PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

PROGRAME-SE


PORTO MUSICAL 2013

O Porto Musical (PM) chega à 6ª edição! A convenção de música e tecnologia, já consolidada e com visibilidade internacional no calendário bienal de profissionais dos dois setores, ocorre de 30 de janeiro a 02 de fevereiro de 2013, no Bairro do Recife, Pernambuco, Brasil. Como nas edições anteriores, o PM tem o objetivo de estimular a criação de redes de profissionais, trocar conhecimentos, fazer contatos e gerar negócios, por meio das plataformas ‘Go International’, Go Brazil’ and ‘Go Digital’.

Em 2013, o Porto Musical vem com duas novidades na programação. A primeira, intercalada às conferências, é a ação One to One, onde participantes terão acesso direto, em rápidas conversas individuais, previamente agendadas, com conferencistas ou profissionais da área de música para assuntos de interesse específico. Com intuito de favorecer a imersão dos estrangeiros na cultura pernambucana, será promovido também o Porto Musical Experience, com caravanas a celeiros culturais da Região Metropolitana do Recife e do interior de Pernambuco.

O Porto Musical reúne representantes de selos, gravadoras, sites, promotores e agentes musicais, festivais e instituições culturais, além de pessoas interessadas e antenadas às novas tendências do mercado da música. O evento é formatado por cerca de 15 conferências, que ocorrerão no Cine Teatro Apolo Hermilo, no Bairro do Recife e 16 showcases, gratuitos na Praça do Arsenal da Marinha, Bairro do Recife, mostrando ao público recifense e participantes da conferência as tendências musicais para o mercado internacional e brasileiro.

A realização do Porto Musical é assinada pela Fina Produção e Astronave Iniciativas Culturais em cooperação com a WOMEX (uma das maiores convenções de música do mundo) e Porto Digital (reconhecida organização social com mais de 100 empresas incubadas no Bairro do Recife). O patrocínio é do BNDES e apoio do Governo de Pernambuco e Prefeitura do Recife.

Para participar do Porto Musical, interessados devem acessar a página inscrições e fazer a inscrição online. O inveStimento é de R$ 120 (até 27 de janeiro). Do dia 28 de janeiro até os dias do Porto Musical, as inscrições só poderão ser feitas no Cine Teatro Apolo Hermilo, pelo valor de R$ 150.


Direção Geral
Melina Hickson – Fina Produção

Curadoria
Christoph Borkowsky - Womex
Christine Semba - Womex
Melina Hickson – Fina Produção
Paulo André Pires - Astronave

Comunicação Porto Musical
Trago Boa Notícia

Comunicação WOMEX
Anna Poetzsch
Hannah Asen

Produção Executiva
Michael Von Perykowski - Womex
Pérola Braz – Fina Produção
Sonally Moraes Pires - Astronave

Desenvolvimento de Site
PIANOLAB Agência Interativa

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PROGRAME-SE


MARIA BETHÂNIA ADIA APRESENTAÇÃO NO RECIFE

Assessoria da cantora ainda vai informar a nova data do show no Teatro Guararapes.



Ainda de luto pelo falecimento da mãe Dona Canô, no último dia 25 de dezembro, o cantora baiana Maria Bethânia resolveu adiar a apresentação que faria no Recife, marcada para o dia 25 de janeiro, no Teatro Guararapes. Ainda será informada a nova data do show.

Segundo repassou a Raio Lazer, produtora responsável por trazer a cantora, os detalhes serão informados oficialmente pela assessoria da cantora, na Bahia.

Os ingressos já comprados seguem valendo para a apresentação. Quem estiver impossibilitado de comparecer na nova data receberá orientações futuramente sobre como poderá resgatar o dinheiro.


Fonte:
JC Online

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

GERALDO VANDRÉ: O MORTO-VIVO DA DITADURA DO BRASIL

Por Abílio Neto




Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho de que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza, foi que me fez cantador”. (Geraldo Vandré em 1968, na introdução da canção “Terra Plana”)


Só existem dois mitos na música brasileira: Elis Regina e Geraldo Vandré. Elis com a sua morte precoce, aos 36 anos, e Geraldo Vandré com a sua renúncia à vida, na “volta” do exílio em 1973.

Geraldo Vandré se transformou num morto-vivo aos 38 anos de idade. Está atualmente com 77 anos. Como se vê, tem mais anos como morto insepulto do que vivo.

O que teria ocorrido para que esse paraibano de João Pessoa abandonasse uma carreira artística tão promissora que em pouco tempo fez dele o maior compositor brasileiro? A resposta é muito simples e está nestes versos:



... Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Em 1968, estes versos foram cantados pelo próprio Vandré se acompanhando ao violão para delírio de 30 mil pessoas que lotavam o Maracanãzinho que vaiavam estrepitosamente a música “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque. Vandré pegou o microfone e falou: “A vida não se resume a festivais”.

Gravada logo em seguida, surpreendentemente, por Luiz Gonzaga, a música seria logo proibida depois do advento do AI 5, afinal nenhuma ditadura militar toleraria versos tão provocantes e verdadeiros. Mas essa era a característica marcante das canções de Vandré: ele era um doutrinador, um domador de consciência das massas, e se esse papel já preocupa os regimes democráticos, imagine o estrago que causou na ditadura militar brasileira e depois na chilena! Nenhum outro compositor brasileiro de antanho teve essa incrível capacidade que ele demonstrou.

Mas Geraldo Vandré começou sua carreira compondo e cantando canções de amor. Andou de namoro com a Bossa Nova e fez parcerias consagradas com Baden Powell, Carlos Lyra e Gilberto Gil, este último um tropicalista que ele passaria a criticar dizendo “ele faz qualquer coisa”. Foi ele o primeiro artista a gravar “Samba em Prelúdio”, de Baden e Vinícus, em companhia de Ana Lúcia, que fez estrondoso sucesso em fevereiro de 1963 ao ser lançada em compacto. 

Por outro lado, não se pode negar o engajamento político de Vandré. Em julho de 1968, ele viajou para a Europa em companhia do Trio Marayá para fazer diversas apresentações e participar do Festival Internacional de Música da Bulgária. Lá, a sua canção “Che”, em homenagem a Che Guevara, morto na Bolívia em outubro de 1967, foi consagrada como a canção medalha de ouro e ele como o melhor intérprete. Esta mesma canção foi gravada por ele com o Trio Marayá na França, aproveitando a turnê européia. Que Vandré era o artista mais visado pelos milicos, disso não resta a menor dúvida. Na final do FIC de 1968, no Maracanãzinho, um jurado chegou a escrever na sua ficha de votação para nota: “left”. Outro escreveu: “left dangerous”. Seria impossível “Caminhando” ganhar ali!

O que foi dito acima está comprovado pelas anotações dos serviços de segurança do II Exército, não somente em relação a Vandré assim como a outros artistas. Vejamos o que escreveu Marcos Napolitano, historiador da UFPR:

A explosão dos festivais da canção, sobretudo os festivais da TV Record de São Paulo, a partir de 1966, coincidiu com o crescimento da agitação estudantil. A "setembrada" estudantil daquele ano, quando os estudantes saíram às ruas para protestar contra o regime, foi seguida pela "outubrada" musical, culminando no frenesi provocado pelas apresentações de “A banda” e “Disparada”, esta última consolidando a vocação de sucesso comercial da canção engajada brasileira. No ano seguinte, 1967, os serviços de vigilância e repressão apontavam, em Informação produzida pelo II Exército de São Paulo, a TV Record e a Rádio Panamericana (atual Jovem Pan) como "foco" de "ação psicológica sobre o público, desenvolvida por um grupo de cantores e compositores de orientação filo-comunista, atualmente em franca atividade nos meios culturais". O relator dá nome aos "agentes do grupo": Elis Regina, Gilberto Gil, Nara Leão, Chico Buarque, Edu Lobo e Geraldo Vandré. O restante do documento é uma mistura de fragmentos de delação, registros de eventos públicos e “considerandos” do agente.





A ação se desenvolve através da chamada "música de protesto", numa propaganda subliminar muito bem conduzida. Entre as músicas mais difundidas por aquelas emissoras, destaca-se AROEIRA, de Geraldo Vandré, cujo texto emprega ostensivamente a revolta e a subversão. 

Geraldo Vandré, que é também fiscal da SUNAB, é tido como comunista atuante. Consta que seu pai, médico em João Pessoa, é um dos chefes comunistas do Estado da Paraíba. 

