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Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

HAMILTON DE HOLANDA ACENTUA AS MELODIAS NA MÚSICA DE CHICO BUARQUE

Por José Teles



Um disco instrumental com composições manjadas de Chico Buarque. Mais óbvio, somente um disco orquestral com hits de Roberto Carlos. Quando o projeto é um álbum do bandolinista Hamilton de Holanda a história é outra. Samba de Chico (Biscoito Fino/Brasilianos) é pois outra história, até porque não apenas recebeu a chancela de Chico Buarque , como tem a participação dele em duas faixas. Com um músicos de tamanho talento, não importa se a maioria das músicas é manjada. Algumas tão manjadas que ninguém mais canta nem toca, feito a cinquentenária A Banda, que entra como faixa bônus.

Chico participa de A Volta do Malandro, (do álbum Malandro, 1985), Vai Trabalhar Vagabundo (do álbum Meus Caros Amigos, 1976, que ele não revisitava há 20 anos), ambos bem mais acariocadas, com o suingado e preciso bandolim de dez cordas de Hamilton de Holanda. A segunda com o acréscimo luxuoso do piano do italiano Stefano Bollani, que também toca Piano Na Mangueira (com Tom Jobim). A cantora catalã Silvia Perez Cruz canta nas faixas Atrás da Porta (com Francis Hime), e O Meu Amor.

Nas duas faixas com a ótima espanhola ele arrisca um flamenco na introdução de Atrás da Porta, e muda o andamento de O Meu Amor, com a sensualidade da letra acentuada pelo sotaque de Silvia Perez Cruz. Uma maneira diferente de se ouvir canções tão conhecidas, algumas recriadas quase inteiramente, como é o caso de Quem te Viu Quem Te vê. Uma das faixas, Samba de Chico é um tema composto por Hamilton de Holanda especialmente para este álbum.

Gravado no estúdio Fibra, no Rio, Samba de Chico reúne Hamilton de Holanda com Thiago da Serrinha na percussão, mais Guto Wirtti e André Vasconcellos, revezando-se no contrabaixo. Marcos Portinari assina a concepção artística e a produção com o bandolinista. A mixagem é de Daniel Musy e masterização de André Dias, São 15 faixas, incluindo o bônus, tudo biscoito fino, com perdão do trocadilho óbvio.

Confiram Hamilton de Holanda, ao vivo, em Morena de Angola:

domingo, 26 de junho de 2016

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

Autora do hino do Maranhão, Dilú como compositora teve inúmeros intérpretes

De uns dias para cá tenho procurado dar uma ênfase maior a alguns artistas representativos aos festejos juninos nordestino, no entanto há outros nomes que fora dessa região que em dado momento foram representativos para a nossa cultura, mas que hoje praticamente caíram no limbo do esquecimento. Em um primeiro momento procurei trazer alguns intérpretes do gênero masculino que tiveram a sua ascensão maior na chamada época de ouro de nossa música, período este que abrange os anos de 1930 e 1940. No entanto seria absurdo limitar-me apenas em intérpretes masculino, uma vez que temos no rol dos maiores nomes de nossa música uma infinidade de cantoras que surgiram também nesse período de ouro da MPB. Por isso hoje darei início a abordagem de algumas cantoras que deixaram seu legado na histórias da música brasileira a partir não apenas de exímias interpretações, mas também através de histórias interessantes como algumas que venho registrando nesta coluna.

Para dar início a abordagem de nossas artistas, trago um nome que é bem provável que poucas pessoas saibam de fato quem ela foi (e se me referir a ela pelo nome de batismo menos ainda...). Trata-se de Maria de Lourdes Argollo Oliver, ou simplesmente Dilú Mello, artista maranhense que começou a estudar música e violino quando ainda tinha cerca de cinco anos de idade. Pouco tempo depois deu início aos estudos também do violão com sua mãe D. Nenê e de piano com Elizéne D'Ambrósio. Familiarizada com os instrumentos, não foi difícil entre seus experimentalismos fazer a sua primeira composição quando ainda tinha dez anos. O resultado dessa experiência foi uma dolente valsinha, a primeira composição de muitas que viriam posteriormente. Vale também registrar que aos 13 anos tirou diploma no Conservatório de Música de Porto Alegre, recebendo medalha de ouro pela impressionante técnica demonstrada em tão pouca idade. Por falar em técnica e talento vale deixar registrado que após realizar um concerto no Teatro Colon, na Argentina, recebeu um prêmio do governo argentino para viajar por todo o país divulgando seu talento e o de Angelito Martinez, à época um precoce e promissor pianista.

Um fato curioso de sua carreira é que apesar do promissor futuro que poderia ter na música clássica, aos terminar seus estudos de canto lírico resolveu abandoná-la para dar vazão à sua paixão pela música dos tropeiros do sul. Foi neste período que a artista passou a dedicar-se a música regional gaúcha e de países vizinhos. Nesse período a família muda-se para Rio de Janeiro, então capital federal. Em um sarau foi ouvida cantando e tocando violão pelo maestro Martinez, que impressionou-se com o seu talento e a levou para tocar na Rádio Cruzeiro do Sul. Foi aí então que teve início a sua carreira radiofônica a partir de apresentações a exemplo das Rádios Kosmos (São Paulo) e Rádio Nacional (com a qual tinha contrato). Seu primeiro disco veio em 1938 com as faixas "Engenho d'água" ("Cena brasileira", de sua autoria e Santos Meira e "Coco babaçu", também de sua autoria), fato que só viria a ocorrer seis anos depois, quando em 1944, gravou seu segundo disco, acompanhada de Antenógenes Silva ao acordeom. Nesta década ainda registra canções como o xote "Planta milho", o calango "Cesário", o coco "Sapo cururu", a valsa "Lá na serra", o xote "Fiz a cama na varanda" (canção esta que acabaria ganhando o gosto popular ao longo dos anos a partir de interpretações de nomes como Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão entre outros).

Dona de múltiplos talentos, atuou no Cassino Atlântico, realizou a gravação dos mais variados gêneros musicais, tocou acordeom (recebendo da imprensa inclusive da a denominação de "Rainha do Acordeom") e compôs canções ao longo de décadas de carreira que viria a ganhar as mais distintas vozes ao longo dos anos a exemplo do Hino do Maranhão.

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

GRAVADORA LANÇA PROJETO TRÊS TONS DE MPB4, COM INVESTIMENTO EM REEDIÇÕES RARAS

Os títulos escolhidos foram 10 anos depois (Philips, 1975), Canto dos homens (Philips, 1976) e Vira virou (Ariola, 1980)


Arranjos vocais criados por Magro permanecem atuais


O MPB4 tem uma longa discografia. Consciente disso, o jornalista Thiago Marques Luiz sabia da difícil missão que tinha de escolher apenas três álbuns para o projeto Três tons de MPB4, a convite da gravadora Universal. A proposta é investir em reedições raras de trabalhos fora de catálogo há muitos anos ou inéditos no formato CD. Foi o que direcionou Thiago.

