PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

Mostrando postagens com marcador Tárik de Souza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tárik de Souza. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de novembro de 2018

TITO MADI: MUITO ALÉM DO SAMBA CANÇÃO

Por Tárik de Souza



O cantor e compositor Tito Madi, falecido aos 89 anos, no final de setembro, ganhou como lápide da mídia o epíteto de “rei do samba canção”. O Jornal Nacional, da TV Globo, por exemplo, o rotulou assim, embora tenha exibido ao fundo da notícia da morte seu maior sucesso, “Chove lá fora”, uma valsa. O paulista de Pirajuí, Chauki Maddi (1929-2018), o Tito Madi, radicado no Rio, foi muito além desta simples etiqueta. A começar pelo intérprete de voz cálida, educado no alaúde da família de origem libanesa, cuja emissão aveludada antecipou o intimismo da bossa nova. Influenciou extremos, de Roberto Carlos (a promessa de um disco com as composições do ídolo nunca se realizou) ao bolerista brega baiano Anísio Silva (1920-1989), que até gravou sua rara parceria com o pernambucano Capiba, “Duas janelas”. Quanto a João Gilberto, que estreou imitando a impostação de Orlando Silva em “Meia luz” (1952), é difícil mensurar a influencia, embora uma inusitada rivalidade tenha se manifestado de forma bélica. O baiano quebrou o violão na cabeça do paulista nos bastidores da entrega de um premio musical, em 1961. O incidente rendeu dez pontos no crânio de Tito e um processo criminal aberto à sua revelia, que ele levou tempo para conseguir encerrar. 

Quanto ao compositor, sua densa obra não se limitou ao gênero samba canção, onde cintilou, a partir de 1954, com temas como “Não diga não” (com Georges Henry), “Cansei de ilusões”, “Graças a Deus você voltou”, “Olha-me, diga-me”, “Há sempre um amanhã”, “Sonho e saudade”, “Canção dos olhos tristes”. Sua valsa “Chove lá fora” (“composta num passeio de barco, em dia de sol”) encantou Buck Ram do grupo americano de doo-wop, The Platters, que escreveu a versão “It’s raining outside”, com sucesso internacional. O mesmo ocorreu com outra incrível valsa de compositor, “Quero-te assim” (“I wish”), tal como “Rio triste” (“Sad river”). O entrevistei para meu programa de TV, “MPBambas”, no Canal Brasil, já após o AVC que deixou parte de seu corpo paralisado, em 2008, e ele me relatou seu arrependimento.

“Eles queriam me levar para os EUA e eu não topei. Foi um erro”, admitiu sem amargura. 

Ele teria chegado na América antes da revolucionária bossa nova, para a qual contribuiu com sambas entonação sincopada como “Quando a esperança vai embora”, “Pensei, errei”, “Amor e paz”, “É fácil dizer adeus”, “Onde andará minha saudade”, “Carinho e amor”, “A menina sonha azul”. O diretor artístico da gravadora Odeon, onde Wilson Simonal estreou com um caribenho cha cha cha composto por seu mentor Carlos Imperial (“Terezinha”) necessitava de uma transição para a bossa e Tito forneceu “Está nascendo um samba” (com Romeo Nunes), gravado em 1963, um ano antes de outro petardo, “Balanço zona sul” (“balança toda pra andar/ balança até pra falar/ vai caminhando balan/ balançando sem parar”). Sucesso imediato de Simonal, este arrasa quarteirão - uma das três odes clássicas às beldades cariocas, ao lado de “Garota de Ipanema” e “Samba de verão” – foi gravado tanto por cantores quanto instrumentistas da bossa. Leny Andrade difundiu ainda sua sinuosa “Esqueça não”. E também o protesto contra o protesto “Deixa o morro cantar” (“só o morro entende o que é sofrer demais/ conheço gente que no bem bom lá da cidade/ canta o morro/ mas conhece o morro só por jornais”), que Tito registrou em seu clássico LP “Balanço zona sul e outros sucessos”, de 1966, com afiados arranjos de Eumir Deodato, onde também desponta a dissonante “Só fiz sofrer”. 

