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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A VOZ DA BATERIA MINEIRA

Considerado por muitos como o maior nome da bateria de Minas Gerais, Esdras Ferreira deixa de lado todo a sua excelência e virtuosismo para dar essa belíssima entrevista.

Por Eduardo Tristão Girão

Criado em terreiro de candomblé, o baterista Esdra Ferreira bebeu nas fontes do jazz, do samba e do congado para criar sua inconfundível batida.
Com cerca de três décadas de carreira, o baterista Esdra Ferreira, belo-horizontino do Barro Preto, já tocou com praticamente todas as estrelas mineiras, além de Dominguinhos, Nana Caymmi, Paulinho da Viola e João Nogueira.


Eduardo Tristão Girão - Há músicos na sua família?
Esdra "Nenem" Ferreira - Profissionais, como eu, não. Mas quase todos os tios e primos tocavam alguma coisa. Meu pai cantava muito bem, tinha voz bonita. Toda a família dele gostava de cantar, de jazz, de Nat King Cole, de Frank Sinatra e de Billie Holiday. Já a parte da minha mãe é o povo do samba. São de Diamantina. Ela tocava quase todos os instrumentos de percussão, pois foi fundadora de uma das primeiras escolas de samba de Minas Gerais, a Monte Castelo. Com ela aprendi a parte do samba. Meus tios tocavam trompete. Fui criado nesse meio.

ETG - Quando você começou a se envolver com música?
ENF - Quando fui morar na casa da minha tia, no Bairro Colégio Batista, aos 7 anos. Por problemas de saúde, minha mãe não pôde cuidar de mim e me entregou para essa tia, que tinha um centro de candomblé. Ela era babalorixá, a manda-chuva do lugar. Lá comecei a brincar com o atabaque. Achava bonito, tinha ritmo, pois vinha da escola de samba da mamãe. Pequenininho, já a via tocar surdo, tamborim, tantã. Era natural. Foi uma experiência muito rica, pois aprendi vários ritmos e formas de tocar. Inclusive, aprendi o jeito primitivo de tocar, com aquela força.

ETG - Quando veio a bateria?
ENF - Passando pela Praça do México, no Bairro Concórdia, vi um cara tocando bateria. Achei absurdo um cara conseguir tocar aquele monte de coisas que formam a bateria. Era do outro mundo. Quando me mudei para o Alto dos Pinheiros, passei a frequentar o baile do Clube Recreativo. Não ia dançar, mas olhar o baterista. Ficava do lado dele. A bateria ficava num porão o dia inteiro e pedi para praticar enquanto o pessoal não estivesse ensaiando. Comecei assim, sozinho. E aprendi.

ETG - Você teve professor?
ENF - Tive, mas muitos anos depois. Foi o Emílio Gama. Ele foi meu professor técnico e o Laércio Vilar, professor intelectual. Percebi que tinha de estudar depois de receber muitas críticas das pessoas, quando me apresentava na boate Sucata. Era o bar da noite. Só fechava às 5h, 6h. Todo mundo ia para lá, inclusive o Laércio Vilar. Me criticavam muito por não ter técnica, ser muito bruto. Minha base, na verdade, era a do tambor, que é muito diferente. Bateria tem técnica especial, como tudo. Encontrei o Emílio quando ele veio do Rio de Janeiro ensinar aqui, na Ordem dos Músicos. Laércio me aconselhou a fazer o curso. O problema era a técnica correta, que eu não sabia usar. Eu e vários bateristas jovens fizemos esse curso. Estudei técnica, estudo até hoje e vou estudar eternamente. No dia em que parar, já era.

ETG - É preciso praticar todos os dias?
ENF - É bom. Todo instrumento deve ser praticado diariamente. É claro que, quando você está esgotado, não convém. Tudo tem limite. Quando a gente é mais jovem, estuda mais, mas é preciso manter, tocando e estudando. Estudar não é só a coisa de técnica. Para mim, o momento de estudo é de criação. Com os rudimentos que toco ao estudar, vou bolando várias coisas rítmicas e melódicas. Assim, a gente se prepara para se apresentar em público, o legal da história.

