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sábado, 12 de dezembro de 2020

CANÇÃO INFANTIL 'BABY SHARK' É O VÍDEO MAIS ASSISTIDO DO YOUTUBE

Canção foi produzida na Coreia do Sul e virou uma sensação mundial no Youtube




A grudenta e repetitiva canção infantil 'Baby Shark' se tornou o vídeo mais assistido do Youtube, ao superar sete bilhões de reproduções. Pesadelo dos pais e professores de todo mundo, a canção produzida na Coreia do Sul passou do âmbito infantil do Youtube e virou uma sensação mundial, com uma melodia cativante e um vídeo hipnótico e colorido.

'Baby Shark Dance', a versão em inglês da canção, registrou mais de sete bilhões de reproduções no Youtube na madrugada desta segunda-feira, destronando 'Despacito', da dupla Luis Fonsi e Daddy Yankee, como o vídeo mais assistido da plataforma.

A onipresente canção infantil, disponibilizada pela primeira vez no Youtube em junho de 2016, é um remix de uma canção de acampamento americano da produtora Pinkfong, com sede em Seul. O sucesso no Youtube abriu o caminho para entrar nas paradas musicais: a canção atingiu a posição 32 na Billboard Hot 100 em janeiro de 2019.

No caminho para a fama, a música também conquistou o coração de muitos adultos. A equipe americana de beisebol Washington Nationals a adotou como hino e venceu a 'World Series' do ano passado, o que levou a Casa Branca a reproduzir a melodia durante as celebrações.

Mas a canção também foi usada em momentos menos festivos. A cidade americana de West Palm Beach, na Flórida, a usou para desencorajar os sem-teto a permaneceram em uma área pública. Outro uso foi pedagógico: o serviço de luta contra a pandemia de covid-19 fez uma versão com o coronavírus como tema. "Wash Your Hands" ("Lave suas mãos") ensina às crianças a importância da higiene pessoal.

Duas das quatro canções mais reproduzidas no Youtube nasceram na Coreia do Sul. O hit do rapper Psy "Gangnam Style" permaneceu no topo do pódio por mais de três anos, mas foi superada por "See You Again" de Wiz Khalifa.
Fonte: AFP

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

BANDA DE PERNAMBUCO OFERECE EXPERIÊNCIA SENSORIAL AO PÚBLICO

Experimento musical criado pelo grupo Estesia resgata memórias e emoções da plateia por meio de sessões individuais, realizadas via aplicativos ou prosaicas ligações telefônicas



Banda Estesia propõe uma nova forma de levar arte ao público, subvertendo o formato das lives durante esta pandemia (foto: Deborah Barros/divulgação)

Um lugar confortável, luz desligada, fones a postos, celular carregado e conectado com a internet. Esses são os pré-requisitos para começar a experiência Estesia 1pra1, desenvolvida pelo grupo musical pernambucano Estesia. O projeto é realizado de forma individual – um integrante do grupo, durante 30 minutos, conduz o espectador a uma viagem por meio de memórias, emoções e sensações. O “meio de transporte” pode ser YouTube, WhatsApp, e-mail ou uma simples ligação telefônica.

“Cada vez mais, temos usado as redes sociais. Sinto que estamos construindo redes de afeto por meio delas e é interessante desvirtuar um pouco essas plataformas. É como se disséssemos: vamos fazer arte de qualquer forma”, afirma Tom BC, integrante do Estesia.


MESMICE

O projeto foi criado com a intenção de fugir dos formatos de apresentação musical disseminados durante a quarentena. “Tínhamos vontade de usar plataformas diferentes para não cair na mesmice das lives”, explica Tom.

O grupo busca a proximidade, apesar do distanciamento imposto pela pandemia. “Decidimos construir algo que usasse as redes sociais para compartilhar o nosso trabalho artístico e o afeto de estar presente”, afirma o artista. As sessões da experiência Estesia 1pra1 custam R$ 25. Até este sábado (8), elas podem ser agendadas no Instagram da banda.

Já na terceira temporada, o experimento atraiu pessoas de 29 cidades brasileiras, além de espectadores nos Estados Unidos, Uruguai e Alemanha. A experiência é conduzida por Tom BC, Carlos Filho, Cleison Ramos e Miguel Mendes.

“É estranho, um misto de emoções. Desgasta um pouco a gente, pois você está expondo suas memórias e compartilhando coisas íntimas com pessoas que não conhece. Ao mesmo tempo, é muito gratificante”, conta Tom.

O grupo Estesia foi criado em 2016, no Recife, com o propósito de fazer apresentações musicais diferenciadas. 1pra1 se inspirou no projeto Tudo que coube numa VHS: Experimento sensorial em confinamento, da companhia de teatro Magiluth, também de Pernambuco.

“Olhei (o projeto do Magiluth) e falei: poxa, tem uma coisa diferente aí. Tentamos contar as memórias através da música. Não só as memórias, mas também as sensações”, comenta Tom, garantindo que cada sessão é uma nova descoberta.

“O público também divide suas memórias pessoais com a gente. Algumas pessoas torturadas na ditadura, por exemplo, compartilharam as memórias daquela época. Fico feliz de uma coisa tão pessoal afetar as pessoas, de elas responderem de forma tão pessoal”, diz Tom.

No primeiro momento, o pernambucano ficou em dúvida sobre a eficácia da experimentação. “Pensei: Será que alguém vai se identificar? Vi que sim, as questões que compartilhamos são iguais para todos. Não imaginava o quanto aquilo que produzimos afetaria as pessoas de formas diferentes”, comemora Tom.

A resposta do público é um incentivo, revela o integrante do Estesia. “O feedback está sendo bem maior do que se fôssemos fazer uma live.”


FALHAS

Aplicativos e plataformas conectados à internet obrigaram o grupo a lidar com imprevistos durante as apresentações. “Falhas técnicas acontecem. A mais comum é a ligação do telemarketing. De vez em quando, acontece de a pessoa não conseguir receber ou não aceitar. Também ocorre da pessoa não ter o aplicativo baixado (YouTube e WhatsApp). É como no palco, vamos contornando os imprevistos”, revela Tom BC. 

O músico confessa sentir saudades dos espetáculos presenciais, inviabilizados pela pandemia da COVID-19. “Nunca me considerei alguém que sente a falta de pessoas. Mas nesses últimos tempos tenho sentido necessidade do calor humano, dos corpos, de ter pessoas ao redor. Sinto falta de simplesmente estar ao lado de uma multidão”, conclui.


ESTESIA 1PRA1
. Projeto do grupo Estesia
. R$ 25
. Agendamentos até este sábado (8) pelo Instagram (@estesiaestesia) ou WhatsApp: (81) 99473-5552


Fonte: Estado de Minas

quarta-feira, 29 de julho de 2020

ENTENDA COMO A MÚSICA PODE AJUDAR VOCÊ A SE CONCENTRAR

Determinadas partes do cérebro responsáveis pela cognição e memória são ativadas durante a audição de uma canção.

