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domingo, 3 de fevereiro de 2019

LENINE, 60 ANOS

Resultado de imagem para LENINE

Não é sem razão que Lenine se diz um cantautor: o artista que canta suas próprias composições, ou – como faziam os trovadores do século 12 – transforma em versos as questões, os amores e as sagas de seu tempo. Histórias à base de palavra e música: elementos que, para ele, andam juntos desde sempre. Ou melhor, desde o berço, no Recife, onde começa – em 2 de fevereiro de 1959 – a história de Oswaldo Lenine Macedo Pimentel. Menino do bairro da Boa Vista que vai crescer brincando de caçar caranguejo nos manguezais e pegar jacaré nas ondas da Boa Viagem. São daqui suas primeiras referências musicais: Ângela Maria, Cyro Monteiro, Bach, Chopin, Jackson do Pandeiro, Miltinho, o embolador paraense Ary Lobo e Dorival Caymmi – com o inesquecível “Canções praieiras”.


Já a paixão pelo rock vem por conta própria, turbinada por suas descobertas de Led Zeppelin, The Police e Frank Zappa, entre outros. Até que conhece o álbum “Clube da Esquina” (Milton Nascimento e Lô Borges, 1972) e, com ele, traz o Brasil de volta a seu universo musical. Depois de tentar o aprendizado formal no Conservatório de Pernambuco (1974), é por suas próprias mãos que vai se encontrar na música e tornar seu violão um meio de expressão – instrumento que, inicialmente, tem o papel de ajudá-lo a vencer a “dificuldade de lidar com pessoas” e, no futuro, será uma das marcas de sua singularidade. Com a vocação artística em ebulição (e as participações nos conjuntos Flor de Cactus e Nós & Voz), aproveita um jantar de família para comunicar sua decisão de abandonar o curso de Engenharia Química na Universidade Federal de Pernambuco, a um ano da formatura. A resposta do pai surpreende e pesa sobre seis ombros na mesma medida: “E por que demorou tanto?”



O festival MPB Shell, em 1981, é só o primeiro passo da vida de Lenine no Rio de Janeiro, onde se estabelece na Casa 9: uma casa de vila em Botafogo em que vive e é frequentada por companheiros de geração que corriam atrás do mesmo sonho, entre eles o pernambucano Lula Queiroga e os paraibanos Bráulio Tavares, Ivan Santos, Pedro Osmar, Fuba, Tadeu Mathias e julio lurdemir. Deste bunker criativo sairão composições diversas (frutos de todas as combinações possíveis entre os amigos/conterrâneos) e a ideia de uma temporada no Teatro Ipanema, para mostrar a produção da turma em shows à meia-noite. O produtor Roberto Menescal aprova o que vê e o resultado é o 1º disco de Lenine: “Baque solto” (1983), feito em parceria com Lula Queiroga. Nessa época, começa a aparecer na cena alternativa carioca e compõe sambas para o bloco de rua Suvaco de Cristo. Período em que a vida lhe sorri amarelo e que, enquanto o reconhecimento não vem, a segurança é a família, neste caso a produtora de TV Anna Barroso: sua mulher e mãe/madrasta de seus três filhos e futuros parceiros: João Cavalcanti, Bruno Giorgi e Bernardo Pimentel.

A virada vem com o álbum “Olho de peixe” (1993), que registra o encontro de Lenine com o percussionista Marcos Suzano e se torna o cartão de visitas nas primeiras turnês pelo exterior. O som pop e híbrido de sua música vai se consolidar nos três álbuns seguintes: primeiro, “O dia em que faremos contato” (1997). Depois é a vez do álbum “Na pressão” (1999). Já “Falange canibal” (2002) rende a ele o 1º prêmio de expressão: o Grammy Latino (Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro), que voltará a ganhar – na mesma categoria – com os dois álbuns seguintes: os CDs/DVDs ao vivo “Lenine in Cité” (2004) e “Acústico MTV” (2006). As canções “Martelo Bigorna” e “Ninguém faz ideia” levaram os prêmios de “Melhor Música Brasileira”, num total de cinco prêmios Grammy Latino em sua carreira. Lenine ganhou ainda doze Prêmios da Música Brasileira e 2 APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

A experiência de compor balés para a companhia de dança Grupo Corpo – “Breu” (2007) e “Triz” (2013) – faz com que Lenine subverta a concepção de seus discos: em vez de reunir composições prontas num álbum, como nos três discos anteriores, ele passa a definir primeiro o conceito para, em seguida, compor cada uma das faixas, como capítulos de um romance. O disco de 2008, por exemplo, parte da paixão de Lenine pelas orquídeas, sendo batizado com o nome de uma espécie do nordeste brasileiro: “Labiata”. Já no álbum “Chão” (2011), 1º produzido por seu filho Bruno Giorgi (com Jr. Tostoi e o próprio Lenine) agrega à música sons do cotidiano: seja de uma chaleira, de um canarinho, de uma cigarra ou de uma máquina de lavar roupa. A nova trilogia se fecha com “Carbono” (2015), no qual se reconecta a suas raízes pernambucanas.

