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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

ASA BRANCA? XOTE DAS MENINAS? QUAIS AS MAIS TOCADAS DE LUIZ GONZAGA?

Não tem pra ninguém. Quando o assunto é festa junina – e sua trilha regada a baiões e forrós –, o compositor mais executado Brasil afora é Luiz Gonzaga (1912-1974). Segundo o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), o Rei do Baião lidera a arrecadação em direitos autorais durantes as celebrações de Santo Antônio, São Pedro e, acima de tudo, São João. Duas músicas de sua autoria sobressaem entre as mais tocadas – mas nada de Asa Branca, nem Xote das Meninas.

Por André Cintra


Segundo o Ecad, Gonzagão é o artista que mais arrecada em direitos autorais no segmento "festa junina"
A canção gonzagueana que mais embala as quadrilhas é, sim, Olha pro Céu – “Olha pro céu, meu amor / Vê como ele está lindo / Olha praquele balão multicor / Como no céu vai sumindo”. Composta por Gonzagão, em parceria com José Fernandes de Carvalho, a letra é ambientada, não por acaso, num dia – ou melhor, numa noite – de São João, o santo cristão celebrado em 24 de junho: “Foi numa noite igual a esta / Que tu me deste o coração / O céu estava assim em festa / Pois era noite de São João”.
A segunda música mais pedida de Luiz Gonzaga n tampouco é óbvia. Trata-se de Pagode Russo, que de pagode não tem nada, pois é um autêntico, adorável e divertido forró. “Ontem eu sonhei que estava em Moscou / Dançando pagode russo na boate Kossacou”, diz a composição de João Silva e Gonzagão. Durante a Copa do Mundo de 2018, realizada na Rússia, viralizou uma paródia que associava imagens das encenações de Neymar a um dos versos de Pagode Russo – “Parecia até um frevo naquele cai e não cai”.


Ouça a música Olha pro Céu (Gonzagão/José Fernandes de Carvalho)
 

A terceira nessa lista, enfim, é Asa Branca, a melancólica obra-prima da dupla Humberto Teixeira e Gonzagão – aquela que, quando “a chuva cair de novo”, sonha em ver “o verde dos teus olhos / se espalhar na plantação”. Na sequência, há duas músicas de Luiz Gonzaga e Zé Dantas – São João na Roça (outra com cara de quadrilha) e Xote das Meninas (com os célebres versos “ela só quer, só pensa em namorar”).

Morto há 30 anos, em 2 de agosto de 1989, Luiz Gonzaga lidera desde 2008 uma lista de cerca de 5 mil artistas (compositores, intérpretes, músicos, músicos, editores e produtores fonográficos) que, juntos, geram mais de R$ 2 milhões em direitos autorais no segmento “festa junina”. De acordo com o Ecad, essa categoria abrange as músicas executadas nos festejos populares em locais como praças públicas, escolas e igrejas, do fim de maio ao início de agosto.


Ouça a música Pagode Russo (João Silva/Gonzagão)


No ranking de artistas já mortos que mais arrecadam do Ecad ao longo do ano, Luiz Gonzaga é o sexto, atrás de Vinícius de Moraes (5º), Renato Russo (4º), Gonzaguinha, seu filho (3º), Tim Maia (2º) e Tom Jobim (1º). O generoso espólio de Luiz Gonzaga está a cargo de sua filha e herdeira, Rosinha Gonzaga. Já suas músicas estão à disposição de todos os amantes do cancioneiro brasileiro.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

30 ANOS SEM LUIZ GONZAGA, O ARTISTA QUE FAZIA POLÍTICA COM A SANFONA

Há 30 anos, o Brasil perdeu o Rei do Baião. Pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga morreu em 2 de agosto de 1989, aos 76 anos. Era um artista solto nos palcos – mas não tão à vontade com jornalistas. Dava poucas entrevistas. Numa delas, talvez um de seus últimos depoimentos à imprensa, conversou com o jornal O Globo no final de junho de 1985 – a entrevista foi publicada no dia 31.


"O forró representa uma outra cultura que não interessa ao Rio", lamentava-se Luiz Gonzaga

A conversa ocorreu depois de um show no Pavilhão de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, local hoje chamado de Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga. Seis grupos já tinham se apresentado no sábado quando Tito Santos, um dos mestres de cerimônia da noite, chamou ao palco do Pavilhão de São Cristóvão o homenageado especial do Forró in Rio: "Com vocês, o Rei do forró, Luiz Gonzaga".

Sob os aplausos delirantes, entrou em cena o mais famoso sanfoneiro do Brasil. Calça vermelha, camisa branca, capa de couro e chapéu de nordestino, Luiz Gonzaga avisou que não estava muito bom: uma bronquite e uma "lombeira" causada pela viagem que acabara de fazer de volta do Pará, para onde tinha ido na véspera.

Mas, aos primeiros acordes de sua sanfona prateada, a plateia foi tomada pelo ritmo marcado do forró de Luiz Gonzaga. Ninguém se importava com a voz rouca e cansada do sanfoneiro, nem com as falhas na acústica do Pavilhão. Mesmo sentado em seu banquinho ("Eu sou um velhote e já não aguento ficar de pé durante todo o show"), e cercado pelo balé das "Forró girls", Gonzagão se destacava e abraçava com sua música todo o Pavilhão. 

Minutos antes de contagiar toda a plateia, Luiz Gonzaga falou de seu papel político no Brasil, de suas esperanças na Nova República, de sua preocupação com o Nordeste e da pouca atenção que os grandes centros dão aos sanfoneiros e à música dos "matutos" que cantam a realidade do Brasil Rural. “Meu trabalho é político”, declarou. “Como sanfoneiro, faço política com minha sanfona. Minhas músicas são protestos e advertências para que os governantes olhem para o Nordeste.”

Estávamos saindo da ditadura. Gonzagão nutria esperanças com o governo Sarney, mas viveria apenas os primeiros quatro anos da redemocratização. Não teve tempo de ver o ciclo progressista (2003-2016) que priorizou justamente sua região.

Confira abaixo trechos da entrevista:
O Globo: Como se sente o rei do forró em mais um show para angariar fundos para o Nordeste? Luiz Gonzaga: Estou aqui no Forró in Rio como um profissional. Não me sinto inteirado dessa causa porque não participei dessa promoção e não conheço as pessoas que estão promovendo este show. Faço votos que colha bons resultados. Mas, depois de 40 anos encabeçando movimentos pelo Nordeste e de tantas decepções ao perceber que os resultados nunca chegavam lá, não quero me envolver mais nesse tipo de promoções. Já sofri muito com isso e agora resolvi trabalhar pelo nordestino lá mesmo, no Nordeste. Isso não significa que eu esteja duvidando das intenções desse Forró in Rio.

O Globo: Descartadas as festas beneficentes como forma de ajudar os nordestinos carentes, em que se resume seu trabalho em favor de seus conterrâneos?LG: Meu trabalho é político. Como sanfoneiro, faço política com minha sanfona. Minhas músicas são protestos e advertências para que os governantes olhem para o Nordeste. É preciso que o Brasil tenha consciência do que é o sertão. Através da música, nós, os sanfoneiros, tentamos falar dos problemas da nossa terra e das carências da nossa gente.

