PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

EDSON CORDEIRO, 50 ANOS

Resultado de imagem para edson cordeiro


"...Desde que assisti a ele no palco do Tom Brasil, Edson Cordeiro entrou no meu universo sonoro como um dos maiores intérpretes que jamais ouvi." (Luis Nassif)

"O que ele faz com a sua voz quebra as barreiras do lógico" (Die Tageszeitung (Alemanha))

"O fenômeno versátil considerado pela imprensa europeia como a 8ª maravilha do mundo." (Público Alemão)



Edson Cordeiro nasceu em Santo André – SP, em 9 de fevereiro de 1967. Começou a cantar aos seis anos, quando passou a fazer parte do coro de uma igreja evangélica chamado "Cordeirinhos do Senhor" até os 16 anos.

Filho de um mecânico e de uma bordadeira, fez teatro infantil e, em 1983, participou da ópera-rock Amapola, de Miguel Briamonte, que mais tarde seria diretor musical de seus discos. Em 1988 foi ator e cantor na terceira montagem brasileira da ópera-rock Hair! (Gerome Ragni, James Rado e Galt McDermot), dirigida por Antônio Abujamra. No ano seguinte, atuou na montagem de O doente imaginário, de Molière (Jean-Baptiste Poquelin, 1622-1673), dirigida por Cacá Rosset. Com essa peça, viajou pela Europa, EUA, México e América Central. Seu primeiro show solo aconteceu em agosto de 1990, na Mistura Up do Rio de Janeiro. O sucesso foi imediato, e ele passou a ser disputado por várias gravadoras. Suas distinções são o timbre vocal de contratenor (voz masculina aguda, com o mesmo alcance do soprano feminino - no caso dele, sopranista -) e o repertório eclético, que inclui ópera, bossa nova, pop e jazz.

A carreira solo como cantor tomou força a partir de 1990, quando se apresentou no Rio de Janeiro com grande sucesso, e assinou contrato com a Sony, onde gravou oito cds: Edson Cordeiro (1992), Edson Cordeiro (1994), Terceiro sinal (1996), Clubbing (1997), Disco Clubbing ao vivo (1998) Disco Clubbing ao Vivo – Mestre de Cerimônias (1999) e, “Dê-se ao luxo” (2001)



Muitos foram os prêmios recebidos pelo artista desde o início da carreira.

- Prêmio Sharp de Música de revelação do ano para Edson Cordeiro em 1992;

- Prêmio Sharp de Música de melhor cantor para Edson Cordeiro em 1992;

- Prêmio Sharp de Música de melhor arranjador do ano de 1992 para Miguel Briamonte, pelo primeiro disco de Edson Cordeiro;

- Prêmio Sharp de Música de melhor música do ano para Sueli Costa, pela autoria de "Voz de Mulher" – primeiro disco de Edson Cordeiro;

- Prêmio APCA – melhor cantor do ano de 92 por seu primeiro disco;

- Prêmio Sharp de música de melhor cantor do ano de 1996 pelo CD Terceiro Sinal;

- Prêmio Sharp de música de melhor arranjador do ano de 1996 para Miguel Briamonte pelo CD Terceiro Sinal, de Edson Cordeiro.

- Miguel Briamonte também foi um dos três indicados ao Prêmio Sharp de Música de melhor arranjador do ano de 1994, pelo segundo disco de Edson Cordeiro.

O seu último trabalho lançado no Brasil, que inclusive foi indicado ao Grammy Latino de 2006, na categoria de melhor música clássica, foi o álbum “Contratenor” (2005), pela Paulus.

Resultado de imagem para edson cordeiro
Desde a década de 90 Edson conquistou seu espaço no mercado europeu, isso após ter firmado seu talento no Brasil. Desde abril de 2007 o cantor, radicado na Alemanha, excursiona pela Europa intercalando dois formatos de shows. Um com o premiado trio alemão Klazz Brothers, com quem gravou o cd “Klazz meets the Voice”(2007), pela Sony/BMG Alemã, um mix de jazz, música erudita e popular. No outro Cordeiro, ao lado do pianista alemão Broder Kuhener, faz um mix de sucessos de sua carreira e passeia pela ópera de Mozart, pela bossa nova de Tom Jobim, pelo pop de Madona e Michael Jackson entre muitos outros ritmos.

Em 2009 gravou o álbum “The Woman’s Voice – A Voz da Mulher”, (pela gravadora alemã “Prime Records”). Neste novo show o cantor homenageia grandes divas da música em todo o mundo. “A Voz da Mulher” tem uma coisa em comum com seus projetos anteriores: Novamente, ele faz algo completamente diferente do que era esperado. De acordo com o princípio “Mudar para continuar” Edson Cordeiro dedicou a voz para sua grande inspiração: A voz feminina. Neste contexto ele agora interpreta grandes e variadas cantoras, entre elas: Billie Holiday, Yma Sumac, Shirley Bassey, Zarah Leander, Edith Piaf, Madonna e, é claro, brasileiras como: Carmen Miranda, Elis Regina e Dalva de Oliveira.

Acompanhado do brilhante pianista alemão Broder Kuhne dá as canções novas interpretações esplendorosas. Edson Cordeiro é hábil para trazer um novo brilho a esses clássicos que têm suas marcas na história da música.

