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domingo, 6 de setembro de 2020

TOM ZÉ INFLUIU NOS NOVOS BAIANOS DOS PRIMEIROS PASSOS À ESTREIA EM DISCO

Foi ele quem sugeriu que João Araújo, da RGE, escutasse a banda recém-chegada de Salvador

Por José Teles


Moraes Moreira, Tom Zé e músicos - FOTO: Reprodução Instagram @tomzeoficial
Leitura: 5min


Tom Zé, em seu isolamento, em Perdizes, em São Paulo, onde mora com sua mulher Neusa Martins, levou um susto quando lhe pedi pra contar como conheceu Moraes Moreira. Não sabia que o amigo que tinha falecido: “Que notícia. Nossa senhora”. Fez uma pausa, e relembrou como indicou Moraes Moreira a Luiz Galvão que procurava um parceiro para as suas letras, um episódio acontecido há 53 anos:

“Eu dava aula de violão no seminário de música da Baia, durante o tempo em que estudei lá até 1967, em 68 vim pra São Paulo. Lá por 63, 64, apareceu um rapaz comprido com uma roupa do interior, muito jovem, queria estudar violão. Aí eu disse a ele que aula de violão era muito caro, você não vai poder pagar. Naquela época só quem estudava era filho de judeu rico.

Ele me disse que era compositor, então pedi pra me mostrar umas músicas. Ele me mostrou meia dúzia de músicas, que nunca chegou a usar. Eram de principiante, mas dava para ver que ali que tinha um potencial de compositor. Eu disse tá bem vou lhe ensinar de graça. Como ele tinha um interesse verdadeiramente voraz, verdadeira gulodice de conhecimento, eu não ensinava harmonizando, ensinava a harmonizar. Um método que eu acabei fazendo com coisas da universidade e da música popular. Mas só dava uma aula por mês, porque, em vez de ele fazer aquilo como exercício, ia desenvolvera aula. Um aluno interessadíssimo. Em quatro meses acabei de ensinar a ele tudo o que eu sabia, e ele já tocava o que eu sabia mais do eu tocava”.

Em 1967, Galvão veio para Salvador e procurou Tom Zé a fim de fazer música. Tom estava indo para São Paulo, convocado pelos tropicalistas, mandou que Galvão procurasse Moraes Moreira na Pensão de dona Maritó. Os dois se encontraram na pensão, e o resto é uma das mais bonitas histórias da música popular brasileira

Eu já conhecia Galvão, que trabalhava num escritório, que ficava junto da loja do meu pai em irara. Ele me mostrava letras de músicas, eu achava interessante e incentivava. Um dia meu cunhado casado com a minha irmã Marita, que era engenheiro de frios, estudou na França foi trabalhar neste negócio de carne, que era de um grupo de gente muito rica e muito jovem. Ele passou a fazer parte deste grupo porque era o engenheiro. De vez em quando me pediam pra tocar na casa deles, eu ia com o violão. Uma casa aqui, uma casa acolá. Um dia na casa de um deles, encontrei praticamente os Novos Baianos, já com algumas músicas feitas, mais o Paulinho Boca a menina, Baby, aquela moça extraordinária, que tiraram daquela moda psicodélica, que morava debaixo da ponte em Piatã, ela já estava cantando com eles. Assisti a um espetáculo sensacional ali.

Carlos Imperial tirou eles da Bahia, largou eles lá sem pai nem mãe, acabe sabendo, aqui em são Paulo. João Araujo, pai do Cazuza, naquele tempo TV a brigado com as gravadoras do Rio, veio pra Mocambo/Rozenblit aqui em são Paulo, foi produtor CE discos meus. Falei com ele não quero me meter a indicador de coisas, só peço só que ouça esta banda Ele me atendeu, e quando foi na segunda feira os meninos estavam em são Paulo num hotel, levou eles a marcos lazaro, ficou num hotel aqui, que hospedava artistas. Engraçado que quando fui fazer o filmes deles, acabei pintando os canecos quando Moreira fez a entrevista do lançamento do filme eu fui pro Jô soares. Esta notícia foi uma coisa de doer o coração".

quinta-feira, 25 de maio de 2017

SHOW DOS NOVOS BAIANOS EM PORTO ALEGRE É CANCELADO

Grupo se apresentaria no Pepsi On Stage no dia 10 de junho


Foto: Caroline Borges / Agencia RBS 


Uma notícia triste para os fãs de Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Baby do Brasil, Luiz Galvão e Pepeu Gomes: o show do grupo Novos Baianos em Porto Alegre foi cancelado. A banda se apresentaria no dia 10 de junho no Pepsi On Stage.Advertisment. 

