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segunda-feira, 8 de junho de 2020

SIVUCA, 90 ANOS

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Severino Dias de Oliveira (Itabaiana, Paraíba, 1930 – João Pessoa, Paraíba, 2006). Começa a tocar sanfona aos 9 anos, como autodidata, e, aos 15, vai para Pernambuco, quando participa de programas de calouros. Logo se destaca e passa a apresentar-se na Rádio Clube de Recife. Ali permanece por três anos, assumindo o nome artístico de Sivuca. 

Em 1948, é contratado pela Rádio Jornal do Commercio, em que atua até meados da década de 1950. Em 1949, é convidado para gravar com a cantora Carmélia Alves (1923-2012) em São Paulo. Carmélia é a primeira a gravar, em 1951, o baião “Adeus Maria Fulô”, composição de Sivuca e Humberto Teixeira (1915-1979). A música também é interpretada pelos Mutantes, em 1968. Estreia em 78 rpm em 1951, com Carmélia Alves, lançando o baião “No Mundo do Baião”, um pot-pouri de composições de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1912-1989), o choro “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu (1880-1935) e o frevo “Vassourinhas”, de Matias da Rocha (1864-s.d.) e Joana Batista Ramos (1878-1952). 

Em 1955, vai morar no Rio de Janeiro, contratado pelas Emissoras Associadas de Rádio e Televisão Tupi. Estuda durante 3 anos com Guerra Peixe (1914-1993), com quem aprende teoria musical e harmonia. No ano seguinte, lança Eis Sivuca, primeiro disco solo, e participa em trabalhos de outros artistas. Também em 1956, grava seu choro “Homenagem à Velha Guarda” e parte para a primeira temporada de shows pela Europa com o grupo Os Brasileiros. Em 1959, produz um disco de música angolana, Duo Ouro Negro. No início de 1960, ao lado de Waldir Azevedo (1923-1980), apresenta-se com o grupo Brasília Ritmos, com o qual já havia gravado no Brasil. Em Portugal, lança o disco Vê se Gostas. Entre 1960 e 1964, reside em Paris e participa no filme Le Diable et les Dix Commandements (O Diabo e os Dez Mandamentos), do francês Julien Duvivier (1896-1967). 



Em 1964, muda-se para Nova York a convite da cantora Carmen Costa (1920-2007), onde vive por 12 anos. Ali, atua como diretor musical, arranjador e violonista da cantora africana Miriam Makeba (1932-2008), com quem grava três discos e realiza turnês internacionais, lançando a música “Pata-Pata”. Em 1969, assume a direção musical e realiza o espetáculo Joy, com o norte-americano Oscar Brown Jr. (1926-2005) e Jean Pace, para o qual compõe “Mother Africa’s Day” em parceria com Oscar Brown Jr. 

Na década de 70, compõe trilhas para filmes em curta-metragem da televisão educativa americana, trabalho pelo qual é indicado ao Grammy. Nesse período, faz parcerias com artistas como Hermeto Pascoal (1936) e os norte-americanos Bette Midler (1945), Paul Simon (1941) e Harry Belafonte (1927). Em 1972, em meio às turnês com Belafonte, grava, em Nova York, o LP Sivuca e lança um espetáculo de música brasileira no Village Gate, que alcança projeção internacional, originando o LP Live at the Village Gate (1973).

Em 1975, casa-se com a compositora e médica Glorinha Gadelha (1947), com quem desenvolve parcerias artísticas. Nessa época, volta para o Rio de Janeiro e participa na série de espetáculos Seis e Meia, no Teatro João Caetano, com o show Sivuca e Rosinha de Valença. Este, gravado ao vivo, torna-se o primeiro registro do baião “Feira de Mangaio”, parceria com Glorinha. Considerado um clássico do forró, a composição tem êxito na voz de Clara Nunes (1943-1983) em 1979.

