PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

GERALDO AZEVEDO E CHICO CÉSAR REMARCAM SHOW NO RECIFE PARA 02 DE OUTUBRO

O show Violivoz com Geraldo Azevedo e Chico César, que entra pela primeira vez em turnê, teve sua passagem por Recife adiada para o dia 02 de outubro. Os ingressos podem ser adquiridos pelos sites da Eventim e Ticketfolia – os bilhetes já comprados para a data inicial do show, que seria dia 29 de maio, seguem válidos, sem necessidade de troca.


Na apresentação os dois compositores nordestinos promovem um mergulho em seus repertórios, mostrando a força de suas canções autorais, além de clássicos e algumas surpresas. Pautado na amizade, admiração e o respeito entre os dois artistas, o show marca um encontro único para se fazer música e falar sobre seus trabalhos.


SERVIÇO
Geraldo Azevedo e Chico César em Violivoz
Quando: 2 de outubro, às 21h
Onde: Teatro Guararapes - Centro de Convenções de Pernambuco
Quanto: plateia R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia); balcão R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia)
Para informações sobre reembolso, acessar: https://www.eventim.com.br/adiamento


Fonte: Viver/Diario

quarta-feira, 3 de abril de 2019

PROGRAME-SE

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

POT-POURRI DE FREVOS - GERALDO AZEVEDO




Cigana Mentirosa (Genival Macedo)

Saudade de Pernambuco (Genival Macedo e Rosa de Oliveira)
Casado não pode (Genival Macedo) Geraldo Azevedo | participação especial: SPOK FREVO ORQUESTRA
Canção extraída do CD "Pernambuco Frevando para o Mundo - Lado B". Upload feito somente para entretenimento, sem qualquer fim lucrativo. Todos os direitos autorais são reservados somente aos seus autores originais ou aos seus representantes legais, não havendo aqui nenhuma intenção de infringir estes direitos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

GERALDO AZEVEDO LANÇA PRIMEIRO DISCO DE FREVO

Com cinco faixas, o EP só terá versão digital


Por José Teles




Embora seja mais conhecido por canções românticas como Dia Branco (com Renato Rocha), Dona da Minha Cabeça (com Fausto Nilo) e Moça Bonita (com Capinam), Geraldo Azevedo também é da folia. Estreou na composição com a marcha de bloco Aquela Rosa (com Carlos Fernando), lançada em 1967 por Teca Calazans. Foi criador com o citado Carlos Fernando do projeto Asas da América, que renovou o frevo em 1980. Há anos é presença certa no Carnaval pernambucano. Este ano se apresenta sábado, com a Transversal Frevo Orquestra, na Praça do Arsenal, e, domingo, no Pátio de São Pedro Geraldo estende sua participação lançando hoje, nas plataformas digitais, um EP de músicas para o Carnaval, o primeiro em sua discografia.

É o Frevo, É Brasil, título do disco, que sai pela ONErpm, traz cinco faixas, duas delas inéditas. O projeto tem produção e direção musical de César Michiles, que também assina quatro dos arranjos, e faz a orquestração. A única faixa que ele não arranjou foi Lembrando Carlos Fernando, que tem arranjo do maestro Edson Rodrigues. A música também é a única que não foi composta por Geraldo Azevedo. O autor é J. Michiles, em homenagem ao compositor caruaruense, falecido em 2013, e autor do frevo canção mais bem sucedido da história do gênero, Banho de Cheiro. Michiles fez para ele um frevo de bloco: “Nas asas da América/seu frevo brilhou”, começa a letra, que celebra o “boêmio da folia”, com citações de músicas de Carlos Fernando.

No início influenciado por seresteiros e pela bossa nova, Geraldo Azevedo – como aliás todos os músicos pernambucanos – tem o frevo correndo na inspiração. “Quando fevereiro chegar/saudade já não mata a gente”, qualquer um diria que os versos são de um frevo canção. Pertencem à balada Chorando e Cantando, um dos clássicos de Geraldinho (numa parceria com Fausto Nilo). A partir deste EP são também versos de frevo. A balada vestiu roupas carnavalescas e cai na folia exatamente quando chega fevereiro.

Quatro Dias de Amor, parceria com Maciel Melo) que abre o EP, é como uma atualização de Aquela Rosa, iniciação de Geraldo Azevedo na composição de frevos. Tem por tema o amor de Carnaval, que tinha a eternidade da duração da festa, hoje dificultado pelas muitas amarras do politicamente correto, que excluiu do Carnaval o buliçoso personagem Arlequim.


CLIPE

É o Frevo, É Brasil recorre ao artifício do frevo autorreferencial, e à apologia ao gênero do carnaval pernambucano “De Recife a Olinda/do mar até o sertão”. É Só Brincadeira (com Zamma) é um frevo galope, à Moraes Moreira, de balanço irresistível, com solos de guitarra em meio aos metais, da orquestra de César Michiles. É Só Brincadeira teve direito a clipe, gravado semana passada no clássico Hotel Central, na Manuel Borba.

O EP é importante por ser de um grande nome da música pernambucana, e brasileira, trazendo novos frevos. Um diferencial de um Carnaval cujos palcos serão ocupados por músicos, e grupos, com repertório alheio à época.


GERALDO E O FREVO

Da Alemanha, onde passa férias, Geraldo Azevedo mandou um comentário sobre sua relação com o frevo:

Realmente é o primeiro lançamento de frevo de Geraldo Azevedo, mas há de convir que na minha trajetória toda o frevo está presente, desde o começo da minha carreira. Na década de 80 criamos o projeto Asas da América, eu Alceu e Carlos Fernando, incentivamos sempre revigorar e renovar o frevo. Em vários discos meus tem uma faixa de frevo. E meus shows são marcados por terminar fazendo frevo juntos. Venho fazendo o carnaval há muitos anos, sempre ligado ao frevo.

Meu sonho era gravar um DVD, porém a produção é muito cara. Mas esta coisa ainda vai ser realizada. Comecei pelo EP, mas com certeza para o ano vai ter um CD completo. Além destas cinco canções vão entrar mais cinco para completar um CD. Quem sabe o DVD vem por ai também? Porque é o meu sonho realizar este projeto, é muito vibrante, grandiosa, a minha relação com o público, e com o carnaval pernambucano.

Sempre ouvi os mestres Claudionor Germano, Expedito Baracho, já regravei música de Capiba, Luis Bandeira, Zé Michiles, compositores importantes da história do frevo. E sou um compositor de frevo, fiz muitos com Carlos Fernando, e continuo fazendo. Agora mesmo fiz um com Maciel Melo, com Zamma, e mais umas canções conhecidas transformadas em frevo, que é o nosso rock, a nossa música mais energética, e eu sempre vou trabalhar com ele. Gostaria que se tornasse mais nacional, um ritmo com que o Brasil inteiro vibre e dance.

domingo, 18 de junho de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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Impossível abordar o trabalho de Geraldo Azevedo em apenas poucas linhas e por isso mesmo retomo a biografia desta estrela de primeira grandeza dentro da MPB. Vale registrar que na primeira abordagem, Geraldo ainda se encontrava em Petrolina apresentando em bailes e em outros pequenos espaços onde a Bossa Nova era aceitável e tinha seus adeptos. A frente de um programa de rádio e participando do grupo Sambossa, Geraldo Azevedo percebe que Petrolina já não tinha muito a oferecê-lo nos mais distintos aspectos. Pensando assim, muda-se para Recife para cursar o científico e preparar-se para o vestibular de arquitetura. Na capital pernambucana começa a trabalhar como projetista, no entanto o seu amor pela música fala mas alto e já em Recife decide não concluir os estudos para dar vazão ao desejo de ser músico. Na capital pernambucana conhece Naná Vasconcelos e junto com ele, Teca Calazans e Paulo Guimarães passa a integrar o grupo Construção tocando nas noites de Recife, em universidades e espaços culturais. Foi na capital pernambucana que ganhou seu primeiro violão profissional. Pouco tempo depois, em 1965, funda o grupo Raiz, baseado nas artes teatrais, literárias e musicais. É nessa época que conhece um dos seus mais importantes parceiros, o compositor e produtor Carlos Fernando, nome que se tornara imprescindível ao longo de sua trajetória artística nos anos posteriores. Carlos Fernando, idealizador do projeto Asas da América, um dos mais exitosos exitosos projetos de frevo existente até os dias atuais no mercado fonográfico brasileiro, acabou-se por tornar-se um parceiro imprescindível na carreira de Geraldo nos anos posteriores, sendo responsável por assinar diversas parcerias, dentre elas, "Suíte correnteza barcarola de São Francisco".