O Globo: O senhor tem esperanças de que a Nova República modifique esse quadro? LG: Estou muito confiante no governo do Presidente Sarney. Ele, pelo menos, já nos deu um bom sinal de que está preocupado com os problemas do Nordeste e de seu povo, ao anunciar a aplicação de Cr$ 3 trilhões para recuperar a economia e restaurar as áreas nordestinas devastadas pelas enchentes. Acho que neste governo o Nordeste finalmente vai ter vez.

O Globo: E a cultura nordestina, vai conseguir sair de sua terra natal e ganhar os grandes centros? LG: Duvido muito. Acho muito difícil mudar isso. O forrozeiro e o sanfoneiro no Brasil são profissionais sem oportunidade de trabalho. Nós nos sentimos marginais porque os grandes centros como o Rio, por exemplo, não têm identificação com a nossa cultura rural, matuta, de roça. Com isso, nossa música raramente é tocada nas rádios cariocas. 

Mas, por outro lado, os sanfoneiros também são perseguidos no Nordeste porque lá só são valorizados os que tiveram sucesso nos centros. O cara da terra, que fica lá, acaba desprestigiado, porque "se fosse bom, estava nas capitais". Como, para fazer sucesso no Nordeste, tem que ter uma temporada de sucesso aqui, e como aqui ninguém dá vez à cultura dos nordestinos, os pobres dos sanfoneiros ficam no meio do mundo sofrendo. 

Eu, que sou um sanfoneiro bem-sucedido, não posso contar com os grandes centros. Se você reparar, aqui no Rio só deve ter uns dois forrós, e mesmo assim só na periferia, porque os do Centro da cidade são perfumaria, fachada pura. Você veja só uma coisa: eu sou o criador da música Asa Branca, não sou? Pois bem, aqui no Rio tem uma casa com esse nome, uma gafieira, e eu nunca fui convidado a cantar lá. É uma casa de luxo, com orquestra boa e tudo. Mas forró não tem. 

O forró representa uma outra cultura que não interessa ao Rio. Agora, por exemplo, que é mês de festa junina, de música caipira, eu já estou com 20 contratos fechados lá na minha terra, mas aqui não me foi oferecido nenhum. Os meus discos de ouro, quem me dá é o Nordeste. Enquanto eu vendo 100 mil discos em Pernambuco, aqui no Rio a faixa de vendagem cai para 10 mil, 20 mil

O Globo: O senhor acha que o recém-criado Ministério da Cultura, embora ainda sem programa, poderia impulsionar a cultura nordestina no sentido de criar uma estratégia que dê mais espaço para ela nos grandes centros? LG: Sem dúvida, acho que o Ministério da Cultura poderia resolver esse problema de discriminação cultural contra o Nordeste. Mas, infelizmente não creio que a ideia do ministério vá vingar. Acho que vamos ficar mesmo é com uma secretaria e, aí a autonomia do titular vai ser bem menor.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

30 ANOS SEM LUIZ GONZAGA: LEGADO DO REI DO BAIÃO PERMANECE VIVO CULTURA BRASILEIRA

O artista morreu em 2 de agosto de 1989


O cantor morreu vítima de uma parada cardiorrespiratória, em 1989. 


Luiz Gonzaga do Nascimento, popularmente conhecido como Luiz Gonzaga, é um dos nomes mais importantes da história da música popular brasileira. O cantor pernambucano ficou marcado por mostrar ao Brasil ritmos, até então, pouco expressivos, como o baião, o xote e o xaxado. Sempre acompanhado de uma sanfona e um triângulo, abordava em suas músicas o sofrimento do povo que habita o sertão nordestino. 

Nesta quinta-feira, 2 de agosto de 2018, completam-se 29 anos que Gonzaga morreu, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Mesmo depois de tanto tempo, as composições do autor ainda permeiam todo um povo nordestino e o seu legado continua espalhado por todo o Brasil. 


O Rei do Baião

O apelido não é à toa. Com composições marcantes como Asa branca, Súplica Cearense e Xote das meninas, espalhou para todo o povo brasileiro o sofrimento do povo do sertão nordestino, assim como a alegria e o orgulho de ter as raízes do lugar de onde saiu. O estilo musical tocado nas festas juninas nunca mais seria o mesmo. O baião e o xote tomaram conta das festividades por todo o Brasil. Confira uma das composições do cantor:



A origem

Nascido em 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é filho de Januário José dos Santos Nascimento e Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento. Teve oito irmãos e foi o segundo dos filhos a nascer. Herdou a técnica dos instrumentos do pai, que também tinha habilidade com o acordeão. 

O cantor e compositor Luiz Gonzaga durante show em colégio. 

Exu
Cidade pernambucana, Exu é o lar de Luiz Gonzaga. E a cidade vive a cultura e o legado do cantor. O local tem um patrimônio cultural deixado pelo Rei do Baião, dentro do parque Aza Branca, nomeado em homenagem a uma das canções famosas do artista. No espaço, estão localizados a casa em que morou, com muitas fotografias e o Museu do Gonzagão, com acervo fonográfico, troféus e presentes. O sanfoneiro e a mulher, Helena, estão enterrados no mausoléu, um monumento funerário, que se encontra no parque. 

Mausoléu de Gonzagão na cidade de Exu, em Pernambuco. 


Produções
Diversos livros, documentários, músicas regravadas, monumentos e até um filme sobre a vida da estrela nordestina foram produzidos. O legado do cantor se espalhou mundialmente e a sua história ainda vive. Confira o trailer do longa que retrata Luiz Gonzaga, lançado em 2012: 


segunda-feira, 17 de junho de 2019

LUIZ GONZAGA - ESPECIAL TV RECORD

domingo, 16 de junho de 2019

LUIZ GONZAGA - ESPECIAL TV RECORD

sábado, 15 de junho de 2019

LUIZ GONZAGA - ESPECIAL TV RECORD

sexta-feira, 14 de junho de 2019

LUIZ GONZAGA - ESPECIAL TV RECORD

quinta-feira, 23 de maio de 2019

LUIZ GONZAGA - VIDA, MÚSICA E CONQUISTAS

terça-feira, 19 de junho de 2018

LUIZ GONZAGA NA TV RECORD

terça-feira, 5 de junho de 2018

LUIZ GONZAGA E SEUS SEGUIDORES

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A FAUNA E A FLORA NORDESTINAS REPRESENTADAS NAS MÚSICAS DE LUIZ GONZAGA – REI DO BAIÃO - PARTE 08

Por Neudiran Gonçalves Nunes


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

É sabido que a fauna tem importância fundamental no equilíbrio dos ecossistemas em geral, pois muitos animais são vitais à existência de muitas plantas, pois se constituem no elo de procriação já que são seus agentes polinizadores, como no caso dos beija-flores, insetos como borboletas, besouros etc.

A cultura nordestina é bastante diversificada, seja nos costumes, na culinária ou nas músicas que sempre chamaram a atenção de pessoas de outras regiões e também de outros países. Porém, o que mais se destaca na região é a música com seus diversos estilos, variando de axé à forró pé de serra. Mas dentre os estilos e os artistas, um artista se destacou não só no país, mas fora, o conhecido por todos como o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Ele marcou a história do Nordeste e da música, é graças à ele que o forró é um dos estilos musicais mais conhecidos, não só na região. Os ritmos dançantes e as letras que sempre chamaram atenção por representarem à sua visão sobre o Nordeste foi o ponto crucial para toda sua carreira.