Em 1977, Chico Buarque (1944) escreve a letra para a melodia composta em 1947, dando origem a “João e Maria”, única parceria dos dois compositores, sucesso em um duo de Chico e Nara Leão (1942-1989) nesse mesmo ano.

Em 1985, Sivuca escreve a primeira peça sinfônica: Concerto Sinfônico para Asa Branca, inovando ao mobilizar a orquestra pela ótica do acordeonista. Além dos projetos e apresentações nacionais que desenvolve na década de 1980, grava Rendez-vous in Rio (1985) com o gaitista belga Toots Thielemans (1922-2016) e a cantora sueca Sylvia Vrethammar (1945), Chiko’s Bar (1986) com Toots Thielemans, e Bad Boys From Brasil (1986) com o sueco Rune Öfwerman Trio. Em janeiro de 1992, lança na Dinamarca o CD One Good Turn, com Erik Petersen. Sivuca regressa à Europa para novas turnês e apresenta-se na inauguração do teatro Cité de la Musique, em Paris, 1994.

Em 2003, volta à Paraíba, onde segue trabalhando. No ano seguinte, em Recife, grava com a Orquestra Sinfônica da cidade, Sivuca Sinfônico. Três anos depois, compõe seu último arranjo sinfônico, Choro de Cordel, com Glorinha.
Análise

Além de compositor e arranjador, Sivuca é um mestre da sanfona, instrumento do qual é um dos principais divulgadores na música nacional e internacional.



Desde jovem, viaja pelo interior do Nordeste brasileiro, tocando música regional com músicos locais, período de aprendizagem e experimentações, que lhe concede o conhecimento do universo musical nordestino. Segundo o artista, essa vivência entre músicos da cultura popular fornece as bases de sua obra. Apesar de decisiva, a arte de Sivuca não se resume à influência regional, transitando entre diversos gêneros da música nacional e internacional. A experiência é tão diversificada que se torna impossível estabelecer seu perfil estilístico com base em determinado movimento ou gênero. Seus trabalhos podem ser identificados com a bossa-nova, jazz, forró, choro, baião, maracatu, frevo. No entanto, predomina o virtuosismo no acordeom e o improviso musical, característico de expressões da Paraíba, como os cantadores de coco.

Nas primeiras décadas do século XX, o acordeom estava associado à música tradicional. É necessário um longo trabalho para sua aceitação na música popular moderna e para ser considerado um instrumento de concerto. Esse instrumento tem destaque na produção musical de Sivuca, que se define como: “um ser humano diferente dos outros porque tinha um membro-extra, o acordeon”1. Ele não o abandona, nem ao transitar pela bossa-nova, rock ou jazz, apesar da dificuldade inicial de aceitação do instrumento, o que o força, por vezes, a optar pelo violão para se manter no mercado musical. Busca demolir tais barreiras, com habilidade e inovação artística. O reconhecimento do acordeom é uma luta que Sivuca empreende ao longo da vida: “Agora é que o preconceito está acabando. E eu, sem querer me vangloriar, trabalhei muito por isso. Mas, preconceitos à parte, eu continuo tendo, como instrumento principal, a sanfona”2.

Tal aceitação relaciona-se à difusão por meio do rádio, desde os anos 1930, de estilos musicais rurais, dentre os quais a música nordestina é um exemplo. Divulgada com o sucesso do baião, na década de 50, chama a atenção da indústria fonográfica para seu potencial comercial, o que favorece a presença do acordeom no cenário musical. O trabalho de Luiz Gonzaga, exemplifica esse processo que, simultaneamente, leva a música do campo às cidades e busca um novo sotaque para este som, de forma a adaptá-lo e torná-lo mais palatável ao público urbano. No período, as rádios constituem laboratórios musicais, promovendo intercâmbios e experimentações ao reunir, em seus estúdios e auditórios, distintos gêneros musicais e seus representantes, cada qual com sua formação instrumental. O ambiente é importante para Sivuca durante a sua permanência em Recife, pois, além do contato com diversos gêneros e artistas, permite que estude teoria musical com os músicos da orquestra das rádios. Ali, torna-se aluno do maestro e compositor Guerra-Peixe, aprimorando suas noções de harmonia, fundamental para a produção sinfônica que inicia nos anos 1980 e mantida por toda a vida. Nesse contexto, Sivuca conhece também, a música das Big Bands norte-americanas, que influenciam sua obra.