ETG - Quem foi o seu grande mestre?
ENF - No geral, foi o Laércio Vilar. O primeiro que me fez enxergar os outros bateristas do mundo. Ele e outro amigo nosso, o baterista Dinelli, que hoje é advogado. Íamos para a casa do Dinelli, no Padre Eustáquio, ouvir os grandes mestres, pois não tínhamos radiola. Ouvíamos Elvin Jones, meu grande mestre, Art Blakey, Max Roach e Buddy Rich. Os mais novos também, como Jack Dejohnette, meu ídolo maior na atualidade, Billy Cobham, Steve Gadd, Philly Jo Jones e Tony Williams. São caras criativos, inventaram o que o mundo todo copia. Criaram vários estilos. Nessa mesma época, também tive ídolos brasileiros, músicos que ouvi muito lá na casa do Dinelli, como Edson Machado, Airto Moreira, Dom Um Romão, Paulo Braga e Robertinho Silva. São meus ídolos.

ETG - O que está presente no seu toque de bateria?
ENF - A coisa africana, por causa dos tambores, a escola de samba e o congado. Participei disso tudo. Além do toque jazzístico das músicas que ouvia com meus pais, de Nat King Cole e de Count Basie. Então, é tudo misturado: o lado africano com a paixão pelo jazz e as coisas brasileiras, pois sou brasileiro, graças a Deus, com baião, xaxado, maracatu, samba e samba de roda.

ETG - É possível falar em estilo brasileiro de tocar bateria?
ENF - Sim. Isso começa pelo fato de que samba é um estilo em si. Só o baterista com estilo e sangue brasileiros consegue tocar samba com o nosso suingue. Mesmo assim, não são todos. É cultural, está no ar, na comida, nas pessoas, nas conversas. É coisa pura brasileira, assim como baião, choro e guarânia mineira.

ETG - Você é ogã. O que significa isso?
ENF - No meu caso, graças a Deus, é o seguinte: ogã, numa casa de candomblé em que se pratica iorubá, é o responsável pelo toque de chamado dos orixás, é o coração do candomblé, daquele momento de transe. Ele canta as cantigas em dialeto iorubá para a manifestação dos orixás. É uma pessoa muito responsável. Existe uma hierarquia: ogã alabê é o que canta, que tira a zuela. O ogã rum e o rumpi são os tambores médio e menor, respectivamente. Todos com funções independentes, cada um faz uma coisa para o todo da orquestra de tambores. Ogã é uma espécie de sacerdote, ligado ao dono do candomblé. Tudo dele é com o ogã, responsável pelo toque; se está bom, se é regular, se está mal tocado ou cantado. É complexa a coisa.

ETG - Musicalmente isso te influência?
ENF - Muito, pois ouvi demais as cantigas de candomblé e fiz um trabalho em cima disso com o flautista Mauro Rodrigues, a Suíte para os orixás. No meu toque, isso tudo está presente.

ETG - "Suíte para os Orixás" é seu único trabalho autoral lançado?
ENF - Por enquanto, é. Há o projeto de fazer um disco solo meu, com composições minhas e de compositores que quero interpretar. Este ano ou no ano que vem.

ETG - Como você compõe?
ENF - Canto uma melodia, ponho o ritmo e alguém coloca a harmonia para mim – Mauro Rodrigues, Beto Lopes ou Juarez Moreira, por exemplo. Sempre coloco o ritmo para eles. É uma troca, não é? Estou errado? (risos)

ETG - O que você vê de tendência na cena musical belo-horizontina?
ENF - Tenho gostado da garotada que vai ao Conservatório Music Bar, onde toco semanalmente. Fica lotado de gente que gosta de tudo que é bem tocado, bom e, principalmente, brasileiro. As pessoas se voltaram para a música brasileira com muita força. Os jovens estão se interessando mais por forró, samba, bossa nova, Clube da Esquina, Tropicália. Toda a vida, os ritmos brasileiros foram ricos, tocados por muitas pessoas. Mas, de uns anos para cá, essa tendência se fortaleceu. Por exemplo: tocamos jazz e, quando tocamos samba ou baião, parece que gostam mais. O negócio não era assim, era mais americanizado.

ETG - O que te vem à cabeça quando pensa na expressão música mineira?
ENF - Hoje ela é, com certeza, uma das músicas mais respeitadas e apreciadas no mundo. Principalmente depois do Clube da Esquina. Já fui ao Japão e à Rússia com o Toninho Horta. Viajei muito com Milton Nascimento e Beto Guedes, além do Marku Ribas, cuja música não tem muito a ver com o Clube, mas é respeitadíssima no mundo. Isso é um todo. No Japão, com o Toninho, a gente tem de fazer duas sessões por dia, de tanta gente que quer ouvi-lo. As pessoas me param para perguntar quando é que o Lô Borges, o Beto Guedes, o Flávio Venturini, o Juarez Moreira vão para lá. Todos os lugares por onde a gente viaja são assim. No Brasil, então, nem se fala. A música mineira está num momento maravilhoso. Mesmo depois do Clube da Esquina, continua muito bem com Skank, Jota Quest, Pato Fu, Flávio Henrique, Kadu Viana, Vítor Santana e Mariana Nunes.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

