PROFÍCUAS PARCERIAS
Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.
ENTREVISTAS EXCLUSIVAS
Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.
HANGOUT MUSICARIA BRASIL
Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.
Mostrando postagens com marcador André Mastro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador André Mastro. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A EXCELÊNCIA EM PARCERIA
10:34:00
Adriana Godoy, Ana Paula da Silva, André Mastro, Bruno Negromonte, Letícia Scarpa, Luísa Maita, Música no Brasil, Ricardo Machado, Rita Gullo
Sem Comentarios
Dentre nossos parceiros musicais, quatro nomes já foram pré-selecionados para o maior prêmio da música brasileira.
Por Bruno Negromonte
Para quem conhece e acompanha o Musicaria Brasil já deve saber que o propósito maior de nosso espaço é difundir a boa música brasileira independente da região onde a encontramos. Devido a quantidade de visitas que mensalmente alcançamos (uma média bem acima daquilo que acreditaríamos chegar) e que vem de todos os lugares do mundo, temos ciência que o resultado que almejamos é alcançado. Isso é perceptível através dos e-mails e comentários que recebemos ao longo desse período em que estamos na ativa. Outro aspecto relevante de nosso espaço (e aquele que vamos dar ênfase a partir de então) é o feedback existente entre os artistas independentes que nos procuram ou que muitas vezes são indicados por nossos leitores para ilustrar as postagens de nosso espaço.
Prefiro atribuir a essas pautas o termo "feedback", por acreditar que realmente trata-se de uma troca. Não uma troca comigo que faço o Musicaria, mas com o grande público, que ao nos prestigiar tem como retribuição a aquisição de trabalhos que prezam pela qualidade e são feitos por pessoas de extremo talento, mas que não alcançam o grande público por questões que não vem ao caso trazer mais uma vez à tona. Nos orgulhamos muito em afirmar que todos, invariavelmente todos, os nossos parceiros musicais apresentam trabalhos, nos gêneros que atuam, de extrema qualidade. Prova disto são as pré-seleções a premiação máxima da música no Brasil de alguns dos protagonistas de nossas pautas, onde para chegar lá há a necessidade de passar pelo clivo de um conselho composto por nomes como Zuza Homem de Melo, Gilberto Gil, o idealizador José Maurício Machline, João Bosco, Yamandú, Wanderléia entre outros.
São mais de duas décadas de premiação avaliando e procurando classificar aquilo que de melhor a música brasileira vem apresentando e a consolidação como o maior e mais representativo prêmio do cancioneiro nacional passando por diversas fases. Primeiro chamou-se, por mais de dez anos, de Prêmio Sharp, também recebeu os nomes de Prêmio da Música Brasileira (2001) e Prêmio TIM de Música e hoje chama-se Prêmio da Música Brasileira. O ano que merece destaque para o prêmio é o de 2009, pois Zé Maurício Machline resolveu realizar a Premiação sem patrocínio apenas com a ajuda de amigos, artistas e fornecedores, e foi brilhantemente realizado comprovando a importância do Prêmio da Música para a cultura Brasileira.

Em 2011, entre os pré-selecionados, esteve alguns trabalhos apresentados pelo Musicaria Brasil ao longo do mesmo ano como foi o caso de "Pé de Crioula", da cantora catarinense Ana Paula da Silva. A artista que já conta com diversos trabalhos fonográficos na bagagem apresentou um álbum que consiste em diversos sambas. É um trabalho essencialmente de intérprete onde Ana Paula procura mostrar porque é que tem a cada novo ano sedimentado ainda mais a sua carreira na Europa, particularmente na Áustria. Adriana Godoy, é outro nome que também figurou ao longo de 2011 tanto em nosso espaço quanto entre os pré-secionados do referido prêmio. A filha do músico Amilton Godoy e da cantora Silvia Maria, dois grandes destaques do cenário musical brasileiro, apresentou "Marco", um trabalho que traz, entre coisas, canção inédita da Fátima Guedes e participação de grandes nomes da música popular brasileira como Elton Medeiros e Filó Machado.

