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quarta-feira, 14 de março de 2018

CANTOR RAIMUNDO FAGNER FARÁ SHOW NO RECIFE

Apresentação conta com repertório de sucessos que o cearense acumulou em 50 anos de carreira


O lançamento mais recente do cearense é o álbum colaborativo com Zé Ramalho. 


O cantor e compositor Raimundo Fagner fará show no Recife em 12 de maio. A apresentação será realizada no Cabanga Iate Club, na Zona Sul da cidade, contando com um repertório repledo de sucessos que o músico acumulou durante seus 50 anos de carreira, incluindo títulos como Canteiros, Borbulhas de amor, Deslizes e Espumas ao vento. Os ingressos estão sendo vendidos na plataforma Ingresso Prime, por R$ 200, R$ 120 (social) e R$ 100 (meia). 

O lançamento mais recente do cearense é o álbum colaborativo com Zé Ramalho, o Fagner & Zé Ramalho ao vivo, gravado durante show realizado com o parceiro nordestino no Theatro Net Rio, em 2014. No mesmo ano, ela divulgou o álbum de estúdio Pássaros urbanos, encerrando a lista de novidades nesta década. Na década de 2000, seus discos lançados foram Fagner (2001), Raimundo Fagner & Zeca Baleiro (2003), Donos do Brasil (2004), Fortaleza (2007) e Uma canção no rádio (2009).

No ano passado, Fagner foi um dos artistas a fazer parte do álbum beneficente São João Nordestino, que teve o lucro de vendas revertido para a Creche Comunitária Nossa Senhora da Boa Viagem. Alceu Valença, Santanna, Irah Caldeira, Alcymar Monteiro, Almir Rouche e Fulô de Mandacaru foram alguns dos outros músicos do projeto, que apostou em músicas tradicionais das festas juninas, a exemplo de Asa Branca, Olha pro céu, Xote das meninas e Vem Morena.


Fonte: Diario de Pernambuco

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

FAGNER: PAULA LAVIGNE MENTIU SOBRE PEC DA MÚSICA

PEC da Música tramitava no Congresso Nacional havia mais de seis anos, até que foi promulgada no dia 15 de outubro de 2013




O cantor Fagner disse, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo na noite dessa segunda-feira, 22, que o grupo Procure Saber, liderado pela produtora Paula Lavigne, não teve participação na conquista da chamada PEC da Música, que deve fazer o preço dos CDs e DVDs cair por isentar de impostos a produção desses artigos. Em entrevista publicada no último dia 10, Paula disse que “nós do Procure Saber ajudamos a aprovar a PEC da Música, lei que isenta de impostos (os CDs e DVDs) na música brasileira.” A lei tramitava no Congresso Nacional havia mais de seis anos, até que foi promulgada no dia 15 de outubro de 2013.

Fagner falou de sua atuação em Brasília para a aprovação da PEC quando questionado sobre sua posição com relação aos ideais do grupo Procure Saber, liderado por Paula. “Eu queria dizer a você e aos ouvintes que no momento em que estava acontecendo o Procure Saber eu estava brigando pela PEC da Música. Isso foi uma luta muito grande. Eu fui facilitado pelas minhas amizades e minha relação com a política desde muitos anos, me orgulho demais disso.” Sobre a atuação de Paula para a aprovação da lei, reagiu: “Mentira, mentira dela, a imprensa disse que foi o Gil. Eles querem estar em todas. Deixe eles no ‘procure se informar’. Esse pessoal quer muitas coisas. Deixe eles lá, eles já não gostam de mim, mas eu ando por minhas próprias pernas, sigo meu caminho... Eles se acham, deixe eles se acharem”. A reportagem não obteve respostas de Paula Lavigne sobre as colocações de Fagner até às 20h dessa segunda-feira.

Fagner trabalha o lançamento de dois discos: Pássaros Urbanos, produzido por Michael Sullivan, e um projeto em CD e DVD gravado ao vivo com Zé Ramalho no final de julho, no teatro Net Rio. Ele falou também sobre o rápido desentendimento que teve com Zé Ramalho no dia da gravação: “No último dia (foram três ao todo), estávamos tocando as músicas do disco e a plateia estava na mão, já tínhamos tido um ótimo resultado. A plateia ficou pedindo outras músicas que não estavam no repertório e eu disse ‘Zé, vamos tocar outras para o público?’. Mas ele não estava preparado, ficou aborrecido e saiu do palco. Mas está tudo bem, ele é meu vizinho, estamos loucos para fazer este lançamento. Ele dá esse tilt mas depois se arrepende”.

Fonte: O Estadão

quinta-feira, 16 de maio de 2013

EM 2013, GRANDES NOMES DA MPB LEVARÃO AO PALCO DO TEATRO MUNICIPAL DISCOS EMBLEMÁTICO DE SUAS CARREIRAS AO LONGO DA VIRADA CULTURAL

Por Pedro Alexandre Sanches




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Em programação já tradicional da Virada Cultural, o Teatro Municipal abrigará neste ano sete artistas e uma banda reinterpretando álbuns clássicos de suas carreiras, num cardápio variado que inclui a revisão de discos dos anos 1970 de Angela Ro Ro, Eumir Deodato, Fagner, Jorge Mautner, Odair José, Som Imaginário, Walter Franco e Wanderléa.

A programação do Municipal começará às 18 horas do sábado (18), com uma apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal. Às 21 horas, começa a maratona dos álbuns, com o retorno de Manera Fru Fru, Manera (1973), de Fagner. A programação, como toda a Virada, é gratuita, mas está sujeita às peculiaridades do palco mais nobre da cidade. O espaço é sujeito a lotação, e os ingressos devem ser retirados antes de cada apresentação, no próprio Municipal. Prepare-se para inevitáveis filas.

Saiba abaixo um pouco sobre cada artista e álbum programados para a Virada 2013, na ordem cronológica das datas originais de edição.

