PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Adriana Godoy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adriana Godoy. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A EXCELÊNCIA EM PARCERIA

Dentre nossos parceiros musicais, quatro nomes já foram pré-selecionados para o maior prêmio da música brasileira.

Por Bruno Negromonte


Para quem conhece e acompanha o Musicaria Brasil já deve saber que o propósito maior de nosso espaço é difundir a boa música brasileira independente da região onde a encontramos. Devido a quantidade de visitas que mensalmente alcançamos (uma média bem acima daquilo que acreditaríamos chegar) e que vem de todos os lugares do mundo, temos ciência que o resultado que almejamos é alcançado. Isso é perceptível através dos e-mails e comentários que recebemos ao longo desse período em que estamos na ativa. Outro aspecto relevante de nosso espaço (e aquele que vamos dar ênfase a partir de então) é o feedback existente entre os artistas independentes que nos procuram ou que muitas vezes são indicados por nossos leitores para ilustrar as postagens de nosso espaço.

Prefiro atribuir a essas pautas o termo "feedback", por acreditar que realmente trata-se de uma troca. Não uma troca comigo que faço o Musicaria, mas com o grande público, que ao nos prestigiar tem como retribuição a aquisição de trabalhos que prezam pela qualidade e são feitos por pessoas de extremo talento, mas que não alcançam o grande público por questões que não vem ao caso trazer mais uma vez à tona. Nos orgulhamos muito em afirmar que todos, invariavelmente todos, os nossos parceiros musicais apresentam trabalhos, nos gêneros que atuam, de extrema qualidade. Prova disto são as pré-seleções a premiação máxima da música no Brasil de alguns dos protagonistas de nossas pautas, onde para chegar lá há a necessidade de passar pelo clivo de um conselho composto por nomes como Zuza Homem de Melo, Gilberto Gil, o idealizador José Maurício Machline, João Bosco, Yamandú, Wanderléia entre outros.

São mais de duas décadas de premiação avaliando e procurando classificar aquilo que de melhor a música brasileira vem apresentando e a consolidação como o maior e mais representativo prêmio do cancioneiro nacional passando por diversas fases. Primeiro chamou-se, por mais de dez anos, de Prêmio Sharp, também recebeu os nomes de Prêmio da Música Brasileira (2001) e Prêmio TIM de Música e hoje chama-se Prêmio da Música Brasileira. O ano que merece destaque para o prêmio é o de 2009, pois Zé Maurício Machline resolveu realizar a Premiação sem patrocínio apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores, e foi brilhantemente realizado comprovando a importância do Prêmio da Música para a cultura Brasileira.

Em 2011, entre os pré-selecionados, esteve alguns trabalhos apresentados pelo Musicaria Brasil ao longo do mesmo ano como foi o caso de "Pé de Crioula", da cantora catarinense Ana Paula da Silva. A artista que já conta com diversos trabalhos fonográficos na bagagem apresentou um álbum que consiste em diversos sambas. É um trabalho essencialmente de intérprete onde Ana Paula procura mostrar porque é que tem a cada novo ano sedimentado ainda mais a sua carreira na Europa, particularmente na Áustria. Adriana Godoy, é outro nome que também figurou ao longo de 2011 tanto em nosso espaço quanto entre os pré-secionados do referido prêmio. A filha do músico Amilton Godoy e da cantora Silvia Maria, dois grandes destaques do cenário musical brasileiro, apresentou "Marco", um trabalho que traz, entre coisas, canção inédita da Fátima Guedes e participação de grandes nomes da música popular brasileira como Elton Medeiros e Filó Machado.

Outro trabalho dentre os pré-selecionados em 2011 foi "A sombra confia ao vento", do carioca Ricardo Machado. Álbum cujo título é extraído de uma composição de Heitor Villa-Lobos e (Melodia Sentimental). O trabalho de Ricardo percorre 150 anos de música brasileira em um repertório meticulosamente escolhido sob os arranjos do maestro Ricardo Calafate e arte gráfica de um dos mais conceituados profissionais da área que é Egeu Laus Simas. Por fim vem o álbum "Lero-lero", da paulista Luísa Maita, cujo sucesso vem sedimentando-se não só no Brasil, mas também no América do Norte. Filha do saudoso Amado Maita, Luísa não só teve seu trabalho entre os pré-selecionados de 2011, mas também conquistou o troféu de revelação do Prêmio da Música brasileira do ano passado.