O artista também se destaca pela atuação como produtor musical de discos, espetáculos e trilhas sonoras. Com seu trabalho, divulga a música brasileira no cenário internacional, colecionando admiradores e prêmios. Em 2006, o Ministério da Cultura, reconhece a importância de seu trabalho em prol da música brasileira, concedendo-lhe a Ordem ao Mérito Cultural.


Notas
1. FREITAS, Dulcivânia. A Paraíba é o maior celeiro musical do Brasil. O Norte, João Pessoa, 25 dez. 1996. Caderno 2, p.1. 
2. RODRIGUES, Elinaldo. Sou músico universal. Jornal da Paraíba, João Pessoa, 12 jul. 2003. Caderno de Cultura, p. 1

domingo, 11 de dezembro de 2016

10 ANOS DE SAUDADES


BRAGUINHA



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Carlos Alberto Ferreira Braga, nascido no Rio de Janeiro, sob o signo de Áries, em 29 de março de 1907, foi o primogênito de um casal de classe média : Jerônimo José Ferreira Braga Neto e Carmen Beirão Ferreira Braga. Residente na Gávea, tendo também Botafogo como cenário de sua infância, passou sua adolescência em Vila Isabel, onde seu pai era diretor da Fábrica de Tecidos Confiança. Cursou o ginasial no Colégio Batista, onde conheceu Henrique Brito, violonista, que lá foi estudar com uma bolsa de estudos que ganhara do então governador de sua terra natal (RN), tamanho eram seus dotes de instrumentista. Essa amizade despertou em Braguinha o interesse e a vocação pela música, fazendo com que ele, aos 16 anos, compusesse sua primeira obra (letra e música), de nome Vestidinho Encarnado.

Foi essa mesma paixão pela música que acabou por reunir colegas de colégio e amigos, surgindo em meados de 1928 um grupo chamado Flor do Tempo. Formado basicamente por Braguinha, Henrique Brito, Alvinho, Noel Rosa e Almirante, apresentavam-se em casas de amigos e clubes.Impulsionados por Almirante, em 1929, transformariam-se no Bando dos Tangarás, gravando 19 músicas, sendo 15 de autoria de Braguinha. Chamado de Carlinhos na família e de Braguinha pelos amigos, foi com esse grupo que surgiu João de Barro. Estudante de arquitetura, inspirou-se no pássaro arquiteto para criar o pseudônimo, uma vez que seu pai não queria o nome de família envolvido com música popular, devido aos preconceitos que marcavam essa época. O Bando dos Tangarás desfez-se em 1933, mas foi durante sua existência que sua carreira começou a se afirmar. Braguinha fez parte da geração que cantou e encantou a chamada "Era de Ouro" do carnaval brasileiro (1930/1942).
Em 1934, o então João de Barro conheceu duas pessoas que marcariam sua carreira: Alberto Ribeiro, seu maior parceiro e Wallace Downey, um americano que o conduziu a carreira do cinema e da indústria de discos.



Uma das facetas pouco divulgadas de Braguinha foi sua participação como roteirista e assistente de direção em filmes da Cinédia. Juntamente com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para a trilha sonora de filmes como Alô, Alô, Brasil e Estudantes, cuja personagem principal Mimi foi estrelada por Carmem Miranda. Atuou como diretor artístico da Columbia, no Rio de Janeiro, participando da escolha de repertório e formação de elenco, componentes fundamentais para o sucesso que a gravadora viria a ter no mercado fonográfico. No cenário da música popular brasileira, continuou compondo sucessos, destacando-se o inesquecível Carinhoso (1937, com Pixinguinha), um de seus maiores sucessos internacionais, e Sonhos Azuis (1936, com Alberto Ribeiro).