Outro trabalho dentre os pré-selecionados em 2011 foi "A sombra confia ao vento", do carioca Ricardo Machado. Álbum cujo título é extraído de uma composição de Heitor Villa-Lobos e (Melodia Sentimental). O trabalho de Ricardo percorre 150 anos de música brasileira em um repertório meticulosamente escolhido sob os arranjos do maestro Ricardo Calafate e arte gráfica de um dos mais conceituados profissionais da área que é Egeu Laus Simas. Por fim vem o álbum "Lero-lero", da paulista Luísa Maita, cujo sucesso vem sedimentando-se não só no Brasil, mas também no América do Norte. Filha do saudoso Amado Maita, Luísa não só teve seu trabalho entre os pré-selecionados de 2011, mas também conquistou o troféu de revelação do Prêmio da Música brasileira do ano passado.
2012
Em 2012 o prêmio prestará uma ao cantor e compositor João Bosco de Freitas Mucci. João Bosco, como ficou mais conhecido no meio artístico, nasceu no município de Ponte Nova no estado de Minas Gerais em 1946 e ao longo deste ano será o homenageado do prêmio pelos 40 anos de carreira fonográfica; e dentre os nossos parceiros musicais já constam três pré-selecionados ao prêmio: André Mastro, Letícia Scarpa e Rita Gullo. O ator, poeta, cantor e produtor Mastro, cujo trabalho abordamos ao longo de julho do ano passado, apresenta um trabalho composto por repertório cuja a escolha foi de maneira totalmente passional. Quando questionado sobre quais critério foram adotados para tal escolha, André enfaticamente diz: "Critério? Que é critério? Meu coração disse e eu fiz. Cantei, gostei, gravei. Cantei,não gostei, não gravei." O álbum intitulado "Sem descanso", apresenta um repertório composto por regravações de nomes como Itamar Assumpção, Adoniran Barbosa e Cartola.

Rita Gullo, cuja entrevista exclusiva figurará entre as postagens deste mês, vem com um dos trabalhos mais elogiados de 2011 não só pela seleta escolha do repertório como também pela agradável voz. O álbum cujo título traz o nome da artista conta com a participação pra lá de especial do cantor e compositor Chico Buarque. Já Letícia Scarpa, traz "Lê", um álbum que conta com a participação do artista pernambucano Antônio Carlos Nóbrega e é composto essencialmente por composições próprias. Das 12 faixas, Letícia assina 11 em diversas parcerias neste seu álbum de estreia e em breve abordaremos este trabalho de forma mais minuciosa em nosso espaço. Esperamos não só em 2012, mas também nos anos subsequentes manter essa estirpe entre nossos parceiros por acreditar que não se concede tal indicação a qualquer trabalho e isso, além de nos lisonjear, nos condiciona a oferecer ao conhecimento de nosso público trabalhos de excelente qualidade. Resta-nos agradecer pela confiança depositada por tais artistas e suas respectivas assessorias. E não custa nada, mais uma vez, deixar a dica: todos esses trabalhos são impreteríveis em qualquer coleção de disco e devem ser adquiridos.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
ANDRÉ MASTRO - ENTREVISTA EXCLUSIVA
O multiartista paulista vem nos apresentando "Sem descanso" um trabalho coeso e equilibradamente dividido entre compositores contemporâneos e regravações pouco conhecidas do nosso cancioneiro popular. E hoje, data de seu aniversário, quem ganha o presente somos nós e o nosso público leitor com essa entrevista exclusiva.