“A discografia do MPB4 é muito íntegra. Eles cuidavam da seleção de repertório muito bem, escolhiam os arranjadores certos, era tudo no seu devido lugar”, diz o jornalista, que também assina os textos do projeto. “Poucos discos deles foram relançados em CD e acabei escolhendo mais três inéditos nesse formato.” Além disso, pela primeira vez, eles ficarão disponíveis digitalmente.

Os títulos escolhidos foram 10 anos depois (Philips, 1975), Canto dos homens (Philips, 1976) e Vira virou (Ariola, 1980). Para Aquiles, os três são marcantes. Um dos álbuns mais vendidos na década de 1970, 10 anos depois reúne clássicos como Manhã de carnaval, Pressentimento e Canto triste. “Ali foi a primeira data redonda, pegamos músicas importantes do repertório brasileiro. Gravamos há 40 anos, não me lembrava de muita coisa. Ouço e fico surpreso de como ainda estão atuais os vocais, os arranjos instrumentais feitos pelo Magro. Está tudo muito contemporâneo”, avalia Aquiles Rique Reis, integrante do MPB4.


TORTURA

“Canto dos homens é outro disco importante, foi gravado num momento em que a ditadura estava mais ferrenha: a censura, as pessoas sumindo, padecendo em torturas. O álbum tem essa carga, a gente nunca aliviou o nosso próprio repertório em função de tentar fazer uma coisa mais leve, mais palatável”, lembra Aquiles.

Já Vira virou simboliza musicalmente o momento de reabertura política no Brasil. “Ali a gente pode começar a pensar em cantar para se divertir, para divertir os outros, não havia mais necessidade daquela postura toda de protesto. Nós nos sentimos orgulhosos, dentro das nossas poucas possibilidades, de ter contribuído para a redemocratização do país. Desde 1964 brigamos por isso”, conclui Aquiles.


Fonte: Agência Estado

sábado, 25 de junho de 2016

PETISCOS DA MUSICARIA: SÉRIE DOSE DUPLA – DUAS VERSÕES DA MESMA MÚSICA

Por Joaquim Macedo Júnior



Confusão danada

Não sei se já falei! Mas aprecio uma celeuma, uma querela, um quiz, uma disputa, uma porrinha, um palitinho, qualquer jogo de agilidade, que envolva informação básica com o qual você pode brincar com meia dúzia de amigos, sem gastar um tostão e tudo na mais alta paz. Quem nunca brincou de stop, de mimica ou de Warlevante a mão!

Pois de vez em quando, gosto de fazer umas perguntas e deixar solta no ar para ver quem se apresenta a responder. O próprio inesperado da questão deixa muita gente nervosa e se apressando em buscar na memória a resposta.

Hoje, com o ‘google’ e outros achadores, nós “jogadores profissionais” achamos por bem eliminar a ferramenta para não desequilibrar o jogo. Talvez até, tirar a graça.

Vou seguir com esta série “Dose dupla”, sempre relacionada à música, seu verdadeiro autor e quem, muitas vezes, tornou-a conhecida, um hit.

Uma dessas clássicas ‘pegadinhas’ é o balançado e estonteante “Maracatu Atômico”. Primeiro que o título vem com o nome de uma manifestação popular tocada em Pernambuco, mas o autor quis atomizá-lo tanto que deixou de ser a música original.

Segundo, porque produzida na primeira metade dos anos 1970, só veio ganhar fama, depois que Gilberto Gil arranjou-lhe um sacolejo nacional.

Bom mesmo foi num dia de festa aqui em casa quando um camarada, boa praça, gente fina, marido de uma amiga minha, apreciando a canção, fez uma descoberta “esse Gilberto Gil é um monstro”. Eu de cá., metido no assunto, perguntei, “como é que é meu compadre”. E emendei: “pois é Gil faz cada arranjo sem igual”. O homem – valente de todo, replicou: “como assim:?. Essa música e letra são do Gil”.

E deu-se a confusão. Palpites não faltavam: Nação Zumbi, Chico Science, Marisa Monte, Cássia Eller, é de Gil mesmo. Não seria de Nelson Jacobina, cutuquei eu. Bem vamos ao desfecho:

Maracatu Atômico – Jorge Mautner e Nelson Jacobina (1974)

Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras e tão afiadas se esqueceu de por

No fundo do pára-raio tem o raio, tem o raio
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro-negro é todo negro, é todo negro
E eu escrevo o seu nome nele só pra demonstra o meu apego

O bico do beija-flor beija a flor, beija a flor
E toda a fauna aflora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte tem arte, tem arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico


Gilberto Gil, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina

A gravação que deu fama nacional e um hit para todos os lugares foi esta feita por Gilberto Gil, mas que ela foi composta por Jorge Mautner e Nelson Jacobina, ah isto foi!

Semana que vem tem mais…

GILSON PERANZZETTA, 70 ANOS

É um pianista, acordeonista, clarinetista, compositor, arranjador brasileiro, virtuoso da música instrumental, destacando-se por sua brasilidade, sensibilidade, criatividade e sobretudo por sua assinatura musical. Seu som é inconfundivelmente seu. Suas composições, são inspiradas, originais, não raro surpreendentes. Quincy Jones, o mega produtor norte americano, com quem colaborou inúmeras vezes, nomeia Peranzzetta entre os melhores arranjadores do planeta.

De família musical, Gilson Peranzzetta começou a estudar acordeon aos nove anos, e piano, aos dez. Freqüentou a Escola de Música da UFRJ e o Conservatório Brasileiro de Música, e aperfeiçoou-se em técnica pianística com Petri Palau de Claramount, em Barcelona, onde viveu por três anos. No Brasil, esteve ainda sob orientação das pianistas Vilma Graça, Sônia Maira Vieira e Ondine de Mello. 

Gravou seu primeiro disco em 1963, aos 17 anos. Em 1965 sua carreira foi bruscamente interrompida por um tiro de metralhadora Ponto 30, quando assistia a uma instrução de tiro na primeira semana em que servia obrigatoriamente ao exército. Isso quase lhe custou a amputação do braço direito, que teve os tendões milagrosamente reconstituídos em naylon. Três anos depois, em 1968 retoma sua carreira, lança o disco Tema Três e passa a integrar o grupo de Taiguara, cantor de grande sucesso na época. Em 1970 viaja para a Europa e lá permanece até 1974, quando volta ao Brasil e inicia sua parceria, que permanece até hoje, com Ivan Lins. 

