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sábado, 19 de novembro de 2016

O CORTEJO DA BOA MÚSICA CONTEMPORÂNEA QUE VEM DA BAHIA PEDE PASSAGEM

Parceiro de nomes como Luiz Tatit e de Tom Zé, o cantor e compositor soteropolitano Emerson Leal volta ao mercado fonográfico com "Cortejo", álbum que reitera sua verve autoral

Por Bruno Negromonte






Emerson Leal é um artista com um início de carreira bastante inusitado, pois pouco tempo após radicar-se no Rio de Janeiro para começar a sua carreira fonográfica solo, o artista ganhou rasgados elogios de ninguém menos que o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, que elogiosamente o classificou com termos como "Fera", "Craque". Essa história chegou a ser abordada aqui mesmo no Musicaria Brasil a partir da pauta "ORIGINAL E VERSÁTIL, EMERSON LEAL TRAZ EM CD HOMÔNIMO UM PROFÍCUO CAMINHO PARA O FUTURO DA MPB". Hoje, quatro anos após o lançamento do primeiro álbum, Emerson volta ao mercado fonográfico com o seu segundo álbum sob o título de "Cortejo", onde a constante originalidade que marca o primeiro disco também acentua a sua presença a partir de um coerente caminho que o artista soteropolitano vem traçando. Foram quatro anos substanciar-se a partir das mais distintas experiências para substanciar-se a partir das mais distintas experiências desde o último lançamento,  tempo suficiente para o artista depurar ainda mais toda a verve inovadora presente em seu álbum de estreia como é possível observar na sonoridade e nas letras presentes nas faixas que constituem "Cortejo", um álbum que reitera a importância do seu crucial papel no cenário atual da música brasileira não apenas a partir da reafirmação dos elementos que constituem aquilo que faz, mas também objetivando cumprir aquilo que se espera de uma canção bem feita. Desse modo, pautado em originalidade e moldando suas composições a partir de elementos que acabam por torná-lo um dos nomes proeminentes da cena musical carioca contemporânea


Radicado no Rio de Janeiro desde 2008, o músico autodidata trouxe em sua bagagem a diversidade rítmica que caracteriza a sua terra de origem acoplando a isso um toque bastante pessoal como também é possível atestar neste seu segundo álbum a partir das nove canções presentes em "Cortejo". Das faixas que constituem o disco, oito são autorais (uma delas em parceria com Luiz Tatit) e uma composta pela dupla Ana Clara Horta e Gabriel Pondé. O disco abre com "A fúria", faixa de refrão contagiante e que apregoa que o carnaval se faz a partir do movimento de cada sonho; a faixa seguinte, "Coisinho" retrata, entre urgência e apreensão, a efemeridade e superficialidade existente nas relações afetivas contemporâneas. Em "Mil musas distraídas", Emerson acompanhado pelo Quarteto Radamés Gnattali, traz uma ode às mulheres. O disco tem continuidade com faixas como "Sem batom", "Parado no perigo" e "Seu nome" (esta última nos remetendo-nos à música afro-caribenha da mais alta estirpe a partir do marcante violão do cantor e compositor. Com Tatit assina "Tipo nós", faixa que traz a participação especial da jovem cantora Lívia Nestrovski. Filha do compositor e violonista e diretor artístico da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) Arthur Nestrovski. Lívia, que já foi contemplada com 8 medalhas por excelência em canto e neste álbum mostra o porquê de tais contemplações. Para fechar, duas canções: "Vai que dá certo" e "Você aqui", faixas que reforçam a teoria de quanto se faz ricamente híbrida a sonoridade do artista endossada por consistentes e inovadores arranjos e músicos que chegam como a cereja de um bolo, ou melhor, um disco que dispensa maiores adornos para tornar-se delicioso.

Gravado no Rio de Janeiro (RJ), entre junho de 2015 e junho de 2016, nos estúdios Casa do Mato (Por Igor Ferreira), Espaço Musical Praia de Botafogo (por Rafael Camacho e Emerson), Tenda da Raposa (por Carlos Fuchs e Gustavo Krebs), Ouvido em pé (por Kim Carvalho) e El Tiburón, por Leal, o disco ainda traz em sua ficha técnica como assistentes de estúdio (Casa do Mato) os nomes de  Rafaela Prestes e Falcon. O disco foi masterizado por Felipe Tichauer em Miami, e traz em sua tecitura nomes como Carla Rincón e Andreia Carizzi (violinos), Estevam Reis (Viola) e Hugo Pilger (Cello), que juntos formam o Quarteto Radamés Gnattali. O disco ainda conta com a participação da já citada cantora Lívia Nestrovski, João Callado (do Grupo Semente), na bateria Pitito (Luiz Fernando  Veloso) e na Guitarras Rafael Camacho. "Cortejo" tem produção, direção e mixagem assinadas pelo próprio Emerson que assina também a execução de distintos instrumentos de corda, assim como também seus respectivos arranjos. Quanto ao projeto gráfico todo ele foi assinado por Mariana Volker.