Por Bruno Negromonte

O público de São Paulo bem conhece o trabalho de André Mastro, prove disto é a colocação do artista no ranking entre as pautas mais acessadas ao longo do último mês com a matéria SEM DESCANSO, ANDRÉ MASTRO MOSTRA TODA HOMOGENEIDADE DA MÚSICA POPULAR EM SEU ÁLBUM DE ESTREIA (http://musicariabrasil.blogspot.com/2011/07/sem-descanso-andre-mastro-mostra-toda.html), principalmente pelo público paulista. O sempre solícito André Mastro nos disponibilizou um pouco do seu corrido tempo para nos presentear com esta entrevista exclusiva. Dentre os assuntos abordados o artista fala um pouco sobre sua trajetória artística, as agruras existentes em dar seguimento a uma carreira de maneira independente e no espetáculo o qual vem apresentando o seu mais recente álbum intitulado "Sem descanso"; além de nos revelar o projeto que anseia em gravar um álbum cujo repertório seja focado apenas nas canções de uma das grandes cantora e compositora de nossa MPB.
Além de tudo isso nosso entrevistado ainda relata um pouco sobre um fato interessante ocorrido em sua infância: André, por volta dos cinco anos, ganha um caixa de compactos musicais que o marcou e acabou estruturando a sua formação musical quando mais tarde. Confiram na íntegra a nossa conversa:
Um fato interessante em sua infância aconteceu quando você ganhou uma caixa repleta de compactos. Como se deu esse episódio? Causou algum tipo de impacto que hoje é perceptível no cantor André Mastro?
André Mastro - Impactou, sim. Nesta caixa, que ganhei de uma prima de mais idade, no início dos anos 70, havia quase uma centena de compactos simples - os mini-vinis da época. Acho que foi a primeira vez que tomei contato com uma verdadeira miscelânea de gêneros musicais. Ouvi Águas de Março pela primeira vez, aí. E Beatles, Chico Buarque, Os Vips, Renato e Seus Blue Caps, Caetano, Agnaldo Timóteo, Carlos Lyra.
Isso ajudou a estruturar minha formação, já que eu devia ter acho que cinco anos, na época. Só depois é que fui perceber que a música passou a ser um dos itens mais importantes da minha personalidade, a partir deste episódio.
Acho que também este episódio ajudou-me a não ter barreiras musicais. Nunca tive a percepção, a meu ver equivocada, de que determinado tipo de música é menor. Dessa doença não morro. Também longe de mim achar que "música é música e todos os gêneros são iguais". Não são iguais. Acho temeroso este tipo de afirmação. Dá margem para que muita desinformação seja dita. Acho que há vários tipos de música, infinitas nas suas diferenças. E TODAS tem que ser respeitadas. Ninguém é obrigado a consumir todas, ninguém tem que aceitar nada. Mas todo mundo é obrigado a respeitar.
Acho que tenho essas opiniões muito por não ter conhecimento técnico em música, né? Não sou um "literato" musical e não me importo com isso. A música me chega pelo coração, ouço com o coração, ela chega e começa a residir ali. Claro que tenho um ouvido regular, não gosto de bobagem. Mas quem decide o que é bobagem é meu coração.
Esse acontecimento referente aos discos ganhos foi algo que de alguma forma impulsionou o seu desejo de criança em ser artista quando adulto ou essa predileção pelo mundo artístico só veio já quando adolescente?
AM - Não foi ali que começou. Eu nem sabia que existia essa profissão. Aliás, talvez não exista até hoje....
Tão pouco o estopim acendeu na adolescência. Quando cheguei à adolescência, a loucura já havia se instalado em mim...
Fui tomado pelo desejo de ser cantor acho que em 1973 ou 74, quando assisti, no programa Os Trapalhões (Rede Tupi), a uma apresentação da cantora Perla, paraguaia. Era um video clip da época. E fui tomado pela figura e pela voz daquela pessoa. Aquele timbre, aqueles vibratos, aquela passionalidade.
Quando vi, queria ser "aquilo" que eu estava vendo: cantar.
