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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ARTISTA RENEGADO, ITAMAR ASSUMPÇÃO TEM OBRA EM EVIDÊNCIA UMA DÉCADA APÓS A SUA MORTE

Músico considerado maldito que morreu há 10 anos ganha reconhecimento entre os músicos e tem o trabalho regravado por vários cantores

Estado de Minas



Melhor intérprete de si mesmo, como gosta de lembrar Riba de Castro, diretor do recém-lançado documentário Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, Itamar Assumpção (1949-2003) vive momento de evidência de sua obra. Além de ser um dos homenageados do filme, ele acaba de ganhar disco da amiga e parceira Alzira E (O que vim fazer aqui), por meio do qual a mato-grossense diz encontrar nos poemas do amigo incentivo para a liberdade musical. O álbum se segue a Atento aos sinais, de Ney Matogrosso, que conta com duas composições de Itamar, e ao disco Tudo esclarecido, da amiga e parceira Zélia Duncan, integralmente dedicado à obra do compositor.

“Que maldito que nada!”, reagiria o próprio Itamar diante do interesse crescente por sua obra. Zélia Duncan chega a admitir que há uma corrente que tem ajudado a manter o nome de Itamar Assumpção com o “frescor merecido”. Do lançamento, em 2010, da Caixa preta, com 10 discos de carreira remasterizados e dois inéditos, feitos a partir de registros de voz e violão que o cantor, compositor e instrumentista deixou, passando pelo também documentário Daquele instante em diante, de Rogério Velloso, do ano seguinte, só dá Itamar.

A filha Anelis Assumpção anuncia para o ano que vem o lançamento, pelo Itaú Cultural, de Itamar Assumpção – Cadernos inéditos, coletânea de textos, letras de músicas e poesias do pai, organizados por ela, pela irmã Serena e pela mãe, Elizena Assumpção. Na opinião do cineasta Riba de Castro, o papel de Itamar na Vanguarda Paulista foi de extrema importância, na medida em que o trabalho dele “era inovador, impecável, pronto e acabado”.

“Era um artista completo e muito exigente consigo mesmo e com os outros”, acrescenta o diretor do documentário Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, para quem a exigência em busca da perfeição colaborou na formação de vários artistas. Que o diga a irmã de Tetê Espíndola, Alzira E, que, ao relatar o processo da parceria dos dois, confirma o que diz Riba de Castro. “Mostrava o que tinha até então – em andamento – e ele complementava a letra, entrava nela, vestia a personagem. Assim foi com Azeite e Man, registradas no LP Amme, de 1992, ou com Norte, uma das inéditas do meu CD novo”, relata a cantora e compositora, produzida por Itamar em Amme.

Ela recorda que em outras situações Itamar simplesmente mandava a letra por telefone, fax ou deixava no caderno dela. Tudo virava canção. “Foi assim com Finalmente, Existem coisas na vida, O que é que eu fiz de mal e Chuva no deserto", exemplifica Alzira E. “Às vezes ele pedia que eu fizesse uma parte B na melodia para incluir mais uma estrofe, caso de Mesmo que mal eu diga, ou um refrão, como em Itamar é. O melhor da parceria, de acordo com Alzira, “era a forma complementar em que as composições se davam e a cumplicidade que permeava nossas vidas, nosso cotidiano e amizade, na qual produzimos muito, e, principalmente, o respeito que ele sempre deu a minha música”.


Consistência
 
Para Zélia Duncan, que gravou 11 canções de Itamar antes de dedicar a ele integralmente o repertório de Tudo esclarecido, o que mais chamou a sua atenção no artista foram a inteligência e a consistência do que é dito, junto com a maneira musical extremamente original e surpreendente. “A primeira música dele que cantei foi Fico louco e em seguida Beijo na boca. Não gravei nenhuma das duas, mas são músicas muito importantes para mim, que me instigavam nos anos 1980 e continuam me instigando até hoje”, acrescenta Zélia. Para ela, antes de mais nada, Itamar foi o grande parceiro dele mesmo, além de Alzira E e da poeta paranaense Alice Ruiz.

Alzira diz que ainda tem parcerias inéditas com o artista. “Algumas estão no novo disco, junto com regravações das canções marcantes na minha carreira nestes 25 anos, tais como Seis dos caminhos e Já que tem que”, lista a cantora mato-grossense. Anelis Assumpção, que também é cantora, seleciona repertório para disco a ser gravado no ano que vem. Em Sou suspeita, estou sujeita e nem sou santa, que marcou a estreia dela, Anelis gravou A mulher segundo meu pai. “Tenho o desejo de sempre cantar canções de meu pai, de tê-lo comigo. Cogito escolher uma canção entre as que mais gosto ou guardá-la para cantar no show”, afirma Anelis Assumpção, que tem músicas inéditas de Itamar.

“Acho que é muito natural quando uma pessoa falta e deixa um legado intelectual – não suficientemente acessado – pelo qual as pessoas se interessem”, avalia a filha de Itamar Assumpção. Ela lembra que Itamar era uma pessoa muito lúcida e coerente, que tinha consciência de que ele seria um artista póstumo. “Ele sabia um pouco disto e talvez até fizesse desta forma”, acrescenta Anelis. “Infelizmente, há muito artista, cientista e outros profissionais que demoram a ter reconhecimento”, diz a filha de Itamar, lembrando a primeira década da morte do pai.

Teatrais, rítmicas, profundas e divertidas, as canções do artista funcionam tanto no estúdio quanto no palco, de acordo com Zélia Duncan. Ele lembra que Cássia Eller, Ná Ozzetti e outros intérpretes também se apaixonaram pela obra de Itamar Assumpção, que cantaram e gravaram. Zélia não esconde sequer o desejo de ter sido uma das Orquídeas do Brasil, banda de Itamar integrada apenas por mulheres, além de detectar a porção buarquiana na obra do compositor em canções como quem Que canta seus males espanta, que ela gravou no disco Eu me transformo em outras.

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

Primeiro álbum do cantor e compositor Walter Franco completa ao longo deste ano 40 anos.

Ou não (1973)


Por Bruno Negromonte



Considerado por muitos como o seu mais substancial trabalho, "Eu não" completa ao longo de 2013 quatro décadas desde o seu lançamento. Depois de ter lançado o compacto simples intitulado Tema do Hospital, em 1971, Walter lança o seu primeiro LP em 1973 pela Continental com arranjos e regências do maestro Rogério Duprat. Há de se levar em consideração que à época do lançamento o disco provocou uma certa , digamos, estranheza por misturar elementos pop e ritmos nordestinos. A canção “Cabeça” participou do Festival da Rede Globo de 1972 e até hoje é uma das canções que não pode faltas às apresentações do artista por onde passa. A capa do disco foi produzida por Lígia Goulart, Liscínio de Almeida e Lívio Rangan. Em 1974 Chico Buarque gravou para seu LP “Sinal Fechado” a música “Me Deixe Mudo”.