Em 2012, com seus projetos "My Collection", "Lounge Disco" (com o Trio alemão” Klazz Brothers”) e "Samba Deluxe", ele continuará com sua excepcional história de sucesso, cantando em teatros com ingressos esgotados sobre tudo com suas apresentações excitantes e inspiradas por todo o mundo, no estilo Edson Cordeiro, é claro!

Em 2015, lança “PARADIESVOGEL”, seu décimo primeiro álbum, gravado na Alemanha. Em "Paradiesvogel" Edson dá sua potente voz de contratenor a um repertório poliglota e sua ampla gama de músicas - spanningg de World Music, Bossa Nova para Chanson - dando a cada faixa um som quente e maravilhoso com sua espetacular quatro oitavas-voz. “Paradiesvogel” não é apenas uma viagem ao passado, pois Edson canta novas músicas escritas especialmente para ele, e conta sobre os pássaros que inspiraram compositores como Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira com "Asa Branca" e "Assum Preto" e "Azulão" de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira.

Para Edson, as canções de “Paradiesvogel" – “Ave do Paraíso", são também cantoras que o inspiram e que são homenageadas como a cantora cubana "La Lupe" (La Tirana) ou a ítalo-francesa "Dalida" (Ciao Amoré) e a sueca Zarah Leander (Ich weiss es Wird) a Alemã "Marlene Dietrich" (Mutter hast du mir vergeben) e um dos pássaros mais raros e deslumbrantes que é "Carmen Miranda" (Disseram que voltei americanizada).

Com a sua impressionante amplitude vocal, críticos da Alemanha escrevem que Edson Cordeiro supera os tons de Zarah Leander, é mais dramático que Dalida, mais louco do que o Latino Rainhas Lola Flores e La Lupe e mais suave que Adele.

Considerado como um dos cantores mais versáteis da atualidade. Com a sua impressionante amplitude vocal e a sua enorme variedade tímbrica, ele sente-se à vontade tanto na ópera e música clássica como nas formas mais modernas da música latina, jazz, rock, pop e dance music. Consegue interpretar cada canção como se fosse sua, de uma maneira pessoal e inimitável.



Discografia Oficial


Edson Cordeiro
Resultado de imagem para Edson Cordeiro (1992)

Faixas:
01 - Creole Love Call
02 - 
La Séguedille
03 - 
Baioque/ Baião
04 - A Rainha da Noite/ I can’t get no 
05 - 
Naturträne
06 - 
Sometimes I feel like a motherless child
07 - Kiss
08 - A Lua é um Balão
09 - Mercedes Benz
10 - Down em Mim
11 - 
Voz de Mulher (Mus.Inc. Fascinação)



Edson Cordeiro

Faixas:
01 - Zorongo Gitano
02 - Coming
03 - Alle-psalite Cum-luya
04 - Spirit in The Dark
05 - Paranóia
06 - Ouça a Canção 
07 - Estrela do Mar [Um Pequenino Grão de Areia]
08 - Babalú
09 - Tipo Zero
10 - Zé do Brasil
11 - 
Boi Bumbá
12 - Cowboy Solitário
13 - Pop Popular


Clubbing

Faixas:
01 - Nightclubbing 
02 - Nada 
03 - A saída 
04 - Mercedes Bens 
05 - Menino do Rio 
06 - Até o fim do mundo 
07 - Oye como vá 
08 - Sometimes I'm happy 
09 - Viúva negra
10 - Lovin' you
11 - You make me feel like dancing
12 - Voz 
13 - Ave Maria - Ave Maria
14 Ave Maria - Versão Remix 
Ave Maria
15 - Ave Maria - Versão Remix II 
Ave Maria


Dê-se ao luxo

Faixas:

01 - O Descobridor dos Sete Mares
02 - Pro Dia Nascer Feliz
03 - Lourinha Bombril / Groove is in the Heart
04 - Dançar Para Não Dançar / Dancin Days
05 - Marrom Glacê
06 - À Francesa
07 - Não Te Reprimas [Part. Rita Lee]
08 - A Filha da Chiquita Bacana [Part. Ney Matogrosso]
09 - País Tropical
10 - Frevo Mulher
11 - Palco
12 - Canário do Reino
13 - Ain't Nobody's Business (If I do)


Terceiro Sinal

Faixas:
01 - 
Bidu Sayão e o Canto de Cristal
02 - Super Homem [A Canção]
03 - 
Primavera - Verão
04 - Mamãe, Coragem
05 - Saudade de Minha Terra
06 - A Mulher Que Virou Homem
07 - Fumando Espero
08 - Por Um Fio 
09 - Aos Pedaços
10 - Despejo na Favela 
11 - Ombra Mai Fu [Ária da ópera Xerxes]
12 - Lascia Ch'io Pianga [Ária da ópera Rinaldo] 
13 - Ave Maria



Disco Clubbing Ao Vivo

Faixas:
01 - You make me feel [Mighty real]
02 - We are family
03 - I love the nightlife
04 - Dancing queen
05 - I love to love
06 - Ring my bell
07 - Don't leave me this way
08 - That's the way [I like it]
09 - I will survive
10 - It's raiming men
11 - Y.M.C.A.
12 - Macho man
13 - Barbie girl
14 - Disco inferno
Mus. Inc. "O descobridor dos sete mares"(Michel-Gilson Mendonça)
15 - Last dance
16 - Mercedes-benz
(Janis Joplin, M.McClure, B.Neuwirth)
Mus.Inc “I say a little prayer” (B.Bacharach-H.David).
“Ponto de macumba”(Folclore)


