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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

FABRÍCIO DA ROCHA LANÇA CAMPANHA PARA PRIMEIRO CD SOLO AUTORAL


Por Karina Sampaio



Natural de Fortaleza, capital do Ceará, o cantor e compositor Fabrício da Rocha iniciou uma Campanha de Financiamento Coletivo para gravar seu primeiro projeto fonográfico solo, no qual busca apresentar uma sonoridade confluente, resultado dos caminhos que vem trilhando na arte.

“Portas abertas e corações sincronizados”, é assim que esse fortalezense de 34 anos, que atualmente reside no Crato, interior cearense, enxerga e sente esse momento. Mediante convite para gravar seu primeiro CD solo autoral no Rio de Janeiro, sob a direção musical de Dan Sebastian Halkjaer-Lassen, Fabrício deu início essa semana na Campanha de Financiamento Coletivo a fim de materializar esse trabalho que vem sendo construído há mais de 10 anos. 

“A ideia desse 1° CD é mostrar ao público a relação intrínseca, virtuosa, e intuitiva com a minha arte, através de canções, peças de violão solo, e instrumentais com vocalize, no qual traz à tona a busca pelo nosso som mais puro (espírito), numa formação intimista de violão e voz, apenas", diz Fabrício. 

Cantor, compositor e violonista autodidata, Fabrício nasceu em uma família musical. Com um pai pianista clássico, o avô violonista popular, ainda vivia circundado por canções que sua mãe, amante de boa música, fazia questão de compartilhar, a exemplo do nosso saudoso Emílio Santiago. Aos 7 anos de idade viveu um momento especial ao perceber-se deparado, com olhos e ouvidos entregues ao dedilhar do pai diante do piano, transbordando de emoção. Naquele momento ele soube que sua alma pertencia à música. 

Adotou o violão como instrumento por volta dos 13 anos e aos 16 já começou a tocar profissionalmente em festas, bares e casamentos. Até que conheceu o músico Pedro Fonseca e juntos resolveram montar uma banda chamada Breculê, onde começou a compor e interpretar suas canções. 

Em 2010 a Breculê lançou seu primeiro disco e deu início a uma turnê nacional, tocando em grandes festivais como o Festival Internacional Mercado Cultural de Salvador e o Festival Universitário de Música Candanga da UnB – FINCA. 

Ao se mudar para o interior do Ceará, formou o duo Selestrial com o músico pernambucano Júnior Crato, uma homenagem ao Hermeto Pascoal, com releituras ousadas e inovadoras de suas obras. 

No ano de 2016 foi ao Rio de Janeiro fazer a pré-estreia do seu show solo Euphonia, onde pode reencontrar o amigo Dan Sebastian, surgindo desse encontro a ideia e início da materialização da gravação desse projeto. Essa passagem pelo Rio trouxe ainda gratos e emocionados encontros com músicos do gabarito de Jean Charnaux, Marcus Tardelli e Guinga. 

Fabrício da Rocha merece relevância na atual cena musical brasileira por sua sensibilidade e talento, enriquecendo e perpetuando em nossa MPB o que há de mais puro. Como diria Guinga: “A música transcenderá a minha existência”. Vamos buscar isso! 


Link para colaborar com a Campanha de Financiamento Coletivo: 




Maiores informações: 


Facebook – https://www.facebook.com/fabriciodarochafanpage/ 

Instagram – https://www.instagram.com/fabriciodarocha_oficial 







sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA - PARTE 02

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica a partir de sua trajetória enquanto integrante de vários projetos musicais, assim como também instrumentista, compositor e intérprete em diversos projetos solo

Por Bruno Negromonte (com colaboração de Karina Sampaio)




Dando continuidade ao agradabilíssimo bate-papo já iniciado aqui mesmo em nosso espaço, hoje fechamos a abordagem à carreira deste artista que ao longo de 2017 completa quatro décadas de uma carreira dinâmica, que vem se renovando e substanciando-se a partir dos mais distintos projetos como, de certo modo, já foi mostrado na primeira parte de nossa conversa. Hoje, em nosso bate-papo o cantor, instrumentista e compositor relembra seus projetos duos (e nos diz o porquê de intervalos significativos entre eles), os projetos coletivos dos quais faz parte, a possibilidade da releitura de algum disco de sua carreira, as faixas que fazem parte de sua extra-discografia, o novo projeto fonográfico ao qual está fazendo parte ao lado do Edu Lobo, Dori Caymmi entre outros assuntos que podem ser conferido logo abaixo. Uma excelente leitura para todos!