Os passos seguintes se dão na Holanda, onde é feito o CD/DVD “The bridge – Lenine & Martin Fondse Orchestra – Live at Bimhuis” (2016), e no Rio de Janeiro, onde seu 13º disco de carreira traz no nome – “Em trânsito” (2018) – uma boa síntese do fazer artístico de Lenine: cantautor a caminho das próximas trovas, de novas reflexões e olhares sobre seu tempo. Caminhada de destino imprevisível, mas com pelo menos uma certeza: a de que nosso cantautor estará fazendo música livre, sem adjetivos, no exercício constante de se reinventar a cada novo trabalho.


Discografia Oficial


















































































































Fonte: Site Oficial

85 ANOS SEM ERNESTO NAZARETH

Ernesto Júlio de Nazareth, compositor e pianista, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de março de 1863. Sua iniciação no piano foi com sua mãe, a pianista Carolina Augusta Pereira da Cunha. Posteriormente, estudou com Eduardo Madeira e com Lucien Lambert. Quatro anos mais tarde, compôs sua primeira música, a polca-lundu Você bem sabe. Tornou-se profissional do piano, compondo e editando diversas obras. Com Brejeiro, se torna o grande fixador do tango brasileiro. Em 1898, dá seu primeiro concerto no salão nobre da Intendência de Guerra. Atuou, em 1917, como pianista na sala de espera do Cine Odeon, para o qual compôs o tango Odeon. Em 1919, empregou-se na Casa Carlos Gomes, onde executava ao piano as partituras solicitadas pelos fregueses interessados em comprá-las.

No ano seguinte compôs, episodicamente, fox-trotes, sambas e marchas carnavalescas, então em voga. Fez uma audição de peças suas no Instituto Nacional de Música, em 1922, a convite de Luciano Gallet. Quatro anos depois, assistiu à conferência de Mário de Andrade sobre sua obra, na Sociedade de Cultura Artística de São Paulo. Estes dois eventos marcam a definitiva aceitação de Nazareth como compositor. Nessa época, se apresentou no salão do Conservatório Dramático e Musical de Campinas, São Paulo. Tocou na inauguração da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC. Em 1930, gravou para a Odeon disco onde aparecia o tango Escovado e a polca Apanhei-te, cavaquinho, com a denominação de choro.

Em 1932 empreendeu uma turnê de concertos pelo Rio Grande do Sul e Uruguai, se apresentando nas cidades de Porto Alegre, Rosário e Sant’Anna do Livramento. Quando se encontrava em Montevidéu, capital do Uruguai, foi acometido de grave crise nervosa. De volta ao Rio de Janeiro teve confirmado o diagnóstico de sífilis e foi internado no Hospício D. Pedro II, na Praia Vermelha. Em 1933 foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, de onde fugiu no ano seguinte, morrendo por afogamento em represa próxima, em 04 de fevereiro de 1934.

Nazareth teve no piano o veículo para suas ideias musicais. Sua obra é composta por mais de 200 títulos, englobando os principais gêneros da música de salão baseados em danças populares instrumentais. Estão contabilizados 88 tangos, 41 valsas e 28 polcas e ainda marchas, quadrilhas, schottisches e fox-trotes, assim como peças de concerto.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

UMA ODE AO SAMBA: GERLANE LOPS E BELO XIS SÃO OS HOMENAGEADOS DO CARNAVAL DO RECIFE 2019


Sambistas foram convidados pelo prefeito Geraldo Julio, nesta segunda-feira (7), para receber a homenagem (Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)


A diversidade cultural faz parte do DNA do Carnaval recifense e, neste ano, dois ícones do samba serão os grandes homenageados da festa de Momo na capital pernambucana. O prefeito Geraldo Julio anunciou nesta segunda-feira (7) a homenagem a velha guarda e a nova geração de sambistas, a partir dos nomes dos cantores Belo Xis e Gerlane Lops. Para representar o gênero, no Recife são mais de 20 blocos e escolas de samba que realizam ensaios nas prévias e desfilam no período momesco, exaltando uma tradição que data da década de 1930.

Para o prefeito Geraldo Julio, os homenageados simbolizam a relação do recifense com o samba. A cidade é considerada o terceiro maior polo do gênero no Brasil. “Esta é uma homenagem importante e começamos muito bem o nosso Carnaval de 2019. A homenagem a Gerlane Lops e Belo Xis é também uma reverência ao samba. A população curte muito e gosta muito do samba e esses dois ícones representam muito bem este sentimento na nossa cidade”, afirmou o prefeito.

Bastante emocionada com o reconhecimento, a cantora Gerlane Lops agradeceu a homenagem prestada pela Prefeitura. Para ela, o gesto fortalece o ritmo na cidade. “Acho que o ritmo precisava dessa homenagem. A gente consegue colocar dentro do samba que é feito aqui as nossas origens e fazer uma boa mistura, cada um com seu swing. O mais importante é o povo, que eu acho que ficará feliz com essa homenagem”, comentou Gerlane, que tem 27 anos de carreira.

Com 45 anos de estrada no samba, o cantor Belo Xis também se emocionou com a homenagem. “Agora é esperar que o Carnaval chegue logo para curtir este momento maravilhoso”, afirmou. Na leitura dele, este será um momento para valorizar ainda mais o ritmo na cidade. “O samba já é um gênero muito forte dentro da nossa cidade e, agora, vai ser ainda mais”, destacou Belo Xis.

