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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

A EXCELÊNCIA EM PARCERIA

Dentre nossos parceiros musicais, quatro nomes já foram pré-selecionados para o maior prêmio da música brasileira.

Por Bruno Negromonte


Para quem conhece e acompanha o Musicaria Brasil já deve saber que o propósito maior de nosso espaço é difundir a boa música brasileira independente da região onde a encontramos. Devido a quantidade de visitas que mensalmente alcançamos (uma média bem acima daquilo que acreditaríamos chegar) e que vem de todos os lugares do mundo, temos ciência que o resultado que almejamos é alcançado. Isso é perceptível através dos e-mails e comentários que recebemos ao longo desse período em que estamos na ativa. Outro aspecto relevante de nosso espaço (e aquele que vamos dar ênfase a partir de então) é o feedback existente entre os artistas independentes que nos procuram ou que muitas vezes são indicados por nossos leitores para ilustrar as postagens de nosso espaço.

Prefiro atribuir a essas pautas o termo "feedback", por acreditar que realmente trata-se de uma troca. Não uma troca comigo que faço o Musicaria, mas com o grande público, que ao nos prestigiar tem como retribuição a aquisição de trabalhos que prezam pela qualidade e são feitos por pessoas de extremo talento, mas que não alcançam o grande público por questões que não vem ao caso trazer mais uma vez à tona. Nos orgulhamos muito em afirmar que todos, invariavelmente todos, os nossos parceiros musicais apresentam trabalhos, nos gêneros que atuam, de extrema qualidade. Prova disto são as pré-seleções a premiação máxima da música no Brasil de alguns dos protagonistas de nossas pautas, onde para chegar lá há a necessidade de passar pelo clivo de um conselho composto por nomes como Zuza Homem de Melo, Gilberto Gil, o idealizador José Maurício Machline, João Bosco, Yamandú, Wanderléia entre outros.

São mais de duas décadas de premiação avaliando e procurando classificar aquilo que de melhor a música brasileira vem apresentando e a consolidação como o maior e mais representativo prêmio do cancioneiro nacional passando por diversas fases. Primeiro chamou-se, por mais de dez anos, de Prêmio Sharp, também recebeu os nomes de Prêmio da Música Brasileira (2001) e Prêmio TIM de Música e hoje chama-se Prêmio da Música Brasileira. O ano que merece destaque para o prêmio é o de 2009, pois Zé Maurício Machline resolveu realizar a Premiação sem patrocínio apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores, e foi brilhantemente realizado comprovando a importância do Prêmio da Música para a cultura Brasileira.

Em 2011, entre os pré-selecionados, esteve alguns trabalhos apresentados pelo Musicaria Brasil ao longo do mesmo ano como foi o caso de "Pé de Crioula", da cantora catarinense Ana Paula da Silva. A artista que já conta com diversos trabalhos fonográficos na bagagem apresentou um álbum que consiste em diversos sambas. É um trabalho essencialmente de intérprete onde Ana Paula procura mostrar porque é que tem a cada novo ano sedimentado ainda mais a sua carreira na Europa, particularmente na Áustria. Adriana Godoy, é outro nome que também figurou ao longo de 2011 tanto em nosso espaço quanto entre os pré-secionados do referido prêmio. A filha do músico Amilton Godoy e da cantora Silvia Maria, dois grandes destaques do cenário musical brasileiro, apresentou "Marco", um trabalho que traz, entre coisas, canção inédita da Fátima Guedes e participação de grandes nomes da música popular brasileira como Elton Medeiros e Filó Machado.

Outro trabalho dentre os pré-selecionados em 2011 foi "A sombra confia ao vento", do carioca Ricardo Machado. Álbum cujo título é extraído de uma composição de Heitor Villa-Lobos e (Melodia Sentimental). O trabalho de Ricardo percorre 150 anos de música brasileira em um repertório meticulosamente escolhido sob os arranjos do maestro Ricardo Calafate e arte gráfica de um dos mais conceituados profissionais da área que é Egeu Laus Simas. Por fim vem o álbum "Lero-lero", da paulista Luísa Maita, cujo sucesso vem sedimentando-se não só no Brasil, mas também no América do Norte. Filha do saudoso Amado Maita, Luísa não só teve seu trabalho entre os pré-selecionados de 2011, mas também conquistou o troféu de revelação do Prêmio da Música brasileira do ano passado.


2012

Em 2012 o prêmio prestará uma ao cantor e compositor João Bosco de Freitas Mucci. João Bosco, como ficou mais conhecido no meio artístico, nasceu no município de Ponte Nova no estado de Minas Gerais em 1946 e ao longo deste ano será o homenageado do prêmio pelos 40 anos de carreira fonográfica; e dentre os nossos parceiros musicais já constam três pré-selecionados ao prêmio: André Mastro, Letícia Scarpa e Rita Gullo. O ator, poeta, cantor e produtor Mastro, cujo trabalho abordamos ao longo de julho do ano passado, apresenta um trabalho composto por repertório cuja a escolha foi de maneira totalmente passional. Quando questionado sobre quais critério foram adotados para tal escolha, André enfaticamente diz: "Critério? Que é critério? Meu coração disse e eu fiz. Cantei, gostei, gravei. Cantei,não gostei, não gravei." O álbum intitulado "Sem descanso", apresenta um repertório composto por regravações de nomes como Itamar Assumpção, Adoniran Barbosa e Cartola.

