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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

'OS PARALAMAS DO SUCESSO' SÃO CONVIDADOS DE SURPRESA PARA O ROCK IN RIO 2019


Trio fará sua quarta apresentação no festival e se junta aos já confirmados Iron Maiden, Scorpions, Megadeth e Sepultura 



Os Paralamas do Sucesso foram pegos de surpresa pela notícia de que estarão na escalação do Rock in Rio 2019, tal qual você, caro leitor, nesta terça-feira, 2. 

Veja bem: a organização do festival convidou o trio formado por Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) para um encontro com o presidente e criador do festival, Roberto Medina, na sede do festival.

E lá, somente lá (garante a organização do evento, é claro), os músicos receberam o convite para a participação. E toparam. 

O Paralamas fará, portanto, seu quarto show no festival (o primeiro foi na estreia, em 1985). Na época, eram moleques, de 23 anos, encarando um público maciço de 200 mil pessoas na primeira edição de um festival de grandíssimo porte.

Depois, vieram apresentações nos anos de 2011, que marca o retorno do festival ao território nacional, e 2015. Estiveram fora em 2013 e 2017, portanto. 


DIA DO METAL ESTÁ DE VOLTA AO ROCK IN RIO

Medina afirmou que o Rock in Rio de 2019 terá algo de nostálgico. Diz isso porque já foram anunciados, em primeira mão aqui no Estadão (leia mais), Iron Maiden, Scorpions, Megadeth e Sepultura. Deles, os dois primeiros também tocaram na edição de estreia, em 1985. 

Iron Maiden capitaneia a "noite do metal", que volta ao line-up do festival de sete datas depois da ausência no ano anterior. 


O QUE SE SABE DO ROCK IN RIO 2019

Dias atrás, o Rock in Rio também revelou as datas do festival: o evento ocorrerá nos dias 27, 28 e 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro (um pouco mais "tarde" da versão de 2017, realizada em dois fins de semana entre 15 a 24 ). 


Também foi revelado início das vendas dos ingressos. O Rock in Rio Card, cujo valor não foi revelado e vale de entrada para um dia de festival, começa a ser vendido no dia 12 de novembro, a partir das 19h, pelo site Ingresso.com.

Anitta, escolhida na base do "poder da voz do povo", já que foi tão pedida na edição de 2017, após o cancelamento em cima da hora do show de Lady Gaga, é a primeira confirmada no line-up. A funkeira também se apresentou na versão lisboeta do festival, realizada neste ano.

A novidade do espaço, novamente realizado no Parque Olímpico, é uma área chamada Espaço Favela, na qual serão realizados shows com artistas de comunidades do Rio de Janeiro.


COMO FOI O ROCK IN RIO 2017

A edição de 2017 do festival teve, como ponto alto, a responsabilidade por trazer a banda The Who pela primeira vez ao Brasil (e possivelmente a última). Em contrapartida, a ausência de Lady Gaga, cuja apresentação, marcada para o primeiro dia e cancelada na véspera, obrigou o festival a repetir a atração do dia seguinte, Maroon 5 - sim, foram duas noites capitaneadas pela banda de Adam Levine.


Fonte: Estadão Conteúdo

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CAIXA TRAZ A DISCOGRAFIA COMPLETA DO GRUPO PARALAMAS DO SUCESSO

Material recém-lançado apresenta 20 discos da banda com hits criados pelo trio

Por Gabriel de Sá





A gravadora tinha um estúdio enorme. Sedentos por diversão, qualquer intervalo na labuta era motivo para os Paralamas do Sucesso aprontarem. Gravar por longas horas não chegava a ser um problema, afinal, música era a praia deles. Mas quando pintava um tempo, o trio usava uma tapadeira (aquele objeto colocado ao redor da bateria para minimizar o impacto do som) como rede de vôlei e mandavam ver na brincadeira. “Era para matar o tempo”, lembra o baixista Bi Ribeiro, por telefone.

