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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RITA GULLO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Filha do escritor Ignácio de Loyola Brandão, Rita Gullo debuta em disco trazendo um repertório coeso com suas reminiscências musicais.


Por Bruno Negromonte


Rita Gullo chegou de maneira sutil e vem chamando a atenção do público e da crítica especializada com o lançamento do seu primeiro trabalho fonográfico. O álbum apresenta uma cantora, que apesar da estreia, se mostra bastante segura daquilo que adotou para si, talvez por trazer consigo uma bagagem cultural significativa a partir das experiências adquiridas junto a dois grandes nomes dentro da música: Ná Ozzetti e Leila Farah. Trata-se de um disco de registros recheado de qualidade e que traz desde os grandes clássicos do cancioneiro popular brasileiro até canções inéditas, como é o caso da faixa "Espelho" (Eduardo Pitta e Xande Mello).

Suas técnicas, canto afinado e profundo conhecimento em música, principalmente brasileira fez com que Rita, apesar da formação em História e em Artes cênicas enveredasse para a música com o respaldo de nomes como Chico Buarque (que divide os vocais em uma das faixas) como vimos na matéria publicada aqui no Musicaria intitulada RITA GULLO, SIMPLES ASSIM. Nesta entrevista, que Rita gentilmente nos concedeu, ela fala um pouco sobre sobre a intuição utilizada na escolha do excelente repertório, o "presente" concedido por Chico em forma de participação em seu álbum entre outras coisas. Divirtam-se e conheçam um pouco mais sobre a vida e a carreira de Rita Gulo.


Certa vez tive a oportunidade de ler algo escrito por seu pai onde ele diz que seu envolvimento com a música vem literalmente de berço, quando a partir de D. Marize Gullo, Luisa Garita, Adelina Galera e Yolanda Lombardi você era embalada por diversas canções. Qual a maior reminiscência musical que você traz consigo da infância?

Rita Gullo - Como é que você descobriu até o nome das minhas tias-avós? Rs. Foi uma influência muito forte mesmo, desde muito pequena eu aprendia as canções que elas cantavam no coral ou nas óperas. Existe uma gravação que ficou célebre na família de quando eu devia ter uns três anos de idade e elas me ensinaram Carinhoso do Pixinguinha. Nem falar eu sabia direito, mas já cantava ali para a família. Ou Vissi d’arte da Tosca, que minha avó cantou lá no interior de São Paulo e eu, depois de muitos anos, cantei no coreto do Parque da Luz, como atriz, não como cantora, na montagem de uma peça chamada A hora em que não sabíamos nada uns dos outros do Peter Handke dirigida pelo Marcelo Lazzaratto em 2010. E ainda minha mãe, que sempre gostou e ouviu muita música e foi uma das pessoas que mais me incentivou para um caminho profissional nessa área. Já me colocou em aulas de violão clássico aos oito anos de idade.


Você passou pelas mãos de duas grandes profissionais da música, que foram a saudosa Leila Farah e a cantora Ná Ozzeti. São duas escolas distintas, a primeira de canto popular, já a segunda veio a lhe instruir no canto lírico. Que lições de ambas melhor você soube aproveitar e que hoje é perceptível em seu álbum?

RG - Bom, da Ná eu já era fã desde criança por causa do Grupo Rumo que eu adorava e, quando eu comecei a gostar mesmo de cantar, quis aprender com ela. Foram portas que se abriram no estudo da voz. Com a Dona Leila eu estudei durante alguns anos e ela era uma grande mestra. Me fez expandir bastante a potencia da voz, os graves e agudos. Quando fomos gravar o disco eu demorei um pouco para encontrar o timbre certo, porque ainda estava com essa grande influência do lírico que não combina com a música popular. Daí fui suavizando a voz e lembrando das aulas de canto popular. Eu gosto muito de dividir o aprendizado e ter alguém em quem eu confio para me ouvir e ajudar a dar um caminho para as inseguranças e dúvidas com relação a voz. Quem faz esse trabalho comigo agora é a Regina Machado.


