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sábado, 24 de outubro de 2020

PAZ E AMOR | KLEITON & KLEDIR E MPB4 (CLIPE OFICIAL)

 


PAZ e AMOR é uma canção de esperança neste momento difícil que estamos vivendo. K&K e MPB4 acendem“uma luz no frio da escuridão”. Dá vontade de abrir a janela e cantar em coro, junto comeles, que é possível sim acreditar em um novo tempo“em que as pessoas possam se abraçar”eem um mundo mais “solidário, justo e feliz”.Dá vontade de repetircom elesque é preciso “respeito à diversidade, à sabedoria”e ao conceitouniversal de “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Aquiles, Miltinho, Dalmo, Pauleira, Kleiton eKledir falamde um sonho que não acaboue é capaz de despertar nossos melhores sentimentos de “paz e amor pra toda a humanidade”.

A música foi inteiramente gravada em aparelhos celulares, dentro dos limites impostos pela quarentena. 

Autores: Kleiton Ramil e Kledir Ramil
Arranjo vocal: Kleiton Ramil
Mixagem: Ricardo Pinto
Direção do vídeo: Tiago Arakilian (Titânio Filmes)

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

KLEITON E KLEDIR E O GRUPO MPB4 LANÇAM CANÇÃO E VIDEOCLIPE

Em meio à pandemia, música Paz e amor, já disponível nas plataformas digitais, traz mensagem de esperança em um mundo mais solidário e feliz



Os irmãos Kleiton e Kledir e os componentes do MPB4 gravaram a música e o videoclipe em aparelhos celulares



Levar ao mundo uma canção de esperança para o atual momento de inquietude e angústia é a proposta dos irmãos Kleiton e Kledir e do grupo MPB4.

A canção e o videoclipe Paz e amor, lançados pelo selo Biscoito Fino, foram gravados durante o período de isolamento social e ambos já estão disponíveis nas plataformas digitais.

Para os autores, a canção acende uma luz no frio da escuridão. “A ideia é fazer um convite para as pessoas abrirem a janela e cantar em coro que é possível acreditar em um mundo mais solidário, justo e feliz e em um novo tempo em que elas possam se abraçar”, explica Kledir.

Kleiton, Kledir, Aquiles, Miltinho, Dalmo e Pauleira falam de um sonho que não acabou e que, neste momento de incertezas, é preciso ter a oportunidade de reacender os melhores sentimentos e desejos.

De autoria de Kleiton e Kledir Ramil, a canção reforça o respeito à diversidade e o exercício da sabedoria. O clipe de Paz e amor foi gravado em aparelhos celulares, com cada um dos seis intérpretes em sua casa. O vídeo é uma criação de Tiago Arakilian, diretor do filme Antes que eu me esqueça e da série internacional Kids and Glory.

Na tela, os artistas entoam a canção emoldurados por imagens de fachadas, horizontes e pessoas, numa alusão ao isolamento e à fraternidade. “Essa música surgiu como uma canção de esperança, no meio dessa loucura que estamos vivendo. Já vínhamos angustiados e sufocados há um bom tempo. Existe uma onda conservadora tomando conta do mundo. Além disso, pessoas saem em busca de lucros imediatistas, esquecendo-se de que estamos em um planeta e que existe o outro”, alerta Kledir.

Ele ressalta que essa onda tem vindo com uma carga de ignorância grande. “Isso porque é puro egoísmo e ganância das pessoas. Estamos vivendo momentos de angústia, parece que é a era da ignorância. Confesso que andava sem esperança, mas agora, no meio dessa situação toda, na qual vejo que, apesar das pessoas angustiadas, desorientadas, estão surgindo momentos de solidariedade. Torcemos para que esses movimentos de sentimento e amor ao próximo se mantenham.”

Kledir revela que andava cético, porque ouvia as pessoas dizerem que o mundo iria mudar. “Aí, fiz essa letra cheia de esperança, mostrando que é possível, sim, mudar. Porém temos de entender que o que é preciso mudar são os hábitos pessoais. Em geral, as pessoas querem que o mundo mude para ficar mais confortáveis com seus privilégios. Temos que pensar no outro. Vivemos em uma grande rede mundial e me vem muito esse sentimento de paz e amor que era dito pelo movimento hippie.”

Ele alega que tudo isso foi um mote para escrever a letra. “O Kleiton me mandou a melodia e fui escrevendo os versos. Fiquei emocionado escutando a canção e depois escrevi a letra com uma grande carga emocional, pois também estou vivendo esse momento de isolamento social, ou seja, sete meses sem sair de casa.”