Por Iarema Soares


A separação entre o ambiente de trabalho e o de casa caiu por terra com a aplicação da medida de distanciamento social. O quarto ou sala, que eram locais de descanso e entretenimento, transformaram-se em escritórios. Manter a concentração para executar as tarefas de trabalho se tornou um desafio, afinal, as possibilidades de distrações são inúmeras. É a cama que convida para uma esticada no sono, é o filho pedindo atenção ou o pet querendo brincar. Para sobreviver a estas pequenas armadilhas diárias, diversas pessoas recorrem à música para se manterem focadas e com bom rendimento no trabalho. 

Trabalhar de casa, em situações pontuais, fazia parte da rotina da jornalista Marta Karrer, 23 anos, moradora de Porto Alegre. Contudo, isso não significava que ela gostasse da circunstância. A sensação de baixa produtividade e pouca motivação eram e são frequentes. Além disso, ela relata que o posto de trabalho em casa não é o mais adequado, já que a iluminação do quarto, velocidade da internet e conforto da cadeira não se comparam ao do coworking, no qual trabalha atualmente.



Marta comenta que, no escritório, as pessoas gostavam de conversar umas com as outras e circulavam bastante pelo ambiente. Para sinalizar que ela precisava de foco, a jovem lançava mão de um artifício: 

— Colocava meus fones de ouvido, e isso não mudou. Aqui em casa, tenho o mesmo comportamento, porque o vizinho usa a máquina que aspira folhas todas as manhãs, minha mãe trabalha de casa, por chamada de vídeo. Para tentar fugir dessas interferências, dou play em músicas pop e nas trilhas sonoras de musicais bem animadas. Alterno também com jazz e rock, como a da Bordines (banda gaúcha). 


Angela Wyse, professora de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Academia Mundial de Ciências, explica que, ao ouvir uma música prazerosa, ativamos o córtex auditivo, mas também outras estruturas do cérebro. 


— As canções atuam fortemente na região do hipocampo e córtex cingulado, que são as áreas importantes para o processo de aquisição e consolidação de memórias. O córtex auditivo e as estruturas do cérebro ligadas ao processamento das emoções são estimulados pela música, e isso resulta em um desempenho, temporariamente, melhor dos processos cognitivos, como a aprendizagem, a atenção, a fixação de memória e o raciocínio.


Mais foco e menos ansiedade 


Quando o burburinho ficava alto no escritório, Annahy Pedroso, 28 anos, que trabalha como analista fiscal, em Guaíba, sacava da gaveta o par de fones de ouvido. Em casa, esse barulho externo desapareceu, mas ela reconhece que o período de home office está sendo desafiador, por ser algo que ela nunca tinha experienciado antes.

— Achei que seria fácil, mas exige muita disciplina e organização. Então, procurei resgatar alguns hábitos. Assim como tomo café preto todos os dias de manhã, já ligo a caixinha de som assim que sento para trabalhar para conseguir me concentrar melhor. Dou preferência para rock dos anos 1970 e 1980, como Queen.

Além da música, Annahy faz uso de outros elementos sonoros. A pequena fonte elétrica que emite um ruído de água corrente também a auxilia a ter mais foco:

— A música e esses sons mais tranquilizantes me ajudam a manter o foco, mas também melhoram o meu humor. Quando não estou com a caixinha ligada, sinto que eu absorvo mais os problemas do trabalho, fico mais ansiosa e nervosa. A música é minha aliada para os momentos de maior apreensão. 


A professora de Bioquímica da UFRGS aponta os motivos desta relação: 

— Muitas hipóteses apontam ainda que a música e ruídos suaves diminuem a secreção de cortisol (hormônio responsável pelo controle do estresse), baixa os níveis de ansiedade e melhora os distúrbios de humor — afirma ela citando o artigo Mozart, Música e Medicina, publicado em 2014. 

Pesquisadores do Mindlab, instituto britânico que realiza estudos referentes ao impacto que a comunicação exerce sobre o nosso cérebro, fizeram uma descoberta no artigo Um estudo que investiga os efeitos do relaxamento da faixa musical Weightless, publicado em 2012. Foi visto que a canção Weightless, da banda Marconi Union, feita em parceria com a British Academy of Sound Therapy, reduzia em 65% a taxa de ansiedade de pessoas que participaram ao experimento, no qual deveriam resolver um quebra-cabeça considerado difícil. Na lista de músicas relaxantes da pesquisa aparecem Someone Like You, da Adele, Strawberry Swing, do Coldplay, Upside Down, do Jack Johnson, entre outros.

Do silêncio à música contemporânea

Apesar do sistema judiciário ter paralisado suas atividades e suspendido todos os prazos dos processos judiciais até 3 de maio, o advogado Alexandre Pereira, 24 anos, trabalha de casa redigindo petições. O domicílio, que é dividido com os dois irmãos mais novos e os pais, na zona sul da Capital, tem seu grau de barulho. Por isso, os fones estão sempre posicionados nos ouvidos.

— Essa foi minha estratégia. Meus fones são meus companheiros. Dentro de casa, é difícil ter silêncio absoluto, como no escritório. Eu escuto música para realizar minhas atividades desde o colégio. Naquela época, estudava ouvindo música, foi um hábito que adquiri. Escuto muito jazz, música contemporânea, blues e até podcasts, quando a atividade não exige muita concentração. Quando requer foco absoluto, somente o silêncio ajuda — relata. 

Julie Wein, doutora em Neurociências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cantora e compositora, explica que nem todo mundo consegue dar play em um som enquanto trabalha ou estuda, porque são funções que podem competir com o cérebro. 

— Se você está lendo um texto e escuta música com letra, a região do cérebro que processa a linguagem será duplamente demandada. Neste caso, é aconselhado ouvir algo instrumental. O ideal é que a música não te distraia da atividade a ser feita, mas que você não fique habituado a ela, por isso, evite canções com ritmo constante. Molde a playlist conforme a tarefa. Para a faxina, é melhor deixar tocar algo mais agitado, porque isso fará com que seu nível de prontidão, ânimo e disponibilidade aumente — destaca. 

Era com esse objetivo que o preparador físico Carlinhos Neves, 63 anos, colocava os jogadores do Grêmio para dançar em 1988. Com o aval do técnico Otacílio Gonçalves, Neves trouxe uma nova abordagem para os aquecimentos e pós-jogo do Tricolor. 

— Pegava as fitas cassete e colocava as músicas da banda Conexão Japeri, Chopin e Astor Piazzolla para tocar para que eles pudessem relaxar a musculatura, reduzir a frequência cardíaca e tirar a tensão do jogo. Alguns se divertiam mais, até ensaiavam alguns passos. Até hoje, quando encontro o João Antônio (Martins), ele vem dançando na minha direção — diverte-se Neves, que viu o "Grêmio Show", como ficou conhecido na época, ser campeão gaúcho naquele ano. 


Existe a playlist perfeita?

A doutora em Neurociências pela UFRJ destaca que as pessoas reagem de maneiras diferentes às canções e que o indicado é que a pessoa teste e monte playlists conforme aquilo com que ela tenha afinidade.

— O que a ciência sabe é que cada pessoa reage de maneira diferente ao estímulo musical. Umas pessoas se sentem motivadas, concentradas, outras ficam atrapalhadas e umas indiferentes. Sabe-se também que o indivíduo precisa gostar do ritmo a ser escolhido e ter o hábito de fazer aquilo — afirma Julie.