Dentre as faixas em português álbum mostra essencialmente uma coerência a partir de autores consagrados e grandes sucessos de nossa música popular. Como se deu a escolha desse repertório?

RG - O repertório foi escolhido de uma maneira bastante natural e um pouco intuitiva. Quando definimos, eu e Mario Gil, produtor e arranjador do disco, qual seria o caminho pelo qual nos basearíamos, começamos a ouvir tudo o que estivesse em nossa biblioteca de músicas. Cada um fazia sua pré-seleção e íamos mesclando as listas até chegar numa definitiva.


Não houve receio de sua parte em escolher um repertório, em sua maioria, conhecido pelo grande público?

RG - Não houve esse receio porque eu realmente acredito que a música se renova quando passa por um novo intérprete. O imprescindível é que o repertório me diga alguma coisa, que tenha sentido para mim, só assim ele pode ser verdadeiro a ponto de tocar outras pessoas também.


Uma pergunta que se faz inevitável é sobre a participação do Chico nesse seu álbum de estreia. Como se deu essa parceria musical?

RG - A participação do Chico foi um presente. Ele é uma pessoa muito gentil e generosa. Eu sou e sempre fui grande admiradora do trabalho dele e, quando paramos para pensar quem é que cantaria comigo a música A mulher de cada porto que é do Edu Lobo e do Chico Buarque, eu resolvi fazer uma tentativa com os próprios compositores. Nessa hora pedi uma ajuda para o meu pai, que é escritor e jornalista bastante conhecido e que tinha um pouco mais de acesso com o Chico e fez a ponte. Ele topou e gravamos.


Depois do álbum lançado ele pronunciou-se a respeito do resultado final?

RG - Dentre outras coisas disse que gostava de ouvir música no carro e que eu moraria no carro dele por um bom tempo. Grande gentileza mais uma vez.


E as faixas dos artistas internacionais? Everything But The Girl, Silvio Rodriguez, Jorge Drexler são artistas que teoricamente fazem parte de contextos musicais distintos, mas você soube moldar em uma conjuntura que os fizeram Uníssonos. Como se deu a escolha dessas faixas?

RG - Sueño con Serpientes do Silvio Rodriguez foi gravada pelo Milton Nascimento com Mercedes Sosa no disco Sentinela, que é o título de uma outra composição que também entrou no disco. É uma música muito bonita e com muita força. Era de Amar do Jorge Drexler e Each and everyone do Everything But The Girl, foram indicadas por pessoas muito queridas e, como eu já gostava bastante dos compositores, achamos que as músicas eram muito boas e decidimos manter no repertório final.


Outra característica que merece destaque nesse álbum são os músicos envolvidos no projeto. Passando por Sizão Machado, Ferraguth, Mário Gil entre outros, todos são músicos de respaldo dentro da conjuntura musical nacional, quem entende de música sabe disso. Como se deu o envolvimento desse time da pesada nesse projeto?

RG - Existem algumas pessoas especiais no mundo e uma delas é o Mario Gil. Pela pessoa que ele é e pelo carinho e atenção que ele despende no trabalho, resultando sempre num nível muito alto de qualidade. Eu me apresentei, disse mais ou menos o que queria e ele topou me ajudar. Foi uma benção. A linha top de músicos também devo muito a ele. Mas o Sizão, por exemplo, eu já conhecia desde criança. Era amigo da minha mãe e do meu outro pai que é músico – porque eu tenho um outro pai biológico, o Zé Rubens. E não parou aí, porque para o show eu ainda tive o prazer de ter a direção musical do Swami Jr. e de ser acompanhada de um time de músicos também de primeiríssima linha como o próprio Swami, Guello, Ubaldo Versolato, Marcos Paiva e Daniel Muller.


