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domingo, 8 de maio de 2016

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

Nascido em São Vicente – SP, se vivo Mauricy Moura
estaria completando 90 anos ao longo de 2016


Hoje estava a passear pelas redes sociais e me deparei com um álbum do saudoso Mauricy Moura, cantor que se vivo estivesse estaria completando nove décadas de existência ao longo deste ano. Então resolvi trazê-lo a este espaço  longo deste mês nomes da nossa música que não merecem estar no ostracismo que hoje se encontram. Selecionei, dente tantos, quatro nomes para abordar ao longo deste mês que tiveram seus momentos de ascensão dentro do nosso cancioneiro e hoje infelizmente são lembrados apenas pelos saudosistas como eu, que procuro garimpar materiais e nomes que, de um modo ou de outro, caíram no limbo do esquecimento (característica infelizmente tão constante em nosso país). Mas vamos ao que de fato interessa: rememorar a boa música e os grandes intérpretes do nosso país. Como primeiro nome série de saudosos e esquecidos cantores relembro o nome deste intérprete paulista que que começou a carreira participando de distintos programas de rádio (a exemplo do "Programa de Dª. Dindinha Sinhá", na Rádio Atlântica, de Santos) e teve, ainda na infância, como sua primeira grande incentivadora a própria mãe, que segundo dizem possuía profundos conhecimentos da arte vocal. Essa característica que fazia parte de sua mãe talvez tenha corroborado de modo significativo para que ela estimulasse Mauricy a participar juntamente ao irmão Maurício a participar do Conjunto Calunga (Tal grupo, além dos irmãos Moura, era formado por Gentil da Silva, Edésio Resende e Jarina Resende, depois substituídos por Avelino Tomaz e Rachel Tomaz). Foi a partir da experiência neste grupo que profissionalizou-se como solista do conjunto e, posteriormente, começou a apresentar-se em distintos espaços, além de diversos outros programas de rádio.

Sempre orientado por Dona Georgina (sua mãe), o ainda menor Mauricy apresentou-se em locais como o antigo Cassino Ilha Porchat (sob autorização do juiz de menores para abrilhantarem as noitadase outros “shows” por esse Brasil afora. Com a dissolução do conjunto, Cicica (como o artista era carinhosamente chamado) ingressou na Rádio Atlântica de Santos. Nesse período tem a oportunidade de ir para São Paulo pelas mãos do "caboclinho do Brasil" Silvio Caldas para fazer parte do “cast” da Rádio Excelsior. Posteriormente vai para a Rádio Record, onde tem a oportunidade de conquistar o famoso troféu “Roquete Pinto” como revelação do ano.  A sua estreia em disco se deu em 1952, pela Sinter, gravando dois sambas-canção: "Maria da Piedade", de Evaldo Rui, e "Não digas nada", de David Raw e Victor Simon. Em gravações posteriores teve o acompanhamento de nomes como os dos maestros Lírio Panicalli e Guerra Peixe. Dentre suas façanhas chegou a registrar, como intérprete, canções de autores como Newton Mendonça, Blota Jr, Evaldo Rui, Hervê Cordovil, Vinícius de Moraes, João Pacifico, Adoniran Barbosa, Cyro Monteiro, Edith Piaff e Lupicínio Rodrigues. Foi o responsável pelo primeiro registro em disco do até então desconhecido compositor Antonio Carlos Jobim, assim como também pelo registro de clássicos do nosso cancioneiro como "Meus tempos de criança" (foi o prmeiro intérprete a gravá-la) e "Chove lá fora", clássico de Tito Madi dentre os mais de quinze discos que deixou gravados. Por essas e outras Mauricy Moura acabou tornando-se um dos mais expressivos nomes da noite de sua época e não merece o ostracismo que hoje encontra-se. Não havia dentro da noite paulistana um notívago boêmio que o desconhecesse. Segundo consta em alguns depoimentos, suas apresentações eram marcantes, pois quando soltava a sua voz  o silêncio se impunha e o barulho desaparecia. Não era à toa que era considerado por Silvio Caldas, Alfredo Borba, Ciro Monteiro, Elizeth Cardoso, Evaldo Rui, Wilson Batista e outros cultores da nossa música, como o mais completo seresteiro do Brasil. Mauricy morreu aos 51 anos de idade no Hospital Santa Verônica em São Paulo, a 23 de agosto de 1977. Partiu fora do combinado como costuma dizer o nosso magnânimo Rolando Boldrin, deixando saudosos fãs de suas interpretações e uma indelével marca dentro do cancioneiro popular brasileiro ao longo de quase quatro décadas de carreira.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