A história do samba no Recife vem de longa data. Os primeiros registros datam da década de 1930, mesma época do surgimento das escolas de samba do Rio de Janeiro. As primeiras referências do samba de escolas encontram-se no bairro de Casa Amarela, na batucada o Bando da Noite, mais tarde chamada Escola de Samba Quatro de Outubro. Hoje há diversas agremiações e grupos percussivos na Imbiribeira, Afogados, São José, Bomba do Hemetério, Areias, Joana Bezerra e Santo Amaro.

No Recife, o samba é a base de dois tipos de grupos carnavalescos. A escola de samba é uma agremiação que possui uma organização bem definida composta por alas, comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, além de ter um tema e samba enredo que define como serão seus os carros alegóricos e as fantasias dos integrantes. Além disso, os grupos desfilam e competem anualmente no período do carnaval, assim como as escolas do Rio de Janeiro e São Paulo. Já os blocos de samba são grupos de percussão que podem ter na sua composição fantasias e alas parecidas com as escolas, mas sem uma estrutura rigorosa. Os blocos também não participam do concurso. A essência é a orquestração do samba.

VERDADE TROPICAL (CAETANO VELOSO)*

Verdade Tropical - Caetano Veloso



Em Santo Amaro nós cultuávamos João Gilberto em frente a um boteco modesto que chamávamos "bar do Bubu", por causa do nome do preto gordo que era seu dono. Ele comprara o primeiro LP de João, Chega de saudade – disco inaugural do movimento -, e tocava-o repetidas vezes. Primeiro, porque ele próprio gostava, e, depois, porque sabia que nós íamos ali para ouvi-lo. Éramos um grupo pequeno: quatro ou cinco ginasianos sem dinheiro para comprar o LP. A atmosfera de culto minoritário dessas cenas de audição, oposta à explosão maciça do rock'n'roll na América do Norte, não deve nos conduzir a uma
negação do caráter geracional subversivo comum aos dois fenômenos e que é o cerne da argumentação daquele jornalista do Village Voice. Por um lado, quase todos os depoimentos de americanos que tiveram na adolescência o rock'n'roll como o som inspirador de suas ambições intelectuais, políticas e existenciais, guardam o tom de culto fechado, de confraria esotérica - apesar do ostensivo comercialismo dos discos de Chuck Berry, Little Richard ou Bill Haley que os uniam em grupos; por outro lado, Bubu gostar de João Gilberto era apenas o primeiro sinal de que eu, Chico Motta, Dasinho e Bethânia não estávamos sós no entusiasmo da nossa descoberta: breve a bossa nova teria um peso considerável mesmo no mercado de discos do país e, o que é de fato mais revelador, ainda hoje, se qualquer um de nós cantar "Chega de saudade" - a canção-hino do movimento - num espetáculo para grande multidão num estádio de qualquer cidade brasileira, será indubitavelmente acompanhado por um coro de dezenas de milhares de pessoas de todas as faixas etárias, que cantarão cada silaba e cada nota da longa e rica melodia. Tal não aconteceria se a canção escolhida fosse "Blue suede shoes". "Roll over Beethoven" ou "Rockaround the clock".
Nos anos 50 os brasileiros tinham como música comercial sobretudo aquele tipo de canção sentimental barata que, depois de anos de bossa nova, rock americano, neo-rock'n'roll inglês, tropicalismo e rock brasileiro (Brock), voltou a dominar o mercado no final dos anos 80 e início dos anos 90 qualificada como "brega" (palavra dia gíria baiana, hoje usada como adjetivo mas na origem um substantivo chulo que significava "puteiro", dizem que a partir do nome Padre Manuel da Nóbrega de uma rua de zona de prostituição em Salvador ou Cachoeira, sobre cuja placa quebrada restavam apenas as dotas últimas sílabas do sobrenome do sacerdote). Mas o rock marcava sua presença no mercado e, ao lado de canções brasileiras, eu aprendia, no rádio, versões para o português da nova música comercial americana. O filme No balanço das horas (Rock around the clock) foi noticiado como tendo provocado), devido ao entusiasmo dos espectadores, depredações em cinemas do Rio de janeiro e, quando afinal ele foi exibido em Salvador, no Cine Guarany (hoje Cine Glauber Rocha), suei frio com medo de ser possuído por alguma força irracional - como tantas vezes sentia no candomblé - até me dar conta, aliviado, de que estava diante de uma chanchada bastante parecida com os únicos filmes brasileiros capazes de atrair filas quilométricas à porta dos cinemas a cada verão: a comédias carnavalescas primárias e eficazes que lançavam, entre piadas, as marchinhas e os sambas ao som dos quais se dançaria no Carnaval seguinte. Só que, no caso do filme do rock, por causa da onda feita na imprensa, alguns espectadores fingiam estar irresistivelmente tomados pelo "novo ritmo" e dançavam de pé sobre as poltronas, provavelmente para ver se quebravam algumas, dando assim matéria para os jornais, numa identificação com aqueles que tinham quebrado cinemas no Rio e que, por sua vez, identificavam-se com os americanos, de quem se dizia que tinham feito o mesmo nos Estados Unidos. 