No dia 5 de julho teve início o programa "DIA DA M.P.B." desenvolvido pelo referido grupo. O programa procura interessar particularmente aos estudantes, alguns, portando cartazes com inscrições também de protesto, outros com frases MPPD (Movimento Popular Pela Democracia). O programa desse dia foi dirigido pela cantora Elis Regina, o próximo, dia 12/07, será dirigido por Geraldo Vandré. 

Depois de arrolar os dados pessoais e profissionais, sugerir ligações com atividades culturais contestadoras e nomear Vandré como arauto da canção de protesto, o relator do documento culmina na prova maior da subversão: as ligações com grupos de esquerda clandestinos e a viagem a países do bloco soviético: 

Geraldo Vandré é tido como comunista atuante. Consta que seu pai, médico em João Pessoa, é um dos chefes comunistas do Estado da Paraíba. Segundo anotações datadas de 13 de agosto de 1968, GV é identificado como pertencente ao movimento determinado "AP". Encontra-se na Bulgária, onde participou do Festival Mundial da Juventude realizado em Sófia, concorrendo com a apresentação de uma canção denominada "CHE", obtendo o 1º lugar, sendo-lhe agraciado o grande prêmio medalha de ouro. O cantor em apreço deixou o Brasil no dia 22 de julho último, acompanhado do Trio Maraiá, compondo uma comitiva de 150 pessoas, incluindo intelectuais, estudantes e parlamentares. Consta que atualmente se encontra em Moscou, onde fará uma série de apresentações na TV Russa. Seu regresso está previsto para o dia 30, em São Paulo, vindo de Lisboa. (Informação 093, DOPS/DI, 14/10/1968)”.

No começo de 1969, Geraldo Vandré foi para o Chile. Iria fazer um show em Brasília em dezembro de 1968, acompanhado por um grupo de músicos no qual estava incluído o pernambucano Geraldo Azevedo, quando foi avisado pela então mulher de Caetano, Dedé Veloso, de que os milicos estavam à sua cata para prendê-lo e quem sabe fazer o que dele? 

Disse Vandré a Geneton Moraes Neto, na entrevista que se pode ver abaixo, que voltou para São Paulo guiando seu próprio carro. As coisas não aconteceram bem assim. Ele se refugiou na casa da viúva do escritor Guimarães Rosa e de lá só saiu para embarcar para o Chile devidamente “preparado” para que não fosse reconhecido pela Polícia Federal. Conseguiu fugir do país com um passaporte falso arrumado por amigos. Era fevereiro de 1969. Outra versão dá conta de que ele fugiu para o Uruguai disfarçado de paciente em uma ambulância. 

No final daquele mesmo ano ele gravou um compacto no Chile com duas músicas: 1) Caminhando (na versão em espanhol) e 2) Desacordonar. Esta última canção eu considero a maior que ele fez. Ela trazia mais conscientização de massas e mais problemas para ele com os militares, desta vez os chilenos. Os serviços de inteligência das Forças Armadas de lá passaram a monitorar seus passos. Em novembro de 1970, Salvador Allende tomou posse na presidência do Chile para desespero de Richard Nixon, da CIA e do regime ditatorial brasileiro. 

Geraldo Vandré partiu para a África e depois para a Europa em 1970. Na França gravou um disco primoroso que somente seria lançado no Brasil em 1973: “Das Terras de Benvirá”. Juntou-se a músicos brasileiros e fez uma turnê por diversos países. Foi por esse tempo que conheceu o músico Marcelo Melo que estudava na Bélgica e em 1971 regressaria ao Brasil fundando com outros músicos o Quinteto Violado. Há um importante vídeo dele na Alemanha em 1970 cantando sua música “Modinha”.

Foi também desse período a sua prisão com um grupo de amigos na França porque faziam uso do haxixe. Ele que era casado com uma chilena, passou a viver um drama pessoal porque a mulher o abandonou e voltou ao seu país. Geraldo, querendo salvar seu casamento, voltou ao Chile em 1972 e nesse mesmo ano participou de um festival de música no Peru sendo premiado com a canção “Pátria Amada, Salve, Salve”, dele e Manduka, este já falecido. Antes do disco citado acima, lançado na França, o Brasil já contabilizava quatro LP seus: 1) Geraldo Vandré – 1964; 2) Hora de Lutar – 1965; 3) Cinco Anos de Canção – 1966; 4) Canto Geral – 1968. Antes dos LP gravou alguns compactos entre 1963 e 1964. 

 No meado de 1973, o Chile era uma agitação sem fim. A CIA financiava os empresários chilenos para que estes fizessem greve paralisando a atividade de comércio, indústria e transporte com o fim de desestabilizar o governo Allende e os militares já se organizavam para dar o bote final pela tomada do poder. No começo de julho de 1973, os militares chilenos puseram a mão em Vandré e comunicaram a seus colegas brasileiros. Não o queriam lá. Um avião da FAB foi destacado para ir buscar o ilustre “fisgado” no Chile. 

Foi nesse vôo do Chile para o Brasil que Vandré conheceu o seu santo salvador, o seu anjo da guarda ou seu grande enganador. O militar, um coronel aviador da FAB, era seu "admirador" e sabia o que o aguardava no Brasil. Temia até pela sua vida! Com o desembarque em terras brasileiras, o Exército deu sumiço a Vandré por 58 dias, mas o anjo da guarda sempre descobria onde ele estava e não permitia que ele morresse nas sessões de tortura. Apesar dessa intervenção em seu favor, notícias de bastidores militares dão conta de que Vandré sofreu lavagem cerebral, internação em hospital psiquiátrico e até a perda dos testículos! Tudo isso para aprender a não fazer mais canção dizendo que “militar vive sem razão”. Ele nega que tenha sido torturado na sua volta ao Brasil. Quando morrer de fato e de direito, seu cadáver deverá ser examinado para esclarecer sua comentada emasculação perante a história política deste país. Por outro lado, disseram alguns esquerdistas, que ele pode ter sido vítima do “militar bom”, aquele que dá uma falsa impressão de que protege a vítima de tortura tal como se fosse uma versão do “policial bom” que faz o papel de suposto defensor dos oprimidos. 

Com o compositor já transformado no trapo que os militares queriam, “apareceu” no aeroporto de Brasília justamente em 11/09/1973, data que Pinochet deu o golpe fatal, matou Allende e ocupou o poder. Vandré surgiu como se tivesse desembarcado do Chile naquele momento! Isso se fosse possível naquele fatídico dia 11 de setembro chileno, quando ninguém entrava ou saía do país. Por incrível que pareça, estava de plantão no aeroporto um repórter da Rede Globo à espera dele que o entrevistou e ouviu sua “confissão” de que dali em diante somente faria “canções de amor”. Gilberto Gil, em 1972, foi obrigado a dizer coisa parecida! Pronto, a partir dessa entrevista estava morto o grande artista Geraldo Vandré. O que sobrou para nós foi o triste Geraldo Pedrosa. Mas Vandré ainda é muito inteligente: na entrevista a Geneton ele nos faz entender de que participou de uma farsa. 

Depois disso tudo, Vandré tornou-se até agressivo com seus fãs. Morando no centro de São Paulo, no Baixo Bixiga, certa vez foi reconhecido por um deles que gritou: Vandré!!! Ele respondeu de modo áspero: “meu nome agora é Geraldo Pedrosa, porra”! Jair Rodrigues, intérprete de “Disparada” e seu amigo, certa vez esteve à sua procura e lhe pediu para voltar à vida artística com o argumento de que o povo ainda o queria muito! Ele respondeu: “Que se dane o povo. O povo é uma lombriga”!



Elba Ramalho, como amiga dele que era, teve que aturar as suas esquisitices por um bom tempo, andando com ele pra cima e pra baixo, até que lhe pediu autorização para gravar “Canção da Despedida” e ele a negou. Inconformada ela ligou para o outro parceiro de Vandré na música, Geraldo Azevedo, que procurou falar com ele. Pra vocês terem uma idéia, Vandré permitiu que a música fosse gravada somente com o nome de Geraldo Azevedo como autor porque ele não queria que o seu nome aparecesse mais em discos gravados no Brasil. Aconteceu em 1983, por ocasião da gravação do LP “Coração Brasileiro”. A música foi composta em dezembro de 1968, quando Vandré pressentiu que não mais poderia ficar no Brasil. Isso demonstra para qualquer ser vivo como Geraldo Pedrosa matou Geraldo Vandré ou o obrigaram a fazer isso. Elba Ramalho, na época, o chamou de louco. Fácil não é, Elba? Você passou por tudo aquilo? Geraldo Azevedo não disse nada porque foi preso duas vezes e severamente torturado, chegando a presenciar a morte de um “subversivo” nas mãos dos torturadores. 