Foi Luiz Gonzaga, junto com seus poetas como Zé Dantas, Patativa do Assaré e Humberto Teixeira e muitos outros que divulgaram o sertão nordestino que está na imaginação do povo brasileiro. Mas, pintores como Portinari, poetas como João Cabral de Melo Neto, romancistas como Graciliano Ramos, dramaturgos como Ariano Suassuna, se somaram nessa divulgação, mas como uma crítica à crueldade da fome e da sede que pairavam sobre o semiárido.

A música de Gonzaga continua viva por ser uma obra prima da cultura popular, mas a nossa realidade mudou. Há muito pelo caminho, mas grande parte desse caminho foi feito. Gonzaga gostaria de ver a volta de grande parte dos migrantes nordestinos para o Nordeste.

É notório que as pessoas ainda curtem muito o Rei do Baião, valorizando que há de melhor no Nordeste brasileiro através das músicas desse pernambucano que muito marcou a cultura nordestina.


REFERÊNCIAS

ÂNGELO, Assis. Eu Vou Contar Pra Vocês. São Paulo: Ícone, 1990. Luiz Gonzaga: Vozes do Brasil. São Paulo: Martin Claret, 1990. 

CLÁUDIO, Manoel. 100 Árvores do Cerrado. Guia de Campo: Rede de sementes do cerrado, 2005

DONATO, A. A "árvore sagrada do sertão" precisa ser preservada. Integração, v.4, n.26, p.16-18, mar./abr. 1996.

DREYFUS, Dominique. Vida do Viajante: A saga de Luiz Gonzaga. Vozes do Brasil. 2 ed. São Paulo: 34, 1997. 

FAOSTAT. Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, 2009. Web. Texto extraído do site www.cnpms.embrapa.br em 06 de novembro de 2012.

FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

HOUAISS, Antônio; Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa; Lisboa; Temas e Debates; 2005.

OLIVEIRA, Gildson. Luiz Gonzaga: o matuto que conquistou o mundo. Recife: Comunicarte, 1991.

REZENDE, Maria José de. Os sertões e os (des)caminhos da mudança social no Brasil. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 201-226, nov. de 2001

SANTOS, José Farias dos. Luiz Gonzaga: a música como expressão do Nordeste. São Paulo: IBRASA, 2004.

TRAVASSOS, Elizabeth. Modernismo e música brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000

domingo, 17 de dezembro de 2017

A FAUNA E A FLORA NORDESTINAS REPRESENTADAS NAS MÚSICAS DE LUIZ GONZAGA – REI DO BAIÃO - PARTE 07

Por Neudiran Gonçalves Nunes


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APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO SOBRE OS ELEMENTOS DA FAUNA E FLORA CITADAS

Fauna

A fauna da caatinga do Nordeste brasileiro é bem diversificada, composta por répteis (principalmente lagartos e cobras), roedores, insetos, aracnídeos, cachorro-do-mato, arara-azul, sapo-cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado catingueiro, tatupeba, sagui-do-nordeste, entre outros animais. 

Dentre os animais da fauna brasileira, destacam-se abaixo aqueles que Luiz Gonzaga cantou em suas músicas, para retratar a fauna do Nordeste do Brasil.

A Asa-branca ou pomba-asa-branca é também conhecida como pomba-pedrês, é uma ave columbídea endêmica da América do Sul que ocorre desde o nordeste brasileiro até a Argentina. A asa-branca vive em campos, cerrados e bordas de florestas e também em centros urbanos. Na música brasileira, este pombo e sua resistência à seca no Nordeste inspiraram Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira a criarem a música Asa Branca (FERREIRA, 1986, p. 145).

Assum-preto, pássaro típico da região nordestina, mais encontrado no interior. Ave bela e esguia, com boco fino e cauda mediana, era covardemente cegado pelas pessoas que sabiam que desta forma o animal no intuito de chamar outros de sua espécie, cantava mais, e seu cantar às vezes tinha ou tem, um ar de profunda tristeza, talvez por não entender porque não tem mais a sua visão.

A ave Acauã pertence à família do falcão, habita tanto as florestas úmidas quanto o Cerrado e a Caatinga e pode ser visto na região do vale do rio Paraopeba. Ela mede em torno de 46 cm, apresenta penas de cor creme, asas escuras e em torno de seus olhos há uma espécie de uma máscara negra. O Coan é uma ave caçadora que se alimenta de cobras, sendo a caça precedida de seu canto para que os demais de sua espécie saibam seu espaço de atuação.

A ave rolinha fogo pagou tem esse nome devido ao seu canto (fogo pagou), ave que ultimamente tem ganhado espaço no mercado brasileiro. É uma ave silvestre, e precisa de permissão para ser criada. Sua alimentação consiste em grãos, e algumas frutas.

A codorniz-comum, ou codorna é um membro da ordem dos galliformes. No entanto, algumas espécies do grupo dos Tinamiformes também são popularmente chamadas por esse nome. Este animal habita na Europa, e é uma ave migratória deslocando-se para o sul no verão para formar pares e reproduzir-se, voltando depois para o norte da Europa.

O urubu é popularmente chamado de urubu-rei, urubu-real, urubutinga, corvo-branco, urubu-branco, urubu-rubixá e iriburubixá, é uma ave da família Cathartidae. Habitante de zonas tropicais a semitropicais, desde o México à República da Argentina. Habita todo o território brasileiro, onde sua caça é proibida, pois é considerada uma ave importante na limpeza do meio ambiente: quando muitos animais são exterminados por doença, o urubu ajuda a controlar a epidemia comendo os animais mortos e agonizantes. Tem cabeça e pescoço nus, pintados de vermelho, amarelo e alaranjado, a parte superior do corpo amarelo-clara, esbranquiçada, asas e cauda pretas, o lado inferior branco, com plumagem branca e negra. Possui uma envergadura de 2,40 metros e peso que oscila de 3 a 5 kg, medindo cerca de 90 cm de comprimento. Na natureza, tem poucos predadores naturais, mas, devido à baixa reprodutividade da espécie e à degradação do seu habitat, é uma espécie cada vez mais rara de se observar.

Segundo Ferreira (1986, p. 146), o tiê-sangue, é uma ave sul-americana passeriforme da família dos traupídeos reconhecida pela beleza de sua plumagem vermelha. A plumagem do macho é de um vermelho-vivo que lhe deu origem ao nome. Partes das asas e da cauda são pretas. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo que a plumagem da fêmea é menos vistosa, de cor parda. O tiê-sangue é encontrado na porção oriental do Brasil, da Paraíba até Rio Grande do Sul. Vive em áreas desmatadas ou em campos sujos, capoeiras baixas e restingas. O tiê-sangue é frugívoro, tendo predileção pelos frutos da embaúba, árvore que é bastante comum em áreas em recuperação, bem como em locais próximos a cursos ou reservas de água. O tiê-sangue, apesar de não raro ser vítima de contrabando, não se encontra imediatamente ameaçado de extinção.