Um dos elementos que contribuíram para minha aliviada frieza diante do espetáculo de tela e platéia era a total ausência de novidade do rock'n'roll como dança - um enigma até hoje para mim indecifrável. Não que o rock'n'roll como música me soasse propriamente original: só o timbre estridente e a intenção (exibida, é certo, de modo um tanto canhestro) de ser mais selvagemente rítmico do que a música americana vinha sendo até ali (mas nem de longe como a brasileira ou a cubana já eram desde sempre), diferençavam, aos meus ouvidos, as canções de No balanço das horas de, por exemplo, "In the mood" ou de tantas outras estilizações de blues de doze compassos feitas antes. Mas a dança - aquela em que o rapaz pega uma das mãos da moça e a faz girar, depois eles se dão as quatro mãos e ele a puxa por entre as pernas etc. - é que era insuportavelmente igual a tudo o que se podia ver em filmes americanos dos anos 30 e 40. Mas a "força irracional", que levaria anos para me atingir, parecia dominar grande parte dos espectadores.
O Cine Guarany, no entanto, nem mesmo estava cheio. Espremido entre o sentimentalismo de puteiro e a crescente sofisticação dos músicos que possibilitaram o surgimento (e das platéias que possibilitaram o sucesso) da bossa nova, o rock'n'roll não produziu no Brasil uma minoria de massa (para usar o termo de Décio Pignatari) que o transformasse num fenômeno comercial ou numa referência cultural irrecusável, a extração social dos seus seguidores de primeira hora sendo muito difícil de definir, uma vez que, para que se o fosse, requeria-se ao mesmo tempo um gosto suburbano e poder econômico que permitisse acesso imediato a informações sobre a cultura americana - discos, filmes e revistas -, de modo que muitas vezes um fã de rock'n'roll tinha aquelas características de gosto mas não tinha meios de seguir, por exemplo, um curso particular de inglês, e, outras vezes, sendo filho de família abastada, tinha acesso a produtos americanos mas mantinha uma atitude elitista a que o rock mal se adaptava como um mero sinal exterior de modernidade Raramente os dois requisitos coincidiam num mesmo indivíduo ou num mesmo grupo (ou um indivíduo ou grupo relacionava-se com tais questões de maneira suficientemente livre e forte) para formar uma personalidade ou um ambiente que pudesse se chamar de genuinamente roqueiro. 
Ainda hoje, no Brasil, alguns paradoxos se estabelecem e algumas confusões se alimentam da falta de clareza com relação a esses aspectos da gênese do culto do rock'n'roll entre nos: os grupos que começaram a surgir nos anos 80 não raramente combinam um charme de turma de periferia com um esnobismo de garotos de classe alta que sabem tudo sobre o que se passa na transvanguarda do pós-neo-rock'n'roll inglês (não apenas os discos mas também - e talvez principalmente - publicações da imprensa sobre "estilo" etc.) ou, mais recentemente, na ciranda dos grupos de Seattle. Quanto a mim, não pode deixar de me soar gozado o uso da expressão "de garagem" para definir um rock selvagem, despojado e antiburguês, pois cresci sem automóvel e entre pessoas que não tinham nem  se sentiam na posição de poder sonhar em ter - automóvel. A mera existência de uma garagem em casa teria sido para mim um sinal de vida luxuosa. Sem dúvida, essa reação é muito mais compreensível num menino que cresceu em Santo Amaro do que num outro que tivesse crescido em São Paulo. Sobretudo ela é mais compreensível em alguém que cresceu no Brasil nos anos 50, isto é, antes das conseqüências advindas da implantação da indústria automobilística, do que em quem está crescendo agora. De todo modo, é certo que um americano estranharia a estranheza que experimentamos em face da eleição da garagem como caverna da subversão - o que diz muito sobre nossas diferenças econômicas, mas também sobre os esquisitos amortecedores que os impactos culturais de fenômenos de massa do chamado primeiro mundo encontram em países como o Brasil, sobretudo no próprio Brasil. Desse modo, um jovem brasileiro talentoso que amasse o rock e quisesse desenvolver um estilo próprio dentro do gênero, nos fins dos anos 50, enfrentava não apenas a ultramelódica tradição musical brasileira de base luso-africana e veleidades italianas - e a atmosfera católica da nossa imaginação -, mas também a dificuldade de decidir-se por se afirmar socialmente como um pária ou como um privilegiado. Sem dúvida casos de notável originalidade se contam entre os artistas brasileiros ligados ao rock que chegaram a desenvolver carreiras profissionais nos anos 60, antes ou independentemente da segunda investida do rock (desta vez via Inglaterra), ou seja, daquilo que prefiro sempre chamar de neo-rock'n'roll inglês, o dos Beatles e dos Rolling Stones. Além daqueles que, formados no gosto suburbano do rock, se tornaram profissionais de estilos ingênuos copiados às vezes de copias italianas do pop americano mais tolo do inicio dos anos 60 (como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga etc.) ou, tendo talento inventivo, criaram soluções novas fundindo rhy thm&blues com samba (Jorge Ben), soul com baião (Tim Maia) ou pop-rock com bossa nova e canção italiana (Roberto Carlos), há alguns nomes que ficaram – pela autenticidade de suas relações com o rock e/ou pela adequação a ele de seus temperamentos - para sempre ligados ao verdadeiro rock'n'roll. Creio que nenhum fã de rock no Brasil, nenhum conhecedor de sua história, nenhum interessado em tudo o que se passou por aqui desde que o fenômeno surgiu nos Estados Unidos, discordaria da escolha, para exemplificar essa última caracterização, de dois nomes: Erasmo Carlos e Raul Seixas.