Além de ter feito enorme sucesso com “Menina moça”, do craque do sambalanço Luis Antonio, o paulista de Pirajuí também embrenhou-se pelo batuque. Como em “Fale de samba que eu vou”, “Minha Mangueira”, “Minha filosofia” e “Roda de samba”, que concorreu ao Festival da Canção, de 1968, e foi registrada por outro ás do sambalanço, Miltinho. De longa atuação na noite, Tito ficou marcado por outro rótulo, cantor de fossa, a chamada dor de cotovelo amorosa, hoje popularmente intitulada sofrência. Mas ele aproveitou o mote para gravar uma série de quatro álbuns “A fossa”, entre 1971 e 1974, onde exibia-se mais como intérprete de temas alheios. Rebelde aos limites da etiqueta promocional, ele viajou nos repertórios de Caetano Veloso (“Coração vagabundo”) e João Donato (“Até quem sabe”, com Lysias Ênio) a Edu Lobo (“Canto triste”(com Vinicius de Moraes), Francis Hime (“Minha”, com Ruy Guerra) e até mesmo o êxito dos Secos & Molhados “Sangue latino” (João Ricardo/ Paulo Mendonça) e o samba redentor (e nada deprimido), “Pede passagem”, de Sidney Miller. Tito também não se confinou aos limites estabelecidos pelo problema de saúde e ainda gravou “Quero dizer que te amo”, ao lado do pianista Gilson Peranzzetta em 2015, após o belíssimo “Ilhas cristais”, de 2001, onde assinava “Dançador”, com Paulo Cesar Pinheiro.

Sua amplitude autoral o permitiu compor um aclamado hino sulista, a toada “Gauchinha bem querer” (“Rio Grande do Sul/ eu um dia voltarei/ pra rever meu rio Guaíba/ pra rever meu bem querer”). Ele foi gravado tanto por um Sérgio Ricardo iniciante, em 1959, quanto pelo característico Conjunto Farroupilha e o recém falecido folclorista local Paixão Cortes. Um reconhecimento de que o eclético autor de sambas canções, bossas, sambas, valsas, também era capaz de envergar musicalmente a bota e a bombacha de um gaúcho pilchado.

sábado, 20 de outubro de 2018

AS ARTES INFINDAS DE CAYMMI EM DOIS CDS INSTRUMENTAIS

Por Tárik de Souza



Compositor oceânico que dedicou parte de suas criações às relações do homem com o mar, o baiano Dorival Caymmi (1914-2008), tem a obra revisitada em dois discos de abordagens divergentes e enriquecedoras. Na direção do jazz e improvisos, “Dorival” (Pau Brasil) reúne um quarteto afiado, de poderes compartilhados, formado por André Mehmari (piano), Nailor Proveta (sax e clarinete), Rodolfo Stroeter (contrabaixo) e Tutty Moreno (bateria).

Já “Lição # 2: Dorival” (Natura Musical/ Risco), terceiro disco da banda paulistana QuartaBê, de predominância feminina, recria Caymmi “a partir de fragmentos harmônicos melódicos e rítmicos, selecionados ao longo de um intenso período de sua obra”, como dizem na apresentação. Formado por Mariá Portugal (bateria, voz e coquinho), Chicão (teclas, voz e coquinho), Maria Beraldo e Joana Queiroz (ambas clarinete, clarone, voz e coquinho), o grupo, que, a partir do título recria um clima de sala de aula (já dissecaram a obra de Moacir Santos em dois discos) procura externar seu estilo “através da experimentação e da brincadeira”. 

O resultado tangencia a vanguarda, o pop e a música eletrônica, encarando o repertório como “obra barco”, conduzida por “correntes desconhecidas no mar infinito de Caymmi”. O CD é dividido em três “ondas”, onde boiam e são ressignificados fragmentos de canções do autor como “Morena do mar” (aberta por um assobio característico do compositor e uma condução de vocalise entre tambores), “Canto de Nanã”, “Sargaço mar”. A elas, acrescentam-se as criações da banda “Vento métrico”, “Monção”, “Ressaca”, “Maré alta” e “Maré baixa”. Dilatadas, condensadas, sobrepostas, as canções do autor navegam numa “imbricada teia, onde não se sabe onde termina o autor e começa o intérprete”. 