O sabiá é uma ave muito comum na América do Sul e o mais conhecido de todos os sabiás, identificado pela cor de ferrugem do ventre e por seu canto melodioso durante o período reprodutivo. É popular especialmente no Brasil, tendo se tornado por lei, em 2002, a ave-símbolo do país Já era símbolo do estado de São Paulo desde 1966. É citada por diversos poetas como o pássaro que canta o amor e a primavera. 


Flora

A flora do Nordeste brasileiro é formada por espécies xerófitas, de formação seca e espinhosa resistente ao fogo e caducifólias, que perdem as folhas em determinada época do ano e são totalmente adaptadas ao clima seco com predominância de cactos e bromeliáceas. O extrato arbóreo apresenta espécies de até 12 metros de altura, o arbustivo, de até 5 metros e o extrato herbáceo apresenta vegetação de até 2 metros de altura. As principais representadas do reino vegetal são a aroeira, o mandacaru, o juazeiro e a amburana. E dentre as plantas que Luiz Gonzaga cantou em suas músicas estão estas:

O Juazeiro que é um membro da família Rhamnaceae, é uma árvore, em seu ambiente natural de caatinga e cerrado, de médio porte, com ramos tortuosos protegidos por espinhos. Entretanto, a espécie se adapta bem a locais mais úmidos, onde se torna árvore elegante com cerca de 15 metros de altura. Suas folhas assemelham-se às folhas de canela, exceto pelo tom verde mais claro e consistência mais membranácea. Suas flores são pequenas, de cor creme, dando origem a frutos esféricos, também pequenos, de cor amarelada, doces, com uma semente em seu interior. A árvore é reputada por diversas propriedades medicinais. Entre seus componentes químicos, destaca-se vitamina C, pó de juá, cafeína, ácido betulínico e saponinas (estas últimas consideradas tóxicas, se em grandes quantidades). O extrato do juazeiro, o juá, é empregado na indústria farmacêutica em produtos cosméticos, dentre eles xampus e cremes, bem como em cremes dentais. (HOUAISS, 2005)

A Aroeira é uma árvore de 3 a 15 m de altura, com copa arredondada. Seu tronco geralmente é curto e tortuoso, com casca externa grossa e fissurada, de coloração cinza escuro a preta, e casca interna avermelhada e com forte aroma. As folhas são compostas, alternas, membranáceas e verde-escuras. Possuem pecíolos alados, com ápice agudo, base assimétrica e nervura central proeminente na face inferior e bordos. É planta pioneira, heliófita, comum em beiras de rios, córregos e em várzeas úmidas, mas cresce também em solos secos e pobres. As flores branco-amareladas são glabras e reunidas em panículas terminais. Floresce de setembro a dezembro. Os frutos são drupas globosas, lisas, com pericarpo papiráceo-quebradiço, de coloração avermelhada. Os frutos amadurecem de dezembro a junho. Os frutos são amplamente consumidos por pássaros, o que explica sua ampla disseminação. A forma de dispersão desta espécie é zoocórica. Árvore de crescimento rápido reproduz-se por estacas de raízes e galhos. A época de frutificação é entre os meses de fevereiro e julho, e os frutos devem ser colhidos quando passarem da cor verde para róseo-vermelho-viva, não é necessário quebra de dormência. Na língua Guarani, o seu nome é yryvadja rembiu, que significa comida de tiribas. (HOUAISS, 2005)

A açucena é uma boa escolha entre as espécies de flores, pois é fácil de cultivar e se adapta bem a pequenas áreas. Pode ser plantada em todo o território brasileiro e em qualquer mês do ano. Além disso, têm como vantagem o rápido retorno financeiro. Existem cerca de 50 espécies de açucenas, também chamadas de Amarílis, a maior parte originária da América do Sul e muitas nativas do Brasil. Esse tipo de flor desperta grande interesse para o cultivo ornamental, mas são seus híbridos e variedades que dominam o mercado mundial de plantas decorativas. Elas podem ter pétalas simples ou dobradas, com coloração diversificada, que vai do vermelho ao salmão, passando pelo rosa e pelo branco. (HOUAISS, 2005)

A Acácia é uma planta da família das Moringáceas, mais conhecida simplesmente por Moringa, ainda que seja também vulgarmente designada como acácia-branca, cedro, moringueiro e quiabo-de-quina. Cresce principalmente em áreas semi-áridas tropicais e subtropicais. Sendo o seu habitat preferencial o solo seco e arenoso, tolera solos pobres, como em áreas costeiras. Suas mudas são obtidas através de semeadura ou estaquia de ramos com mais de 20 cm. No cultivo em larga escala, seu tronco é submetido a podas regulares de forma que sua altura não ultrapasse cerca de um metro e meio, visando facilitar a colheita das folhas. Seu crescimento é extremamente rápido, atingindo o porte arbóreo já nos primeiros meses após a semeadura. A produção de sementes se inicia no primeiro ano. Aparentemente, é nativa dos sopés montanhosos meridionais dos Himalaias. Hoje, o seu cultivo estende-se a África, à América Central e América do Sul, Sri Lanka, Índia, México, Malásia e nas Filipinas. (HOUAISS, 2005)

O umbuzeiro é originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro; nas regiões do Agreste (Piauí), Cariris (Paraíba), Caatinga (Pernambuco e Bahia) a planta encontrou boas condições para seu desenvolvimento encontrando-se, em maior número, nos Cariris Velhos, seguindo desde o Piauí à Bahia e até norte de Minas Gerais. No Brasil colonial era chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber". Pela importância de suas raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da Cunha. O umbuzeiro é uma árvore de pequeno porte em torno de 6m de altura, de tronco curto, esparramada, copa em forma de guarda-chuva com diâmetro de 10 a 15m projetando sombra densa sobre o solo, vida longa (100 anos), é planta xerófila. Suas raízes superficiais exploram 1m de profundidade, possuem um órgão (estrutura) - túbera ou batata - conhecida como xilopódio que é constituído de tecido lacunoso que armazena água, mucilagem, glicose, tanino, amido, ácidos, entre outras. O caule, com casca cor cinza, tem ramos novos lisos e ramos velhos com ritidomas (casca externa morta que se destaca); as folhas são verdes, alternas, compostas, as flores são brancas, perfumadas, melíficas, agrupadas em panícula de 10-15 cm de comprimento. (DONATO, 1996)

O cajueiro, nome científico Anacardium occidentale, da família Anacardiaceae, é uma planta originária do norte e nordeste do Brasil, com arquitetura de copa tortuosa e de diferentes portes. Na natureza existem dois tipos: o comum e o anão. O tipo comum pode atingir entre 5 e 12 metros de altura, mas em condições muito propícias pode chegar a 20 metros. O tipo anão possui altura média de 4 metros. (CLÁUDIO, 2005)

O capim é uma planta anual capaz de se desenvolver em todos os tipos de solos. Reprodução por semente ocorre enraizamento através dos nós presentes nos colmos, quando em contato com o solo. Planta herbácea, reta e sem pêlos, com altura entre 20 e 60 cm. No Brasil, é comumente encontrado na região Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Nordeste, e, com baixa frequencia, no Rio Grande do Sul. É um coleótipo em forma de lança, com coloração violácea. A bainha é compacta, podendo apresentar pêlos no ápice, e margens arroxeadas. Suas folhas estão presentes em grande quantidade e distribuídas sobre os colmos. Lâmina foliar plana, com pêlos na parte de cima e lisa na parte de baixo. Medem de 10 a 30 cm de comprimento por 5 a 10 cm de largura. Bainha lisa ou com pequena quantidade de pêlos marginais na parte superior com anéis de pêlo branco. Existem vários tipos de capim, inclusive os que servem para fazer chá como o capim limão, o cidreira, entre outros e, por isso, Luiz Gonzaga fala nele referindo-se ao fato de que “pra cavalo velho, o remédio é capim novo”.