Faixas:
01 - Serra Do Luar – Walter Franco – (Walter Franco) (3:47)
02 - Mixturação – Walter Franco – (Walter Franco) (6:56)
03 - Água E Sal – Walter Franco – (Walter Franco) (0:40)
04 - No Fundo Do Poço – Walter Franco – (Walter Franco) (4:33)
05 - Pátio Dos Loucos – Walter Franco – (Walter Franco) (2:31)
06 - Flexa – Walter Franco – (Walter Franco) (3:20)
07 - Me Deixe Mudo – Walter Franco – (Walter Franco) (6:42)
08 - Xaxados E Perdidos – Walter Franco – (Walter Franco) (3:22)
09 - Doido De Fazê Dó – Walter Franco – (Walter Franco) (0:30)
10 - Vão Da Boca – Walter Franco – (Walter Franco) (3:04)
11 - Cabeça – Walter Franco – (Walter Franco) (4:51)

domingo, 22 de dezembro de 2013

A TRAJETÓRIA DO REI DO BREGA



Recifense da gema
''Por que Elvis pode falar 'você é uma cachorra doida, chorando a noite toda'? E Waldick Soriano não pode dizer 'Eu não sou cachorro, não'"?


14/2/1944 - Nasce Reginaldo Rodrigues dos Santos, nos Coelhos, comunidade pobre da área central do Recife.

Ainda criança, viaja com a família para o Rio de Janeiro e para São Paulo. Ao voltar ao Recife, fica conhecido pelo apelido de 'Carioca'.


Década de 60 - Antes de terminar o científico (antigo ensino médio) no Colégio Porto Carreiro, no Centro do Recife, começa a se interessar pela música, influenciado por sucessos dos Beatles e pelo movimento da Jovem Guarda. Ainda na escola, canta músicas de Ray Charles e Elvis Presley


Fotos: Reprodução/TV Globo



Adeus, rock


''Sinto muita saudade do The Silver Jets. Éramos a primeira banda de rock do Nordeste. A gente sentia que estava para o Nordeste como os Beatles estavam para o mundo"


1964 - Inicia a carreira, imitando Roberto Carlos. Toca com o The Silver Jets. Após fim do grupo, atua como crooner em boates. "Eu só tinha que cantar os sucessos"
1966 e 1968 - Lança o primeiro LP, "O pão" (1966), com faixa título composta com Namir Cury e Orácio Faustino. Em 68, lança "O quente"

1970 - Começa a se afastar do rock e passa a apresentar um repertório brega-romântico, do qual viria a se tornar um ícone. Lança o disco "À procura de você", que tem a música-título composta por Geraldo Nunes e Clayton. Na década de 1970, grava outros cinco LPs, sendo o último "Chega de promessas", de 1976


Fotos: Divulgação, Reprodução/TV Globo


'Garçom', hit nacional



''A simplicidade ajudou a compor 'Garçom': 'Garçom. Eu sei. Estou enchendo o saco. Mas todo bebum fica chato...' Você entendeu, o presidente entendeu e o gari entendeu"


1980 - Após quatro anos sem gravar, lança "A volta", que tem "Uma tentação", com Baby Santiago, e "A idade do lobo". Na década de 1980, lança dez LPs, torna-se fenômeno no Norte e Nordeste, mas continua relativamente desconhecido no Sudeste

1987 - Lança o seu maior sucesso, "Garçom", composição própria, que faz sucesso no Sul e Sudeste do país. Torna-se famoso em outras regiões além do Nordeste e recebe dos fãs o título de "Rei do Brega"
1989 - Grava o LP "Momentos de amor", com "Saí da tua vida", de Chico Roque e Carlos Colla; "Me tira da solidão", de Chico Roque, Telma e Carlos Colla; e "Momentos de amor"


Fotos: Divulgação, Reprodução/TV Globo



Majestade consagrada



''Para mim, o meu rei é o Roberto [Carlos].
Agora, como existem alguns segmentos, falam que sou rei. Cada vez mais eu quero o brega perto de mim"


1989 - Sai o CD "Reginaldo Rossi ao vivo", com hits do cantor, como "A raposa e as uvas" e "Mon amour, meu bem, ma femme"

1990 - Na primeira metade dessa década, lança só um disco. Passa a fazer shows com mais frequência pelo Brasil afora, ainda fruto do sucesso da música "Garçom"

1999 - Lança o CD "Reginaldo Rossi the king", com a participação de convidados como Wanderléa, Erasmo Carlos, Golden Boys, Roberta Miranda e do grupo Planet Hemp. O disco vendeu 1 milhão de cópias



Fotos: Diego Marcel/Divulgação


Corno etc

''Essa história de corno não foi eu quem criou, mas o povo adora. Preste atenção em 'Garçom', o homem chora porque o amor da vida dele vai casar, mas levaram para esse lado e aproveitei"


2000 - A cantora Roberta Miranda grava a música "Garçom", principal hit de Reginaldo Rossi, para o álbum ao vivo "A Majestade, o Sabiá"


2001 - Lança novo CD ao vivo interpretando, entre outras músicas, "O dia do corno", de sua autoria, "Será que foi saudade?", de Zezé di Camargo, e "Em plena lua de mel", de Clayton e Cleide

2006 -
 Comemora 40 anos de carreira e grava o primeiro DVD, "Reginaldo Rossi – Ao vivo", cujo repertório, constituído apenas de grandes sucessos, traz "O Dia do Corno", "Eu Devia Te Odiar", "Volta Amor", "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme" e "Garçom"

Fotos: Divulgação, Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo/Arquivo



Palco vira cabaré


''Eu quero cantar o que o povo gosta de cantar. Nada mais bacana do que cantar em um cabaré"


2010 - Fiel ao estilo romântico exagerado, lança o segundo DVD, "Cabaret do Rossi". Na apresentação, que contou com um cenário de tecidos aveludados e poltronas vermelhas, faz releituras de grandes sucessos e canta versões de "Amor I Love You" (Marisa Monte) e "I Will Survive" (Gloria Gaynor)

2011 - Reginaldo vence o Prêmio da Música Brasileira na categoria de melhor cantor popular, pelo álbum "Cabaret do Rossi"

2013 - Cantor passa a percorrer cidades do Nordeste com o show "Cabaret do Rossi". No final de novembro, artista se afasta dos palcos após ser internado em um hospital do Recife. Em dezembro, o resultado de uma biópsia confirma diagnóstico de câncer no pulmão e Rossi inicia sessões de quimioterapia