HYLDON, 35 ANOS DEPOIS

1975 foi o ano em que foi lançado o primeiro álbum de Hyldon. Esse disco é um divisor de águas no soul em terras tupiniquins e fundamental na discografia de qualquer pessoa que admira o que há de melhor em nossa música nacional. Algumas de suas faixas fazem parte da história da música popular brasileira e entraram para o hall das grandes canções da mpb, tal como a faixa-título do disco (que é sem dúvida o maior sucesso de Hyldon, mesmo tendo se passado 35 anos desde o seu lançamento), Na sombra de uma árvore, Acontecimentos e As dores do mundo.

Um pouco depois do lançamento do seu primeiro disco que apesar do sucesso continuava sendo preterido nas verbas promocionais da sua gravadora, decidiu passar uns dias nos EUA, uns dias que viraram meses, a cidade escolhida foi Nova York pra ver shows dos seus ídolos, The Temptations, Al Green, Diana Ross, The Supremes ao vivo no Apollo Theatre no Harlem, templo sagrado do Soul Music. Três artistas negros afro-americanos marcaram profundamente a vida do nosso artista, Ray Charles, Stevie Wonder e Marvin Gaye e foi o show desse último que mais marcou na sua viagem; Marvin Gaye no Rádio City Theatre – Acompanhado de orquestra e mais a sua banda, Marvin Gaye surgia do chão alinhadíssimo num terno branco cantando What’s goin’on. Nesse dia Hyldon chorou de emoção. Morrendo de saudade da família, dos amigos, da comida e fugindo do frio, Hyldon resolveu voltar dispensando um convite da Gravadora Polydor para gravar em Inglês, trouxe na bagagem um álbum duplo do Earth, Wind and Fire e presenteou cópias para seus amigos músicos inclusive, Caetano Veloso Caetano Veloso, que inspirado nesse grupo chamou a Banda Black Rio para gravar aquele disco que tem Odara e Gilberto Gil que compôs “Palco” e gravou com um som bem próximo do E.W.&F. Hyldon e Tim Maia tinham gostos apostos enquanto o síndico preferia Ohio Players (Banda pouco conhecida no Brasil) Hyldon simplesmente achava a banda de Maurício White melhor até por que era latente no som da banda a influencia da música brasileira e ele sempre foi apreciador dessas quebras de protocolos musicais. Influenciado também pela era Disco que viu nascer na matriz, gravou a música “Estrada errada” no seu segundo álbum: "Deus, a Natureza e a Música" e compôs com o Síndico “A fim de voltar” para o Tim Maia Disco Club, o disco que tem sua guitarra em todas as faixas e a marca do seu balanço ficou perpetuado na dançante “Sossego”.

Mesmo sendo arredio às badalações, típico da sua maneira simples de ser, sua música sempre esteve presente nos últimos 30 anos em nossas vidas, seja na sua voz ou nas vozes de outros intérpretes como Luís Melodia, Carlos José, Sandra de Sá, Wanderléa, Marisa Monte, Caetano Veloso, Jorge Aragão, Tim Maia, Golden Boys, Christian & Ralf, Preta Gil, Jota Quest, Lenine, MV Bill e Kid Abelha, Ivete Sangalo só para citar alguns. Nos últimos anos vem aumentando o interesse no trabalho do Hyldon de novos artistas e um publico mais jovem têm comparecido aos seus shows e comprado seus discos, esse fenômeno de misturas de gerações pode ser comprovado em suas apresentações. Hyldon tem diversas canções em novelas, peças de teatro, espetáculos de dança (Deborah Colker) e filmes como “Cidade de Deus”, “Carandiru”, “Durval Discos”, “Homem do Ano”, “Paraíso Proibido” e Antonia (de Tata Amaral).