Ainda em Recife, chega a trabalhar na produção musical de outros projetos teatrais ao lado de nomes como Emilio Borba Filho, em peças encenadas a partir do Teatro Popular do Nordeste, onde Geraldo fazia melodias para os poemas dos espetáculos por lá apresentados. Nos finais de semana, trazia como proposta para as suas apresentações no bar Aroeira, apresentações de grupos de cirandeiros e bandas de pífano. Ainda com o grupo Raiz, é convidado para um programa quinzenal na TV Jornal do Commercio (Canal 2), onde Geraldinho apresentava o quadro "Chegou a vez". Nesta segunda metade da década de 1960 inaugura a parceria com o Carlos Fernando ao compor "Aquela Rosa", sua primeira música completa, com melodia e letra; assume a direção musical do 2º Festival de Música do Nordeste e considerado um dos melhores violinistas da época. Neste período conhece Eliana Pittman, que na época cantava com seu pai, Booker Pittman, e pouco tempo depois seria responsável, de certo modo, pela ida de Geraldo ao Rio de Janeiro para arriscar a sorte como músico quando o convidou para tocar com em seu primeiro show solo, “Eliana em tom maior”. Assim como aconteceu com Petrolina, o talento de Geraldo já não cabia na capital pernambucana, fazendo-o pensar na possibilidade de seguir rumo ao Sudeste. Dessa vez ele não iria em busca de oportunidades acadêmicas, ele iria certo que tentaria a vida de músico a partir das oportunidades que viessem a surgir como hoje é possível atestar. Enfim o Brasil teria a oportunidade de conhecer Geraldo, o seu carisma e violão, pois na proposta de ir ao Rio para participar do show de Eliana, haveria a oportunidade de apresentar-se de modo solo enquanto a cantora trocava o figurino., o que acabou corroborando para torná-lo conhecido como compositor e instrumentista versátil.

domingo, 11 de junho de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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O artista hoje em questão é um dos quais eu já tive a oportunidade de dividir alguns minutos em sua companhia e que me faz confessadamente extrapolar a barreira da admiração artística para a pessoal. Hoje, falar do trabalho de Geraldo Azevedo de modo imparcial no meu caso é quase impossível. Pessoa de primeira grandeza, Geraldinho (como todo pernambucano que admira seu trabalho e trajetória o chama carinhosamente) é um artista que quando se toma conhecimento de suas atitudes para fora do palco aprende-se a admirá-lo ainda mais. Aqui mesmo em outra oportunidade pude trazer uma dessas passagens que o engrandecem enquanto pessoa quando, em um dos shows realizados na capital pernambucana, uma ardorosa fã o questionou a respeito de um pequeno presente dado haia quase duas décadas. Para surpresa de todos ali presentes, Geraldo não só lembrou do presente como o mostrou, comprovando o seu carinho e atenção para todos aqueles que o acompanham. Geraldo Azevedo de Amorim é um dos maiores artistas da música popular brasileira e um dos mais representativos cantor e compositor da região Nordeste. Sua música é composta pela diversidade de gêneros unindo ritmos como frevo, forró, xote, maracatu e baião. Autodidata, por ironia do destino quis a arte fazer de Geraldo Azevedo um dos grandes violonistas da MPB. Suas execuções são sempre pontuadas por performances que o permite ser classificado como um virtuoso e exímio violonista. Sem dúvida, está neste violão que brilhantemente empunha desde os cinco anos (idade que ganhou o seu primeiro instrumento ), uma parcela significativa do seu magnetismo artístico como se pode atestar em brilhantes e perfeitas execuções como é o caso da clássica "Bicho de sete cabeças".

Nascido às margens do rio São Francisco, no bairro Jatobá (então zona rural da cidade) de Petrolina), Geraldo Azevedo de Amorim convive com a música desde os seus primeiros anos de vida: sua mãe, Dona Nenzinha, professora, cantava e promovia eventos culturais na escola que funcionava em sua própria casa. Nestes eventos realizados pela mãe, o pequeno Geraldo, aos quatro anos de idade, já cantava e se apresentava. Inspirado pela família, o pequeno Geraldo arrisca os seus primeiros acordes e assim vai aperfeiçoando suas habilidades musicais a frente do instrumento com o passar dos anos até o advento da Bossa Nova, movimento musical que revolucionou a cabeça de muitos jovens à época de sua chegada e que acabou influenciando toda uma geração de artistas. Encantado pela musicalidade e pelo violão de João Gilberto (um dos ícones do movimento), o pretenso músico da cidade vizinha a do grande ídolo passa a estudar violão com mais afinco, chegando a frequentar bailes apenas para observar e aprender novas harmonias com os músicos. Com o desejo de fazer música, Geraldinho inicia ainda em Petrolina a sua incursão por este universo musical. Convidado  a princípio para trabalhar m um programa de rock na difusora da cidade, logo Geraldo é convidado para apresentar o programa “Por Falar em Bossa Nova”. Estava dado o primeiro passo para integrar o grupo Sambossa, grupo com o qual apresentou-se em diversas ocasiões em Petrolina e nas regiões próximas apresentando um repertório essencialmente bossa novista, que incluía aí muitas das canções ouvidas nas ondas radiofônicas a partir de diversos nomes. No entanto, seu talento almejava outros campos. A sua musicalidade já não era comportada por Jatobá, precisava espalhar-se a partir de outras paragens e desse modo resolveu seguir para a capital.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

PROGRAME-SE


segunda-feira, 10 de abril de 2017

INGRESSOS PARA SHOW D'O GRANDE ENCONTRO CUSTAM A PARTIR DE R$ 50

Alceu, Elba e Geraldo voltam a Pernambuco em junho


Este será o segundo show da segunda versão d'O Grande Encontro em Pernambuco. 


Alceu, Elba e Geraldo voltam a Pernambuco com O grande encontro no dia 2 junho. Os ingressos para a apresentação, que será realizada no Classic Hall (Complexo Salgadinho, Olinda), custam R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) para a pista, R$ 1000 para mesa premium para quatro pessoas, R$ 800 para mesa VIP para quatro pessoas e, para camarotes para 10 pessoas, R$ 1200 (3º piso), R$ 1400 (2º piso) e R$ 1600 (1º piso). 

A data de início das vendas ainda não foi anunciada, mas os ingressos poderão ser adquiridos no local do show ou nos quiosques do TicketFolia nos shoppings Tacaruna, Recife e RioMar. Pela internet, estarão disponíveis através do site Eventim.com.br. Esta é a segunda vez que a nova versão d'O grande encontro é trazida ao estado - a primeira foi em 2 de dezembro do ano passado, também no Classic Hall. Já o DVD do projeto foi gravado em São Paulo e lançado no dia 9 do mesmo mês.

A primeira vez que Alceu, Elba e Geraldo se reuniram foi nos anos 1990 - o primeiro O grande encontro contou também com Zé Ramalho, que preferiu não participar da segunda versão. O DVD do show foi gravado no Canecão, no Rio de Janeiro, em 1996. Os CDs dos dois projetos estão disponíveis em plataformas de streaming como o Spotify.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Este ano completa-se quatro décadas de lançamento do primeiro disco solo do cantor e compositor pernambucano


Por Bruno Negromonte

Geraldo Azevedo (1977)


Após cinco anos do lançamento de seu primeiro disco (álbum lançado em parceria com Alceu Valença), Geraldo Azevedo voltava ao mercado fonográfico dessa vez com um álbum solo, o primeiro de uma série que viria a lançar até os dias atuais. Composto inicialmente por oito canções, pela primeira vez surge na discografia de Azevedo um nome que viria se tornar recorrente deste trabalho em diante: Carlos Fernando. Autor de matade das canções presentes no disco, o caruaruense também assina em parceria com Geraldinho "Barcarola do São Francisco", "Em Copacabana" e "Domingo de Pedra e Cal". As outras faixas são parcerias de Geraldo com Alceu Valença, revivendo, de certo modo, a parceria fonográfica iniciada em 1972.