A carreira de Peranzzetta prosseguiu sólida, tanto no Brasil como no exterior, com o sucesso que a música instrumental confere a seus talentos. Sua discografia atinge a marca dos quarenta CD’s solo, lançados nas duas últimas décadas, sem contar suas participações como arranjador, pianista, parceiro e produtor em cds de outros artistas com os quais colaborou como Ivan Lins, Hermeto Pascoal, Simone, Edu Lobo, Fátima Guedes, Leny Andrade, Alaíde Costa, Tito Madi, Guinga, Chico Pinheiro, Jorge Vercilo, Marcelo Camelo 

Com mais de quarenta anos de carreira, Peranzzetta soma em seu catálogo de composições aproximadamente cento e cinqüenta títulos, obras gravadas por artistas nacionais, como Djavan, Ivan Lins, Leny Andrade e Leila Pinheiro, e internacionais, a exemplo de George Benson, Sara Vaughn e Quincy Jones. Merece especial menção a música Setembro, escrita em parceira com Ivan Lins, incluída na trilha sonora da série norte-americana Dallas e no filme Boys’n the Hood. 

Acumula três Prêmios Sharp de Música, dentre outras premiações: melhor arranjador, melhor compositor e melhor intérprete. 

Peranzzetta realiza turnês anuais no Japão, Estados Unidos e Europa, participando dos mais importantes festivais de jazz. Desde 2002 atua como maestro e arranjador em Colônia - Alemanha, junto a WDR Big Band, com um repertório genuinamente brasileiro. 

Muito solicitado como arranjador e orquestrador para formações sinfônicas destacam-se nos dois últimos anos os arranjos que fez para a Sinfonia do Rio de Janeiro de Billy Blanco e Tom Jobim, os arranjos que fez para a Orquestra Sinfônica de Pittsburgh – EUA, para a Orquestra Sinfônica de Brasília, para a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal (Orfeu Vive) e para a Petrobrás Sinfônica, com a regência do maestro Isaac Karabtchevsky para o Projeto Aquarius 2008 em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. 

Seu trabalho se inscreve simultaneamente na música de concerto e na música popular, tendo resultado no CD cujo título demonstra bem essas duas faces: Extra de vários. Essas duas vertentes também estão presentes no rol de artistas que ocupam lugar de destaque na sua discoteca: Horowitz, Glen Gould, Oscar Peterson, Bill Evans, Luiz Eça e Hermeto Pascoal. Seja na música de concerto ou na música popular, perpassa em todos os seus trabalhos a preocupação em preservar as raízes da cultura nacional. 

Peranzzetta nos últimos anos retomou a edição de todo o seu repertório de composições e tornou-se um dos poucos compositores brasileiros donos de seu acervo e de sua própria gravadora. 


Fonte: Site Oficial do artista

CURIOSIDADES DA MPB

O termo "forró", segundo o folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, estudioso de manifestações culturais populares, vem da palavra "forrobodó", de origem bantu (Tronco lingüístico africano, que influenciou o idioma brasileiro, sendo base cultural de identidade no Brasil escravista), que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem.

A Versão mais verossímil, apoiada pelo próprio historiador Câmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas.

Na etimologia popular (ou pseudoetimologia) é freqüente associar a origem da palavra "forró" à expressão da língua inglesa for all (para todos). Para essa versão foi construída uma engenhosa história: no início do século XX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco para construir a ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, ou seja, for all. Assim, o termo passaria a ser pronunciado "forró" pelos nordestinos. Outra versão da mesma história substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco por Natal do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nessa cidade.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

CANÇÕES DE XICO



HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 27


ROMEIROS DO DESTINO


Numa música só tento homenagear ídolos nordestinos a quem admiro por diversas razões. Alguns ficaram de fora pra que a música não ficasse tão comprida feito a Triste Partida. Tive o privilégio de ter ISRAEL FILHO interpretando essa canção que fez parte do meu Forroboxote 4 – CANTADORES DA NAÇÃO DE SEU LUIZ.


ROMEIROS DO DESTINO
Xico Bizerra

sou a casca da bala do fuzil de lampião
uma conta do rosário em que rezou frei damião
sou o barro que escorria pelas mãos de vitalino
eu sou nordestino, sou dessa nação

sou o pé de pau que deu o cajado a conselheiro
palavra que patativa transformava em verso inteiro
sou o eco do aboio no cantar de marcolino
eu sou nordestino, sou dessa nação

sou da terra do vaqueiro, cantador
violeiro, embolador, beatas e rezadeiras
do arraial dos poetas sonhadores
que enxergam os seus amores pra cantar uma canção
do sertão em que a lua é mais bonita
porque a gente acredita na grandeza do perdão
onde todos são romeiros do destino
têm coração de menino, nordestino, eu sou nação

sou o fiapo da batina do padim ciço romão
poeira do pé-de-serra que pariu o gonzagão
na poesia de aderaldo sou um verso clandestino
eu sou nordestino, sou dessa nação
sou a linha das rendeiras, sou a corda da viola
sou águas do pajeú, sou fogueira, bandeirola,
sou o som de u’a sanfona, sou um terreiro junino
eu sou nordestino, sou dessa nação

A INCRÍVEL HISTÓRIA DO MENINO DE 10 ANOS QUE CRIOU UM MUSEU PARA LUIZ GONZAGA NO SERTÃO

Museu de Luiz Gonzaga tem mais de cem objetos e já atraiu o interesse da família do Rei do Baião

Por Marcela Assis



Espaço foi lançado no dia do aniversário do forrozeiro. Foto: Ronuery Rodrigues/Divulgação


Quando Luiz Gonzaga compôs, em parceria com Zé Marcolino, a música Numa sala de reboco (1965), os pais de Pedro Lucas Feitosa ainda nem se conheciam. Cinco décadas após o lançamento, a canção precisou ser executada apenas uma vez para inspirar o menino de 10 anos a homenagear o Rei do Baião. Decidido, a partir daquele momento, a divulgar a obra do artista, o cearense caminhou até a casa de cimento aparente onde mora o avô e pediu o objeto mais antigo que ele tivesse entre os pertences. Foi assim que uma máquina de costura se tornou o primeiro objeto exposto no Museu de Luiz Gonzaga. 

Montado na casa da bisavó de Pedro, o projeto se destaca entre as construções simples localizadas na rua Alto da Antena, em Dom Quintino, no Crato (CE). Na entrada, uma placa apoiada por tábuas de madeira identifica o local. Quem se interessar em visitar o acervo, será gentilmente guiado pelo criador, que divide a rotina entre a escola e a "administração" do espaço. "Tem dia que só tenho aula de manhã, aí meu pai toma conta e faz as explicações para as pessoas. No turno da tarde, eu explico. Acho que eu faço isso melhor do que ele". À noite, ele puxa uma extensão da casa para iluminar o espaço.