Como já dito, Leal traz naquilo que faz características intrínsecas à sua sonoridade, o que acaba o destacando e levando-o além das fronteiras musicais convencionais como já afirmou Luiz Tatit quando em depoimento registrou: “O disco que tá chegando aí do Emerson Leal vem realmente pra cumprir um papel no quadro, no todo aqui da música brasileira atual porque tem tanto os elementos que a gente espera de uma canção bem feita, de uma canção bem concebida, como tem ao mesmo tempo as novidades que ele vem trazendo pra gente que vem tanto pelas letras quanto pelas melodias de uma canção que diz coisas pra gente, todas as faixas trazem um assunto que pode ser entoadas de uma maneira interessante, de uma maneira nova, de uma maneira sobretudo agradável. As canções já vem com uma pegada não só bem feita do ponto de vista musical, mas também já com uma pegada pop que faz com que o ouvinte se envolva imediatamente com aquilo que está ouvindo naquele momento. Eu acho que ele chega no momento com todos os requisitos, com todas as credenciais pra atuação de um cancionista atualmente.” É por isso que a originalidade de Emerson Leal chama a atenção. Imbuído de um apuro estético que valoriza todos os nuances existentes na canção e seus distintos gêneros, tanto o músico quanto o letrista deixa evidenciar uma inquietude criativa em constante ebulição. Emerson é nome que deve ser acompanhado de perto por aqueles que prezam a valorização da música popular brasileira contemporânea. É sangue novo para a tão combalida música brasileira. É como disse aquele que lhe deu o aval definitivo para adentrar para o rol dos grandes nomes da música popular brasileira contemporânea em uma de suas canções: "Evoé, jovens à vista!"

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

EMERSON LEAL APRESENTA NÃO DESPERDICE PALAVRAS, SINGLE PROMOCIONAL DO SEU NOVO ÁLBUM

Emerson Leal presenteia o seu público com single do álbum previsto para 2015

Por Bruno Negromonte



Ainda sem data de lançamento, mas previsto para meados de 2015, o novo disco do cantor e compositor soteropolitano Emerson Leal já delineia-se e dá o ar da graça ao grande público no próximo dia 25 de novembro. Nesta data será lançado o single "Não desperdice palavras", faixa que tem letra e música de sua autoria. Com arranjo coletivo a faixa conta em sua ficha técnica com Aline Lessa (vocais), Rafael Camacho (Guitarras, vocais); Elísio Freitas (Baixo, EBow, synths, vocais); Eklon Eleuterio (Synths) e Cláudio Lima (Bateria). Emerson, que começou a se destacar dentro da música após ganhar rasgados elogios de Chico Buarque, já trz em sua bagagem um álbum homônimo ao seu nome como chegamos a apresentar aqui mesmo no Musicaria a partir da pauta "ORIGINAL E VERSÁTIL, EMERSON LEAL TRAZ EM CD HOMÔNIMO UM PROFÍCUO CAMINHO PARA O FUTURO DA MPB". Após dois anos deste lançamento o artista retoma sua carreira fonográfica com este single gravado e mixado entre o Rio de Janeiro, Campinas (SP) e Miami (FL, EUA) e sob a direção musical do próprio compositor. A capa, o encarte e o projeto gráfico ficam a cargo de Lício Foto e Adriane Nolli.

sábado, 8 de março de 2014

EMERSON LEAL - ENTREVISTA EXCLUSIVA

De talento congênito, Emerson Leal vem mostrando o porquê vem recebendo elogios de alguns dos mais conceituados nomes da música brasileira