Claro que estamos falando de início dos anos 70, uma criança numa cidadezinha do interior de SP: eu mal sabia o que pensava, mal sabia o tamanho da (maravilhosa) encrenca que me aguardava.
Antes de cantar você formou-se em uma escola de teatro, passou por alguns cursos de música e também produziu (e continua a produzir diversos espetáculos no estado de São Paulo). Todo esse seu envolvimento com a arte (desde o palco, passando pela coxia, produção e burocracia) deu o suporte necessário quando você decidiu que seria a hora de lançar esse primeiro álbum ou acabou de certa forma atrapalhando por você achar que ter tanto conhecimento acaba o obrigando a ter uma excelência na qualidade do resultado final?
AM - Claro que ajuda, sempre ajuda. E, inclusive, me ensina o comportamento que não devo ter, quais as atitudes que não devo tomar dentro e fora do palco.
E a excelência que você cita, eu realmente não busco no meu trabalho de cantor. Canto o que me sinto seguro e o que me segura. Sou um cantor popular, nunca tive pretensões hollywoodianas. Amo meu cd e meu show, amo os músicos que me acompanham e para mim é muito claro que, eles sim, são excelentes. Eu só pretendo cantar da melhor maneira que puder, apresentar-me da maneira mais digna possível. Não canto bobagem, letra que traga informação perigosa, música que não me toque, enfim.
Quando percebi que a seriedade e a simplicidade podem andar juntas, foi tudo mais fácil.
O teatro me deu uma noção cênica. Acho importantíssimo, pois estou em pé no palco, tenho que ter noção do meu chão e do meu vôo.
Houve uma reviravolta na escolha do repertório devido aos altos custos e toda a burocracia referentes a direitos autorais como foi relatado por você em uma de suas recentes entrevistas sobre o lançamento do álbum. Como se deu a escolha das regravações nesse segundo momento?
AM - Os cds me foram chegando. Eram todos independentes e desconhecidos do grande público. São cds guerreiros, batalhadores, como o meu.
Algumas músicas me chegaram separadamente, como a faixa-título Sem Descanso. Chegaram três músicas do Guca, o filho dele, Deni, trouxe para eu conhecer. Com todo respeito ao Guca, mas nem lembro das outras. Fui tomado, com violência, pela força de Sem Descanso, que também é de Irineu de Palmira.
E que critério foi utilizado para a escolha das canções inéditas?
No álbum “Sem descanso” dentre os gêneros presentes você faz o resgate de um dos sub-gêneros mais bem humorados e cativantes que o samba possui, que é o samba-de-breque. De onde vem essa sua predileção por esse sub-gênero?
AM - Não tenho essa predileção. Apenas percebi que alguns gêneros combinam com minha voz, meu timbre. E aí o teatro pode ter ajudado também: trato a música como texto de uma peça teatral. Procuro entender e, em alguns casos, cantar a música como se contasse uma história. O samba de breque é uma excelência nestes casos: são cênicos, um prato cheio para intérpretes como eu.
E o público adora, ri, se diverte, comenta. Preciso dos "respiros" que este tipo de música dão ao roteiro do show, senão seria um suicídio coletivo, na plateia. Talvez no palco também... Porque sangrar cantando As Rosas Não Falam e Marinheira, não é pra qualquer bico.
Mesmo com um certo conhecimento no mundo artístico-cultural você forçosamente tornou-se mecenas do seu próprio projeto (ou patrocinador de si mesmo como você costuma enfatizar). Como foi essa nova experiência e qual foi a maior dificuldade encontrada?
AM - A dificuldade maior, pra quem não nasceu em berço de ouro como eu, é a financeira, né?
Mas eu contei muito com o companheirismo de todos os que participaram do cd, é preciso salientar. Desde meu engenheiro de som, Adonias Jr., aos meus arranjadores Zeca Loureiro e Deni Domenico, fui muito feliz na campainha destas pessoas. Alguns momentos das gravações estão "na parede da memória", para além das encarnações.
