PROFÍCUAS PARCERIAS

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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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terça-feira, 5 de maio de 2020

A INQUIETUDE CRIATIVA DE ALFREDO DIAS GOMES

Em uma sequência de discos lançados anualmente desde 2015, o músico apresenta agora 'Jazz standards', projeto que reúne alguns clássicos do gênero musical norte-americano

Por Bruno Negromonte




Filho de dois ícones da teledramaturgia nacional (Janete Clair e Dias Gomes), o baterista carioca Alfredo Dias Gomes preferiu seguir outro viés para dar vazão ao seu talento artístico quando se lançou como instrumentista a pouco mais de quatro décadas atrás. Ao longo desta estrada, Alfredo teve a sorte de dividir o palco com alguns dos mais conceituados e relevantes artistas da música popular brasileira desde quando aventurou-se a dar os seus primeiros passos, ou melhor, se aventurar entre compassos. Para se ter ideia, a sua carreira de modo profissional já teve início com um dos mais relevantes e conceituados instrumentistas brasileiro de todos os tempos: Hermeto Pascoal. Ao lado do "bruxo", o baterista, então com 18 anos, gravou em 1980 o disco "Cérebro Magnético", terceiro álbum gravado pelo alagoano na Warner e que composto por canções como "Dança Da Selva Na Cidade Grande", "Religiosidade", "Correu Tanto Que Sumiu" entre outras reitera a inconfundível maestria experimental que Hermeto desenvolve ainda hoje como ninguém. Além dessa primeira experiência fonográfica, ainda houve a sua participação em inúmeros shows ao lado do multi-instrumentista, com destaque para o "II Festival de Jazz de São Paulo" e o "Rio Monterrey Festival". Na sequência, ao longo dos anos, sua atuação ao lado de nomes como Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie, Kid Abelha, Sérgio Dias dentre outros corroboraram significadamente para substanciar a sua arte neste mosaico sonoro composto pelos mais distintos gêneros que o músico vem procurando agregar ao firmar parcerias também como nomes que compõe o cenário instrumental brasileiro a exemplo dos conceituados Ricardo Silveira e Victor Biglione, Torcuato Mariano; e dos saudosos Arthur Maia e Nico Assumpção.




Inquietamente criativo, o baterista também vem somando ao longo das últimas décadas à sua carreira projetos pessoais como é o caso do grupo Heróis da Resistência, que formado ao lado do cantor e compositor Leoni, o guitarrsita Jorge Shy e o pianista Lulu Martin foram responsável por sucessos do rock nacional a partir dos anos de 1980 a exemplo das canções "Dublê de Corpo", "Só Pro Meu Prazer", "O Que Eu Sempre Quis" entre outros hits que tocam até os dias atuais. Apesar do estrondoso sucesso do grupo, a ideia de lançar-se em carreira solo começou a permear sua cabeça ainda na década de 1980, quando em 1985 lançou o single "Serviço Secreto". No entanto, só a partir da década seguinte o músico percebeu que já era hora de alçar esse vôo. Deste então vem lançando projetos fonográficos regularmente desde 1991 em álbum que contou com a participação especial do Ivan Lins. Nessa sequência ao longo de quase três décadas o músico trouxe para o grande público projetos como "Ecos" (2000), "Looking Back" (2015), "Corona borealis" (2010) entre outros álbuns que contaram com a participação de alguns dos principais nomes da música instrumental brasileira a exemplo de Marcelo Martins, Glauton Campello, Arthur Maia, Torcuato Mariano, Nico Assumpção, Marco Lobo, Márcio Montarroyos entre outros expressivos nomes que corroboraram tanto para dar corpo e alma para canções autorais como também para releituras a exemplo de "Milestones" (Miles Davis), "500 miles high" (Chick Corea), entre outras, em uma sequência de destacáveis álbuns a exemplo do "Solar", projeto autoral que foi apresentado aqui mesmo em nosso espaço ao longo de 2019.

site oficial do baterista alfredo dias gomesAgora, um ano depois, o compositor e baterista permite-se e deixa emergir a sua paixão pelo jazz a partir de uma sequência de nove interpretações que abrange grandes  nomes do gênero em uma verdadeira viagem musical em território sonoro americano a exemplo de Miles Davis, Freddie Hubbard, Juan Tizol, Ray Noble, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Duke Ellington, entre outros. Lançados de modo físico e virtual, "Jazz standards" apresenta faixas que abrangem quatro décadas de música em reminiscências musicais que vão de 1936 (com a faixa "Caravan") até 1976 (com o registro de "Footprints"). Trata-se da concretização em disco da constante influência do gênero na carreira do músico assim como também uma realização pessoal onde ele permite-se tornar ainda mais amálgama a sua sonoridade, tendo para isso o auxílio luxuoso dos nomes de Jessé Sadoc (trompete), Widor Santiago (sax tenor), Jefferson Lescowich (baixo) e Lulu Martin (teclado).

