigo que faço o Musicaria, mas com o grande público, que ao nos prestigiar tem como retribuição a aquisição de trabalhos que prezam pela qualidade e são feitos por pessoas de extremo talento, mas que não alcançam o grande público por questões que não vem ao caso trazer mais uma vez à tona. Nos orgulhamos muito em afirmar que todos, invariavelmente todos, os nossos parceiros musicais apresentam trabalhos, nos gêneros que atuam, de extrema qualidade. Prova disto são as pré-seleções a premiação máxima da música no Brasil de alguns dos protagonistas de nossas pautas, onde para chegar lá há a necessidade de passar pelo clivo de um conselho composto por nomes como Zuza Homem de Melo, Gilberto Gil, o idealizador José Maurício Machline, João Bosco, Yamandú, Wanderléia entre outros.

São mais de duas décadas de premiação avaliando e procurando classificar aquilo que de melhor a música brasileira vem apresentando e a consolidação como o maior e mais representativo prêmio do cancioneiro nacional passando por diversas fases. Primeiro chamou-se, por mais de dez anos, de Prêmio Sharp, também recebeu os nomes de Prêmio da Música Brasileira (2001) e Prêmio TIM de Música e hoje chama-se Prêmio da Música Brasileira. O ano que merece destaque para o prêmio é o de 2009, pois Zé Maurício Machline resolveu realizar a Premiação sem patrocínio apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores, e foi brilhantemente realizado comprovando a importância do Prêmio da Música para a cultura Brasileira.

Em 2011, entre os pré-selecionados, esteve alguns trabalhos apresentados pelo Musicaria Brasil ao longo do mesmo ano como foi o caso de "Pé de Crioula", da cantora catarinense Ana Paula da Silva. A artista que já conta com diversos trabalhos fonográficos na bagagem apresentou um álbum que consiste em diversos sambas. É um trabalho essencialmente de intérprete onde Ana Paula procura mostrar porque é que tem a cada novo ano sedimentado ainda mais a sua carreira na Europa, particularmente na Áustria. Adriana Godoy, é outro nome que também figurou ao longo de 2011 tanto em nosso espaço quanto entre os pré-secionados do referido prêmio. A filha do músico Amilton Godoy e da cantora Silvia Maria, dois grandes destaques do cenário musical brasileiro, apresentou "Marco", um trabalho que traz, entre coisas, canção inédita da Fátima Guedes e participação de grandes nomes da música popular brasileira como Elton Medeiros e Filó Machado.

Outro trabalho dentre os pré-selecionados em 2011 foi "A sombra confia ao vento", do carioca Ricardo Machado. Álbum cujo título é extraído de uma composição de Heitor Villa-Lobos e (Melodia Sentimental). O trabalho de Ricardo percorre 150 anos de música brasileira em um repertório meticulosamente escolhido sob os arranjos do maestro Ricardo Calafate e arte gráfica de um dos mais conceituados profissionais da área que é Egeu Laus Simas. Por fim vem o álbum "Lero-lero", da paulista Luísa Maita, cujo sucesso vem sedimentando-se não só no Brasil, mas também no América do Norte. Filha do saudoso Amado Maita, Luísa não só teve seu trabalho entre os pré-selecionados de 2011, mas também conquistou o troféu de revelação do Prêmio da Música brasileira do ano passado.


2012

Em 2012 o prêmio prestará uma ao cantor e compositor João Bosco de Freitas Mucci. João Bosco, como ficou mais conhecido no meio artístico, nasceu no município de Ponte Nova no estado de Minas Gerais em 1946 e ao longo deste ano será o homenageado do prêmio pelos 40 anos de carreira fonográfica; e dentre os nossos parceiros musicais já constam três pré-selecionados ao prêmio: André Mastro, Letícia Scarpa e Rita Gullo. O ator, poeta, cantor e produtor Mastro, cujo trabalho abordamos ao longo de julho do ano passado, apresenta um trabalho composto por repertório cuja a escolha foi de maneira totalmente passional. Quando questionado sobre quais critério foram adotados para tal escolha, André enfaticamente diz: "Critério? Que é critério? Meu coração disse e eu fiz. Cantei, gostei, gravei. Cantei,não gostei, não gravei." O álbum intitulado "Sem descanso", apresenta um repertório composto por regravações de nomes como Itamar Assumpção, Adoniran Barbosa e Cartola.