Em “Dorival”, por sua vez, o quarteto Mehmari-Proveta-Stroeter-Moreno extrai a seiva de clássicos como “Samba da minha terra” (tema exposto numa tessitura veloz e dissonante), “Dora”, “João Valentão”, “Só louco” (com enevoadas digressões de sax) para reprocessá-la em novos formatos e atmosferas, entre a reflexão e o deleite. Há mais dolência que malemolência em “Tão só” e “Sargaço mar”. Mas o suingue, dengo e balanço do monumental autor baiano também fornecem combustível ao grupo, nos diálogos intensos de “Milagre” e nos requebros irresistíveis de “A vizinha do lado”.

Caymmi continua sendo.

sábado, 30 de dezembro de 2017

CAIXA GIL ANOS 70 É VIAGEM NA MÁQUINA DO TEMPO

Por Tárik de Souza



A caixa de três CDs duplos “Gilberto Gil ao vivo (Anos 70)”, de ótima qualidade técnica - rara para a época no registro de shows -, produzida pelo pesquisador Marcelo Fróes, do selo Discobertas, especialista na obra do baiano, supervisão de, Bem Gil, filho do artista, vai muito além da arqueologia. Opera como uma poderosa máquina do tempo. É possível tomar o pulso daquela década – a do desbunde e da contracultura no auge, batendo de frente com a ditadura militar – a partir das intensas e longas viagens musicais das apresentações. Após sua prisão junto com Caetano Veloso, no final dos 60, e o exílio compulsório em Londres, onde chegou a gravar um disco para o mercado local, ele reaparecia na excursão “Gilberto Gil em concerto”, cujos espetáculos, dias 11 e 12 de março de 1972, no teatro João Caetano, no Rio, originaram o primeiro dos CDs. No repertório, composições que entrariam no álbum emblemático “Expresso 2222”, como a faixa título, e mais “Back in Bahia”, “O sonho acabou”, “Oriente” e as alheias “Sai do sereno” (Onildo Almeida), “O canto da ema” (Alventino Cavalcanti/ João do Vale/ Ayres Vianna) e “Chiclete com banana” (Gordurinha/ Almira Castilho). A bordo de uma banda poderosa, com o gênio da guitarra Lanny Gordin, Perna Fróes (teclados), Bruce Henry (baixo) e Tutty Moreno (bateria), ele embrenha-se por improvisos que chegam a ultrapassar 18 minutos, na releitura heavy rock do samba “Aquele abraço”. Há especiarias como “Brand new dream”, que entraria num segundo disco londrino nunca realizado, uma releitura da anárquica “Cultura e civilização”, já gravada por Gal Costa, a tresloucada “Madalena (entra em beco sai em beco)”, que ele gravaria mais adiante e o arguto mantra “O bom jogador (não engana a geral”) repetido à exaustão. 


O segundo CD, intitulado a partir de uma inédita, a macrobiótica “Umeboshi” (“é fruto da flor/ como a flor de lótus/ é uma bomba poderosa/estimulante do apetite”), foi registrado no alternativo teatro Opinião, no Rio, em abril de 1973. Já traz o hit “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos/ Anastácia), outra face do compacto “Meio de campo” (“prezado amigo Afonsinho/ (...) a perfeição é uma meta/ defendida pelo goleiro”), de menor sucesso e maior ressonância. Da banda anterior, resta apenas o baterista Tutty, agora ao lado de Rubão Sabino (baixo), Aluizio Milanês (teclados) e Chiquinho Azevedo (percussão). O cardápio serve da irônica “Essa é pra tocar no rádio”, a “Doente morena” (parceria com Duda Machado), “Iansã” (com Caetano Veloso, desapropriada por Bethânia), “Ladeira da preguiça”, “Cidade do Salvador”, “Duplo sentido” e a obra prima de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, “Imbalança”. Há uma homenagem do solista a Edy Star (“Edith Cooper”), cuja assinatura surpreende ao lado de Gil, na clássica “Procissão”. 