Em síntese "Jazz standars" é um disco simbólico por duas razões: uma para o grande público, outra para o próprio intérprete.r Primeiro por, de modo coeso, sintetizar como poucos álbuns lançados no mercado brasileiro a história sonora de um gênero musical e segundo por ter sido a realização de um desejo antigo do autor como ele mesmo comenta: “Já venho com esse pensamento há algum tempo, pois são clássicos. E quis gravá-los sem pensar como eles foram gravados, ou seja, sem aquela preocupação de ouvir, exatamente para não ser influenciado. Obviamente, já ouvi os originais em outras ocasiões. Então, gravei como se fossem canções novas. Realmente, as toquei de uma maneira inédita, ou seja, à minha maneira.”. A inquietude artística de Alfredo permite-o não apenas uma frenética produção fonográfica como a que temos acompanhado ao longo dos últimos anos, mas também gera a  possibilidade a ele de permear caminhos sonoros pouco convencionais ou nunca explorados nestas estradas vicinais que os mais distintos gêneros musicais permitem. Mesmo quando tudo parece ser óbvio, Dias Gomes mostra-se inventivo, e com uma assinatura bastante pessoal, chancela de modo singular o que poderia tornar-se até mesmo trivial. Desse modo, as tônicas fogem do esperado e as releituras surpreendem como é o caso deste recente projeto, seu primeiro álbum, literalmente, como um legítimo jazzman. Um sonho realizado, "Jazz standars" não é apenas um álbum deleite para os amantes do gênero, mas a reiteração sonora de um talentoso artista que mostra-se sem amarras, fronteiras ou rótulos; em um trabalho que universaliza as aptidões que o constitui e que foram lapidadas ao longo das distintas experiências somadas a partir dos palcos e dos estúdios de gravação pelo qual passou. 


Maiores informações:
Site oficial - https://www.alfredodiasgomes.com.br/Youtube - https://www.youtube.com/channel/UC9s39oTMv5ci2dF9FZcL5LA
Google play - https://play.google.com/store/music/artist/Alfredo_Dias_Gomes?id=Aojrxbalvbqvt5bayc7qmrrzkli&hl=pt_BR

Spotify - https://open.spotify.com/album/3MmHc6TClT83LJQMEZ0Zqg
Napster - https://br.napster.com/artist/alfredo-dias-gomes/album/alfredo-dias-gomes
Amazon - https://www.amazon.com/s?k=alfredo+dias+gomes&i=digital-music&ref=nb_sb_noss
Itunes- https://itunes.apple.com/br/artist/alfredo-dias-gomes/298829349?l=en
CD Baby - https://store.cdbaby.com/Artist/AlfredoDiasGomes
Reverbnation - https://www.reverbnation.com/alfredodiasgomes

quarta-feira, 5 de junho de 2019

ALFREDO DIAS GOMES - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Nessa conversa informal e exclusiva, o baterista carioca fala um pouco sobre o início de sua carrreira ao lado de um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos, assim como sobre projetos pessoais e o novo álbum, "Solar".

Por Bruno Negromonte



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Dificilmente se vê a música brasileira no centro dos holofotes nos grandes espaços de divulgação midiático existentes em nosso país, no entanto, em contrapartida, temos um vastidão de grandes talentos ao nos referimos ao gênero como é o caso entrevistado em questão e que foi apresentado ao nosso público recentemente a partir da matéria "COM FORTE SOTAQUE BRASILEIRO, SOLAR IRRADIA A FORÇA QUE CONSTITUI A MÚSICA BRASILEIRA INSTRUMENTAL". Filho de dois grandes nomes da teledramaturgia nacional, Alfredo Dias Gomes enveredou para a música e atuou ao lado de grandes nomes da música popular brasileira até que decidiu que era a hora de seguir carreira sozinho. Com 11 álbuns solo na bagagem, o músico atualmente vem divulgando "Solar", álbum que não apenas reitera o talento do veterano músico como também traz um pouco de luz ao atual cenário musical brasileiro.