Rita Gullo, cuja entrevista exclusiva figurará entre as postagens deste mês, vem com um dos trabalhos mais elogiados de 2011 não só pela seleta escolha do repertório como também pela agradável voz. O álbum cujo título traz o nome da artista conta com a participação pra lá de especial do cantor e compositor Chico Buarque. Já Letícia Scarpa, traz "", um álbum que conta com a participação do artista pernambucano Antônio Carlos Nóbrega e é composto essencialmente por composições próprias. Das 12 faixas, Letícia assina 11 em diversas parcerias neste seu álbum de estreia e em breve abordaremos este trabalho de forma mais minuciosa em nosso espaço. Esperamos não só em 2012, mas também nos anos subsequentes manter essa estirpe entre nossos parceiros por acreditar que não se concede tal indicação a qualquer trabalho e isso, além de nos lisonjear, nos condiciona a oferecer ao conhecimento de nosso público trabalhos de excelente qualidade. Resta-nos agradecer pela confiança depositada por tais artistas e suas respectivas assessorias. E não custa nada, mais uma vez, deixar a dica: todos esses trabalhos são impreteríveis em qualquer coleção de disco e devem ser adquiridos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ANA PAULA DA SILVA - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com uma carreira de bastante êxito na Áustria, Ana Paula da Silva concede-nos um pouco do seu corrido tempo para essa entrevista exclusiva, onde fala, dentre outras coisas, um pouco sobre suas influências, a carreira internacional e as incursões pelo universo musical infantil.

Por Bruno Negromonte


A cantora catarinense (que vem recebendo comentários elogiosos de críticos musicais como Nelson Motta) ultimamente está na estrada divulgando o seu mais recente trabalho intitulado "Pé de crioula", álbum este que traz Ana Paula da Silva em um álbum imbuído essencialmente pelo samba e o melhor de suas variantes, ritmo que segundo a própria artista está enraizado em sua alma e coração.

Neste trabalho a cantora apresenta-se não só como compositora, mas também se faz intérpretes de nomes como Wilson Moreira, Candeia e Wilson das Neves dentre outros autores como pode ser conferido na pauta publicada anteriormente sobre Ana Paula da Silva intitulado QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA BOM SUJEITO NÃO É... (http://musicariabrasil.blogspot.com/2011/08/quem-nao-gosta-de-samba-bom-sujeito-nao.html). A crioula parece ter chegado com o pé direito e “Pé de crioula” além de ter sido um dos álbuns pré-selecionados no Prêmio da Música Brasileira 2011 tem sido um sucesso de crítica e público tanto no Brasil quanto na Europa.

E é nesse contexto que a cantora nos concedeu esta entrevista exclusiva onde aborda, dentre outras coisas, alguns dos projetos que antecederam o seu álbum recém lançado e a sua bem sucedida carreira no exterior, particularmente na Áustria (país este onde Ana Paula morou até 2006 e hoje, apesar de voltar a residir no Brasil, vem consolidando sua carreira cada vez mais não só lá, mas por toda a Europa).


Você vem de uma formação musical auto-didata e, segundo informações, ao longo de sua infância foi muito influenciada pelo o que seu pai ouvia. Que tipo de música você estava habituada a ouvir a partir da predileção dele e quais aqueles nomes que chamaram a atenção da criança Ana Paula ao ponto de influenciá-la para a música?

Ana Paula da Silva - Paulinho da Viola, Nelson cavaquinho, Lupicínio, Bide e Marcal , muito samba mesmo, cantávamos muito eu e ele... umas das primeiras músicas que cantei com meus pai foi "Aos pés da Cruz"... acho que com 06 ou 07 anos...


Em que momento você sentiu que a música seria de fato um caminho sem volta?

APS - Profissionalmente com 16 anos.


Em 2004, depois de sete anos de carreira, você lança “Canto Negro”, um álbum com participações especiais, composições próprias e outras peculiaridades como o lançamento longe do seu país. Como se deu a elaboração e gravação deste primeiro trabalho?

APS - Então.... depois de alguns shows realizados em SC com o Duo que tinha na época com Edson Santanna (pianista), surgiu o convite do grande amigo e músico Arnou de Melo de iniciar a gravação do meu primeiro disco, e daí foi aquele negócio, músicas inéditas, amigos parceiros, e a gravação de “Quando eu me chamar saudade” em homenagem a esta época e em agradecimento ao meu pai.