Intérprete: Geraldo Azevedo
Álbum: Geraldo Azevedo
Ano: 1977
Selo/Gravadora: Som Livre
Nº de catálogo: 403.6115


Faixas:
01 - Cadê Meu Carnaval (Geraldo Azevedo)
02 - Caravana (Geraldo Azevedo - Alceu Valença)
Talismã 
(Geraldo Azevedo - Alceu Valença)
Barcarola do São Francisco (Geraldo Azevedo - Carlos Fernando)
''Correnteza''
03 - Domingo de Pedra e Cal 
(Geraldo Azevedo - Carlos Fernando)
04 - Em Copacabana 
(Geraldo Azevedo - Carlos Fernando)
05 - Cravo Vermelho 
(Carlos Fernando)
06 - Fulô do Dia 
(Carlos Fernando)
(Carlos Fernando)
07 - Juritis e Borboletas 
(Carlos Fernando)
08 - Coração do Agreste 
(Carlos Fernando)

Na edição de 2015 o álbum inclui ainda as faixas:09 - Malaksuma (Geraldo Azevedo, 1976) - Composição gravada para a trilha sonora da novela Saramandaia (TV Globo, 1976)
10 - Tangará (Geraldo Azevedo, 1976), composição do artista gravada pelo Coral Som Livre para a trilha sonora da novela O casarão (TV Globo, 1976).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

CURIOSIDADES DA MPB

Antes de seguir a carreira musical, ‎Geraldo Azevedo‬ era projetista em uma empresa de construção. No início dos anos 60, estudando para o vestibular de Arquitetura em Recife, Geraldo começa a trabalhar como projetista, participando da construção de prédios tradicionais da capital pernambucana.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

ALCEU, ELBA E GERALDO AZEVEDO LANÇAM CD E DVD DA TURNÊ GRANDE ENCONTRO

Por Thales de Menezes




A turnê "Grande Encontro: 20 Anos", de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, poderia ser chamada "Grande Reencontro". Os três artistas reeditam os shows que fizeram juntos em 1996, um projeto que na época contou também com Zé Ramalho. Mas outro título possível, na base da brincadeira, seria "Grande Desencontro".

A piada é disparada por Geraldo durante uma de muitas discussões na entrevista do trio à Folha, no apartamento de Alceu, no Leblon. Foi em um dos momentos nos quais ele deixou o sofá para tomar água de coco e fugir um pouco da azucrinação de Alceu. Este fala pelos cotovelos, de um jeito divertido e errático que enlouquece Geraldo.

Elba, mais tranquila, tenta manter os meninos na linha, mas faz questão de rebater cutucadas de Alceu. Por exemplo, quando ele critica a parceira que, ainda adolescente, tocava bateria numa banda de garotas que seguia o repertório da jovem guarda.

Ela fala do talento pop de Renato e Seus Blue Caps, e Alceu interrompe. "É melhor do que Tom Jobim? É melhor do que João Gilberto?", diz em tom exaltado, provocador.

Não adianta Elba falar em seguida de sua paixão pela bossa nova. Alceu já está em outra, relembrando o tempo em que morou na França, conjecturando sobre a Cuba pós-Fidel ou simplesmente cantando alguma música.

Alceu afirma que não consumiu drogas, "como todos na minha geração, incluindo esses dois". E reclama que ele é quem leva a fama de maluco. "Mas você é maluco naturalmente", diz Geraldo. "Alceu é feito o Obelix, que caiu na poção quando era pequeno e não precisa tomar mais."

A conversa é elétrica, sim, mas o bate-boca é muito carinhoso. Por trás das diferenças em vários temas, transparece a intimidade decorrente de vidas entrelaçadas.




SHOW NO RÉVEILLON

Cada um é muito importante na carreira do outro, o que explica a cumplicidade e o afeto mostrados na turnê, que viaja pelo Brasil desde setembro e continua no ano que vem. Os três vão fazer o show do Réveillon de Copacabana.

A química entre os três nordestinos está acessível a um público maior a partir de sexta (9), quando é lançado o registro da turnê em CD e DVD.

São quase 30 músicas nos shows, que começam com "Anunciação", grande hit de Alceu, e terminam com as explosivas "Banho de Cheiro" e "Frevo Mulher".

"Grande Encontro: 20 Anos" é, também, uma prova irrefutável do enorme talento de Elba Ramalho.

Os pernambucanos Alceu, 70, e Geraldo, 71, são compositores. O primeiro, mais roqueiro, esfuziante. O segundo, mais romântico, encantador. No palco, estão em zona de conforto, pinçando peças de seus cancioneiros.

A paraibana Elba, 65, transita entre o repertório dos dois amigos, o que exige cantar em tons diferentes de seu habitual. "Tenho que me adaptar, corro atrás do que é confortável para eles." Geraldo concorda: "Ela se sacrifica".

Elba é responsável pela fatia do show que resgata grandes nomes da canção nordestina, interpretando Zé Ramalho, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e Gonzagão. De Gonzaguinha canta "Sangrando", um dos momentos mais emocionantes do show.

Essa dedicação ao projeto é fruto de quatro décadas de amizade. "Eu vim para o Rio convidado pela cantora Eliana Pittman e com ela fiz várias temporadas, nos anos 1960", conta Geraldo.




DYLAN BRASILEIRO

Alceu assistia ao futuro parceiro em shows e programas da TV pernambucana. Estudante de direito, foi fazer um curso em Harvard. Amigo de hippies em Boston, tocava violão e foi visto por um jornalista americano. "Fui parar no jornal. Estava escrito que eu fazia 'protest songs' e era o 'Brazilian Bob Dylan'".

Na volta, Alceu desistiu do direito e foi ser jornalista no Rio. Encontrou Geraldo e disse: "Estive nos Estados Unidos e cantei uma música sua". Era "Aquela Rosa", que Elba gravaria anos depois.

Elba conta seu encontro com os amigos. "Geraldo é o elo, é a nossa Faixa de Gaza. Vim ao Rio para um show com o Quinteto Violado e fiquei. Fui tentar um papel numa peça e conheci Geraldo, que fazia direção musical."

Eles ficaram muito amigos, e Alceu também tinha música na peça. "Eu e Geraldo terminamos alugando apartamento juntos, vizinhos de Alceu", segue Elba. "Quando a fome apertava, a gente ia comer na casa de Alceu."

Talvez daí venha a força do "Grande Encontro". Como define o dito popular, essa entusiasmada celebração da música nordestina junta a fome com a vontade de comer.

*

Box de LPs reúne álbuns de Alceu antes do sucesso

Alceu Valença tem também um resgate particular de sua carreira. Ele começou a percorrer o Brasil com a turnê "Vivo! Revivo!", em que canta o repertório de seus primeiros discos. O show está saindo em CD e DVD (R$ 25 e R$ 34, respectivamente, pela Deck).

As gravações originais também sairão numa caixa de LPs, "Alceu Valença 70". São os álbuns "Molhado de Suor" (1974), "Vivo!" (1976), "Espelho Cristalino" (1977), e "Saudades de Pernambuco", disco pouco ouvido, gravado na França, em 1979. Essa quadra retrata Alceu antes do sucesso dos anos 1980.

*

GRANDE ENCONTRO: 20 ANOS
ARTISTAS Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo
LANÇAMENTO Sony Music
QUANTO R$ 25 (CD), R$ 33 (DVD)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

ALCEU, ELBA E GERALDO CELEBRAM 20 ANOS DO GRANDE ENCONTRO

Desta vez, sem Ramalho, os três chegam ao Recife em dezembro

Por José Teles


Geraldo, Elba e Alceu no reencontro para o Grande Encontro


"Na noite de anteontem Botafogo tornou­se capital honorária do Nordeste. Tudo porque Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Alceu Valença promoveram a primeira apresentação carioca do show o Grande Encontro", dizia a abertura da matéria do Jornal do Brasil, de 18 de julho de 1996, sobre a estreia do espetáculo que volta aos palcos, celebrando duas décadas, porém desta vez como um trio, com Elba, Geraldo e Alceu: "Se fosse com o Zé seria muito mais forte, e mais emblemático. Elba falou com ele, outras pessoas falaram, mas Zé não queria mais nem tocar nesse assunto, diz que é um projeto acabado para ele, um ciclo da vida que já passou", conta Geraldo Azevedo, em entrevista por telefone.

O Grande Encontro já teve uma segunda edição, naquela vez sem Alceu Valença. Os únicos que participaram de todos foram Geraldo Azevedo e Elba Ramalho. Porém Geraldo Azevedo parece ser o catalizador do encontro entres este músicos que renovaram a música nordestina e brasileira a partir dos anos 70. Em setembro de 1975, ele e Zé Ramalho, na época morando no mesmo prédio, no Leblon, montaram o show Duetos, com o qual viajaram pelo Brasil e fizeram duas apresentações, de casa cheia no Canecão. Gravadoras, entre elas a Som Livre e a Virgin, se interessaram em lançar o disco do registro do show no Rio, mas não se chegou a um acordo. O show continua inédito.

