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sábado, 21 de abril de 2018

HAMILTON DE HOLANDA RELEMBRA O LEGADO DE JACOB DO BANDOLIM

Bandolinista vai homenagear o mestre na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza



"É preciso ter um olhar 360 graus para o choro.", declara Hamilton de Holanda, bandolinista e compositor (foto: Gustavo Marra/divulgação)A Semana Nacional do Choro chega ao fim no domingo (22). O projeto presta tributo a Jacob do Bandolim (1918-1969), o inovador compositor e instrumentista carioca que completaria 100 anos em 2018.

O bandolinista Hamilton de Holanda vai homenagear o mestre na Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, durante show com entrada franca. “Jacob inventou uma forma definitiva de tocar o instrumento. Todos os bandolinistas, antigos e atuais, bebem da fonte dele. Até fora do Brasil ele é visto como referência no universo do bandolim”, afirma.

Nesta sexta-feira (20), Hamilton vai lançar o primeiro de quatro álbuns com composições do pioneiro. Jacob 10zz traz, já no título, referência ao bandolim de 10 cordas do carioca radicado em Brasília, de 42 anos, um dos instrumentistas mais talentosos do país, além da junção de choro com jazz presente em seu trabalho.

Com esse projeto, gravado em parceria com Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e Thiago da Serrinha (percussão), Hamilton presta tributo ao músico, que admira desde a infância. “Ele é um dos artistas fundamentais na minha formação, assim como Pixinguinha. Jacob ainda mais, pois desde pequeno meu instrumento é o bandolim”, conta. Jacob 10zz chega hoje às plataformas digitais e às lojas físicas.

Hamilton de Holanda destaca a importância do legado de Jacob do Bandolim. “Precisamos ter o compromisso de lembrar e exaltar o nosso passado positivo. O reconhecimento já existe, mas a gente quer sempre mais. E estou fazendo a minha parte”, afirma.

Jacob “abrasileirou” a forma de tocar bandolim. Tornou-se um dos nomes mais importantes do choro, gênero que, segundo Hamilton de Holanda, não deve ficar relegado a homenagens saudosistas e a antigas gerações.


Jovens 

“É preciso ter um olhar 360 graus para o choro. Não é música só para pessoas mais velhas, mas para toda a família. Carinhoso (Pixinguinha-João de Barro) é cantada por jovens e crianças”, ressalta o bandolinista. “O choro adquiriu perfil de música clássica, mesmo tendo, em sua essência, o toque popular.”

Quem for ao evento de domingo, na Praça Duque de Caxias, assistirá ao show de artistas de diversos estados – como o conjunto Choro das 3, formado por irmãs paulistanas. Hamilton de Holanda subirá ao palco com o Clube do Choro de BH.

“Pretendo dar destaque às faixas de meu novo disco, mas o repertório será amplo, composto também por músicas de outros artistas”, adianta. “Pixinguinha não pode faltar, até por ser uma homenagem ao Jacob. Para Jacob, era Deus no céu e Pixinguinha na Terra”, conclui.


SEMANA NACIONAL DO CHORO

Sábado (21)
Às 15h. Com Clube do Choro de BH, Ian Coury e Izaias Almeida. Praça Diogo de Vasconcelos, Savassi

Domingo (22)
Às 9h. Minas ao luar especial. Com Hamilton de Holanda, Clube do Choro de BH, Choro das 3, Izaias Almeida, Ian Coury e Balbino. Praça Duque de Caxias, Santa Tereza
l Toda a programação tem entrada franca

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O CAVAQUINHO CHEIO DE RECURSOS DE CLÁUDIO DE SOUZA

O cavaquinho cheio de recursos de Cláudio de Souza



Por Marcos Toledo




Aos 91 anos de idade, Cláudio de Souza pode ser considerado o pai do cavaquinho em Pernambuco. Músico intuitivo, marcou sua trajetória artística por extrair do instrumento, naturalmente rítmico, recursos melódicos e harmônicos como apenas os gênios são capazes de fazê-lo. Uma lacuna, contudo, não foi preenchida até hoje: apesar de conhecido como o compositor das homenagens, por titular suas músicas em tributo a pessoas que admira, Seu Cláudio, como é mais conhecido, ainda não teve nenhum projeto dedicado a ele aprovado. E nem sequer conseguiu realizar um disco solo.
A pedido do Jornal do Commercio, dois de seus principais seguidores, o maestro Marco César e o também cavaquinista João Paulo Albertim, expoente da nova geração no Estado, reuniu um grupo de jovens músicos para lembrar da carreira de Seu Cláudio, na residência dele, no bairro da Várzea (Zona Leste do Recife), onde vive desde 1951, e que adquiriu com a ajuda da venda de seu piano.
Seu Cláudio se confunde com o próprio instrumento ao qual se dedica durante quase toda sua vida. A baixa estatura e a aparência frágil escondem uma gama de expedientes que o fizeram um dos cavaquinistas mais requisitados pelos músicos, sobretudo chorões, que atuaram em Pernambuco, como Canhoto da Paraíba, Rossini Ferreira e Tonhé, e que atuam até fora do Estado, como Paulinho da Viola – todos, aliás, homenageados com temas do autor.
Nascido em Camaragibe, no Grande Recife, Cláudio Francisco de Souza despertou para a música ao 12 anos e começou a se projetar artisticamente uma década e meia depois, no programa de calouros de Ary Barroso na TV Tupi do Rio de Janeiro. Em 1951, foi um dos destaques da inauguração da local Rádio Tamandaré. Tocou ainda em programas como Quando os violões se encontram (Rádio Jornal do Commercio) e Recife dos serões e serenatas (TV Universitária). Como instrumentista, acompanhou artistas como o supracitado Paulinho, além de Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Gilberto Alves, Irmãos Batista e Baden Powell.
Na vida pessoal, o cavaquinista tem uma vida modesta. Casado durante 48 anos com Maria José da Conceição Souza (falecida em 2000), tem quatro filhas, seis netos e sete bisnetos. Também professor de violão, paralelamente à música sempre atuou como autônomo, vendendo objetos como alpercatas e roupas.
Agora aposentado, Cláudio de Souza nunca registrou sua própria música em disco. Mas seus seguidores têm se encarregado de manter sua música viva.
No minidocumentário produzido especialmente para esta reportagem, Marco César, João Paulo Albertim e Fernando Moura (cavaquinhos), junto com Seu Cláudio, e Rubem França (violão) e Júnior Teles (pandeiro) dão uma aula do que representa a música de Cláudio de Souza.

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