2012

Em 2012 o prêmio prestará uma ao cantor e compositor João Bosco de Freitas Mucci. João Bosco, como ficou mais conhecido no meio artístico, nasceu no município de Ponte Nova no estado de Minas Gerais em 1946 e ao longo deste ano será o homenageado do prêmio pelos 40 anos de carreira fonográfica; e dentre os nossos parceiros musicais já constam três pré-selecionados ao prêmio: André Mastro, Letícia Scarpa e Rita Gullo. O ator, poeta, cantor e produtor Mastro, cujo trabalho abordamos ao longo de julho do ano passado, apresenta um trabalho composto por repertório cuja a escolha foi de maneira totalmente passional. Quando questionado sobre quais critério foram adotados para tal escolha, André enfaticamente diz: "Critério? Que é critério? Meu coração disse e eu fiz. Cantei, gostei, gravei. Cantei,não gostei, não gravei." O álbum intitulado "Sem descanso", apresenta um repertório composto por regravações de nomes como Itamar Assumpção, Adoniran Barbosa e Cartola.

Rita Gullo, cuja entrevista exclusiva figurará entre as postagens deste mês, vem com um dos trabalhos mais elogiados de 2011 não só pela seleta escolha do repertório como também pela agradável voz. O álbum cujo título traz o nome da artista conta com a participação pra lá de especial do cantor e compositor Chico Buarque. Já Letícia Scarpa, traz "", um álbum que conta com a participação do artista pernambucano Antônio Carlos Nóbrega e é composto essencialmente por composições próprias. Das 12 faixas, Letícia assina 11 em diversas parcerias neste seu álbum de estreia e em breve abordaremos este trabalho de forma mais minuciosa em nosso espaço. Esperamos não só em 2012, mas também nos anos subsequentes manter essa estirpe entre nossos parceiros por acreditar que não se concede tal indicação a qualquer trabalho e isso, além de nos lisonjear, nos condiciona a oferecer ao conhecimento de nosso público trabalhos de excelente qualidade. Resta-nos agradecer pela confiança depositada por tais artistas e suas respectivas assessorias. E não custa nada, mais uma vez, deixar a dica: todos esses trabalhos são impreteríveis em qualquer coleção de disco e devem ser adquiridos.

domingo, 14 de agosto de 2011

ADRIANA GODOY - ENTREVISTA EXCLUSIVA

De família extremamente musical, Adriana Godoy completa quinze anos de carreira em 2011; e contextualizada com essa comemoração divulga o álbum Marco, onde dentre as faixas há canções inéditas de Fátima Guedes e Elton Medeiros.

Por Bruno Negromonte


Possuidora de um talento nato, a cantora paulista que vem apresentando o espetáculo "Marco" e, ao longo de 2011, comemora 15 anos de uma bem conceituada carreira. Com sucesso de crítica e público, Adriana recentemente foi apresentada ao público do Musicaria Brasil a partir da matéria ADRIANA GODOY COMEMORA QUINZE ANOS DE CARREIRA E APRESENTA MARCO, UM ÁLBUM QUE TRAZ POR EXCELÊNCIA O REQUINTE E O BOM GOSTO ((http://musicariabrasil.blogspot.com/2011/07/adriana-godoy-comemora-quinze-anos-de.html), pauta esta que abordou com uma ênfase maior o seu mais recente trabalho fonográfico. Sempre solicita, a cantora paulista Adriana Godoy nos concedeu um pouco do seu tempo para nos conceder esta entrevista exclusiva onde fala, dentre outras coisas, um pouco sobre sua trajetória artística (a partir de suas maiores influências) e sobre o seu mais recente álbum que dá nome a sua turnê.


A música é algo presente em sua vida desde sempre (talvez por conta de ter seus pais envolvidos com tal arte). Se não houvesse esse contexto musical em sua família você acha que seguiria esse ofício?