O clima de amizade e descontração está presente em boa parte dos discos dos Paralamas do Sucesso, relançados agora em uma caixa. São 18 álbuns gravados entre 1983 e 2011. Entre eles, seis foram produzidos a partir de shows ao vivo. “Esse é um lado muito forte da gente, somos uma banda de estrada”, defende Bi, que forma a banda, desde 1982, ao lado do vocalista e guitarrista Herbert Vianna e do baterista João Barone. “Esses trabalhos retratam bem o que é o grupo e foram bem sucedidos por causa disso”. O artista se refere, sobretudo, a 'Vamo batê lata' (1995), disco mais vendido da trupe, ao vivo, que gerou mais de 1 milhão de cópias comercializadas.

Na caixa, é possível ouvir também um disco com raridades da banda e outro com versões de alguns hits em espanhol. O trio conquistou público robusto na América Latina. Expoentes do rock brasileiro da década de 1980, e também precursores na mistura do gênero com outros elementos no país, os Paralamas do Sucesso têm, em sua discografia, um retrato político e social do Brasíl nas últimas três décadas. O romantismo também é uma marca constante no trabalho da banda — muito por conta das letras apaixonadas escritas por Herbert Vianna.

Sobre as gravações dos trabalhos, Bi Ribeiro lembra que, de maneira geral, as sessões de estúdio foram sempre muito tranquilas. Isso porque os Paralamas sabiam bem o que queriam e chegavam para o registro com quase tudo pronto em suas cabeças. Foi assim, por exemplo, quando eles pensaram no nome de Djavan para participar do megassucesso 'Uma brasileira', um dos maiores hits do trio. “Ele estava inseguro por gravar com uma banda de rock, mas o convencemos e ele ficou muito feliz com o resultado”, conta Bi.

Já em 'Severino' (1994), na faixa 'Navegar impreciso', eles conseguiram juntar, em uma mesma faixa, os ídolos Tom Zé e o poeta jamaicano Linton Kwesi Johnson. Mas nem tudo foi calmaria na gravação deste álbum. Bi, aliás, considera o registro de Severino o mais conturbado da carreira da banda. Isso porque, ao convidarem o guitarrista Phil Manzanera, da banda Roxy Music, para produzir o álbum, tiveram que se deslocar para a Inglaterra. Até aí, tudo bem. O problema foi o técnico de som, que quis controlar a gravação e acabou tornando o projeto muito mais cansativo do que o previsto, deixando o ritmo no estúdio arrastado. “Chegamos com o arranjos prontos. Era gravar e ir embora. Mas acabamos ficando três meses”, relembra Bi. “Saiu como a gente queria, mas foi difícil. O técnico atrapalhou bastante, e o produtor ficou na mão dele. Mas o resultado é muito bom”.


Música brasileira

A ligação dos Paralamas com a MPB ficou mais estreita quando, em 1986, o trio convidou o mestre Gilberto Gil para dar uma palinha na faixa 'Alagados', do álbum 'Selvagem?'. A ideia era só cantar, mas o baiano acabou fazendo a letra de A novidade, que se tornou um hit instantâneo. “A gente ficou muito agradecido a ele. Era nosso terceiro disco e o cara concordou em ir”, vibra o baixista.

“A gente sempre teve esse namoro com a MPB. Ouvimos muita música brasileira em casa, desde pequenos, apesar de muito fãs de rock. Meus pais ouviam Chico e Caetano. Tem uma época que você renega, diz que não gosta de samba etc. É só rock. Mas aquilo está dentro de você e uma hora vem à tona”, acredita Bi.

O balaio de referências sonoras e estéticas dos Paralamas, para além do rock e da música brasileira, passa por reggae, ska, new wave e pós-punk. Música africana também entra no pacote de influências. “Quando entramos nesta, fomos chamados de traidores do rock. Mas o rock sempre foi um gênero aberto, se alimentando de tudo por onde passou”, observa ele. “Acaba que a música sempre tende para a África, ela vem de lá e volta pra lá”.