Você vem com uma carreira internacional que vem se sedimentando a cada novo dia com apresentações em alguns países e festivais europeus, como o de Montreux por exemplo. Essa carreira internacional se desenvolveu particularmente na Áustria. Como tudo isso aconteceu ao ponto de você ter seu primeiro álbum lançado lá e posteriormente aqui?

APS - Na verdade lancei o Por causa do samba na Áustria que já era o segundo álbum em parceria com Alegre Corrêa. O Canto Negro estava ainda no forno quando fiz o lançamento deste disco em Montreux, antes de chegar na Áustria. Então vim lançar oficialmente o Canto Negro no Brasil primeiro, depois voltei para Áustria em 2007 e lancei lá também o que para os austríacos ficou como sendo o segundo disco. E sempre estou voltando desde então para lá com lançamentos e participações em concertos de amigos.


Muitos artistas defendem a teoria de que quanto mais preso as suas origens são, mais universais acabam se tornando. Em seu trabalho isso é percebido a partir de sua musicalidade e repertório. Além disso, a música brasileira é um dos produtos de exportação mais bem sucedido que existe. Você acredita que esses dois fatores podem ser usados como justificativa para essa excelente aceitação fora do Brasil? Existe mais algum fator que você ache preponderante?

APS - Acredito em fazer música livre, a que tenho vontade, a que flui dentro de mim, não fico pensando o que vai ser aceito ou não para seguir nos shows e CDs, penso em projetos, em histórias que poderei contar nestas fases da minha vida, não existe segredo, existe trabalho e muito, faço as produções dos discos, por muito tempo fiz a dos shows, e sigo trabalhando firme dia-a-dia, o que tenho a dizer é que amo o que faço, me emociono com o que é raiz, com gente simples, com essa música linda que nos rodeia em tudo, e tento sentir e fazer a troca com as pessoas, gosto muito de ir na fonte...o Brasil é absurdamente lindo e esquecido do seu folclore, da sua forca do seu canto e toque forte das suas origens, procuro encontrar nela a inspiração e verdade...


Essa questão referente às origens me remete ao seu álbum “Aos de casa” (trabalho que surgiu por conta da conquista do prêmio Pixinguinha). Nesse trabalho a abordagem da cultura local é bastante acentuada, tendo inclusive a gravação do ritmo catarinense Catumbi pela primeira vez por uma voz feminina. A concepção de um tipo de álbum dessa forma era algo já planejado?

APS - Acredito que cada álbum faz parte de um momento da minha vida, e cada um tem um tipo de história pra contar, a idéia inicial era fazer mais composições minhas e de amigos catarinenses, mas com o presente da música Aos de Casa do compositor Dentinho Arueira, surgiu a ideia final, valorização e envolvimento total com a cultura de Santa Catarina, inclusive no encarte do cd, com obras e contatos de artistas plásticos e artesãos de SC.


Como foi essa incursão pelo universo infantil a partir do "Contos em Cantos"?

APS - Contos em Cantos nasceu em 2001, quando o amigo, artista plástico e contador de histórias Humberto Soares iniciou o caminho da criação de suas próprias histórias. Fiz as composições baseadas nas histórias, e somente em 2008 escrevi um projeto municipal, onde foi aprovado, e produzi o LIVRO-CD Contos em Cantos.


Percebe-se claramente uma química muito forte entre você e o Alegre Corrêa. Prova disto são os diversos projetos em parceria como o álbum “Por causa do samba”. Como se deu esse encontro?

APS - Nasceu quando participei do primeiro show com seu antigo projeto Alegre Corrêa Group em Viena 2004 cantando duas músicas, meses depois fizemos um show em DUO, seguiu com o guitarrista Wolfgang Muthspiel que fez um convite para eu participar do show de ambos. No ano seguinte, iniciou o trabalho de ensaios e elaboração de um show, que apresentamos bastante antes da gravação do disco Por causa do Samba, este nome é do samba que a letra é do compositor Raul Boeira e música minha e de Alegre Corrêa.


Quem escuta o seu mais recente álbum acaba percebe que ele é composto predominantemente por sambas contemporâneos, porém há a regravação do samba "Me alucina" (Wilson Moreira e Candeia). Como se deu a escolha dessa faixa?

