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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

GAROTO CELEBRADO PELO CAIXA CUBO TRIO

Por Tárik de Souza



Grupo instrumental que mescla a improvisação do jazz a ritmos brasileiros, o paulistano Caixa Cubo Trio faz pré-lançamento do tributo “Enigma: A música de Garoto”, nesta quarta feira, dia 30, na Tupi or Not Tupi, na Vila Madalena, em São Paulo.

Um dos ases do violão moderno brasileiro, Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955), terá sua obra revisitada no quinto álbum do CCT, formado por Henrique Gomide (piano), Noa Stroeter (contrabaixo) e João Fideles (bateria). Ao lado do multinstrumentista Teco Cardoso e o cantor Zé Leônidas, eles recriam desde clássicos (“Gente humilde”, “Duas contas”, “Lamentos do morro”) a canções de Garoto menos conhecidas como “Tijuca Tênis Clube”, “Carioquinha dengosa” e a inédita “Fluminense”.

A pesquisa sobre a vida e obra do compositor e violonista começou há quatro anos quando os músicos faziam mestrado na Holanda. Henrique (piano, teclados, sintetizadores) graduou-se em piano erudito pela ULM e pela USP, tirou diploma de mestrado em “jazz piano” pelo Conservatório Real de Haia, Holanda, com tese sobre Garoto, e atualmente está radicado em Colônia (Alemanha), onde cursa um segundo mestrado, sobre composição e arranjo.

O estudo sobre adaptação de músicas de Garoto do violão para o piano, motivou o disco, ao lado de Noa (filho do baixista Rodolfo) Stroeter (baixo acústico e elétrico) também com mestrado no Conservatório de Haia, assim como João Fideles (bateria, percussão), que ainda bacharelou-se em percussão pela USP e teve entre seus professores, Nenê, Billy Hart, Edu Ribeiro e Eric Ineke.

8 FACES MUSICAIS DO POETA DRUMMOND

A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade



“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.



“Canção Amiga” (1978)

Publicada no livro “Novos Poemas”, de 1948, “Canção Amiga” tornou-se música exatos trinta anos depois, pelas mãos de Milton Nascimento. Cantada por Bituca no disco “Clube da Esquina 2”, os versos de Drummond conservam a esperança típica do período infantil, também pela participação especial, nesta faixa, de Kiko, uma criança chamada a dividir os vocais com Milton. De fato, a força deste poema de Drummond atinge o seu ápice no final, quando o autor determina: “Eu preparo uma canção/que faça acordar os homens/e adormecer as crianças”.


Fonte: Esquinas Musicais

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

VÔTE; ESCUTA SÓ!

Por Paulo Carvalho


Ovídio Saraiva e as primeiras letras do Hino Nacional
Diderot Mavignier


Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva nasceu na vila de São João da Parnahiba, na capitania de São José do Piauhy, no distante ano de 1787. Faleceu na vila de Piraí, no Rio de Janeiro, aonde foi sepultado, no dia 11 de janeiro de 1852. Em 1853, foi inventariante seu filho Olímpio Herculano Saraiva de Carvalho, documento sob a guarda do Arquivo Público de Piraí.
Ovídio Saraiva nasceu no seio de família abastada do litoral piauhyiense. Nesta época, a educação escolar era praticamente inexistente na capitania, epara as famílias de poder econômico, restava a difícil tarefa de enviar seus filhos aos maiores centros. Foi assim, que o menino Ovídio, com apenas seis anos de idade,em 1793, foi embarcado, no Porto das Barcas, o atracadouro parnahibano, com destino a Portugal. Coimbra era um dos centros acadêmicos preferidos, e para lá se dirigiu o pequeno braziliense, em busca do diploma de Leis, cidade que ele afirmava ser a penedo da saudade. Em Poemas, em seu soneto LXII, faz referência ao penoso exílio:
Passaram lustres três, e mais três anos
Que à Estancia dos mortais volvi do nada
Mas bem que inda não seja adiantada
Minha idade, sofrido hei já mil danos


Além dos torvos mares desumanos
Recebi dos meus Pais a vida ervada
E contando anos seis, à Pátria amada
Arrancaram-me os Pais com vis enganos


Então, em 1805, Ovídio estava matriculado no curso de Leis da Universidade de Coimbra. Para o seu reitor, Manoel Paes de Aragão Trigoso, Conego Arcediago da Sé de Viseu, dedicou o seu primeiro livro – Poemas, escrito em 1808, quando era aluno do 4º ano. O livro é o início da trajetória literária do Piauí, sendo o marco histórico impresso na Tipografia da Universidade, sob licença da Mesa do Desembargo do Paço, a quem competia a censura dos livros a serem publicados no reino português. No livro, as influências do poeta Bocage se fazem evidentes, predominando o neoclassicismo.
Folha de rosto do livro Poemas.


Atuante além das fronteiras da universidade, Ovídio participou do Corpo Acadêmico, nas lutas pela liberdade de Portugal, sob jugo das forças francesas. Em 1809, publicou Narração das marchas feitas pelo corpo militar acadêmico desde 21 de março, em que saiu de Coimbra, até 12 de maio, sua entrada no Porto, Escripta no palácio de Santa Cruz, em 3 de outubro de 1809, para Manuel Paes de Aragão Trigoso, lentes, deputados e mais pessoas do claustro pleno da universidade de Coimbra.O Corpo Acadêmico tinha como tenente coronel José Bonifácio de Andrada e Silva, a quem Ovídio chama de varão d’huma valentia sem termos. Na narração, ressalta:Eis aqui, ó Nação Portuguesa, o brilhante corpo, que te lustra e esmalta, e que com os livros na esquerda, e, na direita a espada, corre a desafrontar do gravame de ferro a triste pátria consternada. Considerava Napoleão,como o apóstata da sociedade humana. Também com o mesmo tema da invasão francesa, publicouOs Sucessos da Restauração do Porto.
Ovídio compôs epitáfios que enviou à Junta de Montepio Literário. Para o mausoléu de Camões escreveu:
Eis o mais rico mausoléu do mundo:
Camoes o endeusa, o máximo dos vates.
Numen do genio, se da sorte o martyr,
Ind'éñas cinzas o que foi na vida,
Grande, guerreiro, illustre, humano e tudo,
Sonao é infeliz, que é sempre a campa
Leito de flores aos héroes como elle.
Patriadá-lbe boje o que negou-lhe a patria,
Construe-lhe altares, considera-o numen;
Justiceiro porvir Ihe vote o incensó.
Lusiadas, e nome, e gloria e cinzas.
Ignobil mausoléu! tenueofferenda!
Todo o mundo devera ser seu túmulo.
Emquanto vivo, a espada e a penna honraste,
Depois de morto, a espada e a penna t'honram.
Emquantovivo, a patria desdenhou-te;
Depois de morlo, t'idolâtra a patria.
Аo nome leu a iradiçâoIribiila
Na memoria (losliomens monumento).
Emquanto a gratidao te offerla as cirilas
Este arrogante, sepulchral portento. 

Na esquerda a espada e na direita a penna, Poste, Camoes, assomhros dois no mundo; Co'aquella a honra sustentaste a Lysia, Co'csta a gloria de Lysia lias dado aos evos. Aquí as cinzas, pelo mundo a fama.


Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva.

