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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SEMPRE TEREMOS BRAGUINHA

Por Luís Pimentel





Na tentativa de reeducar os ouvidos, bombardeados pelo batuque cada vez mais acelerado dos sambas-enredo, no último Carnaval que passei no Rio de Janeiro eu fui ao Bip Bip, em Copacabana, ouvir a turma que promove a mais linda roda de marchinhas da cidade, toda sexta imediatamente anterior aos dias de folia, cantar: “-Lourinha, lourinha/Dos olhos claros de cristal/Desta vez em vez da moreninha/serás a rainha do meu carnaval”. 


Linda loirinha foi composta há mais de 80 anos por Braguinha, que este ano, em 29 de março, teria feito 119 anos. E essa marchinha é cantada até hoje. Na época, 1933, o compositor queria fazer uma média com as loiras, que no ano anterior ficaram enciumadas com o derretimento do dele para com as morenas: “Moreninha querida/Da beira da praia/Que mora na areia todo o verão/Que anda sem meia em plena avenida/Varia como as ondas o teu coração”.

Carlos Alberto Ferreira Braga nasceu no Rio de Janeiro, em 1907. Filho do gerente da fábrica de tecidos Confiança, começou a cantar e a compor profissionalmente ao lado das melhores companhias, no Bando dos Tangarás: Almirante e Noel Rosa (com quem compôs a angelical “As pastorinhas”). Uma brincadeira de grupo obrigou a que todos adotassem apelidos de passarinhos. Braguinha escolheu João de Barro, único que pegou. Com esse pseudônimo assinou várias canções. Qual teria sido o apelido de Noel? “Canário”, provavelmente não; o poeta da Vila não cantava bem.

Sempre perto dos bons, Braguinha teve ótimos parceiros. Entre eles, o gigante Pixinguinha, de quem musicou "Carinhoso" (a pedido da atriz e cantora Heloísa Helena, que queria colocar a canção no musical "Juju e Balangandãs", apresentado no Teatro Municipal). Também esteve ao lado das boas e teve em Carmen Miranda uma intérprete e amiga de primeira hora. A pequena notável gravou "Primavera no Rio" (“O Rio amanheceu cantando/Toda a cidade amanheceu em flor/E os namorados vêm pra rua em bando/Porque a primavera é a estação do amor”), revelando o compositor João de Barro, até então desconhecido.

Versado com desenvoltura na música e na letra, mesmo assim Braguinha teve alguns parceiros (o mais profícuo foi o médico Alberto Ribeiro) e com eles produziu delícias do nosso cancioneiro, como "Touradas em Madri" (que levou a torcida brasileira ao delírio no Maracanã, na dolorosa Copa de 1950, no jogo contra a Espanha), "Yes, nós temos banana", "Chiquita bacana", "Balancê", "Cadê Mimi?" e tantas outras.

Às voltas com problemas de saúde, Braguinha não acompanhou a mais um carnaval de correrias e sambas acelerados. Mas tem estreita ligação com a folia e em 1984 sua vida inspirou o enredo "Yes, Nós Temos Braguinha", que deu à Mangueira o título de campeã do carnaval daquele ano. Morreu em 2006, um ano antes do centenário.

domingo, 29 de janeiro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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Por vezes pareço-me repetitivo, mas há álbuns artistas que merecem laudas e laudas de destaque como é o caso de Braguinha. Falar de artistas dessa envergadura nunca é demais quando se vive em um país notoriamente conhecido por sua memória curta. Além de se destacar como exitoso compositor da história de nossa música, Braguinha também, como diretor artístico da gravadora Continental, foi responsável pela projeção fonográfica de nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim, Lúcio Alves, Dick Farney, Doris Monteiro, Tito Madi, Nora Ney, Jorge Goulart e Jamelão entre outros. Como autor outra façanha não destacada em minhas abordagens anteriores é a composição de "Copacabana", cuja gravação de Dick Farney, em 1946, com arranjo de cordas de Radamés Gnattali, seria considerada precursora da bossa nova. Outra composição de destaque é "Balancê", gravada originalmente por Carmem Miranda em 1937, foi regravada por Gal Costa em 1978. No ano seguinte, a marchinha se tornaria a mais tocada no carnaval, com 2357 execuções, segundo dados do ECAD. Multifacetado, ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de discos infantis até então lançada no Brasil. Na direção da gravadora Continental, Braguinha criou o selo Disquinho, que lançou várias adaptações suas para histórias tradicionais como Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas; além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Em 1976, a série atingiu a marca dos cinco milhões de cópias editadas. Vinte anos mais tarde, em 1996, a Editora Moderna transformou as histórias criadas por ele em livros coloridos.


