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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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domingo, 22 de outubro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


A cantora e compositora hoje em questão traz em seu gene a música. Com bisavô e avó maternos maestros e compositores, não é difícil afirmar que esta condição acabou por influenciar tanto a ela quanto ao irmão a enveredar para a música e tornarem-se responsáveis por diversas canções que caíram no gosto popular em especial na década de 1970 a partir da voz de um dos maiores nomes da música popular brasileira: Roberto Carlos. Intérprete para projeção nacional melhor não haveria de existir. Vem desde essa época registros de canções como "Jogo de damas", "Elas por elas", "Amigos, amigos", "Um jeito estúpido de te amar", "Como é possível", "De coração pra coração", "Quando vi você passar", "Pelo avesso" e "Outra vez" (canção que consagrou em definitivo a compositora). Estas oito canções gravadas pelo Rei acaba por colocar Isolda, sem sombra de dúvidas, entre os compositores mais gravados por Roberto Carlos apo longo de toda a sua carreira e, se avaliarmos por gênero, deduzo ser a compositora mais gravada pelo autor de "Detalhes", tanto que é conhecida como "a compositora do Rei". No entanto é preciso enfatizar que diversos são os outros intérpretes de suas letras e canções, dentre eles o irmão Milton Carlos que gravou diversas canções da dupla, Wando, Os incríveis entre tantos. Só "Outra vez" ganhou versões de Maria Bethânia (que a gravou no álbum "Diamante verdadeiro", de 1999), Gal Costa (que a registrou no álbum "De tantos amores", de 2002), Roberta Miranda (1990), Emílio Santiago ("O canto crescente de Emílio Santiago", 1979), Altemar Dutra (1979), Agnaldo Timóteo e Wanderley Cardoso (ambos gravaram em 1998), Nelson Gonçalves (1980), Cauby Peixoto (1979), Sérgio Reis (2001), Simone (1979) e etc.


Como já dito, sua família era extremamente musical, e isso acabou por despertar o interesse pelas artes de modo geral tanto na compositora quanto no irmão. E foi a partir de brincadeiras com o irmão que se deu a sua aproximação da música. Com Milton Carlos a futura compositora começava a fazer músicas e histórias para teatrinhos de boneca. Queria ser jornalista mas, ainda na adolescência, começou a participar, juntamente com o irmão, de festivais de música pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com uma voz andrógena, porém belíssima, o irmão conseguiu a oportunidade de gravar o primeiro LP e para isso resolveu solicitar canções junto à irmã. Neste álbum de estreia de Milton Carlos estão presentes da lavra de Isolda as faixas "Desta vez te perdi", "Tudo parou" e "Eu vou caminhar" e "Um presente para ela". Exitosamente passou a receber pedidos de músicas de outros cantores e cantoras. Só em 1972 teve cinco músicas gravadas por importantes nomes da música: Os Incríveis, Nilton César, Nalva Aguiar, Antônio Marcos e Silvinha. Em 1973, conheceu o primeiro grande sucesso quando Roberto Carlos ouviu, através do amigo comum Eduardo Araújo, a música "Amigos, amigos", parceria de Isolda com Milton Carlos e resolveu gravá-la. Seu maior sucesso, "Outra vez", foi gravada pela primeira vez em 1977 (mas composta um ano antes, no mesmo ano da morte prematura do irmão em um acidente automobilístico). Esta foi a primeira canção onde Isolda fez sozinha letra e música. Há quem afirme que a canção tenha sido composta em homenagem ao irmão, no entanto em diversas entrevistas concedidas ela disse que fez inspirada em antigos amores relembrados após um encontro com algumas amigas. Reza a lenda que Isolda gravou esta canção acompanhada ao violão por Sérgio Sá de modo bastante despretensioso em uma fita onde já constavam outras composições em parceria com o já saudoso irmão. Na fita, era a única canção composta só por Isolda. Quase ela não mandava ao Roberto a canção que se tornaria o seu maior sucesso como compositora. Ainda bem que mudou de ideia!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ISOLDA, 60 ANOS