Esse box vai sair sob produção do Marcelo Fróes novamente?

ZR – Isso... exatamente.


O pontapé inicial para os seus projetos em duo se deu com o Cláudio Nucci em 1984. Daí 16 anos depois você vem com “Memorial” (com Wagner Tiso) e, dez anos depois, “Papo de Passarim” (com Renato Braz). Você que se ver envolto em tantos projetos musicais e fonográficos por que intervalos tão longos em projetos registros de projetos neste formato?

ZR – É porque na verdade eu não me programo assim para essas coisas, vão acontecendo... são encontros, coisas que... as vezes uma viagem encontro uma pessoa... no caso do Renato eu não me lembro exatamente em que circunstância foi, mas nos encontramos e a gente tem muita identificação musical, as referências musicais dele são muito parecidas com as minhas e tal... e isso acabou gerando o trabalho. Quer dizer... como tem outras coisas que podem acontecer... tem músicas, por exemplo com... parcerias com... muita coisa com a Joyce (já fizemos inclusive um espetáculo juntos...), pode isso, quem sabe no futuro virar um trabalho... Nesse caso seria autoral.... com o Pedro Luís também... parceiro que a gente tem já muita coisa juntos. Tudo são projetos que pro futuro podem acontecer. Tem nada marcado, nada definido, mas são coisas que já foram conversadas. A gente vai reunindo assim um trabalho significativo que dá vontade de fazer... então isso pode ser que aconteça.


Nestes 40 anos você sempre se fez um artista atuante também em projetos coletivos como a Banda Zil, ZR Trio, Ponto de Encontro, Navegantes e mais recentemente o Dobrando a carioca. Quais são as facilidades e dificuldades em participar de projetos como estes?

ZR – Banda Zil vai sair agora, vai sair um DVD que foi gravado e que tá pra sair. Vai sair esse ano... tá no momento lá de finalização e de detalhes finais... Olha, eu já tenho essa escola do Boca Livre né? Como tenho já um tempo (bastante) que trabalho com.. desde o Cantares (que também era um grupo antes do Boca Livre). Então eu tenho já essa... essa... aprendi essa dinâmica de trabalhar com grupo. Então pra mim não é uma coisa difícil. Eu consigo me adaptar... Tem grupos que você tem que saber ouvir os outros, nem sempre a sua opinião prevalece... e eu acho que essa é uma coisa de... é um aprendizado de vida, acaba sendo...você conviver com as pessoas e saber que você não é infalível, que suas ideias não são sempre geniais e que possa... e nem é questão de ser ideias boas ou não, as vezes, as suas ideias por melhores que sejam não se adaptam àquele contexto. Então é isso... isso aí a gente vai aprendendo.


São dezenas de discos ao longo desses 40 anos de carreira. Em épocas de releituras como a que vivemos (um exemplo é o Alceu com a turnê “Vivo Revivo”) que disco em sua discografia você acha que mereceria uma releitura?

ZR – Olha... por que não? Não sei, rapaz... é uma ideia... quem sabe? Acho que tem aí muita coisa que... Agora, por exemplo, vai ser lançado... agora dia 08 de agosto, a gente vai lançar nas plataformas digitais, o “Cabô”, que é um disco meu de sambas com parcerias com várias pessoas. Esse disco estava fora de circuito há muito tempo e a gente vai lançar ele nas plataformas digitais e inclusive junto com isso um vídeo que foi feito na época, um vídeo clipe da música “Cabô”, onde participam várias pessoas. Tudo isso vai acontecer agora dia 08 de agosto, tá marcado.


Em comemoração a estes 40 anos foi lançado recentemente, sob produção do Marcelo Fróes, o Box Zé Renato. Um projeto que traz seus dois primeiros discos e gravações raras. Dentre estes raros registros qual ou quais você destacaria e por qual razão?

ZR – O momento com o Tom é bem especial porque... imagina... foi marcante na minha vida ter a oportunidade de estar junto com ele. Eu não era íntimo dele, mas tivemos ali alguns encontros que foram marcantes.


Hoje você trouxe à Recife um show cujo parceria teve início à época do Projeto Vitrine (quando você ainda estava iniciando a carreira). Nestes 40 anos de amizade e parceria pelos palcos da vida já não deveria ter dado origem a algum registro?

