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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.
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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.
domingo, 10 de maio de 2020
7 VIOLONISTAS 7 CORDAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER
Por Henrique Neto
Este post é um apanhado do cenário brasileiro do violão 7 cordas. Aqui, aponto alguns dos nossos principais violonistas de 7 cordas e seus diferentes estilos. Cada um se apropriou do violão de um modo diferente e deu uma cara única para sua sonoridade.
Vivemos um momento de ouro na música instrumental brasileira. Ao contrário da crise política e econômica que teima em nos acompanhar, ao falar dos instrumentistas do Brasil, nadamos de braçadas. Sem dúvida, estaríamos vivendo no melhor dos mundos se nessas áreas que estão causando tantos danos para o país tivéssemos pessoas com o nível de excelência desses artistas. Quem sabe um dia… Enquanto esse dia não chega, vamos celebrar 7 talentos que selecionei para demonstrar como estamos bem servidos em matéria de violão de 7 cordas. Falarei do estilo de cada um deles segundo minha percepção. Obviamente, não pude falar de todos os violonistas que gostaria e que merecem destaque. Falando sobre os 7 aqui escolhidos, espero estar homenageando todos, inclusive os que não estão na lista. Agradeço a cada um por acrescentar ao mundo doses generosas de beleza com suas artes! Vamos a eles!
Fernando César começou a tocar ainda criança ao lado do irmão, Hamilton de Holanda, e de seu pai, José Américo. Fundou em Brasília um dos mais importantes grupos de choro da capital, o “Dois de Ouro”, nome dado pelo lendário percussionista Pernambuco do Pandeiro. Apesar de ter como referência em sua formação musical Alencar sete cordas, Hamilton de Holanda e Rogério Caetano, Fernando César também encontrou nos discos forte inspiração para seu desenvolvimento artístico. Nessa prática, de tirar música de ouvido, aprendeu muito com os mestres Dino sete cordas, Raphael Rabello e outros. Como violonista, César se dedica com mais frequência à função de acompanhante de grupos de Samba e Choro, mas também atacou de solista ao gravar, em 2010, um primoroso CD de violão solo intitulado “3 x 4”. Dentre suas principais caraterísticas violonísticas, destaco o estilo elegante de suas baixarias, que sempre são tocadas na hora certa. Escutei de vários músicos que já tocaram com Fernando César que, tê-lo no grupo, é o mesmo que começar uma partida com metade do jogo ganho, pela tranquilidade que sua maturidade musical e bom gosto confere ao grupo. Talvez por tudo isso, seja um dos nomes mais requisitados para tocar e produzir diversos artistas que querem ter a marca dele presente em seus trabalhos. Se fosse comparar com o futebol, ele seria o camisa 10, ou seja, o craque do time.
Gian Correa é a mescla bem-sucedida de um violão, a um só tempo, moderno, tradicional, criativo e sensível. Com sua técnica apurada, assimilou o legado musical de mestres da sua terra como os paulistas Esmeraldino Sales, Oswaldo Colagrande, Garoto e Laércio de Freitas, para criar seu estilo de compor e tocar. Além de instrumentista de mão cheia, Gian tirou da manga uma grande cartada, compôs 2 CDs inovadores na linguagem do sete cordas de aço, o Mistura 7 e o Remistura 7, nos quais criou arranjos de alto gabarito para quarteto de sopros, pandeiro e 7 cordas. Hoje é um dos violonistas mais atuantes na cena musical de São Paulo e já gravou inúmeros CDs com seus grupos Panorama do Choro, Aeromosca, Alexandre Ribeiro Quarteto, Cadeira de Balanço, Grupo Um a Zero, Grupo Chorando as Pitangas e César Roversi, Entre Linhas, além de dividir o palco e gravações com artistas como Zeca Baleiro, Gilberto Gil, Tom Zé, Emicida, Toninho Ferragutti, Mestrinho, Yamandu Costa, Juliana Amaral, Verônica Ferriani, Fabiana Cozza, entre outros.
João Camarero é um jovem violonista de São Paulo radicado no Rio de Janeiro. Tem na sua alma musical a sabedoria dos anciãos. Sabe tocar bonito mas também sabe tocar com virtuosismo. Acompanha e sola com a mesma desenvoltura. Domina o violão de nylon e de aço, ou seja, é um caso raro de violonista completo. Assisti a um show dele acompanhando outro grande músico, o violonista João Lyra, no Clube do Choro de Brasília e adorei. Mas a grande impressão que ele me deixou foi numa roda de Choro na casa do cavaquinista Márcio Marinho depois desse concerto. São nas rodas informais de música que vemos com mais clareza e sem maquiagem o que cada músico guarda em seu interior, em seu coração. Nessas ocasiões, não tem ensaio, é tudo improvisado. E João produziu tanta beleza que foi um momento inesquecível. Como compositor, tem parcerias com grandes nomes, como Paulo César Pinheiro e Cristóvão Bastos. Já participou da gravação de mais de trinta discos, tocando ou exercendo a função de arranjador e diretor musical.
Douglas Lora é um violonista camaleão. Quando toca Bach, Brouwer ou Tedesco é técnico e preciso. Impecável! Mas também quando dana a tocar Choro, Samba e Bolero, deixa o protocolo do violão clássico de lado e então… sai de baixo! Levadas lindas, pegada potente e aquele bom espírito vadio típico do músico popular. Sua bagagem musical é tão grande quanto sua generosidade, que se revela quando ele mete uma bermuda e um chinelo e com toda simplicidade vai tocar violão nas rodas de Samba e Choro. Eu mesmo já presenciei essa cena em Caraíva, onde fizemos um som juntos em maravilhosas tocatas sob o céu estrelado de Bahia. Com a mesma naturalidade que toca nos saraus, ele encanta as plateias mais exigentes e sobe em palcos internacionalmente famosos para apresentar sua arte. Escutando Douglas, sinto que ele coloca seu som puro e cristalino a serviço dos sentimentos mais nobres da alma, sem barreiras e sem preconceitos. Dentre seus trabalhos mais importantes, Douglas Lora integra, com João Luiz Rezende Lopes, o Brasil Guitar Duo que é, ao lado do Duo Siqueira Lima, o mais importante pós duo Assad.
Alessandro Penezzi é, juntamente com Yamandú Costa, um dos violonistas brasileiros mais impressionantes dos últimos anos. Tem o dom de fazer com que tocar pareça fácil. Suas interpretações e composições guardam uma perfeição de artesão em sua elaboração pelo refinado acabamento e densidade com que as estrutura. Também chama atenção no estilo de Penezzi o sentido melódico de suas improvisações e a riqueza com que ornamenta seu fraseado, raro em violonistas, cheio de trinados, mordentes e escalas vertiginosas. Ele improvisa no violão como se fosse uma flauta ou um bandolim, talvez pela sua faceta de multi-instrumentista que enriquece e define sua bagagem como músico. Penezzi toca, além do violão de 7 cordas, o pandeiro, o cavaquinho, o bandolim, a flauta e certamente outros que eu nem faço idéia! Habilidoso e espontâneo, Penezzi é a síntese do que o músico popular de alto nível tem de melhor.