Um dos projetos que você tem em mente é a gravação de um álbum composto apenas com as canções da Fátima Guedes. Por que esse projeto não se concretizou no período do espetáculo “Mais uma Boca” e não acabou tornando-se seu álbum de estreia?
AM - Tenho certeza que este será minha próxima empreitada. Fatima Guedes é uma deusa pra mim, uma lady, uma diva no melhor sentido que estas palavras possam ter. Além de cantora ímpar, compositora absolutamente inigualável neste país, é uma candura de pessoa. Fofa completa.
Eu tenho tesão enorme em cantar aquelas coisas femininas que ela escreve. Minha voz grave, velada, cantando aqueles arroubos de paixão, de fossa, de felicidade... Delírio completo! Ela tem um monte de "Ne Me Quitte Pas" na sua obra, eu deito e rolo.
Não gravei quando fiz o show porque lá se vão dez, quinze, sei lá quantos anos. "Esperei o tempo certo....".
Além de você ter participado do coral USP sob regência da maestrina Vera Novack você teve dentre suas professoras de canto nomes como Ná Ozzétti e Cida Moreira. Todo esse “know-how” teórico o que é possível observar-se no espetáculo “Sem descanso” na prática?
AM - Com certeza sim. Não sei identificar completamente, mas tudo isso está na emissão da voz, na respiração, na transpiração, em comunicar com a maior clareza possível o que pretendo dizer.
Há também algo que seja perceptível do seu lado cênico no show “Sem descanso”?
AM - Não sei dizer. Tento apresentar-me elegante e verdadeiro. Tento ter a postura que eu gostaria que um intérprete tivesse se eu estivesse na plateia.
Procuro fazer com que a cenicidade me ajude na técnica, que eu desafine o menos possível, que eu não me perca nas letras, não perca minha concentração.
Fica aqui o espaço para as suas considerações finais...
AM - Bruno, que legal que meu trabalho chegou até você, em Olinda. Chegam-me retornos de São Luis, de Maceió, de Belo Horizonte etc. Uma pessoa entrou em contato dizendo que comprou meu cd no centro de SP. Esses fatos, aparentemente pequenos, eu acho uma loucura, não consigo descrever como me felicitam. Em breve eu postarei no youtube o vídeo de uma entrevista para a Rádio Gazeta-SP, com um pocket show. Aviso para você para que os seguidores do blog saibam.
domingo, 17 de julho de 2011
SEM DESCANSO, ANDRÉ MASTRO MOSTRA TODA HOMOGENEIDADE DA MÚSICA POPULAR EM SEU ÁLBUM DE ESTREIA
O ator, poeta, cantor e produtor paulista lança seu primeiro álbum intitulado "Sem descanso", trabalho este que traz a boa música popular brasileira em todos os seus nuances, dando destaque ao samba de breque, uma das referências que o influencia.
Por Bruno Negromonte
André Mastro procura fazer jus ao título do seu disco de estreia quando, pela excelência do trabalho, não consegue dar descanso aos ouvidos daqueles que o ouvirem. Quem escuta esse primogênito álbum dificilmente cessará, pois a audição deste trabalho é uma excelente oportunidade de viajar em um repertório coeso e de bom gosto ímpar. As canções foram equilibradamente selecionadas de maneira que há tanto canções inéditas quanto regravações de compositores do quilate de Adoniran Barbosa, Cartola e Itamar Assumpção. A atenção exigida para a apreciação deste trabalho se dá não só pela escolha do primoroso repertório, mas também por trazer exímios músicos na execução das faixas.