Por enquanto, o museu é composto por elementos que pareçam ser da época em que viveu o compositor deAssum preto. Ciente da história de Luiz Gonzaga, o cearense escolheu a data de aniversário do músico, 13 de dezembro, em 2015, para iniciar as atividades do museu. O trabalho do artista, lembra, ele conheceu com ajuda de uma professora. "Cheguei na escola cantando Asa Branca, mas não sabia a letra toda. Minha professora me ajudou. Depois, minha tia me deu um MP3 com músicas dele, e eu gostei muito". Os amigos de turma parecem não ter compartilhado o mesmo interesse: "Eles dizem que Luiz Gonzaga tem música chata, de velho. Eu digo 'música chata é funk'".

Idealizador guia os visitantes pelo espaço. Foto: Rafael Pereira/Divulgação


Apesar de a música Numa sala de reboco ter servido como inspiração, o menino faz questão de destacar que a vontade de criar um centro em memória do Rei do Baião nasceu há dois anos. Caminhando pelo Museu do Gonzagão, em Exu, cidade natal do músico, Pedro começou a imaginar como seria se ele pudesse ter algo parecido na rua onde mora: "Não tinha nada daquele jeito por aqui". O presidente da Organização não governamental Parque Aza Branca, responsável pelo centro, Júnior Parente, se orgulha pela contribuição: "Fico feliz em saber dessa história. Isso significa que Luiz Gonzaga continua vivo ao ponto de um menino de 10 anos ter despertado o interesse em criar um pequeno museu em homenagem ao Rei do Baião".

Aos poucos, a ideia tem atraído doações. Hoje, o projeto soma mais de 100 objetos, entre sandálias de couro, livrinhos de cordel e cuias. Na 'gerência", Kaio Everton, de 7 anos, primo de Pedro. Entre as pessoas que decidiram ajudar o cearense, está a professora universitária e pesquisadora Simone Ventura. "Desde que conheci a história, me senti na obrigação de ajudar. Ele é uma criança do interior e não tem acesso a muitas coisas, mas, mesmo assim, decidiu fazer um museu com o que tinha. Decidi falar com meus alunos que tinham produzido um radiodocumentário sobre Luiz Gonzaga e eles autorizaram que eu enviasse para o Ceará", comenta. Além da pernambucana, o sobrinho do Rei do Baião, Joquinha Gonzaga, também demonstrou interesse pela causa. "Ele me ligou e disse que queria visitar o museu e que tinha gostado da ideia. Acho que chega na próxima semana", conta Pedro Lucas Feitosa, que acumula quase 800 incentivadores na página criada para o museu no Facebook.

Acervo é composto por itens que pareçam contemporâneos ao Rei do Baião. Foto: Rafael Pereira/Divulgação


Outros museus para o Rei do Baião

Parque Aza Branca
No local, situado em Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga, é possível conhecer o Museu do Gonzagão. No acervo, sanfonas, roupas, chinelos, discos e outros objetos que pertenceram ao Rei do Baião. Além do espaço, visitantes podem entrar na casa onde morou o artista.
Endereço: Rodovia Asa Branca, quilômetro 38, Exu
Funcionamento: das 8h às 12h e das 13h às 17h. Aberto todos os dias, exceto às segundas-feiras

Cais do Sertão
Inaugurado em abril de 2014, com investimento inicial de R$ 97 milhões, o Cais do Sertão foi instalado no antigo Armazém 10 do Porto do Recife. O espaço tem cerca de 2 mil metros quadrados e expõe riquezas materiais e culturais do Sertão pernambucano, com ambientes sensoriais e de interação tecnológica.
Endereço: Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife
Funcionamento: das 11h às 17h. Aberto todos os dias, exceto às segundas-feiras

Memorial Luiz Gonzaga
O espaço é um centro de memória aberto para visitantes e pesquisadores. Quem passa pelo espaço tem a oportunidade de ver réplicas de partituras e documentos relacionados a Luiz Gonzaga. Parte do acervo é cópia do material exposto no Museu do Gonzagão.
Endereço: Pátio de São Pedro, casa 35, Bairro de São José
Funcionamento: das 9h às 17h, de segunda a sexta


Duas perguntas para // Pedro Lucas Feitosa 

Qual seu objeto favorito do acervo?
É uma sanfoninha de brinquedo que do meu primo. Ele até me ajuda no museu, trabalha na gerência e faz a limpeza das coisas comigo.

O que você mais ouve das pessoas que vão conhecer o museu?
Falam que estão impressionadas, porque sou uma criança e já me preocupo com isso. Dizem para eu não parar.

BAIANOS CONQUISTAM SEIS PRÊMIOS NO PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA; CONFIRA LISTA COMPLETA

Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, Xangai, Virginia Rodrigues e Ilê Aiyê conquistaram seis prêmios em duas categorias


Zélia Duncan foi a grande vencedora da 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira, realizada na noite desta quarta-feira (22), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A cantora ganhou três prêmios pelo trabalho Antes Do Mundo Acabar. Ela venceu categorias de Melhor Canção, Melhor Álbum de Samba e Melhor Cantora de Samba. Zélia também foi a artista com mais indicações, acumulando cinco no total.

O evento, que homenageou a obra de Gonzaguinha, foi apresentado pelos atores Julio de Andrade - que interpretou o cantor e compositor no filme Gonzaga, de Pai pra Filho, de Breno Silveira - e Dira Paes. A premiação foi aberta com uma pequena homenagem feita ao cantor Cauby Peixoto, que morreu no dia 15 de maio deste ano.

Na categoria MPB, a Bahia foi destaque, levando quatro dos cinco prêmios: Melhor Álbum com Dois Amigos, um Século de Música, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, produtores Caetano Veloso e Gilberto Gil; Melhor Cantor, com Caetano Veloso (Dois Amigos, um Século de Música) e Melhor Cantora, com Virginia Rodrigues (Mama Kalunga). Na categoria Regional, a Bahia ganhou dois prêmios: Xangai (Xangai) venceu como Melhor Cantor e o Ilê Aiyê (Bonito de se Ver) como Melhor grupo. O outro prêmio foi para Gal Costa (Estratosférica), como Melhor cantora na categoria Pop/rock/reggae/hip-hop/funk.

Ao todo, 83 artistas e grupos competiram em 16 categorias. O sistema de votação foi composto por 21 integrantes. Todos tiveram acesso a um sistema 100% informatizado. Para eleger os finalistas, o júri fez uma pré-seleção de 532 CDs e 61 DVDs, incluindo tanto os trabalhos de gravadoras nacionais e multinacionais quanto aqueles distribuídos de forma independente ao longo de 2015 em todo o país. O foco não foi apenas os lançamentos em CD, mas também nos novos formatos e configurações da indústria, como mp3s e downloads.



Destaques da apresentação

A primeira apresentação musical da noite ficou por conta de Alcione, que interpretou Com A Perna No Mundo, também de Gonzaguinha.