Você vem com uma gravação de uma composição do Elson Fernandes e da Consuelo de Paula intitulada “María del Carmen” e que figura entre uma das mais belas do álbum. Por coincidência esta canção vem a ser uma das menos conhecidas por parte do grande público. Em algum momento você cogitou a possibilidade de gravar um trabalho composto em sua maioria por canções inéditas ou de pouco conhecimento do grande público?

RG -
Já cogitei sim e talvez o próximo disco já tenha um pouco disso. Uma inserção maior de músicas menos conhecidas.


Quais os projetos para esse ano que está iniciando?

RG - O maior deles é um novo disco que eu espero lançar até o final do ano, mas tem também outros como videoclipe e site que devem aparecer logo mais.



Maiores Informações:

Contatos para shows - contatoritagullo@gmail.com




Twitter - @ritagullo



O álbum pode ser adquirido nos seguintes endereços / telefones:


Livraria Saraiva - http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3420638

Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22429410&sid=621223076131224110409289918

Discoplay - Edu - Tel: ( 31)3222-0046

Hipermercado Baronesa - Tel: (35) 3449-1711

Savarin II - Tel: (41) 3322-7006

Só Música - Tel: (41) 3222-4339

HPI - Novo - Tel: ( 21)3215-4943

Midimaxi Cds - Tel: (12) 3941-7575

Baratos Afins - Tel: (11) 3223-3629

Discoteka - Tel: (11) 5906-0456

Laserland - Tel: ( 11) 3082-0922

Livraria da Vila-Rod - Tel: (11) 3814-5811

Livraria do Espaço Unibanco SP - Tel: (11) 3141-2610

Mini Box - Tel: (11) 3101-7392

Musical Sto Antônio - Tel: (11) 3141-2929

Painel Musical - Tel: (11) 5561-9605

Ponto do Livro - Tel: (11) 2337-0506

Pop´s Discos - Tel: (11) 3083-2564

Zaccara Cds - Tel: (11) 3872-3849

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A EXCELÊNCIA EM PARCERIA

Dentre nossos parceiros musicais, quatro nomes já foram pré-selecionados para o maior prêmio da música brasileira.

Por Bruno Negromonte


Para quem conhece e acompanha o Musicaria Brasil já deve saber que o propósito maior de nosso espaço é difundir a boa música brasileira independente da região onde a encontramos. Devido a quantidade de visitas que mensalmente alcançamos (uma média bem acima daquilo que acreditaríamos chegar) e que vem de todos os lugares do mundo, temos ciência que o resultado que almejamos é alcançado. Isso é perceptível através dos e-mails e comentários que recebemos ao longo desse período em que estamos na ativa. Outro aspecto relevante de nosso espaço (e aquele que vamos dar ênfase a partir de então) é o feedback existente entre os artistas independentes que nos procuram ou que muitas vezes são indicados por nossos leitores para ilustrar as postagens de nosso espaço.

Prefiro atribuir a essas pautas o termo "feedback", por acreditar que realmente trata-se de uma troca. Não uma troca comigo que faço o Musicaria, mas com o grande público, que ao nos prestigiar tem como retribuição a aquisição de trabalhos que prezam pela qualidade e são feitos por pessoas de extremo talento, mas que não alcançam o grande público por questões que não vem ao caso trazer mais uma vez à tona. Nos orgulhamos muito em afirmar que todos, invariavelmente todos, os nossos parceiros musicais apresentam trabalhos, nos gêneros que atuam, de extrema qualidade. Prova disto são as pré-seleções a premiação máxima da música no Brasil de alguns dos protagonistas de nossas pautas, onde para chegar lá há a necessidade de passar pelo clivo de um conselho composto por nomes como Zuza Homem de Melo, Gilberto Gil, o idealizador José Maurício Machline, João Bosco, Yamandú, Wanderléia entre outros.