Rita Gullo, cuja entrevista exclusiva figurará entre as postagens deste mês, vem com um dos trabalhos mais elogiados de 2011 não só pela seleta escolha do repertório como também pela agradável voz. O álbum cujo título traz o nome da artista conta com a participação pra lá de especial do cantor e compositor Chico Buarque. Já Letícia Scarpa, traz "", um álbum que conta com a participação do artista pernambucano Antônio Carlos Nóbrega e é composto essencialmente por composições próprias. Das 12 faixas, Letícia assina 11 em diversas parcerias neste seu álbum de estreia e em breve abordaremos este trabalho de forma mais minuciosa em nosso espaço. Esperamos não só em 2012, mas também nos anos subsequentes manter essa estirpe entre nossos parceiros por acreditar que não se concede tal indicação a qualquer trabalho e isso, além de nos lisonjear, nos condiciona a oferecer ao conhecimento de nosso público trabalhos de excelente qualidade. Resta-nos agradecer pela confiança depositada por tais artistas e suas respectivas assessorias. E não custa nada, mais uma vez, deixar a dica: todos esses trabalhos são impreteríveis em qualquer coleção de disco e devem ser adquiridos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SEM LERO-LERO, LUÍSA MAITA MOSTRA PARA O QUE VEM

Artista revelação do ano no 22° Prêmio da Música Brasileira, Luísa faz-se excelente cronista em seu álbum de estreia a partir de letras e canções que retratam um universo suburbano e personagens peculiares ao qual tais faixas nos remetem a uma miscelânea de ritmos.

Por Bruno Negromonte


Nascido em 1948, o multifacetado Amado Maita partiu precocemente um junho de 2005 deixando como legado um único registro fonográfico (título que leva seu nome e que hoje é um álbum reverenciado por todos os que admiram a icônica e boa música brasileira feita nos idos anos 70) e uma carta na manga que conheceríamos com projeção nacional (musicalmente falando) só depois de alguns anos após a sua prematura partida. Filha de Amado com Myriam Taubkin (que além de produtora cultural também é irmã do pianista Benjamin e Daniel Taubkin que além de tios são referências para a artista), a cantora e compositora Luísa Maita cresceu entre bairros de diferentes realidades sociais em um perene contexto musical de qualidade que envolvia tanto o samba jazz ouvido pelo pai como também artistas como Moacir Santos, Naná Vasconcelos, Paulinho da Viola, Sizão Machado entre outros. Esse panorama proporcionado pela música, somado as influências árabes trazidas pela descendência do pai (e por que não a influência também do padrinho Falcão) trouxe à artista respaldo mais que suficiente para abordar o cotidiano dos diversos personagens presentes em sua música. Geralmente são tipos suburbanos inspirados e subtraídos de sua vivência principalmente na periferia paulistana retratados em uma ótica musical bastante peculiar. Isso a fez ser gravada por nomes como Virgínia Rosa e Mariana Ayda (que teve a interpretação de uma das composições de Luísa eleita uma das melhores músicas de 2009 pela revista Rolling Stone Brasil).

Luísa Maita é assim. É na espontaneidade em lhe dar com a canção e com o cotidiano suburbano que a faz uma compositora inovadora, alcançando aquilo aquilo que busca, "o máximo de expressão com um mínimo de afetação", como costuma dizer. O seu som é de uma contemporaneidade bastante interessante, fazendo com que sua música passe por longe de qualquer rótulo. Busca nessa sonoridade um megacosmopolitismo musical diferente, onde consegue em uma miscelânea única abranger os diversos segmentos sonoros que exerceram influências em seu som sem necessariamente prender-se a nenhum. E nesse caldeirão cultural traz ao público ouvinte uma forma distinta de avaliar a música feita pela nova geração da MPB. É um retalho de ritmos formado a partir da sensibilidade extremamente aguçada de Luísa Maita, que soube muito bem discernir aquilo que se fazia necessário para a sua música a partir de uma tenuidade peculiar entre os diversos ritmos brasileiros.



Já as suas letras são verdadeiras crônicas que descrevem, a partir de uma ótica bastante particular, personagens e lugares que talvez extrapolem o simples "insight" criativo e sejam cenário de sua própria biografia, onde toda poesia e musicalidade absorvidas de Higienópolis à Bexiga (e em outros ambientes tão contrastante quanto estes) agora são externadas a partir de sua arte.