Pouco antes de apresentar os indicados das Categorias Especiais, Dira Paes falou sobre os horrores da ditadura militar. A plateia se manifestou aos gritos de "Fora Temer", interrompendo o discurso de Dira. Logo em seguida, a atriz retomou o discurso sob os aplausos do público.

O cantor Criolo também se apresentou na premiação. Sozinho no palco, o artista interpretou Comportamento Geral. O público aplaudiu de pé a apresentação, após o cantor discursar contra a homofobia, machismo e o racismo. "Machismo e racismo vão continuar matando geral", protestou. A apresentação de Elza Soares, que cantou O Que É, O Que É?, também fez o público levantar das cadeiras.

Com dificuldades para caminhar, Elza Soares foi ovacionada quando subiu ao palco para receber o prêmio de melhor álbum por "A Mulher do Fim do Mundo" na categoria Pop/Rock/Reggae/Hip Hop/Funk.


Uma dos momentos mais emocionantes da noite foi quando os três filhos de Gonzaguinha, Daniel, Fernanda e Amora, subiram ao palco e interpretaram três músicas do cantor, encerrando com Redescobrir, imortalizada na voz de Elis Regina. 


CONFIRA LISTA COMPLETA DOS PREMIADOS:

Arranjador
Francis Hime por '50 anos de música', de Francis Hime
Guinga por 'Porto da Madama', de Guinga (VENCEDOR)
Swami Jr. por 'Partir', de Fabiana Cozza

Melhor Canção
"Antes Do Mundo Acabar", de Zeca Baleiro e Zélia Duncan, intérprete Zélia Duncan (CD "Antes do mundo acabar"); (VENCEDOR)
"Mulher do Fim do Mundo", de Romulo Fróes e Alice Coutinho, intérprete Elza Soares (CD "A Mulher do Fim do Mundo")
"Por Água Abaixo", de Pretinho da Serrinha, Leandro Fab e Fred Camacho, intérprete Zélia Duncan (CD "Antes do mundo acabar")

Revelação
Alfredo Del-Penho ("Samba Sujo")
Simone Mazzer ("Férias em Videotape") (VENCEDOR)
Trio Capitu ("Novos Ventos")

Projeto Visual
Tereza Bettinardi por "Dancê", de Tulipa Ruiz (VENCEDOR)
Marcos Faria por "Café no Bule", de Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit
Simone Mina por "Antes do mundo acabar", de Zélia Duncan


CANÇÃO POPULAR

Álbum
"Angela à vontade em Voz e Violão", de Angela Maria, produtor Thiago Marques Luiz
"Do tamanho certo para o meu sorriso", de Fafá de Belém, produtores Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro (VENCEDOR)
"Tom do Sertão", de Chitãozinho e Xororó, produtores Cláudio Paladini , Ney Marques e Edgard Poças

Cantor
Luiz Caldas ("Cassino")
Roberto Carlos ("Primeira Fila") (VENCEDOR)
Vander Lee ("#9")

Cantora
Angela Maria ("Angela à vontade em Voz e Violão")
Fafá de Belém ("Do tamanho certo para o meu sorriso") (VENCEDOR)
Vanusa ("Vanusa Santos Flores")

Dupla
Chitãozinho e Xororó ("Tom do Sertão") (VENCEDOR)
João Bosco e Vinicius ("Estrada de Chão")
Victor & Léo ("Irmãos")

Grupo
Banda Calypso ("Calypso 15 anos ao vivo")
Jamz ("Insano") (VENCEDOR)
Melanina Carioca ("Vivendo de Amor – ao vivo")


CATEGORIAS ESPECIAIS

Álbum eletrônico
"Gaia Musica – vol. 1", de Dj Tudo e Sua Gente de Todo Lugar, produtor DJ Tudo (VENCEDOR)
"Raw Wave", de Seashore Darkcave, produtor Mário Mamede
"Sotaque Recarregado", de Dj Mam, Produtores: DJ MAM, Alex Moreira, Marcelinho da Lua, Bruno LT, DeepLick, Batida Nacional, DJ Patife, Furmiga Dub, Mauro Telefunksoul, Andre´ T, DJ Tide, DJ Rai´z, Lucio K, DJ Waldo Squash, Luan Rodrigues, DJ Incidental, Projeto Ccoma e DJ Kenneth Bager.

Álbum em língua estrangeira
"Canela", de Renato Braz e Maogani, produtores Sergio Valdeos e Maogani
"Cauby Sings Nat King Cole", de Cauby Peixoto, produtor Thiago Marques Luiz (VENCEDOR)
"Unexpected", de Indiana Nomma e Osmar Milito, produtores Indiana Nomma & Osmar Milito

Álbum Erudito
"Seresta, Choro e Homenagem a Fructuoso Vianna", de Camargo Guarnieri, interpretado por Karin Fernandes e Orquestra Sinfônica da USP, produtora Karin Fernandes
"Sinfonia Nº3, Suíte Cita e Esboço de Outono", de Sergei Prokofiev, interpretado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, produtor OSESP
"Sinfonia nº12, Uirapuru e Mandu-Çarará", de Villa-Lobos, interpretado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, produtor OSESP (VENCEDOR)

Álbum Infantil
"Estórias de Cantar", de Banda Estralo, produtor Marcos Lucatelli
"Crianceiras – Poesias de Mario Quintana musicadas por Márcio de Camillo", de Márcio de Camillo, produtor Márcio de Camillo
"Para Ficar Com Você", de Palavra Cantada, produtores Paulo Tatit e Sandra Peres (VENCEDOR)

Álbum Projeto Especial
"Sambabook Dona Ivone Lara", de vários artistas, produtor Musickeria
"Sambas para a Mangueira", de vários artistas, produtora Nilcemar Nogueira
"Café no Bule", de Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit, produtores Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit (VENCEDOR)

Melhor DVD
"Baby Sucessos – A Menina Ainda Dança", de Baby do Brasil, direção de Paula Lavigne e Fernando Young
"Dois Amigos, um século de música", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, direção de Fernando Young, Henrique Alqualo e Pedro Secchin
"Loucura – Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues", de Adriana Calcanhotto, direção de Gabriela Gastal (VENCEDOR)


CATEGORIA INSTRUMENTAL

Álbum
"Brasileiro Saxofone – vol. 2", de Nailor Proveta, produtores Paulo Aragão e Maurício Carrilho
"Sebastião Biano e seu terno esquenta muié", de Sebastião Biano, produtor André Magalhães
"Tocata à Amizade", de Tocata à Amizade, produtores Yamandu Costa e Rogério Caetano (VENCEDOR)

Grupo
Barbatuques ("Ayú")
Pau Brasil ("Daqui")
Tocata à Amizade ("Tocata à Amizade") (VENCEDOR)