São mais de duas décadas de premiação avaliando e procurando classificar aquilo que de melhor a música brasileira vem apresentando e a consolidação como o maior e mais representativo prêmio do cancioneiro nacional passando por diversas fases. Primeiro chamou-se, por mais de dez anos, de Prêmio Sharp, também recebeu os nomes de Prêmio da Música Brasileira (2001) e Prêmio TIM de Música e hoje chama-se Prêmio da Música Brasileira. O ano que merece destaque para o prêmio é o de 2009, pois Zé Maurício Machline resolveu realizar a Premiação sem patrocínio apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores, e foi brilhantemente realizado comprovando a importância do Prêmio da Música para a cultura Brasileira.

Em 2011, entre os pré-selecionados, esteve alguns trabalhos apresentados pelo Musicaria Brasil ao longo do mesmo ano como foi o caso de "Pé de Crioula", da cantora catarinense Ana Paula da Silva. A artista que já conta com diversos trabalhos fonográficos na bagagem apresentou um álbum que consiste em diversos sambas. É um trabalho essencialmente de intérprete onde Ana Paula procura mostrar porque é que tem a cada novo ano sedimentado ainda mais a sua carreira na Europa, particularmente na Áustria. Adriana Godoy, é outro nome que também figurou ao longo de 2011 tanto em nosso espaço quanto entre os pré-secionados do referido prêmio. A filha do músico Amilton Godoy e da cantora Silvia Maria, dois grandes destaques do cenário musical brasileiro, apresentou "Marco", um trabalho que traz, entre coisas, canção inédita da Fátima Guedes e participação de grandes nomes da música popular brasileira como Elton Medeiros e Filó Machado.

Outro trabalho dentre os pré-selecionados em 2011 foi "A sombra confia ao vento", do carioca Ricardo Machado. Álbum cujo título é extraído de uma composição de Heitor Villa-Lobos e (Melodia Sentimental). O trabalho de Ricardo percorre 150 anos de música brasileira em um repertório meticulosamente escolhido sob os arranjos do maestro Ricardo Calafate e arte gráfica de um dos mais conceituados profissionais da área que é Egeu Laus Simas. Por fim vem o álbum "Lero-lero", da paulista Luísa Maita, cujo sucesso vem sedimentando-se não só no Brasil, mas também no América do Norte. Filha do saudoso Amado Maita, Luísa não só teve seu trabalho entre os pré-selecionados de 2011, mas também conquistou o troféu de revelação do Prêmio da Música brasileira do ano passado.


2012

Em 2012 o prêmio prestará uma ao cantor e compositor João Bosco de Freitas Mucci. João Bosco, como ficou mais conhecido no meio artístico, nasceu no município de Ponte Nova no estado de Minas Gerais em 1946 e ao longo deste ano será o homenageado do prêmio pelos 40 anos de carreira fonográfica; e dentre os nossos parceiros musicais já constam três pré-selecionados ao prêmio: André Mastro, Letícia Scarpa e Rita Gullo. O ator, poeta, cantor e produtor Mastro, cujo trabalho abordamos ao longo de julho do ano passado, apresenta um trabalho composto por repertório cuja a escolha foi de maneira totalmente passional. Quando questionado sobre quais critério foram adotados para tal escolha, André enfaticamente diz: "Critério? Que é critério? Meu coração disse e eu fiz. Cantei, gostei, gravei. Cantei,não gostei, não gravei." O álbum intitulado "Sem descanso", apresenta um repertório composto por regravações de nomes como Itamar Assumpção, Adoniran Barbosa e Cartola.