André Mastro nasceu no estado de São Paulo, mais precisamente em Olímpia (cidade localizada a cerca de 448 quilômetros da capital do estado) e tem como lembrança mais remota de seu envolvimento com a música a audição de boleros e chorinhos nas vozes dos grandes nomes da nossa música popular. Segundo Mastro, essas canções permeavam sua infância através de sua arvore genealógica paterna, despertando o pequeno André para a excelência ao qual a música brasileira está inserida e moldando o apurado gosto musical de uma criança fazendo com que mais tarde se traduzisse em uma predileção. Talvez o fato do pequeno André interessar-se, apesar da tão pouca idade, substancialmente pelas canções que o cercava fez com que uma de suas primas o observasse e o tenha escolhido para presenteá-lo com uma caixa de compactos simples. Para ela não teria mais serventia alguma, porém para uma criança que tinha por volta dos seus 06 anos descobrir canções interpretadas por nomes como Elis Regina, Renato e seus Blue Caps, Chico Buarque, Carlos Lyra entre outros foi algo indescritível e marcante.
Talvez tenha sido algo tão avassalador que em "Sem descanso" seja perceptível toda essa influência arraigada. Na gênese do disco percebe-se as fortes ascendências exercidas pelos grandes nomes que nortearam a infância do Mastro juntamente com outras influências tais quais nomes como o do cantor Moreira da Silva e do grupo Premeditando o Breque que dão essa unidade perfeita ao álbum. Tudo isso transforma essa integração da poesia, interpretação e música em uma verdadeira celebração em pró do talento de André; talento este que vem sendo lapidado não é de hoje, mas sim a alguns anos atrás.
André Mastro é o tipo de artista que muitos o chamam de multifacetado, pois o ofício de cantar profissionalmente vem acompanhado por outras diversas atividades intrinsecamente relacionadas com o mundo das artes. Formado em artes dramáticas pela Escola Teatro Macunaíma, Mastro também cursou canto popular na Universidade Livre de Música na década de 9o e ao longo do curso, em determinado momento, teve como professoras de canto as cantoras Cida Moreira e Ná Ozzétti. Munido desse conhecimento prático-teórico ele chegou a participar como membro do CoralUSP no naipe dos barítonos sob a regência da maestrina Vera Novack, apresentando-se em diversos palcos do estado de São Paulo (tanto na capital quanto em cidades do interior paulista).
Como ator André participou da montagem de diversas peças teatrais no circuito comercial de São Paulo, dentre as quais “Mowgli, Homeninlobo”, “A Cor de Rosa – A Vida de Noel Rosa”, ambas no Centro Cultural São Paulo; “Salve o Prazer – A Vida de Assis Valente”, no Teatro Cultura Inglesa; “Bella, Ciao”, na sala Guiomar Novaes – Funarte; “Viagem ao Centro da Terra”, no túnel sob o Rio Pinheiros-SP e também chegou a conceber como cantor e intérprete os espetáculos musicais “Mambembe”, composto por canções de Chico Buarque; “Mais uma Boca”, só com músicas de Fátima Guedes e “Olhares”, com composições de diversos autores da MPB.