1972 ...Maravilhosa.
…Maravilhosa (Polydor, 1972), Wanderléa – Produzido por Guilherme Araújo, empresário do grupo tropicalista, este disco marca a tentativa da artista mineira de dar um grito de libertação e se descolar da imagem de “ternurinha” da jovem guarda. O repertório começa e termina com duas típicas baladas iê-iê-iê, “Mata-Me Depressa” e “Tempo de Criança”. O recheio, ao contrário, é surpreendente. Começa com “Back in Bahia”, canção de volta do exílio do baiano Gilberto Gil. Apresenta o bardo carioca influenciador da tropicália Jorge Mautner (que estreava em LP próprio naquele mesmo ano), com “Quero Ser Locomotiva”, e o soulman baiano Hyldon (três anos antes de ele estourar com “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”), em “Vida Maneira” e “Deixa”. O disco e o show de tons tropicalistas (na foto acima, o folheto original do espetáculo, de 1973) se valem também da influência colossal da portuguesa-carioca Carmen Miranda, de cujo repertório Wanderléa reinterpreta as picarescas “Uva de Caminhão”, do baiano Assis Valente, e “Casaquinho de Tricot”. O show está previsto para as 9 horas de domingo.

1973 Deodato 2
Deodato 2 (CTI, 1973), Eumir Deodato – Talento precoce da segunda leva de bossa-novistas, o carioca Eumir Deodato estreou em disco aos 20 anos, com Inútil Paisagem (1964), um LP de versões instrumentais para temas de Tom Jobim. Nos anos seguintes, se notabilizou como arranjador de trabalhos de artistas como Marcos Valle, Milton Nascimento, Astrud Gilberto e Elis Regina. A bordo do prestígio internacional da bossa nova, mudou-se para os Estados Unidos e iniciou uma carreira bem-sucedida baseada em discos instrumentais de sabor hollywoodiano, retrofuturista. Deodato (1972) iniciou essa fase, tendo por carro-chefe era uma versão funkeada para “Also Sprach Zarathustra”, de Richard Strauss, que fora reutilizada quatro anos antes na saga espacial 2001: Uma Odisseia no Espaço, do cineasta Stanley Kubrick. Deodato 2 dá prosseguimento a essa rota funk-jazz-hollywoodiana, com composições próprias (como “Skyscrapers”) e versões futuristas para temas de Maurice Ravel (“Pavane for a Dead Princess”) e George Gershwin (“Rhapsody in Blue”). Domingo, às 15 horas.

1973 Manera Fru Fru, Manera
Manera Fru Fru, Manera (Philips, 1973), Fagner – Álbum de estreia do cearense Raimundo Fagner, inicia-se por uma versão áspera do conhecido tema de retirantes nordestinos “Último Pau-de-Arara” e segue abrasileirando o blues-rock sessentista “Born to Cry”, na versão em português, escrita por Erasmo Carlos e gravada por Roberto Carlos em 1965, no auge da explosão da jovem guarda. Ainda desconhecido, Fagner ganhava aqui legitimidade conferida pela deusa bossanovista capixaba Nara Leão, que cantava com ele a tradição campestre de “Penas do Tiê” e a contemporaneidade cearense de “Pé de Sonhos”. De futuros clássicos da obra de Fagner, estão aqui “Canteiros”, calcado em poema da carioca Cecília Meireles, e “Mucuripe”, composição nova em parceria com o conterrâneo Belchior, a essa altura já imortalizada pela versão da gaúcha Elis Regina um ano antes. Sábado, às 21 horas.

1973 Matança do Porco
Matança do Porco (Odeon, 1973), Som Imaginário – Integrado em diversas formações por músicos como os mineiros Wagner Tiso e Tavito, o carioca Zé Rodrix (já falecido) e o pernambucano Naná Vasconcelos, o Som Imaginário surgiu em 1970 como grupo de acompanhamento de shows do carioca-mineiro Milton Nascimento - e contribuiu, assim, para a formulação do som popularizado como “clube da esquina”. A seguir, a big band acompanhou shows de Gal Costa em 1971, na mítica fase em que a cantora baiana se tornou porta-voz, no Brasil, dos colegas tropicalistas exilados em Londres. Matança do Porco é o terceiro e derradeiro disco de gurpo do Som, e também o mais experimental. Contém temas instrumentais compostos por Tiso, como “Armina”, “Bolero” e “Mar Azul”. A faixa-título é uma suite de 11 minutos de duração, originalmente com vocalizações de Milton. Domingo, às 18 horas.

1974 Jorge Mautner
Jorge Mautner (Philips, 1974), Jorge Mautner – Esse é o segundo álbum de Mautner e o que contém a versão autoral de sua obra-prima, “Maracatu Atômico”, tornada sucesso um ano antes na voz de Gilberto Gil. O parceiro e conterrâneo Nelson Jacobina, morto no ano presente, é coautor de “Maracatu Atômico”, “Cinco Bombas Atômicas”, “Rock da TV”, “Herói das Estrelas”, “Nababo Ê”, “Salto no Escuro” e “Um Milhão de Pequenos Raios”. A veia hippie bem-humorada do pré-e-pós-tropicalista Mautner está exuberantemente exposta em temas como “Pipoca à Meia-Noite”, “Samba dos Animais”, “Guzzy Muzzy” e “O Relógio Quebrou”. “O relógio quebrou/ e o ponteiro parou/ em cima da meia-noite/ em cima do meio-dia/ tanto faz porque depois de um vem dois/ e vem três e vem quatro/ e eu fico olhando o rato/ saindo do buraco do meu quarto”, ele canta nessa última, em clave híbrida niilista, existencialista, hedonista. Pela banda de Mautner à época passaram músicos que ficariam conhecidos a seguir, como o paulista Guilherme Arantes e o carioca Roberto de Carvalho, futuro parceiro e marido da paulista Rita Lee. Domingo, às 12 horas.

1975 Revolver
Revolver (Continental, 1975), Walter Franco – Trata-se do segundo LP do experimentador pós-tropicalista paulista, e o primeiro depois da rumorosa estreia no Festival Internacional da Canção de 1972 e no célebre “disco da mosca” de 1973. Ainda experimental, mas composto de rocks e MPBs de melodias fortes (como o rock rascante de abertura, “Feito Gente”), o álbum revela no título a influência pop dos Beatles, enquanto se espalha por canções de sabor concretista como “Eternamente”, “Mamãe d’Água”, “Partir do Alto/ Animal Sentimental”, “Toque Frágil”, “Arte e Manha”, ”Cachorro Babucho” e ”Bumbo do Mundo”. Domingo, às 6 hora

1977 O Filho de José e Maria
O Filho de José e Maria (RCA Victor, 1977), Odair José – Se …Maravilhosa foi o grito de liberdade de Wanderléa, O Filho de José e Maria foi o de Odair, e ainda mais radical. O cantor e compositor popular goiano quis criar uma ópera-rock fundada na figura de Jesus Cristo, mas tratando-o de modo ora desconfiado, ora iconoclasta (a homossexualidade do personagem e o uso de drogas são insinuados de leve), ora adaptada à realidade dos anos 1970 (“O Casamento”, por exemplo, existe para questionar a validade daquela instituição, à época às voltas com a liberação ou não do divórcio). Virtuoso, o disco é acompanhado por músicos como Jaime Alem (futuro maestro de Maria Bethânia), o trio Azymuth, Hyldon e Robson Jorge, esses últimos responsáveis pela levada black de faixas como “Não Me Venda Grilos (Por Direito)”. Imaginado inicialmente como um álbum duplo, o trabalho foi retalhado pela Censura da ditadura – momentos mais picantes foram limados e voltaram, menos chamativos, no posterior Coisas Simples (1978), de que constam “Forma de Sentir” (uma canção explícita sobre homossexualidade, que termina decantando o “é proibido proibir” de 1968) e “Agora Sou Livre (O Divórcio)”. Sábado, às 24 horas.