Erasmo era um típico rapaz de subúrbio carioca. Na verdade, a Tijuca, onde ele nasceu e cresceu, é um bairro de classe média colocado ao centro da cidade do Rio de Janeiro, mas os bairros da Zona Sul, situados à beira- mar, embora bem mais afastados do centro, ganharam de tal modo a hegemonia do gosto e o status do privilégio, passaram de tal maneira a representar o que o Rio é para os seus habitantes, para os seus visitantes estrangeiros e para os outros brasileiros que cresceram admirando-o de longe, que mesmo uma zona central como a Tijuca é vista e vivida como subúrbio distante. Mas a turma de aficionados do rock de que ele fazia parte, juntamente com Tim Maia e Roberto Carlos, se reunia à porta de um cinema do Méier - o Imperator, um dos maiores e melhores da cidade, hoje transformado em casa de espetáculos de música -, e o Méier é um subúrbio de verdade, se bem que o mais afluente dos muitos outros subúrbios ligados ao centro do Rio por uma linha de trens populares. A personalidade artística de Erasmo Carlos ganhou forma definida e reconhecimento público a partir da primeira metade dos anos 60, quando ele se tornou o segundo homem da Jovem Guarda, um programa de televisão cujo líder era Roberto Carlos, um grande talento e um espanto de carisma. Este último poderia, com boas razões, ser chamado de o Elvis do Brasil: em plena maturidade da bossa nova, tornou-se um fenômeno de vendas cantando o quase-rock "Quero que vá tudo pro inferno", recebeu reprimendas das autoridades eclesiásticas (e então compôs "Eu te darei o céu") e foi chamado de rei, título que ostenta até hoje, sem que ninguém lho negue, quando canta baladas sentimentais para um público de meia -idade. Mas Roberto, apesar de seus contatos com os amantes do rock da porta do Imperator, foi, como tantos outros de nossa geração, no início de suas tentativas profissionais, um seguidor de João Gilberto) e chegou a gravar um compacto com pastiches de canções de bossa nova (o que nos levaria aqui de volta à tese de Dibell), e isso mais sua crescente identificação) com as baladonas italianas e sua tantas vezes
confessada adoração por Tony Bennett -, se foi condição da abrangência do seu sucesso e do peso de sua presença na história cultural brasileira recente, mostra o quão afastado de uma genuína sensibilidade rock'n'roll formou-se seu estilo.
Erasmo, não apenas vice-líder da "guarda" de Roberto mas seu parceiro em todas as composições, nunca pareceu atraído sinceramente por nada que não fosse d mundo do rock, e tanto o despojamento do seu canto quanto a energia sexual de sua presença cênica (alto, pesado, firme, com o ar antiintelectual e anti- sentimental de quem vive os temas essenciais da vida com o corpo todo, nessa combinação de homem pós-industrial e pré-histórico) para a qual o rock apontou com tanta insistência em toda parte do mundo) fizeram dele para sempre uma figura de tão imponente inteireza que nem as oscilações do mercado, nem as eventuais ingratidões de novos roqueiros, nem o desprestígio do rock como) acontecimento cultural de interesse podem abalar.
Mas nos anos 50 eu não tinha nenhuma notícia de Erasmo e seus amigos. E quando me mudei para Salvador, no primeiro ano da década seguinte, o culto de João Gilberto tinha me levado não só a Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday, mas também ao Modern Jazz Quartet, a Miles Davis, a Jimmy Giuffre, a Thelonious Monk e, sobretudo, a Chet Baker, cujos vocais sem vibrato e de timbre andrógino exerciam, mais do que as belas e discretas improvisações no trompete, um fascínio indizível que sua imagem à James Dean estampada nas capas dos discos só fazia confirmar. Não tenho nenhuma lembrança de sequer ouvir menção aos nomes de Little Richard ou ChuckBerry, e Elvis soava como as canções de Rock around the clock cantadas com um vozeirão másculo e cheio de vibrato, enquanto sua figura (tão freqüente na imprensa e nas portas de lojas de disco) me sugeria a atriz Katy Jurado em travesti. Por uma vez ele me atraiu: vendo no cinema, por acaso, o trailer de King Creole, experimentei uma excitação muito intimamente sincera e que tinha algo de difusamente sexual, provocada sobretudo pelo jeito de ele dançar (eu nunca o tinha visto antes em movimento), mas também pelo canto mesmo e pela música. Mas, se ele me atraiu, não me conquistou: só vim a ver o filme inteiro já pelo final dos anos 70, na televisão: a impressão se confirmou (e o próprio filme me pareceu maravilhoso), mas aí o rock já tinha um lugar assegurado na minha vida. Naquela época, ele passava ao largo.
Enquanto Erasmo, no Rio, conversava com Tim Maia e Jorge Ben sobre Bill Haley e seus Cometas, em Salvador, Raul Seixas, um menino da burguesia baiana, estudava inglês e planejava organizar um conjunto de rock'n'roll. No fim da primeira metade da década de 60, enquanto Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Alcivando Luz, Djalma Correia, Tom Zé e eu ensaiávamos uma antologia de clássicos da música popular brasileira dos anos 30 aos 50, obras-primas da bossa nova e algumas canções inéditas compostas por nós mesmos para apresentar na inauguração d Teatro Vila Velha, uma pequena casa de espetáculos mandada construir numa alameda do Passeio Público, o jardim do antigo Palácio do Governo, com vista da Baía de Todos os Santos, pelo grupo Teatro dos Novos - excelentes atores e diretores saídos da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia - , Raul Seixas ensaiava covers (como se diz hoje, mesmo no Brasil) de rocks americanos para cantar, em inglês, no Cine Teatro Roma, uma sala grande e popular, situada no largo de Roma, a praça central do bairro da Cidade Baixa que tem o mesmo nome do cinema e do largo (e da capital da Itália), uma área de baixa classe média e de situação urbana periférica. Diferentemente de Erasmo, Raul tinha ambições intelectuais e estéticas cuja natureza não facilitava uma receptividade por parte de gravadoras: ele só veio a se tornar nacionalmente conhecido como cantor e compositor depois da onda do neo-rock'n'roll inglês e, sobretudo, depois do tropicalismo. O que propiciou uma aproximação entre nós que parecia impossível no nosso