Em 1810, Ovídio Saraiva, com vinte e quatro anos de idade segundo o seu requerimento ao príncipe regente dom João, solicitando passaporte para ir ao Maranhão, e de lá passar ao Piauhy, levando consigo a sua esposa, Umbelina Joana Almadanino. Em 1812, foi nomeado juiz-de-fora da vila de Mariana, em Minas Gerais, ano em que publicou no Rio de Janeiro, O Pranto Americano que a S.A.R., o Príncipe Regente N.S. em Honra das Caríssimas, e nunca bem pranteadas Cinzas do Sereníssimo Senhor Infante D. Pedro Carlos de Bourbon, Almirante General junto á Real Pessoa, e, O Patriotismo Acadêmico, este dedicado a dom João de Almeida de Melo e Castro, 5º Conde de Galveas.
Ovídio passou-se para a vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em Santa Catarina, onde exerceu o cargo de 2º juiz-de-fora, do crime, civil e órfãos, provedor dos defuntos, ausentes, capelas e resíduos, entre os anos de 1816 e 1819. Exerceu também o cargo de desembargador da Relação da província da Cisplatina. Na vila do Desterro, em 1817, o doutor Ovídio foi o precursor do teatro catarinense, quando promovia peças, nos salões de sua residência. Para essa atividade, escreveu a peça A Tragédia de Fayal, festejando a coroação de dom João VI.Lá, também promoveu os primeiros concursos literários catarinenses, onde inscrevia as suas poesias. Quando da restauração de Pernambuco depois da Revolução de 1817, Ovídio abriu o seu teatro particular e com plateia distinta, fez elogio sublime composto por ele mesmo, vestido de grande gala; em seguida foi apresentada a tragédia de Ignez de Castro. A vila iluminou-se por três noites, cantou-se Te Deum em ação de graças na presença da Câmara, tudo presidido pelo magistrado piauiense.
Eleito deputado provincial para representar oPiauhy nas Cortes de Lisboa, declinou do cargo, visto saber dos rumos políticos que tomava o Brasil, no Rio de Janeiro, caminhando para a sua Independência. Foi substituído pelo suplente o padre Domingos da Conceição, pároco da vila da Parnahiba. Em 1821, no Rio de Janeiro, fundou o periódico O Amigo do Rei e da Naçãopublicado de março a junho de 1821. Impresso na Tipografia Real tinha linha editorial conservadora, afirmava ser protegido por Dom Pedro, defendia a continuidade do Reino Unido e a permanência de Dom João VI no Brasil.
Ovídio como membro do Apostolado da Ordem da Santa Cruz, uma maçonaria carbonária, onde estavam também dom Pedro e José Bonifácio, lutou pela Independência do Brasil. Na Confederação do Equador, defendeu irmãos que foram indiciados como partidários do movimento, em Pernambuco. Ao ver o seu amigo João Guilherme Ratcliff condenado ao fuzilamento no Rio de Janeiro, pediu auxílio à marquesa de Santos, para que implorasse a compaixão de dom Pedro I. Domitila batendo à porta do Imperador, este só lhe atendeu quando ouviu os estampidos dos tiros que sacrificaram seu irmão. No Recife, com os mesmos ideais republicanos da Confederação do Equador, foi fuzilado o frei Caneca.
Entre 1826 a 1840, publicou: Às Saudozas cinzas do Illm.° e Exm." Senhor João deCastro Canto e Mello, visconde de Castro, grande do Império. . . etc. Elegia offerecida a sua muita amada e prezada filha, a Illm.a e Exm.a Senhora Marqueza de Santos.; Considerações sobre a Legislação Civil e Criminal do Império do Brasil; Heroides de Olympia e Herculano; e,Jovens Brasileiros.
Quando, em 1810, Ovídio Saraiva retornou para o Brasil, percebeu que os portugueses, venerados nos versos de Poemas, não eram tão merecedores assim, da sua atenção poética. Depois de séculos de exploração do Brasil pela Metrópole, das lutas pela Independência, e do sacrifício de vidas pelo regime democrático, no Império de dom Pedro I, os brasileiros forçaram a sua abdicação. Com a saída do Imperador, Ovídio Saraiva escreveu, em 1831, a primeira letra para a música de Francisco Manuel da Silva, hoje o Hino Nacional Brasileiro, conhecido como Hino Sete de Abril, ou Marcha da Despedida.A composição foi executada pela primeira vez no cais do Largo do Paço (atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro) no dia 13 de abril, hoje, Dia do Hino Nacional (Lei N° 5700/1971): 

Hino Sete de Abril
Letra: Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva
Música: Francisco Manuel da Silva

Os bronzes tirania
Já no Brasil não rouquejam
Os monstros que nos escravizam
Já entre nós não vicejam.

(Refrão) Da pátria o grito
Eis se desata
Desde o Amazonas
Até o Prata.

Ferros e grilhões e forças
De antemão se preparavam;
Mil planos de proscrição
As mãos dos monstros gisavam.

Refrão

Amanheceu finalmente
A liberdade no Brasil ...
Ah! não desça à sepultura
O dia sete de abril.

Refrão

Este dia portentoso
Dos dias seja o primeiro.
Chamemos rio de abril
O que é Rio de Janeiro.

Refrão

Arranquem-se aos nossos filhos
Nomes e idéias dos lusos
Monstros que sempre em tradições
Nos envolveram, confusos.

Refrão

Ingratos a bizarria,
Invejosos de talentos,
Nossas virtudes, nosso ouro,
Foi seu diário alimento.

Refrão

Homens bárbaros, gerados
De sangue judaico e mouro,
Desenganai-vos, a pátria
Já não é vosso tesouro.

Refrão

Neste solo não viceja
O tronco da escravidão
A quarta parte do mundo
As três da melhor lição

Refrão

Avante honrados patrícios
Não há momento a perder
Se já tendes muito feito
Idem mais resta a fazer.

Refrão

Uma prudente regência
Um monarca brasileiro
Nos prometiam venturosos
O porvir mais lisonjeiro.

Refrão

E vós donzelas brasileiras
Chegando de mães ao estado
Dai ao Brasil tão bons filhos
Como vossas mães tem dado.

Refrão

Novas gerações sustentam
Do povo a soberania
Seja isto a divisa deles
Como foi de abril um dia
Refrão

Em 1841, um poeta desconhecido (talvez o próprio Ovídio) fez versos para a música de Francisco Manoel da Silva, para homenagear a posse de dom Pedro II:
Negar de Pedro as virtudes
Seu talento esquecer
É negar como é sublime
Da beça aurora, o romper

(Estribilho)
Da pátria o grito
Eis se desata
Do Amazonas
Até o Prata.
Da pátria o grito
Eis se desata (2x)

Ovídio Saraiva refez a letra do Hino 7 de Abril, já que a mesma era julgada ofensivaaos portugueses:

Amanheceu finalmente
A liberdade ao Brasil
Não, não vai à sepultura
O dia Sete de Abril. (3x)

(Estribilho)
 Da pátria o grito
Eis se desata
Do Amazonas
Até o Prata.
Da pátria o grito
Eis se desata (2x)
Do Amazonas
Até o Prata.(2x)

Sete de Abril sempre ufano
Dos dias seja o primeiro
Que se chame Rio d´Abril
O que é Rio de Janeiro.(3x)
Estribilho
Uma regência prudente
Um monarca brasileiro,
Nos prometem venturoso
O porvir mais lisonjeiro.(3x)
Estribilho
Neste solo não viceja
A planta da escravidão;
A quarta parte do mundo
Deu às três melhor lição.(3x)
Estribilho
Lançados por mãos d´escravos
Não tememos ferros vis,
Ferve amor da liberdade
Até nas damas gentis.(3x)
Estribilho
Novas gerações sustentem
Da Pátria o vivo esplendor,
Seja sempre a nossa glória
o dia libertador.(3x)


Talvez a única gravação deste Hino, esteja na voz da cantora Luiza Sawaya, especialista em música brasileira do século XIX: A apreciação pela canção brasileira de câmara nasceu da minha identificação com a delicadeza dessas cantigas. A inesgotável criatividade rítmica melódica e poética da canção brasileira me seduz e me leva a divulgá-la.

