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Um bate-papo com alguns dos maiores nomes da MPB e outros artistas em ascensão.

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Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

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domingo, 10 de dezembro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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A música instrumental brasileira destaca-se por seu virtuosismo através dos mais distintos nomes e a execução dos mais diferentes instrumentos. Se levarmos em consideração, por exemplo, o acordeão, podemos enumerar nomes como Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho, Luiz Gonzaga entre outros; na percussão destaque para nomes como Papete, Airto Moreira, Paulinho Costa, Robertinho Silva entre tantos. Há um número sem fim de exímios instrumentas na música brasileira, e isso acaba fazendo da música brasileira uma das mais ricas existentes no planeta. Hoje destacarei o riquíssimo e tradicional violão brasileiro a partir de um de seus maiores representantes, que é o pernambucano Heraldo do Monte. Não me pergunte a razão pela qual o nome de Heraldo chegou até aqui, foi intuitivo. Em um país que tem nomes João pernambuco, Dilermano Reis, Paulinho Nogueira, Baden Powell, Yamandu Costa, Rodrigo Nassif, entre tantos; é algo extremamente dificultoso selecionar um nome específico, por isso mesmo usei da intuição e cheguei ao nome deste conterrâneo que iniciou seus estudos musicais na Escola Industrial de Pernambuco, com o professor Mário Câncio Justo da Silva. Heraldo começou na música tocando clarineta no colégio. A clarineta era o único instrumento disponível e com ele Heraldo lutou por uma semana sem conseguir tirar qualquer som. Até que seu professor, ligeiramente irritado, empunhou o instrumento para lhe mostrar como tocar e percebeu que havia algo errado. Um colega, pregando uma peça, havia enfiado uma flanela no tubo da clarineta. Heraldo seguiu seus estudos no instrumento e logo sentiu a necessidade de um instrumento harmônico. Usando os métodos para clarineta aprendeu sozinho a tocar o violão, intuindo os acordes.

Depois de trocar de instrumento, Heraldo resolveu comprar uma guitarra para começar a ganhar a vida tocando nas casas noturnas de Recife. Foi daí que deu início a carreira profissional na capital pernambucana acompanhando cantores em boates. Pouco tempo , em 1956, resolve mudar-se para São Paulo onde se empregou na TV Tupi acompanhando os músicos que se apresentavam na emissora. Nesse período também chega a ingressar no conjunto do conterrâneo Walter Wanderley e no quarteto de Dick Farney tocando guitarra, viola caipira e cavaquinho.  Aliás, é com Walter Wanderley que tem a oportunidade de fazer o seu primeiro trabalho como músico registrado em disco em 1960, antes de participar da gravação das faixas dos antológicos registros das canções "Fim de caso" e "My funny valentine", no disco da cantora e compositora Dolores Duran. Ainda na década de 1960 lança os primeiros discos de sua escassa discografia (a considerar o tempo de carreira que tem), são eles os LPs "Heraldo e seu conjunto" (1960), "Dançando com sucesso, vol.1" (1961) e "Dançando com sucesso, vol. 2" (1962). É válido registrar que nesta década também fez parte do antológico Quarteto Novo, ao lado de nomes como Airto Moreira, Theo de Barros e Hermeto Pascoal. Com o grupo gravou, em 1967, o LP "Quarteto Novo", lançado pela Odeon. Sua discografia ainda conta, dentre outros, os LP's "O violão de Heraldo do Monte" (1970), o LP "ConSertão" (gravado ao lado de Elomar, Arthur Moreira Lima e Paulo Moura) e o CD "Teca Calazans & Heraldo do Monte". Heraldo do Monte lançou recentemente o seu décimo quinto álbum, batizado com o seu nome o CD apresenta sete temas próprios interpretados com maestria em sua viola caipira. "Choro de Viola", "Torto" e "Inteiriço" são composições que foram feitas especialmente para o projeto. Sem contar que o álbum ainda traz dois clássicos do choro: "Lamentos" (Pixinguinha e Vinícius de Moraes) e "Doce de Coco" (Jacob de Bandolim).