Uma passagem interessante na biografia do saudoso compositor aconteceu no jogo Brasil e Espanha ocorrido na copa de 1950. Sentado na cadeira cativa do Maracanã para assistir ao jogo da seleção brasileira, Braguinha não imaginava que uma composição sua iria fazer parte da trilha sonora da torcida presente no estádio. Chegando como favorita, a seleção espanhola levou uma goleada da equipe brasileira. A cada gol era possível ver um público estimado em mais de 150 mil pessoas cantarem:

Eu fui às touradas em Madri
Paraná – tchim – bum – bum – bum
Paraná – tchim – bum – bum – bum
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri
Beijar Ceci”.

Então o ocupante daquela cadeira cativa não consegue mais se conter e chora. E, quando a enorme torcida festeja a vitória final, Braguinha ainda está chorando. Enquanto dezenas de milhares de torcedores brasileiros gozam o time espanhol, ele é o único que naquele momento não consegue cantar de tanta emoção. Em vida, Braguinha ainda teve a oportunidade de usufruir de outras diversas homenagens, dentre elas os dois espetáculos montados em sua homenagem: O Rio amanheceu cantando, em 1975, e Viva Braguinha, na Sala Sidney Miller, em 1983. Em 1984, com a inauguração do Sambódromo, a Mangueira homenageou o compositor com o samba-enredo "Yes, nós temos Braguinha". Com o tema, a escola de samba recebeu o título de Super Campeã daquele ano. (Em 2007, a Mangueira voltou a homenagear o compositor por seu centenário). Destaque ainda para o Prêmio Shell para Música Brasileira que recebeu no Teatro Municipal, em 1985 e a medalha da Ordem do Mérito Cultural com a qual foi agraciado aos 90 anos, em 1997. A condecoração foi entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Nosso eterno Carlos Alberto Ferreira Braga (ou se preferir Braguinha ou João de Barro) faleceu aos 99 anos em 24 de dezembro de 2006, vítima de falência múltipla dos órgãos provocada por infecção generalizada.

domingo, 22 de janeiro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


Mais uma vez destaco o nome deste ícone da composição brasileira: Braguinha. Como já foi dito, o compositor teve destaque não apenas na música popular brasileira, mas também no cinema como diretor e autor de diversas trilhas sonoras. Com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para trilha sonora de filmes como “Alô, Alô, Brasil” e “Estudantes” (cuja personagem principal foi interpretada por Carmem Miranda) e tantos outros como destaquei recentemente. Sem sombra de dúvidas, um dos seus maiores (se não o maior) sucesso foi "Carinhoso", samba-choro feito em parceria com Pixinguinha e que acabou por se tornar uma das composições mais gravadas da música popular brasileira com registro de nomes de peso do nosso cancioneiro a exemplo de Dalva de Oliveira, Isaura Garcia, Ângela Maria, Gilberto Alves, Elis Regina, Djavan e outros. No entanto, uma das mais belas versões trata-se da lançada por seu primeiro intérprete, Orlando Silva, em 1937 (No selo original do disco de Orlando Silva é identificado como samba). Para começar, originalmente "Carinhoso" surgiu como uma música instrumental: uma 'polca lenta' duas décadas antes de ganhar a belíssima letra escrita por Braguinha. Pixinguinha, então com 20 anos, a compôs em 1917. Eram comum naquele tempo, as músicas ter três partes e a polca apresentava apenas duas. Então, o tema foi deixado 'na gaveta' e só foi retomado mais de uma década depois, quando ganhou registro em disco pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, no lado B de um 78 rotações. Em 1929 fez-se nova versão orquestral com a Orquestra Victor Brasileira. Em 1935, o bandolinista Luperce Miranda também a gravou. Nestas duas ocasiões, saiu como "Carinhos".