Segundo nota divulgada pela Opinião Produtora – responsável pela produção do show na Capital gaúcha – o cancelamento se deu em função de problemas "alheios à vontade" da produtora. De acordo com a nota, uma nova data para realização do show em Porto Alegre pode ser anunciada, mas "não há nada definido".

A produtora também divulgou informações sobre reembolso de valores para os fãs que já haviam adquirido ingressos. A devolução em dinheiro será realizada nos pontos venda físicos a partir do dia 26 de abril. 

Já ss compras efetuadas pelo portal Blue Ticket vão ter dois procedimentos diferentes: quem adquiriu o ingresso via cartão de crédito vai receber a devolução em forma de crédito na próxima fatura. O protocolo de cancelamento da conta será enviado por e-mail e disponibilizado no site. 

Para as compras pagas em boleto, o reembolso será feito por meio de depósito bancário. Para o recebimento do valor, é necessário informar a Central de Atendimento, pelo site da BlueTicket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra.

Confira a íntegra da nota sobre o cancelamento do show divulgada pela Opinião Produtora:

Por problemas alheios à nossa vontade, o show da banda Novos Baianos, que seria realizado dia 10 de junho no Pepsi on Stage, foi cancelado. A devolução do dinheiro estão sendo feita nos mesmos pontos de venda em que as entradas foram adquiridas antecipadamente. Para compras efetuadas pela Internet, pelo portal da Blue Ticket, os procedimentos serão:

Cartão de crédito: O reembolso total do valor do seu pedido é realizado diretamente junto à operadora do cartão e o valor será creditado na sua próxima fatura. O protocolo de cancelamento será enviado por e-mail e também vai estar disponível no cadastro do usuário, na opção Meus Chamados.

Boleto bancário: Para realização do reembolso via depósito, é necessário informar, através da Central de Atendimento da Blue Ticket, na página www.blueticket.com.br, os dados bancários (banco, agência e conta) e CPF do titular da compra para recebimento do valor.

A produção da banda e a Opinião Produtora lamentam o ocorrido e irão buscar uma nova data para a apresentação dos Novos Baianos em Porto Alegre. No entanto, ainda não há nada definido nesse sentido até o momento.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

APÓS SHOW EMOCIONANTE EM BH, NOVOS BAIANOS ANUNCIAM PRORROGAÇÃO DA TURNÊ


Apresentação aconteceu mês passado no BH Hall e reuniu quase 5 mil pessoas 

Por Ângela Faria e Helvécio Carlos



A banda Novos Baianos ajudou a mudar o rumo da MPB na década de 1970, separou-se em 1979, ensaiou a volta em 2000. Este ano, Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Dadi, Luiz Galvão e Jorginho Gomes finalmente subiram ao palco novamente. Cantaram em Salvador, Rio de Janeiro e em São Paulo.

A banda formada por Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Dadi e Luiz Galvão, levantou o público em BH (foto: Alexandre Guzanshe/E.M/D.A Press)

Em BH, em setembro, o gostinho – por incrível que pareça – foi de estreia. Afinal, a imensa maioria daquele público nunca havia assistido a um show deles ao vivo.

“Maravilhoso. O clima aqui é de Maracanã, de Mineirão”, comemorou Pepeu Gomes, na madrugada de ontem, depois de a banda ser ovacionada no BH Hall, com pista lotada e arquibancadas cheias. Faltou pouco para lotar os 5 mil lugares. Famílias inteiras foram ver a banda na “estreia”.