Faixas:
01 - Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha De Sapê) – Hyldon – (Hyldon) (3:31)
02 - Na Sombra De Uma Árvore – Hyldon – (Hyldon) (4:52)
03 - Vamos Passear De Bicicleta? – Hyldon – (Hyldon) (3:36)
04 - Acontecimento – Hyldon – (Hyldon) (4:19)
05 - Vida Engraçada – Hyldon – (Hyldon) (3:07)
06 - As Dores Do Mundo – Hyldon – (Hyldon) (3:44)
07 - Guitarras, Violinos E Instrumentos De Samba – Hyldon – (Hyldon) (3:31)
08 - Sábado E Domingo – Hyldon – (Hyldon & Nenem) (3:28)
09 - Eleonora – Hyldon – (Hyldon) (3:27)
10 - Balanço Do Violão – Hyldon – (Hyldon & Beto Moura) (3:01)
11 - Quando a Noite Vem – Hyldon – (Hyldon) (3:29)
12 - Meu Patuá – Hyldon – (Hyldon) (3:27)

30 ANOS SEM O POETINHA

Em julho de 2010 completa-se 30 anos que o nosso poetinha foi embora. Vinícius ainda hoje é sem dúvida uma das maiores referências da música popular brasileira como exímio compositor que foi. O Musicaria apesar de já ter abordado sobre a biografia do poeta a algum tempo atrás não poderia deixar 2010 acabar sem fazer referência a passagem da data e a saudade deixade pelo mestre.

O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata.

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes aos nove anos de idade parece que pressente o poeta: vai, com a irmã Lygia ao cartório na Rua São José, centro do Rio, e altera seu nome para Vinicius de Moraes. Nascido em 19-10-1913, na Rua Lopes Quintas, 114 — bairro da Gávea, na Cidade Maravilhosa, desde cedo demonstra seu pendor para a poesia. Criado por sua mãe, Lydia Cruz de Moraes, que, dentre outras qualidades, era exímia pianista, e ao lado do pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta bissexto, Vinicius cresce morando em diversos bairros do Rio, infância e juventude depois contadas em seus versos, que refletiam o pensamento da geração de 1940 em diante.

Em 1916, a família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, 129, no bairro de Botafogo, passando a residir com os avós paternos, Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.

No ano seguinte mudam-se para a rua da Passagem, 100, no mesmo bairro. Nasce seu irmão Helius. Com a irmão Lydia, passa a freqüentar a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.

Em 1920, por disposição de seu avô materno, é batizado na maçonaria, cerimônia que lhe causaria grande impressão.

Após três outras mudanças, em 1922 a família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, 109-A.

Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria, no ano seguinte.

Em 1924, inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente. Começa a cantar no coro do colégio nas missas de domingo, criando fortes laços de amizade com seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este sobrinho de Raul Pompéia. Participa, como ator, em peças infantis.

Torna-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajóz, em 1927, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do colégio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casas de famílias conhecidas.

Compõe, no ano seguinte, com os irmãos Tapajóz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande sucesso. Nessa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

A família volta a morar na rua Lopes Quintas em 1929, ano em que Vinicius bacharela-se em Letras no Santo Inácio. No ano seguinte entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil, para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), tornando-se amigo de Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

Em 1931, entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial da Reserva, em 1933. Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.

Forma e exegese, seu livro de poesias lançado em 1935, ganha o prêmio Felipe d'Oliveira.

Em 1936, substitui Prudente de Moraes Neto como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher". Conhece o poeta Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

Em 1938, é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, para onde parte em agosto daquele ano. Trabalha como assistente do programa brasileiro da BBC. Conhece, então, na casa de Augusto Frederico Schmidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se tornaria um dos maiores amigos. Instado por outro grande amigo, Otávio de Faria, a se tornar um poeta mais com os pés no chão, e não o "inquilino do sublime" como, então, o chamou, lança Novos Poemas. Seguindo esta mesma linha, são lançados, posteriormente, Cinco Elegias, em 1943, e Poemas, Sonetos e Baladas, escrito em 1946, que já começam a mostrar o poeta sensual e lírico, mas, como ele próprio disse, um "poeta do cotidiano".

No ano seguinte, casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello. No final desse ano, retorna ao Brasil devido à eclosão da II Grande Guerra. Parte da viagem é feita em companhia de Oswald de Andrade.

O ano de 1940 marca o nascimento de sua primeira filha, Suzana. Torna-se amigo de Mário de Andrade.

Estréia como crítico de cinema e colaborador no Suplemento Literário do jornal "A Manhã", em companhia de Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo, em 1941.