MAURICY MOURA, 90 ANOS



Nascido em São Vicente – SP, a 03 de janeiro de 1926, faleceu aos 51 anos de idade, deixando atrás de si um rastro indelével de saudade. Apelidado de Cicica por sua mãe Georgina, adicionava à sua voz personalíssima a facilidade do seu próprio acompanhamento ao violão e ainda a de solista exímio. Era olhado por muitos apenas como um boêmio sem remédio.Mas boemia está inerente à arte; uma coisa não viveria sem a outra. Trazido à carreira artística ainda muito novo pelas mãos de sua própria mãe (profunda conhecedora que era da arte vocal), formou com seu irmão Mauricio (outro fora de série), Gentil da Silva, Edésio e Jarina Resende (e posteriormente Avelino e Rachel Tomaz) o famoso Conjunto Calunga.

Já como profissional e solista do conjunto, sempre orientados pela sua mãe Georgina, obtiveram autorização do juiz de menores para abrilhantarem as noitadas do antigo Cassino Ilha Porchat, programas na Rádio Piratininga e outros “shows” por esse Brasil afora. Mais tarde, com a dissolução do conjunto, Cicica ingressou na Rádio Atlântica de Santos, onde já havia, em criança, participado do famoso “Programa de Dª. Dindinha Sinhá” e daí, levado pelas mãos de Silvio Caldas, em 1950, foi para São Paulo, para fazer parte do “cast” da Rádio Excelsior (antiga denominação da Rádio Nacional), juntando-se na época a Francisco Egídio; Sólon Sales; Oscar Ferreira; Cauby Peixoto; Roberto Luna; Homero Marques (outro da Baixada Santista) e logo após, para a Rádio Record, onde lhe foi oferecido programação exclusiva conquistando o famoso troféu “Roquete Pinto” como revelação do ano. Permaneceu em São Paulo durante quase 30 anos, vivendo somente da música, e era tido como um grande nome da noite.



Filósofo por natureza tinha, paradoxalmente, na sua aparente irresponsabilidade a sua grande responsabilidade: jamais quis contrair compromisso mais sério com o amor, mas sim com a noite, com quem se acasalava nas suas serestas românticas, junto aos amigos e sob sacadas que deixavam descer corações, igualmente enamorados. Mauricy era a noite, era o canto, era a boemia pura revestida de arte, era o descompromisso com a vida com a qual estava sempre de braços dados.

Mauricy era uma pessoa que não dependia de dinheiro: desprezava-o. Ele e seu próprio valor eram medidos pela presença sempre útil, valiosa e concentradora em qualquer ambiente que frequentasse.

Profissional e promocionalmente, não era muito divulgado, pelo seu desapego às coisas materiais, não havia dentro da noite paulistana quem o desconhecesse, tal a voz marcante que ao ser entoada o silêncio se impunha e o barulho desaparecia. Era o respeito a um canto inigualável.

Outra peculiaridade de Mauricy era que não portava documentos de espécie alguma: ele era a sua própria identificação; sua própria personalidade.



Como cantor possuía todos os dotes que alguém necessita para ser completo: grave, agudo e nuances vocais irrepreensíveis. Dava às canções que interpretava uma forma totalmente pessoal e talentosa, e não era à toa que era considerado por Silvio Caldas, Alfredo Borba, Ciro Monteiro, Elizeth Cardoso, Evaldo Rui, Wilson Batista e outros cultores da nossa música, como o mais completo seresteiro do Brasil.

Dentre inúmeras gravações, deixou interpretações primorosas de músicas que são ouvidas com emoção: “Flor de Maçã” de Denis Brean e O. Guilherme, "Irmã da Saudade” de Portinho e João Pacifico, “Meus Tempos de Criança” de Ataulpho Alves, “Maria da Piedade” de Evaldo Rui, “Mulata”, “Vou brigar com ela”, “Nunca” e “Homenagem” de Lupiscínio Rodrigues, “Mulher” de Jorge Duarte.

Não se casou, não deixou descendente. Morreu no Hospital Santa Verônica em São Paulo, a 23 de agosto de 1977. Está sepultado no cemitério de São Vicente, no mesmo túmulo onde repousam seus pais e o irmão Mauricio.

(Trechos da biografia retirados de artigo de Mario Santos )

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