Dueto deixou folhas e frutos: "Fizemos várias cidades do Brasil. Quando fizemos no Canecão. Alceu e Elba foram assistir, depois foram conversar, e conversa continuou e o Grande Encontro surgiu daquele dueto". Na época eram 80 anos de carreira entre os quatro, o repertório chegou a alongar-­se por três horas e 45 músicas, mesmo assim foi um sucesso sem precedentes para os quatro que chegaram ao Recife vindo de cidades do interior de Pernambuco e da Paraíba:

"Alceu já me conhecia por me assistir no Recife, eu tinha um programa de TV também, ele viu meu programas algumas vezes. Mas nos conhecemos no Rio em 70, em 72 já estávamos fazendo um disco. Conheci Elba em 1974, ou 75 por aí, numa peça, em que ela era atriz e eu fazia música. A Chegada de Lampião no Inferno, de Luiz Mendonça. Terminou que depois desta peça ficamos muito amigos, chegamos a morar juntos. Tinha saído de um casamento. Moramos juntos uns três anos. Mas não éramos namorados, só amigos. A gente mais ou menos começando, um ajudava o outro. No primeiro disco meu, ela faz coro, ela e Alceu. De tudo isso ficou uma grande amizade".Zé Ramalho, primo de Elba, Geraldo e Alceu conheceram durante as filmagens de A Noite do Espantalho, dirigido por Sérgio Ricardo, em Fazenda Nova (PE).


NOVO ENCONTRO

O novo Grande Encontro surgiu mais uma vez de um dueto, desta feita entre Geraldo Azevedo e Elba Ramalho: "Comecei a fazer, em 2014, um projeto com Elba chamado Encontro Inesquecível. Fizemos 20 shows. Então Luiz Niemeyer, era o diretor RCA na época do Grande Encontro, sugeriu que fizéssemos novamente. Alceu queria botar uma pessoa no lugar de Zé Ramalho, mas aí achei que não seria o Grande Encontro. A gente, eu e Elba, tínhamos feito já um Grande Encontro sem Alceu e com Zé. Acho que o grande encontro somos Eu e Elba, porque fizemos uma vez sem Alceu, e agora sem Zé Ramalho. Mas o bom disto tudo, é que Alceu estava a fim de voltar, Acho que é uma coisa muito forte fazer show com Alceu de novo, mesmo sem o Zé".

Em 1996, os quatro reuniram­-se celebrando carreiras que chegavam a duas décadas de Rio de Janeiro, portanto, de Brasil. Quarenta anos depois as mudanças foram mais radicais do que se imaginava na época: "De lá para cá surgiu, por exemplo, a Internet, coisas que deram outra dimensão à carreira da gente. Mas o não mudou é que, depois deste tempo todo, sou cobrado onde vou pela volta do Grande Encontro. Acho que eles também. O Grande Encontro vai haver de novo? A eterna pergunta. Acho que a gente está fazendo agora com mais grandeza. O tempo nos deu muito mais experiência, e por ser um show com banda, ficou bem mais um grande espetáculo, não mais uma cantoria. Na primeira vez eram só violões. Antes cada um cantava sua música, numa ou outra tinha participações, eu fazia umas duas com Elba. Agora é mais todo mundo cantando juntos" comenta Geraldo Azevedo sobe o show que estreia dia 17 de setembro, no Metropolitan no Rio, com ingressos esgotados, e aterrissa no Recife em dezembro.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

PREFIRO VOCÊ (GERALDO AZEVEDO)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O COMPOSITOR E A CORUJA

Por Bruno Negromonte


O título deste mal traçado artigo remete-nos aos nossos primeiros primeiros anos de nossa vida escolar, quando por intermédio da saudosa e tenra professora tínhamos a oportunidade de ler ou ouvir as curtas composições literárias onde os mais diversos animais protagonizavam histórias imbuídas de caráter educativo e quase sempre em analogia entre o cotidiano humano com as  vivenciadas pelas personagens e que sempre ao final da narrativa trazia alguma lição onde prevalecia a moral. No entanto, talvez nem Esopo, escravo da Grécia antiga a quem atribui-se oficialmente a criação de tal gênero literário, fosse capaz de mensurar que o título que aqui se encontra surgiu com o propósito de eternizar, de modo escrito, o imenso carinho e a mais singela cumplicidade existentes entre duas pessoas: a incondicional fã e um dos mais expressivos nomes da MPB de todos os tempos.

O início de tal fato ocorreu a exatamente dezessete anos atrás, quando em Aracaju, capital sergipana, o cantor, compositor e instrumentista Geraldo Azevedo apresentava mais um dos seus inesquecíveis shows... e este tinha uma razão a mais para tornar-se inesquecível para uma das centenas de pessoas presente naquela noite de música, poesia e intensa alegria: uma fã em especial levava uma pequena e singela peça artesanal a qual pretendia presentear seu ídolo ao final daquela apresentação. Tal objeto ganharia especial atenção do ídolo pois passaria a acompanhá-lo daquela data em diante como uma espécie de amuleto, quem saber por conta de toda a simbologia contida naquele presente que longe de um alto valor material passou a ter um alto valor representativo por expressar um pouquinho do muito carinho que o seu público o dedica ao longo das mais de quatro décadas que vem trilhando esse belíssimo caminho, que apesar dos percalços ele celebra sempre com um sorriso no rosto.

Toda essa teoria faz-se necessária para que possa chegarmos ao cerne deste relato, a partir de um fato ocorrido em sua última apresentação na capital do seu estado natal. Em sua passagem por Boa Viagem, zona sul da cidade do Recife, Geraldo trouxe ao palco do Parque Dona Lindu toda a amálgama sonora que constitui sua obra ao apresentar canções de sua própria lavra e interpretou números de autoria de conterrâneos tais quais Luiz Gonzaga, Jorge de Altinho e Zé Dantas, inebriando de modo singular àqueles que, mesmo com o tempo propício à chuva, não deixaram de comparecer ao evento para entoar, de modo uníssono com o cantor, canções como "Dia branco", "ABC do sertão", "Sabor colorido", "Bicho de sete cabeças", "Petrolina Juazeiro" e tantas outras que permeiam as mais distintas estórias e histórias do heterogêneo público presente. 

Após cerca de uma hora e meia de apresentação o artista despediu-se de um público já ansioso por sua volta. Após o merecido descanso em seu camarim, Geraldo Azevedo caminhava para a van que o levaria ao hotel localizada nas imediações do local da apresentação. Ao sair do teatro foi abordado por pelo menos uma dúzia de pessoas que o assediaram para registrar em fotografia aquele momento e para relatar as mais distintas estórias, dentre elas a da coruja. Sempre solicito, Geraldo Azevedo procurando atender a todos aqueles que o abordavam, em dado momento, escuta uma jovem relatar-lhe: "Geraldo, sou sua fã faz muitos anos. Inclusive, em Aracaju, eu lhe dei uma corujinha de presente a uns dezessete anos atrás...". Para surpresa da fã, Geraldo a questiona: "E foi você quem me deu a coruja? Até hoje eu tenho ela! Inclusive ela está aqui comigo. Vou lhe mostrar... comigo é assim: eu mato a cobra e mostro o pau." Para surpresa das pessoas presentes Geraldinho abriu uma pequena necessaire e mostrou para a emocionada fã o presente dado a quase duas décadas atrás: a réplica de um pequeno animal que para muitos simboliza a sabedoria.

São situações como estas que atestam veementemente a razão pela qual Geraldo Azevedo é tão amado por seu público e atrai uma legião de fãs por onde passa mesmo não estando presente com tanta frequência nos grandes meios de comunicação. Sua relação de cumplicidade com aqueles que o acompanham ao longo de sua trajetória artística é passada e construída a partir de gestos como este, onde a intransponível barreira e protocolos existentes entre artista e fã inexiste. E é nesta relação arraigada por nobres adjetivos e substantivos diversos tais quais carinho, gentileza e delicadeza ao longo de tantos anos que Geraldo Azevedo é admirado não apenas pelo seu público, mas também pelos colegas de profissão. E é sob a égide da máxima colhemos justamente aquilo que plantamos que o artista hoje vive. Colhendo os frutos de uma vida inteira semeando amor.