1979 Angela Ro Ro
Angela Ro Ro (Polydor, 1979), Angela Ro Ro – O álbum de estreia da blues-MPB-roqueira carioca traz o petardo romântico “Amor, Meu Grande Amor”, seu maior sucesso popular, mas apenas uma entre 12 peças de altos teores de inspiração. O repertório 100% autoral inclui “Não Há Cabeça” (que a igualmente estreante Marina Lima lançou no mesmo ano), “Gota de Sangue”, “Balada da Arrasada”, “Tola Foi Você”, “Agito e Uso” (também gravada pelas Frenéticas), “Cheirando a Amor”, “Me Acalmo Danando”, “Minha Mãezinha”, “Abre o Coração” e “Mares da Espanha”. “Loucura é loucura, não me compreenda/ loucura é loucura, pior é a emenda/ loucura é loucura, não me repreenda, eu amei demais”, Angela canta em “Mares da Espanha”, clamando por liberdade. Não foi totalmente percebido a época, mas os adventos de Angela e Marina, somados à carreira a toda popa de Rita Lee, configuravam um levante feminino na música popular brasileira do início dos anos 1980, que ainda renderia muitos frutos. Domingo, às 3 horas.

Confira a programação completa clicando AQUI.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

DISCO DE ESTREIA DE OITO ARTISTAS DA MPB CHEGAM AOS 40 ANOS MANTENDO RELEVÂNCIA

Por Silvio Essinger


RIO - Houve quem virasse mito popular e quem sofresse com a pecha de maldito. Quem construísse frutífera carreira e quem tivesse que se contentar com uma discografia esparsa. Quem resistisse neste planeta e quem se fosse precocemente. Em comum: a criatividade irrefreável e o fato de terem lançado seus LPs de estreia em 1973. “Krig-ha, bandolo!” (Raul Seixas), “Secos e Molhados”, “Pérola Negra” (Luiz Melodia), “Manera fru fru, manera” (Fagner), “Eu quero é botar meu bloco na rua” (Sérgio Sampaio), “Ou não” (Walter Franco), “João Bosco” e “Luiz Gonzaga Jr.” chegam aos 40 em 2013 com uma cara de menos de 20. Diferentes em suas propostas, mas sempre questionando as fronteiras da música popular brasileira, esses discos seguem influenciando novas levas de músicos e suscitando a pergunta: afinal, como é que tanta gente boa apareceu assim, ao mesmo tempo?

— Havia um espírito libertário, uma necessidade de se expressar numa época em que nada era permitido. E a música tinha o poder de forçar os limites — explica Ney Matogrosso, então cantor dos Secos & Molhados, grupo que começou no undergound paulistano, vendeu 900 mil cópias de seu LP de estreia, pôs 25 mil pessoas no Maracanãzinho em fevereiro de 1974 e, pouco depois, encerrou sua era dourada com uma cisão motivada por disputas entre os integrantes.

— A gente via que ia chegar alguma coisa — conta o produtor Roberto Menescal, que em 1973 era diretor artístico da Phonogram/Philips e acabou cuidando pessoalmente dos talentos que a gravadora pescou para lançar em LP: Raul, Melodia, Fagner e Sérgio Sampaio. — Já tinham se passado movimentos como a bossa nova, a Jovem Guarda e a tropicália. E depois, sempre vêm aquelas pessoas que não se enquadram, mas que estão na onda de renovação. Eles vêm soltos, solitários, mas fortes.

Nem tão solitários assim. O baiano Raul e o capixaba Sérgio já tinham participado juntos, em 1971, do excêntrico LP “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez” e se destacaram, no ano seguinte, concorrendo em festivais com as músicas “Eu quero é botar meu bloco na rua” (Sérgio), “Let me sing, let me sing” e “Eu sou eu, Nicuri é o diabo” (ambas de Raul). Menescal estava de olho nos dois e os contratou para a Philips.

Sérgio foi o primeiro a estourar, com o compacto do “Bloco”, que vendeu 500 mil cópias. Seu LP, produzido por Raul, não chegou a ser um grande sucesso, mas deixou clássicos, entre o samba e o rock, como “Cala a boca, Zebedeu” e “Viajei de trem” (o disco deve ganhar um relançamento, remasterizado, da Universal Music, no segundo semestre). O LP do baiano, por sua vez, seguiu um caminho mais lento e acabou se tornando um dos discos mais conhecidos da música brasileira, com “Mosca na sopa”, “Metamorfose ambulante”, “Ouro de tolo” — sucessos de um artista que virou uma religião. Raul morreria em 1989 e Sérgio, em 1994.

A bordo das vozes de Gal Costa (“Pérola Negra”) e Elis Regina (“Mucuripe”) chegaram também à Philips, respectivamente, um carioca do Morro de São Carlos (Melodia) e um cearense de Orós (Fagner).

— Eu estava na hora certa, no lugar certo, com as pessoas certas — diz Melodia, atração do Teatro Net Rio nas próximas segunda e terça-feira, e artista cujas canções tinham chamado a atenção de nomes da intelectualidade como o jornalista Torquato Neto, o artista plástico Hélio Oiticica e o poeta Waly Salomão (que dirigia o show “Gal a todo vapor”).

— A gravadora queria que eu fosse bem lançado. E deixaram que eu fizesse o disco da minha maneira — revela Fagner, que teve Ivan Lins e Luiz Cláudio Ramos nos arranjos de “Manera fru, fru, manera”, disco que uniu rock, gêneros nordestinos e até um tanto de seresta, e que voltará às lojas este ano, em edição de luxo, remasterizada, incluindo a faixa “Canteiros”, que tinha sido banida de edições posteriores por questões com os herdeiros da poeta Cecília Meireles.