Só, com o violão e longas histórias que conta antes de cada música, o terceiro CD, “Ao vivo na USP”, de maio de 1973, foi realizado em sala de aula por três horas, numa ocupação da faculdade, que lutava por justiça após o assassinato pela ditadura do estudante Alexandre Vannucchi Leme. Além do repertório, que já vinha cantando em outros shows, ele discorre sobre a saga do afoxé com esse nome - então em processo de extinção - “Filhos de Gandhi”. Desvela “Preciso aprender a só ser” (réplica a “Preciso aprender a ser só”, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle), revive “Domingo no parque” e “Objeto sim, objeto não”. Define “Back in Bahia” como “’Aquele abraço’ ao contrário”; redefine “Chiclete com banana” (“colonialismo às avessas”) e hesita em cantar “Cálice”, feita com Chico Buarque, alegando “desconhecer a parte da letra do parceiro”. Mas alguém da platéia a fornece, e a “proibidona” pela ditadura é entoada duas vezes. Ele abre uma série de sambas, “Senhor delegado” (Antoninho Lopes/Jaú), “Eu quero um samba” (Haroldo Barbosa/ Janet de Almeida) com “Minha nega na janela”, entusiasticamente aplaudida pelos politizados estudantes. Hoje seriam crucificados como politicamente incorretos, pelo humorismo racista da letra, que impede o próprio autor, Germano Mathias (com Doca), de voltar a ela em seus shows atuais. Os tempos mudam – para o bem e o mal. E urge documentá-los.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

LÊ COELHO UNIVERSALIZA SEU QUINTAL EM "IMIRIM"

Por Tárik de Souza



Assim como Rodrigo Campos propagou sua quebrada em “São Mateus não é um lugar tão longe assim” (2009), Lê Coelho intitula seu segundo solo com o nome do bairro paulistano da zona norte onde foi criado, “Imirim” (Matraca/YBMusic).

Ele começou na Banda de Argila entre a MPB e o rock progressivo, em discos lançados em 2003 e 2010. Em 2009, fundou Os Urubus Malandros, com um disco lançado em 2012 e dois anos depois estreava solo, com o denso “Tuvalu”.

Compositor, violonista, guitarrista, cantor e produtor musical, que passou pelo Conservatório de Imirim, o CLAM (do Zimbo Trio) e formou-se em música popular pela Unicamp, Lê tem uma caligrafia musical de refinado alinhavo harmônico. Trabalha bem os riffs, ostinatos e cantos falados, com o rap subjacente, como na ressignificação do tema “Cotidiano”, de Chico Buarque, nas negaças sambadas de “Canção de todo dia”. “Poesia não carece de sentido/ e a vida não requer maior razão”, filosofa “Cinema”, sua parceria com Zeca Baleiro.

Em “Nas quebradas da vida” (“não tem certo nem errado/ o juízo é peixeira no gibão/ facção é o Estado/ utopia é a Constituição/ a polícia é o crime organizado”) e “João menino” (“quando João sentiu que era sangue/ já não dava mais tempo de correr/ no país da senzala e casa grande/ cada um herda o jeito de morrer”), Lê Coelho traça implacáveis crônicas sociais com a autoridade de quem viveu praticamente confinado no Imirim até os 15 anos.

O roteiro também tem o humor surreal de “Saci”, a pegada pesada de “A barata” e uma participação de Lineker em “Palavra rouca”: “a vida é uma dança/ e o mundo é meu salão”.

sábado, 16 de dezembro de 2017

CHARLES THEONE, ATOR, CANTOR, AUTOR E REVELAÇÃO MUSICAL

Por Tárik de Souza



O vilão Antero Tenente do filme “A luneta do tempo”, de Alceu Valença, além de ator é o cantor e compositor pernambucano Charles Theone. Com produção do guitarrista escudeiro de Alceu, Paulo Rafael, o CD “Charles Theone” (Independente) numa das faixas, atribui ao maracatu o título de “Pai do samba”.

Em “Como não quer nada”, o solista dialoga com a cantora baiana Daúde, “Estrela da paz” mistura guitarras psicodélicas com cantoria nordestina. Sopros de entonação soul lubrificam a “Festa dos orixás” e a “Noite negra” mescla samba funk, emoldurado por backing vocal e corinho de órgão. “Chicos e Franciscos” enfileira homenagens, de São Francisco Xavier a Chico Buarque, Chico Anysio, Chico Mendes, Chico Science, Chiquinha Gonzaga, Xica da Silva, Chico Cesar e até Francisco Zumbi: “Eles plantaram a esperança/ mostraram a vida como é”.