Angela faz coro à afirmação: 

— Não existe receita de bolo ou fórmula mágica. É preciso se conhecer para saber o que melhor se adapta a você. Mas, além da música, o que faz bem para concentração é ter uma boa noite de sono, intercalar períodos, de duas horas, de alta concentração com intervalos de 10 minutos.

Luís Augusto Fischer, professor do Instituto de Letras da UFRGS e colunista de GaúchaZH, ouve algumas determinados estilos de música enquanto escreve. Entre os preferidos estão Steely Dan e Santana, Novos Baianos, Joaquim Calado, um compositor do final de século 19, parceiro da Chiquinha Gonzaga. Os clássicos Concerto para clarinete, de Wolfgang Mozart de Quartetos de cordas, de Ludwig Beethoven também estão lista. Canções, segundo ele, "para a inteligência voar bem acompanhada".

O músico Beto Bruno, ex-vocalista da Cachorro Grande, afirma que usa a música para se ter foco em toda e qualquer atividade cotidiana e que o estilo preferido é o rock dos anos 1950 até o contemporâneo. Contudo, ele passeia por outros nomes renomados da música popular brasileira, como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa e o gaúcho Nei Lisboa.

Miles Davis e John Coltrane não saem dos ouvidos de Alê Garcia, escritor, publicitário e podcaster. Os dois gênios do jazz não estão ali a toa, Garcia acredita que este gênero "é ótimo para concentrar, focar e dar ânimo para o trabalho.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

MÚSICA 8D: CINCO PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A TECNOLOGIA DE ÁUDIO

Entenda como funciona e o que você precisa para curtir músicas 8D

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Música 8D é um estilo de áudio que causa a sensação de direção e movimento no espaço. A canção Hallelujah, por exemplo, apareceu em grupos de WhatsApp nos últimos dias. A versão da banda Pentatonix e vídeos de outros grupos pelo YouTube, chamam atenção pelas várias vozes reproduzidas de diversos lados. Para chegar nesse resultado, são necessárias determinadas técnicas de edição, e o efeito aparece melhor em fones de ouvido com som estéreo. Confira a seguir cinco perguntas e respostas sobre músicas 8D e saiba a melhor maneira de ouvir áudios do tipo.

No Whatsapp, a corrente que traz Hallelujah na versão 8D da banda Pentatonix circula com um texto que aponta para a sensação de "ouvir a música com o cérebro, e não com os ouvidos" e de "sentir a música vindo de fora, e não dos fones de ouvido". A noção de posição também tem destaque: "Vai perceber a música passando, dando a volta por trás da sua cabeça, indo de um lado para o outro". Por fim, a mensagem reforça que o efeito aparece "apenas" ao utilizar os dois fones de ouvido.


O que é música 8D?

Som 8D usa técnicas de edição e fones de ouvido para simular som que parece vir de diferentes direções — Foto: Marlon Câmara/TechTudo


Músicas 8D são amostras de som que levam a uma maior imersão, utilizando efeitos para causar a sensação de que os sons estão sendo reproduzidos em diversas direções. Isso acontece por meio de técnicas de mixagem feitas nos canais originais da gravação, dando um aspecto tridimensional. Ao ouvir áudios 8D, é possível sentir o eco, a distância e a direção dos sons, como se o usuário estivesse em uma apresentação ao vivo.


Onde encontrar música 8D?

É possível encontrar música 8D no YouTube principalmente, mas outros canais de streaming de som, como o SoundCloud, também oferecem algumas amostras. Há ainda artistas que se dedicam à criação de som com esse tipo de efeito, como o próprio grupo Pentatonix.

No YouTube, o canal 8D Tunes é especializado nesse tipo de conteúdo e reúne produções de vários estilos de artistas do mundo tudo. Além disso, é possível encontrar também músicas de artistas famosos reeditadas para oferecer a sensação de som 8D, como Bohemian Rhapsody, do Queen.



Áudio 8D é diferente de áudio 3D?

Som binaural é gravado com o uso de microfones e bonecos para simular a forma pela qual nós ouvimos — Foto: Divulgação/KallBinauralAudio


A rigor, não há diferença técnica entre as duas ideias, já que ambas buscam simular a propagação de som de forma direcional por meio de técnicas de gravação, mixagem e efeitos de edição. Mas, em geral, o som 8D é obtido por meio de técnicas de edição, utilizando ferramentas de software. Já o som binatural ou 3D, embora não dispense o uso de técnicas de pós, tem uma relação mais direta com os processos de gravação.


Por que é melhor ouvir música 8D em fones de ouvido?

Basicamente, fones passam melhor a sensação de direção, já que reproduz de modo estéreo, facilitando a variação nos dois lados. A reprodução do som 8D em alto-falantes convencionais pode dificultar essa percepção. Para sentir a diferença, reproduza a mesma música com proposta 8D em uma caixa de som e em um fone de ouvido.


Qualquer fone pode reproduzir músicas em 8D?

Qualquer fone de ouvido dá conta de reproduzir som em 8D — Foto: Divulgação/Drop


Fones de ouvido de segmentos mais premium vão reproduzir som de melhor qualidade e com maior riqueza de detalhes. Apesar disso, um ponto interessante de músicas 8D é que, para experimentar o efeito, não é necessário nada muito sofisticado ou caro. Portanto, qualquer fone pode passar a experiência espacial desse estilo.

terça-feira, 14 de julho de 2020

OS EFEITOS DE OUVIR MÚSICA ENQUANTO TRABALHAMOS

Pesquisas mostram que o tipo de tarefa e o estilo musical tendem a determinar se a atividade vai melhorar ou prejudicar o seu desempenho
Por John R. Aiello e Manuel F. Gonzalez


 

TRABALHAR OUVINDO MÚSICA É UM TEMA CONTROVERSO

Você gosta de ouvir música enquanto trabalha?

Faça essa pergunta em uma festa e você provavelmente terá algumas respostas opostas. Alguns dirão que amam, afirmando que melhora o desempenho; outros dirão que ficam distraídos e não conseguem trabalhar direito com a música tocando ao fundo.

Como fãs de música e psicólogos, queremos entender quando ouvir música ajuda enquanto se faz uma tarefa – e quando isso atrapalha.

O interessante é que nossa pesquisa concluiu que essas duas perspectivas podem ser verdadeiras. Só depende do tipo de trabalho que você está fazendo.
Desenvolvendo uma tese mais ampla

Pesquisadores examinaram como a música influencia o desempenho em uma gama de tarefas, de atividades esportivas à matemática e à leitura. Eles também examinaram se a música afeta o desempenho por fatores como o humor do ouvinte ou a sua capacidade de memória de trabalho.

No entanto, muitas dessas pesquisas focam em contextos específicos ou tipos específicos de tarefas. Nós queríamos desenvolver um molde mais abrangente, aplicável em mais situações.