Se Raul Seixas era a mosca na sopa, o paulistano Walter Franco radicalizou, pondo uma mosca na capa de “Ou não”, exercício de vanguarda acústico que incluiu sua canção premiada em festival (a colagem de vozes “Cabeça”). O LP vendeu pouco, mas ganhou admiradores como Caetano e Arnaldo Antunes. Preparando-se para “botar o bloco na rua” em 2013, recuperado de um acidente vascular cerebral acontecido há poucos meses, Walter diz que hoje a censura estética talvez não permitisse que um artista estreasse com um disco como aquele:

— Ela é tão perigosa quanto aquela censura contra a qual nos colocamos na época. Ela age de maneira inconsciente.

Integrante da ala um pouco mais tradicional da MPB (como Gonzaguinha, que iniciou em 1973 uma série de LPs só interrompida por sua morte, em 1991), João Bosco também teve sua dose de vanguarda na estreia: o tropicalista Rogério Duprat (que, por sinal, produziu “Ou não”) dividiu os arranjos com o pianista Luís Eça.

— É um disco que parece ter dois lados, o das músicas com o Luizinho e as com o Duprat — conta João, que faz de quinta a sábado, no Teatro Rival, seu show de 40 anos de carreira.

Para a jornalista Ana Maria Bahiana, que acompanhou toda a movimentação de 1973, aquela era uma turma crescida sob a influência da MPB dos festivais e do rock, que tinha ganhado da Tropicália uma espécie de “licença para matar”.

— O que os unia era o desejo de fazer algo nos incrivelmente reprimidos, controlados, censurados anos 1970.

— Naquela época, era só deixar a porta aberta que os talentos chegavam — diz, saudoso, André Midani, então presidente da Phonogram, que pegou os grandes sucessos da leva, menos os Secos e Molhados. — Fiquei contrariadíssimo!

— Mandamos a nossa fita para todas as gravadoras — assegura Ney Matogrosso. — A Continental só nos contratou porque o (produtor da banda) Moracy do Val disse: se vocês não os contratarem, outra gravadora vai fazê-lo!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

LUIZ GONZAGA É CEM: HOMENAGEM DE RAIMUNDO FAGNER


Raimundo Fagner Cândido Lopes, nascido em Orós/CE em 13/10/1949, é cantor, compositor, instrumentista, ator e produtor. Desde criança mostrou-se interessado por música. Com apenas cinco anos de idade, tirou o primeiro lugar num concurso de cantores infantis em homenagem ao dia das mães, promovido pela Rádio Iracema de Fortaleza. Nos colégios onde estudou, formou grupos vocais e conjuntos de rock.

Em 1968, já tendo composto diversas músicas, participou do IV Festival de Música Popular do Ceará e tirou o primeiro lugar, com a composição "Nada sou", feita em parceria com Marcus Francisco. Em 1969, participou do Festival de Música Popular promovido pela Rádio Assunção Cearense, com a composição "Luzia do algodão", também em parceria com Marcus Francisco e que seria sua primeira composição gravada. 

Na mesma época, formou com Belchior, Rodger Rogério, Ednardo e Ricardo Bezerra o grupo chamado de "Pessoal do Ceará", que tomou parte num programa semanal na Rádio Ceará. Em 1971, mudou-se para Brasília, onde ingressou na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília. Desistiu, entretanto, logo no primeiro ano. No mesmo ano, participou do Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília, inscrevendo três obras. "Manera frufru manera", em parceria com Ricardo Bezerra, obteve o sexto lugar; "Cavalo ferro", ainda em parceria com Ricardo Bezerra, obteve o prêmio de melhor intérprete e também menção honrosa, e "Mucuripe", em parceria com Belchior, obteve o primeiro lugar. Suas músicas passaram a ser bastante executadas nos bares da Capital Federal e ele resolveu então mudar-se para o Rio de Janeiro. 



Na Cidade Maravilhosa, formou dupla com Cirino, com quem lançou um compacto simples, com as composições "Nova conquista", de sua autoria, e "Copa luz", de autoria de Cirino e Sérgio Costa. Em 1972, Elis Regina gravou "Mucuripe", que se tornou um grande sucesso, divulgando o nome de Fagner pelo país afora. No mesmo ano, participou da série "Disco de Bolso", lançada pelo jornal "Pasquim", gravando num dos lados do segundo compacto da série, a música "Mucuripe". No outro lado, Caetano Veloso aparecia com "A volta da Asa Branca". No mesmo período, gravou pela Philips um compacto duplo com as composições "Amém-amém", "Cavalo ferro", "Fim do mundo", parceria com Fausto Nilo, e "Quatro graus", em parceria com Dedé. Esta última seria apresentada no VII Festival Internacional da Canção, na TV Globo. Ainda no ano de 1972, gravou o LP "Manera Frufru Manera", pelo selo Philips. No álbum, que contou com a direção de produção de Paulinho Tapajós, constaram as seguintes músicas assinadas por Fagner: "Penas do Tiê" (adaptação); "Mito 1" (c/ Belchior); "Mucuripe" (c/ Belchior); "Como se fosse" (c/ Capinan); "Canteiros", (com letra de um poema de Cecília Meirelles);"Sina" (c/ Ricardo Bezerra); "Tambores" (c/ Ronaldo Bastos); "Serenou na madrugada" (adaptação) e "Manera Frufru Manera" (c/ Ricardo Bezerra). 

Em 1973, sua composição "Cavalo ferro" foi gravada no disco "Meu corpo, minha embalagem, tudo gasto na viagem", que reuniu o "Pessoal do Ceará", agora composto por Ednardo, Rodger Rogério, Teti e Cirino. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, "Manera frufu manera" pela Philips, onde interpretou, entre outras, as composições "Último pau-de-arara", de Venâncio, Corumba e J. Guimarães, "Mucuripe", dele e Belchior, e "Canteiros", sobre versos de Cecília Meirelles, que lhe renderia rumoroso processo da família da poetisa para retirar o disco de circulação, apesar do sucesso da composição. O disco contou com a participação do percussionista Naná Vasconcelos, de Ivan Lins no piano e da cantora Nara Leão, que interpretou "Penas do Tiê", do folclore nordestino. No mesmo período foi convidado para compor parte da trilha sonora do filme "Joana, a francesa", de Carlos Diégues. Os elogios recebidos no trabalho da trilha sonora do filme renderam-lhe convite para ir à França para trabalhar com o músico Pierre Barouh e com Naná Vasconcelos. Na viagem, conheceu Pedro Soler e Pepe de La Matrona. Na capital francesa, apresentou-se em espetáculo de músicos brasileiros no Teatro Olympia. 