Kledir acredita as pessoas têm muito mais coisas em comum do que contrárias. ”O problema é que esse tipo de comportamento está acabando com o mundo. As pessoas querem ter lucro em cima do meio ambiente. Agora, muitos ignorantes continuam insistindo nessa história. É preciso parar e mudar as coisas. Essa música se presta muito para vocais, por isso convidamos o MPB4 para cantar conosco. É uma canção de união.”

Ele e o irmão têm uma longa história com o MPB4, desde o grupo Almôndegas (1971/1979), do qual faziam parte. “Eles gravaram em 1979 a música Circo de marionetes, de nossa autoria. Então, criou-se uma amizade desde aquela época. Nosso encontro mais recente foi na terça-feira passada (13), quando fizemos uma live com os seis cantando juntos a canção Paz e amor, e foi muito legal. Temos 16 gravações juntos, feitas em parcerias.”

Integrante do MPB4 desde a formação original, há 55 anos, Miltinho lembra que conheceu Kleiton & Kledir em 1979. “Na época, eles nos mandaram a música Circo de marionetes, que ouvimos e resolvemos gravá-la. O MPB4 a lançou no disco Bons tempos, hein?. No ano seguinte, fomos fazer o show Vira virou e iríamos gravar outro LP e pedimos músicas para os dois.”



AMIZADE

Miltinho conta que a dupla mostrou duas músicas para o grupo, sendo que uma delas era Vira virou. “De repente, a música deu nome ao disco e à turnê. Logo depois, começamos a fazer uma excursão pelo Brasil e apresentávamos os dois durante os shows. No meio da apresentação, os chamávamos e eles cantavam três ou quatro músicas. E o Vira virou acabou se tornando um sucesso tremendo.”

De lá pra cá, continuaram amigos. “E estamos sempre nos encontrando e eles até participaram do nosso show de 50 anos. Recentemente, o Kledir nos disse que estava com uma música e que queria gravá-la conosco. Miltinho conta que Kledir lhe mandou a música pronta. “Mostrei para os outros três integrantes, que toparam na hora fazer a gravação. Todos adoraram e Kleiton fez o arranjo vocal, distribuindo as vozes, sendo que cada um gravou de sua casa. Júlia, filha de Kledir, fez uma capa linda, e o Tiago, um cineasta que mora em Paris, fez a edição de vídeo. O Ricardo Pinto, nosso técnico de som, foi quem mixou e fez a edição do áudio.”

Os irmãos também estão lançando nas plataformas digitais o disco Kleiton & Kledir en español, que foi gravado em estúdios do Rio de Janeiro, São Paulo, Los Angeles e Buenos Aires e conta com as participações de Mercedes Sosa e León Gieco. Lançado originalmente na Argentina, em 1985, pela Universal Music, o álbum traz 11 faixas autorais, nas quais se incluem sucessos como Deu pra ti, Vira virou, Paixão, Nem pensar e Viva, em inspiradas versões para a língua espanhola do poeta e diplomata mexicano Edmundo Font. A dupla conheceu Mercedes Sosa em Cuba, em 1981, durante viagem organizada por Chico Buarque e, juntos, participaram de shows coletivos em Havana e no Festival de Varadero com outros artistas, como Pablo Milanês, Silvio Rodrigues, Nara Leão, João Bosco, MPB4 e Jimmy Cliff.



PAZ E AMOR
• Kleiton & Kledir e MPB4
• CD e DVD – Biscoito Fino
• Disponíveis nas plataformas digitais


Ah... Eu continuo o mesmo sonhador
Que ainda acredita em paz e amor
E o meu sonho vai virar realidade
Depois que enfim passar a tempestade
E essa loucura toda terminar

É... A gente errou e entrou na contramão
E desinventou a civilização
Ah... Onde foi que a gente se perdeu?
Não sei dizer o que aconteceu
Só sei que dá pra achar a solução

Encontrar a luz no frio da escuridão
E acender a vela, o fogo da paixão
Falo de amor, de solidariedade
Nós somos feitos de felicidade
Então é só abrir o coração

E no fim das contas o que vai sobrar
É o velho sonho pra recomeçar

Falo de esperança, de fraternidade
De compaixão, de fé e amizade
É só assim que o mundo vai mudar