ZR – É... Tudo isso que eu te falei, tudo pode acontecer... Agora a gente tava um tempo afastado... O Toninho mora em Belo Horizonte e tal... esse disco sobre o Luizinho Eça foi meio que uma oportunidade que a gente tá tendo meio que de se reencontrar... Quem sabe pode acontecer.


O disco conta também com a participação do Edu... Tem como você falar um pouquinho desse seu mais recente projeto?

ZR – Do Edu e do Dori Caymmi... Olha, é um disco interessante porque ele mostra o lado compositor do Luizinho Eça que pouca gente conhecia. O Luizinho era muito conhecido como maestro, arranjador, pianista do Tamba Trio. Esse lado compositor inclusive ele não tinha muitas composições, então esse disco é importante também por isso: porque mostra esse lado compositor.  


Eu não sei se chegou ao seu conhecimento que nesse mesmo período há um pianista carioca lançando um projeto também em homenagem ao Luiz Eça...

ZR – Eu sei... legal porque o Luizinho é um cara muito importante na vida de muita gente. Eu tive a oportunidade de conviver um pouco com ele também e era uma pessoa que tinha personalidade, era um cara muito alegre que estimulava muito as pessoas, os compositores, músicos novos... ele tinha prazer de estar com gente em volta. Então... um músico importantíssimo, mestre de muita gente, professor mesmo... acho que esse disco é muito oportuno porque reúne pessoas que... o conceito do disco, o nome “Em casa”, que é essa história que acontecia na casa dele de reunir pessoas.


Esse ano só tem esse projeto do box para sair ou tem mais algum?

ZR – Não... Saiu o “Dobrando a carioca” que é aquele projeto que lançamos do ano passado que a gente tá fazendo shows esse ano ainda. Fizemos agora uma série de shows aí e... o Boca Livre continua na estrada, agora, inclusive, esta semana vou estar em Belém... Enfim... Eu não sei...


O “Papo de Passarim” com o Renato Braz...
ZR – Com o Renato Braz a gente vai tá essa semana a outra em Barreirinhas (MA) em um festival eu vou estar em Barreirinhas com o Renato depois de muito tempo também que a gente não se apresenta, a gente pega aquelas músicas todas aprender tudo de novo, relembrar porque eu não toco aquilo há muito tempo, mas vai ser legal... Então é assim, é isso aí que você tá vendo, a minha vida é muito diversificada, a minha vida profissional.


Você tem uma relação de muita cumplicidade com Recife. Geralmente todos os projetos seus chegam à capital pernambucana. O que o público pernambucano pode esperar do Zé Renato?

ZR – Muitos passam por aqui é...


... O projeto infantil, o tributo ao Chico...

ZR – Isso, exatamente.


O próprio “Papo de Passarim” vocês fizeram à época na Casa de Seu Jorge...

ZR – Fizemos? Acho que não... A casa de Seu Jorge eu fiz sozinho. “Papo de passarim” fizemos aqui? Não me lembro, não... pode ser que tenhamos feito, mas eu não lembro... Não sei se foi no Parque, talvez...


O Parque está fechado há uma eternidade...

ZR – Então eu não me lembro... acho que não viemos com o “Papo de passarim”. Eu sei que a gente foi à Natal, mas não sei se fizemos Recife. Eu não lembro...



O que o público pode ainda esperar de Zé Renato para breve?

ZR – Olha, tem tudo isso.. é aquela coisa que te falo. Um projeto, uma coisa que eu realmente ando pensando e tentando ver se realizo é um disco autoral porque tem muitas músicas, tenho composto com muita gente, como eu te falei: Joyce, Paulo César Pinheiro, João Cavalcanti, parceiros assim... são muitas canções...


Tem alguma coisa com Zé Manoel? Porque eu vi, através do Youtube, vocês apresentando-se juntos em São Paulo certa vez.

ZR – É fizemos São Paulo.  Tem até uma música que está com ele... Zé eu sou fã dele, acho o trabalho dele muito legal. Tem lá uma canção com ele... então... a gente tem um projeto que eu fiz o ano passado que chama-se Bebedouro, que é o nome possivelmente do próximo disco, entendeu? É um disco de canções minhas com algumas pessoas, um disco que me mostra também como instrumentista que é uma coisa que também que por mais que o violão esteja presente em vários trabalhos, mas as pessoas nem sempre sabem que eu toco violão, que eu tenho esse lado instrumentista que pra mim é muito importante, a base de tudo pra mim.