Mesmo não tendo nenhum lançamento marcado para breve, os Paralamas do Sucesso já trabalham, despretensiosamente, em um novo projeto. “Nos encontramos duas vezes por semana para bater um papo e pensar no que vamos fazer”, conta Bi. O local das reuniões é o escritório de João Barone, uma casa confortável no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, cidade onde os três vivem. “Até o fim do ano, devemos estar gravando um novo disco de inéditas”.

Segundo o baixista, o ritmo de composição da banda ainda é bastante intenso. Herbert é um criador compulsivo e está sempre escrevendo letras novas. “Ele não para nunca. Quando nos encontramos, juntamos nossas ideias”, comenta Bi.


De volta ao grande palco

Em 1985, acontecia pela primeira vez o festival Rock in Rio. Impulsionados pelo sucesso do segundo disco, 'O passo do Lui', aquele dos hits 'Óculos', 'Me liga', 'Meu erro' e 'Romance ideal', os Paralamas do Sucesso foram convidados a participar do evento, decolando de vez no showbiz nacional. O trio foi chamado de última hora e, mesmo sem banda de apoio, fez um dos shows mais marcantes daquela edição.

Os Paralamas tem um novo encontro com o público do Rock in Rio no próximo dia 20 de setembro, na noite que terá Rod Stewart como atração principal. Vale lembrar que, em 2011, o trio dividiu o Palco Mundo com os parceiros Titãs. Sozinhos, agora, 30 anos depois da estreia do festival, os Paralamas terão uma longa história para contar.


OS PARALAMAS DO SUCESSO 1983-2015

Caixa com 20 discos da banda. Lançamento Universal Music. Preço: R$ 366.


Mundo afora

Confira os países em que os Paralamas já tocaram
» Uruguai
» Argentina
» Paraguai
» Chile
» Peru
» Colômbia
» Bolívia
» Venezuela
» Panamá
» México
» Estados Unidos
» Inglaterra
» Escócia
» País de Gales
» França
» Suíça
» Espanha
» Portugal
» Alemanha
» Itália
» Japão

5 milhões
Discos vendidos dos Paralamas

1,1 milhão
Vendagem do álbum Vamo batê lata

sábado, 10 de setembro de 2011

AINDA SELVAGEM? 25 ANOS DEPOIS...

Os Paralamas do Sucesso - Selvagem? (1986)
Por João Barone


“No final de 1985, estávamos ensaiando no apartamento da saudosa Vovó Ondina, local emblemático do começo dos Paralamas. Num intervalo, Herbert resolveu mostrar o esboço de uma nova composição, quando fez um preâmbulo sobre a estranheza que ela poderia causar. Sua expectativa era explicável. Ao longo desse ano movimentado, que começou com o Rock in Rio e terminava com uma turnê com até dois shows por noite, Herbert chamava para si toda a responsabilidade pelo que seria o próximo passo da banda. O cara do óculos vermelho de bermuda em breve se defrontaria com o desafio de superar suas marcas anteriores, começou a aguçar sua inspiração e por mãos à obra. Para ele, era preciso arriscar mais, fugir do óbvio. Para isso, até operou os olhos e se livrou dos óculos, sua marca registrada. No segundo LP, a banda criou e afirmou uma assinatura sonora. Mas, e agora? Isso lhe tirava o sono... Tanto que no final de outubro de 1985, quando tive um acidente de carro em Porto Alegre, Herbert sentiu-se culpado por desejar que algo extraordinário acontecesse para frear nossa agenda...

Foi assim que, durante um pequeno recesso em que eu estava de perna engessada (o que não nos impediu de participar de um show em homenagem aos 20 anos de carreira de Gilberto Gil mesmo assim!), Herbert começou a maturar algumas composições novas, inspiradas no mergulho profundo que fizemos no reggae e na música africana. Bi Ribeiro teve papel determinante nisso, pois comprava todos os discos de reggae e afro que podia, nos apresentando toda hora coisas interessantíssimas que iam além das obviedades, como Mutabaruka, Dr Alimantado, um tal de Yellow Man, Papa Wemba, Salif Keita, King Sunny Adé, para citar alguns poucos. Neste caldeirão também foram adicionadas doses de João Bosco, Gonzaguinha, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Novos Baianos e Gil. Viajando tanto pelo Brasil, vimos e identificamos como a música negra havia se aclimatado aqui, especialmente na Bahia, e fizemos o que alguns críticos entendidos explicaram depois como uma “contra-diáspora negra”, até chegarmos em Londres, via Angola, com escala em Kingston. Para nós, descobrimos um Brasil brazuca, vira-lata. Caímos na real muito antes do Plano Real.