tempo de Salvador. Suponho que Gilberto Gil chegou a conhecê-lo pessoalmente naquela época. Eu não desconhecia então, a existência de sua banda - Raulzito e Os Panteras -, de que tanto se falava. Simplesmente nunca me senti estimulado a ir ver uma de suas apresentações. E creio que ele tampouco tivesse visto nossos shows do Vila Velha, pois, nas nossas consideravelmente freqüentes (e interessantíssimas) conversas dos anos 70, ele sempre insistia no tema do pobre roqueiro sendo esnobado pelos bossanovistas (o que nunca chegou a parecer expressar um verdadeiro ressentimento, uma vez que, nessas conversas, predominava o tom de cumplicidade de baianos no Rio, e todos sabíamos que ele
tinha sido um menino muito mais rico - ou muito menos pobre - do que nós), mas, embora ele se queixasse de nós não termos ido vê-lo cantar, nunca mencionou que ele tivesse ido nos assistir. Nesses encontros dos anos 70, sentíamos o sabor de conviver com um companheiro de geração e colega de profissão que tinha crescido e começado a trabalhar na mesma cidade que nós sem que nenhum tipo de atração nos tivesse reunido no primeiro momento. Os nossos shows do Vila Velha - que são o marco desse primeiro momento - conheceram um grande sucesso junto a um público predominantemente universitário e gozaram de prestígio na imprensa local. Os shows de Raul contavam com uma platéia grande, adolescente e suburbana e eram noticiados pela imprensa sem antipatia, mas não poderiam suscitar o respeito que nosso grupo de compositores, músicos e cantores de música popular brasileira moderna encontrava entre os chamados formadores de opinião. 
Raul sabia de nós tanto quanto nos dele. Possivelmente mais. E, se suas queixas quanto à nossa atitude esnobe eram fundadas e justificadas. ele próprio deixava ressurgir nessas reminiscências o tom agressivamente irreverente com que ele e sua turma se referiam à "turma da bossa nova". Isso tinha o poder de nos aproximar ainda mais. Nós éramos os inventores do tropicalismo, e o tropicalismo tinha trazido o rock'n'roll para o convívio das coisas respeitáveis, o que fora decisivo para que Raul pusesse em prática suas ideias e pusesse suas ideias no mercado. Ele nos era grato por isso, e quando externava sua violência
em relação à poesia rala e à música docemente presunçosa cultivada pelos que então eram citados sob a sigla MPB, ele contava com nossa adesão entusiasmada: nós já tínhamos - e ele sabia – voltado nossas baterias contra o que havia de tudo isso em nós mesmos.
Um dado curioso, que ficou em mim como uma profunda marca desses encontro, me parece cada vez mais revelador. Por essa época, Raul, que esteve alguns anos casado com uma moça americana, quase conversava mais em inglês do que em português, mesmo quando todos os presentes eram brasileiros.
Seu inglês era fluente e natural e, a nossos ouvidos, soava perfeitamente americano. Quando voltava para o português, ele parecia fazer questão de exagerar nas marcas de baianidade: os ós e és breves espalhafatosamente abertos, a música da frase quase caricaturalmente regional, a gíria antiquada da Salvador de nossa adolescência. Essa combinação nós reconhecíamos no seu trabalho: em seus discos e em suas apresentações ao vivo, tudo o que não era americano era baiano. E baiano no que a Bahia tem de distintivo, não de integrador, no que a Bahia tem de à idéia de um Brasil homogêneo. Assim, tudo o que, na Bahia, é sotaque, tudo o que nela é nordestino, tudo o que faz dela algo restrito a uma turma, é escolhido; enquanto tudo o que ali é língua geral, tudo o que, na Bahia. é carioca, tudo o que possa se chamar de "brasileiro", é rechaçado.
Nós não podíamos deixar de reencontrar aí traços de alguns sentimentos que se encontravam na raiz do tropicalismo. De fato, nós tínhamos percebido que, para fazer o que acreditávamos que era necessário, tínhamos de nos livrar do Brasil tal como o conhecíamos. Tínhamos de destruir o Brasil dos nacionalistas, tínhamos que ir mais fundo e pulverizar a imagem do Brasil carioca (Celso Furtado em Formação econômica do Brasil: "A