 O “Dobrando a carioca” tem essa ênfase nos instrumentos não é?

ZR – Tem, tem... são quatro violonistas.



Serviço:
Show Boca Livre - Turnê Amizade

Data - 03 e 04 de agosto
Local - Teatro Margarida Schivasappa (Belém/PA)
Horário - 21:00hs
Classificação Indicativa - Livre
Valor do Ingresso - R$ 60,00 (Inteira) / R$ 30,00 (Meia)

9º Lençóis Jazz e Blues Festival 2017 - Circuito Barreirinhas - MA
Show "Papo de passarim" (Com Renato Braz)
Data - 12 de agosto
Local - Av. Beira Rio

Horário - 21:15hs
Classificação Indicativa - Livre

Valor do Ingresso - Evento gratuito

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA - PARTE 01

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica a partir de sua trajetória enquanto integrante de vários projetos musicais, assim como também instrumentista, compositor e intérprete em diversos projetos solo

Por Bruno Negromonte (com colaboração de Karina Sampaio)



De passagem pela capital pernambucana, onde apresentou-se em duas ocasiões em Casa Forte, o cantor, instrumentista e compositor Zé Renato recebeu-nos para um descontraído bate-papo onde relembrou histórias suas ligadas ao período que antecedeu o início de sua trajetória musical, a sua participação nos grupo "Cantares", projetos fonográficos (solos, em duo e projetos coletivos) e sua participação no grupo que o projetou nacionalmente: o Boca Livre. Nesta informal conversa é possível também tomar conhecimento de algumas curiosidades acerca do autor de "Bicicleta" como sua breve passagem pelo teatro e a importância do show "Milagres do peixe", do Milton Nascimento, em sua trajetória musical. Além disso, falamos sobre projetos futuros, lançamentos fonográficos agendados para breve, sua relação com o público pernambucano entre outras coisas. Papo agradabilíssimo que você confere em duas partes! Boa leitura!



Para começarmos gostaríamos de abordar um pouco da época que antecede o inicio de sua carreira musical. Qual é a lembrança mais remota que você tem da música ainda no Espírito Santo?

Zé Renato - Eu não cheguei a morar lá no Espírito Santo. Eu só nasci, mas fui criado no Rio de Janeiro... então todas as minhas influências foram a partir de minha vivência no Rio. Meu pai era jornalista, circulava muito no meio da música e por conta disso eu sempre tive a música muito presente dentro de casa. Ele era amigo do Silvio Caldas, o Silvio Caldas ía cantar na minha casa, eu assisti a vários shows do Silvio Caldas... A partir daí eu ganhei um violão (eu tinha por volta dos treze anos mais ou menos... talvez menos um pouco...). Daí com o violão comecei a aprender, entendeu? Aprendi um pouco assim e comecei a participar de festivais nos colégios


É verdade que antes dessa sua introdução na música você atuou na peça “A Perda Irreparável” dirigida por Ziembinski? 

ZR – Ah, sim! É... foi uma participação muito rápida assim, muito discreta porque o meu pai trabalhava no Copacabana Palace e precisaram lá de... tinha um personagem que era uma criança que entrava no meio lá do negócio, aí eu fiz mas ficou ali. Estava mais interessado em tomar sorvete que tinha lá no Copacabana do que na peça.


E a questão do instrumento em si? Como foi que o violão entrou em sua vida?

ZR – O violão eu ganhei, comecei a aprender, mas nunca me adaptei ao estilo formal porque eu sempre saquei, comecei a descobrir a relação dos acordes, tirar música sozinho e tal. Então minha base teórica é muito pouca, eu até cheguei a estudar, tenho uma base; mas eu não utilizo isso no dia-a-dia, então eu sempre fui muito intuitivo. O primeiro caminho foram os festivais de colégio.


Dentro dessa ordem cronológica tem um show que foi marcante para você que foi o “Milagre dos peixes”?

ZR – Isso. Aí eu já tocava, já tinha um grupo, mas inda tocava em colégios (festivais de colégio) naquela fase de está estudando pra fazer vestibular e essas coisas todas, mas a música já estava ficando cada vez mais presente na minha vida e foi um período em que eu...


... Foi com esse show o seu primeiro contato com a sonoridade mineira?

ZR – Sim.