Em 1942, nasce seu filho Pedro. Favorável ao cinema silencioso, Vinicius inicia um debate sobre o assunto com Ribeiro Couto, que depois se estende à maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti. A convite do então prefeito de Belo Horizonte (MG), Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros àquela cidade, onde se liga por amizade a Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Otto Lara Resende. Juntamente com Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, inicia a roda literária do Café Vermelhinho, no Rio de Janeiro, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira e Bruno Giorgi, entre outros. Conheceu a escritora argentina Maria Rosa Oliveira e, através dela, Gabriela Mistral. Freqüenta as domingueiras na casa de Aníbal Machado. Ainda nesse ano, faz extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.

No ano seguinte, ingressa, por concurso, na carreira diplomática. Publica Cinco Elegias em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.

Dirige, em 1944, o Suplemento Literário de "O Jornal", onde lança, entre outros, Pedro Nava, Francisco de Sá Pires, Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Marcelo Garcia e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Athos Bulcão, Maria Helena Vieira da Silva, Alfredo Ceschiatti, Carlos Scliar, Eros (Martin) Gonçalves e Arpad Czenes.

Em 1945, um grande susto: sofre grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro "Leonel de Marnier", perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacyr Werneck de Castro. Colabora com vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema. Escreve crônicas diárias para o jornal "Diretrizes". Faz amizade com o poeta chileno Pablo Neruda.

No ano de 1946, assume seu primeiro posto diplomático: vice-consul do Brasil em Los Angeles, Califórnia (USA). Ali permanece por quase cinco anos, sem retornar ao seu país. Publica, em edição de luxo, com ilustrações de Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.

Vinicius, amante da sétima arte, inicia seus estudos de cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film, em 1947.

Em 1949, João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa manual, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema Pátria Minha.

Visita o poeta Pablo Neruda, no México, que se encontrava gravemente enfermo. Ali conhece o pinto Diogo Siqueiros e reencontra o pintos Di Cavalcanti. Morre seu pai. Volta ao Brasil, em 1950.

No ano seguinte, casa-se, pela segunda vez, com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli. A convite de Samuel Wainer, começa a colaborar no jornal "Última Hora", como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.

Em 1952, é nomeado delegado junto ao Festival de Punta del Este, fazendo paralelamente sua cobertura para "Última Hora". Terminado o evento, parte para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização do Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade. Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco Elegias. Sob encomenda do diretor Alberto Cavalcanti, com seus primos Humberto e José Francheschi, visita, fotografa e filma as cidades mineiras que compõem o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor.

Em 1953, nasce sua filha Georgiana. Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tu passas por mim". Faz crônicas diárias para o jornal "A Vanguarda" e colabora no tablóide semanário "Flan", de "Última Hora". Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada. Escreve Orfeu da Conceição, obra que seria premiada no Concurso de Teatro do IV Centenário da Cidade de São Paulo no ano seguinte, e que teve montagem teatral em 1956, com cenários de Oscar Niemeyer. Posteriormente transformada em filme (com o nome de Orfeu negro) pelo diretor francês Marcel Camus, em 1959, obteve grande sucesso internacional, tendo sido premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e com o Oscar, em Hollywood, como o melhor filme estrangeiro do ano. Nesse filme acontece seu primeiro trabalho com Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim).

Sai da primeira edição de sua Antologia Poética. A revista "Anhembi" publica Orfeu da Conceição, em 1954.

No ano seguinte, compõe, em Paris, uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu negro. Volta ao Brasil em curta estada, buscando obter financiamento para a realização do filme. Diante do insucesso da missão, retorna a Paris em fins de dezembro.

Em 1956, retorna à pátria, no gozo de licença-prêmio. Nasce sua filha, Luciana. A convite de Jorge Amado, colabora no quinzenário "Para Todos", onde publica, na primeira edição, o poema O operário em construção. A peça Orfeu da Conceição é encenada no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. As músicas do espetáculo são de autoria de Antônio Carlos Jobim, dando início a uma parceria que, tempos depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova. Retorna ao posto, em Paris, no final do ano.

Publica Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal, em 1957. É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No final do ano é transferido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.

Em 1958, sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP "Canção do amor demais", de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa nova, no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de saudade", considerado o marco inicial do movimento.

1959 marca o lançamento do LP "Por toda a minha vida", de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno. Casa-se sua filha Susana.

No ano seguinte, retorna à Secretaria de Estado das Relações Exteriores. Em novembro, nasce seu neto Paulo. Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, uma edição popular da peça Orfeu da Conceição e Recette de femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff.


Começa a compor com Carlos Lyra e Pixinguinha. Aparece Orfeu negro, em tradução italiana de P. A. Jannini, em 1961.