O lírio é o nome dado às flores do gênero Lilium L. da família Liliaceae, originárias do hemisfério norte com ocorrências na Europa, Ásia e América do Norte. Mais da metade das espécies são encontras na China e no Japão . As plantas atingem, normalmente, de 1,20 a 2 metros de altura. Várias espécies de lírios também recebem o nome de açucena. Lírio é também a denominação genérica de várias plantas da família das Liliáceas e Amarilidáceas. Os lírios representam o verão e a fartura, e significam o amor eterno e também significam a pureza.

O milho (Zea mays), também chamado abati, auati e avati, é um conhecido cereal, cultivado em grande parte do mundo. O milho é extensivamente utilizado como alimento humano ou ração animal, devido às suas qualidades nutricionais. Todas as evidências científicas levam a crer que seja uma planta de origem mexicana, já que a domesticação começou 7.500 a 12.000 anos atrás na área central do Mesoamérica. É um dos alimentos mais nutritivos que existem, contendo quase todos os aminoácidos conhecidos, sendo exceções a lisina e o triptofano. Tem um alto potencial produtivo e é bastante responsivo à tecnologia. Seu cultivo geralmente é mecanizado, se beneficiando muito de técnicas modernas de plantio e colheita. Produção mundial foi 817 milhões de toneladas em 2009-mais que arroz (678 milhões de toneladas) e trigo (682 milhões de toneladas), com 332 milhões de toneladas produzidas anualmente somente nos Estados Unidos.[2].O milho é cultivado em diversas regiões do mundo. O maior produtor mundial são os Estados Unidos. No Brasil, que também é um grande produtor e exportador, o Paraná é o maior estado produtor, com cerca de 27 por cento da produção nacional, seguido de Mato Grosso. (FAOSTAT, 2009)

O jiló (Solanum gilo) é o fruto da planta herbácea jiloeiro, muito cultivado no Brasil. É um fruto, geralmente confundido com um legume, famoso por seu gosto amargo. É famosa a canção de Luiz Gonzaga, "Que nem Jiló", em que ele compara as dores da saudade à amargura do jiló. É o fruto do arbusto jiloeiro ramificado, que pode atingir entre um e 1,5 metros de altura. Seus ramos são verdes, cilíndricos e alongados, tem folhas de formato oblongo, recobertas por pelos, principalmente na lauda inferior. Suas flores são brancas, dispostas de duas a três, em pequenos racemos com pedúnculo curto. O fruto pode ser oblongo, alongado ou quase esférico, conforme a variedade, de coloração verde-clara ou escura e peso de catorze a dezessete gramas. O jiló contém, proteínas, sais minerais como cálcio, fósforo e ferro e as vitaminas B5 e C. A vitamina C contida no jiló é perdida com o cozimento. (HOUAISS, 2005)


RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após realização de entrevistas com 50 (cinquenta) pessoas sobre Luiz Gonzaga, obtiveram-se os seguintes resultados:

Quanto à pergunta 1: Você conhece a história de Luiz Gonzaga? 90% dos entrevistados responderam que sim, conhece a história de Luiz Gonzaga, 10% dos entrevistados responderam que não, não conhece a história de Luiz Gonzaga.

Luís Gonzaga do Nascimento, ou simplesmente, Luiz Gonzaga, era filho do sanfoneiro Januário, que tocava em bailes e, nas horas vagas, consertava sanfonas. Foi com o pai, aliás, que aprendeu a tocar o instrumento, levando a alegria da música nordestina aos quatro cantos do País.

Quanto à pergunta 2: Tem conhecimento das músicas de Luiz Gonzaga? 90% dos entrevistados responderam que sim, têm conhecimento das músicas de Luiz Gonzaga, 10% dos entrevistados responderam que não, não têm conhecimento.

Houve um momento na carreira em que Luiz Gonzaga criou músicas mais politizadas, que denunciavam o abandono do povo. Mas, sem importar o conteúdo, o que chamava a atenção das canções era o ritmo contagiante do baião, que viveu sua época de ouro até 1954, quando era enorme a popularidade de Luiz Gonzaga.

Quanto à pergunta 3: Gosta das músicas do Rei do Baião? 90% dos entrevistados responderam que sim, gostam muito das músicas do Rei do Baião, 10% responderam que não, não gostam das suas músicas.

Gostar das músicas do Rei do Baião é saber valorizar a rica cultura brasileira, pois elas apresentam toda uma história dos nordestinos e dos sertanejos sofredores.

Quanto à pergunta 4: Você acha que as músicas de Luiz Gonzaga são expressões populares do Nordeste brasileiro? 100% dos entrevistados responderam que sim, acreditam que suas músicas sejam expressões populares do Nordeste brasileiro.

Quanto à pergunta 5: Acredita que a música Asa Branca foi a mais famosa do Rei do Baião? 100% dos entrevistados responderam que sim, acreditam que essa música tenha sido a mais famosa do Rei do Baião.

Autêntico representante da cultura nordestina manteve-se fiel à suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o Baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceira com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Quanto à pergunta 6: Tem conhecimento da fauna e da flora cantadas pelo Rei do Baião? 90% dos entrevistados responderam que sim, têm conhecimento da fauna e da flora cantadas pelo Rei do Baião; 10% responderam que não, não têm conhecimento.

A fauna e a flora cantadas pelo Rei do Baião traz para todos os indivíduos a realidade brasileira e nordestina, isto é, os animais que ainda são expressões do sertão e as plantas que ainda são cultivadas pelos sertanejos.

Quanto à pergunta 7: Conhece os animais que ele retrata em suas músicas? 90% dos entrevistados responderam que sim, conhecem os animais retratados por Luiz Gonzaga em suas músicas; 10% responderam que não, não conhecem.

Os animais retratados em suas músicas são símbolos expressivos do sertão nordestino e Luiz Gonzaga fez com que todos eles fossem lembrados e até respeitados no sertão.

Quanto à pergunta 8: Conhece as plantas retratadas por Luiz Gonzaga em suas músicas? 90% dos entrevistados responderam que sim, conhecem as plantas retratadas por Luiz Gonzaga em suas músicas; 10% responderam que não, não conhecem as plantas retratadas por ele.

A plantas retratadas por Luiz Gonzaga em suas músicas são simplesmente meios de o sertanejo mostrar que elas são importantes para a criação do gado e para outros fins peculiares do sertão.

