quarta-feira, 19 de outubro de 2011

OS CICLOS DA VIDA A PARTIR DO SUAVE CANTO DE CLARISSA MOMBELLI

Trazendo uma sonoridade de forte levada folk para as canções que apresenta, a cantora gaúcha Clarissa Mombelli apresenta seu álbum de estreia intitulado "Volta no tempo", um trabalho que vem ganhando destaque em países como Espanha e Inglaterra.

Por Bruno Negromonte


O rock ao longo dos anos foi agregando os mais variados estigmas, onde muito deles acabaram fincando profundas raízes no imaginário popular de forma depreciativa. De início, nos anos 50, muito se dizia que o recém gênero musical, além de ser um atentado à moral e aos bons costumes também era (considerado por muitos) um ritmo estranho. Vale trazer à tona o fato de que ao longo dos anos o rock foi ganhando algumas variações interessantes, talvez por ter sido criado a partir de uma conjuntura abrangente o suficiente para ter sofrido influência da música das mais diversas fontes americanas. Quando em 1956 no filme "Rock, Rock, Rock", Alan Freed interpreta a si mesmo e diz ao público que "Rock and roll é um rio musical que tem absorvido muitos riachos: rhythm and blues, jazz, ragtime, canções de cowboy, canções country e música folk. Todos contribuíram para o big beat." não deixa de ser verdade. O fato que se faz inegável e é plenamente perceptível é que esse ritmo de fato se faz contagiante o suficiente que inebria aqueles que se deixam envolver com seus som. E é envolta por tudo o que foi aprimorado ao longo de todos esses anos que passaram-se (até desaguar no rock atual) que a cantora e compositora gaúcha Clarissa Mombelli chega nos presenteando com um álbum que traz um pouco daquilo que a estruturou musicalmente a partir de uma junção equilibradamente perfeita entre o rock, o folk, a mpb e o pop que ela se deixou arroubar em medidas equilibradamente corretas para resultar em "Volta no tempo", trabalho que se debruça sobre todas essas influências a partir das composições de Clarissa e alguns parceiros.


Natural de Tapera, cidade que fica a 278km da capital Porto Alegre, esta gaúcha (que deixa a sua beleza física extrapolar-se e transparecer-se a partir de seu canto) desde a infância demostrava as suas habilidades artísticas a partir de apresentações para os que faziam parte de seu contexto familiar. Muitas foram as vezes em que a pequena Clarissa apresentou para os pais o repertório aprendido através das ondas do rádio. Esse início foi o pontapé necessário para que a cantora (que toca violão desde os 10 anos) continuasse com o desejo, mesmo que inerte, de envolver-se com o mundo musical. A mudança para a capital por volta dos 17 anos (tendo por objetivo primordial dar continuidade aos estudos) acabou dando-lhe uma chance que ela não poderia deixar passar; e de maneira oportuna, desenvolveu um contexto bem mais abrangente a sua carreira artística a partir de novos horizonte e pessoas que começaram a fazer parte do seu ciclo de amizade na capital gaúcha.

Seu início musical em Porto Alegre se deu em consonância com os estudos, talvez em uma proporção quase que semelhante, vertendo-se um pouco mais para a música com o passar dos anos. E dando ênfase ao rock, iniciou sua carreira artística a partir do momento em que resolveu transformar-se em intérprete nas noites gaúchas. Porém, o seu interesse pela música se transfundia plenamente em corpo, alma e coração; e isso fazia com que a carreira de intérprete a limitasse naquilo que tanto almejava: compor suas próprias melodias e versos.

É bom ressaltar que a escrita é algo que faz parte da vida da jovem gaúcha, e como força do hábito de estar sempre escrevendo (provavelmente por influência do pai, que é poeta) Clarissa talvez trouxesse essa necessidade vital em realizar esse desejo de entregar-se ao mundo da música de maneira plena em consonância com versos e notas musicais. Assim sendo, Mombelli deu início a elaboração de suas primeiras letras e canções; e ao longo deste processo "tirano"(como disse Gilberto Gil certa vez) procurou maturar algumas ideias a partir de suas referências artísticas e também de suas experiências vividas (como a banda Mutânticos); o resultado disto tudo acabou eclodindo nas músicas que compõem esse primeiro registro fonográfico da artista.

"Volta no tempo" é composto por nove canções autorais e que traz em sua essência letras sobre as indagações, pensamentos e tudo aquilo que compõe e norteia o comportamento e o cotidiano humano. O ciclo vital ao qual todo ser humano está inserido também está presente neste trabalho (que talvez de forma intencional nos apresenta um linha cronológica interessante a partir de suas letras e canções). A primeira faixa do álbum nos remete a essa afirmação anterior, a canção intitulada "hoje" (composição da própria Clarissa) nos suscita a reflexão de maneira sintética e análoga as fases existentes em nossas vidas e ao mesmo tempo nos traz à consciência de que ao término de vida não somos nada. No primeiro momento Mombelli nos mostra a onipotência quando se diz ouro, em um momento posterior já caminhando para a conscientização de que todos nós naturalmente seremos decrépitos se acha prata e por fim, consciente de sua condição e dos ciclos da vida se vê que "não passa de uma simples mortal que nem sequer é metal", como diz a letra.