Dá início à composição de uma série de afro-sambas, em parceria com Baden Powell, entre os quais "Berimbau" e "Canto de Ossanha". Com Carlos Lyra, compõe as canções de sua comédia musicada Pobre menina rica. Em agosto desse ano, 1962, faz seu primeiro show, que obteve grande repercussão, ao lado de Jobim e João Gilberto, na boate "Au Bon Gourmet", iniciando a fase dos "pocket-shows", onde foram lançados grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e "Samba da benção". Na mesma boate, faz apresentação com Carlos Lyra para apresentar "Pobre menina rica", ocasião em que é lançada a cantora Nara Leão. Compõe, com Ary Barroso, as últimas canções do grande mestre da MPB, como "Rancho das Namoradas". É lançado o livro Para viver um grande amor. Grava, como cantor, um disco com a atriz e cantora Odete Lara.

Em 1963, inicia uma parceria que produziria grandes sucessos com Edu Lobo. Casa-se com Nelita Abreu Rocha e retorna a Paris, assumindo posto na Delegação do Brasil junto à UNESCO.

No início da revolução de 1964, retorna ao Brasil e colabora com crônicas semanais para a revista "Fatos e Fotos", ao mesmo tempo em que assinava crônicas sobre música popular para o "Diário Carioca". Começa a compor com Francis Hime. Com Dorival Caymmi, participa de show muito sucesso na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Desse show é feito um LP.

1965 marca o lançamento de Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério de Educação e Cultura. Ganha o primeiro e segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell. Parte para Paris e St. Maxime para escrever o roteiro do filme "Arrastão". Indispõem-se com o diretor e retira suas músicas do filme. Parte de Paris para Los Angeles a fim de encontrar-se com Jobim. Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, 20. Começa a trabalhar no roteiro do filme "Garota de Ipanema", dirigido por Leon Hirszman. Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

No ano seguinte é lançado o livro Para uma menina com uma flor. São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa. Seu "Samba da benção", em parceria com Baden Powell, é incluído, em versão do compositor e ator Pierre Barouh, no filme "Un homme... une femme", vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano. Vinicius participa do juri desse festival.

Em 1967, sai a sexta edição de sua Antologia Poética e a segunda de Livro de Sonetos (aumentada). Faz parte do júri do Festival de Música Jovem, na Bahia. Ocorre a estréia do filme "Garota de Ipanema". É colocado à disposição do governo de Minas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto.

Falece sua mãe, em 25 de fevereiro de 1968. Aparece a primeira edição de sua Obra Poética. Seus poemas são traduzidos para o italiano por Ungaretti.

Em 1969, é exonerado do Itamaraty. Casa-se com Cristina Gurjão, com quem tem uma filha chamada Maria.

No ano seguinte, casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy. Inicia parceria com o violonista Toquinho.

Em 1971, muda-se para Salvador, Bahia. Viaja pela Itália, numa espécie de auto-exílio. No ano seguinte, com Toquinho, lança naquele país o LP "Per vivere un grande amore".

A Pablo Neruda é lançado em 1973. Trabalha, no ano seguinte, no roteiro, não concretizado, do filme "Polichinelo". Participa de show com Toquinho e a cantora Maria Creuza, no Rio. Confirmando os boatos de que o governo o perseguia, excursiona pela Europa e grava dois discos na Itália com Toquinho, em 1975.

Em 1976, novo casamento, agora com Marta Rodrigues Santamaria. Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.

Participa de show na casa de espetáculos "Canecão", no Rio, com Tom Jobim, Toquinho e Miúcha. Grava um LP em Paris, com Toquinho, em 1977.

No ano seguinte, excursiona com Toquinho pela Europa. Casa-se com Gilda de Queirós Matoso.

Em 1979, participa de leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), a convite do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

No dia 17 de abril de 1980, é operado para a instalação de um dreno cerebral. Morre, na manhã de 09 de julho, de edema pulmonar, em sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher. Extraviam-se os originais de seu livro O deve e o haver.

Lançado postumamente, no Livro de Letras, publicado em 1991, estão mais de 300 letras de músicas de autoria de Vinícius, com melodias suas e de um sem número de compositores, ou parceirinhos, como carinhosamente os chamava.

Em 1992, é lançado um livro que hibernou anos junto ao poeta: Roteiro Lírico e Sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde Nasceu, Vive em Trânsito e Morre de Amor o Poeta Vinicius de Moraes.

No ano seguinte, uma coletânea de poesias é publicada no livro As Coisas do Alto - Poemas de Formação, mostrando a processo de formação do poeta, que é uma descida do topo metafísico à solidez do cotidiano.