Em 1975, lançou seu segundo disco, "Ave noturna", onde destacam-se as composições "Fracassos", que mais tarde seria gravada em dueto com o cantor Cauby Peixoto, "Ave noturna", em parceria com Cacá Diegues, do filme "Joana, a francesa", "Astro vagabundo", em parceria com Fausto Nilo, e "Riacho do navio", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, grande sucesso do Rei do Baião. Em 1976, lançou pela CBS o LP "Raimundo Fagner", no qual fez uma mistura de ritmos, indo do puro rock de "ABC", ao romantismo de "Conflito" e "Asa partida", esta em parceria com Abel Silva, e a música nordestina, presente em "Matinada". Fez ainda uma surpreendente regravação de "Sinal fechado", de Paulinho da Viola, já gravada de forma marcante por diversos intérpretes, conseguindo criar uma nova versão para um clássico da MPB. 

Em 1977, surpreendeu com um inusitado disco, "Orós", com arranjos e produção de Hermeto Pascoal, e que trazia músicas de grande elaboração, mas pouco aceitas pela mídia das rádios. A composição mais tocada do disco e que se tornou um enorme sucesso foi "Cebola cortada". Destacaram-se ainda "Orós" e "Flor da paisagem", de Fausto Nilo e Robertinho do Recife. No ano seguinte, lançou "Quem viver chorará", dedicado a seus pais José Fares e Dona Francisca, disco que fez com que estourasse definitivamente no mercado fonográfico. O disco destacou-se com diversos sucessos. "Revelação", de Clodô e Clésio, tocou sucessivamente em todas as rádios. Fizeram sucesso também as composições "Motivo", com letra do poema de Cecília Meirelles, "Jura secreta", de Sueli Costa e Abel Silva, e "Punhal de prata", que contou com a participação do cantor pernambucano Alceu Valença. Destacou-se, ainda, a regravação do samba "As rosas não falam", do compositor carioca Cartola. Por essa época, criou e dirigiu o selo Epic da gravadora CBS, destinado a lançar novos talentos, que lançou diversos artistas, entre os quais Amelinha, Terezinha de Jesus, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Robertinho do Recife, Petrúcio Maia e Manassés. Pela Epic foi lançado, pouco depois, o disco "Soro", no qual reuniu diversos poetas, músicos, compositores e cantores, que realizaram solos instrumentais, declamações e interpretações. Estiveram presentes, entre outros, Patativa do Assaré, Ferreira Gullar, Geraldo Azevedo, Fausto Nilo, Belchior, Nonato Luiz e Cirino.



Em 1979, lançou o LP "Beleza", que trazia a música "Noturno" grande sucesso que se tornou tema de abertura da novela "Coração alado", na TV Globo. O lançamento do disco foi realizado com grande êxito em show , no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, venceu o Festival 79 da TV Tupi, com a composição "Quem me levará sou eu", de Dominguinhos e Manduka. Em 1980, gravou "Raimundo Fagner", que marcou pela diversidade, onde gravou "Vaca Estrela e Boi Fubá", de Patativa do Assaré, e "Oh, my Love", de John Lennon e Yoko Ono, numa homenagem ao ex-Beatle, morto naquele ano. Fez grande sucesso com "Eternas ondas", a música mais executada do disco. 

Em 1981, lançou "Traduzir-se", arrojado trabalho lançado simultaneamente no Brasil e na Espanha. O disco, que foi dedicado a Glauber Rocha, contou com a participação de diversos artistas latinos, como Mercedes Sosa, que gravou "Años", de Pablo Milanês, Manzanita, Joan Manuel Serrat e Camaron de La Isla. Uma das composições mais executadas do disco foi "Fanatismo", com música de Fagner para poema de Florbela Espanca. No mesmo ano, participou do disco infantil "A Arca de Noé", com músicas de Vinicius de Moraes. No ano seguinte, foi lançado o LP "Fagner", que foi gravado no mesmo estúdio em que o músico inglês Jonh Lennon gravara seu último disco, o Hit Factory. No disco está presente outro poema de Florbela Espanca, "Fumo e tortura". Destacaram-se também "Qualquer música", que foi bastante executada nas rádios, e "Orós II", composição de João do Vale, especialmente dedicada a Fagner. A música "Pensamento", do mesmo disco, foi tema da novela "Final feliz", da TV Globo. No mesmo ano, produziu o disco "Homenagem a Picasso", com poemas do poeta espanhol Rafael Alberti, dedicados ao pintor. As melodias foram compostas por ele próprio, Paco de Lucia e Ricardo Pachón. 

No ano de 1983, foi feito o lançamento de um disco mais romântico, "Palavra de amor", que teve como maior sucesso "Guerreiro menino", de Luiz Gonzaga Jr. Destacou-se, também, a regravação de "Prelúdio para ninar gente grande", um clássico de Luiz Vieira. O disco contou ainda com as participações de Chico Buarque, cantando "Contigo", e do conjunto Roupa Nova, na composição "Palavra de amor", de Manassés e Fausto Nilo. Em 1984, gravou na Inglaterra o disco "Cartaz", que obteve boa repercussão, tendo apenas a composição "Cartaz" razoavelmente tocada nas rádios. 

Depois disso, Raimundo Fagner passou a ser muito cobrado pela parte mais exigente de seus fiéis fãs por misturar nos repertórios dos seus discos músicas de boa qualidade com outras de qualidade discutível. Dois exemplos dessa sua fase em que recebeu muitas críticas são as canções “Deslizes”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas (1987) e “Borbujas de Amor”, de Juan Luiz Guerra em versão do poeta Ferreira Gullar (1991). Mas é indiscutível que foi com essas breguices românticas que ele invadiu as rádios FM do país e se tornou popularíssimo. 

Nunca é demais lembrar que se aproveitando da amizade que tinha com o Rei do Baião e da admiração que Luiz Gonzaga tinha pelo artista Fagner, foi que conseguiu levá-lo para o estúdio em duas oportunidades: 1984 e 1987. Pois bem, esses dois LPs gravados que foram transformados em um único CD em 2001, trazem verdadeiras jóias do cancioneiro nordestino que haviam sido lançadas desde os anos 50 por Luiz Gonzaga. Algumas regravações são tão boas que se tornaram as versões definitivas para essas músicas.