Alfredo, você vem de uma família onde a tendência natural a ser seguida, profissionalmente, seria a literatura ou alguma coisa interligada às letras. De que modo a música chegou em sua vida e tomou esse espaço tão relevante ao ponto de você enveredar de vez a favor dela?

Alfredo Dias Gomes - Acredito que essa tendência musical na minha casa veio através da minha avó que fazia questão que nós tivéssemos aulas de piano na infância e também pelo próprio trabalho dos meus pais. Eles sempre participavam da escolha das músicas das peças de teatro e das novelas. Nossa casa sempre foi frequentada por compositores, arranjadores e maestro E a música chegou na minha vida por influência dos meus irmãos que já eram músicos.


Sua primeira experiência profissional se deu ao lado de um dos nomes mais conceituados da música instrumental brasileira de todos os tempos. Você tinha noção dessa responsabilidade ao iniciar a carreira ao lado do Hermeto Pascoal?

ADG - Honestamente não. Eu estava num estúdio tendo aula de bateria com o baterista Don Alias e o Hermeto estava no mesmo estúdio gravando com o Stone Aliance, conjunto do Don. O Hermeto me viu tocar, veio até mim, perguntou o meu nome e disse: "Um dia você vai tocar comigo!". Eu tinha 16 anos. A partir daí eu me preparei pra isso. Quando eu fiz 18 anos o Hermeto me chamou. Primeiro pra substituir o Nenê nas músicas que ele ia para o piano, ele era o baterista e eu ficava na percussão. E quando ele saiu da banda eu assumi o posto.


Como se deu esse convite para a participação do disco "Cérebro Magnético"?

ADG - Aconteceu naturalmente, o Hermeto tinha esse disco pra gravar e eu já era o baterista da banda. Tenho muito orgulho de ter gravado esse disco e uma gratidão eterna pelo Hermeto ter me dado essa oportunidade.


Nesses pouco mais de quatro décadas de estrada você hoje tornou-se referência para muitos bateristas que estão começando. Quando você iniciou a sua carreira quais foram as maiores inspirações?

ADG - Chick Corea, Herbie Hancock, Miles Davis, Billy Cobham, Alphonse Mouzon, Lenny White, Jack DeJohnette, Tony Williams, Elvin Jones, Mahavishnu Orchestra, The Eleventh House, The Brecker Brothers, Márcio Montarroyos, Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Egberto Gismonti...


Como se dá o seu processo de composição?

ADG - Esse processo de criação é herança dos meus pais. A minha vida toda eu presenciei eles produzindo um capítulo de novela por dia. No caso do meu pai, as vezes, escrevendo ao mesmo tempo peça de teatro.Eu tenho a pretensão de tentar fazer o mesmo com a música. Tento criar ou produzir nem que seja uma ideia musical (quase)todos os dias. Tecnicamente, eu geralmente componho a partir do teclado mas muitas vezes parte de uma ideia rítmica na bateria.


Substanciar a sua sonoridade ao lado de grandes nomes da MPB trouxe alguma peculiaridade para esse processo?

ADG - Acho que posso citar o exemplo do próprio Hermeto que também tem como abito compor todos os dias. Sem dúvida foi uma grande inspiração.


Quando você percebeu que era necessário alçar vôo e dá início a sua carreira solo?

ADG - Na verdade o meu objetivo sempre foi ter meu trabalho solo. Acompanhar artistas aconteceu ocasionalmente na minha vida, aproveitei as oportunidades e procurei aprender ao máximo com todos eles mas o objetivo sempre foi o trabalho solo.


A música instrumental no Brasil não possui o espaço nem o prestígio que mereceria ter, mas em contrapartida é detentor de alguns dos maiores instrumentistas do mundo e os festivais instrumentais Brasil afora geralmente são prestigiados por  grandes públicos. Em sua opinião, qual a maior dificuldade em fazer esse estilo de música? 

ADG - Concordo totalmente com você, nós temos grandes músicos e a música instrumental deveria ter muito mais espaço. Mas a verdade que a música instrumental tem menos espaço em qualquer lugar do mundo. Esse é o caminho que escolhi, então não vejo como dificuldade, e sim como um tipo de música que não é tão popular.