Yamandú Costa é um dos maiores responsáveis pelo violão de 7 cordas estar em alta no Brasil e no mundo. Segurou com personalidade o bastão deixado por Raphael Rabello e imprimiu novos rumos ao violão de 7 cordas, adicionando a música latino-americana à cultura do Brasil. Sua maneira de tocar, virtuosística, foi nutrida pelas raízes gaúchas através de ritmos como o Chamamé e a Milonga e, posteriormente, enriquecida pela sonoridade malemolente do Choro e do Samba do Rio de Janeiro, terra que o acolheu e o influenciou musicalmente. Não há como ficar impassível ao som de Yamandú. É uma descarga de tantos sentimentos – aproxima ternura e raiva, alegria e tristeza – que já ouvi depoimentos de pessoas que se diziam chocadas depois de assistir a um show seu. Outras, absolutamente encantadas. E um terceiro grupo, ainda, onde me incluo, que segue para casa portando os dois sentimentos. Todas as vezes que sobe ao palco, é como se fosse a primeira: o mesmo frescor, a mesma garra, o mesmo ímpeto. Certo mesmo é que quando assisto o Yamandú, e não exagero em afirmar, sinto estar presenciando um milagre.
Rogério Caetano é um violonista revolucionário. Dentre os 7 cordas da nova geração, talvez seja o que tem a digital musical mais acentuada. Quem conhece seu estilo de tocar, só precisa escutar no máximo 2 compassos para saber que aquele violão é dele. E não é para menos. Depois de dissecar a obra de seus principais mestres, Dino, Raphael Rabello e os irmãos Walter e Waldir, Rogério propôs um novo jeito de tocar o 7 cordas de aço aplicando escalas alteradas em linguagens mais tradicionais como o Samba e o Choro. O resultado é que ele fundou uma nova escola de violão de aço que tem como característica marcante a sonoridade inovadora e sofisticada que só pode nascer dos dedos de um violonista que tem seu lastro musical calcado em referências do passado, mas que mantém os olhos no futuro. Dentre seus diversos trabalhos, já atuou ao lado de artistas como Zeca Pagodinho, Leila Pinheiro, Ney Matogrosso, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Monarco e outros.
Me despeço aqui certo de que consegui expressar um pouco das características mais marcantes de cada estilo de violão 7 cordas incorporadas por estes incríveis violonistas brasileiros.
sábado, 9 de maio de 2020
ALMANAQUE DO SAMBA (ANDRÉ DINIZ)*

Bide e Marçal
“A primeira vez que eu te encontrei
alimentei a ilusão de ser feliz
eu era triste sorri
peguei no pinho e cantei
lindos versos eu fiz
em meu peito guardei
um dia você partiu
meu pinho emudeceu
e a minha voz na garganta morreu”
BIDE e MARÇAL, “A primeira vez”
Alcebíades Maia Barcelos formou ao lado de Marçal um estilo de samba tão bem definido que suas músicas eram reconhecidas nos primeiros acordes. “Agora é cinza”, samba da dupla, é visto como um dos mais bem-feitos de todos os tempos: “Você partiu/ saudades me deixou, eu chorei/ o nosso amor foi uma chama/ que o sopro do passado desfaz/ agora é cinza/ tudo acabado e nada mais/ Você partiu de madrugada/ e não me disse nada, isto não se faz/ Me deixou cheio de saudades/ e paixão, eu não me conformo/ com a sua ingratidão (Chorei porque)...”
Gravado com sucesso por Mário Reis, “Agora é cinza” teve mais de cem registros durante o século XX. A dupla de compositores, uma das mais produtivas das décadas de 1930 e 40, lançou ainda outros sucessos, como “Ninguém fura o balão”, “Nosso romance”, “A primeira vez” e “Madalena”.
Introdutor do surdo e do tamborim no reino das escolas de samba, Bide fez parcerias com outros compositores, como Noel Rosa, Ataulfo Alves e Benedito Lacerda. Em 1955, participou da gravação do LP O carnaval da Velha Guarda, e tocando afoxé ao lado de Pixinguinha, Donga e João da Baiana, a “santíssima trindade do samba”.
Bide inventou o surdo, mas foi Armando Marçal o precursor de uma dinastia de ritmistas no Brasil (é pai de mestre Marçal e avô de Marçalzinho). Vale dizer que ele participou da primeira gravação com instrumentos de ritmo feita no Brasil, com a música “Na Pavuna”, de autoria de Almirante e Homero Dornelas.
Os tradicionais sambas seresteiros na casa de Marçal, além de serem frequentados por Orlando Silva, Francisco Alves e Sílvio Caldas, ainda inspiraram a dupla a compor duas valsas conhecidas, “Silêncio” e “Prece à lua”.
Ismael Silva
“Se você jurar que me tem amor
eu posso me regenerar
mas se é para fingir, mulher
a orgia assim não vou deixar”
ISMAEL SILVA, NILTON BASTOS e FRANCISCO ALVES, “Se você
jurar”
Niteroiense, Ismael Silva é o principal nome do samba surgido no Estácio. Ao lado de Bide e Marçal, Ismael fez o movimento bossa-novista de sua época libertando o samba de seus traços folclóricos, estruturando o gênero sob uma ótica urbana. Saía de cena, no começo dos anos 1930, o estilo “samba amaxixado” de “Pelo telefone”, e entrava no palco “Se você jurar”, o samba batucado da turma do Estácio.
Esse novo jeito de fazer samba, utilizando o instrumental percussivo, influenciou toda uma legião de compositores: Noel Rosa, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Ary Barroso, até o plural Chico Buarque. Diga-se de passagem que o autor da imortal “A banda” é fã de carteirinha de Ismael Silva. Chegou a afirmar em diversas entrevistas que sua obra tem uma dívida com o niteroiense. Ismael foi também o principal parceiro de Noel Rosa, compondo ao todo 18 músicas com o Poeta da Vila. E como se já não bastasse tal currículo, é dele a ideia de usar a expressão “escola de samba” para caracterizar o novo estilo de samba que faria, realmente, escola.
Nome fácil no meio dos sambistas e presente em qualquer antologia sobre o samba, Ismael ainda tem um repertório pouco conhecido. Excetuando-se as antológicas “Se você jurar”, “O que será de mim?”, “Antonico”, “Pra me livrar do mal” e algumas outras músicas, sua obra fica circunscrita ao conhecimento de alguns “doutores” do samba.