Solista
Nailor Proveta ("Velha Amizade", de Alessandro Penezzi e Nailor Proveta)
Hamilton de Holanda ("Pelo Brasil") (VENCEDOR)
Yamandu Costa ("Tocata à Amizade")


CATEGORIA MPB

Álbum
"Do meu olhar pra fora", de Elba Ramalho, produtores Luã Mattar e Yuri Queiroga
"Dois Amigos, um século de música" de Caetano Veloso e Gilberto Gil, produtores Caetano Veloso e Gilberto Gil (VENCEDOR)
"Mama Kalunga", de Virginia Rodrigues, produtores Tiganá Santana e Sebastian Notini

Cantor
Caetano Veloso ("Dois Amigos, um século de música") (VENCEDOR)
Gilberto Gil ("Dois Amigos, um século de música")
Djavan ("Vidas pra Contar")

Cantora
Elba Ramalho ("Do meu olhar pra fora")
Ná Ozzetti ("Ná e Zé")
Virginia Rodrigues ("Mama Kalunga") (VENCEDORA)

Grupo
Dá no coro ("Cores do Brasil")
Dônica ("Continuidade dos Parques") (VENCEDOR)
Novíssimos ("Um")


CATEGORIA POP / ROCK / REGGAE / HIPHOP / FUNK

Álbum
"A Mulher do Fim do Mundo", de Elza Soares, produtor Guilherme Kastrup (VENCEDOR)
"Carbono", de Lenine, produtores Lenine, Jr. Tostoi e Bruno Giorgi
"Dilúvio", de Dani Black, produtor Conrado Goys

Cantor
Chico César ("Estado de Poesia")
Lenine ("Carbono") (VENCEDOR)
Seu Jorge ("Música para Churrasco II")

Cantora
Elza Soares ("A Mulher do Fim do Mundo")
Gal Costa ("Estratosférica") (VENCEDOR)
Simone Mazzer ("Férias em Videotape")

Grupo
Funk Como Le Gusta ("A nave-mãe segue viagem…")
Maglore ("III")
Titãs ("Nheengatu – ao vivo") (VENCEDOR)


CATEGORIA REGIONAL

Álbum
"AR", de Almir Sater e Renato Teixeira, produtores Almir Sater e Eric Silver
"Cordas, Gonzaga e Afins (Sagrama e Encore)", de Elba Ramalho, Produtores: Sergio Campello e Tostão Queiroga (VENCEDOR)
"Xangai", de Xangai, produtor Mario Ulloa

Cantor
Renato Teixeira ("Amizade Sincera II") 
Sérgio Reis ("Amizade Sincera II")
Xangai ("Xangai") (VENCEDOR)

Cantora
Alessandra Leão ("Língua")
Elba Ramalho ("Cordas, Gonzaga e Afins (Sagrama e Encore)") (VENCEDOR)
Socorro Lira ("Amazônia entre águas e desertos")

Dupla
Almir Sater e Renato Teixeira ("AR") (VENCEDOR)
Caju e Castanha ("Mistura de Ritmos")
Cezar e Paulinho ("Alma Sertaneja – vol. II")

Grupo
Catadoras de Mangaba de Sergipe ("Quero ver rodar… Com as griôs da Restinga Sergipana")
Cia. Cabelo de Maria ("Baianá – Parece Cinema")
Ilê Aiyê ("Bonito de se Ver") (VENCEDOR)


CATEGORIA SAMBA

Álbum
"Antes do mundo acabar", de Zélia Duncan, produtora Bia Paes Leme (VENCEDOR)
"Moacyr Luz & Samba do Trabalhador – 10 anos e outros sambas", de Moacyr Luz e Samba do Trabalhador, produtor Moacyr Luz
"Terreiros", de Roque Ferreira, produtor Julio Caldas

Cantor
Alfredo Del-Penho ("Samba Sujo") (VENCEDOR)
Arlindo Cruz ("Na veia", de Rogê e Arlindo Cruz)
Zeca Pagodinho ("Ser Humano")

Cantora
Ana Costa ("Pelos Caminhos do Som")
Renata Jambeiro ("Fogaréu")
Zélia Duncan ("Antes do mundo acabar") (VENCEDORA)

Grupo
Fundo de Quintal ("40 anos – Fundo de Quintal no Circo Voador")
Moacyr Luz e Samba do Trabalhador ("Moacyr Luz e Samba do Trabalhador – 10 anos e outros sambas") (VENCEDOR)
Trio Gato com Fome ("Em Busca dos Sambas de Raul Torres")


Fonte: Correio da Bahia

quinta-feira, 23 de junho de 2016

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*


"Rasqueado em gravação de 3 de junho de 1953, lançada em julho-agosto do mesmo ano, matriz 11542." (Samuel Machado Filho)


Canção: Peixinho arisco

Composição: Nhô Pai e Osvaldo Rieli (Rielinho)

Intérprete - Irmãs Castro

Ano - 1953

Disco Continental - 16.792-A


Irmãs Castro - PEIXINHO ARISCO - .



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

PROGRAMA ENSAIO

CURIOSIDADES DA MPB

Em 1981, com apenas 15 anos, a baiana Daniela Mercury estreou no Carnaval de Salvador. Usando a roupa de sua festa de debutante - vestido colorido e sandália de couro -, se apresentou durante os 4 dias de Carnaval sem receber nenhum cachê.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

VÔTE... ESCUTA SÓ: FLÁVIO LEANDRO: O POETA CANTADOR


Por Paulo Carvalho



Nascido em Bodocó, sertão pernambucano, o cantor e compositor Flávio Leandro vem trilhando uma carreira de sucesso na música nordestina desde o início dos aos noventa.

Atualmente, com vários discos gravados e um DVD tem uma agenda sempre lotada. Percorre os caminhos deste nordeste imenso mostrando sua arte, sem arredar o pé das nossas raízes mais profundas e verdadeiras. Com muita competência tem um total domínio do palco e um público fiel sempre presente nas suas apresentações, para estes, Flávio Leandro dedica especial atenção e carinho.

A produção fica a cargo de Cissa Leandro, sua mulher, há 25 anos uma presença marcante na vida do artista, cuidando de tudo, do camarim a agenda de shows, além é claro, do aconchego do artista no lar, e dos filhos parceiros nesta trajetória bem sucedida e merecida, talhada com amor, esforço e seriedade.

No repertório além das canções de sua autoria, podemos observar nomes de peso como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Accioly Neto, João Silva, João Sereno, Anchieta Dalí, Josildo Sá, Mariano Carvalho, Edgar Mão Branca. Seu filho Davi Leandro e Sua esposa Cissa Leandro também dividem algumas canções com Flávio.