P.S. - Hoje, mostrando-se também um pouco “coruja” em sua condição de pai, Geraldinho vem mostrando o espetáculo "Em família", apresentação onde o artista pernambucano consegue reunir no palco e fora dele sua prole em diversas apresentações pelos quatro cantos do país. Em diversas apresentações é possível vê-lo ao palco acompanhado por seus talentosos filhos Lucas Amorim, Tiago Azevedo e Clarice Azevedo. Além de Gabriela Azevedo, nos bastidores em sua produção.

domingo, 15 de março de 2015

GERALDO AZEVEDO 70 ANOS: UM PASSEIO PELA TRAJETÓRIA DO MÚSICO

Nesse dia branco, se branco ele for, o pernambucano fala sobre a infância, a ditadura militar, parcerias musicais e vida pessoal


Por Larissa Lins


Em sete décadas de existência, ele deixou o interior de Petrolina, a 712 quilômetros do Recife, e se projetou como expoente da música popular brasileira. Propagou o sotaque nordestino em shows, rádios e telenovelas. Cantou a liberdade na era de chumbo da década de 1970 e foi detido pelos militares. Lançou 25 álbuns - somando produções solo e parcerias - durante os mais de 40 anos de carreira. Foi premiado com (QUANTOS?) discos de ouro e platina, disputou o Grammy Latino, subiu ao palco ao lado dos filhos, também músicos, e compôs trilhas sonoras para histórias de amor e revolução. Dia branco e Canção da despedida estão entre as composições que o músico considera obras primas, ambas fruto de parcerias com outros compositores. 

Geraldo chega aos 70 anos com sucessos consagrados e composições inéditas. Foto: Divulgação oficial

Além de artista, Geraldo Azevedo é um diplomata nas rodas da música e poesia nacionais. Alceu Valença, Elba e Zé Ramalho, Fagner, Geraldo Vandré, Fausto Nilo, Moraes Moreira, José Carlos Capinan, Assunção de Maria e Carlos Fernandes são nomes na extensa lista de parceiros musicais. Para ele, a história dos setenta anos de idade, comemorados neste domingo, é feita de causos conduzidos pela música. Geraldo Azevedo de Amorim, que na adolescência sonhava em se tornar arquiteto, diz ter sido envolvido pela arte - fio condutor de possibilidades infinitas, nas palavras do aniversariante. “Durante toda a vida, a música me levou aonde quis”, ele diz. Então, embarque com o Viver em uma viagem com canções, do pernambucano e de amigos, pela vida do sertanejo.


O PRINCÍPIO DO PRAZER 
A cor do som, eu com você sou muito mais
O princípio do prazer
Sonho que o tempo não desfaz

O primeiro violão foi feito e entregue pelas mãos do pai, José Amorim, quando Geraldo tinha apenas cinco anos de idade. Autodidata, o menino cantava e tocava desde a infância, se apresentando na escola de alfabetização coordenada pela mãe, em Petrolina, interior de Pernambuco. “Cresci numa casa que mais parecia um centro cultural no cenário dominado pela roça. Minha mãe cantava bastante e meu pai deixava sempre um instrumento musical ao nosso alcance. Eu não cresci com pretensões artísticas, mas houve uma ligação intuitiva com a música. Graças à convivência com o violão, eu e meus irmãos aprendemos a manuseá-lo. Na ascensão da bossa nova, com acordes e arranjos inéditos, me interessei pela primeira vez em estudar as notas e acordes da teoria musical. ”

Nascido em Petrolina, recebeu o primeiro violão das mãos do pai. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação


CANTA CORAÇÃO 
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Quero paz no coração

Aos 18 anos, Geraldo deixou a cidade-natal e partiu rumo à capital pernambucana, onde pretendia concluir os estudos e prestar vestibular para o curso de arquitetura. “Em Petrolina, as escolas ofereciam turmas somente até o ginásio (ensino fundamental). Me mudei para o Recife planejando me tornar engenheiro ou arquiteto, mais provavelmente arquiteto. Sempre gostei de cálculos, matemática, física e desenho. Ainda hoje rabisco algumas gravuras, que já foram usadas como inspiração para os cenários de alguns shows”, conta o músico, que não chegou a se graduar. Graças a apresentações cada vez mais frequentes na noite recifense, ganhou espaço entre os artistas e boêmios locais e se juntou a Naná Vasconcelos, Toinho Alves e Marcelo Melo no grupo cultural intitulado Construção. A convite da cantora Eliana Pittman, que o via tocar, embarcou com 22 anos para o primeiro show fora de Pernambuco. Apresentou-se no Rio de Janeiro, onde Eliana gravou a canção Aquela rosa, composta por Geraldo. “No Rio, conheci meu parceiro musical Geraldo Vandré e o caminho da música se tornou sem volta. Tudo começou a acontecer. ”

Geraldo e Naná Vasconcelos na década de 1970. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

CHORANDO E CANTANDO
Faz mais
Depois faz acordar chorando
Pra fazer acontecer
Verdades e mentiras

Durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1984), Geraldo Azevedo foi preso e torturado pelo regime duas vezes. A primeira no governo Costa e Silva, durante 41 dias. A segunda no período Geisel, quando foi “confundido” com um rapaz chamado Valério. Chegou a ser enviado à solitária, de onde saiu com traumas físicos e emocionais. Um violão o salvou. Quando souberam da identidade artística, os militares lhe entregaram o instrumento para que ele “mostrasse a habilidade”. Sem roupa, ele cantou e dançou para os algozes. Foi solto e jamais processado. A música Canção da despedida – segundo o intérprete, escrita em parceria com Geraldo Vandré em 1968 – foi censurada por fazer alusão ao exílio e ao governo ditatorial. Gravada mais tarde por Elba Ramalho, acabou se popularizando como canção romântica sem cunho político. Em entrevista polêmica na década de 2000, Vandré negou quaisquer parcerias nessa fase da vida. Geraldo, por sua vez, elogia o trabalho da dupla e diz considerar a letra uma das preferidas. Sobre a evolução democrática, afirma: “Hoje fazemos música em um país mais livre. Mas a lição que tirei daquela época e repasso aos mais jovens é que a arte sempre prevalece. Mesmo nas condições mais adversas, a arte e a cultura se sobressaem. ”


PARCEIROS DAS DELÍCIAS
Vem me tirar da rede
Nem que seja das intrigas 
Vem me botar na vida

Nos anos 1970, Geraldo construiu uma das mais marcantes parcerias musicais. Provavelmente a mais conhecida pelo público dele. “Naquele tempo eu me apresentava junto com Geraldo Vandré, e já havia notado a presença de Alceu (Valença) na plateia em algumas ocasiões. Certa noite, ele se apresentou como músico, conversamos e senti uma empatia imediata. Nasceu uma irmandade. No dia seguinte ele já estava em minha casa, quando escrevemos nossa primeira música juntos, Talismã. Começamos a trabalhar em parceria e não paramos mais. Conseguimos espaço no Festival Universitário da TV Tupi, do qual saímos sem prêmio algum, mas com convites para shows e turnês.” Em 1972, foi lançado o primeiro álbum da carreira de Geraldo, intitulado Alceu Valença e Geraldo Azevedo – Quadrafônico, encartado pela Copacabana Discos. “Até hoje nos confundem, Alceu e eu. Já aproveitamos a semelhança para trocar de lugar propositalmente algumas vezes. Um dia, numa barraca de coco na praia, o vendedor me disse: ‘Alceu, eu sou seu fã! Você aqui não paga nada!’, e eu me passei por ele. Tomei o coco e fui embora sem pagar.”