Fotos: Diego Marcel/Divulgação





Discografia Oficial



O Pão (Chantecler) (1966)

Faixas:
01. O Pão (Namir Cury – Orácio Faustino – Reginaldo Rossi)
02. No Claro Ou No Escuro (Braz Baccarin – Reginaldo Rossi)
03. Menino Chato (Ademir Batista – Reginaldo Rossi)
04. O Amor em Seus Olhos (Luiz Oliveira – Reginaldo Rossi)
05. Roma E Amor (Flávio Berto – Reginaldo Rossi)
06. Manhã De Sol (Waldemar Pimentel – Carlos Cezar)
07. Longe De Mim (Reginaldo Rossi)
08. Gamadão (Elenizio Moreira – Jocemar Ribeiro – Reginaldo Rossi)
09. O Melhor De Mim (Gláucia Prado – Reginaldo Rossi)
10. O Papa Figo (Nízio – Reginaldo Rossi)
11. Tenho Algo a Dizer-te (Maria Alice – Reginaldo Rossi)
12. No Jardim (Hélio de Araújo – Reginaldo Rossi)



Festa dos pães (Chantecler) (1967)


Faixas:
01. Maior Que Deus (Reginaldo Rossi)
02. Não Sei (Satin’s Doll) (J. Smth – Versão José Cunha)
03. O Pobre Jim (Wilson Tavares)
04. Festa Dos Pães (Waldemar Pimentel – Reginaldo Rossi)
05. Mexerico Dos Quadrados (Reginaldo Rossi)
06. Sem Você Não Valho Nada (Reginaldo Rossi)
07. O Bicão (Carlos Cézar)
08. O Sombra (Waldemar Pimentel – Nilton Moreira)
09. Poema De Um Jovem Apaixonado (Reginaldo Rossi)
10. O Terno Azul (A Girl Named Sue) (G. Stephens)
11. Jamais Farei Você Sofrer (Darlan Richard)
12. Os Anjos Cantam Assim (Waldemar Pimentel – Reginaldo Rossi)


O Quente (Chantecler) (1968)
Reginaldo Rossi ? O Quente (1968) a

Faixas:
01. Pára De Chorar (Reginaldo Rossi)
02. O Trem Que Parte Para O Além (Reginaldo Rossi)
03. Por Um Só Dos Seus Carinhos (Reginaldo Rossi)
04. Complexo De Cachorro (Reginaldo Rossi)
05. Poeminha (Reginaldo Rossi)
06. Garota De Pano (Reginaldo Rossi)
07. O Valentão (Reginaldo Rossi)
08. Você Não Pode Parar (Reginaldo Rossi)
09. A Namorada (Reginaldo Rossi)
10. Ontem E Hoje (Reginaldo Rossi)
11. Todos Nós Somos Covardes (Reginaldo Rossi)
12. Não Se Brinca Com O Amor (Waldemar Pimentel)


 À procura de você (CBS) (1970)


Faixas:
01. Por Que Você Já Não Me Mata De Uma Vez (Reginaldo Rossi)
02. À Procura De Você (Clayton – Geraldo Nunes)
03. Por Que? (Reginaldo Rossi)
04. Eu Acabo Comigo (Artiz Artoni – Marcus Aguiar)
05. Vou Acabar Com A Vida De Quem (Reginaldo Rossi)
06. Como Deus Quiser (Renato Carlos – Arnaldo Carlos)
07. Não Quero Mais Saber De Ti (Fernando Reis)
08. Era Domingo (Reginaldo Rossi)
09. Apaixonado (Cleo Galanth)
10. Pra Você Tudo É Dificil (Francis Roberto)
11. Preciso Esquecer (Nenzinho)
12. Eu Não Presto Pra Você (Deny – Luiz Wanderley)




Reginaldo Rossi (CBS) (1971)
Reginaldo Rossi (1971) a

Faixas:
01. Tô Doidão (Les Dalton) (J. Dassin – F. Thomas – J. M. Rivat – Versão Reginaldo Rossi)
02. Uma Alegre Canção (Reginaldo Rossi)
03. Ainda Amo Você (Cleci Sanches)
04. O Bem Maior (Clayton)
05. O Gênio Cabeludo (Reginaldo Rossi)
06. O Paquerador (Reginaldo Rossi)
07. Estou Chegando Pra Ficar (Fernando Reis)
08. Aquela Triste Canção (Cleide)
09. Toda A Minha Vida (Cleide)
10. Hoje À Noite Vou Sair (Reginaldo Rossi)
11. É Mentira (Clayton)
12. Não Quero Mais Você (Célio Lima)




Nos teus braços (CBS) (1972)



Faixas:
01. Perdi A Graça (Adilson Silva)
02. Pra Sentir Felicidade (Carlos Roberto)
03. Pare, Pare (Edi Silva – Menzinho)
04. Nos Teus Braços (Reginaldo Rossi)
05. Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme (Cleide)
06. Pensa (Walter DAvila Filho)
07. Desterro (Reginaldo Rossi)
08. Tenta Esquecer (Cleide)
09. O Grande Dia (Clayton)
10. Aonde Você For Eu Vou Também (Clayton – N. Orlando)
11. Fuga (Clayton – Cleide)
12. Ser Ou Não Ser (Sebastião Ferreira da Silva – Cleide)




Reginaldo Rossi (CBS) (1973)

Faixas:
01. O Rock Vai Voltar (Reginaldo Rossi)
02. Pedaço De Mau Caminho (Cézar – Cirus)
03. Vaya Con Dios (L. Russel – I. James – B. Pepper – Gilbert De Carvalho)
04. Volte Logo (Size – Cleyde)
05. Se Você Quer Pode Ir (Cleyde)
06. Você Está Diferente (Deny – Dino)
07. Hei De Esquecer (Me Olvidaré) (Pablo Herrero – J. L. Armenteros – Fred Jorge)
08. Vou Começar Tudo De Novo (Deny)
09. Quanto Amor Existe Em Mim (Manoel N. Pinto)
10. Sem Você Eu Já Morri (Luiz Carlos Magno – Reginaldo Rossi)
11. O Gosto Amargo Do Amor (Cleyde)
12. Cada Um Dá O Quem Tem (Getúlio Cortes)





Reginaldo Rossi (CBS) (1974)