Em 01/01/1993, Geraldo Vandré, surpreendentemente, apareceu na posse de Paulo Maluf que havia sido eleito para o cargo antes ocupado por Luiza Erundina: prefeito da cidade de São Paulo. Foi até fotografado (de óculos escuros) por trás dos protagonistas. Indagado sobre o porquê da sua presença naquele evento, disse que “ali estava para garantir a posse”! Outra esquisitice sua foi o fato de se deixar fotografar em frente ao Clube da Aeronáutica como se duas asas estivessem presas à sua cabeça, as asas da sua suposta proteção militar. 

Voltando ao tema autorização de Vandré, o mesmo aconteceu com Marcelo Melo em 1997, ocasião em que o Quinteto Violado se preparava para gravar um CD em sua homenagem. Ele, além de não autorizar as gravações, ainda falou mal do grupo pernambucano. Dizem que ele se entendeu com Zé Ramalho, já neste século XXI, quando este gravou “Fica Mal Com Deus” fazendo um dueto póstumo com Luiz Gonzaga. É um informe ainda sem confirmação. 

A conclusão lógica de toda essa confusão mental apresentada pelo Vandré, é que ele foi forçado a essa situação dolorida: ou parava com a sua arte de cantor/compositor ou morria. Ele não teve escolha! Ah, mas antes disso ele fez uma canção para a FAB que se chama “Fabiana”, que foi apresentada aos militares da Aeronáutica em 1976 e cantada pela primeira vez em 1985. Não me perguntem por que ele não fez música pro Exército também. Agora a ladainha dele é velha: vem repetindo-a desde 1978 quando concedeu entrevista para Assis Ângelo, publicada no extinto Folhetim da Folha de São Paulo. 

Criticar Geraldo Vandré por uma possível opção para continuar vivo é muito cômodo. Difícil é passar por tudo o que ele sofreu e demonstrar ainda alguma lucidez numa entrevista. Pois ele a mostrou! Se bem que é facilmente perceptível que em alguns momentos ele se embanana com bobagens, mas em certos trechos da entrevista consegue ser impressionante! Fiquei chocado quando publiquei esta entrevista dele com o Geneton em 2010, no final daquele ano, em postagem retirada do ar (Jornal da Besta Fubana) porque um compositor que tenho em alta conta ocupou o espaço dos comentários para dizer que Vandré é um fantoche. Que ele nunca existiu para a música brasileira. É imensamente triste constatar que o Brasil perdeu o respeito por Geraldo Vandré! 

Entenderam agora o motivo pelo qual ele concedeu a entrevista vestido com uma camisa branca com o distintivo da FAB, compôs uma canção chamada “Fabiana” em sua homenagem e quando vai ao Rio de Janeiro, visitar sua mãe, se hospeda no Clube da Aeronáutica, local onde a entrevista foi realizada? 

É simples! A FAB o retirou de um país onde certamente seria morto e um seu oficial aparentemente não permitiu que ele fosse jogado, sem identificação, numa vala clandestina de um cemitério qualquer de São Paulo ou de outro lugar. Se isso foi verdadeiro e ele é grato por isso, está certíssimo! Como disse num dos seus filmes o saudoso Cantinflas, “é preferível um covarde vivo a cem heróis mortos”! 

Depois dessa entrevista e de conhecer esses “fatos” acima narrados, minha admiração por ele cresceu. Ah, tenho o áudio de sua canção “Desacordonar” que me foi presenteado por um oficial da reserva da Aeronáutica. O áudio não estava bom, mas aí apareceu um amigo cibernético que me mandou outro digno de ser ouvido! Fico a escutar os nove minutos da canção e às vezes me pego olhando esta fotografia acima, do Vandré pós 1973 e já no ocaso da vida, não sem algumas lágrimas nos olhos. Já dizia Fernando Pessoa tomando emprestada dos primeiros navegadores portugueses esta expressão: “Navegar é preciso. Viver, não é preciso”. 

A prova de que sepultaram Vandré em vida se compreende com a indesculpável falha da Rede Globo permitindo que se destruísse o vídeo com as imagens do Maracanãzinho lotado em 1968 com Vandré cantando “Caminhando”, tudo para agradar aos milicos. Prestem atenção que na entrevista abaixo ele cobra isso do inquiridor global. As únicas imagens de Geraldo Vandré ao vivo estão aqui, quando ele canta “Aroeira” em companhia do Trio Marayá e do Quarteto Novo. A gravação é de 1967.




Agora assistam a entrevista completa com o que sobrou do grande artista Geraldo Vandré. Ela é deprimente em alguns momentos, porém bastante elucidativa em outros! Vejam que na abertura do programa, o locutor oficial disse que seria decifrado o enigma Geraldo Vandré. Não foi isso o que aconteceu. A entrevista confundiu mais do que esclareceu. Cotejada com outros fatos omissos, ela ganha uma importância fundamental para que se assimile por completo a figura humana do Geraldo Vandré que chegou aos dias atuais. Concordo com ele em certos pontos: o Brasil de hoje não tem mais cultura para curtir as suas músicas. 

Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu em João Pessoa/PB em 12 de Setembro de 1935 e já demonstrava forte inclinação musical quando fez o curso ginasial num colégio interno em Nazaré da Mata/PE. O nome Vandré é a abreviatura de Vandregésilo, que é como se chamava seu pai, médico e tido por comunista. O escritor e crítico musical Ricardo Anísio, seu conterrâneo, é quem cuidará da sua biografia autorizada. Acho que terá um trabalho imenso para mostrar ao Brasil que o verdadeiro cantor/compositor não é esse que foi entrevistado por Geneton Moraes Neto, famoso jornalista pernambucano. Quem falou ali foi Geraldo Pedrosa. Geraldo Vandré continua no exílio conforme ele próprio declarou.

domingo, 20 de janeiro de 2013

BANDA DINDA - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Como o advento da internet como meio de divulgação alguns artistas ganharam notoriedade a partir desta ferramenta e hoje colhem o fruto desse novo modo de exposição.

Por Bruno Negromonte


Dinda é uma banda que não precisou usar de clichês mercadológicos para alcançar o espaço que hoje tem. Grupo encabeçado pelo cantor e compositor João Bernardo que surgiu na cena índie carioca já ultrapassou os 240 mil views no Youtube. Com letras e melodias simples, o grupo vem divulgando o disco Ano que vem eu vou ser na avenida o palhaço que eu fui na sua vida”, álbum que foi abordado recentemente aqui no Musicaria Brasil sob o título de "A PROFÍCUA E SIMPLÓRIA SONORIDADE DA DINDA". Já articulando um novo projeto, gentilmente Matias e João concederam essa entrevista exclusiva falando sobre aspectos da carreira, influências, o sucesso do Youtube entre outros aspectos como vocês podem conferir abaixo. Boa leitura!


Parece que a banda surgiu a partir do desejo do João de trazer para um contexto mais de grupo aquilo que ele já fazia de maneira solo não é isso? Quanto aos integrantes, como surgiu a ideia dessa formação?

João Bernardo -  Minha ideia foi de chamar pessoas que se sentissem parte de uma banda e não tocando com um cantor, por isso a proposta da Dinda. Botei minhas canções pra jogo, e cada vez mais temos músicas e parcerias entre todos. A banda já teve algumas formações pra chegar na atual. O Matias está desde o iníco, já o conhecia de longa data, e acompanhava a carreira dele no Bondesom. Beto Callado foi indicado pelo baixista Bruno Di Lullo (Tono, Gal) e trouxe com ele o Marcelo de Sá. Rodrigo Jardim entrou por último pra assumir o baixo, que antes ficava dividido pelo Marcelo e pelo Beto.


Todos participam de projetos paralelos a Dinda? Como tem sido feito esta conciliação?

Matias - Na banda todos têm projetos paralelos, é normal isso acontecer. Os músicos têm livre arbítrio para participar do projeto artístico que quiserem.


Ano que vem eu vou ser na avenida o palhaço que eu fui na sua vida” não é um título muito longo? Como se deu o, digamos, batismo do disco?

João Bernardo - Com certeza, Um dos motivos da gente querer colocar, é porque era muito longo mesmo. É uma forma de instigar.