Luiza Sawaya é cantora soprano brasileira, atualmente residindo em Lisboa, Portugal. Resgata e divulga a música do Brasil Imperial, procurando conhecer suas raízes.



Capa do CD Brasil Imperial de Luiza Sawaya. O disco gravado em Lisboa, em 1991, resgata oHino Sete de Abril, com letra do parnahibano e piauhyense Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, e a música do maestro carioca Francisco Manoel da Silva, de 1831.

AI, SEU MÉ - MÚSICAS DO CATETE 3 (A MÚSICA POPULAR NA REPÚBLICA)

Por André Diniz



Em 1922, na abertura das comemorações do Centenário da Independência, na capital federal, o discurso do presidente Epitácio Pessoa foi transmitido pelo serviço de radiotelefonia, com alto-falantes espalhados pelo Rio de Janeiro. Estava inaugurada a transmissão radiofônica no Brasil. Em breve as emissoras de rádio virariam a maior febre da nossa sociedade, com música popular, novelas, programas humorísticos e reclames (propaganda). Sua universalização nas décadas seguintes abriu caminhos para projetos políticos e ideológicos. 

O clima contestatório permeou a sociedade brasileira na década de 1920. E a disputa presidencial pegou fogo. Era a mais acirrada até então na Primeira República. “Seu Mé” era o apelido do mineiro Arthur Bernardes, que desembarcou no Rio de Janeiro para enfrentar o campista Nilo Peçanha. Ao chegar à pomposa avenida Rio Branco, Arthur olhou a multidão apreensivo. Os rostos eram pouco amistosos. O pior aconteceu: o povo não pensou duas vezes, mandou uma sonora vaia, acompanhada pelo canto da marchinha “Aí, seu Mé”, de Freire Júnior e Careca, cantada nas ruas da cidade, antes mesmo de ser gravada por Bahiano na Odeon: 

O Zé-povo quer a goiabada campista
Rolinha, desista, 
Abaixe essa crista
Embora se faça uma bernarda [sinônimo de revolta em Portugal e brincadeira com o sobrenome do presidente] a cacete

Não vais ao Catete!
Não vais ao Catete!

Aí, seu Mé! Aí, Mé Mé!
Lá no Palácio das Águias [refere-se ao Palácio do Catete que tem suas fachadas adornadas por águias de metal], olé,
Não hás de pôr o pé (bis)

O queijo de Minas está bichado, seu Zé.
Não sei porque é, não sei porque é.
Prefira bastante apimentado, Iaiá,
O bom vatapá, o bom vatapá [refere-se ao político baiano Seabra, vice na chapa do candidato Nilo Peçanha].

Aí, seu Mé!
Aí, Mé Mé!
Lá no Palácio das Águias, olé
Não hás de pôr o pé


A música de Freire Júnior e Careca era uma marchinha – estilo predileto dos compositores para retratar o cotidiano e a política no Rio de Janeiro. Uma verdadeira crônica musical. Com letras brejeiras, fáceis de decorar e cheias de sarcasmos, a marchinha apareceu pela primeira vez em 1899, na pena da maestrina Chiquinha Gonzaga, no histórico “Ó Abre Alas”, composto para um bloco de carnaval do bairro do Andaraí. Ainda era um gênero em construção, com andamento mais cadenciado, sem o tom espevitado e alegre que ganharia no decorrer do século XX.

Freire Júnior e Careca não foram felizes em seus prognósticos de derrota de Arthur Bernardes na eleição presidencial. Como não havia esquecido o episódio vexatório da avenida Rio Branco, o novo Presidente pediu ao chefe de polícia que chamasse os dois compositores à delegacia para tirar satisfações sobre a marcha “Aí, seu Mé.” Lá foram eles se engalfinhar em discussões diante do delegado, tentando fugir da responsabilidade na autoria da música. Depois da conversa, Freire Júnior chegou a ser preso algumas vezes, e Careca teve que sair da cidade durante um bom tempo. Vale dizer, por curiosidade, que à época em que eles fizeram a marcha, assinaram com o pseudônimo de “Canalha das Ruas”, outra gozação ao Presidente eleito, que atribuía a hostilidade contra ele à “canalhada das ruas” do Rio. 

O último governante da Primeira República, Washington Luís, tinha um estilo diferente dos outros ocupantes do Catete: era boêmio, divertido, entoava marchinhas de carnaval no palácio, não perdia um baile de momo e adorava futebol. Talvez por isso as marchinhas o tratassem de forma mais carinhosa e amena, sem a picardia tradicional. Mas isso é história para o próximo texto… Inté.

8 FACES MUSICAIS DO POETA DRUMMOND

A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade



“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.


“E Agora, José?” (1974)

Lançado em 1942, no livro que dá nome à obra, o poema “José” tomou a força de uma canção popular cujo refrão impõe-se sobre a vontade titular do autor. A longa narrativa de Drummond sobre as desventuras existenciais de seu protagonista passou a ser conhecida, principalmente, pelo questionamento: “E agora, José?”. Ao ponto dele dar o nome à canção que Paulo Diniz criou, em 1974, para os versos de Drummond, registrada como parte de um projeto em que o músico compôs melodias para poemas de vários autores, como Jorge de Lima e Manuel Bandeira.