São quase duas décadas de carreira fonográfica e um processo de produção cada vez mais constante em relação ao início. Em tempos onde o que rege o mercado são  efemeridades sonoras, como fazer para que o grande público absorva todo esse material? (uma vez que só em 2018 houve o lançamento dos projetos “ECOS” e “JAM”).

ADG - Gravar discos é o que eu escolhi pra minha vida, a única coisa que eu penso é em criar. Se tem público pra absorver a curto prazo todo esse material, não sei dizer. Mas a longo prazo, quero acreditar que todo esse material ficará para outras gerações.


“Solar”, um projeto autoral, que traz em si uma brasilidade arraigada e um regionalismo destacável em vários momentos do álbum. Como se deu o processo de composição e quais foram os critérios usados para dar essa linha coesa a um projeto que poderia se perder ao tentar abarcar essa miscelânea que é a nossa música?

ADG - Quando eu começo a compor um disco, eu sou bem exigente com a concepção, justamente para não virar uma colcha de retalhos. Se eu decido fazer um disco de jazz rock por exemplo, eu não vou gravar uma música regional nesse disco. No caso do Solar eu comecei decidindo gravar a música Viajante que é um baião bem regional e que eu fiz uma versão instrumental. Decidi por um disco mais brasileiro com influência jazzística. Então o restante das músicas teriam que ser coesas com o a ideia inicial.

Como será o processo de divulgação do “Solar”? Já há previsão de cair na estrada para shows e divulgação?

ADG - Eu tenho divulgado o Solar desde março na imprensa e nas redes sociais. Estou planejando um show de lançamento, mas ainda sem data.



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quarta-feira, 22 de maio de 2019

COM FORTE SOTAQUE BRASILEIRO, SOLAR IRRADIA A FORÇA QUE CONSTITUI A MÚSICA BRASILEIRA INSTRUMENTAL

Praticamente ausente da programação televisiva e com pouco espaço nas ondas do rádio, a música instrumental brasileira não para de dar bons frutos como é o caso de "Solar", décimo primeiro álbum do músico carioca Alfredo Dias Gomes

Por Bruno Negromonte


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A grande maioria das músicas executadas exaustivamente em nosso país através dos grandes canais midiáticos são de fácil, digamos, digestão. São projetos feitos para uma audição propositalmente superficial. Letras fáceis de refrão pegajoso são rotineiramente difundidas enquanto aquilo que de fato importa vai tornando-se pérola aos poucos que buscam para além do convencional. Paradoxalmente, enquanto a música instrumental segue margeada aos holofotes nacionais, mostra-se profícua e vem arrebatando plateias e mais plateias ao redor do planeta. Nomes como Egberto Gismonti, Spok e sua Frevo Orquestra, Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e tantos outros são provas incontestes dessa afirmação. Antes destes, no rol dos grandes nomes, estão instrumentistas como Pixinguinha, Naná Vasconcelos, Dilermando Reis, Canhoto, Jacob do Bandolim, Raphael Rabello, Paulo Moura, Moacir Santos, Vítor Assis Brasil entre outros que fizeram escola e, mesmo sendo peculiar, conseguiram trilhar um caminho e abrir portas para outras relevantes figuras do cenário instrumental brasileiro contemporâneo como é o caso Alfredo Dias Gomes, artista que vem alargando as fronteiras entre os gêneros que constitui a sua obra. Universal, o baterista não se perde ao explorar os nuances e sutilezas que caracteriza cada uma das variações que o seu alargado talento é capaz de abranger. Sua música, seja ela autoral ou como intérprete, o permite pautar-se em uma perspectiva contemporânea, onde as distintas veredas musicais encontram-se para firmar-se em uma unidade coesa e original, produzindo assim uma música original que transcende qualquer tipo de rótulos que venham a sugerir.



