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domingo, 8 de setembro de 2019

A EXPLOSÃO DA MULHER NA MÚSICA DO BRASIL EM 1979 ECOA HÁ 40 ANOS – A ESTREIA DE FÁTIMA GUEDES

Por Mauro Ferreira, G1




A VOZ DA MULHER EM 1979 (PARTE 2) – Sempre atenta aos sinais, Elis Regina (1945 – 1982) pôs os olhos de farol na então desconhecida produção autoral de Fátima Guedes e incluiu a música Meninas da cidade no roteiro do show Transversal do Tempo, estreado por Elis em 17 de novembro de 1977, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre (RS), cidade natal da cantora gaúcha.

Meninas da cidade entrou no roteiro de Transversal do tempo ao longo da turnê nacional do show, em 1978, ano em que Wanderléa gravou outra música de Fátima, Bicho medo, no álbum Mais que a paixão.

Estava preparado o terreno para a gravadora EMI-Odeon apostar na novata cantora e compositora carioca nascida em 1958 que, com vinte e poucos anos, fazia música com densidade que desmentia a linda juventude.

Com o aval de Elis e do mercado fonográfico, Fátima Guedes – que compunha desde os 15 anos e, desde 1973, já mostrava as próprias músicas em festivais regionais – encorpou o exército feminino que fez a revolução na música brasileira em 1979, com os lançamentos simultâneos de várias cantoras e compositoras de peso.

Lançado naquele ano de 1979, o álbum de estreia da artista, Fátima Guedes, apresentou uma cantora compositora de alma e obra densas, intensas. Uma compositora que, ciente de que a verdade não rima nas esferas pública e privada, ia fundo tanto ao falar de questões afetivas como de problemas sociais.

Passional – uma das primeiras músicas da artista – e Onze fitas, tema que a antenada Elis incluiu no roteiro do show Essa mulher (1979) e bisou no espetáculo seguinte Saudade do Brasil (1980), são exemplos da maturidade precoce da autora.

Nesse mesmo ano de 1979, outra música de Fátima, Condenados, foi lançada na voz de Simone em um dos melhores álbuns da cantora, Pedaços, e reiteraria a força da sensualidade feminina que deu o tom na MPB naquele ano. O amor e o sexo ganharam a ótica e a voz da mulher.

Decorridos 40 anos, Fátima Guedes ainda é compositora valorizada por intérpretes – uma música dela, aliás, está prevista no repertório do álbum que Fafá de Belém pretende lançar em 2019, Projeto humana.

De todo modo, a partir dos anos 1990, a compositora foi se exercitando e se aprimorando como intérprete de obras alheias. Foi nessa década que a discografia de Fátima Guedes foi ficando menos autoral, com a honrosa exceção do álbum Muito intensa (1999), lançado há 20 anos com repertório essencialmente inédito e autoral, e do recente Transparente (2015), calcado em recriações da criação.

Contudo, a compositora jamais deixou de produzir. Volta e meia, Fátima Guedes joga na rede uma música inédita para fisgar os admiradores desse cancioneiro de singular assinatura melódica e poética. Se a indústria da música já ignora obra de tal dimensão, é porque a verdade não rima, a verdade não rima, a verdade não rima...

domingo, 3 de setembro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

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A música popular brasileira sempre buscou destacar compositores do gênero masculino,  talvez por haver uma quantidade maior desse gênero entre aqueles grandes nomes que construíram a história da MPB. No entanto é preciso destacar que as mulheres também tem o seu significativo papel entre os grandes compositores da nossa música desde os primórdios da indústria fonográfica nacional. É certo que há nomes de nomes de pouco destaque, mas desde o início do século XX que a mulher vem escrevendo o seu capítulo dentro da MPB a partir de figuras pontuais que se destacaram por seu talento e outras características. O primeiro caso (ao menos de expressão nacional) foi a compositora e maestrina carioca Chiquinha Gonzaga (1847-1935) que destacou-se ainda no século XIX na história da cultura brasileira a partir do seu trabalho musical assim como também por sua luta pelas liberdades no país. Pioneira, Chiquinha literalmente abriu alas para outras tantas que viria também: Maysa e suas canções de "dor de cotovelo", Dolores Duran e suas profundas letras (apesar da pouca idade), Dora Lopes e toda uma gama de cantoras e compositoras que surgiram nas décadas seguintes, em particular a década de 1970, que trouxe consigo as últimas compositoras de relevância nacional como é o caso de artistas como Angela Ro Ro, Sueli Costa, Isolda, entre outras como é o caso da artista em destaque na coluna de hoje: Fátima Guedes, que em 1973, concorreu no Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso, classificando-se em 1º lugar com sua canção "Passional". Esta mesma música estaria presente seis anos depois em seu disco de estreia cujo título é homônimo ao seu nome e que traz também "Onze fitas", trilha sonora composta para o teatro e que à época chegou a ser gravada por Elis Regina.

