segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

PAUTA MUSICAL: PARA RECORDAR VALZINHO - PARTE 01

Quatro décadas após sua morte, Valzinho é lembrado por sua obra e importância dentro da MPB

Por Laura Macedo



Valzinho (Norival Carlos Teixeira)

Compositor / Violonista / Cavaquinista


* 26/12/1914 – Rio de Janeiro (RJ)
+ 25/01/1980 – Rio de Janeiro (RJ)



Confesso que a primeira vez que ouvi falar sobre o compositor e músico – Valzinho (Norival Carlos Teixeira) -, foi através do multifacetado Hermínio Bello de Carvalho. Seu verbete no Dicionário Cravo Albin, apesar de pequeno, revela sua grande importância na história da Música Popular Brasileira.


O nome de Valzinho está associado a grandes ícones do universo musical brasileiro, como Pixinguinha, Garoto, Dante Santoro, Zé Menezes, Radamés Gnattali e, mais recentemente, Paulinho da Viola, Jards Macalé e a jovem violonista Antonia Adnet.


UMA FAMÍLIA MUSICAL

O patriarca da família – Edgard Carlos Teixeira – era violonista e exercia a profissão de ferroviário; já a matriarca – Nisa Chaves Teixeira tocava piano. Resultado: uma bela família musical.


Da direita para esquerda: Newton Teixeira (flauta) / Nilva Teixeira (bandolim) / Norival “Valzinho” Teixeira (violão) / Neuwaldo Teixeira (cavaquinho).


Neuwaldo (flauta) / Valzinho (cavaquinho) / Edgard Carlos Teixeira (violão) [pai dos três] e Newton (violão).


Newton, Nilva e Valzinho


Um pouco da trajetória Pessoal e Profissional de Valzinho

Aos 13 anos já tinha a ocupação de ajudante de alfaiate visando colaborar na renda familiar. Seu primeiro emprego foi na Casa da Moeda (gravador artístico) onde se aposentou muito tempo depois. Dedicou-se também a escultura, desenho e gravura, se aprimorando no Museu de Belas Artes.

Valzinho e Pereira Silva


Valzinho iniciou a carreira de músico aos 19 anos (1933), na Rádio Guanabara tocando no conjunto de Pereira Filho. Trabalhou também com Pixinguinha. Entre 1936 e 1938 atuou na Rádio Mayrink Veiga integrando o Regional de Luperce Miranda. Foi nesta época que os dois feras compuseram “Não sei porque” gravada, posteriormente, por Gilberto Alves, em 1944.

À esquerda: Valzinho e Luperce Miranda com seus instrumentos / À direita: Apresentação do regional de Luperce, na Rádio Nacional. Valzinho está de costa com o violão, Luperce com seu bandolim e Carlos Galhardo cantando.


“Não sei porque” (Valzinho/Luperce Miranda) # Gilberto Alves. Disco Odeon (12448-A), 1944.

Abaixo ouviremos – “Não sei porque” – na voz de Gilberto Alves. Essa é uma das várias músicas que percebemos, muitos antes do movimento bossanovista, o quanto Valzinho já fazia harmonizações inovadores.


A partir de 1939, Valzinho, iniciou seu trabalho na Rádio Nacional, onde permaneceu até se aposentar trinta anos depois, integrando o regional de Dante Santoro, ao lado dos violões de Rubens Bergman, Norival Guimarães e Carlos Lentine e do cavaquinho de Waldemar Pereira de Melo.

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