terça-feira, 12 de julho de 2016

HERALDO DO MONTE GRAVA DISCO COM REPERTÓRIO QUE REÚNE CLÁSSICOS DO CHORINHO


Seu estilo regional dá especial destaque à viola caipira com seis pares de cordas, em vez dos cinco habituais 

Por Eduardo Tristão Girão


Cléber Almeida, Edmilson Capelupi, Heraldo do Monte e Luís do Monte: regional 'ensaiadão' (foto: Joaquim Nabuco/Divulgação)

Heraldo do Monte, de 81 anos, ouve choro desde criança, quando ainda morava no Bairro Mustardinha, no Recife, onde nasceu. Isso bem antes de trilhar o caminho que o levou a ser um dos guitarristas experientes do Brasil – ele integrou o lendário Quarteto Novo, tocou com Elis Regina e acompanhou Michel Legrand e o Zimbo Trio. O pernambucano sempre gostou de viola caipira, daí a ideia de reunir essas preferências num disco só, batizado com seu próprio nome.

“Jacob do Bandolim é o meu preferido tocando choro. Pixinguinha e todo mundo vêm depois. Além do suingue, ele tem um romantismo que me toca muito. Daí, imaginei um regional de choro, mas, em vez de o solista ser cavaquinho ou flauta, seria a viola. Comecei a compor as músicas para um projeto de shows, sem pensar em disco. Fomos tocando e, no meio disso, veio o convite da gravadora (Biscoito Fino). O regional já tava ensaiadão”, conta Heraldo.

A viola caipira, no caso, não é bem uma viola caipira. Em vez de cinco pares de cordas, ela tem seis – e é afinada como violão. “Sou um guitarrista que gosta de tocar viola. Estava conversando com o violeiro Ivan Vilela sobre a falta que sentia desse sexto par de cordas, e ele encomendou a um luthier uma viola desse jeito para me dar de presente. É um instrumento muito perseguido em termos de conservadorismo”, diz o músico.

Heraldo reuniu Edmilson Capelupi (violão de sete cordas), Cléber Almeida (percussão) e o filho, Luís do Monte (violão). Viajou de São Paulo para o Rio de Janeiro para gravar, o que não levou mais de dois dias. Das nove faixas que selecionou, sete são autorais: Pra Lurdes, Doçura, Torto, Moreneide, Choro de viola,Esperando a feijoada e Inteiriço. Paralelamente, providenciou os arranjos de Lamentos (Pixinguinha e Vinicius de Moares) e Doce de coco (Jacob do Bandolim).

“Doce de coco está entre as músicas tocadas com mais notas erradas. Aquela frase que toco devagarinho, na paradinha, nota por nota, dificilmente é executada certo. Fico chateado com quem não ouve Jacob e vai ouvir gravações de quem já mexeu e já errou. Fora isso, os músicos têm na imaginação o que gostariam que fosse aquela sequência de notas, mas terminam estragando a composição”, adverte.


MATURIDADE 

O fato de ter currículo extenso como guitarrista lhe traz plenitude – não no sentido da vontade de se aposentar, mas de enxergar sorte em cada experiência com nomes relevantes da música brasileira. A lista é longa: Edu Lobo, Elomar, Arthur Moreira Lima, Quinteto Violado, Teca Calazans, Walter Wanderley, Paulo Moura e Dominguinhos, entre muitos outros.

“Aprendi a tocar com orquestra, a ser louco trabalhando com Hermeto Pascoal e fiz essa coisa de músico profissional na época em que havia boom de gravações. Numa noite, por exemplo, estava de smoking em São Paulo acompanhando o Michel Legrand. No dia seguinte, de manhã, tinha gravação de Eu não sou cachorro não com o Waldick Soriano”, revela.