Dentre outras atividades participou, por mais de dois anos, como apresentador e produtor, do evento “Praça do Choro”, realizado pela Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo e como cantor apresentou-se em espaços paulistas como o Café Piu-Piu, Feitiço de Áquila, Vou Vivendo Bar, Teatro Crowne Plaza, Centro Cultural São Paulo, Funarte (Sala Guiomar Novaes), Teatro Crowne Plaza-SP, MAM (evento Grupo Pela Vida), Secr. Mun. Cult. de SP: Proj. Arte nas Ruas, circuito SESC/SP (Itaquera, São Caetano do Sul (três shows), Belenzinho e Ribeirão Preto, Theatro São Pedro- SP, Teatros Municipais de São José do Rio Preto, Olímpia, Jundiaí, São Bernardo do Campo e Salto) dentre outros. Em 2006, participou do DVD "Breve História da Música Caipira de São Paulo" exercendo diversas funções, dentre as quais de pesquisador do elenco e da trilha sonora. Esse espetáculo contou com a participação de nomes como Inezita Barroso, Mário Zan, Irmãs Galvão, Tinoco, José Ramos Tinhorão, Zuza Homem de Melo etc. Não achando pouco, André tem um extenso "Know how" na área de promoção de eventos traz cerca de 250 eventos emm seu exercício de produtor de shows. Nesta função (exercitada desde 2003 através da AM promoções de eventos) traz como experiência cerca de 250 eventos com a participação de nomes como Guinga, Elba Ramalho, Arthur Moreira Lima, Paulinho Nogueira, MPB 4, Wanda Sá, Leny Andrade, Chico César, Danilo e Dori Caymmi, Os Cariocas, Marcos Valle, João Bosco, Johnny Alf, Kleiton e Kledir, Simoninha, Roberto Menescal, Fátima Guedes, Hermeto Pascoal, Paulinho Moska, Zélia Duncan, Miúcha, Altamiro Carrilho, Ney Matogrosso, Mônica Salmaso, Banda Mantiqueira, Jorge Aragão, Eduardo Gudin, Marina Lima, Ademilde Fonseca, Renato Braz, Dominguinhos, Leila Pinheiro entre outros.
Tanta experiência resultou em um álbum muito bem dosado e concebido sob a produção do próprio André, Deni Domenico, Zeca Loreiro de forma independente. Tendo como uma de suas características, o álbum "Sem descanso" traz a divisão exata do repertório entre canções inéditas e regravações de canções em sua maioria pouco conhecidas. São ritmos diversos tendo como eixo norteador o velho e bom samba e suas variantes nas dez faixas presentes no álbum. Dentre as faixas inéditas que o disco possui uma delas é a que abre o álbum e dá nome ao disco, de autoria dos compositores Guca Domênico (pai do músico e produtor Deni Domenico) e do mineiro Irineu de Palmira, “Sem Descanso” foi escolhida por André devido “A densidade da música”, que o impactou-me na hora. A música é executada por um quarteto de cordas, violões e percussão e sua letra traz elementos que a caracteriza dentro da literatura barroca quando em sua densa letra percebe-se o dualismo presente. O álbum segue com um desfile de sambas-de-breques originais e bem humorados como"Sacerdotisa de vodu", de autoria do piauiense Carlos Castelo (fundador do grupo Língua de trapo) , o samba-choro-de-breque "Circular 46" (Guca Domenico e Carlos Mello) e "Menopausa Masculina" (Léo Nogueira e Márcio Policastro) dentre outras canções de gêneros distintos como a salsa "Encrenca e formosura" (Álvaro Cueva).
Dentre as regravações presentes no álbum é encontrado, dentre outras faixas, um clássico da música popular composta por Cartola: "As rosas não falam", a cinquentenária "Prova de carinho" (Adoniran Barbosa e Hervê Cordovil) e a canção que deu o sub-título do álbum "Sampa midnight" do cantor da vanguarda paulista Itamar Assumpção. Além de uma interpretação muito particular e lancinante da canção "Marinheira" (Fausto Nilo e Fernando Falcão).
"Sem descanso" é sem dúvida alguma um álbum flamejante, que não só faz um trabalho de resgate do samba-de-breque (um sub-gênero do samba que se popularizou no país e teve seu auge nos anos 50 na voz do carioca Moreira da Silva e que nos dias atuais anda meio esquecido) a partir de uma lavra de compositores contemporâneos, mas também traz interpretações singulares o suficiente para chegarmos a acreditar que tamanha originalidade só pode vir dessa miscelânea cultural que não só preencheu o currículo desse paulista como também deu o "know-how" necessário para a primazia ao qual faz jus esse seu álbum de estreia.
Maiores Informações:
Contato para shows - (11) 9822-4892
E-mail: am-mastro@uol.com.br
MySpace - http://www.myspace.com/557754089
Clube caiuibi de compositores - http://clubecaiubi.ning.com/profile/AndreMastro