Alceu Valença e Geraldo Azevedo se tornaram amigos e parceiros musicais. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

TANTO QUERER 
Quando a gente se encontra
Cresce no peito
Um gosto de vida, um sorriso

Geraldo desenvolveu sua obra atrelando-a às de outros talentos da MPB. Além de Alceu, seu grande amigo, Fausto Nilo, Carlos Fernando, Fagner, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Naná Vasconcelos, Geraldo Vandré, Elba Ramalho e os poetas José Carlos Capinan e Assunção de Maria se integraram às suas composições. O músico recifense Carlos Fernando, falecido em 2013, tem lugar especial na lista. “Ele foi um dos meus primeiros e principais parceiros. Infelizmente foi embora, mas tenho parcerias nossas inéditas. São três ou quatro canções que ainda pretendo gravar”, revela Geraldo. “Eu simplesmente adoro trabalhar em parceria! Táxi Lunar, por exemplo, que considero um marco na minha carreira, foi feita junto com Alceu Valença e Zé Ramalho. Foi a primeira música que levou minha voz às rádios de todo o país”, conta. Sobre o projeto O Grande encontro - que reúne Geraldo, Elba, Zé e Alceu - prevê futuro: “Foi um trabalho memorável e acredito que, apesar de desencontros entre nossas agendas e pretensões, ainda se repita em um novo volume.” A primeira compilação de músicas do quarteto foi encartada em 1996 - o segundo volume veio em 1997 e o terceiro, em 2000 - com faixas como Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), Trem das sete (Raul Seixas), Banho de cheiro (Carlos Fernando), Chão de giz e Admirável gado novo (Zé Ramalho), Coração Bobo e Tesoura do Desejo (Alceu Valença). “Nós quatro sempre tivemos bastante afinidade, além de termos trabalhado juntos sempre. Dois, três ou quatro de nós, em diversas ocasiões. Nos conhecemos profundamente, há uma sintonia evidente no palco”, conta. Fruto da iniciativa em conjunto do grupo, que ansiava por registrar em disco a parceria, O Grande encontro foi gravado ao vivo no dia 19 de setembro de 1996, no Canecão, Rio de Janeiro, e recebeu disco de platina triplo pela sua comercialização.

Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo em O Grande Encontro. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

SEMENTE E FRUTO
Tempos viverão em nós
Pura energia, paz e alegria
Harmonia em nossa alma

As longas temporadas na estrada abalaram a convivência do músico com a família. Viagens demoradas o impediam com frequência de acompanhar o crescimento dos filhos, o que não os distanciou da carreira musical. Com o tempo, Lucas, Tiago e Clarice se tornaram músicos assim como o pai. Gabriela virou produtora e assumiu o controle dos bastidores das turnês. “Esse convívio sobre o palco compensa em parte a minha ausência no passado. Mas sempre os incentivo a buscar trabalhos independentes, em paralelo ao que desenvolvemos juntos. Assim eles não dependem exclusivamente de mim. Clarice, por exemplo, tem negócios com venda de calçados, faz suas próprias composições, atua em diversas áreas. Todos eles são muito ativos e estudam bastante. Vencemos a saudade de outrora com nosso trabalho em equipe”, explica. 


DONA DA MINHA CABEÇA
Dona da minha cabeça ela vem como um carnaval
E toda paixão recomeça, ela é bonita, é demais

A música, para Geraldo, sempre foi prioridade. “É uma arte de possibilidades infinitas”, classifica ele, que há anos grava de forma independente, longe das grandes corporações fonográficas. Para o músico, preservar a autonomia e criatividade de sua obra foi preponderante nessa decisão. “Já fui submetido à exigência de vantagens, além de boicotes, quando trabalhava com gravadoras. Então passei a usar os lucros dos shows para gravar meus discos. O fato de a música não ser mais consumida somente em discos fornece liberdade ao artista, que se torna tão poderoso quanto qualquer empresa.” Dar vazão à música é o mais importante para Geraldo, que planeja gravar álbum erudito, em parceria com orquestras sinfônicas, mas que também não abre mão de estar em sintonia com as novas batidas digitais. Entre o clássico e o contemporâneo, ele revela ainda: “Sonho em ir ao Recife no futuro gravar um CD de frevo. Quero registrar a alegria que sinto diante do povo recifense nos carnavais. Quero também concluir o projeto Canta, canta, passarinho, com cantigas inspiradas em pássaros, voltado para crianças. E tenho composições inéditas que rendem mais de dois álbuns completos”, anuncia.

Geraldo sobe ao palco acompanhado pelos filhos. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

DIA BRANCO
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto, esse canto de amor

Para o domingo de aniversário, Geraldo não tem planos. “Quer saber de uma coisa engraçada? Eu tinha um show programado para o dia seguinte, em Boston. Sabendo disso, não organizei nenhuma comemoração. Por motivos operacionais, o show foi cancelado há alguns dias e agora não sei o que fazer. É uma data icônica. Meus filhos organizam tantas festas, deve haver comemoração. Fiquei desprevenido sem o show. Mas ainda estou considerando a possibilidade de viajar em família”, conta aos risos. E se pudesse fazer um pedido, diz que deseja que as pessoas se amem e se respeitem mais, que entendam que precisam umas das outras e também da natureza. “Somos todos irmãos, a natureza inteira, não apenas os seres humanos”, reforça o compositor do álbum Salve São Francisco – indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras - Regional Nativa - composto em defesa do rio que entrecorta a cidade de Petrolina, onde ele nasceu.

Geraldo nasceu no interior de Petrolina e a partir da década de 1970, ganhou destaque na MPB. Foto: Divulgação oficial

domingo, 22 de fevereiro de 2015

AOS 70 ANOS, GERALDO AZEVEDO NÃO SE SENTE VELHO E PERDOOU A DITADURA

Por Romero Rafael



Uma risada, duas, três… O riso é vírgula na prosa de Geraldo Azevedo, cantor, compositor e violonista petrolinense, que chegou no último dia 11 de janeiro aos 70 anos. Dono de Chorando e cantando, Dia branco, Táxi lunar, Bicho de sete cabeças, O princípio do prazer, Canção da despedida e Você se lembra, para citar algumas, diz que nestas sete décadas de vida esse conjunto foi, sim, sua maior contribuição existencial. Com leveza, em conversa ao telefone, ele recordou o tempo em que a “música salvava”, diz ter superado o bicho-de-sete-cabeças que foi a ditadura e ensina sua receita para viver. Termina falando dos projetos que mantém na cabeça, com a vitalidade de quem não se sente velho. Acompanhe:



Como é chegar aos 70?

Rapaz, dizem que 7 é a idade da razão. Então, de 7 em 7 eu tenho dez razões para gostar de viver. Eu não me sinto velho. Não é querendo… Mas é que eu continuo com a minha vida do mesmo jeito e vou celebrar este ano todo.


De qual jeito?

Tocando por aí… Festa eu não preparei. Eu tinha uma viagem para fora do Brasil, para me apresentar em um festival, mas foi cancelado. Fiquei desarticulado. Como está todo mundo saindo de festas, ia ser uma complicação.



Há um segredo para viver bem?

Gostar de olhar ao redor. E também como você pode se integrar nisso tudo. O mundo, tudo o que está ao nosso redor, é irmão. Tem que saber cultivar, cultuar e incentivar o bem.


O que a vida lhe deu de mais especial?

O dom de saber viver, de poder viver fazendo o bem. Tenho de viver fazendo o bem.


E nessas sete décadas, qual sua maior contribuição para o mundo?

Tenho certeza de que são as canções que fizeram parte da vida das pessoas, e estas foram passando de geração em geração. Minha música foi se perenizando, porque são canções que representam o sentimento da vida das pessoas. Sentimentos que, às vezes, eu não alcanço, mas que as pessoas alcançam.



E se não fosse a música?

Tenho muita habilidade com as mãos, então eu seria artista plástico. Gosto de desenhar, esculpir, montar… São coisas que me encantam. Embora meu sonho fosse me formar, porque não existia essa coisa de ser artista como uma profissão. Existia preconceito, e até eu aceitar… Mas acontece que a música me seduzia. Essa sedução foi a loucura.


Quais músicas são muito especiais para você?

É difícil, são muitas canções… Mas, Chorando e cantando [cantarola: “Quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente…”], O sal da terra, de Beto Guedes,Vida de gado, de Zé Ramalho, O que será (À flora da pele), naquela gravação de Chico Buarque com Milton Nascimento, que sempre me deixa muito emocionado…



A gente pode falar em sobrevivência?

Tem um pouco, mas a música é muito generosa. Lembro que a gente tocava nas casas, comia ali e ficava todo mundo feliz por estar tocando. A música sempre salvava. Na época da ditadura, quando a cultura passou por processos mais difíceis, eu fui desenhar, que eu sabia. Fui preso por 40 dias, Passei por processos muito violentos. Aliás, fui preso duas vezes, em 1969 e 75. O fato é que eu superei. Consegui resistir e enfrentei. Tirei bom proveito: perdoei. Como dizia Jesus, pensei: “eles não sabem o que fazem”. Era muita ignorância!



E quanto ao futuro?