APS - Em todos os álbuns a idéia é apresentar novos compositores, este é um papel muito importante de uma intérprete, mas Me Alucina conheci em 1996 no disco do Arlindo Cruz (Arlindinho) e sempre gostei muito, daí quando pensei em fazer o disco de samba ela já estava dentro de mim há tempos esperando o momento certo. Assim como esta tenho outras que também aguardam sua hora.


Você vem apresentando o espetáculo “Pé de crioula” em algumas cidades do estado de São Paulo e também de Santa Catarina, além de países da América Platina como, por exemplo, a Argentina. Sabemos que a gênese do show é o álbum, mas o que os seus fãs podem encontrar de diferente das apresentações anteriores? Como se deu a concepção desse novo espetáculo?

APS -Cada show é um dia novo, é uma troca nova, posso somente dizer que por onde passar com este trabalho, estarei fazendo o que há de forte em minha alma e coração, e pra quem gosta de samba, aí está um trabalho quase inédito, com grandes músicos e amigos, isso é o que vim para fazer, sigo meu caminho com verdade e amor!( É só ter alma de ouvir e coração de escutar...)


Agenda Novembro / Dezembro (2011)

18/11 - SC JAM FESTIVAL 2011
Centro de Cultura e Evento Plínio Arlindo de Nes - Chapecó - SC - Br - 21hrs

25/11 - APS - Semeando
Café Ferrazza - Jaraguá do Sul - SC - Br - 21.00 hrs

09/12 - Panorama de Música - Workshop
Alma na voz e Mãos no Tambor - Folclore - Jaraguá do Sul - SESC-SC

10/12 - Lançamento CD Pé de Crioula - Blumenau - 11.00 hrs SESC-SC

11/12 - Lançamento CD Pé de Crioula - Jaraguá do Sul - 18.00 hrs - SESC-SC


Maiores informações:
Contatos para shows e aquisição dos álbuns: crioulabrasilproducoes@gmail.com
Fone: (47) 8816-1464
Site - www.anapauladasilva.com
Myspace - www.myspace.com/apdasilva
Youtube - www.youtube.com/anacrioula

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA BOM SUJEITO NÃO É...

O compositor Vinícius de Moraes certa vez disse: "O samba é uma forma de oração". E é assim, com a singeleza de sua voz unítona como prece ao Deus da música, que a cantora joinvilense Ana Paula da Silva apresenta seu mais recente trabalho intitulado "Pé de crioula".

Por Bruno Negromonte


O título desta matéria seria mero clichê se não houvesse como personagem central a figura da catarinense Ana Paula da Silva. A cantora que nasceu em Joinville vem há 14 anos desenvolvendo uma carreira muito coesa com a proposta a qual se empenhou em desenvolver desde o início. Isso talvez se tenha dado ainda na infância, quando teve a sua musicalidade estimulada, influenciada e de certa forma moldada sob a orientação do seu pai, aprendendo desde então a cultuar o rico universo musical brasileiro apresentado a partir das obras dos grandes nomes de nossa música popular.

Com esse impulso motriz dado por seu pai, Ana Paula deu continuidade ao desenvolvimento dessas habilidades, e de maneira auto-didata veio aperfeiçoando seus conhecimentos musicais e sua desenvoltura artística; tudo isso deu o embasamento necessário para que ela viesse desenvolvendo desde 1997 a sua trajetória profissional, progredindo de modo substancial e ascendente ao longo destes anos desde quando iniciou a sua carreira de intérprete, violonista e compositora.

O primeiro álbum começou a ser concretizado sete anos após a sua profissionalização, e ao projeto foi dado o título de "Canto Negro". Das quinze faixas do álbum, algumas são de autoria da própria Ana Paula, que traz além de suas composições músicas de artistas como Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho (Quando eu me chamar saudade), Paulo César Pinheiro (Sincretismo), Tavinho Moura (Serra do ão), Guinga e Sérgio Natureza (Nem mais um pio). A gestação deste trabalho durou cerca de um ano e cinco meses (entre janeiro de 2004 e junho de 2005) e foi elaborado inicialmente e finalizado na Áustria, pois nessa época Ana Paula encontrava-se lá sedimentando sua carreira no mercado internacional. Essa sua permanência por terras europeias fez com que apenas em 2006 o álbum fosse lançado no Brasil. Na celebração deste primeiro trabalho constam a participação de nomes consagrados de nossa música popular como Robertinho Silva, Beto Lopes, Alegre Corrêa, Arnou de Melo, Edson Santanna e outros novos talentos da nossa música. O álbum chegou a ser apresentado no Festival de Jazz de Montreux e algumas cidades da Europa e do Brasil.