Fã da irreverência e da alegria dos Novos Baianos, Sérgio Guimarães, de 50 anos, estava lá com a mulher, Edna Cota, e os filhos Gustavo, de 21, e Júlia, de 17.

Pai e mãe eram garotos quando o grupo se separou, mas sempre ouviram Baby e companhia no rádio. Foram ao show por causa de Gustavo, estudante de letras. O rapaz diz que aquelas canções remetem à alegria, “ao bonito da vida”.

“Eles poetizam tudo: a abelhinha, os carneirinhos”, afirma Gustavo, chamando a atenção para a “psicodelia legítima” dos Novos Baianos. Hoje em dia, lembra, muitas bandas jovens “pagam de psicodelia”, mas isso não passa de pose. “E o Pepeu está alucinando na guitarra”, emenda.

Na fileira de baixo, Celia Quaresma, “idade a perder de vista, mãe e avó”, elogiava a “feminilidade lúdica” de Baby, comparando-a a libélulas e borboletas. As irmãs Santos – Lourdes, de 62; Ilka, de 57; e Leila, de 55 – compraram ingressos no primeiro lote. Só para ouvir Preta pretinha ao vivo.

A canção marcou as serenatas que Lourdes ganhou, lá nos anos 1970, quando três rapazes disputavam o seu coração. Ilka adora A menina dança. Leila deixou o marido em casa para curtir as “doidices” de Baby. “Agora ela está voltando para o nosso mundo. Em certa época, ficou muito radical, meio beata evangélica”, diz.

O repertório misturou hits do grupo – Preta pretinha, Mistério do planeta, Besta é tu, Acabou chorare e Tinindo trincando, entre outros – com antigos clássicos de Dorival Caymmi, João Gilberto, Ary Barroso, Assis Valente, Davi Nasser e Alcir Vermelho (mineiro de Muriaé). Moraes e Paulinho têm enfatizado que o projeto só vingou porque a juventude brasileira pediu.

E a moçada estava lá, feliz da vida, ao lado de fãs de cabelos brancos. Durante o show, o poeta Luiz Galvão, frágil devido ao diabetes, ficou sentado na mesa, escrevendo. Depois, foi ao centro do palco declamar seus versos. Pregou o amor, cercado pelos companheiros.

Em vários momentos, a plateia gritou “Fora Temer!”. Um deles, logo depois de Isto aqui, o que é?, o samba-exaltação do mineiro Ary Barroso, que fala do Brasil de iaiá “que não tem medo de fumaça/ E não se entrega não”. Antes da ovacionada Preta pretinha, Moraes anunciou:

“Agora é uma toada mineira”. Depois, contou que, certa vez, parte do palco do Teatro Francisco Nunes despencou durante um show. E Baby lá em cima, grávida, sã e salva...

Nas duas horas de show, cada um teve seu momento solo e a hora de brilhar em conjunto. A competência da banda – formada também por Didi Gomes e Gil Oliveira – toureou a acústica deficiente do BH Hall.

O cenário de Gringo Cardia, com uma velha Caravan no palco deu o toque da vida em comunidade e ajudou a iluminar a apresentação. O guitarrista Pepeu, com seus solos matadores, foi ovacionado várias vezes. Dadi, discreto lá no fundo do palco, é um gigante. A menina Baby, aos 64 anos, arrasou (mais uma vez) em Brasileirinho.

Como nem tudo é recessão neste país, boas-novas vêm aí: a turnê vai mesmo se prolongar até maio de 2017, CD e DVD estão nos planos (inclusive com novas canções) e Pepeu tirou da gaveta Sugesta geral, que não entrou no classico de 1972 Acabou chorare e quase ninguém conhece.

Aliás, que “chorare” nada. Baby e os rapazes, que enfrentaram a ditadura militar com alegria, irreverência e inteligência, estão aí, tinindo e trincando. Prontinhos para encarar o tsunami de baixo-astral que ameaça o Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro.


ROCK CONTRA A CARETICE

No festival Vaca Amarela, em Goiânia, no ano passado, o guitarrista Macloys Aquino cravou: “Não tenho dúvidas de que Salma Jô pode se tornar uma das melhores intérpretes e compositoras do país”.