Ismael foi o elo entre Francisco Alves e os sambistas do morro, e acabou por ser seu “secretário” nesse negócio de comprar sambas. Francisco, que de bobo não tinha nada, entrou como parceiro em muitos sambas criados por Ismael e seus companheiros: “Amar”, “Amor de malandro”, “Antes não te conhecesse”, “É bom evitar”... Ismael Silva teve ainda parcerias com Heitor Catumbi, Lamartine Babo, Paulo Medeiros e Roberto Roberti.
Cozinha
A cozinha, base do samba, concentra o maior número de “anônimos” do gênero. Ela é o espaço dos músicos de percussão, ou seja, os tocadores de reco-recos, surdos, agogôs, tamborins, atabaques, caixas... Assim como a flauta de Pixinguinha e o violão de Dino são inconfundíveis, também o são a faca e o prato de João da Baiana, o chapéu batucado de Luís Barbosa e as caixas de fósforos de Elton Medeiros e Ciro Monteiro.
Sem dúvida, foi do universo das escolas de samba que saíram os principais ritmistas do país. Na Deixa Falar, em 1928, a percussão ganhou destaque, alçada pelo pandeiro de João da Baiana, o surdo de Bide e o tamborim de Marçal. Este último inaugurou uma dinastia no samba carioca. Seu filho, Nilton Delfino Marçal, mais conhecido como mestre Marçal, formou, com os inseparáveis parceiros Luna e Eliseu, a “santíssima trindade do ritmo”, sendo o ritmista predileto dos artistas da MPB. Cantor de gafieira que compôs e gravou alguns LPs, diretor de bateria da Portela, mestre Marçal deu continuidade à dinastia: seu filho, Marçalzinho, é profissional respeitado no ramo, tocando com os bambas do samba.
Mangueira
“Habitada por gente simples e tão pobre
que só tem o sol que a todos cobre
como podes, Mangueira, cantar?”
CARTOLA, “Sala de recepção”
Nos primeiros anos do século, o velho morro dos Telégrafos passou a ser habitado pela população humilde que não tinha onde morar. A musicalidade da rapaziada do pedaço logo fez surgirem vários blocos e ranchos. Em 1929, um jovem de 20 anos percebeu que o Bloco dos Arengueiros, do qual fazia parte, era bom de batuque e de ritmo – além de ser bom de briga e de arrumar confusão –, e precisava se unir a outros blocos e ranchos pelo bem do morro e do samba.
Surgia, pelas mãos de Cartola, a Estação Primeira de Mangueira, que ganhou esse nome por ser a primeira estação da Central do Brasil onde havia samba. De fortes cores verde e rosa, a Mangueira foi fundada, segundo Sérgio Cabral, “numa reunião realizada na casa de Euclides Roberto dos Santos, na travessa Saião Lobato, 21, que contou com a participação de seis arengueiros, além de Euclides: Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino (o Maçu), Cartola, Zé Espinguela, Pedro Caim e Abelardo da Bolinha”.
Cartola
“Bate outra vez,
com esperanças o meu coração
pois já vai terminando o verão
enfim...”
CARTOLA, “As rosas não falam”
Ainda que Angenor de Oliveira não tivesse sido encontrado pelo jornalista Sérgio Porto lavando automóveis em Ipanema, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, décadas depois do seu desaparecimento, ele teria entrado para a história como o responsável pelo surgimento da Mangueira, pela escolha das cores verde e rosa da escola e, mesmo com a pouca idade que tinha nos idos de 1930, já poderia ser considerado um dos maiores compositores do morro. Mas o retorno de Cartola, ao final dos anos 1950, o casamento com dona Zica, a inauguração, no Centro do Rio, do restaurante Zicartola – ponto de encontro dos sambistas das zonas Norte e Sul – e a gravação de LPs antológicos na história do samba fizeram do “Divino”, como o chamava o crítico Lúcio Rangel, a maior expressão do gênero nos morros cariocas.
Sambas-enredos históricos
A Mangueira teve muitos sambas-enredos que fizeram história. Este, de 1967, quando a Verde-e-rosa foi campeã, exalta a figura do escritor MonteiroLobato, o genial criador dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo – ainda tão atual, mais de 80 anos depois de sua criação. Seus escritos para adultos, a exemplo de Urupês, imortalizaram figuras como Jeca Tatu, um caipira ignorante que não tinha ânimo para trabalhar. Esse personagem representou a luta do cidadão Monteiro Lobato pela universalização da educação.
“O mundo encantado de Monteiro Lobato”, de Darci da Mangueira, Batista, Jurandir da Mangueira e Dico: “Quando uma luz divinal/ iluminava a imaginação/ de um escritor genial/ tudo era maravilha/ tudo era sedução/ quanta alegria/ e fascinação/ relembro/ aquele mundo encantado/ fantasiado de dourado/ Oh! doce ilusão/ sublime relicário de criança/ que ainda guardo como herança/ no meu coração/ Glória a esse grande sonhador/ que o mundo inteiro deslumbrou.../ E assim.../ neste cenário de real valor/ eis o mundo encantado/ que Monteiro Lobato criou.”
Cartola era um lorde: na fala, na música e no jeito de se vestir, com postura de rei africano. Enquanto trabalhava em obras, para que o cimento não lhe caísse sobre o cabelo, resolveu usar um chapéu-coco, que os colegas diziam parecer uma cartola – daí o apelido.
Ainda quando estava à frente da criação da Estação Primeira, Cartola já compunha sambas antológicos. Em 1928, compôs “Chega de demanda”; quatro anos depois, o renomado Francisco Alves gravaria do jovem compositor o samba “Divina dama” (um forte prenúncio de seus dotes românticos que apareceriam definitivamente em “As rosas não falam”) e “Que infeliz sorte”; Carmen Miranda lançou “Tenho um novo amor” e “Não quero mais amar a ninguém”, composto com Zé da Zilda e Carlos Cachaça; no começo dos anos 1940, o maestro americano Leopold Stokowski gravou “Quem me vê sorrindo” para um estudo que realizava sobre a música popular brasileira. Essas músicas, e tantas outras não citadas, já o colocariam na galeria de bambas. Porém a vida se encarregou de aproveitar muito mais de sua genialidade. O espaço do Zicartola o pôs em contato com artistas mais jovens advindos da bossa nova e que procuravam uma aproximação com sambistas como Ismael Silva e Nelson Cavaquinho, contemporâneos de Cartola. Era o caso de Nara Leão, cantora bossa-novista importantíssima na divulgação da obra de Cartola, inserida tanto em sua discografia quanto no show Opinião, apresentado ao lado de Zé Kéti e João do Vale. A gravadora Marcus Pereira, ao lançar seus primorosos LPs, consolidou definitivamente o talento do mestre mangueirense na composição e na interpretação.