Os músicos que acompanham o artista são de excelente qualidade, com destaque para o acordeonista Genival do Cedro, um show a parte durante as apresentações

GEOGRAFIA DAS EXPRESSÕES

Um ensaio fotográfico sobre o homem e seus territórios, focando as expressões diversas dos indivíduos no cotidiano e em suas respectivas paisagens. 

Por Fábio Nunes





MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Com um repertório moderno e refinado, Luiz Gonzaga tentava se aproximar do público jovem universitário há quarenta anos gravando este atípico álbum


Luiz Gonzaga – O canto jovem de Luiz Gonzaga (1971)

Embora o lançamento original tenha sido pelo selo RCA Victor, vejam acima a capa de uma re-edição, pelo selo RCA (reprocessado para estéreo), e abaixo a contra capa de outra re-edição, pelo selo RCA Camden.

O disco conta com a participação especial de, seu filho, Gonzaguinha na faixa “Asa Branca”, sem dúvida o maior clássico do forró, e na época tornara-se uma espécie de hino dos exilados pelo regime militar. A outra participação especial é de Humberto Teixeira na faixa “Bicho, eu vou voltar”, este que foi um dos maiores autores do gênero e um dos grandes parceiros de composição do rei Lua.

Com arranjos bem mais leves e interpretando canções de compositores brasileiros da MPB, como “Chuculatera” de Antônio Carlos e Jocafi, “Procissão” de Gilberto Gil, “Cirandeiro” de Capinam e Edu Lobo, “Fica mal com Deus” de Geraldo Vandré e “No dia em que eu vim me embora” de Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outras.

Faixas:
01 - Chuculatera (Jocafi - Antônio Carlos)
02 - Procissão (Gilberto Gil)
03 - Morena (Gonzaguinha)
04 - Cirandeiro (Capinan - Edu Lobo)
05 - Caminho de Pedra (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
06 - Asa Branca (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
07 - Vida ruim (Catulo de Paula)
08 - O milagre (Nonato Buzar)
09 - No dia que eu vim me embora (Caetano Veloso - Gilberto Gil)
10 - Fica mal com Deus (Geraldo Vandré)
11 - O cantador (Nelson Motta - Dori Caymmi)
12 - Bicho, eu vou voltar (Humberto Teixeira)

Fonte: Forró em Vinil

terça-feira, 21 de junho de 2016

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




No conjunto monumental Convento de Santo Antonio e Igreja de São Francisco na capital da Paraíba, cidade desenvolvida entre o rio e o mar, sereias ornam os altares da capela dourada do Santíssimo Sacramento. Como Luiz da Câmara Cascudo as descreveu no artigo "As sereias na casa de Deus" na edição de 5 de abril de 1952 deO Cruzeiro: "cabeleira em concha, o cinto venusino abaixo dos seios, uma volta de flores na altura do ventre e o longo corpo ictiforme volteando como ornamento e moldura". 

Cada elemento mereceria uma análise profunda e séria. Para o pesquisador que viu sereias em outros templos cristãos, "as sereias paraibanas são diferentes. Mão direita à cinta, elegantemente, e a sinistra fingindo suster o rebordo trabalhado em relevo da cornija. Nem peixes e nem duas caudas. Vi as Sereias de Travanca, esculpidas na pedra, segurando a cauda e também um peixe".

No artigo citado, Cascudo rejeita a égide sedutora em prol do símbolo funerário que as sereias guardam para analisar as sereias paraibanas e justificar a presença delas ali. Ele percorre três séculos antes da igreja de Cristo buscando explicar a relação da sereia com a morte, em um tempo em que elas ainda eram seres alados e barbados. Como sabemos, o rabo de peixe e a beleza física surgem na releitura do mito e da lenda, principalmente, pela igreja católica.

O fato é que a beleza calcada em elementos clássicos, aliada à morte, reforça a inibição das potencialidades essencialmente vocais que tais seres tinham. Ou seja, a sereia bela fisicamente é símbolo da ideologia que tem na mulher a perdição do homem. A ênfase na visão, no corpo bonito e harmonioso, em detrimento da voz, impõe a ordem de calar as mulheres que cantam: belas por fora e terríveis por dentro.

A voz de alguém cantando indica que há um indivíduo de carne e osso existindo. É esta unicidade o que assusta. Ter voz é ser um existente. Não falo da voz metafórica, mas da voz que sai da garganta de um encarnado. Entra aqui o método do falar, ao invés do método do pensar tão defendido pela filosofia canônica. O falar está no tempo da ação, enquanto que o pensar quer estar fora, através das conexões que colocam os objetos em um "presente eterno".

Voltando às sereias, Cascudo destaca e reforça que elas estão também em outras igrejas católicas, apesar de desconhecer a presença delas em capelas ou matrizes brasileiras, além das paraibanas. Porém, tenho a notícia de que elas estão na entrada da Igreja de São Pedro, em Recife-PE. De todo modo, não chegam a entrar na casa de Cristo.

Para Cascudo, as sereias paraibanas serviriam como exemplo da ornamentação povoada de assombros da Idade Média. Elas se aliariam às figuras do Velho e Novo Testamento para incutir o temor aos fiéis que ousassem se deixar seduzir pelas belezas do mundo, esquecendo Deus: causa primeira e destino de tudo. E aqui a beleza externa seria a armadilha perfeita armada pela sereia fatal, já que ela "perdeu" a voz que as caracterizavam com um vocálico ainda não dócil, domesticado, humanizado e "elevado".

Sem querer oferecer credencial desculpadora às sereias por força de seu simbolismo funerário, penso que sua presença na casa cristã quer dizer mais: quer falar do hibridismo, do sincretismo e, sim, do erotismo estético que caracteriza a mobilidade cultural. Mesmo "amansadas" pela Igreja, as sereias se impõem como presença, indicam que há algo além daquilo que está sendo oferecido. Diferente da Musa cuja voz só é audível ao poeta, a Sereia toca a sensibilidade auditiva do homem comum.

Se os costumes do mito foram modificados, serenados, as sereias paraibanas mostram que o mito resistiu como potência aos exorcismos. Aliás, porém, Cascudo destaca que "os templos olímpicos receberam a presença dos santos (...) Numa carta famosa, o Papa Gregório Magno mandou conservar os templos e retirar os ídolos", atitude não muito diferente do empreendido pelas igrejas neopentecostais que ocupam teatros e cinemas na tentativa de catequese e de expansão do domínio. As consequências disso? Só o tempo dirá.