Ela acabou influenciando muito, de certo modo, no início de sua carreira?

ZR – Foi. Foi uma das maiores influências como compositor, como cantor, tudo né?


Vem desse show o seu primeiro contato com o Juca Filho (visualmente falando) não é?

ZR – Eu vi o Juca nesse show, não nos conhecíamos ainda, mas lembro de ter visto ele... tava lá... aí um tempo depois a gente se conheceu. Eu o conheci através de um amigo que estudava comigo no pré-vestibular que era músico e me apresentou ao Juca, daí a gente já começou a fazer música, eu já comecei a desenhar uma história que acabou se tornando o Cantares em primeiro lugar que foi o grupo que foi assim o primeiro trabalho, o primeiro grupo que eu participei já indo para uma história em direção ao profissionalismo... o Cantares durou aí dois, três anos... aí já apareceu o Boca Livre. 


Que foi a partir de uma apresentação do Cantares na Urca? Foi quando surgiu o convite do Maurício para aquilo que viria a ser o grupo não é?

ZR – Do David... o David era o organizador desses shows que chamava-se “Quem sabe, sobe”; era uma série de shows que aconteceram na Urca e tal... Aí abrimos para o Hermeto Pascoal e aí começamos a ensaiar. Existia o Cantares, mas aí a partir do momento que começamos a ensaiar com o Boca Livre e as coisas começaram a acontecer não deu pra conciliar as duas coisas e aí me dediquei mais ao Boca Livre e as coisas começaram assim a se desenhar mais profissionalmente. E aí foi uma coisa! Edu Lobo (que aí nos viu, nos conheceu e chamou para gravar o disco dele), daí fomos fazer o Projeto Pixinguinha com ele. Já voltamos do projeto Pixinguinha e já gravamos o nosso primeiro disco... e aí a coisa foi muito rápida.


Esse primeiro disco de vocês é um marco ainda hoje na discografia brasileira pelo repertório e acima de tudo por receptividade junto ao grande público. Como você acha que ele alcançou tão rapidamente esse patamar mesmo sendo produzido de modo independente? Você acha que houve algum fator que contribuiu pra isso ou foi sorte mesmo?

ZR – Tem tudo isso junto, um pouco de cada coisa. Tinha naquele momento ainda um espaço nas rádios que hoje não existe mais... existia naquele momento ainda uma possibilidade de divulgar, de se programar músicas como a que a gente fazia. Apesar de que a nossa história naquele momento não era visto pelas pessoas de gravadora como uma coisa, digamos, de acesso comercial; mas a gente... é... isso ainda existia um espaço na rádio para acontecer o que aconteceu. Tanto que a gente não tinha, não era um grupo que tinha dinheiro para pagar jabá ou coisa parecida.


Agora mesmo neste contexto independente havia essa abertura?

ZR – Pois é! Tinha ainda... acho que foi um dos últimos momentos onde a rádio tinha uma certa abertura para programar esse tipo de música. A partir daí, depois, rapidamente foi se transformando e hoje o espaço é quase nenhum.


Por que o formato de vocês à época era mais comum na década de 1940, 1950 com o Bando da Lua, os Anjos do Inferno... De repente vocês voltam nos de 1970 com um formato semelhante... 

ZR – Até o surgimento do Boca Livre o que estava mais em mais evidência era o MPB-4 quanto a vocal masculino. Apesar que são duas concepções completamente diferentes, a gente tem as coisas dos violões que estão juntos, os arranjos, coisa que no MPB-4 é mais os vocais... é outra maneira, outro tipo de arranjo e tal... Mas o Boca Livre vinha com uma coisa, uma proposta que misturava a influência mineira (bastante), essa sonoridade de violões e tal... Isso não foi, não era muito... tanto que a opção por independente... a gente tentou gravadora. Tivemos reuniões com gravadoras e nenhuma das pessoas ligadas às gravadoras que a gente tinha entrado em contato na época enxergou a gente como um produto ou uma coisa que pudesse dar certo comercialmente falando.


Eu vi acho que até em um blog teu que essas gravadoras de início queriam moldar vocês a uma espécie de Bee Gees brasileiros...

ZR – Isso... um deles falou isso: Que a gente devia ser os Bee Gees brasileiro, mudar o repertório... quis falar isso: que a gente cantava bem, mas a concepção tinha que ser outra. 


Ainda bem que vocês não seguiram a sugestão...