Por falar em Elis Regina, a intérprete também chegou a gravar outra canção de autoria de Fátima, "Meninas da cidade". que além de constar em sua discografia fez parte do show "Transversal do tempo", um dos mais exitosos da saudosa cantora. Criada na zona norte do Rio de Janeiro, começou a compor aos 15 anos e desde muito jovem traz em suas letras e canções uma visceralidade incomum para quem tão pouco viveu. Como já dito, o seu primeiro álbum foi lançado em 1979 e, no ano seguinte, chega às lojas o segundo disco "Fátima Guedes" com canções que merecem destaque e que até hoje permanecem como músicas imprescindíveis em suas apresentações: "Condenados", "Cheiro de mato" e "Mais uma boca". Em 1981, lançou "Lápis de cor", LP que alcançou sucesso da crítica especializada. Dois anos depois, com destaque para a canção "Absinto", gravou o LP "Muito prazer". Os discos seguintes foram "Sétima arte" (1985), "Coração de louca" (1989), "Pra bom entendedor" (1993), "Grande tempo" (1995). "Muito intensa" (1999), "Luzes da mesma luz" (lançado em 2001 em parceria com o instrumentista e compositor Eduardo Gudin). Este projeto em parceria com Gudin foi seu primeiro trabalho como intérprete ao dar voz as obras do compositor, que assina todos os arranjos orquestrais do disco e atua ao violão, acompanhado de Lito Robledo (baixo) e Toninho Pinheiro (bateria). Seu disco seguinte também atuou de intérprete ao gravar em 2006, o CD "Outros Tons", registrando canções pré-bossa nova de Tom Jobim. Em 2011 a gravadora Jóia Moderna estava se preparando para lançar o Cd "Alaíde Costa e Fátima Guedes Ao Vivo", mas por problemas técnicos o projeto foi suspenso, tendo sido prensadas apenas mil cópias do CD, que tornou-se uma raridade. Atualmente vem apresentando nos palcos do país o seu mais recente trabalho intitulado "Transparente", disco lançado em 2015. Como compositora, Fátima Guedes tem canções gravadas por grandes nomes da MPB, principalmente cantoras, como Elis Regina, Nana Caymmi, Maria Bethânia, Wanderléa, Zizi Possi, Joanna, Simone, Alcione, Mônica Salmaso, Ney Matogrosso, Alaíde Costa, Leny Andrade, Jane Duboc, Elba Ramalho, Claudette Soares, Beth Carvalho, Leila Pinheiro, Verônica Sabino, Emílio Santiago, Vânia Bastos, e outros.

quarta-feira, 12 de março de 2014

MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA

35 anos da estreia fonográfica desta que hoje é considerada uma das grandes compositoras da música popular brasileira, além de excelente intérprete


Fátima Guedes (EMI) (1979)


Texto da Contra-Capa

Essa garota dentro da qual dorme e floresce mulheres as mais luminosas se chama Fátima, Fátima Guedes. Bom,acho que todo mundo sabe (ou devia saber, ou deveria) que as coisas não nascem feitas. E como todas as coias, o trabalho de Fátima Gudes vem se acumulando no decorrer inédito dos anos passados.
Aquele trabalho, às vezes solitário, de madrugada, no quarto: as vezes inquietante, de quem capta e decapta o sentimento, e às vezes medroso.
Mas um trabalho invariavelmente feito com prazer e dor, feito um parto, transformando o solitário em solidário, refazendo o sentimento, curtindo o medo, transando com ele.
Foi desse jeito, acho eu, que ela chegou à Odeon e agora chega a você, que é o público.
Fatima Guedes, no dizer do poeta impublicado, torna público o que do público foi retirado: a matéria, viva da física de sua música, com leveza, com início, com calor.
No mais, vamos ouvir um pouco a nós próprios: você, eu, ela...
Ar

Faixas:

01 - Onze Fitas (Fátima Guedes)
02 - Esse Sol (Fátima Guedes)

03 - Previsão (Fátima Guedes)
04 - Meninas Da Cidade (Fátima Guedes)
05 - Cara A Máscara (Fátima Guedes)
06 - Cachorro Magro (Fátima Guedes)
07 - Fulano, Beltrano e Cicrano (Fátima Guedes)
08 - Passional (Fátima Guedes)
09 - Madame (Fátima Guedes)
10 - Notícias De Mim (Fátima Guedes)


Músicos:

Oscar Castro Neves: arranjo, regência e violão
Gilson Peranzzeta: teclados. piano, arranjo, acordeom e regência
Luizão: baixo
João Cortez: bateria, efeitos
Alemão: violão de 12
Ed Maciel: trombone
Ricardo Ponte: sax-soprano, flauta
Brás Limonji: oboé


Ficha Técnica
Diretor de Produção: Renato Corrêa
Produção Executiva: Eduardo Souto Neto
Orquestrações e Regências: Gilson Peranzzeta e Oscar Castro Neves
Técnicos de Gravação: Mayrton Bahia, Serginho e Carlinhos
Técnico de Maquiagem: Nivaldo Duarte

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