Por conta de um espetáculo que a cantora Heloisa Helena iria participar, foi pedido a João de Barro, o Braguinha, que compusesse uma letra para a melodia, isso em 1936. Ele a fez de imediato e de tão bela que era a letra acabou chamando a atenção do público. Porém, o cantor Orlando Silva não gostou do texto e pediu a Pedro Caetano uma alternativa. Conta-se que Aracy Cortes também criou a sua. A RCA Victor ia gravar “Carinhoso”. Todavia, o diretor do selo decidiu pela letra de Braguinha e a ofereceu a Carlos Galhardo e Chico Alves, que não se entusiasmaram. Sobrou então para Orlando Silva, ainda em ascensão, cumprir a tarefa, que tinha como outro lado a valsa "Rosa", também de Pixinguinha em 1917, letrada por Otávio Souza. E foi um sucesso como se pode atestar com o passar dos anos. Outra canção de destaque do seu repertório é a marcha "Touradas em Madrid", canção com a qual Braguinha venceu um concurso carnavalesco em 1938. A música foi desclassificada, pois alegaram que seu ritmo pertencia a um ritmo estrangeiro. Anos mais tarde, em 1950, a canção foi cantada por cerca de 200 mil pessoas durante a partida contra a Espanha na Copa do Mundo de Futebol no Maracanã. Outro destaque da lavra do compositor carioca foi a resposta ao fox norte-americano surgido no Brasil,"Yes! We Have no Bananas" (Frank Silver e Irving Cohn). Em 1938, Braguinha compôs com Alberto Ribeiro a marcha "Yes, nós temos bananas", de grande êxito naquele Carnaval, na gravação de Almirante. O engraçado é o modo de compor deste artista que se destacou por belíssimas canções. Mesmo sem conhecimentos teóricos sobre música, desenvolveu um método bastante pessoal para compor suas canções: o assovio. Um método bastante diferente, mas que acabou tornando-o um dos mais destacados compositores do Brasil.

domingo, 8 de janeiro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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Recentemente falei um pouquinho de como foi o início da carreira musical deste grande artista que foi o Braguinha, hoje retomo a abordagem acerca de sua biografia e curiosidades porque a sua importância para a música popular é imensurável. Mesmo chegando a cursar arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, Braguinha não desistiu da música. Foi por conta dessa sonhada promissora carreira como arquiteto que fez com que o pai não quisesse o nome da família envolvido com música popular e, por conta disso, o compositor assumiu o pseudônimo de João de Barro. Uma homenagem ao passarinho que constrói sua própria casa. Acredita-se que a escolha de tal pássaro tenha se dado devido a capacidade de uma possível analogia entre a pretensa profissão e a ave. Como já dito, Braguinha foi um dos compositores mais populares na primeira metade do século XX, sendo responsável por músicas que perduram até hoje no gosto popular como é o caso da clássica "Carinhoso". O que não foi aprofundado foi o envolvimento de Braguinha com o cinema. Nos anos de 1930 e 1940, o compositor teve forte ligação com o cinema Logo no início do cinema sonoro, foi argumentista de vários filmes, geralmente lançados no período momesco, como “Alô, alô, carnaval”, de Adhemar Gonzaga (1935), "Alô, alô, Brasil”, de Wallace Downey (1934) e “Banana da terra”, de Ruy Costa (1938). Este último, com um elenco de peso que incluía nomes como o Bando da Lua, Oscarito, Dircinha e Linda Batista, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Alvarenga, Aurora e Carmen Miranda entre outros; foi responsável por trazer ao conhecimento do grande público o então aspirante a artista Dorival Caymmi com "O que é que a baiana tem?", canção que viria a se tornar emblemática com o passar dos anos. Vale o registro também de sua passagem como diretor de cinema quando em 1939 dirigiu “Anastácio”. No entanto esta sua incursão como diretor restringiu-se a apenas esta película.


Sua incursão pela sétima arte não tornou-se expressiva devido ao grande sucesso enquanto autor. Ao todo, são mais de 400 títulos musicais. Longe da direção dos longas, permaneceu envolto com o cinema compondo para diversas películas, dentre elas "Laranja da China", (1940) e "Abacaxi azul", (1944), ambos dirigidos por Ruy Costa. Em 1952, escreveu com Alberto Ribeiro as canções para "Beleza do diabo", de Romain Lessage, e em 1956, para “Eva no Brasil”, de Pierre Caron. Também foi responsável pela versão brasileira de produções da Disney, dirigindo dublagens e fazendo as versões para as trilhas sonoras de filmes como “Bambi”, “Pinóquio” e “Branca de Neve”. Consta que o próprio Walt Disney ficou impressionado com o trabalho e lhe ofereceu um relógio de ouro com dedicatória especial. Sua relação com o cinema nacional como se ver foi intrínseca. Tanto que na passagem do seu centenário em 2007 o Centro Cultural Banco do Brasil carioca organizou a mostra “Braguinha, 100 anos – homenagem do cinema brasileiro”, onde foi apresentado diversos documentários sobre sua carreira, dentre os quais “Braguinha – a flor do tempo”, de Fernando Faro, “Braguinha descobre o Brasil”, de Mônica Serpa e “Braguinha, um João de Barro da MPB”, dirigido por Dimas de Oliveira Jr. e Luis Felipe Harazin. Além de compor e de se destacar no cinema também atuou nos bastidores do mundo fonográfico em diversas gravadoras. Braguinha, em 1950, seria um dos fundadores da Todamérica, gravadora e editora musical, que em 1960 passaria apenas a atuar como editora.