Em 28 de janeiro de 1938, casou-se com Astréa Rabelo Cantolino, indo morar na Tijuca.Ano marcante em sua vida, teve neste carnaval nada menos que 3 marchas que se tornaram clássicos até hoje executados: Pastorinhas(com Noel Rosa), Touradas em Madri e Yes, nós temos bananas (com Alberto Ribeiro). Também em 1938, foi um dos responsáveis pela dublagem brasileira de Branca de Neve e os sete anões, de Walt Disney, o primeiro desenho animado em longa metragem da história do cinema. Também participou das versões brasileiras de Pinóquio (1940), Dumbo(1941), Bambi (1942), dentre muitos outros.

Certamente sua esposa Astréa lhe trouxe sorte, além de uma alegria ímpar: em 02 de julho de 1939, nasceu Maria Cecília, sua única filha. Apaixonado que ficou por estórias infantis, escreveu e adaptou, também musicando, diversas historinhas como Os três porquinhos, Festa no céu, Chapeuzinho Vermelho, e tantas quantas pudermos lembrar em nossa infância. Em 1939, comporia Noites de Junho (com Alberto Ribeiro), gravada por Dalva de Oliveira, que seria um dos seus grandes sucessos no gênero junino. Sucederam-se inúmeras composições de carnaval, tendo em 1941, com parceria de Alberto Ribeiro, feito a versão de Valsa da Despedida, tema do filme A ponte de Waterloo. Aliás, como autor de versões, Braguinha brilhou em diversas canções com parceiros internacionais como Charles Chaplin em Luzes da Ribalta e Sorri, atualmente regravada por Djavan, e também tema do anúncio de uma grande rede de lojas carioca, em 1996. xtinta a Columbia no Brasil, em 1943, nasceu a Continental, também tendo Braguinha na direção artística.

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Um de seus maiores sucessos internacionais seria composto em 1944: Copacabana, gravada por Dick Farney, com orquestração de Radamés Gnattali, em 1946.Foi o primeiro grande sucesso da Continental, e é a segunda composição mais gravada do repertório de Braguinha, tendo inúmeros intérpretes em diversas regravações. Em 1947, comporia outro sucesso traduzindo seu amor carioca: Fim de semana em Paquetá, também em parceria com Alberto Ribeiro. Na sua linha carnavalesca, viriam as composições Anda Luzia (1947), Tem gato na tuba (1948), A mulata é a tal (1948) e Chiquita Bacana (1949). Braguinha, em 1950, seria um dos fundadores da Todamérica, gravadora e editora musical, que em 1960 passaria apenas a atuar como editora.

Sua filha Maria Cecília casaria em 1959, com o psiquiatra Jadyr de Araujo Góes, proporcionando-lhe então mais emoções, traduzidas nos seus 3 netos: Carlos Alberto, Maria Luiza e Maria Claudia. Teve inicio, em fins de 1960, o declínio da canção carnavalesca tradicional. Ainda assim, Braguinha lançaria o sucesso Garota de Saint-Tropez (1962), tendo Jota Junior como parceiro.

Em 1979, Gal Costa regravaria Balancê, que o colocaria novamente em destaque no já novo cenário da MPB. Em 1985, em parceira com César Costa Filho, comporia Vagalume, vencedora de concurso musical da TV Manchete. Teve dois espetáculos montados em sua homenagem:. O Rio amanheceu cantando, na boite Vivará, em 1975, e Viva Braguinha, na Sala Sidney Miller, em 1983. Recebeu o Prêmio Shell para Música Brasileira, no Teatro Municipal, em 1985.

