sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A CATIVANTE E BELA SONORIDADE DOS RINCÕES DO BRASIL

Depois de décadas envolto ao jornalismo Paulo Mourão hoje dedica-se a um dos gêneros musicais que melhor representa as raízes culturais brasileira

Por Bruno Negromonte





Mineiro de Belo Horizonte Paulo Mourão traz o Brasil de modo pleno e marcante naquilo que faz. Exímio executor da viola de dez cordas, faz de sua habilidade um eficaz mecanismo de propagação desse instrumento que é considerado por muitos como um dos símbolos mais marcantes da música nacional e que ainda mostra-se em evidência principalmente no interior do BrasilA viola está está para a cultura musical de nossos rincões assim como está a cuíca para o samba ou o acordeom para o forró produzido no Nordeste. Ciente dessa importância, Mourão dedica-se de corpo e alma a este ofício que busca defender e divulgar uma das expressões mais fortes da cultura do nosso país. Trata-se de uma luta diária e que consigo traz os mais diversos e constantes estorvos. É uma lida difícil onde faz-se necessário perseverança e uma personalidade forte o suficiente não apenas para evitar abater-se, mas principalmente para não deixar-se contagiar pela despersonificação do gênero desenvolvendo peculiaridades em sua arte que acabou por conquistar os mais distintos públicos existentes em todo o país. Hoje residindo na cidade do Pontal dos Ilhéus, na Bahia, o artista construiu em dezoito anos de carreira um coeso caminho dentro da música brasileira participando dos mais distintos eventos para isso. Programas de rádio e TV, premiações como o Prêmio Symgenta de Música Instrumental de Viola além da participação e gravação de alguns álbuns que substanciam não apenas a sua discografia, mas principalmente a música que acredita e defende de modo lustrosamente verdadeiro. Seu compromisso com a cultura brasileira é a tônica maior neste nebuloso contexto ao qual a música brasileira encontra-se mergulhada a partir de marcantes características.


Contando hoje com seis títulos e um DVD em sua discografiaMourão não apenas cultua os valores mais genuínos da cultura nacional como também consegue mesclar as influências existentes nas mais diversas regiões desse país que ele conhece tão bem não por ouvir falar, mas por vivenciar distintas experiências ao longo de sua trajetória. A sua influência maior vem de sua região de origem, no entanto, ao residir em outras regiões do país teve a possibilidade de beber das mais distintas fontes que hoje substancia e evidencia-se na arte que apresenta. Da região Norte busca retratar seus conhecimentos nos mitos e costumes do lugar adquiridos no período em que residiu na Amazônia; assim como também a influência  de sua passagem pela região Nordeste quando apreendeu outros valores culturais que hoje também refletem-se em sua arte como é possível perceber-se desde 1998 quando o artista lançou seu primeiro projeto fonográfico, o álbum "Minas é Gerais". Daí em diante vieram discos como "Grande Viagem de Luz" (2000), "Os Caboclos das Matas" (2003), "Brilhantes Pedras Finas" (2007) que retratam e reiteram o compromisso sonoro do artista com as riquezas e tradições não apenas musicais existente em nosso país, mas de toda a mística que e tradições religiosas também. Além desses lançamentos, a discografia do artista conta também com o projeto "Sete Segredos" (lançado em 2013 em parceria com o cantor, instrumentista e compositor Sérgio Di Ramos). Com um olhar clínico, o artista sabe afirmar-se como grande defensor de nossos valores a partir trabalhos que mais parecem cartões-postais sonoros desse nosso Brasil de dimensões continentais. Jornalista, com mais de três décadas de atividade, Mourão aprendeu a usar na música a mesma perspicácia que a sua profissão requer e associou a essa característica uma sensibilidade e suavidade que hoje fazem-se de fio condutor desse acalanto em forma de arte que o artista tão bem produz.


Em franca atividade o artista atualmente vem apresentando o álbum "Flores e Feridas" lançado no primeiro semestre deste ano e que conta com dez faixas que reiteram a acepção do letrista e instrumentista pelos temas que norteiam a sua produção desde o início de suas atividades artísticas, mostrando-a inovadamente a partir do flerte com sonoridades mais cosmopolitas e contemporâneas sempre de modo bastante coeso, uma vez que "A vida é uma grande estrada e meu coração um canteiro de canções", como bem define o violeiro.  Em "Flores e Feridas" o músico conta com a adesão de Jorge Bullet (bateria), Ayam Ubrais Barco (baixo), Daniel Neto (acordeon) e a percussão de Carlinhos Ferreira.Há ainda a direção musical do Rodrigo Hohlenwerger e o violão e a guitarra de Ismera Rock que buscam corroborar de modo harmonioso com este projeto que mostra um artista que apesar de não desprender-se de suas raízes, não deixa de ir em busca de inovação. Além desse álbum, Paulo Mourão acompanhado por sua viola de dez cordas vem apresentando o projeto "Flor de todo encanto", ao lado da cantora e preparadora vocal Adriana Lopes, um espetáculo pautado na  releitura de preciosidades como bem define o release do espetáculo.

Desse modo pode-se afirmar que Paulo Mourão é o Brasil na acepção mais genuína de sua sonoridade. Cada acorde do seu instrumento faz-se arraigada uma reverência que poucos discernem. Suas letras, sua melodia e o seu canto carregam consigo o mais genuíno sentido etimológico da palavra torrão e precisamos atentarmo-nos para isso.  É preciso voltar os olhos para dentro do Brasil reconhecendo e valorizando as mais diversas expressões populares existentes como este verdadeiro guerreiro faz. A música de raiz que apresenta é a arma mais eficaz que leva consigo não apenas no combate ao estrangeirismo que sobrepõe-se as culturas nacionais, mas principalmente na afirmação de nossa identidade. São quase duas décadas indo buscar nos mais distintos recônditos alguns dos mais consistentes elementos que reafirmam o seu trabalho como uma verdadeira trincheira da moda. Mourão faz-se baluarte da viola ao encarar de frente tais adversidades, dando a impressão, as vezes, que o artista pegou seu torrão de modo desprevenido e o apresentou assim mesmo, desnudo, ao seu público. Essa intimidade e compromisso com a cultura brasileira evidencia-se através do respeito as peculiaridades de cada região pela qual o artista passou e intuitivamente hoje apresenta em sua arte. Sem receios pode-se afirmar que este som que vem das Minas Gerais através da mais genuínas tradições brasileira é um significado alento para os apreciadores da boa música brasileira. Em toda a sua simplicidade, Paulo retrata aquilo que há de mais brasileiro em nossa cultura procurando ressaltar o porquê ainda é válido acreditar que o nosso torrão tem muito mais beleza que aquela que é vendida às grandes massas através dos meios de comunicações vigentes.


Maiores Informações:





Contato para shows e eventos: (31) 7567-0934 - TIM / violeiropaulomourao@gmail.com





1 comentários:

Adriana Lopes disse...

A obra de Paulo Mourão é mágica!
Encanta e ilumina os corações.
Faz vibrar o que tem de melhor em nós.
Valeu Musicaria Brasil!!!

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