Ah... Eu continuo o mesmo sonhador
Que ainda acredita em paz e amor
Encontrar a luz no frio da escuridão
E acender a vela, o fogo da paixão

Falo de um mundo inteiro sem fronteiras
Sem muros, sem divisas, sem barreiras
Em que as pessoas possam se abraçar
Falo de respeito à diversidade
De cor, de gênero, da liberdade
De amar alguém do jeito que eu quiser

Ah... Eu continuo o mesmo sonhador
Que ainda acredita em paz e amor
Falo de harmonia e de caridade
Sabedoria e sensibilidade
É só assim que o mundo vai mudar

Encontrar a luz no frio da escuridão
E acender a vela, o fogo da paixão
Falo de justiça, falo de igualdade
De paz e amor pra toda a humanidade
E um novo tempo pra recomeçar.


Fonte: Estado de Minas

sábado, 6 de maio de 2017

O NOVO PERNAMBUCANO

Por Aquiles Rique Reis*



“Simples como habitualmente são as grandes obras; profundos como costumam ser os trabalhos que se perpetuam; simples como voo de passarinho; profundo como amor incondicional; singelo como canto de ninar; intenso como fogo de lamber a alma...”

Foi com estas afirmativas que comecei o texto da coluna anterior, na qual comentei o primeiro CD da jovem cantora Alice Passos. Mais do que afirmações, são expressões do desejo de que os jovens prossigam na busca por belezas simples e profundas. Quando um disco mexe com minhas emoções, corro a buscar palavras que digam do meu contentamento por ter em mãos um trabalho arrebatador, mas que, ao mesmo tempo, revelem a angústia por crer que o novo nome dificilmente chegará ao grande público.

Pois bem. Recentemente, ao ler uma matéria no Globo assinada por Leonardo Lichote em que ele apresentava alguns nomes da nova cena musical pernambucana, tomei conhecimento da obra da moçada. Dentre eles estava o compositor, pianista e cantor Zé Manoel, pernambucano de Petrolina (fiz contato com o jornalista, pedindo dicas de onde comprar os discos citados na matéria).

Hoje, depois de ouvir os novos pernambucanos, decidi falar do meu entusiasmo com Delírio de um Romance a Céu Aberto (Joia Moderna), álbum de José Manoel de Carvalho Neto, o Zé Manoel. Idealizado pelo DJ Zé Pedro, com produção executiva de Thiago Marques Luiz, reúne onze músicas – algumas em parceria, sendo três inéditas, cantadas por grandes intérpretes e acompanhados por Zé Manoel ao piano.

Virtuoso, seu piano aclara a facilidade com que as notas saltam de suas teclas, transformando-se em acordes que remetem às harmonias de nossos grandes harmonizadores. As melodias vão por onde as palavras levem. Imagens bem talhadas afloram. E a música brota prenha de fantasias. E de amor, de dor, de água e de fogo. Canções de dar canseira nos olhos de tanta lágrima, de trazer paz aos ouvidos, ávidos por se aninharem em música de qualidade. (Dói-me saber que Alice Passos e Zé Manoel, assim como acontece com Guinga e Celso Viáfora – uma grande cantora e três grandes compositores –, podem não chegar aos tantos ouvidos que merecem escutá-los.)

Lindas canções de um talento exuberante, que agora as vê acrescidas de encantos, já que cantadas por Fafá de Belém (grande interpretação), Elba Ramalho (em grande forma), Ayrton Montarroyos (bela voz), Ana Carolina (cantando bem), Célia (intensa como sempre), Tiganá Santana (voz poderosa), Ná Ozzetti (linda interpretação), Amelinha (bela voz, pura emoção), Arthur Nogueira (canta e declama os versos com voz profunda) e Jussara Amaral (como canta!).

Piano e vozes, simplesmente ardentes, eloquentes; belezas candentes; sentimentos envolventes... Epa! O que é isso? Ora, são rimas indigentes louvando um CD de brilho resplandecente.

Mas a palavra final cabe a Zé Manoel: piano e cello o amparam para que cante, feche e assine o CD – um verdadeiro songbook desse craque pernambucano, de apenas 35 anos.