Teve sua grande consagração carnavalesca em 1984, ano da inauguração do Sambódromo, desfilando como tema da Mangueira, escola campeã deste mesmo ano com o samba enredo Yes, nós temos Braguinha. O nome deste samba se transformou no título de sua primeira biografia, excelente trabalho de Jairo Severiano. Braguinha é assim, sucesso e carisma. Nunca soube ler música e só compõe de ouvido. Mas soube contagiar a multidão que, pedindo bis,fez com que a Mangueira retornasse ao desfile, desta vez percorrendo, no sentido contrário, a Marquês de Sapucaí. BIS para aquele que é e sempre será uma das figuras mais importantes da nossa música popular brasileira.


SIVUCA


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O instrumentista, arranjador e compositor Severino Dias de Oliveira, conhecido artisticamente como Sivuca, nasceu em Itabaiana, cidade do interior da Paraíba, no dia 26 de maio de 1930, filho de José Dias de Oliveira e Abdólia Albertina de Oliveira. Diferente de boa parte de músicos que, na sua infância, aprendiam a tocar um instrumento musical com pessoas da família, Sivuca foi um auto-didata pois, na sua casa, nada via ou ouvia relacionado com a música. Seu pai era agricultor e também trabalhava com couro utilizando-o na confecção de selas. Seus irmãos eram sapateiros e ele acredita que, se não tivesse estudado música, fatalmente seria mais um sapateiro na família. Sua vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência.

Tal afirmação é comprovada por sua história. No dia 13 de junho de 1939, seu pai levara para casa uma sanfona de dois baixos para seu irmão. Desde então, até os quatorze anos, Sivuca tocou sanfona animando casamentos e festas pelo interior.

Sua carreira profissional começou aos quinze anos, em 1945, no Recife. No Teatro Santa Isabel ele assistiu ao primeiro concerto sinfônico com a Orquestra Sinfônica do Recife. Este fato abriu portas para um mundo musical que Sivuca desconhecia. Posteriormente, teve a oportunidade de aprender suas primeiras lições de teoria musical com o clarinetista da Sinfônica, Lourival de Oliveira.


Ainda em 1945, foi se inscrever para um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco e a pessoa responsável pela inscrição e seleção era o maestro Nelson Ferreira (compositor, violinista, pianista e regente pernambucano). Quando o maestro ouviu o som da sanfona de Sivuca, indicou-o para tocar num programa da Rádio do dia seguinte. Foi Nelson Ferreira quem lhe deu o nome de Sivuca. Na opinião dele, Severino Dias de Oliveira parecia anunciar uma firma comercial de interior e era muito grande para um nome artístico.


Na Rádio Clube de Pernambuco, em 1946, Sivuca conheceu Luiz Gonzaga. Gonzaga gostou muito do que ouviu quando Sivuca tocou a sanfona. Gostou tanto que, uma semana depois, enviou um telegrama oferecendo um contrato de trabalho para a Rádio Nacional. Naquele momento, ele não pôde afastar-se do Recife por ter compromisso assinado com a Rádio Clube. Entretanto, quatro anos depois (1950), estreou na Rádio Record, em São Paulo, com a grande Orquestra Record, dirigida pelo maestro Gabriel Migliori.

Em 1948, aprendeu arranjo e composição com o maestro Guerra-Peixe (compositor, arranjador e musicólogo fluminense) que assim o encaminhou na arte de fazer orquestrações. Neste mesmo ano, firma contrato com a Rádio Jornal do Commercio, Recife.
No ano de 1950 gr
ava, em parceria com Humberto Teixeira, o seu primeiro disco, pela gravadora Continental. Fixa residência no Rio de Janeiro (1955) e no período de 1955-1958, é contratado pelas emissoras Associadas de Radio e Televisão Tupi. Nesse período, compôs Homenagem à Velha Guarda e, em parceria com Humberto Teixeira, Adeus Maria Fulô e Fogo Pagô. Fez arranjos e trilhas sonoras para os filmes de Roberto Farias: Rico ri à-toa e No mundo da lua e participou do LP (long play, disco em vinil) de Altamiro Carrilho, em 1957.