Quanto à pergunta 9: Acredita que Luiz Gonzaga sempre será lembrado por todos os nordestinos brasileiros? 100% dos entrevistados responderam que sim, Luiz Gonzaga sempre será lembrado por todos os nordestinos brasileiros em especial os sertanejos.

Luiz Gonzaga sempre será lembrado por todos os nordestinos brasileiros porque todas as suas músicas falaram e ainda falam da vida real do sertanejo, da seca do Nordeste e de tudo o que faz parte do Brasil.

Quanto à pergunta 10: As músicas do Rei do Baião são importantes para a cultura brasileira? 100% dos entrevistados responderam que sim, as músicas do Rei do Baião são importantes para a cultura brasileira.

As músicas do Rei do Baião são e sempre serão importantes para a cultura brasileira, pois elas têm a riqueza da cultura do Nordeste e do sertão.

sábado, 16 de dezembro de 2017

A FAUNA E A FLORA NORDESTINAS REPRESENTADAS NAS MÚSICAS DE LUIZ GONZAGA – REI DO BAIÃO - PARTE 06

Por Neudiran Gonçalves Nunes


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Em “Qui nem Jiló”

Se a gente lembra só por lembrar
De um amor que a gente um dia perdeu
Saudade entonce assim é bom pro cabra se convencê
Que é feliz sem saber pois não sofreu

Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade entonce assim é ruim eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer

Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz doer e amarga que nem jiló
Mas ninguém pode dizer
que vivo triste a chorar
Saudade o meu remédio é cantar
Saudade o meu remédio é cantar (Luiz Gonzaga)


O jiló é o fruto da planta herbácea jiloeiro, muito cultivado no Brasil. É um fruto, geralmente confundido com um legume, famoso por seu gosto amargo. Nessa canção, Luiz Gonzaga compara as dores da saudade à amargura do jiló: “ai, quem me dera voltar pros braços do meu xodó Saudade assim faz doer E amarga que nem jiló”


Em “Quero chá”

Morena eu quero chá, eu quero
chá, eu quero chá morena velha
eu quero chá. (bis)

Já, já, já, já morena velha eu
quero chá. (bis)

Morena eu quero chá, eu quero
chá, eu quero chá morena velha
eu quero chá. (bis)

Já, já, já, já morena velha eu
quero chá. (bis)

Pula, pula moreninha não deixa
o samba esfriar catuca Zeca do fole
para o compasso agitar
nas tanta da madrugada antes
da barra quebrar vai depressa
na cozinha e traz cházim pra
nós tomar.

Já, já, já, já morena velha eu
quero chá. (Luiz Gonzaga)


Nessa música, Luiz Gonzaga fala do chá como um calmante e o chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de chá. Geralmente é preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.


Em “O Adeus da Asa Branca”

Quando o verde dos teus óio
Se espáia na prantação
Uma lágrima doída
Vai moiá todo o sertão
No cantá do assum preto
Vai se ouvir mágoas e dor
Ribaçã morrê de sede
Com sodade de douto

Foi se embora a Asa Branca
Lá pro céu ela levou
O poeta de alma franca
Que todo mundo cantou
Meu Padrinho Padim Ciço
Faça dele um acessô
Morre o homem fica o nome
E o nome dele ficou (Dalton Vogeler)


A música "O adeus da asa branca" é uma continuação da música "Asa branca", que mostra justamente a seca do nordeste, a questão da saída do sertanejo para os grandes centros urbanos e a repulsa dele em deixar suas terras e as pessoas amadas. Música essa criada em busca de protestar para chamar a atenção das autoridades para os problemas, e para o descaso do poder público com o nordeste.


Em “Erva Rasteira”

Erva rasteira
Nasceu pra ser pisada
Nasce pra ser pisada
Nasce e cresce
E morre bem embaixo
Mas o homem
Que é homem de valor }bis
Jamais se propõe
A ser capacho

É covarde aquele que cair
Por não tentar jamais se levantar
Sem ter-se os pés feridos
Em lamentos se deixa acomodar

Se um dia
Ele tenha abrir a boca
Se ver sem direito de falar
Seu destino é viver bem rente ao chão
Até que ele venha lhe tragar

Erva rasteira, erva rasteira (bis)

Erva rasteira
É que pode ser pisada
Mas descuido
Ela paga com espinho
O homem que é homem de valor
Se levanta e conquista seu caminho } bis

Erva rasteira, erva rasteira (bis) (Gonzaguinha)


Em “Frutos da Terra”


Esta terra dá de tudo
Que se possa imaginar
Eu e ela, ela e eu
Mão de Deus abeçoando
Eu e ela, ela e eu

Sapoti, jaboticaba
Mangaba, maracujá
Cajá, manga, murici
Cana caiana, juá
Graviola, umbu, pitomba
Araticum, araçá

Engenho Velho ô, carnaval
Favo de mel no meu quintal (bis)

O fruto bom dá no tempo
No pé pra gente tirar
Quem colhe fora do tempo
Não sabe o que o tempo dá
Beber a água na fonte
Ver o dia clarear
Jogar o corpo na areia
Ouvir as ondas do mar

Engenho Velho ô, carnaval
Favo de mel, no meu quintal (bis) (Jandhuy Finizola)


Essa música é uma retratação da utilidade das frutas que a terra nos dá como as mencionadas na canção. Os frutos da terra são vistos como alimentos importantes na vida do ser humano. E, por isso, Luiz Gonzaga, ao cantar essa música de Jandhuy, soube muito bem falar sobre eles, pois ninguém melhor do que ele para mostrar a riqueza do pomar nordestino.


Em “Projeto Asa Branca”

Louvado seja Deus
Abençoada a canção
Louvado seja o homem
Que dá água pro sertão

Bendito foi o momento
De divina inspiração
Quando feita a conclusão
De um grande planejamento
Dia onze de dezembro
Do ano setenta e nove
Vem à tona e se promove
Uma idéia rica e franca
Marco Antonio Maciel
Criou o Projeto Asa Branca

Dia vinte e um de março
Data marcante, ano oitenta
Maciel num tempo escasso
Prevendo a seca cruenta
Na cidade de salgueiro
Promoveu o lançamento
Para o engrandecimento
Da terra em sua mensagem
Consagrou esse projeto
Pra salvação da estiagem

Parabéns sertão e agreste
Pela graça que hoje alcança
Com a cor da esperança
Toda a região se veste
Tantas obras preventivas
Por ele realizadas
Açude, barragem, estrada
Para comunicação
Prendendo as águas dos rios
Pela perenização (José Marcolino e Luiz Gonzaga)


Nessa música, José Marcolino e Luiz Gonzaga mostram a alegria por um projeto que já estava pronto para a melhoria da estrada nordestina no governo de Marco Maciel em 1980.

Em “Rodovia Asa Branca”

Eu vi um dia
Dois homens fazer um trato
De ligar Exu ao Crato
Pernambuco ao Ceará
O homem de cá
Trabalhou chegou primeiro
E o de lá também ligeiro
Num dançou eu chego lá

Olha o homem aí
É gente da gente
Olha o homem aí
Alegre e contente

Olha os homen aí
É o povo que diz
Olha os homen aí
Juntos com Luiz

Roda, rodada
Rodando, roda rodeia
Rodovia, Asa Branca
Tá todinha prá você

Olha o homem aí....