Ninguém pode negar que Fagner sempre ficou muito à vontade cantando as músicas do Gonzagão. Eu não gosto de lembrar os clássicos de raízes nordestinas gravados pela dupla porque todos os têm na memória. Prefiro olhar para aquelas que ninguém nunca prestou muita atenção. E em uma dessas, o disco de 1984, trouxe uma omissão imperdoável. É que quando eles cantam a belíssima “Feira de Gado”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, emendam com “Aboio Apaixonado”, famosa música de Luiz Gonzaga (sem parceiros) gravada em 1956.

É com essas duas músicas que queremos lembrar essa parceria importante para a música brasileira. Dizem os mais entendidos que o aboio é uma forma de canto medieval trazida para o Brasil pelos primeiros portugueses que aqui chegaram. O aboio somente se firmou nos lugares chamados sertões. Sertão, gado e aboio estão para o sertanejo assim como rapadura e farinha.

sábado, 7 de novembro de 2009

FAGNER E O ROMANCE NO DESERTO

Rio de Janeiro, 14 de Novembro de 1987.

Com uma tiragem inicial de 200 mil exemplares, Raimundo Fagner lança o seu 14º elepê solo - ''ROMANCE NO DESERTO'' (BMG-Ariola, No. 140.0003) - retornando ao tema fundamental em sua carreira: o amor. Pleno e total.

Direção Artística: Miguel Plopschi;
Produção: Raimundo Fagner e Michael Sullivan;
Assistente Musical: Ivair Vila Real;
Apoio de Produção: Fausto Nilo;
Arregimentacão: Gilberto D'Avila.

As músicas:
Das dez faixas do disco apenas quatro têm a assinatura de Fagner e em parceria com Fausto Nilo: À Sombra de um Vulcão (uma indisfarçável homenagem a atriz Rita Hayworth - nunca houve uma mulher como Gilda - e ao diretor John Houston), Paraíso Proibido, Demônio Sonhador e Ansiedade, uma versão de Fagner e Fausto Nilo para Ansiedad, de José Enrique e Sarabia Rodrigues, imortalizada na voz de Nat King Cole. As demais são: Romance no Deserto - uma versão de Fausto Nilo para Romance en Durango, de Bob Dylan e Jacques Levy; Você Endoideceu Meu Coração, de Nando Cordel; Deslizes, de Michael Sullivan e Paulo Massadas; Chorar é Preciso, de Moraes Moreira; Incêndio, de Petrúcio Maia e Belchior; Preguiça, de Gonzaga Jr.
As músicas Você Endoideceu Meu Coração, Deslizes e Incêndio, são conhecidas do grande público através dos shows de Raimundo Fagner ao longo dos anos. Incêndio é a música mais antiga e já fazia parte do repertório desde 1974. Foi gravada anteriormente pela cantora Bimba em disco independente lançado em 1981.

Os músicos:
Lincoln Olivetti (teclados, bateria, arranjos e regências), Fernando Souza (contra-baixo), Robertinho de Recife (guitarras), Manassés (violas e cavaquinho), Leo Gandelman (sax soprano, alto e tenor soprano), Chiquinho (acordeon), Rildo Hora (gaita), Dino (violão 7 cordas), Fabiola, Solange, Nina, Regina Correa, Renata Moraes, Ronaldo Correa, Roberto Correa, Paulo Massadas, Júnior Mendes (vocais).
A princípio a crítica musical não gostou do disco. Principalmete do sucesso enorme que estava fazendo a música Deslizes em todas as rádios do País. Segundo o jornalista Maurício Kubrusly ''o sucesso é que nem tersol: dá e passa. O de Fagner já passou. E o disco novo, ''ROMANCE NO DESERTO'', sugere que o cantor tenta se amoldar à fase de romantismo brega que tomou conta das FM's do Brasil. Tanto que a faixa que mais se enquadra no gênero é Deslizes, exatamente aquela na qual ele exagera mais na interpretação. Adivinhe quem compôs essa canção... Claro! Michael Sullivan e Paulo Massadas.''
A crítica não gostou da inclusão da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, autores de Deslizes, no disco de Fagner. O crítico musical carioca Miguel de Almeida no artigo ''A Conspiração do Brega'', atacou ferozmente Fagner. Maurício Kubrusly, que um dia chamou Fagner de ''a maravilhosa voz de taquara rachada'', mudou a afirmação para ''Baladista de Fm''.
É até bom explicar que naquele momento, as emissoras de FM do País inteiro estavam apostando numa música mais suave e amorosa. Cantores como Rosana, Marquinhos Moura, Adriana, Fábio Jr., Sandra de Sá, nomes até então banidos da programação diária das FM’s, rotulados pejorativamente de bregas e relegados ao horário da madrugada (quando ninguém escuta) começaram a despontar no cenário nacional. Os ouvintes foram de extrema importância no processo, obrigando as rádios FM’s a mudarem as grades de programação e tocarem os cantores românticos, anteriormente acuados nas emissoras AM. Em cada 10 músicas solicitadas pelos ouvintes, 9 eram românticas e o mais importante: eram brasileiras. Assim, o rótulos de brega e romântico passaram a conviver mutualmente. Até cantores citados notadamente como membros da elite da MPB passaram a incluir coisas mais populares em seus repertórios.
Músicas como O Amor e o Poder, de Rosana, I Love You Baby, com Adriana e Solidão, com Sandra de Sá, tornaram-se as mais solicitadas e tocadas em rádios até então consideradas pop/rock.
Nos anos setenta, o próprio Fagner sentiu na pele o gostinho do preconceito. Na época, no auge do estouro da música Revelação, disseram que, como ele era da elite da MPB não podia tocar no rádio AM, só em FM. Com Deslizes aconteceu quase a mesma coisa. Acharam que a música era brega e muito popular para o rádio FM. Mas o sucesso de uma música, queiram ou não, quem determina é o povo. Ele é que tem o poder mágico de mudar as coisas ditas e postas.
Mas graças a Deslizes, Fagner fez as pazes com o sucesso e com as rádios. A música, uma das mais solicitadas, bateu todos os recordes do mercado, chegando a 700 dias de execução em todas as emissoras do País , fazendo o disco ''ROMANCE NO DESERTO'', 1º lugar de vendas da gravadora BMG/Ariola atingindo um milhão de exemplares vendidos.
O álbum ''ROMANCE NO DESERTO'' tornou-se um marco na carreira de Raimundo Fagner. Vendeu mais de um milhão de exemplares e teve músicas como À Sombra de Um Vulcão e Deslizes que permaneceram 700 dias entre as mais executadas em todas as rádios do País. No programa ''Fantástico'', do dia primeiro de janeiro de 1989, um júri de 150 pessoas escolheu Deslizes em sexto lugar, entre as 10 melhores músicas do ano de 1988.
O sucesso do disco rendeu o especial ''Raimundo Fagner - Romance no Deserto'', exibido pela Rede Manchete de Televisão no dia 26 de outubro de 1989. No repertório do especial os seus grandes sucessos como Canteiros, As Rosas Não Falam, Revelação, À Sombra de um Vulcão e é claro, Deslizes; e músicas do disco ''O QUINZE'' como Amor Escondido, Desfez e Mim e Retrovisor..