Com J.C. Botezelli, o Pelão, na produção, os LPs reuniram obras-primas de Cartola e um time de instrumentistas de primeiro naipe. No segundo LP, lançado em 1976, o sucesso do álbum foi puxado pela faixa “As rosas não falam”, incluída na trilha sonora de uma novela da Rede Globo. A popularidade obtida pelo samba deu a Cartola uma grande oportunidade de divulgar seu trabalho, e ele passou a fazer shows pelos quatro cantos do país.
Enquanto a primeira fase de Cartola, nas décadas de 1930 e 1940, se caracterizava pela construção de sambas corridos, batucados, de quadra, a composição “As rosas não falam” consolidou seu estilo de uma fase mais madura. São músicas de linha melódica refinadíssima e de construção poética muito trabalhada: “O mundo é um moinho”, “O inverno do meu tempo”, “Peito vazio”, “Tive sim”, entre outras.
A presença de Cartola é tão forte no meio do samba que gerações e gerações creditam a ele fortes influências em sua formação musical. Em crônica publicada no Jornal do Brasil, intitulada “Cartola, no moinho do mundo”, Carlos Drummond de Andrade comenta o lirismo que a poesia de Cartola, muito reconhecida pelo poeta, expressa em sua música: “Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: ‘Tenho um novo amor’, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera...”
* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.
A HISTÓRIA MUSICAL DO RÁDIO NO BRASIL
Completando as 50 músicas mais tocadas nos rádios do Brasil no ano de 1940, há exatos 80 anos, destacamos as últimas 25:
26 - Roleta da Vida - Carlos Galhardo
27 - Beijo na Boca - Cyro Monteiro
28 - Cowboy do Amor - Anjos do Inferno
29 - Foi Uma Pedra Que Rolou - Joel & Gaúcho
30 - Quem Pode Esquecer - Gilberto Alves
31 - Deus no Céu, Ela na Terra - Carlos Galhardo
32 - Sei Lá Se Tá - Zilá Fonseca
33 - Mal-Me-Quer - Orlando Silva
34 - Romance de Uma Caveira - Alvarenga & Ranchinho
35 - Amor, Saúde e Dinheiro - Francisco Alvarez
36 - De Qualquer Maneira - Déo
37 - Dança do Ganso - Nilton Paz
38 - Em Cima da Hora - João Petra de Barros
39 - Noite de Esplendor - Odete Amaral
40 - Água Mole em Pedra Dura - Irmãs Pagãs
41 - Bis, Maestro, Bis - Linda Batista
42 - Despedida de Mangueira - Francisco Alves
43 - Colar de Pérolas - Carlos Galhardo
44 - Última Inspiração - João Petra de Barros
45 - Eu Quero Você - Gilberto Alves
46 - Meu Mulato e Meu Canário - Marilu
47 - Deixa Essa Mulher Sofrer - Mário Reis
48 - Sertaneja - Orlando Silva
49 - Miserê - Aracy de Almeida
50 - Olhos Tristes - Gastão Formenti
26 - Roleta da Vida - Carlos Galhardo
27 - Beijo na Boca - Cyro Monteiro
28 - Cowboy do Amor - Anjos do Inferno
29 - Foi Uma Pedra Que Rolou - Joel & Gaúcho
30 - Quem Pode Esquecer - Gilberto Alves
31 - Deus no Céu, Ela na Terra - Carlos Galhardo
32 - Sei Lá Se Tá - Zilá Fonseca
33 - Mal-Me-Quer - Orlando Silva
34 - Romance de Uma Caveira - Alvarenga & Ranchinho
35 - Amor, Saúde e Dinheiro - Francisco Alvarez
36 - De Qualquer Maneira - Déo
37 - Dança do Ganso - Nilton Paz
38 - Em Cima da Hora - João Petra de Barros
39 - Noite de Esplendor - Odete Amaral
40 - Água Mole em Pedra Dura - Irmãs Pagãs
41 - Bis, Maestro, Bis - Linda Batista
42 - Despedida de Mangueira - Francisco Alves
43 - Colar de Pérolas - Carlos Galhardo
44 - Última Inspiração - João Petra de Barros
45 - Eu Quero Você - Gilberto Alves
46 - Meu Mulato e Meu Canário - Marilu
47 - Deixa Essa Mulher Sofrer - Mário Reis
48 - Sertaneja - Orlando Silva
49 - Miserê - Aracy de Almeida
50 - Olhos Tristes - Gastão Formenti
sexta-feira, 8 de maio de 2020
CESTA DE CRÔNICAS E OUTRAS ESSÊNCIAS
Por Xico Bizerra


GARÇOM
Quando quis entrar no bar o garçom chato estava acabando de baixar a pesada porta. Ainda insisti, sedento que estava, mas ele é mesmo muito chato e disse um NÁO tão NÁO que eu fui parar no bar vizinho. Ainda bem que este estava aberto. Menos mal que todos os bares sejam iguais. Mudam os tira-gostos, a temperatura da cerveja amiga e o humor do garçom. Ainda bem que aquele garçom chato é exceção. Normalmente, os garçons são cúmplices, de tão solidários. E escutam nossas queixas, e enchem nossos copos, e até bebem conosco se a nossa solidão assim exigir. A palavra, antes engasgada na garganta, flui feito espumas ao vento, como dizia o Poeta. Basta haver quem as ouça. E a palavra solta alivia a dor, prepara o peito para mais um verso. Ou para outra saudade. Ou para a mais nova canção que está por brotar. Ou, ainda, na pior das hipóteses, para uma dose saideira, que nunca é a derradeira. Deus abençoe os Garçons. Principalmente os que não tem prazer em baixar a pesada porta do bar e que não aprenderam a dizer não.
Toda a série FORROBOXOTE, Livros e Discos, disponível para compra no site Forroboxote. – Link BODEGA. Entregas para todo o Brasil.
BAÚ DO MUSICARIA

A exatamente cinco anos, esta era uma das matérias que estava sendo publicada em mês como este em nosso espaço:
Link para relembrar a matéria:
quinta-feira, 7 de maio de 2020
GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO
Por Luciano Hortêncio*
Canção: Novo céu (Um Novo Céu)
Composição: Ted Moreno - Fernando César
Intérprete - Solon Sales
Disco - Odeon 14.720 - 845 - 03.1961
* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).
ZÉ TRINDADE, 30 ANOS DE SAUDADES
Por Raphael Vidigal
“O que é a natureza…” Zé Trindade
Zé Trindade está na música do Skank. Está na fala do comentarista esportivo José Trajano. Está na boca do povo. Zé Trindade é a boca do povo. Difícil determinar onde começa a personagem e termina o intérprete. O próprio se valia de referências da vida pessoal, autodenominando-se “baiano e muito vivo!”. Num dos inúmeros bordões que perpetrou, tirava sarro da aparência: “É chato ser gostoso”. “Baixinho, feio e sempre safado”, nas palavras do crítico de cinema Inácio Araújo, aliás, os tais bordões servem de principal esteio às atuações de Trindade que, diferente de outros comediantes, não se agarrou a um, mas criou inúmeros deles. Judiado pelas mulheres, o comediante sempre arranja uma saída criativa para as confusões que arruma. Talvez seja este o principal ponto de aproximação de Zé Trindade com o seu povo.