Disco Clubbing 2 - Mestre de Cerimônias
Faixas:
01 - Staying alive
02 - Night fever
03 - Hot stuff
04 - I feel love
05 - Don't let me be misunderstood
06 - Conga, Conga, Conga / Freak le boom boom
07 - Karma chameleon
08- Perigosa
09 - Amor de rua
10- If I can't have you
11 - Primavera (Vai chuva)
12 - The closer I get to you


Contratenor

Faixas:

01 - Or La Tromba (Opera Rinaldo)
02 - Va Tascito e Nascosto (Opera Giulio Césare)
03 - Ombra Mai Fu (Opera Xerxes) Recitativo
04 - Ombra Mai Fu (Aria)
05 - Lascia Chio Pianga (Opera Rinaldo) Recitativo
06 - Lascia Chio Pianga (Opera Rinaldo) Aria
07 - Che Faró Senza Euridice (Opera Orfeu e Euridice) Recitativo
08 - Gluck
09 - Che Faró Senza Euridice (Opera Orfeu e Euridice) Aria
10 - Pallido Il Sole (Opera Artaxerxes)
11 - Venga Pur (Opera Mitradite Re Di Ponto)
12 - He Was Despised (Oratorio Messias)
13 - Stabat mater
14 - Wachet Auf Ruft Ubs Die Stimme BMW140
15 - Ave Maria


Klazz Meets The Voice

Faixas:

01 - Girl of the Night / The Girl From Ipanema / Rache Arie
02 - Carmen Fantastique / Besame Mucho/I dont Mean a Think//Habanera
03 - Kiss / Corcovado
04 - Babalu
05 - Sister [Miss Celies Blues]
06 - Joshua Fit The Battle
07 - Amazing Grace
08 - Ave Maria
09 - Le Cygne
10 - Boi Bumbá
11 - Air Del Oeste / Spiel Mir Das Lied Vom Tod
12 - Creole Love Call
13 - Good Way/Gutten Abend, Gute Nacht/My Way



The Woman's Voice

Faixas:

01 - Bo Mambo
02 - Tico-Tico
03 - Ave Maria no Morro
04 - Por Toda Minha Vida
05 - Carinhoso
06 - Fado Portuguê
07 - Der Wind Hat Mir Ein Lied Erzählt
08 - Ich Steh' im Regen
09 - Don Giovanni
10 - Mon Dieu
11 - Frozen
12 - Elijah Rock
13 - Lover Man
14 - The Wwoman's Voice


Paradies Vogel

Faixas:

01 - 
Paradiesvogel
02 - Asa Branca
03 - Azulão
04 - Assum Preto
05 - Cucurrucucú
06 -La Tirana
07 - Disseram Que Eu Voltei Americanizada
08 - Coração Vagabundo
09 - Close to You
10 - Lovesong
11 - The Lunatic's Ballad
12 - Mutter, Hast Du Mir Vergeben?
13 - Zigeunerjunge
14 - Ich Weiss, Es Wird Einmal Ein Wunder Gescheh'n

MOZART É O ARTISTA QUE MAIS VENDEU CDS EM 2016

Box com a obra do compositor superou os lançamentos de Adele, Beyoncé e Drake 



Coletânea rendeu 1,25 milhão de discos vendidos (foto: Decca Classics/Divulgação)


Um box que reúne grande parte da obra de Wolfgang Amadeus Mozart rendeu ao compositor um título surpreendente: o de artista que mais vendeu CDs em 2016 - mais de dois séculos após sua morte.

Segundo a Billboard, o produto foi campeão de vendas neste ano, superando fenômenos da música, como o rapper Drake, e superlançamentos do pop, como os Adele, Beyoncé e Lady Gaga.

O recorde se deve ao fato do box Mozart 225: The new complete edition contar com 225 discos e, a cada compra do produto, é como se 225 vendas tivessem sido feitas. Desta forma, os 5 mil exemplares vendidos somam 1,25 milhão de vendas no nome do austríaco.



Fonte: Estado de Minas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PAUTA MUSICAL: INIMIGOS DO BATENTE

Por Laura Macedo


Resultado de imagem para INIMIGOS DO BATENTE


O grupo “Inimigos do Batente” vai com quase duas décadas  de existência movimentando o mundo do samba paulista.

Surgido das mesas de bares paulistanos no final dos anos 1990, o Inimigos do Batente tem a informalidade, o improviso, a veneração pelas coisas do samba e a alegria de celebrá-lo em cada roda como características mais marcantes.

Há quase duas décadas anos ininterruptamente à frente de uma roda de samba semanal, o grupo recebeu a visita de importantes nomes do samba brasileiro como Germano Mathias, Jair do Cavaquinho, Wilson Moreira, Monarco, Beth Carvalho, Nei Lopes, Jorge Simas, Tia Surica, Toniquinho Batuqueiro, Moacyr Luz, Dorina, Wanderley Monteiro, Dona Inah, Fabiana Cozza, Bandeira Brasil, Diogo Nogueira, Noca da Portela, Tantinho, Gisa Nogueira, Osvaldinho da Cuíca, Carlão do Peruche, Delcio Carvalho, Luiz Grande, entre tantos outros. 