Heraldo do Monte (Gravadora Biscoito Fino)

Repertório:
. Lamentos (Pixinguinha e Vinicius de Moraes)
. Doce de coco (Jacob do Bandolim)
. Pra Lurdes (Heraldo do Monte)
. Torto (Heraldo do Monte)
. Moreneide (Heraldo do Monte)
. Choro de viola (Heraldo do Monte)
. Doçura (Heraldo do Monte)
. Esperando a feijoada (Heraldo do Monte)
. Inteiriço (Heraldo do Monte)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

HERALDO DO MONTE, 80 ANOS

2015 marca os oitenta anos deste músico que com talento saiu do Recife para mostrar suas habilidades musicais ao redor do mundo

Por Fernando Jardim



O nome Heraldo do Monte por seu papel histórico na música instrumental brasileira deveria dispensar qualquer introdução. Nascido no Recife, Heraldo começou na música tocando clarineta no colégio por ser o único instrumento disponível, com o qual andou pra cima e pra baixo por uma semana sem conseguir tirar qualquer som. Até que seu professor, ligeiramente irritado, empunhasse o instrumento para lhe mostrar como tocar e percebesse que havia algo errado. Um aluno pregando uma peça no Heraldo havia enfiado uma flanela no tubo de ar da clarineta. Seguiu seus estudos no labiorioso instrumento e logo sentiu a nececidade de um instrumento harmônico. Usando os métodos para clarineta aprendeu sozinho a tocar o violão, intuindo os acordes.

Aprendeu também a tocar cavaquinho e viola caipira e comprou uma guitarra para começar a ganhar a vida tocando nas casas noturnas de Recife. Pouco tempo depois partiu para São Paulo onde foi logo empregado na TV Tupi acompanhando os músicos que se apresentavam na emissora. No mesmo ano de 1966 entrou para um trio forçando-o a se tornar um quarteto, o Quarteto Novo. Neste quarteto estavam alguns dos músicos que mais brilhantes desse país. O próprio Heraldo na guitarra, violão etc, Théo de Barros no contrabaixo, Hermeto Pascoal no piano e flauta e ainda Airto Moreira na bateria e percussão. Fundindo de forma magistral, elementos do bebop à música brasileira (principalmente nordestina) introduziram fundamentos improvisacionais inovadores abrindo trilhas para a música instrumental brasileira.



O quarteto foi responsável pelos arranjos e a apresentação das músicas Ponteio (de Edu Lobo) e Disparada (parceria de Geraldo Vandré e Théo de Barros) nos antigos festivais da Record. A convite de Edu Lobo o quarteto parte para a Europa para sua primeira turnê internacional. Com a ida de Airto Moreira para os EUA o quarteto ainda se manteve por um curto período com o baterista Nenê, mas por ironia, a qualidade dos músicos foi o maior obstáculo para a continuidade do grupo. E os integrantes seguiram suas carreiras solo, que felizmente continuam se entremeando até hoje. Heraldo é compadre de Hermeto Pascoal tendo os dois gravado e se apresentado diversas vezes juntos, o mesmo acontecendo com Airto e Théo de Barros.

Gravou três discos nos três anos seguintes, 70 a 72, sendo o primeiro chamado simplesmente Heraldo e Seu Conjunto e o álbum em dois volumes, Dançando com Sucesso Vols. 1 e 2. Na mesma década gravou o álbum O Violão de Heraldo do Monte. Só voltaria a gravar quase dez anos mais tarde ao lado do violonista Elomar, Paulo Moura (sax e clarineta) e Arthur Moreira Lima o disco ConSertão. Nos anos oitenta gravou ainda os discos: Heraldo do Monte, Cordas Mágicas, Cordas Vivas e passada mais uma década gravou recentemente o cd Viola Nordestina.

Heraldo do Monte que já foi considerado por Joe Pass o melhor guitarrista do mundo, gravou também com Elis Regina, Quinteto Violado, Michel Legrand, Zimbo Trio, Hermeto Pascoal e outros, além de se apresentar nos melhores festivais de música mundo afora, como os festivais de Montreux, Montreal e Cuba.

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