Quando Herbert fez suspense para mostrar pela primeira vez apenas com sua guitarra a melodia da canção que se tornaria conhecida como Alagados, não precisou de tantos volteios. O que gerou a tal estranheza foi a semelhança da música ainda sem letra com um samba-enredo. “E aí? Gostaram?”, perguntou Herbert. “Parece um samba!”, disse Bi, entreolhando para mim, quando exclamamos em uníssono: “Do caralho!”. Isso pareceu aliviar Herbert. O bom astral resultante desse primeiro momento evoluiu na forma de uma demo que Herbert gravou num porta-estúdio (na época, eram pequenos gravadores cassete de quatro canais), quando nos mostrou a canção bem perto do formato conhecido, já com a letra e uma beat box primitiva marcando o tempo. Dali a pouco, estaríamos entusiasmados com várias ideias de músicas que renderiam o repertório do próximo álbum, quando ainda tocávamos no apartamento da Vovó Ondina em Copacabana. Um fato marcante nesse momento foi uma foto que se destacava entre outras, colada na parede do quarto de ensaio, onde aparecia o irmão do Bi, Pedro, estilizado como um índio na frente de uma barraca num acampamento nos tempos de Brasília. Quase que complementando a estranheza que o novo repertório que estávamos compondo poderia causar aos diretores de nossa gravadora, que deveriam estar esperando por uma sequência de Óculos ou Meu Erro, Herbert olhou aquela foto um tanto engraçada e rindo, disparou: “Que tal a gente por ESSA foto na capa do próximo álbum?”. Deu no que deu.

No lado conceitual, estava pronto Selvagem?, que ainda recebeu um ponto de interrogação para tentar aumentar mais a estranheza de seu título. Na época, não planejamos um levante estético, estávamos apenas dando linha ao nosso ideal um tanto inconsequente de fazer o que nos dava na telha. Mas tínhamos noção do contraponto que escolhemos, frente ao modelo estético anglo-saxão tão usado pelos artistas de nossa geração e de algumas bandas que despontavam na época. Nos destacamos da paisagem, como se tivéssemos nos pintado de verde-limão florescente. No lado prático, quisemos nos garantir de que a aventura seria ao menos bem registrada: convidamos Liminha para produzir o álbum, ele ouviu as demos, gostou e topou trabalhar com a gente. Convidamos Gil para cantar em Alagados e ele ainda compôs A Novidade. No estúdio, gravamos usando a percussão de Marçal, Liminha tocou guitarras e teclados, usamos ecos e efeitos dub à la Lee Scratch Perry. Os vídeos de Roberto Berliner para Alagados e A Novidade terminaram de explicar tudo para quem ainda não havia entendido nossa proposta. Vinte e cinco anos depois, não mudaríamos uma nota de nada que foi feito.”

Faixas:
01 - Alagados (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone)
02 - Teerã (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone)
03 - A novidade (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone e Gilberto Gil)
04 - Melô do Marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone)
05 - Marujo Dub (Bi Ribeiro e João Barone)
06 - Selvagem (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone)
07 - A dama e o vagabundo (Herbert Vianna e Bi Ribeiro)
08 - There's a party ((erbert Vianna)
09 - O homem (Herbert Vianna e Bi Ribeiro)
10 - Você (Tim Maia) - Gostava Tanto de Você (Edson Trindade)
11 - Teerã Dub (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone)

domingo, 6 de dezembro de 2009

VOCÊ (PARALAMAS DO SUCESSO)

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