Adriana Godoy - Bela pergunta Bruno, talvez não, talvez só descobrisse meu amor pelo canto, tarde...desde pequena ouvia dizer que tinha uma bela voz, mas isso me encabulava, depois adolescente gostava de cantar na roda com amigos achava bacana ser mais afinada que os outros, mas encarar isso como um talento, uma profissão, não, para mim era questão familiar meu ouvido apurado. Até hoje tenho paixão pelas pessoas, sociedade e comportamento humano e suas associações com a natureza, era isso que eu queria fazer, estudar as estruturas sociais da natureza, inclusive a humana, meu verdadeiro hobby. O canto me pegou como uma onda imensa que arrasta o que vê pela frente e te mostra um lado da ilha que você nem fazia idéia que exista. E então percebe que essa é a paisagem que quer para você o resto de sua vida. Aos 18 anos subi no palco a primeira vez. Meu pai pediu que eu substituísse uma cantora em seu grupo eu escutava os ensaios que aconteciam em casa, desde pequena sempre foi assim, como na casa do “Vila”, fazíamos lição da escola na mesa da sala, com o ensaio rolando ao lado...mas ele acreditava que eu cantava eu não! Até que em nossa segunda apresentação me emocionei comigo e as pessoas que me ouviram também, um teatro lotado quase 800 pessoas, em Bauru. Desci do palco e pensei: Meu Deus eu sou cantora!


Quando de fato veio a decisão de iniciar uma carreira de cantora profissional?

AG - Logo após o fato que acabei de descrever. Percebi que “o bichinho da música tinha me mordido” e quando isso acontece, não há volta! Eu e meus irmãos estudamos piano desde criança, como parte da educação. Então fui estudar canto, primeiro com Maria Alvim, aqui em SP. Depois cursei a extinta Universidade Livre de Música Tom Jobim. Lá fiz grandes amigos musicais, como Fabiana Cozza, éramos colegas de classe. Foi onde conheci um universo musical que até então eu não tinha acesso mesmo sendo filha de músico, eu era uma adolescente bem comum, com gostos musicais bem diversificados. A partir daí é que fui verdadeiramente educada na música brasileira...aliás continuo...! Meu primeiro show solo foi no então reduto de MPB em SP, na casa Vou Vivendo, em 06 de junho de 1996, há 15 anos! Que comemorei no último dia 01/07, junto com meus 35 anos de vida, na casa Tom Jazz.


Como foi a experiência de sete anos e centenas de apresentações junto a uma de suas principais referências musicais, que é o seu pai, com o espetáculo “Canto, piano e canções”?

AG - Posso dizer fundamental. Meu pai é um músico livre, os arranjos eram criados no palco e aperfeiçoados a cada dia que o executávamos. Tínhamos uma estrutura base, mas ele muda um show inteiro na hora se ele achar que esta perdendo o público. E isso é uma bela escola. No palco a “peteca não cai jamais”, seja pela emoção, pelo virtuosismo ou pela ousadia, mas se as pessoas saem de suas casas para nos ouvir elas precisam ser muito bem tratadas, lhes devemos o nosso melhor! É isso que me ensinou, com casa cheia ou vazia, éramos sinceros no palco e estávamos a serviço das músicas que iríamos tocar. Então não conheci a palavra tédio trabalhando na noite. E sim escola. Aprendi o público, exercitei meu canto diariamente e tive experiências diversificadas, das mais excepcionais, como cantar para mais de 40 integrantes da Orquestra Filarmônica de Berlim, que foram lá para me ouvir e deixaram de ir à recepção do presidente Fernando Henrique, oferecida para eles, como fazer parte da história de alguns casais.


Você trouxe para os estúdios algo que hoje é perceptível em seus álbuns dessa sua longa temporada do “Canto, piano e canções”?

AG - Coragem. Acredito também que a capacidade de interpretação, dar vida as palavras e clareza às melodias em cumplicidade com a harmonia que nos direciona.


05 – Sua mãe recentemente voltou ao Mercado fonográfico com o álbum “Ave rara”, seu pai sempre esteve na ativa assim como também seus tios. Nas reuniões familiares cogita-se a possibilidade de registro de algum tipo de projeto familiar onde todos estarão presentes?

AG - Olha tivemos em 2009, quase todos...faltou minha mãe. O Dvd chama-se “Três Irmãos , Três Histórias”. Foi gravado no Auditório do Ibirapuera, SP. Meu pai sempre “pressionou” os irmãos pra isso. Com participação do Zimbo Trio, Orquestra Arte Viva (do Amilson), comigo e meus dois primos músicos, Tico de Godoy (filho do Amilton) e Frederico de Godoy (filho do Amilson). Apresentaram composições importantes de suas carreiras. Nós os filhos, abrimos o show. Agora com minha mãe, com certeza...ela que me aguarde!!!!