No humor físico de Zé Trindade, o texto, recheado por “cacos”, os famosos improvisos, recebe sentido pelo acompanhamento corporal. Daí que o ritmo das frases, a pausa e a respiração sejam tão fundamentais. Munido de um raciocínio rápido, Trindade mais de uma vez atrasa a conclusão da frase para brindá-la com um desfecho cômico. Essa estratégia de manias e manhas é parte fundamental na construção de seu folclore. As gírias e ditados populares que desfilam na boca de Zé Trindade não teriam o mesmo efeito sem os cacoetes que imprime à sua personalidade. Personalidade esta que carregou, com igual frescor, para a música, onde foi parceiro de Moreira da Silva e entoou, com voz de barganha, cheia de lábia, marchinhas das mais perspicazes, além de xotes e peças maliciosas da sua terra natal.
Parceiro de Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Oscarito, Renata Fronzi, Zezé Macedo, Ivon Curi, Arrelia, Chico Anysio, e protagonista de filmes como “Na Corda Bamba” e “Entrei de Gaiato”, Zé Trindade serviu como referência para vários nomes do humor nacional. É nítida a sua influência em Zé Bonitinho e Rolando Lero, personagens criadas, respectivamente, por Jorge Loredo e Rogério Cardoso. No entanto, sua mais específica contribuição ainda é a de ter consagrado, no cinema nacional, durante o ápice da chanchada, o tipo ordinário, facilmente identificado e de forte identificação junto a um público cujas dificuldades cotidianas são amenizadas pelo riso fácil que traz Zé Trindade, sempre especulando na verve do impasse. Como diria esse tipo sórdido: “Mulheres, cheguei!”, ou, ainda mais explicado: “O que é a natureza…”.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
GARGALHADAS SONORAS
Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passadisco, se preferir)

- Aqui transforma VHS em DVD?
- Não...
- Ah, só passa CD pra pendrive, não é?
- Não...
- Ah, só passa CD pra pendrive, não é?
terça-feira, 5 de maio de 2020
LENDO A CANÇÃO
Por Leonardo Davino*
O que será
Lançada por Chico Buarque em 1976, para a trilha sonora do filme Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, a canção "O que será" recebeu uma contundente e passional interpretação da cantora Simone, no ano seguinte.
De fato, a canção já rendeu algumas boas interpretações, sempre investindo na interioridade do sujeito que fala. A propósito, há mais de uma versão para a letra de "O que será". No livro Histórias de canção: Chico Buarque, Wagner homem reúne as três com seus subtítulos "Abertura", "À flor da pele" e "À flor da terra".
Em 2008, o trompetista alemão Till Bronner reuniu um belo repertório no disco inteiramente dedicado ao Brasil: Rio. Entre os convidados brasileiros aparecem Milton Nascimento, Sergio Mendes, Luciana Souza e Vanessa da Mata.
Coube a Vanessa cantar, de modo elegante e voz bem colocada, "O que será (à flor da terra)". Sem a densidade dramática das gravações anteriores, a canção envereda pelo embalo gostoso da melodia jazzística, mas com um q de bolero. Este arranjo híbrido dá novas direções à letra.
A delicadeza da voz de Vanessa da Mata encontra na suavidade do trompete de Bronner o parceiro perfeito para cantar o enigma do sujeito: a pergunta sem resposta, eternamente e desde sempre cantada pelos poetas mais delirantes, jurada pelos profetas embriagados e que vive nas ideias dos amantes.
O sujeito canta a irresistibilidade disso: daquilo "que todos os avisos não vão evitar"; de algo tão sagrado e tão profano, tão intensamente leve e arrebatador - suspensor do juízo; tão esperado e tão temido por todos. Mas o que será isto sem nome ou figura que nos comove?
O sujeito dá pistas: está na natureza, está no dia-a-dia das meretrizes. Só cabe a ele circular (espalhar metáforas ao redor) esta coisa neutra e abstrata. A ele também é negado o acesso direto a isso sem decência e sem censura que, ao longo da canção, vai invadindo o ouvinte: impregnando pele e terra de desejo.
***
O que será
(Chico Buarque)
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza será, que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem concerto nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está nas fantasias dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será, que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo padre eterno, que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".
A INQUIETUDE CRIATIVA DE ALFREDO DIAS GOMES
Em uma sequência de discos lançados anualmente desde 2015, o músico apresenta agora 'Jazz standards', projeto que reúne alguns clássicos do gênero musical norte-americano
Por Bruno Negromonte

Filho de dois ícones da teledramaturgia nacional (Janete Clair e Dias Gomes), o baterista carioca Alfredo Dias Gomes preferiu seguir outro viés para dar vazão ao seu talento artístico quando se lançou como instrumentista a pouco mais de quatro décadas atrás. Ao longo desta estrada, Alfredo teve a sorte de dividir o palco com alguns dos mais conceituados e relevantes artistas da música popular brasileira desde quando aventurou-se a dar os seus primeiros passos, ou melhor, se aventurar entre compassos. Para se ter ideia, a sua carreira de modo profissional já teve início com um dos mais relevantes e conceituados instrumentistas brasileiro de todos os tempos: Hermeto Pascoal. Ao lado do "bruxo", o baterista, então com 18 anos, gravou em 1980 o disco "Cérebro Magnético", terceiro álbum gravado pelo alagoano na Warner e que composto por canções como "Dança Da Selva Na Cidade Grande", "Religiosidade", "Correu Tanto Que Sumiu" entre outras reitera a inconfundível maestria experimental que Hermeto desenvolve ainda hoje como ninguém. Além dessa primeira experiência fonográfica, ainda houve a sua participação em inúmeros shows ao lado do multi-instrumentista, com destaque para o "II Festival de Jazz de São Paulo" e o "Rio Monterrey Festival". Na sequência, ao longo dos anos, sua atuação ao lado de nomes como Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie, Kid Abelha, Sérgio Dias dentre outros corroboraram significadamente para substanciar a sua arte neste mosaico sonoro composto pelos mais distintos gêneros que o músico vem procurando agregar ao firmar parcerias também como nomes que compõe o cenário instrumental brasileiro a exemplo dos conceituados Ricardo Silveira e Victor Biglione, Torcuato Mariano; e dos saudosos Arthur Maia e Nico Assumpção.