Por Bruno Negromonte


Há quem afirme que a música brasileira ande em baixa. Esse tipo de afirmação talvez venha a ser dado por aqueles que não conseguem enxergar um palmo a frente do nariz, visto que o atual cenário musical brasileiro é detentor de talentos natos nas mais distintas regiões do país. Nomes como Emerson Leal e o consistente trabalho que vem apresentando é a prova documental disto. Natural de Salvador, mas radicado a um certo tempo no Rio de Janeiro, Leal vem conquistando o respeito não apenas do público, mas também de nomes como Chico Buarque, um dos seus grandes ídolos e fonte de inspiração para a arte que produz, como foi possível ORIGINAL E VERSÁTIL, EMERSON LEAL TRAZ EM CD HOMÔNIMO UM PROFÍCUO CAMINHO PARA O FUTURO DA MPB. Hoje seu nome volta a figurar  em nosso espaço através desta entrevista exclusiva concedida gentilmente por este artista completo. Em fase de pré-produção do seu novo projeto, Emerson conta-nos como deram-se seus primeiros contatos com a música, o modo intuitivo como compõe, seu contato com nomes Tom Zé e Luiz Tatit e como chegou aos seus ouvidos o elogio do seu grande ídolo, Chico Buarque. Vale a pena conferir! Boa leitura!



Como a música entrou em sua vida? Há músicos em sua família?


EM - Desde que me entendo por gente o que mais me interessa é a música. Ou, mais especificamente, a canção. Todas as coisas que fossem relacionadas à canção sempre me interessavam muito. Eu sempre brinquei de cantar, de “inventar” canções, também. O meu pai tocava – toca – violão e canta muito bem, mas acabou não seguindo carreira profissional na música. Foi num antigo violão que ele tinha em casa que comecei a tocar, aos nove anos de idade. Minha mãe também cantava super afinado e vez ou outra compunha algumas cantigas. Além disso, os irmãos do meu pai também gostam de tocar violão; os tios da minha mãe, em tempos idos, também tocavam e faziam sambas e serestas nos quintais de suas casas, etc. Enfim, esse costume é um traço forte da nossa microcultura familiar.

Você tem demostrado ser um grande instrumentista e melodista. Você teve a oportunidade de desenvolver essa sua habilidade teoricamente ou tudo se deu apenas a partir de sua vivência com o instrumento?

EM - A criação de melodias e harmonias (e até arranjos) é, no meu caso, bastante intuitiva. É um trabalho do inconsciente. E é sempre baseada em tudo o que eu já ouvi, claro, no que eu sinto, no que me toca mais. No mais, tudo o que sei, comecei a aprender ouvindo e tentando reproduzir no instrumento; isso foi sempre o principal desafio, um grande barato. E fui me desenvolvendo na prática, mesmo. Tanto que nunca me interessei em tomar aulas de música ou de violão. Só fui aprender o básico da notação musical na adolescência, quando um amigo me emprestou uma revista que tratava desse assunto. Hoje escrevo bem uma partitura mas, por exemplo, se for para aprender a tocar uma canção ou peça qualquer, prefiro ouvi-la do que lê-la. Aprendo bem mais rapidamente assim. Não tenho nenhuma prática de leitura à primeira vista, por exemplo.


O período em que você esteve em Salvador você esteve à frente da banda Oda Mae Brown, na qual além de ser um dos fundadores, tocava guitarra, cantava e compunha. Qual foi a hora em que você percebeu que já estava na hora de estender seus horizontes e resolveu partir para o Rio de Janeiro?

EM - A Oda Mae Brown era na verdade a nossa grande farra, que durou de 2002 a 2006. Apesar de minha formação musical estar mais ligada à canção brasileira, nós fazíamos blues. Claro que fazíamos o nosso blues, com nossas letras-comédias, em Português – e com harmonias diferenciadas, também. Quando estávamos ficando mais conhecidos e já próximos da gravação do primeiro disco, os membros acabaram saindo por motivos diversos e o sentido daquilo tudo foi deixando de existir. E nesse meio tempo eu conheci o Rio e me apaixonei pela cidade. Senti que havia um clima musical mais consistente, mais vigoroso por aqui naquele momento e decidi que um dia teria que vir para cá. Seria também uma guinada na minha própria vida, algo fundamental (hoje eu sei) para um artista. Em 2008 fiz as malas e vim.


Como foi a receptividade ao seu trabalho no Rio de Janeiro logo após sua chegada? Quais as maiores adversidades existentes até você se firmar como cantor e compositor?