Cheguei nesse planeta no dia 9 de janeiro, nos idos dos anos 50, na cidade de São Paulo, capricorniana com ascendente em libra, apaixonada por tudo que fosse arte: música, poesia, teatro, literatura, cinema etc. Sempre imaginei que seria jornalista, mas pelo visto, a vida já tinha inventado uma outra história pra mim. Só tive um irmão, que também sonhava com a arte. Queria ser cantor. Acho que não era uma simples coincidência, já que venho de uma família de músicos, por parte de minha mãe. Meu bisavô era maestro, compositor, meu avô também e minha mãe, só não seguiu sua vocação musical porque minha avó não aprovava, de maneira alguma, essa aptidão feminina nos anos 40. Então, por motivos alheios a sua vontade, como diria ela, mamãe acabou se tornando apenas uma incentivadora da arte que meu irmão e eu começamos a fazer desde crianças, quando nossa brincadeira preferida era criar histórias e músicas, para o nosso teatrinho de bonecos.

No decorrer da nossa adolescência, começaram a aparecer os festivais de música, espalhados pelo interior de São Paulo, Minas, Rio e outros mais. Participamos de muitos, perdemos alguns, mas ganhamos vários. Um número suficiente para a gente acreditar que aquele era o nosso caminho. Meu irmão, Milton Carlos, foi convidado a gravar e a partir do seu disco, outros cantores começaram a nos pedir músicas.

Além de festivais, além das músicas, nós fazíamos vocais em estúdios e foi num desses trabalhos que tivemos a oportunidade de enviar uma canção nossa para Roberto Carlos. Algum tempo depois, para nossa surpresa, encontramos no jornal os títulos das músicas que fariam parte do disco do Roberto para aquele ano e entre elas estava lá: “Amigos, amigos” – de Isolda e Milton Carlos. Acredito que tenha sido essa a mola mestra para toda uma carreira, o motivo maior para que levássemos muito mais a sério nossa vida profissional.

Depois dessa, vieram outras, sempre festejadas com a mesma alegria, enquanto outros cantores gravavam nossas composições também. Formávamos uma boa dupla. Meu melhor amigo, por coincidência, era também meu irmão e a gente fazia músicas com o coração, com vontade, unicamente por amor e elas nos retribuíam com a mesma intensidade.

Foram muitas viagens, muitas comemorações, gravações e shows, até a madrugada em que cheguei em casa e fiquei sabendo do acidente que meu irmão havia sofrido. Ele tinha nos deixado, embora pra mim ainda pareça apenas uma viagem demorada, como tantas outras que ele fazia, e que um dia vai estar de volta, como sempre voltava pra casa.

Acho que minha vida se divide em antes e depois desse dia. Pensei em voltar a estudar, em tomar outro rumo, mas no meio dessa tempestade encontrei vários amigos que me abrigaram, emocionalmente, e mesmo sem perceber continuei fazendo sozinha, o que sempre fiz desde menina. Brincar de fazer músicas. Desse momento em diante, sem mais o meu amigo para brincar comigo.

Foi assim que fiz, numa madrugada, uma música desprovida de qualquer ambição futura, uma confidência sincera: “Outra vez”. Gravei essa canção numa fita entre outras e entreguei para Roberto Carlos.

“Outra vez”, é uma canção que nunca mais me abandonou. Ela já fez parte de trilhas para novelas, foi gravada pela maioria dos nossos intérpretes, instrumentada ou cantada nas mais diferentes interpretações e arranjos, ganhou muitos prêmios, inclusive o de música do ano e eu sei que sempre vai me acompanhar.

Tive, tenho e sei que terei, muitos outros parceiros musicais ao longo da minha vida. Continuei a fazer canções sozinha ou acompanhada, gravadas por pessoas que sempre admirei, conseguindo sucessos sempre inesperados e agradecendo aos meus anjos da guarda por cada um deles.

Deixando de lado as decepções, que esqueço até sem querer e que na sua maioria sempre vêm do lado que não é o artístico, só posso concluir que tudo deu muito mais certo do que a gente esperava, o que me faz acreditar que a realidade é muito melhor do que o sonho.

Hoje, ainda moro em São Paulo, continuo compondo, escrevendo, brincando, com as tantas formas de arte que sempre amei, realizei mais um sonho – de gravar minhas próprias canções, da maneira que sempre quis – . Ainda tenho comigo os mesmos antigos amigos e a cada dia encontro mais um, que identifico pela sensibilidade, pela mesma vontade de brincar, que as pessoas chamam de arte.


Fonte: Site Oficia da Artista

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

40 ANOS SEM MILTON CARLOS

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