A opinião pode soar suspeita, é claro, uma vez que, além de companheiros profissionais, Macloys e Salma são um casal. Da relação nasceu, há dois anos, a banda de indie rock Carne Doce, que conta ainda com João Victor Santana (guitarra), Aderson Maia (baixo) e Ricardo Machado (bateria).

Em 2014, eles chamaram a atenção com seu homônimo disco de estreia. Agora, buscam mais espaço na cena nacional – além de transcender o estigma às vezes reducionista de “rock goiano” – com Princesa, lançado recentemente.

Em junho, a banda foi a São Paulo, onde passou um mês dividindo teto e estúdio – o Red Bull Studio São Paulo – em um processo de imersão musical.

No novo disco, o Carne Doce amplia o tom político do trabalho de estreia, com foco maior na poesia de Salma, em composições que falam sobre sexo (Princesa), machismo (Falo), tirania (O pai, inspirada em Carta ao pai, de Kafka) e aborto (Artemísia).

“O nosso rock é muito careta, um reflexo da nossa sociedade. Tenho invejinha do pop americano”, opina Salma, afirmando que, quando vem de fora, as ousadias são aceitas, mas aqui “corre-se o risco de você ser rotulado como doidão rebelde.”

A letrista afirma que, ao escrever, previu reações e preconceitos, sobretudo por causa das músicas que têm um caráter feminista. Mas não se importa de esse aspecto “contaminar” as outras faixas e diz gostarde denunciar o machismo tão presente no país.

terça-feira, 10 de maio de 2016

DEPOIS DE 17 ANOS, NOVOS BAIANOS SE REÚNE NA FESTA DE ABERTURA DA CONCHA DO TCA

Estarão no palco, além de Paulinho, Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Dadi, todos da formação original

Por Roberto Midlej 



Segundo Paulinho Boca de Cantor, 69 anos, os Novos Baianos, no auge do sucesso da banda, nos anos 70, chegaram a levar oito mil pessoas à Concha Acústica do TCA, onde, oficialmente, cabiam seis mil. “Era como o Maracanã, onde diziam que cabiam 130 ou 140 mil, mas chegaram a botar 200 mil pessoas”, brinca o cantor. No show do dia 15, que marca a série de eventos que celebram a reabertura da Concha, os Novos Baianos não levarão oito mil pessoas, já que o controle hoje é mais rigoroso.

Mas, a julgar pela procura de ingressos, que se esgotaram em apenas duas horas, a euforia em torno da banda será a mesma. Cultuados principalmente por causa do disco Acabou Chorare (apontado pela revista Rolling Stone como o maior álbum brasileiro de todos os tempos), os Novos Baianos não se apresentam juntos há aproximadamente 20 anos e se reuniram especialmente para a ocasião.


Estarão no palco, além de Paulinho, Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Dadi, todos da formação original, o poeta Galvão, letrista da trupe, vai participar recitando algumas poesias novas e antigas de sua autoria. O repertório da apresentação será concentrado no Acabou Chorare, com clássicos como a canção homônima ao álbum, além de Mistério do Planeta e A Menina Dança.

Haverá também uma homenagem a João Gilberto, espécie de padrinho dos Novos Baianos. “Nosso som tem muito rock’n’roll também, mas a nossa brasilidade musical existe graças a João Gilberto. Ele que nos mostrou canções fundamentais pela primeira vez, como Brasil Pandeiro, de Assis Valente”, diz Paulinho.


Lembranças

Baby do Brasil, 63, reconhece que tem ligações afetivas com a Concha Acústica: “Fizemos grandes shows ali! E foi ali também que amamentei, entre uma música e outra, alguns filhos. E essa é uma recordação muito linda para mim!”.

Paulinho diz que os Novos Baianos foram para o Rio de Janeiro em 1969, mas continuaram a se apresentar com frequência no palco onde estarão novamente no dia 15: “Nossos shows na Concha, principalmente nos verões, eram ‘sagrados’”. O cantor recorda-se que a banda trazia, do Rio, seu próprio equipamento para aquelas apresentações: “Em 1976, aproveitamos e levamos aquele equipamento para um trio elétrico. Aquilo mudou o Carnaval baiano, porque antes, nos trio, tocavam apenas bandas instrumentais”.