Fonte: Esquinas Musicais

terça-feira, 24 de outubro de 2017

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*


Abraçar e agradecer

O primeiro texto declamado por Maria Bethânia, logo após apresentar a segunda canção (“Dona do dom”, de Chico Cesar), e os derradeiros acordes do espetáculo com a vinheta de “Carcará” dão algumas chaves de leituras possíveis ao entendimento da extraordinária juventude presente emAbraçar e agradecer.
“Chegar para agradecer e louvar (...)”, começa o texto condensador daquilo está proliferado ao longo do roteiro: o cantar – “O eterno em mim”, de Caetano Veloso, e “Dona do dom”; as reminiscências – “Gita”, de Raul Seixas e Paulo Coelho, “A tua presença” e “Nossos momentos”, de Caetano Veloso, “Começaria tudo outra vez”, de Gonzaguinha, “Gostoso demais”, de Dominguinhos e Nando Cordel, e “Bela mocidade”, de Donato Alves; o sim à vida – “Alegria”, de Arnaldo Antunes, “Voz de mágoa”, de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro, “Dindi”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, “Você não sabe”, de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, “Tatuagem”, de Chico Buarque, “Meu amor é marinheiro”, de Manuel Alegre e Alain Oulman, “Todos os lugares”, de Suely Costa e Tite de Lemos. Fechando o ato 1 com a afirmativa “Rosa dos ventos”, de Chico Buarque.
No ato 2 temos: “a mão de água (...) a água de minha terra” – “Tudo de novo”, de Caetano Veloso”, “Doce”, de Roque Ferreira, “Oração à Mão Menininha”, de Dorival Caymmi, “Eu e água”, de Caetano Veloso, “Abraçar e agradecer”, de Gerônimo e Vevê Calazans; “as vozes que soam de cordas tênues” – “Vento de lá - Imbelezô” e “Folia de Reis”, de Roque Ferreira, “Mãe Maria”, de David Nasser e Custódio Mesquita, “Eu a viola e Deus”, de Rolando Boldrin, “Criação”, de Chico Lobo, “Casa de Caboclo”, de Paulo Dafilin e Roque Ferreira; “tudo que canta livre no ar, no mato, sobre o mar” – “Alguma voz”, de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro, “Maracanandé” (canto Tupi na voz de Márcia Siqueira), “Xavante”, de Chico Cesar, “Povos do Brasil”, de Leandro Fregonesi, e “Motriz”, de Caetano Veloso; as marés do tempo – “Viver na fazenda”, de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro, “Eu te desejo amor”, de Charles Trenet, “Non je ne regrette rien”, de Michel Vancair e Charles Dumont, e “Silêncio”, de Flávia Wenceslau.
Esses blocos de canções se contaminam, além de serem costurados por textos de Clarice Lispector, Waly Salomão, Carmen de Oliveira e Fernando Pessoa. Aliás, as declamações dos textos funcionam para a platéia como momentos de expiração, já que por vezes os bonitos arranjos engatilham tão rápido uma canção à outra que a respiração chega a ficar suspensa. Outrossim, sendo mais espetáculo e menos show, Abraçar e agradecer não dá espaço para que a cantora se dirija à plateia. Isso poderia soar como indelicadeza, mas tudo está dito nas letras das canções, na gestualidade vocal de Bethânia e na movimentação corporal da artista: “flor mestiça que não tem receio em ser brasiliana quando aflora” no palco. Afinal, “viver é a própria cantiga”.
O roteiro criado por Bethânia para Abraçar e agradecer não é previsível, ao contrário, foge daquilo que se esperaria de um típico show em comemoração aos 50 anos de carreira. Sem olhar retrospectivo saudoso, o espetáculo traz reminiscências, releituras, inéditas, afirma o presente, é o livro dos prazeres daquilo que passou e marcou a voz da cantora a frio, a ferro e fogo em carne viva. O elegante figurino assinado por Gilda Midani beija Oxum e Iansã. Na cenografia de Bia Lessa, o telão de LED não está no fundo do palco, está sob os pés nus de Bethânia, para que a cantora clareie tudo e a todos. Ela é o centro. E, com belos movimentos, a cenográfica iluminação criada por Binho Schaefer foge da repetida luz que desde Brasileirinho víamos nos espetáculos da artista.
Em cena, menos um musical sobre a carreira e mais, muito mais, uma artista-autora que pega, mata e come o caminho percorrido, as tristezas, dúvidas e alegrias, vira mundos de pernas pro ar e sabe que tem o que agradecer, louvar e abraçar, pois é uma carregadeira de amor. E como se cada verso, cada palavra fosse para si, de si, a voz de Maria Bethânia está acesa como sempre. Ela não canta o esperado, canta o sonho impossível. Luz, voz e sensualidade, Bethânia é sereia que há 50 anos rabisca corpos e ensina a brincar de viver.





* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

'SOU LINDA, GOSTOSA E POLÊMICA', DIZ ÂNGELA RO RO COM 67 ANOS E NOVO DISCO NA PRAÇA

'Selvagem' traz letras afiadas e personalidade única da cantora. Primeiro álbum de inéditas da artista em oito anos passeia pelo jazz, rock, baião e samba 


Por Cecília Emiliana


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A cantora e compositora carioca diz que se tornou mártir em vida e pede: 'Por favor, não me canonizem' (foto: Alexandre Moreira/Divulgação)


“Oi, meu amor! Espera só um minutinho, que eu engasguei aqui, preciso de um chazinho. Me liga de novo em cinco minutos?”. Ditas por telefone ao Estado de Minas, as palavras carregadas de diminutivos e delicadezas pertencem a uma mulher de voz grave e robusta, cuja personalidade nunca primou pela candura: era Angela Ro Ro do outro lado da linha.

Oito anos depois de Escândalo – seu último álbum de inéditas –, a cantora está de disco novo. Lançado pela gravadora Biscoito Fino, Selvagem já está disponível nas plataformas digitais e chegou em outubro às prateleiras das lojas.

O título do CD de 11 faixas define com clareza a jovem de timbre rouco que estourou em 1979 com a canção Amor, meu grande amor, parceria com a compositora Ana Terra. Mas até que ponto “selvagem” ainda é adjetivo que faz jus ao perfil da senhora que, em 5 de dezembro, completará 68 anos? A inesperada meiguice com que inicialmente atendeu à reportagem seria indício de que a idade amansou a fera?

A resposta é não. Bastam cinco minutos ininterruptos de diálogo com Angela para perceber que, se ela tem um papel de senhorinha afável a desempenhar, possivelmente ficou para a próxima encarnação. Trata-se, na verdade, de alguém que expressa com a fluidez e a imprevisibilidade do caos. A carioca que inicia um tópico qualquer com “meu amor” pra cá, “querida” pra lá, três minutos depois já mudou o tom da conversa, podendo assumir a gravidade de um discurso inflamado, a leveza de uma gargalhada gratuita e sabe-se lá mais o quê. No fim do papo, é claro que as ideias já estão tão emboladas, que ninguém mais consegue recuperar o rumo da prosa e seus rodopios.

Um giro pelo tracklist de Selvagem, no entanto, pode ser ainda mais interessante que um bate-papo com a diva do vozeirão. Nas composições 100% autorais do disco, o jeitão desgovernado de Angela Ro Ro faz muito mais sentido. Blues, jazz, rock, xaxado, samba e balada se misturam no trabalho, que se encerra com o baião Parte com o capeta. “Sai da frente/ eu não tenho freio!”, dizem osversos da canção. Apropriados, sem dúvida, para sintetizar o clima da entrevista a seguir.


Nasce um disco

Dessa vez não eu não convidei músicos pra tocar comigo. Selvagem é um trabalho só meu e do meu amigo, parceiro de trabalho de 30 anos, Ricardo Mac Cord. Ele fez o som de todos os instrumentos que aparecem nas canções no teclado, com suas mãos talentosas. Isso de maneira nenhuma diminui a qualidade do trabalho, ninguém aqui “apertou um botão” e deixou tocar arranjos prontos dos outros. É tudo “artesanal”. Ricardo criou as harmonias e tudo mais, só que usando um teclado, com programações de timbres de instrumentos. Optei por esse formato por dois motivos: primeiro, porque tinha certa urgência do disco. Queria oferecê-lo logo à Biscoito Fino, apresentar um projeto mais acabado para a gravadora. Gravar com meus amigos músicos é maravilhoso, mas toma um tempo maior. E depois, porque me apetecia essa coisa tecnológica de criar com um instrumento só. Claro, o Ricardo não é Jimmy Hendrix, mas é um músico foda. Não é a toa que está há tanto tempo na estrada comigo.


Rebeldia mineira

Cheguei na terceira idade, né? Posso dizer que sou uma senhorinha dócil (risos). Mas Selvagem ainda é o meu espírito, todo mundo sabe que eu sempre fui assim. Aliás, não podia ser diferente. Vocês são de Minas, me lembrei de que uma das minhas avós é aí de Cataguases (Zona da Mata Mineira). Ela foi miss da cidade, casou-se com o homem mais pobre da região e, um tempo depois, rasgou a faixa, as fotos, todas as lembranças do concurso de beleza. Ficou esclerosada e enchia o saco dela que ficassem lembrando que um dia ela foi muito bonita. É isso. Quem sai aos seus não degenera! (risos). O disco se chama Selvagem porque é isso que eu sou. Como diz a música (que dá nome ao álbum e abre o disco): Sou selvagem e não adianta/ tentar me cortar a garganta”.