EM - Bela pergunta. Bom, um grande adversário na minha vida sempre fui eu mesmo: eu e a minha autocrítica impiedosa, eu e as minhas dúvidas quanto à relevância do que eu fazia, eu e a minha timidez crônica, enfim. Na medida em que eu avanço um pouco mais na luta contra tudo isso, as coisas se clareiam. Hoje, olhando para trás, vejo que o meu trabalho sempre foi bem recebido, afinal de contas. Fora isso, as adversidades são as mesmas que qualquer artista de música brasileira independente que deu o pontapé inicial nesse início dos anos 10 e que vive nas capitais enfrenta: a impossibilidade de se fazer realmente visível sem grandes e caras promoções publicitárias; a escassez de produtores culturais e, atualmente, a situação econômica da classe média consumidora de cultura no país: quem passa subitamente a gastar muito para “apenas” morar, vai consumir menos cultura, claro. Além disso, há um problema grave que é a inferiorização do Brasil e da sua cultura pelo próprio brasileiro e, ao lado disso, um desinteresse de boa parte do público por coisas novas.




Como você recebeu a notícia sobre o comentário do Chico Buarque e que impacto essa declaração causou em sua carreira?

EM - Foi uma surpresa incrível. Jamais imaginei que ele estivesse vendo aqueles meus vídeos caseiros. E ele falar o que falou daquela forma, tão abertamente e sinceramente, foi sensacional, mesmo. E o detalhe é que não vi ao vivo, só recebi dezenas de e-mails ao mesmo tempo, mensagens, telefonemas: “Você viu? Você viu? O Chico falou de você! (risos)”. Nessa época, meados de 2011, eu estava começando a gravar o disco, mas estava bem “travado”, mesmo. Muitas pessoas que viam esses vídeos falavam “toca suas músicas”, ou “você tem CD?” e isso me estimulava. Daí rolou esse episódio do Chico e eu pensei “bom, se não for agora, não é nunca mais”.



Você é um dos responsáveis pelo Book Song do Tom Zé não é? Como surgiu a ideia e a possibilidade de executar esse projeto? A sua parceria com ele surgiu a partir dessa oportunidade?

EM - Eu mergulhei pra valer na obra de Tom Zé em 2008, logo depois que cheguei no Rio. Conheci praticamente tudo, aprendi a tocar muita coisa. Num determinado momento, me toquei que poderia fazer algo com esse conhecimento; contribuir de alguma forma por ter essa bagagem. Nós já trocávamos algumas ideias através do seu blog (tomze.blog.uol.com.br), e num determinado momento lhe mandei um e-mail dizendo que eu tinha interesse em produzir um songbook seu, já que não havia uma publicação como esta sobre a sua obra. E seria um songbook diferente; com um trabalho gráfico interessante, com comentários do próprio autor sobre as canções, entre outras novidades. Ele topou e comecei a trabalhar. Convidei a Vânia Medeiros para cuidar do design gráfico, que ficou primoroso e super original; convidei a Tatiana Lima, jornalista soteropolitana, biógrafa de Tom Zé e nossa amiga em comum para escrever o texto biográfico – e convidei o Luiz Tatit, esse outro grande gênio brasileiro, para escrever o prefácio. A edição é da Multifoco, editora aqui do Rio, que lançou o livro no segundo semestre do ano passado. Então, o contato passou a existir, tanto com o Tom Zé quanto com o Luiz Tatit, por causa deste trabalho. Quando eu decidi finalmente fazer o CD, em meio a isso tudo, naturalmente os convidei para selarmos nossas parcerias de composição, também. E isso foi um mais presente incrível; os dois são patrimônio desse país. São gênios, ídolos.


Seu álbum conta com duas participações especiais. Uma é da cantora Ariella e a outra de Verônica Ferriani. Desde a concepção do projeto já havia a ideia dessas participações desses nomes ou eles vieram posteriormente? Como se deram os convites?

EM - “Me love me”, a canção que traz a participação da Verônica Ferriani, é música minha construída a partir de uma letra do Fernando Salem, esse outro compositor fera de São Paulo. Enquanto eu estava trabalhando no arranjo da canção, achei que ela diria bem mais se eu unisse uma voz feminina à minha. A Verônica é uma das grandes cantoras do Brasil entre tantas surgidas nos últimos anos e que agora, com seu segundo disco, acaba de se revelar uma excelente compositora. Ela, o Salem e eu havíamos trabalhado juntos em algumas oportunidades em São Paulo. Então, como já existia essa sinergia, não deu outra: a canção na verdade estava esperando pela Verônica, eu apenas a comuniquei disso (risos)! E em “No Japão”, a decisão foi mais ou menos parecida, só que veio depois. Também quis uma outra voz, feminina, pra dialogar comigo, pois a melodia se repete bastante e a letra do Oto Paim é uma obra-prima; também merecia ser sublinhada por mais uma voz poderosa. Convidei a Ariella porque fiquei impressionado com ela. Nunca tínhamos trabalhado juntos, somente feito um som sem compromisso; eu, ela e a turma dos Ilhonas, de Taubaté. Achei que ela entraria muito bem nessa canção e confirmei essa impressão. Acredito muito na Ariella, que está gravando seu primeiro CD solo neste momento, para o qual, especialmente, compus uma música nova. Ela tem muita força.