*Aquiles Rique Reis, é vocalista do grupo MPB4

domingo, 26 de junho de 2016

GRAVADORA LANÇA PROJETO TRÊS TONS DE MPB4, COM INVESTIMENTO EM REEDIÇÕES RARAS

Os títulos escolhidos foram 10 anos depois (Philips, 1975), Canto dos homens (Philips, 1976) e Vira virou (Ariola, 1980)


Arranjos vocais criados por Magro permanecem atuais


O MPB4 tem uma longa discografia. Consciente disso, o jornalista Thiago Marques Luiz sabia da difícil missão que tinha de escolher apenas três álbuns para o projeto Três tons de MPB4, a convite da gravadora Universal. A proposta é investir em reedições raras de trabalhos fora de catálogo há muitos anos ou inéditos no formato CD. Foi o que direcionou Thiago.

“A discografia do MPB4 é muito íntegra. Eles cuidavam da seleção de repertório muito bem, escolhiam os arranjadores certos, era tudo no seu devido lugar”, diz o jornalista, que também assina os textos do projeto. “Poucos discos deles foram relançados em CD e acabei escolhendo mais três inéditos nesse formato.” Além disso, pela primeira vez, eles ficarão disponíveis digitalmente.

Os títulos escolhidos foram 10 anos depois (Philips, 1975), Canto dos homens (Philips, 1976) e Vira virou (Ariola, 1980). Para Aquiles, os três são marcantes. Um dos álbuns mais vendidos na década de 1970, 10 anos depois reúne clássicos como Manhã de carnaval, Pressentimento e Canto triste. “Ali foi a primeira data redonda, pegamos músicas importantes do repertório brasileiro. Gravamos há 40 anos, não me lembrava de muita coisa. Ouço e fico surpreso de como ainda estão atuais os vocais, os arranjos instrumentais feitos pelo Magro. Está tudo muito contemporâneo”, avalia Aquiles Rique Reis, integrante do MPB4.


TORTURA

“Canto dos homens é outro disco importante, foi gravado num momento em que a ditadura estava mais ferrenha: a censura, as pessoas sumindo, padecendo em torturas. O álbum tem essa carga, a gente nunca aliviou o nosso próprio repertório em função de tentar fazer uma coisa mais leve, mais palatável”, lembra Aquiles.

Já Vira virou simboliza musicalmente o momento de reabertura política no Brasil. “Ali a gente pode começar a pensar em cantar para se divertir, para divertir os outros, não havia mais necessidade daquela postura toda de protesto. Nós nos sentimos orgulhosos, dentro das nossas poucas possibilidades, de ter contribuído para a redemocratização do país. Desde 1964 brigamos por isso”, conclui Aquiles.


Fonte: Agência Estado

sábado, 9 de novembro de 2013

MAGRO WAGHABI, 70 ANOS

Há pouco mais de um ano perdíamos Magro Waghabi, músico e integrante do grupo MPB-4 que completaria 70 anos ao longo deste ano de 2013. Pela passagem destas 07 décadas trazemos ao nosso público um texto escrito por Magrão e publicado em 06/12/2012



Miguel de Cervantes Saavedra escreveu esta sábia sentença em sua obra-prima “El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha”: “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay!”

Pois para mim, que não acreditava em bruxa, eis que um dia ela apareceu. Melhor dizendo, uma noite...

Já era a década de 1970. Para quem começou a voar o trecho Rio – São Paulo – Rio nos DC-3 da Real Transportes Aéreos na década de 1960, o medo de voar já ficara amortecido. Não há outra solução, ou você não tem medo de voar ou, depois de alguns vôos, se conforma e conclui que não pensar no assunto é melhor do que morrer um pouco a cada decolagem ou a cada aterrissagem.

Por isso não foi nem menor nem maior o medo que senti ao entrar num táxi aéreo, um pequeno bimotor que nos levaria até Uberaba. Tínhamos um show em Uberlândia, mas como precisávamos voltar logo após o show e o aeroporto de Uberlândia não tinha iluminação para manobras à noite, aterrissamos em Uberaba e de lá fomos de carro até Uberlândia. Éramos cinco, Chico Buarque e o MPB4.

O show correu sem problemas e logo após estávamos dentro dos carros que nos levariam de volta a Uberaba, de onde retornaríamos ao Rio de Janeiro. Não me lembro como nos acomodamos nos carros, mas tenho certeza de que Miltinho estava no mesmo carro que eu, pois foi dele que ouvi a história do Roberto “Cabeçada”.

Devagar, amigos. Antes, precisamos preparar o ambiente para depois contar a história... 