A segunda canção é a faixa que batiza o álbum e que vem sendo trabalhada a partir da execução nas rádios e programas de tv a partir do video clipe sob direção e edição do Amigo Lagarto , figurino da Casa de Tolerância, produção de moda e make da Vandressa Pretto, assistente de produção de Eduardo Dolzan, direção de fotografia da Luise Bresolin e contando com a participação especial da Julia Rosa. "Volta no tempo" é uma balada comercialmente perfeita e com um diferencial: sua letra tem conteúdo e tal cerne aborda de maneira inteligente um tempo em que a fase adulta parece distante em chegar, mas que chega trazendo consigo a maturidade inerente as responsabilidades de uma nova fase da vida.

O álbum segue com "Mesmo Lugar" (canção composta por Mombelli e que retrata a morte de maneira singela e de uma subjetividade interessante), "Diga alguma coisa" (composição em parceria com o saudoso Roberto Borowski que tem como tema todas as incertezas, angustias e afins existentes nas relações amorosas), "Porque eu não sei mais dizer que não" (parceria com Eduardo Dolzan e que traz como cerne de sua letra a necessidade da constante renovação nos vários aspectos de nossa vida) e “Recomeço” (mais uma composição da lavra da artista), canção que nos remete saudosamente a infância procurando trazer também a evidência de que na vida há a possibilidade de recomeçar de uma forma diferente e bem melhor determinados momentos, como é possível perceber-se a partir de trechos como: "Mas se nessa vida eu pouco me dei, lamento e retorno....".

Na trinca de canções que encerram o álbum temos três canções compostas por Clarissa, são elas: "Nada mais importa", "Seus olhos" e "Nascer de novo". A primeira traz a saudade como tema norteador em uma uma crônica singela; em seguida vem "Seus Olhos" que recorre as relações afetivas novamente a partir de lembranças, a letra retrata os inesquecíveis olhos do amado como porto seguro, refúgio. De certo, um olhar que mesmo tendo a reciprocidade da amada não o corresponde mais. E por fim a canção "Nascer de novo", que retrata a morte de maneira irreligiosa, julgando-a como o renascimento da espécie humana como se pode observar em um dos trechos da canção: "mas se a morte é mudança, eu não tenho medo de nascer de novo...". A produção do álbum ficou a cargo de Eduardo Dolzan (que também toca bateria e baixo). Os demais músicos que dão a sonoridade do trabalho são Diogo Gomes (percussão), Luciano Leães (piano e escaleta) e Maurício Chaise (violão e guitarra), além das participações dos baixistas Márcio André e Cauê Reali.

E é desta forma, passeando entre acordes de guitarra, violões e pianos em ritmos como folk, pop, música brasileira, rock e outros gêneros que foram integrando-se ao contexto musical ao qual a artista está inserida (além de letras claras e objetivas) que Clarissa Mombelli vem se destacando no cenário musical gaúcho e aos poucos vem ganhando notoriedade e projeção em alguns dos principais espaços midiáticos do Brasil, onde esse destaque nada mais é do que o reconhecimento de um trabalho que com certeza atende a singela proposta almejada por ela quando compôs as faixas e lançou "Volta no tempo": trazer ao público ouvinte a mesma sensação de calma e otimismo que a compositora consegue para si quando compõe.

Nos resta apenas sorver essa preciosidade!


Maiores informações:

Contato para shows: (51) 30137914 / (51) 96381200

O cd pode ser encontrado na livraria cultura:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5097262&sid=8759113341310199509519667

6 comentários:

Anônimo disse...

Essa cantora é maravilhosa!
Suas composições, sua voz suave.
Adorei o clipe e a música Agora Eu Vejo!
Sucesso, Clarissa!

Anônimo disse...

As composições de Clarissa revelam sensibilidade e maturidade, além da voz suave e melodiosa.
Acredito que ela vai fazer muito sucesso, pois suas composições fazem pensar!

Bruno Negromonte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Negromonte disse...

Clarissa é sem dúvida uma das promissoras promessas de nossa música. Sucesso certo quando o Brasil descobrir o seu talento!

Anônimo disse...

Melhor cantora!!As letras de suas músicas são maravilhosas!Perfeito!

Cristian disse...


Eu amo a música de Clarissa. Eu gosto de ouvir as suas músicas enquanto espero para delivery higienopolis em casa. beijos

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