idéia de unidade nacional só aparece quando a capital se transfere para o Rio de Janeiro"), o Brasil com seu jeitinho e seu Carnaval (o novo Carnaval da Bahia, eletrificado, rockificado, cubanizado, jamaicanizado, popificado, dominado pelo péssimo gosto da classe média provinciana, é resultado desse assassinato do Carnaval brasileiro, assassinato cujos autores intelectuais fomos nós: mas também a incomparável vitalidade desse novo Carnaval - em grande parte devida a essa mesma classe média provinciana - e, sobretudo, a energia propriamente criativa que se vê em atividade na Banda Olodum, no desfile do llê Aiyê, na Timbalada ou na figura única de Carinhos Brown, que reúne em si os elementos de reafricanização e neopopização da cidade, se devem ao mesmo gesto nosso, o que nos pode dar um alento e nos permite pensar, nos momentos bons, que há esperança, pois a matança se revelou regeneradora), acabar de vez com a imagem do Brasil nacional-popular e com a imagem do Brasil garota da Zona Sul, do Brasil mulata de maiô de paetê, meias brilhantes e salto alto. Não era apenas uma revolta contra a ditadura militar. De certa forma, sentíamos que o pais ter chegado a desrespeitar todos os direitos humanos, sendo um fato consumado, poderia mesmo ser tomado como um sinal de que estávamos andando para algum lugar, botando algo de terrível para fora, o que forçava a esquerda a mudar suas perspectivas. Nós não estávamos de todo inconscientes de que, paralelamente ao fato de que colecionávamos imagens violentas nas letras das nossas canções, sons desagradáveis e ruídos nos nossos arranjos, e atitudes agressivas em relação à vida cultural brasileira nas nossas aparições e declarações públicas, desenvolvia-se o embrião da guerrilha urbana, com a qual sentíamos, de longe, uma espécie de identificação poética.
Desse modo, tínhamos, por assim dizer, assumido o horror da ditadura como um gesto nosso, um gesto revelador do país, que nós, agora tomados como agentes semiconscientes, deveríamos transformar em suprema violência regeneradora.
Uma violência desagregadora que não apenas encontrava no ambiente contracultural do rock'n'roll armas para se efetivar, mas também reconhecia nesse ambiente motivações básicas semelhantes. Por isso, quando Raul Seixas alternava americanização com regionalismo esotérico, eu não podia deixar de lembrar que tinha sido eu mesmo a dizer a um jornalista, em 67, na primeira hora do tropicalismo, a frase que, pouco depois, Tom Zé citaria numa canção típica daquele movimento: "Sou baiano e estrangeiro".
Mas a nossa Bahia era, afinal de contas, e se tomada a questão em profundidade, a Bahia fundadora, a Bahia mãe do Brasil. Lembro do meu primeiro encontro pessoal com a grande artista plástica mineira Ly gia Clark, e de como gostei de ouvir dela que a Bahia está para o Rio como o Velho Testamento está para o Novo. Na verdade queríamos ver o Brasil numa mirada em que ele surgisse a um tempo super-Rio internacional-paulistizado, pré-Bahia arcaica e pós-Brasília futurista.
Essa ambição nos afastava de fato de Raul Seixas na mesma medida em que eu já me sentia afastado dos amantes do rock nos anos 50: o deslumbramento com a coisa americana me parecia tolo e a marca distintiva de baianidade folclórica, superficial.
Eu, que cresci dançando samba-de-roda e amando a música que se desenvolveu no Brasil pelo rádio e pelo disco, sempre tive a nítida impressão de que Elvis foi um fenômeno cultural importante para toda uma geração de americanos porque teve seu destino individual ligado a forças no interior da sua sociedade que a levariam a gestos irreversíveis - sendo um garoto branco que, num país de racismo institucionalizado, traduziu para a vasta platéia branca jovem o jargão rítmico e gestual dos negros, exatamente às vésperas da queda das restrições raciais e da ascensão de uma postura crítica das novas gerações em relação ao
já conquistado pelas velhas. Mas que isso só se tornou possível pela atuação da sua figura, do seu timbre e do seu clima pessoal sobre a mente americana tal como esta se encontrava no meio da década de 50. Assim como a imagem de Marilyn tocou num ponto da sensibilidade das massas americanas para o qual convergiam suas aspirações estéticas e suas fantasias sexuais. Na medida mesma em que o que é importante para os Estados Unidos resulta relevante para o resto do mundo, a figura de Elvis, seu som e sua lenda marcaram fundamente o imaginário internacional. Constatar isso não é considerar sequer possível uma adesão automática e sem mediações, por parte de seus contemporâneos de outros países que não os Estados Unidos, ao complexo de sentimentos que ele desencadeou entre os americanos. Quando, nos anos 60, Juracy Magalhães, um político de peso que já fora governador da Bahia (e que foi ministro das Relações Exteriores durante a ditadura), declarou que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil", a frase era repetida como a mais infame demonstração da subserviência de que a esquerda acusava a direita.
Hoje são muitas as evidências de que, por um lado, qualquer tentativa de não-alinhamento com os interesses do Ocidente capitalista resultaria em monstruosas agressões às liberdades fundamentais, e de que, por outro lado, todo projeto nacionalista de independência econômica levaria a um fechamento do país à modernidade. Isso pode dar um ar de mero bom senso (e de poder de síntese) à frase de Juracy. mas não basta para legitimá-la plenamente. A bem da verdade, a frase repugna-me hoje talvez mais do que nunca: ela nos indica o caminho da desistência, da preguiça em face de possíveis responsabilidades históricas – além de sugerir que não há a possibilidade de conflito de interesses entre os dois países.
Ter tido o rock'n'roll como algo relativamente desprezível durante os anos decisivos da nossa formação - e, em contrapartida ter tido a bossa nova como trilha sonora da nossa rebeldia - significa, para nós, brasileiros da minha geração, o direito de imaginar uma interferência ambiciosa no futuro do mundo. Direito que passa imediatamente a ser vivido) como um dever.