Essa sua participação nas diversas etapas da concepção do álbum permite que você o molde da maneira como você de fato deseja, no entanto isso gera uma demanda de responsabilidade aquém do habitual. Apesar de todo o trabalho que deduzo ter havido o resultado saiu conforme o que você desejava?

EM - De fato é um trabalho intenso, contínuo, vocêc dorme e acorda pensando só nas coisas que estão dentro desse processo: em acordes e versos, em timbres e texturas, em plugins e equipamentos, em autorizações e cartórios, em divulgação e formação de público. Tudo ao mesmo tempo. Aprendi a fazer várias dessas coisas só na hora de fazer (ainda estou aprendendo). No final das contas, o disco ficou realmente melhor do que eu esperava, quando comecei. E depois, com a boa recepção que ele tem tido, só tenho o que comemorar.



Você tem pretensões para lançar este ano seu novo projeto não é isso? O que você poderia nos adiantar a respeito?

EM - Está bem informado (risos)! A gente começou a pré-produção agora em fevereiro; começamos a trabalhar nas primeiras músicas justamente agora. Não tenho certeza se sairá este ano, talvez saia em 2015. O que posso adiantar é que dessa vez vou ter a alegria de trazer um grande time comigo, trabalhando nos arranjos, nos instrumentos. Não vou mais sair tocando tudo, como da outra vez. Os meninos da banda que me acompanha estarão presentes, além de outros craques da nova geração de músicos cariocas, também. O que posso dizer é que vem mais coisa bonita por aí. Aguardem!


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O álbum pode ser encontrado nos seguintes endereços:

Livraria Cultura - Salvador
Livraria Cultura - Fortaleza
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Livraria Cultura - Brasilia / Lago Norte - Tel: 61 2109-2701
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ORIGINAL E VERSÁTIL, EMERSON LEAL TRAZ EM CD HOMÔNIMO UM PROFÍCUO CAMINHO PARA O FUTURO DA MPB

Com o aval de nomes como Chico Buarque, Tom Zé e Luiz Tatit, o artista soteropolitano Emerson Leal lança CD homônimo mostrando um caminho

Por Bruno Negromonte



A renovação da música popular brasileira é algo constante. Principalmente nos dias atuais, onde uma nova conjuntura advinda com o avanço das tecnologias propicia isso. O que antes restringia-se as grandes gravadoras passou a ter uma maior autonomia, abrindo as portas e facilitando a vida dos artistas que não estão com seus nomes vinculados as multinacionais da indústria da música. É bom ressaltar que as amarras não deixaram de existir, mas com este novo panorama foram criados caminhos alternativos, modificando o modo de se produzir música não só no Brasil, mas em todo o mundo. Hoje é possível gravar um disco sem sair de casa, assim como também gravar e se lançar um projeto sem necessariamente existir o produto físico entre outras diversas alternativas existentes. No entanto nem tudo são flores nesta atual realidade, uma vez que a demanda de novos artistas e seus respectivos produtos em um país de proporções continentais acaba em muitos casos limitando-se a determinadas regiões por conta da hegemonia ainda existente das grandes gravadoras e seus lobbys com alguns grupos que regem os principais meios de comunicação existentes. Esse tipo de situação dificulta a execução e consequentemente a propagação da boa música independente e para superar isso é necessário talento. Característica que Emerson Leal possui em demasia e que tem atraído a atenção de grandes medalhões da música brasileira. Se compararmos o cenário antes descrito a uma grande colcha de retalhos, podemos afirmar , sem sombra de dúvidas, que este o cantor e compositor soteropolitano da nova safra da MPB é uma estampa de fino trato que vem bordando com os mais preciosos fios da canção a sua trajetória. Seu talento singular, o faz múltiplo em sua sonoridade atraindo a atenção do meio musical, como foi o caso de Chico Buarque, uma de suas grandes referências, que em depoimento dado pela internet confidenciou ao João Bosco que Emerson seria uma "fera", um verdadeiro "craque". 