De forma incólume, a qualidade preenche todo este trabalho de estreia apresentado pela artista que passeia segura entre às raízes musicais brasileira e a modernidade sonora em uma miscelânea de influências, que vai desde os grandes nomes da música pop mundial a artistas menos expressivos. Talvez por isso "Lero-lero" seja motivo de tantos elogios e Luísa seja hoje vista como uma das grandes revelações musicais nacionais; tanto que participou da gravação dos clipes apresentados em Copenhague pela delegação brasileira para a Olimpíada de 2016 com as canções "Cidade Maravilhosa" e "Aquele Abraço".

No álbum a artista extravasa criatividade em tipos comuns, como é o caso de faixas como "Fulaninha" e "Aí vem ele..." (composições da própria Luísa), que são duas canções de conotação romântica, a primeira retrata os nuances de um esperançoso amor suburbano, onde a coragem se faz presente dando sentido ao enredo da canção. Já a segunda aborda o amor a partir de características como ansiedade e insegurança (algo comum se analisarmos alguns flertes).

O álbum segue com "Desencabulada" (Luis Felipe Gama e Rodrigo Campos), que retrata uma típica garota suburbana de corpo escultural e que adora ir dançar no baile funk com trajes tipicamente sensuais e "Maria e Moleque" (Rodrigo Campos) que me remeteu ao saudoso Sérgio Porto e as crônicas de seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. Rodrigo apresenta nesta canção uma crônica digna de qualquer folhetim quando aborda a história de dois personagens aparentemente distintos (a distinta senhora do asfalto e um traficante do morro) que se cruzam e acabam vivendo uma relação de amor, medo e sexo em um opala de vidro fumê. A história é repleta de minuciosos detalhes descritos na letra da canção.



"Mire e veja" é outra canção da lavra de Rodrigo Campos em parceria com um dos antigos parceiros da Urbanda, o compositor violonista e produtor Morris Picciotto. Há ainda canções como a faixa título "Lero-lero" (Luísa Maita), samba que chega a nos remeter ao magnífico legado fonográfico deixado por seu pai. Quem escuta esta composição percebe entre as batidas eletrônicas que entornam o álbum remanescências daquilo de melhor que Amado lançou em 1972. Dentre as outras faixas há "Anunciou" (Luísa Maita), que vestida de uma sonoridade moderna traz para o gostoso e cadenciado ritmo da capoeira uma nova roupagem e "Um vento bom" (Luísa Maita), que traz a boa nova do amor em uma leve brisa para mostrar que sempre é possível começar uma nova vida.

A trinca de canções que faltam ser apresentadas são de autoria da própria cantora. A primeira é "Alento", que retrata o cotidiano de alguém que desde o início do dia já procura mostrar o vigor que a vida exige em todos os âmbitos. É como diz o um trecho do refrão: "É, eu tô na vida é pra virar, que a felicidade vem, eu tô sonhando mais além". Uma canção extremamente motivacional.
"Alívio" traz como tema questionamentos vividos por quase todo mundo. Quem nunca viveu ou sentiu sensações indescritíveis e viveu situações inesquecíveis na vida, coisas do tipo "sentir um samba de Candeia" ou "sonhar ao ver um céu cheio de estrela" são algumas desses momentos descritos por Maita; e pra encerrar vem a bossa "Amor e Paz", mais uma canção que trata das relações amorosas. Nessa interpretação Luísa quase que sussurra a letra de uma maneira tendenciosamente sensual e dolente.

O trabalho foi gravado nos Estúdios Outra Imagem e Wah- Wah por Paulo Lepetit (que assina também a produção). Como co-produtores vêm Rodrigo Campos e a própria Luísa (com exceção de "Amor e paz", produzida por Swami Jr.). O projeto gráfico é assinado por Teresa Maita e dentre os músicos presentes no álbum há nomes como Swami Jr. (violão), Kuki Storlarski (bateria), Paulo Lepetit (baixo e beats eletrônicos), Rodrigo Campos (violão, cavaquinho, repique de mão, surdo e tamborim), Théo da Cuíca (cuíca), Siba (rabeca),Sérdio Reze (bateria e tamborim), Jorge Neguinho (cuíca) e Fabio Tagliaferri (viola) que dão essa sonoridade eletroacústica ao resultado final (percebe-se as influências ora pop e eletrônica contemporânea, ora as raízes de nossa mpb em uma sincronia perfeita).



E assim, sem lero-lero, consistentemente Luísa Maita vem alçando vôos cada mais seguros e distantes dentro da atual conjuntura musical mundial. De futuro promissor e destaque dentro do nosso cenário artístico (prova disto está no burburinho que seu nome causa na imprensa especializada) a cantora lançou esse caleidoscópio rítmico chamado "Lero-Lero" não só no Brasil pelo selo Oi Música, mas também em todo o mundo pela Cumbancha/Putumayo. Vale salientar que em uma de suas passagens pelos EUA, além das críticas positivas de jornais como The New York Times, The Washington Post e Boston Globe; programas de TV também destacaram o seu trabalho, dentre os quais o “All Things Considered” da NPR que disse que Luísa é a "Nova Voz do Brasil" e afirmou que "se continuar fazendo discos como este, pode muito bem estar no caminho para o estrelato internacional". Só nos resta acreditar e colocar bastante fé nesta premissa norte-americana.



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