Ei, êi...

É Asa Branca voltando
É carreta rodando
É o povo cantando
Junto com Luiz

Olha os homen aí...

Roda, rodada...

Ê,ê
Vocês precisavam também ver
Os dois homem de manga de camisa
Abraçados em cima da divisa
Pernambuco e Ceará
Naquela data tão festiva
Pareciam imitar o Patativa
Você canta lá
Que eu canto cá (Luiz Gonzaga e João Silva)


A Rodovia Asa Branca é um trecho asfaltado da BR-122, exatamente na divisa entre os Estados de Pernambuco e Ceará. Ela foi batizada assim, com o nome de Rodovia Asa Branco para homenagear o rei do baião, Luiz Gonzaga, que também estava presente à inauguração e devolveu a homenagem compondo uma música com o mesmo nome da rodovia.


Em “Canto do Sabiá”

Canto
Como canta o sabiá
Canta preso na gaiola } bis
Porque não sabe chorar

Oh! Minha viola amiga
Esta modinha que eu canto
Tem roupagem de cantiga
Mas seu motivo é de pranto

Há quem cante por cantar
Mas meu canto é diferente
Canto porque tão somente
Não aprendi a chorar

Tocar viola
Porque chorar não dá jeito }bis
Se fechar esta ferida
Que vive aberta em meu peito (Zé Alves Jr. e Dirceu Rabelo)

O sabiá vive originalmente em florestas abertas e beiras de campos, mas como é uma espécie bastante adaptável adentrou com sucesso nas áreas de lavoura e cidades, exigindo, porém a proximidade de água. É visto com frequência percorrendo o solo, mas nunca longe das árvores. É uma ave territorial, mas um tanto quanto tímida, e seu canto é melodioso, aflautado e frequente logo denuncia sua presença, podendo ser ouvido a mais de 1 km de distância. Entretanto, nessa música, Luiz Gonzaga mostra a importância de a ave ser livre para que seu canto seja mais bonito.


Em “Sabiá”


A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)

A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)

Tu que anda pelo mundo (Sabiá)
Tu que tanto já voou (Sabiá)
Tu que fala aos passarinhos (Sabiá)
Alivia minha dor (Sabiá)

Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sábia...

A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)

A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)

Tu que anda pelo mundo (Sabiá)
Tu que tanto já voou (Sabiá)
Tu que fala aos passarinhos (Sabiá)
Alivia minha dor (Sabiá)

Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sábia...

(Psiu, Psiu, Psiu)
(Psiu, Psiu, Psiu)

(Psiu, Psiu, Psiu)

(Sabiá)
(Sabiá)
(Sabiá)

Sabiá...

Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sábia... (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

O sabiá é uma ave citada por diversos poetas como o pássaro que canta o amor e a primavera. Luiz Gonzaga e Zé Dantas retratam, aqui, o sabiá como referência para chamar pelas pessoas para perguntar pelo seu amor, na esperança de encontrá-la. 

Luiz Gonzaga nos deixou, além de toda uma cultura popular muito forte, o ritmo baião, o xote, as toadas, outras tantas músicas de sua autoria como: A dança da moda, Assum preto, o xote das meninas, pau de arara, qui nem jiló, vozes da seca, entre outras.

Uma curiosidade sobre o forro do Luiz Gonzaga é que ele era tocado com sanfona, zabumba e triangulo a formação que ainda se usa atualmente.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A FAUNA E A FLORA NORDESTINAS REPRESENTADAS NAS MÚSICAS DE LUIZ GONZAGA – REI DO BAIÃO - PARTE 05

Por Neudiran Gonçalves Nunes


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Em “Açucena Cheirosa”

Quem quiser comprar, 
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim
Quem quiser comprar, 
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim

Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim
Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim

Até flor de laranjeira pro dia de Santo Antonio
Eu quero vender pras moça pra arranjar seus matrimônio
Há mais estrelas no céu nas noites de São João
Há festa nestes teus olhos
Há fogo no meu coração

Quem quiser comprar, 
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim

Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim
Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim

Até flor de laranjeira pro dia de Santo Antonio
Eu quero vender pras moça pra arranjar seus matrimônio
Há mais estrelas no céu nas noites de São João
Há festa nestes teus olhos
Há fogo no meu coração

Quem quiser comprar, 
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim
Quem quiser comprar, 
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim

Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim
Vendo cravo, vendo lírio, 
não vendo uma rosa que deram pra mim (Luiz Gonzaga)


Açucena é uma singela e branca flor. E nessa canção, Luiz Gonzaga quis nos dá a entender que venderia qualquer outra flor, menos uma rosa que lhe deram. A açucena significa que você está sempre pronto a se aventurar, muito cheio de energia, possui uma personalidade ativa e decidida. Não vê graça numa vida sem desafios. E por ser um líder por natureza, atrai as outras pessoas com seu entusiasmo. Mas é importante tomar cuidado e não se tornar uma pessoa teimosa.


Em “Acácia Amarela”

Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem

Sou um feliz operário
Onde aumento de salário
Não tem luta nem discórdia
Ali o mal é submerso
E o Grande Arquiteto do Universo
É harmonia, é concórdia
É harmonia, é concórdia". (Luiz Gonzaga e Orlando Silveira)


Nessa canção, o Rei do Baião, junto a Orlando Silveira, preparou a letra e o tema musical. É uma composição que identifica e retrata uma loja maçônica. A inspiração poética acontece fortemente quando enfoca a árvore acácia amarela e sua casa. Em seguida, ele traz para o seu texto fortemente representativo e simbólico, o maçom como operário, como pedreiro, como construtor de um mundo novo, tolerante e pacificador, que no seu progresso espiritual, como pessoa e ser humano, recebe aumento de salário. Para concluir ele busca Deus, que é o grande construtor do mundo.


Em “Umbuzeiro da Saudade”

Umbuzeiro veio
Veio amigo quem diria
Que tuas folhas caídas
Tuas galhas ressequidas
Íam me servir um dia
Foi naquela manhãzinha
Quando o sol nos acordou
Que a nossa felicidade
Machucou tanta saudade
Que me endoideceu de amor
Indiscreto passarinho
Solitário cantador
Descobriu nosso segredo
Acabou com nosso enrêdo
Bateu asas e vou
Hoje vivo pelo mundo
Tal o qual o vem-vem
Sobiando o dia inteiro
Quando vejo um umbuzeiro
Me lembro de ti meu bem (Luiz Gonzaga e João Silva)

Nessa música, Luiz Gonzaga e João Silva retratam “os umbuzeiros… irradiantes em círculo… árvores sagradas do sertão…semelham grandes calotas esféricas. Suas flores alvíssimas são a nota mais feliz do cenário deslumbrante. Desafiando as secas mais duradouras, amparam, alimentam, abrandam a sede do homem do sertão”.