Então, em um estudo recente, trouxemos participantes para o laboratório para realizar uma série de tarefas. Entre essas estavam uma tarefa fácil - examinar listas de palavras e marcar as palavras contendo a letra “a” - e uma tarefa mais difícil - memorizar pares e lembrar dos pares com um parceiro. Alguns participantes completaram todas as tarefas em silêncio, enquanto outros as fizeram ouvindo música instrumental, que era alta ou suave, simples ou complexa (com mais camadas instrumentais)

Uma faixa musical simples pode conter um ou dois instrumentos, sua melodia não muda muito frequentemente, e pode ser menos acelerada. Músicas complexas, no entanto, podem conter uma grande variedade de instrumentos, frequentemente mudando as melodias, e tipicamente têm um ritmo mais acelerado.
O tipo de tarefa importa

Diversas descobertas importantes emergiram do estudo.

Descobrimos que os participantes que ouviam músicas mais simples ou não ouviam música tinham aproximadamente o mesmo desempenho na tarefa fácil. No entanto, participantes que ouviam músicas complexas tiveram um desempenho melhor na tarefa simples.

Inversamente, os participantes tiveram um desempenho pior na tarefa mais difícil quando ouviam qualquer música, independentemente da complexidade ou volume, quando comparados àqueles que não ouviram nenhum música.
O que faremos com essas descobertas?

Sugerimos que tanto a música como as tarefas podem se utilizar de um mesmo conjunto de recursos mentais.

Podemos ficar entediados e nossas mentes podem divagar quando esses recursos não são utilizados. Mas também podemos ser hiperestimulados e distraídos quando esses recursos são sobrecarregados.

Não surpreende que tipicamente usamos menos dos nossos recursos mentais quando desempenhamos tarefas simples, enquanto tarefas mais complexas demandam mais capacidade cerebral. No entanto, como podemos nos concentrar menos em tarefas mais fáceis, há um risco maior de nos desviarmos. A música pode nos dar o empurrão extra que precisamos para superar a monotonia. No entanto, tarefas difíceis já demandam muitos dos recursos. Ouvir música pode ser exagero.

Então, a performance ótima deve ocorrer quando atingimos um ponto de equilíbrio, o que pode depender do tipo de música e do tipo de tarefa.
O fator personalidade

Nossas descobertas sugerem que os efeitos da música também podem depender das nossas personalidades. No mesmo estudo, examinamos as preferências dos participantes sobre estímulos externos.

Algumas pessoas têm o que é chamado de “preferência por estímulos externos”. Isso significa que elas tendem a buscar - e prestar mais atenção a - coisas que acontecem nos seus arredores, como visões ou sons.

A música, então, pode consumir mais recursos mentais de pessoas com fortes preferências por estímulos externos, significando que um equilíbrio um pouco mais delicado deve ser estabelecido para essas pessoas quando ouvem música durante tarefas.

Apoiando essa lógica, concluímos que músicas complexas tendem a prejudicar o desempenho mesmo em tarefas mais fáceis em pessoas com fortes preferências por estímulos externos. Da mesma forma, descobrimos que qualquer música, independente de complexidade ou volume, dificultavam a execução de tarefas difíceis para essas pessoas.

Em resumo: pode ser útil colocar música quando você trabalha em algo que considera relativamente simples e repetitivo. Um de nós, por exemplo, ouve heavy metal enquanto trabalha com análise simples de dados. O outro gosta de ouvir blues enquanto lê seus e-mails.

No entanto, a música pode prejudicar quando surge uma tarefa que requer toda a sua atenção. Nesses casos, é melhor desligar o Iron Maiden ou o B. B. King.

E provavelmente nem é preciso dizer que o que funciona melhor para você pode não funcionar para a pessoa trabalhando ao seu lado - então não se esqueça de usar fones de ouvido.

John R. Aiello é professor de psicologia da Universidade de Rutgers

Manuel F. Gonzalez é candidato a doutorando em psicologia organizacional-industrial no Baruch College, CUNY

domingo, 22 de março de 2020

A INFLUÊNCIA DA MÚSICA NO COMPORTAMENTO HUMANO (THE INFLUENCE OF MUSIC ON HUMAN BEHAVIOR) – PARTE 02

Por Jessica Adriane Weigsding - Bacharel em ciências biológicas pela UNICESUMAR (jehweigsding@hotmail.com) e Carmem Patrícia Barbosa - Professora doutora do UNICESUMAR e UEM (carmemmec1@gmail.com)




RESUMO
A música, mais do que qualquer outra arte, tem uma extensa representação neuropsicológica, com acesso direto à afetividade, controle de impulsos e emoções, e motivação. Ela é mencionada como sendo capaz de estimular a memória não verbal; um elemento de aplicação nas funções cerebrais, que envolve um armazenamento de símbolos organizados e que estimula a capacidade de retenção e memorização. A musicoterapia também auxilia a minimizar os sinais e sintomas de várias doenças, pois melhora a comunicação, expressão, organização e relacionamentos. A música é indicada para o desenvolvimento de potenciais e recuperação de funções, com objetivos terapêuticos relevantes que envolvem a melhora das necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do indivíduo. O objetivo deste estudo é avaliar, por meio de pesquisa bibliográfica, o quanto o ser humano pode ser influenciado pela música. Nesse contexto será apresentada a correlação entre a música e as pessoas. O estudo demonstrou que a música de fato é um dos caminhos mais rápidos e eficazes para se promover o equilíbrio entre o estado fisiológico e emocional do ser humano, e que lhe traz bem estar físico e psíquico.

Palavras-chave
Música; musicoterapia; comportamento humano 


Musicoterapia 

A musicoterapia é considerada uma ciência nova aplicada por pessoa qualificada que usa a música de forma prescrita e clínica como intervenção terapêutica, que deve possuir algumas exigências técnicas e científicas, como maturidade, controle afetivo e emocional, imaginação, capacidade de observação do mundo interior e exterior. A musicoterapia destina-se a facilitar e promover a mobilização, a comunicação, a expressão, a organização e melhorar relacionamentos sociais. Outros objetivos terapêuticos relevantes são descritos como melhora de necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do indivíduo o qual desenvolve potenciais e recupera funções (LEINIG, 2008). O musicoterapeuta cria formas e estratégias de fazer com que as atividades musicais contemplem o paciente. As mais comuns incluem dança, improvisação, associação do canto a tons combinados, uso de imagens, o canto, tocar um instrumento ou compor uma música. Tais atos ajudam na expressão emocional, na melhora das habilidades motoras além de melhorar lembranças associadas favorecendo indivíduos portadores de Alzheimer (GOLD et al., 2004), com danos cerebrais ou necessidades especiais (COVINGTON, 2001), autistas (CHANDLER et al., 2002), indivíduos com síndrome de Down (BROTONS e KOGER, 2000) e pessoas que não estão em tratamento, crianças, adolescentes e idosos, sendo seus efeitos incontáveis sobre cada indivíduo (EVANS, 2002). Muitas pesquisas relatam e apontam a importância da música como um elemento de otimização das funções cerebrais com destaque para a memória, uma vez que a música envolve armazenamento de símbolos organizados estimulando a cognição. Além disso, a música apresenta grande importância em distúrbios motores como a doença de Parkinson. Num estudo recente, idosos após acidentes vasculares encefálicos foram submetidos a cinco sessões semanais de 30 minutos de musicoterapia interagindo com piano e bateria. Os mesmos foram avaliados antes e após este período quanto ao desempenho motor fino (movimento de dedos), movimentos de pulso e movimentos mais amplos. A melhora na capacidade motora foi percebida nos movimentos e atribuída à plasticidade neural das vias motoras do córtex cerebral para a medula espinal a partir da estimulação causada pelos estímulos musicais (AMENQUAL et al., 2013). Por isso, Sacks (2007) afirma que a música correta, pode orientar o indivíduo quando este não é mais capaz de fazê-lo por si só.