Como e por que surgiu o convite para gravar junto com o Quinteto de Sopros da Orquestra Filarmônica de Berlim o CD de composições de clássicos da MPB?

AG - Quando estiveram aqui em 2000, Julio Medaglia fez uma recepção para eles em sua casa e convidou meu pai Adylson, meus tios, Amilton, Amilson e o grupo de Altamiro Carrilho para tocarem música brasileira e jazz para eles. Então o Amilson falou “Dédi, leva a Adriana eles precisam conhece-la”. Foi ai. Eles procuravam uma cantora para esse projeto que eles tinham e depois de muitas cantoras que já haviam escutado, várias “figuronas”... então como disse o Julio: “Adriana você foi aprovada”. Eu não entendi nada e falei: “ah que bacana, que bom que eles gostaram da apresentação...”, isso já dois dias depois da recepção, quando os convidamos para ouvir o show “Canto Piano e Canções”. E então o Julio falou, “Não você não esta entendendo, ele querem gravar com você”. Tomei um susto, no dia seguinte tinha uma “Platéia Filarmônica de Berlim”, para ouvir a menina escolhida.


Quem assistiu ao vídeo release do álbum "Marco" sabe que o projeto (que já estava em andamento com a escolha do repertório) voltou a estaca zero quando você decidiu gravar a canção "Crescente fértil". Daí em diante, a seleção das músicas tinha como critério possuir uma certa, digamos, unidade com a composição do Ed Motta e do Aldir Blanc. Nessas novas escolhas você procurou priorizar letras ou melodias? Você poderia definir aquilo que você julgou por unidade nessas novas escolhas?

AG - Para mim a escolha de repertório é de caráter puramente emocional. Esse é o elo entre elas. A liberdade e a transformação que a emoção propicia. Minha formação e meu gosto pessoal vão do erudito ao popular, eu gosto de composições que me desafiam como interprete e como cantora, entendo os dois conceitos de maneiras distintas...esse foi meu critério.


Como surgiram esses “presentes” inéditos que foram as canções “Garrafas ao mar” da Fátima Guedes e a composição "Mea culpa", que tem entre os compositores o Elton Medeiros?

AG - Tive meu primeiro contato com Fátima no Cd Todos Os Sentidos (2003), a conheci através de uma amiga em comum, Guete, produtora daqui de SP, a Guete levou meu CD para Fátima e um dia ela me liga, meu coração veio na boca, eu desavisada lavando louça, veja a cena... E meu marido, “Adri, a Fátima Guedes no telefone.”, kkkk, só rindo mesmo! Ela é uma querida, que me apoiou me desejou boa sorte e disse que para os próximos eu a procurasse porque tinha músicas que gostaria de me mostrar e assim o fiz. Com o Mestre Elton, foi através de meu parceiro Dino Galvão Bueno, trabalhamos juntos há 10 anos, canto suas composições e sou produtora musical e executiva de seu primeiro CD Mestre Navegador, que será lançado em setembro deste ano pela Dabliu. Eles são parceiros em outras composições. O Elton me ouviu num show que produzi aqui, depois disso me convidou para um projeto dele, que acabou não acontecendo... Mas quando fui gravar o disco, tomei coragem e liguei como um padrinho musical, aceitou! Agora, gravo, ao vivo, com ele o Centenário de Nelson Cavaquinho, dia 16/06, próximo, no Sesc Pinheiros em SP. O disco sairá pelo selo do Sesc.


A Débora Gurgel e o Grupo Triálogo mostram-se como, de certa forma, a alma do álbum "Marco". Como foi se deu esse envolvimento deles com o projeto?