Primeiro: a estrada entre Uberlândia e Uberaba é praticamente uma reta só, fato este, aliás, que fez com que Miltinho se lembrasse da história. Segundo: já era tarde da noite e só víamos a estrada pela iluminação dos faróis do carro em que estávamos. Entraram no clima? Pois então aí vai a história de Roberto “Cabeçada”:

Contou-nos Miltinho que Roberto “Cabeçada” era um amigo dele que tinha um estranho tique nervoso. Esse tique consistia em virar bruscamente a cabeça para o lado direito como se estivesse dando uma cabeçada para trás, daí seu apelido.

Depois de alguma insistência, “Cabeçada” contou a Miltinho a origem de tal transtorno. 

Uma noite, dirigindo numa estrada com muitas retas, foi ficando sonolento quando de repente, apavorado, viu surgir à frente do carro uma pessoa... Uma velhinha estava parada no meio da estrada e ele não teve reflexos suficientes para desviar dela. Desesperado, pensou na tragédia que estava vivendo, mas se arrepiou ao constatar que não tinha havido barulho nem impacto ao passar sobre a velhinha. Olhou pelo retrovisor para ver se havia um corpo na estrada e, aterrorizado, descobriu que, ao invés de corpo na estrada, a velhinha estava sentada no banco traseiro do carro e, de tempos em tempos, dava-lhe fortes puxões no seu cabelo, bem na nuca. A partir dessa noite, Roberto passou a conviver com o terror de ter seu cabelo puxado pela velhinha... E tome de cabeçada.

Entre o medo e o sarcasmo, preferimos, quase sempre, o sarcasmo. E a história da velhinha serviu de tema para várias conversas engraçadas, até mesmo quando chegamos ao aeroporto e entramos no avião. Nós cinco, o piloto, o co-piloto e uma garrafa de uísque. Mal sabíamos que havia mais um passageiro a bordo. Melhor dizendo, uma passageira...

“Yo no creo em brujas...”

Todos os procedimentos para a decolagem corretos, o avião acelerou e em pouco tempo estávamos voando em direção ao Rio de Janeiro. A bordo, num ambiente descontraído, eram contadas mais histórias engraçadas sobre o caso do Roberto “Cabeçada”. Estávamos tão à vontade que o uísque ficou num banco, desprezado. O que, diga-se, não era comum acontecer.

E mais histórias da velhinha e mais risadas, quando alguém, numa piada totalmente sem graça, disse:

– Olha a velhinha aí! Ao mesmo tempo em que deu três batidinhas na janela do avião. 

As batidas se confundiram com uma campainha estridente na cabine do pequeno bi-motor. Imediatamente o avião deu uma guinada para a direita. Após algum tempo o piloto conseguiu estabilizar o aparelho e iniciou uma curva acentuada, como se estivesse voltando... E estava voltando mesmo! 

O co-piloto, com uma cara apavorada, pediu que trocássemos de assento, de forma que o peso maior ficasse sobre a asa esquerda, a que tinha o motor que ainda funcionava... Pois foi o que aconteceu, um motor havia parado com 20 minutos de vôo e estávamos retornando a Uberaba.

Um silêncio, só preenchido pelo ronco do único motor que nos restava, nos trazia à mente alguns problemas sérios.

O co-piloto tentava, desesperadamente, entrar em contato com a base no aeroporto de Uberaba. Seu desespero tinha uma razão crucial. As luzes do aeroporto de Uberaba só ficaram acesas até a decolagem do avião, depois disso, todos iriam dormir...

O tempo que levamos até a parada do motor, seria o dobro para retornarmos. E a garrafa de uísque começou a ser esvaziada. Quarenta minutos de ansiedade e medo. Curiosamente, apesar de se perceber facilmente a velocidade de esvaziamento da garrafa, todos continuavam sóbrios, como se estivessem bebendo água.

Aos 20 minutos de voo, com apenas um motor nos mantendo no ar, uma notícia boa: o aeroporto estava iluminado nos esperando!

E, no que parecera a nós umas vinte horas, finalmente tocamos, meio desequilibrados, a pista do bendito aeroporto de Uberaba.

A garrafa de uísque havia sido devidamente esvaziada até que o avião parou em frente ao saguão do aeroporto e o piloto desligou o nosso heróico motor.

Inacreditavelmente sóbrios, levantamos, descemos as escadas do avião e ao pisar o solo... Estávamos todos completamente bêbados!

E ninguém mais, bêbado ou não, sequer ousou tocar no nome da nossa passageira. Nunca mais! Mesmo porque, no dia seguinte voltaríamos para o Rio naquele mesmo avião. Eu hein!

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