Faixas:
01. Tente esquecer o que passou (Hipólito da Costa - Cassiano Costa)
02. Não sou nada (Reginaldo Rossi)
03. Não consigo acreditar (Cézar - Círus)
04. Minha mulher (Clayton - Cleide)
05. Sou mais um triste (Alessandro)
06. Risos (Sula - Cleide)
07. Enquanto eu chorava (Reginaldo Rossi)
08. É melhor parar (Cézar - Círus)
09. Goodbye (D.Johnny - Tina Borges)
10. A verdade ninguém vai poder mudar (Manoel Pinto - Jean Pierre)
11. Caminhos paralelos (Cleide)
12. Seu moço (Deny)




Reginaldo Rossi (Beverly) (1976)


Faixas:
01. Rock From Brasil (Cleide – Jorge Mello)

02. Arroz Com Feijão (Reginaldo Rossi – Jorge Mello)

03. Velhos Problemas (Clayton – Paulo Sette)

04. Decisão (Reginaldo Rossi – Jorge Mello)

05. À Espera (J. Masson – Bentana)
06. Quero Você Comigo (J. Oliveira)
07. Dia A Dia (Reginaldo Rossi – Jorge Mello)
08. O Melhor Amigo Meu (Reginaldo Rossi)
09. Um Romance Que Ninguém Leu (Reginaldo Rossi)
10. Morrendo Sem Ninguém (Meirecler)
11. Não Tem Condição (Reginaldo Rossi – Cassiano Castro)
12. Emoção (Fernando Borges)




Chega de Promessas (CBS) (1977)



Faixas:
01. Mulher Tentação (Meirecler)
02. Vem (Cleide)
03. De Bar Em Bar (Cleide - Cassiano Costa)
04. Jeito De Santa (Cleide - Alcymar Monteiro - Cassiano Costa)
05. Barra Pesada (Reginaldo Rossi)
06. RP Rock (Baby Santiago - Reginaldo Rossi)
07. Explosão De Amor (Manoel Nenzinho - Cirus)
08. Pegou Fogo Na Caixa D’Água (Geovani)
09. O Tempo É Deus (Reginaldo Rossi)
10. Dessa Vez Não Vou Errar (M. N. Pinto - Cassiano Costa)
11. Não Mete A Cara (Reginaldo Rossi)
12. Dance (Reginaldo Rossi)



A volta (EMI) (1980)


Faixas:
01. Volta (Reginaldo Rossi – Dom Pixote)
02. Amor Amor Amor (Reginaldo Rossi)
03. Mulher (Reginaldo Rossi)
04. Recife (San Francisco) (John Phillips (Versão: Reginaldo Rossi)
05. A Porta (Reginaldo Rossi)
06. Prisioneiro Do Rock (Reginaldo Rossi)
07. Doce Pecado (Fernando Mendes)
08. A Idade Do Lobo (Reginaldo Rossi)
09. Uma Tentação (Reginaldo Rossi – Baby Santiago)
10. Tenho Que Voltar (Reginaldo Rossi)
11. Felicidade (Reginaldo Rossi)
12. De Hoje Em Diante (Reginaldo Rossi)
13. Sai De Mim (Reginaldo Rossi)




Cheio de amor (EMI) (1981)


Faixas:
01. Cheio de amor  (Reginaldo Rossi)
02. Meu fracasso 
 (Reginaldo Rossi)
03. Pensando nela [Bus stop] (G.Gouldman)
04. Quando você foi embora (Ladjane - Reginaldo Rossi)
05. Sua ausência (Eduardo Araújo)
06. É divino ser mulher (Lúcio Rossi - J.Tavares - Teixeira)
07. Um milhão de vezes (Odair Marzano - Paulo Rogério)
08. Por nossos filhos (Júlio César - Célio Lima)
09. Um olhar, um alguém, um lugar (Eros - Lemos - Corrêa)
10. Em plena lua de mel (Clayton - Cleide)
11. No fim do baile (Eddy Franco - Reginaldo Rossi)


A raposa e as uvas (EMI) (1982)


Faixas:

01. A Raposa E As Uvas (Reginaldo Rossi)
02. Feito De Amor (L’Ultima Cosa) (L. Beretta – Versão Reginaldo Rossi – V. Balsamo)
03. Obsessão (Beto Ferreira – Júlio César – Rodrigo Otávio)
04. Saudade Imensa (Reginaldo Rossi)
05. Procurando Você (Reginaldo Rossi)
06. Um Tempo De Emoção (Reginaldo Rossi)
07. Quero Te Pedir Perdão (Reginaldo Rossi)
08. A Volta (Erasmo Carlos – Roberto Carlos)
09. Meu Violão (Cleide)
10. Teu Olhar, Teu Andar (Reginaldo Rossi)
11. Chega De Problemas (Não Quero Mais) (Iracy Ferreira)
12. A Guerra Acabou (Reginaldo Rossi)




Sonha comigo (EMI) (1983)




Faixas:
01. Saga (Reginaldo Rossi)
02. Sonha comigo (Ronaldo Corrêa)
03. Nos braços do meu amor [La paloma] (Yradier)
04. Um adeus (Beto Ferreira - Julio César - Rodrigo Otávio)
05. Diana (Paul Anka)
06. Chega de sofrer (Toninho Lemos - Roberto Corrêa)
07. As quatro estações (Reginaldo Rossi)
08. Seu sentimento já morreu (Reginaldo Rossi)
09. Coração em fogo [Torna a surriento] (E.Curtis)
10. A alegria disse adeus (Edelson Moura)
11. Mon amour meu bem ma femme (Cleide)
12. Nosso momento (Reginaldo Rossi)


Não consigo te esquecer (EMI) (1984) 
Faixas:
01. Realmente uma mulher
02. Não consigo te esquecer
03. Doce juventude
04. Ai amor
05. Festa no sertão
06. Com toda razão
07. Recife minha cidade
08. Nosso caso de amor
09. Morrendo de paixão
10. Amazônia
11. Um só coração
12. Gatinha



Só sei que te quero bem (EMI) (1985) 

Faixas:
01. Só sei que te quero bem
02. Toda quente
03. Eu devia te odiar
04. Minha Jezebel
05. Você não soube dar valor
06. Nasci para te adorar
07. Itamaracá - Pedra que canta
08. Não está sendo fácil viver sem você
09. O pão
10. Tristeza e solidão
11. Namoradinha de um amigo meu



Com todo coração (EMI) (1986) 

Faixas:
01. Eu Acho que Vou Chorar
02. Sem Me Dizer Adeus
03. Que Bom Seria
04. Com Outro Rapaz (Você Foi Embora)
05. Eu Não Presto, Mas Te Amo
06. Meu Tormento
07. Vou Botar pra Quebrar
08. Masoquista
09. O Amor que Perdi
10. Com Todo Coração
11. Baby uma Doce Ilusão
12. Diário de Pernambuco