Música e Fisiologia

Interação dos ritmos biológicos e os ritmos sonoros

A propagação dos padrões sonoros rítmicos pelo tecido cerebral provoca um fluxo de sinais neurais que oscilam com os “relógios” naturais do cérebro, recebem informação do ambiente e controlam as funções do corpo e as respostas comportamentais. Esses relógios naturais do cérebro, ou relógios biológicos, estão localizados no sistema nervoso que coordena as atividades temporais endógenas. No hipotálamo está o relógio dos ritmos circadianos e no epitálamo está o relógio dos ritmos circanuais (ROEDERER, 2002; LENT, 2005). Os ritmos biológicos são influenciados pelas manifestações rítmicas que ocorrem no próprio ambiente. Assim, para que uma espécie possa se adaptar a um ambiente que oscila constantemente, ela precisa oscilar de forma que ocorra uma adaptação temporal que consiste na harmonização entre a ritmicidade biológica e os ciclos ambientais (MARQUES e MENNA-BARRETO, 2003). Parte desta potencialidade pode ser explicada pelo fato de que ritmo e som estão presentes em todas as etapas de vida do indivíduo uma vez que, desde a vida uterina, eles influenciam o desenvolvimento fetal. O bebê aprende a distinguir sons já nos primeiros meses de vida assim como aprende a distinguir os sons da fala de outros sons e inicia o conhecimento das palavras (GUIDA et al, 2007). Segundo Benenzon (2002), pode-se constatar um padrão de atividades rítmicas em relação à alimentação, sono e choro do bebê após seu nascimento. Pesquisas demonstram que os movimentos rítmicos de sucção do recém-nascido estão em íntima relação com seus próprios batimentos cardíacos, ou seja, a aceleração dos batimentos cardíacos causa aumento no ritmo de sucção assim como sua diminuição tem efeito inverso. Referente aos efeitos biológicos do som e da música, este autor afirma que, conforme ocorre aumento ou diminuição do ritmo, ocorre concomitante aumento ou diminuição do consumo de energia muscular e da respiração (em termos de frequência e regularidade) do recém-nascido. Além disso, são descritas alterações características, mas variáveis, na pulsação, na pressão sanguínea e na função endócrina. Há diminuição do impacto dos estímulos sensoriais de diferentes modos, redução ou retardo da fadiga e, consequentemente, incremento do endurecimento muscular, aumento na atividade voluntária e nos reflexos musculares empregados ao escrever e desenhar. Semelhantemente, a musicoterapia é capaz de provocar mudanças nos traçados elétricos do organismo e de provocar mudanças no metabolismo e na biossíntese de vários processos enzimáticos. Além disso, o ritmo musical influencia os padrões de sono e vigília e as secreções de diversas glândulas (GASPARINI, 2003).


Musicalidade no desenvolvimento infantil

Desde muito cedo a música tem grande importância na vida da criança, pois além de provocar diferentes sensações, também desenvolve capacidades que serão importantes durante o crescimento infantil contribuindo para seu desenvolvimento neurológico, afetivo e motor. Para isso, ela deve ser estimulada com variadas experiências musicais a fim de que perceba diferenças entre os estilos, letras, velocidade e ritmos melhorando a atenção, memorização e discriminação auditiva. É nesse período que as crianças estão mais receptivas às aprendizagens e que ocorre grande parte do desenvolvimento neurológico. Isto porque a fase da infância é considerada a fase mais rica para formação das sinapses e conexões dos neurônios ampliando a capacidade cerebral. Assim, a música nesse processo é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro de forma que, quanto mais cedo a criança entrar em contato com o mundo da música, maior será o conhecimento armazenado na memória sonora devido assimilação de vários códigos sonoros que a música pode oferecer. Tal fato favorece o desenvolvimento de habilidades cognitivas, linguísticas e motoras, participando do processo de desenvolvimento da sua personalidade, do amadurecimento do caráter e das atitudes comportamentais (MELO, et al., 2009). A família pode desempenhar o papel de agente principal de integração do indivíduo à iniciação musical despertando o interesse da criança pelo gosto de repertórios musicais. Para Fucci-Amato (2008) que analisou e relatou biografias e depoimentos de alguns músicos, de fato a família tem grande importância na formação cultural do indivíduo. Antonio Carlos Gomes, por exemplo, considerado por muitos o maior compositor das Américas no século XIX, teve contato com a atividade musical desde cedo uma vez que seu pai era mestre de banda e compositor, interpretando tanto música erudita como popular. Heitor Villa-Lobos, maestro e principal expoente da música brasileira, também revelou a grande influência da cultura familiar, determinante para sua incursão ao mundo da música, destacando o papel de seu pai com o qual sempre assistia a ensaios, concertos e óperas, a fim de habituar-se ao gênero de conjunto instrumental. 


Lateralização dos hemisférios cerebrais

Conforme Lent (2008), a neurociência é responsável pelo conjunto de disciplinas que compõem o estudo do sistema nervoso e que se tornou um campo de investigação do efeito que a música produz no cérebro, utilizando tecnologias como a neuroimagem a fim de visualizar regiões envolvidas na audição musical. O cérebro, sendo um centro cognitivo de atividades mentais superiores que abrange sentimentos, criatividade e inteligência, é separado por uma grande fissura que o divide em dois hemisférios cerebrais, hemisfério direito e esquerdo. Um efeito muito versado é a contralateralidade, onde o hemisfério esquerdo cerebral exerce o controle do lado direito do corpo e vice-versa (CUNHA, 2011). Essa troca de informação entre os hemisférios se dá em virtude de algumas estruturas nervosas como o corpo caloso (SILVERTHORN, 2003). De uma forma geral, o hemisfério cerebral esquerdo contém as habilidades verbais, analítica e o controle da linguagem em seus aspectos lógicos, enquanto as não verbais, holísticas, afetivas, emoções e intuitiva, dependem do hemisfério cerebral direito (SCHMIDEK, 2005). Existe uma lateralização hemisférica para a música de forma que no hemisfério direito ocorre a discriminação do contorno melódico, do aspecto emocional da música e dos timbres nas regiões temporais e frontais. No entanto, o ritmo, a duração, a métrica e a discriminação da tonalidade ocorrem no hemisfério esquerdo do cérebro o qual também processa a altura estando relacionado exatamente às áreas da linguagem que reconhecem o arranjo musical (MUSZKAT, 2012). Em estudo realizado na universidade de Harvard, o neurocientista Gottfried Schaug demonstrou que a região frontal do corpo caloso é expressivamente maior nos músicos, em especial naqueles que iniciaram cedo sua formação. Tal fato consolida o pressuposto de que as operações musicais tornam-se bilaterais com a intensificação do treinamento à medida que os músicos passam a coordenar e recrutar estruturas neurais nos dois hemisférios cerebrais. Tal estudo demonstrou ainda uma tendência dos músicos possuírem cerebelos de maior tamanho e com maior concentração de massa cinzenta a qual é constituída por corpos celulares e é responsável pelo processamento da informação (LEVITIN, 2011). Estes achados confirmam os estudos prévios de Andrade (2004) o qual constatou que modificações cerebrais nos músicos, como acréscimo das conexões no corpo caloso da região mais frontal são descritas podendo repercutir nas capacidades motoras e cognitivas do treinamento musical e da área de Broca envolvida com o processo linguístico e visuoespaciais. 