Para Paulinho, a Concha tem um “astral” diferente, mas ele não sabe explicar a razão. “Todos os artistas adoram tocar ali, porque tem uma energia diferente. Uma vez vi João Gilberto, num show na Concha, dizer ‘ah, isso aqui tá tão bom que, se eu pudesse, montava uma cabaninha e vinha morar aqui’”, diverte-se Paulinho.

O músico diz que, quando recebeu o convite da Secretaria de Cultura do Estado para reunir os Novos Baianos, há cerca de seis meses, pensou que Baby poderia fazer a ponte entre os integrantes e convencê-los: “Ela é muito perseverante e, como mora no Rio, poderia fazer a ponte com Moraes e Pepeu. Além disso, tinha se apresentado com Pepeu no Rock in Rio, em setembro do ano passado”.

Baby fala sobre a última vez que os integrantes se juntaram: “Nosso último encontro havia sido na gravação do CD Infinito Circular (de 1999). Nesses preparativos para a Concha, temos nos encontrado para ensaios que chamamos carinhosamente de ‘ensaios espirituais’, com um jantar gostoso no final e muitas risadas e lembranças de momentos inesquecíveis”.

A princípio, todos logo aceitaram fazer o novo show, com exceção de Moraes, que manteve-se resistente por um tempo, como lembra Paulinho: “Ele tinha receio porque não queria que parecesse um negócio só pra ganhar dinheiro. Por isso, fizemos questão de reunir a turma original”.

E outras cidades também verão a histórica reunião, segundo Baby: “Será impossível conter essa alegria geral! Faremos mais shows para uma temporada de retribuição a todos por nos acompanhar e prestigiar todos esses anos”. Enquanto isso, os fãs baianos esperam por uma segunda apresentação. “Temos um compromisso com os fãs e vamos fazer mais um show em Salvador. Mas ainda não sabemos quando”, diz Paulinho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ACABOU O CHORARE: NOVOS BAIANOS VOLTAM AOS PALCOS APÓS HIATO DE 16 ANOS

Artistas se reuniram pela última vez em 1999




Novos Baianos no filme 'Filhos de João - Admirável Mundo Novo Baiano', do diretor Henrique Dantas


Após 16 anos, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Jorginho Gomes e Dadi Carvalho subirão ao palco, juntos, tinindo trincando para mais um show histórico dos Novos Baianos. O autor da façanha é o caso deles, Pedro Baby, filho de Pepeu e Baby, que se lança em carreira solo e vai dar esse presente aos fãs. A data da apresentação ainda não foi divulgada.

Na última edição do Rock in Rio, Pedro conseguiu reunir os pais em uma apresentação e despertou neles o desejo de participar do processo de iniciação musical do filho, que lança o Pedro Baby Vol. 1, seu primeiro álbum autoral. "Meus pais se sentiram na obrigação de participar e retribuir o que fiz por eles. Os ganhos musicais da reunião no Rock in Rio foram enormes, mas o maior ganho foi o familiar", disse o músico em entrevista à Epoca.

Novos Baianos foi uma banda que, como o próprio nome sugere, nasceu na Bahia e conquistou seu auge na década de 1970. Cruzando bossa nova, frevo, baião, afoxé e rock'n roll eles revolucionaram o cenário musical do país diretamente influenciados pelo movimento de contracultura e da tropicália. Seu segundo disco, Acabou Chorare, foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música brasileira, em 2007.


Fonte: Diário de Pernambuco

sábado, 16 de janeiro de 2016

PETISCOS DA MUSICARIA


OS MAIS IMPORTANTES CONJUNTOS MUSICAIS BRASILEIROS (III) – OS NOVOS BAIANOS




Os Novos Baianos



O que mais me impressionou ao ouvir e começar a colecionar os discos lançados pelos “Novos Baianos” no finzinho dos anos 1960, início dos 1970 foi a mixagem da guitarra mais eloquente daquele momento – Jimmy Hendrix, com o mais genuíno e brasileiro “Brasil Pandeiro”, do baiano, de Santo Amaro da Purificação, Assis Valente.