A Lei Humberto Teixeira, assinada pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, que estabelecia a promoção da música brasileira no exterior, favoreceu a ida de Sivuca para a Europa. Na época, Sivuca fazia parte do grupoOs Brasileiros que tinha também como participantes Guio de Moraes, Trio Irakitan, Abel Ferreira, Dimas e Pernambuco. Eles se apresentaram no Olympia de Paris, no London Palladium e na Exposição Internacional de Bruxelas (1958). Sivuca ficou na Europa por alguns anos. Neste período, gravou seu primeiro disco na Europa e fez shows na Bélgica, Suíça e sul da França.

De volta ao Brasil, em 1964, foi convidado para ir aos Estados Unidos. Sua intenção era passar seis meses e acabou ficando por 13 anos. Neste período, trabalhou como guitarrista do grupo da cantora africana Miriam Makeba (1965-1969) e com ela viajou pela África, Europa, Ásia. Gravou três discos e conquista, como arranjador e instrumentista, o sucesso internacional.

Trabalhou com diversos e renomados artistas como Hermeto Pascoal, Betty Midler, Paul Simon, entre outros.

Em 1975, casa-se com a compositora Glória Gadelha e com ela realiza um rico trabalho de composição.

A produção musical de Sivuca é extensa, reflete a sua genialidade musical.


Fonte:
http://braguinha.ag.com.br/
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=410

terça-feira, 9 de julho de 2013

LUIZ GONZAGA É CEM: HOMENAGEM DE SIVUCA


Certa vez numa peleja na Paraíba, alguém deu um tema pros dois violeiros: "plantar saudade". Tema difícil pra fazer versos, mas saíram vários, pois nada é impossível ao repentista. E houve um cantador, Ontõe Pereira (Antonio Pereira de Moraes, paraibano) que fechou com chave de ouro aquela cantoria fazendo esta sextilha fabulosa:


“Quem quiser plantar saudade,
escalde bem a semente,
depois plante em lugar seco
na hora do sol mais quente,
pois se plantar no molhado
quando nascer mata a gente".

Já escrevi aqui como se deu o encontro de Luiz Gonzaga com o ainda menino Sivuca, no Recife, em 1946 e do espanto do rei do baião com a puxada de fole daquele molecote.

Sivuca, lamentavelmente, morreu a 14 de dezembro de 2006. A “indesejada” o poupou de morrer a 13 de dezembro, aniversário de Gonzaga, porque eles se admiravam muito. Imaginem que o maior músico de sanfona do mundo, numa entrevista de 2005, disse humildemente que tinha aprendido também com ele. Segundo Sivuca, a escola de acordeon brasileira é a única no mundo que consegue desbravar recursos e sons inimagináveis até para os acordeonistas italianos e alemães, duas outras escolas portentosas e respeitáveis, porque somente aqui os músicos de sanfona conseguem também fazer o ritmo da música sentindo a pulsação no próprio instrumento, seja tocando choro ou forró. O pai dessa escola é Luiz Gonzaga, o qual explorou o forró e outros ritmos inclusive o choro. E a linha do choro brasileiro teve e tem outros instrumentistas notáveis como Chiquinho do Acordeon, Orlando Silveira, Mário Gennari Filho, Dominguinhos, Genaro, Duda da Passira e Noca do Acordeon. No forró destacaram-se de forma impressionante, Osvaldinho e Dominguinhos. Talvez Sivuca tenha sido o mais completo de todos.

Como se sabe, no começo de 1964, Sivuca viajou pros Estados Unidos pra acompanhar a cantora Carmem Costa em suas apresentações musicais. Lá ficou por mais de 12 anos e trabalhou com grandes artistas, fez arranjos pra muita gente famosa, era adorado pelos músicos americanos, tocando sempre mais violão do que sanfona, pois era também exímio guitarrista, como dizem os norte-americanos e espanhóis do músico que toca violão.