Teu melhor amigo (EMI) (1987) 

Faixas:
01. Garçom
02. Sonhando
03. Mesmo assim eu te amo
04. Teu melhor amigo
05. Ah! eu não aguento mais
06. Férias em Itamaracá
07. Jeitinho brasileiro
08. Transas de verão
09. Os cacos do meu coração
10. Antes, durante e depois
11. Não é loucura me querer
12. A cor do pecado



Momentos de amor (EMI) (1989) 

Faixas:
01. Na Hora do Adeus
02. Você quase acaba comigo
03. Carnavalito
04. Cansei de amar
05. Quero matar de saudade
06. Quando a festa acabar
07. Momentos de amor
08. Me tira da solidão
09. A colheita
10. Pegando fogo
11. Uma história tão linda
12. Nos teus braços



Reginaldo Rossi (Celim Álbuns) (1992) 

Faixas:
01. Me Mata
02. Pedaço do Céu
03. Enquanto Durou
04. Meu Idiota Coração
05. Coração Safado
06. Me Voy pra Itamaracá
07. Não Vale a Pena
08. Não Aguento Solidão
09. Dono do Coração
10. Cuca Fresca




Reginaldo Rossi (Polydisc) (1996)

Faixas:
01. Enquanto Durou
02. Um Pedaço Do Céu
03. Ingratidão (O Melhor Amigo Meu
04. Coração Safado
05. Quando Você Foi Embora
06. Dono Do Coração
07. Mulher
08. Me Voy Prá Itamaracá
09. Eu Devia Te Odiar
10. Me Mata Querida
11. Sua Ausência
12. Não Aguento A Solidão
13. Sai De Mim
14. Meu Idiota Coração
15. Não Vale A Pena
16. Cuca Fresca


Tão Sofrido (Polydisc) (1997) 

Faixas:
01. Última Canção
02. Se Meu Amor Não Chegar
03. Nem Ouro Nem Prata
04. Esqueça
05. Ainda Amo Você
06. Ninguém Vai Tirar Você De Mim
07. Hey Girl
08. Volta
09. A Marionete
10. Era Domingo
11. La Gitana
12. Tão Sofrido
13. Deixa De Banca



Ao Vivo (Polydisc) (1998)




Faixas:
01. Sua Ausência
02. De Que Vale Ter Tudo na Vida
03. Garçom
04. A Raposa e as Uvas
05. Deixa de Banca
06 .Por Amor
07. Mon Amour, Meu bem, Ma Femme
08. Eu devia Te Odiar
09. No Dia em Que Parti
10. Esqueça/ Só vou gostar de quem gosta de mim/ Coração de Papel
11. Se meu amor não chegar
12. Tão Sofrido
13. La Gitana
14. Tô Doidão



The King (Sony Music) (1999)




Faixas:
01. Rossi “the king”
02. Foi duro meu amigo (Pround Mary)
03. Prova de fogo (Part. especialWanderléa)
04. Um pedaço do Céu
05. Coração safado
06. Tiazinha story
07. Fumacê (Part. especial Golden Boys)
08. Morrendo de amor
09. Dono do teu coração
10. Vá com Deus (Part. especial Roberta Miranda)
11. Me mata querida
12. Meu disfarce
13. Whisky a go-go
14. Negro gato (Part. especial Planet Hemp)





Reginaldo Rossi (Sony Music) (2000)





Faixas:
01. Leviana (Diogo - Tony Brasil)
02. Maluco e Travesso (Fátima Leão - Neto)
03. Ombro Amigo (Reginaldo Rossi)
04. Louca Paixão (Marcos Roberto - Meirecler)
05. A Dor, o Pranto e a Solidão (Reginaldo Rossi)
06. Você Faz Feliz Meu Coração (Reginaldo Rossi)
07. Tentação Cigana (Reginaldo Rossi)
08. Não Aguento a Solidão (Reginaldo Rossi)
09. Devaneios (O Me Quieres O Me Dejas) (vers.Erasmo Carlos - Luís Gardney)
10. Morrendo de Amor (Reginaldo Rossi)
11. Enquanto Durou (Reginaldo Rossi)
12. Meu Idiota Coração (Reginaldo Rossi)
13. Não Vale a Pena (Reginaldo Rossi)
14. Malacali (Viento Del Arena) (N.Reyes - vers.R.Rossi - P.Reyes)



Reginaldo Rossi e Convidados - Volume 01 (2000)

Reginaldo Rossi ? Reginaldo Rossi E Convidados ? Vol. 1 (2000) a
Faixas:
01. Reginaldo Rossi (Reginaldo Rossi) – Coração Safado
02. Balthazar (Balthazar) – Cartas De Amor
03. Evaldo Freire (Evaldo Freire) – Tudo Acabado
04. Marlene Andrade (Cleide) – Tenta Esquecer
05. Reginaldo Rossi (Reginaldo Rossi) – Ingratidão (O Melhor Amigo Meu)
06. Maurício Reis (Rumens Machao) – Beijo Gelado
07. Bartô Galeno (Bartô Galeno – Carlos Mora) – Porque Você Não Responde
08. Adilson Ramos (Joe Lubin – I. J. Roth – Vers.: D. Cid Cesar) – Meu Segredo (My Secret)
09. Leonardo (Eileen Smith – Vers.: Carlos Colla) – Pra Sempre (Don’t Let It Die)
10. Reginaldo Rossi (Edelson Moura) – A Alegria Disse Adeus
11. Augusto César (Petrúcio Amorim – Augusto Cesar) – Foi Assim
12. Carlos André (Bartô Galeno – Marcos Losan) – Traz Mais Uma Cerveja
13. Alberto Kelly (Alberto Kelly – José Orlando) – Indecisão
14. José Orlando (José Orlando – Tetê) – Outra Chance
15. Reginaldo Rossi (Reginaldo Rossi) – Me Voy Pra Itamaracá



Reginaldo Rossi (Ao Vivo) (Sony Music) (2001)



Faixas:
01. O dia do corno
02. Até você voltar
03. Domínio do coração
04. Será que foi saudade?
05. Leviana
06. Em plena lua de mel
07. O mal pela raíz
08. Tão sofrido (Triste pena)
09. Vamos fazer amor
10. Um novo amor no coração
11. Cantar somente o amor
12. Por amor (Un amor)
13. Ombro amigo
14. Devolva-me



Luz do Sol (2002)




Faixas:
01. Sabor De Café
02. I Love.Com.Br
03. Não Da Pra Voltar
04. Luz Do Sol
05. Show De Mulher
06. Vida Bandida
07. Como Eu Te Quero
08. Por Todas As Marias
09. Como É Que Posso Esquecer
10. Vontade De Acertar
11. Hum Gracinha
12. José (Joseph)