Portal do amor

Nem todas as canções foram feitas exatamente para esse CD. Portal do amor, por exemplo, tem uma história de 40 anos, que começou em 1973. Eu tinha 23 anos naquela época e fui morar na Inglaterra. Enfrentei pela primeira vez bons perrengues para sobreviver, tipo faxinar banheiro, limpar hospital. Logo eu que nunca tinha trabalhado, era filha única de classe média. Mas foi lascada desse jeito que compus uma música que é Split up song number one, que, até então, só tinha melodia. Em 1979, voltei para o Rio e fui apresentada a Ana Terra, que veio pra mim com um poema dela, que era o Amor, meu grande amor. A letra casou direitinho com a melodia meio blues que eu tinha feito no exterior, a Split up song. Foi assim que nasceu Amor, meu grande amor, um dos meus grandes sucessos. Mas só usei duas, das quatro partes da harmonia original. As outras duas ficaram sobrando e guardei na cabeça. No verão deste ano, quando eu e Ricardo resolvemos tocar o projeto desse disco, desenterrei esse lance do fundo baú e botei letra. Pronto: nasceu Portal do Amor.


É simples assim...

É simples assim… também está ligada a uma história bem antiga. Fiz para a Lidoka, das Frenéticas, que morreu de câncer em julho de 2016. No fim da vida, lutava pela liberação de um remédio que não cura a doença, mas dava mais vigor, um barato mesmo no paciente. Isso me inspirou a compor para ela uma marchinha de carnaval, que depois acabei transformando em jazz. É simples assim…, portanto, é isso, uma coisa que nasceu inspirada na minha querida amiga Lidoka.


Cura gay

É patético isso, né? Deveriam se preocupar em tornar o acompanhamento psicológico acessível a quem precisa, como usuários de drogas pesadas, por exemplo. Sinceramente, a gente precisa de tanta coisa. De ar sem poluição, faculdade, postos de saúde, delegacias decentes, polícia honesta, rodovias, ensino de qualidade. Acho que esse papo de cura gay veio para tentar distrair a gente, tirar o foco das coisas sérias e urgentes que precisamos discutir.


Saindo do armário 
(e fugindo da pergunta)

Ah, dessa parte, especificamente, não tenho lembranças. Da minha juventude, o que ficou foram outras coisas. Sou a menina que descobriu o acordeon e o piano clássico aos 15 anos, que gostava de pegar jacaré na praia. Lembro-me de quando eu descobri o inglês, das muitas vezes em que vi o sol nascer e se pôr, do quanto era fã da minha mãe. Sou a pessoa que, muito novinha, caiu na besteira de experimentar álcool e me vi refém dele depois. Além disso, sou linda, gostosa e polêmica. E isso fez com que eu me tornasse uma das figuras mais usadas pela mídia. Apanhei de tudo quanto é lado, acusada do que fiz e do que não fiz. Acho que sou mártir em vida mesmo! (risos). Mas, por favor, não me canonizem.! Não me canonizem, por que eu acho é pouco. De onde eu estiver, morta ou viva, vou sentir desprezo por quem fizer isso comigo! (risos).




8 FACES MUSICAIS DO POETA DRUMMOND

A boca está comendo vida.

A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade



“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.



“O Padre e a Moça” (1965)
Tido por alguns como um dos marcos do Cinema Novo e com este mesmo título contestado por outros, “O Padre e a Moça” trouxe, no cinema, uma das primeiras saudações à obra de Carlos Drummond de Andrade, em 1965. Apenas três anos depois da publicação do poema homônimo no livro “Lição de Coisas”, o filme dirigido por Joaquim Pedro de Andrade e protagonizado por Paulo José e Helena Ignez materializou em forma de imagem os dilemas vividos pelas personagens que dão nome à obra. A trilha sonora do longa-metragem ficou a cargo de Guerra Peixe e Carlos Lyra.


Fonte: Esquinas Musicais

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

PAUTA MUSICAL: CACASO, 30 ANOS DE SAUDADES...

Por Laura Macedo


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Anjo marginal, poeta, ensaísta e compositor de música popular, Cacaso (1944-1987) faleceu ha exatos 30 anos (27/12/1987), deixando saudades...

Em 2009 sua trajetória foi comemorada no CCBB do Rio, em espetáculos com curadoria da cantora Rosa Emília, viúva e intérprete de Cacaso.

No palco, o repertório do poeta e parceiro de grandes nomes da MPB, como Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho e João Bosco, ganhou vida na voz de Geraldo Carneiro, Zé Renato, Nelson ângelo,Chico Alvim, Olívia Byington, Ulisses Tavares, Carlito Azevedo e Sueli Costa.

01 - “Dentro de mim mora um anjo” , de Cacaso e Sueli Costa, com Rosa Emília.



02 - “Face a face”, de Cacaso e Sueli Costa, com Simone.



03 - “Lero lero”, de Cacaso e Edu Lobo, com Edu Lobo.


MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




38 - Solidão na Urca

Não é difícil imaginar como meu pai se sentiu quando o sucesso espontâneo deixou de existir, quando o “jabá” passou a dominar a consciência dos profissionais da mídia, que tomaram para si a incumbência de decidir o que o povo queria ou não ouvir e comprar. O tempo estava passando e as mudanças aconteciam de forma brusca e cruel. A indústria da música tomava o lugar do artes-anato e da espontaneidade, do lirismo e da beleza. Surgia o “paraquedista do sucesso”, verdadeira invenção do mercado, sem nenhuma preocupação de construir uma carreira, apenas correndo atrás do sucesso imediato. E, nessa inversão de valores que o mundo foi passando a viver, esses produtos da mídia, em decorrência de sua vendagem de discos, passaram a ser considerados gênios da música. Meu pai sofria com esse processo, com o distanciamento que passou a existir entre sua verdade e as mentiras do mercado musical que era obrigado a suportar. Resultado: a enorme solidão que lhe era imposta pelas mudanças do mundo e, como se não bastasse, também a solidão de sua vida particular. Embora cercado por muitas pessoas, em casa e no centro espírita, ele já não desenvolvia sua finalidade de vida: subir no palco e exercer sua arte. Com Fernando, teve a sua maior dor, a maior dor de um pai. Ele era o filho mais velho de seu casamento com Lurdes, uma união que meu pai desejava fosse definitiva. Não sabemos por que — se foi um problema de criação ou influência de uma juventude com valores contrários aos de meu pai e Lurdes —, mas o fato é que Fernando entrou para o mundo das drogas e, como sempre acontece, perdeu o contato com a família. No meu especial carinho pelo Fernando, tentei um canal de comunicação. Chegamos a conversar abertamente algumas vezes e senti naquele menino profunda solidão e tristeza. E certa mágoa. Mas nem meu pai nem Lurdes souberam como lidar com o problema. Acho que, na verdade, pais e mães nunca sabem o que fazer quando percebem que seu filho, aquela obra de Deus tão per-feita, e tão amada por eles, está se drogando… Tentou-se de tudo até ele ser internado. Acreditávamos que, com essa medida, parar-ia com as drogas, mas já era tarde. No decorrer daquele processo difícil, com seu organismo já debilitado, ele havia contraído uma doença grave — câncer de próstata. De acordo com o que observei e aprendi na vida, o câncer é a doença da mágoa, do ressenti-mento, o que se encaixava perfeitamente na história de Fernando. Ele não durou muito. Morreu prematuramente em 1984, aos 32 anos incompletos. Meu pai ficou abalado. Creio que foi essa dor que o levou a escrever uma frase boba e infeliz sobre filhos no livro sobre sua vida: “Filho, não sei pra que serve”. É uma afirmação que marca muito quem lê o livro. Talvez tenha sido sua forma de jogar fora uma dor guardada bem no fundo, por ter perdido um filho estupidamente para as drogas. Quando Fernando morreu, levei meu pai até Itaguaí, junto com minha amiga de infância Marilu. Fomos passear na Ilha de Itacuruçá, tentando fazê-lo espairecer e relaxar. Durante a travessia para a ilha num barquinho, pude sentir quanto seu coração es-tava machucado. As poucas palavras que disse, as expressões que usava, o vazio do seu olhar, tudo era muito forte e doloroso. Foi a primeira vez que vi seus olhos azuis tão vazios, e até com algumas lágrimas. Com a morte de Fernando, os outros filhos com a Lurdes, Yaçanã e Louro, ainda solteiros, passaram a receber da mãe uma dose ainda maior de proteção. Tudo se concentrava nos dois e nos filhos pequenos de Fernando, que continuaram a morar na casa do meu pai junto com a mãe, Martinha. Penso que a excessiva atenção de Lurdes aos filhos, somada à solicitação constante das pessoas por sua ajuda como mãe de santo, fez com que meu pai se sentisse muito só dentro de casa. Tudo isso foi deixando meu pai alheado de uma rotina à qual não pertencia, embora se desenrolasse em sua própria casa. Não fazia parte atuante daquela romaria e ficava de lado na maioria dos assuntos. Havia um clima de eterno segredo no ar e ele só era solicitado quando precisava fazer frente às obrigações de provedor do lar: a filha queria um carro novo, a esposa, uma viagem para Nova York, a neta precisava de um aparelho nos dentes. Resultado: mais solidão. Yaçanã, única filha mulher, com total apego à mãe, acabou se tornando a maior colaboradora de Lurdes (“cambona”, como se diz na umbanda), participando de todas as atividades. Assim, nem a mulher nem a filha tinham mais tempo para Herivelto. Lurdes, já comentei, não sabia fazer absolutamente nada em casa. Cozinhar, lavar ou administrar eram ciências impossíveis para ela. Vivia exclusivamente para as atividades de mãe de santo e Yaçanã seguiu essa cartilha. Por isso, cansei de ver meu pai ficar nervoso ao encontrar sua camisa sem botão ou amarrotada, quando se preparava para um show. Se Marta, a viúva de Fernando, ou Edith não estivessem por perto, ele tinha de sair daquele jeito. Não havia mais ninguém na casa com disposição para cuidar da roupa dele. Apenas o filho caçula, o Louro, procurava ficar perto de meu pai, oferecendo carinho e companhia. Foi o único filho de Lurdes que herdou a musicalidade de Herivelto. Conhecia todas as suas músicas e cantava com ele em dueto nas brincadeiras musicais da Urca. Também era o único interessado em sua carreira. Acompanhava-o aos shows e demonstrava real interesse pelo Herivelto artista. Mas Louro nunca foi levado muito a sério pela família. Sua personalidade delicada e dócil era confundida com algum distúrbio esquizofrênico, o que o fazia ser meio ridicularizado por todos. E meu pai, em vez de curtir seu carinho, acabava não dando a atenção que ele merecia. Infelizmente. Assim, meu pai foi ficando cada vez mais sozinho. Percebendo esse processo, os filhos mais velhos passaram a ir à Urca com mais frequência. Eu, morando em São Paulo, vinha ao Rio sempre que podia. Bily, Hélcio, Hélio e até Newton sempre estavam por lá. Procurávamos talvez uma intimidade, ainda que tardia, com nosso pai, um homem que já fora tão requisitado pela fama e pelas pessoas que a alimentam . Mas não era fácil. Havia muitos anos meu pai assumira uma postura dura e irascível com a própria família. Solitário dentro de casa, ele ligava para os amigos ou se agarrava a alguém do centro espírita para ter companhia para sair e conversar. Não era pessoa de conseguir ficar sozinha, nunca. Não conseguia ficar consigo mesmo por muito tempo. Para sair, tinha sempre um acompanhante — um amigo, um conhecido ou mesmo uma pessoa da família. Para o sítio de Bananal, então, só ia se fosse com alguém. Quem teve papel importante nessa fase da sua vida foi o dono do jornal Copacentro, João Bosco. Carregava meu pai para a rua com frequência, organizava festas, reuniões e às vezes até shows, em que ele podia brilhar, ser homenageado e receber um pouco da sua grande vitamina: o aplauso. Na verdade, tudo fazia parte da Grande Corte que um dia existira na vida de Herivelto e que ele fizera questão de manter. E por sorte, nessa fase da vida, do alto de seus quase 80 anos, reconquistava a admiração de um país, recebendo grandes homenagens. Era muito gratificante ver sua alegria ao ser homenageado. E mais feliz eu me sentia quando dividia com ele o palco nesses momentos. E um desses momentos inesquecíveis foi quando participei junto com Elizeth Cardoso, Zezé Motta e a última versão do Trio de Ouro (com Shirley Dom) de uma homenagem muito especial a ele: o importante Prêmio Shell da MPB (1987). No palco do Teatro Municipal pude saborear a sua felicidade ao ser ovacionado por uma plateia que o aplaudia de pé. Fizemos um emocionado show dirigido com muita sensibilidade por Hermínio Bello de Carvalho, e que se tornou um disco lançado pela Funarte com o título Que rei sou eu?. Digo reconquistava um país porque, depois da morte de minha mãe, a vida se encarregou de reincorporar a vida dela na dele. Era a grande e fantástica ironia — ao ficar cada dia mais velho, mais era obrigado a oferecer ao público a imagem de homem que tivera a sorte um dia de ter Dalva de Oliveira como esposa e companheira de trabalho. Isso aconteceu muito nos shows que fazíamos juntos. Talvez por respeito ao tempo transcorrido ou por estar junto comigo, dividindo os holofotes, o fato é que no início de nosso trabalho ele relutava em fazer referência ou falar sobre ela quando contava a história de suas músicas. Mas, como quase tudo dizia respeito ao tempo em que esteve casado com minha mãe, mesmo odiando ter de pronunciar seu nome, aos poucos a exigência do público falou mais alto. Passamos a terminar o show cantando as marchas-rancho criadas por ela, encerrando invariavelmente com Bandeira branca”. Com isso, Herivelto ganhou de volta do público que ia nos ver o carinho, a admiração e o reconhecimento. No meu íntimo, imaginava Dalva ali, assistindo a tudo, feliz por ter conseguido… “tanto riso, tanta alegria”.



* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

BANDA UÓ ANUNCIA PAUSA NA CARREIRA; AGENDA DE SHOWS VAI ATÉ O CARNAVAL

Por meio de um vídeo publicado no YouTube, grupo avisou que a decisão foi coletiva e ocorrerá por tempo indeterminado


Banda anuncia pausa por tempo indeterminado. (foto: Facebook/Reprodução)


O grupo Banda Uó, formado por Mel Gonçalves, Davi Sabbag e Mateus Carrilho, anunciou nesta quarta-feira, 25, que vai dar uma pausa na carreira por tempo indeterminado. Por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais e no YouTube eles deram a notícia aos fãs e esclareceram a informação. 