Mas apesar do sucesso, Sivuca tinha uma vontade danada de voltar pro Brasil, porém, aqui, conforme ele falou, tinha acontecido "aquela coisa que se chamou de Revolução de 1964" e ele tinha a carteirinha do Partidão. Os militares (acho eu), nunca souberam disso, pois do contrário não o teriam deixado voltar em fins de 1976.

Foi lá nos States quando estava morrendo de saudades de cá, que o "filho da Lua" fazia evocações da sua juventude em Itabaiana/PB, lugar onde nasceu e se criou. Assim foi juntando algumas coisinhas, fazendo algumas rimas e começou a fazer uma musiquinha onde cada verso começava sempre com a expressão "nunca mais eu vi". E seguindo aquele chamado da recordação, falava na viola famosa de Azulão; no seu time de botão que adquiriu em Recife; na sua louça espalhada pelo terreiro na pobreza da sua comunidade rural chamada Pernambuquinho; em Henriqueta pisando milho no pilão significando fartura; em arrasta-pé no Sertão; em pegar boi no marmeleiro; em chapéu de couro e gibão; em adivinhação e, claro, também em Gonzaga que sempre foi seu ídolo.

Voltando ao Brasil em 1976, viu ainda aqueles tempos bicudos em que vivíamos e foi então que se lembrou daquele inseto ortóptero verde, muito comum nas matas brasileiras e que mais se parece com um micro garrancho andando. O nome do bichinho? Esperança. E o País estava mergulhado naquele regime de "pega, tortura e mata". Assim, de olho na situação política, conseguiu colocar título na sua música. E deu uma jogada de mestre, ao tentar emplacar "Nunca Mais Eu Vi Esperança". A Censura julgou os versos inocentes, mas o título da música não. E assim somente no começo de 1978 ela foi liberada para gravação. Era a lembrança doce do menino transformada em azeda realidade pro adulto, porque assim concluiu em forma de música que, naquela época, esperança no Brasil só havia mesmo na mata. Quanta gente escreveu tanta coisa sem conseguir transmitir aquilo que ele disse tão simplesmente: “nunca mais eu vi esperança”!



No primeiro encontro que Sivuca teve com Luiz Gonzaga após a volta, em 1977, lembraram dos velhos tempos e ele então lhe falou da música que havia composto a qual mencionava o Rei do Baião. Luiz ficou encantando com a simplicidade daquela música que parecia destinada à criançada. Aquilo que até então tinha um ritmo de baião dolente sofreu a influência do gênio inventivo de Gonzaga porque pediu ao amigo para “envenenar” a sanfona transformando-a num xaxado como nunca se ouviu. E assim foi gravada por Gonzaga no disco “Dengo Maior”, de 1978. Como baião, recebeu registro sonoro de Sivuca em 1981 no LP “Vou Vida Afora”.

A Censura do regime militar, que era um monstro sem cabeça, no fim da era Geisel, deu uma aliviada e tornou possível (com a retirada do veto) que aquela música de saudosismo adolescente, tenha se transformado numa raridade: Luiz Gonzaga cantando com a participação de Sivuca e ao som daquela sua sanfona divinal, ou endiabrada como diziam alguns. É o único registro sonoro que reúne os dois gênios (voz e instrumento).

No encarte do disco, a música aparece com a co-autoria da esposa de Sivuca, a cantora e compositora paraibana Glorinha Gadelha, como acontece com toda sua produção musical registrada a partir de 1976. Eu não sei exatamente qual a participação dela nessa música. Sei, apenas, que ele começou a fazê-la nos Estados Unidos.