Músicas autorais de uma originalidade incomum, desconhecida mesmo aos ouvidos mais vanguardistas e uma gana quase irresponsável de lançar sons, um atrás do outro, com uma qualidade técnica e buscando uma novidade musical, que naquele momento tínhamos dificuldade de reencontrar.

Em algumas das três/quatro vezes que morei ou permaneci da Bahia, tinha como sonho me introduzir no grupo “d’Os Novos Baianos” e passar a viver aquela vida quase dadaísta, mas absolutamente ligada com o mundo da natureza e o mundo das grandes questões sociais e econômicas mundiais, bem como as mais prosaicas questões existenciais como revela a canção “Só se não fora brasileiro nessa hora”, de Moraes e Galvão, em que o “menino deixa a vida pela bola, só se não for brasileiro nessa hora”.

As letras dos Novos Baianos eram todas nossas, dos brasileiros, calados acuados, medrosos, mas ainda livres no pensamento mudo. Era a letra que atenuava os gritos de pavor e de dor dos ouvidos de verdade na fase mais dura da ditadura de 1964.

Brasil Pandeiro – música de Assis Valente – 1940:




Queria ser e muitos queríamos ser os Novos Baianos não só pela musicalidade extremadamente nacional, mesclando ou deglutindo todos os sons que nos chegavam das guitarras incendiadas do estrangeiro.



Queria ser um deles, porque viviam juntos, em comunidade, no “Sítio do Vovô” em Jacarepaguá, em vida coletiva, com afazeres designados ou aceitos por ofício. A comida, a roupa lavada, o sexo, as crianças, o convívio com a natureza, a liberdade – pelo menos aquela dali, daquele microcosmo.



Queríamos ser eles, porque jogavam futebol na hora do recreio, com todos jogando o “baba”, os bons e nem tanto pernas de pau, às vezes acompanhados por craques de fino trato e de cabeça avançada, com barba acintosa, como nosso “prezado amigo Afonsinho”.



E compor? Era a parte mais fácil!!! Não sei, mas era aquela que exigia uma concentração maior. No grupo dos músicos, Pepeu, o primeiro músico da banda, Baby Consuelo, cantora, Paulinho Boca de Cantor e os compositores cotidianos Moraes, que entrava ainda com voz e violão, e Galvão. Esse o núcleo original. Nas apresentações em palco, contavam com Dadi, no baixo, e Jorginho Gomes (irmão de Pepeu), na bateria.

Dos 9 (nove LPs) gravados, pelo menos dois são discos espetaculares: “Acabou Chorare” e “Novos Baianos F. C.”. Para quem não sabe, “Acabou Chorare” foi eleito pela revista ‘Rolling Stone’ como o melhor disco da história da música brasileira, em outubro de 2007.


Nas enciclopédias oficiais, os “Novos Baianos” são apresentados como conjunto musical brasileiro, originado na Bahia, ativo e no auge entre os anos de 1969 a 1979.

Marcaram a música popular e até o rock brasileiro dos anos 1970, utilizando-se de vários ritmos musicais brasileiros que vão da bossa-nova, frevo, baião, choro, afoxé, indo até o rock.

A Menina Dança – música de Moraes/Galvão – 1972


O grupo lançou vários trabalhos antológicos para a MPB. Influenciados pela contracultura e pela emergente “Tropicália”. Eram todos baianos, à exceção de Baby, que nasceu em Niterói-RJ, mas que adotou a Bahia no coração.



Seu som era produzido pela mescla da guitarra elétrica, baixo e bateria, com cavaquinho, chocalho, pandeiro a agogô.



Afonsinho, grande atleta e revolucionário do futebol e Galvão, letrista dos Novos Baianos


Onde entra João Gilberto

Não foi só de folia e caos que viveu o grupo. Os Novos Baianos também encontraram calma, reflexão e poesia em conversas João Gilberto, que Galvão conhecia desde a infância, quando ambos moravam em Juazeiro, na Bahia.