Inquietamente criativo, o baterista também vem somando ao longo das últimas décadas à sua carreira projetos pessoais como é o caso do grupo Heróis da Resistência, que formado ao lado do cantor e compositor Leoni, o guitarrsita Jorge Shy e o pianista Lulu Martin foram responsável por sucessos do rock nacional a partir dos anos de 1980 a exemplo das canções "Dublê de Corpo", "Só Pro Meu Prazer", "O Que Eu Sempre Quis" entre outros hits que tocam até os dias atuais. Apesar do estrondoso sucesso do grupo, a ideia de lançar-se em carreira solo começou a permear sua cabeça ainda na década de 1980, quando em 1985 lançou o single "Serviço Secreto". No entanto, só a partir da década seguinte o músico percebeu que já era hora de alçar esse vôo. Deste então vem lançando projetos fonográficos regularmente desde 1991 em álbum que contou com a participação especial do Ivan Lins. Nessa sequência ao longo de quase três décadas o músico trouxe para o grande público projetos como "Ecos" (2000), "Looking Back" (2015), "Corona borealis" (2010) entre outros álbuns que contaram com a participação de alguns dos principais nomes da música instrumental brasileira a exemplo de Marcelo Martins, Glauton Campello, Arthur Maia, Torcuato Mariano, Nico Assumpção, Marco Lobo, Márcio Montarroyos entre outros expressivos nomes que corroboraram tanto para dar corpo e alma para canções autorais como também para releituras a exemplo de "Milestones" (Miles Davis), "500 miles high" (Chick Corea), entre outras, em uma sequência de destacáveis álbuns a exemplo do "Solar", projeto autoral que foi apresentado aqui mesmo em nosso espaço ao longo de 2019.
Em síntese "Jazz standars" é um disco simbólico por duas razões: uma para o grande público, outra para o próprio intérprete.r Primeiro por, de modo coeso, sintetizar como poucos álbuns lançados no mercado brasileiro a história sonora de um gênero musical e segundo por ter sido a realização de um desejo antigo do autor como ele mesmo comenta: “Já venho com esse pensamento há algum tempo, pois são clássicos. E quis gravá-los sem pensar como eles foram gravados, ou seja, sem aquela preocupação de ouvir, exatamente para não ser influenciado. Obviamente, já ouvi os originais em outras ocasiões. Então, gravei como se fossem canções novas. Realmente, as toquei de uma maneira inédita, ou seja, à minha maneira.”. A inquietude artística de Alfredo permite-o não apenas uma frenética produção fonográfica como a que temos acompanhado ao longo dos últimos anos, mas também gera a possibilidade a ele de permear caminhos sonoros pouco convencionais ou nunca explorados nestas estradas vicinais que os mais distintos gêneros musicais permitem. Mesmo quando tudo parece ser óbvio, Dias Gomes mostra-se inventivo, e com uma assinatura bastante pessoal, chancela de modo singular o que poderia tornar-se até mesmo trivial. Desse modo, as tônicas fogem do esperado e as releituras surpreendem como é o caso deste recente projeto, seu primeiro álbum, literalmente, como um legítimo jazzman. Um sonho realizado, "Jazz standars" não é apenas um álbum deleite para os amantes do gênero, mas a reiteração sonora de um talentoso artista que mostra-se sem amarras, fronteiras ou rótulos; em um trabalho que universaliza as aptidões que o constitui e que foram lapidadas ao longo das distintas experiências somadas a partir dos palcos e dos estúdios de gravação pelo qual passou.
Maiores informações:
Google play - https://play.google.com/store/music/artist/Alfredo_Dias_Gomes?id=Aojrxbalvbqvt5bayc7qmrrzkli&hl=pt_BR
Spotify - https://open.spotify.com/album/3MmHc6TClT83LJQMEZ0Zqg
Napster - https://br.napster.com/artist/alfredo-dias-gomes/album/alfredo-dias-gomesAmazon - https://www.amazon.com/s?k=alfredo+dias+gomes&i=digital-music&ref=nb_sb_noss
Itunes- https://itunes.apple.com/br/artist/alfredo-dias-gomes/298829349?l=en
CD Baby - https://store.cdbaby.com/Artist/AlfredoDiasGomesReverbnation - https://www.reverbnation.com/alfredodiasgomes
MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA
Segundo álbum do cantor e compositor carioca, este disco homônimo completa 50 anos
Por Luiz Américo Lisboa Junior
Tim Maia (1970)
A música americana por força da dominação capitalista dos Estados Unidos que impõe seu modelo cultural influenciou várias gerações de artistas em outros países sendo na maioria dos casos criticada pelos nacionalistas de plantão, os xenófobos que não admitiam e não admitem interferências externas na cultura pátria, buscando preservar suas raízes de uma influencia que a descaracterize. Em parte eles tem razão quando se vêem ameaçados pelo chamado imperialismo cultural que muitas vezes acaba impondo-se em detrimento da cultura nacional. A manutenção e a preservação cultural de uma nação deve ser buscada, mas também deve ser devidamente divulgada, senão a predominância do fator alienígena acabará sempre prevalecendo.
Por outro lado pode-se também manter uma relação de cumplicidade e troca de experiências interculturais, o que de certo modo é salutar, pois fortalece laços, expande e divulga a cultura dos países envolvidos e o que é mais importante assimila-se a essência do modelo e transforma-o num produto tipicamente nacional. No caso da música popular brasileira essa troca de experiências ou influencias como querem muitos, existiu sempre, porém, como colonizados sempre absorvemos mais dos americanos do que eles de nós, curvaram-se apenas com a Bossa Nova.
Convenhamos, porém, que a música norte americana apesar de sua hegemonia planetária não é tão ruim assim, contudo, como acontece com todos os povos tem também seus altos e baixos, lá com certeza existem os breganejos, os axés da vida, os forrós eróticos, os pagodeiros oxigenados etc... Sofrem como nós, contudo, como nós também, tem sua parcela de culpa por se deixarem levar por esse tipo de música (arg!), mas mesmo assim ainda cultuam seus verdadeiros valores, não nos esqueçamos que dos Estados Unidos sairam o jazz, o blues, o soul, o gospel, spirituals, além é claro, do rock and roll.
Aqui no Brasil a disseminação desses gêneros musicais influenciou uma grande quantidade de notáveis artistas, sejam compositores ou intérpretes, e também ajudou a criar um modelo nacional visto com olhares americanos, mas com um molho nacional tão característico que de ianque só tem a matriz, ou seja, a sua raiz primeira, os filhos e os netos já ganharam nacionalidade própria, são brasileiros legítimos, apenas descendentes de imigrantes musicais.