Ao Vivo, O melhor do brega (Indie Records) (2003)


Faixas:
CD 1:
01. Sorria, Sorria (Evaldo Braga - Carmen Lúcia)
02. Fogo E Paixão (Rose)
03. Você É Doida Demais (Ronaldo Adriano - Lindomar Castilho)
04. Entre Tapas E Beijos (Nilton Lamas - Antônio Bueno)
05. Vá com Deus (Roberta Miranda)
06. Deixa de Banca (James Booker – Versão: Nino Ferrer - Eduardo Araújo)
07. Pra Ser Só Minha Mulher (Tony Osanah - Ronnie Von)
08. Garçom 
(Reginaldo Rossi)
09. O Dia do Corno 
(Reginaldo Rossi)
10. Eu Não Sou Cachorro Não (Waldick Soriano)
11. Vou Tirar Você Deste Lugar 
(Reginaldo Rossi)
12. Esqueça (Forget Him) (Mark Anthony – Versão: Renato Corte Real)
13. Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme (Cleide)
14. Volta Amor (Robério dos Teclados)
15. Diana / Oh! Carol (Paul Anka – Versão: Fred Jorge / Howard Greenfield – Versão: Fred Jorge)
16. Dormi na Praça (Elias Muniz - Fátima Leão)

CD 2:
01. Você É Doida Demais (Ronaldo Adriano - Lindomar Castilho)
02. Entre Tapas E Beijos (Nilton Lamas - Antônio Bueno)
03. Garçom (Reginaldo Rossi)
04. Eu Não Sou Cachorro Não (Waldick Soriano)
05. Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme (Cleide)
06. Coração de Luto (Teixeirinha)




Reginaldo Rossi - Ao Vivo (2006)

Faixas:
01. Sua Ausência
02. Deixa De Banca (Le Cornichons)
03. A Raposa E As Uvas
04. Eu Devia Te Odiar
05. Até Você Voltar
06. Sai De Mim
07. Em Plena Lua De Mel
08. Será Que Foi Saudade?
09. Leviana
10. Se Meu Amor Não Chegar (Eu Hoje Quebro Essa Mesa)
11. As Quatro Estações
12. O Dia Do Corno
13. Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme
14. Garçom


 Cabaret do Rossi (EMI) (2010)

Faixas:
01 - Abertura
02 - Taras E Manias
03 - Senha
04 - Só Você
05 - O Cara Errado
06 - Aceito Tudo De Você
07 - Amor I Love You
08 - Se Meu Amor Não Chegar
09 - Dama De Vermelho
10 - Você Vai Ver
11 - Volta
12 - Não Dá Pra Voltar
13 - Leviana
14 - Vidro Fumê
15 - Na Hora Do Adeus
16 - Meu Fracasso
17 - Ombro Amigo



Créditos
Infografia: Daniel Roda, Dalton Soares, Elvis Martuchelli e Leo Aragão

Desenvolvedores: Thiago Bittencourt e Rogério Banquieri
Edição: Braulio Lorentz
Reportagem: Alexandre Morais

Fonte: G1 PE

sábado, 21 de dezembro de 2013

REI DO BREGA: O DIA EM QUE REGINALDO ROSSI ME CONQUISTOU

Paula Losada, editora-executiva do Diario de Pernambuco, escreveu sobre o Rei.

Por Paula Losada




"Detestava Reginaldo Rossi. Suas músicas, sua voz, seu estilo. Até o dia em que o conheci, no verão de 1987, em Itamaracá. Estava grávida do meu primeiro filho e passava um fim de semana na casa de praia de uma grande amiga, Silvinha Costa, acompanhada de um grupo de queridos amigos. Entre eles, Raul Henry, fã incondicional do Rei do Brega.

Para minha incredulidade, depois de um show em Itapissuma, Raul levou Rossi para cantar na varanda da casa de Silvinha. Acordei mal-humorada (algo raro em minha vida), em plena madrugada, ao som de "três quatro cubas", borogodá"... Ninguém merece", praguejei.

Sem conseguir dormir novamente, me levantei. Aos poucos, fui sendo seduzida por aquele clima de animação e acabei me rendendo ao Rei. Difícil não se render a ele. Reginaldo Rossi era extremamente carismático. Cativava pela sua prosa gostosa, recheada de histórias hilárias e quase inverossímeis. Cativava pela sua generosidade e elegância. Sim, Rossi era um homem de gestos elegantes. Aquele showman irreverente e, muitas vezes até vulgar, era um personagem, um tipo que ele gostava de cultivar. Reginaldo Rossi era um homem inteligente, que sabia rir de si mesmo.



Na manhã seguinte ao show "privê", no qual ele nos apresentou em primeira mão a música Garçom, que cantamos repetidas vezes madrugada a dentro, ele mandou um assessor nos buscar para tomar café na sua casa. Fomos recebidos de braços abertos por Dona Celeide, sua esposa. Mais uma manhã de boas conversas e de descobertas. Rossi fez engenharia e foi professor de matemática. O papo entrou pela tarde numa mesa de um bar perto do Forte Orange. Lá pelas tantas, Raul sugeriu que a mais nova fã do Rei do Brega prestasse uma homenagem a ele, dando ao meu filho que nasceria em breve o nome de Régis. Para sorte de Danilo, fiquei devendo essa a Rossi. 

Vinte e seis anos depois, rendo aqui minhas homenagens ao Rei. Continuo sem gostar da música brega, mas aprendi a respeitar o trabalho de Reginaldo Rossi. Mais do que o cantor, aprendi a admirar o ser humano incrível que ele era. Valeu, Rossi".

2013, UM ANO PARA A MÚSICA PERNAMBUCANA ESQUECER

Arlindo dos 8 baixos, Carlos Fernando e Dominguinhos são alguns dos nomes que partiram em um ano acometido por tantos infortúnios

Por Bruno Negromonte




A música pernambucana como um todo ficou substancialmente mais pobre ao longo do ano de 2013. Ela perdeu nomes que contribuíram de modo bastante efetivo nas últimas décadas para elevar o nome e a cultura do estado para o patamar que hoje é possível observá-la nos mais diversos gêneros que a constitui. No entanto, um gênero em especial, foi o que mais sentiu a perda de nomes emblemáticos em seu segmento: o forró.