Influência no humor

A música é descrita como tendo um papel envolvente na vida das pessoas, podendo causar aproximação e atração entre indivíduos melhorando assim sua socialização (TEKMAN e HORTAÇSU, 2002; BAKAGIANNIS e TARRANT, 2006). Em relação à influência da música sobre o humor e a despeito da preferência musical de cada pessoa, nem todos os indivíduos poderão se beneficiar dos efeitos positivos da música sobre o humor. Este fato foi demonstrado em pesquisas feitas sobre determinados estilos musicais os quais mostraram correlação entre os traços de personalidade (DOLLINGER, 2004; PIMENTEL E DONNELY, 2008), valores humanos (RENTFROW e GOSLING, 2003), risco de suicídio (PIMENTEL et al., 2009), uso de drogas e outros comportamentos antissociais, no comportamento pró-social (GREITEMEYER, 2009), nos pensamentos e sentimentos agressivos (CHEN et al., 2006) e no comportamento do consumidor (SECO, 2007). 

Alguns estilos musicais como heavy metal e o rap preocupam os pesquisadores devido à forte frequência de comportamentos de risco em suas letras. Ao contrário, a música clássica tem efeitos relaxantes e positivos sobre o humor, mesmo que não sejam as músicas preferidas ou habitualmente ouvidas. Assim, estudos demonstraram significativa redução nos níveis de estresse após quatro meses de sessões semanais de música clássica (NEDLEY, 2009). Altshuler, um psiquiatra americano, durante suas experiências clínicas verificou que a música cujo caráter e andamento coincidiam com o tempo mental do paciente, influenciava seu humor. Este médico tratava um paciente depressivo com músicas de caráter triste e em tonalidade menor ao passo que, para pacientes maníacos, empregava música de tempo “allegro” ou “vivace” devido seu tempo mental se apresentar disperso e rápido. Com o andamento adequado para cada um dos pacientes, o tempo mental era estimulado ao entrar em contato com a música (BARCELLOS, 2010). 


Considerações Finais

O estudo compreendeu a influência da música no comportamento humano e se constatou que realmente ela exerce um papel preponderante na vida das pessoas, sendo algumas de suas vantagens aquisição de atividades motoras, desenvolvimento da percepção musical, dos sentimentos, da personalidade, da identidade e muitas outras funções que beneficiam a memória. A crescente importância da música é cada vez mais reconhecida como recurso terapêutico, principalmente direcionado a pessoas acometidas por doenças motoras ou que afetem a memória. A musicoterapia tem sido apresentada como um dos caminhos mais rápidos e eficazes para promover o equilíbrio entre o estado fisiológico e emocional do ser humano uma vez que a musicoterapia estabelece uma sincronia entre estes estados. Sua aplicação prática requer todavia conhecimento e habilidade a fim de que, além de proporcionar suas abordagens terapêuticas, o indivíduo possa adquirir um estado de bem estar físico e psíquico.


Agradecimentos

A Deus que, com certeza, me acompanhou durante esta jornada. Aos meus familiares, que me incentivaram a buscar diferencial no conhecimento.
A minha orientadora, professora Dra . Carmem Patrícia Barbosa Lopes, por ter acreditado sempre na realização deste trabalho.




Referências
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sábado, 21 de março de 2020

A INFLUÊNCIA DA MÚSICA NO COMPORTAMENTO HUMANO (THE INFLUENCE OF MUSIC ON HUMAN BEHAVIOR) – PARTE 01

Por Jessica Adriane Weigsding - Bacharel em ciências biológicas pela UNICESUMAR (jehweigsding@hotmail.com) e Carmem Patrícia Barbosa - Professora doutora do UNICESUMAR e UEM (carmemmec1@gmail.com)


RESUMO
A música, mais do que qualquer outra arte, tem uma extensa representação neuropsicológica, com acesso direto à afetividade, controle de impulsos e emoções, e motivação. Ela é mencionada como sendo capaz de estimular a memória não verbal; um elemento de aplicação nas funções cerebrais, que envolve um armazenamento de símbolos organizados e que estimula a capacidade de retenção e memorização. A musicoterapia também auxilia a minimizar os sinais e sintomas de várias doenças, pois melhora a comunicação, expressão, organização e relacionamentos. A música é indicada para o desenvolvimento de potenciais e recuperação de funções, com objetivos terapêuticos relevantes que envolvem a melhora das necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do indivíduo. O objetivo deste estudo é avaliar, por meio de pesquisa bibliográfica, o quanto o ser humano pode ser influenciado pela música. Nesse contexto será apresentada a correlação entre a música e as pessoas. O estudo demonstrou que a música de fato é um dos caminhos mais rápidos e eficazes para se promover o equilíbrio entre o estado fisiológico e emocional do ser humano, e que lhe traz bem estar físico e psíquico.

Palavras-chave
Música; musicoterapia; comportamento humano 



Introdução

A música, mais do que qualquer outra arte, tem uma representação neuropsicológica extensa, com acesso direto à afetividade, controle de impulsos, emoções e motivação. Ela pode estimular a memória não verbal por meio das áreas associativas secundárias as quais permitem acesso direto ao sistema de percepções integradas ligadas às áreas associativas de confluência cerebral que unificam as várias sensações. Exemplo pode ser dado referindo-se à sensação gustativa, olfatória, visual e proprioceptiva as quais dependem da integração de várias impressões sensoriais num mesmo instante, como a lembrança de um cheiro ou de imagens após ouvir determinado som ou determinada música. O conjunto dessas atividades motoras e cognitivas envolvidas no processamento da música é chamado de função cerebral. Tal função exige várias operações mentais tais como interpretação de ritmos, harmonias, timbres, expressão motora, processos cognitivos e emocionais para a formação de um complexo de interpretação da música (MUSZKAT, 2012). Nas crianças, a música também exerce grande influência em seu desenvolvimento e funcionamento cerebral, sendo entendida pelo cérebro como uma forma de linguagem. Assim, à semelhança da linguagem falada, a música envolve diferentes entonações, ritmos, andamentos e contornos melódicos. É considerada uma arte que se utiliza da linguagem para a comunicação e expressão (CUERVO, 2011). A partir disso, compreenderam-se aspectos relacionados à dominância cerebral na função dos hemisférios cerebrais. O hemisfério esquerdo contém as habilidades verbais, enquanto as não verbais dependem do hemisfério cerebral direito (SCHMIDEK, 2005). A neurociência mostra que o cérebro de um praticante de música em longo prazo, como em músicos profissionais, funciona de uma forma diferente do cérebro de um não músico. O primeiro apresenta maior capacidade de aprendizado, atenção, concentração, controle emocional e normalmente são indivíduos bem humorados. No desenvolvimento de suas atividades, como executar uma peça musical, eles usam os dois lados do cérebro ao mesmo tempo devido o desenvolvido das habilidades musicais localizadas em ambos os hemisférios indicando mudanças positivamente mensuráveis (TRAVIS, 2011; AAMODT e WANG, 2013). Assim, diante de toda a importância sugerida à música, o presente estudo foi feito com o objetivo de melhor compreender o que a música de fato pode ocasionar ao comportamento.