E rendendo homenagem aos dois artistas, Sivuca e Gonzaga, no ano do centenário do segundo, eu peço que ouçam este exemplo da simplicidade e do talento musical. E nunca mais vão esquecer esse xaxado! A música foi gravada, dizem alguns, no final de 1977 e faz parte do repertório do LP "Dengo Maior", de Luiz Gonzaga, lançado em abril de 1978, aquele mesmo disco que trouxe a última música da parceria famosa Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira: "Salmo dos Aflitos".

sexta-feira, 1 de maio de 2009

ROSINHA DE VALENÇA

Rosinha de Valença (Maria Rosa Canelas) nasceu em Valença RJ em 30 de Julho de 1941. Ainda criança começou a se interessar por violão, assistindo aos ensaios do conjunto regional de seu irmão Roberto. Estudou sozinha, ouvindo musicas de rádio, e aos 12 anos já tocava violão num regional que animava bailes e na Radio de Valença, acompanhando cantores. Em 1960 abandonou os estudos para se dedicar a carreira musical, indo para o Rio de Janeiro RJ em 1963. Através de Sérgio Porto, conheceu, na boate Au Bon Gourmet, o violonista Baden Powell e Aluísio de Oliveira, produtor da gravadora Elenco, que a contratou para gravar seu primeiro disco, Apresentando Rosinha de Valença. Seu nome artístico foi criado por Sérgio Porto, que costumava dizer que ela tocava por uma cidade inteira. Ainda em 1963, foi sucesso durante oito meses na boate carioca Bottle's. Seguiram-se apresentações em televisão, rádio, teatro e outras casas noturnas, e em maio de 1964 apresentou-se no show O fino da bossa, no Teatro Paramount, em São Paulo SP. No fim do mesmo ano, excursionou durante oito meses pelos EUA com o conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes, e gravou dois discos. Viajou novamente no final de 1965, participando como solista de um grupo de música brasileira, patrocinado pelo Itamaraty, que se apresentou em 24 países europeus. Foi a violonista do espetáculo Comigo me desavim, de Maria Bethânia, em 1967, e no ano seguinte iniciou uma série de apresentações na URSS, Israel, Suíça, Itália, Portugal e países africanos, voltando ao Brasil em 1971. Trabalhou então com Martinho da Vila, participando de seus quatro LPs seguintes. Realizou depois novas tournées no exterior, e de volta, em 1974, organizou uma banda que teve varias formações e contou com a participação de artistas como o pianista João Donato, o flautista Copinha e as cantoras Ivone Lara e Miúcha. Um dos espetáculos da sua banda foi gravado pela Odeon, que lançou em 1975 o LP com o titulo Rosinha de Valença e banda. Tem ainda 11 LPs editados no Brasil, EUA, RFA. e França, em diversas marcas, entre as quais RCA, Odeon, Forma, Pacific Jazz e Barclay. Abandonou a carreira artística algum tempo depois, por motivos graves de saúde.
Rosinha faleceu em Valença, RJ, em 10 de junho de 2004.
Fica aqui uma das obras da Rosinha, para vocês possam conhecer um pouco do talento dessa grande artista:

Sivuca & Rosinha de Valença - Ao vivo (1977)

Faixas:
01 - Homenagem à velha guarda (Sivuca)
Interpretação: Sivuca
02 - Quando me lembro (Luperce Miranda)
• Vassourinha (Mathias da Rocha - Joana Batista Ramos)
Interpretação: Sivuca
03 - Reunião de tristeza (Sivuca)
Interpretação: Sivuca
04 - Feira de Mangaio (Sivuca - Glória Gadelha)
Interpretação: Sivuca
05 - Asa branca (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
Interpretação: Rosinha de Valença / Sivuca
06 - Adeus, Maria Fulô (Sivuca - Humberto Teixeira)
Interpretação: Sivuca
07 - Lamento (Vinicius de Moraes - Pixinguinha)
Interpretação: Rosinha de Valença / Sivuca
08 - Tema do Boneco de Palha (Sivan Castelo Neto - Vera Brasil)
Interpretação: Rosinha de Valença

terça-feira, 3 de junho de 2008

FEIRA DE MANGAIO COM CLARA NUNES E SIVUCA

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