''Chegou o momento em que a gente precisa, necessita, experimentar coisa nova, se dedicar a projetos novos. Isso bateu dentro do nosso coração e a gente precisa ser justo com vocês'', disse Mateus Carrilho no vídeo. Segundo eles, a decisão foi coletiva e feita de forma amigável. 

Apesar disso, eles anunciaram que o hiato não será imediato, já que eles cumprirão a agenda de shows até o Carnaval 2018. Além disso, eles também prometeram o lançamento de uma última música, ''um presente para os fãs''. Tá na rua tem lançamento previsto para até o fim de 2017. 

Ao longo dos sete anos em que estiveram na ativa, a Banda Uó ficou conhecida por sua irreverência e por misturar elementos do brega com a música eletrônica. Natural de Goiâna, o grupo lançou dois álbuns de estúdio Motel (2012) e Veneno (2015), além de um EP (Me emoldurei de presente pra te ter, 2011) e um DVD (Turnê Motel - Ao vivo no Cine Joia, 2014). 

Além disso, eles também lançaram 14 singles, com direito a videoclipes superproduzidos. Entre os mais famosos então Shake de amor, Faz uó, Gringo, Búzios do coração, Cremosa e Arregaçada, além das parcerias com Mr. Catra, Catraca, e com Karol Conka, DÁ1LIKE. O último lançamento foi a música Sauna, no início de 2017. 






Fonte: Estado de Minas

domingo, 22 de outubro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


A cantora e compositora hoje em questão traz em seu gene a música. Com bisavô e avó maternos maestros e compositores, não é difícil afirmar que esta condição acabou por influenciar tanto a ela quanto ao irmão a enveredar para a música e tornarem-se responsáveis por diversas canções que caíram no gosto popular em especial na década de 1970 a partir da voz de um dos maiores nomes da música popular brasileira: Roberto Carlos. Intérprete para projeção nacional melhor não haveria de existir. Vem desde essa época registros de canções como "Jogo de damas", "Elas por elas", "Amigos, amigos", "Um jeito estúpido de te amar", "Como é possível", "De coração pra coração", "Quando vi você passar", "Pelo avesso" e "Outra vez" (canção que consagrou em definitivo a compositora). Estas oito canções gravadas pelo Rei acaba por colocar Isolda, sem sombra de dúvidas, entre os compositores mais gravados por Roberto Carlos apo longo de toda a sua carreira e, se avaliarmos por gênero, deduzo ser a compositora mais gravada pelo autor de "Detalhes", tanto que é conhecida como "a compositora do Rei". No entanto é preciso enfatizar que diversos são os outros intérpretes de suas letras e canções, dentre eles o irmão Milton Carlos que gravou diversas canções da dupla, Wando, Os incríveis entre tantos. Só "Outra vez" ganhou versões de Maria Bethânia (que a gravou no álbum "Diamante verdadeiro", de 1999), Gal Costa (que a registrou no álbum "De tantos amores", de 2002), Roberta Miranda (1990), Emílio Santiago ("O canto crescente de Emílio Santiago", 1979), Altemar Dutra (1979), Agnaldo Timóteo e Wanderley Cardoso (ambos gravaram em 1998), Nelson Gonçalves (1980), Cauby Peixoto (1979), Sérgio Reis (2001), Simone (1979) e etc.


Como já dito, sua família era extremamente musical, e isso acabou por despertar o interesse pelas artes de modo geral tanto na compositora quanto no irmão. E foi a partir de brincadeiras com o irmão que se deu a sua aproximação da música. Com Milton Carlos a futura compositora começava a fazer músicas e histórias para teatrinhos de boneca. Queria ser jornalista mas, ainda na adolescência, começou a participar, juntamente com o irmão, de festivais de música pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com uma voz andrógena, porém belíssima, o irmão conseguiu a oportunidade de gravar o primeiro LP e para isso resolveu solicitar canções junto à irmã. Neste álbum de estreia de Milton Carlos estão presentes da lavra de Isolda as faixas "Desta vez te perdi", "Tudo parou" e "Eu vou caminhar" e "Um presente para ela". Exitosamente passou a receber pedidos de músicas de outros cantores e cantoras. Só em 1972 teve cinco músicas gravadas por importantes nomes da música: Os Incríveis, Nilton César, Nalva Aguiar, Antônio Marcos e Silvinha. Em 1973, conheceu o primeiro grande sucesso quando Roberto Carlos ouviu, através do amigo comum Eduardo Araújo, a música "Amigos, amigos", parceria de Isolda com Milton Carlos e resolveu gravá-la. Seu maior sucesso, "Outra vez", foi gravada pela primeira vez em 1977 (mas composta um ano antes, no mesmo ano da morte prematura do irmão em um acidente automobilístico). Esta foi a primeira canção onde Isolda fez sozinha letra e música. Há quem afirme que a canção tenha sido composta em homenagem ao irmão, no entanto em diversas entrevistas concedidas ela disse que fez inspirada em antigos amores relembrados após um encontro com algumas amigas. Reza a lenda que Isolda gravou esta canção acompanhada ao violão por Sérgio Sá de modo bastante despretensioso em uma fita onde já constavam outras composições em parceria com o já saudoso irmão. Na fita, era a única canção composta só por Isolda. Quase ela não mandava ao Roberto a canção que se tornaria o seu maior sucesso como compositora. Ainda bem que mudou de ideia!

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

Resultado de imagem para Rodrigo amarante
Rodrigo Amarante

sábado, 21 de outubro de 2017

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior



MULHERES CANTORAS E COMPOSITORAS DE PERNAMBUCO – IRAH CALDEIRA

Irah Caldeira: o trajeto do São Francisco


Como o Velho Chico, Irah Caldeira começou seu trajeto, quando resolveu viajar pelo norte e nordeste do país, a fim de pesquisar e aprender ritmos musicais do Maranhão, Pará e Bahia. Finalmente, fixou residência em Pernambuco.

A caminhada de Irah refez em sentido histórico o mesmo percurso do rio São Francisco em sua trajetória em direção ao mar.

Nascida em Minas Gerais, iniciou sua carreira como cantora na década de 90, obtendo grande respeito da crítica especializada pela forma com que interpreta as canções, com espontaneidade, técnica e também pela qualidade com que seleciona as canções que compõem seu repertório.

Ao longo da carreira, gravou músicas de compositores como Zé Marcolino, Petrúcio Amorim, Accioly Neto, Maciel Melo e Anchieta Dali, entre outros.

Lançou seu primeiro CD em 1999, que recebeu o título de “Mistura Brasil”, no qual interpretou músicas “A natureza das coisas”, de Accioly Neto; “Canto do rouxinol”, de Caxiado; “Mentiras do vento” e “Cantar dor”, de Roberto José; “Eu fiz que não te vi”, de Totonho; “Siá Filiça”, de Bira Marcolino e Fátima Marcolino; “Ilusão”, de Roberto Lintz; “Ciência popular”, de Domingos Accioly e Jucéia Vilella, em faixa que contou com as participações especiais de Rogério Menezes e Raimundo Caetano; “A lata do lixo”, de Zé Marcolino; “Cidades gêmeas”, de Fabiano Otoni Vieira; “Reggae do sol”, de Paulo Long e Jucélio Vilella, e “Mais fundo que qualquer raiz”, de Ricardo Cardoso.