Desenvolvimento

Música

Processo de reconhecimento do som

A música e a linguagem são ferramentas de estudo que exploram funções cerebrais. Enquanto a voz falada envolve entonação, ritmo, andamento e um contorno melódico, a música utiliza-se da linguagem de símbolos para comunicação e expressão. No entanto, ambas dependem de esquemas sensoriais responsáveis pela percepção e processamento auditivo e visual para que haja uma organização temporal e motora necessárias para a fala e execução musical (MUSZKAT et al, 2000). Ao chegarem aos ouvidos, os sons são convertidos em impulsos que percorrem os nervos auditivos até o tálamo, região do cérebro considerada central para as emoções, sensações e sentimentos. Os impulsos cerebrais provocados pela música afetam todo o corpo e podem ser detectados por técnicas de escaneamento cerebral ou neuroimagem (GASPARINI, 2003). Quando um som é ouvido, o ouvido externo o capta, transfere e conduz a onda de pressão sonora (energia sonora) pelo canal auditivo em direção à membrana timpânica a qual vibra. Tal vibração é transmitida aos ossículos do ouvido, de modo que martelo, bigorna e estribo oscilam em resposta ao som e, através do movimento mecânico, conduzem o som do meio gasoso para o meio líquido do compartimento seguinte. O martelo recebe inicialmente o estímulo e o estribo empurra a cóclea que se situa numa cavidade no osso temporal (ouvido interno) criando pressão sobre o fluido lá dentro. Na cóclea existem células ciliadas, que atuam como receptores sensoriais os quais geram estímulos elétricos através de sequências de descargas nervosas para o nervo auditivo, que vai transmiti-lo ao cérebro, no córtex auditivo, que se situa no lobo temporal (SANTOS, 2005). A cóclea separa os sons complexos em suas frequências elementares e cada célula ciliada está afinada para diferentes frequências de vibração, sendo que no cérebro também existem células que respondem melhor a frequências específicas. O nervo auditivo recebe informação nervosa das células ciliadas e a transmite ao tronco encefálico que vai repassar ao tálamo que, enfim o direciona ao córtex ou a bloqueia. Todo o mecanismo nervoso de condução auditiva permite, por exemplo, prestar atenção a um só instrumento numa orquestra. O cérebro processa a música de forma distribuída uma vez que existem muitas áreas auditivas no córtex cerebral as quais são de difícil delimitação. Sabe-se que a percepção musical envolve as áreas primárias, secundárias e terciárias do sistema auditivo, além das áreas de associação auditivas nos lobos temporais e da Área de Wernicke. Esta, por sua vez, está ligada à percepção da linguagem e do processamento da maioria das funções intelectuais do cérebro. As áreas primárias recebem sinais do ouvido interno através do tálamo e estão envolvidas nos primeiros estágios da percepção musical tais como frequência de um tom, contornos melódicos e volume. Áreas secundárias processam padrões mais complexos de harmonia, melodia e ritmo. As terciárias permitem uma percepção geral da música (GUIDA, et. al., 2007). Segundo estudos realizados no Instituto de Fisiologia da Música e da Medicina da Arte, em Hannover na Alemanha, o lado esquerdo do cérebro parece processar elementos básicos como intervalos musicais e ritmos ao passo que o lado direito relaciona-se ao reconhecimento de características como métrica e contorno melódico. Vale lembrar que o córtex auditivo primário é amplamente influenciado pela experiência de forma que, quanto maior for a experiência, maior é o número de células estimuladas e reativas a sons e tons musicais importantes. A experiência induz ao aprendizado e este afeta os processamentos nas áreas auditivas secundárias e de associação, onde se supõe que os padrões musicais mais complexos, como harmonia, melodia e ritmo são processados. Desta forma, aprender a tocar um instrumento faz com que haja uma reorganização de diversas áreas cerebrais como, por exemplo, as áreas motoras, o corpo caloso e o cerebelo.
Esta reorganização se faz através da plasticidade neural, quer seja a partir do aumento no número de sinapses e de neurotransmissores, quer seja como o aumento da potência da sinapse existente e a formação de novas conexões. Este fato ocorre predominantemente a partir de exercícios musicais os quais são apontados como capazes de desenvolverem o hemisfério esquerdo (área da linguagem) e de beneficiarem a memória e a realização de tarefas espaciais (CARTER, 2009). A música também tem sido apontada como hábil a influenciar o estado emocional. A percepção musical relacionada às emoções depende de variáveis tais como a experiência emocional específica de cada um. No entanto, de acordo com pesquisas do Instituto de Música e Aprendizagem de Paris (IRCAM) e Dijon (Lead), as reações emocionais de indivíduos sem formação musical e de músicos são bastante parecidas (GUIDA, et. al., 2007). A capacidade de a música influenciar o estado emocional do indivíduo se deve ao fato dela produzir reações fisiológicas cuja magnitude parece depender do conteúdo emocional. Portanto, a percepção musical envolve muitas variáveis, muitas áreas encefálicas e é capaz de influenciar o corpo todo através das reações emocionais e fisiológicas (CARTER, 2009). Desta forma, pode-se afirmar que a música, que é parte da cultura humana desde tempos remotos, é um instrumento de diálogo não verbal. Ela é inata e pode desencadear profundos processos de transformação pessoal os quais afetam não só o próprio indivíduo, mas também o universo que o rodeia em todas as suas manifestações e formas.


Constituição, características e elementos musicais

O som é caracterizado como uma onda sonora mecânica percebida pelo sentido da audição devido suas características musicais, timbre (amplitude), altura (frequência) e intensidade. O timbre é uma característica sonora que permite distinguir sons que possuem mesma frequência, porém são emitidos de fontes diferentes, por exemplo, ao tocar a mesma nota em dois instrumentos diferentes, o som produzido tem a mesma altura (frequência), mas mesmo assim, é possível distinguir o som de cada instrumento porque o timbre (determinado pela forma de onda emitida) é diferente para cada um. A intensidade é a característica que distingue sons fortes e fracos. Ela depende da amplitude das vibrações que as partículas de ar realizam sobre suas posições de equilíbrio enquanto um som se propaga, portanto quanto maior a frequência, mais agudo é o som e vice-versa. Esta unidade é medida em Hertz (Hz) (figura 1) (NISHIDA, 2007)

Ritmo, melodia e harmonia são os principais elementos que constituem a música. Dentre eles, o ritmo é o que mais se associa à percepção de duração no tempo, de periodicidade, pois é algo que flui, que se move, é um movimento regulado. É importante, pois sem movimento não há som uma vez que todo movimento produz som, mesmo que este não seja percebido pelo ouvido humano. Vale ressaltar que o aparelho auditivo humano é sensível a sons de frequência que estejam entre 20 e 20.000 Hz. Tal capacidade de reconhecimento auditivo é conhecida como espectro audível ou limiar de audibilidade (MENEZES, 2004). Estudos (CARRER, 2008) foram feitos a fim de entender os efeitos fisiológicos e psíquicos das ondas sonoras de baixa frequência no corpo humano os quais demonstraram que, para a maioria dos indivíduos, a vibração sonora mais confortável foi a de 69,2 Hz e a mais desconfortável foi a de 24,49 Hz. As sensações benéficas descritas pelos participantes foram leveza, tranquilidade, relaxamento, sonolência, paz, meditação, sonho, anestesia, esquecimento de imagens e cenas ocorridas durante a aplicação, maior consciência corporal, melhora postural, sensação de bem estar, redução de dores musculares, sensação de conforto, menos ansiedade, desobstrução das vias aéreas e desejo de urinar (por estimulação do sistema autônomo). 