A Dinda mostra uma diversidade rítmica muito grande no álbum de estreia e isso talvez seja consequência das várias influências as quais os integrantes da banda foram submetidos. Há a possibilidade de citar algumas?

Matias - Tudo que está na gente consciente ou inconscientemente.


Vocês esperavam que o clipe da canção “Queria me enjoar de você” teria a quantidade de acessos que hoje possui? Quando foi que vocês se deram conta que ela estava tendo a “notoriedade virtual” que hoje ela tem?

Matias e João Bernardo - Desde o início deu pra ver esse potencial no vídeo, mas o legal é que já passaram quase dois anos e o movimento dele continua. Não foi só um amor de verão.


Na faixa “Amor amora” há a participação da pequena Maria Miranda de Moraes, uma criança tão carismática que acaba aguçando a curiosidade de muitos, como se é perceptível nos comentários do youtube, por exemplo. Quem é a Maria? Como ela chegou a ingressar neste projeto com essa participação?

João Bernardo - Ela é prima da minha mulher. E e muito esperta! Quis chama la pra cantar uma m'usica minha porque sabia que ela se sairia muito bem.


Quais foram o(s) procedimento(s) adotados para a escolha do repertório do disco?

João Bernardo - Foram as músicas que estavam com o arranjo mais definido.


Vocês estão lançando esse projeto pela Bolacha Discos (selo que pelo que parece nasceu já inserido nesse novo contexto mercadológico) a um preço bastante acessível. O sucesso do disco tem seguido o mesmo das redes sociais?

João Bernardo - As duas coisas estão caminhando bem, cada um no seu ritmo.


Hoje no Brasil a música independente ou lançada a partir de selos menores tem se evidenciado cada vez não só pela qualidade dos trabalhos mais por uma série de fatores que favorecem este cenário. A maior prova desta afirmação evidenciou-se na última edição do Prêmio da Música Brasileira (considerado como a principal premiação da música em nosso país), onde Herbert Lucena (artista independente pernambucano) ficou, entre tantos renomados artistas e gravadoras, entre os maiores contemplados do prêmio com um disco com nome tão longo quanto o de vocês (Não me peça que eu dê de graça tudo aquilo que eu tenho pra vender). Em contrapartida a questão do “jabá” é algo público e notório nas relações radiofônicas, por exemplo. Como é lhe dar com essas facilidades e estorvos em uma carreira no molde como a de vocês?

Dinda - As coisas estão sempre se transformando, a forma como a internet e a transmissão de conteúdo estão entrando na vida das pessoas tem alterado todo o processo da música. O saldo é positivo.


Quais são as expectativas para o ano de 2013?

Matias - Gravar um novo disco, fazer shows pelo Brasil e produzir mais conteúdo na internet.

sábado, 19 de janeiro de 2013

ALCEU VALENÇA E O QUINTETO VIOLADO FIGURAM ENTRE AS REEDIÇÕES DA COLEÇÃO TONS (UNIVERSAL MUSIC) EM 2013

Dando continuidade a série "...Tons de..." em 2013, a Universal Music tem por objetivo reeditar alguns álbuns do seu catálogo.

Por Bruno Negromonte


O jornalista, pesquisador, escritor e produtor musical Rodrigo Faour deu início ao longo do ano que passou na reedição de alguns títulos pela série "...Tons de...", cuja direção é assinada pelo próprio e já trouxe as boxes de Maysa, Carlos Lyra e Fafá de Belém. O lançamento da cantora e compositora Maysa trouxe os álbuns "Maysa" (Elenco, 1964) "Ando Só Numa Multidão de Amores" (Cd que traz como faixa-bônus "Nosso Caminho", fonograma de 1970, extraído da trilha sonora da novela Irmãos Coragem e "História de Amor" (versão em português do tema do filme Love Story, gravada em compacto de 1971)). De Carlos Lyra vieram (inéditos em cd) os títulos "...E no Entanto É Preciso Cantar" e "Eu e Elas...", lançados respectivamente em 1971 e 1972, além dos álbuns "Água" (1977), "Banho de Cheiro" (1978) e "Estrela Radiante" (1979) todos da discografia da cantora Fafá de Belém. Como o resultado comercial acabou agradando a gravadora, este ano a série terá continuidade com a reedições de alguns novos títulos (incluindo ainda alguns inéditos em cd) das discografias de artistas como Alceu Valença, Emílio Santiago, Erasmo Carlos, Luiz Melodia e Quinteto Violado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

OS DISCOS QUE OS PERNAMBUCANOS LANÇAM EM 2013

Do manguebeat revisitado, ao novo CD da Spok frevo Orquestra.
Por José Teles



O ano da graça de 2012 foi um dos mais prolíficos para música pernambucana, ao menos em quantidade de discos lançados. Segundo Fábio Cabral, da loja Passa Discos, especializada em artistas locais, foram 180 títulos de artista de Pernambuco (sem contar com a infindável quantidade de lançamentos de brega, funk e pagode, e qualidade e apresentação canhestras). Discos para todos os gostos, de novos e veteranos. Zé Manoel, estreou com CD que tem seu nome por título, e Otto com The moon 1111, a sequência do bem-sucedido Certa manhã acordei de sonhos intranquilos (2009); A Nação Zumbi lançou CD e DVD com show gravado no Marco Zero, e parte do grupo, o CD do projeto paralelo Los Sebosos Postizos. Mas em 2013? Vem bastante discos por aí. Afinal muito nome de peso não lançou disco este ano.

Um bom exemplo é a Nação Zumbi, que estava gravando álbum de inéditas, deu uma parada, porque Lúcio Maia, Dengue e Pupilo foram incorporados temporàriamente à banda de Marisa Monte. Enquanto isto da Nação Zumbi saíram projetos paralelos. Tocan Ogan e Da Lua uniram a Toca Ogan e Da Lua a André Malê e Marco Axé, da banda de Otto, para formar o Coco Samba de Mazuca. O disco já está pronto (foi gravado no Fábrica), mas Toca Ogan diz que não definiram ainda data de lançamento. Sabe-se apenas que será em 2013. Jorge du Peixe já anunciou seu projeto paralelo, o Afrobombas. Com ele estão Lula (vocal), André Édipo (guitarra), Thiago Duar (Baixo), Pernalonga (bateria), Ramon Lira (percussão), Dalua (percussão) e Guizado (trompete/eletrônicos). A estreia nos palcos acontece dia 10 de janeiro, na Choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo.

Enquanto isso, em Peixinhos, mais um integrante da NZ embarca em projeto paralelo, Gilma Bolla 8” Correa, com o Combo X, com disco pronto, embalado, e pronto para consumo. O Combo X vem do Combo Percussivo, que Gilmar já tocava adiante com músicos da periferia de Olinda, porém totalmente turbinado. A produção é assinada por Gilmar Correa, Bidosvski e Bactéria. A lista de participações é extensa: Kassin, Buguinha Dub, Thalma de Freitas, Flávio Renegado, Mc. Marechal, Hugo Hori, Felipe Falcão, Cleiton Barros e Dj Soul Slinger. Uma dos primeiros clipes, uma homenagem a Chico Science, foi da faixa Rei urbano (que tem participação de Kassin): “O grupo surgiu em 2007, a partir de um convite de Naná Vasconcelos para a gente realizar um projeto com ritmos afro-brasileiros”, diz Gilmar Bolla 8.



A já veterana Mombojó vem de 11º aniversário, o grupo já chegou a fazer show do repertório do disco em São Paulo, mas o lançamento oficial acontece no começo de 2013, diz o tecladista Chiquinho: “Só não tem data definida ainda. Sai em CD e digital pela Som Livre, e em vinil pela Joinha Records. Está pronto, com dez faixas, e algumas participações, China, Bruno Ximarú, Cannibal, Vitor Araújo, Igor Medeiros e Nação Zumbi”. Mombojó 11º aniversário, como disco comemorativo de uma data nada redonda, tem repertório foram do por releituras de canções dos discos anteriores da banda, com uma inédita. 

De uma geração que chegou logo depois da Mombojó, John Hooker tem engatilhado o disco Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito. O título, esclarece John “Hooker” Donovan, foi tomado emprestado do filme homônimo de Renata Brito: “Então quando chegou a hora de fazer um novo disco esse título voltou a minha mente. Permeando as gravações como uma luz guia. Seriam histórias de amor tendo como pano de fundo o Recife. Bregas, sambas, rocks”, conta ele, que foi produzido por Luigi Anghioni. O disco saí ainda esse ano em parceria com o Joinha Records. Por sua vez Alessandra Leão, ex-integrante da Comadre Florzinha, já começou a trabalha em Alê, como foi batizado o disco que ainda vai começar a gravar: “Quero começar ainda no primeiro semestre. Parte do repertório está pronto. Estou terminando de compor as músicas até fevereiro, aí vamos começar os arranjos”, diz Alessandra.