AG - Era isso que eu queria. Construímos os arranjos juntas, cada acorde, cada pausa. Claro em suas devidas proporções, a Débora é a arranjadora, não eu. Durante quase um ano, nos encontramos duas vezes por semana, para falar sobre conceitos e tocar. O resultado é a cumplicidade do CD. Depois que estávamos totalmente juntas voz e piano, levamos o trabalho para o baixo e bateria. Filó Machado quando ouviu uma de nossas apresentações de piano e voz, já com os arranjos do CD, falou sobre isso, vocês estão coladas, fiquem atentas e levem isso para o trio. Que bom que você percebeu!!! Acho que deu certo! Claudio Machado (baixo) e Christiano Rocha (bateria) trabalham comigo desde sempre, há 14 anos. O Christiano é meu co-produtor musical, porque ele sabe o que eu quero ouvir, mesmo que eu não saiba pedir. E o cuidado que tem com o trabalho faz toda diferença, ele cuida se fosse dele. A produção musical é minha e peço para os músicos tocarem sua verdade e a favor da música, não de sua execução. Então se for muito, retire, se for pouco construa.


São 15 anos de estrada, reconhecimento tanto da crítica especializada quanto do público, 2 álbuns gravados a pré-seleção ao Prêmio da música brasileira em 2011 com o álbum "Marco", além de diversos prêmios. Hoje você se sente realizada enquanto cantora ou há ainda metas que você almeja alcançar?

AG - Fico feliz, mas não me envaideço, não acho que a arte foi feita para alimentar egos, foi feita para aprimorar sentimentos. O que mais quero é ter 80 anos e cantar lindo como Zezé Gonzaga cantou num show que ouvi há anos atrás. Voz limpa, clara, afinadíssima! E que emoção! Esse é meu prêmio! Eu respiro música, assim como respiro meus filhos, são dois!
Quero sim cantar muito, viajar pelo Brasil e pelo mundo. Conhecer culturas diferentes e levar o que eu tiver de melhor para o público. Todo artista tem de ir aonde o povo está!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ADRIANA GODOY COMEMORA QUINZE ANOS DE CARREIRA E NOS APRESENTA MARCO, UM ÁLBUM QUE TRAZ POR EXCELÊNCIA O REQUINTE E O BOM GOSTO

"... Na tempestade sou vela, aquela que zela por belas canções..." é com um trecho da faixa que dá título a "Marco", o seu segundo álbum, que Adriana Godoy se auto-define, fazendo dessa sua necessidade vital e urgente que é o canto algo soluto de qualquer gênero, firmando compromisso apenas com a qualidade e estética musical.

Por Bruno Negromonte


A cantora Paulistana Adriana Godoy tem na composição de sua árvore genealógica a música em abundância. A família se faz musical por inteira, pois Adriana é filha do Adylson Godoy e da cantora Silvia Maria. Adylson é uma lenda viva da música popular brasileira e tem um currículo musical de fazer inveja a muita gente, pois além de pai da Adriana é maestro, pianista, compositor, apresentador e cantor. Entre suas atividades também foi diretor musical do programa "O fino da Bossa", apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues e, para os mesmos artistas, fez os arranjos do álbum "Dois na bossa". Como compositor tem cerca de 150 canções gravadas por nomes como Clara Nunes (que se lançou no festival da Tv Excelsior com uma composição de Adylson), Elizeth Cardoso, Leni Groves, Joe Pass, Nicolletta, Taiguara, Rosa Maria, Alaíde Costa entre outros como a filha Adriana, que juntos já completaram mais de mil apresentações no formato piano e voz.

Já a mãe Silvia Maria canta desde os 11 anos de idade, atuou em musicais da Tv Tupi e já apresentou-se ao lado de nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Baden Powell, Edu Lobo e tantos outros. Dentre suas façanhas está a de ser a vencedora do Festival Mundial Onda Nueva (Venezuela), concorrendo com nomes como Astor Piazzolla e Dave Grousin. Apesar de ter apenas dois LP's gravados - Porte de Rainha (1973) e Coragem (1981) - a sua belíssima voz nunca foi esquecida por seus fãs. Recentemente lançou o seu terceiro álbum depois de 30 anos afastada do mercado fonográfico, Ave rara (título este que abordaremos em nossas próximas pautas). Além de tudo isso em sua família há também os tios Amilton Godoy (pianista e um dos fundadores de um dos grupos instrumentais mais expressivos do Brasil, o Zimbo Trio) e Amilson Godoy, maestro e produtor musical talvez por isso seja natural a propensão de Adriana para a música de qualidade inquestionável.