Ainda no ano de 2006 veio o segundo álbum com o título de "Por causa do samba", um álbum que surgiu para selar a parceria e as afinidades musicais existentes entre Ana Paula da Silva e o guitarrista, compositor e arranjador gaúcho Alegre Corrêa. Essa parceria que deu-se a partir de junho 2004 em alguns lugares da Europa como Áustria e Viena, desde então tornou-se uma constante as apresentações da dupla em palcos europeus. No Brasil, a dupla chegou a se apresentar em concerto com a Vienna Art Orchestra.

"Por causa do samba" é a celebração (no sentido mais puro da etimologia) desse encontro musical a partir de um repertório (com arranjos elaborados pelo duo) que alternam-se entre composições de grandes nomes do cancioneiro popular brasileiro e composições da dupla a partir de algumas variantes. Estão presentes no álbum compositores como Ary Barroso, David Nasser, Zequinha de Abreu, Paulo César Pinheiro, Vicente Barreto, Milton Nascimento, Robertinho Silva e Raul Boeira e músicos da qualidade de Robertinho Silva, Márcio Tubino, Wolfgang Muthspiel entre outros. O lançamento do álbum e a turnê foram realizados essencialmente na Europa ao longo do primeiro semestre de 2006.



Passaram-se três anos até que no primeiro semestre de 2009 Ana Paula da Silva lança o seu terceiro projeto, que trata-se de um trabalho lítero-musical, onde a partir do livro-cd "Contos em Cantos" a artista catarinense assina a produção de todas as composições e a maioria dos arranjos (elaborados desde 2003) em parceria com o artista plástico e contador de história Humberto Soares, que além das histórias, também ilustra o livro. O projeto permeia o universo infantil a partir de canções inéditas e histórias que abordam a natureza e algumas questões ecológicas, tendo por característica a leveza e a graça necessária para o público atendido pela proposta que foi idealizado pelo edital do SIMDEC de Joinville.

Ainda em 2009, lança o projeto fonográfico e a turnê intitulados de "Aos de casa", fruto de sua conquista ao projeto Pixinguinha no ano anterior . O projeto além de vivenciar a cultural catarinense de compositores como Dentinho, Carlos Daddário, Chico Saraiva e outros da região, além de registrar pela primeira vez o ritmo catarinense catumbi na voz de uma mulher. O álbum produzido pela própria Ana Paula conta com conceituados instrumentistas brasileiros e foi apresentado em universidades catarinenses, cidades do sul e países platinos, além da Europa. Outro destaque relevante é o encarte que acompanha o cd e que traz imagens diversas da cultura catarinense e contato dos artesãos.
Agora, depois de dois anos, Ana Paula da Silva nos apresenta o seu quinto projeto que vem de maneira independente e que traz como título "Pé de crioula" (que você pode adquirir clicando na imagem ao lado); um álbum essencialmente feito pelo samba e o melhor de suas variantes, ritmo que segundo a própria artista considera enraizado em sua alma e coração. O trabalho conta com a direção musical e arranjos do conceituado cantor e compositor de samba Cláudio Jorge, este carioca que além de integrar a ala dos compositores da Escola de Samba Vila Isabel, também já foi parceiro de nomes como Cartola, João Nogueira e Hermínio Bello de Carvalho além de ter sido gravado por grandes nomes da nossa MPB.

"Pé de crioula" abre com uma composição do amigo e parceiro Alegre Corrêa intitulada "A voz do Brasil", canção de cunho ufanista que exalta os ritmos e as belezas do Brasil; Corrêa também assina outra faixa do álbum em parceria com o também gaúcho Raul Boeira, artista este que tivemos a oportunidade de apresentar aos frequentadores do Musicaria Brasil ao longo deste ano. Dessa parceria surgiu a canção "Negro coração", que trata-se do desejo de que o samba do sul viesse a ter o mesmo tempero, a malemolência, e mais algumas peculiaridades dos sambas feitos na Bahia por nomes como Caymmi, Assis Valente e Riachão. O álbum segue com "Curiosidade" (Wilson das Neves e Cláudio Jorge) um samba que conta a história de um sujeito que procura saber informações da ex e que acaba atestando tudo aquilo que ela havia dito: ela encontrou a felicidade e hoje é feliz. E como diz a letra: "as mágoas e ele ficaram lá no passado".