Para a apresentação no Estúdio Showlivre contaram com a presença ilustre de Noca da Portela, compositor e autor de 300 composições, entre elas "Capital do Samba", "Isto Tem que Acabar" (com Mauro Duarte), "Aos Pés do Altar" (com Nélson Gonçalves), "Ilumina", "Recordar É Viver" (com Edir/Jorge Careca/Poli).

Atualmente com duas rodas de samba: no bar Ó do Borogodó, na Vila Madalena, e no Bom Retiro, no tradicional clube de várzea Anhanguera. Essa última roda é realizada, de forma independente, há quase quatro anos, sempre às últimas sextas-feiras do mês, recebendo um sambista importante para um bate-papo.

01 - “É preciso muito amor”, de Noca da Portela e Tião da Miracema.



02 - “A razão dá-se a quem tem”, de Noel Rosa / Ismael Silva / Francisco Alves.



Fontes:
- Agenda do Choro & Samba.
- Showlivre.com

VANESSA DA MATA, GABY AMARANTOS E TITÃS SÃO ATRAÇÕES DO CARNAVAL 2017 NO RECIFE


Programação dos polos do Recife Antigo foi divulgada nesta quinta (2) e contará ainda com Jota Quest, Lenine, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci



Foi divulgada na manhã desta quinta-feira (2) a programação de shows do Carnaval 2017 no Recife. O sábado no palco do Marco Zero (25) contará com as apresentações de Lenine, Vanessa da Mata e Gaby Amarantos. Jorge Aragão e Leci Brandão no domingo (26), Titãs e Jota Quest na segunda (27) e Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Elba na noite de encerramento (28).

No Polo do Arsenal, os destaques são Fafá de Belém e Quinteto Violado no sábado, 

Ao todo, serão 47 polos de festa, com mais de 2.000 apresentações, destacando a cultura pernambucana - confira a programação completa no fim deste texto . Este ano, a celebração homenageia a mais que centenária Tribo Indígena Carijós do Recife e o cantor Almir Rouche.

Confira a programação completa do Palco do Marco Zero:

Sexta-feira (24/02)
Homenagem a Naná Vasconcelos (19h00) 
Tribo Indígena Carijós do Recife (20h30)
Almir Rouche e Convidados (21h00)
SpokFrevo Orquestra (23h00)
Ed. Carlos (23h00)
Marrom Brasileiro (00h00)
Nonô Germano (00h00)

Sábado (25/02)
Orquestra Popular do Recife E Maestro Ademir Araújo (20h00)
Coral Edgard Moraes (21h20)
Nena Queiroga (21h20)
Vanessa Da Mata (22h40)
Lenine (23h59)
Gaby Amarantos (01h20)

Domingo (26/02)
Antúlio Madureira (16h00)
Cia. Forrobodó (16h00)
Maestro Duda (20h00)
Karynna Spinelli (21h20)
Maestro Forró & Orquestra Popular Da Bomba Do Hemetério (21h20)
Andreia Luiza (22h40)
Belo Xis (22h40) 
Gerlane Lopes (22h40) 
Luísa Pérola (22h40)
Patusco (22h40)
Ramos Silva (22h40)
Jorge Aragão (0h10)
Leci Brandão (1h30)

Segunda-feira (27/02)
Gustavo Travassos (21h00)
Orquestra Contemporânea De Olinda (22h20)
Titãs (23h40)
Jota Quest (1h00)

Terça-feira (28/02)
André Rio (20h00)
Luciano Magno (20h00)
Geraldo Azevedo (21h20)
Alceu Valença (22h40)
Elba Ramalho (0h00)

Orquestrão (2h30)


Veja a programação completa:


Programação Carnaval Recife 2017 












Fonte: Folha PE

MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




03 - Dalva e Herivelto


Para o universo de Herivelto, a Europa soava muito distante. Para quem nasceu numa cidadezinha do interior do Rio de Janeiro, chamada Paulo de Frontin, ele já estava no “primeiro mundo”: estava na Capital Federal. Ainda moleque, foi com a família para Barra do Piraí, paixão que o acompanhou até a morte. Herivelto fazia questão de dizer que era de Barra do Piraí. Que tinha nascido lá. Meus avós paternos, Carlota e Félix Bueno Martins, eram pessoas humildes e rígidas. Forjaram a personalidade de meu pai de um jeito muito duro. Na rua, com os amigos, meu pai era um sujeito maravilhoso, engraçado, vivia cercado de gente. Dentro de casa, com a família, era durão, intransigente, até cruel. Desde cedo, a música esteve dentro dele e, mesmo aprendendo a cortar cabelo para trabalhar na barbearia do pai, sentia que a música o chamava. A família havia se transferido para São Paulo quando o sonho falou mais alto: pegou o trem e saltou no Rio. Passando por um circo, procurou algo para fazer. O dono perguntou se já havia trabalhado como palhaço. É claro que ele disse “sim”. Nascia o palhaço Zé Catimba, sem nunca ter pisado num picadeiro. A carreira de palhaço não durou muito, mas deu para segurar, artridurante algum tempo, a fome e o sustento. A música continuava seduzindo-o e, ao conhecer Francisco Sena, um negro muito musical, Herivelto, que era muito claro, teve a ideia de formar a Dupla Preto e Branco. Trabalharam juntos de 1933 a 1935, quando morreu Sena, o bom crioulo, como Herivelto o chamava. Depois de algum tempo, foi substituído por um negro boa-pinta, Nilo Chagas. Um pouco distante daí, outra história começava e ia se juntar lá na frente à história de Herivelto. Uma menininha nascia em Rio Claro, interior de São Paulo. Sua mãe, Alice, era pessoa simples, filha de portugueses. O pai, o marceneiro Mário, tocava clarinete e era boêmio até a alma. Tão boêmio que sonhava com a chegada de um primogênito, filho homem, a quem daria o nome Vicente, para acompanhá-lo na farra. Mas nasceu uma menina, chamada Vicentina. Quando cresceu um pouco, o pai a transformou em sua grande companhia. Chamava-a de Vicente e a levava aos bares de Rio Claro. O marceneiro Mário era meu avô, e sua filha Vicentina, minha mãe: ela foi o filho homem que vovô queria ter. Minha mãe contava que, ainda menina, aprendeu a tomar cachaça com ele. Para o resto de sua vida, ela não iria esquecer esses ensinamentos. Lamentavelmente. Vicentina teve três irmãs: Lila, Margarida e Nair. Todas extremamente musicais, mas não seguiram a carreira. Lila cantou alguns anos com Djalma Ferreira na Boate Drink, em Copacabana, e desistiu. Margarida tinha voz linda, fez coro em algumas gravações e chegou a trabalhar com Herivelto, como cabrocha de sua Escola de Samba. De Rio Claro, a família foi para Belo Horizonte. Depois de algum tempo, transferiu-se para São Paulo, onde as chances seriam maiores para Vicentina, que impressionava a todos com sua bela voz e sonhava com a carreira artística. Em São Paulo, ela começou a ter aulas de canto com o professor Gambardella, que aprimorou seu canto, treinando-a em cançonetas de óperas conhecidas, como a Viúva alegre. Como é natural para qualquer principiante, ela não tinha repertório definido, cantava nos programas de calouros os sucessos da época, criações muitas vezes inadequadas a sua voz. Mas o Rio de Janeiro era a metrópole que atraía os talentos de todo o país para seus palcos e, naturalmente, a projeção nacional. Era o grande sonho. Muito magrinha, bastante tímida, foi audaciosa e se inscreveu no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso. Um tremendo desafio. Já havia adotado o nome artístico Dalva de Oliveira — detestava o Vicentina. Chamada ao palco, tremia muito. Fez o melhor que sabia. Ao terminar, assustada, ouviu do temido Ary Barroso: “Minha senhora, quer um conselho? Volte imediatamente pro tanque, de onde nunca deveria ter saído. Vá lavar roupa, a senhora jamais deveria abrir a boca pra cantar!”. Minha mãe chorou muito. Mas, graças a Deus, e para sorte da música popular brasileira, não permitiu que o “conselho” abalasse seu sonho. Continuou estudando, tentando a sorte. Anos depois, já reconhecida como grande cantora, recebeu um pedido de desculpas de Ary Barroso, acompanhado da música “Folha morta”, transformada por Dalva em grande sucesso. Além de capital do país, o Rio de Janeiro era nosso grande centro cultural, a meta a ser conquistada por Dalva. Trabalhando num teatro mambembe em São Cristóvão, o Teatro Pátria, ao ser abordada em 1936 por um sujeito magrinho, de olhos azuis, meio Sinatra, meio matuto, Dalva mal podia imaginar o que o destino lhe reservava a partir desse encontro. Herivelto apresentava um número de palhaço no teatro, o do “Zé Catimba”, para ganhar um dinheirinho extra, além dos cachês dos shows da Dupla Preto e Branco, realizados em espaços invariavelmente mambembes. Dalva começou a assistir aos ensaios da dupla, à tarde, no teatro. Herivelto passou a prestar atenção nos números de Dalva: a voz linda, a extensão vocal o impressionavam. Às vezes, jantavam juntos após as apresentações no teatro, e ele a levava até a pensão onde ela morava. De brincadeira, numa daquelas tardes, quando Dalva ensaiava um de seus números, Herivelto começou a fazer uns contracantos. Príncipe Pretinho, sempre por perto de Herivelto, assistia. Impressionado com o resultado, aplaudia entusiasmado. Eureca!, pensou Herivelto, já sentindo o “encaixe” da tessitura e vislumbrando a descoberta de um novo caminho para ele poder evoluir artisticamente. Aliás, para os dois. Era uma complicada descoberta, como sabem os entendidos: é muito difícil trabalhar com vozes feminina e masculina juntas. Primeiro, Herivelto começou a testar os arranjos da dupla com Dalva, depois “abriu as vozes”, separando a parte de Dalva das vozes masculinas, costurando os uníssonos e contracantos. O resultado ficou maravilhoso. Passaram a trabalhar juntos. Ficavam ensaiando até tarde, nos bancos do campo de São Cristóvão, depois do teatro. Da música se fez paixão. Da paixão se fez música: uma espécie de “religião” entre eles, o grande elo. Cada vez ficavam mais tempo juntos, o namoro ia rolando, ficando a cada dia mais firme. Herivelto, vendo em Dalva um diamante bruto a ser lapidado, começou a desempenhar seu papel de “Pigmalião”. Pesquisou um repertório adequado à extensão vocal de Dalva, trabalhou sua postura no palco, escolheu os primeiros figurinos, ensaiou exaustivamente a performance dos três: Dalva e a Dupla Preto e Branco. Levados à Rca Victor pelo amigo e ardoroso fã do novo trabalho, Príncipe Pretinho, gravaram o primeiro disco em 78 rotações, com duas composições de Príncipe: “Ceci e Peri” e “Itaquari”. Corria o ano de 1937. Foi o início de uma grande escalada. Começaram a gravar, a se apresentar em shows, em rádios: “Dupla Preto e Branco e Dalva de Oliveira, um trio de ouro!”, anunciava o comunicador César Ladeira, na então famosa Rádio May rink Veiga. Ficava assim batizado: o Trio de Ouro. 



* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

PADEIRINHO, 90 ANOS

domingo, 5 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


Todos nós sabemos da importância das contribuições tanto de Vinicius de Moraes quanto de Baden Powell para a música popular brasileira. De um lado um dos mais expressivos compositores da MPB e que traz sob a sua assinatura alguns dos grande clássicos da MPB; do outro um não menor compositor, que trazia como característica mais marcante não a interpretação das canções de sua lavra, mas o violão que brilhantemente executava. Hoje, de ambos, só nos resta a saudade e uma discografia pontuada por alguns discos que entraram para o rol dos grandes álbuns já produzidos no Brasil. Uma prova irrepreensível desta afirmação completou ao longo do ano passado, cinco décadas de lançamento: Os Afro-sambas, considerado por muitos críticos como um divisor de águas na música brasileira por fundir vários elementos da sonoridade africana ao samba. Composto por oito faixas, o disco apresenta uma rica e singular musicalidade, que traz uma mistura de instrumentos do candomblé e da umbanda (como atabaques e afoxés) com timbres mais comuns à música brasileira (agogôs, saxofones e pandeiros). Dentre as canções presentes no disco está lá "Canto de Ossanha", futuro clássico da MPB, que conta com a participação nos vocais da atriz Betty Faria e na flauta de Nicolino Cópia. Os Afro-sambas tem arranjos e  regência do Maestro Guerra Peixe e participação especial nos vocais das meninas do Quarteto em Cy. No entanto a coluna de hoje não irá prender-se a importância de ambos para a nossa música pois isso já é público e notório. O que me fez relembrar o nome desses dois emblemáticos artistas foi a a música "Samba em Prelúdio", canção indefectível que teve o seu primeiro registro em disco por outro grande nome de nosso cancioneiro: Geraldo Vandré, que em 1963 (um ano após ser composta) a registrou.

Baden Powell costumava relatar que ao compor a melodia de "Samba em Prelúdio" chamou Vinicius (quem considerava "mais que um pai") para ouvir a música que compusera. Na cabeça do melodista só um letrista seria capaz de colocar uma letra digna daquela romântica e bela canção: Vinícius de Moraes. O poetinha ouviu a melodia uma, duas vezes e, sentados à mesa, deram início a empreitada de fazer uma letra para aquela melodia. Com papel, caneta, whisky e violão, começaram a parceria daquela canção que se destacaria anos mais tarde na obra de ambos. Secaram a primeira garrafa de whisky e nada... secaram a segunda garrafa de whisky e mesmo assim não havia surgido nada que pudesse ser considerada como a letra daquela melodia. Na terceira garrafa da bebida, enquanto a letra não saía, Vinícius de Moraes, constrangido, disse achar que a música era plagiada de Frédéric Chopin, ao que Baden Powell respondeu: "Você que bebeu demais e está implicando comigo!". Estava armado o impasse e este imbróglio só conseguiu ser solucionado quando Lucinha, então mulher de Vinícius, foi acordada às 3:00 da madrugada para tirar essa dúvida da dupla. Recorreram à Lucinha porque ela além de pianista ardorosa fã de Frédéric Chopin e conhecia toda a obra do músico polonês. Ao constatar que estava errado e que as notas realmente eram originais de Baden PowellVinícius de Moraes ficou sem graça e disse: "Então, Baden, Chopin esqueceu de fazer essa". Com a dúvida sanada, o poetinha pode, finalmente, inspirar-se à máquina de escrever e fazer a letra inteira da música "Samba em Prelúdio", uma das mais belas canções da dupla que já ganhou registro de alguns dos maiores nomes do cancioneiro brasileiro tais quais Toquinho, Paulinho Nogueira e outros.

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

PEDRINHO MATTAR, 10 ANOS DE SAUDADES

No ano em que completaria oito décadas de vida, o ano também é marcado por sua partida a exatamente uma década

Resultado de imagem para Pedrinho Mattar


Começou a tocar piano aos oito anos de idade. Studou piano clássico com a professora Helena Plant.

Iniciou sua carreira profissional em 1953,

acompanhando cantores em festivais realizados na União Cultural Brasil-Estados Unidos de São Paulo, onde estudava. No ano seguinte, formou o Pedrinho Mattar Trio. 

Em 1959, viajou para Las Vegas, acompanhando a cantora Leny Eversong. 