Irah Caldeira, Oração do Sanfoneiro, de Xico Bizerra – com mestre Camarão. Primeiro “DVD – GIRASSOL DE DESEJOS”, de 2009


Continuou realizando shows pelo estado de Pernambuco e, em 2001, lançou seu segundo CD, “Canto do rouxinol”, com produção sua e de Carlos Firmino, no qual cantou as músicas “A cartilha da canção”, de Fátima Marcolino e Mariua da Paz; “Tributo a Zé Marcolino”, de Maciel Melo; “Bole bole da sanfona”, de Abel Carvalho e Patrick Jr.; “Faz de conta”, de Maria da Paz e Jotta Moreno; “Festejos de beija-flor”, de Anchieta Dali; “Canto do rouxinol”, de Tita Caxiado; “Sina de baião”, de Diego Reis e Camarão; “Pra ganhar teu coração”, de Félix Porfírio e Noel Tavares; “Cidade grande”, de Petrúcio Amorim; “Noquinha da Lagoa”, de Manoel Santana e Reginaldo Moreira; “A cura”, de Ancieta Dali e Bia Marinho; “Cantador de coco”, de Valdir Santos; “Noite de festa” e “Forró mineiro”, de Edgar Mão Branca, e “Apreço ao meu lugar”, de Paulo Matricó.

Em 2004, lançou, com produção sua e Jorge Ribbas, o CD “Irah Caldeira canta Maciel Melo” no qual interpretou 15 composições de Maciel Mello: “Caia por cima de mim”; “Cheiro de terra molhada”; “Feira de sonhos”; “Jeito maroto”; “Tama de pedra”, faixa que contou com a participação do próprio Maciel Melo; “Que nem vem-vem”; “Não é brincadeira”; “Caboclo sonhador”; “Firirim fom fom” e “Um veio d’água”, todas composições solo de Maciel Melo, além de “Minha fala”, de Maciel Melo e Nico Batista; “A poeira e a estrada”, de Maciel Melo e Cláudio Almeida, que contou com a participação especial de Dominguinhos; “Pra ninar meu coração”, de Maciel Melo e Luiz Fidélis; “Coco peneruê”, de Maciel Melo e Jessier Quirino, e “Retinas” e “Nos tempos de menino”, de de Maciel Melo e Virgílio Siqueira.

Aperto o Nó – de Fred Monteiro, com Irah Caldeira

Em 2006, lançou o CD “Entre o calango e o baião”, que teve produção e direção musical suas e no qual cantou as músicas “Quero ter você”, de Pekin e Mourão Filho; “Aperta o nó”, de Fred Monteiro; “Oceano do querer”, de Maria da Paz e Xico Bizerra, com participação especial de Dominguinhos; “Me perguntaram, eu respondi”, de Herbet Lucena e Xande Raséc; “Faça isso não”, de Biguá; “Porteira da saudade”, de Bira Marcolino e Fátima Marcolino; “Sem chance”, de Rogério Rangel e Petrúcio Amorim; “Segura o forró”, de Félix Porfírio; “Avoante”, de Accioly Neto; “Ainda é tempo”, de Alexandre Leão e Manuca Almeida; “Nordestinês”, de Reginaldo Moreira; “Machado cortador”, de Zé Marcolino; “Sabiá alcoviteiro” e “Chama”, de Selma Santos; “Queimei seu travesseiro”, de J. Miciles, e “Grãos de sonho”, de Roberto José.

Em 2007, realizou uma longa temporada de shows que resultou no CD “Irah Caldeira e banda – ao vivo”, no qual interpretou 36 sucessos do cancioneiro popular nordestino. No ano seguinte, lançou o CD “Irah Caldeira e banda – ao vivo volume 2”.

Já em 2009, gravou no Teatro da UFPE o DVD “Girassol de Desejos” com direção musical de Sandro Maia e com as participações especiais de Bia Marinho, Mestre Camarão, Josildo Sá, Maciel Mello, Petrúcio Amorim e Santana, o Cantador, entre outros.

No mesmo ano lançou o CD “Marias… Das Dores… Daluz! Mulheres compositoras do Nordeste”, um projeto aprovado pelo Funcultura e no qual, acompanhada de sua banda, cantou obras de 17 compositoras nordestinas: Socorro Lira; Dona Maria do Horto; Flávia Wenceslau; Terezinha do Acordeon; Adryana BB; Bia Marinho; Joésia Ramos; Haidée Camelo; Anastácia; Liana Ferreira; Kelly Benevides; Rita de Cássia; Selma do Coco; Khrystal e Jussara Kouryh, além de composições de sua autoria. Em 2012, participou da coleção tripla de CDs “Pernambuco forrozando para o mundo – Viva Dominguinhos!!!”, produzida por Fábio Cabral, cantando, ao lado de Dominguinhos, a música “A poeira e a estrada”, de Claudio Almeida e Maciel Melo.

A coletânea trouxe forrós diversos interpretados por 48 artistas, e que fazem referência aos 50 anos de carreira do seu inspirador: Dominguinhos. Interpretando músicas de compositores em sua grande maioria pernambucanos, fizeram parte do projeto também artistas como Acioly Neto, Adelzon Viana, Dudu do Acordeon, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Petrúcio Amorim, Liv Moraes, Hebert Lucena, Geraldo Maia, Sandro Haick, Spok, Jefferson Gonçalves, Chambinho, Joquinha Gonzaga, Maciel Melo, Luizinho Calixto, Silvério Pessoa, Walmir Silva, entre outros, além do próprio Dominguinhos.

Agora Irah Caldeira, com a melhor intepretação dessa música que é meu xodó “Tareco e Mariola”…


Mineira, radicada no nordeste, Irah Caldeira canta o forró, e outros ritmos nordestinos, com a alegria e leveza de uma autêntica filha da terra.

Para Irah, a música regional não está limitada a um estado e sim a todo o povo brasileiro, entendendo que a cultura de qualquer ponto do país, é patrimônio de toda a nação.

Com uma carreira artística consolidada em Pernambuco, Irah segue a mesma estética musical que nos presenteou com o canto de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos e outros tantos que perpetuaram o autêntico canto sertanejo em forma de xote, baião, côco, xaxado, forró e toadas, espalhando para todo Brasil, poesia e beleza em forma de canção.

Semana que vem, tem mais…..

OTTO LANÇA VÍDEO 'CARINHOSA', FAIXA DO DISCO 'OTTOMATOPEIA'


Direção é assinada pelo músico em parceria com Kenza Said e Lourival Cuquinha; composição foi feita com Zé Renato 


Primeiro single do disco, 'Bala', foi lançado antes mesmo do lançamento do disco. (foto: YouTube/Reprodução)



O músico pernambucano Otto divulgou nesta terça-feira, 19, o clipe da música Carinhosa, faixa retirada do disco Ottomatopeia, lançado em julho passado. A canção é assinada em parceria com o cantor e compositor Zé Renato e traz um refrão forte com apelo amoroso. 

Para o vídeo, disponível no YouTube, Otto assina a direção ao lado do artista plástico Lourival Cuquinhae da fotógrafa Kensa Said - que também é namorada do músico. Nele, o cantor aparece vestido de terno e chapéu preto cantando a canção sobre montanhas. 

A música é o segundo single de Ottomatopeio. O primeiro, Bala, teve lyric video divulgado antes mesmo do lançamento do disco. 

Abaixo, confira o videoclipe de Carinhosa:

 Fonte: Estado de Minas

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