domingo, 11 de dezembro de 2016

10 ANOS DE SAUDADES


BRAGUINHA



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Carlos Alberto Ferreira Braga, nascido no Rio de Janeiro, sob o signo de Áries, em 29 de março de 1907, foi o primogênito de um casal de classe média : Jerônimo José Ferreira Braga Neto e Carmen Beirão Ferreira Braga. Residente na Gávea, tendo também Botafogo como cenário de sua infância, passou sua adolescência em Vila Isabel, onde seu pai era diretor da Fábrica de Tecidos Confiança. Cursou o ginasial no Colégio Batista, onde conheceu Henrique Brito, violonista, que lá foi estudar com uma bolsa de estudos que ganhara do então governador de sua terra natal (RN), tamanho eram seus dotes de instrumentista. Essa amizade despertou em Braguinha o interesse e a vocação pela música, fazendo com que ele, aos 16 anos, compusesse sua primeira obra (letra e música), de nome Vestidinho Encarnado.

Foi essa mesma paixão pela música que acabou por reunir colegas de colégio e amigos, surgindo em meados de 1928 um grupo chamado Flor do Tempo. Formado basicamente por Braguinha, Henrique Brito, Alvinho, Noel Rosa e Almirante, apresentavam-se em casas de amigos e clubes.Impulsionados por Almirante, em 1929, transformariam-se no Bando dos Tangarás, gravando 19 músicas, sendo 15 de autoria de Braguinha. Chamado de Carlinhos na família e de Braguinha pelos amigos, foi com esse grupo que surgiu João de Barro. Estudante de arquitetura, inspirou-se no pássaro arquiteto para criar o pseudônimo, uma vez que seu pai não queria o nome de família envolvido com música popular, devido aos preconceitos que marcavam essa época. O Bando dos Tangarás desfez-se em 1933, mas foi durante sua existência que sua carreira começou a se afirmar. Braguinha fez parte da geração que cantou e encantou a chamada "Era de Ouro" do carnaval brasileiro (1930/1942).
Em 1934, o então João de Barro conheceu duas pessoas que marcariam sua carreira: Alberto Ribeiro, seu maior parceiro e Wallace Downey, um americano que o conduziu a carreira do cinema e da indústria de discos.



Uma das facetas pouco divulgadas de Braguinha foi sua participação como roteirista e assistente de direção em filmes da Cinédia. Juntamente com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para a trilha sonora de filmes como Alô, Alô, Brasil e Estudantes, cuja personagem principal Mimi foi estrelada por Carmem Miranda. Atuou como diretor artístico da Columbia, no Rio de Janeiro, participando da escolha de repertório e formação de elenco, componentes fundamentais para o sucesso que a gravadora viria a ter no mercado fonográfico. No cenário da música popular brasileira, continuou compondo sucessos, destacando-se o inesquecível Carinhoso (1937, com Pixinguinha), um de seus maiores sucessos internacionais, e Sonhos Azuis (1936, com Alberto Ribeiro).

Em 28 de janeiro de 1938, casou-se com Astréa Rabelo Cantolino, indo morar na Tijuca.Ano marcante em sua vida, teve neste carnaval nada menos que 3 marchas que se tornaram clássicos até hoje executados: Pastorinhas(com Noel Rosa), Touradas em Madri e Yes, nós temos bananas (com Alberto Ribeiro). Também em 1938, foi um dos responsáveis pela dublagem brasileira de Branca de Neve e os sete anões, de Walt Disney, o primeiro desenho animado em longa metragem da história do cinema. Também participou das versões brasileiras de Pinóquio (1940), Dumbo(1941), Bambi (1942), dentre muitos outros.