ZR – Pois é... Acabou que eles fizeram... quer dizer, acabou a gente teve o nosso sucesso foi muito rápido! A partir do momento que fizemos shows e tal, e a música começou a tomar um público, os shows começaram a ter muita gente, e aí as rádios viram que... foi uma coisa muito... um negócio que aconteceu aí... já entrou em trilha de novela... Quando entrou em trilha de novela na verdade a música já era sucesso.


Tem umas quatro músicas que caíram no gosto popular mesmo não é?

ZR – Foi... Eu lembro de fazer, por exemplo, o Ponta de areia, que foi uma das que a gente gravou no Fantástico e a pedido do público eles repetiram no domingo seguinte, quer dizer, foi um negócio até então inédito no programa. Então muita coisa foi acontecendo assim muito rápido, Os shows foram tendo um público muito grande, e tanto que chegou um momento que a gente já não tava mais... fizemos o segundo disco independente, mas aí já não tava mais conseguindo administrar a carreira desse modo. O independente hoje é diferente, já a muito tempo que o independente virou uma outra história, você tem várias alternativas de distribuição, de divulgação e naquela época não. A gente ainda tinha que cuidar das coisas: O LP que não chegou não sei aonde... tudo a gente cuidava praticamente. Tinha outras pessoas junto, mas a gente participava muito desse processo, então isso foi desgastando a gente também, tanto que a gente desistiu e fomos para uma gravadora.


Em 1982 você dá início a sua carreira solo com o disco “A fonte da vida” disco onde constam dez canções suas com distintos parceiros. Analisando a discografia do Boca que antecede esse projeto, em três discos há sete canções de sua autoria (Inclusive uma delas dá nome a um dos LP’s do grupo que é “Bicicleta”). Esse contexto que fez você chegar a esse primeiro disco solo surgiu por que já não dava mais para represar esse seu lado autoral ou por outras circunstâncias?

ZR – É mais ou menos isso, quer dizer... o Boca Livre por se tratar de um grupo vocal, um grupo que tem uma maneira de conceito onde nem todas as músicas por mais bonitas e músicas que a gente achamos ótimas, mas que quando a gente começa a tocar nem sempre elas rendem um arranjo que seja satisfatório pra todo mundo, pro grupo. Então, assim, essa maneira de lhe dar com o grupo também eu fui aprendendo e vendo que nem tudo... o grupo era incapaz de absorver todas as ideias de todo mundo. Por isso é que eu não abri mão de (foi uma coisa também bacana no grupo) conviver com isso, de ter cada... cada um de nós desenvolver projetos exatamente para não ficar ali estrangulando o trabalho do grupo e isso é uma coisa que rola até hoje. Eu mesmo faço parte do grupo, mas faço vários projetos paralelos.


Sua carreira solo é marcada por alguns discos em homenagem a grandes nomes de nossa música a exemplo de Silvio Caldas, Noel, Chico e Zé Keti. Tem mais alguma ainda em vista que você pretende prestar homenagem?

ZR – Olha, vai sair... vai sair uma caixa... Tava prevista para esse ano, não sei com essa confusão toda, mas já tava praticamente organizada pra sair uma caixa de disco reunindo aí discos meus como... alguns como intérprete só né? Do Zé Ketti, do Sílvio Caldas... E um desses cd’s que vai tá incluindo nessa caixa é um show que foi gravado ao vivo, no Rio de Janeiro, que eu fiz sobre o repertório do Orlando Silva. Foi gravado de uma maneira despretensiosa, mas aí fomos ouvir e achamos que como registro vale a pena ser incluído, ser feito. Aí quando essa caixa sair esse cd vai está incluso, sobre o repertório do Orlando Silva. 


Já cogitou a possibilidade de uma homenagem ao Milton (artista o qual você se declara fã)?

ZR – Eu vivo gravando coisas dele, mas um disco dedicado especialmente por enquanto pelo menos não; mas quem sabe né?


Você tem Anima em parceria com ele não é?

ZR – É... “Anima”... “Anima” e “Ponto de encontro”...