No entanto, como o próprio pesquisador observa, "ninguém intimou a Sereia a desenrolar a cauda e remergulhar no Rio Paraíba, caminho de Cabedelo, ganhando o Atlântico. As Sereias ficaram. Ficaram na sua forma pós-clássica de semi peixe porque as verdadeiras eram semi-aves. Com asas é que elas cantaram para tentar Ulisses que tapou com cera os ouvidos insensíveis ao canto mágico". Note-se que esta interpretação que Cascudo oferece para Ulisses reforça, de viés, os argumentos de Adorno para a passagem do "Canto das sereias", de Homero.
Seja como for, as sereias estão sim no culto dos mortos. Acreditava-se que elas intermediavam pelo morto junto aos deuses do inferno helênico, por exemplo. Isso explicaria a presença vocacional e clássica das sereias da Igreja de São Francisco de 1779. Mas o escultor sabia de tais simbologias? Ele driblou as censuras da época? Pergunta-se Cascudo.

Por minha vez, pergunto-me: Com seu canto grávido de sugestões para que nos tornemos o que somos, para além do sofrimento e da vulnerabilidade impostos pela culpa, as sereias, mesmo quando parecem convidar à morte não estão convidando à vida? Híbridas, não são elas sempre fúnebres e eróticas?

Não falo de metafísica. Creio que as sereias paraibanas nos dizem que ser humano implica em assumir a pluralidade e o risco da experiência dos impulsos: a potencialização das potências, o eterno retorno. As sereias na casa cristã dizem que o indivíduo não é independente de outros corpos, nem da história pulsional e cultural constitutiva daquilo que ele é hoje. Elas cantam que é preciso que cada um viva a vida e pague o preço por vivê-la. "O mito é o nada que é tudo", afirmam. 

"A satisfação mais manifesta, que o canto das sereias promete, seria o ingresso do corpo indiferenciado - como corpo de uma simultaneidade de todas as funções ativas e passivas - na indiferenciação da vida", escreve David E. Welberry no texto "O processo de dissimulação: 'O silêncio das sereias', de Kafka" (ver livro Mímesis e a reflexão contemporânea, org. Luiz Costa Lima).

Perder-se. Eis o infinito sirênico. Perder-se entre os detalhes da fauna e da flora tropicais e dos frutos regionais que inspiraram os artistas a decorar a jóia barroca paraibana com cajus, abacaxis e sereias. O eu é uma ilusão, tudo é multiplicidade e as sereias na casa de Cristo afirmam isso. As sereias se utilizam de um mesmo significante para dar conta de significados diferentes. O canto das sereias mobiliza mais de um afeto, encandeia a interligação de tudo, faz o ouvinte amar o destino ao abrir possibilidades de futuro. Perder-se.

Intervenção semelhante é feita por Maria Bethânia quando canta para Maria, mãe de Jesus, no disco Cânticos Preces Súplicas (2003). Médium das sereias - "A voz mora em mim, mas não é minha. É das sereias". -, Bethânia condensa na voz os signos de Maria e de Iemanjá. Bethânia "Deusa d'água / Iemanjá de cacimba / Iansã Iara minha irmã /Curuminha cunhatã", como escreve Chico César em "Águia".

"Vive sempre conversando à sós comigo / Uma voz que eu escuto com fervor / Escolheu meu coração pra seu abrigo / E dele fez um roseiral em flor", canta enquanto interpreta "O doce mistério da vida", de Victor Herbert na versão de Alberto Ribeiro para "Ah! Sweet Mystery of life". Voz das sereias escutada com fervor e em estado de refração, via voz da cantora, na casa cristã: sereia no terreno mariano.

Importa destacar que a canção surge logo depois da intérprete cantar "O doce mistério de Maria", de Fauzi Arap. E esta justaposição vida-Maria não pode passar despercebida de seu engenho estético. "Sou santamarense e sei bem dessa maneira ímpar de adorar, reverenciar, louvar Nossa Senhora com uma intimidade nossa. A alegria, para mim, é a maneira mais adequada para louvar Nossa Senhora", anota Bethânia no encarte do disco. Encarte-objeto, posto que pode ser folheado, apreciado como um rosário e suas contas, esferas vazadas. 

"O doce mistério da vida" já mereceu de Bethânia gravações anteriores, desde o antológico Rosa dos ventos (1971). E cada uma das versões merece uma avaliação que as singularizam frente às demais canções de cada disco. Aqui, é a voz misteriosa que engendra cantos o que se destaca: é a vida que "parece muito calma", mas que "tem segredos que eu não posso revelar". Aqui também, diferente das outras versões, Bethânia revela o segredo, diz quem é o seu amor: Maria.

Maria e Iemanjá, a grande sereia, figuras arquetípicas do feminino maternal, imbricam-se no canto de Bethânia, do mesmo modo que as sereias paraibanas sincretizam com os santos católicos. O resultado desse sincretismo entre Iemanjá e Maria é uma terceira entidade ainda sem nome, tropical, brasileira, pós-tensão. Contra-tradição? Trans-canção? Re-silêncio? As sereias paraibanas e Maria Bethânia colocam Iemanjá no céu dos cristãos e Maria no terreiro afro, no mar imenso sem cais. Elas infringem a linearidade e as regras de sobreposições hierárquicas. Que se complexifique a tradição filosófica! 

"A rainha do mar anda de mãos dadas comigo / Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim", diz Bethânia em "Carta de amor". Bethânia descola tanto Iemanjá quanto Maria de seus territórios específicos da religião que cada uma representa e as oferece à estética, à arte: aqui, uma e outra é de todos e de ninguém, Maria não é mais (apenas) da Igreja, nem Iemanjá é mais (apenas) do terreiro. Ambas mãe - mãe d'água e mãe do céu - chamando os filhos à experimentação da vida, via mistura, hibridação e sincretismo.

A título de referência, este projeto de brasilidade, de promoção da intimidade e tensão entre elementos diferentes, mas complementares, pode ser identificado também quando Bethânia abre o disco Mar de Sophia, inspirado na obra da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, com o "Canto de Oxum". 

As sereias paraibanas e Maria Bethânia restituem a sensibilidade da singularização do dono da voz que canta. Elas não sabem o que são, estão no meio, na travessia, na experiência das misturas, dos encontros desimpedidos de proibições morais e religiosas. Cambiantes, moventes, elas são algo novo, o centro motor da possibilidade que temos da invenção de sermos o que somos.

É deste modo, através desta chave de interpretação, que as sereias paraibanas, mesmo mal conservadas, gastas pelo tempo e pelo descaso, banhadas pelo sol tropical que ilumina e translúcida em poeira de estrelas seus detalhes em ouro, deixam de ser exóticas, excêntricas, para ser um signo do segredo da cultura brasileira. 


*** 

O doce mistério da vida 
(Victor Herbert - Versão: Alberto Ribeiro)

Minha vida que parece muito calma
Tem segredos que eu não posso revelar
Escondidos bem no fundo de minh'alma
Não transparecem nem sequer em um olhar
Vive sempre conversando à sós comigo
Uma voz que eu escuto com fervor
Escolheu meu coração pra seu abrigo
E dele fez um roseiral em flor


* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

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