Certamente sua esposa Astréa lhe trouxe sorte, além de uma alegria ímpar: em 02 de julho de 1939, nasceu Maria Cecília, sua única filha. Apaixonado que ficou por estórias infantis, escreveu e adaptou, também musicando, diversas historinhas como Os três porquinhos, Festa no céu, Chapeuzinho Vermelho, e tantas quantas pudermos lembrar em nossa infância. Em 1939, comporia Noites de Junho (com Alberto Ribeiro), gravada por Dalva de Oliveira, que seria um dos seus grandes sucessos no gênero junino. Sucederam-se inúmeras composições de carnaval, tendo em 1941, com parceria de Alberto Ribeiro, feito a versão de Valsa da Despedida, tema do filme A ponte de Waterloo. Aliás, como autor de versões, Braguinha brilhou em diversas canções com parceiros internacionais como Charles Chaplin em Luzes da Ribalta e Sorri, atualmente regravada por Djavan, e também tema do anúncio de uma grande rede de lojas carioca, em 1996. xtinta a Columbia no Brasil, em 1943, nasceu a Continental, também tendo Braguinha na direção artística.

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Um de seus maiores sucessos internacionais seria composto em 1944: Copacabana, gravada por Dick Farney, com orquestração de Radamés Gnattali, em 1946.Foi o primeiro grande sucesso da Continental, e é a segunda composição mais gravada do repertório de Braguinha, tendo inúmeros intérpretes em diversas regravações. Em 1947, comporia outro sucesso traduzindo seu amor carioca: Fim de semana em Paquetá, também em parceria com Alberto Ribeiro. Na sua linha carnavalesca, viriam as composições Anda Luzia (1947), Tem gato na tuba (1948), A mulata é a tal (1948) e Chiquita Bacana (1949). Braguinha, em 1950, seria um dos fundadores da Todamérica, gravadora e editora musical, que em 1960 passaria apenas a atuar como editora.

Sua filha Maria Cecília casaria em 1959, com o psiquiatra Jadyr de Araujo Góes, proporcionando-lhe então mais emoções, traduzidas nos seus 3 netos: Carlos Alberto, Maria Luiza e Maria Claudia. Teve inicio, em fins de 1960, o declínio da canção carnavalesca tradicional. Ainda assim, Braguinha lançaria o sucesso Garota de Saint-Tropez (1962), tendo Jota Junior como parceiro.

Em 1979, Gal Costa regravaria Balancê, que o colocaria novamente em destaque no já novo cenário da MPB. Em 1985, em parceira com César Costa Filho, comporia Vagalume, vencedora de concurso musical da TV Manchete. Teve dois espetáculos montados em sua homenagem:. O Rio amanheceu cantando, na boite Vivará, em 1975, e Viva Braguinha, na Sala Sidney Miller, em 1983. Recebeu o Prêmio Shell para Música Brasileira, no Teatro Municipal, em 1985.

Teve sua grande consagração carnavalesca em 1984, ano da inauguração do Sambódromo, desfilando como tema da Mangueira, escola campeã deste mesmo ano com o samba enredo Yes, nós temos Braguinha. O nome deste samba se transformou no título de sua primeira biografia, excelente trabalho de Jairo Severiano. Braguinha é assim, sucesso e carisma. Nunca soube ler música e só compõe de ouvido. Mas soube contagiar a multidão que, pedindo bis,fez com que a Mangueira retornasse ao desfile, desta vez percorrendo, no sentido contrário, a Marquês de Sapucaí. BIS para aquele que é e sempre será uma das figuras mais importantes da nossa música popular brasileira.


SIVUCA


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O instrumentista, arranjador e compositor Severino Dias de Oliveira, conhecido artisticamente como Sivuca, nasceu em Itabaiana, cidade do interior da Paraíba, no dia 26 de maio de 1930, filho de José Dias de Oliveira e Abdólia Albertina de Oliveira. Diferente de boa parte de músicos que, na sua infância, aprendiam a tocar um instrumento musical com pessoas da família, Sivuca foi um auto-didata pois, na sua casa, nada via ou ouvia relacionado com a música. Seu pai era agricultor e também trabalhava com couro utilizando-o na confecção de selas. Seus irmãos eram sapateiros e ele acredita que, se não tivesse estudado música, fatalmente seria mais um sapateiro na família. Sua vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência.

Tal afirmação é comprovada por sua história. No dia 13 de junho de 1939, seu pai levara para casa uma sanfona de dois baixos para seu irmão. Desde então, até os quatorze anos, Sivuca tocou sanfona animando casamentos e festas pelo interior.

Sua carreira profissional começou aos quinze anos, em 1945, no Recife. No Teatro Santa Isabel ele assistiu ao primeiro concerto sinfônico com a Orquestra Sinfônica do Recife. Este fato abriu portas para um mundo musical que Sivuca desconhecia. Posteriormente, teve a oportunidade de aprender suas primeiras lições de teoria musical com o clarinetista da Sinfônica, Lourival de Oliveira.