Mundo Livre S/A e Nação Zumbi, as duas bandas mais icônicas do manguebeat estão regravando-se. Uma gravando música da outra. A Mundo Livre S/A, conta Fred Zeroquatro, cumpriu o dever de casa antes da NZ: “A gente já gravou cinco. já estão pre-mixadas. gravamos no Mr.Mouse. estamos esperando o pessoal da Nação Zumbi. O disco sai pela Deck Disc”. Fred diz que as músicas ainda não estão terminadas. As gravações estão sendo bancadas pela gravadora. O álbum, ainda sem nome, tampouco tem data prevista de lançamento. De certo apenas que acontecerá em 2013.




Apesar de só agora ter gravado o primeiro disco solo, Ylana Queiroga é uma veterana. Estreou em estúdio com seis anos, fazendo coro para uma música gravada por Xuxa. Ela vem de uma família com talento musical que não é normal. É irmã de Yuri Queiroga, filha de Nena Queiroga, sobrinha de Lula Queiroga, e obviamente, neta do compositor Luiz Queiroga (de entre várias outras, A hora do adeus, com Onildo Almeida, feita para Luiz Gonzaga) e da cantora Mêves Gama. Sem esquecer que praticamente todos os tios estão no ramo da música. O disco de estreia de Ylana, no entanto, foi finalizado em 2010, e engavetado à espera de patrocínio, que demorou a aparecer. Graças ao produtor paulista Thiago Marques Luiz, Ylana chegou à Joia Moderna, pequena gravadora de São Paulo. Thiago ouviu uma cópia do CD, entusiamou-se, e convenceu o DJ Zé Pedro a Joia Moderna a lançá-lo : “O apoio da jóia moderna foi fundamental para conseguirmos fabricar o disco. A demora, porque quando a gente achava que só estava precisando de dinheiro para resolver tudo, nos enganamos. Ainda precisamos de algumas assinaturas, e de rever a documentação da música de Capiba (Sem gostar de mais ninguém). Mas o disco não vai sair realmente pela gravadora. Ela está dando o apoio. O trabalho já tem este tempo todo de pronto, musicalmente eu já estou em outra”, diz Ylana.

Ela participou este ano de dois tributos, ambos lançados pela Lua Music, e produzidos por Thiago Marques Luiz: Gonzagão 100 anos, e Hervelto Martins 100 anos. Gravado no Muzak, o primeiro disco de Ylana Queiroga é um verdadeiro mutirão musical. Tem participações de boa parte dos melhores instrumentistas em atividade no Recife (a produção é de Yuri Queiroga). O repertório de 12 faixas, é eclético. Vai do citado Capiba, até China (Overlock), Siba (O tempo), Lula Queiroga (Loa da lagoa), e Alceu Valença (Pedras de sal).

Quem apronta o primeiro DVD é Zeh Rocha. Transfinito, o nome, com 12 faixas, dez delas, inéditas: “ Tem uma música chamada Radiiopirateando, uma parceiria com Juliano Holanda, e mais duas parcerias com Xico Bizerra, Ciranda do mar de candeias, e estrada molhada de suor”, adianta Rocha. A direção musical é de Juliano Holanda, e direção de vídeo de Wilson Freire. O DVD é registro de um show apresentado, em 4 de maio, deste ano no teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu. Gravado com o estúdio móvel do Fábrica, Transfinito terá uma tiragem de mil cópias (projeto aprovado pelo Funcultura). No entanto, Zeh Rocha não tem pressa, o lançamento vai esperar um pouco: “Só no fim do ano, em dezembro, na torre Malakoff, um domingo a tarde, com projeção do DVD. Até vamos fazer algumas ações nas livrarias do Paço Alfândega e Shopping Rio Mar, na Passa Disco”.

Geraldo Maia, que lançou recentemente, em aprceria com a revista Continente, o CD Estradas, tira do forno mais um álbum. Este tem por título o nome dele e do violonista. Na base de voz e violão, a dupla encara um repertório pinçado da obra de Chico Buarque: “Não é temático, nem de fases, nada. São apenas músicas de Chico Buarque, a maioria sem parceiros”, diz Geraldo Maia. Ele e Vinicius gravaram Mambembe, Deus lhe pague, Rios dos ventos, Sobre todas as coisas, de Chico e Edu Lobo), E Xote da navegação, parceria com Dominguinhos. Falando em Dominguinhos, ele tem um disco de inéditas praticamente pronto.

Um luar de Garanhuns no céu do Grato, é como foi batizado o disco formado por doze parcerias do sanfoneiro com o letrista Xico Bizerra. Ele conta que no dia 11 de fevereiro de 2012, recebeu uma ligação de Dominguinhos. Ele queria saber se Xico botaria letra numa melodia para uma canção que ia entregar para uma cantora gravar. Em lugar de uma melodia, o generoso garanhuense repassou onze a ao poeta cearense (do Crato). Acrescente-se a estas uma chamada No tempo de meu pai, de Dominguinhos e Anastácia.

Em seguida Xico Bizerra convidou amigos e amigs para gravá-las. O próprio Dominguinhos, com Waldonys está em uma das faixas, Senhora de minha alegria, um baião. O disco terá ainda Elba Ramalho, Chris Nolasco, Xangai, Geraldo Maia, Irah Caldeira, Maria Da Paz, Guadalupe, André Rio, Maciel Melo, Adelson Viana, e Tonfil. Xico Bizerra diz que espera apenas Dominguinhos se recuperar para mandar o disco à fábrica.

Por fim, mas não menos importante, a Spok frevo Orquestra finalmente está finalizando a sequência de Passo de Anjo, seu primeiro disco de estúdio. "Ninho de vespa", o novo álbum da SFO traz frevos compostos por nomes como Dori Caymmi e Sivuca: "A intenção foi gravar frevos compostos por autores que não são necessariamente de Pernambuco", adianta o maestro Spok. Ninho de vespa contará também com várias participações especiais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PERNAMBUCO GANHA MAIS TRÊS PATRIMÔNIOS VIVOS

Arlindo dos 8 Baixos, João Silva e a Associação Musical Euterpina de Timbaúba se juntam à lista de 24 homenageados.


O Governo de Pernambuco, através da Fundarpe e da Secretaria de Cultura, divulgou o resultado do VIII Concurso Público de Registro do Patrimônio Vivo do Estado. Arlindo dos 8 Baixos, João Silva e Associação Musical Euterpina de Timbaúba foram os selecionados. 

O sanfoneiro Arlindo dos 8 Baixos, natural de Sirinhaém, Mata Sul de Pernambuco, desde muito jovem chama a atenção por seu talento com a sanfona. No entanto, foi por conta de um conselho de Luiz Gonzaga que ele passou a se dedicar ao fole de 8 baixos, reconhecido pelo grau de dificuldade que apresenta. A partir daí, surgiu a parceria que levou Arlindo em turnê com o Velho Lua pelo Brasil. Há dez anos, estabelecido no Recife, ele mantém no quintal de sua casa, em Dois Unidos, periferia da capital, o Forró do Arlindo. A festa ocorre todos os domingos e já se estabeleceu como um dos principais pontos de preservação do forró tradicional na cidade. 

Outro recém-nomeado Patrimônio Vivo, João Silva foi também grande parceiro de Gonzagão. Compositor de mais de cem músicas das interpretadas pelo Rei do Baião, entre elas, "Tá Danado de Bom", “Pagode Russo” e "Deixa a Tanga Voar, não foi à toa que, no ano em que Gonzaga completaria 100 anos, seu parceiro teve sua obra valorizada e preservada.

Já a Associação Musical Euterpina de Timbaúba recebeu finalmente o devido reconhecimento pelos mais de 80 anos dedicados a música popular pernambucana. Formada por mais de 50 músicos, entre instrumentos de sopro e percussão, ela se mantém como um espaço de divulgação e manutenção da tradição musical do Estado. 