Partiram nomes como Julio Nunes Pereira, ou melhor Duda da Passira. Natural de Passira, no Agreste de Pernambuco, o instrumentista começou a carreira tocando forró pé-de-serra. Com seis discos e mais de dez CDs gravados, em 1991 foi indicado ao Grammy internacional na categoria música regional e veio a sucumbir devido a uma hemorragia digestiva que talvez tenha se agravado devido a diabetes a qual o músico também sofria; Outro que também partiu ao longo deste ano foi o cantor e compositor João Silva. Autor de mais de 2000 composições e inúmeros clássicos interpretados por nomes como Luiz Gonzaga e quase todos os cantores e intérpretes do gênero, João deixa-nos como legado canções como 'Nem se despediu de mim', 'Pagode Russo', 'Deixa a tanga voar' entre tantas outras com os parceiros mais diversos tais quais João do Vale, Onildo Almeida, Rosil Cavalcante, Severino Ramos, Bastinho Calixto, Pedro Maranguape e Pedro Cruz. Nascido em Arcoverde, a 259 quilômetros do Recife, João Leocádio da Silva, o João Silva, foi também um dos responsáveis direto do primeiro disco de ouro de Luiz Gonzaga, o álbum 'Danado de bom', que vendeu cerca de 1,6 milhão de cópias vendidas.

Outras lacunas deixadas ao longo deste ano foram ocasionadas pela partida de dois ases da sanfona. De um lado Arlindo dos oito baixos, considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco. Nascido em Sirinhaém, Arlindo morou até a adolescência no Engenho Trapiche. Saiu da cana-de-açúcar para cortar cabelos no Cabo de Santo Agostinho. Foi lá que começou a tocar sanfona em bailes, instrumento que aprendeu vendo o pai tocar os Oito Baixos. Foi em um show no Parque de Exposição do Cordeiro que Arlindo conheceu Luiz Gonzaga. Passou 22 anos tocando com o Rei do Baião. "Ele que me fez voltar aos oito baixos. Disse que já tinha sanfoneiro demais, mas ninguém tocava oito baixos. Gravei e na hora de assinar os créditos ele pediu pra trocar Arlindo do Acordeom por Arlindo dos 8 Baixos", lembrou, em entrevista pouco antes de morrer. Em mais de 50 anos de carreira, Arlindo gravou mais de 200 músicas, a maioria instrumental. O outro expressivo nome foi Dominguinhos, parceiro e discípulo do maior nome do gênero ao qual tão bravamente defendeu: Luiz Gonzaga. Dominguinhos foi um dos responsáveis não só pela urbanização do forró mais também por manter viva a chama do ritmo em todo o país depois da morte do Rei do Baião. Dominguinhos partiu aos 72 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo depois de lutar por cerca de seis anos contra um câncer de pulmão. Nascido em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, o sanfoneiro conheceu Luiz Gonzaga com 8 anos. Aos 13 anos, morando no Rio, ganhou a primeira sanfona do Rei do Baião, que três anos mais tarde o consagrou como herdeiro artístico. “Gonzaga estava divulgando para a imprensa o disco 'Forró no Escuro' quando ele me apresentou como seu herdeiro artístico aos repórteres”, lembrava Dominguinhos sempre que questionado sobre o assunto. Instrumentista, cantor e compositor, o artista ganhou em 2002 o Grammy Latino com o “CD Chegando de Mansinho”. Ao longo da carreira, fez parcerias de sucesso com músicos como Gilberto Gil, Chico Buarque, Anastácia, Nando Cordel, Fausto Nilo e Djavan.

Já o frevo perdeu Carlos Fernando vítima de complicações causadas por um câncer de próstata. Natural de Caruaru, o pernambucano foi um dos responsáveis pela renovação do frevo não só em Pernambuco, mas em todo o país através do projeto "Asas da América" e a série de discos lançados até meados da década de 1990. Ainda na mesma década foi responsável pela série Recife Frevoé e nos anos de 2000 foi o produto do álbum "100 Anos de frevo - É de perder o sapato", em homenagem ao centenário do ritmo. Carlos, ao lado de outros artistas pernambucanos, também participou do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco - um dos focos da resistência ao governo militar no estado - ainda na década de 60 e foi autor, entre diversas composições, de "Banho de Cheiro", eternizada na voz de Elba Ramalho; "Canta Coração", eternizada por seu parceiro e amigo Geraldo Azevedo. No currículo, o pernambucano deixa como legado centenas de canções (boa parte com Geraldo Azevedo) e intérpretes como Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque, Jackson do Pandeiro e Gilberto Gil. 

Não poderia também deixar em branco o infortúnio que vitimou de modo precoce a produtora japonesa Sanae Shibata, de 31 anos. Sanae, que morava no Recife há 10 anos e trabalhava como produtora musical, com trabalhos diversos ligados à valorização da música pernambucana, foi vítima de um atropelamento de moto.

Nascida em Tóquio, e formada em Comunicação Social pela Universidade em Tóquio, estudou cultura nordestina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também participou do Programa de Pós-Graduação em Antropologia. "Desde 2004 trabalho como produtora cultural, na acessoria entre produtores japoneses e artistas nordestinas", dizia seu perfil no portal Nação Cultural. A produtora fazia a ponte entre Pernambuco e Japão, levando discos do Estado para a Terra dos "olhos puxados" e desde 2007, Shibata trabalhava com patrimônio imaterial, como pesquisadora de campo para levantamentos pelo Iphan, explorando "Formas de expressão de Pernambuco e Cocos do Nordeste". A produtora aprendeu a tocar e fabricar a rabeca, instrumento típico do Cavalo Marinho nordestino, na escola de luthieria em Ferreiros, na Zona da Mata Pernambucana. 

Por fim, a menos de 24 horas perdemos o maior expoente do ritmo brega pernambucano que foi Reginaldo Rossi. Com quase 50 anos de carreira Rossi soube como poucos expor as dores e lamentos dos traídos nos 31 discos que lançou. Deixa como legado a irreverência e a imagem peculiar acompanhado por sua cabeleira e seus óculos.

Se de um lado as coisas são desfavoráveis, por outro este ano foram lançados, até agora, entre CDs, DVDs, LPs e EPs, mais de 180 títulos de artistas pernambucanos e a Passa Disco, trincheira de resistência da cultura do estado, chegou a uma década de existência valorizando de modo cada vez mais constante a cultura de Pernambuco.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

COM ORGULHO DO BREGA REGINALDO ROSSI CANTOU AMOR E TRAIÇÕES

Cantor sempre se dizia avesso à fama e que rei mesmo era Roberto Carlos.
Colecionou sucessos como ‘Garçom’, ‘A raposa e as uvas’ e ‘Leviana’.





Reginaldo Rossi ganhou o título de “Rei do Brega” graças a músicas como “Garçom”, nas quais cantava sobre temas como amor e traições. Compositor de linguagem popular, ele também é autor de sucessos como "A raposa e as uvas", "Leviana" e "Recife minha cidade".