Radicado no Rio de Janeiro desde 2008, o músico autodidata trouxe em sua bagagem a diversidade rítmica que caracteriza a sua terra de origem, a Bahia, acoplando a isso características intrínsecas de suas experiências que o fazem ir além das fronteiras musicais convencionais. Melodista preciso, o seu talento inato acabou o credenciando a parcerias com nomes como Tom Zé e Luiz Tatit, que em entrevista afirmou que Emerson apresenta um trabalho que chega para cumprir um crucial papel no cenário atual da música brasileira, pois apresenta todos os elementos que constituem e que se espera de uma canção bem feita. Vale ressaltar que antes de sua chegada ao Rio, Leal já incursionava pela música quando residia ainda em Salvador apresentando-se em espetáculos como o “Arte final” ao lado da banda Oda Mae Brown, a qual além de ser um dos fundadores, tocava guitarra, cantava e compunha. Sua experiência no Rio de Janeiro e o "know-how" adquirido a partir destas vivências substanciou as múltiplas facetas do artista, de modo que isso hoje reflete-se em seu trabalho tanto no modo de compor, quanto de tocar e cantar. Multifetado, é válido lembrar que o artista, ao lado de nomes como Tom Zé, Luiz Tatit, Tatiana Lima e Vânia Medeiros, foi responsável pelo lançamento do BookSong Tom Zé, um apanhado com 30 canções do cantor e compositor de Irará (BA) e publicado pela Editora Multifoco.

Lançado em 2012, o disco que leva seu nome conta com 10 canções. Dessas Leal assina nove. A única que não é de sua autoria é "Blues da vampira", da lavra do compositor Eduardo Pinheiro. Com o baiano Oto Paim assina "No Japão" (que conta com a participação da cantora Ariella, vocalista da extinta banda paulista Os Ilhonas) e "Doce", que segundo o cantor e compositor foi composta ainda na época do colégio e era o nosso sucesso nas rodinhas de violão. Com Fernando Salem compôs "Me love me", um ijexá que conta com a participação da cantora Verônica Ferriani. "O Salem me mandou essa letra. Achei que tinha uma cara de ijexá e assim fiz, com a melodia. Ele incluiu essa canção nos shows que fez na época de lançamento do seu disco de 2010, o "Rugas na pele do samba", mas ainda não tinha sido lançada em disco. Quando fui gravar, pensei que seria ótimo ter a companhia de uma voz feminina e convidei a Verônica Ferriani, que arrasou, como sempre!" relata o Leal. Consta também no álbum parcerias com nomes como Tom Zé (que assina, de modo hábil, a letra de"Círculo") e Luiz Tatit, cuja a parceria rendeu duas canções: "Coisa perene" e a a meticulosa "Das flores e das dores". De modo solo Emerson Leal ainda apresenta "(Que é que te deu) de repente", "Mais da cama que da fama" e "Silêncios", canções que atestam e expõem o talento autoral do artista. Gravado no estúdio carioca El Tiburón, o disco conta com as guitarras de Fabrício Mota e o acordeon de Marcus Zanomia, além do multifacetado Emerson Leal que assume não apenas a concepção e produção do projeto, mas todo o cerne do álbum, desde as programações, instrumentos, vozes, arranjos e o projeto gráfico até a edição, gravação, mixagem entre outras etapas que levam ao resultado final deste debute fonográfico com distribuição da Tratore. 



Sob a égide de grandes nomes da MPB Leal chega trazendo em sua arte um novo gás que faz-se necessário para esta renovação substancial da música popular brasileira sem deixar de perpassar pela rica sonoridade já existente em nossa arte através dos mais diversos gêneros de modo bastante eficiente e com letras e melodias bastante originais, o que acaba credenciando-lhe, sem sombra de dúvidas, como um dos mais promissores nomes da música brasileira da atualidade com um trabalho que substancia-se em peculiaridades que acabam por destacá-lo. Seja no modo original de escrever suas letras, seja em sua maneira perspicaz de compor e executar suas melodias, seja através do seu afinado canto quando solta a sua voz Emerson Leal mostra uma arte feita com esmero a partir de valorização de todas as etapas em um trabalho onde letra e melodia unem-se de modo uníssono, celebrando a canção e o bom gosto.


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O álbum pode ser encontrado nos seguintes endereços:

Livraria Cultura - Salvador
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