Cada selecionado receberá uma bolsa anual vitalícia, além de ter inserção garantida na Política Cultural do Estado, através da participação em ações de divulgação e transmissão de saberes, e registro de atividades, com o objetivo de valorizar, documentar e repassar essas tradições às novas gerações.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SECRETÁRIO DE CULTURA REBATE AS CRÍTICAS

Além de divulgar carta de resposta, Fernando Duarte procurou o Diario para falar sobre o pagamento dos cachês dos shows.

Por Júlio Cavani


A menos de um mês do início do carnaval, críticas feitas por artistas ergueram polêmicas sobre o pagamento dos cachês dos shows e sobre o tratamento dado aos grupos folclóricos que se apresentam nas ruas. Cantores como China e Alessandra Leão chegaram a afirmar que não querem cantar este ano por causa de atrasos na liberação das verbas para os músicos. Guitinho da Xambá, do grupo Bongar, por sua vez, criticou a estrutura dos desfiles de agremiações da cultura popular, como caboclinhos, maracatus e escolas de samba. Além de divulgar uma carta de resposta, o secretário de Cultura de Pernambuco, Fernando Duarte, procurou oDiario para esclarecer e detalhar alguns pontos da questão. 

Na entrevista, reconheceu que ainda há muito o que ser formalizado, principalmente em relação à regularização dos artistas. Por outro lado, acha que as críticas misturaram assuntos diferentes, pois relacionaram a questão dos pagamentos com a elaboração das grades de programação. Ele também explica como é a participação do poder estadual na realização dos carnavais de cada cidade pernambucana e o que tem sido feito para corrigir as distorções.

O governo de Pernambuco já pagou 99,58% dos cachês do carnaval de 2012. Até o último mês de maio, 68,86% já haviam sido pagos. Em julho, 94,99% dos pagamentos tinham sido feitos. As pendências, segundo o secretário, estão relacionadas à documentação apresentada pelos artistas e produtores.

Ainda estão abertas, até esta terça-feira, as inscrições para o edital que seleciona bandas e artistas contratados para tocarem no carnaval de 2013. O prazo originalmente terminava em dezembro, mas foi prorrogado. A seleção é feita por uma comissão formada por representantes do governo da área de cultura, turismo e da Casa Civil, junto com as prefeituras das cidades do interior e da Região Metropolitana do Recife.

O total de investimentos do governo do estado no carnaval de 2013 ainda não foi definido, mas será superior a R$ 20 milhões. Em 2012, o investimento foi de R$ 22 milhões, destinados para o patrocínio das programações das prefeituras.

Em 2012, o governo contratou 405 grupos e artistas, que fizeram 605 apresentações. Para 2013, mais de 1 mil propostas já foram inscritas no edital de convocação. 


ENTREVISTA/ Fernando Duarte

"Não é verdade que o artista de fora receba o cachê antes

Como você vê as polêmicas que surgiram nos últimos dias em torno do pagamento dos cachês aos artistas que se apresentam no carnaval?
Eu acho que esse debate está meio distorcido, mas a crítica é correta, pois sempre temos que melhorar os prazos de pagamento. O estado tem mesmo que se organizar e fazer isso acontecer de forma melhor e mais rápida. É um problema real. O planejamento ainda é precário na área de cultura. Na política cultural do estado, nos interessa pulverizar e ampliar as grades de programação, incluir mais gente. Incluir mais grupos alternativos e mais grupos de cultura popular. Nessa tentativa de ampliação da grade, eu passo por alguns problemas, pois o grau de organização dos segmentos não é o mesmo. Existem setores extremamente organizados, empresariados, com sua documentação em dia. E tem setores extremamente precários ainda, que estão em movimento de se organizar.

O que está distorcido nesses protestos e boicotes?
A crítica correta dos prazos de pagamento não pode se transformar em um outro tipo de crítica genérica, misturando política pública e programação de artistas nacionais. Além disso, o atraso sempre tem sido residual. Paguei 99,58% do carnaval de 2012. Do que estava correto, paguei 100%. O que está faltando são essas pendências de documentação. A nossa disposição, cada vez mais forte, é de diminuir os prazos. Isso é do nosso interesse. As pessoas estão fazendo o debate mas não estão apontando para o ponto central.

Mas você acha importante esse tipo de protesto?
Não temos problemas com isso. Sabemos que China e Alessandra Leão são grandes artistas, independentemente desse problema, e isso não afetará nossa relação com eles. O problema é que algumas dessas críticas foram meio generalizantes. Aí é evidente que o governo tem que entrar no meio para mostrar que não é bem assim. Acho que todo esse debate tem que ser feito sempre. Estamos tranquilos, nos esforçando para melhorar o desempenho e a execução dos prazos. Acho extremamente válido.

Quais as diferenças entre o pagamento de um cantor ou banda e o pagamento de um grupo folclórico, como uma escola de samba, um maracatu ou um caboclinho?
Nenhuma. A exigência é idêntica. Do ponto de vista formal de pagamento, não existe nenhuma diferença. A documentação que eu peço para um é a mesma que eu peço para o outro. O debate está na questão da remuneração, dos valores. Aí, a gente tem uma exigência, pela legislação vigente, que é a comprovação do valor dos cachês. Se você é uma banda, quer tocar no carnaval pela primeira vez e pede um cachê de R$ 90 mil, aí você tem que me provar que já recebeu esse cachê em pelo menos três shows anteriores. Se você não comprova, eu não vou poder pagar esse valor, segundo a lei. Aí, qual é o problema que isso dá? Se você só comprova que ganhou R$ 5 mil anteriormente, eu só vou poder pagar R$ 5 mil.

Então um grupo de caboclinhos que só costuma receber cachês na época do carnaval terá apenas o próprio carnaval como parâmetro para calcular o novo cachê e nunca poderá aumentar esse valor?
É a mesma regra. E eles só costumam receber da prefeitura ou do governo do estado, ou seja, quase nunca chegam a ter três fontes diferentes para serem usadas como parâmetro.

Isso não deveria mudar?
Eu acho que isso precisa ser reformulado, mas essa modificação passa pela legislação e pelo Tribunal de Contas. São normas a serem cumpridas. A solução, por enquanto, é aumentar o número de apresentações desses grupos. É um debate sobre o valor da arte deles, é algo que vai além da questão dos pagamentos do governo. É um sistema extremamente complexo. Há artistas que serão lembrados daqui a 100 anos mas ganham menos do que outros que surgiram agora e serão esquecidos daqui a cinco anos. Parece injusto, mas existe um mercado que afeta o valor dos cachês. Há um debate sobre a arte, um debate sobre o governo e outro debate sobre o mercado. Uma coisa foge do controle da outra. Cada um tem seus critérios diferentes. Ao mesmo tempo, é interessantíssimo tentar conciliar as três coisas.

Existe diferença entre a forma de pagamento de artistas de Pernambuco e de fora do estado?
Não. Não tem. A diferença está só nos valores e na forma como são feitos os convites. Os artistas locais têm uma reserva na grade de programação. Eles são prioridade e têm seu lugar garantido, enquanto os de fora precisam disputar essas vagas entre si. É claro que é impossível contemplar todos os artistas pernambucanos, pois mais de 1 mil já se inscreveram na seletiva do carnaval deste ano, mas tentamos aproveitar o máximo possível. Essa polêmica dos artistas de fora é totalmente falsa. Noventa por cento dos artistas que tocam no carnaval são de Pernambuco. E não é verdade que o artista de fora receba antes.

Ainda há informalidade nesse processo de pagamento de cachês? Há artistas que sobem ao palco sem contratos assinados ou sem prestações de contas?
Não. Todos os shows pagos pelo governo do estado estão formalizados. Eles são previamente empenhados com toda a documentação. Isso é uma garantia de que o recurso está destinado àquilo, está alocado. O que acontece é que, às vezes, o artista recebe esse empenho, que é uma espécie de cheque, mas não consegue ter acesso ao dinheiro por causa de algum problema na documentação dele.

O governo do estado promove alguma atividade ou programação de shows no carnaval?
Não. Apenas patrocinamos as prefeituras e participamos da elaboração da programação de cada cidade. Há alguns anos, havia um palco do governo em Olinda, mas hoje em dia não há mais nada.

Como o governo interfere na programação de carnaval das prefeituras que recebem patrocínio estadual?
A gente faz um debate separadamente com cada uma das 22 prefeituras apoiadas. É uma espécie de negociação sobre as grades de programação. Queremos saber quem são os nomes nacionais que eles querem, quem são os nomes locais, quais são os cortejos e quais são as orquestras. Temos uma comissão que seleciona as propostas inscritas no edital, mas a escolha delas é feita junto com as prefeituras de acordo com o interesse de cada cidade. A única coisa que é totalmente assumida pelas prefeituras é a infraestrutura, que inclui coisas como banheiros, limpeza, montagem de palcos, iluminação e camarins.