Rita Gullo, cuja entrevista exclusiva figurará entre as postagens deste mês, vem com um dos trabalhos mais elogiados de 2011 não só pela seleta escolha do repertório como também pela agradável voz. O álbum cujo título traz o nome da artista conta com a participação pra lá de especial do cantor e compositor Chico Buarque. Já Letícia Scarpa, traz "", um álbum que conta com a participação do artista pernambucano Antônio Carlos Nóbrega e é composto essencialmente por composições próprias. Das 12 faixas, Letícia assina 11 em diversas parcerias neste seu álbum de estreia e em breve abordaremos este trabalho de forma mais minuciosa em nosso espaço. Esperamos não só em 2012, mas também nos anos subsequentes manter essa estirpe entre nossos parceiros por acreditar que não se concede tal indicação a qualquer trabalho e isso, além de nos lisonjear, nos condiciona a oferecer ao conhecimento de nosso público trabalhos de excelente qualidade. Resta-nos agradecer pela confiança depositada por tais artistas e suas respectivas assessorias. E não custa nada, mais uma vez, deixar a dica: todos esses trabalhos são impreteríveis em qualquer coleção de disco e devem ser adquiridos.

domingo, 25 de dezembro de 2011

RITA GULLO, SIMPLES ASSIM...

Há pássaros que delicadamente buscam, ao trinar seu canto, alcançar o que melhor tem a oferecer aos nossos ouvidos; e mesmo de forma inconscientemente, nessa emissão revela-nos que na singeleza do seu gesto a beleza se faz presente, tal qual o inesquecível canto de Rita Gullo em seu coeso álbum de estreia.

Por Bruno Negromonte


Em um Brasil povoado por um número sem fim de pessoas talentosas, é natural que todos os dias surjam novos nomes dentro do cenário musical, porém poucos são aqueles que tornam-se perene o suficiente para poder carregar consigo alguns epítetos, isso geralmente vem a acontecer quando a carreira artística completa alguns anos de forma regular e esse sedimento vem a dar respaldo ao referido artista. Porém, ao conhecer esta cantora fui obrigado a não só mudar meus conceitos erroneamente formados, mas também concordar que neste caso especificamente o talento prevalece a partir de um conjunto maior, pois trata-se da soma de um talento nato, um repertório de primeira linha e de um carisma capaz de transformá-la em um dos mais promissores talentos desta segunda década do século XXI. Neste cenário musical contemporâneo brasileiro o destaque para o nome desta cantora é algo pateticamente previsível, Não acredita? se achar que trata-se de exagero de minha parte procure ouvir o álbum de estreia desta moça e veja o quanto ela impõe a sua marca já neste primeiro trabalho fonográfico, principalmente por ir de encontro as tendências mercadológicas atuais de intérprete, que consiste geralmente em trazer uma sonoridade comercialmente mais pop. A referida artista trata-se de Maria Rita Gullo, artista capaz de nos trazer o alento que almejávamos para endossar o coro dos contentes quando vislumbramos um promissor cenário musical brasileiro. O debute fonográfico de Rita Gullo chega a dar uma leve impressão de ter sido articulado minuciosamente desde a escolha de um arrebatador repertório até a participação das pessoas envolvidas no projeto. Porém é válido trazer ao conhecimento do grande público que o envolvimento da Rita com a arte não é algo que iniciou-se do dia para a noite.



Filha do escritor Ignácio de Loyola Brandão e natural de Araraquara (cidade localizada a cerca de 270 km de distância da capital do estado de São Paulo), ela traz como característica em sua bagagem um profundo conhecimento cultural adquirido a partir dos diversos contextos artísticos vividos e o interesse pela a música popular brasileira adquirido desde a infância pela convivência com os pais e parentes. A influência vem desde a avó Marize Gullo (que pertenceu ao Coral Araraquarense), passando pelas tias-avós Luisa Garita, Adelina Galera e Yolanda Lombardi a partir das incontáveis noites de embalo ao som de canções como "Saudade" e "Carinhoso". Nessa rotina musical cresceu ouvindo árias de ópera na voz de sua avó, uma ex-soprano, e clássicos da MPB ao lado de sua mãe; tudo isso acabou gerando na menina Rita uma arrebatadora paixão pela música, nutrida a princípio pelas aulas de canto lírico com a saudosa Leila Farah e posteriormente deixando-se arrebatar também pelo canto popular, onde estudou com ninguém menos que Ná Ozzetti. Assim se deixou levar pelo fascínio dos grandes nomes da MPB em acordes tocados em seu violão e das canções advindas das ondas dos rádios e apesar de, em dado momento, tentar se desviar das artes cursando história na PUC, não conseguiu se desvencilhar por completo e ao terminar a faculdade se viu envolta com ela novamente o que acabou a conduzindo ao curso de artes cênicas no Teatro Escola Célia Helena, onde posteriormente deixou envolver-se com música de maneira profissional. “Os diretores sempre me colocavam para cantar, e senti que essa era a maneira pela qual me expressava melhor.” relata. Somando essa decisão, a familiaridade com as letras e o seu conhecimento musical abrangente (que vai de Bossa Nova à Ópera), nada mais natural que tudo isso gerasse a segurança necessária para este primeiro álbum de Rita Gullo.