Em 1996, é lançado livro de bolso com o título Soneto de Fidelidade e outros poemas, a preços populares. Essa publicação fica diversas semanas na lista dos mais vendidos, o que vem mostrar que mesmo após 16 anos de seu desaparecimento, sua poesia continuava viva entre nós.

Em 2001, a industria de perfumes Avon lança a "Coleção Mulher e Poesia - por Vinicius de Moraes", com as fragrâncias "Onde anda você", "Coisa mais linda", "Morena flor" e "Soneto de fidelidade".

Inconstante no amor (seus biógrafos dizem que teve, oficialmente, 09 mulheres), um dia foi questionado pelo parceiro Tom Jobim: "Afinal, poetinha, quantas vezes você vai se casar?".

Num improviso de sabedoria, Vinicius respondeu: "Quantas forem necessárias."

No dia 08/09/2006, é homenageado pelo governo brasileiro com sua reintegração post mortem aos quadros do Ministério das Relações Exteriores, ocasião em que foi inaugurado o "Espaço Vinicius de Moraes" no Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro (RJ).

Salve! Salve! ao "Branco mais preto do Brasil na linha direta de Xangô". Saravá!


Dados compilados dos livros "Vinicius de Moraes: O poeta da Paixão - uma biografia", "Perfis do Rio", de José Castello, e de "Obra Poética - Poesia Completa e Prosa", Ed. Nov Aguillar - Rio, além dos constantes nos livros do autor e informações obtidas na Internet.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RESULTADO DO FESTIVAL DE MÚSICA CARNAVALESCA DO RECIFE 2011


Os premiados do Festival de Música Carnavalesca do Recife, realizado pela Prefeitura do Recife, foram conhecidos ontem (domingo, 12) à noite. Com o Teatro de Santa Isabel lotado, os compositores das 15 músicas vencedoras, divididas nas categorias frevo de rua, frevo de bloco, frevo canção, caboclinho e maracatu receberam, além de troféu e prêmio em dinheiro, a oportunidade de participar do disco do Festival, que terá o selo das Biscoito Fino, com show de lançamento no dia 9 de fevereiro, no Bairro do Recife.

Este ano, o festival contou com a direção musical e regência do Maestro Spok e execução das músicas pela SpokFrevo Orquestra. A comissão julgadora foi formada por Mauro Ferreira (blogueiro e crítico musical), Naná Vasconcelos (músico), Carlos Sandroni (etnomusicologista), Sidor Hulak (diretor do Conservatório Pernambucano de Música) e Martinho Filho (Biscoito Fino). O Festival de Música Carnavalesca do Recife é coordenado por André Brasileiro e realizado pela Prefeitura da Cidade do Recife.

Os primeiros, segundos e terceiros lugares de cada categoria receberão os prêmios de R$ 10 mil, R$ 5 mil e R$ 3 mil, respectivamente, além de troféu confeccionado pela artista plástica Tina Cunha. O intérprete vencedor recebeu e o melhor arranjador receberam R$ 3 mil, cada.

fotos no www.flickr.com/photos/usefoto. crédito: Beto Figueiroa/ UseFoto

Frevo canção:
1º) Meu Carnaval Olindense (Luiz Fernando Poeta), com interpretação de Almir Rouche e arranjos do Maestro Duda;
2º) No molejo do passo (Roberto Cruz/ Beto Hortiz), interpretado por Nonô Germano e arranjado por Ademir Araújo;
3º) Frevo das Rosas (Josias Lima/ Kleber Araújo), interpretado por Josildo Sá e arranjado por Nilson Lopes;


Frevo de bloco:
1º) Salu Rabequeiro (Getúlio Cavalcanti), interpretado pelo Bloco da Saudade e arranjado por Ademir Araújo;
2º) O Bloco do Bila (Luiz Guimarães), interpretado pelo Coral Edgar Morais e arranjado pelo Maestro Duda;
3º) Sonhos de Capiba ( Bia Assunção), interpretado pelo Coral Stallo e arranjado por Edson Rodrigues;

Caboclinho:
1º) Caboclo, que passo é esse? (Beto do Bandolim/Marcelo Varella), interpretado por Isaar e Maciel Salu e arranjado por Nilson Lopes;
2º) Caboclo D’Água (João Araújo / Luciano Magno), interpretado por Benil e arranjado por Dadá Malheiros;
3º) Cheiro de Guerra (Jamerson Bruno Vieira), interpretado por Walkyria Mendes com arranjos de Edson Cunha;