DIILMA SANCIONA LEI QUE CRIA VALE-CULTURA DE R$ 50 PARA TRABALHADOR

Empregado de empresa que aderir deve receber valor a partir de julho. Benefício será concedido a quem ganha até 5 salários mínimos (R$ 3,3 mil).

Por Iara Lemos


A presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou na tarde do último dia 27 de dezembro o projeto de lei que cria o vale-cultura. A nova lei concede R$ 50 por mês a trabalhadores contratados em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que recebem até cinco salários mínimos (R$ 3,39 mil, considerando salário a partir de 2013).

O dinheiro poderá ser gasto na compra de ingressos para shows e espetáculos e também na aquisição de produtos como livros e DVDs.

Somente receberão o benefício os empregados das empresas que aderirem ao projeto, e o trabalhador terá um desconto de até 10% (R$ 5) do valor do vale. O funcionário pode optar por não receber o valor.

O texto sancionado por Dilma foi aprovado no Senado no dia 5 de dezembro. Agora, abre-se prazo de 180 dias para que o governo federal publique uma regulamentação que esclareça como funcionará o programa.

De acordo com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, a quantia passará a ser recebida a partir de julho do próximo ano. Até lá, disse a ministra, o governo negociará com empresas para favorecer a maior adesão ao projeto. O governo federal vai desembolsar cerca de R$ 500 milhões em 2013 em incentivos.

“Pode ser que saia antes, mas nosso limite é julho. Acredito que até julho o trabalhador possa estar com este recurso em mãos. Isto não é obrigatório para as empresa, como não é obrigatório para o trabalhador”, disse a ministra.


'Defasagem'
A ministra admitiu que o valor do vale já inicia defasado, mas afirmou que foi a forma que o governo encontrou para a implementação da proposta.

“Realmente tem uma defasagem. Mas nós fizemos bem o cálculo. Se fossemos ampliar, sairia bem mais caro. Vai ser R$ 50 por mês e vai ser cumulativo, dá para você pegar um bom cineminha e até teatro”.

Embora a ministra tenha afirmado que existem cerca de 17 milhões de trabalhadores que ganharam até cinco salários mínimos, o governo ainda não tem uma estimativa de quantas pessoas serão beneficiadas.

O projeto tem por objetivo promover a universalização do acesso a serviços culturais, e estimulará a visitação a estabelecimentos e serviços culturais e artísticos, além de incentivar o acesso a eventos e espetáculos.

“Vale para livro, vale para dança, vale para toda a atividade cultural. É um benefício em duas pontas. Na primeira, coloca na mão do trabalhador a escolha do que ele quer consumir para a cultura e, para o produtor cultura, porque ele vai ter mais pessoas podendo a assistir sua produção”, avaliou a ministra.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

PREFEITURA DO RECIFE E BABEL PRODUÇÕES REBATEM CRÍTICAS SOBRE OS CACHÊS DO CARNAVAL 2012

Produtora que representa o cantor China e a banda Nação Zumbi explica que estava com toda a documentação necessária até 6 de dezembro, mas que ausência de prazo para pagamento atrapalha os artistas.

Por Diana Moura


Ex-presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) e ex-coordenador do Carnaval na prefeitura, cargos exercidos na gestão de João da Costa, André Brasileiro rebateu as críticas dos músicos pernambucanos em relação aos atrasos no pagamento de cachês das apresentações realizadas no Carnaval de 2012. Segundo o André, que segue na equipe de transição da FCCR, foram pagos 97% dos cachês do último Carnaval. “Os 3% restantes estão encaminhados, empenhados e organizados”, alega.

Secretaria de Cultura de Pernambuco rebate críticas de artistas sobre cachês do Carnaval
André Brasileiro diz ainda que todos os músicos de palco, incluindo os principais artistas a reclamarem nas redes sociais sobre o atraso, já receberam os cachês. “Pagamos a China, Nação Zumbi, Alessandra Leão, e a Eddie foi uma das primeiras a receber. Na quarta-feira de cinzas do ano passado, eu liguei para a produtora Ana Almeida, da Babel Produções, que representa China e Nação, e informei que alguns documentos estavam faltando. Esse foi um dos motivos do atraso. Nunca faltou diálogo. Realmente tivemos dificuldades de pagamento. Esses meses todos que passei aqui (ele assumiu a FCCR em abril de 2012, depois do Carnaval), foi para priorizar ao máximo a quitação de débitos”, informa.

Em relação à ausência da documentação necessária para a efetuação dos pagamentos, Ana Almeida explica que esteve com todas as certidões necessárias atualizadas até o dia 6 de dezembro de 2012. “Há certidões que só têm validade de um mês, outras valem três meses, umas são fáceis de conseguir, outras dão mais trabalho e é preciso de tempo para obtê-las”, explica. Segundo ela, é mais fácil providenciar tudo quando existe uma data certa para o depósito dos cachês.

Eu trabalho com várias prefeituras, com inúmeros órgãos. Geralmente, pede-se essas certidões no ato da assinatura do contrato, antes de o artista subir no palco. No Recife e em Pernambuco, os artistas sobem no palco sem contrato, em confiança. Para se ter uma ideia, o contrato da apresentação que fizemos em agosto (no PE Nação Cultural) só nos foi entregue em janeiro”, situa a produtora.

Ana disse ainda que nunca fez barulho nem se queixou nas redes sociais. “Em confiança, emiti uma nota no ano passado relativa a um cachê que não recebi ainda. Agora, estou levando uma bronca do contador da empresa porque tenho um ISS para pagar de um dinheiro que não entrou no caixa”, contextualiza.

VITAL FARIAS, 70 ANOS

Alfabetizado pela irmã através da literatura de cordel, o cantor e compositor nascido em Taperoá, cidade que fica a 216 km da capital paraibana, completa 70 anos.




Sua formação foi feita com íntima ligação ao universo sertanejo. Costumava ouvir bandas de pífanos, repentistas e cantadores.

Aos 18 anos, começou a estudar violão sozinho. Autodidata, parte de seus conhecimentos musicais foram herdados da tradição musical da família. Nessa época, foi para João Pessoa para servir ao Exército.Na capital paraibana assistiu à apresentações de todo tipo de música, da erudita a popular.

Participou de diversos conjuntos musicais, entre os quais, "Os quatro loucos", que apresentava imitações de músicas do conjunto de rock inglês "The Beatles".

Pouco depois passou a dar aula de violão e teoria musical no Conservatório de Música de João Pessoa.



Em 1975, mudou-se para o Rio de Janeiro, e no ano seguinte foi aprovado no vestibular para a Faculdade de Música.

No Rio de Janeiro intensificou o contato com artistas de teatro, cinema e música.

Em 1975, participou do show de inauguração da Sombras. Em 1976, atuou como músico na peça "Gota d'água", de Chico Buarque de Hollanda. Nesse período intensificou seus estudos de História, Política e Filosofia, ao mesmo tempo que mantinha estudos sobre a Literatura de Cordel. Sua primeira composição gravada foi "Ê mãe", em parceria com Livardo Alves e gravada por Ari Toledo.



Ainda em 1976, Marília Barbosa lançou pela Som Livre a composição "Caso você case", que foi grande sucesso e acabou incluída na trilha sonora da novela "Saramandaia", da TV Globo.

Em 1978, gravou pela Polydor o seu primeiro disco que trouxe como destaque, entre outras, as composições "Canção em dois tempos (Era casa era jardim)", que foi incluída na trilha sonora da novela "Roda de fogo", na extinta TV Tupi do Rio de Janeiro; "Bate com o pé xaxado"; "Expediente interno" e "Deixe de afobação". Incluiu também as composições lançadas por Marília Barbosa e Ari Toledo.

Em 1980, lançou seu segundo disco, "Taperoá", pelo selo Epic, coordenado por Fagner na gravadora Sony. Neste trabalho destacaram-se as composições "Pra você gostar de mim", "Repente paulista" e "Veja (Margarida)", que seria depois regravada pela cantora paraibana Elba Ramalho, tornando-se um estrondoso sucesso.