Corta para a bossa pop “Doce” (“lábio voraz eu te devoraria/ saborearia fantasias tropicais/ em vozes atonais”) e rasta pé, em “Cuidado com Mané”. Os sinos dobram em “Olinda cidade mulher”, maracatu em câmara lenta e efeitos sonoros envolventes. Com participações no Maracatu Nação Pernambuco e no Balé Popular do Recife, Theone mostra caligrafia autoral própria e personalidade vocal.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

"BRASILEIRÍSSIMO": EMÍLIO SANTIAGO POR TÁRCIO CARDO

Por Tárik de Souza



No quarto disco de sua carreira, o cantor carioca Tárcio Cardo presta tributo a um cantor de estirpe, que marcou a MPB: “Brasileiríssimo – Para Emilio Santiago”.

“Era um amigo querido, tivemos uma relação muito próxima, principalmente em seus últimos dez anos de vida. Ela vem de família. Emilio era amigo de meu pai, Tarci, que é compositor. Nos anos 60, cursaram a Faculdade Federal de Direito juntos e foi pelas mãos dele, que Emilio entrou em estúdio pela primeira vez para gravar uma demo”, rebobina Tárcio.

O refinamento do homenageado exigiu nada menos de cinco craques arranjadores para o disco produzido por Max Viana, filho de Djavan: Roberto Menescal, Ginson Peranzetta, Cristóvão Bastos, João Donato e Jorjão Barreto.

No repertório, que começou a ser escolhido com Santiago ainda vivo, entraram “Canto de Ossanha” (Baden Powell/Vinicius de Moraes) e “Ponto de Ossanha”, de introdução e participação dos filhos de Baden (Marcel Powell) e seu primo João de Aquino (Gabriel de Aquino). De Johnny Alf, “Eu e a brisa” e “O que é amar”. E mais, os boleros “Dois pra lá, dois pra cá” (João Bosco/Aldir Blanc) e “Dilema” (de Aldir com Peranzetta), o funk´soul “O amigo de Nova Iorque” (Durval Ferreira/ Macau), que evoca a convivência de Emilio e Tárcio na cidade americana.

Ainda há três sucessos notórios do celebrado, “Saigon” (Paulo Cesar Feital/Claudio Cartier/Carlão), “Pelo amor de deus” (Paulo Debétio/Paulinho Resende) e “Logo agora” (Jorge Aragão/ Jotabê) e um dueto póstumo de Tárcio e Emílio em “Surpresa”, de João Donato e Caetano Veloso.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"BICICLETA" DE DUDU TSUDA ROMPE LIMITES SONOROS

Por Tárik de Souza




Multiartista onipresente nos discos da MPC (Música Paulistana Contemporânea), Dudu Tsuda estreou solo em “Le son par lui Même”, em 2012, e volta a assinar um álbum autoral, o polifônico “Bicicleta” (YBMusic). De passagens recentes por países como França, Japão, Espanha, Alemanha, Colômbia e Bolívia, onde desenvolveu pesquisas em diferentes modalidades artísticas, de performances e intervenções urbanas a trilhas sonoras para cinema e dança, Tsuda - a bordo de teclados e sintetizadores - fomenta ambientações sonoras intensas e aliciantes.

As narrativas de timbres & texturas sobrepõem-se as letras, na maioria curtas, em francês e inglês. Como na lúgubre “Graveyard”: “o sol brilha no cemitério/ a grama está mais verde que na primavera passada/ eu pedi socorro”. O sax barítono de Thiago França (outro expoente da MPC) rasga os limites de “Frozen time” (“gota a gota ela cai/ ouço o som da chuva/ o amor se erguerá de novo? / sem chance”). O inverno parisiense vivido pelo solista entre 2012 e 2013 plaina na sintética “Violetta” (“Quando fito teus olhos verdes/ e estás imersa em teus pensamentos/ te amo), com dueto do solista e o inebriante vocal de Juliana R.

A voz de outro ás da MPC, Tatá Aeroplano, sobrevoa, ao lado de Julia Valiengo “Conversas climáticas para elevador” (temperada pelo clarinete de Juliana Perdigão) e “Bicicleta”, em que o ritmo sutil sugere pedaladas. A emissão aguçada de Filipe Catto baila na coreografia das guitarras de Guilherme Held, Gustavo Ruiz e Marcelo Ozório em “I thought you were mine”. Tsuda transcende. 

LinkWithin