Neste ano eu tenho que realizar. Estou com muita música nova, inédita, um disco tem que sair de todo jeito, com umas dez faixas. Tenho que lançar um logo, bicho. Também quero gravar um DVD de frevo. Todo ano faço Carnaval no Recife e tenho que registrar essa interação com o povo, com o ritmo, com o maracatu… E tenho vários outros projetos. Às vezes falta dinheiro ou tempo. Faço muitos shows pelo Brasil e a gente perde muito tempo. Tem que parar para gravar. E eu sou artista independente [desde 1986, com o disco De outra maneira, pelo qual lançou os sucessos Chorando e cantando, Dona da minha cabeça e O princípio do prazer]. Pago os projetos através dos meus shows. Agora estou tentando financiamento, mas não não tenho facilidade para essas negociações. Uma vez a lei foi aprovada, mas não consegui captar.

domingo, 11 de janeiro de 2015

GERALDO AZEVEDO, 70 ANOS

Mesmo sem a celebração da data no carnaval tão almejada por seus seus fãs, Geraldo Azevedo chega aos setenta anos em plena atividade

Por Bruno Negromonte



Quem tem a oportunidade de conhecer Geraldo Azevedo de imediato esquece o artista e apaixona-se por uma pessoa que tem por característica uma simplicidade imensurável. O artista que vem contribuindo de modo consistente para a boa música popular brasileira nas últimas cinco décadas fica em segundo plano, pois o ser humano Geraldo Azevedo transpassa sua consistente obra e arrebata os corações de todos que tem esse privilégio. Depois da famosa ponte que liga Petrolina à Juazeiro, Geraldo Azevedo é, sem sombra de dúvida, um dos elos mais vigorosos existente naquela mesorregião do São Francisco. Oriundo de Petrolina, cidade localizada a mais de 700 quilômetros da capital pernambucana e de clima semiárido quente, Geraldo cresceu neste município localizado na unidade geoambiental da chamada "depressão sertaneja", unidade que é formada pelas principais características do semiárido nordestino e dono de algumas das principais ilhas do São Francisco. O mesmo São Francisco que banhou e substanciou sua sonoridade e poesia, uma arte que na medida que foi sendo desenvolvida soube, como poucas, unir os costumes e a cultura do sertão com a cena cultural do litoral. Sob a benção de Dona Nenzinha de Jatobá, em um domingo de lua (como ele bem descreve em "Barcarola de São Francisco"), Geraldo Azevedo seguiu seu destino tal qual descrito na referida canção para representar e defender a cultura de sua terra agregando outros valores acumulados em suas experiências pelos quatro cantos do planeta. Foi a partir de suas origens, bebendo da fonte cultural nordestina que o artista acabou tornando-se universal como hoje é possível perceber-se em seus registros fonográficos e audiovisual ao longo dos últimos quarenta e três anos, desde que ele lançou em parceria com o também pernambucano o disco "Alceu Valença e Geraldo Azevedo.



Autodidata, com 12 anos de idade já estava tocando violão. Aos dezessete, ainda em Petrolina começou a fazer parte do grupo Sambossa, tocando os dissonantes acordes da bossa nova. Pouco tempo depois, objetivando os estudos Geraldo chega a efervescente capital do seu estado ainda na década de 1960 e nela tem a oportunidade de conhecer de perto a cena cultural existente a partir de nomes como Naná Vasconcelos, Marcelo Melo e Toinho Alves, músicos do Quinteto Violado; Teca Calazans, Carlos Fernando entre outros a partir do grupo folclórico Grupo Construção. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com a cantora Eliana Pittman. Em seguida, juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin, formando o Quarteto Livre acompanhando o cantor Geraldo Vandré em diversos shows. No ano seguinte tem sua primeira composição, feita em parceria com Carlos Fernando, é gravada por Eliana Pittman ao vivo pela Copacabana. Nos anos de 1970 tem a oportunidade de participar do Festival Universitário da TV Tupi com as composições "78 rotações" e "Planetário"ao lado do conterrâneo Alceu Valença. A boa performance da dupla chamou a atenção da gravadora Copacabana que em 1972 possibilita a dupla gravar o primeiro LP de ambos. Esse era o primeiro passo para uma exitosa trajetória que acabaria consolidando o seu nome entre os grandes nomes da música popular brasileira. Seu primeiro LP solo viria a ser lançado só cinco anos depois a trazendo como grande sucesso "Caravana", outra canção em parceria com Carlos Fernando e que fez parte da trilha sonora da novela "Gabriela", da TV Globo. A partir daí vem acumulando diversos sucessos em sua carreira e participando dos mais distintos projetos musicais sempre de modo exitoso. Quem ouve Geraldo Azevedo ouve o eco de muitos anos de história. Do grito corajoso das canções feitas nos chamados “anos de chumbo” da ditadura militar às músicas românticas ou dançantes compostas em tempos democráticos, a obra desse petrolinense continua marcando gerações. São mais de 50 anos de parcerias bem-sucedidas, com nomes como Luis Gonzaga, Geraldo Vandré, Alceu Valença, Elba Ramalho e Zé Ramalho. Depois de meio século de trabalho, ainda hoje, sua “Canção da Despedida”, composta com Geraldo Vandré, é entoada como hino de manifestações de protesto. Mesmo mais de três décadas depois de ser criada, a música “Dia Branco” ainda embala o casamento de apaixonados de todo o país. Geraldo Azevedo hoje é sem sombra de dúvidas um dos artistas que mais representa os ritmos tão propagados na região Nordeste. Seja o frevo ou o forró, sua arte tem embasamento suficiente para representar cada acorde advindo do seu virtuoso violão. 



Discografia Oficial



Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972)


Faixas:
01 - Me Dá Um Beijo
02 - Virgem
03 - Mister Mistério
04 - Novena
05 - Cordão Do Rio Preto
06 - Planetário
07 - Seis Horas
08 - Erosão
09 - 78 Rotações
10 - Talismã
11 - Ciranda de Mãe Nina
12 - Horrível




Geraldo Azevedo (1977)

Faixas:
01 - Cadê Meu Carnaval
02 - Pout Pourri: Correnteza" Caravana / Talismã / Barcarola do São Francisco
03 - Domingo De Pedra e Cal
04 - Em Copacabana
05 - Cravo Vermelho
06 - Fulô do dia
07 - Juritis e Borboletas
08 - Coração Agreste (Sobre Texto de Pissica)



Bicho de Sete Cabeças (1979)


Faixas:

01 - Veneza Americana
02 - Semente de Adão
03 - O Menino e Os Carneiros
04 - Asas de Verão
05 - Grande Momento
06 - Bicho De 7 Cabeças II
07 - Táxi Lunar
08 - Paula e Bebeto
09 - Meu Pião
10 - Águas De Março
11 - Arraial Dos Tucanos
12 - Natureza Viva



Inclinações Musicais (1981)

Faixas:

01 - Caravelas
02 - Dia Branco
03 - Canta Coração
04 - Coqueiros
05 - Um dia
06 - Moça Bonita
07 - Inclinações Musicais
08 - La Primera Vez
10 - Vento de Vozes
11 - Lucas

For All Para Todos (1982)

Faixas:
01 - Espiral Do Tempo
02 - Beleza Agreste
03 - Olhar De Amor
04 - Tudo No Ar
05 - Príncipe Brilhante
06 - Nuvens Sem Guia
07 - Rasgo De Lua
08 - Três Janeiro
09 - Vida Cigana
10 - Baião Da Garoa
11 - For All Para Todos



Tempo Tempero (1984)

Faixas:

01 - Terra À Vista
02 - Sabor Colorido
03 - Tempo Tempero
04 - O Charme Das Canções
05 - Acende-me
06 - Nosotros Nosotras
07 - Oitavo Pecado
08 - Qualquer Pessoa
09 - Fases
10 - Lennon In The Sky




Cantoria (Com Elomar, Vital Farias e Xangqai) (1984)

Faixas:
01 - Novena
02 - Sete Cantigas Para Voar
03 - Cantiga Do Boi Incantado
04 - Kukukaya (Jogo Da Asa Da Bruxa)
05 - Ai Que Saudade De Ocê
06 - Ai D'eu Sodade (O ABC Do Preguiçoso)
07 - Semente De Adão
08 - Viramundo
09 - Cantiga Do Estradar
10 - Saga Da Amazônia
11 - Matança
12 - Cantiga De Amigo



A Luz Do Solo (1985)