Quer um entre tantos exemplos, então vamos lá! Falemos do síndico Tim Maia que muito jovem se entusiasmou pela musica de cima do equador fazendo dela referencia para a maturação de seu som, que ocorreria no final dos anos sessenta. Fã incondicional do pop negro americano com destaque para Ray Charles que fundindo o gospel com o blues criou o soul music nos anos cinqüenta e de demais artistas que se notabilizariam na década seguinte como Stevie Wonder e os grupos The Suprems, Four Tops e muitos outros que esbanjavam brilho e talento no cenário internacional, sendo a maioria contratada da gravadora Motown cujos discos com seus intermináveis sucessos fizeram a cabeça de muita gente em vários países, era obvio, portanto, que acabassem desaguando por aqui, influenciando o jovem Tim Maia, aquele dentre os nossos artistas que mais se afinou com o modelo/gênero americano fundindo o soul music com o baião e outros ritmos brasileiros criando o soul brasileiro com um suinge próprio, e abrindo um mercado para outros artistas que aderiram a essa linha.
A culminância desse trabalho surge com a gravação de seu primeiro LP em 1970 que tinha apenas seu nome como título e na capa uma enorme foto sua como um grande cartão de apresentação. O repertório trazia canções que seriam consideradas clássicas como, Primavera e Eu amo você, de Genival Cassiano e Silvio Rochael, e Azul da cor do mar. O suingue e o vozeirão de Tim Maia agradaram em cheio, o LP ficou 24 semanas ininterruptas em primeiro lugar e foi elogiado pelos mais importantes críticos da época, inclusive os radicais emepebistas. A orquestra bem montada, a voz surgindo como um furacão, as belas melodias e os arranjos impecáveis deram a receita exata do sucesso. Surgia aí neste disco uma nova escola em nossa musica popular, aquela cuja assimilação estrangeira transformou-se num gênero brasileiro autentico. Com sua interpretação de Coroné Antonio Bento, de João do Vale e Luiz Wanderley e Padre Cícero em parceria com Cassiano, tínhamos finalmente o nosso Ray Charles do sertão ou a mistura perfeita de Luiz Gonzaga com James Brown.
Depois da gravação desse seu primeiro LP Tim Maia seguiu seu caminho realizando inúmeros outros trabalhos de sucesso, sendo criticado, aplaudido, polemizando, debochando dos puristas, rindo, cantando e deixando ecoar sua voz bem longe, a mesma voz que nos surpreendeu iniciando com firmeza sua trajetória quando éramos angustiados/alegres/perseguidos/felizes/infelizes e vivíamos a ilusão do pra frente Brasil! No meio da tormenta, entretanto ele surge avassalador deixando um rastro de talento e a certeza de que as influencias existem para serem nacionalizadas/reinterpretadas, porem, só quem tem pleno domínio de seu chão consegue tal proeza, ele tinha e o fez.
Itabuna, 17 de maio de 2005.
Músicas:
1) Coroné Antonio Bento (João do Vale/Luiz Wanderley)
2) Cristina (Carlos Imperial/Tim Maia)
3) Jurema (Tim Maia)
4) Padre Cícero (Tim Maia/Genival Cassiano)
5) Flamengo (Tim Maia)
6) Você fingiu (Genival Cassiano)
7) Eu amo você (Genival Cassiano/Silvio Rochael)
8) Primavera (Genival Cassiano/Silvio Rochael)
9) Risos (Fabio/Paulo Imperial)
10) Azul da cor do mar (Tim Maia)
11) Cristina nº. 2 (Carlos Imperial/Tim Maia)
12) Tributo a Booker Pitman (Cláudio Roditi)
segunda-feira, 4 de maio de 2020
UM CLIQUE PELA MÚSICA DE QUALIDADE
Em tempos de isolamento social, artistas buscam alternativas para dar vazão à criatividade assim como recursos para manterem-se
Por Bruno Negromonte
Incerteza é a palavra de ordem no atual contexto social que vivemos. Coronavírus, divergências políticas, crise econômica , entre outros fatores, formam a conjuntura vigente a qual o desespero e o caos tomam conta de uma sociedade que tem buscado viver um dia após o outro. No entanto, até esses momentos de incertezas, insegurança, isolamento também pode se transformar em uma arte, uma arte em constante circulação através das ferramentas e plataformas virtuais existentes na internet.
Inspirados e inspiradores, artistas nos mais distintos lugares do planeta tem buscado alternativas diversas para a ausência de shows e eventos durante essa campanha de isolamento social. Seja em uma live solidária nas redes sociais ou através de campanhas, cantores, compositores, profissionais de eventos, pessoas ligadas ao contexto cultural de algum modo tem lidado com adversidades para além da doença.
Não longe dessa realidade, o instrumentista e compositor gaúcho Rodrigo Nassif também tem enfrentado estes dois contextos: o Covid-19 assim como também a escassez de eventos. Não se deixando abater pela conjuntura atual, o artista lançou-se nas plataformas de crowdfunding objetivando uma campanha para poder continuar fazendo lives no todos os dias em suas redes sociais tendo como propósito demonstrar o passo a passo a construção das canções instrumentais, desde o improviso cru até a finalização como material estruturado e pronto para gravar. Uma alternativa para o músico residente em Porto Alegre e que, apesar de ter se apresentado em alguns dos palcos mais renomados do Brasil e do Exterior (tais como Blue Note RJ, Sesc Pompeia em São Paulo, Teatro São Pedro em Porto Alegre, Shapeshifter Lab - Brooklyn , Nova Iorque e Jazz Fórum em Tarrytown , NY) teve a totalidade de suas apresentações com seu trio transferidas ou canceladas, assim como para um público que admira uma boa música instrumental. Para contribuição segue o link:
ALDIR BLANC, COMPOSITOR E ESCRITOR, MORRE NO RIO
Ele estava internado com Covid-19 no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, e seu estado de saúde era considerado grave. Compositor desde os anos 1960, Aldir Blanc é autor de uma vasta obra musical e literária.
Por Alba Valéria Mendonça, Cláudia Loureiro e Edimílson Ávila
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O compositor e escritor Aldir Blanc foi diagnosticado com Covid-19
O compositor e escritor Aldir Blanc, de 73 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira (4) no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Ele estava com Covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.
No dia 10 de abril, o compositor deu entrada na CER do Leblon com infecção urinária e pneumonia, que evoluíram para um quadro de infecção generalizada.
Cinco dias depois, a partir de uma campanha de amigos e artistas, ele conseguiu transferência para o Hospital Pedro Ernesto.
Na unidade, chegou a apresentar sinais de melhoras, mas como seu estado era muito grave, foi mantido sedado o tempo inteiro.
Obituário
Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 setembro de 1946. Em 1996, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria. Em 1973, abandonou o curso para dedicar-se exclusivamente à música, tornando-se um dos mais importantes compositores de Música Popular Brasileira (MPB).
Uma de suas canções mais famosas, “O Bêbado e a Equilibrista”, feita em parceria com João Bosco, ficou eternizada na voz de Elis Regina.
Outras composições famosas são “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” e “Caça à Raposa”.