FAGNER - ROMANCE NO DESERTO (1987)

Faixas:
01 - À sombra de um vulcão (Fausto Nilo - Fagner)
02 - Incêndio (Petrúcio Maia - Belchior)
03 - Ansiedade (Ansiedad de besarte) (Enrique - Rodrigues - Vrs. Fausto Nilo)
04 - Paraíso proibido (Fausto Nilo - Fagner)
05 - Preguiça (Gonzaguinha)
06 - Romance no deserto (Romance en Durango)(Bob Dylan - J.Levy - Vrs. Fausto Nilo)
07 - Você endoideceu meu coração (Nando Cordel)
08 - Deslizes (Paulo Massadas - Michael Sullivan)
09 - Demônio sonhador (Fausto Nilo - Fagner)
10 - Chorar é preciso (Moraes Moreira)
11 - Dona da minha cabeça (Fausto Nilo - Geraldo Azevedo)
12 - Lua do Leblon (Lisieux Costa - Fausto Nilo)
13 - Rainha da vida (Ferreira Gullar - Fagner)
14 - Sabiá (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)

sábado, 17 de outubro de 2009

UMA CANÇÃO NO RÁDIO, NOVO ÁLBUM DO FAGNER

Neste ano em que completa 60 anos de vida e quase 40 de carreira, Raimundo Fagner lança um CD em que confirma sua capacidade de renovação e de estar sempre antenado com o que acontece à sua volta. Com produção em parceria com Clemente Magalhães - jovem e talentoso produtor carioca - Fagner mostra em “Uma canção no Rádio” uma de suas principais características que é lançar novos compositores, em especial seus conterrâneos. Seria difícil alguém fora do estado nordestino ouvir falar em Oliveira do Ceará, mas hoje ele já é um nome nacional. Com 3 canções de autoria do compositor cearense – uma delas com a intervenção de Gabriel, o Pensador – Fagner registra a obra desse ótimo compositor, assim como fez antes com o poeta Francisco Carvalho.

Com uma banda inteiramente nova ( mas com a participação de Ítalo Almeida em duas faixas e de Tuco Marcondes em outra) , o novo disco traz uma sonoridade diferente e moderna ao trabalho de Fagner, ao mesmo tempo em que ele continua a resgatar belos trabalhos nordestinos como por exemplo a deliciosa “Flor do Mamulengo”, de Luiz Fidélis, gravada originalmente por Abdoral Jamacaru, o excelente compositor do Cariri.

Um outro momento muito especial do novo CD é a muito bem vinda parceria com o genial Chico César – Farinha Comer – O nome ficou meio estranho, deveria ter permanecido com o nome original que era “Casa de Farinha”, mas nada que tire o brilho da letra maravilhosa e que permite várias interpretações. Um belo registro e que venham novas parcerias.

Mais uma vez (que bom!) Zeca Baleiro está presente em um trabalho de Fagner e a faixa título do disco “Uma canção no Rádio” tem um refrão que tem tudo para ser o que chamam de “chiclete mental” , você aprende e aquilo gruda no seu ouvido que você repete instantaneamente. É o caso de “Tudo se desfaz, vida leva e traz/Fica só o pó da estrada/Que o céu me roube a luz/ Mas me reste a voz /Na noite calada” .

Outra que tem muita chance de pegar, se tocar na rádio, é “Me dá meu coração” de Accioly Neto. Nos shows ela tem uma boa resposta do público, que já sabe o refrão também.

Fagner acertou em cheio com o seu novo CD (apesar de eu não ter entendido o porque de incluir “Muito amor”, já gravada anteriormente). Mesmo sendo no formato digi-pack - a embalagem econômica mais usada atualmente - o disco tem um belo trabalho gráfico, com caixa, encarte e abrindo em três partes. Ponto para o grande Fagner que comemora em plena forma seus 60 anos de vida e outros tantos de uma carreira contínua, coerente e acima de tudo de muito sucesso junto ao seu público fiel e também com os novos fãs que ele conquista a cada dia.


RAIMUNDO FAGNER – UMA CANÇÃO NO RÁDIO (2009)

Faixas:
01 - Muito amor (São Beto)
02 - Regra do amor (Oliveira do Ceará)
03 - Sonetos (Domer)
04 - Uma canção no rádio (Filme antigo) (Fagner/Zeca Baleiro)
05 - Martelo (Oliveira do Ceará/Adamor/Gabriel, o Pensador)
06 - Me dá meu coração (Accioly Neto)
07 - Flor do mamulengo (Luiz Fidélis)
08 - Farinha comer (Fagner/Chico César)
09 - Amor infinito (Oliveira do Ceará)
10 - A voz do silêncio (Fagner/Fausto Nilo)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

DO CONTRA?