Ainda em 1945, foi se inscrever para um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco e a pessoa responsável pela inscrição e seleção era o maestro Nelson Ferreira (compositor, violinista, pianista e regente pernambucano). Quando o maestro ouviu o som da sanfona de Sivuca, indicou-o para tocar num programa da Rádio do dia seguinte. Foi Nelson Ferreira quem lhe deu o nome de Sivuca. Na opinião dele, Severino Dias de Oliveira parecia anunciar uma firma comercial de interior e era muito grande para um nome artístico.


Na Rádio Clube de Pernambuco, em 1946, Sivuca conheceu Luiz Gonzaga. Gonzaga gostou muito do que ouviu quando Sivuca tocou a sanfona. Gostou tanto que, uma semana depois, enviou um telegrama oferecendo um contrato de trabalho para a Rádio Nacional. Naquele momento, ele não pôde afastar-se do Recife por ter compromisso assinado com a Rádio Clube. Entretanto, quatro anos depois (1950), estreou na Rádio Record, em São Paulo, com a grande Orquestra Record, dirigida pelo maestro Gabriel Migliori.

Em 1948, aprendeu arranjo e composição com o maestro Guerra-Peixe (compositor, arranjador e musicólogo fluminense) que assim o encaminhou na arte de fazer orquestrações. Neste mesmo ano, firma contrato com a Rádio Jornal do Commercio, Recife.
No ano de 1950 gr
ava, em parceria com Humberto Teixeira, o seu primeiro disco, pela gravadora Continental. Fixa residência no Rio de Janeiro (1955) e no período de 1955-1958, é contratado pelas emissoras Associadas de Radio e Televisão Tupi. Nesse período, compôs Homenagem à Velha Guarda e, em parceria com Humberto Teixeira, Adeus Maria Fulô e Fogo Pagô. Fez arranjos e trilhas sonoras para os filmes de Roberto Farias: Rico ri à-toa e No mundo da lua e participou do LP (long play, disco em vinil) de Altamiro Carrilho, em 1957.

A Lei Humberto Teixeira, assinada pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, que estabelecia a promoção da música brasileira no exterior, favoreceu a ida de Sivuca para a Europa. Na época, Sivuca fazia parte do grupoOs Brasileiros que tinha também como participantes Guio de Moraes, Trio Irakitan, Abel Ferreira, Dimas e Pernambuco. Eles se apresentaram no Olympia de Paris, no London Palladium e na Exposição Internacional de Bruxelas (1958). Sivuca ficou na Europa por alguns anos. Neste período, gravou seu primeiro disco na Europa e fez shows na Bélgica, Suíça e sul da França.

De volta ao Brasil, em 1964, foi convidado para ir aos Estados Unidos. Sua intenção era passar seis meses e acabou ficando por 13 anos. Neste período, trabalhou como guitarrista do grupo da cantora africana Miriam Makeba (1965-1969) e com ela viajou pela África, Europa, Ásia. Gravou três discos e conquista, como arranjador e instrumentista, o sucesso internacional.

Trabalhou com diversos e renomados artistas como Hermeto Pascoal, Betty Midler, Paul Simon, entre outros.

Em 1975, casa-se com a compositora Glória Gadelha e com ela realiza um rico trabalho de composição.

A produção musical de Sivuca é extensa, reflete a sua genialidade musical.


Fonte:
http://braguinha.ag.com.br/
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=410

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

05 ANOS SEM BRAGUINHA

Poucos o conhece por Carlos Alberto Ferreira Braga, geralmente quando se há referência a seu nome dentro da MPB até hoje referem-se a ele por nomes como João de Barro ou Braguinha, porém independente do nome atribuído a este grande compositor a saudade se faz presente pelos 5 anos de sua partida.

Por Bruno Negromonte


Sua fama se construiu a partir de dois pseudônimos que marcam até hoje a música popular brasileira. Braguinha ou João de Barro tanto faz, o que mais importa é o seu legado dentro da música brasileira com composições que transformaram-se em clássicos e levaram o nome de Carlos Alberto Ferreira Braga para o hall dos grandes compositores do século XX. Braguinha em parceria com Pixinguinha, é autor dentre outras canções, do chorinho "Carinhoso", um dos maiores clássicos da música brasileira.