Faixas:01 - A Voz Do Morto
02 - Mona Ami
03 - ABC do Sertão
04 - Talvez Seja Real
05 - O Amanhã É Distante (Tomorrow Is A Long Time)
06 - Menina Do Lido
07 - Nosotros Nosotras
08 - Bicho De 7 Cabeças
09 - Canção Da Despedida
10 - Moça Bonita
11 - Dia Branco
12 - Canta, Coração
13 - Caravana
14 - Táxi Lunar



De Outra Maneira (1986)

Faixas:
01 - O Princípio Do Prazer
02 - Chorando E Cantando
03 - Dona Da Minha Cabeça
04 - Mulher
05 - É Brincadeira?
06 - Ágil Passarinho
07 - Ah! Maravilha
08 - Nós Dois Pelo Céu
09 - Um Outro Um
10 - Lusitana Do Norte



Eterno Presente (1988)

Faixas:
01 - Sétimo Céu 

02 - Ser Dos Seres
03 - Todo Jeito Ela Tem
04 - Parceiros Das Delícias
05 - Petrolina e Juazeiro
06 - No Riso Da Noite
07 - Tanto Querer
08 - Estação Madura
09 - Grande Amor
10 - Pega Fogo, Coração



Cantoria 2 (1988)



Faixas:
01 - Abertura:
Desafio Do Auto Da Catingueira
Repente
Novena
02 - Era Casa Era Jardim
Veja Margarida
03 - Sabor Colorido
Moça Bonita
04 - Na Quadrada Das Águas Perdidas
05 - Cantilena De Lua Cheia
06 - Arrumação
07 - Suíte Correnteza:
Barcarola Do São Francisco
Talismã
Caravana
08 - Estampas Eucalol
09 - Saga De Severinin
10 - Cantiga De Amigo


Bossa Tropical (1989)
Faixas:
01 - Adoro Você
02 - Ilha Morena
03 - Bossa tropical
04 - Sexo XX
05 - S.O.S. Natureza
06 - Só porque
07 - Morena linda flor
08 - Elo partido
09 - Casa brasileira
10 - Plano romântico



Berekekê (1992)

Faixas:
01 - Lusitana do norte
02 - Como flor
03 - Berekekê
04 - Aquarela real
05 - Picadeiro do tempo
06 - Onde andará
07 - Prefiro você
08 - Letras Negras
09 - Aventuras vulgares




Ao Vivo (1994)

Faixas:
01 - Príncipe Brilhante
02 - Berekekê
03 - Casa Brasileira
04 - Sexo xx
05 - Ai Que Saudade D´ocê
06 - Bichos De Sete Cabeças
07 - Estrela Guia
08 - Chorando E Cantando
09 - Tanto Querer
10 - Adoro Você
11 - Caravana
12 - Artelonga
13 - Coqueiros
14 - Nuvens Sem Guia
15 - Dia Branco
16 - Taxi Lunar
17 - Menina Do Lido / Sétimo Céu






O Grande Encontro (1996)

Faixas:
01 - Sabiá
02 - Coração bobo
03 - Jacarepaguá blues
04 - Pelas ruas que andei
05 - Talismã
06 - O ciúme
07 - Dia branco
08 - O amanhã é distante
09 - Admirável gado novo
10 - Trem das sete
11 - Chão de giz
12 - Veja (Margarida)
13 - A prosa impúrpura do Caicó
14 - Tesoura do desejo
15 - Chorando e cantando
16 - Banho de cheiro
17 - Frevo mulher





Futuramérica (1996)
Faixas:
01 - Tempero do Forró
02 - Tambor do Mundo
03 - América Futura
04 - Você se Lembra
05 - Até Quando
06 - À Procura de Alguém
07 - Avenida 10
08 - Forrozear
09 - Prazeres
10 - Quem Merece
11 - Virou Navio
12 - Mestre Raimundo
13 - Birutabar
14 - Cintilante Coração


O Grande Encontro 2 (1997)

Faixas:
01 - Disparada
02 - O Princípio do Prazer
03 - Banquete de Signos
04 - Miragens
05 - Pedras e Moças
06 - Canta Coração
07 - Eternas Ondas
08 - Bicho de 7 Cabeças II
09 - O Autor da Natureza
10 - Saga da Asa Branca
11 - A Canção da Despedida
12 - Ai que Saudade de Ocê






Raízes e Frutos (1998)

Faixas:
Disco 01 
01 - Talvez Seja Real
02 - Barcarola do São Francisco
03 - Caravana
04 - Você se Lembra
05 - Dia Branco
06 - Letras Negras
07 - Estrela Guia
08 - Parceiro das Delícias
09 - Tanto Querer

Disco 02
01 - Dona da Minha Cabeça
02 - Moça Bonita
03 - Táxi Lunar
04 - O Amanhã é Distante
05 - Chorando e Cantando
06 - Sétimo Céu
07 - Morena Linda Flor
08 - Rasgo de Lua
09 - Beleza Agreste
10 - For all para Todos




Hoje Amanhã (2000)



Faixas:
01 - Onde tu vai, João?
02 - Vou te Buscar
03 - Hoje e Amanhã
04 - Jardim do Éden
05 - Se eu Tivesse Asa
06 - Manequim
07 - Quando Você Vem
08 - Tá Querendo
09 - Uma Palavra
10 - Instinto Vulcão
11 - Quem é Muito Querido a Mim
12 - Semente e Fruto



Grande Encontro 3 (2000)
Faixas:
01 - Caravana
02 - Táxi Lunar
03 - Dona da Minha Cabeça
04 - Canta Brasil
05 - Frisson
06 - Lá e Cá
07 -  A peleja do diabo com o dono do céu
08 - Garoto de Aluguel
09 - Galope Rasante
10 - Você se Lembra
11 - Petrolina-Juazeiro
12 - A Terceira Lâmina
13 - Tum-tum-tum/ Mulata no Coco
14 - Eu Vou Pra Lua/ O Canto da Ema




O Brasil Existe Em Mim (2007)






Faixas:

01 - O que Me Faz Cantar
02 - Chorinho de Criança
03 - O Paraíso Agora
04 - São João Barroco
05 - Farol Lunar
06 - Já que o Som Não...
07 - Em Sonho
08 - O Nome do Mistério
09 - Você Minha Ilha
10 - Ver de Novo
11 - Serena Cor


Uma Geral Do Azevedo (2009)





Faixas:
CD 01:
01 - O Que Me Faz Cantar
02 - Dona Da Minha Cabeça
03 - Chorinho De Criança
04 - O Amanhã É Distante
05 - Semente E Fruto
06 - Dia Branco
07 - Menina Do Lido
08 - Moça Bonita / Sabor Colorido / Sétimo Céu
09 - Tempero Do Forró
10 - É O Frevo, É Brasil

 CD 02:
01 - Chorando E Cantando
02 - Tambor Do Mundo
03 - Picadeiro Do Tempo
04 - Caravana
05 - Você Se Lembra
06 - Canta Coração / Tanto Querer
07 - Bicho De Sete Cabeças
08 - É Minha Vida
09 - São João Barroco / Morena Linda Flor
10 - Táxi Lunar





Os Três Geraldos (2009)



Faixas:
01 - Daiane, A Princesa Dos Trópicos
02 - Guaxuma
03 - Cuba Do Capibaribe
04 - A Cara De Manu
05 - Nina E O Pássaro Falcão
06 - Tardes Em Casa Forte
07 - Total Infância
08 - Juju Julieta
09 - Dona Gil
10 - Terezinha De Caruaru
11 - Estrada Do Arraial
12 - Gênio Cru



Salve São Francisco (2011)

Faixas:
01 - Barcarola Do São Francisco
02 - Santo Rio
03 - Águas Daquele Rio
04 - São Francisco São
05 - Opara (Salve São Francisco)
06 - Francisco Francisco
07 - Riacho Do Navio
08 - Carranca Que Chora
09 - Petrolina E Juazeiro
10 - O Ciúme
11 - Saudade Do Vapor
12 - São Francisco Help



Assunção de Maria E Geraldo Azevedo (2011)

Faixas:
01 - Passarinho Solto
02 - Pedaço De Chão
03 - Tempo Pro Tempo
04 - Bola De Gude
05 - Em Busca De Mim
06 - Mão Voz E Violão
07 - Na 21
08 - Presente Do Céu
09 - Se O Meu Coração Soubesse
10 - Sempre Verão
11 - Caixinhas Do Coração / Ilhas De Fogo



Fonte: Site oficial do artista

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