Um cantor em luta contra o estado de acomodação geral dos medalhões da MPB. É assim que se define Fagner, que no mês de outubro desse ano comemorou no Canecão 35 anos de carreira, com o DVD Raimundo Fagner ao vivo (que traz um show feito em 2000 em sua terra natal, Fortaleza, já lançado em CD duplo naquela época). O cantor afirma que o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, assim como vários outros artistas, nunca se preocupou com assuntos como a pirataria de CDs e a chamada PEC da Música – a proposta de emenda à constituição que concede imunidade tributária a CDs e DVDs, e que poderá fazer com que o preço dos produtos caia em até 40% – porque nunca vendeu discos. Durante a semana, Fagner foi à Festa Nacional da Música em Canela (RS) para debater mais sobre o assunto, que tem mobilizado um pequeno grupo de artistas, gente como Leoni e Sandra de Sá (“dois guerreiros”, diz ele). – Gil sempre teve aquele complô dele com a Warner, com o André Midani (ex-presidente da filial brasileira da multinacional), que ninguém entende – reclama. – Não sei quem é laranja de quem ali, porque o Gil faz o que quer na gravadora. E esse André Midani também é outro que fica aí defendendo rádio-pirata (referência a entrevista recente do executivo, que comentou que “rádios comunitárias são a mídia do futuro”). Dizendo não conhecer o trabalho do novo ministro, Juca Ferreira, Fagner afirma que foi um erro Gil ter aceitado o cargo. – O ministério acabou sendo uma nódoa na biografia dele. Eu o respeito muito como artista e nem quero criticá-lo, mas ele perdeu credibilidade e não precisava disso. Ele menosprezou uma série de ações que eu e nomes como o Carlos de Andrade (presidente da Associação Brasileira de Música Independente) fizemos com relação à PEC – afirma o cantor. – Se Gil se meteu no ministério, mesmo sabendo que ia ganhar R$ 8 mil e que ia ter que aumentar o percentual da cultura, e ficou tanto tempo, é porque estava gostando. O cantor, que desfruta de grande popularidade, se diz “eleito pelo povo”, já que vendeu muitos discos durante a carreira e seus shows, mesmo nos maiores momentos de crise, sempre estiveram lotados. Hoje, com crise geral no mercado fonográfico, o cantor afirma que, ainda que a fama sempre tenha lhe sorrido, sua solidão diante de determinadas causas é eterna. Fagner se declarou contra o desarmamento durante a campanha para o referendo de 2005, sendo bastante criticado por colegas. E vem cobrando, ultimamente, mais mobilidade da classe artística em relação às suas causas. – Mas não vou ficar conscientizando medalhão que não se preocupa com a própria carreira. Hoje, nós, artistas, estamos todos no mesmo Titanic. E o meio da MPB sempre foi cheio de egos, de panelinhas de intelectuais, de gente que quer aparecer em coluna social. Só que vai saber se virar melhor quem tem mais mobilidade, quem entende mais o que está acontecendo. – garante. - Falo o que ninguém tem coragem de falar. Todos têm medo de diretor de gravadora, diretor da Globo, e nunca fui escravo dessa gente. Apesar das críticas que sempre disparou às gravadoras e ao meio artístico, Fagner teve uma carreira regular dentro do meio fonográfico. Após discos nas gravadoras Philips (hoje Universal) e Continental (hoje Warner), passou quase 20 anos ligado às gravadoras CBS e RCA – que, hoje, juntas, atendem pelo nome de Sony BMG.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

DICAS DA MUSICARIA

Fagner - Uma Noite Demais ao vivo no Japão [1993]
Em 1994, Raimundo Fagner realizou o sonho de lançar um disco ao vivo. Infelizmente o público brasileiro sequer tomou conhecimento da existência do álbum ''UMA NOITE DEMAIS - FAGNER AO VIVO NO JAPÃO'' (BMG, No. 74321-18341-2), gravado em outubro de 1993, na casa ''Super Bacana'', em Tokyo. Acompanhado apenas de violão e com a participação de Roberto Menescal, como o titulo sugere, Fagner fez um disco dedicado exclusivamente ao mercado exterior e aos muitos fãs espalhados pelo mundo. O disco marcou também a despedida do jogador Zico dos campos japoneses de futebol. A ordem das músicas no CD é a seguinte: Trem de Ferro, Penas do Tiê, Guerreiro Menino, As Rosas Não Falam, Revelação, Da Cor do Pecado, Eu Sei Que Vou Te Amar, Manhã de Carnaval, Canteiros, Deslizes, Borbulhas de Amor, Último Pau-de-Arara e Asa Branca. O disco nunca foi lançado no Brasil. No dia 15 de janeiro de 1994, um sábado, ás dez da noite, a TV japonesa (Space Shower TV) exibiu o especial ''Uma Noite Demais'' com os melhores momentos do show.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DISCOS RAROS

Esse novo quadro aqui do blog procurará mostrar compactos que poucos conhecem dos artistas nacionais. As gravadoras tinham por cautela em décadas passadas lançar primeiro o compacto do artista para atestar a aceitação do público. Foi assim com muitos nomes de nossa MPB. Para começar irei publicar o primeiro disco do Fagner (em dupla com o Cirino) em 1971.


CIRINO E FAGNER
Gravadora: RGE (Nº 70.482)
Lançamento: 1971 (compacto simples)

A Nova Conquista (Raimundo Fagner/Ricardo Bezerra)
Copa Luz (Cirino/Sérgio Costa)

O primeiro compacto simples de Raimundo Fagner (gravado em parceria com o Wilson Cirino, outro cearense entregue à sorte na cidade grande), lançado pela gravadora RGE, em novembro de 1971, passou despercebido do grande público.
No compacto (RGE, Nº 70.482) produzido por Nestor e Antonieta Bérgamo, estão as músicas A Nova Conquista (de Fagner e Ricardo Bezerra) e Copa Luz (de Cirino e Sérgio Costa). A idéia dos produtores era criar uma dupla que pudesse competir e/ou ultrapassar o sucesso alcançado por Antônio Carlos e Jocafi, tanto que as duas composições gravadas são ''sambinhas'', bem no estilo das músicas lançadas no início da década pela dupla baiana. O que tudo indica é que não houve interesse da RGE em gravar a música Mucuripe, que na época já era bem conhecida através de Elis Regina que a cantava nos shows. O certo é que houve uma certa coação da gravadora RGE do tipo: ''ou você, Fagner, grava o que nós queremos ou então não grava nada aqui.''
Raimundo Fagner estava consciente da importância deste primeiro disco. Sabia o quanto tinha sido árduo chegar até ali. Tivera sorte. Não é para qualquer um chegar no Rio de Janeiro, e em pouco meses gravar um disco. Era o início de tudo. E desistir, com certeza, não estava em seus planos. A confirmação estava na dedicatória do compacto aos seus pais:

''Alô, Alô família! Eis a primeira tocada. Daqui prá frente é mais fácil. Este até que deu um durinho, mas agora vai ser melhor. Um abraço em todos: Papai, mamãe, Marta, Fares, Neta, Neto, Taizinha, Veline, Maroísa, na vizinhança familiar, etc...''
Raimundo Fagner, Rio,29/11/71

quarta-feira, 14 de maio de 2008

PALAVRAS E SILÊNCIOS COM FAGNER E BALEIRO

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