Serviço:
Show Boca Livre - Turnê Amizade

Data - 03 e 04 de agosto
Local - Teatro Margarida Schivasappa (Belém/PA)
Horário - 21:00hs

Classificação Indicativa - Livre
Valor do Ingresso - R$ 60,00 (Inteira) / R$ 30,00 (Meia)

9º Lençóis Jazz e Blues Festival 2017 - Circuito Barreirinhas - MA
Show "Papo de passarim" (Com Renato Braz)
Data - 12 de agosto
Local - Av. Beira Rio

Horário - 21:15hs
Classificação Indicativa - Livre
Valor do Ingresso - Evento gratuito

sexta-feira, 4 de março de 2016

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM RAPHAEL COSTA

Lançando seu primeiro CD, Raphael Costa traz canções autorais, além de parcerias com grandes nomes da música popular brasileira como Zé Manoel, Thiago Hoover e Vanessa Oliveira.

Por Karina Sampaio



Procurando se manter afastado dos estereótipos, o cantor, compositor e músico pernambucano vem trilhando um caminho coeso e singular dentro da música popular brasileira, passeando pelas tradições, crenças e sonoridades diversas, experimentadas ao longo dos seus 10 anos de estrada.


Você poderia falar um pouquinho de suas reminiscências? Qual a lembrança mais remota do seu envolvimento com a música?

Raphael Costa - Lembro de um violão deixado ou esquecido por alguém lá em casa no canto da sala. Do cheiro da madeira do meu primeiro violão nas poucas aulas que fiz com uma professora, em meios de tardes calorosos em Jardim Atlântico. De acordar ouvindo Nelson Gonçalves aos domingos. Ainda, de sair pra comprar discos com a minha mãe e de deitarmos juntos no mesmo sofá pra abri-los e ouvi-los, um a um, com os encartes em mãos.


No início da sua carreira você estava morando fora do Brasil. No entanto, há um caráter bairrista em suas composições. Como essa distância influenciou no caminho escolhido?

RC - De fora da minha terra algo me aguçou ainda mais os sentidos para as questões e costumes inerentes ao povo do canto onde eu nasci no mundo. Aquele distanciamento físico me levou a perceber melhor a malha das nossas soluções para as problemáticas naturais da vida humana. Cada lugar tem o seu jeito, seu ponto de vista, de partida, e escrever e cantar o que conheço nativamente me parece ser um caminho onde posso ir mais profundo.


Você convidou o Marcelo Jeneci para ser o produtor musical deste primeiro trabalho. Fala um pouco dessa parceria de longa data.

RC - Conhecemos-nos ainda antes de eu começar a compor com mais consciência. Ainda antes da minha importante passagem fora do país. Marcelo assistiu e participou íntima e pontualmente de todo o processo que me trouxe até o lugar onde estou agora: à beira do registro de canções que compus e que dizem da estrada que percorri na música e na vida desde aqueles dias. O convite foi manso e com grande clareza.


Luccas Maia, Thiago Hoover, Lucas dos Prazeres, Rogério Samico e Gilu foram os convidados para formar a banda que o acompanhará neste novo projeto. Qual sua relação com estes multi-instrumentistas?

RC - Todos são grandes amigos, e são pessoas e músicos que admiro muito. Com eles sei que a coisa toda flui. São meus olhos, ouvidos e bocas em regiões que desconheço e que tenho curiosidade em conhecer. Tentáculos postiços que a vida trouxe e que aumentam a minha zona de ação na música.


Com tanto tempo de estrada, sabemos que o leque de canções é extenso. Como se deu a escolha do repertório para este primeiro álbum?

RC - Eu sou um apreciador desde menino de álbuns. Tenho gosto pela procura de um fio condutor que atraia um certo grupo de canções para um ambiente proposto. Parti desta lógica para escolher as músicas que comporão o meu disco de estreia. Que elas, as canções, conversem. 


Foi possível participar desse projeto através da plataforma de Crowdfunding (financiamento coletivo), que funciona a partir de recompensas ofertadas ao público aderente. Como você encara essa colaboração direta?

RC - Acredito muito na força deste tipo de movimento. O financiamento coletivo é uma das maneiras de ação do pensamento coletivista. Tem a ver com colaboração e tangencia de maneira astuta e inteligente as formas já gastas de produção. Acho um ato político e revolucionário. 


Qual a previsão e expectativas do Raphael Costa para o lançamento do CD?

RC - Gravaremos o disco em abril próximo. Depois é arrumar a casa e lançar. Acredito que quando entrar setembro... 

O que o público pode esperar deste trabalho? 

RC - Verdade. 



Contatos:
Fanpage - facebook.com/raphaelcostafanpage
Produtora - Renata Peres - (81) 9 9994.2623

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