Estudos sobre a influência da música no comportamento humano categorizam, principalmente, dois estilos de música, a sedativa e a estimulante. A música de estilo sedativo compreende os andamentos lentos, com harmonias simples e leves variações musicais. Uma de suas características é o fato dela poder tornar suave uma atividade física ou aumentar a capacidade contemplativa do ser humano produzindo um efeito relaxante, com redução da frequência cardíaca, pressão arterial e ventilação. Ao contrário, a música estimulante pode produzir um efeito excitante aumentando o ritmo da respiração, da pressão arterial e dos batimentos cardíacos em consequência de ativação autônoma simpática que produz uma sensação de aumento do estado de alerta. Neste caso, uma pré-disposição à atividade motora é gerada assim como maior ativação mental devido seus tempos mais rápidos, forte presença de articulações em staccato (notas com curta duração), harmonias complexas e dissonantes e mudanças repentinas na dinâmica (BERNARDI et al., 2006).




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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

EVOLUSOM

Na história da música não foram só os estilos musicais que mudaram. Veja a evolução da tecnologia de gravação 1877

Por Artur Louback Lopes



Thomas Edison (antes de inventar a lâmpada) cria o primeiro gravador de sons: o fonógrafo. A gravação era feita sobre um cilindro coberto por um papel laminado. O primeiro som gravado, durante o processo de criação do aparelho, foi um poeminha infantil chamado “Mary Tinha uma Ovelhinha”, na voz do próprio Edison

1887
A dificuldade de produzir gravações em escala industrial é contornada com a invenção do gramofone, pelo alemão Emile Berliner, que trouxe ao mundo o advento do disco. Os primeiros eram feitos de goma-laca (uma resina de planta), operavam em 78 rotações por minuto (rpm) e tinham capacidade baixíssima

1930
Chega ao mercado o long play (LP), um disco feito de vinil, com 30 cm de diâmetro e 33 1/3 rpm. Fracasso retumbante, graças à recessão nos Estados Unidos. Só em 1948, quando a gravadora Columbia lança um LP com cerca de 20 minutos de cada lado, o formato vira padrão. O disco de estréia é um concerto de Beethoven – interpretado por violinistas da Filarmônica de Nova York

1963
A Philips lança a fita cassete, originalmente batizada de musicassette ou compact audio cassette. O formato gera uma revolução: as pessoas ganham o poder de escolher o conteúdo das suas próprias fitinhas. As fitas mais comuns eram feitas de cromo e tinham capacidade de 60 ou 90 minutos

1982
Surge o CD, numa parceria das empresas Philips e Sony

2002
É lançado o dataplay, um disquinho de 3,2 cm com capacidade para armazenar até 11 horas de som. Os primeiros artistas que apostaram nessa nova mídia foram Britney Spears e NSync, em maio de 2002, nos Estados Unidos. Mas a nova mídia não pegou: com os CDs e DVDs graváveis, as pessoas preferem criar seus próprios discos

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MÚSICA INSTRUMENTAL É TRILHA PERFEITA PARA MANTER CONCENTRAÇÃO NO TRABALHO

O publicitário Kelvin Alves, 23, na agência F.biz, zona oeste de SP. | Bruno Santos/Folhapress


Ouvir música no trabalho tem impacto positivo na produtividade, de acordo com 78% dos entrevistados de um levantamento da Cloud Cover Music, empresa americana de streaming.

Se o efeito benéfico é quase consenso entre os trabalhadores ouvidos e neurocientistas, a questão de quais tipos de música ajudam ou atrapalham não tem resposta única.

Mas, afinal, há um estilo ideal para ouvir no trabalho?

Especialistas afirmam que a música instrumental -dos mais variados tipos, do jazz ao chorinho, passando pela clássica- é uma boa candidata.

De acordo com Luciano Melo, médico neurologista e colunista da Folha, pesquisas indicam que "as trilhas instrumentais, especialmente as mais calmas, tendem a reforçar a atenção das pessoas".

"Já faixas com vocal tendem a aumentar a introspecção e podem ser distrativas", diz.

Isso acontece por causa do conteúdo verbal. "Há uma competição pela atenção", afirma Patrícia Vanzella, coordenadora do projeto Neurociência e Música na UFABC (Universidade Federal do ABC).

Mas, quando o foco é ganho de produtividade, há características a evitar mesmo na música instrumental. Muitas flutuações de intensidade, por exemplo, também podem distrair. O mesmo vale para ritmos agitados, que estimulam a parte motora, da dança.

Assistente de estratégia e insights da agência F.biz, o publicitário Kelvin Alves, 23, segue mais ou menos essa cartilha.

Quando está a caminho do trabalho, na zona oeste de São Paulo, escuta rap ou R&B, gêneros centrados em vocais.

No escritório, a trilha passa a ser o lofi hip-hop (subgênero instrumental, marcado por batidas desaceleradas e alguma influência de jazz).

Isso quando Kelvin analisa relatórios ou planilhas -o departamento dele junta o estudo do consumidor com a ciência dos dados. "Esse estilo me deixa mais tranquilo para entender o que estou lendo. Já tentei trabalhar ouvindo outros gêneros, mas, às vezes, muitas vozes acabam me desconcentrando", afirma.

Quando o publicitário produz relatórios, a playlist muda mais uma vez. "Coloco para tocar um rap mais vocal, que me dá um pouco mais de ritmo, de adrenalina."

A estratégia adotada por Kelvin pode, muito provavelmente, não funcionar para outras pessoas, de acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem. Por isso mesmo, a música instrumental é só "candidata" a ajudar no ganho de produtividade.

A falibilidade de uma ou outra receita poderia ser justificada, de maneira simples, pelas particularidades do gosto individual -traços de personalidade, idade e natureza da tarefa também precisam ser levados em conta.

Em musicoterapia, há o conceito de identidade sonora individual. "Todos nós, assim como temos uma história clínica, temos uma história sonora", explica Juliana Duarte Carvalho, musicista, psicóloga clínica e musicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês.

Essa bagagem contém, entre outros, fatores culturais e "vai se formando ao longo da vida, nunca se completa".

Levando em conta esse último aspecto e o fato de que, hoje, as pessoas são expostas ao hit do momento em diversos lugares e meios, Juliana diz que é saudável procurar conhecer músicas novas, que podem ser eficientes no ambiente de trabalho, mas não só.

"Assim como um bom livro, elas podem te influenciar e promover mudanças."


Fonte: Folhapress 

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