Em “Cajueiro Velho”

Naquele cajueiro velho
Com um canivete
Desenhei meu coração
Escreví nossas iniciais
Isto a gente faz cheio de paixão
Com uma flecha atravessada
Ficou bem gravata
Lá no cajueiro
História que a gente conta } bis
Quando se dá conta
Do amor primeiro

Ai, ai, cajueiro
Quanto tempo que já faz
Ai, ai, cajueiro
Meu desenho de amor
Não vejo mais

A gente quando nasce, nasce
Nasce outra que a gente entrega o coração
A gente fica tão feliz
Todo mundo diz com satisfação
A planta que não é regada
Fica adoentada, morre no canteiro
Assim é minha vida agora
Morro toda hora
Lá no cajueiro (Cecéu)


Nessa música, a autora Cecéu nos mostra que o cajueiro é uma planta que não perde totalmente as folhas durante o ano, adaptada ao crescimento a pleno sol, com nítida preferência por solos arenosos e bem drenados; ela floresce abundantemente durante os meses de junho a setembro e frutifica a partir de novembro, podendo estender-se até janeiro. Ao mesmo tempo, ela retrata a história de um amor que ficou gravado na copa do umbuzeiro que estava bastante velho.


Em “Capim Novo”

Nem ovo de codorna, 
Catuaba ou tiborna 
Não tem jeito não 
Não tem jeito não 
Amigo véio pra você 
Tem jeito não 
Amigo véio pra você 
Tem jeito não, não, não 
Esse negócio de dizer que 
Droga nova 
Muita gente diz que aprova 
Mas a prática desmentiu 
O doutor disse 
Que o problema é psicológico 
Não é nada fisiológico 
Ele até me garantiu 
Não se iluda amigo véio 
Vai nessa não 
Essa tal de droga nova 
Nunca passa de ilusão 
Certo mesmo é 
Um ditado do povo: 
Pra cavalo véio 
O remédio é capim novo (Luiz Gonzaga e José Clementino)


Aqui, Luiz Gonzaga e José Clementino deixaram claro que remédios de farmácia não são os únicos a resolverem problemas sexuais de homens já com idade avançada. Porém um “capim novo” deve resolver melhor. Isso quer dizer que para homens mais velhos a solução é uma mulher nova.


Em “Ovo de Codorna”

Eu quero um ovo de codorna pra comer
O meu problema ele tem que resolver (bis)
Eu tô madurão
Passei da flor da idade
Mas ainda tenho
Alguma mocidade,
Vou cuidar de mim
Pra não acontecer
Vou comprar ovo de codorna
Pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer...
Eu já procurei
Um doutor meu amigo
Ele me falou
"Pode contar comigo"
Ele me ensinou
E eu passo pra você
Vou lhe dar ovo de codorna pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer...
Eu andava triste
Quase apavorado
Estavam me fazendo
De um pobre coitado
Minha companheira
Tá feliz porque
Eu comprei ovo de codorna pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer
O meu problema ele tem que resolver (Severino Ramos)


Ao compor essa música, Severino Ramos quis mostrar para nós que o Mestre Lua já havia passado da flor da idade. Entretanto, ele ainda tem alguma mocidade e de qualquer forma ele vai cuidar de si, isto é, cuidar de certa necessidade humana, dada biologicamente e construída socialmente. Nessa música, o autor ainda procura aproximar o conhecimento do senso comum do conhecimento científico, trazendo a figura significativa do doutor para legitimar os poderes afrodisíacos do ovo de codorna.


Em “Flor do Lírio”

Já viram
A flor do lírio como é linda
Linda, linda
Pois bem os olhos dela
São mais lindos
Muito mais ainda } bis

Eita! Que emoção danada
Que eu sinto por esta mulher
Sabendo desse meu amor
Ela faz o que bem quer
Sinto desmantelo } bis
Quando olho pra ela
Eu ainda vou morrer
Nos braços dela (Luiz Gonzaga e João Silva)

Luiz Gonzaga, nesta canção, destaca o amor que sente por uma mulher que sua beleza é comparada à flor do lírio. O lírio é uma flor bela e exuberante, pelo tamanho e variedade de cores, além de ser uma flor majestosa pelo porte e beleza. Extremamente bela para decoração de jantares e casamentos, muito utilizada para decoração.


Em “Madureceu o Milho”

Madureceu o milho
Fulorou algodão
Acorda São Pedro
Pra dormir São João } bis

Quando Deus mandar inverno
Sertão se balanceia
A negrada cai na farra
De sangue novo na veia
É tanto forró na terra
É tanto zuadeiro
Que parece carnaval
Lá no Rio de Janeiro

Nosso Deus mandou inverno
Quero ver animação
Juvená vai cortar lenha
Rosa vai fazer quentão
Toínha faz a pamonha
Rita faz o capilé
Todo mundo pra latada
Que hoje vai sobrar mulé (João Silva e Sebastião Rodrigues)


Nessa música, João Silva e Sebastião Rodrigues retratam a importância do milho para os sertanejos e que o inverno quando chega anima a todos os aqueles que plantam no sertão nordestino. Então, a partir do momento que há milho, os homens e as mulheres festejam a boa nova.


Em “O Urubu é um triste”

Quem vem ao mundo marcado
Felicidade não tem
Mudar destino traçado
Ninguém consegue, ninguém

Quem nasce feio, enjoado
Tem sofrimento, tem dor
Por todos não desejado
Não tem vintém, nem amor

O urubú é um triste
Por ter nascido urubu
No mundo gente existe
Passando por cururu
O sabiá é invejado
Por ser feliz cantador
Conquistador afamado
Cantando versos de amor

O homem tem sua vida
Nas mãos de Nosso Senhor
Pra uns, estradas florida
Pra outros, só dissabor
Se a coruja um dia
Chegasse a ser beija-flor
Naturalmente eu teria
Dinheiro, paz e amor (Nelson Valença)


Nelson Valença retrata o urubu, nesta música, como um animal sem sorte por ser aquele que vive a comer restos mortais e que ninguém dá valor. Algumas pessoas têm nojo da ave por ela ser assim. É uma ave de rapina que circula no ar à procura de carniça que é seu único alimento. Porém, o urubu tem um significado muito importante: representa uma pessoa muito respeitada, amigável, generosa e fácil de lidar. Mas quando o assunto é o seu dinheiro, seu tempo ou suas preocupações, nada ou ninguém é mais importante. Isso demonstra que deve aprender muito ainda sobre o crescimento da alma.


Em “Penas do Tiê”

Vocês já viram lá na mata a cantoria
Da passarada quando vai anoitecer?
E já ouviram o canto triste da araponga
Anunciando que na terra vai chover?

Já experimentaram guabiroba bem madura
Já viram as tardes quando vai anoitecer?
E já sentiram das planícies orvalhadas
O cheiro doce das frutinas muçambê ê

Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
E tem na boca a cor das penas to tiê

Quando ela canta os passarinhos ficam mudos
Sabem quem é o meu amor, êle é você (Heckel Tavares)


O Tiê é uma ave sul-americana passeriforme da família dos traupídeos reconhecida pela beleza de sua plumagem vermelha. Nessa canção, Heckel quis mostrar que a boca da sua amada tem a cor das penas do tié, pois ele tem penas lindíssimas. A plumagem do macho é de um vermelho-vivo, que lhe deu origem ao nome. Partes das asas e da cauda são pretas. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo que a plumagem da fêmea é menos vistosa, de cor parda.

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