Como se não bastasse o magnânimo e afinado canto e a peculiar classe nas interpretações, a escolha do repertório do álbum se deu de maneira meticulosa, pois nos dois anos destinados à escolha a artista não procurou economizar nos grandes clássicos de nosso cancioneiro, conseguindo de maneira surpreendente não cair em lugar comum. "Esses compositores são todos que eu costumo escutar desde criança. Tenho um vínculo com música brasileira, porque meus pais sempre gostaram muito", diz ela. Essa característica faz-se de maneira marcante nesse debute fonográfico, chamando a atenção e tornando-se algo lenitivo para os nossos ouvidos. São 13 faixas onde a cantora dá total vazão ao lado intérprete de maneira afinada e acompanhada por grandes músicos. Rita parece tecer as letras e melodias, por vezes surradas, à sua voz; conseguindo torná-las, de maneira competente, quase que em novas a partir de uma interpretação sem vislumbres, tendo a seu favor o domínio do uso de sua técnica vocal aliado a força de sua simplicidade; e pesar desta fórmula não ser inédita, poucas intérpretes sabem utilizá-la moderadamente de maneira serena e elegante o suficiente que nos chamem a atenção como tem sido o trabalho de Gullo. O diferencial deste álbum é perceptível em cada uma das faixas presentes no álbum, como podemos averiguar já a partir da primeira faixa que é "Oração ao tempo" (Caetano Veloso), canção originalmente gravada em 1979 pelo próprio autor no álbum Cinema transcendental e posteriormente regravada por diversos nomes, traz a partir da suave e melodiosa voz de Rita a credencial para que seu nome figure no panteão das grandes intérpretes da nossa música. Sua força interpretativa parece não contentar-se em mostrar o melhor de si e nas faixas seguintes vai ganhando mais vigor, como por exemplo na canção "O cantador" (Dori Caymmi e Nelson Motta) música que consagrou Elis Regina nos idos anos de 1967 no Festival da Record e que agora, mais de 40 anos depois, ganha uma elegante interpretação de Rita.

O disco segue com a faixa "A Mulher de Cada Porto" (Chico Buarque e Edu Lobo), canção esta gravada originalmente por Gal Costa no álbum "O corsário do Rei" de 1985. Nesta regravação o compositor de "Vai passar" divide os vocais com a cantora que diz: “Queria fazer um dueto nessa canção e pensei em chamar um dos autores.”, conta e acaba confessando inclusive que sentiu medo na hora da gravação com Chico. “Na hora que fechou aquela portinha que fica um de frente para o outro no microfone, eu falei: “ai meu Deus o que eu estou fazendo aqui?”. Posteriormente vem a canção "Sueño con serpientes" (do cubano Silvio Rodriguez) também gravada pela saudosa Mercedes Sosa (1935 - 2009) e Milton Nascimento no álbum "Corazón Americano", de 1985. O desfile de clássicos continua com "Cruzada" (Tavinho Moura e Márcio Borges) com destaque para a flauta de Teco Cardoso nesta canção também gravada por Beto Guedes no álbum "Sol de primavera" de 1979; "Pedra e Areia" (Lenine e Dudu Falcão), onde a artista expressa técnicas de sua formação lírica a partir de notas mais agudas e "Era de amar" do cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, versão considerada por muitos melhor do que a do próprio autor. Nesta leva de canções Gullo gravou também uma versão mais intimista da canção “Each and Everyone”, música esta que faz parte do repertório da banda britânica Everything But The Girl, "Sentinela" (Milton Nascimento) e o samba-canção "Nunca" de autoria do gaúcho Lupicínio Rodrigues, que ela entoa com uma emoção peculiar e que acabou tornando-se a primeira música de trabalho, gerando inclusive o vídeo clipe abaixo:



O disco continua com "María del Carmen" (Elson Fernandes e Consuelo de Paula), onde a cantora mostra que longe dos clássicos da MPB também se mostra habilidosa, figurando esta valsa como uma das mais belas gravações do álbum e por fim "Xote" (Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter) canção originalmente gravada por Gil no álbum "Sol de Oslo" (1998) e que evoca as tradições nordestinas perpassando pelas cantorias, misticismo religioso e outras peculiaridades da região.

Todas as treze canções trazem como características os inovados arranjos que somados a precisão, requinte e sofisticação sabem muito bem explorar um lado mais intimista da cantora. Apesar de ser o primeiro álbum, nele a Rita consegue, mesmo sendo canções de inúmeras regravações, dar a elas um novo e arrojado alento a partir de melodias sofisticadas e originais, imprimindo na maioria delas uma marca pessoal criada a partir de um clima intimista.

Na elaboração do álbum são de extrema qualidade e dignos dos mais relevantes destaques os imensuráveis talentos dos músicos Toninho Ferraguti (acordeon), Hanilton Messias (piano acústico e elétrico), Sizão Machado (contrabaixo), Webster Santos (violões de aço, de 6 e 12 cordas), Nailor Proveta (clarinete), Edgard (tablas), Jonas Tatit (violão nylon), Adriano Busko, Guelo e Bré (percussões), Fábio Tagliaferri (violas), Hiles Moraes (gongas), Teco Cardoso (Flautas), Daniel D'alcântara (trumpet). O compositor e violonista Mário Gil além de tocar em algumas faixas, também assina a produção, direção musical e os arranjos, elaborados em parceria com o pianista Hanilton Messias (com exceção da faixa "O Cantador", assinado por Jonas Tatit).

Trata-se de um disco raro, feito por e para quem gosta de música. Não é exagero afirmar que o canto de Rita Gullo nos inebria já nos primeiros afinados acordes emitidos por sua voz; isso se dá talvez por atestarmos de cara que nela o talento é abundante e é perceptível a sua segurança em transitar pelos mais diferentes ritmos e tonalidades de maneira extremamente melodiosa sem deixar-se cair em nenhum lugar-comum (mesmo tendo um denso repertório como o que ela optou). Vale a pena anotar esse nome: Rita Gullo!


Maiores Informações:

Contatos para shows - contatoritagullo@gmail.com




Twitter - @ritagullo


O álbum pode ser adquirido nos seguintes endereços / telefones:


Livraria Saraiva - http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3420638

Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22429410&sid=621223076131224110409289918

Discoplay - Edu - Tel: ( 31)3222-0046

Hipermercado Baronesa - Tel: (35) 3449-1711

Savarin II - Tel: (41) 3322-7006

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HPI - Novo - Tel: ( 21)3215-4943

Midimaxi Cds - Tel: (12) 3941-7575

Baratos Afins - Tel: (11) 3223-3629

Discoteka - Tel: (11) 5906-0456

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Livraria da Vila-Rod - Tel: (11) 3814-5811

Livraria do Espaço Unibanco SP - Tel: (11) 3141-2610

Mini Box - Tel: (11) 3101-7392

Musical Sto Antônio - Tel: (11) 3141-2929

Painel Musical - Tel: (11) 5561-9605

Ponto do Livro - Tel: (11) 2337-0506

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

NUNCA - RITA GULLO

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