Nascido no Rio de Janeiro, filho de um casal de classe média, Carlinhos, como era chamado na família, passou a adolescência em Vila Isabel, onde seu pai era diretor da fábrica de tecidos Confiança. Quando cursava o Colégio Batista conheceu o violonista Henrique Brito. Com ele tenta aprender alguns acordes e dessa amizade nasceu o interesse pela música, fazendo com que, aos 16 anos, ele criasse a letra e a música de Vestidinho Encarnado e posteriormente ajuda então na formação do conjunto Flor do Tempo com apoio do comerciante Eduardo Dale, que gostava de apresentá-los em sua bela casa quando recebia visitas e amigos.

O Flor do tempo, sem considerar os eventuais adendos, era formado por Almirante e Noel Rosa, embora não - alunos do colégio, Henrique Brito, Alvinho (Álvaro de Miranda Ribeiro) e Braguinha e costumavam apresentar-se em casas de amigos e clubes. Cerca de um ano e meio depois, em 1929, seus componentes, desejando vôos mais altos, mudam seu nome para Bando de Tangarás (o grupo gravou 19 músicas, sendo 15 de autoria de Braguinha). Braguinha, que fazia Arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, resolve então adotar o pseudônimo de João de Barro, justamente um pássaro arquiteto, porque seu pai não gostou de ver o nome da família circulando no ambiente da música popular, mal visto na época.



No carnaval de 1930, marcam um sucesso extraordinário com o samba Na Pavuna (Homero Dornellas e Almirante), com Almirante fazendo o solo vocal. Porém O "Bando dos Tangarás" desfez-se em 1933. No ano seguinte, matriculado no 3º ano, resolve deixar a arquitetura e dedicar-se à composição, e nesse mesmo ano João de Barro conhece duas pessoas que marcariam sua carreira: Alberto Ribeiro, seu maior parceiro, e Wallace Downey, um americano que o conduziu à indústria do cinema e dos discos.

No carnaval de 1933, consegue seus primeiros grandes sucessos com as marchas Moreninha da Praia e Trem Blindado, pouco antes do fim do Bando de Tangarás, ambas interpretadas por Almirante, que se casaria no ano seguinte com sua irmã Ilka.

Braguinha foi roteirista e assistente de direção em filmes da Cinédia. Com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para a trilha sonora de filmes como "Alô, Alô, Brasil" e "Estudantes" cuja personagem principal foi interpretada por Carmem Miranda. Atuou como diretor artístico da gravadora Columbia, no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que compunha sucessos como o inesquecível "Carinhoso" (1937, com Pixinguinha) e "Sonhos Azuis" (1936, com Alberto Ribeiro).



Em 1938, casou-se com a professora Astréa Rabelo Cantolino. No carnaval daquele ano lançou três marchas que se tornaram clássicos: "Pastorinhas" (com Noel Rosa), "Touradas em Madri" e "Yes, nós temos bananas" (com Alberto Ribeiro).

Ainda em 1938, foi um dos responsáveis pela dublagem brasileira de "Branca de Neve e os Sete Anões", de Walt Disney. Também participou das versões brasileiras de "Pinóquio" (1940), "Dumbo" (1941) e "Bambi" (1942), entre outros.

Em 1939, nasceu Maria Cecília, sua única filha. Apaixonado por histórias infantis, escreveu, adaptou e musicou várias delas, como "Os Três Porquinhos", "Festa no Céu" e "Chapeuzinho Vermelho".

Em 1941, em parceria com Alberto Ribeiro, fez a versão de "Valsa da Despedida", tema do filme "A ponte de Waterloo".

Como autor de versões, Braguinha se destacou em diversas canções com parceiros internacionais, como Charles Chaplin em "Luzes da Ribalta" e "Sorri".

Extinta a Columbia no Brasil, em 1943, nasceu a Continental, também tendo Braguinha na direção artística. Um de seus maiores sucessos internacionais seria composto em 1944: "Copacabana", gravada dois anos depois por Dick Farney.

Na linha carnavalesca, surgiram as composições "Anda Luzia" (1947), "Tem Gato na Tuba" (1948), "A mulata é a Tal" (1948) e "Chiquita Bacana" (1949). Em 1950 Braguinha tornou-se um dos fundadores da Todamérica, gravadora e editora musical.

Em 1979, Gal Costa regravou "Balancê", colocando novamente o compositor em destaque no novo cenário da MPB. Teve dois espetáculos montados em sua homenagem: "O Rio Amanheceu Cantando", na boate Vivará, em 1975, e "Viva Braguinha", na Sala Sidney Miller, em 1983.

Foi homenageado no carnaval em 1984, ano da inauguração do Sambódromo, desfilando como tema da Mangueira, escola campeã daquele ano com o samba enredo "Yes, nós temos Braguinha". O nome deste samba se transformou no título de sua primeira biografia, com texto de Jairo Severiano.