Maracatu:
1º) Guerreiros de Xangô (Beto do Bandolim/ Noel Tavares), interpretado por Abissal, com arranjos de Edson Rodrigues;
2º) Rainha do Morro (Bráulio de Castro/ Marcelo Varella), interpretado por Gerlane Lops e arranjado por Ademir Araújo;
3º) Coroa de Ouro (Alcides Vespasiano), interpretado por Ed Carlos, com arranjos de Flávio Lima;

Frevo de rua:
1º)Pisando em Brasa (Luciano Magno), arranjada por Edson Rodrigues;
2º)Tira Gosto (Getúlio Cavalcanti), arranjado por Edson Cunha;
3º)Anjo Folião ( Luiz Guimarães), arranjado por Clóvis Pereira;


O melhor intérprete: Abissal, na categoria maracatu, com a música Guerreiros de Xangô, de Beto do Bandolim e Noel Tavares.

Melhor arranjo: Edson Rodrigues, na categoria frevo de rua, com a música Pisando em Brasa de Luciano Magno.

domingo, 12 de dezembro de 2010

LUIZ GONZAGA E A INVENÇÃO DO NORDESTE

Livro O rei e o baião, do pesquisador Bené Fonteles, destaca modernidade do artista que ainda surpreende

Por Michelle de Assumpção



No dia em que completaria 98 anos, Luiz Gonzaga ganhará muitos presentes. Um deles adquire grande valor pelo conteúdo e raridade, desde sua publicação: não será vendido em livrarias. Seus três mil exemplares serão doados a bibliotecas, fundações, instituções culturais e pessoas, incluindo músicos, que conviveram com o Rei do Baião. Também serão distribuídos entre os primeiros convidados que forem neste 13 de dezembro, às 19h, à Torre Malakoff, onde será lançada a publicação. Haverá apresentação do cantor Nonato Luiz e do violonista Cláudio Almeida.

O rei e o baião - álbum de 377 páginas, organizado pelo pesquisador Bené Fonteles - foi feito a partir de uma pesquisa que levou 5 anos. É um livro para os que amam Luiz Gonzaga e o Sertão que ele representa; um caminho para conhecer melhor o artista e tudo o que foi produzido sobre ele. O lançamento no Recife ocorre simultaneamente a eventos em Caruaru, Campina Grande e Exu.

"O livro é uma análise da obra do Gonzaga, de sua importância. Ele é um dos cinco ou seis pilares da música brasileira. O que havia de publicação eram livros frutos de teses e duas biografias. Faltava algo que condensasse tudo", explica o organizador. Fonteles levantou um impecável acervo iconográfico de Luiz Gonzaga.

São fotos em ocasiões diversas, incluindo um ensaio de 1954, no estúdio da ABA Filmes, em Fortaleza, shows públicos, programas de TV, ao lado dos fãs, com os músicos, políticos, a família e outros artistas. O acervo também resgata publicidades feitas por Gonzaga, de bebidas, loterias e tantas marcas. A pesquisa de Bené é enriquecida por um apanhado de todas as capas de LPs gravados, do fim de 1950 até 1989. Pelas imagens, percebem-se as transformações por que passa sua figura simbólica.

Bené Fonteles também resenhou todos os discos póstumos e todas as publicações lançadas sobre Luiz Gonzaga. ´Queria uma homenagem completa`, diz o pesquisador, que também convidou outros estudiosos para interpretar o fenômeno do surgimento do baião e seu criador. Antônio Risério discorre sobre o Gonzaga representante da massa cabocla sertaneja. Elba Braga Ramalho (não é a cantora) enfoca o repertório do músico, as peculiaridades de ritmo, melodia e entonação, "que deram ao baião de Gonzaga as características espontâneas do canto popular".

O pesquisador Gilmar de Carvalho apresenta a música de Gonzaga como resultado da cultura rural que inclui cordéis, cantorias, rezas, folguedos etc. Sulamita Vieira reconstitui a carreira do Rei e o modo como o baião foi se espalhando, a partir do trabalho de Gonzaga e Humberto Teixeira no Rio de Janeiro. O antropólogo Hermano Vianna analisa a modernidade de Gonzaga, "seu uso consciente e inovador da instrumentação e do figurino, e seu papel na criação e consolidação de uma identidade nordestina". No texto de apresentação, Gilberto Gil destaca a importância da publicação, que, na sua análise, tem como maior mérito a paisagem iconográfica da presença histórica de Luiz Gonzaga junto ao seu povo.

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