Ainda criança, quando Adriana tinha por volta dos sete anos, deu-se início seus estudos musicais. Naturalmente ela quis começar pelo piano, onde teve aulas na Escola Magdalena Tagliaferro, em São Paulo, durante sete anos. Em seguida resolveu que seria a vez de ter aulas de canto e foi matriculada então na turma da professora Maria Alvim e posteriormente na Universidade Livre de Música (ULM), onde de 1996 a 2000 dedicou-se ao estudo de técnica e interpretação. Todo esse aprimoramento teórico veio só para embasar aquilo que na prática Adriana já convivia diariamente a partir de seus familiares; toda essa experiência também foi válida como vivência musical e para de fato decidir qual seria a carreira que iria abraçar posteriormente.

Já decidida que iria seguir no mundo musical Adriana iniciou sua carreira em junho de 1996, no bar Vou Vivendo, em São Paulo, um dos portos seguros da música brasileira. Ainda no mesmo ano recebeu “Prêmio Qualidade Brasil" e participou do álbum "Clara Canção" de seu pai.

De 1998 ao ano de 2003, foi produtora musical e por vezes apresentou o programa Vida e Arte - Adylson Godoy, na Rede Vida de Televisão e nessa mesma época deu início junto com o Adylson Godoy Trio ao espetáculo "Canto, piano e canções", que durante sete anos encantou a todos presentes na Confraria da MPB. Foi a partir da aquisição dessa experiência que foi-se começando a moldar e desenvolver a sua personalidade enquanto artista e, mesmo propagando timidamente seu trabalho, muitos perceberam que ali era apenas o embrião de um grande talento que estava galgando o seu lugar ao sol e conquistando cada vez mais fãs ao longo de suas apresentações.

Nesse período, mais precisamente em 2000 chegou a receber o convite do Quinteto de Sopros da Orquestra Filarmônica de Berlim para gravar um CD de composições de clássicos da música brasileira e aceitou. Talvez esse convite tenha sido o estopim para pensar em seu primeiro registro fonográfico no Brasil, que de fato viria acontecer em 2003, quando gravou o CD intitulado "Todos os sentidos" e que traz em suas respectivas faixas aquilo que, de certa forma, a influenciaram em sua formação musical. É um trabalho onde ela enaltece algumas de suas influências e por conta disso, no álbum há nomes como Ivan Lins, Tom Jobim, Lenine entre outros. Ainda em 2003 participa da gravação com a trilha da novela “Jamais te Esquecerei” (no SBT) com a canção de autoria de Cristovão Bastos e Aldir Blanc intitulada “Resposta ao Tempo”. Esses acontecimentos e a gravação do seu álbum de estreia vieram para firmar seu nome entre uma das grandes revelações de sua geração.

De 2003 em diante Adriana vem procurando galgar o seu espaço dentro da música popular brasileira a partir de seu talento, sensibilidade e bom gosto tão peculiares. Inclusive a musicista vem tendo o reconhecimento de maneira cada vez mais constante nos últimos anos, prova disso tem sido as constantes apresentações onde Adriana divide o palco com importantes nomes da música brasileira e os diversos prêmios ganhos, dentre os quais um certificado de reconhecimento cultural por sua participação no VIII La Paz Fest Jazz Internacional, “Música de Libertad”, prêmio recebido do Governo Municipal de La Paz por ter se se apresentado em terras bolivianas com o Zimbo Trio em 2009. Hoje Adriana além de professora de canto popular no CLAM (escola de música do Zimbo Trio) e professora convidada da Faculdade Santa Marcelina (SP) para “banca de avaliação” dos alunos de bacharelado em canto popular está na trabalhando de maneira intensa na divulgação do seu mais recente trabalho, intitulado “Marco”. Diferentemente do primeiro álbum este foi desenvolvido sem a priorizar as referências musicais dela e sim as expressões rítmicas (a partir da concepção de arranjos e improvisações requintados) e interpretativas (procurando valorizar a postura da Adriana como instrumentista vocal). A base musical do álbum se estrutura na formação do Trio composto por piano, baixo e bateria (com algumas variantes a partir do Grupo Triálogo) - sonoridade fundamental para estética estabelecida pela cantora, onde as participações especiais acontecem de formas pontuais sob direção e arranjos de Debora Gurgel.