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OLINDA REDUZ NÚMERO DE PALCOS NO CARNAVAL E INVESTE EM DESFILES DE AGREMIAÇÕES

Segundo secretário de Turismo da cidade, João Luiz Filho, o plano é manter seis ou sete palcos, em vez dos 13 instalados em 2018. Projeto foi debatido com moradores.


O carnaval de Olinda terá, neste ano, menos palcos fixos e reforço em cortejos e desfiles de agremiações, com expectativa de reforço das orquestras itinerantes. As novidades da folia da Cidade Patrimônio da Humanidade fazem parte de um plano traçado pela prefeitura e debatido com moradores do Sítio Histórico.

Em entrevista ao G1, nesta quinta-feira (10), o secretário de Patrimônio e Turismo da cidade, João Luiz Filho, afirmou que as diretrizes estão traçadas para garantir mais espaço para as agremiações tradicionais. “Já definimos a redução do número de polos fixos. Em vez de 13 palcos instalados em 2018, teremos seis ou sete”, adiantou.

O projeto, de acordo com o gestor, inclui também a criação de espaço para as famílias e o incentivo a orquestras itinerantes no Sítio Histórico. Outo plano é reativação de uma força-tarefa para apreender equipamentos de som mecânico.

As ideias foram apresentadas e debatidas por João Luiz, na quarta-feira (9), com representantes da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta. A entidade agrega moradores do Sítio Histórico.


Impactos

Segundo o gestor, essa diminuição na quantidade de polos fixos não representa a redução do número de apresentações populares. “Tivemos este ano a inscrição de 700 artistas. O plano é trocar os palcos fixos por plataformas móveis ou trios elétricos”, comentou.

João Luiz destacou que, com a medida, é possível reduzir custos e amenizar o impacto na mobilidade urbana.

“A gente tinha um palco em Salgadinho, por exemplo, que provocava a interdição de vias importante e mudança de trânsito e de ônibus. Agora, o impacto ocorrerá na hora das apresentações e não durante os quatro dias”, exemplificou.

O secretário informou que foi adotado um critério para a manutenção dos polos fixos. “Os palcos que têm a maior frequência de pessoas serão mantidos”, justificou.

De acordo com ele, o Palco Erasto Vasconcelos, no Fortim do Queijo, permanece. Na Praça do Carmo, por exemplo, está prevista a criação de um espaço de lazer para as famílias, priorizando as apresentações musicais no coreto.

“O projeto é fazer um sombreamento e garantir conforto para quem quiser descansar despois dos desfiles no Sítio Histórico. Estamos pensando em criar uma arena gastronômica”, comentou.

Orquestras de frevo itinerantes terão reforço no carnaval de 2019 em Olinda — Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press


Descentralização

Outro plano é investir na descentralização dos desfiles de agremiações, levando grupos tradicionais para bairros da periferia de Olinda.

“Queremos levar a Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante e Maracatu Nação Pernambuco para desfilar em Rio Doce ou Peixinhos, dando oportunidade a quem mora nesses bairros de acompanhar grupos de grande tradição, sem ter que ir ao Sítio Histórico”, disse.

Na área de maior fluxo de pessoas no carnaval, a prefeitura planeja mais investimentos em orquestras itinerantes no Sítio Histórico, fazendo um circuito no chamado “miolo” da folia.

“A cada 20 minutos ou meia hora, uma orquestra vai tocar frevos de rua no circuito que sai dos Quatro Cantos, passando pela prefeitura e Rua do Bonfim, até a Praça Laura Nigri”, afirmou.

João Luiz disse, ainda, que a prefeitura vai adotar uma medida sugerida pelos moradores da Cidade Alta para garantir mais espaço para as manifestações culturais tradicionais do carnaval. “Vamos reativar a força-tarefa para retirar equipamentos de som mecânico instalados nas casas”, acrescentou.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

CANÇÕES DE XICO




PIRILAMPOS E VAGALUMES

Bem sei, deveria pirilampear em tua noite escura na mais pura esperança de te abraçar. Mas uma nuvem negra e espessa de tão carregada me carregou de volta à solidão, velha companheira, não me deixando ser o vagalume desejado. Tentei, em vão, relampejar a minha claridade mas a cidade, sonolenta, preguiçosa e ainda não desperta, não deixou que meu sonho prosperasse. Nada a fazer a não ser me enuvencer cinzento e chorar as mágoas junto com a chuva que cai e molha as lágrimas do meu rosto. Trovões fazem coro ao meu sofrer.

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