Sua musicografia completa, inclusive com versões e músicas infantis, passa dos 420 títulos, uma das maiores e de mais sucessos de nossa música popular. Seu parceiro mais constante foi Alberto Ribeiro (1902-1971), médico homeopata e direto amigo. O interessante é que não lê música e só compõe de ouvido. Também não toca nenhum instrumento. Escreve letras para músicas de outros, mas raramente põe melodia em versos alheios.



Sua obra apresenta todos os gêneros. Pode-se afirmar que sem Braguinha o carnaval brasileiro não teria sido musicalmente o que foi. O cinema brasileiro igualmente muito lhe deve, não apenas como autor de músicas, mas também como roteirista e assistente de direção. Na dublagem de filmes de Walt Disney, mesmo com poucos recursos técnicos, conseguiu resultados admiráveis, que impressionaram o próprio Disney, o qual lhe ofereceu um relógio de ouro com dedicatória especial.

Na gravadora continental, ex - Colúmbia, durante muitos anos foi diretor-artístico, contribuindo para a projeção de inúmeros artistas, época em que também lançou, no selo Disquinho, uma coleção de mais de 70 histórias infantis, que adaptava, criava e musicava, para encanto de gerações de crianças até os dias de hoje.

Participou como diretor e roteirista de filmes como Estudantes (1935), Alô, Alô, Carnaval (1936), Banana da Terra (1938) e Laranja da Terra (1940). Nessa época, começou a trabalhar como diretor artístico da gravadora Continental, onde projetou nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim (sua Sinfonia do Rio de Janeiro, parceria com Billy Blanco foi gravada duas vezes), Lúcio Alves, Dick Farney, Doris Monteiro, Tito Madi, Nora Ney, Jorge Goulart e Jamelão. Em 1937, a cantora Heloísa Helena pediu-lhe uma letra para um choro-canção instrumental de Pixinguinha e nasceu o hino Carinhoso. Da mesma forma que modificou Linda Pequena de Noel Rosa para As Pastorinhas, que se tornaria um clássico póstumo do poeta da Vila, Braguinha (com parceiros como o médico Alberto Ribeiro) cunhou o manifesto pré-tropicalista Yes, Nós Temos Bananas (resposta ao fox americano Yes, We Have No Bananas).

Fez ainda tanto o samba-canção de inspiração rural (Mané Fogueteiro, emblemático na voz de Augusto Calheiros, a Patativa do Norte) quanto urbano-modernista como Laura e Copacabana, cuja gravação, de Dick Farney, em 1946, com arranjo de cordas de Radamés Gnattali, seria considerada precursora da bossa nova. Apimentando suas composições à medida que mudavam os costumes (Vai com Jeito, Garota de Saint-Tropez, Garota de Minissaia), ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de discos infantis, aclimatando para o Brasil histórias da Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Com espírito de criança, Braguinha foi um retrato cantado da alma jovial do Rio de Janeiro dos melhores tempos. Faleceu em 24 de dezembro de 2006, aos 99 anos, no Rio de Janeiro


Discografia Braguinha*

78 Rotações

Para vancê/Coisas da roça (1929) (Parlophon 78)
Desengano/Assombração (1929) (Parlophon 78)
Salada (1929) (Parlophon 78)
Não quero amor nem carinho (1930) (Parlophon 78)
Dona Antonha (1930) (Parlophon 78)
Minha cabrocha/A mulher e a carroça (1930) (Parlophon 78)
Quebranto (1930) (Parlophon 78)
Mulata (1931) (Parlophon 78)
Cor de prata/Nega (1931) (Parlophon 78)
Tu juraste… eu jurei/Vou à Penha rasgado (1931) (Parlophon 78)
Samba da boa vontade/Picilone (1931) 13.344 78
O amor é um bichinho/Lua cheia (1932) (Parlophon 78)


LP
João de Barro (1972) (RCA Victor)
João de Barro e Coisas Nossas (1983) (Funarte)


CD
Yes, nós temos Braguinha (1998) Funarte/Atração CD
João de Barro (Braguinha)­ — Nasce um compositor (1999) Revivendo CD
João de Barro — A música do século, por seus autores e intérpretes (2000) Sesc São Paulo CD
CD 100 Anos de Alegria Braguinha (João de Barro)


Fontes:
http://www.samba-choro.com.br/artistas/braguinha
http://educacao.uol.com.br/biografias/braguinha-carlos-alberto-ferreira-braga.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Barro
http://www.mpbnet.com.br/musicos/braguinha/

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