O repertório do álbum é constituído por um ecletismo de qualidade inquestionável formado por renomadas figuras de nossa MPB (como Djavan, João Bosco, Fátima Guedes, Elton Medeiros, Aldir Blanc entre outros) e artistas contemporâneos (como Débora e Dani Gurgel, Tó Brandileoni e Vinicius Calderoni). Isso é perceptível em nosso passeio pelas faixas do disco que começamos com a que batiza o registro fonográfico; "Marco" é uma composição do carioca Sérgio Natureza (autor de sucessos como "Frisson") e da conceituada cantora e compositora baiana Rosa Passos. Gravada originalmente em 1999 no CD "Rosa Passos - Morada do samba" a canção procura entrelaçar o mar, alguns fenômenos naturais, a composição e as improvisações de maneira indissociáveis, variantes quase uníssonas. O disco segue com um samba composto por Marcos Paiva e o casal Rafael e Rita Altério intitulado "Abandono". Uma canção que fala de uma relação furtiva e intensa, tanto em seu início quanto em seu término. Essa canção foi registrada na voz do próprio Rafael Altério em seu seu álbum "Pescador da lua" em 2003.

A canção seguinte Adriana define como um presente dado a si mesma e escolheu dentre tantas canções composta por seu pai, a linda canção de amor "É demais sonhar você", salve engano registrada pela primeira vez no álbum "Sou sem paz", do próprio Adylson (na época Adilson) em 1965. Em seguida vem a única faixa instrumental do disco e que conta com a participação do virtuoso músico e compositor paulista Filó Machado. A canção intitulada de "Deixa comigo" (de autoria da Debora Gurgel) teve um de seus primeiros registros em 2004 no álbum "Triálogo".

O álbum segue com "Mea Culpa", um lindo samba-canção inédito de Elton Medeiros e Dino Galvão Bueno onde o arrependimento por um erro cometido é o enredo para a canção, há nessa faixa a participação do dois autores nos vocais; há também "Outras Notícias da Praça Central" (Debora Gurgel, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni) registrada em 2008 por Tó Brandileone no álbum que leva seu nome. Em seguida vem as canções "Crescente Fértil" (Aldir Blanc e Ed Motta) registrada em 1996 no álbum "Aldir Blanc 50 anos" pelo próprio Ed e que segundo a cantora foi a canção que norteou aquilo que ela esperava do álbum. Segue-se com "Garrafas ao Mar", canção inédita de Fátima Guedes que descreve uma exímia e experiente navegadora nos mares do amor; "Vento bravo", primeira parceria de Paulo César Pinheiro e Edu Lobo composta em 1973 e "Risco" (Joyce e Léa Freire) também gravada por Joyce no álbum "Gafieira Moderna", de 2002.

A trilogia final do álbum é composta pelas canções "Cordilheira" (Djavan) (essa canção foi gravada originalmente pelo autor em 1996 no álbum "Malásia" e faz parte do vasto repertório digamos "lado B" de qualidade que do cantor e compositor alagoano possui) com uma introdução que nos remete a composição jobiniana "Chovendo na roseira"; "Talvez Humana" (Debora e Dani Gurgel) e a clássica "Preta-porter de tafetá", composição do João Bosco e do Aldir, gravada originalmente pelo Bosco no álbum "Gagabirô" em 1984.

O álbum "Marco" é sem dúvida alguma um trabalho que vem não só registrando a maturidade e precisão musical alcançados ao longo desses anos de profissão (15 comemorados ao longo de 2011), mas também procurando mostrar que dentre os grandes talentos dessa nova geração que vieram se firmando ao longo da primeira década deste século, Adriana Godoy pode ser considerada como um daqueles que tem um futuro promissor dando continuidade ao talento herdado de berço.

Para Maiores informações:
Site Oficial: www.adrianagodoy.com.br
Myspace - www.myspace.com/adrianagodoy
Reverbenation - www.reverbnation.com/adrianagodoy
Facebook - www.facebook.com/profile.php?id=1786556549&ref=ts
Twitter - twitter.com/#!/adrigodoysinger
Youtube - www.youtube.com/AdriGodoyCantoraSP?gl=BR&hl=pt
Blog - www.adrianagodoyvozearte.blogspot.com/


Contato para shows:
Arts produções e espetáculos - contato@adrianagodoy.com.br
Produção - Trícia de Freitas - triciadefreitas@gmail.com


Os álbuns da Adriana podem ser adquiridos através dos seguintes endereços:





LinkWithin