Os sambas continuam com "Macumba de sogra" (Carlos Daddário e Fábio Poletto) uma estória sobre superstições em macumbas, urucubacas e pragas e o que podemos fazer para evitá-las; "As guias de Moa" (Fio e Joazinho) que traz em sua letra uma singela homenagem ao grande sambista Moacyr Luz. O ritmo continua na mesma intensidade e qualidade com a faixa que dá título ao disco e que é uma parceria da Ana Paula com o o músico e compositor Serginho Almeida e que retrata a cultura africana a partir da figura feminina; A regravação da canção "Me alucina" (Wilson Moreira e Candeia) presente no álbum "Candeia - Luz da inspiração" (1977) e que retrata um amor impossível e proibido por circunstâncias maiores.

O disco ainda traz as canções como "Nuances do amor" (mais uma composição do Cláudio Jorge em parceria desta vez com Mauro Diniz), "Calma" (letra da compositora paulistana Giana Viscardi e música do violonista austríaco Michael Ruzitchka), "Em torno do samba" (Marco Pinheiro e Délcio Carvalho), que trata a relação da artista com o samba de maneira tão intensa que ele se faz fundamental em sua vida e "Samba na veia" (Renato Lemos) que trata-se de uma declaração de amor ao ritmo que rege o álbum e por fim "Longa espera" (Zorba Devagar e Chico Alves) que nos remete as canções praieiras da saudosa Clara Nunes.

Todos essas faixas são acompanhadas por músicos de primeira linha no mundo da música como Mauro Diniz (Cavaco), Carlinhos (7 cordas), o próprio Cláudio Jorge (nos violões e arranjos), Belôba (tantã e ganzá), Gordinho (surdo), Marcelinho Moreira (percussões), Ricardo Silveira (guitarras), Mário Séve (sopro), Serginho Coelho (trombone), Robertinho Silva (percussão), Ovídio Brito (cuíca), Gabriel Grossi (harmônica), Ronaldo Barcelos e Ari Brito (coros). Com um time de músicos desse gabarito o resultado não poderia ser diferente: um álbum de samba digno de destaque dentro da música brasileira contemporânea. Até porque, esses anos que transpassam um pouco mais de uma década de carreira (dedicados essencialmente ao cancioneiro popular brasileiro) credenciou Ana Paula a dividir apresentações com nomes como Elza Soares, Tavinho Moura, Toninho Horta, Leny Andrade, Lô Borges entre outros; e está presente em palcos de diversas cidades do Brasil, mas concomitantemente em turnês por países como a Argentina, Suíça e a Áustria, como em 2006 quando participou de uma turnê de cinco semanas com o conceituado músico austríaco Joe Zawinul (o tecladista falecido em 2007 era considerado um dos pais do jazz fusion e foi fundador do grupo Weather Report) no Joe Zawinul Syndicate e a participação no álbum do pianista também austríaco Martin Reiter. Isso tudo dá a cantora, violonista e compositora catarinense a propriedade necessária para ter o reconhecimento do seu trabalho por nomes como o de Nelson Motta e a pré-seleção para o mais recente Prêmio da Música Brasileira. Tudo isso só reforça a tese de que a qualidade cultura cultura brasileira é inegável, porém sendo muitas vezes sendo esquecidos no próprio país acaba fazendo o caminho inverso e sendo reconhecida como produto de algo de qualidade ímpar no exterior.



Com um trabalho da estirpe do "Pé de crioula", que traz o samba como força-motriz do seu canto, não me resta outra outra alternativa a não ser atribuir ao título desta apresentação da Ana Paula da Silva aqui no Musicaria Brasil um dos trechos mais populares do cancioneiro brasileiro de autoria do saudoso Dorival Caymmi, quando na antológica composição de 1940 "Samba da minha terra" ele afirmava: "Quem não gosta de samba bom sujeito não é... é ruim da cabeça ou é doente do pé...". Eu vou um pouco além de Caymmi afirmando que "Quem não gosta de samba não tem o pé de crioula".


Maiores informações:
Contatos para shows e aquisição dos álbuns: crioulabrasilproducoes@gmail.com
Fone: (47) 8816-1464
Site - www.anapauladasilva.com
Myspace - www.myspace.com/apdasilva
Youtube - www.youtube.com/anacrioula

LinkWithin