A obra de Blanc reúne, ainda, dezenas de canções conhecidas, feitas em parceria com outros ilustres artistas, como Moacyr Luz, Maurício Tapajós, Paulo Emílio, Carlos Lyra, Guinga, Edu Lobo, Wagner Tiso, César Costa Filho, Cristóvão Bastos, Roberto Menescal, Ivan Lins, entre outros.
Resumo da carreira musical
Aos 18 anos, Blanc ganhou uma bateria e, pouco depois, formou o grupo Rio Bossa Trio. Em 1968, conheceu o parceiro Sílvio da Silva Júnior. Dois anos mais tarde, a primeira composição da dupla, “Amigo É pra Essas Coisas”, é gravada pelo grupo MPB-4.
Na mesma época, ao lado de outros compositores, como Ivan Lins, Gonzaguinha e Marco Aurélio, funda o Movimento Artístico Universitário (MAU), e torna-se conhecido por criar e integrar associações ligadas à defesa dos direitos autorais. É um dos fundadores da Sociedade Musical Brasileira (Sombras) - responsável pela arrecadação de direitos autorais -, da Sociedade de Artistas e Compositores Independentes (Saci) e da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar).
“Ela”, sua composição em parceria com César Costa Filho, foi gravada por Elis Regina, em 1971. No ano seguinte, a cantora grava “Bala com Bala”, parceria com João Bosco, e a canção “Agnus Sei” é lançada no Disco de Bolso, compacto que acompanha o jornal O Pasquim.
Em 1973, Elis grava ainda várias outras músicas da dupla Bosco e Blanc, como “O Caçador de Esmeralda” e “Cabaré e Comadre”. Um ano depois, em outro LP, Elis grava outros sucessos da dupla, como “O Mestre-Sala dos Mares”, “Caça à Raposa” e “Dois pra Lá, Dois pra Cá”. E em 1979, “O Bêbado e a Equilibrista”, um dos maiores sucessos de sua carreira.
Em 1996, o disco comemorativo “Aldir Blanc - 50 Anos”, em homenagem ao compositor, reuniu várias participações especiais, entre elas, Betinho ao lado do MPB4, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.
O álbum reúne, também, letras e melodias com Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos e Ivan Lins.
Com Bosco, emplacou algumas canções na trilha de abertura de novelas e séries, como “Doces Olheiras” (na novela Gabriela, da TV Globo, em 1975), “Visconde de Sabugosa” (para O Sítio do Pica-Pau Amarelo, em 1977), “Coração Agreste” (em Tieta, de 1979), “Confins” (em Renascer, de 1993), “Suave Veneno” (na novela homônima, de 1999), “Chocolate com Pimenta” (tema de novela homônima, em 2003), “Bijuterias” (para a minissérie “O Astro”, no remake de 2011).
O cronista Aldir Blanc
Blanc era também cronista, reconhecido pelas bem-humoradas histórias e personagens da Zona Norte do Rio.
Publicou vários livros, entre eles "Rua dos Artistas e Arredores" (Ed. Codecri, 1978); "Porta de tinturaria" (1981), "Brasil passado a sujo" (Ed. Geração, 1993); "Vila Isabel - Inventário de infância" (Ed. Relume-Dumará, 1996), e "Um cara bacana na 19ª" (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos.
Contribuiu, ainda, com crônicas para os jornais O Dia, O Estado de São Paulo e O Globo.
SILVIO CÉSAR E SUAS HISTÓRIAS
UM SONHO BOM
Em 1969, eu participava assiduamente da programação da TV Record de São Paulo e, praticamente, morava no Hotel Danúbio, na Brigadeiro Luiz Antonio.
O Danúbio era um dos 3 hotéis que as TVs utilizavam constantemente para hospedar os artistas convidados. Os outros dois eram o Normandie, na Ipiranga e o Jandaia, na Duque de Caxias - que alguns gaiatos chamavam, brincalhonamente, de Gandaia e até hoje não sei porque, pois muitas vezes me hospedei lá e nunca vi gandaia nenhuma, ao contrário sempre encontrei respeito e muito carinho.
O Danúbio era a minha casa e a de muitos artistas também.
Caetano, Gil, Lennie Dale, Geraldo Vandré eram alguns de seus moradores ilustres.
A Seleção Brasileira de Futebol se concentrava lá de vez em quando
.
Numa dessas, conheci o Carlos Alberto Torres e o Rildo, que foram me visitar uma noite e ficamos amigos.
Eu acabara de lançar um disco com algumas músicas em parceria com um jovem e brilhante escritor carioca chamado Sylvan Paezzo e uma delas era "Gingilin - o último palhaço".
Essa canção nasceu de uma matéria que o Sylvan havia escrito para a revista REALIDADE sobre o mundo do circo.
Nós queríamos homenagear os artistas circences, por isso escolhemos o Gingilin como um símbolo de uma arte tão nobre e tão especial, valorizada e compreendida, quase sempre, apenas pelas crianças.
Eu não conhecia o Gingilim pessoalmente. O Sylvan também não.
Uma noite eu esperava uma jornalista pra fazer uma matéria, quando o interfone tocou e o gerente me disse que alguém procurava por mim. Pedi a ele que mandasse pessoa subir. Quando abri a porta, vi que não era quem eu esperava.
Ali, parado estava um velhinho pequenino, sorridente, desses que a gente tem vontade de pegar no colo.
Ele me olhou com uns olhinhos matreiros e disse: Eu sou o Gingilin!
Fiquei sem saber o que fazer, tremendo, o coração disparado, .
Depois de algum tempo, pedi que ele entrasse e começamos a conversar.
Fiquei encantado com ele. Ele me fez rir como se estivesse num picadeiro.
Depois de algum tempo, perguntei se ele toparia ir ao programa da Hebe e ele disse que não, que já estava aposentado.
Insisti muito e ele acabou topando.
Falei com a Hebe e ela adorou a idéia.
Ele foi ao programa e fez o maior sucesso.
Quase matou a Hebe e todo mundo de rir com suas palhaçadas autênticas.
E sumiu.
Nunca mais o vi.
Eu nao sabia seu endereço, nem ele me procurou mais.
Tudo que ficou foi uma foto antiga que ele me deu.
Às vezes, penso que aquilo tudo foi um sonho.
Um lindo sonho de criança.
Nota: Para ouvir a canção "Gingilin - o último palhaço" vá em Gravações
LP "Silvio Cesar" de 1968 e clique na faixa.
domingo, 3 de maio de 2020
CURIOSIDADES DA MPB
Ernesto Nazareth foi o compositor que mais criou tangos brasileiros. É também o segundo compositor erudito brasileiro mais tocado no país e no exterior, só perdendo para o maestro Heitor Villa-Lobos. Ele sempre rejeitou a afirmação de que seus tangos fossem os precursores do maxixe.