Em 1982, lançou, novamente pela PolyGram, o LP "Sagas brasileiras", onde destacaram-se "Do meu jeito natural", "Cantigas para voar (A Elba Ramalho)", "Ai que saudade de ocê", "Saga de Severinim" e o épico "Saga da Amazônia", antecipando o movimento ecológico que tomaria força no final daquela década.

Em 1984, lançou pela Kuarup o CD "Cantoria I", juntamente com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai, gravado ao vivo no Teatro Castro Alves, em Salvador. De sua autoria foram gravadas as composições "Sete cantigas para voar", "Ai que saudade de ocê" e "Saga da Amazônia", além da participação vocal e instrumental em canções dos outros integrantes do disco.



Em 1985, lançou o LP "Do jeito natural", uma coletânea com seus maiores sucessos. No mesmo ano, participou do disco "Cantoria II", com a participação dos mesmos integrantes do disco anterior, onde interpreta "Saga de Severinim", "Era casa era jardim" e "Veja (Margarida)". Depois desses lançamentos, Vital Farias não mais gravou nesse período, dedicando aos estudos e planejando lançar no começo do novo milênio, quatro novos discos, sendo que um deles seria a "Epopéia negra", contando a história de Mussabá.

Suas composições destacam-se pelo humor e inventividade, onde se mesclam canções nordestinas, sambas de breque, modinhas, xaxados e outros ritmos. Em 2002 produziu o disco de estréia de sua filha e cantora Giovanna, no qual estão presentes 15 composições de sua autoria. O disco foi lançado pelo selo Discos Vital Farias.

No mesmo ano lançou o disco "Vital Farias ao vivo e aos mortos vivos", gravado ao vivo. Recebeu ainda no mesmo período, o título de Cidadão do Rio de Janeiro.


Fonte: Dicionario da MPB



Discografia Oficial



Vital Farias (1978)

Faixas:
01 - Canção em dois tempos (Era casa era jardim) (Vital Farias)
02 - O sobressalto (Vital Farias / Livardo Alves)
03 - Bate com o pé xaxado (Vital Farias)
04 - Bandeira desfraldada (Vital Farias)
05 - Via crucis da mulher brasileira (Vital Farias / Livardo Alves)
06 - Alice no curral das maravilhas (Vital Farias / Salgado Maranhão)
07 - Deixe de afobação (Vital Farias)
08 - Expediente interno (Vital Farias)
09 - Poema verdade (Vital Farias)
10 - Caso você case (Vital Farias)
11 - Ê mãe (Vital Farias / Livardo Alves)
12 - Estudo nº 2 (Napoleon Coste) (Instrumental)



Taperoá (1980)

Faixas:
01 - Pra Você Gostar de Mim (Vital Farias)
02 - Eu Sabia, Sabiá 
(Vital Farias - Jomar Souto)
03 - Assim Diziam as Almas 
(Vital Farias)
04 - Nave Mãe 
(Vital Farias)
05 - (Tudo Vai Bem) Nós Sofre Mais Nós Goza 
(Vital Farias)
06 - Repente Paulista 
(Vital Farias)
07 - Tema de Beija-flor 
(Vital Farias - Gavião)
08 - Veja (Margarida) 
(Vital Farias)
09 - Meu Coração Por Dentro (Herman Torres - Salgado Maranhão
)
10 - General da Banda (Vital Farias)
11 - Prazer pelo avesso (Vital Farias - Salgado Maranhão)



Sagas Brasileiras (1982) 


Faixas:
01 - Do meu jeito natural (Vital Farias)
02
 - Forrofunfá (Vital Farias - Livardo Alves)
03
 - Sete cantigas para voar (Vital Farias)
04
 - Ai que saudade de ocê (Vital Farias)
05
 - Saga de Severinin (Vital Farias)
06
 - Saga da Amazônia (Vital Farias)
07
 - Trem da consciência (Vital Farias - Salgado Maranhão)
08
 - Belo belo (Vital Farias)
09
 - Apesar da solidão (Vital Farias - Salgado Maranhão)
10
 - Saga do boi de mamão (Vital Farias)


Cantoria 01 (1984)


Faixas:
01 - Desafio do Auto da Catingueira (Elomar) - Elomar e Xangai, voz e violão
02
 - Novena (G.Azevedo,M.Vinicius} - Geraldo, Vital e Xangai nos efeitos
03
 - Sete Cantigas para Voar (V.Farias) - Vital, Xangai no vocal, Geraldo no violão
04
 - Cantiga do Boi Incantado (Elomar) - Elomar, Xangai nos vocais
05
 - Kukukaya (Jogo da Asa da Bruxa) (C.França) - Xangai, Geraldo no violão
06
 - Ai que Saudade de Ocê (V.Farias) - Vital, os violões de Geraldo e Elomar, Xangai no vacal
07
 - Ai d'eu Sodade (tradicional) - Xangai
08
 - Semente de Adão (G.Azevedo, C.Fernando) e Viramundo (Gil, Capinam) - Geraldo, Xangai no vocal
09
 - Cantiga do Estradar (Elomar) - Elomar
10
 - Violêro (Elomar) - Xangai, mais Jaquinho Morelenbaum no cello
11
 - Saga da Amazônia (V.Farias) - Vital
12
 - Matança (Jatobá) - Xangai, Geraldo no violão
13
 - Cantiga de Amigo (Elomar) - Xangai, mais os violões de Vital, Geraldo e Elomar



Cantoria 02 (1985)


Faixas:
01 - Abertura: Desafio do Auto da Catingueira (Elomar), Repente (Vital Farias) e Novena (Geraldo Azevedo/Marcus Vinicius) - Xangai, Elomar, Vital e Geraldo
02 - Era Casa era Jardim / Veja Margarida (Vital Farias) - Vital e Geraldo no violão
03 - Sabor Colorido (Geraldo Azevedo) / Moça bonita (Geraldo Azevedo/ Capinam) - Geraldo e Xagai no vocal
04 - Na Quadrada das Águas Perdidas (Elomar) - Elomar, Geraldo, Vital e Xangai nos vocais
05 - Cantilena de Lua Cheia (Vital Farias) - Vital, Geraldo, Elomar e Xangai
06 - Arrumação (Elomar) - Francisco Aafa, em participação especial
07 - Suite Correnteza: Barcarola do São Francisco (Geraldo Azevedo/ Carlos Fernando), Talismã (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença) e Caravana ( Geraldo Azevedo/ Alceu Valença) - Elomar, Xangai, Geraldo e Vital
08 - Estampas Eucalol (Helio Contreiras) - Xangai, com Geraldo no violão
09 - Saga de Severinin (Vital Farias) - Vital
10 - Cantiga de Amigo (Elomar) - Elomar, Xangai, Geraldo e Vital



Do Jeito Natural (1985)

Faixas:
01 - Canção em Dois Tempos (Vital Farias)
02 - Bate com o Pé o Xaxado 
(Vital Farias)
03 - Sete Cantigas Para Voar (A Elba Ramalho) 
(Vital Farias)
04 - O Sobreassalto 
(Vital Farias - Livardo Alves)
05 - Deixe de Afobação 
(Vital Farias)
06 - Forrofunfá (A Abdias dos 8 Baixos) 
(Vital Farias - Livardo Alves)
07 - Caso Você Case 
(Vital Farias)
08 - Do Jeito Natural 
(Vital Farias)
09 - Ê Mãe 
(Vital Farias - Livardo Alves)
10 - Poema Verdade 
(Vital Farias)
11 - Expediente Interno 
(Vital Farias)
12 - Ai que Saudade de Ocê 
(Vital Farias)



Uyraplural - Giovanna Farias & Vital Farias (2002)


Faixas CD 01:
01 - A Palavra Amor
02 - Ai Que Saudade D'ocê
03 - Caba-Véi
04 - Cantiga De Passarinho
05 - Cantilena De Lua Cheia
06 - Cantilena Nº 3
07 - Caso Você Case
08 - Caso Você Case (Ao Vivo No ATL Hll)
09 - Ciranda De Terreiro
10 - Era Casa Era Jardim
Faixas CD 02:
01 - Não Jogue Lixo No Chão
02 - Quem Vive Assim Como Eu
03 - Saga De José E Maria
04 - Saga Do Boi De Mamão
05 - Saga Do Cigano Anastácio
06 - Sete Cantigas Para Voar
07 - Tamba-Tajá
08 - Uyrapuru
09 - Veja [Margarida]
10 - Via Crucis Da Mulher Brasileira
11 - Vitalizar



Vital Farias ao vivo e aos mortos vivos (2002)

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