Além de influenciar diretamente na sonoridade celebrada de “Acabou Chorare”, o pai da bossa teve papel importante na própria criação do grupo.

“Em Juazeiro, eu já tinha mostrado alguns poemas para ele, que nem existem mais, foram perdidos. Ele dizia: ‘se você fizer isso no Rio e São Paulo, vai dar certo, as pessoas não pensam assim’. Quando fui dormir, pensei nisso que João Gilberto falou e escrevi para ele nos Estados Unidos: ‘estou indo fazer o que você falou, João’. E criou-se o Novos Baianos”, conta.


Espero que apreciem!

domingo, 9 de dezembro de 2012

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Dando encerramento a abordagem desta série em 2012 trazemos "Acabou Chorare", lançado a 40 anos e considerado o disco mais importante do século XX pela revista Rolling Stone Brasil.


Acabou Chorare é o segundo álbum de estúdio do grupo musical brasileiro Novos Baianos. O disco foi lançado como Long Play em 1972 pela gravadora Som Livre, após o relativo sucesso de É Ferro na Boneca (1970), que ainda procurava identidade. Adotando a guitarra expressiva de Jimi Hendrix e a brasilidade de Assis Valente, e sobretudo a influência estrondosa de João Gilberto, que também serviu de mentor do grupo na época da realização do disco, o grupo realizou uma obra que apresenta grande versatilidade de gêneros musicais.

Sua faixa de abertura, "Brasil Pandeiro", foi proposta por Gilberto e é um dos sambas, ao lado de "Recenseamento", que Valente havia escrito para a recém-chegada Carmem Miranda dos Estados Unidos; ela aceitou a segunda, mas ignorou a primeira, que ficou em ostracismo até a regravação dos Anjos do Inferno. O título do álbum e a faixa homônima também foram inspiradas no estilo de bossa nova de Gilberto e numa história contada por ele sobre sua filha com Miúcha, a então bebê Bebel Gilberto, e representa a proposta principal do disco de criticar a tristeza que então dominava a música popular brasileira com alegria, prazer e jocosidade. "Preta Pretinha", por sua vez, virou mania nacional, e "Besta é Tu" e "Tinindo Trincando" dominaram as rádios do país, esta última um belo exemplo da mistura de baião com rock psicodélico.

Mesmo 40 anos após seu lançamento, o álbum permanece como um dos mais importantes da música popular brasileira e também um dos mais influentes. Novas gerações de músicos, especialmente cantoras, como Vanessa da Mata, Marisa Monte, Céu, Roberta Sá, Mariana Aydar, beberam de sua fonte e, além de sua fama, gozou de amplo reconhecimento crítico.



Faixas:
01 - Brasil Pandeiro (Assis Valente) 3:58
02 - Preta Pretinha (Luiz Galvão - Moraes Moreira) 6:40
03 - Tinindo Trincando (L. Galvão - M. Moreira) 3:26
04 - Swing de Campo Grande (Paulinho Boca de Cantor - L. Galvão - M. Moreira) 3:10
05 - Acabou Chorare (L. Galvão - M. Moreira) 4:13
06 - Mistério do Planeta (L. Galvão - M. Moreira) 4:24
07 - A Menina Dança (L. Galvão - M. Moreira) 3:51
08 - Besta é Tu (L. Galvão - Pepeu Gomes - M. Moreira) 4:26
09 - Um Bilhete Pra Didi (Jorginho Gomes) 2:53
10 - Preta Pretinha (reprise) (L. Galvão - M. Moreira) 3:25


Ficha técnica
Baby Consuelo – vocal, percussão (maracas, triângulo e afoxé)
Paulinho Boca de Cantor – vocal, percussão (pandeiro)
Pepeu Gomes – guitarra elétrica, violão solo, craviola, arranjos
Moraes Moreira – vocal, violão base, arranjos
Dadi Carvalho – baixo elétrico
Jorginho Gomes – bateria, cavaquinho, bongo


Fonte: Wikipédia

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