Apesar do jeito extrovertido nas entrevistas e apresentações, se dizia avesso à fama. "Eu sou muito tímido. Essa coisa que eu faço, que requebro no palco, canto 'Garçom', o corno e tudo mais, é para enganar minha timidez", afirmou recentemente em entrevista ao programa Bom Dia Pernambuco.

Rossi também contestava o título de “Rei do Brega”. "O meu rei é o Roberto [Carlos]. Agora, como existem alguns segmentos, falam que sou rei”, justificou. “Cada vez mais eu tô entendendo o povo e descendo de um pedestal. Cada vez mais eu quero o brega perto de mim. Acho que o brasileiro está com menos vergonha de ser brega. E ser brega é o que o povo gosta de maneira geral. Quando o povo gosta, é brega."

Nascido no Recife, em 1944, Reginaldo Rodrigues dos Santos começou a carreira na esteira da Jovem Guarda, na década de 1960, imitando Roberto Carlos. Antes, estudou engenharia civil e chegou a dar aulas de matemática.

Quando trocou a sala de aula pelos palcos, optou por cantar rock no Nordeste e comandou o grupo The Silver Jets. Em 1966, lançou seu primeiro LP, "O pão". Somente em 1970, pela gravadora CBS, estreou em disco, com o LP "À procura de você", afastando-se do rock e passando a apresentar um repertório brega-romântico, do qual se tornou ícone.



A história de Reginaldo Rossi começou nos Coelhos, uma comunidade pobre da área central do Recife, onde nasceu. Ainda criança, viajou com a família para o Rio e, ao voltar para a capital pernambucana, ganhou o apelido de “Carioca”.

"Também passei por São Paulo, mas digo que aprendi a falar no Rio. Quando voltei e estava terminando o científico [atual ensino médio], começou a pintar o rock. Eu cantava Ray Charles e Elvis na escola”, recordou em entrevista à Globo Nordeste, em 2006, quando completou 40 anos de carreira.

“Depois, formamos o conjunto The Silver Jets, mais famoso por ser o primeiro conjunto de rock do Nordeste. A gente sentia que estava para o Nordeste como os Beatles estavam para o mundo. Comecei a Jovem Guarda em Pernambuco, no Nordeste”, falou. “Eu me arrisquei, usei a primeira calça sem pregas. Passava na rua e os caras gritavam: 'Wanderléa! Olha a Wanderléa!' E depois todo mundo usava."

Após o fim do conjunto The Silver Jets, Rossi passou a atuar como crooner em boates. "Eu tinha que cantar os sucessos mundiais. Tanto fazia cantar um samba quanto o maior sucesso do momento", admitiu. O músico se aproximou ainda mais do público quando passou a apresentar um programa de auditório na TV, nos anos 1980. O trabalho também lhe rendeu o primeiro disco de ouro, com a música “A volta”. Foram mais de cem mil cópias vendidas.

Já o maior sucesso veio em 1987, com o lançamento do hit "Garçom", que alcançou a marca de dois milhões de cópias vendidas. Reginaldo Rossi dizia que a simplicidade o ajudou na hora de compor a canção, clássico nacional da dor de cotovelo. "A segunda parte da música diz: 'Garçom, eu sei, eu estou enchendo o saco. Mas todo bebum fica chato. Valente, e tem toda a razão...' Escrevendo desse jeito, você entendeu, o presidente entendeu e o gari entendeu", comentou.

Na primeira metade dos anos 1990, Rossi lançou apenas um disco. Em 1998, foi a vez do CD "Reginaldo Rossi ao vivo", com sucessos como "A raposa e as uvas" e "Mon amour, meu bem, ma femme". Um ano depois, o CD "Reginaldo Rossi the king" contou com a participação de convidados como Wanderléa, Erasmo Carlos, Golden Boys, Roberta Miranda e da banda Planet Hemp. O disco vendeu 1 milhão de cópias.

Já em 2010, o cantor produziu o DVD "Cabaret do Rossi", fazendo releituras dos seus grandes hits. A apresentação foi gravada em um cenário de tecidos aveludados, poltronas vermelhas, entre outros elementos decorativos que faziam alusão a um cabaré. Antes de ser internado, era esse o show que o cantor apresentava em várias cidades do Nordeste. Ao longo da carreira, Rossi recebeu 14 discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante.



Músicas conhecidas na voz dele também foram gravadas por outros artistas e bandas nacionais, como Comadre Fulozinha ("Desterro") e Pedra Letícia ("Em plena lua de mel").

O cantor pernambucano Silvério Pessoa, por exemplo, criou uma banda, a Sir Rossi, que dá novas roupagens às canções do artista. "É um presente de Deus meus colegas gravarem Reginaldo Rossi", disse no Espaço Pernambuco, exibido na Globo Nordeste, em setembro passado. "É a nossa medalha de honra ao mérito para ele", brincou Silvério, na mesma reportagem.

Rossi colecionou histórias ao longo da carreira de quase 50 anos. Ele contou delas no Espaço Pernambuco. "Uma vez, após um comício em Jaboatão [dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife], com 40 mil pessoas, eu saí em uma Kombi e pedi para ir devagar para cumprimentar os fãs. Quando a Kombi estava já andando a uns 20 quilômetros, vi um cara correndo, esbaforido e eu disse para a gente parar porque o esforço dele merecia atenção”, disse. “Quando abrimos a porta, ele disse: 'Rossi, eu também sou veado'. Isso faz parte do show."

No programa, também explicou por que o tema da "dor de corno" era tão ligado ao seu trabalho. "Essa história de corno não foi eu quem colocou, mas o povo, o povo adora isso. Se prestar atenção na música 'Garçom', o homem está chorando porque o grande amor da vida dele vai casar com outro”, apontou. “Mas levaram para esse lado e eu aproveitei, segui esse caminho, pois o artista tem que aproveitar a oportunidade. Quem pede para cantar [essas músicas] não são pessoas de 40 anos, são jovens, de 14, 15, 18 anos."

Ele ainda comentou que "só no Brasil é que existe essa história de brega e chique”. “Os cantores no mundo todo querem fazer sucesso. As letras são as mais simples possíveis, as harmonias [também]”, comparou. “Claro, existem eruditos para uma pequena classe. No Brasil, em que povo em geral não teve acesso à educação musical mais refinada, isso é válido: tem que ter Chico [Buarque], Gal [Costa], Caetano [Veloso], e tem que ter Amado Batista, Zezo dos Teclados, Faringes da Paixão e Reginaldo Rossi."


Fonte: G1 PE

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