Em 1960, tocou com Agostinho dos Santos em shows realizados pelo cantor no Uruguai e na Argentina. Ainda nesse ano, conheceu Claudette Soares, com quem se apresentou em casas noturnas durante dez anos. Nesse período, participou de shows de bossa nova no Rio de Janeiro e em São Paulo. 

Foi o responsável pela produção musical do programa televisivo de Bibi Ferreira, solando ou acompanhando convidados. Chegou a ter seu próprio programa na TV Excélsior, o "Boa tarde, gente". 

Atuou como pianista da casa Juão Sebastião Bar (SP), onde acompanhou diversos artistas, como Marisa Gata Mansa e Chico Buarque de Holanda. 

Em 1962, tocou com Maysa, em apresentações realizadas pela cantora em Portugal e Espanha. Ainda nesse ano, lançou seu primeiro LP, "Pedrinho Mattar Trio", seguido por "Pedrinho Mattar Trio número 2" (1963) e "Pedrinho Mattar Trio número 3" (1964). 

Interpretou a "Rhapsody in blue", de George Gershwin, em 1965, acompanhado por Orquestra Sinfônica sob regência de Diogo Pacheco. 

Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro. 

Excursionou pelo Brasil acompanhando Miele e Sandra Brea. 

Trabalhou também no teatro, em peças como "Fica combinado assim" (1971) e "Misto quente" (1972). 

Em 1971, gravou o LP "Um show de Mattar". Acompanhou Cauby Peixoto pela Argentina e Raul Solnado pela Venezuela. 

Convidado pela Rádio Ministério da Educação, participou durante muito tempo do programa "Concertos para a Juventude". 

Em 1979, reuniu grande público ao tocar nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. 

Na década de 1990, lançou os CDs "Pianomania" (1996) e "As vinte profecias" (1997). 

Dividia seu tempo entre apresentações em casas noturnas, shows no exterior e a apresentação de programas, como o "Pianíssimo" (Rede Vida).

Faleceu no dia 7 de fevereiro de 2007.


Fonte: Dicionário da MPB

sábado, 4 de fevereiro de 2017

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior



SÉRIE DOSE DUPLA – CRÔNICAS SÁTIRAS E LETRAS JOCOSAS – “17.700”


Dezessete e Setecentos: que conta difícil prá daná!

Essa é uma das melhores da série. O acontecido é rotina do cotidiano. Questão de troco, aritmética rápida, somar e diminuir em dois tons.

A gente, nossa, lá de cima, adora um presepada, um embaraço, um pergunta charada, para, ‘quebrar o gelo’. Por isso, o dialeto lá do meu Nordeste é recheado de cifras e segredos.

Dia desses, me vi numa enrascada: há quase 40 anos aqui em São Paulo, vez por outra vem um vocábulo que está na memória mais ancestral. Eu disse: “Oh, Eva, tu tens um birilo para eu tentar futucar um buraco aqui e encontrar um pitoco” – Minha mulher, Eva, virou-se e aparvalhada, pediu: “Dá para repetir a frase inteira?. Eu só entendi a palavra buraco”.

É verdade que Evinha tem pequena deficiência auditiva, mas já nos entendemos pelo olhar. Pois bem, parece que o problema não foi nem futucar e nem mesmo pitoco. A questão foi a palavra que biliro, que confesso, não me lembro de pronunciar desde a infância. Minha avó, Maria, usava muito para fazer o cocó no cabelo.

Rápida no gatilho, minha mulher, agora com mania de google para cá, google para acolá, ameaçadora, disse: “Vamos ver se existe essa palavra!”, resmungou.

Ainda fiz um embargo declaratório: “Vá direto ao dicionário, que é o lugar correto de ser aprender o significado das palavras, mesmo os regionalismos”. Ela insistiu no ‘gugo’ e veio o metal berilo, por aproximação.
Insisti no dicionário – Aurélio, Houaiss, até Jânio servia -. O Michaelis resolveu: “birilo – (reg PB-PE) espécie de grampo para amarrar cabelo”.

Se estivesse jogando “forca”, estaria a um pé do cadafalso. Minha amada, então, só se ria. Salvei-mei pela convicção. Questão de memória afetiva, vocês entendem não é! Morrendo de medo…..

Afinal, ela não tinha birilo, nem grampo, não pude futucar, nem achar o pitoco (vernáculo eternizado nacionalmente pelo genial Antônio Nóbrega, que tem entre seus músicos um rapaz com esse singelo apelido).

Hoje, estou aqui para reproduzir aos senhores uma das canções que mais me encantam na série “Dose Dupla” – Crônicas, o humor, o jocoso etc.

Esse introito foi conversa de beira de calçada, ou de mesa de bar, que o encadeamento de ideias me impeliu registrar no papel.

Perdão, pois, se me alonguei. Mas, como diria Chicó, “tudo que disse acima é a pura expressão da verdade, embora não saiba nem dizer o porquê” (Ariano Suassuna).