Filho de dois ícones da teledramaturgia nacional (Janete Clair e Dias Gomes), o jovem  preferiu seguir outro viés para dar vazão ao seu talento. Com pouco mais de quatro décadas de estrada, Alfredo Dias Gomes iniciou a sua carreira profissional com pé direito ao lado de um mais relevantes e conceituados instrumentistas brasileiro de todos os tempos: Hermeto Pascoal. Ao lado do "bruxo", o baterista então com 18 anos, gravou o disco "Cérebro Magnético" e participou de inúmeros shows, com destaque para o "II Festival de Jazz de São Paulo" e o "Rio Monterrey Festival". Ao lado de nomes como Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie, Kid Abelha, Sérgio Dias e outros substanciou a sua arte nos mais distintos gêneros que compõem a música popular brasileira. Já dentre os nomes que compõe o cenário instrumental brasileiro, Alfredo atuou ao lado de conceituados nomes como é o caso de Arthur Maia, Nico Assumpção, Ricardo Silveira, Victor Biglione, Torcuato Mariano dentre outros. Sem contar os projetos pessoais como o grupo Heróis da Resistência, que ao lado Leoni, Jorge Shy e Lulu Marti foi responsável por sucessos do rock nacional dos anos de 1980 como "Dublê de Corpo", "Só Pro Meu Prazer", "O Que Eu Sempre Quis" entre outros. A ideia de lançar-se em carreira solo começou a permear sua cabeça ainda na década de 1980 quando em 1985 lançou o single "Serviço Secreto". No entanto, só a partir da década seguinte o músico percebeu que já era hora de alçar esse vôo. Deste seu primeiro projeto solo que contou com a participação especial do Ivan Lins até os dias de hoje já soma-se 11 álbuns, dentre os quais, "Solar", seu mais recente projeto e que reitera a abrangência de sua sonoridade.


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O disco abre com o baião "Viajante" (Alfredo Dias Gomes e Widor Santiago), faixa que faz jus ao nome ao imergir nos grotões que costuram a sonoridade brasileira. Composta em 1980, a canção foi feita sob encomenda da mãe, Janete Clair, para um personagem da novela "Coração Alado". Agora, depois de Dominguinhos a eternizar na trilha sonora televisiva, o autor a eterniza de modo instrumental. Na faixa é possível identificar da batida do maracatu às tradições musicais nordestinas, onde metais em consonância com outros instrumentos de sopro expõe toda a versatilidade que o título da canção sugere. Outra composição confeccionada para trilha sonora é “El Toreador”, feita em 1993 para a peça teatral de mesmo nome e que escrita por sua mãe, a canção traz como marca maior as influências hibéricas. A viagem segue com faixas como a que dá nome ao projeto e traz como relevante destaque o sax de Widor Santiago; composta em 7/4, “Solar” apresenta uma melodia caracterizada pela sonoridade que traduz a nossa música. Já "Corais" conflui com o sistema sensorial, onde a suavidade e a doçura permitem-se levar pela canção. O disco ainda apresenta faixas como “Trilhando”, “Smoky” e “Alta Tensão” e “Finale”, que é caracterizada pelo duo de bateria e sax em ritmo de samba. Apresentando em sua ficha técnica além de Alfredo Dias Gomes (Bateria, Teclados, composições e na produção), o nome de Widor Santiago que ficou responsável pelos sopros (Sax tenor, sax soprano e flauta), "Solar" foi gravado no próprio  estúdio do artista, no Rio de Janeiro e mixado por Thiago Kropf e masterizado por Alex Gordon no Abbey Road Studios. 11º disco solo, "Solar" sucede o bem sucedido “Jam”.

Assim sendo, "Solar" apenas reitera um talento que vem sendo lapidado ao longo das últimas quatro décadas a partir de distintas experiências vivenciadas por Alfredo Dias Gomes, um músico imbuído de talento e por que não podemos dizer também resiliência, uma vez que sua música não faz concessão mercadológica. Talvez o músico siga à risca um preceito daquele que enxergou o seu potencial ainda na mais tenra idade, daquele que sempre buscou fazer músicas para além dos adjetivos e que é autor dessa antológica resposta quando foi questionado a respeito de música e mercado fonográfico: “Se as gravadoras não levam meu trabalho para as rádios, se ele não toca em nenhum lugar, para que eu faço música? Não tive e nem vou ter nenhum retorno financeiro por minha obra, mas meu prazer, minha alegria, continua sendo tocar. Por isso, as minhas músicas eu quero mais é que sejam pirateadas. Quero mais é que as pessoas toquem, ouçam, a conheçam. E, pra mim, quem reclama da pirataria é quem faz música apenas para vender. Meu valor não são as notas [de dinheiro]. São as notas musicais”.


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