A história da música “Dezessete e Setecentos” é longa e ensejará a feitura de mais um “Megaphone” que explicará, amiúde, os caminhos, inusitados por onde está canção de Luiz Gonzaga e Miguel Lima fizeram nos anos 1940. Trata-se, como citei acima de uma conta trivial de somar e diminuir, atrapalhada pela semelhança fonética das possibilidades de troco, para quem deu 20 mil réis para pagar 3 mil e 300…O jogo de palavras, a ligeireza, o contraponto de melodia e aliteração chegam as nos “embananar”. Eu já me embanenei….Ouçam com Gonzaga:

Dezessete e Setecentos, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima,com Luiz Gonzaga –
Álbum “Chamego”, de 1958



Eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Dezessete e setecentos!
Dezesseis e setecentos!…

Mas se eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Porque dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Sou diplomado
Frequentei academia
Conheço geografia
Sei até multiplicar
Dei vinte mango
Prá pagar três e trezentos
Dezessete e setecentos
Você tem que me voltar…
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!

Mas se eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Eu acho bom
Você tirar os nove fora
Evitar que eu vá embora
E deixe a conta sem pagar
Eu já lhe disse
Que essa droga está errada
Vou buscar a tabuada
E volto aqui prá lhe provar…

Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!…

Mas se lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Porque dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Não, pera aí
Mas se lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas porque
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Mas olha aqui rapá
Dezesseis e setecentos!
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Mas não é dezessete e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Então deixa
É por isso que não gosto
De discutir com gente ignorante
Por isso é que o Brasil
Não “progrede” nisso…


Aqui uma versão do grande Jackson do Pandeiro, mestre do coco, das emboladas, sambas, dono de grandes sucessos nacionais:

Sobre Miguel Lima, sabe-se que foi o primeiro grande parceiro de Gonzagão, antes mesmo de Humberto Teixeira. Os dois fizeram dezenas de parcerias, entre elas “Chamego”, gravado em 1944, por Carmem Costa.

As informações sobre sua origem e biografia são limitadas. Nem mesmo o “Dicionário de Ricardo Cravo Albin” consegue iluminar seus dados artísticos e biográficos…

Poderia ter recorrido a Abílio Neto, Bruno Negromonte, Xico Bizerra, Pelão e alguns mestres-pesquisadores amigos. Mas não deu tempo….

Semana que vem, tem mais….

ALCEU VALENÇA RECUPERA “DISCO PERDIDO” GRAVADO NA FRANÇA


Por José Teles



Um disco revestido da condição de lenda. Muitos juravam que não existia. Outros que foi gravado, mas se perdeu. Eis que em 1998, foi anunciado que o tal disco seria lançado. A lenda materializou-se em um CD, o Saudade de Pernambuco, de Alceu Valença, gravado num estúdio nos arredores de Paris, com o guitarrista Paulo Rafael, Zé da Flauta, e o percussionista Fernando Falcão. Foi distribuído como encarte do já extinto Jornal da Tarde, de São Paulo, numa série intitulada Sertanejo & Forró. Esgotaram-se, rapidinho, os 45 mil disquinhos comprados junto com o jornal.

O disco merecia melhor destino, tanto pelo repertório, quanto pelo que significou na carreira do artista, nascido enquanto viveu o que ele chamava de “exílio cultural” na França. Depois de três discos pela Som Livre, Alceu Valença deixou a gravadora e foi para a França. Seu agente no Brasil tentava convencer os executivos a o contratarem, mas recebeu repetidas recusas:. “Na Phonogram (hoje Universal), responderam que a quota de malucos deles estava completa, já tinham Raul Seixas”. Lembrou o cantor, em entrevista ao titular deste blog, quando Saudade de Pernambuco quando o disco estava sendo vendido em bancas.

Saudade de Pernambuco ganha agora uma edição como merecia, remixada, masterizada, e é incorporado à discografia oficial de Alceu Valença, um elo perdido na evolução de sua música. Na capa o cantor aparece numa fotografia no parque Jardin de Luxembourg, em Paris, mezzo cangaceiro, mezzo Luiz Gonzaga (o título de vem um baião homônimo lançado por Lua em 1953, de Sebastião Rosendo e Salvador Micelli).

Alceu avaliou a importância do disco, na citada entrevista, um trabalho que classificava como um divisor de águas em sua obra:

“Os meus primeiros discos, principalmente Molhado de Suor, têm uma sonoridade única, ninguém fazia aquilo no Brasil, mas a coisa do rock era mais intencional do que formal. Até em Espelho Cristalino havia o rock como intenção, mas as melodias eram bem nordestinas. Quando estava na França comecei a repensar isto. Ora, velho, quando passei um tempo nos Estados Unidos eu cantava coco nas praças, e os americanos gostavam, então pensei, por que nós também não curtimos esta música, por que elas continuam apenas como uma coisa folclórica? Comecei a lembrar na música de Pernambuco, coco, caboclinho, maracatu, teve também muita influência da convivência com Jackson do Pandeiro. Durante 1978, passei um ano fazendo turnê com ele. Então este disco deu uma nova direção à minha música”.

Saudade de Pernambuco chega às lojas, no dia 20, em formato físico (CD e Vinil) na caixa Alceu Valença 70, que abriga ainda os três discos solo do artista lançados pelo Som Livre, Molhado de Suor(1974), Vivo! (1976), e Espelho Cristalino (1977). O “pacote” Alceu Valença 70 (anos), é coroado pelo DVD Vivo/Revivo, registro de show realizado no Teatro de Santa Isabel, em 9 de outubro de 2015.

Confiram Alceu Valença em Saudade de Pernambuco (na versão de 1998):

LinkWithin